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IV Baile de Passistas e II Encontro APASB Nacional celebram mestre Careca e a cultura das alas de passistas no Brasil

A Associação dos Passistas de Samba do Brasil (APASB) e o carnavalesco Milton Cunha organizaram no domingo o IV Baile de Passistas e o II Encontro APASB Nacional na Cidade do Samba. O homenageado do evento foi o histórico passista Arandi Cardoso dos Santos, o Careca do Império Serrano, pioneiro na criação das escolas mirins ao fundar o Império do Futuro. Estavam presentes no encontro 57 alas de passistas de diversas partes do Brasil, representando o sonho, a tradição e a força da dança de passistas no carnaval.

Os primeiros momentos do baile foram dedicados a valorizar a trajetória de dedicação ao samba de Careca. Milton Cunha acredita que um evento desse porte tem um um importante caráter educador e, por isso, se torna relevante trazer uma figura como Arandi Cardoso dos Santos. Segundo Nilce Fran, presidenta da APASB, a escolha do homenageado partiu da vontade de falar de um representante do rabiscado que pudesse ser reverenciado ainda em vida com uma trilha de muitas conquistas.

“Mestre Careca representa com todo garbo o samba no pé, o rabiscado, a dedicação ao samba. Esse ano, nós estamos trazendo um estandarte de ouro, criador da primeira escolinha mirim, Império do Futuro. Então o foco foi trazer um homem que tivesse força no segmento passista e se dedicasse ao Carnaval”, explicou a presidenta ao CARNAVALESCO.

A professora Raquel Valença do Império Serrano discursou em homenagem ao pioneirismo de Arandi Cardoso dos Santos. Reforçou a responsabilidade social que o homenageado incutiu nas escolas de samba e evidenciou como o Careca foi importante para a construção da relevância dos passistas dentro do Carnaval. O professor Hélio Rainho complementa considerando o homenageado do dia um “Pelé” do samba e afirma que as escolas de samba se tornam grandes pelas figuras lendárias que ela possui, portanto, Império Serrano um dos gigantes por ter Careca entre seus integrantes ilustres.

A abertura do II Encontro APASB Nacional foi com a Escola Carioca de Danças Negras do Andaraí. Um grupo de cinco dançarinos interpretando malandros saudaram o ilustre convidado da noite. As reverências se seguiram quando o mestre Careca dançou com as escolas mirins do Rio de Janeiro e, posteriormente, foi cumprimentado pelos coordenadores de todas as alas de passistas presentes.

Sobre a fundação de escolas mirins, Careca descreveu: “Em 1979, o Ano Internacional da Criança, eu era vice-presidente do Império Serrano. Falei para a diretoria que queria botar uma ala de criança na frente do Império, mas não deixaram. Anos depois, com ajuda de uma série de pessoas, mas o primeiro a abraçar a ideia foi Martinho da Vila que assinou comigo o estatuto da fundação da escola”.

O IV Baile de Passistas e II Encontro APASB evidenciaram a diversidade de pessoas que a dança e o samba são capazes de abarcar. Como o evento tinha um caráter nacional, passistas de Brasília, Belo Horizonte, Manaus e São Luís do Maranhão estiveram presentes representando as sucursais da associação espalhadas pelo país.

Além disso, o samba abriu passagem para a diversidade de corpos, deixando claro que qualquer um pode ser passista. A ala de passista Plus no Rio de Janeiro levou um cartaz dizendo “O samba pede passagem e não o nosso manequim”, uma manifestação contra a gordofobia. Em outro momento, o apresentador Milton Cunha convidou ao palco a musa Vivi da Viradouro, uma passista com nanismo que protestou e conseguiu a mudança de regra do concurso de rainha do Carnaval carioca que exigia uma altura mínima e agora não mais. Por fim, os organizadores do evento selecionaram a musa do baile deste ano: a passista Shayene Pão Doce, uma mulher transsexual. A musa sambou com a Corte do Carnaval Carioca.

As escolas de samba do Rio de Janeiro de diversas séries e ligas marcaram presença. Escolas da Grupo de Avaliação, da Livres e Séries Bronze, Prata e Ouro fizeram apresentações marcantes. Um dos destaques do dia foi a Flor da Mina do Andaraí e a Arrastão de Cascadura pela Série Prata e a Estácio de Sá pela Série Ouro que apresentou um lirismo, segundo Milton Cunha, ao trazer Luís Melodia e sambas clássicos.

As escolas do Grupo Especial fizeram um show à parte. A primeira a subir no palco foi Mocidade Independente de Padre Miguel que se apresentou com a Unidos de Padre Miguel e a Engenho da Rainha todas coordenadas por George Louzada, um dos apresentadores do IV Baile de Passistas. Também antes de cair a noite, a Portela fez sua apresentação. Todos os integrantes da azul e branco de Oswaldo Cruz vieram do projeto “Samba para Sempre” da escola.

Para a abertura do bloco de escolas de samba do Grupo Especial, a vice-campeã Beija-Flor fez seu show com direito à presença da rainha de bateria Lorena Raíssa. Lorena havia ido como passista no baile de 2022 e hoje representa esse sonho de muitas passistas das agremiações.

As representações aos orixás marcaram apresentações do Paraíso do Tuiuti, da Unidos da Tijuca e do Salgueiro. Elas trouxeram mensagem de paz e força, sem deixar de lado a ginga e o rabiscado dos passistas. Não só a Tijuca trouxe baianidade, como a Mangueira fez sua apresentação referenciando Bahia e os clássicos da escola.

Outras escolas marcaram pelo modo como levantaram a plateia. Vila Isabel trouxe a gafieira e botou na frente a princesa mirim de 2023, firmando que o talento vem de berço. Império Serrano veio com forte samba no pé ao som da ‘Aquarela brasileira’. Já a Imperatriz Leopoldinense fez uma coreografia marcante com referência ao cangaço que será retratado pelo enredo da escola em 2023. A campeã Grande Rio fechou a noite de baile com o samba enredo deste e distribuiu pirulitos para a plateia.

Ao final do evento, Milton Cunha comenta o saldo positivo do evento: “Me impressiona como cada dança de um jeito, como cada se veste de um jeito, como cada ala cria sua própria pegada. É um povo muito criativo, muito artístico. Tem trilha sonora, cenário. São sete horas de arte profunda! Eu estou satisfeitíssimo”.

A realização desse evento só foi possível porque pessoas como Milton Cunha e os fundadores da APASB, Nilce Fran, Aldiona Sena, Dhu Costa e Bruno Tete. sonharam com sua criação. A presidenta Nilce Fran reflete que “o propósito é a união do segmento e a parceria”. E o trabalho da Associação de Passistas não se restringe ao encontro.

“Nós estamos no decorrer desses realizando coisas como lives, encontro para bate-papo, o ‘Passista Enem’ – reunimos passistas professores formados ou formandos para ajudar – fizemos workshops”, comentou Nilce sobre a importância da associação.

Em 2022, os passistas de samba foram considerados Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Rio de Janeiro, uma conquista da APASB e de todo povo do samba. Eventos como IV Baile de Passistas e II Encontro APASB Nacional reforçam a potência cultural, de resistência e de tradição do samba.

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