A Unidos do Viradouro fez seu primeiro ensaio de rua em 2023 e nem a chuva fina que caiu durante o treino desanimou seus componentes que cantaram em plenos pulmões por um pouco mais de 1 hora e 15 minutos pela Avenida Amaral Peixoto. O destaque foi para a bateria de mestre Ciça que, mais uma vez, deu o tom para o conduzir o espetáculo. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Julinho e Rute, mostrou grande entrosamento e a perfeição na dança. A Viradouro será a escola que fechará os desfiles de 2023, sendo a sexta escola a desfilar na madrugada de segunda para terça feira, com enredo “Rosa Maria Egipcíaca”, do carnavalesco Tarcísio Zanon.
O ensaio começou por volta das 19h contando em peso com a comunidade de Niterói. As alas estavam empolgadas com o samba na ponta da língua e cantando forte cada verso. Destaque ficou por conta das alas coreografadas que prometem muitas surpresas durante o desfile oficial. Por terem a oportunidade de ensaiar em uma avenida bem parecida com a Sapucaí os componentes aproveitaram bem para desenvolver tudo que foi ensaiado até o dia de hoje. Eles estão bem ensaiados e sincronizados. A evolução também mostrou estar afiada, com todas as alas fazendo seu trabalho, a bateria entrando no recuo com maestria e as alas não deixando espaço.
Bateria
A “Furacão Vermelho” foi o ápice da noite de ensaio da Viradouro. Mestre Ciça e seus ritmistas trouxeram uma cadência sensacional, com uma sinfonia de timbaus e agogôs. O comandante conduziu perfeitamente o ensaio, com paradinhas tanto no primeiro quanto no segundo refrão, e com toques de religiões matrizes africanas. Toda comunidade dançou na ginga dos ancestrais.
Na primeira parte do samba “Rosa Maria menina flor, rainha espelho mar, na pele do tambor”, quando chega nesta última frase mestre Ciça fez várias paradinhas e uma paradona, deixando os timbaus fazendo o trabalho de conduzir o momento, fazendo quem assistia o desfile ir aos gritos de emoção. Ele ainda citou que tem alguns arranjos para fazer e contou uma novidade que vai fazer na avenida.
“Gostei muito do ensaio de hoje. Bateria, carro de som, tudo aquilo que a gente está planejando fazer na avenida acho que deu certo no nosso ensaio. Ficamos 15 dias parados por causa das festas de fim de ano, mas foi muito positivo, ainda faltam 40 dias pra gente acertar uns detalhezinhos. O timbau será um dos nossos diferenciais. Terá mais agogôs também, inclusive, eu vou tocar. Vai ser bacana”, promete mestre Ciça.
Harmonia e Samba-Enredo
Resultado dos ensaios e maturação do samba, a obra é consistente e cheia de versos fortes. Em um momento, todos colocam a mão pra cima e ficam de punho cerrado. O intérprete Zé Paulo elogiou a fluidez do samba. Ele também pontuou a importância do ensaio na rua e citou sua parte preferida da composição que foi considerada uma das melhores do ano.
“A expectativa é muito grande porque a gente ensaia muito e acaba maturando o samba. Quanto mais a gente ensaia, quanto mais tempo a gente treina, o samba vai ganhando mais consistência, a expectativa é sempre a melhor. Fomos eleitos o melhor samba do ano. Ele tem diversas partes bonitas”, garantiu o intérprete Zé Paulo.
Mestre-sala e Porta-bandeira
O casal Julinho e Rute mostrou uma sintonia perfeita no ensaio, exibindo a elegância da dança e o entrosamento das coreografias. Eles comentaram a importância do ensaio de rua e como ajuda no dia a dia com a comunidade, ainda falaram sobre o andamento do desfile e a diferença do ensaio da quadra.
“Além da gente fazer as três cabines de jurados, realizamos na rua a coreografia original. Claro que de um domingo para o outro a gente muda um movimento. Estamos sempre ensaiando. O ensaio aqui também ajuda no condicionamento físico. Na quadra é um trabalho mais artístico”, disse Rute.
“Aqui é o mais próximo do desfile. Apresentação em linha reta. A escola procura colocar o andamento como é o desfile”, completou Julinho.
Evolução
A Vermelho e Branco de Niterói mostrou que está afiada na evolução, não deixando buracos ou espaços durante o ensaio. As alas estão conscientes de cada passo a ser dado na avenida. A entrada e saída da bateria foi destaque, a organização e o ritmo não se alteraram durante o movimento. A escola estava se divertindo na avenida com sorrisos, choros e o samba cantado a todo vapor. A parte que mais entusiasmava os integrantes foi o refrão principal.
Segundo o diretor de carnaval, Dudu Falcão, a Viradouro desfilará com 2500 integrantes. Ele comentou sobre as alas da comunidade, além de exaltar o trabalho e dizer que falta poucos detalhes para o desfile.
“É uma contagem regressiva, faltam 40 dias para o carnaval. A cada ensaio a gente tem que buscar melhorar sempre. A ideia de chegar em um grau de excelência agora não vai dar certo, a gente vai buscar melhorar sempre em cada ensaio. Hoje foi um baita de um ensaio, primeiro do ano, agora é hora de olhar ala a ala, movimento por movimento, canto por canto, e ter a certeza que vamos chegar na avenida no ápice do nosso desfile”, explicou Dudu Falcão.
Outros destaques
A ala das baianas deu show de elegância. Os giros exibiam o brilho das damas da Viradouro. A ala de passistas também caprichou, principalmente, quando interagiram com Erika Januza, já no fim do ensaio, para alegria da comunidade.
Nem a fina chuva que teimou a voltar a cair em Madureira tirou a alegria do portelense que retomou a sua preparação para o próximo carnaval e realizou o primeiro ensaio de rua do ano em que vai comemorar o centenário da escola. O treino que teve duração de 1 hora e 8 minutos, aconteceu na Estrada do Portela, contemplando o trecho entre a Rua Clara Nunes e a Praça Paulo da Portela. O destaque ficou para o canto forte da comunidade que se mostrou bastante intenso durante todo o desfile, além da bateria de mestre Nilo Sérgio e o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marlon Lamar e Lucinha Nobre. Em 2023, a Majestade do Samba será a segunda escola a pisar na Sapucaí na segunda noite de desfiles do Grupo Especial com o enredo “O Azul que vem do infinito”, que está sendo produzido pela dupla de carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage.
