A rainha de bateria da Unidos de Bangu, Camila Prins, promete um desfile especial no Carnaval 2027. À frente da bateria do mestre Dinho pelo segundo ano consecutivo, a sambista destacou o carinho recebido da comunidade, a expectativa para reencontrar os segmentos da escola e a preparação de uma fantasia que estará alinhada ao enredo da vermelho e branco. O enredo da Unidos de Bangu para o Carnaval de 2027 na Série Ouro do Rio de Janeiro é “A Outra Ceia”, que homenageia o sambista Marquinho PQD (falecido em 2025).
“É uma honra indescritível. Este é o meu segundo ano como rainha no Rio de Janeiro e a experiência tem sido maravilhosa. Fui acolhida com muito carinho por todos e sinto que estou ainda mais entusiasmada nesta edição”, afirmou Camila, durante a festa de apresentação do samba-enredo para o próximo carnaval.
A rainha também demonstrou entusiasmo com o tema escolhido pela Unidos de Bangu para 2027. Segundo ela, a homenagem a um dos grandes nomes do pagode torna o desfile ainda mais especial, pela importância do artista para a história da música brasileira.
“Este carnaval será mais leve e absolutamente inesquecível, especialmente pelo nosso enredo, que é precioso e presta uma justa homenagem a um dos nossos maiores pagodeiros, cuja trajetória marcou a história da nossa música com sambas magníficos”, destacou.
Camila ainda ressaltou a ansiedade para reencontrar os integrantes da comunidade e os diferentes segmentos da escola. A rainha citou as passistas, as baianas, a diretoria e a presidência entre aqueles com quem estava especialmente animada para compartilhar mais uma temporada de carnaval.
Camila Prins prepara fantasia para o desfile
Além da expectativa pelo reencontro com a comunidade, a fantasia é um dos pontos que já movimentam a preparação da rainha para o desfile. Camila revelou que está em contato direto com o carnavalesco da Unidos de Bangu para alinhar os detalhes do figurino, que terá ligação com a proposta do enredo.
“Quanto à fantasia para o desfile, preparem-se, pois será espetacular. Já estou em sintonia com o carnavalesco, alinhando todos os detalhes estratégicos para que o figurino esteja perfeitamente alinhado ao nosso tema. Será algo realmente incrível”, prometeu.
A Botafogo Samba Clube promove uma nova reformulação para o Carnaval 2027 com o objetivo de corrigir os erros identificados no desfile deste ano e entrar na disputa pelo acesso. Em entrevista ao CARNAVALESCO, durante a festa de apresentação do samba-enredo para o próximo carnaval, o presidente Sandro Lima explicou as mudanças na estrutura da escola, a escolha por um samba encomendado e o processo que levou à troca de carnavalescos. Segundo o dirigente, a avaliação do desfile de 2026 apontou falhas que, embora pontuais, tiveram impacto no resultado. A proposta é repetir o movimento de reformulação realizado após o carnaval de 2025, buscando uma apresentação mais consistente e competitiva. O enredo do ano que vem é “Basta! Você vai se arrepender de levantar a mão pra mim!”.
“A Botafogo Samba Clube fez um desfile, na nossa opinião, com alguns erros, poucos, mas alguns, que nos levaram à colocação em que ficamos. Como fizemos em 2025, quando reformulamos tudo para 2026, agora estamos fazendo de novo para 2027, a fim de aparar todas as arestas e corrigir esses pequenos erros que ficaram pendentes. O objetivo é fazer um carnaval de excelência e disputar o tão sonhado acesso”, afirmou.
Enredo surgiu em encontro com presidente do Botafogo
A ideia para o enredo do Carnaval 2027 surgiu em um café da manhã na casa de João Paulo, presidente do Botafogo, na sexta-feira anterior ao Sábado das Campeãs, logo após a apuração do carnaval. De acordo com Sandro Lima, o encontro abriu caminho para a construção do projeto, a partir de uma sugestão de Michelle Pinto, esposa do dirigente alvinegro e defensora da causa abordada pela escola. O presidente da Botafogo Samba Clube contou que a proposta foi abraçada imediatamente, dando início ao desenvolvimento do tema e à formação da equipe responsável por levá-lo à Avenida.
“A esposa dele, Michelle Pinto, que é defensora da causa e trabalha com isso, sugeriu o enredo. Nós abraçamos a ideia de imediato, começamos a trabalhar, fizemos algumas mudanças e trouxemos a Carla, fechando a equipe com chave de ouro para buscar o resultado”, explicou.
Escola optou por encomendar o samba-enredo
A Botafogo Samba Clube também decidiu encomendar o samba-enredo para 2027, em vez de realizar uma disputa entre compositores. Sandro Lima justificou a escolha pela necessidade de acompanhar de perto a construção da obra, considerando as particularidades do tema e a intenção de preservar detalhes importantes na composição. O dirigente destacou ainda a preocupação em valorizar a presença feminina desde a interpretação do samba. A decisão também levou em conta o calendário de preparação para o carnaval, que, segundo ele, dificultaria a realização de uma disputa nos moldes tradicionais.
“Achamos necessária a encomenda porque precisávamos de um samba muito forte e no qual pudéssemos opinar em detalhes. Trata-se de um tema muito delicado de tratar, em que é importante considerar até o carinho de colocar uma mulher a começar a cantar, já que é um enredo em que elas têm a voz principal. Ficamos com receio de recebermos safras boas, mas ter de alterar a obra”, disse.
Sandro também citou a sobreposição de eventos, como a Copa do Mundo, como um dos fatores que reduziram o tempo disponível para organizar o processo. Apesar da mudança de formato, o presidente demonstrou satisfação com o resultado apresentado pela escola.
“Preferimos encomendar e ficamos muito felizes com o resultado, que ficou muito bom”, completou.
Troca de carnavalescos ocorreu após dificuldades de alinhamento
Outra mudança para o Carnaval 2027 foi a troca de carnavalescos Raphael Torres e Alexandre Rangel. Sandro Lima afirmou que a decisão ocorreu após dificuldades para conciliar a visão da direção da escola com a proposta dos profissionais responsáveis pelo desenvolvimento artístico do desfile. Segundo ele, o encerramento do ciclo foi decidido em comum acordo, após tentativas de encontrar um caminho que atendesse às expectativas da agremiação.
“Onde o enredo não é autoral, é comum que os carnavalescos não se identifiquem tanto com a proposta. Começamos a ter dificuldades em alinhar a nossa visão com a deles. Após várias tentativas sem o encaixe ideal, decidimos conjuntamente encerrar esse ciclo”, explicou.
O presidente agradeceu pelo trabalho realizado pelos profissionais, mas ressaltou que a escola precisava avançar com suas próprias ideias para a construção do próximo desfile.
“Agradecemos muito por tudo o que fizeram pela escola, mas o ciclo estava encerrado porque precisávamos colocar as nossas ideias em prática”, concluiu Sandro Lima.
A mesa “Carnaval: economia criativa e projeto de cidades”, realizada no último sábado, durante a edição especial de 20 anos do Desenrolando a Serpentina, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), debateu a importância de compreender o carnaval para além dos dias de desfile, considerando seu papel na produção cultural, na economia criativa e no desenvolvimento dos territórios. Entre os pontos levantados estiveram o financiamento público, a acessibilidade, a preservação da memória e a relação das escolas de samba e dos blocos com as comunidades onde estão inseridos. O encontro reuniu a secretária de Articulação Federativa e Comitês de Cultura do Ministério da Cultura, Roberta Martins; o secretário municipal de Cultura do Rio de Janeiro, Lucas Padilha; o diretor da Associação Artise de Arte, Cultura e Acessibilidade de Brasília, Dorival Brandão; e o carnavalesco da Imperatriz Leopoldinense, Leandro Vieira. A mediação foi da doutora em Comunicação e Cultura e pesquisadora de carnaval Andrea Estevão.
A discussão abordou como o crescimento do carnaval pode ser incorporado a um projeto permanente de cidade, conectando cultura, turismo, entretenimento, empreendedorismo e políticas públicas. A proposta também foi refletir sobre as possibilidades de trabalho geradas pela cadeia produtiva carnavalesca e sobre como as atividades desenvolvidas pelas agremiações podem movimentar diferentes setores ao longo de todo o ano.
