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Gabriel David prevê poucas mudanças no regulamento do Grupo Especial e promete novidades no minidesfile

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Gabriel David, presidente da Liesa. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), Gabriel David, não espera grandes mudanças no regulamento do Grupo Especial para o Carnaval 2027, embora admita a possibilidade de alterações nas regras de rebaixamento e acesso. Em entrevista ao CARNAVALESCO, durante a festa de coroação de Paolla Oliveira como rainha de bateria da Grande Rio, o dirigente afirmou que as escolas de samba serão responsáveis pela decisão final sobre as normas da competição.

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“Eu não tenho essa expectativa de grande mudança, mas pode ser que elas aconteçam. Ainda tem, como eu falei para você, algumas discussões para acontecer ao longo dos próximos dias”, afirmou Gabriel David.

Segundo o presidente, diferentes propostas estão sendo apresentadas pelas agremiações e pelas diretorias, mas ainda não há uma definição sobre possíveis alterações no número de escolas que sobem ou descem de grupo. Gabriel explicou que seu papel é ouvir as demandas e encaminhar para votação as propostas que considerar pertinentes. A decisão, no entanto, cabe exclusivamente às escolas de samba.

“Meu papel ali é ouvir todo mundo, botar para votação aquilo que eu entendo que passa algum sentido dentro do que as escolas de samba pedem e querem, e as escolas decidem esse regulamento. O presidente não vota, a diretoria não vota, só quem vota são as escolas”, explicou.

Liesa prepara expansão das transmissões e novos programas

Gabriel David também adiantou que a Liesa prepara novos projetos de comunicação para ampliar a presença do carnaval na internet e aproximar o público dos bastidores das escolas de samba. Depois da repercussão das transmissões de eventos e disputas, a entidade trabalha na construção de estúdios na Cidade do Samba, que vão receber programas e produções de conteúdo. De acordo com o dirigente, a iniciativa pretende abrir espaço para diferentes profissionais e criadores ligados à festa, além de apresentar ao público aspectos da rotina do carnaval que ainda são pouco conhecidos, inclusive por quem acompanha os desfiles de perto.

“Os estúdios e os programas vão ser oficialmente lançados, vai ser um espaço também para muitas pessoas do carnaval produzirem conteúdo e estarem cada vez mais mostrando esse macroambiente, essas coisas tão únicas e diferentes que acontecem no carnaval que pouca gente sabe”, destacou.

O objetivo, segundo Gabriel, é tornar mais acessível a complexidade da preparação das escolas e mostrar o trabalho realizado ao longo de todo o ano, para além das apresentações na Marquês de Sapucaí.

“Até mesmo os apaixonados pelo carnaval têm muitas dúvidas sobre esses bastidores como um todo. O objetivo ali é aproximar esse bastidor tão complexo como é o do carnaval carioca de todo mundo que ama a festa”, completou.

Minidesfile terá novidades e mais participação das marcas

O presidente da Liesa também indicou que o minidesfile deverá ganhar novas atrações e ativações comerciais. Para Gabriel, a presença de marcas no carnaval precisa considerar não apenas os dias de apresentações na Sapucaí, mas também as diferentes etapas que envolvem a preparação das agremiações. Na avaliação do dirigente, o mercado começa a compreender melhor as possibilidades de participação ao longo do calendário carnavalesco, o que pode ampliar o envolvimento de patrocinadores com o universo do samba.

“Eu acho que as marcas que hoje investem no carnaval estão entendendo cada vez mais que o dia dos desfiles em si, na Sapucaí, é a cereja do bolo, mas o bolo talvez seja mais importante do que a cereja em diversos momentos”, analisou.

Gabriel ressaltou que o processo de construção de um desfile tem características próprias e envolve um trabalho complexo, que merece maior reconhecimento. Para ele, essa compreensão ajuda a consolidar a ideia de que o carnaval não se resume às apresentações oficiais.

“O processo, ele é mais bonito, mais interessante e muito mais difícil do que o desfile em si. E quando todo mundo começa a entender isso, a gente começa a cair na real de que o carnaval realmente é o ano inteiro. Não é uma fala para deixar o carnaval mais grandioso. É uma verdade pura e absoluta”, afirmou.

Flash mob teve participação de profissionais do carnaval

Gabriel David também comentou o trabalho de divulgação do lançamento do álbum oficial dos sambas-enredo do Carnaval 2027, promovido por meio de um flash mob na Praça Mauá, no Centro do Rio de Janeiro. O presidente atribuiu a iniciativa à atuação conjunta das equipes de comunicação, da gravadora e de profissionais envolvidos no projeto. O dirigente destacou a importância da união entre pessoas com experiência e conhecimento do mercado musical e do carnaval para transformar propostas criativas em ações concretas.

“É muita gente boa trabalhando junto, é muita gente que ama o carnaval trabalhando junto. Isso permite que as boas ideias não só comecem, mas que elas saiam do papel, porque às vezes a gente tem uma boa ideia, mas tirar do papel não é fácil”, disse.

João Drumond agradece 55 mil votos e afirma que Cátia Drumond segue na direção financeira na Liesa

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Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

João Drumond, vice-presidente da Imperatriz Leopoldinense, afirmou que aguarda com tranquilidade a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após receber 55.759 votos nas eleições. Em entrevista ao CARNAVALESCO, neste sábado, durante a festa de coroação de Paolla Oliveira como rainha de bateria da escola, ele agradeceu aos eleitores que confiaram em seu projeto e comentou a expectativa em relação ao julgamento (até o momento, a candidatura está indeferida pelo TRE-RJ). O dirigente também esclareceu como será sua atuação na Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa).

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Ao falar sobre o resultado eleitoral, João destacou a dimensão da votação e revelou que a possibilidade de alcançar esse número de votos provocou ansiedade durante a campanha. Para ilustrar o desafio, comparou a quantidade de eleitores ao público de um estádio de futebol.

“Ter 55 mil votos é praticamente um Maracanã lotado. Quando comecei esse processo eleitoral, ficava em casa, às vezes, me perguntando como faria para encher um Maracanã de votos no dia da eleição. Sempre fiquei muito aflito. Faz parte também do medo, faz parte do processo”, afirmou.

O vice-presidente da Imperatriz também ressaltou o trabalho realizado durante a campanha para apresentar suas propostas à população. Segundo ele, o resultado representa a confiança de milhares de pessoas em sua capacidade de contribuir para o estado.

“Fico muito feliz quando sei que 55.759 pessoas acreditaram que eu poderia fazer a diferença na vida das pessoas que moram nesse estado. Neste momento, só tenho a agradecer ao povo, com muita alegria e felicidade. É gratidão a todos que me deram essa oportunidade”, declarou.

João Drumond demonstra confiança na decisão do TSE

Questionado sobre a expectativa pelo julgamento do Tribunal Superior Eleitoral, João Drumond disse estar tranquilo e confiante na Justiça. O dirigente afirmou que considera ter cumprido seu papel durante o processo e que agora aguarda a decisão do tribunal.

