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Grande Rio seleciona gêmeos para desfilar em carro alegórico

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O Acadêmicos do Grande Rio está com vagas abertas para interessados em participar da seleção de uma dupla de gêmeos idênticos para desfilar em um dos seus carros alegóricos no Carnaval de 2023. A escola, que vai levar para a Avenida o enredo “Ô Zeca, o pagode onde é que é? Andei descalço, carroça e trem, procurando por Xerém, pra te ver, pra te abraçar, pra beber e batucar”, em homenagem a Zeca Pagodinho, apresentará, em seu desfile, um percurso pelos subúrbios cariocas e suas tradições.

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Nele, uma alegoria representará a infância do artista nos bairros de Irajá e Del Castilho, com suas brincadeiras e referências ao universo infantil e à religiosidade ligada a ele, como a devoção aos santos Cosme e Damião.

Os candidatos devem ser homens negros de 14 a 35 anos, com altura mínima de 1,70m e, de preferência, serem moradores do município de Duque de Caxias. Para participar, basta enviar uma foto da dupla para o e-mail [email protected] com nome, idade, altura e telefone de contato. A Grande Rio será a segunda escola a desfilar no domingo de Carnaval, dia 19 de fevereiro de 2023.

Após disputa por quadra, Rafael Falanga tranquiliza MUM: ‘É questão de tempo ganhar esse processo’

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Os últimos dias do mês de janeiro de 2023 foram bastante agitados para a Mocidade Unida da Mooca. E isso não engloba apenas o desfile da agremiação da Zona Leste de São Paulo, que levará para a avenida o enredo “O Santo Negro da Liberdade”. O cerne da questão é uma ação do Ministério Público de São Paulo, que pede a reintegração de posse da área em que está instalada a quadra da escola de samba.

O local, que fica abaixo do Viaduto Bresser, foi solicitado pelo poder público no dia 23 de janeiro. Em comunicado via redes sociais, a escola informou a comunidade e o grande público, também conclamando para uma manifestação no local:

Horas depois, porém, um recurso pedido pela escola foi acatado. Ou seja: nada aconteceria com o local. Também via redes sociais, a MUM comemorou:

Mas… o que de fato aconteceu para que toda essa celeuma acontecesse há cerca de vinte dias do desfile da escola no carnaval 2023? O que a Mocidade Unida da Mooca tinha para falar? Para responder a todas essas perguntas, a reportagem do CARNAVALESCO conversou com exclusividade com Rafael Falanga, presidente da agremiação, após o primeiro ensaio técnico da instituição no Anhembi, no dia 25 de janeiro.

Visão da Mooca 

Desde o começo de 1990 no mesmo importante local para o bairro da Mooca, já que o Viaduto Bresser liga o bairro da Zona Leste à região central de São Paulo, a área em que a escola está instalada é motivo de polêmicas há tempos, de acordo com Falanga. A agremiação, entretanto, na visão dele, está agindo sempre de acordo com a legislação vigente.

“A MUM tem direito adquirido sobre aquela área, que sempre foi considerada insalubre. Nós tivemos diversos subprefeitos que passaram pela Mooca, diversos problemas quanto à reintegração, mas chegamos em um acordo. O que aconteceu é que nós temos uma nova configuração na municipalidade e, aí, eu não sei porque cargas d’água foram levantar esse processo de 2015, que, para mim, já estava até finalizado e arquivado. A verdade é que em 2017 nós fomos reintegrados, até com o subprefeito pedindo para a gente retornar, oficiando o juiz do Ministério Público e com o documento pedindo esse retorno em anexo por risco de invasão de moradores em condição de rua dessa área. Em 2019 ou 2020 sai a lei das áreas sancionadas pela Câmara dos Vereadores, do então vereador Milton Leite. A gente entra com o pedido de área e ganha, com tudo oficiado no Diário Oficial. Foi nisso que o nosso advogado se apegou e defendeu. O juiz do tribunal acatou na hora, já que a juíza primeira instância não quis analisar o caso. Com o agravo no tribunal, a liminar foi concedida na hora. Há uma contradição nesse caso: a Prefeitura pede, depois reintegra, aí pede pra gente voltar, publica no Diário Oficial por quarenta anos a área em cima de uma lei e, depois, pede a área de volta. É questão de tempo a gente ganhar esse processo, tenho muita fé que, depois do carnaval, a gente vai comemorar ainda mais”, explica, pormenorizadamente.

Se serve de consolo após tanta polêmica, a Mocidade Unida da Mooca não deve sofrer mais por motivos jurídicos envolvendo a área da quadra da escola até o desfile de 2023. “A gente tem, como prazo jurídico, cerca de sessenta dias. Então é só depois do carnaval, mesmo. Quinze dias para a Prefeitura responder, quinze para a gente de se defender, quinze para o juiz analisar. A gente sabe que a Justiça, aqui, é… não vamos falar da Justiça, mas, quando falam de quinze a trinta, espero que se resolva rápido. Tenho certeza que a gente vai ganhar aquela área definitivamente”, comemorou Falanga.

Mobilização da comunidade 

Como a própria postagem no Instagram deixou claro, todos os ligados à Mocidade Unida da Mooca se uniram em prol da manutenção da área onde está localizada a quadra da escola de samba. A manifestação dos componentes e simpatizantes, de fato, aconteceu – e, claro, foi exaltada pelo presidente. “A comunidade da MUM é muito unida. Eu nem gosto de chamar o meu pessoal de componente ou desfilante, aqui a gente conhece as pessoas pelo nome. Isso é uma alavanca. Essa é a grande realidade. A gente transformou essa adversidade em uma alavanca. O povo está motivadíssimo, foi para a quadra em um manifesto, se abraçou, teve peito para encarar. Graças a Deus saiu a liminar na hora certa, a gente comemorou e vai fazer desse desafio uma alavanca para ir para o Grupo Especial”, destacou.

A força da comunidade mooquense é tanta que sequer passa pela cabeça do presidente da escola de samba ir para outro local caso algo aconteça envolvendo a ação de reintegração de posse da quadra. “O plano B é ir para a rua, porque a Mooca ela começa na rua, é oriunda da rua. A gente inicia as nossas atividades em 1987 na Rua dos Trilhos, somos remanejados em 1991 para o viaduto e damos continuidade aos nossos trabalhos lá. A gente entra naquele viaduto e não tinha um tijolo de parede, construímos tudo em uma luta de mais de trinta anos aquilo ali. Mas, se for preciso, vamos para o lado de fora, na porta da quadra, do jeito que a gente começou, com um palanque de madeira, uma caixa de som e a batucada de rua”, relembrou e orgulhou-se Falanga.