Carnaval para além do evento
Um dos principais pontos do debate foi a necessidade de reconhecer o carnaval como manifestação cultural permanente, em vez de restringi-lo à lógica de um evento concentrado em poucos dias. Para Leandro Vieira, essa mudança de perspectiva é fundamental para ampliar a compreensão sobre o trabalho desenvolvido pelas escolas de samba, que produzem diferentes manifestações artísticas durante praticamente todo o ano.
“A lógica do evento coloca o carnaval dentro da ideia de festa, que faz parte de um calendário. Se o carnaval for apenas uma festa, ele terá uma dimensão específica, restrita aos cinco dias de celebração, o que é diferente da lógica da cultura. Quando você defende o carnaval dentro dessa perspectiva, percebe que ele tem importância durante todo o ano. Isso porque a construção das linguagens visuais nos barracões, ao longo de aproximadamente dez meses, faz parte da produção cultural. Além disso, as escolas de samba realizam atividades musicais e corporais, assim como ensaios que se estendem por quase todo o ano. Se você pensar que uma escola de samba passa pelo menos dois meses produzindo música, poesia e promovendo disputas para a escolha de um samba-enredo, começa a entender que ela também produz literatura. Nesse sentido, defender a escola de samba e o carnaval dentro da lógica da cultura significa reconhecer que a escola de samba é teatro, literatura, linguagem visual, aquilombamento e manutenção de tradições ancestrais, assim como as baterias das escolas de samba são manifestações musicais ancestrais. Portanto, quando você defende o carnaval por essa perspectiva, atribui a ele uma importância muito maior do que a de um desfile de escola de samba, que dura pouco mais de uma hora”, afirmou.
Escolas de samba e a cultura nas periferias
A relação entre as agremiações e os territórios onde estão inseridas também esteve entre os temas centrais da mesa. As escolas de samba desempenham um papel importante na oferta de atividades culturais nas periferias, especialmente em comunidades que não contam com equipamentos como cinemas e salas de teatro. Para o carnavalesco, reconhecer essa atuação é essencial para compreender a dimensão social das instituições e pensar políticas de incentivo que contemplem sua produção permanente.
Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO
“Isso amplia a percepção que a sociedade pode ter sobre o que é uma escola de samba, porque ela é um polo de cultura dentro de uma comunidade que, geralmente, não dispõe de cinemas, salas de teatro e equipamentos culturais. Portanto, quando você defende a escola de samba como cultura durante todo o ano, ela passa a ser reconhecida como um polo cultural e um espaço de cultura dentro da periferia. Acredito que esse seja um debate muito maior do que a lógica do evento. Lamento apenas que a maioria dos dirigentes não tenha o letramento racial e social necessário para compreender essa questão. Todos os argumentos são pautados na lógica do evento, da verba e da avaliação de quanto investir em uma escola de samba é lucrativo. Então, fica difícil”, declarou.
Encontros para provocar mudanças
A importância de espaços de discussão como o Desenrolando a Serpentina também esteve entre os pontos abordados. Realizados fora do período da festa, esses encontros permitem aprofundar questões sobre o futuro do carnaval e aproximar profissionais do setor dos representantes responsáveis pela formulação de políticas públicas. O carnavalesco da Imperatriz também falou sobre o tema.
“Eu defendo essa perspectiva que acabei de apresentar e acredito que, durante os dias do evento, não há espaço para esse tipo de debate. Por isso, esses encontros, realizados fora do período do carnaval, mas que, de alguma forma, reúnem as pessoas que fazem parte desse universo, são sempre importantes. Durante a festa, não temos a possibilidade de falar sobre essas questões como fazemos aqui. Já longe dos dias de desfile, existe a oportunidade de promover encontros que possibilitem essas provocações. Hoje, por exemplo, havia representantes oficiais das políticas públicas presentes. E o que acontece nesses eventos? Você consegue fazer provocações com a expectativa de que essas ideias germinem”, concluiu.
Políticas públicas e financiamento do carnaval
A discussão sobre o financiamento foi um dos eixos da mesa, que procurou refletir sobre as condições necessárias para garantir a continuidade das atividades culturais ligadas ao carnaval. Roberta Martins, secretária de Articulação Federativa e Comitês de Cultura do Ministério da Cultura, abordou as políticas públicas voltadas para a festa, a importância do financiamento estatal e os diferentes modelos de apoio ao setor.
O tema dialoga com um dos desafios apresentados pelo evento: reconhecer o carnaval como uma cadeia produtiva que movimenta profissionais e negócios para além do período dos desfiles. A produção carnavalesca envolve artistas, trabalhadores dos barracões, músicos, produtores culturais e profissionais de diferentes áreas, além de atividades relacionadas à comunicação, à moda, à gastronomia e aos serviços.
A mesa também colocou em pauta a relação entre investimento público e reconhecimento cultural. Ao discutir o carnaval para além da lógica do evento, os participantes abordaram a importância de considerar as atividades permanentes das agremiações e dos blocos no planejamento de políticas culturais, ampliando a compreensão sobre o papel dessas instituições na vida das comunidades.
Acessibilidade e memória como parte do projeto de cidade
A acessibilidade foi outro tema abordado durante o encontro. Dorival Brandão, diretor da Associação Artise de Arte, Cultura e Acessibilidade de Brasília, destacou a importância de considerar as condições de acesso e participação no planejamento do carnaval. A questão amplia o debate sobre como a festa pode ser pensada de maneira inclusiva, levando em conta as necessidades de diferentes públicos.
Já Lucas Padilha, secretário municipal de Cultura do Rio de Janeiro, destacou a importância da memória do carnaval. A preservação das trajetórias das escolas de samba, dos blocos e das comunidades constitui uma dimensão importante do reconhecimento da festa como patrimônio cultural.
Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO
Segundo ele, a memória permite compreender como essas manifestações se desenvolveram nos territórios e contribuíram para a formação da identidade cultural da cidade. Ao lado do financiamento e da acessibilidade, esse aspecto reforça a necessidade de políticas que não considerem o carnaval apenas como uma atividade sazonal, mas também como uma expressão cultural que reúne história, criação artística e pertencimento comunitário.
A emoção de ver uma obra construída ao longo de meses ganhar sua versão oficial tomou conta dos compositores da Beija-Flor de Nilópolis durante a gravação do samba para o Carnaval 2027. Entre declarações de amor à escola, a identificação com a comunidade e a expectativa de ouvir a obra na voz dos intérpretes oficiais, a parceria responsável pelo samba demonstrou confiança no resultado e deixou claro o objetivo que move a “Deusa da Passarela”: voltar a disputar o título com força na Marquês de Sapucaí.
Betinho mantém o tom original e guarda surpresas no arranjo
Na construção musical da gravação, o arranjador e diretor musical, Betinho Santos, trabalhou diretamente sobre a melodia apresentada pelos compositores, enquanto mestre Rodney ficou responsável pelo arranjo de bateria. A proposta foi aproveitar as possibilidades oferecidas pelo próprio samba, sem alterar o tom em que a obra foi criada.
“Na bateria, o mestre Rodney faz o arranjo e ele usou muito isso. Eu, no caso, já fui em cima da melodia do samba e montei o arranjo em cima da melodia do samba mesmo”, explicou Betinho.
Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO
O arranjador confirmou que a gravação manteve o tom original em dó menor, o mesmo utilizado pelos compositores durante a apresentação na quadra. A decisão levou em consideração o resultado musical e a adequação à voz dos intérpretes.
“Dó menor, o tom original, nós não mudamos. O mesmo tom que os compositores cantaram na quadra, a gente adquiriu o mesmo tom e ficou bom pra caramba. Está bom na voz dos cantores, foi ótimo”, declarou.
Foto: Thomas Reis/Rio Carnaval
Questionado sobre os elementos que o público poderá perceber quando o álbum e o audiovisual forem lançados, Betinho preferiu preservar o mistério e não antecipar os detalhes do trabalho.
