A Lins Imperial definiu dois nomes do carnaval para a direção de destaques em 2023: Rodrigo Leocádio e Jully Malafaia, também conhecida como Jully Jully. Rodrigo Leocádio é destaque do carnaval carioca há mais de 25 anos e passou por diversas escolas tais como: Caprichosos de Pilares, Acadêmicos da Rocinha, Inocentes de Belford Roxo, Império Serrano, Alegria da Zona Sul, Paraíso do Tuiuti, Renascer de Jacarepaguá, Em Cima da Hora, Imperatriz Leopoldinense entre outras.
Foto: Divulgação
Pela Mocidade Independente de Padre Miguel, é destaque por 21 anos e foi coordenador nos carnavais de 2014 e 2015. Com o seu retorno à Lins Imperial, a agremiação verde e rosa do Lins de Vasconcelos contará futuramente com o brilho de importantes destaques do carnaval.
“Tenho um carinho grande pela Lins porque já desfilei pela agremiação em outros anos e a convite da presidência e direção de carnaval, aceitei mais este desafio e chego para somar. Futuramente reuniremos muitos destaques de peso na agremiação e faremos da Lins um grande grupo de destaques”, diz Leocádio.
Cabeleireiro, maquiador e ator transformista, Jully Mallafaia fará dupla com Rodrigo Leocádio na coordenação dos destaques, personagens que investem vultosas quantias para brilharem sobre o alto das alegorias com luxuosas fantasias, representando os personagens centrais do enredo contribuindo para o engrandecimento do desfile.
Jully começou na Portela, desfilou por 18 anos como destaque da Tradição, mas foi no Arranco, agremiação vizinha da Lins Imperial, que sua identidade ficou marcada. De destaque à diretora de carnaval, foram 35 anos dedicados à azul e branco do Engenho de Dentro. Jully Jully já brilhou em diversas escolas e na Lins Imperial não foi diferente. Em 1990 a convite do então carnavalesco Orlando Júnior estreou na Lins Imperial e emprestou o seu brilho à escola em alguns carnavais. Para 2023, Jully juntamente com Rodrigo Leocádio formará um grande time de destaques para abrilhantar ainda mais o desfile da Lins Imperial.
“Espero fazer um trabalho bacana junto com a diretoria da escola. Sempre estarei disponível para fazer a Lins permanecer lá em cima. Convidaremos e selecionaremos nossos amigos destaques para compor o quadro para o Carnaval 2023”, avisa a diretora.
Em 2023 a Lins Imperial desfilará na Série Ouro na Marquês de Sapucaí com o enredo “Madame Satã: resistir para existir”, uma releitura do Carnaval de 1990 com roupagem e samba-enredo inéditos.
A Unidos de Padre Miguel irá iniciar o recadastramento e a inscrição de novos componentes para as alas de comunidade visando o Carnaval de 2023. As inscrições e o recadastramento terão início na segunda-feira, dia 05 e poderão ser feitas até o dia 17 de setembro, de segunda à sábado, na quadra da escola, que fica na Rua Mesquita, 8, em Padre Miguel. De segunda à sexta-feira, os interessados em desfilar podem se inscrever das 18h às 21h30, já aos sábados, o horário é das 10h às 17h.
Foto: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO
Para realizar o recadastramento ou a inscrição, os interessados devem procurar a direção de Harmonia e apresentar uma (1) foto 3×4 (recente), xerox da identidade e do CPF (visíveis), comprovante de residência e carteirinha de vacinação. Será cobrado uma taxa de R$50,00 (cinquenta reais). Com o pagamento da taxa, o componente receberá uma camisa e carteirinha da escola.
Em 2023, a Unidos de Padre Miguel levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “Baião de Mouros”, de autoria dos carnavalescos Edson Pereira e Wagner Gonçalves. A Vermelha e branca da Vila Vintém será a quinta agremiação a desfilar na sexta-feira de carnaval, pela Série A, do Rio de Janeiro, em busca do tão sonhado título e o acesso ao Grupo Especial.
