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Especial Barracões SP, Dragões da Real homenageia João Pessoa e promete inovar em seu desfile no Carnaval 2023

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Dando sequência a Série Barracões São Paulo, a equipe do site CARNAVALESCO visitou o barracão da Dragões da Real para conversar com o carnavalesco Jorge Freitas e conhecer o projeto de desfile da escola para o carnaval 2023. A agremiação irá fazer uma homenagem à cidade de João Pessoa, capital da Paraíba. O enredo tem como título “Paraíso Paraibano – João Pessoa, a Porta do sol das Américas”.

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Fotos: Gustavo Lima/Site CARNAVALESCO

“Como já diz o enredo, os primeiros raios de sol das Américas aparecem em João Pessoa. Às 4h30 e 5h da manhã já é dia e aquele sol irradiante. Nada melhor do que a gente ser a última escola do carnaval paulistano encerrando o desfile com um enredo sobre esse amanhecer. O nosso protagonista da história é o sol. A cidade de João Pessoa é homenageada por ser conhecida como o extremo oriental das Américas”, explicou o carnavalesco Jorge Freitas.

A exaltação da capital paraibana

Jorge Freitas já teve experiência com um enredo parecido, só que foi desenvolvido no carnaval carioca. Em 1999, na Unidos de Vila Isabel, o artista assinou o tema intitulado como “João Pessoa, onde o sol brilha mais cedo”. Entretanto, de acordo com Freitas, o contexto atual é totalmente diferente, pois muita coisa mudou dentro da capital paraibana. O carnavalesco também deu mais detalhes do que a agremiação irá levar para a avenida e contou sobre as riquezas que a cidade oferece.

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“Fiz esse tema em 1999 com uma abordagem completamente diferente do que vai ser hoje. João Pessoa cresceu muito. Além de ser a terceira capital mais antiga do Brasil, ela passou por uma evolução muito grande. Muitos acham que é um enredo CEP, mas não. É o fato de você valorizar as cidades que tem o foco no que me interessa. O que me interessa em João Pessoa é que ela preserva as suas raízes mesmo com o contemporâneo. A questão cultural que a gente vê muito na Europa, onde constroem uma cidade preservando a história da cidade antiga e João Pessoa também faz muito isso. Acho que é por isso que o pessoense se tornou um ser humano muito enraizado, mas de uma cultura muito diversificada, porque é um povo cultural. O que nós vamos colocar na avenida são as manifestações culturais de João Pessoa. Tanto é que nosso símbolo, que é o dragão, chega no paraíso que é João Pessoa e ele se depara com uma das maiores manifestações carnavalescas da cidade, que é a Muriçocas do Miramar. Acontece na quarta-feira que antecede a quarta-feira de cinzas e é uma espécie de micareta que reúne milhares de pessoas. Nada melhor do que a gente ser recebido dentro de um pré-carnavalesco onde a manifestação do carnaval está no povo da Paraíba. Ali a gente começa a fazer uma grande viagem através de algumas manifestações. João Pessoa é conhecida como a capital mundial das quadrilhas juninas, é a capital mais verde do Brasil e a segunda mais verde do mundo. A peculiaridade do povo pessoense é que eles são hospitaleiros. Por isso, nada melhor do que a Dragões para homenagear, porque é um povo feliz. Acho que o enredo de João Pessoa para a Dragões da Real foi um tema bem encaixado dentro da filosofia que a escola tem desde a sua fundação. A gente tem tudo para fazer um grande espetáculo”, explicou.

A pesquisa de enredo e a diferença plástica

O carnavalesco é conhecido por fazer desfiles luxuosos e ter muitos requintes em seus materiais. Além disso, suas alegorias são muito detalhadas e com fácil entendimento. Jorge Freitas falou que a Dragões da Real vai inovar na parte plástica e que todas as execuções de pesquisas foram montadas com sucesso.

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“O módulo visual contempla enredo, alegoria e fantasia. A parte plástica, todos que puderem ter a oportunidade de ver a Dragões, é totalmente diferente do que a escola vem mostrando, mas também é uma ousadia pela questão do folião. Ele que vai ter que trazer a questão do aplauso. Ele vai brincar de carnaval. As nossas fantasias não têm um volume muito grande, mas tem uma confecção extraordinariamente de qualidade. As pessoas vão poder ver um carnaval muito bem construído. A parte de pesquisa que a gente escreve e a execução, é o que se mostra na avenida. A adequação e execução estão muito bem montadas. Vocês vão poder acompanhar um carnaval muito didático e audiovisual. Vai ouvir o samba e vai ver através das alegorias e fantasias, tudo passando na avenida. Acho que a primeira coisa é a leitura. É ouvir, olhar e identificar. Isso é primordial de um tema e que na execução no dia do desfile, a gente tem que mostrar o que está sendo cantado e colocado na sinopse”, afirmou.

Um tema para a comunidade

Jorge Freitas quis levar um tema descontraído para a agremiação. De acordo com o carnavalesco, houve uma comoção muito grande. De fato dá para ver que a comunidade aceitou prontamente, principalmente o samba-enredo. “O que eu queria fazer no meu primeiro carnaval da Dragões era um enredo descontraído. Nada melhor do que eu ter uma linha histórica apurada de diversos anos que eu vou a João Pessoa para desenvolver um tema que eu acho que logo assim que foi apresentado o enredo para a escola e logo assim que foi escolhido o samba, houve uma comoção muito grande por parte dos componentes. Eles se integraram muito bem ao tema e ao samba”, declarou.

Buscando um grande espetáculo e resultado

Desde que estreou no Grupo Especial, no ano de 2012, a Dragões da Real têm feito grandes desfiles e em seis oportunidades, foi ao desfile das campeãs, sendo duas vezes vice. Agora, a agremiação contratou um dos carnavalescos mais renomados do carnaval paulistano. Desde que chegou, em 2000, Jorge Freitas conquistou seis títulos por diversas agremiações, além de revolucionar a forma como as escolas desfilam, trazer outros profissionais que viraram carnavalescos e inspirar outros artistas. É uma grande aposta da entidade, mas Freitas pregou cautela e, acima de tudo, quer proporcionar um espetáculo para a folia paulistana.

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“Falar de título é claro que todos querem. Não vamos ser demagogos. Nós estamos indo pra lá pra disputar e ganhar, mas hoje a nossa preparação é de fazer um grande espetáculo. A gente vai fazer com que as pessoas que estiverem assistindo carnaval, que brinquem com a Dragões. Um carnaval descontraído, solto e alegre para que os componentes possam realmente se divertir, brincar e, acima de tudo, um comprometimento muito grande com a nossa comunidade e por parte de todos os integrantes da Dragões da Real”, disse.

Conheça o desfile

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“A nossa abertura é uma das manifestações de João Pessoa. O povo pessoense além de ter essa raiz cultural muito forte, ele ama a sua terra. A gente atravessa o mar na nossa visão, ele recebe os raios de ouro do sol. De plano de fundo a gente vem fechando com o nosso abre-alas, que é a chegada do nosso símbolo maior, que é a terra de João Pessoa”.

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“O segundo setor a gente vem falando das Muriçocas do Miramar que é a nossa bateria. Depois vem com o bloco das acácias, que é maravilhoso. Depois os arlequins verdejantes por ser a capital mais verde do Brasil e o Bloco da Arla Ursa que é uma manifestação de João Pessoa e eles se apresentam no carnaval. A gente fecha esse setor com a quarta-feira de fogo, que é uma ala coreografada e, encerrando de plano de fundo o cenário, o carro das Muriçocas do Miramar. Está muito bem amarrado com uma diversidade de cores fenomenal”.

