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União do Parque Acari estreia na Sapucaí com plástica surpreendente em desfile regular, mas fantasia atrapalha casal

Por Raphael Lacerda e fotos de Nelson Malfacini

Estreante na Marquês de Sapucaí, a União do Parque Acari abriu a primeira noite de desfiles da Série Ouro do carnaval carioca. Mesmo com as arquibancadas ainda vazias, a agremiação fez um desfile positivo, mas que destacou os problemas enfrentados pelas agremiações do Acesso. Afetada pelas chuvas que atingiram o barracão, a agremiação perdeu fantasias e teve parte das alegorias danificadas há poucas semanas do desfile. Apesar disso, a entrega da comunidade, a comissão de frente e a alegria de estrear na Passarela do Samba foram destaques da noite. Por outro lado, a fantasia da porta-bandeira Layne Ribeiro atrapalhou a apresentação do casal.

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Comissão de Frente

Sob o comando do coreógrafo Valci Pelé, o grupo representou “O Ritual de Obaluaiê no Sagrado da Mãe Hilda de Jitolú”, e retratou os filhos de Ilê Aiyê. Com 15 bailarinos – dez homens e cinco mulheres -, a apresentação foi dividida em dois atos. No primeiro, os componentes iniciaram a dança no ritual do Candomblé, com a representação do orixá Obaluaiê.

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O segundo momento foi marcado pelo aparecimento de Mãe Hilda, que trouxe em suas mãos a representação de uma pomba branca acoplada a um drone, que sobrevoava até o término da apresentação. Para auxiliar na encenação, a equipe utilizou um elemento cenográfico com quatro guarda-sóis que representavam a ancestralidade dos cultos religiosos. Durante a apresentação aos módulos de jurados, a comissão passou de forma correta e foi aplaudida pelo público. Foi um dos destaques da agremiação.

Mestre-sala e Porta-bandeira

A dupla formada por Vinicius Jesus e Layne Ribeiro representou Olorum Ayê, a ligação entre o céu e a terra. Nas duas primeiras cabines a porta-bandeira apresentou dificuldade na execução dos giros, por conta do peso da fantasia. A apresentação do casal foi marcada pelo bailado mais clássico, além do estilo expressivo do mestre-sala.

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Enredo

Com o enredo “Ilê Aiyê – 50 anos de luta e resistência”, desenvolvido pelo carnavalesco André Tabuquine, a Acari celebrou os 50 anos do bloco afro mais antigo do Brasil. Para retratar a história, o desfile da agremiação foi dividido em três setores: o primeiro, denominado “A religiosidade”, representou a espiritualidade do bloco e de mãe hIlda. Já no segundo, a escola trouxe a “Negritude Africana”, que homenageou a Deusa do Ébano. O setor contou os enredos do Ilê Aiyê. O último setor foi denominado de “A Ancestralidade Baiana”, encerrou a festividade baiana e também simbolizou a Ladeira do Curuzu. O enredo levou para a Avenida um apanhado da ancestralidade e festividade – representada pelo Ilê Aiyê.

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Alegorias

A União do Parque Acari levou para o Sambódromo três alegorias e um elemento cenográfico da comissão de frente. No geral, o conjunto visual da agremiação chamou a atenção antes mesmo do desfiles, já que é uma agremiação que estreou na Marquês de Sapucaí. Destaque para o segundo carro, que representou “A noite da beleza negra”. O bom acabamento da alegoria era realçado pela iluminação. Já o primeiro carro apresentou problemas leves de acabamento, com algumas emendas de revestimento aparentes.

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Fantasias

Para fazer jus a agremiação, vale ressaltar que a escola foi diretamente impactada pelos problemas enfrentados nos barracões da Série Ouro. As fortes chuvas do mês de janeiro fizeram com que a escola perdesse mais de 100 fantasias. Apesar disso, a escola conseguiu se recuperar bem e teve um desempenho razoável no segmento, trazendo roupas com leitura e bom acabamento.

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Harmonia

O carro de som da agremiação foi comandado por Leozinho Nunes e Tainara Martins. A dupla teve boa participação no desfile. Como de praxe em boa parte dos desfiles da Série Ouro, a primeira agremiação desfilou com as arquibancadas ainda vazias e foi recebida de forma morna pelo público presente. Apesar disso, os componentes desfilaram com o canto regular e mostraram a alegria de estrear na Passarela do Samba. No geral, não houve discrepância entre as alas.

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Samba-enredo

A obra foi composta por Jorginho Moreira, Professor JR., Raphael Krek, Márcio de Deus, Madalena, Alexandre Reis, Odmar do banjo, Cléber Araújo, Telmo Augusto, Gigi da Estiva, Professor Laranjo, Leozinho Nunes e Tainara Martins. A obra passou de forma satisfatória na Avenida. O trecho que teve o melhor desempenho foi o refrão “Parque Acari// Meu maior tesouro// Cintilar teu pavilhão. Os componentes cantavam o samba por inteiro, o refrão principal era o ápice. Entre a comunidade passou bem. Na Avenida, como falado no quesito Harmonia, foi morno.

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Evolução

Se por um lado abrir a noite de desfiles impacta na recepção do público, por outro, evita o cansaço dos componentes. A alegria de estrear na Sapucaí contagiou os componentes, que evoluíram de forma fluída e espontânea. O quesito teve um desempenho positivo. O desfile terminou aos 54 minutos.