A Unidos do Porto da Pedra realizou no sábado a primeira feijoada do ano com a apresentação da primeira porta-bandeira, Laryssa Victória e a primeira eliminatória de samba-enredo rumo ao Carnaval 2023. O evento teve início com show do grupo Vem pro Meu Ritmo, em seguida, foi a vez das baianas saudarem com um belo ritual, a nova porta-bandeira, Laryssa Victória, que foi reverenciada por seu mestre-sala, Rodrigo França, por todos os segmentos e pela comunidade vermelha e branca.
Fotos: Ana Cristina Victória/Divulgação Porto da Pedra
A festa seguiu com a apresentação de passistas e musas, que mostraram muito samba no pé ao som da bateria Ritmo Feroz. No começo da noite, as oito parcerias fizeram as suas apresentações. Em reunião, a presidência e diretoria definiram a desclassificação do samba da parceria 8 (Serginho do Porto, Fernando Gogó de Ouro, Gigi da Estiva e Nelson do Porto).
No próximo sábado, as sete parcerias classificadas participam de mais uma eliminatória, na quadra da agremiação, a partir das 15h, com entrada gratuíta. O hino oficial do Tigre de São Gonçalo será conhecido na grande final que acontece no dia 17 de setembro.
No Carnaval de 2023, a Unidos do Porto da Pedra, levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “A Invenção da Amazônia: Um delírio do imaginário de Júlio Verne”, desenvolvido pelo carnavalesco Mauro Quintaes. A Porto da Pedra será a quinta escola a desfilar na Marquês de Sapucaí, no sábado de Carnaval, dia 18 de fevereiro.
Quarta escola a desfilar no domingo de Carnaval em 2023, a Unidos da Tijuca recebe inscrições de segunda a sexta de 10h às 17h no barracão da escola, situado na Cidade do Samba, para os interessados em desfilar no próximo carnaval. Pensando no trabalhador que não pode comparecer, a agremiação realizará atendimento todas as quintas de 19 às 22 horas, na quadra situada no Santo Cristo, a partir de 8 de setembro,data de início da disputa de samba-enredo.
Foto: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO
Para quem desfilou no último carnaval e fez a devolução da fantasia, a oportunidade está criada. Quem ainda não devolveu a fantasia precisará devolver. O interessado que nunca desfilou e já quer se planejar para integrar as alas de comunidade da escola, também pode se inscrever. É necessário levar: 1 foto 3×4, comprovante de residência, xerox do RG e comprovante de devolução da fantasia.
O barracão de alegorias fica localizado na Cidade do Samba: Rua Rivadávia Corrêa nº 60 e a quadra de ensaios da Unidos da Tijuca fica situada na Avenida Francisco Bicalho nº 47 – Santo Cristo. O enredo que a escola levará para a Avenida é Baía de Todos Os Santos, do carnavalesco Jack Vasconcelos.
Na noite da última segunda-feira, no plenário Eduardo Paes – Cidade do Samba, o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba, Jorge Perlingeiro, e o diretor de carnaval da entidade, Elmo José dos Santos, se reuniram com integrantes da Assordheserj – Associação Recreativa dos Diretores de Harmonia das Escolas de Samba do Estado do Rio de Janeiro.
Foto: Rodrigo Coutinho/Divulgação Liesa
O encontro serviu para reafirmar o apoio do Rio Carnaval ao importantíssimo trabalho realizado por esses profissionais. Perlingeiro e Elmo receberam um documento das mãos do presidente da associação, Alexandre Dutra, agradecendo o apoio e detalhando as ações mais recentes da instituição.
“Gostaria de parabenizar a todos vocês pela dedicação ao carnaval. O trabalho que realizam em cada escola é fundamental para o espetáculo. Por vezes passam noites fora de casa, longe das famílias, e fazem por amor às escolas. Não fosse por isso, não conseguiríamos ter quase 100% das agremiações desfilando com sua comunidade. Isso engrandece a competição”, ressaltou Jorge Perlingeiro.