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“A gente parte para o setor da manifestação junina, que é o ciclo junino de João Pessoa que é muito forte. Vamos para a quadrilha do Cariri, as nossas baianas vão representar os santos São João, Santo Antônio e São Pedro. Depois a gente vem com a ala do xaxado, que é dança e com a ala da questão cultural que é a cavalhada artesanal deles. Depois fechamos esse setor com a alegoria da força da mulher paraibana”.

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“A gente abre logo em seguida falando do artesanato, gastronomia, verdes matas, já fazendo alusão às raízes da formação do povo paraibano, que é os tabajaras, cariris e potiguaras. Toda essa junção indígena é que deu origem cultural e enraizada ao pessoense. Depois a gente encerra o nosso carnaval com ele que vem traçando toda a nossa viagem, que é o sol. Vamos fazer uma grande viagem ao paraíso paraibano”.

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Ficha técnica
Quatro alegorias
2300 componentes
Carnavalesco: Jorge Freitas
Diretor de Carnaval: Márcio Santana
Diretores de barracão: Igor Remondini e Rick Wesley

Enredos 2023: as homenagens aguardadas que serão cantadas na Avenida

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Voltamos para encerrar nosso passeio pelos enredos do Grupo Especial carioca para 2023. Das últimas vezes, tentei reunir os enredos propondo alguns recortes que os aproximavam. No primeiro texto, exploramos os temas que falam de céus e paraísos. Já no segundo, falamos daqueles que exploram regiões brasileiras ao norte e nordeste.

Esse último grupo de quatros enredos restantes — formado por Grande Rio, Império Serrano, Viradouro e Vila Isabel — não forma exatamente uma seleção homogênea de temas. Pelo contrário, reafirmam a diversidade das escolhas narrativas, apesar de alguns deles se aproximarem também. Um exemplo disso é a dupla formada por Caxias e o Reizinho de Madureira, ambas homenagearão grandes sambistas brasileiros: Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho.

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Os dois artistas são frutos de uma mesma geração, surgidos na década de 1980 nas sombras da Tamarineira do Cacique de Ramos. Quiseram os orixás que dois amigos tão próximos desfilassem seguidos na Avenida, abrindo a folia deste ano no domingo. Além de tocarem em universos próximos, a condução das narrativas pelos carnavalescos também se aproximou ao optarem por abordagens geográficas.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação

Na Grande Rio, a narrativa começa exatamente no dia 23 de abril, dia do cortejo campeão da tricolor. Após saudar Exu, a escola segue a gira com Ogum (o segundo a baixar no xirê) e vai até a alvorada de São Jorge para procurar Zeca Pagodinho. O enredo então segue uma busca pelo artista, inspirado na canção “Zeca, Cadê Você?”, a partir de lugares afetivos de sua história: Irajá, Del Castilho, Ramos, Madureira e Oswaldo Cruz, até chegar em Xerém, distrito da cidade de Duque de Caxias, onde o artista fez o seu recanto pessoal.

Desenvolvido por Leonardo Bora e Gabriel Haddad, com pesquisa de Vinícius Natal, o enredo é bem construído exatamente por essa condução inteligente e bem amarrada que foge a uma biografia habitual. Se tivesse que ser encaixado num gênero literário, inclusive, a narrativa não estaria tanto para um texto biográfico, mas sim uma verdadeira crônica do subúrbio e da cultura carioca, que será conduzida a partir da obra do homenageado.

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Quem também trará a devoção por São Jorge logo na sua abertura será o Império Serrano. O padroeiro da agremiação é quem abre a narrativa proposta por Alex de Souza, que também se inspirou numa música. Dessa vez o clássico “Meu Lugar” se expandirá para virar os “Lugares de Arlindo” — explorando a vasta obra musical do marido de Babi Cruz.

Apesar de tantas semelhanças entre os dois enredos — o que não se configura como um problema de modo algum — a narrativa da verde e branco tem um caráter afetivo maior por louvar um nome de sua própria história. Afinal, a própria Serrinha é um dos “lugares” do homenageado, o que garante também um passeio pela história da agremiação e seus baluartes. Já é um trunfo e tanto apostar nessa emoção e afetividade para buscar a permanência no grupo especial. Uma escolha muito mais acertada do que na sua última passagem da Serrinha na elite da folia.

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Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

Saímos do pagode contemporâneo e voltamos para o período colonial brasileiro. Pois foi no século XVIII que viveu Rosa Maria Egipcíaca, mais um enredo biográfico que vai passar na Avenida em 2023. A história da mulher negra que foi de meretriz a santa aclamada pelo povo será apresentada pelo Viradouro na segunda-feira de carnaval, sob a batuta criativa de Tarcísio Zanon, com desenvolvimento e pesquisa de João Gustavo Melo.

Apesar de ser tratado por alguns como um tema “católico” ou “religioso”, o passeio dos setores terá um recorte bem mais abrangente. Já que a narrativa parte da diáspora africana, segue pelo ciclo do ouro de Minas Gerais e explora ainda outros aspectos que permitem uma abordagem mais histórica. As possibilidades estéticas a serem exploradas são tão ricas que o carnavalesco definiu o tema como “afro-barroco”, prometendo um recorte inovador. Com uma das premissas mais originais do ano, a Viradouro vai cumprir aquele papel importante de uma agremiação: revelar ao público uma personagem pouco conhecida da história brasileira que merece ganhar mais holofotes.

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Por fim, temos um enredo que destoa bastante das outras propostas apresentadas. Se falamos de algumas propostas com forte densidade cultural e uma pesquisa apurada, a Vila Isabel deverá seguir por uma viagem mais temática. Celebrações religiosas espalhadas pelo mundo são a condução de “Nessa festa eu levo fé”. Simples assim, já que a peregrinação proposta não tem um desenvolvimento mais cuidadoso ou um fio-condutor definido.

Uma narrativa direta pode ter suas qualidades. A conferir se tal objetividade proposta não será apenas uma premissa de onde sairão os momentos visuais que Paulo Barros quer representar em alegorias, desvalorizando o enredo em detrimento da estética. Se esse tipo de proposta foi eficaz no passado, parece bem menos pertinente atualmente, principalmente em comparação com a variedade expressiva e qualitativa dos demais enredos. Verdade seja dita, a surpresa que o carnavalesco sempre busca atingir poderia ser mesmo a reinvenção do seu estilo já conhecido, que apesar de ter feito história na festa precisa seguir novos caminhos.

Lidas todas as sinopses, investigados os temas apresentados e especulado sobre eles, agora é hora de sair da teoria e conferir como os enredos se darão na Avenida. Pois é lá, na pista da Sapucaí, que as narrativas se concluem e podem ser analisadas de fato, no desenrolar de alegorias e fantasias. Chega logo carnaval!

PodCarnavalesco com João Drumond, diretor executivo da Imperatriz: ‘A gente veste a escola inteira com pessoas da comunidade’

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Entrevistão com Guanayra Firmino: ‘Eu me posiciono como presidenta, como pessoa e como Mangueira’

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A presidenta da Mangueira conversou com o site CARNAVALESCO sobre as expectativas para o Carnaval de 2023, gestão da verde e rosa e a influência de ex-presidentes. Guanayra Firmino está em seu primeiro ano de gestão como presidente, mas tem uma longa trajetória dentro da Estação Primeira de Mangueira. Trabalha ativamente na escola de samba desde a gestão presidencial de seu pai, Roberto Firmino dos Santos, entre 1992 e 1995. Responsável pela aproximação da agremiação com a comunidade, a presidenta diz que o povo do Morro da Mangueira a vê como liderança.