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Outros Destaques

Mesmo com os problemas enfrentados durante o pré-carnaval, a União do Parque Acari lutou e fez um desfile marcado pela força de vontade da comunidade e a alegria de estrear no solo sagrado do samba.

Uma apresentação correta da bateria da União do Parque Acari, dirigida pelos mestres estreantes Erik Castro e Daniel Silva. Uma boa conjunção sonora foi produzida, junto de bossas com pressão sonora, provocada pelo impacto dos surdos.

‘Gosto de andar igual perua e de andar de chinelo’, diz Betinha, a popular presidente da Vigário Geral

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Vigario Geral Esp02002“Eu vou levar meu povo para Maracanaú”, foi isso que Betinha disse ao site CARNAVALESCO ao apresentar a sua comissão de frente. Ela, que veio representada por um componente do quesito, teve até seu look e penteado imitados para uma representação à altura da presidente popular que ela é.

“Eles estão indo para Maracanaú, tem até uma pessoa que está me representando. Me perguntaram como eu estaria vestida, para ela vir me representando na comissão de frente, levando a escola para Maracanaú. Está até trazendo a sandália que perdi ano passado, acho que foi ela que roubou”, disse a presidente aos risos.

Betinha, que viralizou na internet ano passado, com o seu discurso de arrancada, dizendo que estava “bolada”, pois tinha perdido a sua sandália, não nega que é popular, mas justifica o porquê de tanta popularidade.

Vigario Geral Esp02001“Eu me sinto popular sim, não do jeito que o povo fala, mas eu sou popular porque eu sou uma presidente de pé no chão, gosto de andar com o meu bonde, ir ao pagode. Eu não sou uma presidente nariz em pé, eu sou eu, Betinha. Gosto de andar igual perua, a cada hora eu mudo o look e também ando de chinelo igual aos outros. Hoje eu vim de trem com o meu bonde, todo ensaio técnico e desfile eu só venho de trem ou metrô, mesmo tendo a opção de ônibus com ar condicionado”, conta Betinha.

No ano passado, houve um incidente com a sua sandália, esse ano quase foi o vestido. Mas Betinha conseguiu resolver.

“Eu queria vir com um desfile de franja, comprei, mas não chegou, atrasou lá em Florianópolis, mas consegui esse aqui que está lindo”, disse a presidente rodando com seu vestido branco de franjinha.

Comprovando ser uma presidente pé no chão, Betinha dedica a sua popularidade ao seu povo da comunidade de Vigário Geral.

“É meu povo que me faz popular, a minha comunidade, eu me sinto popular lá, na minha comunidade. Tudo eu estou dentro, gosto de samba, pagode, funk, carnaval”, finaliza a presidente.

O maior São João do planeta, retratado no maior espetáculo da terra: Maracanáu representado pela Vigário Geral na Sapucaí

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Vigario Geral Esp01003Para os componentes da Vigário Geral, não há dúvidas de que a festa de São João da cidade de Maracanáu, no Ceará, é o maior do planeta. Os componentes da escola que apresentou o enredo “Maracanaú – bem -vindos ao maior São João do planeta”, contaram ao site CARNAVALESCO o que o desfile representa e a importância de contar sobre a cultura nordestina na avenida carnavalesca mais famosa do Brasil.

Claudete Duarte, de 64 anos, que saiu do estado de Santa Catarina para estrear na Vigário Geral, conta que ama as duas festas, São João e carnaval.

Vigario Geral Esp01002“Eu amo o carnaval, saio em 8 escolas esse ano, e a segunda festa que eu mais amo é São João. Então é um sonho sair no carnaval contanto sobre outra festa que eu amo, São João é uma festa muito querida, a escola está muito linda pelo que eu vi, muito colorida e vai arrepiar, com certeza, Maracanaú é o maior São João do planeta, os outros agregam, é tudo alegria, é tudo de bom, mas o maior é lá no Ceará”, afirma a catarinense que desfilará nos outros três dias de Sapucaí.

A servente de obras, Maria Isabel de Jesus, de 40 anos, que há 4 desfila como baiana na agremiação, desfilar em um enredo sobre São João é emocionante, pois mexe com a sua história.

“Como eu já fui quadrilheira, falar de São João é puxar a minha raiz de quadrilheira, eu chego a ficar meio arrepiada. Porque, eu moro no interior de Bangu e lá eu aprendi a gostar de dançar quadrilha. E lá em Bangu mesmo eu aprendi a gostar de samba. Minha mãe me levou para o samba e hoje em dia eu sou baiana com a minha mãe e minha irmã, até as minhas filhas já foram baianas comigo também, então está na raiz, está no sangue. É o povo brasileiro, brasilidade, São João, carnaval, Vigário Geral, até rimou”, disse a baiana.

Vigario Geral Esp01001O terceiro carro da Vigário Geral, chamado “O maior São João do planeta”, veio todo colorido, decorado com estampas e balões de festa junina. Algumas componentes do carro falaram da representatividade do nordestino para o Brasil, tanto na cultura, quanto na formação do país.