“Olha, quando sair o álbum, o audiovisual, vocês vão ouvir. Não vou falar nada, é segredo”, afirmou.
Rodney trabalha com andamento entre 142 e 143 BPM
À frente da bateria, mestre Rodney destacou que a definição do andamento para o desfile ainda dependerá do trabalho desenvolvido nos ensaios. Para a gravação oficial, a equipe trabalha com a referência de 142 a 143 batidas por minuto (BPM), enquanto a escolha para a Avenida será avaliada ao longo da preparação.
“A gente está trabalhando com algumas possibilidades de andamento, né? Estamos divididos entre 142 e 143 BPM. Para a gravação, vamos trabalhar com 142 e 143 BPM. O andamento para a avenida ainda vamos descobrir nos ensaios, principalmente nos ensaios técnicos da quadra, quando vamos definir qual será o andamento. Para a gravação, basicamente, vamos trabalhar com 143 BPM”, explicou.
Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO
Rodney também ressaltou a riqueza musical do samba e as possibilidades que a melodia oferece para a construção da bateria. Segundo o mestre, o trabalho consiste em explorar esses caminhos para alcançar um resultado que valorize a obra na versão oficial.
“É bastante coisa. O som é muito rico, a melodia é muito rica e oferece vários caminhos. A gente consegue aproveitar bem essas possibilidades”, afirmou.
Mesmo com a experiência acumulada à frente da bateria da Soberana, a gravação oficial continua provocando a mesma expectativa. Rodney afirmou que a equipe chega ao estúdio com o desejo de fazer o melhor possível e repetir o resultado positivo de trabalhos anteriores.
“Parece que é a primeira vez. A gente vem sempre com aquela vontade de fazer o melhor. Queremos uma bênção e faremos uma grande gravação, mais uma vez”, concluiu.
Foto: Thomas Reis/Rio Carnaval
Compositores festejam resultado
Para o compositor Marquinhos Beija-Flor, a vitória no concurso representa o início de mais um ciclo na trajetória dentro da escola. Ele destacou o significado pessoal da conquista e a ligação afetiva com o número 13, que também carrega a memória de um amigo que já não está presente.
“Cada vez que a gente vence um samba lá é uma nova história, um novo ciclo se renovando. E esse samba, a parceria toda, depositava muita esperança, muita confiança e, para a gente, tem uma importância gigantesca pelo número do samba, 13, que é um número que a gente já resgatou de um amigo nosso que não está mais com a gente, que sempre participou disso. Para mim, na minha vida, talvez seja o grande samba da minha vida da Beija-Flor”, afirmou.
Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO
A conquista também abriu espaço para uma nova expectativa: a de apresentar um samba capaz de ganhar força desde a gravação oficial e acompanhar a escola na busca pelo campeonato. Marquinhos não escondeu a ambição da parceria ao falar sobre o resultado esperado no álbum.
“A expectativa é muito grande de a gente conseguir fazer uma grande gravação, que corra tudo bem, para a gente já sair, vou ser bem pouco modesto, para sair na frente, cara. A ideia é essa, que o samba esteja sendo um dos melhores, para que a Beija-Flor possa fazer um grande desfile. O primeiro objetivo agora é o título, a gente quer o título”, declarou.
Identidade nilopolitana como marca do samba
A relação entre a obra e a identidade da Beija-Flor apareceu com destaque nas palavras do compositor Rômulo Massacesi. Para ele, o samba traduz características que fazem parte da história da escola e de sua comunidade, reunindo referências caboclas e africanas em uma construção que, na avaliação do integrante da parceria, tem a cara da Azul e Branco.
“O samba da gente fala que eu tenho a alma nilopolitana, e a alma da Beija-Flor é de fato isso. Ela é cabocla, ela é africana. E quando a Beija-Flor vai para a avenida com essa alma cabocla, essa alma africana, é certeza de grandes resultados. Quando a comunidade está feliz, quando a comunidade está acreditando no samba, é certeza de que o rolo compressor vem muito forte para disputar o carnaval”, afirmou.
Rômulo também ressaltou que a identificação dos compositores com a escola foi determinante para a construção da obra. Integrantes que cresceram frequentando a quadra e acompanham há anos o cotidiano da agremiação, os autores enxergaram no samba uma extensão da própria vivência em Nilópolis.
“A Beija-Flor tem identidade. E a gente encontra, enxerga, consegue perceber a identidade da gente nessa escola, nesse samba. É um samba que poderia funcionar em outra escola, mas igual na Beija-Flor, não. Esse samba foi feito para a Beija-Flor porque ele foi composto por compositores que são da escola, que são de muito tempo de dentro da quadra, vivido, crescido ali, e têm sangue azul e branco correndo na veia”, declarou.
A gravação oficial representa mais uma etapa desse percurso. Depois da composição e da disputa que levou à escolha do samba, a obra ganhou uma nova dimensão, agora com os intérpretes e a bateria da escola. Para Rômulo, o momento marca a apresentação definitiva da criação ao público.
“É sensacional ver esse samba sendo gravado. Agora ele se entrega, de fato, para o mundo inteiro, na roupagem oficial, com os nossos cantores, que já foram um sucesso no ano passado. A expectativa é grande. É uma outra etapa. A feitura é um momento, a gravação do estúdio, quando a gente vai para o concurso, é outro. Agora veio mais um processo, que é a gravação oficial”, explicou.
O compositor afirmou que o ambiente na escola reforça a confiança no trabalho desenvolvido pela parceria. A felicidade dos componentes e o apoio da presidência também foram apontados como sinais positivos para a caminhada rumo ao desfile.
“A gente está muito otimista, vê os componentes felizes, vê a nossa presidência. Eu estou feliz, deixa a gente seguro que o samba vai ser digno da grandeza da Beija-Flor”, afirmou.
Chacal do Sax se emociona ao ouvir o samba ganhar forma
Torcedor da Beija-Flor e músico ligado à trajetória de Neguinho da Beija-Flor, Chacal do Sax destacou a felicidade de conquistar, pela terceira vez, a vitória em um samba-enredo na própria escola. A relação com a agremiação, segundo o compositor, começou a partir dessa ligação musical e se transformou em uma paixão pela Azul e Branco.
“Eu sou torcedor da escola, fui músico do Neguinho da Beija-Flor, através dele me apaixonei pela escola e, para mim, é uma felicidade muito grande porque é a terceira vez que eu consigo ganhar na minha escola. Só felicidade”, declarou.
O compositor explicou que a gravação é um dos momentos mais aguardados por quem participa da criação de um samba. Depois de acompanhar a obra desde o início, ouvir a versão oficial permite perceber como a melodia e os versos se transformam com a participação dos cantores e da bateria completa da agremiação.
“A sensação é de uma emoção muito grande, cara, porque é uma parte que a gente gosta muito. É a parte da gravação. A gente faz o samba, mas a gente quer ver como é que ele fica pronto, construído. A gente gravou no nosso formato, agora é o formato da escola. Escutar na voz do Nino, da Jéssica, com a bateria completa da escola. A gente está aqui bastante ansioso para ver acontecer isso e também muito feliz com o resultado final do nosso samba”, afirmou.
A expectativa, porém, ultrapassa o estúdio. Chacal já projeta os próximos momentos em que a obra será cantada pelos componentes, desde os ensaios até a apresentação na Sapucaí. Para o compositor, acompanhar a evolução do samba e perceber o envolvimento das pessoas que fazem parte de sua vida torna o processo ainda mais especial.
“A gente está na expectativa de ver esse samba na avenida, já começando pelo ensaio técnico, pelo mini desfile. E, para a gente, é muito, muito, muito maneiro, porque é um projeto que é de quatro a cinco meses antes. Tem um começo, eu lembro, um começo disso tudo. E depois você vê que a parada cresceu de uma forma gigantesca. E tu olha a sua família cantando, tu vê o seu amigo cantando, quando você vai ver a quadra toda cantando, fica até arrepiado, só que fala. Agora imagina você ver a Sapucaí toda cantando. Então é só felicidade, só felicidade”, relatou.
