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Com elementos de pagode, Dragões da Real exala energia na gravação do audiovisual da Liga-SP

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Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

A Dragões da Real gravou o audiovisual da Liga-SP para o Carnaval 2027 em um registro marcado pela participação da comunidade e por arranjos musicais inspirados no pagode. Com uma proposta específica para o projeto, a escola adaptou a sonoridade do samba-enredo em homenagem a Reinaldo, com intervenções da bateria e do carro de som comandado por Emerson Dias. A gravação também serviu como preparação para o desfile oficial, que contará com bossas e surpresas na avenida.

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Gravação com elementos de pagode

Para o diretor musical Cicinho, a elaboração dos arranjos começou pela análise da melodia e da mensagem transmitida pelo samba-enredo. A homenagem a Reinaldo, artista ligado ao universo do pagode, orientou a escolha dos elementos musicais que compõem a obra. “Sempre analisamos o contexto do tema, a melodia do samba e a mensagem que ele transmite. Como costumo dizer, o arranjo é uma roupa bonita que vestimos no samba. A obra já tem um corpo, e precisamos colocar uma roupa bonita nele. Como o nosso tema, que homenageia o Reinaldo, é mais voltado para o pagode, demos essa roupagem ao arranjo. Teremos elementos como banjo e bastante exploração de repique, pandeiro e tantã. Em alguns momentos, a bateria vai parar para dar espaço a esses instrumentos”, explicou.

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Diretor musical Cicinho

O trabalho musical foi desenvolvido em sincronia com o mestre Klemen, responsável pela bateria da escola. Segundo Cicinho, o diálogo entre os setores foi fundamental para a construção dos arranjos, sempre respeitando a melodia como principal referência. “A construção foi feita em parceria com o mestre Klemen. Trabalhamos sempre juntos e conversamos bastante sobre a introdução e os arranjos. Também consulto a minha equipe na elaboração dos arranjos de cordas, mas tudo é baseado na melodia do samba, que é o nosso fio condutor”, destacou.

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Um dos destaques do audiovisual próprio da Dragões da Real foi a introdução que utilizou uma música de Reinaldo. A proposta teve boa repercussão, mas não poderá ser reproduzida na gravação da Liga-SP por questões relacionadas a liberações e direitos autorais. Cicinho, entretanto, confirmou que a introdução será mantida no desfile oficial do Carnaval 2027. “Nós utilizamos essa introdução no nosso próprio audiovisual, mas, infelizmente, ela não será mantida na gravação da Liga-SP por algumas questões burocráticas, relacionadas a liberações e direitos autorais. No entanto, vamos mantê-la na avenida. Para o audiovisual da Liga-SP, precisamos tomar alguns cuidados, mas conseguimos criar outra introdução, também muito bacana. Acredito que a galera vai gostar”, revelou.

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Identificação imediata com a escola

Estreante na Dragões da Real, Emerson Dias destacou sua identificação com a ‘comunidade de gente feliz’ e a maneira como foi recebido pela comunidade. O intérprete afirmou que se sente em casa na agremiação e ressaltou que o enredo sobre Reinaldo reúne características que combinam com seu estilo de cantar, marcado pela energia e pela vibração. “Eu acho que papai do céu fez a coisa certa. Não sei o que estava desenhado para mim, mas vim cair aqui na Dragões da Real, que me abraçou de uma forma impressionante. Parece realmente que estou aqui há dez anos, como o mestre Klemen costuma falar. Minha sensação é essa. Gosto de ser chamado de puxador porque acho que precisamos puxar a energia dos componentes, desde o primeiro integrante da comissão de frente até o último que entra na avenida. Acredito que é isso que a Dragões está sentindo da minha parte: a entrega”, declarou.

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A conexão com o homenageado e com a proposta musical do samba também contribui para o entusiasmo do intérprete. Para Emerson, a obra permite uma apresentação vibrante, na qual os componentes podem aproveitar a festa e brincar o carnaval. “Peguei um enredo que tem muito a ver com as minhas características, porque o Reinaldo era sambista e tinha uma energia incrível. É um samba que combina com a minha maneira de cantar, para cima, vibrante, permitindo que as pessoas brinquem o carnaval do jeito que eu gosto de fazer”, disse.

O intérprete avaliou positivamente o resultado da gravação e projetou um grande desfile para a Dragões da Real no Carnaval 2027. Ele também demonstrou confiança no trabalho desenvolvido pela equipe carnavalesca e na possibilidade de a escola conquistar o título. “A gente praticamente gravou de primeira, com muita energia e alegria, porque já tínhamos ensaiado na nossa Caverna do Dragão. Acho que podemos esperar um grande desfile. Tenho certeza de que o nosso carnavalesco Jorge Freitas vai fazer um carnaval arrebatador, um presente para o povo. Acredito que está mais do que na hora de a Dragões trazer o título para a nossa Caverna, aqui na Vila Anastácio”, afirmou.

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A gravação para a Liga-SP também se beneficiou da experiência adquirida pela escola em seu audiovisual próprio, realizado anteriormente no Carioca Club. Segundo Emerson Dias, os dois projetos tiveram propostas musicais distintas, com arranjos desenvolvidos especificamente para cada ocasião. “Fizemos duas propostas diferentes. No audiovisual que produzimos por conta própria, na nossa escola, tivemos um arranjo que o Cicinho e o mestre Klemen foram sensacionais em construir. Para o audiovisual da Liga, preparamos outro arranjo”, contou.

Bateria prepara bossas e surpresa para o carnaval

O mestre Klemen também destacou a importância do audiovisual para o carnaval paulistano, especialmente pela participação dos integrantes das comunidades das escolas de samba. Para ele, o projeto fortalece o envolvimento dos componentes e contribui para a valorização do espetáculo. “O audiovisual é um produto importante do carnaval de São Paulo, no qual os integrantes da comunidade, da bateria e os representantes da escola de samba se sentem importantes no processo. É um momento em que eles ganham visibilidade. Acredito que isso só enriquece a nossa festa”, declarou.

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Mestre Klemen

Na preparação musical, a bateria da Dragões da Real terá uma bossa de entrada e uma intervenção de pagode em referência ao homenageado. “Vamos começar com uma bossa de entrada e fazer um pagode para simbolizar o Reinaldo. Não tem como fugir disso. Estamos deixando a maioria dos arranjos para o ensaio técnico e o desfile”, explicou.

O mestre confirmou ainda a preparação de quatro bossas, além de um apagão, e revelou que a bateria trabalha em uma novidade para a apresentação na avenida. “Para o Anhembi, vamos apresentar quatro bossas, além do apagão. Também estamos elaborando uma surpresa, que acreditamos que vai dar muito certo”, completou.

Audiovisual fortalece integração entre as escolas

Na avaliação de Márcio Santana, diretor de carnaval da Dragões da Real, a gravação vai além da apresentação individual de cada agremiação. O dirigente considera o projeto um momento de integração entre as escolas e um marco no início da movimentação carnavalesca. “É um evento. O audiovisual é um produto do carnaval e dá início a um movimento comunitário, promovendo o congraçamento e a união de todas as entidades em torno de um mesmo espetáculo”, afirmou.