“O carro vem falando dessa tradição de São João, a valorização do nordeste enquanto cultura popular brasileira, o respeito a cultura do nordestino, trazer o nordestino para o Rio de Janeiro. Porque esse nordestino vem para o sudeste trabalhar e o sudeste está recebendo, está abraçando esse nordestino, a gente vem falando sobre isso também. Além de falar da maior festa junina do Brasil, que é o São João de Maracanaú, a gente também vai falar sobre essa questão do nordestino inserido na cultura popular enquanto cidadão, a valorização desse nordeste”, afirma a professora de história Tânia dos Santos, que tem 53 anos e desfila há 4 carnavais na tricolor.

A também professora Brenda Arroco, de 42 anos, que desfila há 6 anos pela agremiação, segue o mesmo raciocínio da colega de profissão e de carro alegórico.

“Esse carro é a personificação da cultura nordestina, tem até uma parte do enredo que fala que o Ceará é o tronco que alimenta as flores do país, as folhas do país, e eu acredito que isso é a força que o nordestino traz para a gente e que acaba sendo a base de todo o país, em relação ao trabalho, em relação ao crescimento do Brasil. Apesar das pessoas menosprezarem o nordeste, eu creio que o enredo vem para mostrar a diferença a partir da festa, mas com a alegria que eles trazem para gente. O nordestino, apesar do muito trabalho, apesar das dificuldades todas que passa, tem essa alegria que é trazida para a gente. Pela força dos padroeiros, que o enredo ainda traz isso, o São João, o santo”, comenta a professora.

Lia de Itamaracá: A sereia do abre alas da Império da Tijuca

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Imperio da Tijuca Esp02002O abre alas da Império da Tijuca, representando “nos braços da linda mãe sereia”, trouxe um carro com o mar como um portal para a espiritualidade e a expressão artística de Lia, destacando suas canções em homenagem a Iemanjá, estabelecendo uma conexão entre música, devoção e natureza. O carro foi elaborado em tons de azul, com detalhes nos corais e recifes feitos com seis mil garrafas de PET, confeccionadas pelos estudantes do Instituto Federal do Rio de Janeiro, sob a coordenação dos professores André Wonder e Flávio Sabrá.

O carnavalesco Junior Pernambucano contou sobre alguns imprevistos que aconteceram, também falou um pouco sobre o carro abre alas e expressou sua felicidade com o Carnaval de 2024: “A gente teve uns imprevistos aí, mas contornamos e vai dar tudo certo. O Abre Alas é uma novidade com a Lia de sereia e eu estou feliz com essa grande homenagem à Lia e a gente está realizado com o resultado”.

Imperio da Tijuca Esp02001Sebastião, conhecido como Tiãozinho, compartilhou toda a sua emoção em desfilar no abre alas ao lado de Lia e tudo que a escola representa em sua vida: “Eu desfilo há 67 anos na escola. Saí por um momento, mas eles se lembraram de mim e eu retorno ao lado da Lia, porque sou o mais antigo da escola. Meu nome é Sebastião, mas todos me chamam de Tiãozinho. Já fui presidente da escola e conquistei o primeiro campeonato para ela. Fui presidente da velha guarda e da ala de compositores por 21 anos. O reconhecimento deles para comigo é algo muito especial. Eu nasci no Morro da Formiga e tenho orgulho disso. Minha filha e minha neta agora desfilam comigo.”

“Para mim é um sonho, desde criança eu sonhei em participar e hoje eu vou controlar para não chorar, porque a emoção é imensa, imensa, não tem palavra. É só aproveitar e brilhar e sentir essa emoção, essa energia, já sinto eu tenho certeza que lá vai ser algo muito mais incrível. Mas já as expectativas são grandes para mim estar aqui”, desabafou Elizabeth de 37 anos.

Imperio da Tijuca Esp02003Juan Junior Rodrigues de Andrade de 27 anos e grande fã de Lia, expressou seus sentimentos em viver esse momento: “Eu como fã de Lia de Itamaracá, estou muito contente, emocionado, muito feliz, porque ela representa uma gigante da nossa música, da nossa arte, da nossa cultura. Então, eu estou realmente muito feliz de estar participando do desfile da escola, que está homenageando Lia de Itamaracá, e de estar no carro abre alas juntamente com a Lia de Itamaracá, que era um dos meus sonhos, conhecer ela. Então, eu estou muito contente e eu acredito que esse desfile vai ser maravilhoso. As expectativas são altíssimas. Pelo que eu vi, as fantasias estão maravilhosas, o samba-enredo é maravilhoso, o tema do desfile, o enredo por si só, já é muito grandioso, e ter a presença de Lia de Itamaracá aqui é motivo para causar muita alegria, muita emoção, muita… sem palavras, é uma coisa muito verdadeira, muito íntima, que vem do coração”.

Império da Tijuca: fotos do desfile no Carnaval 2024

União do Parque Acari: fotos do desfile no Carnaval 2024

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União do Parque Acari exalta a religiosidade em seu abre-alas

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Acari Esp02001O abre-alas da União do Parque Acari, chamado de “A Religiosidade” abriu o desfile da Série Ouro do Carnaval carioca, nesta sexta-feira, mostrando a criação do bloco Ilê Aiyê e abordou a religiosidade de Mãe Hilda Jitolú e a força dos seus vooduns.

O carro branco carregava o nome da escola, com detalhes dourados e marrons. Era possível ver a figura de Hilda no carro, além de pombas brancas e estátuas que relembravam diretamente as religiões de matrizes africanas.

