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Série Barracões: Portela traz baluartes para marcar as décadas de glória da escola no carnaval do centenário

Em 2023, a Portela vai contar na Avenida talvez o seu mais importante enredo, pois, afinal de contas, a Águia será a primeira escola a completar cem anos de existência e essa história gloriosa, como já era esperado, será contada pela própria agremiação na Avenida. Maior campeã do carnaval carioca com 22 títulos, não foi uma tarefa fácil escolher o recorte para a produção de um desfile. Por isso, a Azul e Branca de Madureira não economizou e vai tentar levar para a Sapucaí os principais carnavais divididos pelas décadas e os olhares de cinco baluartes que estão diretamente relacionados com a instituição e que tem sua história se confundindo com a própria história da Portela. Paulo da Portela, a ex- porta-bandeira Dodô, Natal, David Corrêa e Monarco são os fios condutores desta narrativa, trazendo os principais carnavais da época de cada um deles. “O azul que vem do infinito” está sendo produzido pelos carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage, na Portela desde 2020, e vão para o terceiro carnaval à frente da escola.

Márcia Lage e Renato Lage são os carnavalescos responsáveis pelo desfile de centenário portelense. Fotos: Lucas Santos/Site CARNAVALESCO

Em conversa com o site CARNAVALESCO, Márcia Lage contou que o enredo foi desenvolvido pelo atual presidente da agremiação Fábio Pavão e explicou de que forma a artista e o marido Renato Lage estão desenvolvendo esse importante e histórico desfile.

“O enredo foi elaborado pelo Fábio Pavão e a gente foi ponderando sobre como nós íamos recortar esses 100 anos de carnaval. São 100 carnavais. Como é que a gente ia compilar essa trajetória da Portela. Ele muito sabiamente cortou em décadas, colocando os personagens já não existentes como narradores desses períodos, que é o Paulo da Portela, a Dodô, Natal, David Corrêa e o último o Monarco. E dentro desses períodos de vinte anos, foram compiladas as letras dos sambas, os sambas que foram vencedores, e os enredos mais relevantes dentro da participação desses cinco personagens importantíssimos na história da Portela. Eles são criadores. Ficou para mim e para o Renato pegar esses carnavais e trazer para uma linguagem, uma volumetria mais contemporânea e fazer a parte do banquete. A gente fez a cozinha, o bolo e os salgadinhos, coube mais essa parte visual”, esclarece Márcia.

A carnavalesca complementa revelando que os artistas se sentiram seguros com o desenvolvimento realizado pelo presidente Fábio Pavão por ele ser um grande estudioso e conhecedor da história da Águia de Madureira.

“Conversamos um pouco, porque quem fez o enredo foi o Pavão que é um ávido conhecedor da história da Portela. Ninguém melhor para saber. A gente é recém chegado também, não que a gente não conheça a Portela, já deu para sentir como é que é. Esse é um trabalho que leva tempo. A gente já ficou 13 anos em uma escola, 16 em uma outra, nos tempos mais curtos que a gente ficou foi Grande Rio dois anos, e agora já são três na Portela. E você ir conhecendo e penetrando nessa história, nesse jeito leva um tempo. Mas dá para você sentir a energia da escola, como ela gosta de se ver na Avenida. Mas daí a conhecer a história a fundo, eu não sou uma profunda conhecedora e acho que não teria a capacidade que o Pavão teve de fazer essa síntese por não conhecer a fundo essa trajetória toda”, confessa a artista.

Márcia também conta que o que mais lhe impressionou durante a pesquisa foi o orgulho que o Portelense sente pela instituição e a forma como ele gosta de ser representado na Sapucaí.

“A Portela é uma escola com uma personalidade única, é muito própria, tem um jeito de ser, tem um gosto pessoal, uma preferência de como ela quer ser vista e isso ao longo dos anos não mudou muito. A Portela é garbosa, tem essa altivez que não envelhece. Mas ela é uma escola altiva que tem um orgulho muito grande do que ela representa dentro desse espaço. Isso é legal! E isso você sente nos componentes, dentro da quadra. Eles tem esse orgulho, sem serem marrentos. É uma coisa natural. Está dentro da personalidade do portelense, do contexto da vida dele”.

