A Central Liesa de Atendimento e Vendas estará disponibilizando, no próximo dia 03 de fevereiro (sexta-feira), das 10 às 16 horas, a reserva de ingressos de Arquibancadas Especiais e Cadeiras Individuais através da internet – o endereço eletrônico será informado até o dia 30 de janeiro.
Foto: Divulgação/Riotur
Os ingressos reservados deverão ser pagos no dia 07 de fevereiro (terça-feira) no estande da Central Liesa, montado atrás do Setor 11, na Passarela do Samba, de 09 às 15 horas – entrada pela Av. Salvador de Sá. O pagamento será feito em dinheiro para a retirada dos ingressos (físicos). Os preços dos ingressos de arquibancadas variam de R$ 250,00 a R$ 300,00; os de cadeiras custam R$ 230,00.
Reserva de Arquibancadas Populares também via internet
No dia 08 de fevereiro (quarta-feira), de 10 às 16 horas, serão disponibilizados para reserva, na internet, os ingressos de Arquibancadas Populares – cujo pagamento será feito no dia 11 de fevereiro (sábado), também no estande da Central Liesa, atrás do Setor 11, no Sambódromo. O atendimento ao público será de 09 às 15 horas. Os ingressos populares custam R$ 15,00.
Camarotes e frisas – inclusive para o sábado das campeãs – estão esgotados.
A Mangueira pretende retomar em 2023 um casamento que já deu muito certo pra escola ao longo de sua gloriosa história. Ao realizar um enredo sobre a Bahia, a agremiação se encontra com sua própria identidade, além de trazer auspícios de carnavais vitoriosos que a escola produziu citando de alguma forma o estado. Em 1986, por exemplo, foi campeã na homenagem a Dorival Caymmi com o enredo “Caymmi mostra ao mundo o que a Bahia e a Mangueira têm”. Em outro desfile também vitorioso com temática relacionada a Bahia, em 1973 a escola venceu com o enredo “Lendas do Abaeté”. Os dois foram produzidos pelo carnavalesco Júlio Mattos. Para citar outros carnavais importantes da Verde e Rosa relacionados à Bahia, tem-se ainda o campeonato de 1933 com “Uma segunda-feira no Bonfim da Bahia” e o vice-campeonato “Exaltação à Bahia” de 1963.
Fotos de Divulgação/Mangueira
Responsáveis por resgatar esse relacionamento entre Bahia e Mangueira, a dupla de carnavalescos estreantes na Verde e Rosa, Annik Salmon e Guilherme Estevão, trouxe um outro elemento que há tempos vinha sendo requisitado pelos torcedores mangueirenses: a produção de um enredo com pegada afro. “As Áfricas que a Bahia Canta” pretende levar para a Sapucaí toda a musicalidade baiana através dos Cortejos Afros, enfatizando o lado feminino. O carnavalesco Gui Estevão conta que a ideia do enredo foi a junção de dois desejos presentes em cada um dos artistas que estão desenvolvendo o desfile da Verde e Rosa.
“O enredo nasce da união de duas ideias, minha e da Annik. Eu já tinha na gaveta a ideia de falar sobre a história dos Cortejos Afros do carnaval da Bahia, e a Annik quando veio à Mangueira tinha uma proposta relacionada ao feminino. Quando a gente se encontra, essas duas vontades se casam, não gratuitamente, porque, na verdade, dentro da história desses Cortejos, o protagonismo feminino sempre foi muito evidente, mas muitas vezes negligenciado pela própria história. A gente conseguiu potencializar a força dessas mulheres para além dessa visão que é sempre ligada no carnaval em geral da mulher como elemento visual, o interesse sexual, mas entender a mulher na potência criativa, líder, construtora de projetos culturais como são esses Cortejos”, explica Guilherme.
O enredo é bastante amplo e busca de uma forma concisa apresentar uma cronologia da história dos Cortejos Afros da Bahia, fazendo uma conexão entre eles. Guilherme Estevão explica que a narrativa começa antes mesmo da abolição da escravidão no país.
“Partimos do período ainda escravocrata no Brasil, todos esses primeiros cortejos carnavalescos, partindo para os Cucumbis, por exemplo. O que acontece é que cada cortejo se torna uma consequência do cortejo de tempos anteriores, porque é um processo de luta para a realização dos cortejos. É uma disputa de direitos sociais para brincar carnaval de uma população negra, talvez na cidade mais negra do país. É uma dicotomia muito louca neste processo, que é intenso, de luta, e a gente mostra com a alegria do carnaval. A gente traça essa cronologia partindo do período escravocrata, logo depois um período pós abolição em que os direitos da mulher e do negro ainda não eram garantidos, inclusive o direito de brincar carnaval, todas as proibições que aconteceram nessa primeira metade do século XX. O processo de reafricanização do carnaval baiano se dá no início com os Afoxés e depois com os blocos afros. Essa expansão vem de fato dessa negritude baiana dentro do carnaval a partir do axé da baianidade e da musicalidade contemporânea”, esclarece o carnavalesco.
Guilherme conta que a história é tão ampla que se o artista decidisse ir a fundo em cada bloco afro citado no enredo daria para fazer um desfile para cada uma dessas instituições.
“É de fato uma história ampla que caberia mais uns dez enredos dentro desse enredo. Se eu quisesse seria possível fazer um enredo de cada um dos blocos afros. Muita coisa teve que ser peneirada para essa cronologia ser traçada, mas de alguma maneira a partir dessa perspectiva de desenvolvimento, a gente consegue de fato dar a pincelada geral em tudo o que foi desenvolvido dessa história a partir desse período escravocrata até a contemporaneidade”, acredita Guilherme Estevão.
Viagem à Bahia é fundamental para início do processo de criação plástica
Ainda no início do desenvolvimento do enredo para 2023, no mês de julho, Annik e Guilherme partiram em missão até a Bahia para absorver mais conhecimento sobre o tema e achar um norte para guiar a parte estética do desfile. No período em que estiveram no estado, a dupla, acompanhada de uma comitiva de profissionais da Verde e Rosa, visitaram, entre outros lugares, a Casa do Olodum, a Casa do Carnaval da Bahia, o Candeal, a sede dos Filhos de Ghandy. Durante o período de pesquisa houve reuniões com os principais presidentes e diretores dos blocos afros da Bahia como Ilê Aiyê, Commanches, Capoeira, Malê Debalê, Muzenza, entre outros. Guilherme Estevão contou ao site CARNAVALESCO que a passagem pela Bahia foi fundamental para que os carnavalescos definissem muita coisa do projeto.
