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Liesa define posição dos julgadores e revela data de divulgação das justificativas

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Os 36 julgadores que trabalharão no Rio Carnaval 2023 – desfiles das escolas do Grupo Especial -, no Sambódromo, dias 19 (Domingo) e 20 (Segunda-Feira) de fevereiro, sortearam, na noite desta segunda-feira, os módulos onde atuarão. O sorteio aconteceu durante o jantar de apresentação dos julgadores aos presidentes das agremiações, realizado no restaurante Assador Rio’s, no Flamengo.

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Foto: Diego Mendes/Divulgação Liesa

Os julgadores serão distribuídos em quatro cabines espalhadas ao longo da pista de desfile da Sapucaí. Em cada cabine haverá nove julgadores, um de cada cada quesito.

O presidente da Liesa, Jorge Perlingeiro, deu as boas-vindas aos integrantes do quadro de jurados. Destacou que estão bem preparados para a difícil missão: “Todos participaram do curso de fixação de critérios de julgamento, realizado em janeiro, no auditório da Liesa, no Centro”, informou.

Justificativas saem dia 24

Em seguida, o presidente anunciou que, mais uma vez, a Liesa está se organizando para divulgar as justificativas das notas diferentes de 10 menos de 48 horas após a Apuração, que acontecerá na quarta-feira de Cinzas, dia 22, às 16 horas, na Praça da Apoteose. “As justificativas serão divulgadas, oficialmente, ao longo da sexta-feira, dia 24 de fevereiro”, afirmou.

O coordenador de Julgadores, Júlio César Guimarães, explicou que todas as notas dos 36 julgadores serão lidas. Mas, como determina o Regulamento, a menor de cada quesito, por escola, será descartada.

O coordenador comentou que, para evitar maior desgaste físico provocado pela longa jornada de trabalho, os julgadores ficarão hospedados num hotel próximo à Passarela do Samba. “Isso evitará que se desloquem até as suas residências entre os dois dias de espetáculo”.

Veja os módulos do Carnaval 2023

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Especial Barracões SP: Tom Maior promove ‘Um Culto às Mães Pretas Ancestrais’ na busca pelo título inédito do Grupo Especial

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Dando prosseguimento a série “Barracões”, o site CARNAVALESCO foi conhecer o trabalho que está sendo desenvolvido pela Tom Maior para o Carnaval 2023. Mais do que um desfile, a Vermelho e Amarelo irá ao Sambódromo do Anhembi realizar “Um Culto às Mães Pretas Ancestrais”, que é o nome do enredo assinado pelo carnavalesco Flávio Campello. Após repetir o melhor resultado da história da comunidade do Sumaré em 2022, um quarto lugar empatado em pontos com as três primeiras colocadas, o artista deu detalhes de como a escola virá para enfim conquistar o sonhado título inédito no ano do seu cinquentenário.

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Fotos: Lucas Sampaio/Site CARNAVALESCO

“É muito curioso que esse enredo surgiu em 2013, quando eu ainda fazia parte de outra agremiação. Eu sou muito amigo de uma coreógrafa de comissão de frente chamada Yaskara Manzini. Ela estava defendendo uma tese de mestrado que falava sobre os cultos às Iyamis. Ela me presenteou com a leitura dessa dissertação, e eu acabei ficando encantado porque era algo que até então eu não conhecia. Iyami na tradução iorubá significa “minha mãe”, e há uma infinidade de cultos ligados e associados à essa figura materna, principalmente a essa ancestralidade materna. Como nosso samba mesmo diz, nós somos filhos de mãe preta. Isso significa que o princípio ativo da vida surgiu no continente africano. A nossa ideia é justamente mostrar essa ancestralidade. Que todos nós somos filhos dessa mãe preta, e essa mãe preta nada mais é do que o continente africano.”

As mães pretas do candomblé e do catolicismo

Não será a primeira vez que um enredo dedicado às orixás femininas passará pela Avenida. Em 2007, o Salgueiro apresentou “Candaces”, considerado por muitos um desfile maravilhoso e muito injustiçado, e que coincidentemente também foi a última vez em que a Academia do Samba não voltou no sábado das campeãs, ficando em sétimo lugar naquele ano. Além disso, em 2020 a Mocidade Alegre foi terceira colocada com o enredo “Do canto das Iabás renasce uma nova Morada”. A proposta da Tom Maior, porém, é voltada às orixás que representam a maternidade, além de fazer referência a entidades de fora do mito iorubá que se encaixam no conceito de “mãe preta” proposto pela escola.

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“Uma das coisas mais curiosas de quando a gente começa a se aprofundar nesses cultos às Iyamis é que nos deparamos com o culto do candomblé através das Obirinsá, que muita gente conhece como “Iabás”, que são seis orixás que também tem uma relação forte com essa simbologia materna. O mito iorubá diz que, além de Exu, Ogum e Oxalá, ainda tinha a presença de Oduduá, que ficou com a missão de moldar o ser humano através do barro. A figura materna está presente em todos os mitos religiosos, tanto afro-brasileiros quanto cultos africanos raiz, e também no nosso catolicismo, o nosso afro-catolicismo. Por exemplo, somos um país onde a padroeira do Brasil era considera até a década de 70 era considerada uma mulher preta, e depois a Igreja acabou adotando um embranquecimento dessa Nossa Senhora Aparecida. Talvez por uma questão não sei dizer se racial, não sei especificar, mas como de repente, na cabeça de muita gente, o Brasil poderia ter uma padroeira de pele preta. A gente pegou todos esses ganchos e transformou no enredo que ganhou o título de Um Culto Às Mães Pretas Ancestrais”, explicou.

Carnavalesco pé quente

Flávio Campello já demonstrou grande capacidade de trabalhar enredos afro. Em 2017, assinou o desfile que rendeu o primeiro título da história da Acadêmicos do Tatuapé. Como se não bastasse, até o momento tudo parece conspirar para mais um grande desfile sob sua batuta. Durante a conversa, o carnavalesco citou que 2023 é um ano regido por Oxum na crença do candomblé, e a entidade é inserida nos cultos à mãe africana Yalodê. A celebração dos 50 anos da Tom Maior é outro motivo que fortalece a crença do artista em um grande resultado neste carnaval.

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“Para mim foi um presente, porque meu último trabalho com um enredo afro deu super certo, que foi na Tatuapé, e eu gostei muito do resultado. Quem não gostaria de ser campeão com um enredo afro? E quando as pessoas vêm falar comigo sobre a questão do afro, o “afro do Flávio Campello”, elas dizem que a primeira coisa que acontece talvez seja o samba, que tenho sorte de, com enredo afro, para ter um samba-enredo maravilhoso, porque em 2017 o samba da Tatuapé era incrível e em 2023 o samba da Tom Maior, por mim, está maravilhoso. Acho que é um ano que a gente está colocando todas as nossas fichas nesse projeto, nesse enredo”, celebrou.

Curiosidades da pesquisa do enredo

O trabalho de pesquisa para a preparação desse culto proposto pela Tom Maior revelou elementos do candomblé até então desconhecidos por Flávio Campello, gerando uma oportunidade de realizar um desfile de temática tradicional no carnaval sem abrir mão de inovações.

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“No nosso segundo setor do nosso desfile, quando fazemos uma menção às Iyami. As Iyami é um culto dentro do candomblé que muita gente não conhece, e tem uma história muito bacana. Elas habitaram os sete pilares da Terra, que são as sete árvores sagradas. Nosso segundo carro representa isso, temos sete árvores sagradas, sendo que a principal ela mantém o equilíbrio entre o bem e o mal, e vem no centro do carro. É uma alegoria que eu gosto demais, porque ela tem dois lados. É uma alegoria que a mesma reprodução estética que tem na frente do carro, teremos atrás. Se o carro viesse de ré, ele poderia entrar na Avenida do mesmo jeito. Eu gosto muito desse carro, porque ele é dividido no meio. Quem olhar irá identificar o bem e o mal. É um carro que gosto muito dele. É todo em árvores. Teremos 44 pássaros pendurados nessas árvores, um grupo coreografado pela Flávia Rodrigues. A gente está apostando muito nessa cênica de desfile. Uma das coisas que eu pedi quando desenvolvemos o projeto foi a gente dar vida à nossas alegorias, teatralizar um pouco, tanto que as composições só teremos no Abre-alas, em nenhum outro carro teremos composição. A gente apostou muito esse ano. Os carros ficaram tomados de tanta gente coreografada que até destaques esse ano a gente só tem um, no Abre-alas, que é o Beto Sobrinho”, revelou.