A Assordheserj tem promovido seminários e debates em diferentes quadras de escola de samba ao longo dos últimos anos. A missão é multiplicar e propagar conhecimentos técnicos aos diretores de harmonia das escolas de samba do Rio de Janeiro.
Renovados para o Carnaval 2023, a dupla de coreógrafos, Beth e Hélio Bejani, foram fundamentais para que a Grande Rio conseguisse o tão sonhado título do Grupo Especial. A abertura da escola, mais uma vez, surpreendeu e impulsionou o grande desfile. Na tricolor de Caxias desde 2019, participando da construção que colocou a Grande Rio no topo, após toda a dificuldade no carnaval de 2018 e a virada de mesa que evitou o rebaixamento da agremiação, eles não receberam nenhuma nota diferente de 10 nestes dois últimos carnavais. Em 2019, ainda que sem o reconhecimento dos jurados, a dupla venceu o Estrela do Carnaval na categoria, orgulho que se soma ao fato de o casal ter realizado a primeira comissão a receber o prêmio.
“Eu sempre digo isso, nós fomos a primeira comissão a ganhar o primeira Estrela do Carnaval lá atrás com o “Rio de Janeiro continua sendo” (Salgueiro 2008), com a ‘banana bolt’, agora ganhar de novo e as outras vezes, é sempre uma emoção bacana porque é um reconhecimento do trabalho que a gente faz. E ganhar o campeonato da maneira que foi é sem palavras para descrever. É o trabalho de uma equipe maravilhosa que foi consagrado na Avenida. Esse campeonato saiu porque cada integrante da Grande Rio que pisou na Avenida, queria ser campeão. Aí não tem jeito”, entende Hélio Bejani.
Beth Bejani, também feliz com o reconhecimento, disse que não esperava que a comissão fosse ter a repercussão que conseguiu, principalmente entre o público em geral.
“O saldo foi mais que positivo, quando a gente pensou em colocar Exu a 10 metros de altura, um “padê” para Exu a 10 metros de altura, a gente sentiu a primeira vez que a gente testou, um impacto muito grande. Mas depois a gente vai se acostumando com o dia a dia, com toda a coreografia que também já era muito forte, muita energia. E, eu acho que com a rotina dos ensaios você acostuma, e quando você chega na Avenida e o público que está vendo pela primeira vez leva aquele impacto, a gente acaba se surpreendendo de novo com o trabalho. Foi uma surpresa muito gratificante, a gente está muito feliz por estar contribuindo com a Grande Rio para o seu primeiro título e por mais uma vez conseguir fazer uma comissão aclamada pelo público”.
Beth também explica quais, na sua opinião, foram os fatores mais dificultantes para o vitorioso trabalho ser realizado. “Acho que todo o preparo de tudo que a gente desenvolveu, das cabaças, de toda a estrutura que a gente precisou preparar, foi complicado o processo, a gente chegou a pensar em desistir e partir para uma outra ideia. Mas aí no final a gente acabou resolvendo com a ajuda de amigos físicos nossos da UFRJ, pessoas de Parintins, a gente conseguiu fazer exatamente como a gente queria, sem nada eletrônico, tudo manualmente, com o menor risco possível”, revela a coreógrafa.
Em 2022, mais uma vez a Grande Rio tocou em um tema que também tinha como plano de fundo o combate à intolerância religiosa, como havia feito em 2020 no enredo sobre Joãozinho da Goméia. Hélio coloca este carnaval como uma segunda parte para que o assunto possa ser melhor concluído.
“A gente veio com Exu, o próprio Gabi (Gabriel Haddad) e Leo (Leonardo Bora) falam sobre isso que era para encerrar, a gente abriu a primeira parte e a gente precisava finalizar esse assunto, então eu acho que tivemos êxito neste sentido. É o que eu falo, intolerância com a intolerância, é isso que tem que ser sempre. A nossa comissão voltou a ser humanizada, que é o que a gente gosta de fazer”, explicou o coreógrafo.
Com o enredo “Fala Majeté – Sete chaves de Exu”, a Grande Rio foi a grande campeã do carnaval 2022, um título inédito na história da agremiação de Caxias.