“Nós planejamos que só iríamos começar a traçar de fato o plástico do desfile depois da viagem à Bahia e de fato foi a melhor coisa que fizemos. A viagem foi extremamente enriquecedora, primeiro que a gente bebeu direto da fonte. Nós conseguimos ter encontro com mais de quatorze blocos afros, com mais de seis Afoxés, com lideranças históricas, com personagens importantes dentro da história desses cortejos afros, além do contato visual artístico”, revelou o carnavalesco.
Annik lembra que a viagem à Bahia ajudou a dupla também a perceber que estavam no caminho certo em relação à escolha do enredo.
“Foi uma visita corrida, mas a gente teve encontros emocionantes. A Bahia é verde e rosa. Todo mundo que a gente encontrava dizia ‘eu sou mangueirense’. Eles foram muito carinhosos e diziam que estavam aguardando o momento que a Mangueira falasse deles. E isso deu ainda mais ânimo e motivação para gente e a certeza de ter acertado no tema do enredo”, conta Annik.
Um ponto fundamental para o trabalho foi a relação estabelecida com o artista plástico Alberto Pitta, que há mais de trinta anos desenvolve pesquisas e criações artísticas do que hoje se conhece por estampas afro-baianas, utilizando de símbolos, indumentárias e adereços dos orixás como fonte de inspiração. Pitta está na história dos blocos afros e vem desenvolvendo publicações a respeito do tema, como explica o carnavalesco Gui Estevão.
“Dentro das nossas pesquisas, chegamos a uma gama visual muito grande que foi aberta pra gente, além dos contatos que a gente estabeleceu, por exemplo com Alberto Pita, que talvez seja o principal estampador do país, artista plástico e um cara que marcou a história dos blocos afros ao desenvolver essa história pelos tecidos dos blocos, e ele estava coincidentemente desenvolvendo um livro que fazia essa cronologia dos Afoxés e de blocos afros. Foi uma fonte muito importante para nós porque ele disponibilizou o livro antes de ser lançado. Foi por isso que a gente conseguiu referenciar o trabalho artístico da Mangueira todo em cima da arte de vários artistas baianos no seu determinado período histórico. Essa cronologia dos cortejos de alguma maneira também acompanha uma cronologia artística da Bahia”, esclarece Guilherme.
Verde e Rosa dará o colorido do desfile mas não estará de forma exclusiva na paleta de cores
Uma das grandes questões que permeia a cabeça do mangueirense é o uso das cores da escola tão singulares no mundo do samba, e até mesmo fora dele. No último carnaval quando homenageou três de seus baluartes, o verde e o rosa estiveram presentes em todo o desfile, em vários tons e de forma bastante expressiva. Para 2023, a dupla de carnavalescos Annik Salmon e Guilherme Estevão sabem da necessidade de cuidar bem desse patrimônio e identidade da escola, mas não se furtam ao cuidado com a temática do enredo e suas características próprias, como coloca Gui Estevão.
“O carnaval todo vai ter verde e rosa, mas não dá para ser exclusivamente verde e rosa, porque a gente está falando de Bahia, a gente está falando do carnaval baiano, e cada uma dessas instituições que são abordadas possuem suas cores. O verde e o rosa convidam outras cores ao longo do desfile, mas a gente está sempre pincelando o verde e rosa junto com essas cores”, entende o carnavalesco.
Guilherme traduz de que forma a paleta de cores será usada neste próximo carnaval da Mangueira. “Dentro do movimento dos blocos afros há uma ligação muito forte com o samba-reggae, com a tradição jamaicana, por exemplo, que tem as cores do verde, do amarelo e do preto. Isso também é pincelado. Você tem vários Afoxés que são ligados a determinados orixás que têm suas cores que predominam. Nesse sentido, a Mangueira respeita todas essas cores, assim como respeita as cores da nossa escola e a gente combina tudo isso dando um colorido bem mais amplo nesse carnaval da Mangueira”.
Processo criativo tem participação dos dois artistas
Quem entra no barracão da Mangueira percebe os carros aparentemente maiores que no carnaval passado. A escola teve em seus dois artistas estreantes participação similar na produção criativa do desfile. A carnavalesca Annik Salmon conta que o carnaval foi pensado para que de forma homogênea as singularidades de cada profissional se unissem e dessem forma ao desfile, mas respeitando principalmente as características da própria Mangueira.
“Desde o início a gente já tinha um acordo de que em todo o processo a gente iria participar, um instigar o outro a fazer junto. Está sendo uma parceria maravilhosa, viramos amigos e confiamos um no outro, posso dizer que realmente existe aqui uma dupla, e uma parceria mesmo, um fiel ao outro. E com pensamentos bem próximos em termos artísticos. O que um pensa, o outro vai e completa. O que um cria, a gente vai lá e complementa. Acho que será um trabalho artístico que vocês verão na Avenida que é do Guilherme e da Annik. Vocês não vão ver uma fantasia e dizer que essa é a cara do Guilherme, ou essa é a cara da Annik. Vai ser a cara dos dois e da Mangueira. A proposta é para ser identidade da Mangueira”, define a carnavalesca.
Annik também aponta que desde o início a dupla sentiu uma química boa para o trabalho, com processos de produção bem parecidos um com o outro, mas também sabendo respeitar as habilidades mais singulares que cada um possui.
“Quando a gente estava ainda se conhecendo, ficamos bem abertos um com o outro. Até o processo de trabalho nosso era bem parecido. A gente desenha, desenvolve enredo, cria e executa fantasia. Só que cada um tem habilidade para algumas coisas. Por exemplo, o Guilherme faz tudo de desenho de planta, de alegoria no 3D, e o meu já é na mão. E no 3D é tudo muito mais rápido. Quando a gente chegou no processo de alegoria, pensamos a alegoria juntos, e ele foi para o computador e fez o desenho no 3D. Enquanto isso, eu já estava desenhando os destaques a mão, porque, fantasia nós gostamos de desenhar a mão. E a gente desenhava e discutia. E todo o processo de criação das alas antes, a gente fez junto, tudo a lápis, eu desenhava um setor e ele outro, e a gente trocava, cada um olhava a fantasia do outro e via o que poderia acrescentar. Realmente foi um processo criativo a quatro mãos, com duas mentes pensantes ali em cima”, afirma Annik.
Compartilhando bastante do processo de criação, a dupla agora consegue se dividir melhor até para otimizar o trabalho desenvolvido no barracão da Mangueira.
