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De volta para Beija-Flor, Gabriel David diz que Liesa precisa de nova ‘chacoalhada’ e defende mudança total na gestão dos camarotes

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O PodCarnavalesco recebeu na Biblioteca Parque, no Centro do Rio, o diretor de marketing da Liesa, Gabriel David, que fez um balanço do trabalho no carnaval carioca, pontuou alguns fatores e falou sobre seus desejos na Liga. Confira os pontos mais importantes e toda a expectativa para o Carnaval 2023.

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Foto: Octacílio Barbosa/Divulgação Alerj

“Na minha sincera opinião não é um balanço positivo, me sinto muito frustrado ainda dentro da Liesa. Claro que existem conquistas e elas devem ser comemoradas, mas sendo sincero, o que me move não são as conquistas e sim o processo. Porque está sendo muito ruim, mesmo nas conquistas, o processo é muito ruim, isso me frustra muito, mas ainda acredito. Importante deixar muito claro, acredito que a Liga possa melhorar, que o carnaval possa melhorar em vários aspectos. A gente está precisando de uma nova chacoalhada, tivemos uma grande com a saída do Jorginho Castanheiro, mas precisamos. Não estou falando da saída do Perlingeiro, mas precisamos de mudanças”.

Escolas de samba no mercado digital”
“As escolas de samba têm uma representação social brilhante, perfeita. Quando falamos de inserção no mercado qual seria a competição delas no mercado, teriam outras empresas que competiriam com elas? Eu diria que não, é um produto único se pensarmos como mercado. As escolas evoluíram muito, principalmente no pós pandemia no campo digital. Estão caminhando para um ritmo melhor, estou falando há algum tempo é que a liga melhore por elas. As escolas têm uma capacidade de criação, inovação e adaptação muito grande o que falta é a liga forneça para elas maiores possibilidades, sejam elas financeiras, de contato de que tenha gente exclusivamente trabalhando que não seja só para fazer carnaval.

A cereja do bolo do carnaval nem as escolas de samba e nem a liga tem, esse que é o problema, o espaço. Há mais estão usando o carnaval. Usa-se o que tem paixão no mundo o tempo todo, quando se fala em termos de mercado é assim que os grandes esportes ganharam dinheiro; é assim que a NBA evoluiu, o futebol a mesma coisa. Então com o carnaval não é diferente, quando você tem paixão as pessoas querem estar não necessariamente para ver o espetáculo, mas para falar que estão. O famoso ver e ser visto, a Sapucaí é para ser visto, comercialmente falando ela sempre foi isso. Quando você está fazendo alguma coisa para rentabilizar dentro do carnaval precisa ter isso na cabeça, que aquilo ali é o que as pessoas mais querem quando elas vão para o sambódromo. E a liga não tem isso, espaço para receber as pessoas, como a maioria das escolas também não tem”.

Criação do Museu do Samba
A gente tem um projeto de museu que já avançou consideravelmente neste ano também, é uma coisa que a gente não vai divulgando, mas o preparo do museu está rolando na Cidade do Samba, espero na verdade que no máximo em dois anos ele esteja pronto e inaugurado”.

Receitas financeira do carnaval
“O dinheiro público é muito fundamental para as escolas hoje, vindo da prefeitura e do governo do estado. A gente tem essa receita, a da Globo que é a segunda maior receita do carnaval e a principal e maior receita disparada é a da venda dos camarotes. Isso é um fato, são dados públicos e não tem questionamento sobre isso”.

Camarotes na Sapucaí
“Eu vou ser bem direto, os camarotes precisam acabar. Para as escolas terem a vida comercial que acabamos de falar, para elas poderem crescer, a primeira coisa que tem que ser feito é a Liga acabar com os camarotes. Faz uma colaboração com os produtores que já estão ali, mas tirar os empresários, eu sou um deles. Tudo ali tem que ser da Liga, assim você vai poder dizer, a Liga está certa ou está errada. Hoje não. Ela repassa tudo e assim os erros também são repassados e os acertos também. Para isso acontecer é preciso convencer quatro pessoas, o governador, prefeito, principalmente, e convencer dois membros do Conselho da Liga. Fazendo isso você pode comprar briga com quem quiser”.

Som alto dos camarotes e invasão da pista
“Sobre a invasão de pista não vai ter nenhuma portinha em nenhum camarote, eu pessoalmente fui na Sapucaí fiscalizei tudo isso em todos ensaios técnicos tem uma equipe fiscalizando por lá, todas as portinhas foram cerradas, só vai ter uma que é da própria Liesa, que não vai ter problema, porque todas as pessoas que estão ali são credenciadas. Acredito eu, que invasão de pista não vai acontecer, a não ser que tenha uma falha de segurança. Ano passado teve falha. Na verdade, teve uma quebra de contrato dos camarotes com a Liesa, que eu confesso que queria ter sido mais duro. Mas é uma opção que não cabe a mim, eu teria multado todos os camarotes. Mas entendo volta de pandemia, muitos dando prejuízo, querendo ou não é uma receita para a Liga, então pegou-se mais leve com esse caso. Espero que se algo acontecer esse ano, como está tudo explícito no contrato, realmente seja cobrado as multas altíssimas. O som é um ponto que está no contrato de todos os camarotes, a multa é significamente alta, espero eu que isso seja cobrado caso aconteça. Fora isso o que vai ter é o teste de som de todos os camarotes que vai ser acompanhado pela produção da Liga”.

Relação com o pai
“Ele ainda tem muita vontade com o carnaval e vai ter para sempre. É um amor que temos em comum, eu vejo que a idade vai mudando algumas coisas, mas o tesão e o amor que ele tem pelo carnaval é uma coisa inacreditável. No início ele nem queria que eu me envolvesse com a Liesa já tivemos várias discussões, hoje em dia não. As vezes pergunta uma coisa ou outra, porém eu pergunto mais, quando tenho dúvidas de algo mais sério mais delicado, ele sempre me aconselha. O que compartilho com meu pai é um amor muito grande pela Beija-Flor e um desgosto muito grande pela Liesa, ele também tem esse lugar muito claro dentro dele. Meu pai é um dos principais se não for o principal fundador da Liesa e sinto que ele foi vendo a Liga caminhar para um lugar”.