Depois de quatro carnavais de muito sucesso como primeira porta-bandeira da Unidos do Porto da Pedra, Cintya Santos chega à Mangueira com status de grande estrela e com a responsabilidade de substituir Squel de oito carnavais seguidos pela escola e com a conquista de dois campeonatos. Muito festejada, a dupla com o mestre mestre-sala Matheus Olivério recebeu o nome de ”Casal Furacão”.
Fotos: Lucas Santos/Site CARNAVALESCO
Ao site CARNAVALESCO, Cintya apresenta a dupla como , e promete escrever seu nome nas páginas históricas da verde e rosa. “Responsabilidade grande essa (substituir a Squel). Hoje na Mangueira, é a Cintya Santos, é a Cintya Furacão. E eu vou escrever a minha história na Mangueira. É essa a responsabilidade que eu tenho, estou nascendo de novo, e eu quero que vocês olhem para mim e vejam a Cintya Furacão que será um furacão na Avenida”, promete a artista.
A porta-bandeira se emocionou quando foi apresentada oficialmente à comunidade, tendo até dificuldade de agradecer o carinho por conta das lágrimas que lhe caíam sob o rosto. Cintya fez questão de frisar o tamanho do feito que conquistou em sua carreira chegando ao cargo de primeira porta-bandeira da Estação Primeira de Mangueira.
“O sentimento é de gratidão e realização. Realização profissional, realização do sonho de ser porta-bandeira. E hoje pisar o solo sagrado da maior escola de samba do planeta, porque é do planeta mesmo, eu recebi mensagem do mundo todo, então é gratificante você ver o seu trabalho sendo reconhecido. Estou muito feliz”, completa a porta-bandeira.
Seu mestre-sala, Matheus Olivério, que segue na escola para mais um carnaval, é só elogios à nova parceira de dança. “A Cintya é um ser humano fantástico, tirando isso é uma porta-bandeira competente, absurdamente talentosa, premiada, merece estar aqui, e tenho o privilégio de dançar com ela. Estou muito feliz com a parceria. O Casal Furacão está na pista, para trabalhar, para honrar essa escola”, garante o mestre-sala.
Cintya retribui o elogio à Matheus Olivério falando do que mais lhe impressionou no novo parceiro depois de algumas semanas já de trabalho.
“É o malandreado dele, o riscado é diferenciado. Já estávamos trabalhando para que a gente tivesse o espetáculo (primeira dança na feijoada da Mangueira), e vou falar que estou apaixonada por ele. É um companheiro, é um amigo, é um incentivador. Ele é um mestre-sala que te incentiva o tempo todo. Eu me sinto uma grande porta-bandeira ao lado dele. O Matheus é único”, descreve Cintya.
O mestre-sala Matheus Olivério também fez questão de deixar uma mensagem especial para a antiga parceira de bailado, Squel, que resolveu se aposentar da função este ano por questões particulares.
“É uma decisão dela e a gente tem que respeitar, é um momento difícil que ela está passando, espero que ela esteja melhor, que ela melhore e que ela seja muito feliz na caminhada dela”.
A bailarina Cláudia Mota, responsável também pela comissão de frente da Mangueira, terá a função de coreografar o “Casal Furacão” para o Carnaval 2023.
A família ‘Passistas Soberanos’ cresceu. É que a Beija-Flor de Nilópolis realizou audição para a ala, no último sábado, e selecionou 35 novos integrantes para o grupo comandado por Carla Cachoeira e Assis Joy.
Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação
Ao todo, foram 106 inscrições. De 82 meninas e mulheres, 27 foram aprovadas. Entre os meninos e homens, 24 se inscreveram e 8 passaram a integrar a ala.
No Carnaval 2023, a Beija-Flor defende o enredo “Brava Gente! O grito dos excluídos no bicentenário da Independência”. A escola será a 5ª a desfilar na segunda-feira, 20 de fevereiro, pelo Grupo Especial.
