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Mordida, Colorado do Brás apresenta Pierrot e pensa em título do Acesso I

O rebaixamento para o Acesso I deixou a comunidade da Colorado do Brás bastante mexida. No primeiro ensaio técnico da agremiação, realizado no domingo, a escola deu vários indícios de que está trabalhando fortemente para retornar ao Grupo Especial. Com atuação impecável da ala musical e da comissão de frente, o samba rendeu bastante no Anhembi e a agremiação, como um todo, teve poucos deslizes. O enredo “A Ópera de Um Pierrot” deixou ótima impressão, com um pré-refrão marcante e com a impressão de que a escola da região central de São Paulo está em excelente fase.

Samba-Enredo

Na concentração, o presidente Antônio Carlos Borges destacou que a escola é conhecida por ser bastante alegre, leve e solta. Se o clima antes do ensaio começar indicava uma escola com “sangue nos olhos”, o que se viu na passarela foram componentes bastante felizes, o que incluía o canto de forma bastante espontânea e leve.

Se não “pegou” nas arquibancadas do Anhembi (com menos torcedores que no último sábado, por exemplo), a canção foi bem abraçada pelos desfilantes. Tanto foi assim que Léo do Cavaco, intérprete da escola, não precisou chamar os foliões, focando na condução da música – muito bem feita, por sinal.

O pré-refrão (“Se a lágrima rolar pelo meu rosto/É porque estou disposto/A retomar o meu lugar”) pareceu nortear boa parte do que a escola fazia na avenida. A reportagem interpretou que tal estrofe da canção é um recado de que o rebaixamento ao Grupo de Acesso foi um tanto quanto injusto – o que, obviamente, motiva todos. Ao tal trecho ser entoado, evoluções distintas acontecem, a bateria faz alguma bossa, a escola responde no canto.

Comissão de Frente

Cada um dos integrantes possuía um adereço, mas os principais destaques estão relacionados à dança. Com uma coreografia curta, quase que marcando o samba-enredo pari passu, é facilmente distinguível (até mesmo pelas roupas, distintas das demais) o componente que interpreta o Pierrot e a que interpreta a Colombina.

Outro ponto que chamou atenção dos componentes, com fantasias bastante leves, foi a expressão. Em momentos tensos, todos franziam a testa e fechavam o rosto; em tristes, até mesmo as pálpebras ficam caídas; em alegres, todos sorriam tal qual uma criança ao ganhar um brinquedo.

Havia um tripé, em formato de coração, que se integrava aos componentes em determinado momento. Ele, ao menos neste ensaio técnico, não teve muito destaque – funcionando, até certo ponto, como uma espécie de pede-passagem, já que estava bem inserido no enredo. Todo o destaque da apresentação, entretanto, vai para os componentes e todos os envolvidos na grande exibição deles.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

No primeiro ano como primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Colorado do Brás, Brunno Mathias e Jéssica Veríssimo tiverem atuação bastante satisfatória. Até a Arquibancada Monumental, eles interagiam mais com o samba (como no verso “se a lágrima rolar pelo meu rosto”, em que faziam uma coreografia especial), com movimentos remetendo ao Pierrot e à Colombina. Após o espaço citado, ambos passaram a girar bem mais, em sentido horário. Cabe destacar a sincronia entre ambos, sendo possível observar até mesmo a uniformidade do movimento do pavilhão, da saia de Jéssica e dos pés sambando de Brunno.

No começo do setor C, Brunno hesitou alguns momentos para desfraldar o pavilhão vermelho e branco por conta de uma rajada de vento – que, por sinal, estava bem mais forte no domingo que no sábado, por exemplo. Um deslize bastante discreto, mas que, como ocorreu pouco depois de uma cabine de jurados, dependendo do campo de visão do julgador do quesito, pode ter consequências negativas.

Por falar em cabine, vale destacar a extrema elegância e graciosidade do casal ao longo de toda a passarela, em especial em frente aos julgadores. Sempre sorrindo, sabem ser firmes e defender com simpatia as cores da escola.

A atuação foi bastante comemorada pela coreógrafa do casal, que sorriu e exaltou bastante ambos.

Evolução

As alas coreografadas do primeiro setor trouxeram bastante movimento e dinamismo para a escola, que já chegou ao Anhembi evoluindo bastante. Depois do carro abre-alas, entretanto, a escola teve poucos espaços com coreografia pré-definida – algumas partes do samba, entretanto, eram marcadas e feitas por boa parte da agremiação. Boa parte dos componentes, por sinal, utilizava algum adereço – sobretudo balões de gás.

Hora sempre complicada para a escola, o recuo de bateria não teve problemas. Indo para o espaço por uma pequena fresta, a ala coreografada subsequente não demorou para tomar o lugar dos ritmistas. Um staff ficou no final da área recuada e fechou o punho, indicando que a escola deveria paralisar o andamento de componentes – e assim ficou por cerca de curtos dois ou três minutos. Ao fim desse tempo, ele fez sinal para a direita, pedindo para a agremiação voltar a evoluir.

Entre os setores C e D do Anhembi, chamou atenção o fato de uma staff sair da lateral do Anhembi para impedir que a segunda ala após o abre-alas embolasse com a primeira. Tão logo a situação foi controlada, ela retornou para o espaço.

Harmonia

O primeiro setor, com alas coreografadas e dando extrema importância para a dança na comissão de frente e no casal de mestre-sala e porta-bandeira, praticamente não cantou. Após a Arquibancada Monumental, entretanto, após o staff da escola alertar os componentes, o canto melhorou exponencialmente. Os componentes do setor souberam se recuperar.

Nos demais setores, o canto foi bastante uniforme e bom. Chamou atenção, por sinal, a tranquilidade dos staffs ao longo de toda a passarela, aparentemente satisfeitos. Mesmo no último setor do Anhembi, onde alguns componentes costumam cantar menos por conta do cansaço, os foliões corresponderam bastante positivamente.

Outros destaques

– No discurso antes do início do ensaio técnico, o presidente da Colorado, Antônio Carlos Borges, o Ká, afirmou que tem que se segurar para “falar algumas coisas que dá vontade”, além de deixar claro que a agremiação foi injustiçada momentos depois.

– No abre-alas, chamou atenção a presença de um elemento – parecia remeter ao desfile do ano anterior. As dimensões do espaço destinado a ele chamaram atenção: ao menos no ensaio técnico, pareceu ser grande e largo.

– Com menos bossas que boa parte das demais escolas que se apresentaram no Anhembi até aqui, a Ritmo Responsa, comandada por Mestre Allan, teve resposta integral dos componentes às convenções propostas. Como boa parte da escola como um todo, o pré-refrão mereceu atenção especial, com paradinhas que empolgaram os foliões.

– Os ritmistas, por sinal, não encerraram o desfile, como acontece com frequência no carnaval paulistano. Ao voltar para a pista, ainda haviam alas de passistas e até mesmo um carro alegórico.

– O ano de 2023 será o primeiro de Camila Prins como rainha da bateria da Colorado do Brás – antes, ela era a Rainha LGBTQIA+ da Ritmo Responsa. É a primeira transexual em tal posto no carnaval paulistano em toda a história.

– As tradicionalíssimas baianas estavam bastante sorridentes e girando bastante, com uma roupa bastante leve.

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