“A divisão agora, quando a gente chegou nessa parte que já desenhamos, já criamos, já desenvolvemos, e estamos só na execução, já conseguimos nos dividir um pouco. Eu fui resolver um negócio e ele começou dando entrevista primeiro. Eu tive que hoje ir na rua ver um material que estava faltando e ele ficou para tocar as coisas do barracão. Ontem foi ele que foi na rua. Agora conseguimos fazer essa divisão”, conta a carnavalesca Annik Salmon.
Carnavalescos acreditam que grande trunfo é a sua conexão com o mangueirense
Em um ano de grandes mudanças na Verde e Rosa, com diretoria e presidência novas inclusive, fica a expectativa do mangueirense sobre como a escola vai chegar na Sapucaí. Expectativa também enorme em relação ao novo projeto artístico, início de um novo ciclo, podemos dizer assim, afinal os últimos seis carnavais foram produzidos pelo carnavalesco Leandro Vieira que hoje está na Imperatriz. E se não tivesse tudo isso, há ainda o enredo. A Mangueira não levava uma temática com pegada afro para Sapucaí já há muito tempo. Mas é de se imaginar também que o enredo seja especial por ter muita relação com aquilo que o mangueirense sonha para a sua escola.
“Eu acho que o trunfo do enredo da Mangueira é ele de fato combinar características que formam a própria Mangueira, a identidade do mangueirense. A gente está trazendo um enredo que é negro, que enfatiza o protagonismo feminino, é um enredo nordestino e baiano, é tudo aquilo que a Mangueira gosta. A Mangueira gosta de sair com Bahia, a escola estava carente de um enredo que tivesse uma abordagem realmente voltada à história afro-brasileira. A Mangueira tem essa festividade e essa baianidade já entranhada no DNA, não é à toa a Tia Fé, não é à toa a Mangueira nascer das mãos de uma mulher baiana. E a escola tem a tradição de cantar a Bahia de diversas formas, essa é mais uma Bahia diferente de todas as outras Bahias que a Mangueira trouxe, mas é mais uma vez um olhar da Mangueira sobre a Bahia”, entende Gui Estevão.
A carnavalesca Annik Salmon vai além e cita outros fatores até externos ao seu trabalho e ao de Guilherme para apontar que há a expectativa por um grande carnaval.
“Tem vários pontos. É difícil falar um único. Acho que começa pela temática de enredo, a escolha que a gente fez, é um tema que é a cara da Mangueira. E é um tema que foi pedido pelos torcedores, pelos mangueirenses. Mais o fato de ser uma temática alegre, que traz cor para a Mangueira, um colorido. Vindo com isso, nós temos um samba que acho que é o melhor samba do carnaval, e não acho por estar aqui. A gente tem um samba que levanta a galera, que todo mundo está cantando. Quando a Mangueira entrar tocando esse samba já vai levantar todo mundo. Plasticamente estamos vindo com uma estética diferente dos últimos anos, resgatando coisas bem antigas na Mangueira”, revela a carnavalesca.
Por fim, Guilherme diz que esse novo momento da Estação Primeira já se reflete no mangueirense e fala de um retorno muito positivo que os carnavalescos vem recebendo da comunidade desde que o enredo foi anunciado em junho.
“A escola está muito feliz. A safra de sambas da escola foi a maior do Grupo, do país. O samba da escola é um dos melhores do ano. Quando você de fato atinge o coração do componente, pela maneira como ele quer se ver, ouvir, vestir, sambar, é o grande trunfo. E mais do que encontrar o coração do mangueirense, quando a gente foi na Bahia, a gente encontrou o coração do baiano. Eles falaram pra gente na visita, que estavam esperando o momento que a Mangueira fosse contar a história deles, a história dos blocos afros, aquilo pegou muito forte na gente, pois era um sinal de que estamos no caminho certo. E de fato acredito que estamos”, finaliza Gui Estevão.
Conheça o desfile da Mangueira
A Estação Primeira de Mangueira vai levar para a Sapucaí 5 alegorias e terá cerca de 3200 a 3500 componentes. Guilherme Estevão revelou como está dividido cada setor. Confira a divisão apresentada pelo carnavalesco e sua representação a partir de trechos da sinopse de “As Áfricas que a Bahia canta”:
Primeiro Setor – Cucumbis “Negros iam as ruas em dia de folia, desafiando toda perseguição, entoando cantares nativos, contando a saga daqueles que, infelizmente, sucumbiram pela escravidão.Faziam festa para a sua preta rainha em forma de cucumbis, trazendo, a frente, um cortejo de rotins, afugentando todo mal que pudesse estar por ali”.
Segundo Setor – Clubes Negros “Era proibido “ser” africano na Bahia, mas, em dias de folia, a fantasia era ousada, com muita sabedoria se esquivavam da chibata da polícia que insistia em esquecer em que tempo estava. Seguindo a tradição preta de cortejos, se organizaram em Clubes Negros, a disputar as ruas com a burguesia, em forma de arte, protestavam contra os açoites e a serventia”.
Terceiro Setor – Afoxés “Mas nada era mais intenso que a união do gueto, a rua e a fé, andando a pé pela cidade. Do terreiro do Engenho Velho, o céu dos orixás intervia ao unir a arte, a religiosidade e a fantasia, levando os livres toques de ijexá pelas ladeiras e avenidas. Preparava-se o padê para que Exu mensageiro fosse ligeiro abrir os caminhos para passar o Afoxé”.
Quarto Setor – Blocos Afros “Os blocos afros reconstruíram a identidade de um povo, que passa a ter ainda mais orgulho de sair na folia a cantar, de fazer a terra tremer, pois o vulcão da Bahia é tambor de Ilê Aiyê”.
Quinto Setor – Baianidades e o Axé Contemporâneo “Salvador se agita no negro toque do agogô, nas quebradas com a pele pintada, nas estampas de faraós, na pipoca do trio, nos tambores do Pelô. Na mistura do Timbalada, dos sambas de roda, reggae e tantos sons que dão o tom à baianidade Nagô”.
A Camisa 12 abriu a maratona de seis dias seguidos de ensaios técnicos no Sambódromo do Anhembi nesta terça-feira, em preparação para os desfiles do Grupo de Acesso II. Com destaque para a bela e criativa Comissão de Frente, a Pantera realizou ensaio regular, podendo melhorar em especial o quesito Harmonia. A escola será a 11ª a desfilar no dia 11 de fevereiro com o enredo “Da inclusão à superação. Todos somos iguais. Sou um Campeão”.
