A primeira ala da Imperatriz Leopoldinense representou “A caravana em festa”, uma referência ao grupo de ciganos que, após a morte de Esmeralda na Europa, trouxe o seu testamento para o Brasil. O traje misto reuniu a clássica estética associada à moda cigana. A fantasia masculina exibiu violino, chapéu, calça, colete e joias douradas. Já a feminina, exibiu amplas saias de véus cortados em godê, laços enfeitados com fitas, brincos de argola e lenços ricamente decorados cobrindo a cabeça.
A ala era coreografada e marcada por movimentos leves. Para os componentes, a roupagem chamou atenção não somente pela luxuosidade e riqueza de detalhes. Encantada por representar a caravana, a leopoldinense Ingrid Paola, 24 anos, conta que foi pesquisar a história e a proposta do enredo para entender o mundo cigano.
“É a entrada da escola e dos ciganos. É a fantasia mais bonita do mundo, estou até com dó de ter que devolver (risos). Ela tem uma saia lindíssima que é cheia de panos com cores diferentes, além de glitter. Ela também tem um saiote lindo cheio de moedas. Ela retratou muito bem a estética cigana, o Leandro arrasou. Acredito que a escola incorporou esse enredo, um tema que não é muito falado. Ter que fazer essa representação me fez pesquisar muito e descobrir uma realidade muito linda”, contou Ingrid.
Para a comunidade, o enredo também representou a luta contra a intolerância, além da diversidade entre os leopoldinenses. A ala foi composta por pessoas de diversas religiões. É o exemplo de Viviane Gomes, vendedora de 42 anos. Desfila na agremiação há 15 anos e desde os nove frequenta a quadra. Evangélica, ela não pensou duas vezes antes para desfilar com a fantasia.
“Acredito que além da esperança, a mensagem da ala também é uma luta contra o preconceito – isso é a missão da Imperatriz. A ala foi composta por pessoas de diversas religiões, unidas para combater o preconceito. Muita gente achou que eu não aceitaria, mas mostrei que a mensagem e o meu amor pela escola foram maiores. Fiquei apaixonada e surpreendida com a fantasia. O Leandro, como sempre, nos surpreendeu”, comentou Viviane.
Com o enredo “Com a sorte virada pra lua segundo o testamento da cigana Esmeralda”, a Imperatriz Leopoldinense fechou o primeiro dia de desfiles do Grupo Especial.

A bateria da Grande Rio desfilou com uma fantasia que representou “O som do rugido das onças”, e incorporou o poderoso rugido da onça e celebrou os povos originários – homens e mulheres onças. Segundo o mestre os ritmistas da agremiação, a roupa foi destacada pela leveza e a luxuosidade.
O segmento garantiu os 30 pontos para a Tricolor da Baixada nos últimos três carnavais. Para Fafá, o segredo está no intenso trabalho, além da união e da humildade. Segundo ele, o único pedido feito aos ritmistas foi que eles se divertissem.
As baianas leopoldinenses se vestiram à moda cigana para dar contorno carnavalesco à cigana que tudo sabe e tudo pode enxergar. As ciganas, conhecidas por ler a mão das pessoas e adivinhar o futuro, vieram representadas pela ala das baianas. Que no tradicional pano da costa baiano estava um grande olho, simbolizando o nome da fantasia “A cigana que tudo pode enxergar”, além de elementos característicos do icônico traje de baiana com aspectos da típica indumentária cigana.
“Hoje somos a cigana Esmeralda e ela já nos contagiou desde o início das disputas de samba, e eu já estava encantada, então quando o samba veio, e foi um samba que a gente não estava esperando, que foram dois sambas em um, foi uma surpresa para a gente. Mas o samba entrou, casou, e a gente dança, a gente brinca, e a gente estava numa expectativa muito grande. Como será a nossa roupa, e a gente vêm de cigana, muito colorido, muito bonito, leve, e realmente é isso, superou as expectativas, o Leandro, como sempre, maravilhoso, a Dona Cátia, também tem muito carinho por nós”, contou a assistente social, Maria das Graças, de 54 anos.
“Nossa fantasia é a cigana esmeralda, vem misturando um pouco da sabedoria da cigana com a sabedoria das mães baianas. E eu amei a fantasia, está leve, dá para a gente dançar bastante, dá para a gente brincar, rodar a baiana no testamento da cigana Esmeralda”, disse Cleide Silva, 50 anos, doméstica.
No desfile da Imperatriz Leopoldinense, a bateria estava inclusa no momento em que as linhas da palma da mão são o tema para a narrativa carnavalesca no desfile da Imperatriz e, por serem os responsáveis por aquilo que possibilita o pulsar vital da escola em desfile, o ritmo, a bateria é correlacionada de forma poética à linha da vida.