O ensaio começou por volta das 19h30 e a chuva fina que começava a cair no bairro da Zona Norte permaneceu por todo o treino, em alguns momentos mais forte e em outros mais fraca. O trecho compreendido entre a rua Clara Nunes, via da quadra da Portela e a Praça Paulo da Portela, é uma subida, mas isso não impediu a alegria dos foliões e o canto do samba pela comunidade, que se manteve forte até o fim. Marlon Lamar e Lucinha Nobre brindaram o público apresentando já trechos da coreografia que vão levar para a Sapucaí e a bateria do mestre Nilo Sérgio trouxe um andamento bastante agradável para o samba que ajudou na boa evolução da escola.
O vice-presidente Júnior Escafura avaliou positivamente o ensaio deste domingo e a preparação que a Portela vem realizando para o próximo carnaval.
“Acho que a avaliação é muito positiva, a gente tem uma escola feliz que canta muito o samba, evoluí, brinca, acho que esse é o espírito da Portela. A gente vai fazer um desfile pautado na emoção que é a cara do portelense, ainda mais com todo o simbolismo dos 100 anos da escola. Todo mundo está vendo nos ensaios, os componentes se entregam de verdade, cantam, brincam, se divertem, porque isso é ser Portela, é ser Portela e tanto mais”, avaliou o dirigente.
Júnior revelou que a escola levará cerca de 2800 componentes para a Sapucaí e que as alas comerciais serão apenas seis, todo o restante será formado pela comunidade. Escafura também comentou a importância do ensaio de rua para a agremiação.
“A gente tenta fazer da melhor maneira possível, a gente tem as nuances do ensaio de rua, um monte de vendedores ambulantes, mas a gente também tem a parte muito positiva que é essa energia de estar aqui fazendo ensaio na Estrada do Portela, a raiz da escola está aqui. É muito importante a gente fazer esse ensaio porque a gente pega essa energia. São centenas, milhares de pessoas as vezes que vem para as ruas ou ficam em suas casas, nos prédios, nas varandas passando essa energia, soltam fogos, agitam bandeiras, isso para nós é muito importante, contagia a escola de uma certa maneira, a gente dribla as dificuldades que existem. Acho que de uma maneira geral a escola está cantando muito e evoluindo bastante, a ideia é a gente chegar no nosso ensaio técnico com a melhor preparação possível para que no dia do desfile a gente faça um grande carnaval”, finalizou o vice-presidente.
Harmonia e samba-enredo
Gilsinho iniciou o samba da Portela 2023 fazendo a primeira passada, antes mesmo do grito de guerra, bem melódica e tranquila deixando a comunidade mostrar que estava com o samba na ponta da língua e já criando um clima de emoção que chegou a todos os componentes. Depois, já com a bateria, e com mais energia, a escola seguiu cantando o samba e desviando das adversidades como a chuva e a subida que compreendia boa parte do percurso escolhido para o treino.
Em cima do carro de som, por conta da chuva, a equipe de voz da Portela em nenhum momento deixou o samba cair e Gilsinho chamava os desfilantes a entoar o samba com emoção, sem esquecer de imprimir a sua já conhecida potência vocal na obra. Nas laterais da rua, o público que acompanhava o ensaio também respondeu bem ao samba com muitos dos espectadores cantando junto com a escola. O trecho cantado com mais emoção era o refrão principal “Cavaco e viola…” em que a maioria da comunidade levantava as mãos para o céu, como que pedindo bênçãos aos seus ancestrais e aos fundadores da Majestade do Samba. O canto foi o ponto alto da noite portelense.
Ao CARNAVALESCO, o intérprete Gilsinho disse o que espera do samba de 2023 e explicou a diferença do ensaio de rua para quadra. “Espero que ele (samba) funcione muito bem, assim como tem acontecido nos ensaios. Samba bom, bem construído, com todas as partes muito boas de cantar. Sobre os ensaios, na quadra tem muita reverberação, ao ar livre é bem melhor. E a expectativa para o centenário, é minha sorte, meu nome vai ficar para sempre na história da Portela”.
Bateria
A “Tabajara do Samba”, comandada por mestre Nilo Sérgio, apresentou o samba em de cerca de 144 variando apra 145 BPM (batidas por minuto), segundo o próprio mestre, um andamento confortável, dentro das característica da bateria da Portela que possibilitou que os componentes evoluíssem e cantassem a obra de forma bastante agradável. Destaque para os desenhos de tamborim e agogô bastante encaixados a métrica do hino da Portela para o desfile em seu centenário. Nilo Sérgio trouxe duas bossas que irão para a Sapucaí para serem trabalhadas no ensaio, uma delas no refrão do meio, como o agogô chamando no último verso “Deixa a Portela passar” e a outra no trecho “Nas mãos de quem sabe o valor do passado” na segunda do samba indo em preparação para o refrão principal. Mestre Nilo, em entrevista ao site CARNAVALESCO após o ensaio, avaliou o rendimento da “Tabajara do Samba” em mais um treino ao ar livre.
“O andamento do samba está confortável para o portelense cantar, desfilar. Estamos trabalhando com duas bossas, porque eu tinha até outra bossa para colocar, mas a cabeça do samba não pede. É o Paulo falando com a Portela. Eu não posso botar na cabeça do samba uma bossa porque é o Paulo vindo e falando com a Portela nos 100 anos. Se eu botar uma bossa ali eu estou agredindo a palavra do Paulo, nosso professor. Essa é a parte mais gostosa do samba. Nós pegamos uma parte da bossa de 2012, estamos pegando os desenhos sem agredir o samba, nos desenhos de Tamborim , uma parte é do ‘Lendas e mistérios da Amazônia’, nós fizemos uma colcha de retalhos para poder fazer o samba, e onde pede samba estaremos fazendo a parte de samba, estamos valorizando a história, é o centenário da escola. Algum ajuste sempre vai ter que ter, porque o ensaio é para isso. Eu gosto de ensaiar segunda, quarta e sexta, e agora domingo na rua. Cada momento a gente vai limpando uma coisa para poder chegar no dia do desfile bem. E o ensaio de rua ajuda na nossa avaliação, porque a quadra é muito fechada. Eu prefiro mais na rua que na quadra”, entende o comandante da Tabajara do Samba.