Um carnaval inovador desde sua concepção

Flávio Campello demonstrou grande entusiasmo com o trabalho desenvolvido pela Tom Maior para o carnaval de 2023 ao longo de toda entrevista, e fez questão de contar as ideias inovadoras que foram aplicadas principalmente nos carros alegóricos. Além disso, mais uma vez, a escola oferecerá uma maneira das pessoas que assistirem ao desfile de terem um roteiro de toda apresentação em mãos.

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“Alegoria eu acho que será nosso ponto-forte esse ano. Nós temos a nossa terceira alegoria em que a gente desconstruiu a ideia de fazer uma alegoria em cima de um caixote. A alegoria tem seis esculturas, e são elas que mantém o carro em pé. É algo supernovo, super inovador. No centro tem uma das orixás, que é Oxum, e essa saia teremos 44 mulheres, todas de seis de fora. É um carro em que estou apostando muito minhas fichas também. Um carnaval inovador nas alegorias de modo geral, e vou dizer o porquê. Uma das minhas ideias de quando fechamos o projeto do carnaval é o que falei para a escola. Não quero vir com acoplados. O acoplado faz com que os nossos riscos sejam dobrados. Se no regulamento diz que é para virmos com quatro alegorias, viremos com quatro alegorias, e eu pedi para que a escola me desse a oportunidade para que zerássemos todas as nossas bases. Tenho quatro carros alegóricos, e cada um com uma identidade própria. Vocês verão que o conceito das alegorias esse ano é um conceito muito mais artístico. Isso, para a gente que trabalha com arte, que acho que o Carnaval é uma forma de arte plástica, acho que as pessoas vão se encantar. Esse encantamento é que estou apostando nas nossas alegorias. A volumetria das nossas fantasias, a gente sempre tenta levar para o público o significado dessas fantasias para que eles possam entender. No ano passado, nós viemos com uma faixa na frente da escola com o site da escola que, naquele momento do desfile, estava com um minilivro que o jurado recebe, com o que significa cada fantasia e cada alegoria. Da arquibancada, o pessoal, com smartphone, conseguia ver o mesmo material que o jurado via, e esse ano repetiremos isso. Acho que o nosso público merece isso, acompanhar o nosso desfile com aquela colinha na palma da mão. O nosso site é todo desconstruído para esse dia. Quem acessar o nosso site no dia do desfile só irá se deparar com o nosso livro, a nossa pasta do jurado. Isso ajuda bastante”, revelou.

O papel fundamental do novo presidente

A Tom Maior teve uma baixa inesperada durante o pré-carnaval. A presidente Luciana Silva se desligou da escola alegando motivos pessoais. Quem assumiu a liderança da Vermelho e Amarelo foi o então vice-presidente e também comandante da bateria “Tom 30”, Mestre Carlão. Flávio Campello exaltou muito o papel de liderança exercido pelo novo presidente.

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“Eu estava conversando com o presidente Carlão, e nós estávamos discutindo sobre a finalização desse projeto. Está de uma forma tão tranquila que até mesmo nos assusta. Nós só temos uma ala para realizar a reprodução e finalizar nosso projeto, e nós já estamos na nossa última alegoria (a qual a escola já anunciou sua finalização), tendo só o carro da comissão de frente para trabalharmos até o tempo que a gente precisa, na semana do Carnaval para deixarmos do jeito que a gente quer. Isso fez com que a gente investisse um pouco mais na alegoria da Comissão, teremos água nesse carro, teremos toda uma produção que eu acho que acaba nos favorecendo por nós termos tempo para finalizar esse projeto dessa forma como nós estamos, confortável. Nosso cronograma é um cronograma que o presidente sempre gostou de nos proporcionar. O Carlão é um administrador que acho que todo carnavalesco gostaria de ter, porque ele é um gestor. Acho que por ele ter sido empresário na maior parte da vida dele, favorece muito essa gestão. Todo carnavalesco gosta de ter um projeto em que a gente consiga, como no ano passado, quando o Carnaval foi em abril, se nosso desfile fosse em fevereiro, no dia normal, estávamos com o Carnaval pronto. Isso é a gestão do Carlão, e para todo carnavalesco isso é maravilhoso”, declarou.

Conheça o desfile da Tom Maior

Setor 1: O mito da criação: “A gente começa com a primeira mãe, a primeira Iyá, que é Oduduá. Pegamos o mito iorubá da criação do mundo, dos humanos, do homem e da mulher. Teremos os orixás nessa alegoria, Oduduá grávida. Temos simbologias muito fortes no culto iorubá-nagô”.

Setor 2: “A gente chega, através do segundo setor, às Iyamis. Representa essa coisa da mãe educando seus filhos através das Iyamis. A gente fala da Eleiés, porque essas Iyamis vieram habitar os sete pilares da Terra em forma de aves, que eram aves sagradas. Nesse segundo setor, a gente fala da representatividade dessas árvores na vida da gente. A gente tem, por exemplo, Orubô, que representa a árvore da justiça e foi uma das moradas das Iyamis. Temos o baobá, que representa a serenidade e a paz. Temos a figueira que representa a árvore do perdão. Temos a cajazeira, que é a árvore do equilíbrio. Temos sete árvores muito fortes e marcantes, tanto que elas são, em alguns momentos do candomblé, respeitadas como algo simbólico através da representatividade que essas árvores tem para o culto do candomblé. Nós temos o Iroco. Nós temos muitas árvores que o candomblé exalta e respeita, e essas árvores estão presentes no culto às Iyamis”.

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Setor 3: “No terceiro setor, a gente fala das Obirinsá, que são as orixás que tem essa coisa relacionada ao seio materno. Fala dessa questão da mãe que abraça seu filho, a mãe que cuida desse filho. Representamos através das Ibirinsás, das orixás femininas. Acho que o meu terceiro setor é um setor que eu gosto muito. Teremos uma grande ala composta por 324 componentes, que são as alas das orixás. São seis fantasias com 54 de cada uma na Avenida, formando uma fila de um carro ao outro, uma ao lado da outra”.

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Setor 4: “A gente fecha o nosso enredo falando das santas mães pretas, que são santas que foram canonizadas, que possuem a sua peregrinação, a sua devoção, inclusive, a Nossa Senhora Aparecida, que temos nessa última alegoria nossa uma desconstrução da imagem da Nossa Senhora Aparecida. Colocamos ela toda com trajes e traços africanos, o manto azul também vai ganhar uma nova roupagem. Faremos uma releitura da imagem da Nossa Senhora Aparecida, automaticamente com todo respeito que a imagem oferece, afinal é a padroeira do nosso país, fora todas as outras santas que traremos. Esse último setor nosso é um congraçamento de todas essas santas que muitas vezes foram escondidas pela Igreja Católica. Santa Efigênia, a escrava Anastácia, que no Rio de Janeiro tem uma Igreja maravilhosa. A própria Sara Kali, que é uma santa preta que muita gente não conhece. A gente tem Bakhita. Temos uma infinidade de santas de pele preta que levaremos para a Avenida em forma de mães, como se fossem as nossas mães pretas em um grand finale. Acho que o culto afro-cristão é uma coisa que irá tocar muito, irá emocionar, porque teremos nessa alegoria o passado e o futuro da nossa escola integrados, que são a Velha Guarda e as crianças. Esse nosso enredo é um enredo que fala nada mais, nada menos da importância que as mães têm nas nossas vidas. Eu digo isso, não só a nossa mãe que nos gerou, mas as mães de forma geral. Eu acho que todas as mães deveriam ser canonizadas. A nossa mensagem do último setor é essa, mostrar que todas essas mães que nós temos estão ali, presentes e representadas em toda as imagens das nossas santas, na presença da Velha Guarda e das nossas crianças, tanto que as nossas crianças viram com algumas mães pretas que a gente vai colocar junto. É um final que irá emocionar”.