‘Nós somos uma família’, afirma Léo Freire
A emoção também marcou o depoimento do compositor Léo Freire. Torcedor da Azul e Branco de Nilópolis, o compositor contou que falar sobre o samba provoca uma reação imediata, tamanha a ligação afetiva com a escola e com a obra escolhida para 2027.
“Sou torcedor da Azul e Branco de Nilópolis, da nossa Beija-Flor, e toda vez que eu falo desse samba, a minha alma… eu fico arrepiado toda hora, eu me emociono, a minha voz embarga. E a gente está muito feliz, está muito feliz. A comunidade está feliz, a diretoria está feliz, todos os segmentos estão felizes e esse samba veio para, se Deus quiser, a gente trazer a maravilha”, afirmou.
Ao falar sobre a gravação, Léo fez questão de destacar o vínculo entre os integrantes da parceria. Mais do que colegas na composição, os autores se consideram uma família, unida pela conquista e pela expectativa de ver o samba representar a Beija-Flor.
“Todos nós, da parceria, parceria não, que eu não falo mais que é parceria, nós somos uma família, eu tenho certeza que a Beija-Flor vai fazer essa gravação mais linda de todos os tempos. Estou muito feliz, nós estamos muito felizes”, declarou.
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Unidos de Padre Miguel, Yuri Souza e Isabella Moura, trabalha com um objetivo definido para o Carnaval 2027: conquistar as notas máximas na Marquês de Sapucaí. Com preparação iniciada em março, logo após o último desfile, a dupla aposta na disciplina, no acompanhamento de uma equipe especializada e na confiança no trabalho desenvolvido para defender o pavilhão da escola da Vila Vintém. Em entrevista ao CARNAVALESCO, eles destacaram a alegria de assumir o posto principal da agremiação e a responsabilidade de representar uma escola de tradição no carnaval carioca. O casal também adiantou características da fantasia que levará para a Avenida, com referências à ancestralidade e à história.
“O sentimento é de muita alegria. A gente está em uma escola de peso, em uma escola de nome. Para nós, é muito prazeroso estar defendendo o pavilhão da Unidos de Padre Miguel. Estamos muito ansiosos e animados para o carnaval. Começamos nosso trabalho cedo e com sede da nota 40”, afirmou Yuri.
Isabella também celebrou a oportunidade e destacou que a chegada ao posto de primeiro casal representa o reconhecimento de uma trajetória construída com dedicação. A porta-bandeira ressaltou ainda a confiança que envolve não apenas a dupla, mas toda a agremiação.
“Para nós, foi muito gratificante, porque é a consagração de um trabalho bem feito, com dedicação e muita entrega. Estamos muito confiantes nesta temporada de 2027. Não só nós, como casal, mas todos os quesitos, a escola toda e a nossa comunidade estão muito confiantes no trabalho que vamos entregar em 2027. O sentimento é de alegria e de trabalhar muito até que chegue o dia”, disse.
Preparação começou em março
A busca pelo melhor desempenho na Sapucaí passa por uma rotina intensa de preparação. Segundo Isabella, os trabalhos começaram logo após o carnaval, com o planejamento voltado para o aperfeiçoamento da dupla até o dia do desfile. A preparação conta com o acompanhamento da coreógrafa Vânia Reis e da equipe de preparação física liderada por Rafael, do time Japa.
“O nosso trabalho começou bem cedinho, em março. Acabou o carnaval, a contratação veio e os trabalhos iniciaram. Estamos contando com o apoio da nossa coreógrafa, Vânia Reis, e com a nossa preparação física do time Japa, do Rafael. A preparação está sendo árdua desde março, metendo as caras no trabalho com muita disciplina daqui até o dia do desfile, para tudo correr como planejado”, explicou a porta-bandeira.
Yuri reforçou que a dedicação da equipe será fundamental para alcançar o objetivo de obter as melhores notas no julgamento. O mestre-sala demonstrou entusiasmo com o trabalho desenvolvido e com a estrutura montada para a temporada.
“Como mencionei, estamos com sede de mostrar um bom trabalho na Sapucaí e muito felizes. Temos esse time junto com a gente para conseguir alavancar e tirar as melhores notas”, declarou.
Fantasia terá ancestralidade e tradição
Sem revelar detalhes que possam antecipar o figurino do casal, Yuri garantiu que a apresentação visual reserva surpresas para o público. Isabella, por sua vez, adiantou que a fantasia terá uma ligação direta com a história e com as raízes culturais que pretende representar na Avenida.
“Não dá para dar muito spoiler, mas uma coisa eu garanto: vem coisa boa por aí!”, prometeu Yuri.
A porta-bandeira complementou a expectativa ao destacar a força simbólica da indumentária que será apresentada no desfile de 2027.
“Eu posso dizer que é uma fantasia que carrega história, carrega ancestralidade, carrega tradição. É uma fantasia forte, vamos dizer assim”, concluiu Isabella.
O Vai-Vai gravou o audiovisual da Liga-SP em um momento de entusiasmo com o samba-enredo escolhido para o Carnaval 2027. Com pouco mais de 15 dias entre a definição da obra e a gravação, a agremiação intensificou os ensaios da ala musical, bateria e comunidade para o registro ficar adequado. A preparação envolveu ensaios na Bela Vista, atividades em estúdio e encontros para alinhar os diferentes setores musicais da escola. Além do trabalho técnico, os entrevistados ressaltaram a identificação da comunidade com o samba e a importância de aproveitar o momento favorável para fortalecer a agremiação. O coral dos componentes presentes foi o grande destaque dentro do estúdio e, com certeza, foi bem captada, tanto em áudio como em imagens pela empresa Sala 22.
O presidente Paulo Mello celebrou a oportunidade de representar a comunidade em mais uma etapa da preparação para o carnaval. Para ele, a experiência tem um significado especial por ocupar uma posição na executiva da escola. “Passei a vida inteira participando desse evento, mas, neste ano, especialmente por estar na executiva, a experiência está sendo diferente. Estou à frente da comunidade, representando todos. Estamos muito animados e vamos fazer uma grande gravação”, afirmou.
O dirigente também explicou como a escola organizou os trabalhos para o audiovisual. Com um intervalo curto desde a escolha do samba, os segmentos precisaram concentrar os esforços nos ensaios e na preparação musical “Durante a semana, a bateria ensaiou, e as alas se reuniram na Bela Vista, no espaço da escola. Todos trabalharam também no formato de coral e fizeram a passagem de canto. O pessoal está bem engajado, com o samba na ponta da língua, que é o mais importante”, declarou.
Paulo ainda destacou o trabalho realizado pela equipe musical e demonstrou confiança no resultado da gravação. “A equipe da ala musical está fazendo uma última passagem, mas também se dedicou bastante à preparação. Trabalhamos em estúdio e, por isso, acredito que estamos tranquilos”, completou.
O presidente também relacionou o bom momento musical ao ambiente vivido pela comunidade. Segundo ele, a receptividade ao samba contribuiu para deixar os componentes mais motivados. “O sentimento da executiva é de muita gratidão por ver a comunidade feliz. Ela está mais leve, sentindo o impacto dessa alegria positiva dentro da escola. Estamos aproveitando esse momento para aquecer, de fato, o Vai-Vai, e estamos conseguindo”, afirmou.
Novos elementos musicais
Diretor musical do Vai-Vai, Danilo Alves explicou que o trabalho para a gravação não se limitou à execução do samba escolhido. A equipe aproveitou o período de preparação para acrescentar elementos aos arranjos e valorizar a obra, mantendo as características musicais da agremiação. “Demos um ‘up’ no que já existia, porque o samba foi muito bem defendido. Com isso, acrescentamos alguns elementos para dar um toque especial”, explicou.
Diretor musical do Vai-Vai, Danilo Alves
Entre as novidades, Danilo destacou a participação de um novo flautista, que também integra o time de cantores da escola, e o trabalho de bandolim de Cicinho. “Temos uma novidade: nosso grande flautista, Rodrigo Reis. Ele canta e, nos momentos em que não está cantando, faz alguns arranjos com a flauta. É sensacional, um dos grandes destaques do nosso trabalho, junto com o bandolim do Cicinho, um grande músico do carnaval que também está conosco”, contou.