Futuro presidente da Liga?
“Eu me interesso, não vou dizer que sou um candidato para 2024, porque isso não é uma escolha minha e sinto também que muita gente ainda me vê como só um garoto que tem muito a crescer e a mostrar, sinto que isso pode pesar. Eu diria assim, se eu contar nos dedos a quantidade de presidente que me canta por causa disso, eu teria a maioria tranquilamente, para ser sincero eu jamais entraria no embate, eu respeito a hierarquia ali, sei quem manda e sei que um norte vai ser traçado e acredito que não serei um nome a ser escolhido. Tem uma pessoa que eu queria muito que fosse, considero que poderia ser um ótimo presidente que é o Júlio Guimarães, coordenador de jurados, já trabalhou na Liga há muito tempo foi assistente do Jorginho. Um cara que viveu e entende muito da Liga, mas eu não sei se ele quer”.

Reestruturação da Beija-Flor

“A escola não planejou a saída do Laíla, eu não planejei a saída dele, para mim ele ia morrer na Beija-Flor. Reestruturar foi muito difícil. O carnaval em 2019 foi total responsabilidade minha. O que faltou de fato em 2019 foi a figura do diretor de carnaval, o Almir e eu ficamos sobrecarregados, tínhamos os afazeres normais da escola ainda tinha toda essa ralação, fui descobrindo certas coisas que acontecia, no meio do processo.  Precisava de um tempo para se reestruturar. A vantagem é quando você tem uma escola com a estrutura igual a da Beija-Flor, mesmo se você muda uma figura tão grande igual ao Laíla, em três ou quatro anos você volta com potência máxima e favoritismo”.

Retorno do apoio federal para o carnaval
“Não tem nada assinado, a gente foi lá, eles gostaram da ideia, o governo federal tem a intenção de patrocinar não só o carnaval do Rio, mas de outros estados do Brasil também. Claro que o tempo é algo que dificulta muito isso, mas eu acredito que esse patrocínio possa ser concluído ainda para 2023. E para 2024 a gente possa se relacionar melhor com o ministério da Cultura, conversei com a presidente da Mangueira, que é muito próxima da ministra Margareth Menezes, para que a gente possa criar uma pauta para mostrar alguns pontos do carnaval como um todo. Ela (Guanayra) está sendo uma baita parceira para gente poder aproximar mais o governo federal com o carnaval”.

Veja abaixo o PodCarnavalesco na íntegra com Gabriel David

PodCarnavalesco recebe Gabriel David, diretor de marketing da Liesa

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Série ‘Barracões’: São Clemente promete desfile alegre e irreverente ao inverter a lógica da colonização

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A São Clemente vai desfilar, na Marquês de Sapucaí, uma subversão do descobrimento do Brasil. O que aconteceria se os nossos povos originários tivessem ido para as terras europeias e não o contrário? O enredo do carnavalesco Jorge Silveira intitulado “O Achamento do Velho Mundo” se propõe ser uma viagem lúdica e divertida que se passa em um período de um dia começando na manhã, assim que o Sol aparece, e terminando em uma grande festa à noite, nas novas terras chamadas de Euroca, em vez de Europa.

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Fotos: Matheus Vinícius/Site CARNAVALESCO

Jorge Silveira havia imaginado esse carnaval anos atrás, quando fazia uma versão virtual da festa. Ele chegou a apresentar a temática para o desfile de 2018, o seu primeiro na São Clemente, mas a diretoria já estava planejando homenagear os 200 anos da Escola de Belas Artes. O carnavalesco passou três anos no barracão da agremiação, fez um carnaval exclusivamente em São Paulo pela Dragões da Real e volta desse hiato para a São Clemente, onde conseguirá colocar na Avenida o seu plano inicial.

“Eu sempre parto para criar as coisas da São Clemente da própria São Clemente. Eu acredito muito que cada escola de samba do Rio de Janeiro tem uma identidade própria e uma trajetória, e isso tem a ver com a opções que os carnavalescos fazem ao longo do tempo dos temas que são escolhidos. A partir disso, a São Clemente se construiu no tempo como uma escola irreverente, crítica e divertida. Toda vez que ela desvia dessa trajetória ela tropeça. O meu esforço é sempre trazê-la para isso. Eu encontro o enredo da São Clemente na irreverência da escola. Eu optei por alguns símbolos nesse carnaval que tem a ver com a identidade da agremiação. Por exemplo, a São Clemente nasce de um time de futebol que tem a ver com a praia, com areia, ela nasce em Botafogo. Nosso enredo parte de um dia de verão na Praia de Botafogo”, explicou Jorge Silveira.

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Para construção de um enredo bem humorado, Jorge decidiu inverter a lógica do descobrimento do Brasil. No mundo elaborado pelo artista, os portugueses não vieram para as nossas terras, foram os indígenas que pegaram 13 canoas, desbravaram o mar e chegaram nas estranhas terras portuguesas de gente com as “verdades” muito cobertas. Assim, a personalidade festeira dos nativos de Pindorama, nome usado no enredo para designar o Brasil, vai se chocar com a personalidade dos reservados nativos de Euroca. Em vez de colonização, os tupis vão se mostrar generosos com o povo recém-achado, passando uma mensagem de tolerância e respeito às diferenças.

Referência, cores e economia

O carnavalesco diz que a principal inspiração para a construção desse desfile foi o marcante enredo “Tupinicópolis”, da Mocidade, de 1987. Naquele ano, Fernando Pinto levou para a passarela uma versão retrô-futurista de uma cidade projetada por indígenas e conquistou o vice-campeonato para Padre Miguel.

“Especialmente nesse Carnaval, eu uso muito como referência meu maior ídolo que é o Fernando Pinto. […] A alegria, espontaneidade e a maneira de contar a história desse desfile de ‘Tupinicópolis’ são sem dúvida o pano de fundo, a referência e aquilo que me alimenta emocionalmente para contar a história da São Clemente esse ano”, revelou Silveira.

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Já que o enredo contará uma jornada, a plástica do desfile também servirá a essa proposta. A escola evoluirá com uma estética colorida que realçará as cores vivas do dia e da noite e será de fácil entendimento para o público consiga se divertir genuinamente com sua passagem. Jorge Silveira elaborou uma paleta de cores que pode ser trabalhada tanto com a luz dos refletores da Sapucaí quanto com a luz do Sol, afinal a São Clemente será a última escola a desfilar na sexta de carnaval.