Em texto divulgado nesta segunda-feira Jack Maia anunciou que não segue como rainha de bateria da Estácio de Sá para o Carnaval 2023. Confira abaixo na íntegra:
“Nem em todos os meus sonhos conseguiria descrever o tamanho do meu amor por vocês. Começo esta carta não só falando deste amor, que só cresce, mas também de comprometimento e responsabilidade. Falo também de reciprocidade e, por conta disto, e em nome deste respeito e carinho que sempre tiveram comigo, preciso que, mais do que nunca, vocês me enviem todos abraços que puderem.
Tem razão quem diz que o Estácio é onde a gente finca raizes, constrói relações duradouras e que se conhece, na mesma medida, o amor e a saudade. Nesta casa, desde o primeiro momento em que cheguei , ainda como musa, fui acolhida com tanto amor, que foi difícil não assumir o compromisso de reinar, algo que já não fazia mais parte dos meus planos. Meu retorno ao carnaval não poderia ter sido mais marcante, , resultado de uma relação que construímos juntos, segmentos, comunidade e eu.
Para uma pessoa que ama carnaval como eu, basta estar ali, alimentando-se da energia e da sabedoria da Velha Guarda e das baianas, da alegria da Harmonia, da beleza e do samba no pé dos passistas. Para quem ama o carnaval, não importa qual a fantasia ou em que ala vai desfilar, importante mesmo é estar lá. E eu amo muito tudo isso.
Vocês me deram a honra de estar à frente da bateria da primeira escola de samba do Brasil, de poder dividir os holofotes com gente que fez o samba nascer. E nós formamos uma família sim, porque, independente do que o futuro nos reserva, construímos juntos um pedacinho dessa história, cada um de vocês estará para sempre comigo.
Fato, é que às vezes precisamos fazer escolhas que transcendem a nossa vontade. Faz parte do jogo e das circunstâncias da vida. E uma rainha, precisa dedicar-se ao seu reinado com toda a responsabilidade que o posto exige. Infelizmente, chegamos ao momento em que a majestade Jack Maia precisa dizer um até breve a uma de suas maiores paixões, porque precisa cuidar do seu primeiro e maior amor, a família. E não seria justo que vocês, que também são parte de mim, não soubessem que, neste momento, não há como dividir esse sentimento.
Ao mesmo tempo, gostaria muito que o meu melhor sorriso e a certeza desse grande amor ficassem guardados pra sempre com vocês, em cada olhar que trocamos, em cada abraço que demos uns nos outros. Vocês são a melhor memória que tenho dos últimos carnavais e jamais poderei retribuir de forma igual tudo o que a Estácio me deu, vocês são incríveis.
A quem venha somar , desejo sorte e momentos inesquecíveis, tais quais os que eu vivi com esta comunidade. A cada um dos segmentos, a minha gratidão e a certeza que parte considerável do meu coração seguirá com todos vocês. Obrigada Estácio!” – Rainha de bateria, orgulhosa de ter “renascido” nesta comunidade
A comunidade da Mocidade Alegre compareceu em peso no último domingo para acompanhar a disputa final que definiu o samba para o Carnaval 2023. Com a quadra lotada, a Morada do Samba organizou uma grande festa para a apresentação das cinco obras candidatas a serem a trilha sonora da história do negro samurai Yasuke. Após apresentações destacadas e com grandes torcidas, a presidente Solange Cruz anunciou no palco que os sambas 1 e 6 foram os vencedores da disputa, com seus versos contribuindo para a formação da letra, que foi cantada em seguida pelo intérprete Igor Sorriso. Os compositores, portanto, são: Márcio André, Aquiles da Vila, Fabiano Sorriso, Chanel, Marcos L. Gabriel (Biel), Salgado Luz, Marcelo Valência, Marcus Boldrini, Diogo Corso, Ítalo Pires, Biro Biro, Turko, Gui Cruz, Rafa do Cavaco, Portuga, Maradona, Imperial, Fabio Souza, Luciano Rosa, Fionda Tem Tem e Vitor Gabriel.