Emoção vai pautar desfile que é encarado como um grande desafio

Comemorar cem anos realmente não é para qualquer uma. Seja quando falamos de uma pessoa, seja quando falamos de instituições. E no caso da Portela, ela será a primeira escola de samba a comemorar a data. Quantas agremiações foram criadas e ficaram pelo caminho neste século de samba? Então, ser a primeira a comemorar a data e sendo a instituição do tamanho que ela é, maior campeã do carnaval carioca, escola de grandes sambas, grandes carnavais, grande torcida, é algo incrível e inédito. Não é possível realizar um carnaval desses sem emoção, como imagina a carnavalesca Márcia Lage.

“Acho que o portelense, ainda mais esses que já vem ao longo desses cem anos fiéis à escola, eles vão se emocionar, porque eles estavam lá. E o portelense é muito apaixonado pela escola. Acredito que será pautado pela emoção, e acredito que o próprio carnaval como um todo, porque é a primeira a completar cem anos, uma entidade que há cem anos já colabora com a magnitude desse espetáculo, não é de hoje. É muito importante isso para o carnaval, ter cem anos de história passando por aí, uma escola com este peso, com esta medida, com esse tamanho”, define a carnavalesca.

Para profissionais tão experientes do carnaval, como Renato Lage e Márcia Lage, com passagens marcantes por Salgueiro e Mocidade, com trabalhos realizados ainda para Império Serrano, Grande Rio, Unidos da Tijuca, entre outras, também não será um simples carnaval, é um marco na carreira dos premiados artistas desta folia.

“É uma emoção diferente, Renato tem quarenta e poucos anos de serviço prestado para o carnaval, e você chegar nessa fase da vida e estar em uma escola dessa magnitude, com esse peso, e ter essa responsabilidade de você tornar legível essa trajetória, nos deixa ansiosos. O título é uma coisa que a gente está sempre almejando, que venha, nada mais merecido, seria a glória, você acender as velinhas e apagar com o desejo de todo portelense, todo mundo deseja o campeonato, mas é muito bom, é um desafio, e os desafios são sempre bons”, conclui Márcia Lage.

Tons do céu marcam paleta de cores e surpresas na águia centenária

Com um desfile voltado para falar sobre sua própria história, é de se imaginar que as cores azul e branco estejam presentes de forma mais expressiva no carnaval deste ano. Ainda mais pensando em um trabalho desenvolvido por Renato e Márcia que gostam de valorizar as cores do pavilhão. Mas, pensando até no próprio nome do enredo “O Azul que vem do infinito” e na correlação que a escola pretende fazer com a narrativa a partir de baluartes que hoje já não estão mais neste plano, a dupla teve a ideia de se utilizar das cores do céu, lugar representativo do infinito ao qual se imagina todos eles estarem lá de cima olhando pela Portela.

“A nossa característica é sempre ter a cor da bandeira, do pavilhão. É básico. É a base da escola, que é o azul e o branco. A gente injeta aqui e ali uma coisa de outra cor, mas que não foge da paleta, se acomoda. E como esse ano, o título é ‘O Azul que vem do infinito’, a gente pensou na paleta do céu: manhã, madrugada, tarde, noite. O céu é uma paleta maravilhosa, com uns alaranjados, o alaranjado e o arroxeado do cair do dia, o anoitecer. Nós fomos mesclando essas cores do céu. Tem um pouco mais de colorido, mas todos eles são oriundos dessa composição que o azul permite também. Nada como a natureza para nos ensinar. Não é aquele azul todo. A gente pensou em usar essa estética trocando com essa paleta, mas o azul é a predominância da escola do início ao fim”, explica Márcia.

Outro aspecto que sempre aguça a curiosidade do portelense é saber como virá a Águia, símbolo maior da escola. Em um ano tão especial é justo imaginar que o símbolo vai trazer grandes novidades e causar bastante comoção.

“Essa águia centenária é a mais dor de cabeça que a gente teve. Porque cada dia nós tiramos um coelho da cartola (risos). A gente tenta adequá-la à temática. Mas, eu confesso que depois daquela águia que a gente colocou no Guajupiá (2020), que foi um marco que nos comprometeu a ter que superar aquela lá. Mas ela vem bonita, ela vem dentro do contexto do abre-alas, e dentro do simbolismo dessa realeza que é a Portela”, define a carnavalesca.

