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Especial Barracões SP: No ritmo do xaxado, Mancha Verde almeja o tricampeonato

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Na continuação da série “Barracões” o site CARNAVALESCO visitou o barracão da Mancha Verde e conheceu o projeto da escola para o carnaval de 2023. Diferente dos últimos anos, a agremiação vai seguir uma linha diferente de enredo e apresentará um tema nordestino. A atual campeã do carnaval paulistano tem o enredo intitulado como “Oxente – Sou Xaxado, Sou Nordeste, Sou Brasil”, assinado pelo carnavalesco André Machado. O artista conversou com a equipe e deu detalhes do próximo desfile da agremiação alviverde.

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Fotos de Gustavo Lima/Site CARNAVALESCO

“O enredo surgiu antes de eu chegar na Mancha Verde, tanto é que anunciaram no desfile das campeãs. Eu pensei que não pudesse ter o caminho e liberdade por ter já escolhido, mas graças a Deus o Paulo Serdan me deu liberdade para fazer a pesquisa e seguir o caminho que seria legal na minha visão. Eu apresentei o projeto, ele gostou e foi muito bacana. A gente pegou a ideia do ritmo do xaxado e desenvolveu em quatro partes, que são os quatro carros alegóricos”, explicou.

Pesquisa do enredo

Como o carnavalesco explicou, o xaxado é um ritmo de dança nordestino. Para saber mais sobre, o carnavalesco teve que usar muitos livros e também contou com a ajuda da internet. “O Igor, que está na Terceiro Milênio foi para Serra Talhada, comprou um livro e me deu no museu do xaxado. Eu também tenho muito material da época da Pérola Negra, onde eu desenvolvi o auto da compadecida. Eu sabia que futuramente eu ia precisar. Cabeça de carnavalesco pensa no futuro. Também adquiri outros livros que fala do Nordeste. Inclusive o livro que eu fiz a pesquisa do xaxado, quando a bisneta do Lampião esteve aqui visitando o barracão, eu contei para ela do material, que se chama ‘Maria Bonita do Capitão’. Ela falou para eu pegar e disse que era da tia dela. Mesmo sem eu saber, tenho muitas coisas. Tenho muitos livros afros em casa. Se futuramente a Mancha quiser fazer um enredo afro, posso usá-los. Também tenho a ajuda da internet, que facilita muito. Esse ano eu não tive a oportunidade de ir no museu de Serra Talhada do xaxado por conta do calendário. O Paulo Serdan me propôs, mas eu tinha que fazer o desenho das alegorias, pilotos e que coincidiu com a final do samba-enredo. Nesse dia que a neta de Lampião esteve aqui, eu tive uma aula. É uma coisa ingênua de pegar imagens na internet, de desfiles anteriores e reproduzir achando que o Nordeste é daquele jeito. Quando eu mostrei a fantasia do segundo casal para a bisneta do Lampião ela achou lindo, mas disse que a cor estava errada e eu refiz”, declarou.

Trabalho com investimento e organização

André Machado falou como é trabalhar com um nível de organização maior. De acordo com o artista, a relação com o presidente Paulo Serdan é primordial para o sucesso do andamento da agremiação. “As pessoas falam muito para mim sobre isso, mas que fique bem claro que o carnaval é feito muito por pessoas. Lógico que o dinheiro e a questão financeira, mas a organização é fundamente e o presidente tem a escola na mão. Um super líder que fala com todos os setores da escola e isso é muito legal. Fazia muito tempo que eu não trabalhava com um presidente que tinha essa interação com o carnavalesco. É um enredo que nasceu com ele assistindo um documento e ele me deu esse presente. É muito bacana saber até onde saber quanto você pode gastar. Quando eu fiz o projeto abre-alas, o presidente me chamou e falou para manter o equilíbrio para todos os carros e fantasias saírem dentro do planejado. É tudo calculado. O trabalho tem segmento em cima do projeto sempre pesando os prós e os contras”, disse.

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Recepção na escola

O artista vem de um descenso com o Colorado do Brás e, logo após, assinou com a campeã. Segundo André, o receio era de que a comunidade ficasse com um pé atrás devido a isso, mas aconteceu o contrário. “Eu vou ser bem franco. Eu até tinha um certo preconceito com escolas de torcida organizada. Eu fui criado no samba e nasci no carnaval, mas de dez anos para cá, algumas estão desvinculando a torcida da escola de samba e a Mancha faz muito isso. O trabalho que o presidente fez nos últimos anos foi de separar a torcida dos apaixonados por carnaval. Essa recepção, quando eu fui na quadra, eu pensei que a comunidade teria um pé atrás. Eu estou sucedendo um cara que foi bicampeão. O Jorge Freitas tem um nome muito forte aqui em São Paulo e eu sou um cara que acabou de cair com o Colorado, mas eu tento me aproximar o máximo possível dos componentes, trago eles para me ajudar para ter essa conexão. Eu quero estar no meio do povo, cumprimentar as pessoas e ter essa troca de energia, até para ver a emoção das pessoas na avenida. Isso que é carnaval e todo mundo é igual”, comentou.

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Carnavalesco André Machado

Almejando o título

A Mancha Verde vem crescendo no carnaval cada vez mais. Desde 2018, a escola se mantém no topo. De lá para cá, foram dois títulos e um vice com desfiles grandiosos e organizados. A parte plástica nos desfiles são de grande investimento e, talvez, no conjunto geral dos últimos anos, a Mancha Verde seja a mais impecável no visual. Em sua estreia, André Machado almeja o tricampeonato de presente para a comunidade. “Queremos o tricampeonato. Aqui a gente só pensa dessa forma. Quero dar esse presente, porque eu ganhei esse presente da Mancha, que é estar aqui hoje fazendo o que eu mais gosto. Eu tenho que retribuir esse carinho que eles têm comigo. É deixar bem claro que o carnaval não é feito apenas pelo André e sim pela comunidade inteira, mas eu tenho que trazer esse campeonato. Se não for também, não tem problema. Eu quero apresentar um carnaval para a escola. Quero fazer com que as pessoas vão para a escola com um sorriso achando que vão para a avenida campeã do carnaval. Se não for, é consequência do projeto e da apuração”, declarou.

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Conheça o desfile da Mancha Verde

Setor 1: “A gente vai abrir o nosso carnaval falando onde surgiu o xaxado. Vamos mostrar a Caatinga lá de Serra Talhada. Ano passado a Mancha veio com um passado todo dourado e já tem um tempo que não vem com um carro verde puxando para a cor da escola. Se a gente pensar e pegar referência da Caatinga na internet, vamos ver sempre aquela areia seca, mas pesquisando eu vi que esse cenário existe na época da seca, mas também tem um cenário exuberante que é na época das chuvas. Não é só miséria. Eu busquei fazer da forma mais colorida possível. Vamos falar da lenda ‘Fulozinha’, que quando criança ela ficou perdida e entrou na Caatinga. As únicas pessoas que ela permite entrar lá são os cangaceiros. O abre-alas e a abertura da escola vai mostrar a fauna e a flora da Caatinga. Vamos ver calangos, tatu, onça e ala das baianas vem representando a flor do cacto”.

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Setor 2: “O segundo setor a gente fala realmente do xaxado para mostrar que é uma dança que surgiu do cangaço, através da figura do Lampião. Eles dançavam para comemorar as vitórias em cima dos seus oponentes. A gente tem alas de cangaceiros, literatura de cordel, mestre Vitalino e culinária”.

Setor 3: “A gente vai para o terceiro setor com a alegoria falando da religião dos cangaceiros. Tem a figura de Padre Cícero, as alas das crianças vem representando os bonecos de barro e mestre Vitalino em forma de anjo. A parte de trás da alegoria vamos montar uma feira de artesanato e também tem um grupo de 20 adolescentes que vem representando o boneco de mestre Vitalino. Todo o material de artesanato relacionado com a religião a gente vai colocar nesse carro”.

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Setor 4: “O último setor da escola a gente vai fazer homenagem aos grupos de xaxado. Primeiro vamos homenagear Luiz Gonzaga, pois o xaxado só era conhecido no nordeste e ele levou para o Brasil. Vamos homenagear também o Arcisão e já tem um tempão que a Mancha não vem com o seu próprio símbolo, que é o ‘Manchão’, onde ele vem com sanfona na parte de trás do carro, mostrando que vai representar a festa junina relacionada com o xaxado”.

Ficha técnica
Quatro alegorias
2300 componentes
Carnavalesco: André Machado
Diretor de carnaval: Paolo Bianchi
Diretor de barracão: ‘Seu Léo’

Império Serrano e Universidade Cândido Mendes firmam parceria em prol da educação

O Império Serrano e a Universidade Cândido Mendes fecharam parceria no campo educacional. O presidente Sandro Avelar e João Gualberto Teixeira de Mello, diretor da rede de ensino superior, firmaram o acordo em que serão disponibilizadas à comunidade 15 bolsas com 100% de desconto para graduação, sendo cinco presenciais e 10 EAD.

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Foto: Nathan Oliveira/Império Serrano

Presidente do Reizinho de Madureira, Sandro Avelar ressalta a importância da cooperação entre as instituições. Para ele, o Império Serrano e a Universidade Cândido Mendes vão poder mudar muitas vidas através do ensino.

“A parceria com a Cândido Mendes nos enche de orgulho. Fiquei muito feliz quando soube que o professor João Gualberto gostaria de conversar conosco e oferecer esse benefício tão importante para os imperianos. A educação é a base de tudo e nós, junto da universidade, vamos poder dar uma nova realidade para muita gente”, destaca Sandro Avelar.

Assim como o presidente imperiano, o diretor da universidade afirma que o ensino é uma grande ferramenta de transformação. João Gualberto salienta que a parceria visa, acima de tudo, dar oportunidades às pessoas da comunidade da escola de samba.

“Acredito que a educação é uma mola propulsora da libertação social. As desigualdades e as injustiças podem ser corrigidas através de uma boa educação. Para muitos brasileiros, falta oportunidade. Dada a minha aproximação ao Império Serrano e a função filantrópica da Universidade Candido Mendes, resolvi fazer esse intercâmbio cultural, onde algumas pessoas da escola vão poder estudar conosco”, completa o diretor.