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Fotos: Matheus Vinícius/Site CARNAVALESCO

Ao site CARNAVALESCO, Guanayra falou sobre sua relação com os ex-presidentes Elmo José dos Santos, Álvaro Luiz Caetano, o Alvinho, Chiquinho da Mangueira e Elias Riche, além de comentar sobre os recursos financeiros da verde e rosa e a importância de se posicionar politicamente.

O que representa para você ser a presidenta da Mangueira?

“Além da honra, de tudo que a Mangueira representa para mim, para os meus ancestrais, para minha família, é o maior desafio da minha vida. É um desafio. Eu sou uma pessoa que sempre estive e sempre estou envolvida em algum movimento, alguma coisa popular. Estou na Mangueira desde o início da gestão do Chiquinho, sendo o braço direito dele ou, como ele dizia, ‘o braço direito e o esquerdo’. Fui vice-presidente do Elias. Então, dentro da Mangueira, eu já fui presidente de ala reunida, presidente de Comissão de Carnaval. Eu digo, dentro da Mangueira e para minha vida, [ser presidenta] é o maior desafio de eu me superar no que faço, no que eu acho que sei fazer”.

Pós-desfile de 2022 os mangueirenses ficaram preocupados com muitas saídas, mas depois o clima melhorou. Como aconteceram essas mudanças e por qual motivo?

“Na verdade, a Mangueira teve mudanças porque as pessoas pediram para sair. E foi bem antes da minha eleição – nada contra minha pessoa. A gente ia entrar em um processo eleitoral e aí carnavalesco resolveu sair, o coreógrafo da comissão de carnaval. As saídas maiores foram as pessoas que procuraram sair. Foram sentidas, mas a Mangueira segue, tem que seguir. Fechei com a porta-bandeira, a Squel, depois ela me procurou dizendo que ia parar. Também foi uma surpresa grande, mas no mesmo dia eu consegui uma ótima porta-bandeira. E os outros que foram diretor musical, mestre de bateria, são coisas que eu por estar aqui há nove anos na gestão fui vendo, fui pensando: ‘se eu fizer assim, se fizer assado’. E aí assumi a presidência e eu resolvi colocar minhas teorias na prática”.

Doeu a saída do Leandro Vieira ou foi o fim de um ciclo que deu certo, mas que sempre tem uma mudança para oxigenar?

“Leandro é uma pessoa querida. Chegou na gestão do Chiquinho e a primeira pessoa que abraçou ele fui eu. Me dou com ele, já fui na minha casa sem ser pela escola de samba, era muito amigo do meu filho. Doeu sim, mas vida que segue”.

A Annik já passou pelo Especial e o Estevão vai estrear. Com vocês chegou aos dois nomes?

“Eu sou uma pessoa admiradora do grupo de acesso. Eu prefiro até ver esses desfiles na televisão. Eu não gosto de ver carnaval por ver, eu gosto de estar olhando ‘esse trabalho aqui, esse carnavalesco, esse mestre de bateria’. Eu gosto muito de ficar em casa vendo acesso. Eu ficava aqui entregando fantasia de comunidade nesses nove anos, mas corria para casa para ver. Aí eu me encantei pelo trabalho dos dois assistindo o desfile, como também foi o caso da Cintya (porta-bandeira). A Annik eu já conhecia até de nome, o Guilherme ainda não. Me encantei com o trabalho deles e estavam aqui na minha cabeça. Já havia uma possibilidade de eu ser candidata [à presidência], mas claro que, se o Leandro estivesse aqui naquela época, eu não ia pensar em trocar. Como aconteceu do Leandro falar que ia sair, eu já tinha na minha cabeça essa ideia. Conversei com eles, os dois tinham ideias de enredo muito parecidas. Todos que entrevistei eu perguntava: ‘Se hoje você fosse me apresentar um enredo, qual seria?’ Eu sou encantada por enredos falando da brasilidade e da África, nem se fala. Eu sou um entusiasta desse tipo de enredo. Até a Mangueira faz muito pouco. Aí os dois me apresentaram ideias muito parecidas e eu estava querendo já montar uma dupla: bateu, casou. Conversei com um se aceitava o outro e começou o namoro. Agora já estão no noivado. Se dão muito bem”.

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É falado nos bastidores que a Mangueira terá um pouco mais de “conforto financeiro” do que nos últimos anos pelo apoio da Bahia. É por aí o caminho?

“Nenhum centavo. Até que a gente está tentando, mas até hoje nada. Quando se fala de um estado, de um país, todo mundo acha que entrou um dinheiro. Eu estive na Bahia semana passada e me disseram que nós ganhamos R$ 2 milhões da prefeitura. [Quem disse] Isso foram amigos nossos de blocos, que vão até participar. Eu falei ‘quem dera, a gente está aqui buscando isso’. Nada, nada. Nem um real. Esperamos que chegue alguma coisa a tempo”.

Hoje, a Mangueira vive melhor financeiramente ou ainda tem que pagar dívidas de gestões passadas?

“A Mangueira não tem uma dívida como lá em 2013. Tem muita coisa paga nesse período. Eu peguei a escola que tem umas dívidas já organizadas, parceladas. E a gente segue pagando. A Mangueira não é uma escola rica e continua não sendo. A Mangueira não tem um patrocinador e continua não tendo. O que eu tenho feito é tentar otimizar a forma de usar os recursos. Só isso. Mas com toda dificuldade que a maioria ou todas escolas têm, a gente está colocando o Carnaval na rua. Não está sobrando dinheiro, continua faltando, mas a gente vai tentando administrar os recursos da maneira que a gente acredita que dá para ser. E tentar otimizar mesmo os processos”.

Nos ensaios de rua é possível ver a comunidade atuando o que não estava acontecendo ultimamente. Qual foi o caminho para trazer o pessoal do morro novamente para dentro da escola?

“A comunidade já está assim há muito tempo. Eu comecei um resgaste da ala da comunidade na gestão do meu pai em 1992, porque eu tinha um ressentimento de que a Mangueira se dizia uma escola de comunidade e não tinha uma ala de comunidade. Até saíam pessoas [da comunidade], mas nas alas comerciais. A gente começou timidamente com 300 pessoas na ala da comunidade e as alas comerciais tinham que doar 10% para a escola colocar pessoas da comunidade. E foi legal. Acabou a gestão do meu pai em 1995 e eu me afastei dessa parte, veio outra diretoria. Aí na gestão do Elmo e do Alvinho foi aumentando. Quando veio agora a gestão do Chiquinho, com o poder que eu tinha que fazer as coisas, eu voltei a mexer na comunidade do jeito que é hoje. E ela já vinha assim há bastante tempo, mas esse ano o pessoal está especialmente envolvido. Acho que tem muito a ver com o enredo. Em especial com a ala da comunidade, tem muito a ver com o fato de eu ser presidente ou presidenta, porque eu sou a pessoa responsável pela ala da comunidade. Ainda sou. Eu cuido de tudo. Tenho minha equipe que é a coordenação da comunidade, mas continuo coordenando a coordenação da comunidade. E eles têm uma conexão muito forte comigo, eu vejo a alegria deles, o abraço quando passo, o choro. Teve até choro lá no início. Eles se sentem bem representados pelo nosso enredo, pela presidenta preta da comunidade, que era e é ainda a liderança deles e da escola. Acho que deu um pouco mais de gás”.