Duas parcerias, uma só família
Adversários na disputa, os compositores dos dois sambas vencedores são bons amigos e receberam com grande alegria a decisão da escola. A equipe do site CARNAVALESCO conversou com Biel, do samba 1, e Imperial, do samba 6, que comemoraram a vitória como se estivessem disputado juntos o concurso.
“Eu fiquei muito feliz pela forma como feita a junção, que casou com as melhores partes dos dois sambas. E principalmente por ter sido com o samba deste cidadão que está aqui, que é meu afilhado do samba e amigo de longa data”, disse Imperial.
“Gostei do resultado. Acho que, de fato, foram os dois sambas que mais se destacaram nas apresentações. E embora sejamos de parcerias diferentes, nós somos irmãos. Nos conhecemos há muito tempo e temos uma ligação muito forte. Mesmo com a junção, a sensação é de que o samba ficou em um lugar só”, afirmou Biel.
A decisão de unir versos das duas obras não pegou de surpresa Imperial, que já percebia a hipótese pela repercussão das apresentações anteriores dentro da comunidade da Morada. “Eu já tinha ouvido um “zumzumzum”, e hoje parecia uma betoneira de tão alto que estava. Se falava nos camarotes, na rua, nas barraquinhas. Sabíamos dessa possibilidade, mas sabemos que em escola de samba só dá para saber na hora que canta”, comentou.
Com uma nova letra nascendo dessa mistura, Biel garante que as duas parcerias estão prontas para ajudar a equipe da Mocidade a moldar o samba da melhor forma possível. “Acredito que a escola optou pelas partes que mais se destacavam em cada samba. Talvez, precise fazer alguns ajustes de letra em uma parte ou outra, e nos colocamos a disposição para ajudar sempre. Estou muito satisfeito. Acho que a escola soube pegar o que cada samba tinha de melhor”, declarou.
Um samba que nasce nos braços da comunidade
Junções costumam render muitos debates entre os sambistas, mas o que se viu após o anúncio foi uma grande celebração. A comunidade da Morada do Samba parecia ter a letra recém anunciada na ponta da língua para alegria da presidente Solange Cruz.
“A recíproca da escola, graças a Deus foi positiva. Estava bastante dividida, a comissão julgadora também, foi uma sugestão deles e a gente começou a pensar com carinho. Estava muito divido entre os dois sambas e isso ficou muito claro, até na reação positiva, o que é muito importante e é o que a gente mais preza. Estava um clima muito amistoso entre os componentes. Fiquei muito feliz com isso. Me surpreendeu a reciprocidade dos dois sambas”, disse a presidente.
Apesar de ser raro a Mocidade optar pela união de sambas, o histórico é positivo. Solange destacou o repertório, e está confiante no bom trabalho da equipe da escola para fazer os ajustes necessários. “A última vez em que juntamos samba foi em 2008, no enredo ‘São Paulo é tudo de bom’, onde a Mocidade foi vice-campeã do carnaval de São Paulo. Tivemos nota máxima e foi muito legal. Agora quem sofre são os compositores que vão fazer um acerto ali e aqui, o maestro Marcelo Lombardo, Igor Sorriso. A gente lança a bomba e agora eles vão dar o seu jeito”, concluiu.
Riqueza que ajuda a contar a história
Em sua estreia na escola, Jorge Silveira começou com o pé direito ao propor um enredo que foi rapidamente abraçado pela comunidade. Em troca, a família Mocidade Alegre entregou um samba nascido de dois finalistas aclamados. O carnavalesco estava confiante na capacidade da escola de fazer boas escolhas, e gostou do resultado.
“Ao longo da semana eu conversei bastante com a Solange e a diretoria. A Mocidade tem uma característica muito peculiar, que é o fato de que a Direção de Carnaval é que decide o samba. O carnavalesco opina, mas não tem poder de voto. Mas mesmo assim eu dei opinião e conversei com eles. Eu enxergava elementos positivos em vários sambas, onde cada um deles tinha uma perspectiva diferente para o enredo. E também conversei com ela que a Mocidade tem grande capacidade de escolher o samba. Ela tem um repertório musical muito rico e muito vasto. Quase sempre, nas minhas playlists de Carnaval, tem a Mocidade Alegre. Eu estava muito confiante de que qualquer que fosse a decisão, e os compositores foram muito felizes no processo, e iriam conseguir desenvolver o trabalho na Mocidade. Eu fiquei feliz com isso, porque eu acho que vamos pegar o melhor dos dois para poder levar o melhor para o nosso projeto na Avenida”, declarou.
