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Prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini vai desfilar na Inocentes de Belford Roxo

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O presidente da Inocentes de Belford Roxo, Reginaldo Gomes, e o presidente de honra, Rodrigo Gomes, foram a Vitória, capital do Espírito Santo, para oficializar o convite ao prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) comparecer ao desfile da agremiação, no próximo carnaval, no Rio de Janeiro. Quando a Inocentes apresentará o enredo em homenagem as paneleiras de Goiabeiras, que tem como título “Mulheres de barro “e abordará pontos turísticos como o Parque do Vale do Mulembá, o Galpão das Paneleiras, mostrando a importância cultural de Vitória, a culinária, festas, tradições e o empoderamento da mulher capixaba. Uma imersão na história da tradicional cultura do Espírito Santo.

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Foto: Divulgação

“Será uma grande felicidade para nós termos o prefeito Lorenzo Pazolini em nosso desfile. Aproveitamos para agradecer a hospitalidade e a atenção que recebemos de todos. Vamos fazer um dos desfiles mais bonitos da avenida”, disse o presidente da Inocentes de Belford Roxo, Reginaldo Gomes.

O prefeito destacou que se sentiu honrado com o convite e já confirmou presença, na Avenida Marquês de Sapucaí, no sábado de carnaval, com a Inocentes de Belford Roxo.

No encontro, também estiveram presentes: O presidente da Liga das Escolas de Samba do Grupo Especial de Vitória, Edson Neto; presidente da Liga das Escolas de Samba do Grupo de Acesso de Vitória, Sandro Rosa; secretário de Relações Comunitárias, Leandro Borges; sambista , Axel Fernandez e a comitiva da Inocentes formada por Lucas Milato, carnavalesco, Tiago Gomes, diretor Jurídico e Gabriel Oliveira, diretor.

Em 2023, a tricolor da Baixada Fluminense será a oitava escola a desfilar no dia 18 de fevereiro, pela Série Ouro da Lierj, levando um contingente de 2.200 componentes divididos em 20 alas.

Acesso I com escolas tradicionalíssimas chama atenção do carnaval de São Paulo

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Das quatro maiores campeãs do carnaval de São Paulo, três estarão no Acesso I em 2023. Ao todo, são 37 títulos do Grupo Especial desfilando no domingo, contra 29 na sexta-feira e no sábado. Os dados dão a dimensão do peso dos pavilhões no segundo grupo da folia paulistana, que será realizado no dia 19 de fevereiro do próximo ano. Integrantes de cada uma das agremiações falaram ao CARNAVALESCO sobre o panorama do Carnaval 2023.

Tradicionais valorizadas

No geral, diversos componentes exaltaram o peso das bandeiras presentes no Acesso I de 2023. Um deles foi Agnaldo Amaral, da Nenê de Vila Matilde. Perguntando se para subir bastava não errar, ele foi enfático e aproveitou para exaltar as coirmãs. “Não pode errar nunca, na realidade! As melhores do carnaval, com todo o respeito, estão no Acesso: as tradicionais estão aqui. A gente vai fazer tudo e o impossível para estar no Especial ano que vem. Já são alguns anos amargando essa situação e esse ano vamos subir, se Deus quiser, estamos cheios de vontade de ser campeões. O carnaval é isso, está cada vez mais acirrado, graças a Deus”, destacou o intérprete da escola onze vezes campeã do carnaval que retorna ao segundo grupo após ser campeã do Acesso II em 2022.

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Jessika Barbosa, porta-bandeira do Camisa Verde e Branco, pontuou que a comunidade da Barra Funda também está animada para disputar com coirmãs tão tradicionais. “Sim, com certeza! As mais tradicionais estão no Acesso I, e está todo mundo na comunidade com sangue nos olhos para alcançar os nossos objetivos”, pontuou.

Mestre Marcel, diretor de bateria do Morro da Casa Verde, também destacou a garra dos ritmistas comandados por ele. “Eu passo muita informação pra eles, e eu falo que o Acesso I é muito competitivo, tem muita escola grande. Temos que fazer o melhor pela nossa escola e todo mundo abraço, está todo mundo com sangue no olho”, prometeu.

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O peso das concorrentes também foi destacado por Brunno Mathias mestre-sala da Colorado do Brás. “Os componentes entendem que a nossa responsabilidade está dobrada. Além de estarmos num grupo em que acabamos de chegar, têm muitas escolas de peso e de tradição. Vamos ter que passar passando, como o nosso presidente diz, com aquele algo a mais. É aí que a gente vai levar”, relembrou, destacando que a equipe foi a penúltima no último desfile do Especial e foi rebaixada.

Erro zero

Diversos integrantes também destacaram que, em um grupo tão concorrido, um erro é fatal. Edson Jr., o Juninho, vice-presidente da X-9 Paulistana, é um deles. “Estamos trabalhando pesado para não só errar, mas… vocês vão ver na pista o diferencial. Carros totalmente diferentes e bem-acabado. Vamos com força total!”, prometeu.

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Ter ‘algo a mais’ também será importante para quem quiser boas colocações no Acesso I. E a escola conhecida justamente pela expressão, o Vai-Vai, terá tal característica na avenida mais uma vez em 2022, de acordo com Renato Trindade, o Renatinho, mestre-sala da escola. “A gente sempre fala que ‘ser Vai-Vai é algo mais’. É isso que a nossa comunidade vai dar, esse algo a mais. Vai-Vai está no nosso coração, assim como o samba. O quilombo ainda está fincado nos nossos corações”, poetizou.

Mestre Dennys, diretor de bateria da Mocidade Unida da Mooca, concordou com os componentes das coirmãs. “Não pode errar, de jeito nenhum! É muita humildade, porque quando você tem algum tipo de soberba no carnaval, é costume as escolas errarem. Estamos fazendo nosso dever de casa com muita simplicidade no aspecto geral. Se Deus quiser, vamos conseguir o acesso para o Especial”, vibrou.