Enredo passa por carnavais vitoriosos e sambas que marcaram época

Em sua história centenária, a Portela tem 22 títulos e outros 13 vice-campeonatos. Além disso, há carnavais que não acabaram nas primeiras colocações, mas geraram enredos e sambas que estão até hoje não só na memória do portelense, como do sambista em geral. Difícil falar de tudo e não deixar de mencionar algo importante. Mas, a carnavalesca Márcia Lage explica que a dupla de artistas desenvolveu uma organização para tentar contemplar de forma possível tudo de marcante que a escola trouxe nesses cem anos.

“Alguns títulos estarão mais representados. Esse recorte pegou aqueles carnavais que deram título até a terceira colocação da Portela e os sambas que foram emblemáticos. A gente mesclou, usar alegoria como marco do período que representa aquele contexto e as fantasias vem representando algumas os carnavais, algumas as letras dos sambas, algumas os títulos, o nascedouro da Portela, tem uma cronologia de época, porque a gente demarca esses períodos, mas não tem uma cronologia nitidamente temática, tipo todo um setor só com carnaval. É tudo junto, misturado, mas fazendo sentido, cada fantasia demarca um desses pontos importantes na trajetória da Portela, seja em sambas, nos títulos, nos enredos”, esclarece a artista.

E, claro, trazer de volta esses carnavais teve o desafio de adaptá-los na parte estética para a linguagem visual que hoje é utilizada, pelo tamanho que o espetáculo chegou e pela própria disputa que a Portela continua inserida e visando o título em meio a comemoração do centenário.

“Em relação ao carnavais, o que deu para a gente ver em termos de iconografia, de imagens, é que era uma coisa muito mais simples que você tem que traduzir em uma linguagem complexa, porque hoje as fantasias são muito mais volumosas, um outro tamanho para as alegorias. Antigamente, eles desfilavam com tripé, as fantasias eram feitas no quintal, a própria comunidade confeccionava, a engrenagem, a produção hoje é outra, os materiais são outros. É você precisa redimensionar aquilo sem perder aquela característica da fantasia”, complementa a carnavalesca.

Pressão por título do portelense é visto como algo normal pelos carnavalescos

O último título da Portela veio em 2017, mas como a conquista foi dividida com a Mocidade, o jejum da Azul e Branca de Madureira em relação às vitórias de forma isolada já dura mais de 50 anos. Um título desse tipo acontecendo no ano do centenário e falando da própria Portela seria uma catarse para o coração do portelense. Então, é fácil imaginar como deve estar a ansiedade dos componentes, da comunidade, dos segmentos e da torcida. Apesar disso, a carnavalesca Márcia Lage acredita que essa vontade do portelense de ser campeão é algo já inerente a sua forma de ser.

“Não só o portelense, mas acho que o componente de toda escola, seja o enredo que for, ele quer sempre ganhar. Não tem porque esse é cem anos. No Baobá foi assim. No Guajupiá foi assim. A expectativa do componente de escola de samba é sempre ganhar. Ninguém entra na Avenida pensando em perder. Agora, porque é cem anos, eles tem uma nova empolgação, eles vêem o peso, acham que merece, mas só Deus sabe o que acontece no desfile, na visão dos jurados, mas a expectativa é sempre de ganhar, seja qual for o ano”, entende a carnavalesca.

Conheça o desfile da Portela 2023

A Portela vai levar para a Marquês de Sapucaí em 2023 um total de quase 4 mil componentes que estarão divididos em cinco alegorias e 35 alas. A carnavalesca Márcia Lage ajudou a esclarecer como o desfile está sendo dividido em seus cinco setores:

Primeiro Setor
“O primeiro setor é Paulo da Portela, a trajetória e os sambas e o nascedouro, tem uma fantasia que é o ‘vai como pode’, por exemplo, era um dos primeiros nomes que a Portela teve ainda como um bloco carnavalesco, ainda se formando”.

Segundo Setor
“No segundo vem a Dodô com os carnavais do período dela como porta-bandeira e como ela demarcou na época”.

Terceiro Setor
“No terceiro setor é com Natal e os enredos que foram do período dele como presidente da escola, o patrono”.

Quarto Setor
“No quarto setor tem o David Corrêa, também os enredos produzidos por ele e os sambas”.

Quinto Setor
“Termina com o Monarco até os dias atuais e encerrando a conta, e que venha mais cem anos de história”.

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