“Estou tranquilo, com confiança na Justiça e na certeza de que combatemos o bom combate, de que estamos do lado certo. Contribuí com a Justiça e agora aguardo de maneira muito tranquila a decisão do TSE”, disse.

Dirigente esclarece atuação na Liesa

Além das questões relacionadas ao processo eleitoral, João Drumond comentou sua participação na estrutura administrativa da Liesa e esclareceu que não retornará à direção financeira da entidade. Atualmente, a função é ocupada por sua mãe, e, segundo ele, a organização permanecerá dessa forma até o fim da gestão de Gabriel David.

“Na verdade, eu não retorno à direção financeira da Liesa. Eu vou coordenar de outra maneira, e hoje a direção financeira da Liesa é ocupada pela minha mãe e assim será até o final da direção do Gabriel David”, explicou.

Luiza Brunet celebra a coroação de Paolla Oliveira na Imperatriz Leopoldinense e destaca o carnaval como espaço de empoderamento

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Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

A quadra da Imperatriz Leopoldinense viveu um dia de gala e resgate histórico neste sábado. A festa que oficializou a coroação de Paolla Oliveira à frente da bateria “Swing da Leopoldina” contou com a presença ilustre de uma das maiores lendas da folia carioca: a empresária e eterna rainha Luiza Brunet. Em entrevista ao CARNAVALESCO, a ex-rainha de bateria celebrou o retorno à verde e branca de Ramos, reforçou o papel libertador e político do carnaval e destacou a importância de integrar e respeitar as mulheres da comunidade.

Marcando época na história do carnaval ao ostentar o posto de rainha durante anos inesquecíveis, Luiza não escondeu a emoção ao pisar novamente no solo leopoldinense. Atendendo a um convite da própria Paolla Oliveira, ela enfatizou o simbolismo da renovação no cargo mantendo o respeito às tradições.

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“É maravilhoso poder voltar na Imperatriz depois de tantos anos como rainha de bateria, como tricampeã, receber a Paolla. O convite especial dela para estar com ela hoje… Maravilhoso! Ela representa muitas mulheres, é muito importante que as escolas deem oportunidade para mulheres como ela, sair de outra escola maravilhosa para vir para essa e construir um legado, com certeza”, declarou Luiza.

Carnaval como instrumento de luta e posicionamento feminino

Mais do que a festa e o ritmo da bateria, Luiza Brunet aproveitou a oportunidade para lançar luz sobre os desafios e o papel transformador da festa popular. Para a empresária, a presença de mulheres fortes na frente dos ritmistas serve de inspiração e instrumento contra a violência e os abusos no meio carnavalesco.

“Eu acho que ela passa muita mensagem forte para as mulheres. Porque o Carnaval é um movimento político também, onde a mulher pode se posicionar. Ser liberta, poder fazer o que ela quiser, ser respeitada… Principalmente no âmbito dos desfiles, que infelizmente há muito abuso, infelizmente. Acho que ela representa muito isso, a liberdade que a gente necessita ter”, afirmou.

Troca com a comunidade e conselhos de veterana

Questionada sobre o início desse novo ciclo e se teria dado conselhos para a nova rainha, Luiza foi enfática ao reconhecer a maturidade de Paolla, apontando que o grande segredo para um reinado duradouro e marcante está no carinho com os componentes da agremiação.

“Eu acho que ela não precisa de conselho, ela já é uma mulher totalmente empoderada, ela sabe quais são os seus direitos, os seus deveres. E eu acho que ela representa muito. Só diria para ela que ela construa uma relação maravilhosa com a comunidade, que é a comunidade que abraçou ela. Essa troca é muito importante”, aconselhou.

Luiza ainda ressaltou a importância de as agremiações abrirem espaço para os talentos pratas da casa, destacando o exemplo de passistas que ganham destaque, como a rainha Mayara Lima no Paraíso do Tuiuti.

“Fundamental também que ela incentive que a escola também inclua as mulheres da comunidade, que têm sonho de ser rainha, de ter um lugar de destaque durante o carnaval, como a Mayara tem na escola dela e representa muito. Acho que ela consegue fazer essa conexão com as nossas mulheres verdadeiras da comunidade”, concluiu.

Rumo ao próximo desfile: Portela no horizonte

Ao término da conversa, a veterana confirmou seus passos para o próximo carnaval e revelou que já definiu sua presença no desfile de outra gigante do samba carioca.

“Sempre houve um convite para desfilar na Portela, e na Imperatriz também. Eu aceitei vir de calça branca e pagar a camiseta das duas escolas. Já é maravilhoso!”, finalizou sorridente.

Carnaval de rua do Rio movimenta R$ 5,9 bilhões e amplia debate sobre estrutura da festa

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Fotos: Mariana Santos/CARNAVALESCO

A 20ª edição do Desenrolando a Serpentina começou com a mesa “Carnaval de Rua no Brasil: os desafios durante novas realidades”, mediada por Rita Fernandes, presidente da Sebastiana. O debate reuniu Leandro Oliveira, subsecretário de Difusão e Diversidade Cultural do Distrito Federal; Danielle Rossi, diretora de eventos da BeloTur; Flavio Teixeira, da Riotur; Danielle Barros, secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro; e o apresentador Milton Cunha. Entre os temas discutidos, a organização dos desfiles, a infraestrutura urbana e o uso da tecnologia apareceram como caminhos para acompanhar o crescimento da festa sem comprometer o funcionamento das cidades.

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“Seis milhões de foliões preferem sair de suas casas e ir à manifestação do Carnaval. Em uma cidade de 12 milhões de pessoas, metade da população quer botar o bloco na rua. Outros seis milhões não querem, mas isso não pode impedir a vida da cidade”, declarou Milton Cunha.

A fala colocou em evidência um dos principais desafios da gestão do carnaval de rua: conciliar o direito à folia com a rotina de quem não participa dela. Flavio Teixeira destacou que o planejamento precisa atender aos dois públicos.

“Trabalhamos para os seis milhões que querem e para os seis milhões que não querem ir para o Carnaval, para garantir o funcionamento da cidade”, afirmou.

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Em 2026, o carnaval carioca movimentou R$ 5,9 bilhões na economia, gerou R$ 240 milhões em ISS e R$ 47 milhões em outros impostos, segundo os números apresentados na mesa. Ao todo, oito milhões de pessoas passaram pelos 458 blocos espalhados pela cidade, além dos desfiles na Sapucaí e na Intendente Magalhães.

Para acompanhar a dimensão da festa, a organização dos blocos exige articulação entre os responsáveis pelos desfiles e os serviços públicos. A estrutura discutida para o Rio de Janeiro inclui uma liga exclusiva para o carnaval de rua, com dois despachantes, um assistente administrativo e um arquiteto para facilitar a comunicação com os organizadores. Também estão previstas mais ambulâncias, a utilização de drones para o registro e o controle do público e o reforço da infraestrutura de limpeza e segurança.