O diretor musical também ressaltou a estrutura da ala musical, que conta com reforços vocais e uma equipe dedicada à construção do resultado sonoro. “Nossa ala musical é bastante robusta. Temos três mulheres fazendo o apoio vocal, além de uma equipe masculina muito forte. Será um trabalho com a cara do Vai-Vai: um samba para a frente, bonito, empolgante e cheio de alegria. O carro de som, o módulo musical, harmonia, bateria e o samba-enredo precisam estar convergentes. Todos têm que caminhar juntos, e essa integração está sendo muito boa”, afirmou.
Além do ensaio coletivo, a equipe passou o dia trabalhando com as cordas e as harmonias. Para Danilo, a identificação da comunidade com a obra facilita o trabalho musical e fortalece o envolvimento dos profissionais. “É um samba com a cara da escola. Além de falar dos trilhos do Bixiga e de Xangô, que são elementos importantes do nosso enredo, acredito que, no final, o samba exalta a escola e destaca seu brilho. É algo bonito, que envolve o componente e faz todo mundo cantar com emoção”, avaliou.
Além de diretor musical, Danilo também é um dos compositores do samba escolhido para o Carnaval 2027. Ao avaliar o resultado da obra, ele ressaltou o equilíbrio entre sua visão como autor e a responsabilidade de conduzir o trabalho musical. “Claro que não posso deixar de lado meu olhar como compositor, mas, falando como diretor musical, conseguimos escolher um samba que realmente tem o tamanho do carnaval que queremos apresentar na avenida”, concluiu.
Identificação com a escola
O cantor Luiz Felipe também demonstrou entusiasmo com a preparação para o audiovisual. Para ele, a qualidade do samba e o envolvimento da comunidade criam condições favoráveis para o trabalho da ala musical. “Isso é resultado do trabalho conjunto com a harmonia, a bateria e a comunidade. Temos reforços neste ano, com pessoas maravilhosas, como Kelly Silva e Francis Gabriel, e ainda estamos trazendo mais gente. Um samba como esse merece vozes potentes, então estamos fazendo um trabalho muito especial. Nós nos encontramos de três a quatro vezes por semana para ensaiar e também para confraternizar, fazer um churrasco e fortalecer essa união. É isso que une o nosso povo”, explicou.
Intérprete Luiz Felipe
Na avaliação de Luiz Felipe, a identificação dos componentes com o samba facilita a interpretação e amplia o entusiasmo para o próximo desfile. “Com um samba bom, um enredo bom e uma comunidade que abraça e quer cantar, temos uma combinação perfeita para o sucesso e para que tudo dê certo”, declarou.
Nascido e criado na escola, o cantor também falou sobre a relação afetiva com os componentes e a importância desse vínculo em sua trajetória. “O carinho que eles têm por mim é o mesmo que tenho por eles. A maioria me viu pequeno, me viu crescer. Sou nascido e criado dentro do Vai-Vai, e muitas dessas pessoas acompanharam toda a minha trajetória. Esse carinho é recíproco, e fico muito feliz com isso”, disse.
O intérprete ainda relacionou o clima positivo vivido pela comunidade à expectativa de realizar um grande carnaval. Para ele, a escola precisa transformar a empolgação atual em trabalho durante os próximos meses. “O Vai-Vai não entra na avenida apenas para se manter no Grupo Especial. Quando o portão abre, a escola já entra sendo o Vai-Vai, em busca do título. E, neste ano, não será diferente. O povo está feliz, a comunidade está feliz com o enredo, com o samba e com as fantasias. Agora, depende de nós trabalharmos durante esses próximos cinco meses para fazer um grande carnaval, à altura dessa escola quase centenária”, completou.
Buscando o ritmo ideal
O mestre Beto, comandante da “Pegada de Macaco” junto de mestre Tadeu, destacou a responsabilidade de construir os arranjos e adaptar o trabalho às características do samba-enredo. Segundo ele, a concepção musical parte de um processo desenvolvido com sua equipe, respeitando a identidade construída pela bateria ao longo dos anos. “Quem faz a maioria das coisas no Vai-Vai sou eu. Graças a Deus, tudo o que sai de arranjos da escola é feito por mim e pela minha rapaziada. O esqueleto, o coração, digamos assim, nasce dentro da minha casa, na garagem, no carro. Tudo começa ali”, explicou.
Mestre Beto
O mestre ressaltou que o desenvolvimento dos arranjos exige tempo e trabalho coletivo, mesmo diante do calendário apertado. Ele também falou da parceria com Tadeu na condução dos trabalhos. “A gente não tem pressa. Você acompanha quatro ou cinco domingos de ensaio do Vai-Vai e, depois da eliminatória, a bateria está tocando diretamente. Posso fazer uma paradinha de tamborim, parar para deixar o povo cantar e depois voltar, mas os arranjos são feitos por mim, com a gestão do mestre Tadeu”, declarou.
Beto também falou sobre a importância de cumprir os critérios de julgamento e ressaltou que a qualidade do samba influencia o desempenho da bateria. “A bateria tem o papel de tocar e cumprir os critérios de julgamento. A parte mais complicada é justamente cumprir esses critérios. Perdemos três décimos em 2026, e não dá para reclamar, porque o problema existiu. Mas, graças a Deus, cumprimos a nota máxima de que a escola precisava”, afirmou.
Para o próximo desfile, o objetivo é encontrar a construção musical que melhor valorize o samba e favoreça a participação dos componentes. “Um samba bom faz a bateria tocar melhor. Quando o samba não é tão bom, a bateria precisa fazer algumas coisas diferentes. Ainda vamos sentir como será, porque, como falei, o samba está sendo bem cantado. A partir disso, vou encontrar o arranjo perfeito para a comunidade do Vai-Vai, que tem uma dimensão que abrange o Brasil inteiro”, concluiu.
O samba ocupou as ruas de São Paulo neste domingo para defender a democracia e manifestar apoio ao presidente Lula. A Frente Progressista do Samba reuniu integrantes de escolas de samba, artistas, dirigentes e representantes da cultura popular em um ato que começou no Largo da Banana, na Barra Funda, e colocou em evidência a relação histórica entre o samba, a resistência e as lutas sociais. Em entrevistas ao CARNAVALESCO, mestre Ciro, da Gaviões da Fiel; o compositor Aquiles da Vila; Victor Santos, carnavalesco do Vai-Vai; e Fábio Gouveia, carnavalesco da Dom Bosco de Itaquera, defenderam a mobilização dos sambistas e a participação política para além das quadras e dos desfiles. Entre as principais pautas, estiveram a defesa de direitos conquistados, o combate à intolerância e a importância de manter viva a memória das lutas que marcaram a trajetória do samba.
Representando a Gaviões da Fiel, mestre Ciro afirmou que participou do ato em defesa da democracia e criticou a normalização de discursos e comportamentos que considera incompatíveis com os valores democráticos.
“Participei pela democracia. Encontrei muita gente conhecida, muita gente querida que luta por esse mesmo ideal. Temos que varrer qualquer sombra que não seja a de um país democrático. O samba tem esse papel, e estou aqui fazendo a minha parte”, declarou.
Para o mestre de bateria, a mobilização representa uma reação ao período em que, na avaliação dele, parte da sociedade passou a tratar como normais atitudes que exigem contestação.
“Acho que essa mobilização ficou meio adormecida, e as pessoas começaram a normalizar absurdos na sociedade, como falas e atitudes absurdas. Estava na hora de haver esse levante. Esse foi o momento de nos mobilizarmos para assegurar que o samba tem lado, sim, que o samba é de esquerda, sim, e que o samba é da democracia”, afirmou.
Ao comentar a expectativa em relação à disputa eleitoral, mestre Ciro demonstrou confiança: “Estou confiante. Vamos virar essa p#”.
Aquiles da Vila relaciona ato à resistência histórica do samba
O compositor Aquiles da Vila ressaltou que a Frente Progressista do Samba nasceu da iniciativa dos próprios sambistas e rejeitou a interpretação de que o movimento represente um confronto com as escolas. Segundo ele, a mobilização busca defender as agremiações, a cultura popular e a democracia.