Fotos: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO
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Fotos: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO
Comissão de Frente
A Camisa 12 abre seu desfile apresentando as aventuras de Mogli, o menino-lobo, na selva da diversidade. Com dez componentes, o protagonista, representado por um menino trans, desvenda esse mundo de várias cores apresentado pelo enredo da escola, formado pelos demais dançarinos, ao longo de uma passagem do samba. Assistir a apresentação sem as fantasias atiça ainda mais a curiosidade para o desfile oficial, levando em consideração a boa execução de movimentos do conjunto e a expressividade do ator principal.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Luan Camargo e Mari Santos realizaram um treinamento focado aparentemente na sincronia de movimentos, que foram bem executados. Falta praticar mais a velocidade na dança da dupla, afinal a diversidade de movimentos foi ampla e agradável de se ver. O vento foi outro elemento que atrapalhou em alguns momentos, e pode ser levado em conta nos treinamentos futuros.
Harmonia
O canto da Camisa 12 teve altos e baixos. No primeiro setor, muitas alas quietas, com pessoas até mesmo conversando entre si. Isso é perigoso e precisa ser mais cobrado dos componentes nos ensaios de quadra. O canto evoluiu ao longo da passagem pela Avenida, com destaque para a ala de passistas, que vem falhando nesse aspecto em outras escolas, mas em um concurso tão disputado não se pode dar ao luxo de abrir mão da nota de um jurado.
Evolução
Um bom ensaio do quesito Evolução no geral. A escola fluiu bem e soube elaborar uma boa estratégia de entrada no recuo de bateria. Os ritmistas inverteram suas posições ainda dentro da pista, e entraram de forma que já ficassem prontos para sair ao fim da passagem. O treinamento da Camisa 12 foi encerrado com 46 minutos, e mesmo que o contingente fosse menor do que o estimado pela escola para o desfile oficial, ainda sobra tempo para analisar no próximo ensaio previsto.
Samba-Enredo
Em mais um carnaval com samba assinado por Dudu Nobre, a Camisa 12 tem em mãos uma obra leve e de fácil assimilação, que ajuda na criação de bossas pela bateria. O canto pode ser melhorado nos próximos ensaios levando esse trunfo em consideração.
Outros destaques
A noite foi delas! Destaques de chão dançaram com entusiasmo, mostrando que poderão contribuir positivamente para ilustrar os diferentes segmentos da escola. A Rainha de Bateria Tatá Soares está em grande harmonia com a bateria “Ritmo 12”, com direito a dança no meio dos ritmistas.
A Camisa 12 traz para o Sambódromo do Anhembi em 2023 um enredo cada vez mais necessário em uma sociedade tomada pelo preconceito e violência contra minorias, mas é preciso levar mais os valores desse importante tema para seus componentes. Todos são em algum grau atores da grande ópera chamada Carnaval, e quanto mais fazerem seu papel melhor a mensagem será transmitida.
A Estrela do Terceiro Milênio realizou na noite de terça-feira o seu primeiro ensaio técnico visando o carnaval de 2023. Foi a primeira vez que a agremiação do Grajaú pisou no sambódromo do Anhembi como uma escola do Grupo Especial. A comunidade cantou muito. Foi praticamente um grito de libertação após tantos anos brigando para se estruturar e atingir tal feito. O destaque também fica para a comissão de frente, que foi de simples leitura, mas de grande riqueza teatral. Interações com o público e humor definiram bem como a Terceiro Milênio pode abrir o seu desfile e contar o enredo. A bateria com as bossas e paradinhas do mestre Vitor Velloso também chamaram a atenção no treino.
Fotos de Fábio Martins/Site CARNAVALESCO
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Fotos de Fábio Martins/Site CARNAVALESCO
“A gente fez o primeiro para ver a parte técnica como estava. Hoje a gente se preocupou com o canto, bateria e todos os itens técnicos para poder analisar. Nós filmamos, vamos para casa, assistir com calma, avaliar e ver o que podemos melhorar para chegar no próximo mais arrumado, mas estava dentro do que a gente esperava. A comunidade chegou em uma véspera de feriado e, agora, a ideia é chegar sábado melhor ainda. A gente está trabalhando muito no canto da comunidade do Grajaú. O que vocês viram hoje, para nós não é surpresa. A escola está cantando muito, mas tem que cantar mais. A verdade é que a gente está tendo uma disputa dura. Tem vários concorrentes com a gente. Nós estamos trabalhando isso nos ensaios de quadra, de rua e não é surpresa. Agora temos que melhorar mais”, avaliou Carlão, diretor de carnaval da agremiação.
Comissão de frente
Foi um dos destaques da escola no ensaio. A ala interpreta totalmente o que é cantado no samba. E tudo isso é feito de forma teatral e humorística. Os integrantes interagiram com o público e, dentro das encenações, simularam intensos risos uns com os outros. Pode até não ser, mas aparentava comportamentos de palhaços. Também havia uma criança enfrentando a censura e a repressão. Aparentemente, no dia do desfile, a comissão também irá se fantasiar de personagens humorísticos conhecidos. As danças foram feitas em grande parte no tripé com escadas que a ala irá desfilar.
Fotos de Fábio Martins/Site CARNAVALESCO
Harmonia
O canto da comunidade do Grajaú ecoou muito forte no Anhembi. As alas da escola são bastante comprometidas com essa questão e sempre se dedicam ao máximo. Nesta noite não foi diferente. Houve até paradinhas de bateria e carro de som para avaliação. Dentro das próprias alas tudo ocorreu dentro dos conformes e como já prometido. Porém, houve irregularidade entre uma ala e outra dos setores. A ausência do carro de som atrapalhou demais o andamento do samba para os componentes de algumas alas. Enquanto um setor cantava, outro estava em sintonia diferente. Mesmo com a comunidade tendo o hino na ponta da língua e bradando forte, os integrantes da agremiação devem se atentar a essas questões.
O diretor de harmonia, Japa, avaliou o ensaio e aprovou o desempenho. “A gente veio fazer um teste no Anhembi onde ensaiamos há meses na nossa quadra e avaliar como está a nossa escola. Olhando a nossa parte de harmonia e evolução, foi muita boa. Agora a gente vai assistir os vídeos. Não estamos em todos os pontos da escolas. Vamos conversar, avaliar e chamar todo o time de harmonia para ver cada setor, mas olhando em um todo, acredito que a gente tenha alcançado o objetivo hoje. Nós cantamos alto, o objetivo é esse. Não deixar o samba cair”, disse.