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Márcio Santana, diretor de carnaval da Dragões da Real

Santana também explicou que a escola trabalhou com propostas diferentes para o audiovisual próprio e para o registro institucional da Liga-SP. Enquanto a primeira produção foi concebida como uma celebração a Reinaldo, com foco na comunidade da Dragões, a segunda exigiu adequações às características do projeto coletivo. “Eu não diria que houve uma melhora, mas, sim, que buscamos entender as necessidades de cada produto. Temos dois produtos distintos. O audiovisual da Dragões foi uma celebração ao nosso homenageado, Reinaldo, e era um produto voltado ao consumo interno da nossa comunidade. O resultado nos surpreendeu muito, inclusive pela aceitação do público em geral”, explicou.

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O diretor de carnaval ressaltou ainda a experiência adquirida com a gravação anterior, realizada integralmente ao vivo, como um diferencial para a preparação atual. “Acredito que o nosso audiovisual nos trouxe um pouco de experiência nesse sentido, porque foi uma gravação 100% ao vivo. Fomos ao estúdio apenas para fazer os ajustes finos de equalização e outros detalhes técnicos. A experiência de cantar ao vivo já existe para nós, então nossa comunidade está mais do que ensaiada”, destacou.

Com aposta em novos arranjos, Salgueiro prepara samba para brigar pelo título em 2027

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Foto: Thomas Reis/Rio Carnaval

O Salgueiro esteve no HZ Estudio, em Curicica, no Rio de Janeiro, para dar vida ao samba que embalará o enredo “Laroyê Xica da Silva: a história por trás da história” na Avenida. O enredo desenvolvido por Jorge Silveira será o terceiro a desfilar na segunda-feira de carnaval, dia 8 de fevereiro. A escola promete recontar a história de Xica da Silva, personagem histórica retratada pelo Salgueiro no desfile campeão de 1963, que moldou a identidade da agremiação. A figura também foi reinterpretada pelo audiovisual brasileiro, com Zezé Motta no filme de Cacá Diegues, em 1976, e Taís Araújo como protagonista da novela de 1997. Agora, Xica será repensada a partir de seu testamento, disponibilizado em 2025, que aproxima a personagem dos fatos históricos e desmistifica a trajetória de Francisca Silva de Oliveira. Xica volta ao Torrão Amado como uma Pomba-Gira, carregando facetas já conhecidas pelo público, mas pronta para contar a própria história.

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Para Ian Ruas, integrante da parceria vencedora da disputa de samba-enredo, a gravação representa uma etapa decisiva de sua trajetória profissional. Depois de quatro anos participando da competição, o compositor venceu as disputas do Salgueiro e da Unidos da Tijuca na mesma noite e define o momento como um “divisor de águas na carreira”. Agora, acompanha a transformação da composição no registro oficial da escola para o Carnaval 2027 e elogia a equipe responsável pela produção musical e artística da agremiação.

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Compositor Ian Ruas. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

“Eles fizeram um trabalho inacreditável. O Guilherme e o Gustavo são profissionais incríveis, o Alemão e todo o departamento musical e artístico do Salgueiro. Estou muito emocionado, muito feliz de ter visto esse resultado aqui”, afirmou.

A conquista também tem um significado familiar para Zé Carlos Oliveira, que relacionou a vitória ao desejo do pai de Ian, o compositor Zé Carlos Miranda, bicampeão da Portela em 2019 e 2020, de ver os filhos seguindo carreira na música.

“Isso a mim significa muito, porque eu sei da alegria que o pai deles deve estar no céu, porque ele queria muito que esses meninos ficassem no mundo da música. E eles estão”, declarou Zé Carlos.

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Compositor Zé Carlos Oliveira. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

O compositor ainda fez uma previsão sobre o espaço que Ian Ruas poderá conquistar no carnaval carioca. “Eu vou fazer uma coisa para você: o Ian Ruas vai ser referência no carnaval carioca. Ele vai ser muito importante. Eu tenho certeza disso”, afirmou.

A apresentação do arranjo no estúdio também surpreendeu Zé Carlos, que não conhecia previamente a proposta desenvolvida pela equipe musical.

“Foi uma loucura, porque eles fizeram um arranjo que nós não conhecíamos. E, nossa, ficou louco! Eu fiquei todo arrepiado. Isso aqui é interessante, porque é sempre uma nova emoção, é sempre uma renovação. O samba está emocionante, está lindo o samba”, avaliou.

Davi Carvalho também destacou a dimensão pessoal da obra, construída em uma jornada de composição ligada à homenagem ao pai de Ian, além da importância de dar vida à história de força e empoderamento representada por Xica, proposta pelo enredo.

“Está sendo incrível por vários motivos. O principal é que a gente entrou nessa jornada de samba-enredo em homenagem ao pai do Ian, que é meu compadre. É uma história muito especial. Outro motivo muito grande é que o enredo é muito forte, fala de um tema muito importante, e a gente ficou apaixonado desde o início. Fazer parte disso com o Salgueiro é mais importante ainda”, contou.

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Compositor Davi Carvalho. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

Sobre o desempenho que espera da composição na Avenida, Davi projetou uma apresentação competitiva e explicou que a obra procura seguir um caminho diferente daquele adotado em sambas anteriores.

“É samba para ganhar a Estandarte de Ouro. A gente fez uma obra para mudar um pouco a trajetória dos últimos sambas, com uma pegada diferente, e está querendo fazer algo especial”.

Entre os versos que mais o tocam, o compositor escolheu um trecho que relaciona a autonomia feminina à memória da personagem e à identidade da escola: “Toda mulher tem direito à própria história. Meu Salgueiro é a memória que eu voltei para consagrar.”

Direção musical aposta em pesquisa e referências diversas

À frente da direção musical, Alemão do Cavaco está no quinto carnaval com o Salgueiro. Desde que chegou à escola, no ciclo de 2023, seu trabalho também tem sido voltado à preparação do carro de som e à busca por resultados no quesito Harmonia. Ele lembrou que, naquele ano, a equipe alcançou quatro notas máximas e que, desde então, não voltou a perder pontos no quesito.

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À frente da direção musical, Alemão do Cavaco está no quinto carnaval com o Salgueiro. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

“É um prazer muito grande, porque é um time muito qualificado, de músicos excelentes, mas que a gente consegue também ajudar com o nosso trabalho artístico, de criação, de produtor, de arranjador. Hoje, a gente tem um time bem coeso na mão, bem formado, muito profissional, que entrega bastante, e a gente sempre busca desafios”, avaliou Alemão.

Para o samba de 2027, o trabalho envolveu a produção de duas propostas de arranjo em apenas cinco dias. Uma delas foi pensada para uma versão premium, com características teatrais e participação de Zezé Motta, lançada nas redes sociais do Salgueiro. A outra corresponde à gravação oficial do disco, que eternizará a obra com a bateria da escola.

Alemão explicou que a pesquisa para construir a sonoridade partiu de uma leitura mais ampla do enredo, sem se limitar às referências musicais imediatamente associadas à personagem.

“A gente pesquisa muito. Eu gosto muito de sair da caixa. Não é só: ‘Xica da Silva, vamos botar macumba’. ‘Xica da Silva, vamos botar interior de Minas, uma viola caipira’”.

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Intérprete Igor Sorriso. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

O diretor musical contou que ele e os mestres de bateria estudaram filmes e livros para identificar elementos capazes de dialogar com a trajetória de Xica. Entre as referências encontradas está a atuação da personagem como mecenas das artes, com apoio a estudos de piano e flauta. A vida em Diamantina também inspirou a combinação entre sonoridades rurais e referências musicais africanas.