Na opinião de Jorge Silveira os sambas vencedores se completam, e a junção só tem a acrescentar para o conjunto da Mocidade. “Acho que os dois conseguiram criar uma narrativa ainda mais rica para me ajudar a contar a história. Eu penso muito em como esse samba irá impactar o desfile da Mocidade, e como ele irá defender os meus quesitos, a narrativa do Yasuke. Com a junção, eu consigo enxergar um grau de riqueza maior de informação. Eu ganho com isso, então para mim, do ponto de vista da narrativa do Carnaval, é muito positivo”.
Os trabalhos no barracão já estão em andamento, e de acordo com o artista, a Mocidade Alegre tem tudo para ter uma jornada tranquila até chegar o momento de pisar na Avenida. “A expectativa é muito grande. A Mocidade está vivendo várias coisas ao mesmo tempo. Hoje finalizou o processo do samba, mas estamos em um processo de mudança para a Fábrica do Samba, e esse mês nós já entramos lá construindo o Carnaval. Estamos com a fase de pilotos já bem avançada, já tem carro alegórico de pé, esculturas sendo confeccionadas. O processo já está bem avançado. Ao mesmo tempo, a escola está se preparando para as 24 Horas de Samba. São muitos eventos simultâneos que a Mocidade está preparando, mas sem abrir mão da qualidade em todos eles. Do ponto de vista do barracão, está tudo caminhando com tranquilidade. A Solange está muito confiante para o trabalho e me deu total liberdade. Acho que a Morada vem aí de um jeito muito especial”, concluiu.
Comunidade dividia? Sambas divididos
Rumo a mais um carnaval sendo a voz da Morada do Samba, Igor Sorriso embalou a festa da vitória das parcerias campeãs, dando uma amostra do resultado da junção. Para o intérprete, o resultado foi fruto do dilema ao qual a comunidade se viu em relação a qual samba escolher.
“Foi uma ideia que a direção de carnaval teve em função dessa dúvida da comunidade. Houve uma audição durante a semana, com a comunidade em dúvida, e hoje foi uma grande dúvida para escolher o samba. Então resolvemos pegar trechos marcantes de cada obra e fazer essa junção. Claro que vão passar por alguns ajustes ainda, antes de divulgarmos o samba em definitivo”, explicou.
Letras que se encaixam facilmente
Encarregado de ditar o Ritmo Puro da bateria, mestre Sombra acredita que a escolha da escola foi a melhor possível. O maestro já projeta os trabalhos em cima da junção, e acredita que tudo transcorrerá com naturalidade.
“Pegamos os dois melhores sambas, não tinha como descartar nenhum e nem outro e, com certeza, vamos fazer um terceiro grande samba. A letra é maravilhosa. Tivemos a felicidade que um se encaixa no outro sem precisar fazer muita coisa. Vai dar um samba muito valente. As bossas vão acontecer naturalmente. A gente vai trabalhar a junção primeiro e, a hora que acertar, começaremos a pensar nos arranjos. Sempre dentro da nossa característica e do nosso jeito”, declarou.
Substituição por um motivo especial
Os responsáveis por defender o pavilhão principal da Mocidade Alegre no Carnaval 2023 serão Jefferson Gomes e Natália Lago. Os dois, que são amigos de infância, já dançaram juntos pela escola no passado, e agora defenderão esse importante quesito. O retorno do mestre-sala já estava confirmado, mas a primeira porta-bandeira da Morada, Karina Zamparolli, estará fora desta vez por um motivo especial: Está grávida! Juntos, Jefferson e Karina convidaram Natália, que aceitou com alegria retomar sua querida parceria.