Nilo Sérgio também revelou que a bateria da Portela vai levar para a Sapucaí 280 ritmistas e comentou sobre o nível de excelência que as baterias chegaram, que impressiona inclusive pelo número de notas 10 que o quesito tem recebido nos últimos anos.
“Eu acho que a tendência é continuar essa excelência porque hoje as baterias tem vários mestres de qualidade, os antigos, os novos que estão chegando aí, e estão dando atenção ao andamento, e estão colocando em prática. E a gente da antiga, se a gente der mole, os novos estão vindo. E cada um vem com a sua característica, com a sua afinação, com as suas bossas. Cada um tem o seu modo de ver do carnaval. A rapaziada nova está vindo bem”, avalia o mestre de bateria.
Mestre-sala e Porta-bandeira
Desde 2018 juntos na Águia de Madureira, Marlon Lamar e Lucinha Nobre, que fizeram uma grande apresentação em 2022, parecem querer repetir a dose e conquistar mais premiações em 2023. Mesmo com os cuidados e dificuldades imprimidas pela chuva, a dupla mostrou bastante intensidade e trouxe um pouco da coreografia que vai levar para a Sapucaí, além de brindar o público com muita simpatia e atenção durante os deslocamentos entre um módulo e outro.
O casal mostrou o entrosamento e a intensidade de sempre. Lucinha impressionava com seus giros e força ao empunhar a bandeira, sempre com precisão nos movimentos. Marlon carregava um leque na mão que ajudava a cortejar a bandeira, em determinado momento por alguns segundos na coreografia apresentada ele passava para a mão de Lucinha. Outro momento de bastante beleza aconteceu no trecho “Deixa a Portela passar” em que o casal jogava beijos para o público. A dupla também fez um movimento de roda em um trecho da coreografia.
O casal explicou a diferença de ensaiar na rua. “Na rua tem a energia das pessoas passando, as coisas vão acontecendo e hoje teve chuva, atrapalha um pouco, mas como a prioridade é o desfile, precisa ser tudo com cuidado”, disse Lucinha. “Como a Lucinha bem falou, na rua tem suas dificuldades, como buraco, por exemplo, aí vai com muito cuidado, mas é uma energia como na Sapucaí, muito gratificante”, completou Marlon.
Lucinha e Marlon também responderam sobre o perfil do julgamento para 2023, se será mais focado na dança ou na coreografia. “A Portela tem uma responsabilidade a mais por seu centenário, o jurado tem um olhar clínico, vai ficar de olho em tudo só pra tirar ponto, mas não será diferente dos outros anos, vão avaliar tudo”, afirmou a porta-bandeira, que também falou da fantasia: “Está em fase de finalização. Plena confiança no trabalho do Fernando Magalhães, com quem nós trabalhamos há anos. Com certeza será bonita e diferente de tudo usado até aqui”.
Evolução
A Portela evoluiu de uma forma satisfatória. Levando-se em conta as dificuldades de uma subida e de uma rua que é bastante apertada, ainda mais pelo número expressivo de pessoas acompanhando o ensaio nas calçadas, a escola conseguiu superar algumas invadidas de pista e o aperto em alguns trechos, até por conta das barraquinhas de vendedores ambulantes, para passar bem. Alguma atenção deve ser dada para se evitar buracos, principalmente, após a apresentação do primeiro casal, que em determinado momento a ala que vinha na frente deixou um pequeno espaço que não chegou a se configurar um buraco, mas gerou uma atenção maior e comentários da própria equipe de harmonia.
No mais a escola fez muito bem os movimentos, de forma organizada. Outro fator a se atentar é o ritmo, no início, a evolução dos componentes se deu de uma forma mais rápida, talvez pelo fato de o ensaio não ter contado com a participação da comissão de frente que ajudaria na percepção de deslocamento. Depois, ao longo do treino, a evolução se deu de forma mais espontânea e cadenciada. Pode-se observar também algumas alas coreografadas que geravam bastante curiosidade do público. A ala “os impossíveis” traziam bastões e faziam uma bonita dança, cada componente bailando de mão dadas com um par.
Outros destaques
Antes do ensaio, a agremiação lembrou a morte do ex-jogador Roberto Dinamite que faleceu neste domingo, através de um minuto de salva de palmas. O jogador era amante do carnaval e chegou a desfilar pela Azul e Branca de Madureira algumas vezes, entre outras agremiações. As calçadas da Estrada do Portela traduziam a participação expressiva do público mesmo em uma noite chuvosa. Era bastante difícil transitar pelos espaços, tamanho o contingente de espectadores que cantavam e dançavam enquanto a Portela passava. A rainha Bianca Monteiro, mais uma vez, mostrou muito samba no pé e interagiu bastante com a comunidade. No esquenta, Gilsinho cantou duas passadas de “Portela na Avenida” deixando em diversos momentos a condução do samba apenas com os componentes sendo correspondido na força do canto da comunidade.
Recém-promovida como campeã da UESP, a Imperatriz da Paulicéia pisou no Sambódromo do Anhembi, na noite de domingo, para fazer seu ensaio técnico. A escola desfila no Grupo de Acesso II. Neste primeiro contato com o principal palco do samba, a Paulicéia fez um ensaio bem interativo, a comunidade cantou, a bateria da mestra Rafa teve destaque, mas o casal sofreu muito com o vento e precisa se adaptar contra esta adversidade. A escola vai cantar “Bem-vindos à Vila Esperança – O Berço do Carnaval paulistano”, e será a primeira a desfilar no sábado, dia 11 de fevereiro, antes tem mais um ensaio técnico no dia 28 de janeiro.