Ficha técnica
Enredo: “Um Culto às Mães Pretas Ancestrais”
Alegorias: 4
Alas: 16
Componentes: 1900

Série Barracões: Salgueiro apresenta versão do paraíso em desfile que vai valorizar a liberdade de expressão

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Em 1989, Joãosinho Trinta, revolucionou o carnaval apresentando um enredo que ia na contramão do luxo apresentado pelas escolas, mostrando o contraste entre fantasia e a vida real com o magnífico “Ratos e Urubus, Larguem a Minha Fantasia”. O carnavalesco, falecido em 2011, é um ícone da festa e inspiração para diversos artistas da folia, entre eles Edson Pereira, que vai fazer em 2023 sua estreia na Academia do Samba. Incomodado com um rumo que o carnaval vem tomando em relação ao julgamento e um certo aprisionamento do fazer criativo da festa, Edson buscou inspiração em João Trinta para formular um enredo que passa muito por essa crítica aos pré-julgamentos, a intolerância, ao apontamento dos erros das outras pessoas, e dessa forma, olhando para alternativas, tentar criar uma paraíso salgueirense, não algo perfeito, mas que valoriza o respeito para com o próximo.

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Fotos: Lucas Santos/Site CARNAVALESCO

Campeã pela última vez em 2009, o Salgueiro, nove vezes vencedor do Grupo e Especial, apostou em Edson Pereira para repaginar um pouco a sua produção criativa e narrativa, mas valorizando a essência de uma escola que não é nem melhor e nem pior, apenas diferente. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, o artista explicou como surgiu a ideia de apresentar uma nova versão de paraíso baseada muito nas potencialidades que a folia traz e valorizando a liberdade de expressão tão cultuada por João Trinta, inspiração e mentor de Edson.

“Essa ideia parte do princípio da dificuldade que eu vejo, e algum tempo já, desse novo momento do carnaval, de um julgamento que existe e você perde a liberdade de se expressar. O João tinha muito isso. Por isso eu falo muito do João e uso o fio condutor o João Trinta. Porque ele tinha com grande propriedade essa pegada de criar um enredo completamente onírico, com embasamento , mas sem esse compromisso filosófico. Ele fazia carnaval, muito para o povo, muito direto, descritivo, sem ter esse comprometimento filosófico. Eu sinto hoje esse ‘engaiolamento’ do artista. Isso acaba aprisionando ele dentro de um critério de julgamento que é justamente sobre isso que a gente quer falar. Sobre o apontamento, sobre o julgamento. A gente cai nesse universo muito atual que é o apontamento que as pessoas fazem para as outras, e colocam as verdades delas para virar verdades absolutas, e a gente vive a todo momento sendo julgado. O que a gente quer pregar é a liberdade de expressão. Esse é o foco do enredo só Salgueiro”, explica Edson.

Com enfoque maior na luta pela liberdade de expressão e com uma mensagem de respeito, Edson também pretende ressaltar neste carnaval uma valorização da produção criativa do carnaval com modos e padrões sustentáveis em relação ao futuro da folia.

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“É um processo criativo. Quando você tem liberdade de expressão, como o João tinha, você começa a entender muito mais aquele momento. E você começa a pensar, não igual, mas similar e se identificar com tudo isso. O João transformava o lixo em luxo. Isso a gente já sabe, é uma frase já clichê, mas a gente entra nesse universo também e vê que lá atrás ele já pensava desse jeito quando o pensamento sustentável para o carnaval é tudo que a gente mais precisa hoje. Entender que o carnaval precisa crescer, se modificar sim, mas pensar nesse crescimento de forma sustentável. Transformar o material alternativo em material rico. Quando as pessoas falam que o carnaval do Edson é muito rico e grandioso, é tudo ilusão, é tudo uma mágica. Isso tem muito do João, tem a influência do João ali”, define o carnavalesco.

Ainda que não esteja diretamente no desfile do Salgueiro, João Trinta é inspiração para Edson na busca por desenvolver a sua própria visão do que seria um paraíso, amparado claro na tradição e na essência do salgueirense, também colocado como protagonista neste carnaval.

“Eu uso o João como fio condutor do meu pensamento. O João já expôs o paraíso de diversas formas e em outros enredos. Esse paraíso específico é do Salgueiro, criado pelo Edson, que se inspira no João. A gente está falando de um paraíso desconstruído, não aquele paraíso que a gente vê na filosofia, que ensinaram para gente. É um paraíso muito particular. O Salgueiro convida as pessoas a viver o seu próprio paraíso. Esse é o paraíso do Salgueiro. Embarque nessa filosofia, nesse paraíso que a gente vai te levar a um grande desfile que não propriamente existe essa regra de um paraíso perfeito. Nós não vivemos em um paraíso perfeito. Nós não vivemos em um mundo perfeito. Não vivemos para ser julgados”.

Paraíso salgueirense será diferente do Éden usual

Na busca por apresentar uma alternativa ao paraíso que a filosofia, a religião historicamente representou, o Salgueiro quer fazer uma crítica aos julgamentos, às condenações, aquilo que é proibido por não se encaixar em uma moral imposta pela sociedade. Esta mensagem, acredita Edson, é um das grandes armas da Academia para fazer um desfile inesquecível.

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“Acho que o grande trunfo do Salgueiro está em cada momento. Porque tudo foi muito pensado. Quando a gente entra com o paraíso vermelho, a gente está falando de um paraíso julgado profano. O vermelho é profano. Quando você pensa no paraíso que te ensinaram, que a sociedade coloca como paraíso, é um paraíso verde, cheio de arbustos, de flores. Não, esse é um paraíso construído pelo Salgueiro, tem as propriedades muito particulares do nosso enredo e não tem proibição. Por mais que a gente faça um embasamento no pecado original, que foi o que nos ensinaram, que Adão e Eva foi lá e comeu a maçã, e virou o fruto proibido, tudo isso existe, mas a gente desconstrói essa narrativa para mostrar que neste momento não existe pecado em ser feliz, não existe pecado em estar neste paraíso vermelho. É só a gente respeitar o próximo. Se você respeitar o próximo, o resto está tudo certo”, esclarece o carnavalesco.

Em paralelo a um carnaval que teve muita autonomia para escolher o tema do enredo e desenvolvê-lo, Edson Pereira lembra da infância pobre, do menino que via carnaval na televisão dos outros e que hoje chega a outra agremiação de grande renome no carnaval carioca.

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“Ser carnavalesco do Salgueiro, primeiro é um sonho. É um sonho de qualquer menino que chegou ao Salgueiro. Eu fiz carnavais na Estrada Intendente Magalhães, carnavais grandiosos na Viradouro, fui campeão por outras escolas, trabalhei na Vila, mas o Salgueiro é uma escola que já diz, não é melhor e nem pior, é diferente. Fazer parte do Salgueiro muito me orgulha, porque chegar até aqui é a realização de um sonho. Eu estou muito feliz, e mais feliz ainda porque o enredo é autoral, no qual eu fui permitido a fazer aqui no Salgueiro. E o enredo tem uma relação muito grande com tudo que a gente pensa hoje para o Salgueiro, dessa virada, dessa desconstrução, dessa nova realidade. Não que as outras fossem ruins, mas um novo momento também para o Salgueiro”, aposta.

Artista traz para Academia carnaval grande e bastante vermelho

Esteticamente, o Salgueiro deve buscar uma linha que fuja um pouco dos últimos anos. Edson ficou conhecido na Vila e na Unidos de Padre Miguel pela grandiosidade de suas alegorias e de seus desfiles. A ideia é manter estas características no Salgueiro, até porque seu nome se valorizou nos últimos anos por essa forma de trabalhar.

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“O maior tamanho de carro é 100 metros de alegoria. O abre-alas são três chassis, um deles é acoplado, é a permissão da regra. Não optamos por tripé porque todas as alegorias são grandes, não caberia um tripé no desfile do Salgueiro, porque senão você começa a mexer com logística do carnaval, harmonia do carnaval, é um ano de preparação para entender as proporções do meu carnaval. Mas,a gente pode imaginar um Salgueiro grandioso, porque não seria o Edson, essa marca já foi impressa nos carnavais que eu fiz nos últimos anos. Acho que se eu não fizesse dessa forma também seria cobrado e acredito até o fato de eu estar aqui hoje no Salgueiro, esse foi um dos motivos. O Salgueiro queria isso. Eu venho para somar a uma grande escola fazendo um grande carnaval. É um pouco de visão minha pessoal para o carnaval do Salgueiro e aí a gente vai aos poucos fazendo adaptação e de repente ano que vem vai ser muito maior”, acredita Edson.