Para economizar na elaboração das alegorias, Jorge optou por reutilizar estruturas de carros do ano anterior, quando a escola desfilou no Grupo Especial e tinha carros com grandes alturas. Além disso, o uso de material mais barato vai ser uma marca importante. O carnavalesco escolheu o impacto visual que eles podem causar.

“Eu optei por fazer muita coisa de aplicação. Ao invés de usar estampas prontas, estamos usando desenhos e padrões que remetem a desenhos e padrões indígenas sendo feitos manualmente. Eu fiz muita forração com tecidos baratos, como o feltro, e apliquei fitas coladas para criar os desenhos e estampas que eu precisava. Também estou usando muito o recurso de pintura de arte. Nós usamos uma base de tecido e aplicamos as camadas de pintura para poder trabalhar o carro como se fosse uma tela em branco. Trabalhamos a ilusão de óptica do volume como a característica da pintura de arte”, comentou o carnavalesco.

Mão da massa

Quem chegar no barracão da São Clemente, na Av. Brasil, embaixo do viaduto do Gasômetro, pode ter grandes chances de achar Jorge Silveira com a mão-na-massa, trabalhando com tinta e outros materiais. O exemplo veio de casa. Foi a partir de seu pai, o carnavalesco Jorge Caldeirão, que ele aprendeu a fazer carnaval.

“Eu já trabalhei com muita gente, muitos carnavalescos, e com todos eles eu pude aprender bastante. Eu tenho uma referência pessoal, eu falei em outras entrevistas, que é o meu pai. Ele foi carnavalesco durante 20 anos e eu aprendi a amar Carnaval com ele vai ser sempre minha referência eterna”, disse Silveira. “Especialmente, na Série Ouro, a gente tem um percentual de mãos à obra muito maior que no Grupo Especial. Vendo isso, eu me lembro do meu pai, porque eu via ele fazendo isso desse jeito. Feliz, trabalhando dessa forma”.

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Jorge Silveira saiu da São Clemente após o desfile de 2020, ano cujo enredo foi “O Conto do Vigário”. Infelizmente, a agremiação caiu para a Série Ouro no Carnaval seguinte, o de 2022, ao homenagear o saudoso Paulo Gustavo. Porém, em 2023, ele voltou para acentuar a identidade clementiana.

“Voltar para a São Clemente, para mim, nesse momento, é resgatar uma linha de trabalho que estava desenvolvendo antes de ter saído daqui. É uma forma de dizer que os preceitos que a gente havia começado a trabalhar naquela era, naquele momento, tinham um significado especial. E eu quero resgatar esse significado. Quero que as pessoas voltem a olhar para a São Clemente e se lembrar da alegria, da irreverência e da leveza. O que eu posso dizer a respeito, principalmente, desse momento é que, de todos os carnavais que fiz na escola, esse é o mais carioca e esse é o mais leve, portanto é que se propõe a ser mais divertido. Eu estou pegando os símbolos da São Clemente e passando um marca-texto, elevando isso à máxima potência da irreverência”, contou o carnavalesco.

Jorge Silveira ficou feliz ao voltar para a agremiação. A sua recepção foi um misto de “que pena que foi embora” e “que bom que voltou”. Essa gratidão o motiva e dá disposição para entregar esse Carnaval divertido, colorido, leve e irreverente que ele propõe.

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“Eu quero devolver essa alegria com um Carnaval absurdamente alegre. Nós vamos brincar Carnaval”, exclamou Silveira. “Eu fico feliz que isso [a recepção] é uma forma de afago e afeto de quem observa o trabalho. A vida tem circunstâncias que são maiores que nós, às vezes é necessário trilhar outros caminhos. Eu tinha que cumprir uma tarefa no Carnaval de São Paulo. Meu esforço sincero na São Clemente é tentar ler a alma da escola. Eu fico muito triste quando vejo que um carnavalesco impõe sua marca e seu estilo e descaracteriza a agremiação. Nenhum carnavalesco é maior que nenhuma escola de samba. Os carnavalescos não são maiores que as agremiações. As agremiações existem no tempo, eles têm história, têm permanência, têm vivência. Eu tenho que entender como ela é e meu trabalho serve a ela, não o contrário”.

Concomitante à São Clemente, Jorge Silveira também divide sua atenção com o Carnaval paulista. Carnavalesco da Mocidade Alegre, ele se sente confortável e realizado com os dois trabalhos que estão sendo executados, apesar do cansaço. Enquanto no Rio, o enredo é “O Achamento do Velho Mundo”, Silveira trabalha a alma samurai dentro de cada pessoa preta paulista da cidade mais japonesa fora do Japão, em São Paulo.

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As duas escolas entendem perfeitamente o processo e, desde o começo, elas entenderam essa divisão. Em qualquer escola se trabalha com equipe e eu gerencio a criação de ambas, mas tenho muitas outras pessoas que me auxiliam nesse processo. Não é a primeira vez que eu faço isso. Em 2017, eu fiz Dragões da Real lá e Viradouro aqui, e fui vice-campeão nas duas. Não é um problema de distância, é um problema de dedicação, de entrega e de projeto. Eu trabalho muito baseado em projeto, cronograma de trabalho, organização, metas a serem alcançadas. Dentro desse cronograma, é tranquilo. Dá para fazer e estamos fazendo”, explicou ele.

O trabalho no barracão da amarela e preta carioca já está em etapa de decoração e ruma para a finalização. Jorge Silveira não vê a hora de entregar os dois Carnavais e ver a reação do público ao seu trabalho.

Conheça o desfile da São Clemente:

A São Clemente vai para a Avenida com três carros, 21 alas e com o canto de 1600 componentes. O objetivo é realçar o DNA irreverente e crítico da escola com um desfile colorido e feliz. Jorge Silveira contou ao site CARNAVALESCO como será a divisão de setores definida para narrar esse enredo que acontece, magicamente, do dia para a noite.

Setor 1: “É uma abertura partindo da Praia de Botafogo, em Pindorama, em um dia quente e ensolarado de verão”.

Setor 2: “No segundo momento, eles chegam até o Velho Mundo, que o nosso samba batizou de Euroca, como sendo a visão dos nativos brasileiros”.