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Brunno, porém, acredita que passar apenas com acertos pode ser o suficiente desde que os integrantes de cada escola de samba correspondam na avenida. “Cada ano é um ano, independentemente das escolas que estão lá. O campeonato, todo ano, tem uma surpresa. Vai levar quem errar menos, e o mais importante em todo ano é o chão de cada escola. É o que a Colorado está buscando: cantar e vibrar, mostrar que temos que voltar de onde nunca deveríamos ter saído”, ressaltou.

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Sangue frio

Apesar das imensas escolas de samba presentes no Acesso I, há quem prefira tirar a pressão do peso dos pavilhões envolvidos. Fernando Neninho, mestre de bateria do Pérola Negra, não deixou de exaltar as coirmãs, mas preferiu focar no trabalho desenvolvido pela Joia Rara. “O ‘algo a mais’ é ensaiar e trabalhar. Sempre respeitar as grandes, elas são as pioneiras, mas acredito que, trabalhando e ensaiando, não tem segredo. Esse é o foco para a escola chegar ao objetivo”, ressaltou.

O diretor aproveitou para ressaltar a união de todas as agremiações e rechaçou qualquer tipo de rivalidade mais ácida entre elas – sobretudo entre os ritmistas. “As baterias se expandiram hoje em dia, quem desfila em uma desfila em outra. Tem poucas escolas que não permitem seus componentes de não tocar mais nas coirmãs. Geralmente, ritmista que desfila lá também desfila aqui e assim por diante. Essa rivalidade fica mais pra zoação, em grupo de WhatsApp. No carnaval isso não faz bem, não”, finalizou.

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Comunidades empolgadas

As comunidades das respectivas escolas de samba também estão empolgadas para o desfile. Na Vila Matilde, Agnaldo elembrou as últimas agruras da Águia: “O pessoal já estava animado quando estava no Acesso II, agora o pessoal está ainda mais!”, orgulhou-se. Juninho tem a mesma percepção em relação aos componentes da X-9: “A comunidade abraçou o projeto, tá todo mundo vindo com força total, tá cantando forte. Estamos confiantes!”, pontuou.

Após o segundo rebaixamento em três desfiles (e, também, o segundo na história da maior campeã do carnaval paulistano, com quinze títulos), Renatinho destacou a mudança pela qual a Saracura está passando após a lanterna no Especial de 2022. “Eu vou falar uma coisa muito séria para vocês: o Vai-Vai está diferente. O Vai-Vai está com outro tipo de cabeça. Pra gente, não é importante termos novos horizontes: é importante ter o nosso samba com organização. Esse é o DNA novo que o Vai-Vai vai vir e que vai ser totalmente diferente”, afirmou.

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Na Zona Leste, Dennys destacou que ele também tem um papel bastante curioso na bateria: sossegar os ritmistas. “O meu maior desafio é acalmá-los. A euforia pode trazer erros para a bateria. Sempre explico que temos que ter respeito pelas coirmãs, mas, em primeiro lugar, temos que fazer o nosso. A gente tá ensaiando muito, está trabalhando duro, é só fazer tudo na calma que tudo vai dar certo”, pontuou.

Qual a força da escola?

Perguntados sobre quais seriam os principais pontos positivos de cada agremiação, integrantes mostraram quão diversos serão os desfiles no domingo de carnaval.

Jessika está confiante na temática apresentada pelo Camisa Verde e Branco. “Eu acho que o principal esse ano é a força do nosso enredo. Além da gente simplesmente não errar, temos que mostrar a força do nosso enredo e a intensidade que os nossos diretores já pedem. É o nosso diferencial para chegar ao nosso almejado Grupo Especial”, afirmou, referindo-se a Invisíveis”, tema da escola que abordará os marginalizados após a promulgação da Constituição do Cidadão, em 1988.

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Sempre evitando qualquer sobressalto, Dennys destacou que a Chapa Quente, bateria da MUM, atuará coletivamente com todos os outros quesitos da agremiação. “A nossa parte de bateria já está toda feita: desenhos de tamborim, bossas… faremos tudo, mas com cautela. A responsabilidade é muito grande, temos um quesito para defender mas temos que pensar na escola toda. Lógico que queremos mostrar o trabalho de um ano inteiro, mas temos que pensar na escola em primeiro lugar”, ratificou.

Há, também, quem evite colocar pressão em um único segmento. É o caso de Marcel “Tem vários fatores, e isso nós só veremos no dia. Estamos nos preparando, fazendo nosso trabalho. Vamos fazer o melhor pela nossa escola e, se Deus quiser vai dar tudo certo”, destacou o diretor de bateria do Morro.

Samba didático: Paraíso do Tuiuti traz mistura de samba com carimbó para contar chegada dos Búfalos à Ilha de Marajó

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No próximo carnaval, a Paraíso do Tuiuti levará para a avenida a história dos Búfalos e toda ligação deles com a Ilha de Marajó, no Pará. Desenvolvido pela dupla de carnavalescos Rosa Magalhães e João Vitor Araújo, o enredo “Mogangueiro da Cara Preta” propõe contar a história da chegada dos Búfalos à Ilha, além de mostrar as lendas, mistérios e a vasta cultura que existe nessa região do Brasil. A agremiação de São Cristóvão será a primeira escola a desfilar no segundo dia de desfiles do Grupo Especial e a obra escolhida para embalar o cortejo é da parceria de Claudio Russo, Moacyr Luz, Gustavo Clarão, Júlio Alves, Alessandro Falcão, Pier Ubertini e W Correia.

O site CARNAVALESCO dando continuidade à série de reportagens “Samba Didático”, entrevistou o compositor Claudio Russo para saber mais sobre os significados e as representações por trás dos versos e expressões presentes no samba da Paraíso do Tuiuti para o carnaval de 2023. Claudio explica o olhar sobre o enredo que a composição vencedora tomou para dar o seu recado.

“A gente faz muita alusão ao ritmo paraense, o samba foi construído assim, principalmente ao carimbó, o samba foi construído também com uma nomenclatura com utilização de palavras comuns ao estado do Pará, principalmente da Ilha de Marajó e eu acho que deu um samba muito autêntico, muito original quanto a isso”, conta o compositor.