O próprio samba fala de um paraíso vermelho, um paraíso diferente daquele presente nas narrativas que nos chegaram pela religião, por exemplo. O vermelho, aliás, sempre foi associado ao contrário. Ao sofrimento, ao pecado, à maçã, o fruto proibido, o fruto vermelho. Mas para Edson Pereira, justamente o rubro, cor principal do Salgueiro, é a que vai ser predominante no desfile da Academia.

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“Vermelho é paixão salgueirense. O próprio samba já diz. Vale a construção do artista não se prender especificamente a uma só cor. Mas o meu enredo fala de um paraíso vermelho. É o paraíso do Salgueiro. É um paraíso vermelho que dá orgulho ao povo salgueirense. Você vai ver muito vermelho, mas você vai ver o vermelho colocado de várias formas, o vermelho em vários momentos diferentes. Foi muito pensado estrategicamente as colocações de vermelho. E quando você fala em vermelho, não existe só um tom de vermelho, são 50 tons de vermelho”, brinca o carnavalesco ao falar sobre a paleta de cores.

Inovações vão estar presentes, mas não resumidas em artifícios tecnológicos

Ao ser questionado se vai optar por um carnaval mais tradicional e de mais inovações, Edson apontou que seu trabalho é ao mesmo tempo pautado por um resgate da essência do Salgueiro, buscando trazer muitas surpresas, inovações, mas não necessariamente artifícios tecnológicos, ou pirotecnia. O uso de materiais alternativos é um dos segredos deste desfile.

“Teremos várias inovações, a gente fez uma análise dos últimos carnavais do Salgueiro, e a gente quer fazer completamente diferente para que a gente mostre o quanto a gente evoluiu nesses últimos tempos. Vai ter muita coisa nova, muita coisa diferente. Mas, não coisas mirabolantes, caras, trazidas de fora, não. É a nossa essência, é a essência do carnaval, tem muita coisa que foi feita no Salgueiro de forma artesanal, como o tradicional carnaval faz. Mas são coisas diferentes, que a gente já podia ter utilizado e não utilizamos, ou por falta de tempo, ou de repente por falta de conhecimento. É um carnaval que foi muito pensado”, entende Edson Pereira.

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Edson faz questão de ressaltar a equipe que o acompanha e hoje está ajudando a produzir o desfile do Salgueiro 2023. Na parte mais burocrática, cuidando dos documentos, tem o estudante de cenografia Artur Paschoa. Atalo, também estudante de cenografia, cuida da parte de protótipo e criação, além de auxiliar o arquiteto. Denise Mattos é a assistente pessoal do Edson, cuida também da coordenação da equipe e cronograma. Ruan Rocha é antropólogo e auxilia Edson nas pesquisas, roteiro e desenvolvimento de sinopse, enredo. Já Monclair Filho é o arquiteto responsável.

Conheça o desfile do Salgueiro

“Delírios de um paraíso vermelho” terá cinco alegorias, 28 alas e cerca de 3200 componentes. O carnavalesco Edson Pereira contou mais sobre o que vai contar em cada setor deste carnaval 2023 do Salgueiro.

Primeiro Setor
“No primeiro setor nós reconstruímos o paraíso, com um clima bem tropical e exuberante”.

Segundo Setor
“Falamos dos pecados nessa filosofia que a gente aprendeu. Mas o que é pecado? Quando você aponta o dedo para alguém, está apontando para você mais quatro dedos. A gente fala, então, dos sete pecados capitais e desse apontamento. De como o ser humano vem se destruindo à medida que ele condena o próximo”.

Terceiro Setor
É o setor do apocalipse, quando tudo se transforma em uma autodestruição para o próprio ser humano. Nossa relação com as guerras e com o caos nos conduzindo ao fim dos tempos.

Quarto Setor
“Neste temos uma redenção de tudo isso. A gente fala dos remidos, aqueles que foram condenados e hoje a gente traz eles de volta em um momento em que a gente vai mostrar que não é pecado o que eles fizeram. O que supostamente seria pecado quando dizem que eles foram condenados por aquele pecado. A gente mostra que não é pecado ser feliz”.

Quinto Setor
“A gente fala do carnaval enquanto festa profana, apontada pela população como festa pagã e é justamente o contrário, é onde você tem a maior liberdade de expressão, você pode ser rico, pode ser pobre, pode se fantasiar, você pode ser o que quiser. A gente fecha o desfile mostrando que não é pecado ser feliz e que o carnaval representa esse paraíso que só traz felicidade para a gente”.

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Maria Mariá traz a potência do CPX para a Imperatriz Leopoldinense

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Uma das maiores apostas da Imperatriz Leopoldinense para 2023, Maria Mariá brilha no pré-carnaval, provando que não se assusta com a grandiosidade do posto de rainha de bateria. A jovem, de 20 anos, faz parte da escola desde criança, quando iniciou sua carreira na ala mirim.

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Fotos: Nelson Malfacini/Divulgação Imperatriz

Com a recente promoção e a enxurrada de eventos, o site CARNAVALESCO pediu que fizesse uma análise do papel de uma rainha. Maria conseguiu sintetizar sua opinião: “(Preciso) representar todo o amor do pavilhão, principalmente por estar na frente do coração da Imperatriz, a bateria. Já era o que ditava o meu samba na época de passista, então agora mesmo que enxergo a posição com responsabilidade”.

Ainda assim, ela admite que se pressiona para dar o seu melhor na Avenida. O ensaio técnico foi uma das ocasiões em que a ansiedade pôde ser sentida. “Foi uma mistura de nervosismo e alegria. A gente sempre cria expectativa e sai tudo diferente, porque é uma coisa nova, mas foi até melhor”, comentou.

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Nascida e criada no Complexo do Alemão, Maria só acumula motivos para ter orgulho de sua trajetória. Ela estuda comunicação social na Universidade Federal do Rio de Janeiro, e gosta de estar presente em debates sobre pautas sociais. Desde sua coroação, leva um pouco dessa essência para o carnaval.

Leandro Vieira, carnavalesco da Imperatriz, a presenteou com uma coroa banhada a ouro em formato de boné com a sigla CPX. Além de se emocionar com a homenagem, Maria guarda com carinho o objeto personalizado.

“Aquilo foi lindo. Para mim, é muito especial mostrar que existem várias pessoas dentro das comunidades do complexo, então é importante levar esse simbolismo para a Sapucaí. A sacada do Leandro com a minha coroa foi incrível, e eu não sabia de nada”, afirmou.

Para uma agremiação que precisava tanto de uma figura de sua comunidade em destaque, Maria não somente representa de uma ótima forma, como também tem potencial para elevar a Imperatriz Leopoldinense na luta pelo campeonato carioca.

Giovanna Alparone é a mais nova musa da Vigário Geral

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Com enredo infantil, Acadêmicos de Vigário Geral segue trabalhando forte para brilhar no Carnaval 2023. A agremiação ganhou um importante reforço. Trata-se da atriz, modelo e cantora Giovanna Alparone, a mais nova musa da agremiação. Com mais de quatro milhões de seguidores nas redes sociais, Giovanna Alparone desfilará pela primeira vez na Vigario Geral na frente da ala das crianças. Giovanna, mais conhecida pela criançada como Gi, tem apenas 13 anos de idade e já coleciona mais de 13 filmes nas telas nacionais. Eufórica, ela agradeceu a oportunidade para desfilar na escola.

