A Tom Maior, escola do Grupo Especial de São Paulo, lançou o samba-enredo para o Carnaval 2027 nas redes sociais da agremiação. Com o enredo “Eu Sou o Pão da Vida”, assinado por Flávio Campello, a obra tem composição de Turko, Rafa do Cavaco, Silas Augusto, Zé Paulo Sierra, Fabio Souza e Claudio Russo. A vermelho e amarelo da Zona Oeste será a quarta escola a desfilar no sábado de Carnaval (06 de fevereiro). Confira a canção no Youtube e no Instagram da Tom Maior:
Os torcedores da preto e amarelo vão conhecer o enredo do Carnaval 2027 na próxima segunda-feira. A criação inédita está sendo desenvolvida pela carnavalesca Annik Salmon em parceria com Bianca Behrends. A pesquisadora é uma das mais premiadas do carnaval carioca, tendo conquistado 8 títulos e 3 vice-campeonatos enquanto membro da equipe de Criação e Comissão de Carnaval da Beija-Flor de Nilópolis.
“A Annik trouxe a sugestão de trabalhar com a Bianca e é uma honra para nós ter uma profissional desse gabarito conosco. Nosso próximo enredo tem o DNA clementiano. Estamos nesse processo de resgate para reviver os melhores momentos da nossa escola”, conta o presidente Thiago Almeida.
Bianca Behrends é cientista social com Especialização em Políticas Públicas e Cultura Popular Brasileira pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Ela atua como pesquisadora, enredista e carnavalesca no carnaval do Rio de Janeiro desde 2003. Já conquistou alguns prêmios individuais na categoria melhor pesquisadora/enredo, Bianca foi aluna da mestra Rosa Magalhães e discípula do mestre Laíla.
No Uruguai, atua há 8 anos como carnavalesca, onde conquistou 5 títulos; e assinou carnavais em Belo Horizonte (4 anos, com 3 títulos), Brasília e Rio Grande do Sul; e jurada do concurso de Carnaval de Joaçaba/Santa Catarina.
Uma das grandes artistas do Brasil terá a revisitação de um musical. “Marrom, o Musical”, que homenageia Alcione, terá uma nova versão a partir de 11 de setembro, no Teatro Claro Mais, localizado no Shopping Vila Olímpia, Zona Sul de São Paulo. Idealizado por Jô Santana e dirigido por Miguel Falabella e Iléa Ferraz, diversos sambistas buscam uma vaga no espetáculo – que está em fase final de audições para definição do elenco. O CARNAVALESCO acompanhou algumas audições e conversou com alguns dos artistas envolvidos no espetáculo.
Perguntado sobre as mudanças do espetáculo produzido em 2022 para a que será apresentado em 2026, Jô Santana destacou outros musicais que tem participação dele: “A mudança em relação a esse novo espetáculo é esse novo elenco, essa nova safra que foi criada nesses dez anos. Tanto que nós temos Gilberto Gil, nós temos Djavan… começamos com Cartola quando não existiam atores negros. Eu tenho que falar isso porque é verdade. Nós somos pioneiros. Vou fazer os cem anos da Mangueira, que é minha escola do coração, que eu amo. Também de Alcione. Quando eu comecei, há doze, quinze anos atrás, não tinham atores negros. A gente só tinha referência do musical estadounidense. E esse Brasil é uma pluralidade, uma diversidade. Tanto que agora, nesse momento, nesse teatro, estamos contando a história de Fafá de Belém, da história da região Norte. Esse Brasil é potente. As nossas histórias são potentes porque a gente fica sempre com as referências de fora”, comentou.
O idealizar de “Marrom, o Musical’ seguiu em toada semelhante instantes depois: “Eu fui para os Estados Unidos, comprei alguns direitos, não tenho nada contra o teatro musical de lá, não é isso. Mas eu, como brasileiro, viajo por esse país e é tanta história! É sobre isso que a gente quer contar. Aí, quando passaram dez anos, esse mercado cresceu. É a indústria, a economia criativa. Hoje, nós temos esse elenco. Estiveram aqui cerca de 250 pessoas, é o créme de la créme. Canta, dança, representa. E com corpos reais que a gente encontra. Começamos com Cartola, Dona Ivone, Alcione, Martinho da Vila.. os últimos quinze anos foram de crescimento de artistas que vieram. Tanto que a gente também tem a escola, e a gente forma esses atores para esse mercado. Hoje, a gente pode ver teatro musical. A gente tem que parar um pouco de ter síndrome de vira-lata. Nós somos potência. É isso que a gente quer entender”, comentou.
Para homenagear
O idealizador de “Marrom, o Musical” fez questão de destacar alguns números importantes sobre o processo de seleção: foram cerca de 600 inscritos e serão selecionados cerca de 250 artistas para a produção. E algumas pessoas dessas inscritas são muito conhecidas por quem acompanha o universo das escolas de samba.
Dandara Ventapane é uma delas. Primeira porta-bandeira da Unidos de Vila Isabel, ela estava presente no número feito para a imprensa presente que envolvia dança. E ela deixou claro o quanto Alcione é presente na própria vida: “Eu enquanto artista tenho bastante influência da Alcione! Minha família tem uma proximidade com ela, então tem um carinho enorme. Ela deu muita força no início da minha carreira com o meu irmão, ela sempre esteve muito junto. É uma grande referência, uma referência de voz, uma referência de presença, de mulher que foi à frente do seu tempo, que criou as escolas mirins na Mangueira do Amanhã. Tem essa coisa do legado, da continuidade, que é algo que me toca muito. Estar aqui numa audição para um musical brasileiro, para um musical que fala sobre samba, a história dos nossos personagens, é o que me motiva e é o que me fez estar junto desse projeto”, comentou. Vale lembrar que a profissional é de uma das grandes famílias de bambas do Brasil, sendo neta de Martinho José Ferreira, popularmente conhecido como Martinho da Vila.