As medidas são resultado de debates públicos, simpósios e discussões na Câmara de Vereadores. Entre os objetivos está o chamado Caderno de Ganhos, voltado à legalização de mais blocos sem engessar a festa, além da ampliação dos serviços necessários à realização dos eventos.

Teixeira também anunciou ações de fomento à cultura dos bate-bolas, manifestação tradicional do subúrbio carioca. A iniciativa inclui investimentos, exposição, livro e um evento próprio de desfile, além do incentivo a 86 blocos independentes de bairros.

A secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa, Danielle Barros, destacou a importância de ampliar as formas de financiamento e circulação da produção carnavalesca. O investimento estadual no carnaval passou de R$ 38 milhões, em 2021, para R$ 79,9 milhões, em 2026, considerando o conjunto de ações voltadas à festa no estado.

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Para 2027, estão previstos R$ 19,5 milhões em editais, com a expectativa de contemplar 500 projetos. A estratégia também busca levar a produção cultural do carnaval a outras áreas, para que o acesso aos recursos não fique restrito a iniciativas diretamente ligadas à Sapucaí ou aos blocos de rua.

Um dos exemplos apresentados por Barros foi o de um projeto contemplado por um edital de gastronomia que levará comidas típicas do carnaval a um festival. Outro é um livro sobre mulheres da Mangueira, viabilizado por meio de um edital de literatura. A proposta é ampliar a presença da cultura carnavalesca em diferentes espaços e alcançar públicos para além dos eventos tradicionais.

Na área de incentivo, a secretaria também atua com a Lei de Incentivo à Cultura, em parceria com a Prefeitura do Rio. Em 2026, foram destinados R$ 8,8 milhões a nove projetos. A política inclui ainda ações de mobilidade internacional, por meio de um edital que financia passagens para escolas de samba levarem o carnaval a outros países. O mecanismo permanece aberto durante o ano, permitindo que as agremiações solicitem apoio sem restrição de data. O Salgueiro, por exemplo, já esteve em Nova York e na Argentina por meio dessas iniciativas.

Carnaval pelo Brasil

Segundo Danielle Barros, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, os carnavais pelo Brasil seguem o vanguardismo do carnaval carioca, a exemplo das festas de Belo Horizonte, em Minas Gerais, e do Distrito Federal. Na mesa, essas experiências foram representadas por Danielle Rossi, diretora de eventos da BeloTur, e por Leandro Oliveira, subsecretário de Difusão e Diversidade Cultural do Distrito Federal. Ambos apresentaram o crescimento da festa em seus territórios.

No Distrito Federal, segundo Leandro, o fomento partiu do entendimento de que “o evento e profissionalizar a festa faziam bem para a cidade”, além da constatação de que Brasília, uma cidade jovem, é formada, em sua maioria, por uma população natural de outros estados, cujos habitantes costumam voltar para seus locais de origem durante o feriado de carnaval. Para isso, o fomento aumentou de R$ 6 milhões, em 2024, para R$ 10 milhões, em 2026, destinados a editais, segurança e medidas como o “Vai de Graça”, que garante transporte público gratuito durante a folia e recebeu dois milhões de usuários em 2026. Neste ano, 110 blocos tomaram as ruas, sendo 73 deles incentivados por recursos públicos por meio de editais que contemplam blocos de território e blocos em trio elétrico.

Em Minas Gerais, a festa conta com uma estrutura especializada para acompanhar seu crescimento ano após ano. Danielle contou que a BeloTur recebeu o cadastro de 620 blocos, dos quais 457 desfilaram. Desses, 120 receberam incentivos por meio de edital público, com R$ 3 milhões aplicados à festa. O edital contempla blocos divididos em três categorias, classificadas de acordo com o tempo de existência, a sustentabilidade, a relação com o território e a história, com comprovação de atividade ao longo do ano.

Em 2026, mais de seis milhões de foliões optaram por viver a folia nas ruas históricas de Belo Horizonte, entre eles cerca de 349 mil turistas. A festa movimentou R$ 1,4 bilhão na capital. Os números são resultado da organização: a prefeitura consolidou, junto à liga de blocos, um formato de subvenção por meio de reuniões individuais com cada bloco, em parceria com a BHTrans, responsável pelo transporte da cidade, e o Corpo de Bombeiros. O planejamento envolve público, itinerários, desfiles georreferenciados e uso de trios elétricos conforme a necessidade dos blocos. Além disso, Danielle anunciou que a Prefeitura de Belo Horizonte se tornou a primeira instituição municipal a ser beneficiada pela Lei Rouanet para o financiamento do carnaval.

Esperança para momentos desafiadores

A discussão sobre a organização do carnaval também foi atravessada pelas incertezas políticas e sociais. Durante a mesa, Milton Cunha relacionou os números econômicos da festa à capacidade de mobilização e resistência do setor. “Doze milhões de famílias se beneficiam dessas vendas. Esses números ajudam numa guerra – porque vem aí uma guerra – e esses números nos ajudam a enfrentar”, declarou.

Ao refletir sobre os desafios contemporâneos, o apresentador questionou como a cultura carnavalesca pode resistir ao avanço de forças conservadoras e religiosas sobre a vida pública, sobretudo quando tentam impor uma visão única de mundo.

Danielle Barros respondeu à reflexão a partir de sua fé e da defesa da diversidade. “Um texto da Bíblia diz que a boca fala do que o coração está cheio. A minha fé projeta para a inclusão. Toda fé que não inclui tem de ser questionada. Minha fé me projeta diversidade, pluralidade e inclusão”, afirmou.

A secretária também destacou a incerteza sobre o futuro e a necessidade de preservar referências que orientem a atuação cultural: “Nós vivemos em um tempo em que não sabemos o que vai ser. Existe incerteza, mas existem certezas que precisam ser norteadas pela nossa esperança”.

Com xote e sanfona, Colorado do Brás traz o Nordeste para a gravação do audiovisual da Liga-SP

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

A Fábrica do Samba se transformou em um pedaço do Nordeste no último sábado de setembro. Para fazer a gravação do multimídia de “Ojuara – O Homem que Desafiou o Diabo”, enredo da Colorado do Brás para o Carnaval 2027, uma série de arranjos inspirados na cultura local foram realizados. Com samba-enredo composto por Henrique do HC, Abraão Santos, André Mattos, Marcus Lopes, Hyder Oliveira, Leo Augusto, Anderson Monks e Roberto Holanda, o CARNAVALESCO esteve presente na gravação da faixa e conversou com uma série de personagens importantes da agremiação.

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Do semiárido para a Fábrica do Samba

Para tratar de uma temática nordestina, trazer alguns instrumentos típicos da região foi a alternativa utilizada pela escola, de acordo com Marcio Chuster, popularmente conhecido como Bijú, diretor musical e arranjador da obra: “O instrumento que tem o maior privilégio certamente é a sanfona, somada com a zabumba e com o triângulo. No alusivo do nosso samba-enredo, a gente utiliza zabumba e triângulo, mas a sanfona preenche, do início ao fim, a nossa gravação”, detalhou.