Fotos de Fábio Martins/Site CARNAVALESCO
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Fotos: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO
Comissão de Frente
Com novo coreógrafo, Diego Albornoz assumiu o quesito, e no primeiro ensaio com a escola, já mostrou um pouco das suas características. Uma dança bem chamativa, interativa entre os dançarinos, destaque para um deles que estava à frente e carregava uma barra com duas bolinhas nas pontas e rodava ela. O grupo estava bem colorido na vestimenta, com camisas de vários tons fluorescentes. Em um momento da apresentação formavam duplas, olhando um para o outro, só que em um círculo e ao centro, o componente com o elemento cenográfico em mãos. Outro momento chamativo era quando juntava um trio na frente da comissão e levantavam uma componente em um momento lembrando a ginástica artística.
Mestre-sala e Porta-bandeira
O casal teve problema com o vento no primeiro setor, bem em frente aos Setores A e B, Leila Cruz sofreu para manter o pavilhão durante a dança, enrolando em alguns momentos e o vento puxando para trás. O mestre-sala Ronaldo Ferreira foi dando força para sua companheira, pedindo para manter a calma e ao longo da pista, o casal foi ajustando. É um percalço no Sambódromo do Anhembi, afinal, está muita ventania e chuva em janeiro, mas é preciso corrigir no quesito nos próximos ensaios. Em volta do casal, os componentes formavam um círculo de ‘proteção’ ao casal, todas vestidas de amarelo e calça preta.
Fotos: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO
Harmonia
A animação e empolgação da comunidade era nítida. O retorno foi com a escola cantando o samba-enredo, que é leve, fluiu bem com auxílio do intérprete Fabiano Melodia, interagindo bastante com a comunidade junto com seu time de canto. Uma ala bem alegre foi logo a primeira ala de componentes da escola, com camisa ‘Comunidade da Imperatriz’, mas componentes de outras alas também vestiam.
Outra ala bem animada era uma que andava na lateral do espaço destinado para o primeiro carro, dançavam e faziam coreografia, terá surpresa por ali. Inclusive nos cordões que eram destinados para as alegorias, bandeiras da Imperatriz da Paulicéia despertaram atenção. Assim como a escola usou bastões, brilhos, bexigas, interessante visualmente. As baianas vieram comandadas por uma baiana mirim, que deu um show à parte.
Evolução
A escola vivia uma realidade diferente do que era desfilar na UESP, e neste primeiro ensaio não vieram tão grandes. Portanto, a evolução foi bem tranquila, desfilaram sem correr, e de certa forma leves. Ou seja, a escola soube desenvolver o ensaio e terminar com a comemoração dos diretores de harmonia. Fechando o ensaio vinha uma ala das passistas bem alegres e sambaram bastante, atrás ainda a velha guarda, e uma alegoria com muitas crianças, ou seja, contrastes, mas bem interativo.
Samba
O samba-enredo foi bem conduzido pelo Fabiano Melodia que gosta de se conectar com a comunidade, vai para o meio do povo. Um trecho que explodia na comunidade é “Samba é nossa paixão, um reinado azul e branco coroando a multidão. Meu pavilhão vem da matriz, com a Vila Esperança, tá chegando Imperatriz”.
É um samba leve, gostoso, e com trechos que contam a poesia do carnaval paulistano, citando o grande mestre Adoniran. Portanto, funcionou neste primeiro ensaio. O destaque foi quando a bateria ficou mais solta e levantou refrão já na segunda parte do Anhembi, após passagem pelo recuo.
Outros destaques
A bateria “Swing da Paulicéia”, comandada pela primeira mulher mestra de bateria a pisar no Anhembi, deu um show a parte com suas bossas e afinação. O começo foi tranquilo da bateria, mas depois que saíram do recuo e caminharam para a reta final, a bateria se soltou e fez um ensaio destacado. Na frente da bateria, Ariê Suyane é um show, samba no pé, sorriso no rosto e interage com a comunidade, em momentos do desfile entra pelas alas e sambando muito.
A presidente Mara Lazarini mostrou muita felicidade em estar presente no Anhembi, citando que era o sonho da escola e agora era o momento de a Paulicéia mostrar ao que veio. O retorno da comunidade foi claro de quem está muito feliz com o momento vivido pela agremiação.
Por fim, vale ressaltar a presença de membros de outras escolas auxiliando a bateria da Paulicéia, os mestres Klemen Gioz da Dragões da Real e Zoinho, Império, saíram como componentes na bateria. O diretor da Império da Casa Verde, Tiguês e o mestre Serginho, da Tucuruvi, auxiliaram na evolução ao lado da bateria.
A Unidos da Tijuca festejou na noite de sábado, com a quadra lotada, seus 91 anos de história em sua quadra. A escola organizou um show com os seus segmentos e as outras 11 agremiações do Grupo Especial. A apresentação iniciou com a “Pura Cadência” e os intérpretes Wantuir e Wic, além da equipe do carro de som, relembrando sambas-enredo históricos da agremiação do Borel. Em seguida, houve uma participação do bloco afro Òrúnmilá.
Após a participação do grupo, os outros segmentos da escola começaram a se apresentar. O show continuou com a ala das baianas, a velha-guarda e as passistas. O segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, Rafael Gomes e Lohane Lemos, dançou ao som de “Waranã, a reexistência vermelha”, samba-enredo do ano passado.
A festa da Unidos da Tijuca encerrou com o samba-enredo desse carnaval “É onda que vai… é onda que vem… serei a baía de todos os santos a se mirar no samba da minha terra” junto com a dança do primeiro casal, Matheus André e Denadir Garcia, e a comissão de frente.
Matheus e Denadir comentaram, em entrevista ao CARNAVALESCO, o sentimento de estarem presentes no aniversário de 91 anos da Unidos da Tijuca. “Estar aqui podendo mostrar o melhor do meu trabalho e comemorar junto com a Unidos da Tijuca. Isso é sem explicação. Eu estou muito feliz e muito grato”, disse o mestre-sala.