Graziele Raquel da Silva Santos, popularmente conhecida como Grazzi Brasil, que já foi intérprete oficial de escolas como Paraíso do Tuiuti, Vai-Vai e Estrela do Terceiro Milênio, também esteve presente em uma apresentação para a imprensa – no caso, cantando “A Loba”, gigantesco sucesso de Alcione: “A Alcione é nossa mãezona! Uma mulher simplesmente musical, com uma voz sensacional, uma trajetória maravilhosa… e estou aqui, tentando ver se eu consigo contar um pouco dessa história. Tenho uma ligação com ela por conta do Carnaval: no ano em que a Mocidade Alegre falou da Alcione, eu fiz uma versão piano e voz e foi o samba que foi para a avenida. Foi muito lindo! É uma honra estar aqui com essa galera talentosa demais”, comentou.
Ajuda?
Perguntadas sobre o quanto a experiência na avenida pode ajudá-las a ter um papel no musical, ambas tiveram respostas diferentes. Dandara deixou claro que, para ela, a avaliação é algo natural: “O fato de ser porta-bandeira ajuda muito na questão da apresentação e da avaliação. O Carnaval é uma avaliação a cada ano, com quatro jurados ou seis nas cabines. A gente tem essa proximidade com a experiência de ser avaliado a todo ano. Eu trago muito esse lugar, da presença cênica mediante uma banca. Eu sou formada em dança, também trago toda essa parte da dança e de formação do samba para tudo que eu tenho. Por isso, esse lugar aqui é muito especial: por ser sobre samba. É um lugar que eu tenho uma propriedade, uma raiz para falar porque fui formada dentro desse ambiente. Isso é o que me deixa confortável de estar aqui, buscando uma vaga como cantora, como bailarina e como intérprete para representar essa grande personagem do nosso samba”, disse.
Já Grazzi pontuou que a experiência em escolas de samba é algo muito diferente de um musical: “Tanto para shows normais (como eu sempre fiz a vida inteira) quanto para a avenida, é totalmente diferente o jeito de cantar. Eu já fiz dois musicais e, se eu passar nesse teste todo, será o meu terceiro. É totalmente diferente: tem uma coisa mais de coral, às vezes um solo, é um outro lugar na voz. Como eu sou autodidata, eu não consigo falar especificamente ou muito tecnicamente, mas eu sei que é bem diferente. O jeito de emitir a voz dentro do carnaval é totalmente diferente: exige muito mais do que sambas, músicas normais ou medianas. É uma experiência maravilhosa para aprender, para saber mais sobre a nossa música popular brasileira. Eu amo demais tudo isso!”, destacou.
Mangueira presente
Das grandes torcedoras e baluartes da Estação Primeira de Mangueira, Alcione foi o enredo da agremiação em 2024, no enredo “A Negra Voz do Amanhã” e também é a presidente de honra da Mangueira do Amanhã, escola mirim da Verde e Rosa. Em 1994, ela também foi homenageada pela Unidos da Ponte no Grupo Especial, no enredo “Marrom da Cor do Samba”.
A reportagem do CARNAVALESCO perguntou se haveria espaço para a escola de samba no musical, e a resposta foi direta: “Não dá para falar de Alcione sem falar da Mangueira, sem falar do carnaval. Não tem como, está tudo aqui. De Emílio Santiago, do Maranhão, do país que está aqui. O Brasil está aqui. E o carnaval está aqui”, afirmou Jô.
Iléa foi além: “A Mangueira para a Alcione foi um grande chão – tanto que, quando ela chega no Rio de Janeiro, ela se torna a madrinha da Mangueira do Amanhã. Nós estamos fazendo o que a Alcione pensou há um tempo: pavimentou o amanhã. E nós estamos aqui: nós somos o presente. O amanhã está aqui, acontecendo no presente. Ela sonhou e a gente está realizando com esse elenco preto. É muito importante que a gente diga isso, porque os artistas pretos, que não tinham oportunidade de acontecer, não é que eles não existiram: eles sempre existiram. Nós existimos há muito tempo. Só não tínhamos a possibilidade de estar em cena, de acessar esses lugares”, comentou.
O que vem por aí?
Mesmo com “Marrom, o Musical” ainda em fase de seleção de artistas, a Fato Produções Artísticas já sabe qual será o próximo artista homenageado: Johnny Alf. Em outros momentos, Cartola e dona Ivone Lara ganharam musicais. Rafa L, coreógrafa convidada para a peça, destacou quem, na visão dela, merece uma homenagem: “Eu escolheria a Liniker, porque é muito importante que a gente use também a arte como um espaço pra ressignificar a existência de pessoas trans e travestis. A arte nos faz resistir e nos faz reconhecer o nosso valor. Por ser uma travesti ocupando um espaço, a gente precisa também pulverizar o espaço pra que outras manas possam ir ao teatro, ir ao cinema, comprar um CD e ter acessos. A Liniker é essa pessoa que está em ascensão – e, se eu tivesse a oportunidade, hoje, contaria a história dela”, finalizou.
Há legados que só o tempo é capaz de assentar. Foi o que aconteceu com Elmo José dos Santos ao olhar para a atual diretoria da Liesa e ver, na nova geração de dirigentes, os mesmos meninos que ele viu nascer. Eterno “Rato do Tamborim” e ex-presidente campeão pela Mangueira, ele vive hoje um momento de colheita. Já consagrado com o título de baluarte de sua escola do coração, o diretor projeta o cobiçado centenário Verde e Rosa e celebra 25 anos como diretor de carnaval da Liga exercendo um papel que vai muito além da logística e da técnica: o de griô, “tio” carinhoso e grande pacificador dos bastidores. Depois de desbravar a lama para ajudar a erguer o asfalto da Cidade do Samba, ele acompanha, com orgulho e lágrimas nos olhos, a modernização do espetáculo comandada pela juventude. Nesta edição do “Entrevistão”, Elmo fala sobre tudo isso: a emoção do reconhecimento, o fim das antigas rivalidades de barracão e o que significa, ainda hoje, cuidar da floresta inteira para manter o quilombo do samba de pé.
Como foi ser presidente da Estação Primeira de Mangueira?