“A gente vai a fundo no enredo. Junto com os mestres de bateria, que também são pesquisadores de percussão, a gente chegou a uma conclusão estudando, vendo o filme, lendo livro, de que ela era uma grande patrocinadora, uma mecenas da arte. Ela patrocinava estudos de piano e estudos de flauta. Sempre tinha as rodas de choro. E, como ela morava em Diamantina, tinha aquele som rural de viola caipira, de piano de cauda, misturado com o som da África. Os tambores, o Congo, o tambor de Minas”, detalhou.

A gravação incorpora essas referências na construção do arranjo. Ao explicar uma das escolhas feitas para a faixa, Alemão destacou a inclusão do piano como elemento de ligação com a pesquisa sobre a personagem.

“Estou trazendo um piano para cobrir a harmonia, para fazer uma breve lembrança dela, uma citação disso. E a gente procurou caprichar”, acrescentou.

Alemão também destacou o trabalho realizado sobre a melodia e a letra da composição. Para ele, os ajustes buscaram valorizar as características da obra e alcançar um resultado musical consistente com a proposta do enredo.

Ao projetar o desempenho do samba na Avenida, o diretor afirmou acreditar que o Salgueiro tem condições de figurar entre os destaques do próximo Carnaval. Ele avaliou que a composição se distancia de um modelo que, em sua visão, vinha se repetindo nos últimos anos.

“É uma aposta diferente, que é uma aposta com a cara, sim, do Salgueiro. O que é a cara do Salgueiro? A cara é um samba poético, é um samba que mexe com a comunidade, e a comunidade vai cantar a plenos pulmões. A gente está muito feliz e com a expectativa lá no alto”, declarou.

Mestres de bateria trabalham andamento e convenções

Guilherme e Gustavo, mestres de bateria do Salgueiro, participaram da definição do andamento e das soluções rítmicas da gravação. A escolha foi feita para valorizar a melodia e a letra, mantendo a força característica da bateria “Furiosa”.

Gustavo explicou que a equipe buscou um andamento mais cadenciado, entre 142 e 143 BPM (batidas por minuto), para favorecer a interpretação da composição e a conexão entre os diferentes elementos musicais.

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Guilherme e Gustavo, mestres de bateria do Salgueiro. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

“A gente está mais um ano buscando acertar o andamento para o samba. O andamento que consiga impulsionar essa melodia linda dessa nossa obra, a letra também, que é espetacular. Juntando ali com essa força da bateria Furiosa, esse peso nosso, o andamento mais cadenciado, entre 142 e 143, a gente consegue chegar num lugar em que a galera aprecia essa obra magnífica dos nossos compositores”, explicou o mestre.

Os mestres explicaram que as bossas que serão apresentadas no audiovisual foram pensadas especialmente para a gravação e ainda passarão por ajustes até o desfile na Sapucaí. Guilherme explicou que as convenções foram planejadas em diálogo com a melodia e com o arranjo produzido por Alemão do Cavaco.

“A gente está começando a pensar no trabalho para a Sapucaí. O que a gente fez na gravação, como acaba ficando um pouco em cima, a gente gosta de trabalhar com calma. Pensamos em alguma coisa específica para a gravação, mas que a gente ainda vai mexer para a Sapucaí. O que a gente ouviu aí, a bossa, que a gente chama de uma bossa principal ali, que é no refrão do meio, a gente pensou especificamente dentro da melodia, dentro da métrica do samba também, para casar com o arranjo que o Alemão fez e ficar harmônico junto com o samba. A gente fez uma coisa especial para a gravação”, detalhou Guilherme.

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Foto: Thomas Reis/Rio Carnaval

A resposta da equipe à gravação superou as expectativas de Gustavo. O mestre também projetou a continuidade do trabalho até o Carnaval, quando a bateria deverá consolidar as escolhas feitas no estúdio.

“O melhor possível, o melhor possível. Juro que eu já estava um pouco ansioso, já esperando que o resultado ia ser bem positivo, mas ultrapassou as nossas expectativas. A gente vai fazer um trabalho especial para a situação do carnaval. Pode ter certeza. Espera o Salgueiro, espera a Furiosa, que vai ser lindo”, afirmou Gustavo.

Guilherme também destacou a resposta dos ritmistas e a integração entre o canto e as convenções da bateria. Mesmo com pouco tempo desde a escolha do samba, ele afirmou que a equipe já consegue perceber o potencial da obra.

“Acho que, contando com a energia da galera da bateria, a energia do samba, apesar de o samba ter sido escolhido há pouquíssimo tempo, a gente já consegue entender e sentir a força do samba. Ele tem uma letra muito linda, um refrão forte também. E a galera, aprendendo a bateria em si, já sabendo cantar, tocando junto com as convenções, a energia ficou muito boa. A gente já sabia que ia ficar. Eu sempre gostei muito do samba e a gente está entendendo que o samba vai ganhar mais força ainda a cada etapa até o carnaval”, avaliou Guilherme.

Direção de carnaval destaca preparação para a Sapucaí

Diretor de carnaval do Salgueiro, Wilsinho Alves avaliou positivamente a retomada do formato de gravação ao vivo ou com simulação de apresentação ao vivo. Para ele, essa escolha faz parte de um movimento cíclico, que alterna entre o registro em estúdio e uma sonoridade que busca reproduzir a energia da quadra.

“É um acerto da Rio Carnaval voltar com a questão do samba na modalidade ao vivo ou simulando ao vivo. Na verdade, ao longo dos anos, isso é um período cíclico. Passam alguns anos no ao vivo, passam alguns anos no estúdio. Eu, particularmente, gosto dessa pegada mais do ao vivo”, afirmou Wilsinho.

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Diretor de carnaval do Salgueiro, Wilsinho Alves

Depois do sucesso do violino que deu o tom folk ao samba em homenagem à mestra Rosa Magalhães, em 2026, o diretor antecipou a inclusão de um novo instrumento na gravação, mas guardou segredo até o lançamento oficial do álbum.

“A escola está muito feliz com a escolha, uma escolha que se mostrou certa no momento em que a gente escolheu, com a quadra toda cantando o samba. É um samba riquíssimo, belíssimo, que descreve lindamente o enredo. Acho que a gente está muito bem de samba e enredo para o próximo ano”, destacou.

Wilsinho está em seu quarto ano na escola e, para 2027, aponta dedicação total à busca pela décima estrela. Na avaliação dele, a combinação entre enredo, samba e equipe profissional coloca o Salgueiro em boas condições para a disputa.

“Estar no Salgueiro é sempre muito especial. É meu quarto ano de Salgueiro, grandes carnavais. Esse último carnaval, em especial, foi um carnaval que marcou muito todo mundo que participou. E, para o próximo carnaval, a busca do salgueirense, a busca da direção e a minha busca pessoal, incessantemente, é pelo título do Salgueiro. Acho que a gente tem grandes chances no próximo ano, porque a gente está com as peças certas. A gente tem enredo, a gente tem samba, a gente tem os profissionais certos nos lugares certos. Acho que a gente está forte nessa briga aí”, projetou.