Num mar de tempestade e ventania
Foi trazendo especiarias que o barco naufragou
Nós moscada, cravo, iguarias
No caminho para as Índias a história eternizou
O marinheiro se perdeu na madrugada
O mogangueiro correu para o igarapé

“O enredo do Tuiuti começa com a rota para as índias, o caminho das Índias. E a busca por especiarias. Que que acontece nesse período das grandes navegações, um navio vindo das Índias naufraga no litoral brasileiro próximo à Ilha de Marajó e esse navio ao invés de trazer somente especiarias traziam de búfalos. E ele acaba naufragando e os búfalos chegando na terra firme. Alguns búfalos se salvaram. E desses búfalos que se salvaram nasceu o maior rebanho de búfalo do Brasil na ilha de Marajó. O enredo começa aí e vai entrelaçando a história do Búfalo que se adaptou a Ilha de Marajó. Com a própria história de Marajó. Então no começo nós temos esse primeiro momento no mar de tempestade, ventania foi trazendo especiarias que o barco naufragou. É isso que conta a história, a gente já falou da do caminho das Índias, da herança da Índia, das especiarias e como o Búfalo chega em Marajó”.

O marinheiro se perdeu na madrugada
O mogangueiro correu para o igarapé
A curuminha entoou uma toada
Enquanto abria-se a flor do mururé
E nesse encontro entre o rio e o oceano
A grande ilha que cultiva o carimbó
Dizem que bichos ainda falam com humanos
Há muitos anos na Ilha de Marajó

“Depois no samba a gente fala o marinheiro se perdeu na madrugada, por quê? Porque com o naufrágio a maioria dos marinheiros morreram, mas pra não dizer morreram eu digo se perdeu na madrugada, o mongangueiro que é o búfalo correu para o Igarapé, o que se salvou. A curuminha entoou uma toada. Por que a curuminha? Enquanto aconteciam naufrágio a vida em Marajó seguia. E a Curuminha faz parte da vida de Marajó. Então ela entoou uma atuada pra natureza que se abriu em flor. Que é a flor do mururé. Que é uma planta típica do norte brasileiro principalmente da área ali da Ilha de Marajó, prosseguimos e neste encontro entre Rio e Oceano. Por quê? Porque Marajó é uma ilha que uma parte dela é voltada para o Rio e outra parte dela é voltada para o mar
aberto. Então, neste conto entre o Rio e o oceano a grande ilha, Marajó que cultiva o carimbó. O carimbó nasceu na ilha de Marajó. E como é uma ilha fantástica, cheia de mistérios, lindas, histórias, crenças, uma dessas crenças é que um determinado momento os bichos falam com os humanos homens e animais se falam. Por isso que a gente fala dizem que bichos ainda falam com humanos há muitos anos na ilha de Marajó”.

É! Batuqueiro no samba de roda curimbó
Quero ver você cantar como canta o curió
Okê caboclo onde vai a piracema?
Rio acima segue o voo de uma juriti pepena

“Os batuques e Marajó são muito conhecidos o carimbó, mas tem outros ritmos. E o que que a gente vem logo no refrão no primeiro refrão? Ê batuqueiro no samba de roda curimbó. Curimbó é o quê? É o tambor. Parece carimbó, mas é curimbó. É no Samba de Roda Curimbó. Quero ver você cantar como canto curió. Curió apesar de estar espalhado por todo o Brasil, curió, curió do bico doce. É muito frequente na área do Marajó. Oke Caboclo é o natural da índia, onde vai a piracema? A piracema que é a subida dos dos peixes, pelo rio acima segue o voo de uma juriti pepena. Juriti é uma ave também característica da região”.

Há mão que modela a vida
No bairro Marajoara
E o búfalo que pisa
Esse chão do parauara

“Marajó que também é muito conhecida pela sua arte no barro, a sua cerâmica e não poderia ser ter sido deixado de lado esse fator. A gente abre a segunda com esse fator. Mas remete que o búfalo está totalmente integrado a esse chão. Então, a mão que modela a vida há de existir a mão que modela a vida. No Barro Marajoara. E o Búfalo que pisa esse chão. Esse chão do Parauara. Parauara é o nativo do Pará. Também é um é uma nomenclatura conhecida da região. E o Búfalo está ali”.

Chama o mestre damasceno
Pra entoar esta canção
Das cantigas da vovó
Do tempo da escravidão

“O mestre Damasceno é a figura mais emblemática da cultura marajoara, é um artista, compositor, cantor e a gente chama ele porque ele tem uma ligação muito grande com os ancestrais, ele valoriza muito isso. A gente chama o mestre Damasceno para entoar essa canção, mas que canção é essa? É a canção daquelas das cantigas da vovó do tempo da escravidão que clamava por liberdade”.

É lá! É lá! É lá!
Canoeiro vive só morená
É lá! É lá! É lá!
Mas precisa de um xodó

“Logo depois a gente faz outra alusão ao Mestre Verequete com é lá é lá é lá. Canoeiro vive só a morena. É lá, é lá, é lá. Mas precisa de um xodó. Aí nesse segundo refrão a gente faz muita alusão ao ritmo do Carimbó. A gente o tempo todo no samba quer trazer essa mistura de samba com carimbó, fazer alusão aos ritmos do Pará. E nesses dois refrões o primeiro e o segundo ficou bem marcante”.

Cadê o boi?
O mogangueiro, o mandingueiro de oyá
Meu Tuiuti não tem medo de careta
Traz o boi da cara preta, do estado do Pará

“E partimos pro último refrão, é um samba com três refrões que depois de contar a história do Boi em Marajó junto com a própria história de Marajó, tem o Búfalo bumbá, tem várias características do Búfalo em Marajó. Por que que as vezes eu chamo o boi? Porque mesmo não sendo da mesma família, o búfalo em Marajó é chamado de boi. Eles não são da mesma família, mas guardam um certo parentesco, o nosso boi é o búfalo, o mogangueiro, o mandingueiro de Oyá, e foi isso que a gente trouxe pro refrão, trazer um refrão mais alegre, brincar com essa coisa, porque todos sabemos da ligação entre Iansã e o Búfalo. Iansã se transforma em borboleta, mas também se transforma em búfalo. A gente diz que é um mandingueiro de Oyá. E no final, lembrando as cantigas de roda bem conhecidas em todo o Brasil, dizemos que o Tuiuti não tem medo de careta traz o boi da cara preta do estado do Pará”.