Em breve, o Império Serrano e a Cândido Mendes vão assinar o termo de cooperação deste benefício. Na parceria, além das 15 integrais, os imperianos terão direito a bolsas ilimitadas de 50% na modalidade presencial e 60% EAD.

Entrevistão com Alexandre Louzada: ‘carnaval tem lugar para todo mundo, para todos estilos e enredos’

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Um dos maiores carnavalescos da história, Alexandre Louzada coleciona títulos e grandes desfile na carreira. O artista participou da série “Entrevistão”. Confira abaixo o papo completo com o carnavalesco da Beija-Flor, ao lado de André Rodrigues.

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Foto: Augusto Werneck/Site CARNAVALESCO

Maior vencedor da era do Sambódromo, qual balanço você faz da sua carreira?

“Eu não costumo ligar muito para esse aspecto, mas me acho um vencedor porque sou autodidata. Não tive a honra, a oportunidade de trabalhar com nenhum mestre. Seria meu olhar que me fez ser o que sou. Eu não conto somente os campeonatos, mas as experiências que eu vivi. Acho que eu soube esperar o meu momento. Esperei 13 anos para que eu pudesse ganhar. E isso chegou de surpresa, eu não me achava pronto. O que faz um artista ser perene, porque eterno todos nós somos, nós criamos alguma coisa que é para história, não para uma satisfação pessoal. Eu não guardo troféus, realmente não é isso que me move. O que me move é a oportunidade artística que eu tenho de extravasar, de mostrar alguma coisa. Na minha mente eu estou trabalhando em uma coisa que não sei se vai acontecer, eu já estou no terceiro enredo. Aliás, quando as escolas puderam patrocinar para cada carnavalesco, os assistentes, foi muito bom. A minha cabeça é mais rápida que as minhas mãos, mesmo desenhando um figurino, já estou pensando no outro, quero acabar aquele, é a minha forma de expressar… Estou devendo a todos que gostam do meu trabalho um livro, que realmente coloco a minha alma na história. Porque eu me considero um contador de histórias, não um artista maravilhoso. Eu queria contar a minha história, tudo que a gente vive no carnaval… Hoje todos meus assistentes são campeões do carnaval… O balanço que eu faço é esse: acho que a minha contribuição para o carnaval , fora o meu trabalho, é muito maior do que qualquer obra que eu possa ter realizado. Está aí o Gabriel Haddad, Tarcísio Zanon, a Annik que agora está na Mangueira, Roberto Monteiro… Todas as pessoas que eu dei oportunidade de poder caminhar depois com os seus próprios pés. Eu nunca escondi ninguém na minha retaguarda. O balanço que eu faço da minha carreira é a contribuição não só da minha arte, mas dos artistas que revelei para o carnaval”.

O que sente quando falam que você era o carnavalesco ideal para fazer o centenário da Portela?

“Existe uma relação entre eu e a Portela que é só de amor. Mesmo à distância você nunca vai esquecer seu berço. Eu passei a gostar de carnaval, gostando da Portela. Mesmo admirando o trabalho de quem vencia na época, que era o Joãozinho Trinta e tal, entrei no carnaval gostando e vendo a Portela. As pessoas que ainda estão ali do meu tempo de adolescente, desde os 16 anos que eu frequentava, sabem tudo de mim, me viram crescer, viram eu me tornar carnavalesco. Acho que por me interessar tanto pela história da minha escola, por entender a história da Portela em todo seu caminhar, faz na cabeça das pessoas que eu seria a pessoa ideal para reviver isso. Até porque, fora a velha-guarda da Portela, acho que sou o mais velho portelense que está aqui”.

Gosta dessa proposta de trabalho em dupla?

“Eu sou um cara que respeita muito o trabalho de cada um. A Beija-Flor deu a oportunidade de nós dois conversarmos sozinhos, não foi dentro da escola, foi em um bar aonde a gente colocou todas as possibilidades, tudo o que poderia ocorrer com essa junção de duas pessoas. Eu já trabalhei com ele (André Rodrigues), mas ele (André Rodrigues) como assistente, não dividindo um carnaval. Quando você divide um carnaval, todo mundo quer criar. Mas eu me coloquei da seguinte forma: depois do enredo escolhido, se for algo que nós dois construímos juntos, ou que eu tenha uma ideia que foi ela que venceu, ou a ideia dele (André Rodrigues) que venceu, precisa ter o respeito ao criador, ao autor. Levando em consideração que eu estou respeitando os autores desse enredo, o projeto que estava na cabeça deles… Lógico, eu dei minha contribuição, mas eu me coloco em uma contribuição um pouco mais modesta do que foi ano passado onde o projeto era mais visual, era mais meu. Precisa ter um respeito por esse fio condutor, para que você não construa um frankenstein. A gente tem se dado bem até agora por causa desse respeito. Não tenho problema em trabalhar em dupla, acho que até o meu projeto futuro é sempre dar oportunidade a alguém, e depois essa pessoa caminhar com as suas próprias pernas”.

O André Rodrigues vem sendo muito elogiado. Como artista, o que você pode falar do trabalho dele de agora e projetando para o futuro?

“O futuro ele está construindo no presente, ele está criando um estilo próprio. Quando eu estava narrando o que a gente pode esperar da Beija-Flor, passa por ele. A oportunidade, a experiência do André Rodrigues tendo condições em um Grupo Especial. Todo mundo merece tudo de bom nesse meio, e o André é um deles, não é diferente”.

O que pensa sobre os enredos de hoje vão muito além da avenida e passam pelas escolas e pelas ruas?

“Isso é uma questão de estilo. Com tanto que o lúdico continue existindo. Você pode carnavalizar enredos que possam ser carnavalizados. Quando esse enredo foi proposto eu falei: ‘André, a única coisa que eu não quero é que a gente vista gente de gente’. Até porque o André é um artista multimídia, extrapola a questão da prancheta. É uma nova geração que está surgindo… Isso tudo é fácil, quando você perguntou de futuro, eu não posso garantir nem o meu, nem o de ninguém. Já teve a era do Louzada, o maior campeão do Sambódromo, quando eu tive a felicidade de ser tricampeão saindo da Vila e vindo para a Beija-Flor, mas passa, o novo sempre vem. Já teve a era Paulo Barros. O Leandro que ainda está aqui, teve a explosão dele. Agora foi a vez do Gabriel e do Léo. O André, espero que seja agora, porque eu tenho total interesse que seja a era dele se inaugurando. Mas todos nós temos que ter na cabeça que isso passa. Você não vai ser eterno campeão, você vai ser eterno pelo seu trabalho.Você ser bicampeão é muito difícil, porque as escolas estão muito competitivas. A cada hegemonia que foi se criando, a Beija-Flor foi uma delas, por exemplo, forçava as escolas a se aplicar mais para seguir o mesmo caminho. Hoje temos um exemplo que é a Viradouro. A Viradouro é uma escola que com essa nova gestão retornou ao Grupo Especial. Não é a Viradouro que a gente viu lá atrás que já foi campeã lá atrás com o Joãozinho Trinta, tem também hoje uma visão empresarial e com mais vontade de vencer. Hoje não está fácil para ninguém. Acho que o futuro é do novo, se o novo será o André, eu vou adorar. Mas tudo é fase, passa”.

Você deixou o lugar de fala para o André e o Mauro Cordeiro. Como isso aconteceu dentro da sua cabeça?

“Por eles serem os autores. Eu falo mais da parte plástica, mas assim esmiuçar a história é bom que seja o Mauro porque ele fez a pesquisa toda, é um enredo que tem múltiplos personagens… Ano passado eu tinha total autonomia do projeto, mas eu escolhi o André como a minha fala porque qualquer coisa que eu falasse sobre empretecer o pensamento, não seria tão contundente quanto o que o André poderia falar por experiência própria, por experiência de vida. Uma coisa é você ser uma pessoa desprovida de preconceito, mas você não sofre o preconceito na pele, na carne, no coração, na alma”.

Qual é o seu desfile inesquecível da carreira que você fez?

“Os três primeiros carnavais aqui da Beija-Flor. Eu poderia ter escolhido a Mangueira, mas mesmo sendo campeão, não me achava pronto, não tinha atingido aquilo que queria como artista. Eu experimentei um pouco aqui na Beija-Flor com esses três primeiros carnavais, os quatro até ‘Brasília’. Depois que eu saí da Beija-Flor foi quando eu amadureci como artista. Porque quando você tem facilidade, você fica mal acostumado. Eu não me deixei chegar ao inferno, eu encontrei o meu caminho alternativo para que eu possa fazer uma escola com grandes recursos, como uma que não tem. Também nenhum artista consegue trabalhar naquela que não te dá nada, isso eu já passei também”.

Qual carnavalesco foi sua referência profissional e por qual motivo?

“Eu vou citar o Viriato primeiro, porque meu primeiro contato com esse título ‘carnavalesco’ foi com ele. Uma história que pouca gente conhece é que antes de eu me tornar carnavalesco da Portela, eu seria um dos assistentes do Joãozinho Trinta, eu iria desenhar figurinos para ele, para aquele carnaval ‘A Lapa de Adão e Eva’ em 1985. Foi aí que a Portela resolveu me dar a oportunidade de ser carnavalesco, porque estava perdendo um portelense para uma co-irmã (Beija-Flor), mas que disputava. Acho que Viriato teve uma importância muito grande de me deixar olhar o barracão. Eu passava as tardes lá com ele, frequentava a casa dele, via ele desenhando. Ele me falou que deixaria eu ver, mas ensinar ele não ensinar ele não ensinaria, que eu teria que ter minha própria identidade como artista. Ele é para mim uma referência como todos, acho que sou um carnavalesco que é fruto do meio. Tenho uma admiração muito grande pela Rosa Magalhães que como
componente foi a carnavalesca que eu mais tive próximo, depois veio o Viriato e depois me tornei carnavalesco. Com o tempo eu e a Rosa construímos uma amizade, ela para mim é uma referência como artista pela plástica, e como história, ela também gosta de contar casos, e eu também, quando a gente se encontra ela é uma pessoa muito divertida. Minha referência é o Viriato, é o Joãozinho Trinta, é a Rosa Magalhães,é o Max Lopes, é o Renato Lage, todo mundo que estava a minha frente no tempo… Fernando Pinto que já se foi … Eu me tornei carnavalesco admirando as obras deles”.