Fotografia de carnaval debate ética e memória no ‘Desenrolando a Serpentina’

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Fotos: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

A fotografia esteve no centro das discussões do Desenrolando a Serpentina, que celebrou 20 anos de história no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio). Com o tema “Olhares da fotografia na cobertura do carnaval”, a roda de conversa reuniu profissionais com experiência na cobertura dos desfiles da Marquês de Sapucaí e do carnaval de rua para refletir sobre os desafios de registrar uma das maiores manifestações culturais do país. Entre os assuntos abordados estiveram a sensibilidade necessária para captar os momentos da festa, os limites éticos na produção de imagens, as transformações tecnológicas e a importância da fotografia na preservação da memória carnavalesca.

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Participaram do encontro os fotógrafos Moskow, com experiência na cobertura do carnaval de rua; Alex Ferro e Publius Vergilius, que atuam tanto na Sapucaí quanto nos blocos; e Lucíola Villela, fotógrafa da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. A mediação foi conduzida por Marcela Esteves, jornalista e roteirista da TV Globo.

Um dos principais pontos da conversa foi a necessidade de o fotógrafo ir além das pautas previamente estabelecidas. Embora os profissionais muitas vezes saiam das redações com orientações específicas sobre o que registrar, a natureza popular, plural e imprevisível do carnaval exige atenção ao que acontece fora do planejamento inicial. A capacidade de perceber um momento inesperado e compreender o contexto de uma manifestação pode ser determinante para a construção de uma imagem significativa.

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Nesse sentido, a fotografia carnavalesca exige mais do que domínio técnico. O profissional precisa desenvolver um olhar atento às pessoas, aos gestos e às situações que surgem durante a festa. A discussão ressaltou a diferença entre simplesmente operar uma câmera e exercer a fotografia como uma prática que envolve escolhas, interpretação e sensibilidade.

Ética e sensibilidade na construção das imagens

Outro tema importante foi a representação da nudez, especialmente no carnaval de rua. Em uma manifestação marcada pela liberdade corporal, pela sensualidade e por diferentes formas de expressão, os fotógrafos precisam avaliar o contexto em que cada imagem é produzida e como ela poderá ser utilizada posteriormente.

A discussão destacou a importância de distinguir situações em que a nudez está relacionada à sensualidade daquelas em que assume um caráter político, artístico ou de manifestação. A questão ganha ainda mais relevância quando envolve os corpos femininos, frequentemente expostos a interpretações e representações que podem desconsiderar a intenção original da pessoa fotografada.

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O desafio, portanto, não está apenas em registrar uma cena, mas em compreender o que ela representa e quais implicações sua divulgação pode ter. Em meio à intensidade do carnaval, o olhar fotográfico também envolve responsabilidade ética, respeito e consciência sobre a maneira como as imagens circulam e são interpretadas.

Tecnologia amplia possibilidades de registro

As transformações tecnológicas também integraram a conversa. O avanço dos equipamentos e o uso de recursos como drones ampliaram as possibilidades de registro, permitindo novas perspectivas sobre os desfiles, os blocos e a ocupação dos espaços urbanos durante a festa.

Apesar dessas mudanças, a tecnologia não elimina a importância das escolhas de quem fotografa. Durante o encontro, os profissionais apresentaram trabalhos que evidenciaram como um mesmo acontecimento pode resultar em imagens completamente diferentes, dependendo do posicionamento, da intenção e da perspectiva de cada fotógrafo.

A diversidade de registros também revela as múltiplas possibilidades narrativas do carnaval. Enquanto algumas imagens privilegiam a grandiosidade dos desfiles, outras encontram sua força nos detalhes, nos personagens anônimos, nos bastidores e nas manifestações que acontecem longe dos grandes palcos. Cada enquadramento estabelece um recorte da realidade e contribui para uma interpretação particular da festa.

Encontrar esse recorte, diante de tantas possibilidades, é um dos desafios permanentes da cobertura. A pluralidade do carnaval exige que o profissional faça escolhas sobre o que merece ser destacado, sem perder de vista a riqueza dos acontecimentos que se desenvolvem simultaneamente.

Fotografia preserva a memória do carnaval

A conversa também abordou as mudanças no comportamento dos foliões ao longo dos anos e a maneira como essas transformações aparecem nos registros fotográficos. As imagens permitem observar alterações nas formas de ocupar as ruas, nas manifestações individuais e coletivas e na relação do público com a própria festa.

Assim, a fotografia ultrapassa o registro imediato de um acontecimento. Ao reunir momentos, personagens e expressões de diferentes épocas, ela contribui para a construção da memória coletiva do carnaval e para a compreensão das mudanças culturais e sociais que atravessam essa manifestação.

Realizada em um evento dedicado à reflexão sobre os caminhos do carnaval, a roda de conversa reforçou a importância de reconhecer a fotografia como parte da própria narrativa da festa. Entre a Sapucaí, os blocos de rua e os bastidores, os profissionais constroem diferentes versões visuais de um mesmo universo, preservando experiências que ajudam a contar a história do carnaval carioca.

Festa dos protótipos da Estrela do Terceiro Milênio traz cores fortes, muito volume e ambientes

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Foto: Will Ferreira/CARNAVALESCO

O último sábado foi de revelação e celebração no Extremo Sul de São Paulo. Na data, a Estrela do Terceiro Milênio organizou a Festa dos Pilotos, no qual mostrou ao universo do carnaval paulistano as fantasias que desfilarão no enredo “Incrível! Fantástico! Extraordinário!”, assinado por Paulo Barros. A Coruja, que será a quinta escola a desfilar no sábado do Grupo Especial da cidade, também divulgou uma informação bastante importante sobre a parte estética na apresentação oficial. Sempre presente em eventos importantes para as escolas de samba paulistanas, o CARNAVALESCO conversou com personagens importantes da Estrela do Terceiro Milênio para o Carnaval 2027.

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Régua alta

O título do enredo, que, por dubiedade, pode parecer presunçoso, refere-se às criaturas que são utilizadas para fazer analogias com a sociedade contemporânea. Perguntado sobre o quão desafiador foi conceber o conjunto de fantasias da escola, Paulo Barros observou a criação por outro prisma: “Eu não diria desafiador: o enredo me proporcionou tudo isso, essa é a melhor palavra. Quando eu escolhi esse enredo para a Milênio, eu queria algo lúdico. Ele trata de personagens que traduzem uma essência, cada uma com um tipo de arquétipo. Eu mesmo descobri que não sabia o significado de todos enquanto pesquisava, por exemplo. É uma mensagem de um enredo incrível, fantástico e extraordinário. A gente conseguiu dividir o enredo de maneira que ele conte a história desses seres que saem de um portal para desfilar com a gente. Eles não vêm para nos aterrorizar, eles vêm para alertar, ajudar e proteger. Eu estou muito feliz com o resultado das fantasias, a Milênio tem um belo conjunto. Eu também devo tudo isso ao Paulo Menezes, meu companheiro e que está comigo há muitos anos. A gente fez um trabalho minucioso de pesquisa, de profundidade. A Milênio tem tudo para gabaritar nos quesitos Enredo e Fantasias, com certeza”, afirmou, citando o carnavalesco que é figurinista e assistente do profissional que assina o desfile da escola do Grajaú em 2027.