“O movimento nasceu justamente em prol da democracia. Há alguns dias, ouvi alguém dizer: ‘Vocês estão afrontando as escolas de samba’. Não, muito pelo contrário, estamos defendendo as escolas de samba. O movimento partiu dos próprios sambistas, então está tudo certo. É um movimento muito bonito, que busca preservar tudo aquilo que aprendemos e entendemos sobre o samba”, disse.
Aquiles relacionou a manifestação à trajetória de quem enfrentou perseguições para garantir espaço às novas gerações.
“Quando comecei, fui buscar naturalmente as raízes e entender como as coisas aconteceram. Se hoje eu, você e todos nós estamos aqui, como sempre digo, para tocar nosso pandeirinho, é porque muita gente lá atrás deu o lombo para apanhar, para que pudéssemos estar aqui. É uma luta. O samba é resistência”, afirmou.
O compositor defendeu que a mobilização continue depois das eleições, tanto nos posicionamentos cotidianos dos sambistas quanto nos enredos apresentados pelas escolas. Ele citou a Mocidade Unida da Mooca e outras agremiações como exemplos de iniciativas que abordam questões sociais e políticas.
“A Frente Progressista do Samba é ampla e aceita todo mundo que está defendendo a rua, as escolas de samba, os blocos e, de maneira geral, a democracia do país. Espero que consigamos multiplicar esse movimento cada vez mais. Mais importante do que isso, quero que, quando as eleições acabarem, continuemos lutando diariamente por meio dos enredos das escolas de samba, que são fundamentais”, declarou.
Aquiles também destacou as manifestações de integrantes de escolas nas quadras e nos ensaios de rua, citando iniciativas da Mocidade Alegre, da Rosas de Ouro e do Império. Para ele, a articulação permite que os sambistas se expressem mesmo quando não há um posicionamento institucional de suas agremiações.
“Talvez minha escola não possa se posicionar por determinadas questões, mas nós podemos vir aqui, formar um grupo que nos represente e fazer ‘esse L’, especialmente em defesa da democracia. Foi muito bonito, e estou muito feliz por isso”, afirmou.
Victor Santos defende compromisso com os mais vulneráveis
Carnavalesco do Vai-Vai, Victor Santos afirmou que o ato não se limita ao apoio a Lula, mas representa, em sua avaliação, uma mobilização pela democracia e pelos direitos de grupos historicamente marginalizados.
“Eu não preciso explicar que, antes de ser pelo Lula, é em prol da democracia. O samba, enquanto movimento, sempre foi perseguido desde a sua origem, e não poderia ser diferente. O samba tem lado, e esse lado é o da democracia, dos mais pobres, dos oprimidos, dos pretos e das mulheres”, declarou.
O artista relacionou esse posicionamento à identidade do Vai-Vai e à própria trajetória profissional.
“Eu, como carnavalesco de uma escola majoritariamente preta e formada por pessoas mais humildes, não poderia adotar uma política diferente. É a política da minha vida: olhar sempre por aqueles mais desfavorecidos pela sociedade. Estou aqui em nome do Vai-Vai, da minha consciência de classe e da minha consciência humana”, afirmou.
Victor também comentou a decisão de alguns dirigentes de evitar manifestações políticas públicas. Sem condenar essas escolhas, defendeu a autonomia dos sambistas para expressar suas convicções e ressaltou a presença de representantes de diferentes agremiações.
“Às vezes, temos dirigentes que não se preocupam com essa questão ou preferem adotar uma política de isenção. Cada um tem seus motivos, e não estou julgando isso. Mas o sambista sabe o lado que precisa apoiar e a posição que precisa tomar. Nós tomamos esse partido, e o povo do samba está aqui hoje, independentemente de escola, bairro ou pavilhão. O samba está unido hoje em prol da democracia”, disse.
Ao encerrar, o carnavalesco recorreu à trajetória de resistência do samba para demonstrar esperança diante dos desafios sociais.
“Para o samba, nunca foi fácil, porque sempre fomos marginalizados. Para o povo brasileiro, também nunca foi fácil. Podem tentar impedir tudo, mas a primavera sempre chega, o sol sempre nasce de novo, e seguimos firmes e fortes”, concluiu.
Fábio Gouveia destaca herança ancestral
Carnavalesco da Dom Bosco de Itaquera, Fábio Gouveia destacou o papel dos profissionais do carnaval na preservação da memória e das histórias do povo brasileiro. Para ele, a manifestação representa um compromisso com a herança cultural deixada pelas gerações anteriores.
“É muito importante nós nos colocarmos nesse lugar, no lugar de entender a nossa importância enquanto sambista, e não só como sambista, mas de quem conta as histórias do povo brasileiro. Então, o trabalho que a gente está fazendo aqui hoje, esse trabalho de manifestação, essa marcha, fala da nossa história, do que a gente é, do que a gente herdou dos nossos ancestrais”, afirmou.
Gouveia também alertou para a necessidade de defender as conquistas sociais e impedir retrocessos. Na avaliação do carnavalesco, artistas que contam a história do país por meio dos enredos têm responsabilidade em se posicionar diante dessas questões.
“Estar aqui para esse levante é mais do que um dever de cada sambista, de cada profissional do carnaval, é uma obrigação nossa falar das nossas dores, de tudo aquilo que pode voltar a nos afligir. Nós lutamos tanto para chegar até aqui e é impossível, é inviável perder tudo o que nós conquistamos”, declarou.
O artista ressaltou que a experiência de construir enredos e narrativas sobre a sociedade brasileira reforça a consciência sobre as lutas que precisam ser preservadas.
“Nós, enquanto artistas que construímos histórias de carnaval, de escola de samba, de enredo, sabemos muito bem do que nós estamos falando, da luta do dia a dia e do que a gente não pode deixar acontecer”, concluiu.
Paolla Oliveira foi coroada rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense, na noite deste sábado, na quadra da escola, em Ramos, e falou sobre a expectativa para o novo desafio no carnaval. Em entrevista coletiva durante a festa, a atriz destacou a felicidade de chegar à nova casa, a vontade de voltar à Avenida e a admiração pelas mulheres que construíram a história da verde, branco e dourado. Paolla também esclareceu a relação com a Grande Rio após deixar o posto de rainha de bateria da agremiação de Duque de Caxias e comentou a troca de mensagens com Virgínia Fonseca.
“Chego aqui, tem pressão, frio na barriga, expectativa, mas já lido com isso há alguns anos, então fico mais calma. Só sei fazer as coisas inteira e de verdade. Vale estar no que gostamos de fazer. Senti falta da Avenida. Estou em outra casa, cheia de felicidade e vontade de viver essa experiência com essas pessoas e essas mulheres que são a história da Imperatriz. Isso me faz brilhar os olhos quando falo em carnaval”, afirmou.
A chegada à Imperatriz marca um novo capítulo na trajetória de Paolla no carnaval carioca. Depois de construir uma relação marcante com a Grande Rio, a atriz agora inicia uma experiência ao lado da comunidade de Ramos, com a expectativa de reencontrar a energia da Sapucaí e conhecer de perto a história da nova agremiação.
Paolla esclarece saída da Grande Rio
Questionada sobre a relação com a Grande Rio e a decisão de assumir o posto na Imperatriz, Paolla explicou que a situação ocorreu em um momento no qual a escola de Duque de Caxias já tinha uma rainha confirmada para o próximo carnaval. A atriz ressaltou que não houve uma recusa ao convite da antiga agremiação, mas uma escolha pessoal de seguir um novo caminho. A fala reforça o desejo de Paolla de iniciar a nova etapa sem alimentar especulações sobre um possível retorno imediato à Grande Rio. Ela demonstrou carinho pela antiga escola, mas deixou claro que está concentrada na experiência que começa a viver na Imperatriz Leopoldinense.