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Você sempre se posiciona politicamente. Qual é a importância da presidenta da Mangueira falar sobre assuntos que vão além do desfile e da escola de samba?

“Eu sou uma pessoa que me posiciono politicamente desde os meus 14 anos de idade. Eu acho importante porque eu acho que o Carnaval é político, o samba é político, a escola de samba é política, nós somos seres políticos, queiramos ou não. Acho que a Mangueira, com a representatividade que ela, na minha gestão, tem que se posicionar, mas não do jeito só que eu penso, mas se posicionar do lado do povo, que é também o meu pensamento. E aí eu me posiciono enquanto presidenta, como pessoa e como Mangueira porque eu acho que a Mangueira tem que sempre se posicionar do lado que a gente acha que é certo para o povo. A Mangueira é uma escola do povo, é uma escola extremamente política. A fundação da Mangueira, lá atrás, é extremamente política, aquela resistência do samba. A Mangueira tem que se posicionar da maneira que o povo acha e, hoje em dia, tem o toque da minha opinião também”.

Dentro da Liesa, a Guanayra fala ou prefere mais ouvir?

“Ouvir, até porque estou chegando agora na Liesa”.

Falam também que você não foge da responsabilidade, mas que também cobra os segmentos. Como é a Guanayra presidenta?

“Eu gosto muito de delegar, mas acompanho todos os processos como falei antes, faço questão. Acompanho a parte de comunicação, dou opinião, peço para fazer assim. Delego e vou acompanhando. Dentro do que eu acho que tem que ser, do que eu acredito, se eu achar que está faltando alguma coisa eu vou lá dou esse toque. Isso com os carnavalescos. Só não me meto na parte artística porque não tem como. Mas um toquezinho ‘olha isso aqui não está descascando’, ‘não tem que ver isso antes da Avenida’. Eu tenho esse olhar. Eu gosto de trabalhar assim. Eu gosto de ter uma equipe muito grande, eu não sou sozinha. Sempre para onde eu vou na vida eu carrego muita gente comigo. Dando poderes, mas acompanhando, afinal de contas a responsabilidade é minha”.

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Qual seu samba e seu desfile inesquecível na Mangueira?

“2016. ‘Menina dos olhos de Oyá’. É o carnaval da minha vida. Um carnaval de superação. Eu sou amiga do ex-presidente Chiquinho há uns 33 anos, coisa que a gente construiu dentro da Mangueira. A gente trabalhou muito com o social dentro do Morro da Mangueira. Eu acompanho o trabalho lá desde o início do programa social da Mangueira. Quando o Chiquinho assumiu, me chamou para estar com ele. A gente vinha de uma escola com um processo eleitoral bem complicado naquela época e a gente tentou unir; a Mangueira não vinha de boas colocações apesar de ter estado nas Campeãs. E aí foi um carnaval de superação mesmo, de muito trabalho. O terceiro [da gestão do Chiquinho], a gente já estava mais estruturado. Com todas as dificuldades que a gente vinha, a gente conseguiu vencer aquele Carnaval. Quando saiu o resultado lá na quadra e eu achei que ia morrer. Me abaixei, me bati, foi uma coisa terrível. A minha afilhada dizendo: ‘Deixa ela!’. Mas eu tinha que tirar aquele nó gritando ‘Vencemos! Vencemos!’. Eu achava que a Mangueira merecia mais do que ela estava passando. Dali para cá estamos indo bem, a gente está sempre aí. Ganhamos mais um Carnaval. Sempre nas Campeãs. Esse ano não deu, a escola veio de uma gestão Elias-Guanayra difícil, pandemia, falta de recurso maior do que já é e foi até um bom resultado”.

Você é filha do ex-presidente Roberto Firmino. Qual lição sobre a Mangueira você aprendeu com ele?

“Meu foi presidente em uma época que era completamente diferente, entre 1992 e 1995. Nosso barracão era na Praça XI, a escola tinha bem menos recursos, recursos humanos, mão-de-obra. Naquela época, em termos de aprender para Carnaval, essa parte de barracão, de ateliê. A primeira vez que a Mangueira teve um ateliê próprio para fazer suas próprias fantasias de baiana, bateria, foi na gestão do meu pai e foi eu que criei. Era aqui no galpão de um artista plástico que eu acho que ainda existe. Aluguei um pedaço do galpão dele, fiz lá. A lição disso: de trabalhar com poucos recursos. Nós fizemos carnavais, independente de colocação, bonitos. A lição de agregar pessoas, meu pai era assim também. Eu sempre digo, e vou nesta entrevista, não achava meu pai um bom administrador na parte de gestão. Ele era sambista, entendia de samba, de harmonia. Meu pai foi o primeiro diretor de samba, de harmonia, mas essa parte de gestão não. Isso eu tenho bem diferente dele, porque eu sou gestora na vida. Eu faço gestão desde os 14 anos. Meu pai era aquele homem do samba, de harmonia, diferente. Então, nessa parte eu achei que ele não foi um excelente gestor, mas essa parte estrutural, de trabalho dentro do barracão, aprendi tudo com ele, na gestão dele, e com outras pessoas também. Meu tio Sinhozinho foi presidente também, eu era criança ainda. Lá em casa a gente tem esse sangue. O pai do meu tio, o seu Júlio, foi o segundo presidente, depois de Saturnino. Foi o primeiro diretor de harmonia, meu bisavô. É uma coisa que vem de família”.

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Foto: Lucas Santos/Site CARNAVALESCO

A Mangueira tem diversos presidentes vivos e que foram muito importantes na história da escola. Como você lida com eles na sua gestão?

A gente vem em um grupo desde a gestão do Chiquinho composto no apoio a ele dos ex-presidentes Elmo e Alvinho. O Chiquinho virou ex-presidente e junto com Elmo e Alvinho veio apoiar a gestão do Elias. E, hoje em dia, eu tenho apoio dos quatro na minha gestão e participam. Ontem [terça-feira, 12 de janeiro] mesmo estava aqui o Elias e o Alvinho. Chiquinho está sempre aqui também. O Elmo está aqui toda hora. A gente fala muito, me orienta. Eu costumo dizer que eles são meus mentores. É bom ter o respaldo de presidentes tão importantes para a história da escola já que meu pai não está vivo. É muito bom ter o apoio deles, a participação e a parceria, é importante”.

Vocês criaram uma cerveja, entraram no Metaverso, o que mais você projeta de inovação?

“Tem muitas ideias, mas muitas coisas que não estão concretizadas e aí vou falar. Depois do Carnaval, a gente quer realizar bastante coisa. Agora a gente está muito focado no Carnaval. A gente tem muita ideia porque eu acho que a gente tem unir o tradicional ao novo à parte do Carnaval. As escolas não fazem pirotecnia? Por que não no dia a dia também? A gente tem muitas ideias para colocar em prática, tem coisas que vão acontecer já, mas a gente deixa para a próxima conversa”.

Na gestão do ex-presidente Alvinho sempre tinha uma obra anual na quadra. Você pensa em fazer algo no Palácio do Samba?

“No Chiquinho tinha mais, eram mais obras. Na gestão do Alvinho e do Elias, teve pintura. Nossa pintura está boa. O que preciso fazer agora é recapear aquela parte cinza que está toda estourada, está horrível! Todo dia que eu vejo uma foto de alguém que postou do samba, eu falo ‘Ai meu Deus!’. Mas tinha que parar, só que não podia parar. O carnaval começou em cima, depois veio as eliminatórias da escolha de samba, a gente tem fazer samba, porque o samba não fatura tanto, mas ajuda para uma conta do dia a dia. Não dava para parar, mas a gente pretende depois, nesse período parado, dar uma repaginada. Não é mudança, eu chamo de conservação. Não dá para fazer mudança, a quadra ali já é pequena, não tem o que fazer, aumentar para lá, para cá. A questão mesmo é deixar mais bonita, mais limpa com tintura, pintura”.