Elmo José dos Santos: Foi uma das maiores honras da minha vida. Nasci e fui criado no morro de Mangueira, no tempo de parteira. Meu pai, mestre Tinguinha, foi fundador da bateria, e meu tio, Chico Porrão, o primeiro ensaiador da escola. Fui ritmista, diretor de harmonia, diretor de relações públicas, diretor social, passista… Mas você nunca imagina que um dia vai ser presidente. Em 1994, a Mangueira estava em 11º lugar, a um ponto do rebaixamento, sem mesa, sem cadeira e com 500 mil dólares de dívida. Quando a comunidade me escolheu, recusei de início, meu pai tinha medo porque já tinham assassinado dois presidentes. Mas, quando vi, já estava sendo carregado nos ombros. Arregaçamos as mangas, fomos atrás das autoridades mangueirenses junto com Alcione, Jamelão, Dona Neuma e Dona Zica e deu certo: em 1995 fomos para o quarto lugar. No ano seguinte, terceiro. E em 1998 fomos campeões com ‘Chico Buarque de Mangueira’.
Também ampliamos nossos trabalhos sociais, que chegaram a ser reconhecidos internacionalmente, recebendo até a visita do [ex-presidente dos EUA] Bill Clinton, que disse que a Mangueira tinha um dos melhores trabalhos sociais dos países em desenvolvimento. Fiz da Mangueira um grande exército que andou ombro a ombro até ser campeã novamente. A Mangueira é, acima de tudo, uma entidade viva espiritualmente. Quando assumi, mestres como Jamelão, Carlos Cachaça, Nelson Sargento, Xangô, Dona Neuma, Dona Zica me colocaram no meio de uma roda. E o Nelson Sargento me disse:
‘A Mangueira é uma árvore frondosa. Ela tem raiz, tem tronco, tem galho e dá frutos saborosos. Nunca se esqueça: você, como presidente, é apenas um galho. E por mais que os galhos cresçam, o tronco sempre será maior. E quem sustenta o tronco são as raízes’. Comecei a chorar tanto que minha tia rezadeira teve que me tirar da roda. Hoje fazemos o maior espetáculo da Terra, mas muita gente morreu, apanhou da polícia e defendeu o nosso quilombo para chegarmos até aqui. Salve a Mangueira!
O enredo do Chico Buarque foi fruto das andanças que vocês fizeram atrás dos mangueirenses ilustres?
Elmo José dos Santos: Exatamente. Descobrimos que o Chico era mangueirense; a Portela até tentou fazer um enredo sobre ele antes, mas ele não aceitou. O Chico é boníssimo, um gênio, mas muito tímido. Quando ele disse que queria ir ao morro, avisei a imprensa toda. Foi uma loucura! À noite, meu telefone tocou. Era o Chico: ‘Presidente, queria pedir uma coisa. Quando eu for de novo, não chame a imprensa. Quero ir lá no alto, no Pindura Saia, tomar uma cachaça e curtir com a minha Velha Guarda’. Levei ele sem ninguém saber.
Até hoje o Chico faz o show de verão da Mangueira. Ele nunca abandonou a escola, mas tem uma coisa: depois que fomos campeões com ele, a escola foi homenagear a Maria Bethânia e o convidamos para desfilar. Sabe o que ele respondeu? ‘Vou colocar meu título em jogo?’ (Risos). Nunca mais desfilou! Mas sempre ia à quadra de surpresa, cantava, e o povo ficava feliz. Não foi amor de ocasião, ele levou a Mangueira para o coração.
Qual seu desfile inesquecível e por quê?
Elmo José dos Santos: A inauguração do Sambódromo, em 1984. Eu tocava caixa na bateria, e a Mangueira foi supercampeã com o povo indo e voltando atrás, consagrada. Mas é difícil escolher um só. O desfile inesquecível é aquele em que a escola canta com amor, em que a comunidade sua a camisa sambando e sonha junto. Em 1998, colocamos um piano no carro de som. O Chico, muito tímido, subiu antes de soar a sirene, e só disse: ‘Vai passar nessa avenida um samba popular’. A arquibancada veio abaixo! Ganhei e perdi, mas nunca deixei de defender a bandeira Verde e Rosa conforme os mestres me ensinaram. Aprendi que família é aquela que está junto no tempo de som, mas principalmente no tempo de trovão.
Você imaginava que estaria há 25 anos na Liesa?
Elmo José dos Santos: Nunca contei o tempo. Aprendi com mestres como Capitão Guimarães, Anísio Abraão David, Carlinhos Maracanã e Luiz Pacheco Drummond que, na Liga, você tem que ser ‘tratador de floresta’, não de uma árvore só. O samba teve que provar o tempo todo que veio do povo. Somos guerreiros de um quilombo. Quando nos atacam, defendemos. Quando recuam, choramos nossos mortos ao redor da fogueira, mas festejamos o nascimento dos nossos curumins, as crianças das escolas mirins. Não fui escolhido para cuidar de uma árvore, mas da floresta inteira. Procurei fazer isso com muito amor, carinho e respeito por todas as escolas de samba. Por isso cheguei a esses 25 anos.
Como você se sente quando é chamado de Griô do carnaval?
Elmo José dos Santos: Minha responsabilidade cresce muito. Faço a lavagem das Sapucaí há 16 anos com minhas tias rezadeiras. Usamos água de um poço em Itaboraí, do tempo da escravidão, com mais de 100 anos. E assumo esta responsabilidade: assentamos aqui o nosso santo, Oxóssi, o rei dos caboclos e da fartura. Sou eu quem coloca as flores e a bebida dele, que é o padroeiro da Cidade do Samba, do Rio de Janeiro e de várias escolas, e tomo conta do povo de rua porque o carnaval também é deles.
Fico até com receio quando as pessoas me chamam de griô, mas quando vejo as pessoas passando por momentos difíceis, sem emprego, eu sento e rezo por ela. Só estou dando continuidade ao trabalho dos mestres do passado e das tias rezadeiras. Faço a minha parte com muito amor no coração. Não importa a escola, sempre terá o meu afago, sempre terá a minha reza. Porque um griô de verdade reza sem pedir licença.
Você é o criador dos ensaios técnicos. Considera que é o grande momento do carnaval, fora dos desfiles oficiais? Como foi esse início até hoje?
Elmo José dos Santos: Os ensaios técnicos nasceram de uma necessidade de quando eu era presidente da Mangueira. A quadra estava tão largada, as pessoas eram assaltadas no banheiro, a bateria descia com 40 componentes por medo. Sugeri aos patronos da Liesa: ‘Quero fazer um batuque no Setor 1 da Sapucaí para motivar o pessoal’. Disseram que a luz era cara, e disse que podiam deixar a luz de vigia. Conseguimos ônibus para levar a comunidade e torcida, depois convidei a Tradição e a Beija-Flor, e lotamos a arquibancada. Aquilo virou notícia!