Riotur projeta cinco milhões de foliões no carnaval de rua em 2023

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O bloco está na rua. O folião, depois de dois anos sem o contagiante som carnavalesco dos blocos de rua, em 2023 terá direito a toda alegria que ficou contida em dois anos de pandemia. A Riotur informa que este ano o público estimado será de cinco milhões de pessoas, com número preliminar de 433 desfiles e 613 blocos inscritos para desfilar. Em 2020, esse número foi de 754 e ocorreram 427 desfiles. Na Zona Sul este ano, o número de desfiles será menor do que três anos atrás. Em 2020, foram 110, em 2023 serão 94.

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Bola Preta desfila no Centro do Rio – Fernando Maia/Prefeitura do Rio

“Já é uma tradição que os blocos de rua arrastem milhares de foliões por todos os cantos da cidade. Este ano estamos fazendo pequenos ajustes para que a retomada do Carnaval de rua no Rio seja espetacular. Organização, acessibilidade e muita alegria serão a marca do Carnaval de rua 2023”, destacou o presidente da Riotur, Ronnie Costa.

A partir do dia 20 de janeiro, data do início oficial dos desfiles, a Prefeitura vai disponibilizar 220 ambulâncias e oito postos médicos que serão operados pela Secretaria Municipal de Saúde. O objetivo é não inflar o sistema público com atendimentos médicos de baixa complexidade.

O folião vai contar ainda com 34 mil banheiros químicos posicionados por onde passarão os blocos, sendo 10% para pessoas com deficiência, os chamados PCDs. O número de operadores de trânsito mais do que dobrou: neste ano serão 3.250 agentes, enqunato em 2020 foram 1.500. E para ajudar na limpeza da cidade, a Comlurb vai disponibilizar mil contentores de 240 litros. Dez mil vendedores autônomos serão cadastrados e identificados com colete. Eles receberão treinamento da Riotur para atuar nos blocos.

Os desfiles dos megablocos (Bola Preta, Fervo da Lud, Bloco da Anita, Monobloco, Chora me Liga e Carrossel de Emoções) terão o circuito de desfiles no Centro para dar mais logística na hora da dispersão.

Samba didático: Chama do braseiro, Mocidade Independente de Padre Miguel aposta na temática nordestina

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Estreante na Mocidade Independente de Padre Miguel, o carnavalesco Marcus Ferreira possui uma trajetória campeã. Vindo da Intendente Magalhães até a chegada no Grupo Especial com a Viradouro. O artista se tornou campeão junto com Tarcísio Zanon com quem formava uma dupla na vermelho e branco de Niterói. Para 2023, ele irá fazer um trabalho solo com a Mocidade Independente de Padre Miguel. O artista desenvolveu o enredo “Terra de meu céu, Estrelas de meu chão”. A temática aborda a história dos artistas do Alto do Moura, que são discípulos de mestre Vitalino, pertencentes ao Centro de Artes Figurativas das Américas. O samba campeão foi da parceria de Diego Nicolau, Richard Valença, Orlando Ambrosio, Gigi da Estiva, W. Correa, Leandro Budegas e Cabeça do Ajax.

O site CARNAVALESCO conversou com Diego Nicolau que explicou detalhes da letra do samba. É a continuidade da série“Samba Didático” entrevistando os compositores para que eles possam detalhar os significados e representações por trás do versos e expressões presentes nos sambas para o carnaval de 2023.

Senhor que fez da arte mundaréu
Em suas mãos Padre Miguel
Concebeu a criação
Plantou sua missão
Fez do sertão, barro tauá

“O enredo começa com a criação do mundo. Vamos fazer algo inspirado no título de 1996 que com aquele abre alas com as mãos construindo o mundo. Só que dessa vez em barro. ‘As mãos dos filhos do barro’. A gente faz esse contraponto no samba. É o barro utilizado lá, que utilizavam para fazer os trabalhos deles. A arte dele”.

Jardim no agreste floresceu
Regado ao firmamento de meu Deus
A lida pra viver, da lama renascer
Marias e Josés no céu que moram pés, raiz!
Fiel retrato desse meu país

“Passamos para a parte rural, da natureza. São todas essas situações, todas essas imagens que ele retratou dos nordestinos. Dos retirantes que iam passando e parando para fazer seu destino. E ele retratava através da sua arte. É a parte dos retirantes, da natureza do sertão nordestino. E terminamos falando “fiel retrato desse meu país”. É justamente isso que ele fazia, retratava a realidade do país, do povo e do nordeste”.

Segue o carro de boi
O peão no barreiro
Ô rainha bonita
Sou teu rei cangaceiro
É a vida um xadrez
Pra honrar o legado
Quem foi que fez?
Foi Deus do barro

“No terceiro setor da escola, vamos falar do surreal. Através de um tabuleiro de xadrez, dos personagens do nordeste. O lampião, Maria Bonita. Todos esses personagens que permeiam o nordeste e o sertão. E a escola vem com alegoria também falando do surrealismo, da arte figurativa”.

Molha Pedro minha terra
Chão de estrelas de João
Traz Antônio minha amada
Padim Cícero Romão
Alumia o teu povo em procissão

“Depois vem a parte da religiosidade também. Dos três santos nordestinos. É quando ele fala sobre essa construção que é muito importante e conhecida fora de lá. Sabemos que ele tem muito esses aspectos culturais e as procissões. Que é pedido as santidades muita chuva, que tragam o amor. Os nordestinos tem suas mazelas que pedem sempre aos seus santos de devoção”.