Mestre-sala e Porta-bandeira
O casal Daniel de Vitro e Edilaine Campos fizeram um ensaio seguro. Juntos, a dupla estreou no solo do Anhembi. Executaram os movimentos horário e anti-horário e, o principal, o sorriso no rosto e a simpatia de ambos chamaram a atenção no treino. Esbanjaram felicidade em estampar o pavilhão da Estrela do Terceiro Milênio neste primeiro ensaio técnico como uma agremiação do Grupo Especial. Dentro da coreografia, fica o destaque para o verso “minha coruja voar ao infinito”, onde o casal fazia o movimento de voo de forma sincronizada.
Evolução
Se as alas cantaram bastante, a comunidade evoluiu no ritmo delas. Todos os componentes dançavam de um lado para o outro e pulava na explosão do refrão principal. Entretanto, a escola teve pequenos problemas de alinhamentos das fileiras em algumas alas. Especialmente no último setor. O próprio departamento de harmonia era obrigado a corrigir tal posicionamento em alguns momentos. Os componentes não fazem nenhuma coreografia dentro do samba. Pode ser uma estratégia para deixá-los à vontade no canto e na própria evolução como desfile em si.
Samba-Enredo
Vale ressaltar que esse samba não era o preferido entre os dois finalistas por grande parte da comunidade. Porém, a obra cresceu muito nas vozes de Bruno Ribas e Grazzi Brasil, logo caiu nas graças dos componentes e foi abraçado. Em 2020, Grazia fez parceria com o intérprete Pitty de Menezes, que se desligou. Mas a diretoria da escola foi certeira em escolher o experiente Bruno Ribas para sucessor o então cantor da Imperatriz Leopoldinense. Ambos estão mostrando grande sincronia e fazendo os famosos ‘cacos’ na hora certa. Sem atrapalhar um ao outro. As partes mais cantadas do samba são os últimos cinco versos que são emendados com o refrão principal.
“Estamos em um trabalho bem intenso. Muito lindo, mas pode ficar melhor ainda, é claro. Todos nós, é um processo. Mas quando chegar no dia tudo vai dar certo, se Deus quiser”, declarou a intérprete Grazzi Brasil.
Eu discordo dela. Eu discordo pelo seguinte. Todos estão muito bem preparados, todos já vem numa fluência de ensaios há pelo menos cinco meses, e o que precisava alinhar foi alinhado ontem. Todo mundo foi para o estúdio, houve um bate-papo. Eu não pude estar, mas a Grazzi estava lá, bateu um papo legal, foi muito bom. O grupo é muito unido, é muito leve, todos aqui são amigos. Não há um domingo que a gente não saia para comer juntos. Saímos do ensaio na quadra e vamos comer juntos. Que não pare para bater um papo. Então é um grupo muito coeso”, completou a sua dupla, Bruno Ribas.
Outros destaques
A bateria ‘Pegada da Coruja’, sob o comando do mestre Vitor Velloso, teve um grande desempenho neste treino. O mestre comandou a batucada para fazer várias bossas em determinados momentos da pista.
O diretor de bateria falou sobre o ensaio. “É um momento muito importante por todos nós da comunidade. Estreia no Especial, primeiro técnico geral pelo Especial. E bateria estamos ensaiando há muito tempo, e hoje foi um dia que serviu para quebrar o gelo também. Todo mundo estava bem ansioso, o gelo foi quebrado, conseguimos entender algumas coisas que a gente vinha fazendo na quadra. Então tem que mexer em algumas coisinhas ali e aqui. Mas no geral foi muito bom, bacana, aproveitar e mandar um beijão para toda comunidade que fez um belo ensaio e um abraço para o presidente Silvão que fortalece o trabalho, diretor Carlão e Japa, enfim, geral da escola que apoia o trabalho”, avaliou.
Vitor também revelou a quantidade de bossas e as paradinhas realizadas. “Isso daí são as aventuras do nosso diretor de carnaval (apagão longo), o Carlão, então todo ensaio técnico ele faz isso daí para ver como está a escola, para ver o canto, se está legal, bacana. É um diferencial da Terceiro Milênio. Estamos fazendo desde 2020, e é isso, foi um apagão que deu para perceber que a escola está cantando bem. Temos cinco bossas. O apagão inteiro não vai para o desfile, vai um apagão antes do refrão de cabeça, que é menorzinho, pega da entrada do refrão de cabeça para a primeira parte do refrão, quando vira no bis do refrão, a bateria volta”, completou.
A estreia da nova madrinha de bateria, Carla Diaz, foi cercada de expectativa. Houve ótima sinergia entre ela, bateria e a comunidade e, além disso, Carla cantou bastante alguns trechos do samba. Está aprendendo aos poucos, mas não tirou o sorriso do rosto.
Após o belo carnaval apresentado ano passado na Marquês de Sapucaí não levar a Unidos da Tijuca de volta ao desfile das campeãs, alguns tijucanos mostram superação e cabeça erguida na busca do sucesso no Sambódromo, mas ainda há aqueles que estão ‘mordidos’.
Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO
No ensaio técnico na Passarela do Samba, a voz da arquibancada e dos componentes se uniram, mostrando que da parte deles, folego, garra e entrega não faltarão m busca de um desfile ainda melhor. Em entrevista ao CARNAVALESCO, componentes da Unidos da Tijuca falaram sobre a ferida deixada pelo último carnaval e o sonho de retornar ao desfile das campeãs, algo que não ocorre desde 2016 – época em que realizou o feito pela sétima vez seguida (2010-2016) – além do que estão preparando na tentativa de voltar a ficar entre as seis.
Anderson Silva, de 25 anos, é passista da escola e não escondeu a angústia de ter ficado de fora, mas acredita que a Tijuca está vindo para surpreender no Sambódromo.
“Com certeza, estou mordido. Eu acredito que a gente deveria ter ido ao desfile das campeãs, mas acontece. Carnaval é isso mesmo. Vamos mostrar que estamos prontos para voltar e voltar a brilhar como sempre fizemos. Acredito que a Unidos da Tijuca vai fazer um desfile bem diferente do que ela costuma trazer. Acho que a Bahia vai trazer um outro aspecto para a Tijuca que ninguém está esperando”, afirmou Anderson.
Ainda na conversa, o passista disse acreditar que a Unidos da Tijuca se encontrou. Para ele, investir em enredos que enaltecem a cultura brasileira é o segredo para vir com tudo na Avenida, e também revelou o que ele acredita ser o trunfo para o sucesso.
“O resgate dos enredos culturais, enredos que valorizam a nossa cultura era o que faltava. No ano passado, com a lenda do guaraná, e neste ano, com a Bahia, a gente viu que a Unidos da Tijuca está conseguindo se renovar. Com certeza a gente vai conseguir voltar a brilhar. O trunfo será o canto da nossa comunidade, que está cantando muito. Esse ano eu tenho certeza que os jurados não terão motivos para tirar o nosso ponto”, confiante, completou Anderson.