O Leandro Vieira disse que o carnaval vive hoje um dos melhores momentos na parte de criação artística dos carnavalescos. Concorda?

“Eu já respondi isso de outra forma no meio dessa entrevista. No quadro mais complicado da Beatriz Milhazes não tem tantos detalhes quanto tem no carnaval, no carro do Gabriel Haddad e do Léo Bora. A interpretação, o toquezinho de ironia política do Leandro… Estou citando vários estilos completamente diferentes. O rebuscamento estético, porque tem condições para fazer isso, do Tarcísio ali na Viradouro. O Edson vem em um crescimento também como artista. E o André também, ele coloca muito a identidade dele no trabalho, ele agrega pessoas… Ele também não se limita a pesquisa, ele vai agregando pessoas com afinidade com aquilo que você contar”.

Como você tem visto essa onda de enredos críticos?

“Acho que vai um dia passar. Espero, porque se tiver que criticar a vida toda esse país não vai para frente, vai ser uma droga. Espero que se torne uma Nárnia, que tudo seja lindo, maravilhoso… Nunca vai ser. Dependendo da crítica, é sempre bem vinda. As escolas têm esse papel também, sempre tiveram, de uma forma forma reprimida na época da ditadura, onde sempre havia uma ode a história do Brasil que a gente aprende na escola, fatos históricos. Depois teve uma fase que não podemos esquecer que é a do Luiz Fernando Reis, que era bastante crítico do dia a dia. O Renato Lage teve essa fase também de ‘O que é bom todo mundo gosta’, os enredos dele no Império Serrano… O inconsciente coletivo faz com que a gente coloque para fora, coloque na nossa arte aquilo que a gente está vivendo no momento… Eu acredito que o ano que vem, mesmo tendo críticas, acho que vai ser uma análise daquilo que a gente vai viver daqui para frente. O carnaval tem lugar para todo mundo, para todos estilos, para todos os enredos”.

O Louzada gosta mais de produzir fantasias ou alegorias?

“Hoje eu mudei um pouco. Eu sempre gostei muito de fantasia, sempre foi mais a minha preocupação. Hoje você trabalhar em alegorias depende de ter profissionais na sua equipe. Por exemplo, se essa dupla (Alexandre Louzada e André Rodrigues) se desfizer, eu vou ter que buscar um outro webdesigner para fazer carro. Porque o André é um carnavalesco também, ele vai seguir… Mas eu gosto mais de fantasia. Eu não tenho paciência para fazer um curso de computação, minha mão ainda é mão de artista. Eu faço o esboço de um carro… O André começou assim comigo, cada pecinha que foi colocando no figurino da primeira vez que a gente trabalhou na Vai-Vai. Foi a primeira experiência dele como gestor de barracão. É uma coisa que eu gosto muito, mas deve ser chato para quem faz… Eu gosto mais da parte plástica. Depois que acaba o protótipo, eu já estou ansioso para fazer outro. Fantasia é uma coisa que sempre foi o que me moveu por eu ter sido componente também. As minhas fantasias são verdadeiras alegorias. Eu cheguei em um tamanho que já dá para carregar. Mas eu consigo mentalizar em um corpo de uma pessoa tudo aquilo que quero transmitir, que poderia ser em uma alegoria. Não vou dar spoiler daquilo que eu estou trabalhando, mas é bem complexo. Mesmo que não vá para a avenida, é um exercício muito bom de criatividade… Uma coisa é pegar o figurino de época e transpor para o papel, outra coisa é pegar um objeto e colocar isso como fantasia, e ela continuar sendo vista como objeto. Isso é o melhor exercício para mim, eu já estou no terceiro pacote de papel. Eu desenho uma fantasia umas cinco, seis vezes. Do esboço até ela virar o figurino definitivo”.

PodCarnavalesco: acompanhe o programa com Elmo e Alvinho, baluartes do carnaval e da Estação Primeira de Mangueira

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Comissão de Frente é o grande destaque no ensaio da Mocidade Unida da Mooca

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A Mocidade Unida da Mooca, terá como enredo para 2023: “O Santo Negro da Liberdade”, fez seu primeiro ensaio técnico na quarta. No dia do aniversário de São Paulo, 469 anos, a agremiação que luta pelo seu primeiro acesso na história, fez um ensaio para quebrar o gelo da comunidade e a comissão de frente teve o grande destaque com uma alegoria grande, embalada, e uma coreografia bem tocante envolvendo Cabo Chaguinhas, que inclusive gerou o nome de ‘Liberdade’ para um dos bairros tão tradicionais de São Paulo. A MUM será a última, vulgo 8ª escola, a desfilar no domingo, dia 19 de fevereiro.

Comissão de Frente

A Comissão veio com elemento alegórico embalado e alto. Com escadas que componentes vestidos em um estilo pirata, com espada, subiam e colocavam Francisco José das Chagas na forca. Quatro mulheres com uma cruz no peito e roupa grená. Em outro ato um outro componente sobe ao topo, enquanto os outros ajoelhavam. No caso do Chaguinhas, uma hora era salvo, na outra acabava sendo enforcado, para tristeza dos componentes que estavam à frente e defendiam o mesmo. Pelos relatos da história de Francisco Chagas, em três ocasiões que ele foi para a forca, a corda estourou, e o povo gritava: “Liberdade, Liberdade!”. Pelo ensaio, deu para sentir exatamente essa cena. Em um dos atos, Chaguinhas era realmente enforcado e caiu na vala.

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Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Patrick Vicente e Graci Araujo veio com um vermelho escuro no figurino e pessoas de Guardiões ao lado deles. Os passos laterais sincronizados no Setor B, quase centralizados na pista, uma dança bem segura, mesmo com um vento que estava forte no Anhembi e batia direto no pavilhão. Um trabalho extra para o casal, afinal não tem alegoria para protegê-los. Mesmo assim passaram bem tecnicamente pelos primeiros módulos da pista. Apresentaram o pavilhão como manda o figurino.

MocidadeMooca et PrimeiroCasal

Harmonia

A Mocidade Unida da Mooca tem um canto forte, e entra sempre impondo seu ritmo em qualquer ocasião. Neste ensaio técnico, senti um pouco mais do canto em alguns momentos como no início da escola, dito isso, a comunidade não deixou de cantar, foram momentos do ensaio que podia explodir, como no primeiro apagão. Foram feitas três paradonas na bateria e nos dois últimos, deu para sentir que o canto foi evoluindo. No último apagão, reparei nas últimas duas alas que ainda estavam na pista, uma delas coreografada, e outra que fechava a escola, enquanto a bateria já estava fora da pista, ambos cantavam o samba, bom teste para eles. A escola estava com camisas padronizadas e sem nomes das alas, ou numeração, mas no meio da escola, senti os componentes mais soltos e trazendo a comunidade para o canto.

Evolução

De modo geral, a MUM não estava tão grande em números de componentes, acredito que no dia 05/02 virão com mais gente. Portanto, trabalhou com tranquilidade durante o horário, o samba iniciou já com o portão aberto, e a comissão entrou na pista com cerca de 8 minutos. Passaram tranquilamente dentro do tempo, foram 51 minutos, brincaram um pouco com harmonia, diretores, presidentes, antes de fechar de fato o portão, quase marcando 52 minutos segundo nossa contagem. A vermelho e verde da Mooca não fez um desfile puxado, foi algo leve, componentes realmente estavam tranquilos, mesmo sendo um ensaio ‘quebra gelo’, dá para sentir que estão movidos pelo tão sonhado acesso e desfilam com amor pela escola que é de um bairro muito tradicional e ainda bairrista em São Paulo.

Samba-Enredo

Além da comissão de frente, destacou-se o time de som, Gui Cruz e Clayton Reis conduziram o samba com muita elegância, nítido em todos os trechos. O samba tem alguns momentos fortes que o carro de som fluiu bem, um deles foi: “Saravá, Saravá! Salve a Santa Capela e as almas da Kalunga que protegem esse chão”, o outro que destaco é “Vai ter missa no terreiro, ladainha pra saudar Santo Negro no Ilê, Santo Negro no altar”. O samba tem palavras que poderiam complicar, mas não é o que sentimos no ensaio técnico, fluiu dentro dos conformes e tudo com clareza.

MocidadeMooca et Interpretes

Outros destaques

A Chapa Quente, bateria da MUM, comandada por mestre Dennys apresentou um repertório de bossas, e teve três apagões que mostraram o canto da escola, o que considero fundamental em ensaios técnicos. O primeiro foi logo no Setor B, a primeira parte da escola não veio tanto, depois já no penúltimo setor, soltaram outra e a escola estava mais solta, cantando. Por fim, já fora da pista, e com apenas duas alas finalizando, fizeram mais uma. A apresentação da bateria com o carro de som fluiu muito bem neste primeiro ensaio.

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Antes da escola entrar na avenida, precisamos citar um fato, o presidente Rafael Falanga pediu a jornalista Ana Thaís Matos, do Grupo Globo, em casamento. Ambos namoram há algum tempo, e ela sempre marca presença na escola, muito querida pelos componentes inclusive.

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A corte de bateria foi bem destacada, a rainha Aline Ertogrel interage com ritmistas, brinca, e samba no pé presente. A rainha mirim Yasmin Marcelly é uma gracinha na frente da bateria, sorriso lindo. A princesa Vitória Vicent veio com uma roupa afro, e muito samba, tirou onda com a Chapa Quente. Por fim destaco as passistas bem animadas, sorridentes e dançando bastante, assim como as destaques de chão da escola mostraram sambarem muito, inclusive algumas que estavam no espaço de alegorias.

Em franca evolução, Unidos de Vila Maria capricha no segundo ensaio técnico

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O período de ensaios técnicos, já na reta final do ciclo de uma escola de samba, costuma ser marcado pela evolução das agremiações. Na noite de quarta-feira, a Unidos de Vila Maria mostrou que está no caminho certo em diversos quesitos, crescendo de rendimento no segundo ensaio técnico da instituição. Com boa parte dos itens julgáveis em grande noite, justamente o que mais identifica a apresentação teve percalços bastante sensíveis. Cantando o bairro onde está localizada a escola, os componentes defenderão o samba “Vila Maria, Minha Origem, Minha Essência, Minha História! Fonte de Amor Muito Além do Carnaval”.