Não foram apenas os instrumentos presentes em um carro de som que tiveram alterações, de acordo com o profissional: “Fizemos os arranjos com esses instrumentos justamente por ser um samba com essa temática nordestina, e por isso esses instrumentos mais se destacam. Além disso, a bateria tem algumas movimentações com um xote e, em outro momento, com um baião. Adequamos os instrumentos que são comuns em um samba-enredo, como o cavaco e o violão de sete cordas, para realizar uma base para que essas bossas aconteçam. Fizemos isso para a gente conseguir misturar essa cultura nordestina com a cultura do samba-enredo também. Tudo casou muito bem! Vocês vão ver uma faixa maravilhosa, muito rica. A Colorado está feliz demais para esse próximo carnaval”, comentou Bijú.

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Na boca do povo

Antônio Carlos Borges, popularmente conhecido como Ká, presidente da escola, gostou do que viu na gravação e destacou a sinergia dos integrantes da agremiação com a obra: “A gente fez dois ensaios de quadra e fizemos um ensaio específico para a gravação audiovisual, que está sendo hoje. Eu fiquei muito feliz, inclusive os compositores também participaram do clipe, e isso foi muito legal para nós. Você vê que, realmente, a comunidade abraçou: foi um muito curto o espaço de tempo para aprender, já que o samba tem algumas algumas falas mais difíceis. Foi tudo muito legal, foi o que eu esperava, teve um clima maravilhoso. Nossa gravação válida foi logo a segunda, correspondeu à expectativa. Foi muito legal”, disse.

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Logística especial

O bairro do Centro de São Paulo em que fica a Colorado é um conhecidíssimo reduto de compras populares, com tráfego de pedestres e automóveis de todos os tamanhos. Ciente de tal fato, a Comissão de Harmonia da escola esteve atenta a uma série de questões para garantir a melhor logística possível: “Por conta de tudo que envolve a logística em relação ao Brás, um dos maiores centros populares de compras da América Latina, ficamos atento à previsão do tempo: como ia estar um tempo bom e a rua estaria cheia, a gente combinou de concentrar todo mundo aqui na Fábrica do Samba. Fizemos isso num horário mais cedo, para dar tempo de dar uma última ensaiada e concentrar todo mundo para fazer uma linda gravação”, destacou Flávia Vieira.

Quando perguntados sobre a quantidade de integrantes presentes na gravação, os demais componentes da Comissão de Harmonia foram solícitos e ágeis: “Estávamos com 38 ritmistas na gravação, tínhamos dez destaques (entre integrantes da Corte e celebridades que vão desfilar no chão) e 60 pessoas da comunidade”, enumerou Luciano Lopes.

João Daniel completou: “Somando tudo, tínhamos cerca de 140 pessoas da Colorado do Brás na gravação. Alguns, inclusive, ficaram de fora, apenas observando. Tomamos até uma bronquinha por conta disso”, brincou.

Lembrança de outros carnavais

Intérprete da agremiação desde 2023, Léo do Cavaco destacou que a temática nordestina costuma dar bons frutos à escola: “O que definiu a disputa de samba-enredo, inclusive, foi a voz da comunidade. Foi muito apertado, mas a gente percebeu que a maioria das alas e componentes gostavam muito desse samba. Gostavam dos outros também, a gente tinha três grandes obras na final e qualquer uma das três que fosse escolhido viria muito bem, mas o samba vencedor teve um predomínio muito grande da voz da comunidade e pelo lance dos sentimentos nordestinos: é um samba que traz muito essa característica do Nordeste, uma melodia ali mais parecida com as músicas nordestinas. Isso foi o que acabou pegando no coração da galera tanto na final quanto na gravação”, comentou.

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Convenção longa

No primeiro ano à frente da “Ritmo Responsa”, bateria da escola, mestre Fábio Américo utilizou um expediente que já realizou em outra coirmã em relação aos ritmistas na gravação do audiovisual: “Estamos fazendo uma estrutura de execução com uma bossa só, que toma conta de boa parte do samba. Vamos soltar um apagão no refrão de cabeça e, daí em diante, fazemos uma série de convenções e arranjos que dura a passada inteira do samba, sendo concluída no refrão de cabeça. Eu já fiz dessa maneira no meu último ano como mestre de bateria, no Morro da Casa Verde, em 2025”, pontuou.

A ordem de desfile da agremiação também foi citada pelo ritmista-mor da escola ao comentar o que mais gosta na canção: “É um samba melodioso, lindo, que já pegou. Quando ele explode, na virada para o refrão de cabeça, porém, ele cresce muito e fica muito grande. A Colorado do Brás vai ser a sexta escola a desfilar no sábado do Grupo Especial do carnaval de São Paulo e esse horário é complicado, exige um refrão forte e que coloque a escola para cima”, finalizou.

Liesa mantém regras de acesso às frisas da Sapucaí para o Carnaval 2027

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Foto: Divulgação/Riotur

A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) confirmou nesta sexta-feira que o acesso às frisas da Marquês de Sapucaí em 2027 seguirá as mesmas regras dos anos anteriores. As entradas adquiridas via Ticketmaster em setembro serão convertidas em pulseiras entregues antecipadamente aos ocupantes dos boxes, como geralmente acontece a cada temporada. Não há previsão de que os grupos precisem se apresentar em conjunto para a retirada dos acessórios. Essa medida, embora tenha constado no site da plataforma de vendas, não será colocada em prática.

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A única mudança no processo, ainda em estudo pela Liesa e pela Ticketmaster, é a coleta de dados de todos os ocupantes das frisas. Nos anos anteriores, somente o comprador fornecia seus dados à Liesa, repassando as pulseiras para seus convidados. Para 2027, avalia-se uma maneira prática e acessível para que todos os portadores de pulseira passem por um processo similar de coleta.

Cada vez mais dedicada a combater práticas de cambistas, a Liesa tem debatido internamente formatos de comercialização de ingressos e acesso à Avenida que protejam os verdadeiros apaixonados pela folia. Esse esforço logístico, jurídico e comunicacional envolve um monitoramento ativo das redes sociais e também o recebimento de denúncias via e-mail [email protected].

As frisas, naturalmente, fazem parte do debate. A prioridade é o compromisso da Liesa de garantir o acesso, recepcionar e acomodar todos os compradores dos ingressos vendidos, em qualquer setor do Sambódromo. Dessa maneira, a instituição vem informando há dez dias que o formato deste ano, tão logo definido, seria informado por meio de seus canais oficiais — como acontece agora. Quaisquer novos dados referentes aos ingressos e pulseiras (inclusive datas de retirada) serão divulgados da mesma maneira.

No período, tanto a Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) quanto o Procon-RJ afirmaram publicamente que buscariam junto à liga mais informações sobre o tema. Assim que notificada, a Liesa encaminhará a esses órgãos as informações que já têm sido compartilhadas com o público.