Para o advogado João Carlos, de 47 anos, a fantasia tem tudo a ver com o enredo da escola:
Para a estadunidense, Courtney Danley, de 49, tocadora de caixa na bateria da escola de Ramos, a fantasia conversa muito com as vestimentas do povo cigano.
Alexandre Louzada fez sua estreia com o enredo “O Conto de Fados” na Unidos da Tijuca, neste domingo (11), no primeiro dia de desfile das escolas de samba do Grupo Especial. A amarelo e azul apresentou uma aventura por uma Portugal recheada de lendas e magia.
O “Fado” surge como figura central, simbolizando não apenas o estilo musical característico de Portugal, mas também conceitos de destino e criação de histórias. Essa interação cria um interessante jogo de palavras, transformando o tradicional “Conto de Fada” em um “Conto de Fado”, onde elementos lúdicos e fantásticos se fundem com relatos que são ao mesmo tempo contados, criados e reinterpretados
“A Tijuca esse ano vem inovar um pouco a estética, as cores são belíssimas, as alegorias estão com acabamento maravilhoso e as fantasias estão volumosas, com cores belíssimas”, disse.
“O desfile dele está lindo. Sinto que a comunidade está super envolvida, acreditando e apoiando. A gente está animado com a garra que ele tem para ganhar o campeonato”, disse o tijucano Wagner, de 44 anos. Ele pegou o humor e o entusiasmo dos componentes e transformou isso num enredo maravilhoso em que ele pretende demonstrar isso pro público”, completou.
As lendas e os segredos de Offir foram retratados no abre alas da Unidos da Tijuca, penúltima escola a se apresentar, neste domingo (11), no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial do Carnaval carioca. A alegoria com um pavão dourado recontou as lendas que os fenícios, ao percorrerem o Mediterrânio, aportaram nas terras que se tornaram Portugal.
O abre-alas é azul e dourado. Um pavão gigante e dourado, colocado acima de cavalos na cor azul, enfeitam o navio. A segunda parte do abre alas retrata Salomão, afim de mostrar o lado judeu de portugal, com a figura do rei em frente a uma estrela de Davi.
“Temos muito apreço à nação portuguesa, que tanto fez por esse país, que faz parte da nossa vida e do nosso cotidiano”, defendeu a componente Gabriela Nazato. A gestora pública, de 45 anos, desfila pela primeira vez na amarelo e azul da Tijuca.
A Unidos da Tijuca embarcou em uma viagem a uma Portugal mítica e mística, repleta de fábulas. Seu enredo contou, em clima de encantamento, fatos, mistérios e lendas populares sobre a formação dessa nação. Nessa narrativa, um dos protagonistas foi o “Fado”, que em seus múltiplos significados, além de representar o gênero musical típico lusitano, traz consigo a ideia de destino e fabulação. Nesse jogo de palavras, o “Conto de Fada” se tornou “Conto de Fado”, onde o lúdico e o imaginário interagiram com as histórias narradas, inventadas e repaginadas.
Luiz de 42 anos deixou sua opinião sobre a fantasia da bateria e o que esperar do resultado desse desfile: “Essa fantasia é muito bonita, não é muito pesada, que é uma demanda sempre do ritmista, porque como a gente toca e garante o show, então é leve, mas é muito, muito bonita, muito caprichada. Eu acho que está em linha mais ou menos com o padrão da escola desse ano, que foi muito alto. A gente tem ótimas expectativas e vamos que vamos, pelo visto, o trabalho desse ano foi feito muito bem. As fantasias são boas, alegoria também. Então a gente tem sempre a expectativa de voltar, pelo menos nas campeões, mas agora, depende, o carnaval é nesses 800 metros. Falar antes não adianta muito, mas a gente está muito confiante e bem positivo”.
Mais do que uma simples decoração, a peça passou, como um livro de cerâmica, a contar histórias das invasões e da reconquista. A cor azul – a mais comum nos azulejos – era usada por ser mais fácil e barata de produzir, bastava adicionar óxido de cobalto à mistura de argila usada para fazer os azulejos.
Os compositores da Grande Rio vieram fantasiados de cancioneiros populares pantaneiros que contam e, principalmente, cantam os causos e histórias sobre as onças, revelando assim os “cruzos culturais” afro-ameríndios. Com o nome “Ponteio caipira e causos cantados”, pescadores, cordelistas, violeiros e repentistas são alguns dos cancioneiros representados pela indumentária.
A diretora Lúcia estava muito animada com a preparação da ala, e destacou o que mais chamou atenção da fantasia: “Adorei o chapéu, adorei esses colares aqui maravilhosos. O nosso cavaco vem grandemente representando quem realmente somos”, falou citando o instrumento que veio como adereço de mão da roupa.