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Tom Maior realiza culto às mães pretas ancestrais com destaque para harmonia contagiante

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A Tom Maior foi a sexta escola a se apresentar na noite desta sexta-feira, dia 17 de fevereiro, pelo Grupo Especial do Carnaval 2023. Com destaque para o impecável desempenho da harmonia e da evolução, a escola do Sumaré teve um desempenho de acordo com as expectativas criadas no pré-Carnaval e levantou o Sambódromo do Anhembi, encerrando a apresentação com uma hora e três minutos. A Vermelho e Amarelo apresentou este ano o enredo “Um Culto às Mães Pretas Ancestrais”. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

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Comissão de Frente

A Tom Maior iniciou seu desfile fazendo uma “Saudação às mães pretas ancestrais” na comissão de frente. Sobre um elemento alegórico, dançarinos representaram oito guerreiros-eleyé, sete Iyamis, seis Yabás e Odu, a Iyami da criação. Os guerreiros-eleyé representam pássaros recebidos pelas Iyamis em missão. Durante a apresentação, o oratório esculpido em pedra no fundo da alegoria se abre, revelando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Três figuras representando mães marcaram a apresentação: Odu, como mãe criadora, as Yabás, mãe da força e Nossa Senhora Aparecida, mãe de amor e respeito.

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Uma comissão que alternou grupos cênicos entre os que evoluíam no chão e no elemento alegórico. Uma coreografia impactante e energética da parte dos dançarinos que representaram os guerreiros e Odu, enquanto as representantes das Iyamis mostraram elegância e sincronia. Ao final de cada passagem do samba, a imagem de Nossa Senhora Aparecida surgia do oratório, indicando a presença da entidade diante de todo o culto. Ótimo desempenho do conjunto como um todo.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Ruhanan Pontes e Ana Paula vieram representando em suas fantasias “A Terra e a Água”. O casal nota 40 em 2022 estreou com o pé direito na Tom Maior, realizando grande apresentação pelos módulos em que se apresentaram. Sempre irreverente, Ruhanan realizou o cortejo com a maestria habitual, enquanto a elegante Ana Paula defendeu o pavilhão da escola com vigor e habilidade. Giros bem sincronizados e minueto bem realizado diante dos olhos dos jurados podem garantir mais uma vez as cobiçadas notas do quesito.

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Harmonia

Um canto implacável marcou todo o desfile da Tom Maior. O excelente samba ajudou muito no desempenho da harmonia da escola, que não perdeu o fôlego em nenhum momento. Apagões realizados pela bateria “Tom 30” sempre muito bem respondidos, mesmo naqueles mais longos e ousados. A comunidade do Sumaré brincou o Carnaval com desenvoltura e contribuiu para o espetáculo do conjunto apresentado.

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Enredo

O enredo da Tom Maior tem como temática a força da figura da mãe na religiosidade afro-brasileira, através do que há de comum entre a experiência das pessoas com a figura materna pessoal nas diferentes religiões.

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Enredos de temática afro tendem a ser de leitura complexa da parte do público, mas o carnavalesco Flávio Campello conseguiu criar uma linha narrativa fluída e com soluções criativas. A mensagem do enredo foi facilmente transmitida através das alas, que entregaram para cada carro alegórico finalizarem os setores de forma muito bem sintetizada.

Evolução

A direção de harmonia da Tom Maior pode se orgulhar do andamento do desfile. Fluída do início ao fim, sem aberturas de espaços em nenhum momento, com as alas sempre bem alinhadas. A comunidade do Sumaré desfilou solta e em ritmo notável, brincando o Carnaval do jeito que tem que ser. Para finalizar com chave de ouro, portões fechados com uma hora e três minutos, com toda direção celebrando muito ao final. Expectativas altas para os 40 pontos no quesito.

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Samba-Enredo

Com um dos mais aclamados sambas ao longo do pré-Carnaval, a Tom Maior contou mais uma vez com a maestria do intérprete Gilsinho para liderar a ala musical ao longo do desfile. A obra é assinada pelos seguintes compositores: Gui Cruz, Turko, Portuga, Rafa do Cavaco, Vitor Gabriel, Fabio Souza, Imperial, Junior Fionda, Willian Tadeu e Anderson.

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O samba não apenas funcionou muito bem na Avenida, como contagiou o público que em grande volume contribuiu com o coral da Tom Maior que desfilava diante dele. A bateria “Tom 30” fez muito bom uso de momentos chave da obra, com bossas e apagões sendo presença constante por todo o desfile. Um desempenho geral do quesito para sempre relembrar com carinho.

Fantasias

As fantasias no primeiro setor representaram elementos da lenda da criação do mundo na mitologia iorubá. No segundo, a ligação de elementos da natureza africana com a ancestralidade. O terceiro setor foi todo dedicado às Obirinsás, em uma única ala enorme, mas com fantasias diferentes nas colunas, formando um grande tapete colorido. Já no último setor, ritmos de celebrações religiosas brasileiras marcaram presença.

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A maneira como a Tom Maior trouxe as fantasias no desfile permitiu uma leitura não tão difícil para os padrões do estilo do enredo. Houve apostas em diversidade de fantasias entre as alas, com destaque para a já citada ala das Obirinsás, que foi um verdadeiro espetáculo e serviu de tapete para o carro que veio em seguida. As roupas eram volumosas e ricas em detalhes, contribuindo para a grandeza do desfile.