Até que o Capitão Guimarães me chamou no escritório dele para estruturar os ensaios técnicos, com a ajuda do seu Anísio e do pessoal da TV Globo. Passamos a levar artistas como Arlindo Cruz e Alcione para cantar no fim. Aquilo passou a ser, como o Capitão dizia, um ‘amortecedor social’. Existem duas coisas de graça no Rio de Janeiro: praia e ensaio técnico. É algo feito pelo povo e para o povo. É a chance de quem não pode pagar uma arquibancada cantar o seu samba-enredo. Tem gente que gosta mais do ensaio técnico do que do próprio desfile. Costumo dizer que o ensaio técnico é o grande ‘grito’ do nosso carnaval.
Você conviveu com a antiga e a nova geração. Como você analisa esse momento de hoje?
Elmo José dos Santos: Os antigos abriram a estrada, e o carnaval até hoje segue na linha que eles construíram. A juventude chega com a tecnologia, com a comunicação, e leva o espetáculo ainda mais longe. Acho que o segredo é marchar junto, os antigos e os jovens, porque não existe futuro se você não respeitar o passado. A fórmula é essa: andar junto, um ajudando o outro, defendendo o nosso quilombo. Os mais velhos têm a sabedoria, os mais jovens têm a força. É juntar a fome com a vontade de comer. Eu trabalho para isso: não dá para pensar no carnaval sem falar dos ancestrais, sem pensar nos fundadores da Liga. Se hoje o asfalto está liso, alguém pisou na lama primeiro para construí-lo. Eu sou esse cara que está no meio-termo, sempre pedindo bênção aos mestres e dando a bênção aos mais novos.
Mexeu contigo ver a homenagem do Gabriel David no dia do seu aniversário?
Elmo José dos Santos: Muito. Foi um carnaval muito difícil, com muitas mudanças e 15 dias seguidos de chuva. Quando cheguei na sala de apuração para fechar os envelopes, encontrei toda a diretoria, Gabriel, Pedro Gomes, Julinho Guimarães, João Drummond, Thiago Faria, em pé, me aplaudindo. Comecei a chorar. Eu os vi nascer; eram meninos quando construímos a Cidade do Samba. Pensei: ‘Deus! A juventude está reconhecendo a minha importância nesse contexto’. No meu aniversário, o Gabriel publicou o vídeo desse abraço. Quando minha esposa me mostrou o vídeo, eu chorei outra vez. A vida é feita de amor e troca de energia.
O que sentirá no centenário da Mangueira em 2028?
Elmo José dos Santos: Serei baluarte da Mangueira no centenário! Quando eu era presidente, criei o ‘Quadro dos Baluartes’ para homenagear quem tinha 50 anos de serviços prestados à escola. Fui eu quem deu o título de presidente de honra à Carlos Cachaça. E fico pensando: estarei com a minha faixa de baluarte, passando na avenida, festejando os 100 anos dessa escola tão querida, onde nasci, me criei, caí na vala, bebi água do bicão e fui rezado por muitas tias. Não sei o que mais poderia pedir à vida. Há mais de oito anos eu não desfilo por causa do cargo, mas, nesse dia, vou pedir licença poética na Liga para desfilar. É a homenagem que quero fazer aos 100 anos da minha paixão verdadeira.
Estamos aqui na Cidade do Samba. Você acompanhou o antes e o depois do carnaval com esse espaço. Qual o seu balanço desses quase 20 anos?
Elmo José dos Santos: É um divisor de águas. Antes, as escolas montavam os carros debaixo do viaduto, em barracões que eram invadidos… Quando chovia, o esgoto subia; quando fazia sol e vento, a poeira sujava toda a decoração. Às vezes, faltando 15 dias para o carnaval, tudo era feito ‘no gato’. Pegava fogo, tinha acidente, não tinha pé-direito para as alegorias… era uma desorganização total.
Quando o Capitão Guimarães e o (então prefeito) César Maia idealizaram a Cidade do Samba, eu e o Jorge Castanheira ficamos responsáveis por avaliar o terreno e levar as informações à prefeitura. Tudo foi muito pensado e estudado. O Carnaval deu um salto que ninguém esperava. A Sapucaí tem 13 metros de largura e tem escola que chega com carros de 12 metros de largura, saindo daqui com 25, 28 carretas. A logística aumentou de uma maneira inimaginável, e o resultado são esses desfiles históricos que, às vezes, se decidem por um décimo. Definitivamente, existe o carnaval antes da Cidade do Samba, e o grande carnaval depois dela.
Sempre ouvimos que a saída das alegorias é um momento tenso. Como você controla o emocional nessa hora?
Elmo José dos Santos: No começo, sentia aquele frio na barriga, mas acredito que, a quem trabalha, Deus ajuda. Hoje fazemos tudo com planejamento com mapa: definimos a hora exata em que cada escola vai tirar o carro do barracão e as carretas vão entrar na Cidade do Samba. Os presidentes das agremiações contam com profissionais de alto nível, e meu trabalho não seria nada sem essa parceria. Costumo dizer para os meus diretores de carnaval, diretores de barracão e diretores de harmonia que eu tenho o maior esquadrão do carnaval. Temos um grupo chamado ‘Juntos somos mais fortes’. Quando cheguei aqui, era cada um por si; tinha ciúme, tinha briga. Acabei com isso. Hoje, se uma escola precisa de um equipamento emprestado para tirar um carro, avisa no grupo e todo mundo ajuda. Voltamos a ser o que os mestres sempre quiseram: uma grande família.
Qual a sua expectativa para a nova Cidade do Samba anunciada pela Prefeitura?
Elmo José dos Santos: Gostaria de ver o projeto. Hoje já sabemos onde estão as nossas ‘dores’ e nós sabemos que a nossa farmácia é o poder público. A infraestrutura da atual Cidade do Samba precisa aumentar para acompanhar a grandeza que as escolas colocam na avenida, e isso exige um novo projeto discutido com presidentes, carnavalescos e profissionais do setor. O carnaval cresceu demais e estamos sentindo a dor da falta de espaço.