Mocidade grava samba com mensagem de soberania latino-americana e prepara surpresas

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Fotos: Mariana Santos/CARNAVALESCO

A Mocidade realizou a gravação oficial de seu samba para 2027 no HZ Estúdio, em Curicica, Rio de Janeiro. A obra vai embalar a comunidade de Padre Miguel no enredo “Latinamente Independente – América do Sul em Remanifesto”, de Jack Vasconcelos. A escola abrirá a segunda noite de desfiles, no dia 8 de fevereiro. Em “Remanifesto”, a escola reafirmará a soberania da cultura latina e exaltará a história latino-americana. O samba ganhou vida na caneta da parceria do experiente PC Feital, que conta ao CARNAVALESCO que o enredo atravessa sua trajetória política. O compositor participou da luta contra a ditadura e considera que o carnaval tem a responsabilidade de abordar questões sociais e políticas. Para ele, a proposta da Mocidade dialoga diretamente com suas convicções.

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“Eu acho que o carnaval tem essa responsabilidade e vem cumprindo, que é trazer todo um aspecto social, inclusive a parte negativa social e política do país. Acho que a Mocidade foi muito feliz na escolha do seu enredo. É um samba bem construído, é um samba com uma letra potente. Se ele cumprir o papel de exortar isso e penetrar e se tatuar no coração das pessoas, eu acho que cumpre realmente o que nós pensamos”, refletiu.

Em sua quarta vitória na Mocidade, a gravação também marcou mais uma etapa na trajetória de Feital como compositor, que falou sobre a relação pessoal que mantém com o próprio trabalho.

“Eu estou ficando velho, mas continuo. O corpo envelhece, mas o espírito não, continua com 20 anos, graças a Deus, e cada música que eu faço é como se fosse a primeira”, declarou.

Também compositor do samba campeão, em sua terceira vitória ao lado de Feital e parceiros, Alex Saraiça viveu a conquista a partir de sua história com a escola. Cria da Mocidade, ele cresceu na quadra e destacou o significado de vencer uma disputa na agremiação onde construiu sua trajetória.

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Compositor Alex Saraiça

“Sou nascido dentro da quadra. Para mim, que não disputo samba em outros lugares, ganhar na minha escola é como se tivesse ganhado um presente muito especial. Não sei te dizer exatamente o que eu estou sentindo, mas posso dizer o seguinte: que é muito bom. Estou maravilhado”, contou.

Arranjo teve adaptações para gravação ao vivo

O formato “ao vivo” para a gravação oficial exigiu mudanças no planejamento do arranjador André Felix, que precisou deixar algumas ideias de lado.

“A gente pensou muita coisa, mas foi limitado por causa do formato que foi a gravação desse ano. Teve coisa que tivemos que deixar de lado”, contou.

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Arranjador André Felix

O arranjador revela que a obra foi gravada com o tom original durante a calorosa disputa de samba-enredo. Com o samba já bem consolidado na quadra desde antes de sua escolha, Felix agora espera que o trabalho realizado no estúdio se traduza no canto da escola durante o desfile.

“Que o pessoal aprove e que a gente chegue na Avenida, no dia do desfile oficial, todo mundo cantando o samba”, resumiu.

Mestre Dudu prepara novidades para o desfile

Mestre Dudu entra em 2027 com surpresas na manga para a “Não Existe Mais Quente”. Com andamento de 142 BPM (batidas por minuto), que considera “a cara da Mocidade”, o mestre explica que a gravação oficial ainda não terá todas as bossas que pretende desenvolver para o desfile.

“O samba me dá muitas brechas para botar muitos ritmos latinos, mas na gravação oficial eu não vou botar nada latino. Inventei só uma bossa ali, que tem uma parte do agueré que a gente bota no meio da bossa, juntamente com as paradinhas também”, explicou.

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Mestre Dudu

Entre as ideias guardadas está uma salsa, que o mestre experimentou em uma gravação anterior da escola, mas decidiu aperfeiçoar antes de incorporá-la ao desfile. A decisão de reservá-la para o desfile está ligada à intenção de desenvolver melhor a ideia e encontrar os instrumentos adequados para executá-la.

“Foi tão bom que eu vou tentar segurar para o desfile. Nessa oficial eu não estou botando, porque quero melhorar a salsa. Estou estudando algum instrumento latino, para ver o que botar”, afirmou.

O mestre também explicou como aproveita as duas etapas de gravação para trabalhar diferentes bossas na obra, uma na versão produzida pela escola e outra na gravação oficial da Liesa.

“Eu tenho essa praticidade de escolher o samba, gravar pela escola e depois fazer a gravação oficial, que é da Liga. Tento botar uma bossa nova na gravação da escola e pôr mais uma bossa nova na gravação da Liga, para que tenha duas bossas regravadas. E assim vai ser feito hoje”, detalhou.

À frente da bateria há 15 anos, Dudu está confiante para o próximo ano. A escola se recupera da 11ª colocação em 2026, com o enredo “Rita Lee, a padroeira da liberdade”, em que a bateria “Não Existe Mais Quente” recebeu 29,9 pontos. Apesar de avaliar o último carnaval como positivo, o mestre considera que a escola foi “mal julgada”. Para 2027, a Mocidade vive um momento de renovação sob nova gestão, e Dudu afirma que a bateria acompanhará essa fase. A preparação inclui ensaios em mais dias da semana, além do encontro regular de quinta-feira. Segundo o mestre, a convivência com os ritmistas também facilita a construção das bossas e dos demais detalhes da bateria.

“Eles já sabem como eu trabalho, o que eu não gosto, o que eu gosto de fazer, até mesmo montagem, paradinha e bossa também. A gente fala muito bem. Ensaios, sequência de ensaios que a gente bota no decorrer da semana, não só na quinta-feira, que é o nosso ensaio de bateria, mas também faço lá terça, segunda e quarta”, contou.

Harmonia acompanha a evolução do samba

Diretor de harmonia, Sandro de Menezes destacou o trabalho conjunto dos segmentos da Mocidade na preparação para o Carnaval 2027. Para ele, a gravação representa mais uma etapa de um pré-carnaval que já começou a mobilizar a escola.

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Diretor de harmonia, Sandro de Menezes

“É uma honra para a gente participar de uma gravação dessa. Está tudo bem organizado, tudo lindo. A gente vem com uma equipe maravilhosa: Evandro, o carro de som, rainha de bateria, Dudu e os ritmistas. A gente está com uma energia maravilhosa, o samba está lindo, lindo, a gravação está linda”, afirmou.

Menezes também ressaltou a expectativa em torno da escolha do samba e a preparação dos segmentos para os próximos meses. A escola deve iniciar os ensaios de canto com a equipe completa, dando início a uma nova fase de trabalho para preparar a comunidade para a Avenida.

