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Após disputa por quadra, Rafael Falanga tranquiliza MUM: ‘É questão de tempo ganhar esse processo’

Os últimos dias do mês de janeiro de 2023 foram bastante agitados para a Mocidade Unida da Mooca. E isso não engloba apenas o desfile da agremiação da Zona Leste de São Paulo, que levará para a avenida o enredo “O Santo Negro da Liberdade”. O cerne da questão é uma ação do Ministério Público de São Paulo, que pede a reintegração de posse da área em que está instalada a quadra da escola de samba.

O local, que fica abaixo do Viaduto Bresser, foi solicitado pelo poder público no dia 23 de janeiro. Em comunicado via redes sociais, a escola informou a comunidade e o grande público, também conclamando para uma manifestação no local:

Horas depois, porém, um recurso pedido pela escola foi acatado. Ou seja: nada aconteceria com o local. Também via redes sociais, a MUM comemorou:

Mas… o que de fato aconteceu para que toda essa celeuma acontecesse há cerca de vinte dias do desfile da escola no carnaval 2023? O que a Mocidade Unida da Mooca tinha para falar? Para responder a todas essas perguntas, a reportagem do CARNAVALESCO conversou com exclusividade com Rafael Falanga, presidente da agremiação, após o primeiro ensaio técnico da instituição no Anhembi, no dia 25 de janeiro.

Visão da Mooca 

Desde o começo de 1990 no mesmo importante local para o bairro da Mooca, já que o Viaduto Bresser liga o bairro da Zona Leste à região central de São Paulo, a área em que a escola está instalada é motivo de polêmicas há tempos, de acordo com Falanga. A agremiação, entretanto, na visão dele, está agindo sempre de acordo com a legislação vigente.

“A MUM tem direito adquirido sobre aquela área, que sempre foi considerada insalubre. Nós tivemos diversos subprefeitos que passaram pela Mooca, diversos problemas quanto à reintegração, mas chegamos em um acordo. O que aconteceu é que nós temos uma nova configuração na municipalidade e, aí, eu não sei porque cargas d’água foram levantar esse processo de 2015, que, para mim, já estava até finalizado e arquivado. A verdade é que em 2017 nós fomos reintegrados, até com o subprefeito pedindo para a gente retornar, oficiando o juiz do Ministério Público e com o documento pedindo esse retorno em anexo por risco de invasão de moradores em condição de rua dessa área. Em 2019 ou 2020 sai a lei das áreas sancionadas pela Câmara dos Vereadores, do então vereador Milton Leite. A gente entra com o pedido de área e ganha, com tudo oficiado no Diário Oficial. Foi nisso que o nosso advogado se apegou e defendeu. O juiz do tribunal acatou na hora, já que a juíza primeira instância não quis analisar o caso. Com o agravo no tribunal, a liminar foi concedida na hora. Há uma contradição nesse caso: a Prefeitura pede, depois reintegra, aí pede pra gente voltar, publica no Diário Oficial por quarenta anos a área em cima de uma lei e, depois, pede a área de volta. É questão de tempo a gente ganhar esse processo, tenho muita fé que, depois do carnaval, a gente vai comemorar ainda mais”, explica, pormenorizadamente.

Se serve de consolo após tanta polêmica, a Mocidade Unida da Mooca não deve sofrer mais por motivos jurídicos envolvendo a área da quadra da escola até o desfile de 2023. “A gente tem, como prazo jurídico, cerca de sessenta dias. Então é só depois do carnaval, mesmo. Quinze dias para a Prefeitura responder, quinze para a gente de se defender, quinze para o juiz analisar. A gente sabe que a Justiça, aqui, é… não vamos falar da Justiça, mas, quando falam de quinze a trinta, espero que se resolva rápido. Tenho certeza que a gente vai ganhar aquela área definitivamente”, comemorou Falanga.

Mobilização da comunidade 

Como a própria postagem no Instagram deixou claro, todos os ligados à Mocidade Unida da Mooca se uniram em prol da manutenção da área onde está localizada a quadra da escola de samba. A manifestação dos componentes e simpatizantes, de fato, aconteceu – e, claro, foi exaltada pelo presidente. “A comunidade da MUM é muito unida. Eu nem gosto de chamar o meu pessoal de componente ou desfilante, aqui a gente conhece as pessoas pelo nome. Isso é uma alavanca. Essa é a grande realidade. A gente transformou essa adversidade em uma alavanca. O povo está motivadíssimo, foi para a quadra em um manifesto, se abraçou, teve peito para encarar. Graças a Deus saiu a liminar na hora certa, a gente comemorou e vai fazer desse desafio uma alavanca para ir para o Grupo Especial”, destacou.