Já Adriana Dorico, que tem 52 anos e desfilará na ala 18, disse estar magoada com o resultado do ano passado e foi um pouco mais polêmica ao dizer o que faltava para que a agremiação chegasse ao sucesso. Rindo, ela declarou que o segredo para um bom desfile seria força de vontade e… “retirar os estrangeiros que desfilam na Tijuca”.
“Fizemos um belíssimo desfile e mesmo assim não levamos nada. Não teve erros, fomos perfeitos. Para o sucesso precisamos de garra, coragem, mais dedicação e menos gringos – porque a gente tem que gritar por eles, que nem o samba sabem (risos)”, disse Adriana.
Adriana completou dizendo que não existe trunfo, mas sim fé, amor e dedicação para entregar um lindo desfile e buscar mais um título. “Só Deus. Não tem carta na manga. É fazer um belíssimo desfile, vir confiante, o povo cantar o samba, muito samba no pé e rumo a vitória. A expectativa é que a Unidos da Tijuca será a campeã deste carnaval”, concluiu Adriana.
Há quem disse ter superado. O famoso “passado é passado”. Dona Noelma Luiza, de 58 anos, acredita que não falta nada para um bom desfile. Já o trunfo, é segredo para ser revelado somente na avenida.
“Vida que segue. Ano passado ficou para trás. Esse ano é outra coisa. Eu acho que não falta nada para o desfile. Na verdade, só falta um olhar melhor dos jurados, porque a escola está ótima”, confessou Noelma.
Mordidos ou não, os tijucanos deram um show no ensaio técnico e prometem fazer o mesmo na Sapucaí. A Unidos da Tijuca irá desfilar no domingo de carnaval, sendo a quarta agremiação a entrar na avenida.
O intérprete Leonardo Bessa volta para São Clemente para integrar o carro de som da escola no Carnaval 2023. Leozinho Nunes segue como cantor oficial da agremiação. Veja abaixo a publicação de Bessa sobre o retorno. A São Clemente levará para Avenida o enredo “O Achamento do Velho Mundo”. O desenvolvimento é do carnavalesco Jorge Silveira.
Foto: reprodução / Instagram
“Obrigado presidente @renatinhosaoclemente por esse presente que foi o seu convite para integrar o carro de som da escola que me lançou como interprete no carnaval lá em 2002. E com muito orgulho em apoiar esse jovem talento, que já é uma realidade, o intérprete oficial @leozinhonunesoficial e emprestar um pouco da minha experiência ao logo desses meus quase 20 anos como interprete no carnaval. Vai ter Bessa na Sapucaí sim e em preto e amarelo… Não é uma volta pra casa, pois eu sempre estive lá desde 1992… Obrigado São Clemente!!! Tá bom???”
Uma semana depois do lançamento da Nova Intendente, a Prefeitura do Rio deu o pontapé inicial para a organização operacional do desfile dos blocos de enredo e das escolas de samba na nova passarela da Avenida Ernani Cardoso. Uma primeira reunião, coordenada pela Subprefeitura da Zona Norte, foi realizada entre os órgãos municipais envolvidos no evento, as polícias militar e civil e o Corpo de Bombeiros junto com a Superliga Carnavalesca do Brasil, entidade que faz a organização artística do desfile das escolas das Séries Prata e Bronze e do Grupo de Avaliação.
Foto: Divulgação/Prefeitura do Rio
“Seguimos o plano operacional da Sapucaí, que vem dando certo durante muitos anos. Reuniões semanais que geram visitas em campo para ter o ajuste fino. Vamos ensaiar muito para ganhar um 10 na avenida”, disse o subprefeito da Zona Norte, Diego Vaz.
Nessa primeira reunião, foram discutidos assuntos como a questão da iluminação, a forma e quando serão efetuadas as interdições de trânsito no entorno da passarela e até mesmo o recolhimento do lixo.
“Queremos causar o menor impacto possível para a região ao mesmo tempo em que vamos facilitar a vida das agremiações, dos desfilantes e do público interessado. Por isso, começamos esse alinhamento com os órgãos a fim de que as ações ocorram de forma ágil para que todos fiquem satisfeitos”, afirmou Vaz.
Junto com a subprefeitura da Zona Norte, representaram o Município a Riotur, a Guarda Municipal, a Mobi Rio, Rio-Luz, a Comlurb e a Cet-Rio, além das secretárias de Transportes e de Conservação.
Na próxima semana, está marcada uma nova reunião da qual sairão as primeiras decisões. Na ocasião, a Superliga apresentará seu planejamento operacional para a Prefeitura, com horários das saídas das alegorias dos barracões e que trajetos elas vão cumprir até chegar à Ernani Cardoso.
“Será um evento de grande porte. Estamos dando a devida importância operacional para que tudo ocorra em plena normalidade”, concluiu o subprefeito.
Quando dava seus primeiros passos como cantor mirim no começo dos anos 2000, Luiz Fellype de Menezes Alves, no seu subconsciente já se projetava para voos maiores. Pitty de Menezes como é conhecido hoje, tem formação musical gospel, toca saxofone e é uns dos intérpretes mais elogiados da nova geração do carnaval. Atuando pela escola Virando Esperança, escola mirim da Viradouro, o garoto foi destaque nos primeiros ensaios. Como todo intérprete tem que ter seu grito de guerra, quando foi gravar o samba em 2007, ele ainda não tinha pensado em nada para o momento, só falava que o seu sonho teria virado realidade, e assim Pitty de Menezes contou como nasceu o seu famoso grito de guerra.
Foto: Nelson Malfacini/site CARNAVALESCO
“Começou na escola mirim da Viradouro. Na minha vida eu sempre coloquei metas e realizações, sempre acreditei que a gente pode realizar sonhos, para isso, tem que correr atrás ser determinado, ter dedicação e humildade que a gente chega e realiza. Como disse antes começou lá na escola mirim no dia que fui gravar o samba em 2007, quando me falaram que precisava gravar o grito de guerra, eu falei: ‘Gente eu não tenho grito de guerra, mas hoje o meu sonho está se tornando realidade. Começou daí, ‘O sonho virou realidade'”.
Ao longo de sua carreira Pitty de Menezes teve grandes inspirações o saudoso Dominguinhos do Estácio foi quem o levou para cantar pela primeira vez no carro de som da Viradouro, porém ele se inspira também em outros grandes nomes do carnaval carioca e não mensurou palavra de admiração para falar de alguns que foram e são importantes para sus carreira.