Carinho pela e orgulho da quadra 

O que faz de uma área ligada à escola de samba única? Tamanho suficiente? Conforto? Na Mocidade Unida da Mooca, o local de ensaios e sede de projetos culturais ligados à agremiação é simples, de acordo com o próprio presidente. E isso não é problema algum. Mais do que isso: essa é uma característica bastante bem quista por todos na instituição – a começar por Falanga: “”Ali é o nosso reduto: sendo simples, é do jeito que a gente gosta. É corpo a corpo, é viaduto mesmo. Não tenho intenção nenhuma de sair de lá. Muitas pessoas me perguntam para saber se a MUM não está crescendo a nível de ter uma quadra e eu falo que não. A gente gosta de fazer samba desse jeito, sem camarote, sem áreas VIP. A gente gosta do povo encostado no povo. Não tem gradil na bateria, o ritmista suando do lado da mulata, o povo passando. É disso que a gente gosta! Dali eu não saio. Se eu tiver que me amarrar naquele portão contra uma sentença ou contra quem for, eu vou me amarrar. De lá a gente não sai”, disse, voltando a falar sobre a importância do local para a comunidade.

Recados 

Na parte final da entrevista exclusiva ao CARNAVALESCO, o presidente fez questão de mandar alguns recados. A começar, é claro, ao poder público, que busca a reintegração de posse do local onde está instalada a quadra da Mocidade Unida da Mooca: “Eu falaria para eles olharem com um pouco mais de carinho. O samba de São Paulo precisa muito de um olhar mais sensível. A gente produz cultura, emprega, gera receita para a cidade. É um absurdo uma escola de samba ter que passar, a vinte dias do carnaval, pelo que a gente passou. Esse é o recado: sensibilidade ao poder público”, comentou.

Outras instituições também foram relembradas por Falanga ao comentar toda a celeuma. As outras escolas de samba, por exemplo, mereceram destaque: o presidente da MUM pediu união. “E eu não falo só para o poder público, não. Eu falo para as minhas co-irmãs em geral: temos que nos unir, se fechar. Tem que usar o que aconteceu com a MUM como exemplo para a gente se abraçar e conquistar, de uma vez por todas, o respeito que o samba de São Paulo merece e que a gente não tem. Isso precisa mudar! Um pouco mais de sensibilidade, um pouco mais de carinho. A gente produz cultura, ninguém aqui é marginal para sair de uma hora para outra, para ser tocado para fora com caminhão, com policiamento. A gente emprega as pessoas… um monte de artista, um monte de coisa bonita, a gente reinvidica direitos, faz enredos representativos, culturais, sociais, projetos. O samba de São Paulo precisa de um pouco mais de respeito e carinho”, pediu.

Por fim, ao pedir para enviar uma mensagem de apoio à própria comunidade mooquense, Falanga foi enfático, dando a entender que já passou tudo que queria a cada um deles. “Sem novidades. Coração doze por oito, pressão baixa. Vamos vir para cá dia 05, vamos descer o cacete de novo, e aí é Grupo Especial no desfile das campeãs com muita festa no Clube Atlético Juventus”, finalizou, já prevendo um possível acesso no desfile de 2023 em um tradicionalíssimo local do bairro.

Sorrisos após a luta 

Se o dia 23 de janeiro foi de uma surpresa negativa para a escola e o dia 24 foi de vitória por manter o local, o 25 de janeiro, importantíssimo para toda a cidade de São Paulo por conta do aniversário do município, também foi especial para a Mocidade Unida da Mooca. Além de comemorar a manutenção da área onde está instalada a quadra da agremiação, Falanga pediu a namorada, a jornalista Ana Thais Matos, em casamento antes do início do primeiro ensaio técnico da instituição presidida por ele. O “sim” foi muito comemorado na Concentração do Anhembi:

Pedindo carinho e sensibilidade e com muito amor, a Mocidade Unida da Mooca conquistou uma importante vitória na rica histórica da agremiação. E é com força e quadra que a MUM chega para o desfile de 2023.

Série Barracões: Portela traz baluartes para marcar as décadas de glória da escola no carnaval do centenário

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Em 2023, a Portela vai contar na Avenida talvez o seu mais importante enredo, pois, afinal de contas, a Águia será a primeira escola a completar cem anos de existência e essa história gloriosa, como já era esperado, será contada pela própria agremiação na Avenida. Maior campeã do carnaval carioca com 22 títulos, não foi uma tarefa fácil escolher o recorte para a produção de um desfile. Por isso, a Azul e Branca de Madureira não economizou e vai tentar levar para a Sapucaí os principais carnavais divididos pelas décadas e os olhares de cinco baluartes que estão diretamente relacionados com a instituição e que tem sua história se confundindo com a própria história da Portela. Paulo da Portela, a ex- porta-bandeira Dodô, Natal, David Corrêa e Monarco são os fios condutores desta narrativa, trazendo os principais carnavais da época de cada um deles. “O azul que vem do infinito” está sendo produzido pelos carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage, na Portela desde 2020, e vão para o terceiro carnaval à frente da escola.

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Márcia Lage e Renato Lage são os carnavalescos responsáveis pelo desfile de centenário portelense. Fotos: Lucas Santos/Site CARNAVALESCO

Em conversa com o site CARNAVALESCO, Márcia Lage contou que o enredo foi desenvolvido pelo atual presidente da agremiação Fábio Pavão e explicou de que forma a artista e o marido Renato Lage estão desenvolvendo esse importante e histórico desfile.

“O enredo foi elaborado pelo Fábio Pavão e a gente foi ponderando sobre como nós íamos recortar esses 100 anos de carnaval. São 100 carnavais. Como é que a gente ia compilar essa trajetória da Portela. Ele muito sabiamente cortou em décadas, colocando os personagens já não existentes como narradores desses períodos, que é o Paulo da Portela, a Dodô, Natal, David Corrêa e o último o Monarco. E dentro desses períodos de vinte anos, foram compiladas as letras dos sambas, os sambas que foram vencedores, e os enredos mais relevantes dentro da participação desses cinco personagens importantíssimos na história da Portela. Eles são criadores. Ficou para mim e para o Renato pegar esses carnavais e trazer para uma linguagem, uma volumetria mais contemporânea e fazer a parte do banquete. A gente fez a cozinha, o bolo e os salgadinhos, coube mais essa parte visual”, esclarece Márcia.

A carnavalesca complementa revelando que os artistas se sentiram seguros com o desenvolvimento realizado pelo presidente Fábio Pavão por ele ser um grande estudioso e conhecedor da história da Águia de Madureira.

“Conversamos um pouco, porque quem fez o enredo foi o Pavão que é um ávido conhecedor da história da Portela. Ninguém melhor para saber. A gente é recém chegado também, não que a gente não conheça a Portela, já deu para sentir como é que é. Esse é um trabalho que leva tempo. A gente já ficou 13 anos em uma escola, 16 em uma outra, nos tempos mais curtos que a gente ficou foi Grande Rio dois anos, e agora já são três na Portela. E você ir conhecendo e penetrando nessa história, nesse jeito leva um tempo. Mas dá para você sentir a energia da escola, como ela gosta de se ver na Avenida. Mas daí a conhecer a história a fundo, eu não sou uma profunda conhecedora e acho que não teria a capacidade que o Pavão teve de fazer essa síntese por não conhecer a fundo essa trajetória toda”, confessa a artista.

Márcia também conta que o que mais lhe impressionou durante a pesquisa foi o orgulho que o Portelense sente pela instituição e a forma como ele gosta de ser representado na Sapucaí.