Harmonia

Se a harmonia teve percalços no primeiro ensaio técnico, o segundo viu uma evolução acentuadíssima da escola no quesito. Sem irregularidade no canto, é justíssimo dizer que o samba “pegou na veia” e que a escola abraçou a canção. Quando a reportagem observava a apresentação da comissão de frente, o canto dos setores subsequentes já impressionava.

Chamou atenção o fato de staffs ligados à Harmonia da agremiação, ainda assim, pedirem mais força para os componentes. Por diversas vezes, integrantes que ficam nas laterais da avenida instigavam os componentes a soltar ainda mais a voz.

Vale destacar, também, a resposta da comunidade aos apagões propostos pela “Cadência da Vila”: quando aconteciam, os componentes cantavam bastante forte.

Mestre Moleza destacou que, agora, a bateria da azul e verde da Zona Norte quer ser ainda mais harmônica com o canto da escola: “Já temos essas bossas, o que iremos fazer está aí. Agora, estamos fazendo o entrosamento com o povo, com a escola, deixando o povo cantar, sentir, essa mesma energia que estamos sentindo a gente está transferindo para todos os componentes. Por isso, estamos entusiasmados e até mesmo ansiosos para o dia. O negócio está crescente, diferente do carnaval anterior, com a pandemia, que estava com o gás, tesão, de repente o cancelamento, agora está crescente, chega na hora e estamos vendo que está melhorando, isso nos deixa felizes”, afirmou.

O canto forte dos componentes foi elogiado por Julio Cesar Alves, o Queijo, diretor de carnaval da agremiação: “Hoje eu gostei muito do canto da escola, da compactação da escola. Acho que a gente está em um grande momento, e vamos dar muitas novidades aí”, destacou.

Samba-Enredo

O elogiado samba-enredo da Unidos de Vila Maria teve algumas peculiaridades antes do desfile começar. A equipe de som fez alguns arranjos novos na arrancada e durante o ensaio técnico. Já Wander Pires, intérprete da agremiação, falou em tom baixo enquanto nenhuma música (samba-enredo ou sambas-exaltações) era tocada. Quando a canção começava, porém, ele soltava a conhecidíssima voz, sempre afinada e com diversos cacos para chamar os componentes.

A harmonia correspondeu quase que à perfeição no ensaio, e é claro que a canção executada, de muita qualidade, tem muito mérito nisso. O carro de som idem. A “Cadência da Vila”, cada vez mais afiada com mestre Moleza, voltou a marcar algumas partes da canção com diversas bossas e paradinhas.

VilaMaria et WanderPires

Vale destacar a força do canto da escola como um todo no verso “Bem mais que um caso de amor” – frase que também está presente no hino oficial da agremiação.

A canção, por sinal, foi bastante elogiada por Wander Pires: “Ponto alto é o samba, né?! No ensaio foi o samba, a euforia do povo, energia, alegria do povo, maravilhosa, coisa boa, é muito legal, e que você se contagia com a alegria do povo. Com um samba desse é muito maravilhoso”, destacou.

A integração do carro de som com a “Cadência da Vila” também mereceu elogios do intérprete: “Entrosamento com a bateria é isso que você viu, Mestre Moleza é muito fácil de se trabalhar, a Cadência é uma bateria fácil de trabalhar. Está dando tudo certo, só temos que agradecer, ficar feliz por tudo que tem acontecido. Está tudo bem, o segundo ensaio melhor do que o primeiro, e o terceiro vai ser melhor. Para ajeitar, só coisas bobas mesmo: o tom e a afinação, vamos acertando sempre”, pontuou.

VilaMaria et Moleza

Correção também foi um tema citado por Mestre Moleza: “O que corrigimos é a questão do andamento, tocar no mesmo pulso por mais tempo durante a avenida inteira. É aquilo do desgaste, hoje sentimos uma pressão maior durante toda a pista. No ensaio anterior, sentia que tinha aquilo, mas tinha hora que via o ritmista cansado, abafado. Hoje, estava com um semblante mais alegre. Isso demonstra que estavam melhores preparados”, pontuou.

Exaltar o próprio bairro é motivo de muito orgulho, de acordo com Queijo: “Na verdade, a comunidade entendeu que é a própria história dela. Em cada pedaço do enredo ela vai se identificando com cada momento que está acontecendo. É muito fácil você tocar no coração de quem é Vila Maria, e aquele que está chegando também consegue entender essa magia”, resumiu.

Comissão de Frente

Os integrantes, que já tinham se destacado no primeiro ensaio técnico, tiveram exibição ainda mais arrebatadora, com a coreografia bastante expressiva e pouco mais curta que as outras coirmãs. Boa parte deles ganharam jaquetas nas cores da agremiação – verde, azul e branca. Os carrinhos de supermercado foram substituídos por triciclos, que comportam dois dos bailarinos.

O que não mudou foi a simpatia, leveza e expressão de cada um deles ao coreografar. Se quatro bailarinos ficavam nos triciclos, os demais se exibiam no chão, sem a ajuda de tripé algum, tal qual nos saudosos carnavais dos anos 1990.

Vale destacar que a comissão de frente teve uma leve hesitação para entrar na avenida, levando quase uma passada inteira do samba para dar os primeiros passos na passarela. Também foram ouvidas cobranças entre os integrantes, mostrando comprometimento com questões ligadas à apresentação.

VilaMaria et Comissao 2

Em determinado momento, a comissão de frente abre um espaço bastante razoável para o casal de mestre-sala e porta-bandeira, que aparece logo depois dos bailarinos. Lais Moreira, porta-bandeira da escola, pontuou que haverá um ajuste em tal ato: “São duas situações. Em um momento, eles realmente se distanciam, mas as bicicletas voltam para o lugar – então o espaço acaba ficando mais ajustado. E tem a hora que eles avançam – e, aí, vamos entrar no ajuste para consertar o nosso tempo. É natural, ensaio técnico é para isso: errar e consertar para que, no dia, saia perfeito”, destacou.

Edgar Carobina, mestre-sala, frisou que tal espaço também o deixou surpreso: “Ter a noção do espaço ajuda bastante, é sempre bacana. Essa situação foi uma novidade para a gente hoje, mas é bom que esses empecilhos aconteçam para que, no desfile, se realmente acontecer, a gente já saiba como lidar”, comentou.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O desafio para Edgar e Lais era bastante grande no ensaio de quarta-feira. A noite paulistana começou com forte ventania, e a região do Anhembi, que tradicionalmente recebe rajadas ainda mais intensas, era hostil. Dos casais mais premiados de mestre-sala e porta-bandeira, entretanto, mais uma vez impressionaram os presentes.

Para evitar quaisquer problemas, Lais, por diversas vezes, segurou o pavilhão com a mão. Ela mesma explica o motivo pelo qual tomou tal atitude: “O vento estava muito forte. Eu preferi segurar pra evitar fazer força no braço. O controle do pavilhão eu tenho, independentemente do vento, já que estamos há muito tempo fazendo isso. Porém, para evitar desgaste, já que falta tão pouco para o desfile, fiz isso. Mas, no fim, foi tudo fluido no ensaio e foi muito positivo. Comparado com o primeiro, foi muito bom”, conclui.

VilaMaria et PrimeiroCasal

O vento também foi tema de palavras de Edgar após o ensaio: “Hoje foi um ensaio foi bem produtivo em relação ao primeiro. Ainda temos alguns pontos para acertar, mas o vento é embaçado no Anhembi, principalmente no Verão, quando ele chega muito forte. Ainda tem o próximo para podermos melhorar e o desfile, para executar tudo”, relembrou.

No que foi observado pela reportagem, Edgar, em um único momento, precisou de uma segunda força para desfraldar o pavilhão verde-e-azul. Como tal momento aconteceu bem no meio da Arquibancada Monumental, tal situação não acarretaria desconto na pontuação. A apresentação para as cabines, por sinal, foi repleta de giros no sentido anti-horário e com graça, leveza e sorrisos – assim como ao interagir com o público, que os aplaudia com vigor.

Além da dança, o casal, em algumas poucas oportunidades, fazia uma coreografia especial no refrão do meio do samba-enredo. Também vale destacar a apresentação para a segunda cabine de jurados, extremamente sincronizada em condições bastante adversas para ambos.

VilaMaria et PortaBandeiraLais

No fim das contas, o ensaio teve resultado satisfatório, na visão de Lais: “O primeiro ensaio era para sentir a energia da pista, para ver como ela iria nos receber. Temos que ter muito respeito por esse solo. Cada ano é um desafio. E, agora, já adaptados, com todos os ensaios técnicos rolando, os ensaios específicos de casais… ficamos cada vez mais seguros para que a gente passe bem”, comentou. Edgar aproveitou para resumir o sentimento de maneira simples de se entender: “Hoje foi bem de boa o ensaio, foi bom pra caramba. Temos alguns ajustes, mas vamos que vamos para o arrebento”, disse.

Evolução

Curiosamente, a escola que tanto evoluiu de um ensaio técnico para o outro pecou em alguns momentos justamente no quesito que tem justamente esse nome. Logo no começo do ensaio, quando o abre-alas passou pelo recuo da bateria, a escola ficou parada por cerca de três minutos.

VilaMaria et Comunidade 2

Outro momento no qual o quesito mostrou-se bastante desafiador foi no recuo da bateria. A “Cadência da Vila” entrou no espaço já com cerca de metade do elemento à frente permitindo a passagem e da maneira mais simples possível, fazendo o giro à direita. A ala seguinte, de passistas, demorou para preencher o espaço. Depois das passistas, os componentes seguintes demoraram alguns segundos consideráveis para evoluir.

O momento da entrada dos ritmistas no recuo, tenso por natureza, pode ser traduzido em dois momentos flagrados pela reportagem. No primeiro deles, até mesmo o presidente da agremiação, Adílson José, conversava com uma pessoa com camisa da harmonia. Outro staff que representava o mesmo quesito, em conversa com outra pessoa do mesmo segmento, resignou-se: “Demorou pra c…”

Outros destaques

– Tão logo a reportagem entrou na passarela, um staff comentou com o presidente da escola, Adílson José, sobre o número de componentes que compareceram ao ensaio técnico. Ele sorriu e disse “Hoje veio grande”.