Vila Isabel mistura ijexá e jongo na gravação do samba de 2027 para dar ritmo à história de ‘Torto Arado’

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Foto: Divulgação/Rio Carnaval

A Unidos de Vila Isabel trabalhou a diversidade rítmica e a valorização das referências afro-brasileiras para construir a gravação oficial do samba-enredo para o Carnaval 2027. Inspirada no universo de “Torto Arado”, livro de Itamar Vieira Junior, a obra recebeu um arranjo que explora diferentes possibilidades musicais, com destaque para as alternâncias entre ijexá e jongo. A proposta conduz a melodia por mudanças de andamento e de levada, especialmente no refrão do meio, em uma construção que buscou dialogar com a narrativa do enredo e com a identidade musical da escola de Noel. Mestre de bateria, Macaco Branco explicou ao CARNAVALESCO que a concepção do arranjo começou com a leitura da obra literária que inspira o desfile. A partir desse contato com a história, o trabalho foi desenvolvido em sintonia com a melodia do samba, explorando possibilidades rítmicas sem perder de vista as características da composição.

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“Eu li o livro, que é a história de ‘Torto Arado’, de Itamar Vieira Junior. A gente brinca com os arranjos, tudo dentro da melodia, do que o samba pede, nas divisões rítmicas da obra. No refrão do meio, fizemos uma brincadeira com o ijexá. A gente faz um ritmo de ijexá, que tem uma pegada de samba de roda. Depois, faz um 6/8, que é um ritmo afro, remetendo à ancestralidade, a tudo o que chegou da África e faz parte da nossa musicalidade brasileira. Os arranjos foram todos pensados conforme a temática, com essa brincadeira do ijexá e as divisões da melodia do samba”, explicou.

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Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Na gravação do samba-enredo oficial, a expectativa da equipe era apresentar uma interpretação marcada pela energia e pela imersão na história que a Vila Isabel pretende levar à Avenida.

“A energia, a alegria e a imersão de contar a história de ‘Torto Arado’ através da Vila Isabel, na narrativa de Santa Rita Pescadeira. Tenho certeza de que a Vila Isabel, com esse carnaval, vai fazer um grande carnaval para, se Deus quiser, trazer o título para a nossa comunidade do Morro dos Macacos, de Vila Isabel”, declarou Macaco Branco.

Bateria explora jongo e diferentes afinações dos surdos

Além das escolhas para o arranjo, Macaco Branco adiantou elementos que a bateria pretende explorar na gravação. O andamento definitivo ainda seria definido em conjunto com o diretor musical, Douglas Rodrigues, e o intérprete Tinga, a partir da avaliação da melhor condução para valorizar a obra. Entre as propostas para a bateria, o mestre destacou a utilização de referências ao jongo e a exploração das afinações dos surdos. A ideia é acompanhar as mudanças rítmicas previstas para o refrão do meio, criando uma construção que dialogue com as imagens e os elementos evocados pelo samba.

“Vamos brincar com o ritmo do jongo, fazer uma intenção das pedras que cantam, que são as pedras lá da Chapada Diamantina, brincando com as afinações do surdo. Vamos fazer uma subida com uma divisão diferente, que é uma coisa que o samba pede. E, no refrão, quando voltar o refrão do meio, a gente brinca ali com o ritmo do jongo, depois vira um 6/8, depois volta o 6/8 e vira um ritmo do jongo de novo”, detalhou.

Para Macaco Branco, participar de mais uma gravação oficial representa a oportunidade de levar o nome da escola para um dos momentos importantes da preparação do carnaval. O mestre destacou o sentimento de representar a Vila Isabel ao lado dos ritmistas.

“É muito gratificante poder estar aqui representando a minha escola junto com os ritmistas da Unidos de Vila Isabel”, afirmou.

Douglas Rodrigues e Tinga unem experiência e renovação

À frente da direção musical, Douglas Rodrigues avaliou de forma positiva o processo de preparação para a gravação. O profissional destacou o desafio de trabalhar a composição e ressaltou que o resultado foi construído com dedicação e envolvimento de toda a equipe.

“Está sendo maravilhoso. Eu adoro desafios. Tive essa situação do samba, mas deu tudo certo. Tudo com muito amor, tudo com muito carinho, muita magia, e é isso: rumo ao topo”, declarou.

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Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

A parceria com Tinga também foi apontada como um dos pontos importantes do trabalho. Douglas destacou a capacidade de reinvenção do intérprete e a troca entre profissionais experientes, que procuram atualizar as ideias sem abrir mão da sintonia construída ao longo dos anos.

“O trabalho com o Tinga é uma situação bem legal, porque ele está sempre se reinventando, sempre traz coisas novas. A gente é da antiga, mas a nossa cabeça está se atualizando. A gente se entende, se encontra, se olha, vai se falando e chega ao que a gente quer”, explicou.

Douglas contou que a direção musical passou a ser uma função oficialmente consolidada em sua trajetória em 2022, embora já desempenhasse atividades relacionadas à área anteriormente. Outro aspecto destacado pelo diretor foi a composição da equipe musical da Vila Isabel, formada majoritariamente por pessoas que construíram suas trajetórias dentro da própria escola e mantêm uma ligação antiga com a comunidade.

“Todo mundo é de casa! A maioria foi na barriga da mãe. Eu, o Tinga, temos os três filhos dele, que são o Breno, o Henrique e o Tinguinha (saiu da escola). Tem o Yanique, que veio de Herdeiros. Tem a Clara, que veio de Herdeiros. Tem o Caio, que veio de Herdeiros. A base de Herdeiros da Vila está toda ali. Tem o Juan, que veio de Herdeiros”, contou.

A presença de integrantes formados no ambiente da escola reforça a conexão entre a equipe responsável pela música e a comunidade que dará voz ao samba nos ensaios e no desfile. A proposta musical, nesse contexto, também é resultado de uma construção coletiva, reunindo profissionais que compartilham a vivência na agremiação.

Direção de cCarnaval destaca preparação dos segmentos

Diretor de carnaval da Vila Isabel, Moisés Carvalho ressaltou que a gravação oficial representa uma etapa importante do planejamento para o desfile. Segundo o dirigente, o trabalho envolveu uma semana de ensaios para preparar a comunidade e os segmentos que participaram da produção.

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Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

“Gravação de samba é sempre importante. É daí que a gente começa a trabalhar a comunidade, os quesitos, o casal e a comissão de frente. Passamos uma semana ensaiando e fazendo o nosso dever de casa, e hoje vamos colocar em prática aqui tudo o que ensaiamos. Mestre Macaco Branco, Douglas, Tinga, os compositores… Estamos prontos. É um belo samba”, afirmou.

Moisés também destacou o significado de participar de mais uma etapa de preparação da escola em seu décimo ano à frente da direção de carnaval. Para o dirigente, o momento mantém a expectativa característica do início de um novo ciclo e abre caminho para a apresentação da obra à comunidade.

“No décimo ano à frente da Vila, na direção de carnaval, acho que é sempre importante ter aquele friozinho na barriga. É uma continuidade do trabalho, um pontapé inicial. Logo na sequência, vem o dia 28 de setembro, que é um marco para a gente, com a comunidade toda cantando e interpretando essa obra linda. Estou feliz com mais um trabalho”, declarou.