A escola de Acari preparou uma celebração em honra aos 50 anos do mais antigo bloco afro do Brasil, o Ilê Aiyê. Diretamente da Bahia para a Marquês de Sapucaí, o enredo se destacou por seu compromisso em promover a valorização da cultura afro-brasileira, enquanto combateu o racismo e fomentou a igualdade através de desfiles, música e diversas atividades culturais.

Acari Esp02002Jonathan Hollanes, de 31 anos e Social Sellers, desfilou emocionado no abre-alas da escola. Ele falou sobre a importância do carro e o que ele representa para quem não segue religiões “cristocentradas”.

“Durante muito tempo segui religiões cristãs. Com o tempo, me reconheci ifista (Ifá). Estar neste carro e poder participar diretamente inflama a nossa ancestralidade” relatou.

Taciana Dias é corretora de imóveis e desfilou no abre-alas da escola. Ela defendeu emocionada que onde existe religiosidade não existe ódio.

“Eu acho que não tem lugar para preconceito, não tem lugar para discriminação, seja de religião, seja de raça, seja do que for, né? Então, eu acho que a religião é o amor. É o que vale hoje, é o amor. É a maior religião de todas”, disse.

“Quando a gente entende a importância de Ilê Aiyê, a gente percebe a relevância que eles tiveram e como esse contato com a espiritualidade mexe com o nosso coração”, completou Jonathan emocionado.

União do Parque Acari homenageia Ilê Aiyê

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Acari Esp01001O famoso bloco baiano Ilê Aiyê, pioneiro como o primeiro bloco afro do Brasil e símbolo de resistência cultural, comemora este ano seu jubileu de ouro. O bloco foi homenageado no carnaval do Rio, pela escola União do Parque Acari, na Série Ouro do desfile carioca.

Marcando a estreia da União do Parque Acari na Série Ouro, o enredo, desenvolvido pelo carnavalesco André Tabuquine, promete destacar a importância e o legado do Ilê Aiyê na história do carnaval brasileiro.

Ivanete Borges, aos 76 anos e componente da velha guarda da escola, comentou emocionada sobre a conquista que é ver a agremiação chegar na segunda divisão. “É um grande prazer, porque a gente estava esperando isso há muito tempo. Hoje nós conseguimos, e vamos continuar aqui, com este enredo que fala sobre religiosidade e ancestralidade”, declarou.

Completando 50 anos de história, o Ilê Aiyê é originário do bairro da Liberdade, hoje conhecido como Curuzu, o bloco transcendeu fronteiras geográficas e sociais, propagando uma mensagem de valorização da identidade negra e das raízes africanas da cultura brasileira.

“É muito legal essa conexão do Rio com a Bahia e celebrar um momento cultural, histórico e político da formação do primeiro bloco afro no Brasil, que mostra sua força, persistência e vínculo com a tradição cultural do povo brasileiro, seja na Bahia, seja no Brasil ou no Rio de Janeiro. Vamos fazer uma festa neste carnaval”, disse Prado Neto, de 63 anos, desfilando pela primeira vez na União do Parque Acari.

Acari Esp01002Os componentes da escola, reconhecem a importância de homenagear o bloco. Mas também, sonham com o lugar no Grupo Especial. Úrsula Martins tem 43 anos é advogada, ela comentou sobre a emoção de estar desfilando pela escola, que é apaixonada há mais de 10 anos.

“É muito importante estar aqui com essa escola, ainda mais que ela subiu agora. Dar esse apoio é muito importante. E é importante também destacar que a gente faz, a gente quer, no final, todo mundo tem que ser feliz. A gente não quer que ninguém desce”, afirmou Úrsula.

Os componentes também se encontram no enredo. Suelen Michael, de 34 anos e assistente de administração, comentou como acha a ancestralidade e se sente representada como enquanto mulher negra.

“O bloco representa muito para as mulheres, ressalta a beleza negra. Eu acho que é mais do que justo fazer essa homenagem. E eu estou muito feliz por estar aqui participando, falando de ancestralidade, dos nossos orixás. É a minha própria história, como uma mulher negra, com o legado da minha família, representando esse bloco tão lindo”, disse emocionada.

Baianas do Império da Tijuca homenageiam Iemanjá e Oxum

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Imperio Tijuca Esp01003O Império da Tijuca trouxe para a Marquês de Sapucaí a história de vida de Lia Itamaracá, destacando a negritude e a religiosidade do povo negro. A primeira ala, representando a mãe das águas, homenageou Iemanjá e Oxum, com as baianas reverenciando essas divindades em uma fantasia linda em tons de azul, amarelo, dourado e branco que carrega a imagem de Nossa Senhora.

Isabel Gil Caetano, de 64 anos e 25 anos de pavilhão, expressou em entrevista ao site CARNAVALESCO sua alegria com a fantasia das baianas este ano, ressaltando sua devoção a Nossa Senhora e Iemanjá.

Imperio Tijuca Esp01002“É uma coisa mais linda, eu sou muito devota de Nossa Senhora, de Iemanjá também, então quer dizer, eu estou me sentindo bem. Espero que a minha escola suba, estou aqui com prazer, já são 25 anos que eu estou na escola e é o meu prazer estar aqui”, disse.