“É uma felicidade enorme, 91 anos da Unidos da Tijuca. É o meu terceiro ano na escola, mas somente com dois carnavais. Então estou muito feliz, a festa está linda demais”, complementou a porta-bandeira.
O mestre Casagrande esteve no comando da “Pura Cadência” nos três dos quatro títulos da escola. Em clima de aniversário da Unidos da Tijuca, ele relembrou o desfile mais marcante. “Foi 1983. “Brasil devagar com o andor”. Eu acho que é um desfile que marca, porque foi o meu primeiro desfile dentro da bateria da Unidos da Tijuca”.
O intérprete Wantuir, também campeão pela escola, comentou sobre sua relação com a Unidos da Tijuca. “Apesar de eu ter passado em outras escolas de samba do Rio de Janeiro, a Tijuca é minha casa. Eu ir para a casa e ir para a quadra da Tijuca é a mesma coisa”.
Jack Vasconcelos falou sobre a honra de ser carnavalesco da escola e citou nomes históricos que já estiveram à frente do carnaval da Unidos da Tijuca. “É uma honra muito grande estar nesse momento como carnavalesco da escola e estar presente nessa festa. Eu me lembro do Oswaldo Jardim, do Milton Cunha, Paulo Barros, Sylvio Cunha, uma galera que eu admiro tanto. Para mim vem a lembrança dos carnavais incríveis que eu vi quando eu comecei a me apaixonar por carnaval”.
Perguntado sobre qual palavra definiria a Unidos da Tijuca, o carnavalesco e comentarista da TV Globo, Milton Cunha, definiu a escola com a palavra “resistência”. “Porque ela se reinventa. Resiste aos modismos (…)”, afirmou.
A expectativa da escola para esse carnaval é a melhor possível. O diretor de carnaval Fernando Costa garantiu que a escola vem forte para a disputa do carnaval de 2023. “Esse ano eles (os jurados) se preparem que a gente está bem melhor que ano passado. Mas muito melhor”.
As agremiações do Grupo Especial fizeram grandes apresentações. O público presente se esbaldou com os sambas histórias e as obras para o Carnaval 2023. A alegria tomou conta da quadra tijucana. Houve “gritos radiantes” para o presidente Lula e a Mangueira abriu o espaço e os sambistas tomaram conta da exibição da Verde e Rosa. Encerramento apoteótico para o evento que merece estar no calendário anual do carnaval. Parabéns, Tijuca!
A Unidos de Vila Maria realizou na noite de sábado o seu primeiro ensaio técnico para o carnaval de 2023. Serão três treinos que a agremiação irá fazer na passarela. A ‘Vila mais famosa’ é a primeira agremiação do Grupo Especial a ensaiar no espaço neste ano, que terá uma longa temporada. Sobre o ensaio, há pontos positivos e negativos. Destaque para a comissão de frente que remeteu a um espetáculo infantil e danças circenses. Além disso, a bateria de mestre Moleza, novamente, foi destaque na agremiação, embalando a comunidade com seu leque de bossas. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Edgar Carobina e Laís Moreira também teve grande desempenho, dando o tom da Vila Maria no ensaio. A agremiação irá levar para a avenida o enredo “Vila Maria, Minha Origem, Minha Essência, Minha História! Fonte de Amor Muito Além do Carnaval”, onde contará a história do seu bairro e da própria escola. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO
Comissão de frente
Foi um dos pontos positivos da escola. A ala dançava aparentando estar na infância. Dava para ver cambalhotas, sorrisos, abraços e danças dos componentes de um lado para o outro ocupando todo o espaço possível da pista. Os integrantes usavam uma fantasia colorida com azul predominante, rostos pintados e nariz de palhaço. Esse tipo de comissão de frente interpreta-se que é uma representação da população do bairro da Vila Maria na infância. Ou seja, as lembranças carinhosas dos primeiros momentos no local.
Fotos de Fábio Martins/Site CARNAVALESCO
Harmonia
A escola optou por um samba diferente, mas o ritmo intenso que ele pede, ainda precisa ser melhor treinado. Houve desencontro de canto entre as alas. A obra pegou na comunidade, mas ela precisa ser trabalhada. O volume do canto deu para ouvir a partir do segundo setor, pois o primeiro foi praticamente nulo. A entonação foi evoluindo gradativamente, mas mesmo assim a irregularidade continuou. O departamento de harmonia caminhava pela pista e voltava para corrigir os versos. Destaque positivo para a Ala Narita, que não parou por um segundo.
“Pelo primeiro ensaio, confesso que a gente estava esperando um número de componentes menor, até em razão do tempo. Frio, chuva, virada de ano e não fizemos nenhum ensaio geral de quadra para esquentar o povo. Fizemos um ensaio rapidinho com algumas alas para não chegar tão gelado aqui, mas confesso que surpreendeu bastante a gente. O recuo de bateria que normalmente tem sempre um problema para acertar, hoje nós acertamos. Precisamos corrigir uma parte da evolução ainda. Principalmente no retorno da bateria, onde a escola dá uma ‘aceleradinha’. É só fazer um breve ajuste no quesito evolução”, disse Cesinha, diretor de harmonia.
Sobre a irregularidade no canto entre as alas, o diretor revelou que é a falta de componentes. “Isso é a falta de componentes que não chega na escola. Hoje mesmo chegaram pessoas de outras regiões e é a primeira vez que eu estou vendo na escola que não participaram de nenhum ensaio de quadra, não pegaram o samba e só vieram. Então vamos participar. Estamos com uma logística com essas pessoas que estão vindo pela primeira vez porque o carnaval já está aí. Dia 17 de fevereiro está chegando e eu tenho pouco mais de 30 dias para trabalhar isso e eu tenho certeza que o quesito harmonia vai ser um dos pontos cruciais na hora do desempate para definir a campeã do carnaval”, completou.