Setor 3: “No terceiro capítulo, eles celebram e festejam o congraçamento entre os dois povos através de uma festa. E essa festa é dada através dos moldes de Pindorama. Em Pindorama, se festeja com baile funk. E vai ser um baile para Jaci, como o povo de Pindorama chama a Lua”.

De olho nos quesitos: falta julgar a proposta da escola para Alegorias e Adereços

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Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro, herdeiros do legado de Chiquinho e Maria Helena, elogiam Leandro Vieira: ‘torna coisas simples numa criação perfeita’

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Rafaela Theodoro está prestes a completar 13 anos como porta-bandeira da Imperatriz Leopoldinense. Apaixonada pela agremiação, sua jornada começou ao lado do mestre-sala Phelipe Lemos, com quem dançou por cinco anos consecutivos. Após um longo período separados, a dupla voltará a encantar o público da Avenida no carnaval de 2023. Para o site CARNAVALESCO, os dois encontraram tempo para falar sobre sua relação, inspirações e como lidam com a constante pressão de conseguir boas notas.

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Fotos: Nelson Malfacini

Qual é o sentimento presente entre vocês no retorno da dupla?

Rafaela: “É um sentimento de muita felicidade, algo que já era esperado pela parceria. O Phelipe sempre foi um irmão. Foi aqui que realmente começou a grande história, em que começamos a ser avaliados. Tivemos muitas realizações juntos como notas máximas e prêmios. Acredito que tenha sido aqui o pontapé inicial da dupla, quando fomos consolidados. Ter esse retorno num momento tão especial que a Imperatriz vem vivendo, forte e com vontade de lutar pelo título, é muito gratificante”.

Phelipe, quem é sua referência como mestre-sala? E por qual motivo?

Phelipe: “Tenho muitas referências, como os meus colegas que atuam agora. Sou fã do Claudinho, que é o mestre-sala da Beija-Flor, e do Juninho da Viradouro, mas a minha maior e total referência é o Chiquinho, por conta da tradição que ele manteve e da nossa história na Imperatriz. Hoje, a minha referência de mestre-sala e o que eu pretendo passar adiante, até para os que virão depois de mim, são os conceitos que o Chiquinho trouxe me trouxe”.

Rafaela, quem é sua referência como porta-bandeira? E por qual motivo?

Rafaela: “Estando na Imperatriz, não tem como deixar de mencionar a Maria Helena, que está sempre em nossos corações, mas digo pela história que ela construiu não só na Imperatriz, como no carnaval. Foi uma guerreira que lutou muito para chegar aonde chegou, e você se identificar com uma escola, lutar pelo pavilhão até o fim, o que é difícil nos dias de hoje, estar ali na frente com tanto amor e carinho, é lindo. Também preciso citar a Rute da Vila Isabel, que foi quase uma fada madrinha quando iniciei. Ela foi uma das primeiras a me estender a mão. Não esqueço das grandes professoras que tive, sou muito fã delas, além das minhas outras colegas de trabalho. Ah, eu também gosto muito da Andrea Machado”.

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O mestre-sala vem sendo muito cobrado em cortejar mais a porta-bandeira do que dançar sozinho. Acha que falta mais esse “olhar” do mestre-sala para a porta-bandeira?

Phelipe: “Acho que a dança do casal evoluiu muito, até mesmo por conta do julgamento. Só que em alguns momentos, nós deixamos um pouco de lado a tradição, e digo ‘nós’ porque eu também praticava isso, mas gosto de manter a dança tradicional com o cortejo, que é o sentido do mestre-sala e da porta-bandeira. A origem foi justamente essa. O mestre-sala deve proteger o pavilhão e a porta-bandeira, e com a evolução do cargo isso ficou menos evidente. A dança de maneira geral e individual ganhou mais ênfase. Acho que estamos resgatando essa proteção novamente”.

Phelipe, te preocupa quando falam que você dança mais do que corteja a porta-bandeira?

Phelipe: “Não tenho essa preocupação porque, na verdade, nem gosto muito de dançar sozinho. Eu sempre me importo demais com a Rafaela e com a condução, mas é importante ouvir isso. Todas as críticas servem de aviso para algo. Se ela for negativa, eu sei que preciso melhorar num aspecto”.

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Phelipe, como surgiu a ideia do passo de ficar na ponta dos pés?

Phelipe: “Esse movimento eu resgatei do Chiquinho e, inclusive, foi a Maria Helena que obrigou ele a fazer. Eu só quis trazer isso como referência quando chegamos na Imperatriz, para ajudar a criar a nossa identificação de casal com a escola”.

Qual é o desfile inesquecível de vocês?

Rafaela: “Acho que para todo sambista a estreia é marcante, mas tenho dois pontos muito fortes aqui dentro da escola. Primeiro, a minha estreia em 2011 com o Phelipe, e também o ano de 2014 em que falamos sobre o Zico e nós dois ganhamos todas as notas máximas. Fomos agraciados nesse ano e marcou a nossa história”.

O que torna diferente vestir fantasia criada por Leandro Vieira?

Phelipe: “O Leandro é um gênio e tem um carinho muito grande pelo casal de mestre-sala e porta-bandeira. Não que os outros não tenham. Todos eles se preocupam muito com o nosso desenvolvimento de dança e, logicamente, com as obras deles, as fantasias. Só que o Leandro tem uma visão diferenciada, torna coisas simples numa criação perfeita. Você nem imagina que um detalhe tão pequeno pode ganhar destaque, mas ele faz isso. Ele encontra a beleza na simplicidade e, para mim, é uma honra vestir um figurino que foi pensado por ele”.

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É muito pesado ter que entregar nota máxima, já que a escola quer o título? Como vocês lidam com isso?

Rafaela: “Acho que essa pressão acontece anualmente porque somos profissionais que se dedicam durante todos os meses, e quem não quer chegar lá e dar orgulho para a comunidade? Temos que saber dosar porque, antes de mais nada, o nosso psicológico precisa estar preparado. Não adianta termos muitos ensaios e preparação física, sem uma mentalidade boa. Também entramos sempre confiantes, falando e atraindo bons resultados. A gente tenta manter a tranquilidade para não atrapalhar o trabalho”.

Phelipe, o que não pode faltar em um mestre-sala perfeito?