“A ficha ainda está caindo, ainda mais porque foi tudo muito rápido. Eu estava acostumada a ter muitas coisas antes, muitas eliminatórias antes, e agora foi muitas coisas uma em seguida da outra. Vamos trabalhar muito, suar muito, e dará tudo certo. Jefferson e Karina vão me ajudar até o final”, disse Natália.
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Mocidade Alegre já iniciou os ensaios visando o Carnaval de 2023, e de acordo com Jefferson, a proposta é priorizar a tradição da dança com alguns toques a mais.
“Não fugimos do tradicional. A nossa dança tem uma questão cultural muito forte. O que fazemos é colocar algumas nuances, alguns movimentos, quando o samba é muito forte na temática. Prezamos muito por manter a tradição. Quando tem alguma coisa afro a gente puxa porque a tradição e a base vem daí e dá um toque especial. A nossa preparação será em cima do tradicional, e aí depois com melodia pronta e arranjos de bateria prontos, talvez consigamos inserir alguma movimentação em cima de bossas e melodias”, explicou.
Análise dos sambas
Samba 12: A primeira parceria a se apresentar fez boa apresentação nas vozes de Freddy Viana, Darlan Alves e Grazzi Brasil. Com passagens marcantes, em especial seu refrão do meio com os versos “ÔÔÔÔ…ÔÔÔ… PRETO NO SANGUE NA RAÇA E NA COR”, a obra contou com boa torcida, mas pecou pelo excesso e sua longa e muito detalhada letra, o que atrapalhou a chamar mais atenção do público em geral.
Samba 03: Segunda parceria da noite, a obra defendida por Chitão Martins contou com uma letra coesa e agradável, com um refrão bem “chiclete” no qual alternava palavras do primeiro verso, entre “BATE O TAMBOR” e “BATE O TAIKÔ”. Apesar de uma apresentação segura dos cantores, a pequena torcida não conseguiu contagiar os presentes na quadra, o que dificultou seu desempenho.
Samba 01: A primeira das parcerias campeãs foi a terceira a se apresentar. Bruno Ribas e Renê Sobral foram os encarregados de ditar o tom da torcida que foi fácil a maior da noite em número. O grande problema da obra, que provavelmente impossibilitou ela de ter sido a vencedora sozinha, foi a total falta de menções diretas ao tema proposto. Sozinha, parece soar como uma letra “padrão” para sambas afro, tendo no seu refrão do meio a única referência a história de Yasuke, e ainda assim discreta e sem sequer citar seu nome em nenhum momento.
Samba 07: O quarto samba a passar pelo palco talvez fosse o mais próximo de um samba tradicional. A obra, defendida com muita irreverência por Carlos Junior, tinha na sua parte final seu ponto mais forte, mas no geral se mostrou uma letra comum, sem grandes destaques. A pequena torcida, a menor da noite, não deu conta de dar ao samba o volume necessário para ganhar o restante do público.
Samba 06: Quinto e último samba a se apresentar, o segundo campeão da noite contou com parceria afiada de Tinga e Pixulé, além de uma torcida muito grande e bem caprichada nos efeitos especiais. Tendo como grandes destaques o refrão principal e a primeira parte, o samba caiu no gosto do público em geral e saiu do palco causando boa impressão.
Resultado final
Não é possível cravar uma opinião sobre o resultado da junção dos Sambas 1 e 6 sem ouvir a versão final, já com os devidos ajustes que serão feitos. Mas a impressão que o samba prévio fruto dessa escolha passou é de que a Mocidade Alegre acertou em cheio.
As falhas importantes do Samba 1, que doou seu refrão do meio e parte final, parecem desaparecer ao se juntar com o refrão principal e a primeira parte, vindas do Samba 6. O detalhe oriental, com citações diretas ao tema central do enredo, que é visto na primeira parte, se encaixa com maestria nos versos do refrão do meio, que ganhou uma nova vida e conseguiu empurrar com mais energia a parte final do novo samba.
Agora está nas mãos da competente equipe da Morada do Samba, que fará os devidos ajustes. A chance de um dos grandes sambas do Carnaval 2023 nascer desse trabalho é considerável.