A escola desfilou cirandando para revelar as vivências culturais da pernambucana Maria Madalena Correia de Nascimento, a maior cantora de ciranda brasileira.

“É uma emoção, o enredo todo é uma emoção, então representar a Nossa Senhora é emocionante demais, é um gostinho a mais. Ser baiana já é um gosto a mais, representar a Nossa Senhora é muito mais, principalmente porque ele está inserindo no contexto que a ciranda é uma dança que remete às ondas do mar. Então faz essa mescla e dá aquela aquecidinha no coração. É a primeira vez que eu desfilo, mas eu sempre gostei do Império, sempre torci, só que nunca desfilei e eu estou muito animada, a ansiedade já passou e eu acredito que pelo que a escola se preparou, a gente vai lá para as cabeças, a gente vai lutar pelo primeiro lugar. A empolgação da comunidade, o chão está cantando forte”, comentou Daniela Monteiro de 35 anos.

Imperio Tijuca Esp01001Jane Silva de 64 anos que desfila há muitos anos no Império, também contou um pouco sobre a emoção do Carnaval de 2024: “É um prazer fazer tudo isso pela escola e por vocês também e pelo nosso Carnaval, pelas nossas escolas. É maravilhoso, é gostoso, é lindo, já venho desfilando na Império várias vezes, de Baiana, de Ala, mas realmente é gostoso, é show, maravilha mesmo“, concluiu.

Série Barracões: Com enredo afro e de fé, Vila Maria busca o retorno ao Grupo Especial de São Paulo

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A Unidos de Vila Maria teve problemas no desfile de 2023 e acabou sendo rebaixada para o Grupo de Acesso I após um tempo distante do grupo. Para o retorno ao Grupo Especial, a escola optou pelo carnavalesco carioca, Fábio Ricardo, e trouxe um enredo diferente para as características da escola, apesar de manter o lado da fé, trouxe o afro com o:  “Forjados na Luta, Guiados na Coragem e Sincretizados na Fé: A Vila Canta Ogum!”.

O site CARNAVALESCO visitou o Barracão da Vila Maria que está localizada perto do Sambódromo do Anhembi, e conversou com o enredista Roberto Vilaronga, já conhecido no carnaval de São Paulo, e seu irmão, Fábio Ricardo, que chega para desenvolver seu primeiro carnaval paulistano.

Conheça o enredo da Vila Maria

Com um enredo afro na Vila Maria, o que não é algo tão comum, o enredista Roberto Vilaronga nos contou sobre o desenvolvimento do enredo e a ligação com a fé da Vila Maria, que é uma escola muito ligada a São Jorge.

“O enredo, ele trata de como o brasileiro, como as pessoas no Brasil se relacionam com o orixá Ogum. Isso, ela fala muito sobre como a gente se relaciona com a fé, de como a gente entende a fé e de como a gente prega a nossa fé. Então a gente buscou no orixá Ogum, que é uma referência também para a comunidade da Vila Maria, como São Jorge. Então iniciamos o nosso enredo falando um pouco sobre ancestralidades, como surge o Ogum, o que o Ogum traz para a humanidade, que é a forja do ferro. Depois a gente fala de como essa religião aporta no Brasil, com a diáspora africana, e ela traz o candomblé e o candomblé se torna uma das principais religiões desse país. Falamos de como é cultuado no Xirê, como é cultuado pelas pessoas e pelos outros orixás. Falamos também de como é cultuado na Umbanda, como o Ogum é venerado na Umbanda, e a gente chega também no final do desfile, no último setor, onde a gente fala como ele é cultuado no catolicismo, chegando nas festas de São Jorge, na Alvorada, e assim a gente encerra o desfile. Então, basicamente, o enredo trata de como nos relacionamos com a nossa fé, como a gente se relaciona com o orixá Ogum”.

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O carnavalesco Fábio Ricardo seguiu o enredista Roberto e complementou sobre o enredo: “E com a própria ligação do catolicismo, ela entrou mais forte, eu aponto aí, por conta da própria escola, porque a escola tem o padroeiro que é o São Jorge, e é interessante que existe uma festa todos os anos dedicada a um grupo grande de pessoas ali na Vila Maria, é uma festa grande com festejos mesmo, não é só uma simples feijoada. Tem culto, tem procissão, tem tudo, então eles montam realmente uma Alvorada, uma anunciação da São Jorge. Então assim, não é catolicismo que a gente está falando ali só no último setor, a gente vai ter o representativo do santo guerreiro, mas ali é a própria Vila Maria homenageando o seu padroeiro, entendeu? Então esse último setor, ele é todo realmente pensado nos festejos de São Jorge, como o melhor festejo de São Jorge da própria Vila Maria, as pessoas vão ver Vila Maria e vão ver esse encerramento que a própria escola faz para ela mesmo, o padroeiro, e abre aspas aí, que poucas pessoas sabem disso, esse enredo foi a pedido exatamente do próprio presidente, a gente já tinha vários enredos e foi pedido ao próprio presidente. Pois já tinham falado da padroeira da escola, já tinham falado de tantos enredos e nunca tiveram… O mesmo enredo foi da própria escola, do bairro. E o presidente sentiu no coração que estava na hora de homenagear nesse momento, tão que a gente precisa da força de São Jorge, da força de o mundo, dessa energia, de homenagear o próprio Santo Guerreiro para dar força para a Vila Maria chegar no lugar que ela nunca deveria ter saído. Então assim, foi importante essa decisão do presidente e a gente comprou a ideia e o sentimento, a gente não só comprou a ideia, a gente comprou a ideia e o sentimento da escola também”.