Estrela do Terceiro Milênio grava audiovisual da Liga-SP com força da comunidade e preparação musical

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Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

A Estrela do Terceiro Milênio gravou o audiovisual oficial da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP) para o Carnaval 2027. Com uma preparação antecipada, ensaios específicos e ajustes na parte musical, a escola do Grajaú apostou na força do canto da comunidade e no entrosamento entre os diferentes setores para registrar o samba-enredo que levará ao Sambódromo do Anhembi. Uma das primeiras agremiações do Grupo Especial a escolher o samba-enredo, a Terceiro Milênio iniciou os trabalhos ainda em junho. A antecedência permitiu ampliar o período de preparação e desenvolver um trabalho voltado ao canto, à evolução e à participação dos componentes. Os diretores de carnaval Vinícius Freitas e Japa, que também ocupam funções nas direções de carnaval e de harmonia, trabalharam ao lado dos diretores artísticos Taiana Freitas e Guilherme Almeida na organização dos ensaios. Os intérpretes Darlan Alves e Raquel Tobias e o diretor musical Shumacker também tiveram papel fundamental no trabalho. Todas essas personalidades conversaram com o CARNAVALESCO e detalharam a preparação para o projeto oficial da Liga-SP.

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Preparação com a comunidade

A gravação foi precedida por três ensaios com a comunidade, além de uma preparação envolvendo os diferentes segmentos da agremiação. O diretor de carnaval Vinícius Freitas destacou o comprometimento dos profissionais e a participação dos componentes na construção do espetáculo.

“Tudo o que envolve a Terceiro Milênio conta com o trabalho do Japa e o meu, junto com a minha irmã Taiana Freitas e o Guilherme Almeida, que também são os dois diretores artísticos da escola. Fizemos um trabalho junto da nossa comunidade e realizamos três ensaios. Tudo o que vamos apresentar, procuramos transformar em um espetáculo da melhor forma possível, e isso é resultado de trabalho e dedicação. A comunidade abraçou a proposta de uma maneira maravilhosa”, afirmou Vinícius.

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Diretores de carnaval Vinícius Freitas e Japa

O outro diretor, Japa, também ressaltou a importância do audiovisual oficial da Liga-SP para o desenvolvimento do trabalho da escola ao longo da temporada. Segundo ele, o registro é uma ferramenta importante para preparar a comunidade para os desafios do desfile, especialmente nos quesitos canto e evolução.

“O audiovisual oficial da Liga-SP é de suma importância, principalmente porque é por meio dele que conseguimos trabalhar com a nossa comunidade e fazer o trabalho que estamos designados a realizar, que é o canto e a evolução da nossa escola. Como o Vinícius falou, nos preparamos bastante. Não gostamos de chegar mais ou menos, então tudo o que vamos fazer exige uma boa preparação. Graças a Deus, conseguimos chegar com o trabalho que havíamos planejado”, declarou Japa.

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A escolha antecipada do samba-enredo também foi apontada como um fator positivo para o planejamento da agremiação. Vinícius explicou que o início dos ensaios ainda em junho possibilitou trabalhar com mais tempo a assimilação da obra pelos componentes.

“Se não me engano, fomos a segunda escola a escolher o samba-enredo. Fizemos a escolha no dia 14 de junho e, ainda naquele mês, iniciamos os ensaios. Estamos há quase dois meses trabalhando na nossa quadra com toda a comunidade, e acredito que escolher o samba um pouco antes seja muito positivo, porque conseguimos começar esse trabalho com todo mundo”, disse Freitas.

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Japa, também responsável pela harmonia da escola, foi questionado especificamente sobre o canto.

“Sabemos que é um pouco difícil fazer com que mil ou mil e quinhentas pessoas cantem a mesma coisa. Por isso, procuramos começar mais cedo, para chegarmos ao final do processo com um pouco mais de tranquilidade. A comunidade abraçou o trabalho, e temos certeza de que o resultado será muito bom”, explicou.

Ajustando a interpretação do samba

No carro de som, Darlan Alves e Raquel Tobias também se dedicaram a uma preparação específica para a gravação. A dupla trabalhou na adaptação da melodia, na divisão das vozes e na escolha dos cacos, buscando equilíbrio entre as interpretações e uma execução mais organizada da faixa oficial.

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Intérprete Raquel Tobias

Darlan explicou que o período posterior às eliminatórias exige uma série de ajustes na obra escolhida, tanto na melodia quanto na letra. Para o intérprete, a gravação oficial representa uma etapa diferente daquela realizada inicialmente para a comunidade, pois é o registro definitivo do samba.

“É um dia muito importante. Posso dizer que esse período é parecido com o que vivemos após o fim das eliminatórias, quando precisamos correr para nos adaptar ao samba, fazer mudanças e ajustes na melodia e na letra. É uma fase em que ficamos assimilando a obra, encontrando os cacos e entendendo melhor o samba. Chegamos à gravação com essa nova roupagem, construída após as eliminatórias. Existe uma primeira gravação, feita para a comunidade, mas que ainda passa por ajustes. Esta é diferente, porque é a oficial, a que realmente vai valer. Por isso, chegamos estudando e fazendo ensaios separados com a ala musical”, declarou.

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Intérprete Darlan Alves

O cantor, que está recebendo uma nova parceira após a saída de Grazzi Brasil, falou sobre o entrosamento com Raquel Tobias para a gravação do audiovisual.

“Gosto de cantar com outro intérprete e, agora, estou ao lado da Raquel. Precisamos combinar as entradas e definir o que cada um vai fazer em cada trecho, para que a faixa não fique poluída. Cada um encontra o melhor caco e a melhor maneira de contribuir. Fizemos todas essas adaptações em estúdio e, agora, é trabalhar isso da melhor forma possível. É o primeiro contato do público com o samba antes do lançamento, enquanto nas outras escolas também estão gravando. É muito bacana”, afirmou.

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O intérprete também comparou as características do samba atual com a obra apresentada pela escola no carnaval anterior. Segundo ele, cada composição exige uma abordagem própria, o que torna cada gravação uma experiência diferente.

“Já tenho bastante tempo nessa função, mas cada gravação e oportunidade são diferentes, porque toda obra tem suas particularidades. No ano passado, tínhamos uma linha de samba um pouco mais cadenciada. Neste ano, é algo mais lúdico, com explosão e alegria”, completou.

Nova experiência

Ao lado de Darlan, Raquel Tobias vive seu primeiro audiovisual como intérprete oficial da Terceiro Milênio. Integrante da ala musical da escola há seis anos, a cantora destacou a emoção de receber o convite e a ansiedade diante da responsabilidade.

“Estou bastante ansiosa. Estou há seis anos na escola, na ala musical, e esse convite foi maravilhoso. Se não tiver dor de barriga e ansiedade, não tem graça. É muito importante para mim”, disse.

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Antes de entrar no estúdio, a intérprete também falou sobre a participação da comunidade nos ensaios e adiantou que a escola preparou uma surpresa para a gravação. Para ela, o canto coletivo é uma das marcas da agremiação.