“A Portela é uma escola com uma personalidade única, é muito própria, tem um jeito de ser, tem um gosto pessoal, uma preferência de como ela quer ser vista e isso ao longo dos anos não mudou muito. A Portela é garbosa, tem essa altivez que não envelhece. Mas ela é uma escola altiva que tem um orgulho muito grande do que ela representa dentro desse espaço. Isso é legal! E isso você sente nos componentes, dentro da quadra. Eles tem esse orgulho, sem serem marrentos. É uma coisa natural. Está dentro da personalidade do portelense, do contexto da vida dele”.

Emoção vai pautar desfile que é encarado como um grande desafio

Comemorar cem anos realmente não é para qualquer uma. Seja quando falamos de uma pessoa, seja quando falamos de instituições. E no caso da Portela, ela será a primeira escola de samba a comemorar a data. Quantas agremiações foram criadas e ficaram pelo caminho neste século de samba? Então, ser a primeira a comemorar a data e sendo a instituição do tamanho que ela é, maior campeã do carnaval carioca, escola de grandes sambas, grandes carnavais, grande torcida, é algo incrível e inédito. Não é possível realizar um carnaval desses sem emoção, como imagina a carnavalesca Márcia Lage.

“Acho que o portelense, ainda mais esses que já vem ao longo desses cem anos fiéis à escola, eles vão se emocionar, porque eles estavam lá. E o portelense é muito apaixonado pela escola. Acredito que será pautado pela emoção, e acredito que o próprio carnaval como um todo, porque é a primeira a completar cem anos, uma entidade que há cem anos já colabora com a magnitude desse espetáculo, não é de hoje. É muito importante isso para o carnaval, ter cem anos de história passando por aí, uma escola com este peso, com esta medida, com esse tamanho”, define a carnavalesca.

Para profissionais tão experientes do carnaval, como Renato Lage e Márcia Lage, com passagens marcantes por Salgueiro e Mocidade, com trabalhos realizados ainda para Império Serrano, Grande Rio, Unidos da Tijuca, entre outras, também não será um simples carnaval, é um marco na carreira dos premiados artistas desta folia.

“É uma emoção diferente, Renato tem quarenta e poucos anos de serviço prestado para o carnaval, e você chegar nessa fase da vida e estar em uma escola dessa magnitude, com esse peso, e ter essa responsabilidade de você tornar legível essa trajetória, nos deixa ansiosos. O título é uma coisa que a gente está sempre almejando, que venha, nada mais merecido, seria a glória, você acender as velinhas e apagar com o desejo de todo portelense, todo mundo deseja o campeonato, mas é muito bom, é um desafio, e os desafios são sempre bons”, conclui Márcia Lage.

Tons do céu marcam paleta de cores e surpresas na águia centenária

Com um desfile voltado para falar sobre sua própria história, é de se imaginar que as cores azul e branco estejam presentes de forma mais expressiva no carnaval deste ano. Ainda mais pensando em um trabalho desenvolvido por Renato e Márcia que gostam de valorizar as cores do pavilhão. Mas, pensando até no próprio nome do enredo “O Azul que vem do infinito” e na correlação que a escola pretende fazer com a narrativa a partir de baluartes que hoje já não estão mais neste plano, a dupla teve a ideia de se utilizar das cores do céu, lugar representativo do infinito ao qual se imagina todos eles estarem lá de cima olhando pela Portela.

“A nossa característica é sempre ter a cor da bandeira, do pavilhão. É básico. É a base da escola, que é o azul e o branco. A gente injeta aqui e ali uma coisa de outra cor, mas que não foge da paleta, se acomoda. E como esse ano, o título é ‘O Azul que vem do infinito’, a gente pensou na paleta do céu: manhã, madrugada, tarde, noite. O céu é uma paleta maravilhosa, com uns alaranjados, o alaranjado e o arroxeado do cair do dia, o anoitecer. Nós fomos mesclando essas cores do céu. Tem um pouco mais de colorido, mas todos eles são oriundos dessa composição que o azul permite também. Nada como a natureza para nos ensinar. Não é aquele azul todo. A gente pensou em usar essa estética trocando com essa paleta, mas o azul é a predominância da escola do início ao fim”, explica Márcia.

Outro aspecto que sempre aguça a curiosidade do portelense é saber como virá a Águia, símbolo maior da escola. Em um ano tão especial é justo imaginar que o símbolo vai trazer grandes novidades e causar bastante comoção.

“Essa águia centenária é a mais dor de cabeça que a gente teve. Porque cada dia nós tiramos um coelho da cartola (risos). A gente tenta adequá-la à temática. Mas, eu confesso que depois daquela águia que a gente colocou no Guajupiá (2020), que foi um marco que nos comprometeu a ter que superar aquela lá. Mas ela vem bonita, ela vem dentro do contexto do abre-alas, e dentro do simbolismo dessa realeza que é a Portela”, define a carnavalesca.

Enredo passa por carnavais vitoriosos e sambas que marcaram época

Em sua história centenária, a Portela tem 22 títulos e outros 13 vice-campeonatos. Além disso, há carnavais que não acabaram nas primeiras colocações, mas geraram enredos e sambas que estão até hoje não só na memória do portelense, como do sambista em geral. Difícil falar de tudo e não deixar de mencionar algo importante. Mas, a carnavalesca Márcia Lage explica que a dupla de artistas desenvolveu uma organização para tentar contemplar de forma possível tudo de marcante que a escola trouxe nesses cem anos.

“Alguns títulos estarão mais representados. Esse recorte pegou aqueles carnavais que deram título até a terceira colocação da Portela e os sambas que foram emblemáticos. A gente mesclou, usar alegoria como marco do período que representa aquele contexto e as fantasias vem representando algumas os carnavais, algumas as letras dos sambas, algumas os títulos, o nascedouro da Portela, tem uma cronologia de época, porque a gente demarca esses períodos, mas não tem uma cronologia nitidamente temática, tipo todo um setor só com carnaval. É tudo junto, misturado, mas fazendo sentido, cada fantasia demarca um desses pontos importantes na trajetória da Portela, seja em sambas, nos títulos, nos enredos”, esclarece a artista.

E, claro, trazer de volta esses carnavais teve o desafio de adaptá-los na parte estética para a linguagem visual que hoje é utilizada, pelo tamanho que o espetáculo chegou e pela própria disputa que a Portela continua inserida e visando o título em meio a comemoração do centenário.

“Em relação ao carnavais, o que deu para a gente ver em termos de iconografia, de imagens, é que era uma coisa muito mais simples que você tem que traduzir em uma linguagem complexa, porque hoje as fantasias são muito mais volumosas, um outro tamanho para as alegorias. Antigamente, eles desfilavam com tripé, as fantasias eram feitas no quintal, a própria comunidade confeccionava, a engrenagem, a produção hoje é outra, os materiais são outros. É você precisa redimensionar aquilo sem perder aquela característica da fantasia”, complementa a carnavalesca.