Alegorias

As alegorias da Tom Maior foram dedicadas às diferentes divindades retratadas no enredo. O Abre-alas representou “A criação do universo na cabaça de Odu”, enquanto os carros dois e três representaram respectivamente “As Yamis e os Eleyés” e as “Yabás”, com o último carro sendo o “Adurá para as Santas Pretas”.

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Um conjunto alegórico diferente do habitual de São Paulo, apostando majoritariamente em um piso baixo com esculturas altas. Cada alegoria tinha sua própria identidade muito distinta uma da outra, mas que tinham na beleza e alto padrão como marcas em comum. É preciso se atentar para problemas de iluminação em duas das alegorias. O globo no topo do Abre-alas continha faixas de LED apagadas ao centro, enquanto no terceiro carro havia espaços para refletores que estavam ausentes, mas deixando os conectores de tomada como elementos estranhos. Caberá da interpretação dos jurados possíveis deduções.

Outros destaques

A bateria “Tom 30” do presidente e Mestre Carlão mais uma vez teve um desempenho irretocável. Ousada, lidou com o samba com maestria e carinho, e engrandeceu o já excelente espetáculo apresentado pela Tom Maior. As passistas que desfilaram à frente da ala das Obirinsás estavam espetaculares, e o que se viu por todo o desfile foi o sentimento de um digno culto às mães pretas ancestrais.

A comunidade do Sumaré tem motivos para sair do Sambódromo do Anhembi com as expectativas elevadas. Um desfile de conjunto do mais alto nível, digno de uma das escolas que conseguiu a pontuação máxima em 2022. Agora é aguardar para ver se terça-feira o roteiro se repete ao menos nos números, o que pode significar muito em pleno cinquentenário da Tom Maior.

‘O encanto das mil e uma noites sertanejas’: Abre-alas da UPM traz a união da cultura árabe com o Nordeste

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UPM005 2Com o abre-alas “O encanto das mil e uma noites sertanejas”, a Unidos de Padre Miguel deu ao início do desfile uma grande imponência ao desfile na Passarela do Samba. O primeiro carro da escola de samba representou as histórias da Antiga Pérsia, que foram contadas através de um olhar especial do Sertão. Rico em detalhes que remetem a cultura árabe, como os camelos que vinham à frente do carro, o carro chamou a atenção de todos ainda na dispersão.

Em entrevista ao CARNAVALESCO, os componentes do abre-alas da Unidos de Padre Miguel explicaram a mensagem do carro alegórico e o peso que foi estar acima dele em meio a esperança de chegar ao Grupo Especial.

Rogéria Freitas, de 40 anos, fez a sua estreia pela UPM. Com o boi vermelho como seu personagem favorito, a componente explicou que o abre-alas da agremiação representa a soma da cultura árabe com a nordestina.

UPM007“É uma emoção e um privilégio poder estrear no abre-alas. O boi vermelho é o meu personagem favorito. Representando ‘Mil e uma noites sertanejas’, mostraremos uma Arábia chegando ao nordeste e a sua riqueza somada ao fascínio e ao calor do nordeste. Uma só emoção”, disse Rogéria.

O diretor de alegorias da Unidos de Padre Miguel, Pascoal, que está na escola de samba desde 2010, destacou o que representa o abre-alas no enredo “Baião de Mouros” não só para o desfile, mas para os componentes da escola.

“O sentimento é como se fosse um filho, porque a gente acompanha todo o processo. Dentro do enredo a gente espera que cause impacto ao público. A mensagem que queremos passar é do lugar de fala que é o carnaval. Falar do encontro de culturas que é o nordeste com a cultura árabe, dentro da nossa cultura popular que é o carnaval. Muitos brasileiros não conhecem essa ligação entre as duas culturas. A ideia é mostrar a nossa própria história dentro da cultura de outro país. O nosso país é assim, essa mistura de culturas”, explicou Pascoal.

UPM001 2Para Pascoal, o seu personagem favorito no enredo é Alá, Deus islã e um dos principais nomes nesta história que a Unidos de Padre Miguel levou para a Marquês de Sapucaí. Com a benção de Alá, Pascoal disse que a escola vai brigar para chegar ao Grupo Especial.

“Meu personagem favorito é Alá, porque ele que vai proteger a gente em busca desse sonho que é chegar ao Grupo Especial. Já está na hora da gente ir para lá. Que Alá nos abençoe e nos proteja”, contou.

Marina Santos, de 37 anos, é técnica de enfermagem e desfilou pela primeira vez na Unidos de Padre Miguel. Logo na estreia, assumiu a responsabilidade de estar acima do imponente abre-alas que a escola de samba levou para o Sambódromo.

“Muito nervosismo, claro. Estou muito empolgada, eufórica. Faremos um desfile rumo ao título e ao acesso para o Grupo Especial do carnaval carioca. O boi, para mim, é o personagem mais importante no enredo e o meu favorito. Ele está muito lindo. Iremos invadir a Arábia com toda a nossa cultura e riqueza, levando muita felicidade e alegria. O carro está perfeito e muito lindo”, contou a componente da agremiação de Padre Miguel.