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“Estou muito feliz em desfilar pela primeira vez na Vigário Geral, que vem trazendo um enredo infantil e super alegre. Estou fazendo aulas de samba com a minha amiga Egili Oliveira, rainha de bateria da escola, e já estou com o samba na ponta da língua. Será um momento inesquecível na avenida”, afirma Gi Alparone

Segundo o diretor de musas, Dhiego Gervazzoni, a chegada de Giovanna Alparone é um marco na Vigário Geral. O diretor destaca a importância dela com a criançada:

“Estamos muito felizes com a chegada da Gi em nossa agremiação. Ela possui um carinho especial pelas crianças e essa troca com a criançada é muito natural e bonita. Temos certeza que ela será um grande reforço para o nosso time de musas. Estamos alegres demais com o presente da nossa rainha Egili Oliveira e com a chegada da Gi”, comenta Dhiego Gervazzoni.

Em busca do título da Série Ouro, a Acadêmicos de Vigário Geral será a terceira escola a desfilar na Marquês de Sapucaí, sexta-feira, no dia 17 de fevereiro. De autoria dos carnavalescos Lino Sales, Marcus do Val e Alexandre Costa, a agremiação vai apresentar o enredo “A Fantástica Fábrica da Alegria”.

Independente encerra ciclo de ensaios técnicos mostrando extrema garra da comunidade

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A Independente Tricolor realizou o seu segundo ensaio técnico visando o carnaval de 2023. O destaque para o treino foi a forte garra que a comunidade mostrou. O canto no ritmo de guerra do seu enredo manteve a regularidade nos três testes da agremiação. Mas, sem dúvida, foi uma grande crescente. Nesta noite a comunidade estava mais solta. Literalmente dava para notar muitos componentes gritando o hino da entidade tricolor. A comissão de frente foi outro ponto forte. Mesmo que a interpretação tenha sido complexa, a encenação se fez muito rica em detalhes. A bateria ‘Ritmo Forte’ de Cassiano Andrade e o carro de som liderado por Pê Santana, também são válidos de ressaltar. Por isso uma grande harmonia foi desenvolvida neste ensaio.

“O ensaio de hoje foi muito positivo. Nós trabalhamos nesses 10 dias toda a parte técnica da escola e tudo o que precisava para acertar o nosso andamento. Foi um ensaio realmente técnico. Nós combinamos que hoje seria o nosso desfile e no nosso desfile seria o desfile das campeãs para a gente ir com a certeza de um trabalho bem feito. A Independente hoje esgotou as possibilidades de erros e a nossa ideia agora é só desfilar”, avaliou a diretora de carnaval, Luciana Moreira.

Comissão de frente

A ala se apresentou vestindo uma roupa inteiramente branca. Desta vez, mostrou uma coreografia que deu um ar de característica diferente dos demais ensaios. Já havia sido assim na outra oportunidade. Na encenação havia 14 personagens com espadas e apenas um com dois martelos em ambas as mãos. A ala fazia vários movimentos e coreografias, mas vale destacar um ponto chave: Em determinado momento, um grupo se separava do outro e faziam olhares aparentando lutarem entre si. Esse personagem do martelo ficava no meio como se fosse algum tipo de “entidade” tentando separar, embora não fizesse o movimento para tal. Vale destacar os vários momentos em que a comissão saudou o público. Também foi grande destaque na apresentação.

IndependenteTricolor et ComissaoFre

Harmonia

De longe foi o quesito destaque da agremiação tricolor. Impressionante como a comunidade gritou o samba. Não deixaram o ritmo dos dois últimos ensaios caírem, pelo contrário. Dá para dizer que houve uma leve evolução no canto. Além do volume, foi tudo muito sincronizado. Isso se nota na bossa do refrão principal, onde o mestre Cassiano Andrade fez o apagão e a comunidade canta em uma só voz. O refrão principal se destaca. Também vale ressaltar os versos “Avante minha escola, rumo a vitória, esse é o meu lugar… Conquiste a avenida, a invasão vai começar”. É uma voz solta de libertação de quem sofreu tanto nos últimos anos e realmente pôde dar a volta por cima. As partes que se cantam “Ôoo”, cujo se localiza no refrão do meio, a entonação vai para cima também.

Luciana Moreira, diretora de carnaval falou sobre o canto da comunidade. “O nosso ponto forte é o canto. O samba emociona, toca no coração da Independente, porque é abordar o nosso carnaval em uma história de amor. A Independente é uma escola muito apaixonada. O nosso ponto forte mesmo é o canto e o amor”, disse.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Jefferson Antony e Thais Paraguassu fez um ensaio agradável. Usaram muito os giros horário e anti-horário para depois mostrar o pavilhão. Executaram a coreografia dentro do samba, mas o primeiro movimento citado predominou o bailado. A dupla encontrou a pista seca e isso culminou totalmente para o sucesso da apresentação. Com uma estratégia de não comprometer a evolução, o casal ensaiou cercado por cinco guardiões na frente e atrás.

IndependenteTricolor et PrimeiroCasal

“Hoje foi um dia em que eu estava bem emocionada. Eu chorei na entrada, o que é muito raro acontecer. No ensaio pode, né? O que não pode é no desfile. Eu fiquei muito emocionada hoje, e com certeza foi nosso melhor ensaio. Viemos deslizando na Passarela, fazendo todas as obrigatoriedades do quesito. Viemos leves e tranquilos, exatamente como queremos vir no dia do desfile, com tranquilidade, desempenhando o nosso papel e apresentando tudo que é obrigatório pelo regulamento”, comentou a porta-bandeira

“Exatamente o que a Thais disse. Desde o início, quando começamos os ensaios, eu não tinha visto ela emocionada como hoje. Hoje foi o contrário, quando eu estou emocionado, ela não está, e quando ela está, eu não estou. Parece que um dá força para o outro, mas vê-la emocionada me deu aquela motivação a mais para entrar com garra. Entramos brincando mesmo o Carnaval, claro que com todos os movimentos obrigatórios. O que manda o regulamento, nós fizemos bonitinho, mas a gente hoje veio do jeito que esperamos estar no dia, descontraídos, alegres e com energia maravilhosa. E com essa comunidade, que não tem como não se emocionar, não vibrar e não cantar. É demais”, completou o mestre-sala.

Evolução

A escola evoluiu de forma correta. Em algumas alas houve uma pressão por alinhamento e, em outras, os componentes dançavam livremente de um lado para o outro. O que deu para notar de concreto foi a animação dos componentes. Gritavam, pulavam e batiam no peito. O enredo fala de guerra e a comunidade comprou a ideia disso. Não é uma coreografia obrigatória, mas no verso “sou mais você Independente”, deu para ver muitos componentes fazendo o gesto característico da torcida, que é cerrar os punhos em formato cruzado.

IndependenteTricolor et Baiana

Samba-Enredo

É um hino feito totalmente para a comunidade. Como dito anteriormente, é para soltar aquela voz de libertação que estava entalada há alguns anos, após tragédias que aconteceram na agremiação tricolor. O intérprete Pê Santana é pouco comentado no carnaval paulistano, mas teve uma participação gigante nos treinos. Colocou os componentes para cima com os seus cacos e bordões. Na arrancada também foi fundamental.

IndependenteTricolor et InterpretePeSantana

“Fizemos o nosso terceiro e último ensaio aqui, ainda temos um de rua para finalizar nossa temporada antes de voltarmos ao desfile. E foi muito positivo, mais uma vez bem positivo. Vemos pela cara da nossa harmonia que o pessoal curtiu bastante, com certeza tem coisas a ajustar, é o normal, por isso que existem esses ensaios. Mas acho que estamos no caminho certo, escola é muito forte, canta forte, e que está preparada para esse desfile, nos preparamos muito para esse dia. Foi melhor em tudo, desde o primeiro, o segundo fomos mais valentes, secamos mais o coral, nós da ala musical deixamos com mais pressão, neste terceiro foi um pouco melhor ainda. Faltam algumas coisas ainda, mas já fomos melhores neste terceiro ensaio, mas estamos aí, corrigindo, temos mais um no de rua para ajustar e chegar redondinho”, avaliou o intérprete Pê Santana.

O cantor comentou do canto e disse que é o ponto chave da agremiação. “Ponto chave é o ponto forte da Independente, é o canto da escola, tem um canto forte, e tem demonstrado isso a cada ano que passa. Não só aqui, mas nos ensaios de rua, apresentações fora da comunidade, outras quadras. Tem uma característica, que é um canto absurdo, a escola canta muito mesmo, a gente vai tentar fazer valer a pena, é a nossa cereja do bolo”, finalizou.