Pressão por título do portelense é visto como algo normal pelos carnavalescos

O último título da Portela veio em 2017, mas como a conquista foi dividida com a Mocidade, o jejum da Azul e Branca de Madureira em relação às vitórias de forma isolada já dura mais de 50 anos. Um título desse tipo acontecendo no ano do centenário e falando da própria Portela seria uma catarse para o coração do portelense. Então, é fácil imaginar como deve estar a ansiedade dos componentes, da comunidade, dos segmentos e da torcida. Apesar disso, a carnavalesca Márcia Lage acredita que essa vontade do portelense de ser campeão é algo já inerente a sua forma de ser.

“Não só o portelense, mas acho que o componente de toda escola, seja o enredo que for, ele quer sempre ganhar. Não tem porque esse é cem anos. No Baobá foi assim. No Guajupiá foi assim. A expectativa do componente de escola de samba é sempre ganhar. Ninguém entra na Avenida pensando em perder. Agora, porque é cem anos, eles tem uma nova empolgação, eles vêem o peso, acham que merece, mas só Deus sabe o que acontece no desfile, na visão dos jurados, mas a expectativa é sempre de ganhar, seja qual for o ano”, entende a carnavalesca.

Conheça o desfile da Portela 2023

A Portela vai levar para a Marquês de Sapucaí em 2023 um total de quase 4 mil componentes que estarão divididos em cinco alegorias e 35 alas. A carnavalesca Márcia Lage ajudou a esclarecer como o desfile está sendo dividido em seus cinco setores:

Primeiro Setor
“O primeiro setor é Paulo da Portela, a trajetória e os sambas e o nascedouro, tem uma fantasia que é o ‘vai como pode’, por exemplo, era um dos primeiros nomes que a Portela teve ainda como um bloco carnavalesco, ainda se formando”.

Segundo Setor
“No segundo vem a Dodô com os carnavais do período dela como porta-bandeira e como ela demarcou na época”.

Terceiro Setor
“No terceiro setor é com Natal e os enredos que foram do período dele como presidente da escola, o patrono”.

Quarto Setor
“No quarto setor tem o David Corrêa, também os enredos produzidos por ele e os sambas”.

Quinto Setor
“Termina com o Monarco até os dias atuais e encerrando a conta, e que venha mais cem anos de história”.

Organizada! Vila Isabel começa a distribuir fantasias da comunidade para o Carnaval 2023

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De olho no desfile oficial, a Vila Isabel inicia a distribuição das fantasias para a comunidade neste sábado. Entre 9h e 14h30, os integrantes das alas 1, 6 e 11 receberão os kits. Já a ala 5 poderá retirar às 17h.

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Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

A entrega acontece no barracão da agremiação, que fica na Rua Rivadávia Correa, 60, na Gamboa. É necessário levar um documento de identificação com foto.

Em 2023, a Vila Isabel levará para Avenida o enredo “Nessa festa, eu levo fé!”, de autoria do carnavalesco Paulo Barros.

Campanha de doação de sangue sábado na quadra do Salgueiro

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Na contagem regressiva para o Carnaval, o Salgueiro mostra que, além de muito samba, preocupa-se com a responsabilidade social e ações que possam contribuir para ajudar quem necessita. Ciente de que este é um período onde há queda de doadores de sangue por conta das festas de fim de ano e férias, a escola abre as portas de sua quadra neste sábado, para, em parceria com o Hemorio, realizar mais uma campanha de doação e a meta desta vez, é bater a marca de 70 bolsas na coleta. Organizada pelo Centro Médico do Salgueiro, a ação já é tradicional na escola, conforme explica Vilma Araújo, coordenadora do espaço, que funciona dentro da quadra e atende cerca de 800 pacientes/mês, de forma gratuita.

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Foto: Ewerton Pereira/Divulgação Salgueiro

“O Hemorio já é um parceiro antigo nosso e consideramos esta, uma das nossas ações mais importantes. Doar sangue é um ato de amor e carinho com o próximo, não tem como prever o futuro, hoje você é doador, amanhã pode ser você ou algum familiar quem precisará deste gesto. A gente sempre se engaja muito nesta campanha, pois sabemos a dificuldade que existe para manter o estoque da instituição. Há muito folclore em torno disto, mas asseguramos que é seguro, não leva tempo e o doador sai daqui feliz por saber que aqueles 05 minutos salvarão a vida de alguém”, comenta a psicóloga.

A campanha vai das 09h às 16h e todas as informações sobre quem está apto a doar podem ser encontradas no site do Hemorio (www.hemorio.rj.gov.br). Entre os principais requisitos para quem quer ser doador estão:

– Portar documento oficial de identidade com foto (identidade, carteira de trabalho certificado de reservista ou carteira do conselho profissional)
– Estar bem de saúde
– Ter entre 16 () e 69 anos, 11 meses e 29 dias () jovens com 16 e 17 anos podem doar com autorização dos pais e / ou responsáveis legais e um documento de identidade original desse responsável.
– Pesar no mínimo 50 Kg
– Não estar em jejum. Evitar apenas alimentos gordurosos nas 3 horas que antecedem a doação

ALGUMAS SITUAÇÕES QUE IMPEDEM PROVISORIAMENTE A DOAÇÃO DE SANGUE:

– Febre – acima de 37°C
– Gripe ou resfriado
– Gravidez atual (90 dias após o parto normal e de 180 dias após a cesariana)
– Amamentação (até 1 ano após o parto)
– Uso de alguns medicamentos
– Anemia
– Cirurgias
– Extração dentária 7 dias
– Tatuagem ou piercing: 01 ano sem doar (Piercing na cavidade oral e/ ou região genital: 01 ano sem doar após a retirada)
– Vacinação: o tempo de impedimento varia de acordo com o tipo de vacina
– Transfusão de sangue: impedimento por 01 ano

Para mais informações sobre as ações sociais, o telefone é (21) . A quadra do Salgueiro fica na Rua Silva teles, 104 – Andaraí.

Acredita! Com ótimo desempenho da ala musical, Tatuapé faz primeiro ensaio técnico

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Escolas de samba da Zona Leste de São Paulo, tradicionalmente, costumam cantar muito forte no Anhembi. Na noite de quinta-feira, a única escola da região no carnaval de 2023 honrou a tradição da localidade: com um chão bastante forte, a Acadêmicos do Tatuapé se destacou em quesitos ligados ao samba-enredo. Com o enredo “Tatuapé Canta Paraty. Patrimônio da Humanidade!”, a azul-e-branco terá observações a fazer quanto ao recuo da bateria.

Samba-Enredo

Em mais um samba elogiado pela crítica e pelo público para o Carnaval 2023, o Tatuapé fez o primeiro ensaio técnico da agremiação com bastante força no canto. A ala musical, capitaneada por Celsinho Mody, intérprete da agremiação, e mestre Higor, comandante da “Qualidade Especial”, como de praxe, elevaram ainda mais o já competente samba-enredo. O resultado foi visto não só na passarela como nas arquibancadas: se o público presente era pequeno, eles corresponderam ao que era proposto na pista.

