“Alô, povão, agora é sério!”. O grito estava guardado no peito e na garganta por mais de dois anos. Neste período, a classe trabalhadora diretamente ligada à feitura do maior espetáculo da Terra foi a que mais sofreu com a suspensão das atividades de onde tiravam seu sustento. E numa preparação intensiva para apresentar os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Rio, Alex Escobar e Maju Coutinho visitaram todos os 12 barracões das agremiações na Cidade do Samba, se aproximaram desses profissionais e fizeram um ensaio fotográfico para homenageá-los.

Foto: Divulgação

“Procurei absorver aquela energia, sentir o que se passa na cabeça de cada um desses operários do samba e foi muito especial. Entre todos os envolvidos com o carnaval, eles foram os que mais sofreram com a pandemia. Deu pra sentir a força do motorista que leva o carro até a Avenida, que é uma coisa inacreditável”, explica Escobar. Maju faz coro sobre a importância de valorizar esses profissionais: “O carnaval não alimenta só a alma dos integrantes das escolas, ele também é uma indústria que bota comida na mesa de muita gente que passou por um período difícil nessa paralisação por causa da pandemia, que mostrou resiliência e seguiu na luta. Esse retorno é importantíssimo para alimentar também o espírito carnavalesco e para movimentar essa indústria que é a nossa Hollywood”.

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No ensaio, os dois assumiram, com reverência, o posto de costureiras, aderecistas e conferiram de perto a trabalho de soldadores. Nas agremiações uma verdadeira romaria aconteceu a cada visita. “Esse é o meu 9º carnaval como âncora das transmissões, mas neste ano com uma diferença fundamental, que é o fim da espera. Todas as escolas estão muito entusiasmadas, mas agora está mais do que o normal, numa ansiedade pela volta do desfile. E junto com isso temos a chegada da Maju. Ela, como mulher preta, gera uma identificação. Quando ela chegava nas escolas, o povo preto queria dar um abraço, tirar uma foto, recebê-la de braços mais abertos ainda. Ela é encantadora, cativa todo mundo”, elogia ele sobre a colega, que faz sua estreia na transmissão dos desfiles.

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O comentarista Milton Cunha acredita que este será o Carnaval da catarse. “As pessoas já estão exaustas de chorar, de enterrar seus mortos, de pensar na dor. Acho que a catarse vai ser hoje eu não sofro, hoje eu vou me acabar, é hoje que eu canto, eu grito, eu desmaio, eu acordo. O carnaval vai ter uma pulsação dionírico de muita alegria, muita felicidade. Chegou a hora de botar a fantasia, a pluma e sair celebrando a vida”. Pretinho da Serrinha concorda com o parceiro de transmissão: “Por causa dessa espera, pela indecisão de vai ter ou não vai ter, o primeiro momento vai ser de tensão, de curiosidade. Mas assim que começar vai ser aquele emoção e com certeza vai ser um dos maiores carnavais da nossa história. Carnaval vem cumprir seu papel que é de trazer alegria e nos fazer esquecer por algum momento dos problemas”, garante.

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