Chega folia, chega cavalo marinho
Lindas flores no caminho
O nordeste coloriu
E de repente essa gente independente
Faz da greda seu batente
Molda um pouco de Brasil

“Finalizando é o Alto do Moura, a festa que tem lá. Com várias manifestações culturais e a gente brinca. Colocamos o “independente” dentro do enredo sem deixar de perder o sentido. Porque o povo nordestino é arretado e independente”.

Amassa, deixa arder o massapé
Lá no meu Alto do Moura
Um pedacinho de fé
A massa, força de Mandacaru
Lá do meu Alto do Moura
Fiz brilhar Caruaru

“Reafirmamos, colocando o amassa. É assim que ele molda, amassando o barro. E depois a massa é do povo, força. E falamos de Caruaru, que é a cidade que fica o baile do Alto do Moura”.

Ê meu cardeá!
Sou a chama do braseiro
Nordestino, retirante da saudade
Mais um filho desse solo pioneiro
Um artista esculpindo a Mocidade

“O refrão é algo que colocamos um duplo sentido com a Mocidade. Com a nossa parceria, e fomos brincando com o forno. Que eles colocam na obra para secar o barro. Após disso vem a chama do braseiro e falamos também do nordestino. ‘O pioneiro’ é da Mocidade, pois ela tem um samba muito marcante, campeã do carnaval de 1985, em que ela fala que quer ser a pioneira. Colocamos isso em um verso para sintetizar o que o componente da Mocidade quando entrar na Sapucaí estará representando. É um artista esculpindo a Mocidade”.

Vila Isabel retoma ensaios de rua nesta quarta-feira rumo ao Carnaval 2023

Após uma breve pausa para as festas de final de ano, a Unidos de Vila Isabel recomeça nesta quarta-feira os ensaios de rua no Boulevard 28 de Setembro. A concentração acontece a partir das 20h, em frente à Basílica Nossa Senhora de Lourdes, onde os componentes se reunirão para iniciar a apresentação, que segue em direção à quadra da agremiação, no sentido da Praça Barão de Drummond.

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Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

Com a retomada dos ensaios, o público que estiver presente poderá acompanhar de perto como está a preparação dos principais segmentos para o desfile, além de curtir o ritmo da bateria Swingueira de Noel, o canto da comunidade, a interpretação musical do carro de som, a dança dos casais de mestre-sala e porta-bandeira e a apresentação da comissão de frente, além de prestigiar passistas, musas e a velha-guarda.

Neste ano, a Vila Isabel será a terceira escola a desfilar na Marquês de Sapucaí, na segunda-feira de Carnaval, com o enredo “Nessa festa, eu levo fé!”, desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros.

Confira o calendário de ensaios da Vila Isabel:

11/1 – Ensaio de rua no Boulevard 28 de Setembro – 20h
18/1 – Ensaio de rua no Boulevard 28 de Setembro – 20h
25/1 – Ensaio de rua no Boulevard 28 de Setembro – 20h
1º/2 – Ensaio de rua no Boulevard 28 de Setembro – 20h
8/2 – Ensaio de rua no Boulevard 28 de Setembro – 20h
11/2 – Ensaio técnico no Sambódromo – 20h30

IV Baile de Passistas e II Encontro APASB Nacional celebram mestre Careca e a cultura das alas de passistas no Brasil

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A Associação dos Passistas de Samba do Brasil (APASB) e o carnavalesco Milton Cunha organizaram no domingo o IV Baile de Passistas e o II Encontro APASB Nacional na Cidade do Samba. O homenageado do evento foi o histórico passista Arandi Cardoso dos Santos, o Careca do Império Serrano, pioneiro na criação das escolas mirins ao fundar o Império do Futuro. Estavam presentes no encontro 57 alas de passistas de diversas partes do Brasil, representando o sonho, a tradição e a força da dança de passistas no carnaval.

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Os primeiros momentos do baile foram dedicados a valorizar a trajetória de dedicação ao samba de Careca. Milton Cunha acredita que um evento desse porte tem um um importante caráter educador e, por isso, se torna relevante trazer uma figura como Arandi Cardoso dos Santos. Segundo Nilce Fran, presidenta da APASB, a escolha do homenageado partiu da vontade de falar de um representante do rabiscado que pudesse ser reverenciado ainda em vida com uma trilha de muitas conquistas.

“Mestre Careca representa com todo garbo o samba no pé, o rabiscado, a dedicação ao samba. Esse ano, nós estamos trazendo um estandarte de ouro, criador da primeira escolinha mirim, Império do Futuro. Então o foco foi trazer um homem que tivesse força no segmento passista e se dedicasse ao Carnaval”, explicou a presidenta ao CARNAVALESCO.

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A professora Raquel Valença do Império Serrano discursou em homenagem ao pioneirismo de Arandi Cardoso dos Santos. Reforçou a responsabilidade social que o homenageado incutiu nas escolas de samba e evidenciou como o Careca foi importante para a construção da relevância dos passistas dentro do Carnaval. O professor Hélio Rainho complementa considerando o homenageado do dia um “Pelé” do samba e afirma que as escolas de samba se tornam grandes pelas figuras lendárias que ela possui, portanto, Império Serrano um dos gigantes por ter Careca entre seus integrantes ilustres.

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A abertura do II Encontro APASB Nacional foi com a Escola Carioca de Danças Negras do Andaraí. Um grupo de cinco dançarinos interpretando malandros saudaram o ilustre convidado da noite. As reverências se seguiram quando o mestre Careca dançou com as escolas mirins do Rio de Janeiro e, posteriormente, foi cumprimentado pelos coordenadores de todas as alas de passistas presentes.

Sobre a fundação de escolas mirins, Careca descreveu: “Em 1979, o Ano Internacional da Criança, eu era vice-presidente do Império Serrano. Falei para a diretoria que queria botar uma ala de criança na frente do Império, mas não deixaram. Anos depois, com ajuda de uma série de pessoas, mas o primeiro a abraçar a ideia foi Martinho da Vila que assinou comigo o estatuto da fundação da escola”.