A força da comunidade mooquense é tanta que sequer passa pela cabeça do presidente da escola de samba ir para outro local caso algo aconteça envolvendo a ação de reintegração de posse da quadra. “O plano B é ir para a rua, porque a Mooca ela começa na rua, é oriunda da rua. A gente inicia as nossas atividades em 1987 na Rua dos Trilhos, somos remanejados em 1991 para o viaduto e damos continuidade aos nossos trabalhos lá. A gente entra naquele viaduto e não tinha um tijolo de parede, construímos tudo em uma luta de mais de trinta anos aquilo ali. Mas, se for preciso, vamos para o lado de fora, na porta da quadra, do jeito que a gente começou, com um palanque de madeira, uma caixa de som e a batucada de rua”, relembrou e orgulhou-se Falanga.

Carinho pela e orgulho da quadra 

O que faz de uma área ligada à escola de samba única? Tamanho suficiente? Conforto? Na Mocidade Unida da Mooca, o local de ensaios e sede de projetos culturais ligados à agremiação é simples, de acordo com o próprio presidente. E isso não é problema algum. Mais do que isso: essa é uma característica bastante bem quista por todos na instituição – a começar por Falanga: “”Ali é o nosso reduto: sendo simples, é do jeito que a gente gosta. É corpo a corpo, é viaduto mesmo. Não tenho intenção nenhuma de sair de lá. Muitas pessoas me perguntam para saber se a MUM não está crescendo a nível de ter uma quadra e eu falo que não. A gente gosta de fazer samba desse jeito, sem camarote, sem áreas VIP. A gente gosta do povo encostado no povo. Não tem gradil na bateria, o ritmista suando do lado da mulata, o povo passando. É disso que a gente gosta! Dali eu não saio. Se eu tiver que me amarrar naquele portão contra uma sentença ou contra quem for, eu vou me amarrar. De lá a gente não sai”, disse, voltando a falar sobre a importância do local para a comunidade.

Recados 

Na parte final da entrevista exclusiva ao CARNAVALESCO, o presidente fez questão de mandar alguns recados. A começar, é claro, ao poder público, que busca a reintegração de posse do local onde está instalada a quadra da Mocidade Unida da Mooca: “Eu falaria para eles olharem com um pouco mais de carinho. O samba de São Paulo precisa muito de um olhar mais sensível. A gente produz cultura, emprega, gera receita para a cidade. É um absurdo uma escola de samba ter que passar, a vinte dias do carnaval, pelo que a gente passou. Esse é o recado: sensibilidade ao poder público”, comentou.

Outras instituições também foram relembradas por Falanga ao comentar toda a celeuma. As outras escolas de samba, por exemplo, mereceram destaque: o presidente da MUM pediu união. “E eu não falo só para o poder público, não. Eu falo para as minhas co-irmãs em geral: temos que nos unir, se fechar. Tem que usar o que aconteceu com a MUM como exemplo para a gente se abraçar e conquistar, de uma vez por todas, o respeito que o samba de São Paulo merece e que a gente não tem. Isso precisa mudar! Um pouco mais de sensibilidade, um pouco mais de carinho. A gente produz cultura, ninguém aqui é marginal para sair de uma hora para outra, para ser tocado para fora com caminhão, com policiamento. A gente emprega as pessoas… um monte de artista, um monte de coisa bonita, a gente reinvidica direitos, faz enredos representativos, culturais, sociais, projetos. O samba de São Paulo precisa de um pouco mais de respeito e carinho”, pediu.

Por fim, ao pedir para enviar uma mensagem de apoio à própria comunidade mooquense, Falanga foi enfático, dando a entender que já passou tudo que queria a cada um deles. “Sem novidades. Coração doze por oito, pressão baixa. Vamos vir para cá dia 05, vamos descer o cacete de novo, e aí é Grupo Especial no desfile das campeãs com muita festa no Clube Atlético Juventus”, finalizou, já prevendo um possível acesso no desfile de 2023 em um tradicionalíssimo local do bairro.

Sorrisos após a luta 

Se o dia 23 de janeiro foi de uma surpresa negativa para a escola e o dia 24 foi de vitória por manter o local, o 25 de janeiro, importantíssimo para toda a cidade de São Paulo por conta do aniversário do município, também foi especial para a Mocidade Unida da Mooca. Além de comemorar a manutenção da área onde está instalada a quadra da agremiação, Falanga pediu a namorada, a jornalista Ana Thais Matos, em casamento antes do início do primeiro ensaio técnico da instituição presidida por ele. O “sim” foi muito comemorado na Concentração do Anhembi:

Pedindo carinho e sensibilidade e com muito amor, a Mocidade Unida da Mooca conquistou uma importante vitória na rica histórica da agremiação. E é com força e quadra que a MUM chega para o desfile de 2023.

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