‘’Minha maior referência todos sabem que é o Dominguinhos do Estácio. Foi o cara que mais me ajudou no carnaval, me levantou e colocou para cantar na Viradouro. Tenho outras também. O Tinga é um cara que dispensa comentários, Wander Pires, Gilsinho, grandes intérpretes”.
Ele falou mais sobre o Gilsinho, destacou sua afinação e fez grandes elogios ao intérprete da Portela. “O Gilsinho também é uma grande referência, agora que o Dominguinhos está no céu, eu acho que um dos caras mais afinados do carnaval do Rio de Janeiro. A gente tem que falar e deixar registrado isso, porque é um cara que é totalmente musical e exemplo para gente que está começando”.
Além de cantor de apoio na Viradouro, Pitty de Menezes passou por outras agremiações como, Unidos da Tijuca e Renascer de Jacarepaguá. Em 2019 foi convidado para dividir o microfone com Luizinho Andanças, na Porto da Pedra, já em 2020 assumiu o posto de intérprete onde pela primeira vez fez o desfile solo na Sapucaí.
Após o desfile de 2022 Pitty pediu seu desligamento da Tigre de São Gonçalo e foi contratado pela Imperatriz Leopoldinense, onde este ano fará sua tão sonhada e esperada estreia na principal categoria do carnaval carioca, o Grupo Especial. Ele falou o que isso representa para sua vida e a expectativa para esta estreia.
‘’Representa muito para mim, chegar no Grupo Especial é a confirmação de um sonho. Este sonho de criança que sempre almejou estar no palco por onde passaram grandes intérpretes, eu estou pisando na passarela do samba no grupo especial, para mim é tudo a realização desse grande sonho. Agora, eu estou ansioso para o grande dia”.
A escola da Leopoldina busca a reafirmação no carnaval carioca, detentora de 8 títulos do Grupo Especial, o último conquistado em 2001, e após um duro golpe em 2019 que foi seu rebaixamento. A Imperatriz voltou logo no ano seguinte ficando em 10° lugar. Pitty explica se esse é o momento certo da sua chegada para a agremiação e da expectativa para o carnaval de 2023.
“No geral é o momento certo, não poderia ser o momento melhor para eu estar aqui na Imperatriz. Acho que Deus faz tudo no momento certo. A escola está e vem forte é uma Imperatriz diferente, que vai arriscar pisar forte nessa avenida”.
Pitty de Menezes já conquistou muitos prêmios e vitorias na carreira, tanto como intérprete, quanto compositor. Ele foi bicampeão na disputa de samba na Mangueira em 2015 e 2016, também no ano de 2016 fez parte do grupo vencedor do samba da Unidos da Tijuca. Como intérprete, além de cantar no carnaval carioca ele também já se aventurou em outras cidades e estados chegando a cantar em Belém do Pará, Minas Gerais, onde conquistou o bicampeonato como melhor intérprete em 2010 e 2011.
Agora, no Grupo Especial, ele não esconde o desejo de conquistar títulos individuais, mas ressalta que o mais importante é a Rainha de Ramos. “A gente tem nossos sonhos e metas, se falar que não tenho sonho de ganhar vou mentir para você, eu quero ganhar prêmio. O meu maior foco é confirmar, poder continuar no Grupo Especial e ajudar a Imperatriz a conquistar o tão sonhado título, levar esse troféu para Ramos é o que mais quero. Prêmio individual é consequência do trabalho bem-feito na avenida”.
Uma equipe só funciona bem com entrosamento, respeito e amizade, ao longo de sua vida Pitty teve a companhia de pessoas especiais que cresceram se desenvolveram e começaram a carreira junto com ele é o caso de muitos integrantes da sua equipe de som, ele nos contou a relação e do dia a dia desse pessoal que o ajuda a levar o samba da Imperatriz. “A equipe do carro de som são três pilares que sempre vou levar comigo, pessoas totalmente profissionais, musicais e amigos, família porque meu carro de som é uma família. A gente conversa, brinca, sai todos os dias. Brigamos também e depois saímos para jantar e resolver essas situações é uma família mesmo, não canso de ressaltar isso. Somos amigos, se você for ver são pessoas que vieram comigo na escola mirim, o Jonathan Fragoso, Lucas Macedo, a Tati, crescemos juntos ela na escola mirim do Estácio, o Chicão também, ou seja, somos todos amigos e isso faz a diferença. Fica mais fácil trabalhar, a gente se entende no olhar. Foi dessa forma que montamos o carro de som”.
A recepção que Pitty de Menezes teve ao chegar na Imperatriz foi excelente. Em pouco tempo já estava ambientado e se sentindo em casa. Com humildade, sabedoria e trabalho ele conquistou uma sinergia enorme com a “Swing da Leopoldina”, do mestre Lolo. O cantor destacou como foi sua chegada e como foi esse encontro com a bateria da escola.
‘’O mestre Lolo é muito receptivo, assim que cheguei na Imperatriz ele me abraçou, olhou para mim e disse, tinha que ser você, vamos juntos e conquistar tudo. Ficou fácil, não tem vaidade ali na Imperatriz, se você for no barracão da escola vai ver alegria, leveza é muito leve trabalhar aqui, não sei nem como explicar, é bom, trabalho com prazer. A bateria me abraçou, cheguei lá já fui recebido com churrasco feito pelos ritmistas, ficamos lá conversando, comendo, essa bateria eu já admirava sempre fui muito fã é um estilo que eu gosto e não tem um segredo, tem a conexão sem vaidade. A gente faz com alegria, se pegar o vídeo do mini desfile vai ver essa alegria, com responsabilidade, mas todos brincando a Imperatriz vai fazer isso, um carnaval sério, mas vamos brincar na avenida e fazer que o publico venha com a gente para brincar também, carnaval é isso”.
A estreia oficial de Pitty de Menezes na Sapucaí vai acontecer na segunda de carnaval, a Imperatriz Leopoldinense será a 4° escola a se apresentar com o enredo ‘O aperreio do cabra que o excomungado tratou com má-querença e o santíssimo não deu guarida’, onde contará historia de Lampião através da literatura de cordel, e como diz o grito de guerra de Pitty de Menezes: “O sonho virou realidade”.
Comandante da “Não existe mais quente”, mestre Dudu conversou com o site CARNAVALESCO para a série “Entrevistão”. Confira abaixo o bate-papo completo.
Foto: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO
O que representa para você estar à frente da bateria da Mocidade?