Mestre-sala e porta-bandeira
O casal Edgar Carobina e Lais Moreira enfrentou um forte vento, porém não se deixaram levar. A porta-bandeira, principalmente, deslizou no solo do Anhembi. A energia que ela tem com seu pavilhão é muito grande. O mestre-sala é um grande protetor. A sincronia entre os dois no treino foi muito satisfatória. Executaram os protocolares giros horários e anti-horários, coreografia dentro do samba e, o mais importante de se notar, sorriram bastante e interagiram com o público, principalmente, em frente ao setor B. Edgar até fez ‘coraçõezinhos’ para a arquibancada. Eles mostraram o pavilhão com muita garra e arrancaram aplausos da torcida e das pessoas presentes na arquibancada.
Lais avaliou o seu ensaio e a emoção de ostentar o pavilhão da Vila Maria. “Foi tudo muito bom… ou melhor, bom. Por ser o primeiro, foi bom. Ainda temos que consertar muitas coisas. Hoje ainda teve muito vento, porém foi um bom ensaio para sentir o clima. Era um ensaio realmente técnico, para sentirmos a pista e ver o que precisamos corrigir dentro do nosso trabalho. Treino é treino e jogo é jogo. A gente poderia ter feito melhor, mas foi muito bom. Nós dois trabalhamos muito e somos muito perfeccionistas. Nunca vai estar excelente e maravilhoso. Quando acharmos que está suficiente, não chegaremos no objetivo que queremos. A energia estava agradável, o público compareceu, a escola está lindíssima. Isso tudo fortalece, anima e contribui muito para o resultado do ensaio. Carregar o pavilhão é uma responsabilidade tão grande… A cada dia podemos entregar mais para essas pessoas que lutaram por essa história. A gente pode mais, não podemos nos contentar com o que nós apresentarmos. As nossas, não a das pessoas”, declarou.
Edgar falou sobre os acertos que se deve fazer. “Tem alguns pontos no Sambódromo do Anhembi que o vento é muito forte. Esses ensaios são para tentar consertar para que, no dia, se acontecer uma eventualidade dessas, a gente saiba como reagir na hora. Nesse momento o vento é bem-vindo, para podermos praticar. É um pouco desconfortável principalmente para a Laís, que carrega o pavilhão, porque força muito o braço dela. Para mim, quando a bandeira fica aberta e faz uma corrente de vento, pode me prejudicar. A cada dia, a cada ensaio, quando ouvimos esse samba, é muito impactante. O ‘respeite a nossa história’ é sensacional. No decorrer do samba, letra por letra, palavra por palavra, você vê que é um samba muito bonito e dá um combustível muito forte para gente. Representa muito bem a nossa comunidade, o nosso povo, a nossa escola. É uma coisa surreal, só quem é Vila Maria sabe e pode dizer”, afirmou.
Evolução
O desempenho neste quesito foi mediano. Entra na mesma questão da harmonia. Algumas alas se destacam muito e outras nem tanto. Não houve regularidade. Podemos notar componentes durante o ensaio evoluindo de forma lenta e outros quase andando. Ficar ‘parado’ é um erro grave. Entretanto, teve componente que demonstrou tamanha alegria o tempo todo. Pulou e sambou do início ao fim. Destaque para o alinhamento das alas que foi feito corretamente em todos os setores, não deixando buracos ou espaços visíveis na pista. Vale ressaltar o ótimo movimento feito para a bateria entrar no recuo. Ala de passistas e rainha de bateria preencheram o espaço.
Samba-enredo
É um samba diferente do habitual para a Vila Maria. Tem uma melodia para frente e andamento com um gás lá em cima. Nos anos anteriores, a aposta era em um samba mais ‘lento’. Essa mudança pode ser positiva, pois permite o componente brincar e evoluir de forma leve. O intérprete Wander Pires se adaptou prontamente à obra e vem colocando a comunidade da ‘Vila mais famosa’ para frente. As partes mais cantadas são os versos: ‘Bem mais que um caso de amor, muito mais que um caso de amor’, ‘A fé nos guia, Senhora Maria’ e os refrões principal e do meio.
Wander Pires avaliou o ensaio e seu trabalho com o mestre Moleza. “Nossa, foi maravilhoso. Eu fiquei surpreso. No primeiro ensaio foi maravilhoso! O samba é uma coisa muito linda, uma escolha do samba certa pelo presidente Adílson José. O mestre Moleza, com a Cadência da Vila, está maravilhoso. A escola está cantando o samba… gente, foi um ensaio emocionante. O segundo será melhor, o terceiro será melhor ainda. E o desfile será algo divino, para todo mundo chorar. A parte do samba que eu mais gosto eu acho que é a ‘bem mais que um caso de amor’. Também acho muito forte a ‘respeite a nossa história, são anos de glórias. O mestre Moleza, com a Cadência da Vila, é uma pessoa maravilhosa e muito fácil de se conversar e trabalhar. Ele sabe que o meu negócio é cantar, eu não me meto em nada. A minha praia é cantar. Eu, com a bateria, jamais terei alguma objeção. Só tenho a agradecer o que ele faz. É uma coisa maravilhosa cada bossa que ele faz, são coisas de outro mundo. Acho que ele está conectado em outra coisa quando ele cria essas bossas. A Cadência foi um dos setores que me trouxeram, junto com a presidência. Eles têm muito a ver com a minha estada na Vila Maria”, declarou.
Outros destaques
A rainha de bateria, Savia David, esbanjou simpatia e samba no pé frente à Cadência da Vila. A sambista estava usando uma roupa na cor azul clara. A bateria Cadência da Vila, sob regência de mestre Moleza, mostrou que não vem para brincadeira. Novamente, mostrando um grande repertório de bossas. É a característica principal da batucada. Destaque também para afinação e desenho de tamborim.
O diretor de bateria da agremiação, mestre Moleza, falou sobre o desempenho de sua bateria. “A gente tinha uma preocupação grande por ser um ensaio logo após as festas de fim de ano, até em termos de contingente, por termos uma bateria muito jovem. Graças a Deus, aos nossos projetos sociais, a nossa bateria mirim e a escolinha de bateria, nós temos um apelo muito forte e uma identidade muito forte com a Unidos de Vila Maria e a Cadência da Vila. O pessoal responde ao nosso chamado. Fizemos uma mobilização, chamando um por um, e o resultado foi esse daqui, com a bateria praticamente completa, com a galera que vai desfilar na sexta-feira de Carnaval. Tudo que a gente ensaiou, fizemos aqui. Conseguimos fazer de forma limpa e clara. Uma proposta muito ousada de bateria, de frases, rítmicas, bossas, e também trazendo uma homenagem a todos os mestres que deixaram esse legado para conseguirmos fazer esse trabalho”, comentou.