Outros destaques

A bateria “Ritmo Forte”, regida pelo mestre Cassiano Andrade, foi outro ponto para potencializar o ritmo da escola. Os apagões foram realizados com sucesso, principalmente no primeiro refrão.

“Os pontos de melhoria do primeiro ensaio foram inteiramente resolvidos. Esse ensaio me deu uma sensação de alívio, de mais confiança para desfilar. O trabalho está pronto e feito. A bateria está muito mais segura, uma evolução do primeiro ensaio para o último muito grande. Apesar do primeiro ter sido muito legal, bom e positivo para a gente, hoje deixou a gente muito mais confiante. Todo mundo mais calmo e tranquilo, sem aquela afobação de querer saber qual vai ser a bossa e etc. É só descer a pista! O trabalho está pronto. Vamos desfilar, a escola está pronta e a bateria também. Está tudo no lugar, está legal”, disse o mestre Cassiano Andrade.

IndependenteTricolor et Ala

O mestre também falou sobre os apagões realizados e foi breve. “Com certeza! Todo mundo cantou”, completou.

Os guardiões do casal de mestre-sala e porta-bandeira faziam certas coreografias, levantando os bastões em que carregavam. Todas as alas levaram bexigões nas cores brancas.

Após pancada de chuva, Dragões canta em alto e bom som no último ensaio técnico no Anhembi

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Diz a mitologia que dragões são criaturas de aparência reptiliana e imponente que, dentre diversos poderes especiais, dominam o e lançam fogo. Como será que eles, então, reagem à chuva? Ao menos a Dragões da Real, no domingo, no segundo e último ensaio técnico da agremiação no Anhembi visando o Carnaval 2023, teve desempenho bastante satisfatório: a água que caiu do céu nos primeiros vinte minutos da apresentação, além de não apagarem o fogo da Dragões, tornou-se combustível para que os componentes cantassem ainda mais forte o enredo “Paraíso Paraibano – João Pessoa, A Porta do Sol das Américas”.

Harmonia

O primeiro setor da escola, que por vezes acaba focando em coreografias diversas e não no canto, já se destacava também na condução do samba. Tal situação foi se repetindo a cada ala – e, logicamente, em cada setor. Não faltou, em momento algum, força da comunidade ao colocar o samba para frente.

DragoesDaReal et

Tal força do canto também foi reconhecida pelas arquibancadas, que cantaram a canção com força. Nas últimas grades do corredor, um reforço de peso para que os componentes seguissem engajados: Renato Remondini, popularmente conhecido como Tomate, sempre pedia mais força no canto para os integrantes – sendo que eles, como já dito, não deixaram de cantar em momento algum.

No corredor da avenida, entretanto, os staff tinham uma preocupação: o alinhamento das alas. Como o canto não era um problema, eles tinham outras situações para prestar atenção. Já no final da apresentação, por sinal, eles se organizaram para buscar algumas placas colocadas ao longo do Anhembi – leia mais na seção “Outros Destaques”. Curiosamente, uma das alas que menos cantou foi, justamente, a bateria.

Escola que costuma executar diversos sambas para esquentar os componentes na Concentração do Anhembi, Renê Sobral explicou como a agremiação lida com tais canções do passado e como utiliza tal situação para motivar os desfilantes: “Eu sou sempre a favor de cantar coisas da escola, como sambas antigos. A Dragões é uma escola jovem ainda, mas ela se renova. Tem muito samba bom que acaba caindo no esquecimento porque não é cantado. Tem sambas-exaltação, tem hino da bateria, das baianas… o que fazemos é elencar algumas coisas que são legais, que o povo vai cantar no esquenta, para a avenida, no dia do desfile. O tempo é curto, mas conseguimos colocar alguns sambas históricos da escola. Na quadra, já fazemos uma grande festa: cantamos coisas de São Paulo, Rio de Janeiro, bloco, folia, tira uma onda e, depois, fazemos o ensaio sério. É mais ou menos essa mesclada que a gente faz”, ratificou.

Klemen também destacou que o ensaio técnico foi bastante produto: “Deixamos o clima e o ritmista mais leves. Já ensaiamos o tempo inteiro, fizemos o primeiro. Então, tudo que tinha para consertar e ensaiamos já ensaiamos. Hoje foi, praticamente, foi um pré-desfile. No dia, esperem muito ritmo, muitas bossas, um show de carnaval e um show de ritmo”, destacou.

A chuva também não assustou Márcio Santana, diretor de carnaval da agremiação: “Primeira fomos premiados com um banho logo na largada. Em muitas situações, isso tiraria um pouco do ânimo dos componentes, mas para a nossa surpresa não. Acho que a água estava tão fria que eles se motivaram a pular e cantar, evoluir ainda mais para se manter quentinhos também”, relembrou.

Samba-Enredo

Bastante leve, a canção escolhida pela Dragões da Real foi, de imediato, abraçada pela comunidade. Mais do que isso: conforme o tempo passa e o carnaval vai se aproximando, ele parece render ainda melhor. Seja graças aos ajustes feitos pela ala musical da agremiação, seja pelo quanto os integrantes respondem a ele.

Mesmo elogiando a canção, Renê Sobral, intérprete da escola, pontuou que ainda podem ser feitas alterações: “Sempre tem algum detalhe que a gente sempre faz uma limpeza ou aprimorando. Nunca está 100%. Alguns erros que foram cometidos, alguns detalhes dos outros ensaios a gente tenta corrigir, porque ensaiar no Anhembi é bem diferente. Hoje, porém, a gente já vem com uma pressão de desfile oficial. Testamos o que a gente quer fazer, porém, se tivermos que fazer alguma limpeza, iremos fazer para desfilar com um grande espetáculo”, deixou no ar.

DragoesDaReal et Destaques

O rendimento da canção melhorava ainda mais quando a Ritmo Que Incendeia executava alguma convenção: a comunidade comprava a ideia dos ritmistas comandados por mestre Klemen Gioz e subia o som. O ritmista-mor, por sinal, gostou do que ouviu na passarela: “A chuva veio para abençoar, graças a Deus não atrapalhou em nada. Deu mais um gás na escola, a chuva é boa por causa disso. Como toda a bateria, toda escola, faz um primeiro ensaio técnico prontos para errar, acertar, e tudo mais. E conseguimos acertar uns detalhes que ficaram no primeiro, estamos prontos para o grande dia”, pontuou.

Mestre-sala e Porta-bandeira

A exibição de Rubens de Castro e Janny Moreno pode, tranquilamente, ser dividida em duas partes – cada uma com a apresentação em duas cabines de jurados. Nas duas primeiras, a dupla teve giros mais lentos, além de girar um pouco menos que o normal. O motivo era a chuva, forte e que caía insistentemente nos primeiros vinte minutos do ensaio técnico. Ambos, por sinal, estavam dançando bastante próximos mesmo no começo da exibição.

DragoesDaReal et PrimeiroCasal

As dificuldades iniciais foram retratadas por ambos em entrevista ao CARNAVALESCO logo após o encerramento da apresentação do casal. “Vou falar uma coisa para quem está lendo a matéria: a única coisa que a gente arrumou foi o sorriso na chuva. Sabe por quê? Foi perfeito. Eu sou chato, ela é chata, mas nós conseguimos executar, com inteligência emocional, todos os movimentos obrigatórios e pré-dispostos para a gente. Então, o único momento que tivemos que arrumar foi o sorriso na chuva, já que eu engasguei com a água”, pontuou Rubens, com um bom humor que se repetiu ao longo de toda a entrevista. Janny aproveitou para relembrar outros trabalhos realizados: “Nós ensaiamos na última quarta-feira e tivemos algumas coisas para arrumar. E, também, tivemos ensaios específicos – foi lá que nós arrumamos tudo. Hoje, enfrentamos um pouco de chuva e dificuldade, mas deu para corrigir”, destacou.

Vestidos majoritariamente de pretos com alguns detalhes em prateado, uma das características mais marcantes dos primeiros momentos de Rubens e Janny foi o spray d’água que saía do pavilhão, sobretudo quando ele era girado. Tal curiosidade, entretanto, em nada atrapalhou a apresentação.