Sempre digo que o carnaval é muito diferente do futebol. Se você vai a um estádio com a camisa do rival, leva um ‘saravá’. Na escola de samba, é co-irmã. Quando um mestre de bateria visita outra agremiação, recebe tapete vermelho e é convidado até para reger os ritmistas por um momento. É um ambiente de profundo respeito, não tem gente rasgando a bandeira do outro.
Gostaria que a Prefeitura, o Estado e o Governo Federal reconhecessem isso e valorizassem o trabalho social que as escolas desenvolvem; muitas vezes chegando onde a mão do poder público não alcança. Não se trata de pedir um favor, pelo contrário. Nossas agremiações mirins formam novos ‘guerreiros’ para o nosso quilombo, e exigem que a criança estude para desfilar. Em posições de responsabilidade, como Mestre-sala e Porta-bandeira tem que estudar e passar de ano. Apoiar essa nova estrutura é estar ombro a ombro com a gente, garantindo cada vez mais dignidade ao povo do samba.
Para encerrar, qual sonho você já realizou no carnaval? E o que ainda sonha?
Elmo José dos Santos: O sonho que já realizei foi ajudar a fazer o Quilombo do Samba estar fechado em copas. Também sonhava em ver o povo do samba na Marquês de Sapucaí, tomando sua ‘água de São Jorge’ no ensaio técnico sem pagar nada; e isso se realizou. Outro grande sonho foi ver cada agremiação com seu pequeno exército, que são as escolas mirins, preparando novos guerreiros para defender o nosso Quilombo do Samba.
Para o futuro, meu grande desejo é que a juventude multiplique cada vez mais esse amor pelo samba. Sonho com a criação de uma faculdade dentro da Cidade do Samba para formar novos profissionais para o carnaval. Hoje, os ferreiros e os arameiros, por exemplo, estão desaparecendo; há pouquíssimas pessoas fazendo esse trabalho, e eu queria muito ver isso mudar.
Também sonho com um Museu do Carnaval bem tecnológico, onde as pessoas possam mergulhar de verdade na obra de grandes gênios como Joãosinho Trinta. E, acima de tudo, o meu maior sonho é ver sempre, com a bênção de Deus e muita fé, os mestres do passado e os jovens de hoje caminhando de mãos dadas.
Conhecida pela torcida apaixonada, a Beija-Flor busca valorizar as histórias e ideias que partem da própria comunidade. Em conversa com o CARNAVALESCO, no “Samba Enrena”, no Andaraí, os enredistas Guilherme Niegro e Vivian Pereira, que trabalham com Bruno Lauratto, defenderam que o engajamento do chão da escola nasce de um movimento de valorização de seus personagens e da escuta ativa daqueles que fazem a agremiação nilopolitana. Em um trabalho conjunto com o carnavalesco João Vitor Araújo na escola desde 2024, o grupo criativo reconhece o passado vivo da escola. Neguinho da Beija-Flor, Pinah, Neide, Soninha e tantos outros personagens históricos da escola pavimentaram o caminho, mas seguem ativos, apontando a direção para o futuro aos que chegaram hoje. Segundo Guilherme e Vivian, tudo o que é pensado é pensado primeiramente nos baluartes da agremiação.
Com a sabedoria de quem construiu a história da Soberana, são eles que exigem e mantêm o nível alto da escola, o que mantém a equipe em constante busca por excelência. A torcida da Beija-Flor também não fica para trás: é exigente e sempre considerada nas escolhas.
“Em Nilópolis existem outras atividades culturais, mas o que engloba todo mundo é a Beija-Flor. Eu não conheço um cidadão de Nilópolis que não torça para a Beija-Flor. Nosso desafio, quando sentamos para produzir esse trabalho, é pensar primeiro neles. O que eles gostariam de cantar? Porque, no final, quem vai defender tudo o que a gente constrói são eles. São eles que vão cantar. A importância de pensar primeiro na comunidade passa por isso”, explicou Guilherme.
“A comunidade da Beija-Flor tem muita história. E que bom que a gente pode olhar para essa história e, de vez em quando, revisitá-la. Olhar com atenção para aspectos que não foram aprofundados no passado. A comunidade também nos serve de guia nesse processo. É uma comunidade muito participativa e expressa claramente o que deseja. Acabou o carnaval e, ainda na quadra ou na Praça da Apoteose, eles já estão dizendo: ‘No ano que vem vocês podem olhar para isso’, ‘Já pensaram em falar sobre aquilo?’. É uma comunidade que participa muito e cobra bastante da gente”, destacou Vivian.
E a enredista ressalta que o sucesso de um carnaval na “Soberana” vem da escuta ativa dessa comunidade. “A gente ouve muito eles. Não apenas o que querem para o carnaval, mas também os valores e a construção desse chão. Ouvir é uma forma de eles também participarem do que estamos produzindo no barracão”, afirmou.
Já Guilherme, cria de Nilópolis, cresceu absorvendo a atmosfera que a escola dá à cidade e entendendo todos os atributos que a fazem ser o ‘rolo compressor’ da Sapucaí. Ao compor o quadro criativo da escola, tem como base a imponência, a força e os sambas marcantes que a escola carrega como característica e que sempre o fizeram admirar a agremiação.
“Todo ano, quando estamos propondo alguma coisa, pensamos nesse nível de excelência que é a Beija-Flor. Não podemos entregar menos do que isso. Nesse sentido, fica mais fácil para a gente, porque passamos a saber do que eles gostam, que também é o que aprendemos a gostar. Quando falamos do Laíla, por exemplo, não o conhecemos pessoalmente, mas sabíamos o que era a Beija-Flor através dele. Os caminhos já estavam ali”, afirmou.
Ouvir a comunidade é entender também relações e personagens que marcaram a história da escola, como o caso de Dona Zeneida, enredo deste ano. A pajé, que fez parte da narrativa contada no desfile campeão de 1998 e será protagonista do enredo de 2027, permaneceu ligada, física e espiritualmente, à escola nesses quase 30 anos. Além disso, a conexão da escola de Nilópolis com histórias que têm o Norte e o Nordeste do país como pano de fundo é vista como ‘sorte’ para muitos torcedores e tem um ‘quê’ de identificação de ambas as partes.