Um dos destaques da canção é o começo é o “êêêê” antes do verso “bate o sino da capela”, que é marcado pela “Qualidade Especial” com um apagão. Como um período tão simples pode se transformar em algo tão poderoso? Higor explica: “Na verdade, é uma questão que a gente trabalha muito com harmonia da escola e detectamos essa parte como se fosse uma explosão. Estamos apostando muito nessas questões, trabalhando há um tempo. E a gente tem a felicidade de estar desfilando com grandes sambas. Tem partes que nos dá oportunidade de fazer esse tipo de trabalho, da Harmonia mostrar o trabalho que eles fazem que é maravilhoso. É um conjunto: não existe bateria ou Harmonia. É um conjunto e isso levamos muito a sério lá dentro. O resultado está aí. Por sinal, o ponto chave do ensaio foi a junção da nossa escola. Você vê que uma questão que pode passar despercebida, tão simples, um ‘êêêê’ vira uma explosão na avenida. É o conjunto da nossa escola, realmente”, destacou.

Mais emocional, Celsinho destacou o sentimento por cantar tal canção. “Primeira coisa que a gente faz é música com alegria. Em segundo é isso que a gente viu, tentamos dar o nosso melhor soltando o coração. Aí depois só vamos ver o que aconteceu com vídeo, porque a gente solta coração no meio da roda”.

Uma música tão forte pode render ainda mais? Alguns integrantes do carro de som acreditam que sim. “Eu vou dizer o seguinte. A escola tem um canto que é espetacular. Se melhorar, a gente vai para a Lua. Então, vamos melhorar. Vamos chegar na Lua”, brincou André Ricardo. “Só fazendo um adendo em um detalhe que estávamos falando aqui hoje, que a Lua está crescente. Se a gente corta cana, no dia seguinte ela cresce mais rápido. Então amanhã vai crescer muito mais coisas”, completou Douglas Chocolate. André Ricardo prometeu ainda mais para o segundo ensaio técnico da agremiação: “O módulo musical do Tatuapé é realmente bem trabalhado. É uma coisa feita à exaustão, e acredito que nós vamos cantar muito mais dia 05, dobrado, com certeza. Pode ter certeza de que vamos dobrar”, destacou.

Harmonia

Com um time tão afinado no som, a escola correspondeu quase que à perfeição na pista. No primeiro setor, destaque para a Velha-Guarda da escola, que teve bastante força no canto. A escola, que tradicionalmente canta bastante, teve ainda mais força graças a algumas artimanhas da bateria da escola. Marcando algumas partes do samba com bossas e até mesmo apagões, os componentes cantavam ainda mais alto quando tais situações aconteciam. Até mesmo as arquibancadas respondiam.

Após o abre-alas, o canto tornou-se linear e bastante forte de todos os componentes. A resposta foi satisfatória também para Higor: “Nós tivemos um ensaio muito satisfatório. Nós gostamos não só da questão da bateria, mas a escola toda teve um desempenho satisfatório. Agora é afinar os detalhes, temos mais um ensaio para o dia 17. Se Deus quiser, vamos fazer um grande desfile, para a escola ter um grande resultado”, declarou.

Apesar da boa resposta, um detalhe chamou atenção. Logo após a entrada da bateria no recuo, Eduardo Santos, ex-presidente solo e atualmente integrante do comitê de presidência da escola, falou “o canto precisa ser mais alto” para uma integrante do staff. A resposta foi imediata, e todos os componentes tiveram ainda mais força ao executar a canção.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Completando vinte e quatro anos de parceria e desde 2012 na Acadêmicos do Tatuapé, Diego Silva e Jussara Souza, mais uma vez, tiveram boa exibição na passarela. Variando giros nos sentidos horário e anti-horário e com vento razoavelmente fortes, a dupla começou a exibição fazendo coreografias de acordo com o andamento do samba-enredo, aproveitando para girar mais na frente das cabines dos jurados. Um detalhe é que, em comparação aos demais casais de mestre-sala e porta-bandeira, eles ficaram mais distantes um do outro.

Tatuape et PrimeiroCasal

Também vale destacar a sincronia entre eles. A parceria de longa data, quase completando um jubileu de prata, certamente ajuda a entender quando o giro começa, quando é hora de bailar ou de desfraldar o pavilhão na hora correta – por sinal, uma única vez, a centímetros da faixa que encerra a passarela, Diego teve uma leve hesitação ao realizar o desfraldamento; como tal local não conta mais com jurados, não é algo que deva preocupar sobremaneira o casal, de atuação segura. Ambos vieram com roupas (e não fantasias) em dourado, com detalhes pretos.

Um detalhe a ser observado que não necessariamente envolve o casal: por vezes, surgia um espaço bem considerável entre eles e a comissão de frente – Diego e Jussara vinham logo depois dos primeiros integrantes da escola. Não foi possível identificar se tal espaço era proposital ou se era o espaço para um tripé.

Tatuape et PrimeiroCasal 2

Na visão de Jussara, o calendário foi bastante amigo com o casal: “Foi dentro das nossas expectativas. Nos sentimos privilegiados, porque os ensaios gerais já começaram e agora, quase chegando em fevereiro, estamos fazendo o primeiro ensaio. Tivemos um tempo para estar acertando dança, postura, tudo dentro do planejamento. Hoje foi satisfatório, dentro do que a gente vem planejando para apresentar no grande dia”, pontuou.

Diego corroborou o que a dupla comentou: “Foi dentro das nossas expectativas, como a Ju falou. Claro que sempre tem uma coisa ou outra para corrigir, mas ainda temos tempo para fazer essas correções. Nós somos muito perfeccionistas, e essas correções são justamente por isso. O tempo a gente tem, mas dentro do contexto geral, foi dentro das nossas expectativas”, destacou.

A autocrítica da dupla, por sinal, é latente. “Nos apegamos muito nas paradas de cabeça, para ficar mais sincronizadinho. A gente gosta dessas coisas. É só mais essas marcações mesmo. Da parada no recuo, o que fazer ali, nós estamos nos preparando. No mais, só nesses pontos mesmo”, destacou Jussara.

Tatuape et Comunidade1

“Nós gostamos muito de fazer; virou a cabeça para a direita? Os dois tem que virar para direita ao mesmo tempo. São esses detalhezinhos que a gente se apega muito e que temos para fazer correção, mas nada de muito maior. Graças a Deus a gente viu aqui hoje tudo que propusemos a colocar aqui na pista para fazer no grande dia, conseguimos com êxito”, completou Diego.

Para finalizar, Jussara deixou claro que as condições climáticas preocupam: “Eu vim rezando da concentração até aqui. É difícil, é bem difícil. E é até bom ter de certa forma esse vento, para podermos ensaiar para o grande dia. A Tatuapé é a segunda escola de sexta-feira, então geralmente tem vento. Se Deus quiser não irá chover, mas deu para segurar”, torceu.

Comissão de Frente

Sem tripés e fantasias, os componentes fizeram uma coreografia sem grandes ousadias. Na maior parte do tempo, eles marcaram o samba fazendo coreografias ligadas à canção, mudando de postura diante das cabines de jurados, quando desenvolviam atos mais complexos.