O diretor também falou dos pontos que devem ser aprimorados. “Acho que essa questão do preparo físico. A gente fica um tempo parado nas festas, e a gente vem pra cá e sente essa coisa de tocar a bateria toda junta, fazer um esquenta grande e tocar 65 minutos. Com essa carga de ensaios de janeiro, principalmente ensaios de rua e os próximos ensaios técnicos, a gente vai chegar melhor preparados fisicamente. A partir do momento em que chegarmos melhor preparados fisicamente, você executa melhor a sua proposta com mais tranquilidade, você não chega abrindo o bico. Como em qualquer esporte. A bateria também, sejam as alas ou a parte de evolução, precisa desse condicionamento físico. A gente vai trabalhar bastante para deixar a nossa proposta ainda mais limpa e mais clara”, completou.
Moleza enalteceu uma bossa específica que se localiza no refrão do meio. “A gente tem umas coisas bem legais, como o nosso refrão do meio por exemplo. Ele fala “No meu lugar toca samba de primeira, é a cadência que faz a Vila sambar”. Nessa hora, os surdos de primeira fazem um solo e fazem sambar. A gente vem com umas frases com influência de axé, de repique de anel do pagode e do samba, característicos da antiguidade. Essa bossa é a que promete ter um impacto maior aqui com as arquibancadas lotadas. Fiquem ligados nela, que a gente vai ouvir aquele frisson que a gente está acostumado a ouvir no dia de desfile”, finalizou.
No primeiro dia de ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi, o Vai-Vai foi a segunda escola a pisar na pista. Com a harmonia levando de maneira afinada o samba, mas com evolução inconsistente em diversos momentos, a Saracura encerrou sua passagem na Avenida com 62 minutos. O enredo “Eu Também Sou Imortal” é uma reedição do Carnaval de 2005 da escola do Bixiga, que será a quarta a se apresentar no domingo dia 19 de fevereiro. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO
Comissão de Frente
Abrindo a apresentação do Vai-Vai, a Comissão de Frente veio fazendo diferentes alusões à imortalidade. Apesar de não usarem fantasias, foi perceptível interações entre os componentes que lembram o amor e a religião. A coreografia durou duas passagens do samba, e ao menos nesse ensaio não fez uso de algum elemento alegórico. O quesito, que se mostrou problemático para a escola nos últimos anos, se mostrou seguro neste ensaio geral e pode render belo espetáculo no desfile oficial.
Fotos de Fábio Martins/Site CARNAVALESCO
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira do Vai-Vai, formado por Renato e Fabíola, iniciou sua apresentação demonstrando grande sintonia no primeiro setor. Muito comunicativa entre si, a dupla passou a encarar na metade final da Avenida um vento considerável, que dificultou a dança de Fabíola em diferentes momentos-chave. Apesar da intempérie, o pesado pavilhão da “Escola do Povo” foi bem defendido pelo casal, que ainda tem tempo para acertar o trato com situações adversas.
Harmonia
Ponto mais forte do ensaio, a harmonia do Vai-Vai mostrou que o clássico samba de 2005 segue na ponta da língua. Um coral fluído, que respondeu bem em momentos de bossas e paradinhas. Destaque especial para as alas coreografadas, que mesmo durante suas encenações cantaram de maneira valente a obra da escola.
Evolução
O quesito precisará ser trabalhado com cuidado pela escola. No começo do ensaio, faltou fluidez às primeiras alas, que ficaram em um anda e para constante. O recuo da bateria, feito com a ala se virando dentro da pista, foi feito com excelência. Já para a parte final da apresentação, houve um pequeno avanço da ala à frente do espaço do terceiro carro que pode ser acertado. Ao final, o Vai-Vai diminuiu o ritmo e chegou a parar na pista em alguns momentos, uma situação que não seria vista em condições normais de desfile, mas que fez a escola ultrapassar em dois minutos o limite de tempo do Grupo de Acesso de 1 hora.
Samba-Enredo
Um clássico tratado com muito carinho por Luiz Felipe e o time de canto do Vai-Vai. O samba rendeu no ensaio e contribuiu para o bom desempenho da harmonia. Quesito tradicionalmente forte da escola, se destacou nos momentos das bossas e das paradinhas. Um refrão forte, antecedido de versos com a cara da comunidade, fazem do quesito aliado importante nas pretensões da Saracura.
Outros destaques
O Vai-Vai mostrou que apostará em peso nas alas coreografadas. Em diferentes momentos do ensaio, alas mostravam passos próprios e sincronizados. Em uma delas, componentes caracterizados levemente como Zé Pilintra e Maria Padilha eram cercados de Pretos Velhos, cada um com sua atuação própria, de uma beleza ímpar. A madrinha de bateria chamou atenção com uma fantasia lembrando a fênix, ave mitológica que renasce das cinzas. Com a rainha Verônica Bolani, contribuíram ainda mais para o espetáculo promovido pela bateria Pegada de Macaco, que começou o ensaios discreta, mas passou a apostar com maior frequência nas bossas e paradinhas conforme o samba foi crescendo na Avenida.
A “Escola do Povo” resgata um enredo histórico em mais um momento de superação. Com uma mensagem que remete à sua importância para o carnaval de São Paulo, o Vai-Vai deu uma amostra do que o público vera no domingo de carnaval. Salvo pelos acertos necessários no quesito evolução, em geral a Saracura está disposta a provar o porquê merece estar no Grupo Especial, e tem muitas armas a seu favor para alcançar seu objetivo.