“A Beija-Flor foi muito vitoriosa quando falou dos estados do Norte. Já falou do Amazonas, do Pará, agora com Dona Zeneida, do Amapá e de tantos outros lugares. Quando chegamos nesses estados, somos recebidos com muita festa. A Beija-Flor realmente estreitou esses laços. Para você ter uma ideia, existe um restaurante na Ilha de Marajó cujo nome é uma referência a um enredo da Beija-Flor: Nas Águas do Patu-Anu. Existe uma identificação. São comunidades ribeirinhas, muitas vezes isoladas, que se reconhecem em Nilópolis. Um município distante do centro da cidade, mas que todos os anos sai do seu território para disputar espaço na avenida e reivindicar seu lugar”, explicou Vivian.
A relação com o Nordeste também se destaca na história da escola. A escola já levou personagens de Maceió, Pernambuco e, em 2026, da Bahia, com o enredo sobre o Bembé do Mercado, que ocorre em Santo Amaro. A homenagem estreitou ainda mais os laços entre a escola nilopolitana e a cidade. Mesmo após o desfile que lhes garantiu o vice-campeonato, a equipe da escola também marcou presença no maior candomblé de rua do mundo, no dia 13 de maio deste ano.
“Nessas últimas décadas, a Beija-Flor conquistou muitos torcedores nessas regiões. Quando estivemos em Santo Amaro, por exemplo, várias pessoas nos disseram que torciam para a Beija-Flor, sabiam os sambas, mandavam beijos para o Neguinho, para a Pinah. Essas conexões foram construídas ao longo dos anos. O crescimento da Beija-Flor nessa região foi maior nesses quase 30 anos, e os enredos dialogando com isso são importantes porque a gente vai fidelizando esses torcedores, falando de si, como a Beija-Flor já gosta de falar, e falando do seu povo. É um casamento perfeito citar essas regiões do Nordeste, do Norte do país, que são riquíssimas culturalmente”, concluiu Guilherme.
E, nos espelhamentos que permeiam a relação entre a Beija-Flor, o Norte e Zeneida, há um aspecto principal: a Beija-Flor é uma escola feminina, de grandes personagens femininas, lideranças femininas no barracão e uma equipe de harmonia liderada por mulheres.
A semelhança lança luz sobre a importância de dar protagonismo a Dona Zeneida e contar sua história de luta e liderança. E a narrativa da última pajé marajoara ganha um tom ainda mais significativo ao ser cantada pela Beija-Flor, pois é a única escola do Grupo Especial do Rio de Janeiro que tem uma mulher como intérprete: Jéssica Martin, que dará voz à história de Zeneida na Sapucaí.
“Acho que a voz da Jéssica vai dar a potência necessária para a narrativa que pensamos durante todo esse processo. Ela vai coroar tudo aquilo que estamos construindo. É uma mulher cantando a história de outra mulher que deixou um legado importante para a sociedade brasileira. Quando os sambas saírem e forem interpretados por ela, isso vai potencializar ainda mais a mensagem. Ela será uma mulher dando voz a outra mulher. E isso aconteceu naturalmente. Não foi algo pensado para criar um efeito específico. A ideia de Dona Zeneida veio como um sopro para a gente. E a Jéssica vai engrandecer ainda mais esse enredo. Uma mulher com uma voz extremamente poderosa contando a história de outra mulher igualmente poderosa”, avaliou Vivian.
“A Jéssica representa essa mulher que é a Beija-Flor: soberana, imponente, linda e com uma voz maravilhosa. Quando ela abre a boca para cantar, consegue tudo. Foi um casamento perfeito. O mundo ainda está conhecendo a Jéssica, mas nós já a conhecíamos no dia a dia. É uma continuidade de legado, e esperamos que ela e o Nino permaneçam por muitos e muitos anos na Beija-Flor”, afirmou Guilherme.
Inspirado nas vivências do subúrbio carioca, o espetáculo musical inédito “Pra te ver feliz” tem texto e direção de João Batista, direção musical de Marcelo Alonso Neves, com idealização da Cia. Dramática de Comédia e produção e realização de Bruno Mariozz, da Palavra Z Produções Culturais. A peça estreia nesta sexta no Teatro Sesc Ginástico, com temporada até 9 de agosto (quintas e sextas, às 19h; sábados e domingos, às 17h). A montagem é o segundo espetáculo da trilogia “Dá samba”, iniciada em 2013 com o musical “Quando a gente ama”, construído a partir da obra de Arlindo Cruz.
O autor e diretor João Batista compõe cenas do cotidiano carioca e suburbano, revelando a potência dos compositores brasileiros como cronistas sociais. Ao levar o samba para o palco do teatro, o diretor resgata sua própria relação com o gênero musical, sempre presente em sua vida. “A música popular brasileira é muito rica como forma de unir as pessoas, como fundo musical de suas vidas, em momentos de festa de família, aniversários, churrasco na laje, fim de namoro. Tudo isso se relaciona com alguma música”, diz o diretor.
O elenco é formado por sete atores-cantores: Aline Borges, Elli Fêrreira, Jeniffer Dias, Lucas da Purificação, Thiago Thomé, Udylê Procópio e Vilma Melo. Como se estivessem numa roda de samba, eles dividem a cena com os músicos Carlos Rufino/Felipe D’Lélis, Fábio D’Lélis, Leo Antunes e Marlon Julio. O espetáculo acompanha personagens de um subúrbio carioca em diferentes situações. As histórias vão de uma festa de Natal em família, passando por um grupo de amigos a caminho da praia em ônibus lotado, até um casal que se encontra pela primeira vez numa noite de réveillon. Em meio a rodas de samba e celebrações familiares, as histórias se cruzam, revelando a força da música na vida cotidiana.
“Cada cena é conduzida por canções que traduzem emoções e memórias coletivas, homenageando o samba como expressão de resistência, afeto e identidade popular. Ao longo da narrativa, o espetáculo dialoga com obras de importantes compositores do gênero, entre eles Almir Guineto, cujas canções integram a trilha musical e ajudam a construir a atmosfera afetiva das histórias apresentadas em cena”, diz o produtor Bruno Mariozz.
“A trilogia ‘Dá samba’ destaca a composição como parte do nosso cotidiano, da nossa vivência, aquilo que os grandes autores e artistas criam e que está presente no nosso dia a dia, que dá samba mesmo, que é a trilha sonora das nossas vidas. Os personagens criados pelo João têm muitas sutilezas, com diálogos enxutos que carregam muitos sentimentos. A peça faz um resgate temporal, nos faz revisitar uma época e espaços, principalmente desse lugar suburbano carioca”, destaca Mariozz.