O que o mangueirense pode esperar do Carnaval 2023 da Mangueira e de encerrar o domingo do Grupo Especial?

“O mangueirense pode esperar uma escola feliz, aguerrida. Podem esperar da presidenta, ter certeza que eu estou fazendo o máximo para fazer um carnaval bonito, à altura da Mangueira, à altura de todas as escolas do carnaval carioca. Entregar um desfile à altura do nome da Mangueira, como a gente tem feito, mas agora com a minha marca”.

Casal de mestre-sala e porta-bandeira: tradição ou modernidade?

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Mancha Verde opta por descontrair em ensaio técnico e mantém forte canto

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A Mancha Verde realizou o seu primeiro ensaio técnico visando o desfile de 2023. Logo no começo, antes mesmo de entrar na pista, o discurso do presidente Paulo Serdan dizia que era para a comunidade descontrair e sentir o chão do Anhembi. Todos compraram a ideia. Portanto, o desenho da escola ficou somente a marcação do abre-alas. De resto, os componentes puderam usufruir do sambódromo. Houve momento em que a evolução das alas se encontrava, formando uma espécie de ‘caracol’. Nitidamente foi tudo pensado para deixar de lado um treino sério, pois na próxima sexta, a comunidade alviverde retorna ao Anhembi para fazer o seu segundo ensaio técnico. Esse sim deve valer para acertar detalhes, mas neste, os integrantes apenas conheceram o terreno e cantaram forte. O enredo da Mancha Verde para 2023 é “Oxente – Sou Xaxado, Sou Nordeste, Sou Brasil”.

“Hoje na verdade a gente soltou a escola de novo para poder o pessoal curtir, tirar uma onda. A intenção era que eles sentissem mais a pista. Teremos três gerais, então a gente não tinha necessidade de fazer exatamente o que a gente precisa fazer. O que precisava para o início nós fizemos, que era a cronometragem do início até o meio, no recuo da bateria. O que veio após isso já foi brincadeira. A gente tinha drone aqui, filmando tudo, e depois vamos dar uma olhadinha para vermos algumas situações. Mas acho que no geral, para o propósito que tinha hoje, valeu a pena”, explicou o presidente da entidade, Paulo Serdan.

Comissão de frente

A ala fazia uma apresentação muito teatral. A maioria dos integrantes usavam o tradicional chapéu nordestino de cangaceiro e roupas brancas. Todos carregavam uma espécie de espingardas. Tal instrumento simboliza toda a dança do xaxado, que é o enredo da escola. Todos ocupavam a pista o tempo todo, interagiam com o público de forma leve e humorística. Nessa encenação do xaxado, foram inseridos outros personagens nordestinos, como o Padim Ciço e o Luiz Gonzaga. Esse último desfilou sorridente e tocando sanfona durante boa parte do ensaio. Já o Padim Ciço, em alguns momentos, foi ‘benzendo’ os outros integrantes. Isso tudo dentro do humor.

ManchaVerde et Comissao

Harmonia

Foi o mais positivo que a escola pôde tirar de positivo do ensaio. Mesmo com os componentes todos entrelaçados, a comunidade não parou de cantar. Com um samba cuja característica tem uma melodia mais ‘arrastada’ do que o último carnaval, a Mancha Verde conseguiu lidar bem com isso prontamente. A bateria junto com o carro de som deu um andamento adequado para que a harmonia rendesse de forma satisfatória.

O diretor de carnaval da agremiação, Paolo Bianchi, exaltou o canto da comunidade. “Deu tudo como programado. Era um ensaio para a gente tirar a ferrugem da engrenagem da galera. A escola cantou, fez uma brincadeira de voltar que fizemos ontem. Isso mostra que estamos com a escola na mão. É claro que sempre tem um erro ali e aqui, mas vamos trabalhar nessas quatro semanas para buscar nosso sonho. Colocar o componente para brincar, ele vai para casa alegre, feliz e volta com sangue nos olhos. Nosso próximo ensaio é sexta-feira, então fizemos isso para deixar eles com o sabor de querer mais. Provavelmente na sexta-feira ou no próximo ensaio nós devemos repensar a estratégia e chegar próximo do que a gente quer no desfile. Mas o importante era colocar a comunidade para se empolgar e cantar. A nossa avaliação é que a escola cantou. Voltar sexta-feira para mais uma jornada”, declarou.

Mestre-sala e porta-Bandeira

O casal Marcelo Silva e Adriana Gomes naturalmente tem a estratégia de fazer um ensaio que priorize a coreografia dentro do samba. É uma dupla que opta por tentar se desgastar o menos possível. Vale destacar os fervorosos aplausos que o casal recebeu ao longo do ensaio vindo das arquibancadas. Realizaram a coreografia em alguns momentos no ritmo de forró. Porém, a principal noção é que a dupla fez um ensaio estratégico.

ManchaVerde et Casal 2

“Acho que a gente tem que corrigir os erros. Ensaio é para corrigir, para ver se o que a gente plantou vai dar certo ou não. Ensaio é para a gente acertar os pontos, que nem foi isso aqui hoje. O que eu posso dizer é que a gente foi bem. Não foi um espetáculo, mas é o primeiro. Não acabou”, disse a porta-bandeira, Adriana Gomes.

Evolução

Como foi um ensaio para a escola ‘conhecer a avenida’, a Mancha Verde brincou ao longo da pista. Não houve marcações de alegorias, alinhamento das alas e compactação. O fato é que os componentes dançaram muito. Estavam animados e saltitantes. A liberdade e o descompromisso com o treino, talvez despertou isso em todos. Teve um momento em frente ao recuo de bateria em que as alas se entrelaçaram, uma invadiu a outra formando o que parecia quadrilha de festa junina ou ‘caracol’. Não há muitas coreografias, porém destaca-se o primeiro setor em que as três primeiras alas vieram coreografadas. Dentro do samba, os versos “Vem violeiro num repente ajeitado… Tô arretado, a zabumba tá chamando”, os componentes dançam no ritmo do forró.

ManchaVerde et Comunidade

Samba-Enredo

Como dito anteriormente, é um samba melodicamente para trás comparado ao do último carnaval, mas a Mancha Verde se adaptou muito bem. Além disso, tem um jogo de gírias nordestinas que difere. O carro de som comandado pelo intérprete Fredy Vianna, colocou a comunidade para cima. O que é característica do próprio cantor.

ManchaVerde et InterpreteFred

“O primeiro ensaio técnico é sempre para ajustar, as escolas fazem assim normalmente e o Paulo Serdan sempre deixa o primeiro ensaio mais livre para a comunidade vir cantando, brincando, sem aquele apego de avenida. Estamos ensaiando desde setembro e a escola faz grandes ensaios na quadra – posso falar isso com propriedade porque estou lá todo domingo e quinta-feira. A gente vê isso no rosto e na evolução da comunidade. Aqui, o primeiro ensaio é um relaxamento, uma brincadeira com a comunidade. Nos dois últimos ensaios, a gente usa a técnica toda que a gente vai colocar no desfile. De primeira impressão, a escola canta muito e a bateria veio num balanço bom. Acho que a ala musical veio somando muito bem no samba, a gente vem ensaiando muito na quadra e no estúdio. A ala musical está muito bem ensaiada. Trouxemos um sanfoneiro para dar um toque bonito, e, para um primeiro ensaio técnico, foi muito positivo”, contou o intérprete Fredy Vianna.