A Unidos de Padre Miguel foi a quinta escola a entrar na Marquês de Sapucaí neste primeiro dia de desfiles do carnaval carioca.

Acadêmicos de Niterói faz desfile grandioso na parte plástica, mas com canto irregular

Por Diogo Sampaio

A Acadêmicos de Niterói estreou com o pé direito na Marquês de Sapucaí. Em um desfile sem grandes erros, a azul e branca apostou fortemente na plástica, com alegorias gigantescas e um conjunto de fantasias bem-acabadas, se mostrando disposta a entrar na briga pelo título da Série Ouro e o acesso ao Grupo Especial. No entanto, o samba mediano e o canto irregular dos componentes pode ser um dificultador na hora de sonhar com voos maiores. * VEJA FOTOS DO DESFILE

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Com o enredo intitulado de “O Carnaval da Vitória”, assinado pelo carnavalesco André Rodrigues, a agremiação foi a sexta a passar pelo Sambódromo na primeira noite de desfiles da Série Ouro. A escola encerrou a apresentação pouco antes das 05h, aos 54 minutos.

Comissão de Frente

Intitulada de “Me dê a mão, venha pro lado de cá, com a barca dos festejos”, a comissão de frente assinada pelo coreógrafo Carlos Fontinelle retratava a antiga tradição de Carnaval das barcas decoradas, que faziam as viagens entre a estação do Araribóia e a Praça XV animando os foliões. Para encenar este trajeto pela Baía de Guanabara, sete mulheres vinham vestidas com uma saia de fitas e sete homens vinham com guarda-chuvas, ambos fazendo menção ao movimento do mar. O ápice da apresentação ocorria quando o elemento cenográfico que acompanhava os bailarinos soltava uma chuva de papel picado.

LEIA MATÉRIAS ESPECIAIS
* Baianas da Niterói representam antigo bloco carnavalesco da cidade
* Apesar de ainda não ser unanimidade, componentes se orgulham de ser Niterói
* Desfilantes da Viradouro se emocionam com homenagem em ala da Acadêmicos de Niterói
* Cubango recebe homenagem no desfile da Acadêmicos de Niterói

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Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Juntos desde o Carnaval de 2019, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Fabrício Pires e Giovanna Justo, mostrou mais uma vez total entrosamento e cumplicidade. Os dois optaram pela dança tradicional, mesclando a velocidade nos giros e rodopios com a singelidade nos gestos na hora do cortejo e da apresentação do pavilhão.

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Quanto ao figurino, o casal veio com uma fantasia nomeada de “Banho de Mar à Fantasia”, representando o grande esplendor e uma das maiores manifestações carnavalescas da cidade de Niterói. Enquanto Fabrício simbolizava a figura do pierrot, Giovanna veio retratando a da colombina. A indumentária de ambos era bastante luxuosa e requintada, com direito a penas de faisão.

Enredo

Em sua estreia na Marquês de Sapucaí, a Acadêmicos de Niterói resolveu aproveitar as comemorações dos 450 anos da sua cidade-natal e trouxe o enredo “Carnaval da Vitória”. O tema abordou o retorno dos festejos momecos em 1946, após o fim da Segunda Guerra Mundial, que simbolizou um momento de revolução e de estabelecimento de paradigmas para a folia niteroiense.

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O clima leve e romântico do Carnaval antigo foi transmitido pelo desfile da agremiação, que soube contar com clareza a proposta através de alegorias e fantasias de fácil leitura. No entanto, pelo tema não ser de amplo conhecimento, em alguns momentos se fez necessária a consulta ao Roteiros dos Desfiles para se ter uma maior compreensão daquilo que estava sendo representado.

Evolução

A Acadêmicos de Niterói teve uma evolução sem grandes erros. A escola começou com um ritmo mais cadenciado e acelerou um pouco o passo quando se aproximava do final da apresentação, mas não chegou a correr em nenhum momento. As alas, principalmente da segunda alegoria em diante, estiveram soltas, com componentes brincando Carnaval, mas sem abrir clarões ou ocorrer embolamentos.

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Samba-Enredo

Assinado por Marcelo Adnet, Tem-Tem Jr, Júnior Fionda, Anderson Lemos, Diego Nogueira, Fábio Barbosa, James Bernardes, Thiago Oliveira, Marcus Lopes e Ronie Oliveira, o samba-enredo da Acadêmicos de Niterói teve um desempenho acima do esperado. A obra, que era considerada mediana no período do pré-Carnaval, cresceu no desfile oficial graças a performance do carro de som, principalmente do intérprete oficial Danilo Cezar. Com uma grande trajetória na folia capixaba, onde coleciona diversos prêmios, Danilo não se intimidou com a estreia na Marquês de Sapucaí e defendeu com segurança a obra, trazendo o público junto em diversos momentos do desfile. O ponto negativo fica para o canto da própria agremiação que, em determinados pontos, não correspondeu completamente.

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Harmonia

A harmonia foi um dos pontos fracos no desfile da Acadêmicos de Niterói. Na parte inicial era possível notar uma certa frieza nas alas, com componentes entoando pouco o samba-enredo. Porém, da metade para o final, o canto da escola cresceu consideravelmente, com desfilantes mais soltos, alegres e cantando com força. Entre essas que se destacaram positivamente, vale mencionar as alas “Sabiá da Vila Ipiranga – Os primeiros louros”, “Corações Unidos da Engenhoca – A eterna namorada” e “Academia do Cubango – O saber em verde e branco”.