Volumetria destacada

No evento, Silvão Leite, presidente de honra da Estrela do Terceiro Milênio, informou aos presentes uma surpresa: a escola teria um elemento alegórico em todas as alas. Tal característica do desfile, unida às fantasias volumosas, deixaram a interrogação sobre o quão funcional poderia ser a junção de tais fatores. Barros explicou: “Eu precisava, em cada ala, trazer um personagem. E, para isso, nós teremos cada um dos seres que formam o nosso enredo em formato de escultura, em evidência. A ala, por si só, é o ambiente onde o respectivo ser vive. Você vê a fantasia do Hipografo, por exemplo, e a fantasia nada tem a ver com o ser, mas é esse conceito que está embutido nesse personagem. Foi uma sacada muito legal, fiquei muito feliz com esse resultado”, pontuou.

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Escola comprometida

Se a ousadia vai ser a marca da escola em 2027, o carnavalesco deixou claro que a agremiação embarcou junto no atrevimento: “Agora, é lógico: a Milênio comprou a ideia. Se não tivesse comprado, eu não ia fazer a besteira de entregar algo que eles não pudessem executar. Teve um consenso aí: a escola se sentiu bem à vontade para fazer esse projeto. Tudo tem risco, mas se tudo for feito de maneira consciente, profissional e dedicada, ninguém deve ter medo de errar. É lógico que não depende só de mim, depende também do componente da escola, da diretoria, da Harmonia e da escola como um todo para o projeto evoluir bem. Eu já fiz carnaval em São Paulo nos Gaviões, eu tinha alguns tripés no meio de alas. Como deu certo naquele ano, eu resolvi repetir a dose. É um pouquinho mais ousado, mas estou certo de que a escola vai conseguir levar o projeto adiante. Essa é a minha segurança. Vou repetir: eu não ia me aventurar a fazer qualquer tipo de loucura sem o aval deles. Isso nunca”, prometeu.

Tecnologia

Quando perguntado sobre quais cores e materiais privilegiou para conceber as fantasias da escola, Paulo Barros fez questão de revelar um instrumento que o ajudou a mesclar e criar novos materiais: “A gente fez o uso das cores da escola baseado em cada personagem. Se você tem a ala do Pégaso, você tem na roupa do componente uma simulação de nuvem branca: é o céu, ele está voando. A gente tem a cor de cada ala puxando para cada personagem. Já o uso do material foi o natural de carnaval; mas, para a minha surpresa, eu cheguei na Milênio e encontrei uma máquina de corte a laser. Em algumas fantasias, conseguimos fazer coisas que, de longe, parecem plumas, mas não são. Foi muito legal essa experiência: conseguimos fórmulas e resultados diferentes para cada um desses experimentos”, revelou.

Mais que satisfeitos

Miriângela Moura, vice-presidente da agremiação, deixou claro o quanto o conjunto de pilotos idealizado por Paulo Barros foi bem recebido pela diretoria da agremiação: “Pessoa famosa e criativa é problema! Brincadeiras à parte, eu e a diretoria ficamos muito emocionados quando vimos os pilotos das fantasias pela primeira vez. Esse enredo trouxe para a gente a sensação de ver o folião e as pessoas que vão assistir um desfile de carnaval de recuperar memórias próprias. As pessoas verão fantasias e alegorias que não precisarão de muitas explicações para entender a mensagem justamente por ser um resgate de memórias. É histórico, são lendas e histórias que todo mundo conhece. Essa facilidade encantou todo mundo”, comentou.

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Mesmo destacando o conjunto dos pilotos, Miriângela não se furtou a falar qual mais a tocou: “É difícil escolher uma fantasia favorita porque todas são encantadoras, todas me encantaram muito. Mas a primeira que me brilhou os olhos foi a fantasia da Ala das Baianas. Eu desfilaria com ela!”, finalizou.

Tucuruvi canta forte e faz mistério na gravação do audiovisual da Liga-SP

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Após um ano no Grupo de Acesso I, a Acadêmicos do Tucuruvi retorna ao Especial em 2027 com um enredo e um samba marcantes: “Ogbódirin, Ògbóni”, assinado pelo carnavalesco Nicolas Gonçalves. A faixa, gravada no dia 26 de setembro, na Fábrica do Samba, teve presença marcante do coral da agremiação e arranjo que privilegiou o tom misterioso que a obra possui. Sempre presente em eventos importantes para as escolas de samba paulistanas, o CARNAVALESCO conversou com nomes importantes ligados à faixa da escola da Zona Norte de São Paulo sobre a gravação do audiovisual da Liga-SP.

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Arranjo enigmático

Na visão de Ricardo Rigolon, popularmente conhecido como Chanel, arranjador da obra da Acadêmicos do Tucuruvi em 2027, a faixa teve um desafio extra na produção: uma caractrística pouco comum da obra. “Esse samba tem uma ideia de mistério: não é uma coisa nem alegre nem triste, é uma coisa meio diferente. Até para fazer o arranjo a gente trocou ideias com o Hudson e com o Serginho a respeito, todos estavam sugerindo algumas coisas de entrada, de abertura. Dá para você fazer um Ijexá para deixar a entrada do samba mais valente e mais alegre, embora não seja isso. No refrão do meio mesmo dá para fazer a mesma coisa em relação ao Ijexá para brincar mais, com a escola balançando, mas não é isso. A gente veio com um arranjo mais misterioso, mas não triste. Você pode ver que o começo já é um negócio com uma magia diferente. A comunidade gostou, a rapaziada gostou, e é isso que vale”, comentou.

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Ricardo Rigolon, popularmente conhecido como Chanel, arranjador da obra da Acadêmicos do Tucuruvi

O diálogo com outros nomes importantes da agremiação também foi citado na fala do arranjador: “Eu tentei usar alguns acordes para trazer algumas coisas de tensão para o arranjo, também. Até isso influenciou na parte harmônica. Eu faço a harmonização, vou lá e mostro para o Hudson, vou ver se está legal e confortável para todos. Harmonia é gosto, tem várias possibilidades. Eu fui jogando algumas coisas, mudei alguns caminhos, reharmonizei o samba do Daniel Tubino, meu parceiro, bom para caramba. Vai ser um samba que vai render bastante na avenida. Eu estava falando hoje com a rapaziada: ele tem muita coisa de elemento para você trabalhar, de resposta, de contraponto, de pensar na orquestração. Dá para distribuir bastante. A gente já tentou fazer hoje perguntas de cavaco e resposta de violão junto com a bateria. Eu venho escrevendo tudo, até a bossa. Já toco olhando o que está acontecendo e fazendo divisões, assim como acontece na bateria: ora surdo, ora caixa, ora violão, ora cavaco, algumas vezes alguns juntos”, pontuou, destacando um dos compositores da canção, juntamente com Thiago Meiners, Thiago Morganti, Cláudio Mattos, Sukata, Wilson Mineiro, André Valencio, André Aranha, Serjão Português, Thiago Piccirillo, Ítalo Pires e Rafael Tubino.

O profissional também pontuou alguns instrumentos que tiveram forte presença na gravação: “De introdução, acabou sobrando mais para o cavaquinho aparecer. Normalmente eu faço solos com bandolim; mas, como a gente não tinha esse instrumento nesse ano, eu mesmo que fui para o solo. Eu gosto de solar, também. Eu que fiz a introdução e algumas coisinhas mais rápidas. No final da introdução e nos contrapontos de resposta da bateria, vem o violão solando junto comigo”, afirmou.