Phelipe: “Perfeito ninguém é, mas acho que não pode faltar num mestre-sala a consciência de que o pavilhão e a porta-bandeira são as peças fundamentais do nosso trabalho. Precisamos estar sempre pensando neles”.

Rafaela, o que não pode falar em uma porta-bandeira perfeita?

Rafaela: “A gente busca a perfeição e, como o Phelipe citou, não existe, mas não pode faltar um sorriso no rosto e graciosidade. Uma porta-bandeira precisa estar sempre com energia e simpatia, porque você está representando milhares de corações apaixonados pela agremiação”.

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E qual é a declaração que o Phelipe fala olhando para a Rafaela?

Phelipe: “Só tenho a agradecer. Como a Rafa mencionou, ela é a minha irmã e parceira de vida. Ela me fez chegar até aqui e conquistar o que conquistei. Muito do que tenho na vida eu agradeço a ela, porque foi uma parceira que me deu a mão para caminharmos juntos. Por isso também estou de volta, por esse carinho enorme que temos um pelo outro”.

Qual é a declaração que a Rafaela fala olhando para o Phelipe?

Rafaela: “Tem muito amor, união e cumplicidade aqui. Somos muito felizes juntos e lutamos para sermos melhores a cada dia”.

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Série ‘Barracões’: Arranco fala sobre a importância de reverenciar a própria história com um enredo sobre Zé Espinguela

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Em 2023, o Arranco voltará a desfilar na Série Ouro do Carnaval carioca depois de 10 anos afastado da Marquês de Sapucaí. A agremiação vai abrir os desfiles do grupo na sexta-feira, 17 de fevereiro, trazendo uma homenagem a um sambista importantíssimo para sua história e para a história do Carnaval – Zé Espinguela. A narrativa vai passar pela ancestralidade e religiosidade que constituem o homenageado até chegar no legado que ele deixou para os dias atuais.

Segundo o carnavalesco Antônio Gonzaga, no primeiro desfile com sua assinatura, o nome de Zé Espinguela foi resultado do encontro de ideias entre ele e a presidente Tatiana Santos. A intenção era trazer um personagem importante para escola e que fosse de fácil conexão com público.

“Assim que a escola entrou em contato comigo, pediram para eu já ir pensando em algumas ideias para levar à reunião e avançar nesse quesito. Eu já achava desde o início que o Arranco, vindo da Intendente Magalhães, tinha que fazer um enredo que se conectasse com o público e se conectasse com a própria história como um momento de resgate para ela voltar a brilhar na Marquês de Sapucaí depois tantos anos no terceiro grupo. Eu encontrei a história do Zé Espinguela e eu achei incrível.

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Carnavalesco Antônio Gonzaga. Fotos: Matheus Vinícius/Site CARNAVALESCO

O Zé Espinguela é a história do Carnaval carioca e foi uma história que aconteceu aqui [na quadra do Arranco]. Eu fui pesquisar se o Arranco já tinha feito esse enredo. Como o Arranco nunca tinha feito isso antes? Não tinha sido. Quando cheguei para apresentar, a presidente perguntou: ‘Gonzaga, você já tem alguma ideia de enredo, porque eu tenho um enredo que eu quero muito fazer. Quero fazer o Zé Espinguela’. Era um desejo da escola, foi o enredo que eu pensei, então tinha que ser”, contou Antônio.

A história que Gonzaga contará narra, curiosamente, o primeiro concurso de samba entre os blocos que deram origem à Mangueira, a qual o protagonista é fundador, Portela, a madrinha que emprestou as cores ao Arranco, e Estácio de Sá, antiga Deixa Falar. Esse evento aconteceu no dia de São Sebastião, 20 de janeiro, onde hoje é a quadra da agremiação do Engenho de Dentro, na Rua Adolfo Bergamini. Além do evidente lado sambista de Zé Espinguela, o carnavalesco vai abordar outras facetas do homenageado: ele foi jornalista, escritor e líder religioso.

O carnavalesco acredita que a abertura, que falará de ancestralidade, e o último carro terão um grande impacto visual para o público pelo significado e estética objetiva. Gonzaga irá apostar em diversas propostas visuais para homenagear Zé Espinguela.

“Vamos começar com o que se entende por um afro mais tradicional. Depois trazemos esse afro para uma estética mais brasileira com estamparia. A gente usa muita fita, chita, fuxico. É uma pegada com cara de feito à mão tanto quando vai para parte mais carnavalesca, com pompom e retalho, quanto quando vai para o afro, com palha, uma costura mais marcada. Não tem muito paetê, é uma estética mais limpa”, revelou Antônio.

De compositor a carnavalesco

Apesar de estrear como carnavalesco em 2023, Gonzaga está no Carnaval há algum tempo. Começou como compositor no Salgueiro, sua dedicação às artes visuais e ao design chamou atenção da dupla de carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad, quando eles assinavam o desfile para o Cubango. A parceria o levou para a Grande Rio, escola que foi vice-campeã e campeã em 2020 e 2022, respectivamente. Este ano, Antônio Gonzaga está mais afastado da Grande Rio, mas continua nessa divisão de tarefas entre o Arranco e a agremiação do Grupo Especial.

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“Eu sempre fui muito ligado à produção artística desde criança. Sempre fui do desenho, da arte, da pintura. O samba-enredo foi a maneira que encontrei de entrar no Carnaval que sempre foi um universo que eu sempre fui apaixonado. Comecei a compor no Salgueiro, mas, paralelamente a isso, eu fazia minhas produções como designer, eu sou formado em Design, e postava nas minhas redes. Até que em 2018, para o Carnaval de 2019, o Gabriel e o Leonardo gostaram do meu trabalho e me chamaram para fazer a identidade visual do enredo do Cubango. A partir daí, eu pedia para frequentar o barracão, passei a ir todo dia e participar da produção mesmo da produção daquele Carnaval. No ano seguinte, eles foram para a Grande Rio e me convidaram para integrar a equipe de criação deles”, comentou Gonzaga.

Entre suas inspirações, além de Bora e Haddad, estão Joãozinho Trinta, Rosa Magalhães e Fernando Pinto, de quem comenta ser muito fã. Da experiência na campeã de 2022, ele aponta que leva para si muito mais que o aprendizado estético. Ele aprendeu o funcionamento interno de uma escola de samba, o relacionamento com os profissionais dos ateliês, ferreiros e marceneiros. “Se eu não tivesse passado pela Grande Rio, eu não conseguiria fazer o Arranco dar certo”, afirmou o carnavalesco.