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O IV Baile de Passistas e II Encontro APASB evidenciaram a diversidade de pessoas que a dança e o samba são capazes de abarcar. Como o evento tinha um caráter nacional, passistas de Brasília, Belo Horizonte, Manaus e São Luís do Maranhão estiveram presentes representando as sucursais da associação espalhadas pelo país.

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Além disso, o samba abriu passagem para a diversidade de corpos, deixando claro que qualquer um pode ser passista. A ala de passista Plus no Rio de Janeiro levou um cartaz dizendo “O samba pede passagem e não o nosso manequim”, uma manifestação contra a gordofobia. Em outro momento, o apresentador Milton Cunha convidou ao palco a musa Vivi da Viradouro, uma passista com nanismo que protestou e conseguiu a mudança de regra do concurso de rainha do Carnaval carioca que exigia uma altura mínima e agora não mais. Por fim, os organizadores do evento selecionaram a musa do baile deste ano: a passista Shayene Pão Doce, uma mulher transsexual. A musa sambou com a Corte do Carnaval Carioca.

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As escolas de samba do Rio de Janeiro de diversas séries e ligas marcaram presença. Escolas da Grupo de Avaliação, da Livres e Séries Bronze, Prata e Ouro fizeram apresentações marcantes. Um dos destaques do dia foi a Flor da Mina do Andaraí e a Arrastão de Cascadura pela Série Prata e a Estácio de Sá pela Série Ouro que apresentou um lirismo, segundo Milton Cunha, ao trazer Luís Melodia e sambas clássicos.

As escolas do Grupo Especial fizeram um show à parte. A primeira a subir no palco foi Mocidade Independente de Padre Miguel que se apresentou com a Unidos de Padre Miguel e a Engenho da Rainha todas coordenadas por George Louzada, um dos apresentadores do IV Baile de Passistas. Também antes de cair a noite, a Portela fez sua apresentação. Todos os integrantes da azul e branco de Oswaldo Cruz vieram do projeto “Samba para Sempre” da escola.

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Para a abertura do bloco de escolas de samba do Grupo Especial, a vice-campeã Beija-Flor fez seu show com direito à presença da rainha de bateria Lorena Raíssa. Lorena havia ido como passista no baile de 2022 e hoje representa esse sonho de muitas passistas das agremiações.

As representações aos orixás marcaram apresentações do Paraíso do Tuiuti, da Unidos da Tijuca e do Salgueiro. Elas trouxeram mensagem de paz e força, sem deixar de lado a ginga e o rabiscado dos passistas. Não só a Tijuca trouxe baianidade, como a Mangueira fez sua apresentação referenciando Bahia e os clássicos da escola.

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Outras escolas marcaram pelo modo como levantaram a plateia. Vila Isabel trouxe a gafieira e botou na frente a princesa mirim de 2023, firmando que o talento vem de berço. Império Serrano veio com forte samba no pé ao som da ‘Aquarela brasileira’. Já a Imperatriz Leopoldinense fez uma coreografia marcante com referência ao cangaço que será retratado pelo enredo da escola em 2023. A campeã Grande Rio fechou a noite de baile com o samba enredo deste e distribuiu pirulitos para a plateia.

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Ao final do evento, Milton Cunha comenta o saldo positivo do evento: “Me impressiona como cada dança de um jeito, como cada se veste de um jeito, como cada ala cria sua própria pegada. É um povo muito criativo, muito artístico. Tem trilha sonora, cenário. São sete horas de arte profunda! Eu estou satisfeitíssimo”.

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A realização desse evento só foi possível porque pessoas como Milton Cunha e os fundadores da APASB, Nilce Fran, Aldiona Sena, Dhu Costa e Bruno Tete. sonharam com sua criação. A presidenta Nilce Fran reflete que “o propósito é a união do segmento e a parceria”. E o trabalho da Associação de Passistas não se restringe ao encontro.

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“Nós estamos no decorrer desses realizando coisas como lives, encontro para bate-papo, o ‘Passista Enem’ – reunimos passistas professores formados ou formandos para ajudar – fizemos workshops”, comentou Nilce sobre a importância da associação.

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Em 2022, os passistas de samba foram considerados Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Rio de Janeiro, uma conquista da APASB e de todo povo do samba. Eventos como IV Baile de Passistas e II Encontro APASB Nacional reforçam a potência cultural, de resistência e de tradição do samba.

‘Cercada por todos os lados’, Grande Rio se apresenta no Baródromo e o público delira com a atual campeã do Grupo Especial

Por Isadora Lima e Luisa Alves

O Baródromo recebeu a Grande Rio, na tarde/noite de domingo, para o encerramento de sua primeira roda de sambas-enredo do ano. Mesmo na garoa, a atual campeã do Grupo Especial do Rio contagiou centenas de pessoas que cantaram desde os sambas mais antigos ao novo sucesso popular que homenageia Zeca Pagodinho. Não era de se esperar menos. O local já é conhecido como um espaço para os mais diferentes sambistas se unirem em prol da folia. Por lá, ela dura o ano inteiro, atraindo turistas e desempenhando o papel de vitrine para desfiles históricos, mas seu auge sempre ocorre entre novembro e fevereiro.

“Quanto mais próximo do carnaval, mais a energia e a emoção da galera aumentam. Hoje foi uma explosão de amor!”, comentou Felipe Trotta, 42 anos, empresário que mantém o Baródromo desde 2015.

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Felipe Trotta, empresário responsável pelo Baródromo

Horas antes da bateria da tricolor de Caxias iniciar suas batucadas, o clima era de alegria e altas expectativas. Uma lona foi estendida na rua para proteger o público da eventual chuva, mas, em meio ao churrasco e danças, ninguém parecia se importar. Sandro Assis, mangueirense, de 43 anos, afirmou aguardar por uma bela apresentação: “É uma escola que está evoluindo, bateu na trave várias vezes até o campeonato”. Ele logo se apressou para exibir sua camisa com estampas de todas as agremiações.