Coletivo em cena

Presidente da escola, Rodrigo Delduque destacou o espírito de união da escola comandada por ele na gravação: “O que me chama muita atenção no Tucuruvi nesses últimos tempos e carnavais é a construção em grupo, da escola como um todo. Estamos todos, incansavelmente, trabalhando juntos, independentemente do setor, para que a escola tenha essa força. Tem dado muito certo tudo isso que estamos pregando na quadra, eles retribuíram com muita força na gravação. Somos de luta, samba e carnaval!”, disse.

O clima de união gerou uma faixa com coral muito forte, algo que foi destacado pelo mandatário: “A energia da gravação do Tucuruvi é a mesma energia com que estamos ensaiando e se dedicando. Confesso que fiquei surpreso com esse desempenho, não nego. Foi uma ótima pitada do que vem por parte do Tucuruvi para 2026”, comentou.

Trabalhando e caminhando

Ao ser perguntado se a escola já estava pronta, Ricardo Fervorini, diretor de Harmonia da Acadêmicos do Tucuruvi, destacou que a agremiação está focada: “Nós estamos trabalhando. Já começamos os ensaios e, para isso, primeiro fizemos uma leitura do samba-enredo para a comunidade, explicamos as palavras em iorubá e como cantamos em português, fazemos um trabalho toda terça-feira só com as alas… estamos bem, estamos caminhando. Prontos nós só estamos no dia do desfile, é a nossa segurança”, comentou.

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Como parte do trabalho, Fervorini destacou a assimilação da comunidade da escola em relação às palavras em outro idioma, nativamente africano, presentes no samba-enredo do Tucuruvi para 2027: “Eu chego depois do desfile de ‘Ifá’, mas, acompanhando depois a escola e vendo todo o processo de ‘Assojaba’ e de ‘Anti-Herói Brasil’, no qual tínhamos algumas palavras em iorubá, a escola gosta do desafio de chegar e entregar. Hoje eu fico até arrepiado de ver que a comunidade gosta do desafio: quando recebemos os sambas, fizemos reuniões com as lideranças e com a comunidade, mostramos passo a passo com todo mundo acompanhando a explanação do enredo. Depois, a maioria apontou o samba que queria – que foi o vencedor. O trabalho acaba ficando mais fácil para nós por conta de toda essa dinâmica. Você vai para o estúdio, muda a melodia e mais alguns detalhes, mas o pessoal entregou tudo muito bem, de novo. Parabéns à comunidade”, comemorou.

Por conta da distância considerável entre o bairro da Zona Norte e a Barra Funda, local em que fica a Fábrica do Samba, a escola apostou em uma logística individual para a chegada dos componentes para a gravação: “Hoje nós fizemos um pouco diferente: nós pedimos para que a comunidade viesse para a Fábrica do Samba e eles vieram. Marcamos no barracão, o pessoal veio com calma, já que no ano passado nós não estávamos aqui e tivemos que concentrar na quadra para vir para cá. Hoje, fizemos nossa concentração aqui, iniciada uma hora e meia antes do começo da gravação, cada um veio do seu jeitinho, a maioria vinda de carro ou por aplicativo. O Tucuruvi não é próximo da Barra Funda, mas a nossa comunidade gosta de sair: quando falamos que vamos em algum evento ou em alguma coirmã, disponibilizamos alguns ônibus e eles costumam ir por conta própria. E vai todo mundo!”, exclamou.

Para mexer com o público

Sérgio Cândido, popularmente conhecido como Serginho, mestre da “Bateria do Zaca”, contou como foi o trabalho dos ritmistas na gravação da faixa e o que virá para frente: “Hoje a gente fez só a introdução e fez uma bossa só, a questão é que a bossa é grande, mesmo. Em relação aos batimentos por motivo, estava bom hoje: o samba pediu para dar uma esquentadinha e a gente vai dar uma esquentadinha. Foi entre 142 e 143, não passou disso. Cada samba é um samba, cada ano é um ano, cada história é uma história, não tem como. A gente estava conversando isso na quadra, quando a gente está ensaiando, mesmo sem o canto e o caramba, a gente já vê que a bateria responde diferente. Logo vamos entrar com um arranjo novo, no refrão do meio; depois tem mais um, o paradão para encerrar. Nesse ano, a gente vai vir com três arranjos diferentes”, afirmou.

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Sérgio Cândido, popularmente conhecido como Serginho, mestre da Bateria do Zaca

Preparação cotidiana

Intérprete do Tucuruvi, Hudson Luiz comentou com a reportagem que o trabalho de voz feito por ele é realizado de qualquer maneira: “Eu tenho um ritual que é diário. Independentemente de gravação ou não, eu faço os meus exercícios, tento ter uma alimentação mais saudável. Nem sempre a gente consegue, ainda mais eu que moro no Rio de Janeiro, às vezes se pega a estrada, precisa comer um lanche ou uma coisa na rua. Nas minhas últimas 24 horas eu trabalhei, acabei dormindo um pouco mais tarde por estar em casa com a família e tal. Vim no ônibus, tentei descansar um pouquinho e fiz exercício vocal. Cheguei aqui, fiz um pouco mais de exercício vocal para aquecer a voz e fazer com que essa gravação fosse a melhor possível para que a escola pudesse ter, de fato, a melhor gravação possível. Esse samba é maravilhoso, já ajudou muito. Para mim, as últimas 24 horas foram de estudo e ansiedade para que esse momento chegasse”, finalizou.

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Com 99% das plumas artificiais, Beija-Flor se antecipa ao debate nacional sobre o uso de itens de origem animal no carnaval

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Exemplo de fantasia feita com material sustentável no desfile de 2026 da Beija-Flor. Foto: Divulgação/Beija-Flor

A Beija-Flor de Nilópolis alcançará uma importante marca durante o Rio Carnaval 2027: 99% das plumas usadas nas fantasias da escola serão artificiais. O uso de ecoplumas, além de simbolizar a preocupação da diretoria com a sustentabilidade, representa uma antecipação da agremiação ao debate nacional sobre o tema. Na Câmara dos Deputados, semana passada, a Comissão de Indústria, Comércio e Serviços aprovou um projeto de lei que proíbe o uso de plumas e penas de origem animal em alegorias e figurinos carnavalescos.

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De acordo com informações divulgadas pelo site da Câmara, quem desrespeitar a futura regra pagará multas que variam de R$ 5 mil a R$ 1 milhão. Em caso de reincidência, a punição será aplicada em dobro e acrescida de 100% a cada nova infração. O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado por mais comissões (Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; Finanças e Tributação; Cidadania; e Constituição e Justiça). Para virar lei, precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

Conexão com o enredo

A opção pelas ecoplumas e penas ecológicas também já havia sido notada com bastante destaque no último desfile da azul e branco de Nilópolis, fruto da parceria com a empresa EcoPlumas (@ecopluma.art). Para 2027, os protótipos das fantasias à venda nas redes sociais da escola também vão na mesma linha. Com leveza e beleza, os figurinos receberam muitos elogios de internautas, gerando grande procura.

“A Beija-Flor tem uma grande preocupação com esse tema. Em 2027, teremos 99% das fantasias da escola confeccionadas com ecoplumas”, destaca o carnavalesco João Vitor Araújo.

O enredo do próximo ano é “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”, que celebra a trajetória de Zeneida Lima, pajé do Marajó (PA) que atua como ambientalista, ativista social e referência mítica da região. A preocupação ambiental da escola, aliás, dialoga com a atuação da própria homenageada na região amazônica.