Outros destaques

– A bateria ‘Puro Balanço’, regida por mestre Guma, já se tornou a cara da escola. Executou bossas e um inédito apagão no refrão principal. Nessa hora, os componentes perceberam o efeito da bateria e começaram a cantar mais forte ainda.

“Eu fiquei muito surpreso pelo volume de pessoas em um domingo e o horário que foi. A pista ficou fervendo. Referente a bateria, a gente continua ensaiando exaustivamente para minimizar os possíveis erros que possam vir a acontecer. Pelo que eu vi, meu raio de audição e visão, gostei muito. Agora vamos ver todo o material de todos os amigos de imprensa que registram e saber o que está certo e o que pode melhorar”, disse mestre Guma.

ManchaVerde et MestreGuma

O diretor ainda falou sobre as bossas e possíveis apagões nos próximos ensaios e desfiles. “A gente monta um mapa de acordo com os pontos da avenida, mas como a gente tem a obrigação da nota, vamos soltando. Lá na primeira cabine e quando eu entro na pista, eu já começo a soltar para sinalizar para os jurados que nós estamos fazendo as bossas. A monumental, que é o termômetro da avenida, a gente faz uma brincadeira com o xaxado e o restante da pista pontuado de acordo com as cabines. Aqui no setor E fizemos uma brincadeira. Vamos soltar as bossas do começo ao fim”, completou.

– Todo o primeiro setor foi vestido de Lampião e Maria Bonita, usando roupas típicas dos personagens.

– A ala musical levou um sanfoneiro que deu um tom no carro de som o tempo todo.

Mordida, Colorado do Brás apresenta Pierrot e pensa em título do Acesso I

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O rebaixamento para o Acesso I deixou a comunidade da Colorado do Brás bastante mexida. No primeiro ensaio técnico da agremiação, realizado no domingo, a escola deu vários indícios de que está trabalhando fortemente para retornar ao Grupo Especial. Com atuação impecável da ala musical e da comissão de frente, o samba rendeu bastante no Anhembi e a agremiação, como um todo, teve poucos deslizes. O enredo “A Ópera de Um Pierrot” deixou ótima impressão, com um pré-refrão marcante e com a impressão de que a escola da região central de São Paulo está em excelente fase.

Samba-Enredo

Na concentração, o presidente Antônio Carlos Borges destacou que a escola é conhecida por ser bastante alegre, leve e solta. Se o clima antes do ensaio começar indicava uma escola com “sangue nos olhos”, o que se viu na passarela foram componentes bastante felizes, o que incluía o canto de forma bastante espontânea e leve.

Se não “pegou” nas arquibancadas do Anhembi (com menos torcedores que no último sábado, por exemplo), a canção foi bem abraçada pelos desfilantes. Tanto foi assim que Léo do Cavaco, intérprete da escola, não precisou chamar os foliões, focando na condução da música – muito bem feita, por sinal.

O pré-refrão (“Se a lágrima rolar pelo meu rosto/É porque estou disposto/A retomar o meu lugar”) pareceu nortear boa parte do que a escola fazia na avenida. A reportagem interpretou que tal estrofe da canção é um recado de que o rebaixamento ao Grupo de Acesso foi um tanto quanto injusto – o que, obviamente, motiva todos. Ao tal trecho ser entoado, evoluções distintas acontecem, a bateria faz alguma bossa, a escola responde no canto.

Comissão de Frente

Cada um dos integrantes possuía um adereço, mas os principais destaques estão relacionados à dança. Com uma coreografia curta, quase que marcando o samba-enredo pari passu, é facilmente distinguível (até mesmo pelas roupas, distintas das demais) o componente que interpreta o Pierrot e a que interpreta a Colombina.

colorado 3

Outro ponto que chamou atenção dos componentes, com fantasias bastante leves, foi a expressão. Em momentos tensos, todos franziam a testa e fechavam o rosto; em tristes, até mesmo as pálpebras ficam caídas; em alegres, todos sorriam tal qual uma criança ao ganhar um brinquedo.

Havia um tripé, em formato de coração, que se integrava aos componentes em determinado momento. Ele, ao menos neste ensaio técnico, não teve muito destaque – funcionando, até certo ponto, como uma espécie de pede-passagem, já que estava bem inserido no enredo. Todo o destaque da apresentação, entretanto, vai para os componentes e todos os envolvidos na grande exibição deles.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

No primeiro ano como primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Colorado do Brás, Brunno Mathias e Jéssica Veríssimo tiverem atuação bastante satisfatória. Até a Arquibancada Monumental, eles interagiam mais com o samba (como no verso “se a lágrima rolar pelo meu rosto”, em que faziam uma coreografia especial), com movimentos remetendo ao Pierrot e à Colombina. Após o espaço citado, ambos passaram a girar bem mais, em sentido horário. Cabe destacar a sincronia entre ambos, sendo possível observar até mesmo a uniformidade do movimento do pavilhão, da saia de Jéssica e dos pés sambando de Brunno.

colorado 5

No começo do setor C, Brunno hesitou alguns momentos para desfraldar o pavilhão vermelho e branco por conta de uma rajada de vento – que, por sinal, estava bem mais forte no domingo que no sábado, por exemplo. Um deslize bastante discreto, mas que, como ocorreu pouco depois de uma cabine de jurados, dependendo do campo de visão do julgador do quesito, pode ter consequências negativas.

Por falar em cabine, vale destacar a extrema elegância e graciosidade do casal ao longo de toda a passarela, em especial em frente aos julgadores. Sempre sorrindo, sabem ser firmes e defender com simpatia as cores da escola.

A atuação foi bastante comemorada pela coreógrafa do casal, que sorriu e exaltou bastante ambos.

Evolução

As alas coreografadas do primeiro setor trouxeram bastante movimento e dinamismo para a escola, que já chegou ao Anhembi evoluindo bastante. Depois do carro abre-alas, entretanto, a escola teve poucos espaços com coreografia pré-definida – algumas partes do samba, entretanto, eram marcadas e feitas por boa parte da agremiação. Boa parte dos componentes, por sinal, utilizava algum adereço – sobretudo balões de gás.

colorado 12

Hora sempre complicada para a escola, o recuo de bateria não teve problemas. Indo para o espaço por uma pequena fresta, a ala coreografada subsequente não demorou para tomar o lugar dos ritmistas. Um staff ficou no final da área recuada e fechou o punho, indicando que a escola deveria paralisar o andamento de componentes – e assim ficou por cerca de curtos dois ou três minutos. Ao fim desse tempo, ele fez sinal para a direita, pedindo para a agremiação voltar a evoluir.

Entre os setores C e D do Anhembi, chamou atenção o fato de uma staff sair da lateral do Anhembi para impedir que a segunda ala após o abre-alas embolasse com a primeira. Tão logo a situação foi controlada, ela retornou para o espaço.

Harmonia

O primeiro setor, com alas coreografadas e dando extrema importância para a dança na comissão de frente e no casal de mestre-sala e porta-bandeira, praticamente não cantou. Após a Arquibancada Monumental, entretanto, após o staff da escola alertar os componentes, o canto melhorou exponencialmente. Os componentes do setor souberam se recuperar.

colorado 12

Nos demais setores, o canto foi bastante uniforme e bom. Chamou atenção, por sinal, a tranquilidade dos staffs ao longo de toda a passarela, aparentemente satisfeitos. Mesmo no último setor do Anhembi, onde alguns componentes costumam cantar menos por conta do cansaço, os foliões corresponderam bastante positivamente.