Vestidos com uma camisa relativa ao setor, cada um dos componentes possuía dois adereços: um adorno na cabeça, com uma estrela dourada; e uma espécie de asa para cada um deles – alguns em tons alaranjados, outros com temática azul e branca, cores da agremiação. A exceção era uma integrante com uma espécie de tiara especial e saia longa branca (todos os demais utilizavam calças brancas), que parecia ter destaque na coreografia – que, por sinal, nos dois “atos”, era bastante leve e sem movimentos tão bruscos.

Tatuape et Comissao

Em alguns momentos após a passagem da comissão de frente pela Arquibancada Monumental, um único integrante destacava-se pelo canto. Os demais ou não cantavam ou não tinham tanta força assim ao executar a canção.

Aproveitando-se do pouco público nas arquibancadas do Anhembi, Leonardo Helmer, coreógrafo do setor, aproveitava para fazer correções diretamente na voz.

Evolução

Certamente o quesito no qual a Acadêmicos do Tatuapé tem mais pontos a se observar no segundo ensaio técnico. E nem foram tantos pontos de destaque (negativo) assim, apenas um que é o calcanhar de Aquiles de diversas agremiações: a entrada do recuo na bateria. A agremiação inteira ficou em suspenso por cerca de três minutos. Em tal tempo, já com a Qualidade Especial inteira recuada, a ala subsequente teve uma evolução bastante morosa para ocupar o espaço – que ficou, por cerca de oitenta segundos, apenas com as destaques. Cada ala tinha um adereço distinto (bexigas, pompons e etc) para trazer dinamismo à movimentação de cada componente.

Outros destaques

– Dois integrantes da escola entraram, um de cada lado, tão logo a agremiação começou o ensaio técnico. Sempre próximos da comissão de frente, eles caminhavam com passos extremamente curtos enquanto a escola cantava forte e diversas cenas aconteceram. Perguntados pela reportagem, eles destacaram que estavam, sim, marcando algo – mas não revelaram o que era.

– As roupas de alas da escola tinham, além da numeração, o nome de cada uma delas. A reportagem agradece.

– “A Qualidade Especial” voltou para a avenida à frente do último carro, de dois casais mirins de mestre-sala e porta-bandeira e de uma derradeira ala.

Tatuape et MestreHigor

– Já citado, Eduardo Santos vibrou bastante com os casais mirins da escola.

– O samba da Acadêmicos do Tatuapé caiu nas graças, também, do carro de som da escola. Ao encerrar a entrevista com a reportagem, ao perguntar qual tinha sido o ponto mais alto do ensaio técnico, Celsinho chamou os demais integrantes do carro de som e começou a falar: Vou mostrar para você. Aqui na ala musical da Acadêmicos do Tatuapé todo mundo canta, todo mundo toca corda, todo mundo toca e canta percussão. Canta percussão, bate corda e samba pandeiro. E vamos assim…”, antes de emendar o refrão principal da canção.

– Mestre Higor aproveitou para trazer informações sobre a bateria: “Vamos desfilar com 240 componentes, nós temos duas bossas e dois apagões. As duas bossas acima de dezesseis compassos que é o que pede, então começa fazer a bossa e parece que não acaba mais”, destacou.

Tatuape et CelsinhoMody 2

– Até mesmo Diego Silva se surpreendeu com o canto da comunidade: “É sempre lindo ver a força que a nossa comunidade tem. Eu sou suspeito em falar, mas para mim o que tem de mais bonito na Tatuapé é a comunidade da Tatuapé. É uma comunidade que se entrega dentro da pista. Você não vê um componente olhando para a Lua, você não vê um componente tirando um barato. É todo mundo focado no objetivo, todo mundo explorando o samba, para que todo mundo tenha o mesmo objetivo no dia do desfile”, finalizou.

Colaboraram Lucas Sampaio e Gustavo Lima

Surpresa da comissão de frente atrai olhares no segundo ensaio técnico da Rosas de Ouro

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A Rosas de Ouro realizou na noite de quinta-feira o seu segundo ensaio técnico visando a sua preparação para o carnaval 2023. O destaque do treino ficou marcado pela ótima apresentação da comissão de frente, levando um grande tripé e encenando uma coreografia de um contexto impactante. Vale ressaltar o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Everson Sena e Isabel Casagrande, que suportaram o forte vento do Anhembi. A dupla teve uma apresentação digna de reconhecimento. A ‘Bateria com Identidade’, comandada pelo mestre Rafa, novamente deu o seu espetáculo à parte com as suas ‘bossas quilométricas’. A Rosas de Ouro levará para a avenida o enredo “Kindala! Que o amanhã não seja só um ontem com um novo nome”, assinado pelo carnavalesco Paulo Menezes.

“Conseguimos melhorar o que fizemos no primeiro ensaio. Temos coisas a acertar, a gente acertou algumas coisas. Apareceram outras, e é normal. Já detectamos nas conversas que fizemos depois do ensaio, então é sentar, conversar, tentar arrumar, temos mais um ensaio dia 4, e tem um pouquinho mais de uma semana para nos organizarmos e fazer o que temos que fazer no dia 17. Hoje, não falando de evolução, andamento, acho que a comissão de frente, primeiro ensaio que vieram com a alegoria deles, está uma energia muito bacana, pode ser nosso ponto alto no desfile”, comentou Evandro Souza, diretor de carnaval da entidade.

Comissão de frente

A ala, que é coreografada por Helena Ramos, levou uma coreografia completamente diferente do que fez no primeiro ensaio. Na primeira oportunidade, a comissão fazia alguns passos de break, hip hop e outras coisas ligados à negritude, mas aparentemente estava escondendo. Nesta noite, a ala levou um grande tripé que parece muito com navios negreiros. A coreografia encenada foi muito forte, houve muito sofrimento dos negros e, a maior parte da apresentação teatral, foi realizada em cima do próprio tripé. A coreografia no chão foi feita no ritmo do samba com o objetivo de saudar o público.

RosasDeOuro et Comissao
Fotos de Fábio Martins/Site CARNAVALESCO

Harmonia

É um quesito que a escola deve estudar ainda mais. O samba-enredo para o carnaval de 2023 tem uma ‘pegada’ diferenciada. A arrancada e o início das alas na pista, são de grande valor. A comunidade canta muito bem. Porém, no andar do treino, inevitavelmente o canto teve uma queda. Foi algo que passou despercebido na primeira análise. Claramente é uma missão difícil manter este samba no mesmo andamento por muito tempo. Portanto, a comunidade da Brasilândia teve um canto regular no ensaio. Alguns momentos estavam satisfatórios e outros não. O refrão principal se destaca, são versos cantados rapidamente, mas o corpo do hino é lento e, consequentemente, as escolas têm dificuldades em manter o ritmo do início ao fim do ensaio.

RosasDeOuro et RoyceHudsonInterpretes

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Everson Sena e Isabel Casagrande soube suportar o forte vento de maneira exemplar. A dupla dançou no ritmo do samba e mostrou movimentos sincronizados. Ao todo, diante das circunstâncias, o casal teve um desempenho satisfatório.