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Fantasias

O conjunto de fantasias da Acadêmicos de Niterói foi marcado pelo bom acabamento dos figurinos, em sua maioria leves e de fácil leitura. Entre os pontos altos, a indumentária das baianas, intitulada de “O bom gosto da Cidade Sorriso mora na Engenhoca”. Branca com uma barra azul, a vestimenta optou pelo tradicionalismo e permitiu, entre outras coisas, uma melhor evolução das senhoras pela Avenida.

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Alegorias e Adereços

O ponto alto da apresentação da Acadêmicos de Niterói foi o seu conjunto alegórico. Com o nome de “Orgulho do meu lugar, sob o olhar de Araribóia”, o abre-alas já demonstrou de cara a intenção da agremiação em apostas no gigantismo. O carro que abria o desfile retratava a chegada a Praça Martim Afonso, nome oficial do lugar que é conhecido como Praça Araribóia, durante os festejos de Carnaval. Com postes que lembravam os antigos artifícios de iluminação das ruas, a alegoria possuía como grande destaque uma enorme escultura carnavalizada do Cacique Araribóia, maior símbolo identitário da cidade. Além disso, trazia um enorme letreiro com a palavra “Niterói”. Apesar de toda imponência gerada pela altura da escultura principal e o bom acabamento, o fato de alguns postes não terem acendido pode ser motivo para desconto de décimos.

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Com uma enorme escultura de um Diabo segurando o seu tridente, a segunda alegoria retratava uma concentração dos blocos, com composições de fantasias múltiplas e diversas. Esse carro causou um momento de susto quando o braço da escultura principal quase bateu na torre dos fotógrafos. A escola ficou parada por algum momento até que a alegoria conseguisse ser manobrada e passasse sem sofrer danos.

Grande, mas sem esculturas gigantescas como as duas primeiras, a terceira alegoria, intitulada “O Esplendor Destino em nossos corações”, fechou o setor em homenagem às escolas de samba de Niterói e suas dinâmicas próprias de funcionamento, fazendo uma espécie de encontro de pavilhões no Caminho Niemeyer. Todo em tons de azul, o carro tinha uma coroa ao centro, no alto, um dos símbolos da agremiação.

Outros Destaques

A chuva de papel picado não ficou restrita a comissão de frente. Dois canhões vieram acompanhando a bateria e fizeram a alegria do público a cada momento em que disparavam uma rajada.

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Aliás, falando na bateria, outro estreante que merece destaque é o mestre Demétrius Luiz. Depois de cinco carnavais à frente dos ritmistas do Acadêmicos do Cubango, ele não se intimidou em debutar em outra agremiação. Apostando na simplicidade, trouxe uma levada tradicional, com bossas bem colocadas, e foi fundamental junto ao carro de som para crescer o desempenho do samba.

Ala mirim se reafirma como uma das maiores potências da UPM

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UPM005 1Uma das alas mais tradicionais e premiadas da Unidos de Padre Miguel, a ala mirim, representou no desfile da escola o personagem Aladdin. Matreiro, divertido e inteligente, a leveza do Aladdin é exatamente o que a escola quis que as crianças levassem para a Avenida.

Suas fantasias, nomeadas “Aladim Raimundim”, simbolizam um delírio de um “sertão das arábias”, onde Aladdin sobrevoa o agreste com seu tapete mágico. O site CARNAVALESCO compreendeu que as melhores opiniões sobre a ala viriam das próprias crianças.

UPM003 1Samyra do Nascimento, de 11 anos, fez questão de se pronunciar: “Eu amei demais a escolha. Quando vimos as fantasias e os carros alegóricos, todos ficamos encantados. Vai ser muito bom e temos que vencer. Vamos cantar para os jurados”.

Mikaelly Narciso, de 10 anos, se mostrou grata pela oportunidade. “Achei maravilhoso. É o meu sonho estar aqui desfilando pela escola”, citou. Ao ser questionada sobre a animação para o desfile, respondeu com um sonoro: “Lógico!”

“Está tudo lindo e ótimo. Eu amo fazer parte da ala das crianças. Vamos dançar muito”, afirmou Any Gabrielly, de 13 anos.

UPM apresenta uma mistura de culturas dentro e fora do enredo

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UPM004A Unidos de Padre Miguel, quinta escola da Série Ouro a desfilar nesta sexta-feira, 17 de fevereiro, retratou na avenida a influência árabe, moura e muçulmana no nordeste brasileiro. O enredo intitulado “Baião de Mouros” fez um cruzamento de histórias até o nascimento do Rei do Baião.

O terceiro carro alegórico celebra o conjunto de ressignificações culturais árabe-nordestinas, que se encontram no carnaval da Mesquita de Padre Miguel. A escola brinca que sua quadra, localizada na Rua Mesquita, é a Mesquita de Padre Miguel que irá promover o encontro de Mustafá e Lampião.

UPM003Viviane Prado, de 46 anos, se mostrou muito feliz em estar numa posição de destaque na alegoria. “Estou representando as mulheres egípcias. Nosso enredo é incrível”, comentou.