– Com roupas bastante leves, a ala das baianas cantava o samba e girava bastante, com diversos sorrisos.

– Ao longo de todo o desfile, componentes evoluíam com bexigas e fitas misturadas em cada uma das alas. Não se sabe se elas indicavam adereços diferentes no dia do desfile.

VilaMaria et VelhaGuarda

– No começo do ensaio, havia equilíbrio entre alas coreografadas e soltas; conforme a escola entrava na passarela, mais alas sem coreografias apareciam.

– A “Cadência da Vila” acentuou o número de bossas a partir dos últimos setores das arquibancadas do Anhembi.

– Vale destacar, também, o volume apresentado pela “Cadência da Vila”. Era possível ouvir os ritmistas de longe.

– Se não aparentam ser os maiores carros alegóricos do Grupo Especial, é importante pontuar que poucas escolas trazem, na média, quatro carros tão avantajados como a Unidos de Vila Maria.

– Prestes a comemorar uma marca importante à frente dos ritmistas, mestre Moleza gostou do resultado do segundo ensaio técnico: “Saio muito feliz desse ensaio. O primeiro foi 07 de janeiro, existia aquela preocupação do pessoal estar voltando de férias, Natal, Ano Novo. Sentimos um pouco do desgaste físico por ter voltado das festas e não ter tido os ensaios para nos preparar. Daí, passou aquele ensaio e analisamos todos os vídeos e áudios: independente dos elogios que recebemos, temos nossa autocrítica. Ouvindo sabemos onde podemos melhorar, a nossa disputa é com nós mesmos. Batalhando, ensaio na rua, toda quarta-feira, maçante, principalmente a coisa do desgaste, que a gente toca de fantasia no dia, e ensaiamos de bermuda, chinelo. Precisamos nos preparar muito para isso, até pelo fato da previsão ser de muito calor, com a fantasia de carnaval. Mas saio muito feliz. Lógico que preciso analisar vídeos, áudios, sou muito crítico com isso, sou um estudioso de bateria. A primeira impressão é que foi muito legal, arranjos bacanas, tem um nível de dificuldade, com excelência, uma musicalidade, e parece que a galera está gostando. Você vê a arquibancada com um frisson, principalmente no refrão do meio que ‘é o meu lugar toca samba de primeira’, a expectativa é pegar muito no dia com Anhembi lotado. Estamos trabalhando para isso, não dá para prever, mas fico imaginando, sonhando, de fazer o que fizemos aqui, e a galera cair dentro, sairmos mais uma vez consagrados pelo povo, o que é importante. Nos últimos anos somos consagrados com as notas, às vezes com o povo, e alguns prêmios inclusive de vocês. Esse ano queremos ser unânimes, entrar para comemorar nossos 10 anos de Cadência da Vila e nossa história”, pontuou.

– Moleza, por sinal, foi bastante elogiado por Queijo: “A escola veio mostrando a garra dela. Veio cantando muito, e o andamento a gente conseguiu compactar melhor. O desenvolvimento da bateria do Moleza é impecável. A gente falar de Mestre Moleza é difícil. Mas acho que está mostrando um pouco da garra de Vila Maria, mostrando o que é ser Vila Maria nesse grande momento”, elogiou.

– Logo após falar de novidades, Queijo deixou no ar que a escola ainda pode trazer surpresas: “Sempre falta algo. A gente vai acertando. Estamos no caminho, e falta aquela pincelada para o último ensaio. Se Deus quiser, no dia 17 a gente vai mostrar o porquê de a gente estar ensaiando, conversando bastante, podendo acertar dentro de casa, assistindo bastante vocês. A análise de vocês é muito importante para nós do Carnaval. Só falta esse último detalhe, que fica como surpresa”, destacou.

Colaboraram Gustavo Lima e Lucas Sampaio

Dragões da Real e sua comunidade explodem o samba-enredo em primeiro ensaio técnico

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A Dragões da Real realizou na noite de quarta-feira o primeiro ensaio técnico preparando a sua comunidade para o desfile de 2023. Como era esperado, o treino ficou marcado pelo forte canto, que é característico da agremiação. O samba-enredo, interpretado por Renê Sobral, fluiu muito bem junto com a sua ala musical. O teste também teve as estreias da porta-bandeira Janny Moreno e do mestre de bateria, Klemen Gioz. Ambos pisaram no Anhembi pela primeira vez junto a sua comunidade. A primeira não sentiu o peso do pavilhão perante ao forte vento que a Dragões enfrentou no ensaio, além da fantasia usada. Ao todo, para um primeiro ensaio, a comunidade deve comemorar o seu desempenho. “Paraíso Paraibano – João Pessoa, a porta do sol das Américas” é o enredo da agremiação para o carnaval de 2023.

Comissão de frente

A ala claramente fez uma espécie de coreografia de festa junina. No samba é citado a ‘quadrilha de Cariri’, que é tão famosa em João Pessoa. Os componentes, na maioria das vezes dançavam em duplas, enquanto outro grupo saudava o público. Ambos com roupas brancas e muitos detalhes coloridos, principalmente as mulheres. A dança também contava com um tripé, onde duas pessoas ficavam em cima agitando duas bandeiras laranjas.

DragoesDaReal et ComissaoDefrente
Fotos de Fábio Martins/Site CARNAVALESCO

Harmonia

Como observado, a harmonia da escola ecoou forte no Anhembi. O olhar apurado é que não dá para ver qual ala cantou mais ou menos. Deu para notar apenas que o terceiro setor foi abaixo dos demais. Porém, como tudo deve ser corrigido em ensaios técnicos, a direção de harmonia deve-se atentar ao fato de que os componentes deram uma caída tanto em evolução como no próprio canto após a metade do treino. Há vários fatores para serem observados, como vigor físico, empolgação, energia e entre outras coisas. Portanto, ao todo, o desempenho do quesito foi satisfatório, mas esses detalhes devem ser analisados. Vale destacar a arrancada que a escola fez dentro do samba. Logo que soltou o verso “isso que tá bom demais, incendeia”, deu uma explosão de vozes e um efeito incrível. A ‘Ala Zarama’ foi destaque no treino.

“Quanto ao nosso primeiro ensaio, é o renascimento. Estamos reaprendendo a fazer carnaval, costumo dizer que a Dragões está se reinventando, todo mundo pode esperar uma nova escola na avenida, e tenho certeza que um pouco disso conseguimos trazer hoje. Claro que nunca trazemos tudo no primeiro ensaio técnico, é uma questão de amadurecimento, desenvolvimento, mas sem dúvida nenhuma foi um ensaio extremamente proveitoso, positivo. Saímos com a sensação de dever cumprido, o primeiro passo foi dado. Queremos uma escola que entre na avenida para brincar carnaval, fazer festa mesmo, trazer a alegria de João Pessoa para dentro do carnaval de São Paulo, dentro do Sambódromo. É transmitir calor com o corpo, estamos falando de uma terra que é marcada pelo sol, e que o calor é tão presente. Então nada mais justo do que transmitir isso através de uma evolução totalmente solta, alegre, brincante”, disse Márcio Santana, diretor de carnaval da escola.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Rubens de Castro e Janny Moreno teve um desempenho satisfatório no ensaio. A felicidade ao final do treino corrobora com a análise. Mostraram movimentos sincronizados, sorriso no rosto, coreografia leve dentro do samba e de fácil leitura. Ambos ensaiaram vestidos com fantasia. O vento forte e a vestimenta não impediram Janny de segurar o pavilhão com sutileza.

DragoesDaReal et PrimeiroCasal

“Foi bom, mas tem que melhorar ainda. O vento não foi muito parceiro, mas foi bom, eu gostei. Foi animado, foi divertido”, declarou a porta-bandeira, Janny Moreno.

“É lembrar que o andamento que teve aqui atrapalhou um pouquinho o nosso treinamento, que é outro andamento em relação ao que treinamos aqui. Hoje a escola está todinha aqui, então muda um pouco os aspectos. Para o próximo, nós ajustamos esses erros mínimos para nos tornarmos agradáveis para nós dois. Nós queremos nos divertir”, completou o mestre-sala, Rubens de Castro.

Evolução

A Dragões da Real adotou uma estratégia diferente para evoluir neste ensaio. Em anos anteriores, a escola sempre inventava coreografias dentro do samba para toda a comunidade fazer. Porém, com a chegada do carnavalesco Jorge Freitas, que participa diretamente em todos os setores da agremiação, sem dúvidas houve uma conversa para deixar o componente totalmente solto, pois o samba pede isso. É um hino explosivo, leve e que permite o componente brincar de carnaval. Também tem a questão da ‘comunidade de gente feliz’ desfilar como última escola do sábado. Isso pode ter influenciado a decisão. A comunidade atendeu o chamado e está comprometida com toda a dança.

Samba-Enredo

É um dos melhores sambas do carnaval. É totalmente carne e osso cara de Dragões da Real. É um somatório de trilhas sonoras alegres que a agremiação costumeiramente levou para a avenida desde que subiu, no ano de 2012. A arrancada foi um espetáculo. As primeiras passadas davam a impressão de que estávamos em um estádio de futebol. O samba da Dragões da Real foi praticamente escolhido desde as primeiras divulgações nas eliminatórias. A comunidade abraçou totalmente. Destaque para Renê Sobral e sua ala musical, que executam o papel de segundas vozes incríveis, dando tons melódicos que enriquecem ainda mais, especialmente nos primeiros versos pós refrão do meio. “Óh mãe, senhora da fé paraibana… A mulher tem sua luz, emana uma força soberana”.