Outros destaques

– No discurso antes do início do ensaio técnico, o presidente da Colorado, Antônio Carlos Borges, o Ká, afirmou que tem que se segurar para “falar algumas coisas que dá vontade”, além de deixar claro que a agremiação foi injustiçada momentos depois.

– No abre-alas, chamou atenção a presença de um elemento – parecia remeter ao desfile do ano anterior. As dimensões do espaço destinado a ele chamaram atenção: ao menos no ensaio técnico, pareceu ser grande e largo.

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– Com menos bossas que boa parte das demais escolas que se apresentaram no Anhembi até aqui, a Ritmo Responsa, comandada por Mestre Allan, teve resposta integral dos componentes às convenções propostas. Como boa parte da escola como um todo, o pré-refrão mereceu atenção especial, com paradinhas que empolgaram os foliões.

– Os ritmistas, por sinal, não encerraram o desfile, como acontece com frequência no carnaval paulistano. Ao voltar para a pista, ainda haviam alas de passistas e até mesmo um carro alegórico.

colorado 11

– O ano de 2023 será o primeiro de Camila Prins como rainha da bateria da Colorado do Brás – antes, ela era a Rainha LGBTQIA+ da Ritmo Responsa. É a primeira transexual em tal posto no carnaval paulistano em toda a história.

– As tradicionalíssimas baianas estavam bastante sorridentes e girando bastante, com uma roupa bastante leve.

Casal e Batucada do Leão movem Leandro de Itaquera em ensaio técnico

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A Leandro de Itaquera foi a terceira escola a ensaiar no Sambódromo do Anhembi neste domingo. Recém rebaixado para o Grupo de Acesso II, a agremiação da Zona Leste de São Paulo vive seu momento mais conturbado na história desde a fundação. Pois deu para sentir um pouco da tensão nos diretores e componentes nesta volta ao palco. Ao mesmo tempo que podemos destacar o casal e a bateria que fizeram um ensaio positivo. A agremiação optou por uma reedição, trazendo de 1992: “Batuque, a Força de Uma Raça”, será a sétima escola a desfilar no dia 19 de fevereiro.

Comissão de Frente

Com um elemento circular, pequeno tripé, de referência acabou sendo o ponto alto da coreografia. Na parte do ‘Meu boi bumbá’ todos reverenciavam em um círculo, em uma apresentação bem característica com o tema do enredo. Depois o destaque subia no círculo um grupo reverenciava e outra parte fazia uma linha na frente deles. As cores das roupas dos componentes em geral eram variadas e mais para neon. Um destaque vestido com saia dourada, sem camisa, mas com glitters pelo corpo e uma bandana na cabeça, também dourada. O coreógrafo Marcelo Gomes era bem energético, pedindo canto, ativo durante toda a dança.

LeandroDeItaquera et Comissao

Mestre-sala e Porta-bandeira

O segundo casal veio a frente, em seguida a ala bem animada com passos coreografados. Pois o primeiro casal José Luis e Juliana veio após a bateria com seu pavilhão de lantejoulas, lindo, a moda antiga, única escola que mantém esse visual. Na apresentação mostraram sincronismo. Passando pelo recuo da bateria reverenciavam a Batucada do Leão. A dança foi segura, um entrosamento pela pista. Mesmo com o rebaixamento em 2022, o casal somou a nota 40, gabaritando junto com harmonia e evolução. Ou seja, manteve o mesmo ritmo na boa apresentação. O contraste na roupa foi legal, José Luis de branco como um malandro e Juliana toda de vermelho.

LeandroDeItaquera et PrimeiroCasal

Harmonia

No quesito tem pontos a serem ressaltados. Leandro de Itaquera é conhecido pela sua força do chão, uma escola que canta bastante. Mas senti os componentes um pouco tensos, assim como os diretores pareciam ter como principal objetivo passar sem grandes erros e assim foi, mas gerou um canto irregular. Teve momentos de explosão no canto e algumas alas como a Sorriso negro, que saiu à frente da bateria, estavam bem animados, cantando e com bexigas branca e vermelha. Passistas mostraram samba no pé e a roupa delas é linda com o emblema da agremiação na saia. As baianas bem animadas, vieram de branco com detalhes vermelhos, além da bexiga também na cor.

Evolução

Evolução fluiu bem em relação aos espaços, escola compacta. Completando o percurso sem nenhum problema. Mas as alas não vieram tão leves, seguiram a ideia de passar sem grandes problemas. Sendo assim um ensaio muito técnico. Não necessariamente pode ser um grande problema para quem quer voltar ao Grupo de Acesso I. Mas com maior leveza, pode ajudar no quesito de cima, harmonia, e também no que citaremos abaixo, samba. Deixando os componentes explorarem a força do Leão, que é o seu canto.

LeandroDeItaquera et Princesa

Samba-Enredo

Rodrigo Jacopetti e Tays Calhado fazem uma boa dupla, vozes acabam conectando bastante no time de canto. Jacopetti tem uma voz firme. Enquanto a Tays tem uma bela voz e leve, dando um lado digamos que mais melódico, tem sido uma grata surpresa. Senti um maior destaque na voz dela depois da saída do recuo. Reverenciando quando a mesma canta “Congada, Maracatu, Bumba-meu-Boi, meu Boi-Bumbá”, sintonizou muito bem e boa escolha de destacar sua voz. É um samba muito bonito, fácil e que a escola já cantou, portanto tem tudo para fluir no dia do desfile. Ao mesmo tempo que é necessário ajustes para trazer a comunidade mais para perto.

LeandroDeItaquera et Interpretes

Outros destaques

Chegando no setor B, a Batucada do Leão, comandada por Mestre Pelezinho deu um apagão, levantando comunidade, talvez tenha sido o melhor momento do ensaio. A batucada do Leão sempre muito forte no ritmo, trouxe bossas quase o ensaio inteiro. Tamborins e chocalhos variando, a entrada na parte ‘sou Leandro, sou feliz’ era bem interativa. Outro grande momento foi o apagão no ‘folclore brasileiro’ já com bateria no penúltimo setor do Anhembi, neste momento a escola mostrou o canto.

LeandroDeItaquera et MestrePele

A corte da bateria tem sua força, a rainha Kaluana Luene tem o samba no pé incrível, levanta o público, no Setor B foram a loucura. A rainha-mirim, Thais Dias foi um destaque a parte, a jovem tem o samba na raiz e vai muito bem – inclusive tem o vídeo nas nossas redes sociais– ainda chama atenção pelo seu sorriso simpático. A corte ainda tem sua princesa que sambou muito, foi destaque, show a parte. Um destaque que é pura simpatia, vestido todo de preto, interagia de um lado para o outro, seja imprensa e arquibancada. Por fim, uma rainha na melhor idade que é homenageada da escola, é pura simpatia.

LeandroDeItaquera et Passistas

Seo Leandro sempre desfilando e interagindo com componentes da escola, em um momento apareceu na ala, abraçou uma componente e cantava o samba. O presidente e fundador vermelho e branco quer resgatar sua escola. Outro detalhe é que Leandro costuma pendurar bandeiras da torcida em dois locais da pista, no meio e já na linha final.