Agora, em trabalho solo no comando do barracão do Arranco, Antônio Gonzaga fala sobre o nervosismo da estreia e o desafio que é defender o pavilhão azul e branco do Engenho de Dentro: “É um grande desafio [estrear na Série Ouro]! É muito desafiador, ainda mais no Arranco que é uma escola que estava há muito tempo afastada da Sapucaí. Ou seja, a escola também está se readaptando a essa nova realidade. Para todo mundo está sendo uma grande experiência e está sendo muito prazeroso”, afirmou Antônio. “Eu aposto muito no desfile. Eu acho que a gente tem um grande enredo, as fantasias estão legais, as nossas propostas de alegoria estão bem legais também; tudo pensado dentro da realidade da escola. E a escola está muito comprometida em fazer um grande Carnaval. Estou muito animado e ansioso, mas trabalhando à beça”, completou.

Conheça o desfile do Arranco

A azul e branco do Engenho de Dentro vai ser a primeira escola da Série Ouro a desfilar este ano. Com a responsabilidade de começar com pé direito os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, o Arranco vem com um tripé na comissão de frente e outro ao longo do desfile, três carros alegóricos, com até 1500 componentes divididos em 17 alas. O carnavalesco Antônio Gonzaga detalhou para o site CARNAVALESCO o desfile.

Setor 1: “A abertura do desfile são as raízes ancestrais do samba carioca e do Zé Espinguela. Trazemos as heranças africanas. O Zé Espinguela era um alufá, era um líder religioso que tinha um culto ao tabuleiro de Ifá. Então, logo na abertura, vêm as raízes, o tabuleiro, a ancestralidade do personagem”.

Setor 2: “A gente traz para uma realidade mais brasileira e para os bastidores do concurso que ele organizou. Trazemos os blocos de rua que ele frequentava no final dos anos 1920, os blocos de sujo e o Bloco do Arengueiros, que originou a Estação Primeira de Mangueira, a Deixa Falar, o Conjunto de Oswaldo Cruz, que deu origem à Portela. E fecha o setor com o dia do concurso, que é dia 20 de janeiro. Tem a ala em homenagem a São Sebastião, padroeiro da cidade, e uma ala que faz referência a Oxóssi. Depois vem o segundo carro sobre o concurso que ele organizou aqui [no espaço onde é hoje a quadra do Arranco de Engenho de Dentro]”.

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Setor 3: “No 3º setor, nós partimos para outras vivências do Zé Espinguela. Ele era jornalista, tinha um ateliê de fantasias. Ele tinha uma relação com Villa Lobos, em que ele criava adereços para o Sodade do Cordão, um bloco que ajudou a organizar com Villa Lobos. E a vivência dele no Morro de Mangueira. A relação dele com Cartola e os baluartes da escola, a vivência dele no buraco quente. Todo esse setor é permeado pela vivência musical dele. Então termina o setor com a despedida dele, quando ele morre, e ele tinha escrito a música ‘Adeus, Mangueira’, uma música se despedindo do morro – esse é o tripé”.

Setor 4: “São as heranças que ficaram. É o Arranco completando 50 anos fruto de toda essa vivência, são as escolas de samba seguindo como quilombos de resistência. Nosso último se chama ‘Onde o samba é alforria’, que é uma grande celebração das escolas de samba e da herança delas para os próximos anos e para os nossos frutos”.

Série Barracões: Vila Isabel vai dar um passeio por festas religiosas espalhadas pelo mundo todo em desfile com DNA de Paulo Barros

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Depois de três carnavais realizados por Edson Pereira, a Vila Isabel volta a apostar no multicampeão Paulo Barros. A escola e o artista vão se reunir pela terceira vez para tentar finalmente uma parceria de sucesso. Em 2009, com Paulo na comissão de carnaval, dividindo a parte criativa com Alex de Souza, a Vila ficou em quarto lugar. Já em 2018, a Azul e Branca foi a nona colocada. Com o novo presidente, Luiz Guimarães, a Vila deu a Paulo Barros autonomia para escolher e desenvolver o enredo, com a grande condição de que fosse um enredo alegre e que permitisse à escola trazer um astral bastante positivo para a Avenida. Em acordo com estas condições, o artista escolheu falar das festas religiosas espalhadas pelo Brasil e o mundo, inclusive a folia carioca, para comemorar na Sapucaí o retorno de um carnaval que, dessa vez, no pós-pandemia, será na data esperada e sem nenhum tipo de restrição. O enredo vai da cultura festiva da Grécia antiga representada pelo Deus Baco, passando por festas no mundo todo, festas típicas do Brasil, as celebrações do dia dos mortos, até finalmente aportar no carnaval.

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Fotos: Lucas Santos/Site CARNAVALESCO

Campeã pela última vez em 2013, e com um quarto lugar no carnaval passado, quando homenageou um dos seus maiores baluartes, Martinho, a Vila espera que as ideias de Paulo possam contagiar a Sapucaí e que o artista possa retornar seus dias mais gloriosos. Braço direito do carnavalesco no barracão e no dia-a-dia, o diretor de carnaval, Moisés Carvalho, em entrevista ao site CARNAVALESCO, explicou como se deu a escolha do enredo que foi bastante trabalhado pela diretoria antes de ser divulgado ao público.

“O enredo é do Paulo. E o presidente passou para o Paulo o que ele queria de enredo para a Vila, queria um enredo alegre, para frente, que desse um samba alegre, um carnaval com visual. Depois de alguns meses de bate papo, o Paulo apresentou esse enredo, o presidente comprou a ideia e foi escolhido”, explicou o diretor.

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Um dos personagens que a Vila não esconde e que será protagonista deste desfile, é a figura do Rei Momo, tradicional soberano maior do carnaval. Moisés Carvalho revelou mais sobre a função do personagem no enredo da Vila Isabel.