Mestre Dudu: “Sou filho de mestre e a cada momento que eu estou na frente da bateria é como se passasse um filme na minha cabeça. A bateria que foi do Mestre André, do Jorjão, dentre outros, e seguir esse legado é de muita importância. Vivemos um momento diferente e precisamos nos enquadrar nas novidades e normalidades. A bateria da Mocidade é muito peculiar, cheia de referências, no carreteiro, tamborim, a afinação das caixas chocalhos, tudo muito rico. Fico muito feliz e lembro muito do meu pai, com esse peso todo na história da escola, penso quem sou eu… mas me sinto primeiramente muito honrado”.
Após tanto tempo no comando da bateria da Mocidade qual é o balanço que você faz do trabalho?
Mestre Dudu: “Estou indo para o meu 11º ano de bateria. Desde de 2011 para cá estamos fazendo muitas mudanças em afinações, levada de caixa, fizemos um trabalho muito maçante. Depois desse trabalho “naipeado” conseguimos entender a dificuldade de cada pessoa e naipes. Conseguimos afinar toda a bateria. O Carnaval de 2017 até hoje o trabalho da bateria só trouxe comentários positivos. O trabalho é árduo, mas eu acho que a Mocidade tinha essa troca de mestre constante e isso para mim danifica a bateria, não é assim que se faz. Finalmente, a bateria está sendo constante com uma pitada de mestre André e Jorjão”.
Em termos de ritmo, qual seu melhor desfile? E por qual motivo?
Mestre Dudu: “Confesso que em 2001 quando a bateria teve que raspar a cabeça, pois não era nada fácil para conquistar tal coisa. É muito marcante para mim. E em 2018 que mudou o comando e me marcou pois só mostra os ganhos e colheitas do que estamos fazendo desde esse “trabalho de formiguinha” que temos feito”.
Quem é sua referência na bateria, tirando o seu pai? E por qual motivo?
Mestre Dudu: “Sem sombra de dúvida o Odilon, que é muito meu amigo e era muito amigo do meu pai, ele que teve uma passagem brilhante pela Grande Rio. Eu sou um tipo de mestre que sou adpeto a cadência, e hoje eu fico feliz de ver todas as baterias fazendo um andamento para trás. A Mocidade fazia isso, e antigamente era considerado feio, e ver que hoje as baterias têm andamento para trás graças ao Odiilon, não tem como não citá-lo aqui. Outra referência também é Sombra, de São Paulo, da Mocidade Alegre, que também faz parte da minha família e por onde passo o menciono”.
E qual foi o desfile que você não gostou da bateria?
Mestre Dudu: “É difícil escolher, pois a bateria da Mocidade é sempre reinventada. Nos ensaios técnicos podem ter diversos problemas, mas durante o desfile em si a bateria realmente fala por si só. Não há um desfile que eu lembre que tenha tido um erro muito grave, somente o único em 2004 devido a chuva criamos uma bossa para um samba que era em cima dos surdos, e como havia chovido muito não dava mais como reconhecer as afinações”.
O que foi mais difícil quando você assumiu e teve que enfrentar o Grupo Especial do Rio de Janeiro?
Mestre Dudu: “Não encontrei dificuldade, assumo. Eu fui mestre na Unidos de Padre Miguel quando meu pai veio a falecer, e eu já tinha experiência na época. Quando eu cheguei na Mocidade de 2011 para 2012 foi mais tranquilo, só não tinha o suporte do meu pai. Até pensei em parar com o carnaval, mas continuei forte, preciso cumprir o legado dele. Fluiu bastante, ajustei muitas coisas do meu jeito, os ritmistas e outras áreas já conhecia bastante gente, diferente do acesso, onde fiquei pouco tempo, mas mesmo assim me adaptei bastante”.
E coreografias gosta que a bateria faça?
Mestre Dudu: “Acho uma característica única da Mocidade e é muito legal. Já botei o papel picado, de tudo e esse ano a bateria vai fazer dois lances diferentes na coreografia, o que eu acho muito bacana, mexe muito com o público. Na minha opinião, o desfile não é somente para os jurados como para com o público e os torcedores”.
O que você ainda sonha em fazer com a bateria, mas que ainda não conseguiu realizar?
Mestre Dudu: “Já me sinto uma pessoa realizada, porque de fato a bateria me mudou muito. Eu praticamente só comando a bateria somente com o olhar, se tornou muito fácil. Ainda sonho em fazer as coreografias bem elaboradas como a Mocidade Alegre faz com o mestre Sombra, como já citei que sou muito fã. Requer muito trabalho e tempo de ensaio, e como sabemos o tempo é curtíssimo. Parabéns para o Sombra e espero um dia chegar no nível dele, fazendo os caracóis, banda marcial, um dia quem sabe”.
Sobre fantasia, como foi até hoje a conversa com os carnavalescos que passaram pela escola e como está sendo agora com o carnavalesco para o desfile de 2023?
Mestre Dudu: “Nunca tive nenhum tipo de estresse com nenhum carnavalesco, eles sempre me deram muitas opções de escolha, os acordos são sempre bons. Atualmente, o Marcos Ferreira é bem flexível, sempre há conversa. Ele também já passou por uma escola grande como a Viradouro e já sabe como funciona. Fico muito contente que não houve estresse”.
Após tantos anos com o Wander Pires, como está o trabalho da bateria com o intérprete Nino do Milênio?
Mestre Dudu: “Wander dispensa comentários. Nino hoje em dia encaixou muito bem, no início ele era mais contido, mas hoje ele já se soltou muito mais. Sabemos que ele assumiu o microfone que era do Wander Pires, e imagino a responsabilidade que seja. Ele sofreu muito com as redes sociais, e a Mocidade é uma escola que tem torcedores que realmente se envolvem muito, que brigam e reclamam demais e ele precisa aprender isso. Eu mesmo já apanhei muito em rede social, mas hoje em dia demos a volta por cima com o nosso trabalho e é o que ele vem fazendo, desde o mini desfile ele já está se soltando. É notório que já está muito envolvido e domingo poderemos ver o resultado disso tudo”.
O que esperar tecnicamente da bateria da Mocidade em 2023? Mudou algo de 2022 para 2023?
Mestre Dudu: “Esperar pelo grande show, com uma bateria muito esperada, o tema Nordeste fica mais fácil de trabalhar, do baião, xote, frevo, forró. A bateria dará seu nome e tem dado há um tempo. A cada ensaio que passa as bossas vêm encaixando mais, se tornando mais precisas, está tudo bem confortável e esperamos que a escola. Pelo menos eu sei que a bateria será muito comentada nesse carnaval.