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Mangueirese, Sandro Assis foi curtir a Grande Rio no Baródromo

Glaucio Coser, de 47 anos, também frisou a importância da irmandade e apoio entre as escolas de samba. “Estamos num evento da Grande Rio, eu sou Mocidade, tem o cara da Portela, da Imperatriz… isso que faz o carnaval ser pra todo mundo”. Essa pluralidade de bons sentimentos também o fez percorrer 27km para aproveitar o evento em família.

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Glaucio Coser, torcedor da Mocidade, ressaltou pluralidade de sentimentos no carnaval

Enquanto anoitecia, um coro se formou para cantar diversos sambas que marcaram a última década. A animação deixou a tarefa de caminhar pela multidão difícil e novos abadás da Grande Rio não paravam de surgir. Quando o mestre Fafá conduziu a bateria para o centro das mesas, todos se espremeram para conseguir a melhor visão possível.

Foi inevitável não associar o momento com a fala que, minutos antes, concedeu ao site CARNAVALESCO. Tudo se intensificou quando o intérprete Evandro Malandro e o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Daniel Werneck e Taciana Couto, apareceram sorridentes. O cantor festejou o encontro da escola de Caxias com o povo.

“É no bar que tem o calor humano e quem acompanha as escolas. E é nesse momento que essa energia acompanha a Grande Rio. O Baródromo é onde justamente o sambista vai, que quer cantar todos os sambas, muitas vezes pode não ser o torcedor da Grande Rio, mas que simpatizou com o samba. Isso é uma das coisas mais importantes do carnaval, de torcedores e sambistas de outras escolas. É o que leva a gente pra outros lugares, a alegria e o trabalho. A Grande Rio tem muito mais por aí, muita coisa bacana preparada e soltando de pouquinho a pouquinho”.

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Durante as duas horas seguintes, o público vibrou com a escola envolvendo ambos em uma só melodia. Assim que a agitação parecesse diminuir, era necessário apenas levar ao microfone o samba-enredo de 2023 novamente. Nas paradas musicais do Baródromo, certamente está em primeiro lugar.

A satisfação que pairou sobre o ambiente no fim da noite foi coletiva. A ideia do evento foi da própria Grande Rio, que busca divulgar o enredo numa série de apresentações que vão percorrer o Rio de Janeiro e tiveram início neste domingo. Portanto, não há previsão de outras agremiações realizarem apresentações similares, apesar do claro interesse e solicitações dos frequentadores.

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Thiago Monteiro, diretor de carnaval da Grande Rio, demonstrou satisfação ao citar o cenário que a escola vive: “Esse ambiente é plural, todo mundo conversa, consome o carnaval e não o faria se fosse somente na quadra. Estar tão perto de um público que não necessariamente torceria para a escola é democracia. É mostrarmos como ela pode ir além da bolha. Esse é o momento para fazermos o nosso nome com um enredo popular, que fala de uma personalidade que todos amam”.

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Comandante da bateria da Grande Rio, mestre Fafá enalteceu a ideia de sair da quadra e procurar o povo nos bares. “O Carnaval vai muito além da quadra, além do barracão, e você ve num dia atípico do Rio de Janeiro um bar cheio de sambista, de samba, e aqui do lado tem a feijoada do Salgueiro… na rua tem sempre samba e a Grande Rio quer mostrar que ela é do povo. A gente gosta desse calor do povo, que mesmo que não torce pra Grande Rio, está aqui se divertindo. Eu acredito que a Grande Rio está vivendo um momento único. Com muita sabedoria estamos sabendo como disfrutar disso. Sabemos que tem escolas que estão lutando fortemente pra conseguir esse título, mas trabalho é trabalho e o carnaval é decidido na pista. Espero que todas escolas passem bem e os jurados decidam”.

A proximidade com as pessoas funcionou. Levaram para o Baródromo não apenas o samba, mas também figuras emblemáticas como o ator Demerson D’alvaro, que interpretou Exu na aclamada comissão de frente da campeã, e até mesmo o mascote do Zeca Pagodinho em tamanho real.

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Para o ano de 2023, se espera um desfile que represente a jornada próspera que a Grande Rio vem trilhando. A luta pelo bicampeonato parece ser a prioridade da agremiação. Por enquanto, já deixa um exemplo de divulgação que deve inspirar as outras.

Chuva ‘abençoa’ primeiro ensaio de rua da Mocidade com destaque para o chão Independente

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Por Allan Duffes e Victor Serra

Chegou o dia da Mocidade estrear de vez os preparativos para o Carnaval 2023. O primeiro ensaio de rua aconteceu no domingo e deixou a impressão de que a escola continua organizada e cantando forte. Para seguir a tradição, a animada concentração e a arrancada aconteceram na Praça Guilherme da Silveira. De lá, os Independentes ensaiaram até a estação de trem que leva o nome da escola, em Padre Miguel, bem perto da quadra da Vintém. Com a participação da comissão de frente, do primeiro casal, da rainha Giovana Angélica e de uma chuva persistente, o público reencontrou uma Mocidade disposta a recuperar a vaga nas campeãs.

O cantor Nino do Milênio disse, durante a semana e repetiu antes do esquenta, que o ensaio da Vintém tinha um clima diferente. Ele não tava errado, mas certamente não estava se referindo ao clima de montanha. Quem achou que sentiria a “chama do braseiro”, vai ter que aguardar mais um pouco. Era um domingo atípico para janeiro, temperatura – quem diria – de 22 graus em Padre Miguel, às 17h, e a chuva não queria parar. Mas, o que faz o ensaio da Mocidade ser diferente, é justamente que ele é uma solenidade. Não tem tempo ruim na Guilherme. Quem estava com frio, colocou casaco, quem não queria se molhar usou capa, e quem queria sentir a “chama”, tava com trajes de verão mesmo. E o “braseiro acendeu”. A calçada encheu.