Numa mistura chamativa de cores, o carro não falhava em marcar sua presença. A americana Addison Muoneke, de 35 anos, pratica o samba há dez anos, mas nunca havia participado do carnaval brasileiro. Ela desfila pela primeira vez como um dos destaques da alegoria.

“Admiro muito a cultura do Brasil. Estou aqui representando amor, aceitação e beleza. Por todas as mulheres negras também. Só tenho a agradecer a esse país que mudou a minha vida”, afirmou.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Acadêmicos de Niterói no desfile

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A bateria da Acadêmicos de Niterói fez um um desfile muito bom. Um ritmo marcado pela concepção musical pautada pela simplicidade. Soluções rítmicas funcionais contribuíram com a fluência plena entre os naipes.

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A cozinha da bateria apresentou um ritmo de extrema qualidade. Com uma afinação de surdos privilegiada, além de marcadores precisos e firmes. Caixas de guerra ressonantes deram valor sonoro a “Cadência de Niterói”. Repiques talentosos contribuíram no preenchimento da sonoridade de maneira eficaz. Os surdos de terceira deram inegável balanço ao ritmo.

A cabeça da bateria exibiu naipes de qualidade técnica simplesmente irretocável. Começando por três filas de cuícas, que eram ouvidas em qualquer parte do ritmo. Uma ala de chocalhos de inegável virtude musical se exibiu com firmeza e precisão. Um naipe de tamborins absurdamente talentoso efetuou uma batida simples, pontuando a melodia do samba-enredo da caçula do grupo com invariável qualidade técnica.

A bateria de mestre Demétrius virava em cada passada do samba sem convenção no refrão principal, garantindo versatilidade ao ritmo. Vale ressaltar que após esse movimento, tamborins faziam uma subida muito bem pontuada, que ajudava a dar pressão junto às marcações que executavam a virada. Mesmo sendo simples, tal movimento ocorria num lugar incomum do refrão principal, já que acontecia após o primeiro verso “É Niterói”, retomando o ritmo e a plena fluência entre os naipes no segundo verso “A pedra fundamental”. Um detalhe musical de um trabalho com bom gosto e esmero, fundamentado em soluções simplistas.

A paradinha da cabeça do samba é iniciada com tapas em conjunto que se aproveitaram da síncope do samba, contando ainda com tamborins que participaram com destaque junto às caixas de guerra e surdos, além dos repiques solistas que exibiram não só técnica, como classe. Foi a construção musical mais elaborada, apresentando certo grau de dificuldade.

Uma bossa no final da segunda do samba valorizou a obra com um arranjo musical simples, mas absolutamente funcional. Repiques consolidam chamadas para toques rítmicos em conjunto, com destaque para as terceiras finalizando a convenção com pressão junto às caixas de guerra volumosas e bem integradas. Uma musicalidade eficaz, permitida por uma concepção baseada em simplicidade.

Um “apagão” provocou certa interação popular, fechando a bateria no final da segunda do samba. Ritmistas balançaram os braços para um lado e para o outro, antes da retomada ser efetuada com uma virada.

As apresentações nos três módulos de jurados transcorreram perfeitamente, sem qualquer problema a ser evidenciado da pista de desfile. Uma estreia da bateria da Acadêmicos de Niterói para recordar, onde foi apresentada uma conjunção sonora de respeito, com uma integração musical notável entre os mais diversos naipes. Mestre Demétrius tem motivos de sobra para ficar feliz com a atuação dos ritmistas da “Cadência de Niterói”, no que foi seu primeiro carnaval sem os saudosos irmãos Billucka em sua diretoria de bateria. Henricão e Claudinho Cardoso se orgulharam em outro plano, de um desfile que apresentou virtude sonora com soluções musicais descomplicadas.

Fotos: desfile da São Clemente no Carnaval 2023

Freddy Ferreira analisa a bateria da Unidos de Padre Miguel no desfile

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A bateria da Unidos de Padre Miguel (UPM) fez um ótimo desfile, sob o comando de mestre Dinho. Um ritmo que apresentou um leque amplo de bossas, com bastante integração cultural ao que o samba e o tema da escola pediam. Paradinhas foram bem recebidas por público e julgadores, evidenciando o grande trabalho da bateria “Guerreiros”.

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A cozinha da bateria contou com uma afinação de surdos relativamente grave, sem contar a segurança e firmeza dos marcadores de primeira e segunda, tanto em bossas, como no ritmo. As caixas de guerras intercalaram polegadas e batidas distintas. Algumas caixas eram tocadas embaixo, de forma reta, dando amparo musical, enquanto outras consolidaram o ritmo efetuado o toque em cima. Repiques de qualidade técnica inegável contribuíram tanto na sonoridade da parte de trás do ritmo da UPM, como em bossas.

A cabeça da bateria da Unidos apresentou uma qualidade técnica extremamente elevada. Cuícas corretas e coesas foram notadas, assim como os agogôs de qualidade técnica deram leveza à parte da frente do ritmo. Uma ala de chocalhos de imenso valor musical tocou de forma entrelaçada a um naipe de tamborins simplesmente espetacular. O “Bonde do Pateta” deixou o eterno e saudoso ex-diretor Eduardo Amorim orgulhoso, passando com “Alegria nos Punhos” e agregando valor sonoro a um trabalho simplesmente primoroso envolvendo as peças leves.