“Pensamento positivo. Gostamos bem mais que o primeiro, teve uma evolução, tem umas coisas a ajustar ainda, não tá ainda nota dez, mas está quase”, comentou a porta-bandeira.

RosasDeOuro et CasalPrincipal

”Analisando assim, é claro que o segundo ensaio técnico geralmente é melhor do que o primeiro. No primeiro sim, tivemos algumas dificuldades de andamento da escola, e aqui conseguimos descer mais tranquilo. Entendemos um pouco melhor qual será o compasso da escola, então viemos trabalhando isso no decorrer da semana, antes de vir o segundo ensaio técnico, e deu para alinhar bem aqui hoje”, completou o mestre-sala.

Isabel falou sobre como é carregar o pavilhão com essa ventania.” Nós temos os ensaios específicos aqui durante a semana, que venta bastante. Mas no dia, não é que não venta, mas tem os carros alegóricos que ajudam. Hoje não tem, mas é normal. Meio que estamos acostumadas, quase quebrando o braço, porque o vento judia, mas no dia temos essa vantagem dos carros, que quebram um pouco o vento”, declarou.

Evolução

Diante das mesmas circunstâncias da harmonia, a evolução da escola dentro das alas acabou diminuindo de ritmo no andar do ensaio. É uma obra musical que não permite o componente ficar evoluindo freneticamente o tempo todo, como se viu a Rosas de Ouro no carnaval de 2022. A agremiação optou por mudar a estratégia de desfile, mas o fato é que o andamento caiu. Assim como a harmonia, é algo para se prestar atenção. No recuo de bateria, houve um desencontro entre as alas e a própria bateria na hora de fazer a entrada.

Naquele momento, houve um descuido e falta de sincronização para preencher os espaços necessários. Vale destacar a ‘Ala Nação’, que além de ser coreografada, foi um dos grupos que mais cantou o samba. Novamente, a escola manteve a ótima ideia de cerrar os punhos no verso “Kindala! É uma questão de resistir e dar valor”. É o nome do enredo e, esse símbolo de resistência da negritude que ficou famoso nos últimos anos, foi colocado dentro da trilha sonora. No refrão do meio os versos “Arrasta pra lá e faz trabalhar… A religião vem beirando o mar”, os componentes de todas as alas evoluíram de um lado para o outro.

Samba-Enredo

Há sempre de se bater na tecla que a obra da Rosas de Oura para 2023 foi resgatada de uma final de eliminatórias de 2006. De lá para cá muita coisa mudou e, devido a isso, a ala musical teve que fazer alguns ajustes no carro de som da Roseira, junto com a bateria. As partes mais cantadas do samba são o refrão do meio e os últimos versos. A ajuda da ‘Bateria com Identidade’ deu uma sustentação maior nessa entrega de andamento.

RosasDeOuro et ManoelSoares

O intérprete da agremiação, Royce do Cavaco, avaliou o segundo ensaio. “É claro que do ângulo de visão que a gente tem, não dá para ver a escola toda, mas a gente percebeu uma garra maior das alas, o pessoal cantando com muita determinação e cumprindo com tudo que a gente ensaiou tanto na rua como na quadra. Isso já é muito bacana. Com relação a parte musical, eu confio no meu carro de som, a bateria é sem palavras. Agora é reparar as últimas arestas que tem com harmonia e evolução. Muita gente não entendeu esse samba. Não é aquela coisa gritada e acelerada. É um estilo mais cadenciado. Só que agora estamos moldando a melodia dele para jogar mais para cima e tirar aquela impressão de anos 80 e 90. Queremos dar uma cara mais moderna nele”, disse.

Outros destaques

A ‘Bateria com Identidade’, sob o comando de mestre Rafa, novamente manteve a estratégia de fazer o ‘open de bossas’ tão conhecido. A batucada também realizou várias curiosidades, como se virar para a arquibancada, fazer coreografias e comemorar com fervor cada bossa bem feita.

“Da bateria, posso pontuar duas coisas sobre a nossa importância para o canto da escola. A primeira: a gente toca para a escola, que tem um ritmo gostoso. Esse ano nós baixamos o ritmo um pouco porque esse samba é uma pegada mais antiga. E, segundo: nós temos muitas bossas, mas é dentro da melodia toda – então, ela não quebra o canto. Não tem muito contratempo nem muita novidade assim. Desde quando eu estou no comando da bateria, tirando 2017, que era algo bem quebrado e fora do beat, todos os anos nós jogamos totalmente a favor da escola. E, se tiver algo que a gente detecta que a escola está tendo dificuldade para fazer, a gente tira e renova. É assim que é”, comentou o mestre Rafa.

RosasDeOuro et MestreRafa

Destaques de chão literalmente se destacaram no ensaio com bastante samba no pé. A rainha de bateria, Ana Beatriz Godoi, sambou com simpatia à frente da ‘Bateria com Identidade’. O intérprete Hudson Luiz vem ganhando cada vez mais destaque ao lado de Royce do Cavaco.

Colaboraram Lucas Sampaio e Will Ferreira

Polícia Civil indicia cinco pessoas pela morte de menina esmagada por carro alegórico

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A 6ª DP (Cidade Nova) concluiu, nesta quinta-feira, o inquérito que investigava a morte da menina Raquel Antunes da Silva, de 11 anos. Ela foi esmagada por ​um carro alegórico na rua Frei Caneca, no dia 20 de abril do ano passado, na saída do Sambódromo. Cinco pessoas foram indiciadas por homicídio doloso.

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Foto: Divulgação/Polícia Civil

Os indiciados são o presidente da escola de samba Em Cima da Hora, o engenheiro técnico responsável, o coordenador da dispersão encarregado pelo acoplamento e guia do reboque​, o motorista reboquista e o presidente da Liga das Escolas de Samba da Série Ouro (Liga RJ).​

​A investigação apurou que o cavalo mecânico e o carro alegórico da escola de samba deslocavam-se acoplados no sentido destinado à retirada do veículo da dispersão do Sambódromo. O carro chocou-se contra um poste de concreto, esmagando a vítima.

O relatório do inquérito aponta que o veículo apresentava falta de manutenção, oferecendo riscos severos de acidente e incêndio devido à inadequação de sua construção. Foram descumpridas normas técnicas, assim como cometidas irregularidades no que diz respeito ao Código Nacional de Trânsito, entre outras ilegalidades.

Falhas no acoplamento do carro alegórico, na orientação para o deslocamento do veículo, bem como na permanência de crianças sobre o tablado também constam no relatório final. Além disso, foi apontada a ausência de fiscalização por parte da entidade responsável no dia do evento.

Confederação estima que carnaval movimente R$ 8,1 bilhões em todo o país

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O carnaval deste ano deverá movimentar R$ 8,18 bilhões em receitas, um resultado 26,9% acima do obtido no ano passado. A estimativa foi divulgada hoje (25) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

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Foto: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

Segundo o economista da CNC, Fabio Bentes, o setor de turismo vem se recuperando nesse ritmo nos últimos meses, nas comparações anuais. No setor de serviços, especialmente no turismo, por conta da demanda reprimida, a questão da retomada da circulação tem sido forte nesses comparativos anuais. “E isso deve acontecer no carnaval deste ano”, disse Bentes, em entrevista à Agência Brasil.