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“A melhor retribuição desse carinho do público é resultado, fazer ensaios como foi hoje, brindar o público com sambas antigos também, para eles matarem a saudade da escola. A gente busca fazer um ensaio que não seja uma coisa muito rápida, fazer um bom desfile e estar no sábado das campeãs”, disse o diretor de carnaval, Marquinho Marino, sobre o comparecimento dos independentes, ainda que esteja frio e chovendo.

A verde e branca de Padre Miguel levará para avenida o enredo “Terra de meu Céu, Estrelas de meu Chão’’, desenvolvido pelo carnavalesco Marcus Ferreira, em uma abordagem sobre o legado dos artistas do Alto do Moura, discípulos de mestre Vitalino. No primeiro ensaio de rua se viu uma comunidade entrosada com o samba e, como sempre, se divertindo. Ao avaliar o treino, o diretor de carnaval explicou que foi um ensaio normal e a metodologia utilizada.

“Minha avaliação é muito positiva. Os primeiros ensaios, principalmente este, eu não me preocupo com marcação de tempo de desfile e coisas mais técnicas. O que a gente ensaia de verdade mesmo são as marcações de cabine de comissão, casal e bateria, e não ter nenhum tipo de espaçamento entre as alas. Se eu fizer um ensaio simulando um desfile, ele acaba em 30 minutos. E eu preciso aproveitar o carro de som, pra ver o canto da comunidade, a bateria… Para que ela tenha condições de fazer as paradinhas e eles julgarem o que é melhor para o quesito”, comentou Marino.

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Harmonia

Os Independentes cantam e sempre com força. O destaque ficou para os componentes que estavam atrás da bateria, cantaram com mais força e incansáveis até o fim. Todos têm o samba na ponta da língua e são bem conduzidos pelo carro de som de talento já conhecido, com a diferença de que, agora, o cantor é Nino do Milênio, e mostrou que já está bem à vontade com o microfone novo.

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Comissão de frente

Os bailarinos liderados por Paulo Pina apresentaram uma coreografia contagiante, que remeteu a passos de dança que comissões fazem quando o assunto é o nordeste. O público interagiu e aplaudiu bastante cada ato do número apresentado. Para o ensaio de rua, uma apresentação satisfatória, sob a assídua regência do coreógrafo. Para o grupo, que está chegando agora, um ótimo momento para ganhar apreço e confiança dos independentes. Carisma para isso, eles mostraram.

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Mestre-sala e Porta-bandeira

A Bruna parece aquelas bailarinas que dançam com graça em caixas de música e Diogo tem seu brilho próprio. O casal apresentou uma simpática coreografia que, com inteligência, soube preencher todo o espaço. Em meio a giros vigorosos, a cena foi encantadora.

Para o próximo desfile, o casal que mescla a tradição da danca de mestre-sala e porta-bandeira com coreografias em cima do enredo, não se preocupa com a avaliação dos julgadores na questão de ter passos além do tradicional.

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“E acho que a dança representa uma coreografia e a coreografia representa uma dança, é tudo um contexto. É um caminho junto e os jurados estão ali para nos julgar. É importante que tenha todos eles ali bem atentos, mas isso a gente não tem medo. Principalmente, quando a gente tá fazendo um trabalho bacana e a escola vem fazendo um bom trabalho há muitos anos”, disse Diogo Jesus.

Bruna Santos completou dizendo que os jurados sempre pedem para se manter a dança tradicional, mas para inovar, eles colocam a coreografia do enredo, sem deixar a tradição de lado. E, ainda bem. É muito bom ver o casal da Mocidade dançar.

Samba-Enredo

Samba que amassa e se canta até arder a garganta. A chama do braseiro já está na boca do povo e teve bom rendimento no ensaio. A melodia do samba ajuda a escola a ter um canto linear e no decorrer das passadas, as pessoas ainda cantam na mesma alegria da primeira.

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“Uma boa obra ajuda nós cantores, nessa escola gigante. Eu precisava de um bom samba pra eu poder fazer um bom trabalho na minha estreia na Mocidade. E graças a Deus o samba veio crescendo bastante, a gente veio trabalhando ele. E pode esperar um grande desfile porque a meta é essa”. Foi o que disse o cantor Nino do Milênio, estreante no carro de som independente.

Bateria

Mestre Dudu e suas bossas foram um show à parte. Marquinho Marino disse que parou a escola para que a bateria se testasse, mas o que aconteceu mesmo foi um presente ao público, que viu e ouviu mais uma bela exibição da “Não Existe Mais Quente”.

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O mestre avisou que todas as bossas do ensaio estará no desfile, então pode-se esperar uma bateria que tende a levantar a Sapucaí. Ele avaliou o ensaio, no final. “Primeiro ensaio com o carro de som na rua. Ocorreu tudo bem. Aconteceu alguns probleminhas, mas foi bom”.

Evolução

Problema que a Mocidade não tem é com o quesito evolução. Nenhum incidente, zero buraco e alas compactas. Do início ao fim, deu tudo certo no primeiro ensaio. Mais uma escola a ir ensaiar na rua, agora a Mocidade parte para o próximo desfile virando a página do último carnaval, quando viu seu imponente abre-alas travar na pista e precisar ser desacoplado. Marino garante que este erro é passado e que a escola já resolveu o problema.

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“A comunidade sempre nos dá o máximo que a gente precisa. Não é hipocrisia. A comunidade e os quesitos sempre dão o máximo. Agora, é mais uma questão estrutural que está sendo resolvida e uma mais de soltar (a escola) e esquecer o aconteceu (no último desfile). Não adianta se prender ao passado, senão a gente não conserta nunca. A Mocidade foi campeã em 2017 e, nos outros anos, voltou no desfile das campeãs. E, mesmo com o erro do último carnaval, ficamos apenas 1 décimo da última escola que entrou nas campeãs”, contou o diretor de carnaval.

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Terceira escola a desfilar no domingo de carnaval, a Estrela-Guia sonha com mais um troféu do Grupo Especial. Até hoje, já foram seis. O sétimo, começou a ser lapidado neste domingo cinzento, onde os pingos de chuva foram detalhes de mais um dia raiz na Vintém: dia de ver a Mocidade passar.