“A Grande Rio estava com uma rainha confirmada para o outro ano. Na semana em que ficaram sem rainha, que o posto ficou vazio, ela tinha sido confirmada novamente. Não houve recusa, porque não tive essa possibilidade. Eu tomei a decisão, pensei na Grande Rio, óbvio, mas não posso cobiçar o posto que eu mesma deixei. Foi uma escolha que tive que fazer e foi tudo bem e tranquilo. Vim para cá com todo orgulho e carinho”, declarou.
Troca de mensagens com Virgínia Fonseca
Paolla também comentou a conversa que teve com Virgínia Fonseca, que assumiu o posto de rainha de bateria da Grande Rio após sua saída. Segundo a atriz, as duas trocaram mensagens sobre os desafios que envolvem a função no carnaval.
“Trocamos mensagens sobre o desafio do carnaval. Ela chegou a comentar que não sabia se teria disponibilidade, mas não sabia que ela pararia agora. Inclusive, eu incentivei. Quando soube que ela não ficaria, fiquei surpresa”, contou.
Agora à frente da bateria da Imperatriz Leopoldinense, Paolla inicia uma nova relação com a comunidade da escola, cercada pela expectativa de voltar à Marquês de Sapucaí e viver intensamente mais um capítulo de sua história no carnaval.
A Mocidade Alegre deu início à temporada de ensaios de rua rumo ao Carnaval 2027 na última sexta-feira. Mesmo com a forte chuva que atingiu a cidade de São Paulo, a comunidade da Morada do Samba foi às ruas para participar da primeira atividade, que marcou o começo de uma etapa importante da preparação da agremiação. A antecipação do calendário em relação aos anos anteriores foi motivada pela proximidade do próximo desfile e pela agenda de compromissos da escola. Agora, com o primeiro ensaio de rua realizado nesta sexta-feira, não para mais. A escola segue a tradição de ensaiar todas as sextas-feiras, com concentração na Rua Madalena Madureira e percurso até a quadra. O ensaio contou com todo o elenco da Mocidade Alegre, além de alas coreografadas, passistas e baianas, que abrilhantaram ainda mais o trajeto. As alas também utilizavam adereços de mão, alguns deles com LEDs coloridos, criando um contraste interessante em meio à iluminação das alamedas. Vale destacar que todo o percurso se inicia na Rua Madalena Madureira, depois entra na avenida Engenheiro Caetano Álvares, onde percorre longos metros e, após, encerra-se com a ida para a quadra na Rua Samaritá.
Presidente feliz com o que tem visto
Presidente da Mocidade Alegre, Solange Cruz explicou que a agremiação costuma iniciar os ensaios de rua em novembro, mas decidiu antecipar os trabalhos para garantir mais tempo de preparação. A agenda das próximas semanas inclui a Festa dos Pilotos e a participação no Salgueiro Convida, o que tornou necessário aproveitar a oportunidade para colocar a comunidade na rua.
“Normalmente, começamos essa temporada em novembro, mas, como o carnaval está chegando um pouco mais cedo, decidimos antecipar os ensaios. Na semana que vem, já teremos a Festa dos Pilotos e, na outra, estaremos no Salgueiro. Por isso, a agenda fica mais complicada. Mesmo assim, quisemos realizar esse primeiro ensaio para que a comunidade já comece a se condicionar para o desfile. A ideia também é colocar povo para cantar e sambar. Depois, vamos reunir tudo o que observamos neste ensaio, identificar os pontos que precisamos ajustar e definir os próximos passos para seguir evoluindo”, afirmou.
Quase todos os anos, a Mocidade Alegre consegue obter êxito no quesito Evolução e, para Solange, os ensaios de rua contribuem diretamente para o andamento da escola na pista. “Faz toda a diferença: o andamento, a entrada e a saída do recuo da bateria. Todo esse treinamento é muito importante para nós, e sentimos os resultados. Os ensaios de rua são um complemento fundamental aos nossos ensaios de domingo”, declarou.
A dirigente também comemorou a participação da comunidade nos ensaios de quadra e a procura pelas vagas nas alas da agremiação. Segundo a mandatária, mesmo antes da apresentação das fantasias, diversos setores já estão com as vagas esgotadas. “O samba já pegou, e estou super satisfeita. No domingo passado, fizemos um ensaio incrível. Todos os ensaios têm registrado uma ótima presença de público, e a comunidade está bastante empolgada. Mesmo sem ainda apresentarmos as fantasias, já temos muitas alas esgotadas, porque os chefes de ala começam a trabalhar com antecedência. Para nós, é muito gratificante saber que a comunidade não abandona a escola e continua ao nosso lado, para o que der e vier”, destacou.
Exigência para uma melhora constante
O diretor de carnaval, Júnior Dentista, falou sobre o início dos ensaios de rua às sextas-feiras no calendário da Mocidade Alegre. “Neste ano, o carnaval será mais cedo, e a Mocidade Alegre tem alguns compromissos em eventos para os quais fomos convidados, inclusive no Salgueiro, no final do mês. Além disso, temos vários feriados pela frente. Por isso, decidimos antecipar nossa preparação. Tradicionalmente, começamos os ensaios de rua em novembro, mas, neste ano, mudamos a estratégia e iniciamos em outubro. Agora, não paramos mais: teremos ensaios todas as sextas-feiras até o carnaval. Hoje, por coincidência, a Rede Globo também veio gravar o programa Paulistar, e vamos aproveitar a ocasião para dar início à nossa temporada de ensaios de rua”, contou.
O dirigente exaltou os ensaios e afirmou que eles fazem toda a diferença para o desfile da escola. “Às vezes, as pessoas nos convidam para conversar com outras escolas, e eu sempre digo que todas trabalham muito. Todas se dedicam bastante, mas a Mocidade Alegre tem um diferencial: o ensaio de rua não é apenas um evento, faz parte do nosso calendário. Daqui até o carnaval, teremos 12 ensaios de rua, um por semana. Com carro de som ou sem carro de som, estaremos na rua todas as semanas. Essa regularidade faz toda a diferença na preparação da escola”, ressaltou.
Questionado sobre o andamento do samba e a sinergia com a comunidade, Dentista revelou que os diretores e os componentes cobram bastante uns dos outros. “A Mocidade Alegre é muito exigente, e nós cobramos bastante de nós mesmos. Estamos gostando dos ensaios, mas sabemos que podemos melhorar e vamos trabalhar para isso. Acredito que estamos no caminho certo. Fizemos uma reunião para avaliar o projeto como um todo, e os resultados dessa análise nos deixaram muito satisfeitos. Temos algumas novidades que serão apresentadas na avenida e que já estamos colocando em prática. Isso tem nos deixado muito felizes. Estamos satisfeitos com o trabalho, mas sabemos que podemos ir além. Queremos sempre mais e vamos trabalhar para alcançar resultados ainda melhores”, concluiu.
Comissão bem ensaiada, mas mantém segredo para o desfile
À frente da comissão de frente da Mocidade Alegre, o coreógrafo Jhean Allex destacou a emoção de iniciar os ensaios de rua e explicou que a coreografia apresentada nesta etapa foi desenvolvida especificamente para o treinamento. A apresentação oficial para o Carnaval 2027 permanece em segredo, inclusive por conta do tripé que acompanhará o segmento. “Nosso primeiro ensaio de rua é sempre incrível, uma emoção. A estreia de uma coreografia na rua, com uma energia enorme, e ainda lava a alma com a chuva”, afirmou.
O coreógrafo ressaltou que a atividade permite observar o andamento da escola e preparar os bailarinos para as condições encontradas na Avenida. “O ensaio de rua é muito importante para observar o andamento da escola e para que os bailarinos entendam como devem dançar na avenida. É uma oportunidade de treinar, porque, no Anhembi, temos apenas uma chance. Aqui, conseguimos estabelecer uma rotina de ensaios muito importante para que a comissão de frente tenha um bom desempenho. Afinal, são 11 anos trabalhando sempre em busca da nota máxima”, declarou.
Apesar da importância dos resultados, Jhean também enfatizou o valor da união dos componentes e da energia transmitida pela comunidade durante o treino. “Acredito que o carnaval não se resume a correr atrás da nota. É também ver toda essa galera reunida, com a energia que vocês estão vendo aqui. É incrível e me deixa feliz”, completou.