DragoesDaReal et ReneSobral

O intérprete Renê Sobral avaliou o ensaio e rasgou elogios ao samba. “Foi o nosso primeiro ensaio técnico, experimentamos muitas coisas e depois faremos uma certa ‘limpeza’, para no próximo ensaio já prepararmos o que será apresentado na avenida. Hoje foi um ensaio muito bom, a resposta da comunidade em relação ao canto foi satisfatória, a gente sempre pede mais, mas foi satisfatória. A escola cantou bastante o samba que é bem agradável, que não é cansativo. A bateria fez um grande show, uma sustentação maravilhosa para o canto da escola, trazendo a agremiação para um andamento sem oscilações. Não notei oscilações, às vezes em uma bossa o andamento cai ou acelera, não teve nada disso. Os ensaios estão indo muito bem. Obviamente não está 100%, da parte técnica ainda vai trabalhar ainda mais para chegar à perfeição. Saiu muito satisfeito com a comunidade, com a ala musical, com a bateria. Estamos no caminho certo. Eu sou da opinião que uma escola começa a ganhar um carnaval quando ela escolhe um bom samba. Um samba de fácil aceitação e canto para o público, para a escola. Gosto do ‘menos é mais’. Sem trava-línguas, com poucas palavras dentro das frases. O refrão não precisa ser chiclete ou oba-oba, mas inteligente, porém com palavras fáceis para o povo tirar onda na avenida e cantar. Esse samba é exatamente assim. O samba é alegre, traz a alegria de João Pessoa para a escola. Foi muito bem escrito e elaborado para esse enredo. Estou muito satisfeito com esse samba”, contou.

Outros destaques

A bateria ‘Ritmo que Incendeia’, regida por mestre Klemen Gioz, teve um grande desempenho nesta noite. Realizou bossas que interagiram bastante com a comunidade. O ‘breque’ que fica nos últimos versos e refrão principal foi a de grande destaque pela grande presença auditiva de todos os surdos (principalmente o de terceira), interagindo com as caixas.

DragoesDaReal et Simone

O mestre Klemen analisou o ensaio. Veio bem. Como de clichê, todas as baterias têm que acertar alguns detalhes. Mas está correndo conforme o esperado, combinado, o nosso Plano A está sendo bem executado graças a Deus. Gostei do desempenho da escola, que já tem uma história aqui no Anhembi muito boa. Eu só tenho a agradecer. A bateria desenvolveu, a escola desenvolveu. Fizemos o nosso papel”, avaliou.

DragoesDaReal et MestreKlemen

Alas criativas coreografadas fizeram parte do treino. O carnavalesco Jorge Freitas, comemorando seu aniversário, fez questão de estar presente no ensaio da Dragões da Real. Como sempre, foi muito ativo com a comunidade.

Colaboraram Lucas Sampaio e Will Ferreira

Independente Tricolor mostra que está pronta para conquistar a Avenida em seu segundo ensaio técnico

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A Independente Tricolor realizou seu segundo ensaio técnico na noite desta quarta-feira, feriado municipal na cidade de São Paulo. Com destaque para a grande melhoria geral no desempenho, a escola mostrou que está praticamente pronta para o desfile oficial ao realizar um belo espetáculo no Sambódromo do Anhembi, com seu treinamento finalizado sem preocupações com uma hora e quatro minutos. A Tricolor será a primeira escola a desfilar na sexta-feira, dia 17 de fevereiro, com o enredo “Samba no pé, lança na mão, isso é uma invasão!”.

Comissão de Frente

Uma dança valente como os povos retratados pelo enredo da Independente. A comissão de frente se destaca por componentes fazendo movimentos rápidos e cruzando entre si, algo que exige muito ensaio e confiança nos seus parceiros. Ao menos nesse ensaio, tudo funcionou bem ao alcance do que foi visto. A dança aparenta passar entre duas passagens do samba, mas de acordo com o coreógrafo Arthur Rosas, a cada ensaio os dançarinos representarão um povo diferente. Hoje foram os troianos. Até o momento, excelente. Bela maneira de apresentar a agremiação.

IndependenteTricolor et Comissao
Fotos de Fábio Martins/Site CARNAVALESCO

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O casal da Independente, formado por Jeff Antony e Thais Paraguassu, apresentou uma dança digna do clima apresentado pelo ensaio da escola. Sincronia ótima de movimentos, confiança nos olhares de um para o outro. Nem o vento que fazia no primeiro módulo impediu o pavilhão Tricolor de ostentar sua beleza. Nos últimos jurados, parece até que os deuses resolveram se render, abrilhantando ainda mais a apresentação da dupla, que falou a respeito ao analisar o próprio desempenho no ensaio.

“Hoje a gente conseguiu cumprir todos os quesitos obrigatórios na frente dos quatro jurados, graças a Deus. O vento hoje foi cruel, muito forte. Foram rajadas e rajadas. Mas é assim que funciona, não sabemos como será no dia. Deu para contornar, e agora é esperar o momento”, disse Thais.

IndependenteTricolor et PrimeiroCasal1

“Não me atrapalha diretamente, mas se atrapalha a minha porta-bandeira, é um conjunto. Eu tenho que ter todo um jogo de cintura, uma preocupação para com ela, para que possamos juntos conseguir driblar essa crise do vento. Não contamos com fenômenos naturais, mas nos preparamos para qualquer coisa. Por mais que a gente se prepare, ela molha o pavilhão para ter um peso maior, mesmo assim o vento ainda sempre é uma questão de ficarmos de olho. Mas nada que atrapalhe o nosso desempenho. Hoje fizemos um ótimo ensaio, e já nos sentimos preparados às vésperas do Carnaval. Por mais que tenhamos feito um bom trabalho, sempre vamos nos cobrar. Eu e a Thaís temos isso. No próximo ensaio vamos querer dar o máximo da gente ainda, mas estamos aqui firmes e fortes, rumo à vitória”, afirmou Jeff.

Após a dura batalha travada contra o vento, Thais saiu vitoriosa. Mesmo assim, a dançarina acredita que é preciso sempre estarem atentos a todas as situações.

“Sempre tem. Até no dia tem. Nós ensaiamos no dia do desfile, e às vezes alteramos algum detalhezinho. Sempre pensamos: se chover, vamos alterar tal coisa. E se ventar, vamos alterar tal coisa. No dia do desfile, ensaiamos também na parte da manhã, e se a gente ver que o clima está meio estranho, nós fazemos alterações também”, explicou.

Com o encerramento do ensaio, Jeff e Thais comemoraram com os demais componentes e dedicaram a eles os créditos pelo sucesso neste segundo ensaio técnico da Independente Tricolor.

IndependenteTricolor et PrimeiroCasal

“Eu falo que é sempre uma emoção muito grande cada ensaio, porque é uma comunidade muito aguerrida. Uma comunidade que parece que guarda todo o fôlego para jogar na Avenida. É demais essa sensação de ver o canto ecoar. Parece que os Independentes são aquele povo que querem mostrar que a escola realmente é uma escola forte e aguerrida, que não fica devendo nada para nenhuma coirmã”, declarou Jeff.

“Para nós é sempre uma alegria finalizarmos o nosso ensaio e parar ali perto do portão para admirar a comunidade, porque eles cantam muito, muito, muito. É um orgulho tão grande de pertencer a essa escola, de defender o pavilhão dessas pessoas que estão aqui. O canto realmente é sempre o diferencial”, acrescentou Thais.

“E isso puxa a gente. Eu e a Thais ficamos “Nossa Senhora! A escola está nesse gás, temos que ficar com o gás em dobro para compensar e estar junto!”, porque não adianta virmos desanimados e olhar para trás e ver eles. Esse canto é o gás que nos faz entrar com tudo. É bem bacana”, finalizou o Mestre-Sala.

Harmonia

O canto da escola cresceu significantemente em relação ao primeiro ensaio. A vontade de batalhar está evidente no olhar da maioria dos componentes, e ajudaram a dar beleza e vida ao samba da Independente. A ala ABC, apesar de um pouco menor em tamanho, mandou muito bem nesse quesito.

Mas ainda há o que ser corrigido. É difícil entender, mas a ala coreografada que virá na frente do segundo carro só canta alguns versos intercalados enquanto se apresenta. Isso atrapalhou o ritmo de canto das alas que vem depois da alegoria, que atravessou em momentos-chave, como no primeiro apagão que a bateria experimentou. A direção de harmonia parece conseguir lidar com isso rapidamente, mas o ideal é não correr esse tipo de risco.

Evolução

A Independente desfilou pela Avenida sem apresentar o menor sinal de preocupação com o tempo. Ajustes precisam ser feitos no alinhamento entre algumas alas, mas em questão de ritmo de desfile a escola está bem ajustada. Os componentes puderam curtir o espetáculo, o que é fundamental para a magia do Carnaval acontecer. Ponto para a Tricolor.

Douglas Pinto, um dos diretores de harmonia da Independente, fez sua análise do desempenho dos quesitos técnicos no ensaio.

“O ensaio foi muito bom. Deu para ver que a escola canta demais, está cantando muito. Usamos o ensaio para tirar algumas divergências que ocorreram no primeiro. Tivemos algumas melhorias e apareceram outras correções para fazer, por isso é ensaio. Esperamos no último, o terceiro, sanar todas essas últimas falhas, mas no geral o ensaio foi muito bom. A escola evoluiu bem, cumprimos todo espaço, fizemos no tempo certinho, não aceleramos o andamento, nem retardamos o andamento, não precisamos segurar. Foi muito bom ensaio”, declarou Douglas.

IndependenteTricolor et Comunidade

Em relação a melhorias percebidas em relação ao primeiro ensaio, Douglas destacou os elementos de dança apresentados pela Independente.

“Alguns quesitos, como o módulo dança, tem que andar em conjunto, por isso é módulo. São casal e evolução, só que a gente teve que ajustar para um quesito ajudar o outro, e isso deu muito certo. Tínhamos encontrado algumas dificuldades, divergências. Quando você faz o primeiro ensaio, você junta a evolução da comissão, do casal, com evolução da escola, e daí muitas vezes tem os ajustes, e esses foram bem resolvidos neste ensaio. Foi bom, a ênfase maior foi o módulo dança”, explicou.

Por fim, o diretor exaltou a presença da comunidade, apesar do horário no qual a Tricolor realizou seu ensaio. “Foi a comunidade vir esse horário, onze horas da noite em peso, e cantar desse jeito, foi o ponto forte”, concluiu.

Samba-Enredo

Um pouco irregular no primeiro ensaio, o samba desta vez mostrou que pode ser protagonista na grande epopeia que a Independente apresentará na Avenida. É sempre bom ver a comunidade cantando animada, e a obra da Tricolor estava mais viva na voz da maioria dos presentes na pista. Pode melhorar. Pessoas em algumas alas ainda precisavam de uma colinha para ajudar, mas vejo isso como um esforço positivo na meta de fazer parte desse grande time.