DragoesDaReal et PrimeiroCASAL 2

Quem mais sofreu com o spray, por sinal, foi Rubens, que divertiu-se lembrando de um momento curioso: “Não atrapalha! Houve um momento engraçado em que um desses sprays d’água entrou direto na minha garganta. Pela primeira vez na minha nova parceria com a Janny, eu venho cantando e interpretando o samba o tempo todo. E eu tive que parar em uma passagem do samba para desengasgar. Eu sou assim, nós somos assim, somos o Casal Sorriso, casal da melhor idade, dos quarenta anos”, riu. Janny continuou no momento leve: “Para mim foi tranquilo, já que eu não sinto, eu jogo o spray d’água”, riu.

Exibição que, por sinal, ficou ainda melhor a partir da terceira cabine. Bem mais soltos, sem chuva e com a passarela cada vez mais seca, o casal teve ainda mais destaque – incluindo uma apresentação perfeita quanto à sincronia, giros, desfraldamento de pavilhão e graciosidade no quarto setor.

Há uma explicação: com a chuva, a fantasia ficou mais pesada – e, com a chuva parada, pouco a pouco, o tecido foi perdendo peso e o próprio corpo adaptou-se. “Com a chuva, o pavilhão molha e fica mais pesado. Roupa, pavilhão… tudo pesa mais. O vento te faz perder o controle, tem que ter o controle das rajadas de vento, paradas mais leves. O que mais mudou na chuva é a questão de dar um giro e pegar o pavilhão. Não fizemos isso com a chuva: Paramos e nos concentramos antes de pegar. Com a chuva, tudo muda: o peso do pavilhão, da saia, da nossa roupa, os movimentos para ter cuidado com o chão. Essas foram as únicas mudanças”, pontuou Janny, comparando os efeitos da água e das rajadas de vento.

Rubens também teve que fazer adaptações na dança por conta da chuva: Vou complementar com uma mudança particular minha: eu voltei a dançar com ela como se ela estivesse com a fantasia. A saia dela estava tão pesada que causou isso, então eu esperei a saia dela se movimentar para poder sair rodando e fazer os movimentos de perna, giro e etc. Quando eu falo de inteligência emocional, eu falo disso: respeitar o nosso limite, do parceiro e das questões técnicas da dança. E, da minha parte, o empecilho é uma obrigação: passa a ser minha obrigação tomar cuidado com o giro dela. Estar pronto para pegar na mão dela caso seja necessário, para dar uma sustentação necessária. Afinal de contas, eu sou o cavalheiro da dança”, explicou.

De quebra, Rubens e Janny interagiam em diversos momentos com o samba, fazendo passos e movimentos conforme determinados versos eram executados.

Comissão de Frente

Tradicionalmente com coreografias bastante longas e tripés grandiosos, ao menos nos ensaios técnicos esse segmento da Dragões da Real veio bem mais compacto que em anos anteriores. Com uma coreografia simples, marcando cada verso em uma única passada do samba, os integrantes fizeram algo que poucas comissões de frente fizeram nos ensaios técnicos: um ato especial ao chegar nas cabines de jurados.

DragoesDaReal et ComissaoFrente

Também é interessante destacar as roupas utilizadas pelo segmento. Ao todo, foram três combinações diferentes, sendo que nem uma delas era utilizada por um único componente – ou seja, eram sempre por dois ou mais. Fica a dúvida se as fantasias serão distintas também na noite do desfile.

Em determinado momento da coreografia, todos os integrantes ficam paralisados por alguns segundos, algo bastante raro em comissões de frente. Também é importante destacar que eles, curiosamente, também encerraram o desfile, já que os bailarinos voltaram para brincar no final da exibição da Dragões.

Evolução

A imensa pancada de chuva que caiu nos primeiros vinte minutos da apresentação da Dragões da Real, como não poderia deixar de ser, impactou no andamento de toda a escola. No primeiro setor, focado em coreografias, o cuidado para evitar quedas ou escorregões, como não poderia deixar de ser, foi o principal foco – o que, é claro, impacta na cronometragem.

Houve um detalhe entre o casal de mestre-sala e porta-bandeira e a ala subsequente que chamou atenção: por vezes, abria-se um espaço considerável entre eles – que perdurava por um tempo, sumia e, depois, voltava. Fica a dúvida se tal espaço se deu por conta de alguma surpresa que será instalada no local, mas é necessário relatar o que foi visto.

DragoesDaReal et DiretorHarmonia

O recuo da bateria, se não foi perfeito, foi algo próximo disso. Vindo logo atrás do carro abre-alas, os ritmistas adentraram o espaço logo na primeira fresta possível, em movimento bastante rápido e claramente bem ensaiado. A corte da bateria soube ocupar bem o espaço deixado até que a ala seguinte chegasse. Foram cerca de oitenta segundos para que todo o processo acontecesse – número bem mais em conta quando comparadas a outras coirmãs, mas, ainda assim, bastante respeitável.

Renê destacou que a chuva também obriga mudanças também no carro de som: “Automaticamente, a chuva atrapalha o folião em si por conta do peso da chuva. Para nós, que cantamos e já temos experiência, não atrapalha muito. Porém, tentamos dar uma pressão a mais porque o barulho da chuva abafa o canto da escola e abafa o barulho da bateria. Temos que, realmente, dar uma pressão a mais para ele entender que colabora e é importante para o desfile da escola”, pontuou.

DragoesDaReal et Baianas

Tais ajustes já estão na mira de Márcio Santana: “É claro que é sempre possível aprimorar a técnica, mas eu acho que aquilo que era o objetivo principal nós alcançamos, que é a chegada ao ápice do envolvimento da imersão da comunidade para com o samba e para o enredo. Quando você tem uma comunidade envolvida, todo mundo imbuído do mesmo sentimento, vivendo e vestindo o samba, é tudo mais fácil. Acredito que estamos 90% prontos. Os 10% são sempre aqueles ajustes finos finais”, comentou.

Outros destaques

– Em alguns lugares do Anhembi, sobretudo em um espaço destinado a um dos camarotes, diversas frases motivacionais foram colocadas para que os componentes se motivassem. Elas também tinham um motivo mais do que especial: desejar forçar para Tia Cidinha, baluarte da escola que está hospitalizada.

– Sobre Tia Cidinha, Márcio Santana também demonstrou imenso carinho: “Falar da Cidinha é difícil, porque ela é um pouco mãe de todo mundo. A voz até embarga, não tem como. Ela é mãe de uma comunidade inteira, não apenas do presidente. Sem dúvida nenhuma, a comunidade se vestiu ainda mais forte, se colocou ainda mais guerreira, porque sabia que desde o nosso esquenta o céu também estava chorando a ausência dela hoje. Mas não vai chorar no dia do desfile, porque ela estará com a gente”, emocionou-se.

– Durante a pancada de chuva citada no texto, o volume de água era tão grande que a água não escoava. Tal qual uma pista de automobilismo, as pessoas planavam na passarela.

– Um dos destaques da Ritmo Que Incendeia foi uma alteração na bateria, explicada pelo próprio mestre Klemen Gioz: “Foi uma parada da segunda bossa, a bossa lá de baixo. Fizemos um acerto para ficar mais tranquilo de execução. Os ritmistas executarem melhor. E não vamos ter problema com nota ou jurado”, comentou.

– O espírito de fraternidade entre as escolas tomou conta de Márcio Santana ao falar do ponto-chave do ensaio: “Vou falar especificamente da Dragões. O envolvimento, comprometimento de uma comunidade inteira. Sabemos as grandes dificuldades que estamos vivendo no pós-pandemia. Inúmeras quadras de coirmãs vazias, o samba tendo que ser resistência porque ainda fomos apedrejados. Enquanto comunidade, eu fico muito feliz que eu estou vendo meu povo junto. Minha comunidade é chamada de “Gente Feliz” e é uma família muito unida, e sem dúvida nenhuma a gente tem mostrado isso. De modo geral, dos ensaios técnicos, eu acredito que a Liga teve um desafio gigantesco porque esse efetivamente é o nosso primeiro Carnaval pós-pandemia. O Carnaval de Abril fechou um ciclo, ele não pode ser considerado efetivamente o carnaval que desejávamos. Este sim é o carnaval do renascimento, do ressurgimento do samba como modus culturais que move essa cidade. Sem dúvida nenhuma estamos no caminho certo, vamos nos fortalecer cada vez mais e daqui a pouco tem um lindo espetáculo representado por todas essas comunidades, não só a da Dragões. Com certeza mostraremos ao mundo que São Paulo tem muito samba. Que a gente se empenha, se dedica e que a gente vive isso aqui o tempo todo. É paixão demais”, finalizou.