No roteiro musical estão canções como “Conselho”, “Insensato destino”, “Mel na boca”, “Jiboia”, “Da melhor qualidade”, entre outras. Segundo o diretor musical Marcelo Alonso Neves, a peça traz ao público pérolas do samba interpretadas por um elenco de artistas intrinsecamente ligados à cultura e à música negra. “Procurei trazer uma atmosfera de roda de samba, onde vamos intercalando o texto com a música, brincando e desconstruindo a forma, o ritmo original, criando propostas cênicas através das canções, ressignificando, mas sem descaracterizar o samba”, diz Alonso Neves.
MÚSICAS
“Da melhor qualidade” (Arlindo Cruz, Almir Guineto)
“Caxambu” (Bidubi do Tuiti, Jorge Neguinho, Zé Lobo, Élcio do Pagode)
“Corda no pescoço” (Almir Guineto, Adalto Magalha)
“Perfume de champagne” (Almir Guineto, Adalto Magalhães Gavião)
“Mel na boca” (David Corrêa)
“Insensato destino” (Acyr Marques, Maurício Lins, Chiquinho Vírgula)
“Saco cheio” (D. Fia, Marcos Antônio)
“Lama nas ruas” (Almir Guineto, Dede Paraíso, Ernesto Luverci)
“Tem nada, não” (Almir Guineto, Jorge Aragão, Luverci Ernesto)
“Abençalgueiro” (Almir Guineto, Nei Lopes)
“Jiboia” (Vilani Silva)
“Conselho” (Adilson Bispo, Zé Roberto)
“Brilho no olhar” (Almir Guineto, Celso Leão, Daniel)
FICHA TÉCNICA
Texto e direção: João Batista Direção musical: Marcelo Alonso Neves Direção de produção: Bruno Mariozz Elenco: Aline Borges, Elli Fêrreira, Jeniffer Dias, Lucas da Purificação, Thiago Thomé, Udylê Procópio e Vilma Melo Músicos: Carlos Rufino/Felipe D’Lélis, Fábio D’Lélis, Leo Antunes e Marlon Julio Cenário: Doris Rollemberg Iluminação: Renato Machado Figurino: Mauro Leite Assistente de direção: Bárbara Abi-Rihan Direção de movimento: Dani Cavanellas Preparação vocal: Pedro Lima Assistente de iluminação: Diego Diener Design de som: Thiago Silva Comunicação, identidade visual e operação de som: Rafael Prevot Assessoria de imprensa: Paula Catunda e Catharina Rocha Produção executiva: Natasha Arsenio Assistente de produção: Marilene Ribeiro Microfonista: Luiza Jacinto Coordenação financeira: Ingryd Cardozo Idealização: Cia. Dramática de Comédia e Bruno Mariozz Realização: Sesc e Palavra Z Produções Culturais
SERVIÇO Espetáculo: “Pra te ver feliz” Temporada: 10 de julho a 09 de agosto de 2026 Horários: Quintas e sextas, às 19h. Sábados e domingos, às 17h Local: Teatro Sesc Ginástico Endereço: Av. Graça Aranha, 187 – Centro
Ingressos: . Quintas e domingos: R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia-entrada), R$ 15 (credencial plena Sesc e conveniados) e gratuito (público cadastrado no PCG);
. Sextas e sábados: R$ 60 (inteira), R$ 30 (meia-entrada), R$ 15 (credencial plena Sesc e conveniados) e gratuito (público cadastrado no PCG). ** Meia-entrada para casos previstos por lei: idosos, estudantes, PCD e jovens de baixa renda na faixa etária 15 a 29 anos que apresentem carteira jovem ou CadÚnico.
Depois do sucesso da primeira edição, o Carnaval Lab está de volta a Vitória (ES) para dois dias de formação, troca de experiências e fortalecimento da cadeia produtiva do Carnaval. Nos dias 11 e 12 de julho, profissionais de diferentes segmentos da festa estarão reunidos na sede da sede da empresa Águia Branca, em Cariacica, para debater temas estratégicos como marketing, captação de recursos, inovação e tecnologia aplicadas ao universo carnavalesco. Com inscrições gratuitas, o evento tem como proposta contribuir para que profissionais do setor otimizem seus resultados em diferentes segmentos, conectando especialistas e agentes culturais em uma programação voltada ao desenvolvimento do Carnaval como economia criativa.
“O Carnaval movimenta cultura, turismo, geração de emprego e renda. Nosso objetivo é criar espaços de formação que preparem os profissionais para os desafios atuais e futuros do setor, ampliando oportunidades e fortalecendo toda a cadeia produtiva”, destaca Pedro Silva, CEO do Carnaval Lab.
A programação tem início no sábado, com um workshop dedicado ao marketing e captação de recursos, áreas cada vez mais estratégicas para escolas de samba, blocos e projetos culturais. Especialista na área, Pedro H. Silva recebe profissionais que atualmente são referência no segmento, atuando no Rio de Janeiro e em São Paulo, tais como Renato Candido, fundador da CRCB, e Julia Rodrigues, especialista em marketing e captação de recursos, responsável pelo setor comercial do GRES Unidos de Vila Isabel. O workshop gratuito abordará estratégias para construção de marcas, relacionamento com patrocinadores, sustentabilidade financeira e novos modelos de captação para projetos ligados ao Carnaval.
No domingo, o foco será a inovação. O painel “Inovação e Tecnologia no Carnaval” reunirá profissionais que vêm contribuindo para transformar diferentes aspectos da festa. Participam do debate Marcelo Lages, coreógrafo de comissão de frente e gestor cultural, além do carnavalesco Cahê Rodrigues e de Junior Schall, diretor de carnaval da Unidos do Porto da Pedra; Branco Ribeiro, idealizador do Carna.App, Sandro Rosa e Edson Neto, gestores responsáveis pelas ligas que organizam o Carnaval capixaba também estarão no painel discutindo temas como transformação digital, gestão, criatividade, tecnologia e os caminhos para um Carnaval cada vez mais conectado às novas demandas do mercado.
