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Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro, herdeiros do legado de Chiquinho e Maria Helena, elogiam Leandro Vieira: ‘torna coisas simples numa criação perfeita’

Rafaela Theodoro está prestes a completar 13 anos como porta-bandeira da Imperatriz Leopoldinense. Apaixonada pela agremiação, sua jornada começou ao lado do mestre-sala Phelipe Lemos, com quem dançou por cinco anos consecutivos. Após um longo período separados, a dupla voltará a encantar o público da Avenida no carnaval de 2023. Para o site CARNAVALESCO, os dois encontraram tempo para falar sobre sua relação, inspirações e como lidam com a constante pressão de conseguir boas notas.

Fotos: Nelson Malfacini

Qual é o sentimento presente entre vocês no retorno da dupla?

Rafaela: “É um sentimento de muita felicidade, algo que já era esperado pela parceria. O Phelipe sempre foi um irmão. Foi aqui que realmente começou a grande história, em que começamos a ser avaliados. Tivemos muitas realizações juntos como notas máximas e prêmios. Acredito que tenha sido aqui o pontapé inicial da dupla, quando fomos consolidados. Ter esse retorno num momento tão especial que a Imperatriz vem vivendo, forte e com vontade de lutar pelo título, é muito gratificante”.

Phelipe, quem é sua referência como mestre-sala? E por qual motivo?

Phelipe: “Tenho muitas referências, como os meus colegas que atuam agora. Sou fã do Claudinho, que é o mestre-sala da Beija-Flor, e do Juninho da Viradouro, mas a minha maior e total referência é o Chiquinho, por conta da tradição que ele manteve e da nossa história na Imperatriz. Hoje, a minha referência de mestre-sala e o que eu pretendo passar adiante, até para os que virão depois de mim, são os conceitos que o Chiquinho trouxe me trouxe”.

Rafaela, quem é sua referência como porta-bandeira? E por qual motivo?

Rafaela: “Estando na Imperatriz, não tem como deixar de mencionar a Maria Helena, que está sempre em nossos corações, mas digo pela história que ela construiu não só na Imperatriz, como no carnaval. Foi uma guerreira que lutou muito para chegar aonde chegou, e você se identificar com uma escola, lutar pelo pavilhão até o fim, o que é difícil nos dias de hoje, estar ali na frente com tanto amor e carinho, é lindo. Também preciso citar a Rute da Vila Isabel, que foi quase uma fada madrinha quando iniciei. Ela foi uma das primeiras a me estender a mão. Não esqueço das grandes professoras que tive, sou muito fã delas, além das minhas outras colegas de trabalho. Ah, eu também gosto muito da Andrea Machado”.

O mestre-sala vem sendo muito cobrado em cortejar mais a porta-bandeira do que dançar sozinho. Acha que falta mais esse “olhar” do mestre-sala para a porta-bandeira?

Phelipe: “Acho que a dança do casal evoluiu muito, até mesmo por conta do julgamento. Só que em alguns momentos, nós deixamos um pouco de lado a tradição, e digo ‘nós’ porque eu também praticava isso, mas gosto de manter a dança tradicional com o cortejo, que é o sentido do mestre-sala e da porta-bandeira. A origem foi justamente essa. O mestre-sala deve proteger o pavilhão e a porta-bandeira, e com a evolução do cargo isso ficou menos evidente. A dança de maneira geral e individual ganhou mais ênfase. Acho que estamos resgatando essa proteção novamente”.

Phelipe, te preocupa quando falam que você dança mais do que corteja a porta-bandeira?

Phelipe: “Não tenho essa preocupação porque, na verdade, nem gosto muito de dançar sozinho. Eu sempre me importo demais com a Rafaela e com a condução, mas é importante ouvir isso. Todas as críticas servem de aviso para algo. Se ela for negativa, eu sei que preciso melhorar num aspecto”.

Phelipe, como surgiu a ideia do passo de ficar na ponta dos pés?

Phelipe: “Esse movimento eu resgatei do Chiquinho e, inclusive, foi a Maria Helena que obrigou ele a fazer. Eu só quis trazer isso como referência quando chegamos na Imperatriz, para ajudar a criar a nossa identificação de casal com a escola”.

Qual é o desfile inesquecível de vocês?

Rafaela: “Acho que para todo sambista a estreia é marcante, mas tenho dois pontos muito fortes aqui dentro da escola. Primeiro, a minha estreia em 2011 com o Phelipe, e também o ano de 2014 em que falamos sobre o Zico e nós dois ganhamos todas as notas máximas. Fomos agraciados nesse ano e marcou a nossa história”.

O que torna diferente vestir fantasia criada por Leandro Vieira?

Phelipe: “O Leandro é um gênio e tem um carinho muito grande pelo casal de mestre-sala e porta-bandeira. Não que os outros não tenham. Todos eles se preocupam muito com o nosso desenvolvimento de dança e, logicamente, com as obras deles, as fantasias. Só que o Leandro tem uma visão diferenciada, torna coisas simples numa criação perfeita. Você nem imagina que um detalhe tão pequeno pode ganhar destaque, mas ele faz isso. Ele encontra a beleza na simplicidade e, para mim, é uma honra vestir um figurino que foi pensado por ele”.

É muito pesado ter que entregar nota máxima, já que a escola quer o título? Como vocês lidam com isso?

Rafaela: “Acho que essa pressão acontece anualmente porque somos profissionais que se dedicam durante todos os meses, e quem não quer chegar lá e dar orgulho para a comunidade? Temos que saber dosar porque, antes de mais nada, o nosso psicológico precisa estar preparado. Não adianta termos muitos ensaios e preparação física, sem uma mentalidade boa. Também entramos sempre confiantes, falando e atraindo bons resultados. A gente tenta manter a tranquilidade para não atrapalhar o trabalho”.

Phelipe, o que não pode faltar em um mestre-sala perfeito?

Phelipe: “Perfeito ninguém é, mas acho que não pode faltar num mestre-sala a consciência de que o pavilhão e a porta-bandeira são as peças fundamentais do nosso trabalho. Precisamos estar sempre pensando neles”.

Rafaela, o que não pode falar em uma porta-bandeira perfeita?

Rafaela: “A gente busca a perfeição e, como o Phelipe citou, não existe, mas não pode faltar um sorriso no rosto e graciosidade. Uma porta-bandeira precisa estar sempre com energia e simpatia, porque você está representando milhares de corações apaixonados pela agremiação”.

E qual é a declaração que o Phelipe fala olhando para a Rafaela?

Phelipe: “Só tenho a agradecer. Como a Rafa mencionou, ela é a minha irmã e parceira de vida. Ela me fez chegar até aqui e conquistar o que conquistei. Muito do que tenho na vida eu agradeço a ela, porque foi uma parceira que me deu a mão para caminharmos juntos. Por isso também estou de volta, por esse carinho enorme que temos um pelo outro”.

Qual é a declaração que a Rafaela fala olhando para o Phelipe?

Rafaela: “Tem muito amor, união e cumplicidade aqui. Somos muito felizes juntos e lutamos para sermos melhores a cada dia”.

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