Uma bossa baseada em pressão foi executada na cabeça do samba, gerando impacto sonoro pelos tapas em conjunto ressoando, junto a marcadores precisos. Vale ressaltar a contribuição luxuosa do naipe de tamborins no arranjo musical. Foi executada de maneira firme, proporcionando um swing envolvente após a retomada.

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A paradinha do refrão principal deu pressão ao ritmo da Unidos, graças aos tapas ritmados nos primeiros versos da segunda passada do estribilho. O acerto ainda consiste em permitir que os últimos versos do refrão fossem cantados em coro, fazendo ecoar o trecho “A nossa escola não deve nada a ninguém, respeite o povo da Vila Vintém”. A bossa ainda é finalizada com o peculiar conjunto de cinco tapas consecutivos (Tum-Tum-Tum-Tum-Tum!), tradicional pelas bandas de Padre Miguel. As vezes somente a finalização era exibida, enquanto o refrão era cantado em coro, permitindo interação popular.

No final da segunda do samba-enredo, também baseada em simplicidade musical, foi possível notar uma bossa chamada pelos repiques solistas (tanto por repiniques, como por repiques mor). A retomada foi baseada numa subidinha curta dos tamborins, num movimento muito bem executado e alinhado. Uma construção musical que mesclou singeleza e precisão rítmica, num arranjo simples e bastante funcional.

Breques apresentados em sequência cobriram a primeira da obra de inegável bom gosto musical. Tudo começa com a bateria “Guerreiros” fazendo uma nuance rítmica muito bem produzida, com destaque para os tamborins e surdos no verso “Vi camelo no agreste sultão cabra da peste”. Finalizando os beques seguidos veio o mais arrojado, tanto em complexidade, quanto no impacto musical. O verso “Romance de cavalaria” recebe o amparo de naipes remetendo ao toque de cavalaria, contando com a técnica refinada e eficácia dos tamborins, além dos caixeiros seguros e surdos de terceira envolventes. Uma batida que mostrou imensa capacidade musical e foi bem executada. A retomada com três pancadas dos surdos permitiu impacto sonoro, evidenciando o trabalho acima da média dos marcadores, com convenções que uniram requinte e pressão.

Outro breque simples, mas profundamente eficaz mostrou qualidade musical e fluidez rítmica pela pista. No trecho “O beduíno segue os passos do vaqueiro”, a bateria da Unidos tocou em ritmo de Xaxado, apresentando um invariável balanço. O ritmo era retomado logo em seguida, numa construção musical que se revelou um acerto principalmente cultural, ao proporcionar uma sonoridade plenamente integrada ao que o samba e o tema da escola solicitavam.

A paradinha do refrão do meio exibiu uma sonoridade destacada, além de apresentar plena integração com a obra. Se aproveitou do bom balanço dos surdos para consolidar o ritmo, sem contar tapas em contratempos.

As apresentações da bateria da Unidos de Padre Miguel nos módulos de jurados foram muito boas, sendo a melhor delas na segunda cabine. Na apresentação do último módulo, mestre Dinho mostrou toda sua bagagem e experiência, começando a lançar as convenções logo após sair do segundo recuo, já que o tempo para apresentação da bateria “Guerreiros” para o julgador seria pequeno, por causa do horário de desfile próximo do limite de estourar.

Alegorias coloridas são destaques no desfile da Vila Maria

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As histórias da agremiação e do bairro foram contadas nesta noite. Quarta escola a desfilar, a Unidos de Vila Maria teve como principal destaque as suas alegorias. Uma grande ideia contar o enredo separando os carros alegóricos com o nome do enredo. Nitidamente a comunidade estava feliz em passar cantando os seus melhores momentos. Destaque também para o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Edgar Carobina e Lais Moreia, que suportaram a pista molhada. Porém, a escola sofreu muito com a evolução. Houve desencontro entre alas, alguns espaçamentos e a famosa ‘correria’ no final para não estourar o tempo. Apesar de um belo desfile estéticamente e no canto, o andamento deixou a desejar. Provavelmente a ‘Vila mais famosa’ sofrerá com o quesito. A comunidade teve o cronômetro batido com 1h04. O enredo da agremiação é intitulado como “Vila Maria. Minha Origem. Minha Essência. Minha História! Muito Além do Carnaval!”. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

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Comissão de frente

A ala, comandada pelo coreógrafo Renan Banov, desfilou representando a comédia. A proposta da apresentação foi mostrar a alegria em receber os fundadores e toda a agremiação que estava por vir no desfile. Na dança, os componentes evoluíram de um lado para o outro e interagindo com o público. Havia também integrantes com dois triciclos.

Outro grande momento da coreografia foi quando um componente mostrava uma placa escrita “aplauso” para a arquibancada.

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Vestimentas: Toda a ala, componentes e elementos estavam inteiramente em verde, azul e branco, que são as cores da Vila Maria.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Edgar Carobina e Lais Moreira, vestidos com uma bela fantasia de azul e prata, novamente tiveram um grande desempenho em seu desfile. A apresentação foi marcada pela simpatia que ambos esbanjaram. Analisando a dupla em frente a cabine do recuo, notou-se muitos sorrisos, beijos do mestre-sala na mão da porta-bandeira e uma grande delicadeza ao mostrar o pavilhão. O casal fez o giro horário e anti-horário.