O carnaval é a data comemorativa mais importante do turismo. “Até quem não gosta de carnaval acaba gastando dinheiro em viagens para o interior, para fora do Brasil”, destacou o economista. Mesmo com o fim das restrições de circulação de pessoas, adotadas no período mais crítico da pandemia de covid-19, o volume de receitas no carnaval de 2023 deve ficar 3,3% abaixo do registrado em 2020, quando o turismo faturou R$ 8,47 bilhões. “É uma evolução que só não igualou o carnaval de 2020 [período anterior à pandemia] porque as condições econômicas pioraram entre o carnaval de 2022 e o de 2023”.

Juros e preços

Um desses fatores é o aumento dos juros, que afeta aqueles que optam por pacotes turísticos financiados, bem como os reajustes de preços, principalmente de passagens aéreas, que subiram 23,53% nos últimos 12 meses encerrados em dezembro, em comparação a 2021. Também aumentaram serviços muito demandados nesta época do ano, como hospedagem (8,21%) e pacotes turísticos (7,16%), cujos reajustes ficaram bem acima da variação do nível geral de preços medido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de +5,79%.

“Se a gente estivesse com situação mais favorável ao consumo, seguramente o setor de turismo conseguiria, pelo menos, empatar o volume de receitas no carnaval de 2023”, afirmou o economista.

Com o cancelamento do carnaval em diversas regiões do país nos dois últimos anos, por causa da pandemia, o volume de receitas no carnaval de 2021 caiu 43% em relação ao de 2020, ficando 24% em 2022, abaixo do resultado do carnaval pré-pandemia.

Segundo a pesquisa da CNC, outro termômetro importante do nível da atividade turística foi a entrada de visitantes estrangeiros que, em fevereiro de 2020, ficou em 672 mil, caiu para 254,2 mil em 2022 e 36,1 mil, em 2021, de acordo com dados da Polícia Federal.

Setores

Os setores que responderão por quase 84% de toda a receita a ser gerada no carnaval deste ano são o de bares e restaurantes, com movimentação estimada em R$ 3,63 bilhões; o de empresas de transporte de passageiros, R$ 2,35 bilhões; e serviços de hospedagem em hotéis e pousadas, R$ 0,89 bilhão. “Os dois primeiros, porque são o que chamamos de consumo simultâneo, concomitante ao feriado. Quer dizer, ninguém compra alimento em um restaurante ou viaja muito pagando antecipadamente”.

Na parte de transportes, Fabio Bentes disse que, devido ao aumento dos preços das passagens aéreas, as pessoas estão optando por viagens de ônibus ou de carro próprio. “Isso explica porque alimentação e transporte vão responder por quase três quartos da receita gerada durante o carnaval de 2023.”

Vagas

A pesquisa da CNC mostra que a demanda por serviços turísticos deve responder pela criação de 24,6 mil vagas temporárias voltadas para o carnaval. De acordo com a CNC, cozinheiros (4,4 mil), auxiliares de cozinha (3,45 mil) e profissionais de limpeza (2,21 mil) serão os mais procurados para trabalhar no período. Bentes afirmou que a contratação de temporários neste carnaval segue dinâmica parecida com a do faturamento. “Isso faz todo sentido porque turismo é muito intensivo em mão de obra. Se vai ter um aumento na frequência dos hotéis, eles têm de contratar. O mesmo vale para restaurantes e para o setor de transportes.”

O economista disse que as 24,6 mil vagas esperadas para este ano quase encostam nas 26 mil criadas no carnaval de 2020. “O destaque negativo foi 2021, quando não houve carnaval, e as 6,4 mil vagas criadas foram para serviço de alimentação, em especial, delivery, que movimentou um pouco o mercado de trabalho em fevereiro, mas de forma diferente, e não aquela a que estamos acostumado, com blocos nas ruas.”

Em 2023, o Brasil terá o primeiro carnaval normal após a pandemia.

Na série histórica, o maior número de vagas temporárias durante o carnaval foi criado em 2014, quando a proximidade dos festejos, realizados em março, com a Copa do Mundo de Futebol, em junho, estimulou a contratação de um contingente significativo de trabalhadores, em torno de 55,6 mil pessoas.

Comércio

Animado com o aquecimento do movimento nas lojas especializadas em produtos para o carnaval, principalmente devido ao grande número de foliões que vão desfilar nos blocos, o comércio carioca espera aumento de 3,5% nas vendas até o fim da festa.

É o que mostra a pesquisa do Clube dos Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDLRio) e do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio de Janeiro (SindilojasRio), que ouviu 200 empresários da capital fluminense durante a semana de 9 a 13 deste mês.

O presidente das duas entidades, Aldo Gonçalves, disse acreditar que os produtos para o carnaval vão contribuir de maneira significativa para o aumento das vendas nos meses de janeiro e fevereiro.

“O lojista está animado, e a presença do grande número de turistas nacionais e estrangeiros na cidade estimula e movimenta o comércio”. Gonçalves ressaltou que um fenômeno que tem colaborado muito para o aumento da venda de produtos para esse período é o grande número de blocos carnavalescos. “Por não usarem fantasias padronizadas, os blocos contribuem bastante para as vendas de adereços, fantasias, chapéus, fitas, camisetas, bermudas, shorts e sandálias”, afirmou Gonçalves.

Resgatando a história do seu pavilhão, Portela convida ex porta-bandeiras para o desfile do centenário

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Prometendo surpreender a todos por ser a primeira escola de samba a fazer cem anos, Portela resgata seu passado ao levar para a Avenida ícones que fizeram história ao erguer o pavilhão da agremiação. Assim como Vilma Nascimento, Irene 15 e Andrea Machado fizeram história na escola ao conduzirem a bandeira em campeonatos da agremiação.

portela portabandeira
Foto: Divulgação/Portela

Conhecida por todos como Irene 15, por gabaritar os 15 pontos em seu primeiro ano como porta-bandeira, Irene foi campeã no ano de 1970 com o enredo “Lendas e Mistérios do Amazonas”,

“Ser reconhecida da forma como estou sendo aqui na Portela, é muito gratificante! Normalmente o samba não reconhecia muito as pessoas, e na época de hoje ter esse reconhecimento, é o suprassumo da alegria, da felicidade e do amor que eu tenho pela Portela!”, declara a porta-bandeira.

Com o título de primeira porta-bandeira mais nova na história da Portela e no mundo do samba, Andrea Machado começou sua história na Majestade do Samba com apenas 13 anos de idade, onde dançou com Jerônimo e foi campeã por seis vezes com a escola e levou vários prêmios.

“Entrei na Portela pela Vilma Nascimento. Logo que cheguei fui manchete de todos os jornais e revistas da época, por ter apenas 13 anos e desfilar com o símbolo maior da escola. Pra mim, é uma honra receber esse convite, me sinto milionária de gratidão e amor, por essa gestão lembrar da minha história e a da Irene. Portela é o amor da minha vida, sou muito grata!” afirma Andrea.