A comunidade aprovou o tema

A alegria da comunidade com o enredo foi contada pelo carnavalesco Fábio Ricardo: “Quando foi anunciado, isso foi um estouro. E aí eu nunca tinha visto pessoas se emocionando também na escola, então é uma escola apaixonada e isso é o que te dá mais força e energia para você continua”.

“É um enredo, um pedido veio da comunidade, uma ideia do presidente, um sentimento que ele teve e isso fez com que a escola abraçasse, todo mundo abraçou e a comunidade festejou, quando o Fábio fala de anúncio, foi numa feijoada da escola e o anúncio, a escola veio abaixo, começou muito bem. Depois teve a disputa de samba, foi escolhido um samba que retrata perfeitamente o nosso enredo e um samba de pessoas da comunidade, de compositores que estão há muitos anos no Vila Maria. Então isso é mais um ponto, mais uma pitada dentro da energia desse enredo”.

As curiosidades descobertas na pesquisa do enredo

O carnavalesco Fábio Ricardo falou sobre as curiosidades que encontraram: “Olha, eu acho, da minha parte, cada coisa que você vai pesquisando, aí tem a pesquisa de texto, a gente embasar tudo, que meu irmão (Roberto, enredista) faz isso, e aí tem a pesquisa de visual, é na pesquisa de visual que a gente começa a descobrir as coisas, entendeu? A gente partiu para os nomes Yorubá, que é importante, e a partir dos Yorubás, fui descobrindo muita coisa, o Google ajuda à beça”.

Complementando a fala do carnavalesco, Roberto ressaltou a identidade visual como o ponto principal como descoberta: “Uma boa referência para dar, né, que você fala de descoberta, é a a própria referência gráfica, visual, que você está dando, de Iracy Carise”… E Fábio Ricardo incrementou falando: “Isso foi muito importante, porque a partir dali eu fui pesquisando”, assim prosseguiu o enredista Roberto citando: “A Iracy Carise, ela, e ele usou a referência de um outro artista, Rubens Valentim, então tem dois artistas aí, os dois são brasileiros, mas o Rubens Valentim ele é mais contemporâneo, ele é mais da atualidade”. e o Fábio Ricardo complementou: “Eu bebi na fonte do Rubens Valentim, não é que eu vou fazer isso, mas eu bebi na fonte ali porque é um cara que mostra para esse segundo setor uma forma de ver a religiosidade dos orixás mais contemporâneos nos dias atuais. O que é São Paulo? Estampa, grafite, sabe, movimento, alguma coisa diferente. Eu quis buscar para o Carnaval, que também é São Paulo, o que é São Paulo, entendeu? Como assim, o Rio de Janeiro apresenta lá, foram 31 lá no janeiro, a gente apresenta a cara do Rio de Janeiro, precisamos mostrar o que é a cara de São Paulo, a ala dos trabalhadores foi dentro do metrô, que eu fiz assim, ó, aqui tá força de Ogum, aí o que que tem de professora, garçom, operário indo trabalhar? Aí eu falei assim, vamos, esse setor vai ser assim… Então sabe, o que São Paulo inspira, entendeu? E aí outras formas, só no Museu de Afro-Brasileira, que é o maior da América Latina, tá?”.

O enredista Roberto prosseguiu falando sobre o tema: “A gente fez a pesquisa no Museu Afro, né, logo no início, então muita referência visual. O Fábio buscou ali, né, então, depois que a gente saiu de lá, ele começou a notar, e aí ele não gosta muito (de internet), e eu acho que respondendo a tua pergunta, o que que tem de curioso, né, de diferente que viu, são as referências que ele utilizou de formas de Iracy Carise, de Rubens Valentim, e de como ele se inspirou no âmbito da cidade, né, no dia a dia de São Paulo, na contemporaneidade de São Paulo, para trazer essa linguagem para o carnaval dele”.

História marcante

Os irmãos falaram sobre toda a fé que o brasileiro tem, e que sempre encontram alguma proteção, seja qual religião for. Foi um assunto muito comentado por ambos durante a entrevista, inclusive dando exemplo deles mesmo. Quando Fábio Ricardo ainda antes de nascer, quase não sobreviveu e teve pedido do seu pai. Assim como a relação dos irmãos que indiretamente frequentaram uma casa espírita juntas, Fábio mesmo sem convidar o irmão, acabou que Roberto um dia cismou, foi, e não saiu mais.

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Revelação de uma promessa feita do pai para o Fábio Ricardo: “Faço com muito respeito, porque eu fui batizado na Igreja de São Jorge, graças a Deus assim, cá estou aqui sentado com você, graças ao meu pai, que fez uma promessa São Jorge, para o filho dele, o primeiro filho dele, não perder a vida, porque eu tive uma infecção, nem vinha, e eu fui batizado às pressas, não estava na época, e cá estou vivo. Até hoje meu pai vai na Igreja, e cumpre a promessa dele com São Jorge, porque eu estou aqui de pé, entendeu? Então isso para mim é muito importante, eu não sou só um cara de outro, que passei por alguma religião, meu berço, ligado ao São Jorge, essa energia toda, é ligada também a minha realidade, assim como a Vila Maria. Ou seja, as coisas foram se juntando, eu falo que as coisas quando tem que se juntar, elas se juntam, e aí eu fiquei, o Beto quando começou a escrever para mim e leu, e depois assim, poucas vezes aconteceu isso, eu me emocionei, parei assim”.