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Eles têm como principal característica realizar esse movimento com rapidez e intensidade, mas devido à pista molhada pela chuva que havia caído antes, tal manobra foi feita devagar.

Harmonia

A harmonia da escola funcionou bastante. É fato que os componentes não ‘gritaram’ o samba, mas cantaram forte e com garra. Respeitaram o carro de som e a bateria, cantando de forma linear. Todos os setores cantaram o samba de maneira praticamente igual, mas o segundo predominou perante aos demais.

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As partes do samba mais cantadas foram o refrão principal e o do meio, além da primeira parte, que tem como versos destaques – “A fé nos guia… Senhora Maria… A proteção vem da nossa padroeira… Divina luz da Candelária clareia”. Essa parte tem uma forma melódica que sobe demais o tom, onde dá essa sensação de força.

Enredo

O desfile da escola seguiu uma cronologia com o nome do enredo nos setores: “Vila Maria. Minha Origem. Minha Essência. Minha História! Muito Além do Carnaval!” Minha origem – Se mostrou por meio do carro abre-alas, onde levou o contexto de anjos e céu resgatando baluartes que fundaram a escola. Nessa alegoria havia fundadores e o antigo pavilhão da agremiação, que era chamada de Unidos do Morro de Vila Maria. Minha essência – É mostrado pelo segundo carro com sua religiosidade. Nele, toda o desenho da igreja Nossa Senhora da Candelária, que é a padroeira do bairro. A Unidos de Vila Maria tem o catolicismo muito forte na sua comunidade. Minha história – Representa todos os enredos históricos da agremiação. Muito além do carnaval – O desfile é fechado com alegoria que o contexto se trata dos projetos sociais que a entidade realizada durante o ano todo.

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Evolução

Esse quesito a Vila Maria deixou muito a desejar. Nos minutos 30 a 34 ficou muito parada e retardou demais o desfile, além de mostrar muitos espaçamentos entre alegorias e alas, uma ala e outra e demais falhas. Houve um momento em frente ao recuo em que a ala das passistas teve a fileira desorganizada. Duas ou três passistas ‘correram’ e as demais ficaram.

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Por essa paralisação citada, os componentes tiveram que evoluir muito rápido. A famosa ‘correria’. Nitidamente houve muita discordância entre integrantes do departamento de evolução. Não se sabe se a Vila Maria será punida, mas olhando no primeiro momento, o quesito realmente não funcionou.

Dito isso, segundo apurou o CARNAVALESCO, o sinal dos rádios de comunicação caiu. Atrapalhou bastante no andamento.

Samba-enredo

A Vila Maria optou por uma estratégia diferente este ano. Nos últimos carnavais a escola estava levando obras mais ‘cadenciadas’. Porém, desta vez, usou uma melodia para frente que permitiu os componentes brincarem mais. O intérprete Wander Pires se destacou novamente por fazer os seus ‘cacos’ diferenciados. A sincronia com a ‘Cadência da Vila’ na bossa do refrão do meio onde os componentes interagem no grito chamou atenção.

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Fantasias

A escola apresentou boas vestimentas. Optou por mostrar leveza e alegria no desfile e o colorido predominou. O acabamento foi mostrado de forma satisfatória. Não teve muito material luxuoso, mas para a leitura do enredo, tudo serviu de forma válida. Destaque para as baianas, que estavam vestidas de “Unidos do Morro de Vila Maria”, cujo era o primeiro pavilhão de fundação da entidade.

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Alegorias

Alegoria 1 – O abre-alas representou o céu e a homenagem aos fundadores falecidos da escola. Todos juntos se reúnem para desfilar novamente com a Vila Maria, que no início era Unidos do Morro de Vila Maria. É um carro alegórico com escultura de um anjo na parte central. Na parte final, uma grande imagem de um ostensório. Vale destacar que a entidade tem o catolicismo muito forte em sua história. A ideia de trazer os baluartes para abrir os desfiles foi muito bem pensado e casa com a comissão de frente, que transmite a alegria do carnaval.

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Alegoria 2 – O segundo carro alegórico mostrou um marco do bairro da Vila Maria, que é a igreja da Nossa Senhora da Candelária. Vale destacar que a réplica é otimamente feita. Foi uma reprodução total da paróquia, tanto dentro quanto fora. No centro da alegoria havia encenações típicas de uma igreja católica, como batizados, casamento e missa. Dentro disso, ainda dançavam entre os bancos. O intuito de mostrar a fé da comunidade foi feito de forma satisfatória e a igreja, que é um dos pontos principais do bairro, foi construída de maneira impecável.

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Alegoria 3 – A terceira alegoria se tratou de um ‘mix’ de enredos da história de Vila Maria. Houve referências aos enredos de Japão, China, circo, e, principalmente, uma encenação da cena da novela “Gabriela”, que faz alusão ao enredo “A seguir cena dos próximos capítulos”, que deu acesso à escola ao Grupo Especial.