“Fizemos dois dias de ensaio. Já estamos cantando e ensaiando na quadra, mas os encontros oficiais com a bateria e a comunidade foram na terça-feira e na sexta-feira. Tem uma surpresa com a comunidade, porque a Terceiro Milênio tem essa especialidade e essa marca de valorizar o povo cantando. Gostamos de ver a comunidade cantar muito!”, revelou.

Arranjos do diretor musical

Na direção musical, Shumacker detalhou os recursos preparados para o audiovisual. O músico explicou que a escola trabalhou em uma bossa específica durante aproximadamente três meses, mas optou por limitar a utilização desse recurso por questões de segurança. O profissional também detalhou outros arranjos do samba.

“Nas bossas habituais, tínhamos mais elementos para apresentar, mas, por questões de segurança, vamos inserir apenas uma bossa na segunda metade da primeira passagem. Já estamos trabalhando nela há pelo menos três meses. Além disso, teremos aberturas de voz, algo que já é habitual e de que gostamos bastante. Também confiamos muito na energia da comunidade, que sempre canta o samba com muita força. Em relação ao treinamento percussivo e à ala musical, a preparação é basicamente essa. A bossa é longa, começa na saída do refrão do meio e vai praticamente até o grande final do samba”, explicou.

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Diretor musical Shumacker

O diretor musical também revelou uma novidade na concepção sonora da gravação: a utilização de teclados, instrumentos que a escola costuma reservar para o dia do desfile. A proposta é explorar efeitos que dialoguem com a temática do enredo.

“Este ano, vamos gravar com teclados, que costumamos utilizar apenas no dia do desfile. Acredito que explorar esses efeitos combina mais com o enredo do que outros elementos. Estamos trabalhando nessa proposta para este ano”, afirmou.

A preparação musical também envolveu ensaios específicos de coral, cordas, comunidade e bateria, além de dois ensaios gerais realizados na semana da gravação. A intenção foi alinhar os setores antes de reuni-los para a execução conjunta.

“Fizemos ensaios específicos nas últimas semanas e estamos trabalhando bastante. Nesta semana, realizamos dois ensaios gerais, na terça-feira e na sexta-feira. Antes disso, tivemos ensaios de coral, de cordas, da comunidade e da bateria. Depois, reunimos todos nesses dois grandes encontros, que fluíram muito bem”, completou Shumacker.

Beija-Flor 2027: conheça fantasias para o enredo ‘Zeneida: O Sopro do Pó de Louro’

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A Beija-Flor de Nilópolis iniciou a venda de fantasias de alas para o Rio Carnaval 2027, quando apresentará o enredo “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”, desenvolvido pelo carnavalesco João Vitor Araújo. As fotos foram divulgadas nas redes sociais da escola. Os interessados devem procurar a agremiação exclusivamente pelo telefone (21) 99838-7116 ou pelo e-mail [email protected], para informações sobre valores e formas de pagamento. A diretoria reforça que estes são os únicos canais autorizados para a comercialização. A Beija-Flor será a segunda a desfilar no domingo de Carnaval, dia 7 de fevereiro. A azul e branco de Nilópolis celebra a trajetória de Zeneida Lima, pajé do Marajó (PA) que atua como ambientalista, ativista social e referência mítica da região. Conheça mais sobre as fantasias (fotos de @casadevilaprod)

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ALA 2 — RAÍZES ANCESTRAIS
A fantasia celebra a ancestralidade indígena de Zeneida, herdada de seu avô materno, descendente do povo Sakaka da Ilha do Marajó. Antes mesmo de compreender seu chamado, Zeneida já carregava uma história familiar que sustentaria sua caminhada na pajelança.

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ALA 3 — AGOTIME: A HERANÇA DA REALEZA AFRICANA
Nas histórias contadas por sua avó paterna, Rosa, Zeneida conheceu a trajetória de Agotime, rainha do Daomé e sua ancestral. A ala celebra a memória transmitida entre gerações e a continuidade de uma linhagem que atravessou o Atlântico e permaneceu viva na história familiar de Zeneida.

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ALA 4 — AS BORBOLETAS AZUIS
Antes mesmo do nascimento de Zeneida, as borboletas azuis anunciaram sua ligação com o mundo encantado. Durante a gestação, sua mãe presenciou o era cercada por elas. Interpretados como sinais de boa sorte, felicidade e proteção, esses acontecimentos anteciparam a presença de forças especiais na vida da futura pajé.

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ALA 7 — PAJERAMA: FLECHADA POR ANHANGÁ
Anhangá é uma entidade da cosmologia indígena associada à proteção da natureza e à punição de quem a agride. A flechada representa a ação dessa força espiritual sobre Zeneida, marcando seu chamado para a pajelança. A fantasia, representa o golpe espiritual que atingiu a menina e revelou a necessidade de proteger seu dom.

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ALA 8 — MESTRE MUNDICO
Mestre Mundico foi o responsável por reconhecer o chamado espiritual de Zeneida e iniciá-la nos conhecimentos da pajelança. Filho do pajé Mestre Modesto, transmitiu à menina os saberes ancestrais sobre os ventos, as águas, a mata e os mistérios da natureza. Ele conduz Zeneida ao destino que lhe foi confiado.

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ALA 9 — O TAUARI SAGRADO QUE ASSENTA O DESTINO
O tauari é o fumo sagrado que promove a purificação do corpo e estabelece a ligação com as energias da natureza. A defumação com o tauari marca o momento de consagração de Zeneida como pajé. A fantasia representa a passagem da aprendizagem para o exercício de sua missão espiritual, confirmando o caminho para o qual Zeneida vinha sendo preparada desde a infância.

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ALA 13 — INSTRUMENTOS SAGRADOS: FORÇAS QUE GUARDAM OS RITOS
Ao concluir sua preparação, Zeneida recebeu instrumentos sagrados destinados à proteção e à realização dos ritos de cura. O Kaitó-otó afasta as energias negativas, enquanto os maracás, feitos de cabaça e preenchidos com sementes, pedras ou caroços, produzem vibrações que convocam os encantados.

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ALA 20 — UM FILME ENCANTADO
A trajetória de Zeneida chegou às telas de cinema por meio do filme ‘Encantados’, inspirado em sua história e em seu livro. A fantasia reúne elementos da linguagem cinematográfica, como as películas, entre folhas e flores que remetem à natureza do Marajó. A arte transforma a memória da pajé em imagens e vozes, levando sua história, sua fé e o universo dos Caruanas a novos públicos.

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GRUPO — CARUANA BEIJA-FLOR
Ser encantado ligado às águas e ao universo espiritual de Zeneida, o Caruana Beija-Flor acompanha, protege e orienta os pajés. Suas penas exuberantes e formas que evocam o movimento das águas, dando corpo à presença de uma entidade guardiã. Vestido com as cores da Beija-Flor, o Caruana simboliza o reencontro entre a pajé e a escola, conduzindo o público ao universo dos encantados, da fé e dos mistérios da natureza.

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