“O rei Momo aparece em dois pontos. É um dos fios condutores. E no enredo a gente fala das festas que tenham um valor cultural, nível mundial, e a gente termina no grande carnaval do Rio de Janeiro em que o Rei Momo faz parte dessa festa. São festas que têm densidade cultural e que têm uma religiosidade. Todas essas festas que são citadas também tem cunho religioso. A gente começa lá com o Deus Baco no início e faz uma viagem e termina no carnaval do Rio de Janeiro passando por vários carnavais de todo o mundo”, esclarece Moisés.

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O diretor de carnaval da Vila Isabel tem participado de todos os processos de produção deste carnaval, desde a escolha de enredo, samba, até o desenvolvimento do desfile propriamente dito dentro do barracão. Moisés contou o que em sua opinião é um dos pontos mais fortes deste tema que será apresentado na segunda noite do Grupo Especial.

“Acho que é a parte religiosa, a diversidade cultural, a plástica, o colorido. É um enredo alegre, um enredo para frente. É um conjunto de coisas que dará um belo colorido na Avenida.Eu vejo a Vila com vários trunfos. Acho que a gente tem uma comunidade que abraçou o samba e o enredo. Uma bateria fantástica que está super entrosada com o carro de som. O samba, a gente apostou e acredita que vai ser um samba que vai explodir na Avenida. E temos um carnavalesco que está altamente inspirado e conseguiu plasticamente formar isso em fantasias e alegorias, tudo com a assinatura dele. Cada momento do desfile, cada setor, a gente vai ter uma novidade, uma surpresa”, promete o diretor de carnaval.

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Carnaval será grandioso e com assinatura de Paulo Barros

O carnaval da Vila começa na mitologia grega. O “Evoé” é uma saudação ao deus do Vinho, Baco. E neste mesmo espírito de enredo, outras festas milenares de diversas culturas vão estar representadas na primeira parte do desfile. As celebrações de devoção a padroeiros e protetores espirituais regionais de lugares de todo o mundo também farão parte do desfile, assim como os festejos dos dias dos mortos, não de uma forma triste, mas aqueles que cultuam esta data com alegria, valorizando a vida e não a morte em si. Em termos regionais aqui no Brasil, a Vila vai homenagear as festas de São João, a lavagem das escadarias do Bonfim na Bahia, a Festa de Iemanjá, a Cavalhada, o Círio de Nazaré e o Festival de Parintins. Por fim, os carnavais do mundo e os nosso específico daqui, em especial do Rio de Janeiro, vão fechar essa festa com chave de ouro. Todo esse conteúdo estará representado de uma forma e com o olhar específico que o carnavalesco Paulo Barros gosta de apresentar ao público na Sapucaí.

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“Acho que o Paulo vai dar a assinatura dele, senão não teria a razão para que ele fosse contratado. Ele vai apresentar a criatividade e vai trazer a plástica do carnaval que todo mundo gosta de ver, a decoração dos carros, as fantasias. Acho que ele foi muito feliz nos desenhos dos figurinos, nos carros, nos movimentos, tudo que ele escolheu estava bastante inspirado”, acredita o diretor de carnaval Moisés Carvalho.

Em termos de tamanho, a Vila veio bastante grande nos últimos anos com os trabalhos de Edson Pereira. Agora com o retorno do carnavalesco Paulo Barros, Moisés Carvalho promete que este gigantismo será ainda maior e a Vila vai seguir em uma linha de grandiosidade para o desfile de 2023.

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“É uma Vila que mantém em termos de tamanhos os três últimos carnavais do Edson. Vem com volume, alegorias grandes, a escola mantém a tradição de vir grande, como veio nos últimos anos, não mudou nada nesse sentido. Pelo contrário, tenho certeza que teremos uma Vila até maior que nos últimos três anos. Tanto em componente, quanto em alegoria”, aponta o diretor.

Inovações estarão presentes no desfile a partir da parceria Paulo e Moisés

Na Vila Isabel desde 2018, uma das funções que Moisés Carvalho terá em 2018, será a de tentar realizar e tornar possíveis as ideias em profusão que surgem da cabeça do carnavalesco Paulo Barros. Há sempre a expectativa por um desfile com grandes surpresas, inovações tecnológicas e mistérios guardados a sete chaves. Moisés conta que o segredo para o trabalho é o diálogo que existe entre o artista e a equipe da Vila Isabel.

“Eu me dou bem com todos os carnavalescos que eu já trabalhei. Todos viraram meus amigos. A diferença do Paulo é que ele vive criando 24 horas. Muitas coisas são viáveis. E muitas coisas não são viáveis. Por isso que ele está sempre em contato com a galera de produção, de execução. A gente vive 24 horas, e não só ele. A gente sabe que ele gosta de ideias, a gente acorda com uma ideia e passa para ele também. A gente passa o dia inteiro trocando ideias para saber se aquilo é viável, se aquilo vai dar liga. De repente é uma grande ideia no papel mas a gente não consegue transformar isso em realidade. O Paulo nos tira um pouco da zona de conforto em função da criatividade dele ser acelerada, de ele estar sempre querendo o melhor para o espetáculo, para o público e jurados. Se for viável, se o presidente aprovar, a gente vai trabalhar o tempo todo para executar aquilo da melhor forma”, conta Moisés.

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Juntos de novo na Vila Isabel, Paulo Barros e o diretor de carnaval Moisés Carvalho tem um histórico de sucesso. Em 2017 ajudaram a Portela a voltar a ser campeã depois de um jejum de mais três décadas sem o campeonato. Paulo, na época, chegou a elogiar o diretor, colocando ele como um dos melhores profissionais com quem trabalhou. A dupla também esteve junta no último trabalho do carnavalesco na Vila Isabel em 2018.

“Ele falou isso na época da Portela, porque eu tenho uma visão que bate muito com a dele. Eu procuro sempre andar na frente. Sempre pensar o que pode acontecer de positivo e negativo. A gente sempre procura pensar em um possível erro, no que vai ser o plano A, o plano B e o plano C. Isso era uma coisa que eu já adotava na minha vida particular, na minha empresa e no carnaval. Quando eu fui trabalhar com ele e nós não nos conhecíamos, ele começou a inventar algumas coisas e eu comecei a mostrar para ele o plano A, o plano B, como poderíamos fazer, e caiu muito bem, acho que foi daí que ele fez esse elogio. Porque a gente pensa muito parecido. Exemplo, acho que eu e ele, fizemos a primeira escola que passou a usar dois geradores na Avenida. Cada carro tinha dois geradores. Porque os carros dele são de muitos efeitos. A gente precisa do gerador para esses movimentos. E pensar em outras coisas, levar mais de uma bomba, ter gente para substituir as pessoas que fazem movimento se cansarem, por aí “, define o diretor de carnaval da Vila Isabel.