Além da programação técnica, o Circuito Carnaval Lab busca estimular a formação de redes de colaboração entre profissionais, gestores, artistas, pesquisadores e empreendedores, promovendo a troca de experiências e o fortalecimento do Carnaval como patrimônio cultural e importante vetor da economia criativa brasileira.
A edição de Vitória conta com o patrocínio da Águia Branca, Hotel Slaviero e Print9, parceiros que acreditam no potencial do Carnaval como instrumento de desenvolvimento econômico, cultural e social.
Serviço
Circuito Carnaval Lab – Vitória (ES)
Data: 11 e 12 de julho
Local: Sede da Águia Branca – Avenida Mário Gurgel, 5030 – Vila Capixaba, Cariacica
Inscrições: Gratuitas (sujeito a lotação)
Link para inscrição: https://acesse.one/38i5rra
A Acadêmicos de Vigário Geral levará para a Marquês de Sapucaí, no Carnaval 2027, o enredo “No bonde da alegria. Partiu! Vigário Geral”, desenvolvido pelos carnavalescos Puluker e Robson Goulart, com texto do enredista Felipe D. Marinho. O desfile fará uma viagem pela história dos bondes cariocas, símbolo marcante da cidade do Rio de Janeiro. Desde 1859, quando começaram a circular pelas ruas da então capital do Império, os bondes acompanharam o crescimento da cidade e se transformaram em muito mais do que um meio de transporte: tornaram-se parte da memória afetiva, da cultura e da identidade cariocas.
A narrativa passará por cenários emblemáticos, como a Lapa e Santa Teresa, destacando a boemia, a malandragem, a diversidade cultural e os personagens que marcaram a história do Rio. Misturando fatos históricos e poesia, o desfile chegará à Sapucaí celebrando a força do samba na preservação da memória e na transformação da cultura popular em espetáculo.
Com “No bonde da alegria. Partiu! Vigário Geral.”, a escola convida o público a embarcar em uma viagem sobre trilhos que une passado, presente e carnaval, reafirmando a paixão pela cultura carioca e pela festa popular.
O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, sancionou nesta quinta-feira a Lei Complementar nº 301, de 9 de julho de 2026, que cria a Área de Especial Interesse Urbanístico (AEIU) Praça Onze Maravilha e autoriza uma ampla transformação urbana no entorno do Sambódromo. Entre as principais intervenções estão a demolição do Elevado 31 de Março, que dará lugar à Avenida da Democracia, e a revitalização de toda a região da Passarela do Samba, além da construção da Biblioteca dos Saberes, no terreno onde hoje funciona o Terreirão do Samba. O projeto prevê a modernização de 458 mil metros quadrados de uma das áreas mais tradicionais da cidade, com investimentos estimados em R$ 1,7 bilhão ao longo dos próximos 20 anos. A expectativa da prefeitura é estimular a construção de 37 mil unidades residenciais, consolidando a requalificação urbana iniciada com o Porto Maravilha e o programa Reviver Centro.
Segundo Eduardo Cavaliere, a sanção da lei representa um passo decisivo para transformar a região da Praça Onze em um novo polo urbano integrado.
“O ato de sanção consolida a criação de um fundo imobiliário para que a gente possa estruturar essa operação, prevê a construção da Biblioteca dos Saberes, do arquiteto Francis Keré, no terreno onde hoje é o Terreirão do Samba, a revitalização de todo o entorno do Sambódromo a partir da demolição do Elevado 31 de Março, que vai dar lugar à Avenida da Democracia. Essa região também vai passar a ser um bairro integrado, composto por Santa Teresa, Catumbi, Rio Comprido, Praça Onze, Cidade Nova, e que se juntam ao Centro Histórico do Rio e à Região Portuária do Rio, com esse esforço de consolidação da volta da cidade para sua origem, que é o Centro do Rio”, afirmou o prefeito.
Diferentemente do Porto Maravilha, financiado por Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), o Praça Onze Maravilha será custeado pela venda de imóveis municipais. A prefeitura pretende realizar, nos próximos três meses, o leilão de 62 terrenos localizados na região.
A retirada do Elevado 31 de Março também abrirá espaço para novos empreendimentos privados. Um dos pilares do projeto é a Operação Interligada, mecanismo de transferência do direito de construir que já viabilizou mais de 9 mil moradias pelo Reviver Centro desde 2021. Agora, os incentivos serão ampliados para bairros como Tijuca, Rio Comprido, Ipanema, Copacabana, Botafogo, Flamengo, Glória, Catete e regiões da Zona Norte.
A legislação também garante segurança jurídica para empreendimentos em andamento. Projetos protocolados até 30 de junho de 2026 no Reviver Centro terão seus direitos preservados, enquanto novos pedidos apresentados até 1º de dezembro de 2026 contarão com desconto de 30% no pagamento à vista da contrapartida municipal.
Outro eixo da proposta é a mobilidade urbana. A prefeitura prevê um convênio para viabilizar a extensão da Linha 2 do metrô entre Estácio e Carioca, com as futuras estações Catumbi e Praça Cruz Vermelha.
No que diz respeito ao Sambódromo, a lei estabelece que a programação da Passarela do Samba será mantida durante todo o período das intervenções. O objetivo é transformar o espaço em um equipamento de turismo, economia criativa e educação patrimonial durante todo o ano, reduzindo a sazonalidade do Carnaval.
As emendas aprovadas pela Câmara também garantem proteção à cadeia produtiva e cultural da Cidade do Samba Joãozinho Trinta. Além disso, 3% da arrecadação da operação urbana serão destinados à preservação do patrimônio histórico e cultural da cidade. Entre os projetos contemplados está a recuperação da Vila Operária Salvador de Sá.
A nova legislação determina ainda que não haverá desapropriações para a realização das obras e estabelece prioridade para a contratação de trabalhadores e agentes culturais da própria região, acompanhada de programas de qualificação profissional. Também será criado um portal de transparência para acompanhar o andamento das intervenções e um comitê de acompanhamento das obras.
Ao sancionar a lei, Eduardo Cavaliere vetou quatro emendas referentes aos artigos 11, 17 e 33. Entre os vetos está o dispositivo que permitiria construções mais altas em vias de Copacabana. Segundo a prefeitura, o bairro já possui legislação específica que limita a altura das edificações, mantendo as regras atualmente em vigor.