O intérprete Pe Santana foi mais um a exaltar o canto da comunidade como fundamental para o grande ensaio realizado pela Independente.

IndependenteTricolor et InterpretePeSantana

“Falar do canto da nossa comunidade é chover no molhado. Como eu sempre digo nos bate-papos, o grande forte da Independente sempre foi o chão. É um chão muito forte, aguerrido e vem provando isso no ensaio de quadra a cada tempo que passa, nos ensaios de rua e agora nesse segundo ensaio que a gente teve a oportunidade de realizar hoje. Acredito que ainda temos muitas coisas pra ajustar. É normal, ensaio é pra isso, porém tenho certeza de que pela cara da imprensa, dos presidentes e dos amigos que ficam na arquibancada, foi extremamente positivo”, celebrou.

Quanto ao desempenho do time de canto no ensaio, o cantor acredita que estão no caminho certo.

“Hoje já estamos sincronizados. Conseguimos dissecar mais para deixar o samba mais valente. Fizemos ensaios no meio da semana e fio positivo hoje. Vamos tentar fazer algumas correções para o próximo ensaio técnico que está por vir”, concluiu Pe Santana.

Outros destaques

A ala das baianas é uma das que mais cantou até o momento nessa temporada de ensaios técnicos e foi curioso destaque do ensaio da Independente. Os giros das senhoras podem ser belos, mas com o vigor e a alegria nos olhos percebidos foram fatores que engrandeceram ainda mais o espetáculo apresentado pela escola.

A bateria “Ritmo Forte”, comandada pelo mestre Cassiano de Andrade, mostrou ousadia nas bossas e coragem nos apagões, provando a grande confiança que tem na comunidade. O mestre aprovou o desempenho da escola neste segundo ensaio técnico.

“A gente teve uma evolução bacana do primeiro ensaio para esse. Não teve muito tempo de um ensaio para outro, mas tivemos evolução. Gostei bastante da evolução da escola e o canto, deu pra ficar nítido. Agora é trabalhar e peneirar bastante para corrigir alguns erros que podem ter passado despercebidos. Vamos atrás para fazer o melhor para a bateria”, afirmou.

Quanto a novidades em preparação por ele e sua equipe, como bossas ou paradinhas, Cassiano explicou o trabalho realizado com os ritmistas da escola.

“É trabalhar para o samba, escola e bateria. Não quer dizer que ao fazer isso, você está fazendo apenas pela bateria. Você consegue um meio termo. Trabalhar pela bateria, um pouco do ego do ritmista e trabalhar pela escola, sendo bem firme para todo mundo cantar”, explicou.

IndependenteTricolor et MestreBateria

A Independente Tricolor encerrou seu segundo ensaio técnico dando a sensação de que está praticamente pronta para o desfile. A melhora geral da escola em relação ao primeiro treinamento na Passarela do Samba foi explícita, e a ascendente do Grupo de Acesso surpreendeu pela grande coesão de seu conjunto. Os pequenos problemas apontados têm tudo para serem ajustados até o terceiro ensaio, mas com base no que o público que compareceu ao Sambódromo do Anhembi presenciou na noite desta quarta-feira, estamos diante de um exército pronto para encarar a mais importante batalha da sua história.

Colaboraram Gustavo Lima e Will Ferreira

Entrevistão com os mestres do ritmo: Gustavo e Guilherme carregam vínculo afetivo com o Salgueiro e revelam talento em prol da ‘Furiosa’

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Assumir a bateria do Salgueiro jamais poderia ser uma missão fácil, mas os irmãos Guilherme e Gustavo, nascidos e criados na comunidade, não recusariam de forma alguma. Sem ao menos saber, os dois se tornaram mestres pouco antes da pandemia de Covid-19. Após anos conturbados, eles sentem que finalmente terão a oportunidade de mostrar sua essência de trabalho. Em entrevista concedida ao site CARNAVALESCO, a dupla contou sobre o passado, inspirações e a constante vontade de inovar que os persegue.

mestres guilherme gustavo salgueiro
Foto: Luisa Alves/site CARNAVALESCO

Hoje, após a entrada de vocês, em 2019, qual é o balanço que fazem do trabalho nesse período?

Gustavo: “Quando entramos, em 2019, passamos por um curto período de reformulação da bateria. Muita gente queria voltar, poucas pessoas saíram, tivemos esse impasse. Naquele curto período em que assumimos a bateria, ainda em dezembro de 2018, até o carnaval de 2019, a bateria passou por uma certa reformulação. Foi o que a gente conseguiu arrumar e decidir rápido para o desfile. Aí chega o carnaval de 2020, no ano seguinte, e foi o ano em que conseguimos estabelecer um pouco das nossas ideias e do que pensamos sobre a bateria do Salgueiro. Muito do que aprendemos e crescemos escutando, as nossas concepções musicais, de trabalho e logística em torno da bateria. Só que chegou a pandemia e deu esse corte na linha do tempo de todos. Ninguém sabia o que ia acontecer, ficamos muito tempo parados, e quando veio o carnaval de 2022… foi difícil. Não sabíamos se teria ou não, e retornamos para a situação atípica de um entra e sai de pessoas. Várias pessoas ainda estavam com medo, e nós obviamente entendemos. A dinâmica de ensaio também precisava ser diferente, com máscaras e o distanciamento social. Foi um ano em que, assim que chegou em janeiro, não sabíamos se ia ter carnaval. Foi adiado para a abril. Por um lado, foi bom, porque conseguimos acertar detalhes que não conseguiríamos se fosse no período normal. Conseguimos fazer um carnaval bonito e implantar as nossas ideias. Desde que assumimos a bateria, essa foi a primeira vez em que conseguimos fazer um trabalho mais orgânico e certo. Messe atual carnaval de 2023, a gente consegue entender mais o que está acontecendo. A gente consegue se entender, transmitir mais o que queremos e o pessoal compreende mais. Contei um pouco a história para explicar o motivo de termos uma bateria realmente consolidada agora. Nossos ritmistas são bem unidos, estão dentro da dinâmica. Eu estava até comentando com o Guilherme quase agora. Hoje eu fiz uns movimentos nos grupos, de energia, mostrando que falta só um mês para o nosso desfile, e foi engraçado porque ficou um falatório ali no WhatsApp. Todo mundo animado, brincando. Hoje temos uma visão de que o nosso trabalho está um pouco mais consolidado e, graças a Deus, estamos conseguindo transmitir isso para o público”.

Na parte técnica, o que mudaram na bateria comandada pelo Marcão e agora por vocês?

Guilherme: “Logo quando a gente assumiu, tinha umas coisas do gosto dele que já não gostávamos tanto. Alguns detalhes. Aumentamos o número de taróis, ele usava bem menos. Abaixamos a afinação dos surdos, para trazer de volta as nossas referências da década de 1990, que ouvíamos bastante na bateria do Louro. Uma das coisas que mantivemos foram as caixas vazadas, que foram trocadas por volta de 2016. Essas caixas têm os timbres mais agudos. Lembro que, bem antes de sermos mestres de bateria, íamos na Sapucaí para assistir aos ensaios de outras escolas e comentávamos que, de longe, dava para escutar muito mais os surdos. Só escutávamos as caixas quando a bateria chegava bem perto. A caixa vazada te dá essa possibilidade de levar o som do instrumento numa distância maior. Foi isso. De resto, a nossa forma de criar, os nossos shows… todos têm uma identidade própria, sabe? Fazemos isso, e resgatamos um pouco das nossas referencias antigas”.

Neste contexto, o que representa para vocês estar à frente da bateria do Salgueiro?

Guilherme: “Acho que a ficha demorou para cair, não sei nem se caiu totalmente. Porque hoje, se for olhar na história do Salgueiro, a escola vai fazer 70 anos, temos dois mestres que são muito conhecidos e juntos ficaram 47 anos. O falecido mestre Louro e o mestre Marcão. Foram 32/33 anos do Louro e 14 do Marcão. Teve um ano do Jonas também. Antes do Louro, tivemos alguns outros mestres… O que os mais antigos contam é que os mestres de bateria eram os mais poderosos do morro, mudava com frequência. Mas você vê esses grandes nomes e agora, caramba, Guilherme e Gustavo. A gente sabe que a responsabilidade é enorme, assistimos vídeos muito antigos… Hoje mesmo estávamos debatendo um filme. Sabemos que somos figuras importantes dessa agremiação absurda. A gente percebe o sucesso que o Salgueiro tem até mesmo fora do brasil, porque recebemos mensagens de amantes do samba espalhados pelo mundo inteiro. Fora a exposição que temos, os convites e oportunidades que recebemos. Eu vou ser julgador do carnaval da Argentina agora, no início de fevereiro. Já temos viagem marcada para Portugal, para um festival de samba. Isso tudo pela exposição que o Salgueiro nos dá. Obviamente, sei também que tem o nosso mérito, não chegamos aqui à toa, não caímos de paraquedas. Estudamos muito. Esse ano, entre escola mirim e Salgueiro, completo 30 anos na escola. Desfilo desde os oito anos. Além disso, nascemos ali. Sabemos da responsabilidade, mas também penso que se tivéssemos vindo de fora sentiríamos mais. Como estamos no nosso ambiente, é mais tranquilo. Eu já era diretor de bateria desde 2010, fora os anos de ritmista. Estamos em casa. Sabemos da responsabilidade e sentimos um friozinho na barriga, mas estamos em casa”.

mestre guilherme salgueiro
Foto: Luisa Alves/site CARNAVALESCO

Gustavo: “A minha questão também é parecida com a dele, pelo fato de sermos irmãos. Mas eu não simplesmente tinha o sonho de ser mestre de bateria, percorri um caminho que me levou a isso. Fui mestre da bateria da escola mirim por cinco anos, então trilhei esse caminho. Hoje em dia isso representa a nossa história. Conseguimos, através das nossas jornadas, chegar aqui e, como o Guilherme falou, representar todas as ancestralidades. Um pessoal que foi importante não só para o samba, como para a música popular brasileira num todo”.

Como irmãos a amizade e o companheirismo é grande, mas como mestres como é a relação de vocês?