Os interessados nas fantasias devem procurar a agremiação exclusivamente pelo telefone (21) 99838-7116 ou pelo e-mail [email protected], para informações sobre valores e formas de pagamento. A diretoria reforça que estes são os únicos canais autorizados para a comercialização.

Série Ouro retoma projeto focado na sustentabilidade para o Carnaval

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Foto: Divulgação/Liga RJ

O carnaval movimenta uma extensa cadeia produtiva, gera oportunidades econômicas, mobiliza comunidades e envolve milhares de profissionais ao longo de todo o ano. É diante dessa dimensão cultural, social e econômica que a Liga RJ anunciou nesta terça-feira a retomada de sua Diretoria de Sustentabilidade e uma nova parceria estratégica com a Kapu, empresa especializada em sustentabilidade e soluções ESG, que passa a atuar na estruturação e implementação da agenda de sustentabilidade da Série Ouro do carnaval.

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A iniciativa marca uma nova etapa na atuação da Liga RJ, com o propósito de consolidar a sustentabilidade como parte da estratégia, da gestão e do legado do Carnaval, indo além de iniciativas isoladas para construir uma agenda permanente, mensurável e integrada às atividades da instituição.

A Diretoria de Sustentabilidade volta a ser liderada por Diego Carbonell, que já esteve à frente da área anteriormente. Seu retorno representa a continuidade de um trabalho iniciado na instituição, agora fortalecido por uma estrutura técnica especializada e dedicada à transformação de diretrizes em projetos, indicadores e resultados concretos. Essa estrutura será conduzida pela Kapu, empresa fundada por Carbonell e Rafael de Brito, que reúne competências em estratégia, gestão e operação ESG.

A parceria estabelece uma atuação complementar: enquanto a Diretoria de Sustentabilidade da Liga RJ será responsável pela articulação e condução institucional da agenda, a Kapu contribuirá com planejamento estratégico, conhecimento técnico, metodologias, tecnologia e suporte à implementação e ao acompanhamento das iniciativas.

Nova visão de sustentabilidade

A proposta parte de um entendimento central: a sustentabilidade do Carnaval não se limita aos dias de desfile, tampouco apenas à compensação de impactos ambientais. Ela envolve toda uma cadeia de atividades, relações e oportunidades que começa muito antes de as escolas entrarem na avenida.

Na dimensão ambiental, o trabalho poderá abranger temas como gestão de resíduos, eficiência no uso de recursos, emissões de gases de efeito estufa e soluções para redução de impactos. Na dimensão social, o olhar se volta à valorização dos profissionais do Carnaval, à inclusão, ao desenvolvimento das comunidades, à diversidade e à geração de oportunidades. Já a governança será trabalhada por meio da estruturação de processos, responsabilidades, indicadores, mecanismos de acompanhamento e transparência.

O objetivo é estabelecer uma agenda com prioridades claras, iniciativas viáveis e instrumentos capazes de acompanhar sua evolução ao longo dos próximos anos. Mais do que incorporar novas práticas, a parceria pretende fortalecer a capacidade institucional da Liga RJ de transformar compromissos socioambientais em ações consistentes e duradouras, considerando as particularidades do Carnaval e das escolas de samba. Para Diego Carbonell, o novo momento representa a oportunidade de ampliar um trabalho que já possui história dentro da instituição.

“A sustentabilidade não começa agora na Liga RJ. Existe uma trajetória, um trabalho que já foi desenvolvido e aprendizados importantes construídos ao longo dos anos. O meu retorno à Diretoria representa a continuidade dessa história, mas também o início de uma nova fase. Com a Kapu, passamos a contar com uma estrutura técnica especializada, capaz de transformar planejamento em execução e dar mais consistência e escala às iniciativas. Queremos que a sustentabilidade faça parte das decisões, da operação e, principalmente, do legado que o Carnaval deixa para a sociedade”, afirmou Diego Carbonell, diretor de Sustentabilidade da Liga RJ e sócio-fundador da Kapu.

Segundo Deo Pessoa, presidente da Liga RJ, a iniciativa está diretamente relacionada à evolução da instituição e ao fortalecimento do Carnaval como patrimônio cultural e agente de transformação social.

“O Carnaval tem uma importância que vai muito além do espetáculo. Estamos falando de cultura, trabalho, geração de renda, comunidades e de uma cadeia que movimenta milhares de pessoas. Retomar a Diretoria de Sustentabilidade é reafirmar nosso compromisso com o futuro dessa atividade. A experiência do Diego e a parceria com a Kapu nos dão condições de avançar com mais estrutura, construindo uma agenda que fortaleça nossas escolas, valorize as pessoas e deixe resultados positivos para além dos desfiles”, destacou o presidente da Liga RJ.

Com a retomada da Diretoria de Sustentabilidade e a chegada da Kapu, a Liga RJ reafirma a ambição de construir um Carnaval em que tradição e inovação caminhem juntas, preservando a força cultural das escolas de samba enquanto amplia sua capacidade de gerar desenvolvimento, responsabilidade e impacto positivo.

Xande de Pilares homenageia clássicos do sambas-enredo ao lado dos Puxadores do Samba em novo audiovisual

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Fotos: Mariana Santos/CARNAVALESCO

Antes de ser ‘de Pilares’, Xande foi ‘do Salgueiro’. A gravação de ‘Nos Braços do Povo 3’, no Bar do Zeca Pagodinho, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, celebrou as referências musicais essenciais para a formação do cantor e compositor, incluindo sua ligação com o carnaval. Para encerrar a noite, Xande chamou ao palco o grupo Os Puxadores do Samba e o intérprete Ito Melodia, em uma homenagem às escolas de samba e aos clássicos que passaram pela Sapucaí. Formado por intérpretes ligados à história do carnaval carioca: Bruno Ribas, da Portela; Wantuir de Oliveira, do Porto da Pedra; Marquinhos Art’Samba, da Unidos da Tijuca; Tinga, da Vila Isabel; e Serginho do Porto, da Unidos da Ponte, o grupo Os Puxadores do Samba participou da gravação em um encontro que também celebrou a parceria com Xande. Wantuir de Oliveira e Marquinhos Art’Samba destacaram a relação de amizade com o cantor e a expectativa para o próprio audiovisual do grupo, marcado para 7 de dezembro, na Cidade do Samba, no qual Xande será produtor.

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“A nossa participação hoje aqui é uma troca de favores, até porque o Xande é o nosso produtor do nosso audiovisual que a gente vai gravar em dezembro. E ele convidou para participar cantando algum samba-enredo. E lá ele vai participar com a gente, produzindo a gente. A gente não podia deixar de estar aqui. Primeiro porque é o nosso irmão”, afirmou Wantuir.

Marquinhos Art’Samba, intérprete da Unidos da Tijuca, destacou a admiração dos integrantes pelo cantor: “O Xande é um ídolo nosso. Além de ser nosso amigo, é um ídolo da música, é o ícone da música. A gente tinha que estar aqui, o sambista tem que estar aqui”.

Já Serginho do Porto, intérprete da Unidos da Ponte, ressaltou a emoção de participar do encontro: “Momento muito especial para a gente abraçar o nosso irmão. Xande merece de tudo isso que está acontecendo”.