O primeiro ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi foi da Camisa Verde e Branco, a agremiação que cantará ‘Invisíveis’ em 2023 está no Grupo de Acesso I e busca o retorno para o Grupo Especial que não disputa desde 2012. Um ponto é que a escola não veio tão grande, fez um treino sem erros graves, buscando ser compacta, mas o canto e evolução no primeiro setor ficaram devendo na apresentação. O Camisa Verde e Branco será a terceira escola a desfilar no domingo, dia 19 de fevereiro, antes disso tem mais dois ensaios técnicos marcados nos dias 21 de janeiro e 03 de fevereiro. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO
Comissão de Frente
A comissão de frente veio em grande número e fez uma dança que despertou os olhares do público. Em um determinado momento, um destaque que ficava interagindo com seus companheiros na dança e geralmente estava à frente de todos, era erguido pelos homens, em uma alusão a cruz, e as mulheres ficavam ao redor dos dançarinos, formando um círculo.
Fotos de Fábio Martins/Site CARNAVALESCO
Lembrando que o tema é sobre os ‘Invisíveis’, então, teremos surpresas do coreógrafo Jonathan Paulino. A dança foi bem interativa e no sincronismo nos passos dos componentes. Pois alinhavam hora pelo meio com todos, hora dividia uma parte para cada lado da pista ou mesmo duas fileiras pelo meio com agachamento e movimentando as mãos todos ao mesmo tempo. O uniforme foi bem variado, camisas de times de basquete e até de futebol.
Mestre-sala e Porta-bandeira
A chuva e o vento começaram durante a apresentação do “Trevo”. O casal vestido de branco e dourado com detalhes verdes, Alex Malbec e Jessika Barbosa, fez uma passagem de muita conexão, toques e olhares chamaram atenção. As apresentações no primeiro setor foram dentro do esperado e levaram o público com o sorriso e a interação com o público principalmente no Setor B que começava a lotar naquela altura. Driblaram o percalço que estava o vento, o principal desafio neste ensaio. O ponto positivo na dança com certeza foi o sincronismo de modo geral, e a apresentação do pavilhão durante o percurso com todo um ritual de conexão.
Harmonia
O primeiro setor da escola cantou pouco, era muito baixo escutar desde a comissão de frente até a Velha Guarda que veio no meio da escola. Depois vieram setores animados e interagindo mais com o sorriso no rosto. Um setor que despertou atenção foi a ala coreografada, logo após o primeiro casal, eles davam as mãos em trechos do samba e se unia em referência a ‘igualdade e respeito’, bem representativo.
Além da ala bem animada das passistas plus size que veio no final, e das passistas que mostraram muito samba no pé, levantando público. A ala que foi destaque pela animação e canto foi ‘Ala o Samba é o nosso ideal”. A ala das baianas veio de branco e passaram por cima de qualquer chuva, rodaram e interagiram sendo aplaudidas pela arquibancada. A velha-guarda de verdão, roupa linda, foi bem simpática na sua passagem, assim como a ala das crianças. Na sequência das crianças, uma ala com a bandeira do Brasil, o samba tem um trecho que fala ‘Brasil, verás que um filho teu não foge a luta’.
Evolução
Com uma comunidade mais enxuta, o “Trevo da Barra Funda” fez um ensaio seguro e próximo dos setores, sem deixar espaços entre eles. Mas ao mesmo tempo, faltou mais interação e um desfile mais leve no primeiro setor, ou seja, um único ritmo da escola. Por um momento estavam em um ritmo mais lento que o restante que veio mais animado e solto.
Tem pontos a melhorar por conta disso, precisa ter uma conexão geral entre todos os setores da escola. No mais, terminou o ensaio sem riscos no tempo, dentro do cronograma, afinal com as alas bem próximas umas das outras, evitando assim erros.
Samba
Parceria Clóvis Pê e Igor Vianna, recém chegado, desenvolveu uma troca no esquenta e durante o samba mostraram entrosamento diria que promissor para uma dupla iniciante junta. Mas, após o desfile, Clóvis Pê se desligou da escola por não se alinhar com o novo intérprete, relatou em nota na rede social: “Resolvi ver como seria o ensaio técnico, o primeiro ensaio com o grande intérprete Igor Vianna, e nossos perfis são muito diferentes” e em outro momento da carta disse: “Não tenho problema em dividir microfone, mas tem que ter o mesmo perfil vocal e muitas outras coisas que só quem divide sabe. Não cabe a quem não entende de música e a importância da ala musical questionar minha decisão”.
Sobre o samba ressalta muito toda a temática de resistência, e, portanto, tem trechos como “Até quando a pobreza irá sustentar, a riqueza de homens que assolam o país? E o Camisa é a força de expressão. E a Barra Funda um canto que nos faz feliz”. Fatores que realmente alavancaram a comunidade, seja no canto ou também na expressão dos componentes, conseguiram trazer a mensagem do enredo neste samba. Ou seja, essas partes do samba trazem muitos sinais de resistências como “Contra todo opressor. Nossa fé é munição. Resistindo com amor, pela nossa Nação. Em cada livro se escreve a esperança, pro futuro da criança”, as alas simbolizavam cada um com as mãos, seja o punho levantado, batendo no peito, e outras maneiras.
Outros destaques
A bateria da “Furiosa da Barra”, comandada por mestre Jeyson Ferro, passou na segurança seguindo o ritmo do samba que tem seu destaque no refrão quando a escola canta mais forte no toda ‘força de expressão’. Fizeram uma passagem tranquila, sem ousar muito nas bossas, fazendo dentro do regulamento e sustentando o samba.
A musa da bateria, Hariadne Diaz veio com um look branco com dourado que despertou atenção, e uma espada nas mãos. A rainha Shopia Ferro apostou no verde, cores da escola, e com notas musicais e o trecho do samba “Brasil verás que um filho teu não foge a luta”, e outra parte com “Igualdade e respeito” quando abria os braços, bem marcante. Junto com elas, um componente com o pandeiro na mão brinca bastante com a musa e rainha, também com a bateria, sendo outro destaque no setor.
O carnavalesco Renan Ribeiro (foto) é sempre muito atuante no desfile, na comunidade, participa de setores, fala para a comunidade, e ela retorna com o tradicional “Salve”.