O enredo tem grandes representações para os irmãos, e Roberto ressaltou: “A gente tentou trazer referências que fossem verídicas, não só para a escola, mas para o Fábio, que afinal é ele que está fazendo o enredo, sai da cabeça dele o que as pessoas vão ver, então tinha que ter essa pegada voltada para a emoção mesmo, para o que de fato as pessoas cultuam, e a gente na quadra conversou muito com a gente”, e o carnavalesco Fábio Ricardo complementou: “Porque todo mundo falou assim, obrigado porque a gente precisava disso, sabe? Era o mesmo que eu senti quando eu li, o que também foi para mim, quando a gente, ali foi para mim, porque eu vi a minha família ali, na fé, entendeu? Eu vi a minha família na fé, assim como toda Vila Maria quando recebeu o enredo, ele viu a fé deles ali”.

Logo que saiu o enredo da Vila Maria gerou dúvidas sobre do que se tratava, e Roberto resumiu: “É um enredo de fé, se eu for resumir em uma palavra, de tudo que a gente falou, o que que é o enredo? É sobre a fé, é sobre a fé em algum São Jorge, nessa energia que ele traz né, então acho que é a forma mais simplista e mais objetiva de dizer o que que se trata esse enredo né, não é o enredo sobre Ogum, não sei onde, não, é sobre a fé, de como a fé, de como isso toca na vida das pessoas, representam isso né?”

Trunfo do desfile

O enredista Roberto falou sobre o trunfo que a Vila Maria tem: “Para mim, o trunfo é quando a comunidade vê as alegorias. Isso, sim. Isso vai ser o grande trunfo. Para mim vai ser a grande mola propulsora do desfile. Quando eles chegarem ali na concentração e verem os carros da Vila Maria, aquilo vai deixar eles doidos”.

Complementando o enredista, Fábio Ricardo ressaltou o que espera da escola em uma batalha com ela mesmo no canto: “A escola toda. Não só os carros. Quando eles se derem conta que vão… Porque é uma coisa que eu aprendi. Antes de você riscar um figurino… Você faz assim já vê a escola toda montada na avenida pronta. Isso eu aprendi com o Joãosinho Trinta. Antes de você riscar. Quando você sai o enredo, você já vê. Tem que ver ela pronta. Isso é muito importante. Você sabe o que ele vai fazer. E aí isso vai ser pra Vila Maria. Quando todo mundo estiver lá com o carro. E um olhar pro outro e falar assim. Agora vamos  pra batalha. Mas sabe por quê? Não é porque é melhor nem pior do que eles já tiveram, não. Não é nada disso. É porque eu acho que é uma energia diferente. É no momento que ela precisa. Entendeu? Eles vão estar ali, chegando num desfile de acesso. Vai ser antepenúltimo escola. Já vai ter passado grandes escolas na avenida como Nenê. Escolas enormes, maravilhosas. E a Vila Maria vai estar ali, no meio do Fogo Cruzado. Vai ter duas escolas enormes depois para vir. Então eles vão vir ali. Quando olhar a escola montada, eles chegaram e vão”…

Setor a setor 

O enredista Roberto Vilaronga contou sobre os setores da agremiação com ajuda do carnavalesco Fábio Ricardo, foram dando uma pincelada no que vão apresentar no Anhembi:

Setor 1: “O primeiro setor é a ancestralidade, é a força ancestral, é de como o orixá, como o Fábio comentou, como a força animal sempre falou a língua dos homens, a terra vai conversar com isso e onde surge o orixá Ogum. Neste primeiro setor citamos a ancestralidade e o que que o Ogum trouxe para a humanidade, o que, que é? É o ferro, a forja do irin, e isso vai fazer com que o irin a gente use até hoje para tudo, o Ogum é o orixá do ferro e da tecnologia, que é algo que vai levar para as próximas gerações, até quando a gente não estiver mais aqui. Então esse primeiro setor ele é muito isso, então a gente tem ali no primeiro setor a comissão de frente, que a gente não fala ainda sobre. Temos as alas das forças ancestrais dos animais, então tem a girafa, né, tem vários…

O carnavalesco Fábio Ricardo complementou: “Porque os animais, porque até hoje eles fazem os cultos a essa ancestralidade, se você pegar qualquer National Geographic ou Netflix, você vai ver máscaras de animais, aqueles cultos que eles fazem dançando que o pessoal fica assim, aquilo dali é um culto ancestral pra ele, e você vê que a cabeça de boi, entendeu? Vou dar um exemplo, aqui rápido, as pessoas assim, lá é a cultura deles, daqui a gente não fala que tem, os nossos indígenas não têm os animais que conversavam com ele há milhares de anos atrás que eles falam… Que tem um cobra grande, uma que virou lua, virou estrela, exatamente isso era a África, então assim, e foi na Grécia que teve o Minotauro, isso são coisas vividas que estamos trazendo e poucas pessoas têm essa informação. Fui a fundo realmente, nada disso eu tô inventando, estamos criando, dando referências de uma África que poucas pessoas conhecem”

Setor 2: Voltando para o enredista Roberto, contou sobre o segundo setor “Fechando esse primeiro setor, a gente parte para o segundo setor, de como essa energia de ogum, ela chega no Brasil e ela é vestida pelos brasileiros. Como os trabalhadores eles se vestem disso, como eles saem a rua, então temos uma ala ali falando dos trabalhadores”.