Alegoria 4 – O último carro alegórico levou para a avenida os projetos sociais que a agremiação faz. A Unidos de Vila Maria é uma escola referência nisso e fez questão de mostrar em seu desfile. Ou seja, notou-se esculturas de Papai Noel, árvores de natal e renas, simbolizando presentes. Na frente da alegoria uma grande escultura de Pierrot, além de colombinas e arlequins nos lados esquerdos e direitos com as cores da escola.

A Vila Maria não teve problemas com suas alegorias e suas esculturas e cores foi o grande destaque do desfile da ‘mais famosa’.

Outros destaques

A bateria ‘Cadência da Vila’, regida pelo mestre Moleza, novamente mostrou a sua versatilidade. Arriscou bossas sem hesitar e isso é o que privilegia a batucada, pois o regulamento exige tal ousadia. Destaque para o ‘breque’ no refrão do meio, onde as caixas predominavam e os ritmistas gritavam ‘hey’. Arrancou aplausos e gritos do público.

A Vila Maria levou um tripé de elefante no meio da ala ‘Circo da Vida’. Outro tripé foi levado. Dessa vez, uma grande escultura de Nossa Senhora de Aparecida dentro da ala ‘Romeiros’. A ‘Torcida da Vila soltou serpentinas da arquibancada monumental e levou bexigões para fazer a festa.

Baianas da Estácio se emocionam com o resgate do figurino clássico

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Estacio004 2As baianas da Estácio de Sá desfilaram toda de branco e com saias enormes como a tradição pede. Elas representavam as “Estrelas do Céu” simbolizando paz e luz. A exigência pela reafirmação da identidade da ala pela fantasia foi da presidente do segmento, Maria Luiza Matos, de 68 anos, para o carnavalesco Mauro Leite. A líder estava emocionada ao ver suas companheiras vestidas adequadamente, foi como se o sonho tivesse virado realidade.

“Eu pedi ao carnavalesco uma baiana tradicional como há muito tempo a gente não vem e ele nos presenteou. Eu amo baiana tradicional, branca. É por isso que eu estou emocionada”, comentou Maria.

Para a presidente da ala, é uma emoção enorme voltar para Sapucaí na época correta do carnaval com todas as integrantes vivas, apesar das ocorrências de afastamento de poucas pessoas por motivos de saúde. É o sentimento de família que move o trabalho de Maria Luiza.

Estacio001 3“Ver as baianas formadas mexe conosco. Depois da pandemia fizemos um carnaval mais ou menos, mas agora a gente vê minhas amigas todas vivas. Eu acho que não tem coisa melhor. A nossa ala é uma ala de família. Nós nos reunimos uma vez por mês para fazer almoço, para estarmos todas juntas. A Estácio tem esse diferencial. Se uma precisa, a outra está lá socorrendo. Nessa reunião, participam direção de carnaval, harmonia, velha guarda, nosso presidente. Tudo que acontece a gente sente muito”, explicou a presidente.

O objetivo de sentirem verdadeiras estrelas foi alcançado com sucesso. Leia Ferreira, de 62 anos, é uma estreante na Estácio de Sá, mas está desde 2016 desfilando como baiana. Devota de Santo Antônio, agradece a ele pelo casamento e pela habilidade na cozinha.

“A ala das baianas é a coisa mais linda que tem na escola de samba. Aqui nós estamos representando a Tia Ciata. É ancestral. Ser baiana é orgulho, prazer, felicidade”, refletiu Leia.
A baiana foi desfilar na vermelho e branco pela identificação com sua cidade natal.

“A Estácio está levando São Luís do Maranhão ao Sambódromo e eu sou maranhense. Olha que orgulho eu estar junto com escola levando nas costas a minha ilha querida, São Luís do Maranhão. A Estácio está trazendo toda cultura folclórica e toda beleza que existe na ilha”, completou a desfilante.

Estacio002 2Para Regilene de Fátima, de 60 anos, figura presente há muito tempo na ala, não existe escola de samba sem baianas. Falar das festas juninas do Maranhão significa um intercâmbio cultural necessário para mostrar a riqueza do país. Crente em Nossa Senhora de Fátima, Regilene mostra o que estar em movimento independentemente da idade, a aeroviária começou recentemente a cursar um faculdade de Direito.

Katia Braga, de 68 anos, está no seu 4º carnaval de baiana da Estácio de Sá. Ela ressalta a força familiar que a ala desempenha na escola de samba. Com objetivo de ser uma das estrelas no desfile, a desfilante se produziu e passou bem maquiada para brilhar cada vez mais. Katia mostra também como o carnaval em um potencial sincrético.

“Meu santo padroeiro é São Jorge, porque eu sou espírita eu sou muito conectada a Ogum”, comentou.

A desfilante confessou que já teve muita vontade de fazer parte de um grupo de quadrilhas juninas.

“Eu adoro festa junina. Hoje, eu sinto falta daquele movimento de festa junina de rua muito forte, aquela cultura folclórica de rua. Eu curti muito! Meu sonho era desfilar naquelas quadrilhas, mas eu nunca consegui. Ser baiana já está ótimo”, revelou Katia.
As baianas vieram no segundo setor do desfile, “O encontro no céu”. Com uma vestimenta repleta de estrelas em prata de brilhava, elas ornavam com toda composição na frente e na alegoria que viria atrás.