O repertório preparado para a participação reuniu sambas-enredo de diferentes agremiações, incluindo clássicos da Unidos da Tijuca, da Vila Isabel e da Portela, sem deixar de lado a escola do coração, onde Xande foi intérprete e campeão com quatro sambas-enredo: o Salgueiro. O set de ‘carnaval’ terminou com o histórico ‘Peguei um Ita no Norte’, de 1993, e a canção que rendeu sua última vitória na escola, o recordista de reproduções nas plataformas digitais ‘Salgueiro de Corpo Fechado’, de 2025. A apresentação reforçou a proposta de levar as vozes tradicionalmente associadas aos desfiles para outros espaços e repertórios da música brasileira.

Ito Melodia, intérprete da Grande Rio para o Carnaval 2027, também destacou a importância de participar da gravação e de representar os intérpretes das escolas de samba em um projeto dedicado à diversidade musical de Xande de Pilares.

“O Xande é um cara que sempre ajudou muita gente, é um cara que dá valor ao sambista, ao samba de raiz. E poder estar aqui representando o samba carnaval, assim como todos os intérpretes que estiveram presentes, para nós é um orgulho muito grande. É não deixar o samba morrer nunca”, afirmou.

O intérprete também agradeceu pela oportunidade de representar a Grande Rio e o carnaval no evento e ressaltou o papel de Xande na abertura de espaço para os sambistas: “Ao Xande, só parabéns para ele, porque está dando oportunidade de abrir espaço para todos nós. É uma honra. Obrigado ao samba, o qual eu agradeço, devo minha vida ao samba e sou muito grato por tudo o que eu tenho hoje através do samba”.

Como diz a canção “Não existe melhor lugar que os braços do povo”, a noite foi de casa cheia e animação na grande roda de samba no ‘quintal’ de Zeca Pagodinho, comandada por Xande. Em clima de sinergia, o público também recebeu surpresas, como o grupo Sorriso Maroto, que cantou os sucessos ‘Sinais’ e ‘Amizade é Tudo’. Dudu Nobre também subiu ao palco para cantar ‘Quem é Ela?’ e ‘Mini-saia’, além de Dandara Mariana e Liomar.

Passando do forró ao samba-enredo, o repertório de peso exaltou a diversidade de sua essência musical, incluindo a canção ‘Disparada’, de Jair Rodrigues; ‘Nossa Gente (Avisa Lá)’, do Olodum; ‘Lanterna dos Afogados’, dos Paralamas do Sucesso; e ‘Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua’, de Ney Matogrosso, todas em novas roupagens, ao som dos tamborins e tantãs. Também marcaram presença os sucessos autorais do cantor, como ‘Clareou’, tema da novela Três Graças, de 2025, e a contagiante ‘Vento’, lançada em ‘Nos Braços do Povo 1’.

Para encerrar a noite com chave de ouro, ou melhor, diamante, Xande ergueu uma placa em comemoração aos mais de dois bilhões de reproduções em áudio e vídeo nas plataformas digitais. O gesto reforçou o sucesso do cantor e do projeto ‘Nos Braços do Povo’, cujo segundo volume também foi indicado ao Grammy Latino 2026.

Grande Rio convida Ana Maria Gonçalves para representar Luísa Mahin no Carnaval 2027

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Foto: Divulgação/Grande Rio

Antonio Gonzaga, carnavalesco da Grande Rio, convidou a escritora Ana Maria Gonçalves para desfilar como destaque no segundo setor do desfile da escola no Carnaval 2027, representando Luísa Mahin, também chamada de Kehindé no livro “Um defeito de Cor” da autora, figura histórica ligada à resistência negra e à Revolta dos Malês.

Ana virá no setor dedicado às revoltas e aos movimentos de resistência que levaram negros a retornar às suas terras de origem. O convite foi feito durante a visita da escritora ao barracão da agremiação.

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Com o enredo “Sankofa Tabon – Os Retornados da Costa do Ouro e a Estrela Negra da Liberdade”, a Grande Rio levará à avenida histórias de ancestralidade, resistência e reconexão com as raízes negras.

Paulo Pinna busca na memória do Salgueiro a comissão de frente de 2027

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Foto: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

Quase não há registros em vídeo do desfile de 1963, em que o Salgueiro conquistou seu segundo título com Xica da Silva. Para fazer a releitura daquele carnaval em 2027, o coreógrafo Paulo Pinna, responsável pela comissão de frente da escola, aposta na memória de quem viveu a “Revolução Salgueirense” e ainda circula pela quadra da Silva Teles: baluartes, velha-guarda e diretoria.

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“A gente não tem muitas imagens para se inspirar. Mas sempre vale pesquisar não só as imagens, que são poucas, mas histórias, relatos de quem viveu aquela época e está aqui na escola”, disse.

O método não é novo para ele. Na preparação para o desfile de 2026, dedicado a Rosa Magalhães, Pinna conta ter buscado contato com profissionais que trabalharam com a carnavalesca e que, depois, passaram a trabalhar também com a escola.

“A energia conta muito, e ajudou muito no carnaval da Rosa. É tentar buscar essa energia do carnaval de 1963, que é o carnaval campeão, histórico, e trazer para o nosso de 2027”, afirmou.

Legitimidade em disputa

O resultado de 2026, com a nota máxima no quesito, marcou uma virada para o coreógrafo, que chega ao terceiro ano no Salgueiro. Pinna não esconde que o caminho até ali foi de desconfiança. Segundo ele, coreógrafos com trajetória recente no Grupo Especial ainda enfrentam uma cobrança extra por validação em um segmento dominado por nomes com décadas de carreira e coleções de prêmios.

“É muito trabalho, muita correria, muita luta. E muita negação, muita dúvida sobre o nosso trabalho. Não só o meu, mas o de outros coreógrafos que ainda têm uma trajetória recente no Especial”, disse.

Pinna se inclui numa geração de profissionais que, embora tenham anos de trabalho no carnaval, estão sendo vistos mais recentemente. Cita, entre outros, coreógrafos como Lucas Maciel, da Mangueira, e Marlon Cruz, do Tuiuti, e defende que a renovação não se limita às comissões de frente, alcançando também os casais de mestre-sala e porta-bandeira.

“O carnaval é movimento. A gente precisa oxigenar todos os segmentos. Os renomados aprendem com a gente, a gente aprende com eles, e quem ganha é o espetáculo”.

Questionado se a repercussão de 2026, elogiada por jurados, público e crítica, reduziu a resistência ao seu trabalho, o coreógrafo é cauteloso. Diz não saber se ela diminuiu, já que a expectativa sobre todas as comissões cresce a cada ano. Mas reconhece uma mudança na relação com a torcida.

“O trabalho de 2026 trouxe tranquilidade até para torcedores que pudessem ter dúvida da nossa trajetória. Acho que as pessoas estão mais conectadas comigo agora. É isso que importa”.

Sarrafo alto

A cobrança, ele admite, também vem de dentro. Pinna diz manter o próprio nível de exigência “sempre lá em cima”, o que às vezes o coloca numa “sinuca de bico” diante de um carnaval em que tudo parece já ter sido feito. Para 2027, porém, ele resume em três palavras o que não pode faltar na pré-temporada.

“Respeito ao carnaval de 1963, que é histórico. A gente tem a responsabilidade de reconstruir essa história. E não pode faltar emoção e identificação”.