Moisés, aliás, tem boas lembranças do que chama de “loucuras” do carnavalesco. Na Portela em 2016, a comissão de frente tinha um personagem que era erguido do chão a partir de um jato de água que saía do tripé onde ele desfilava.

“Ele vive inventando loucuras. No ano da Portela teve um carro que rodava, aí teve a comissão de frente que tinha um componente que subia no jato de água. Aquilo foi um problema. Era um jet ski que estava ali. Toda noite tinha que subir o jet ski, descer o jet ski, e amarrava o pé. Tinha os jacarés que vinham se arrastando na Avenida também. A gente fazia uma forma específica e modelava o cara todo. Tem várias, mas tudo deu certo”, ressalta o diretor.

Fundamental na escolha do enredo, presidente é muito participativo 

Mandatário mais jovem entre os presidentes das escolas filiadas à Liesa, Luiz Guimarães é filho do Capitão Guimarães, ex-presidente da Vila Isabel e da própria Liga. Luiz teve participação direta na definição do enredo ao conversar bastante com Paulo Barros e toda a equipe da Vila Isabel para definir alguns pontos, ainda que tenha dado toda autonomia para o artista desenvolvê-lo, mas primou para que o tema levasse alegria para a Sapucaí. No cotidiano, Luiz é sempre visto nos eventos da quadra, e segundo o diretor de carnaval Moisés Carvalho, o presidente está também presente quase que diariamente no barracão.

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“É o presidente mais jovem do Grupo Especial, mas é um presidente que está sempre entrosado com o resto da escola, participativo, sempre presente nas nossas reuniões de produção quando ele está aqui. Nenhuma decisão é tomada sem a participação ou o conhecimento dele, um cara que acompanha a produção de barracão diariamente, está sempre dialogando com a gente de andamento. Ele questiona. Participou diretamente com o carnavalesco do desenvolvimento do enredo, do melhor caminho a ser tomado, ele é bem presente. Ele é novo, mas vive no carnaval desde sempre. Vive isso aqui, é um apaixonado pela Vila Isabel, um cara que respira o carnaval”, conclui Moisés Carvalho.

Conheça o desfile da Vila Isabel

Para o carnaval 2023, a Vila Isabel vai levar para a Sapucaí 2600 componentes divididos em 29 alas, 6 alegorias, uma delas acoplada, além de 2 tripés, e um elemento cenográfico da comissão de frente. O diretor Moisés Carvalho ajudou a definir mais sobre o desfile da Vila “Nessa Festa, Eu Levo Fé”. “São cinco setores e uma abertura”.

Abertura e Primeiro Setor
“Festas no mundo e a gente começa o desfile vindo lá da Grécia, com o Deus Baco”.

Segundo Setor
“É a apresentação de algumas festas pelo mundo, em um contexto mais geral e mais atual”.

Terceiro Setor
“São as festas brasileiras. O Macaco Branco(mestre de bateria) está até preparando uma paradinha na hora do samba e eles vêm fantasiados de festa junina. A gente vai falar das festas juninas, Caprichoso e Garantido, Iemanjá, todas as festas relacionadas ao Brasil”.

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Quarto Setor
“Depois falamos das festas relacionadas ao dia dos mortos, que não é celebração da morte, mas celebração da vida. As festas que tem o lado positivo, a Festa do México, a Festa do jazz, que a do caixão que a galera segura”.

Quinto Setor
“A última festa é o carnaval. Aí vem o grande carro do carnaval, a viagem pelos carnavais de Veneza, blocos de rua, casal de mestre-sala e porta-bandeira homenageando todas as escolas da forma Paulo Barros”.

Liga-RJ vende na quinta-feira ingressos de arquibancada para os desfiles da Série Ouro

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Na próxima quinta-feira, dia 9 de fevereiro, a Liga-RJ abre a venda das arquibancadas para os desfiles da Série Ouro no Carnaval 2023. A comercialização será feita de forma presencial, no stand montado atrás do Setor 11, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. O horário é de 10h às 16h, de segunda a sexta.

Os valores são de R$ 25 para os setores 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8. O setor 9 custa R$ 50. Os acontecem nos dias 17 e 18 de fevereiro.

Grupo Especial: Pré-venda on-line de arquibancadas populares da Sapucaí acontece nesta quarta

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Última oportunidade para quem deseja assistir aos desfiles do Grupo Especial nas arquibancadas da Sapucaí: começa nesta quarta-feira, a pré-venda on-line dos ingressos para os Setores 12 e 13 do Sambódromo, que custam R$ 15 cada, sem cobrança de taxas. Disponibilizadas na internet pela Central Liesa de Atendimento e Vendas, vinculada à Liga Independente das Escolas de Samba do Rio, as entradas são as únicas disponíveis para o espetáculo do Grupo Especial, que acontece nos próximos dias 19 e 20.

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Foto: Divulgação/Riotur

Interessados em reservar os tickets devem acessar o site (reservas.riocarnaval.com.br) entre 9h e meio-dia (ou até se esgotarem os ingressos). O pagamento será feito no próximo dia 11 (sábado), entre 10h e 16h, no estande da Central LIESA na Avenida (atrás do Setor 11).

A recomendação é para os pedidos não sejam deixados para última hora, sob risco dos bilhetes esgotarem. Camarotes e frisas, inclusive para os Sábados das Campeãs, já não estão mais disponíveis.

“Com esta grande procura, podemos antecipar que o Sambódromo baterá um recorde de público no Rio Carnaval 2023, com uma expectativa de 100 mil foliões por noite, entre compradores de ingressos, sambistas, e os mais diversos prestadores de serviços”, diz Jorge Perlingeiro, presidente da Liesa.

Série Ouro: Frisas esgotadas

Responsável também pela comercialização de ingressos para os desfiles da Série Ouro no Sambódromo, nos próximos dias 17 e 18, a Central Liesa informa ainda que foram vendidas todas as frisas para as datas em questão.