Comissão de Frente é destaque em ensaio da Imperador do Ipiranga

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A Imperador do Ipiranga abriu o domingo de ensaios técnicos no Sambódromo do Anhembi, em preparação para os desfiles do Grupo de Acesso 2 do Carnaval 2023. A evolução fluída e a bela coreografia da comissão de frente foram os grandes destaques do treino da escola, que finalizou sua passagem pela Avenida com 55 minutos. A agremiação da Vila Carioca será a a quinta a desfilar no dia 11 de fevereiro, com o enredo “Gratidão, Fé e Amor… Vem! Sou Imperador”.

Comissão de frente

A comissão de frente realizou uma dança em dois atos, uma para cada passagem do samba. Utilizando de um elemento alegórico, no primeiro ato, os dançarinos representaram os pescadores que recolheram das águas do Rio Paraíba do Sul a imagem de Nossa Senhora Aparecida, enquanto no segundo ato foram encenadas representações da fé de diferentes etnias. A dança foi marcada pela expressividade dos componentes e pelo uso criativo de materiais para os símbolos religiosos.

ImperadorIpiranga et ComissaoF

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Será necessário mais empenho no treinamento do primeiro casal da Imperador, formado por Vitor Barbosa e Naiomy Pires. O ritmo da dupla estava muito lento, e a dançarina deixou o pavilhão enrolar em frente ao primeiro módulo de jurados durante uma simples saudação ao público. O guardião da flâmula demonstrou mais vigor em seus passos, mas como não houve grande melhora ao longo da apresentação, o conjunto geral do quesito precisará trabalhar muito até o dia do desfile oficial.

ImperadorIpiranga et PrimeiroCasal

Harmonia

O canto da comunidade da Imperador é outro elemento que precisará ser polido até o dia da apresentação definitiva. As primeiras alas apresentaram canto muito fraco nos primeiros módulos, com alguns componentes nem sequer abrindo a boca. Mas as referências para corrigir o quesito estão em dois agrupamentos que destoaram positivamente, que foram a oitava ala, que vem logo atrás da ala de passistas, e a Velha Guarda da escola, que foi a grande boa surpresa com seus baluartes cantando alto e felizes o samba.

Evolução

O quesito Evolução foi seguramente o mais certeiro da Imperador no ensaio. Apesar de fecharem a apresentação no limite máximo do tempo, a escola não abriu espaços em nenhum momento, e sequer aparentou acelerar o passo em algum momento. Os componentes puderam curtir o momento na Avenida tranquilamente e estavam soltos, com os diretores fazendo poucos apontamentos durante o desfile.

ImperadorIpiranga et Ciganas

Samba-Enredo

O samba possui refrões fortes, com os quais a bateria brincou em boas bossas durante o ensaio da Imperador. Há muitas referências à graças conquistas pela fé, que certamente muita gente que comparecer ao Anhembi poderá se identificar. Bem conduzido pelo time de canto, a obra da escola é mais um trunfo na manga da comunidade da Vila Carioca.

ImperadorIpiranga et Interprete

Outros destaques

A bateria “Só quem é” teve ótimo desempenho no ensaio, mas a Rainha Rhawane Izidoro tomou conta dos holofotes. Linda fantasia, esbanjando simpatia para todos presentes no ensaio, a monarca da Vila Carioca certamente roubou o coração de muitos presentes nas arquibancadas do Anhembi. Outra curiosidade foram as presenças de componentes de equipes de outras escolas durante o ensaio, como o Diretor de Carnaval da Mocidade Alegre, Junior Dentista, que acompanhou a Imperador pelo corredor lateral da Avenida.

ImperadorIpiranga et RainhaRhawane

Foi o único ensaio técnico agendado até o momento para a Imperador do Ipiranga no Sambódromo do Anhembi. A escola ainda precisa aperfeiçoar quesitos específicos até o dia do desfile oficial, e como uma agremiação tradicional, a expectativa para essas correções é positiva.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Unidos da Tijuca no ensaio técnico

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A bateria “Pura Cadência” da Unidos da Tijuca fez um ótimo ensaio, sob o comando do mestre Casagrande. Um ritmo pautado pelo equilíbrio, pela plena fluência entre naipes e por construções musicais simples, mas de altíssimo impacto musical. Vale ressaltar que a bateria “Pura Cadência” subiu à moda antiga e tradicional, com tapas que deram pressão para virar direto no ritmo, indo na contramão musical das cada vez mais padronizadas introduções.

Na cozinha da bateria, uma afinação de surdos extremamente caprichada deu brilho sonoro à parte de trás do ritmo. Os marcadores tijucanos aliaram equilíbrio a uma consciência musical privilegiada, tirando som dos surdos com firmeza, precisão e leveza. O balanço único propagado pelos surdos de terceiras foi notado. Tudo isso aliado a repiques coesos e um naipe de caixas de guerra absurdamente técnico. As caixas tijucanas deram base de sustentação sólida para todo o ritmo, propagando uma sonoridade de destaque e amparando com nítida qualidade todos os demais naipes da bateria da Tijuca.

Já na cabeça da bateria, o nível técnico se manteve elevado em simplesmente todos os naipes. Iniciando por ritmistas que tocavam timbal e adicionaram um molho envolvente ao ritmo tijucano, sem contar a participação na bossa do refrão do meio, onde entravam no corredor da bateria para executarem um toque destacado. Uma ala de cuícas de imenso valor sonoro foi notada, bem como um naipe de chocalhos exemplar, que adicionou qualidade ao ritmo. A ala de tamborins ajudou a preencher a musicalidade com eficácia, contando com um carreteiro que mescla as batidas de 2×1 e 3×1. Essa mistura impactou positivamente em todo o ritmo da Tijuca, além de auxiliar na projeção musical do sublime toque das caixas tijucanas.

A convenção escolhida para a cabeça do samba preencheu a musicalidade da “Pura Cadência” com pressão de tapas efetuados em conjunto, sendo iniciada após um corte seco no final do primeiro verso do samba-enredo da Unidos da Tijuca. Mesmo sendo de concepção mais simples que as demais, a bossa possibilitou um notório impacto sonoro, sem contar a plena fluência entre todas as peças após sua retomada.

Uma outra bossa no início da segunda do samba misturou pressão e um swing considerável com movimentos rítmicos que se aproveitavam da síncope do samba para consolidar o ritmo utilizando caixas de guerra, tamborins e os surdos. Uma convenção que ficou marcada pelo toque envolvente e dançante, que ajudou a contagiar o componente, numa bateria que reconhecidamente toca para a escola.

A bossa de maior destaque musical é a do final da segunda do samba. Uma convenção de alta complexidade, além de elevado grau de dificuldade. Onde ritmistas tocando timbal fizeram um solo, seguido do “ataque” bem orquestrado envolvendo todos os naipes da “Pura Cadência”. Logo após essa retomada, o ritmo une uma levada baiana e um balanço diferenciado envolvendo as marcações tijucanas. Esse toque extremamente desafiador e original dos surdos da Unidos da Tijuca provocou uma musicalidade destacada, numa convenção marcada pelo impacto sonoro, que deu nitidamente pressão à bateria da Tijuca.

Um ensaio que mostrou uma bateria da Tijuca já pronta para o desfile oficial, apresentando um ritmo admirável, além de uma conjunção sonora praticamente brilhante entre todas as peças. Uma integração musical plena. Com uma pitada de “dendê e pimenta”, como diz o samba-enredo da escola do Borel, atrelando sonoridade baiana à “Pura Cadência”. Um acerto cultural e musical de mestre Casão e todos os ritmistas tijucanos, no grande desempenho no encerramento da segunda semana de ensaios técnicos.