Gustavo: “Isso é uma coisa que muita gente pergunta, mas costumamos dizer que sempre trabalhamos juntos. Apesar de eu ser mais novo, tivemos nosso pontapé na música praticamente na mesma época. Nós dois tocamos em orquestras. Quando eu cresci, começamos a tocar juntos em várias bandas e gravações. Nesse momento de assumir a bateria, surgiu como um trabalho a mais para a gente. Discutimos o tempo todo, inclusive já discutimos em dia de desfile, mas é normal de irmão. De trabalho também. Às vezes tenho uma opinião, ele tem outra, e até chegar num consenso pode ser complicado”.

Guilherme: “Gostamos de coisas diferentes. Em algum momento, alguém precisa ceder, mas, na verdade, concordamos na maioria das vezes. É exatamente o que ele disse. Continuamos trabalhando juntos fora do Salgueiro também. Fazemos parte da banda do Xamã, por exemplo. O fato é que conversamos muito para sempre chegarmos num acordo”.

Dentro de uma bateria, qual é o instrumento que cada um mais gosta e por qual motivo?

Gustavo: “O instrumento que eu mais me identifico na bateria é o tarol, por ter sido o meu primeiro. Desfilei várias vezes tocando o tarol na bateria, então tenho muito carinho. Acaba sendo uma ala que eu pego muito no pé também, mas eles gostam dessa valorização e apreciação que eu tenho. Só que… É engraçado porque eu gosto demais de tocar tamborim também, sabe? Tanto que até o Ewerton, que é fotógrafo e faz os nossos vídeos, gravou um vídeo meu tocando tamborim no sábado. Eu postei, todo feliz, porque eu amo tocar tamborim”.

mestre gustavo salgueiro

Guilherme: “Eu já tive um instrumento preferido. Na época da escola mirim, comecei tocando caixa e eu adorava. Aí quando adolescente, já desfilei tocando quase todos os instrumentos da bateria. O tempo passa e você pega apreço por outros. Então, eu sou de épocas, sabe? Hoje, como mestre de bateria, eu posso dizer que não tenho um preferido, mas ao longo da vida já tive vários”.

Hoje, as baterias, além das paradinhas, têm que fazer coreografias. O que pensam sobre isso e quem faz as coreografias da bateria do Salgueiro?

Gustavo: “A coreografia não é algo tão primordial para o nosso trabalho. Tanto que nos nossos dois primeiros anos, não fizemos nada nesse aspecto. A gente preza mais a linguagem musical, do que a questão corporal, como as coreografias. O que temos muito é: a ala de chocalho faz um passinho entre eles, outra ala também… mas é um detalhezinho deles mesmo. Para não dizermos que não fizemos nada, no nosso último carnaval, em que falávamos sobre resistência, todos ajoelhamos e cerramos os punhos. Não chegou a ser uma coreografia, mas fizemos um movimento”.

Guilherme: “Para mim, são dois pontos. No dia do desfile, estamos buscando nota máxima para a escola. O julgador se preocupa com ritmo, afinação, cadência, criatividade, retomadas… e eu acredito que precisamos de foco para isso. Por outro lado, a questão da dança ajuda a trazer o público para você. Dá um gás no desfile, mas o julgador não se importa tanto. Se você conseguir conciliar os dois, ótimo, mas atualmente o nosso foco é nota”.

Qual é importância de ter oficina de percussão na formação de novos ritmistas? Como vocês renovam a bateria dentro do Salgueiro?

Gustavo: “O Salgueiro, como algumas outras escolas, dá muito valor a escola mirim. Gosto de bater nessa tecla. Acho que o carnaval devia reconhecer mais a escola mirim. Muitos artistas, assim como nós, vieram da escola mirim. A gente tem também a oficina de percussão para o pessoal mais velho, que acontece nas segundas-feiras na quadra. Cada turma tem seu monitor que ensina tudo direitinho. A escola mirim tem essa energia infantil… Caramba, às vezes parece hereditário. Chega um filho de um ritmista com seis anos que toca muito. A gente gosta de participar disso, é um trabalho orgânico. Então, temos esses dois lados maravilhosos.

Como funciona na cabeça de vocês ter que inovar todo ano e manter a nota máxima do quesito?

Guilherme: “A gente gosta. A nossa vida inteira foi praticamente nos palcos, dentro do showbusiness. Assistimos muita coisa que envolve criatividade. Hoje em dia todo mundo faz, e se você não faz fica um pouco para trás. Sei que é importante ir um pouco contra a maré, mas estar ali junto também proporcionando esse espetáculo… A gente gosta muito. Tem gente que não gosta, é mais tradicional, mas precisamos lembrar que é carnaval, sabe? É para ser mágico. Eu comparo o carnaval com vários outros espetáculos, apesar de sermos o maior da terra. A gente se inspira muito para criar, principalmente lá na quadra. Colocamos fumaça na bateria, alguns repiques deslocados na quadra… A gente gosta dessa interação com o público, que eles gritem pela bateria. Tentamos levar um pouco disso tudo para a Sapucaí também. Nos espelhamos em vários outros grupos de percussão. Acho que quase todo ritmista já assistiu ‘Drumline’, um filme americano sobre bandas marciais, que mostra essa questão do show mesmo. Enfim, o carnaval é tão mágico quanto a Disney. Você chega e encontra cores, fogos, fantasias grandiosas… Acho que se temos isso na cabeça, a chance de dar certo é grande. Ser campeão é outra coisa, depende de muitos outros fatores. Temos vários carnavais históricos que não foram campeões. Mas para fazer um grande carnaval, ter um grande samba é o primeiro passo. Essa questão da criatividade tentamos levar sempre no que fazemos. Como a gente gosta, todo ano a gente tenta… não fazer melhor, mas ser tão excelente quanto”.

Aliás, a chuva de notas 10 para as baterias em 2022 é correta? As baterias estão em alto nível mesmo? E qual é o motivo disso?

Gustavo: “As baterias estão num nível absurdo, todos trabalham há muito tempo. Hoje em dia, as pessoas pesquisam mais o que fazer. Tem essa relação da bateria com o enredo, então buscam inovar também. No pré-carnaval, acontecem ensaios exaustivos. Elas estão tão boas que você vê que, hoje, a bateria que perde ponto recebe a justificativa de ter sido por um detalhe bem especifico que aconteceu no desfile. Mas é isso, está certo. Tem que dar nota 10 mesmo”.

A Viviane Araújo é uma rainha ritmista. Como é a relação de vocês com ela? E pensam em utilizar ela para alguma coreografia ou bossa?

Guilherme: “Quando a Viviane chegou no Salgueiro, estávamos lá também. Foi uma apresentação no Cristo Redentor. Então, a nossa relação com ela vem desde 2007 e é muito boa. Conversamos muito, trocamos mensagens, opinamos nas escolhas dos sambas. Ela é uma rainha presente e representa muito bem a bateria. Espero que ela continue por muito tempo”.

Gustavo: “Sobre usar nas bossas, geralmente usamos em outras coisas. O que ela faz ali na frente já é informação suficiente”.

Quem é sua referência em bateria no carnaval? E por qual motivo?

Gustavo: “Como o Guilherme disse antes, por crescermos no Salgueiro, a grande referência de todos os ritmistas da escola sempre foi o mestre Louro. Ele deu a cara da Furiosa como ela é hoje. Também temos vários amigos da nova geração que são mestres incríveis, trocamos ideias, mas a minha referência mais antiga sempre foi o Louro”.

Guilherme: “Eu acho que a gente é muito clubista”.

Qual a preferência de cada um: Bossas ou passa reto? E por qual motivo?

Guilherme e Gustavo: “Bossa”.

Gustavo: “É que a gente vem de uma geração que pegou o final na década de 90, em que as baterias eram mais retas, para os anos 2000 em que a criatividade foi cobrada. Virou critério de julgamento. Então, as baterias vêm numa crescente vontade de fazer convenções com o enredo. De uns tempos para cá, algumas pessoas decidiram preferir fazer o mínimo, mas a gente não. Tem que juntar o ritmo e com uma atitude ousada”.

Guilherme: “Esse ano a gente faz uma bossa em que paramos na entrada do refrão que canta ‘Vermelha paixão salgueirense que invade a alma, tá no sangue da gente’. Qual salgueirense não gostaria de cantar isso? Então, quando a gente para a bateria para a comunidade cantar, traz emoção para o desfile. Por isso somos tão a favor da bossa. Cada um constrói como quer, mas acho que eleva o samba-enredo”.

Sobre fantasia, como foi até hoje a conversa com os carnavalescos que passaram pela escola e como está sendo agora com o carnavalesco para o desfile de 2023?

Guilherme: “Fantasia tem que ser leve e com chapéu pequeno. Tocar cansa, ainda mais se a escola for desfilar tarde. Todo mundo fica pilhado o dia inteiro”.

Gustavo: “O ritmista tem que estar confortável para tocar”.

Guilherme: “Sim, nós ensaiamos o ano inteiro sem fantasia. Imagine chegar no dia e ter que vestir algo pesado, que tampe sua visão ou ouvido”.

Ator Ataíde Arcoverde terá participação especial no desfile da Vila Isabel

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A Unidos de Vila Isabel prepara diversas surpresas para brindar o público com um grande desfile no Carnaval 2023. Além da comunidade, que vem ensaiando forte desde a escolha do samba-enredo, em outubro do ano passado, a escola contará com outras participações especiais que prometem divertir bastante na avenida. Uma delas será a do ator Ataíde Arcoverde, que aceitou o convite do carnavalesco Paulo Barros.

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Foto: Divulgação/Vila Isabel

“Ganhei um presente da vida. Fui convidado por essa pessoa genial, o Paulo Barros, e estarei no desfile. Estou me sentindo em casa. É simplesmente um luxo”, comemora o artista, que esteve no barracão da escola na última semana. “Agradeço de coração pelo que ele está fazendo e pelo que vai fazer pela Vila Isabel na avenida”, complementa o carnavalesco Paulo Barros.

Ator, humorista e professor de interpretação, Arcoverde tem uma longa carreira no cinema e na televisão, tendo se destacado em papéis como Salsichão, do “Zorra Total”, e Raulzito, da sitcom “Família Paraíso”, da TV Globo.

A azul e branca do bairro de Noel será a terceira escola a desfilar, na segunda-feira de Carnaval, com o enredo “Nessa festa, eu levo fé!”.