O carnavalesco Fábio Ricardo prosseguiu: “Ela passa pela melhor essa energia, ela passa como se fosse uma força e uma potência muito grande que ela vai levando, que vai ser mostrada visualmente em movimentos. Assim, para as pessoas verem o que o ogum, quando tirou o Irim da terra para levar… ‘Ah, o ogum é de terra não, não é só de terra’, o ogum, de um dos itãs, ele viu que o homem, aí entra o homem, nasce o homem na terra, que é o primeiro povo, o povo de elifer, que nasce, os orixás viviam junto, eram deuses que viviam, orixás que viviam junto com o homem, e aí o homem não tinha ainda a sapiência de entender como ele vai tratar da terra, ele só tirava, até que um dia o povo passou fome. O Ogum pegou sua inteligência, um orixá muito inteligência, de pensar muito, com o próprio Irim ele fez, além de ter dado a arma para ele se defenderem, a espada para se defender, ele criou as ferramentas para o homem arar a terra e cuidar da terra e começar a plantar por seu próprio sustento, então, Ogum também matou a fome do povo. Fez o homem trabalhar, o celular que você está segurando, ele tem detalhes em terra, que é tirado dessa grande sensibilidade que nós vivemos hoje”.

Roberto: “No segundo setor, então, a gente fala de como isso se chega no Brasil, e de como isso é tratado no candomblé, então, não vamos falar do candomblé pelo candomblé, falaremos das referências, nas alas você pode perceber que tem das guias, os patuás, tem o Ilê Axé e o Mariô, que a gente fala bastante, como o Fabinho explicou, o que é o Mariô, o Mariô é a planta ali que utiliza o vestimenta”… e o carnavalesco Fábio Ricardo disse: “A folha do dendezeiro, ela trabalhada, não vou dar o oro da folha, é a folha do dendezeiro, que é onde o dendê é um dos alimentos de Ogum também, e essa folha do dendezeiro tem os Itãs, que Ogum um dia se vestiu também de Mariô, um dos Itãs dele”, e Roberto completou explicando outro caso: “Itãs são as lendas que permeiam o Ogum, e tem Itãs de todos os orixás”.

E o Fábio Ricardo complementou “Até porque não existiu um Ogum só, não existiu uma Iemanjá só, não existiu um Odé, existiu várias Oguns, por isso que existe dentro do Candomblé, várias qualidades de Ogum, porque existiam vários Oguns. Então cada Ogum trazia sua energia diferente, o primeiro Ogum se chama Ogum-Ajô, que é o que traz a chave, que abre o caminho, e isso vai estar presente, que é na alegoria, é o que tem o cão, que é um dos elementos que é na natureza dele, isso é muito importante. Pontuei certinho e seguindo também muitas coisas da minha intuição, exatamente desses pontos para ficar de uma leitura fácil, e as pessoas vão olhar, quem tem que entender, se lembrou que tem aquilo, que poucas pessoas não têm informação hoje”, e o Roberto fechou: “E aí a gente fecha o segundo setor com o segundo carro, que é o Shire, o próprio Samba fala, tem festa no Shire, então essa festa no Shire é o Shire que a gente vai fechar no segundo carro”.

Setor 3: “Entramos em um terceiro setor, onde a gente passa como manifestado, cultuado, Ogum na Umbanda, então falamos das sete linhas da Umbanda, dos Caboclos, dos generais de Umbanda, para fazer a referência de fato de que Ogum não é só na Umbanda, no Candomblé, ele também está na Umbanda. E entramos em um setor onde a gente vai festejar, vai falar de como é a relação no catolicismo, de como é que é essa relação, então mais uma vez, como é que é na religião, não é a religião, como é tratado. Falamos das festas, como os passistas, por exemplo, são os festejos para São Jorge, então é como o São Jorge é da Capadócia, mas ele também é daqui, o São Jorge é da Capadócia, mas ele é daqui também, e usamos isso na sinopse”, e o Fábio completa: “São diferentes que são da onde que ele nasceu. O festejo brasileiro”, e Roberto prosseguiu: “Tem a ala da fé, de como pedimos as coisas, como agradecemos, como fazemos promessa. Tem a ala das promessas, a ala da vela, que é uma referência maior, de que eu vou acender vela para São Jorge, vou acender a vela para o Santo, e a gente fecha com um visual, vou tentar falar o menos possível, um visual muito voltado para o que o Fabinho faz, que é o detalhe. Então tem um visual voltado a São Jorge, a gente não tem como deixar de tê-lo, mas vamos criar um visual que ainda não foi usado pela Vila Maria, algo diferente, e de outra escola também, porque já passou muito São Jorge, mas não tem um ego assim, era uma coisa que eu sempre quis fazer, e para apresentar ele, um grande estilo, e da onde que… nós sabemos da onde que ele vem”.

Ficha técnica:
3 alegorias
16 alas
1800 componentes