Casal valoriza o trabalho na chuva
O primeiro ensaio de rua também foi importante para Emerson Ramires e Graci Araújo, casal de mestre-sala e porta-bandeira da Mocidade Alegre. A chuva proporcionou uma oportunidade de testar a dança e a evolução em condições diferentes das encontradas nos ensaios em ambientes fechados.
Emerson destacou a emoção de retornar aos ensaios de rua após sete anos e encarou a chuva como um sinal positivo para a caminhada até o desfile. “Acho que a chuva veio para nos abençoar, lavar a alma e nos deixar com uma energia muito positiva rumo ao Carnaval 2027. Depois de sete anos, retorno à rua com essa escola. Foi uma emoção muito grande e, agora, é seguir o caminho até o desfile”, afirmou.
Graci, por sua vez, avaliou que a experiência foi importante para entender como o casal pode reagir caso enfrente condições climáticas semelhantes durante a apresentação oficial. A porta-bandeira comentou que nunca havia ensaiado na chuva e considerou o treinamento relevante para avaliar a execução da dança. “Para mim, essa estreia foi muito importante. A Mocidade Alegre trata tudo como um evento. Por isso, para nós, um ensaio de rua não é qualquer coisa. Achei importante ter essa chuva porque conseguimos treinar. Nunca desfilei na chuva e também nunca havia participado de um ensaio com duração equivalente à de uma apresentação na pista sob essas condições”, explicou.
A atividade também permitiu testar a evolução do casal durante a passagem pelos quatro módulos de julgamento. De acordo com Graci, o trabalho foi alinhado com a equipe de Harmonia para avaliar as dimensões da roupa e a movimentação dos componentes durante o percurso. “Foi importante garantir a dança, a evolução e todos os outros aspectos em uma simulação bastante literal. Tecnicamente, o ensaio foi muito bom para entendermos como será caso chova no dia do desfile”, avaliou.
O mestre-sala explicou que o trabalho está apenas começando e que o casal conseguiu realizar movimentos importantes tendo em vista o desfile. “Como é o início dos ensaios de rua, claro que falta bastante coisa para aprimorar, mas nós conseguimos colocar em alguns momentos a coreografia da avenida. Com o passar dos ensaios, nós vamos adequar isso para chegar cada vez mais fortes no dia do desfile”, finalizou Emerson.
Importância do ensaio de rua e a busca pela excelência
No comando da bateria da Mocidade Alegre há mais de 30 anos, mestre Sombra tem propriedade para falar sobre o assunto. Ele ressaltou que os ensaios de rua desempenham uma função diferente das atividades realizadas na quadra. Enquanto o ambiente fechado oferece condições mais constantes de sonorização, o percurso externo apresenta variações que exigem a adaptação dos componentes. “A rua é um percurso, enquanto a quadra é um ambiente fechado, com sonorização constante. Na rua, você encontra diferentes ambientes, alguns fechados e outros abertos. É como acontece no Anhembi: de um lado, você tem uma parede; do outro, o rio, um espaço aberto. Além disso, o sol vai embora, e as condições mudam”, explicou.
Para o mestre, o ensaio é fundamental para trabalhar o ritmo, o canto, a Harmonia e a resistência física dos componentes, preparando a bateria para as exigências do desfile. “Por isso, o ensaio de rua é importante para treinar a Harmonia, o canto, a bateria, o ritmo e a resistência necessários para o desfile. É uma oportunidade de percorrer o trajeto e treinar tudo o que será feito na Avenida, desenvolvendo o condicionamento ao longo dos ensaios. Devido a esses motivos, ele é tão importante”, afirmou.
Sombra também destacou que o trabalho ainda está em construção e que a busca por melhorias precisa ser constante. Segundo ele, a preparação deve manter o foco nos critérios de julgamento e nas correções necessárias para a evolução do conjunto. “Estamos em fase de construção. Nunca temos um trabalho totalmente consolidado. Sempre digo, inclusive à nossa presidente, que precisamos continuar trabalhando. Não adianta chegarmos à excelência agora e deixarmos de evoluir depois. Precisamos trabalhar pensando que nada está pronto, mantendo os olhos atentos às correções, aos critérios de julgamento e ao que podemos fazer para melhorar”, declarou.
Por fim, o diretor também demonstrou confiança na relação entre a chuva e os resultados da agremiação. Em tom descontraído, lembrou que a Mocidade Alegre conquistou títulos em anos nos quais os ensaios de rua foram marcados por condições climáticas adversas. “Na maioria das vezes em que começamos ou realizamos um ensaio de rua com chuva, fomos campeões. Espero que isso se repita por mais um ano!”, concluiu.
A chegada de Paolla Oliveira ao posto de rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense começou com uma brincadeira entre amigos e ganhou força a partir de uma conversa que transformou a possibilidade em realidade. A presidente da escola, Cátia Drumond, revelou os bastidores do convite durante a festa de coroação da artista, neste sábado, e destacou a felicidade da agremiação. Em entrevista ao CARNAVALESCO, a dirigente também falou sobre a agenda de compromissos da rainha para o Carnaval 2027 e as dificuldades financeiras enfrentadas pelas escolas de samba.
Segundo Cátia, a possibilidade de Paolla assumir o posto surgiu durante uma festa junina, quando a atriz estava reunida com amigos. Na ocasião, a ideia foi levantada em tom de brincadeira, com participação da cantora Iza, que também demonstrou entusiasmo com a possibilidade. Posteriormente, um café entre Paolla e a presidente da Imperatriz abriu caminho para que o assunto avançasse.
“Quem não tem interesse em ter uma Paolla Oliveira na nossa bateria? E eu acho que hoje está aí o resultado. Estou muito feliz pela maneira como a gente conseguiu homenagear todas as mulheres”, afirmou Cátia.
A presidente ressaltou que a homenagem vai além da presença da atriz à frente da bateria. Para ela, a escolha também representa o reconhecimento das mulheres que construíram a trajetória da escola de Ramos, especialmente em uma agremiação presidida por uma mulher.
“É uma escola presidida por mulher. Eu acho que, atrás dessa mulher presidente, existem outras mulheres que escreveram a história dessa escola. É muito bonito da parte da Paolla prestigiar quem já fez a história e que está aqui. A escola está muito feliz e eu tenho certeza de que vai ser um sucesso”, declarou.
Agenda de Paolla foi ajustada com a escola
A preparação para o Carnaval 2027 também exigiu planejamento entre a Imperatriz e a rainha de bateria. De acordo com Cátia, Paolla está envolvida nas gravações de um filme, o que torna necessário conciliar os compromissos profissionais da atriz com as atividades da escola. A presidente explicou que as duas partes alinharam as datas consideradas prioritárias para a preparação e a presença da rainha, incluindo o minidesfile, os ensaios técnicos e os ensaios de rua. A partir da agenda apresentada pela atriz, a Imperatriz organizou o planejamento e demonstrou satisfação com os acordos estabelecidos.
“Ela passou para a gente a agenda dela, o que ela pode fazer, e a gente está super satisfeita. Quando ela acabar de gravar, vai ter mais disponibilidade. Tenho certeza de que isso vai ser um casamento grandioso, tanto para a Paolla quanto para a Imperatriz”, afirmou Cátia.
Além da expectativa em torno da rainha de bateria, Cátia Drumond respondeu sobre os desafios que as escolas enfrentam na preparação para os desfiles, especialmente quando os recursos financeiros demoram a chegar. A presidente destacou que o atraso na liberação das verbas compromete o planejamento e torna mais difícil cumprir todas as etapas.
“O carnaval sempre foi assim, sempre com dificuldade, e nunca vai ser diferente, infelizmente. Mas, realmente, quanto mais tarde chegam as verbas, mais difícil fica para a gente entregar um carnaval”, disse.
Apesar das dificuldades, Cátia demonstrou confiança na capacidade da escola de concluir a preparação. A dirigente encerrou a avaliação com uma mensagem de esperança para o próximo desfile.
“Se Deus quiser, Deus gosta do carnaval, Deus é carioca, vai dar certo”, concluiu.