Colaboraram Fábio Martins, Gustavo Lima e Lucas Sampaio

Canta forte e vibrante da comunidade marca o ensaio técnico do Tatuapé

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A Acadêmicos do Tatuapé realizou no domingo seu terceiro ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi, em preparação para o Carnaval 2023. Com destaque para a ambientação proporcionada por um conjunto homogêneo, a Academia da Zona Leste encerrou sua passagem aos 56 minutos com grande tranquilidade. A Tatuapé será a segunda escola a desfilar no dia 17 de fevereiro, pelo Grupo Especial, com o enredo “Tatuapé Canta Paraty! Do Caminho do Ouro à Economia Azul. Patrimônio Mundial, Cultura e Biodiversidade. Paraty Cidade Criativa da Gastronomia”.

Comissão de Frente

Não é de hoje que a comissão de frente da Tatuapé parece focar apenas no essencial para cumprir os requisitos do regulamento e garantir a nota 10. A escola conseguiu desenvolver um time muito coeso em todos os segmentos ao longo dos anos, priorizando o sucesso do coletivo, mas ao mesmo tempo sem correr grandes riscos em determinados quesitos.

Tatuape et Comissao

Há uma protagonista na qual a ausência da fantasia dificulta compreender a função dela na história. Quatro dançarinos carregavam leques com uma espécie de véu saindo da ponta deles, e os outros dez carregavam um tipo de capa com hastes nas mãos que davam um efeito similar ao de asas quando os braços abriam. A coreografia ocorre ao longo de uma passagem do samba, e todos os atores interagem entre si fazendo movimentos com esses adereços.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Ensaio técnico deve ser sempre encarado como uma oportunidade de se preparar para alcançar o mais próximo possível da perfeição. O que Diego do Nascimento e Jussara de Sousa apresentaram no ensaio deste domingo foi tão próximo desta utopia que deixou certa sensação de lamento ao vê-los se afastando ao partir para analisar outros quesitos. Uma dança hipnotizante, com movimentos rápidos e muita vontade de fazer a diferença. Diego e Jussara se encaravam como se estivessem conectados um ao outro pelo olhar. Talvez o mais surpreendente não era algo visível, mas sim audível. Em dados giros realizados, a dupla segurava a mão um do outro após um impacto deveras forte. É preciso mais que treino para chegar a esse nível de interação. Confiança no trabalho um do outro é o elemento que define o alto nível do que apresentaram neste último ensaio. O tradicional pavilhão da Academia da Zona Leste parece estar nas mãos do melhor casal possível.

Tatuape et CsalPrincipal

O casal encerrou o treinamento demonstrando orgulho e sensação de dever cumprido. Diego fez uma análise positiva do desempenho da dupla. “Hoje foi o último jogo-treino. Nós estamos saindo muito felizes com o resultado. Não só o nosso, mas como o da escola por inteiro, porque toda a proposta que queria apresentar foi apresenta e agora é partir para a final do campeonato”, declarou o mestre-sala.

A Tatuapé precisou encarar um começo de ensaio ainda com resquícios da forte chuva que caiu sobre a Dragões da Real, mas Jussara demonstrou estar no controle da situação que vier pela frente. “Acho que é uma preocupação de todos os casais. A gente está muito próximo do grande dia e trouxemos o nosso bom e velho All-Star na mochila, porque nessa época é mês de chuva. A gente já vem preparando para isso. Graças a Deus eu nunca peguei a chuva com o pavilhão molhado, mas dá para levar”, disse a porta-bandeira.

Tatuape et CasalPrincipal

Questionados se estão prontos para repetir o grande desempenho do ano anterior, o casal garante que o foco é total para o dia do desfile oficial. “A gente ensaia e se prepara para isso. Ontem, por exemplo, que era o nosso dia de descanso nós fomos ensaiar porque está chegando o grande dia. Acho que está tudo pronto. É vir concentrado, focado, alegre, feliz e entrar para fazer o que a gente sabe e aguardar o resultado dos jurados”, afirmou Diego.

“A gente vem seguidos de ensaios muito intensos aqui no Anhembi, na quadra, fora da quadra, nossos específicos e é justamente para isso. Mais um ano ajudaremos a nossa escola mais uma vez a fazer o maior e melhor desfile das nossas vidas”, finalizou Jussara.

Harmonia

Um cantar, forte e contagiante. Não há nada mais agradável de se presenciar do que uma comunidade enorme tão apaixonada como a da Tatuapé. Todos os componentes parecem querer dar o melhor de si para alcançar os objetivos da escola, e dão o seu melhor na hora de defender o samba. São centenas de atores cantando de forma uníssona, e atuando em suas alas como parte fundamental do espetáculo. Uma saudação especial para a ala das Baianas. As sagradas mulheres da escola cantavam tão vigorosamente quanto todas as demais alas, e encaravam o público como lenda das sereias que seduzem os marinheiros. Foi como se exercessem um campo gravitacional que induzia quem estava de fora a entrar na Avenida e dançar com elas.

Tatuape et CelsinhoMody

Evolução

A frente da escola apenas parou na hora do recuo da bateria, como de costume. No mais, a Tatuapé demonstrou novamente o porquê de a escola possuir uma das mais competentes direções de harmonia do carnaval de São Paulo. Um andamento fluído do início ao fim, com alas compactadas e sem perder o foco do que realmente importa. O fechar dos portões aos 56 minutos, um acima do tempo mínimo previsto de desfile, diploma o trabalho altamente competente de um time entrosado.

Membro da direção de carnaval, Eduardo Santos saiu da Avenida contente com o que viu e com recebeu de retorno do restante da equipe. “Nossa análise é sempre muito prejudicada, pois não conseguimos ver o todo. Não estamos de cima para ver como fluiu a escola, mas vamos nos baseando nos detalhes que vimos, e aquilo que estão comentando com a gente. Até onde conseguimos entender foi um ensaio muito legal, melhor que o do dia 26 de janeiro, e o nosso objetivo era exatamente esse. Sempre comentamos com nossos componentes, nosso povo, que esse ano só iríamos fazer dois ensaios técnicos, e que no dia 26 teria que ser um ensaio muito bom, e foi. No dia 5 de fevereiro teria que ser melhor, e foi. E agora queremos que nosso desfile oficial no dia 17 seja melhor do que os dois juntos. E se Deus quiser vamos conseguir fazer, estamos trabalhando muito para isso. Nosso componente, nosso povo, está muito ciente da necessidade que temos de fazer um grande desfile, um grande trabalho e certeza que iremos conseguir”, declarou.

Tatuape et Passista

Ao avaliar as melhorias realizadas em relação ao outro ensaio, Eduardo acredita que as falhas observadas foram sanadas neste domingo. “Pequenos ajustes, mais ali de harmonia do que qualquer outra coisa. Mas pequenos ajustes que funcionaram, vimos pelo menos isso que procuramos corrigir, pequenas falhas que aconteceram, dessa vez não aconteceram mais. É assim que é, nome disso é ensaio, ensaio é isso, para a gente corrigir, treinar o que vamos apresentar no dia do desfile, para corrigir pequenas falhas e estamos felizes da vida, pois conseguimos fazer um ensaio muito bom”.

Ao falar a respeito do ponto chave do ensaio, o diretor citou uma justa homenagem realizada pela escola a um dos fundadores da Acadêmicos do Tatuapé, Álvaro Casado.

“Nos emocionamos o desfile todo. Cada ala que passa cantando muito, se dedicando a nossa escola, evoluindo bastante, fazendo o tapete das alas. Tudo isso é muito emocionante. Hoje tivemos uma emoção especial aqui, lá na concentração. Passamos a faixa de baluarte da nossa velha guarda, para o Seu Álvaro Casado, que é uma pessoa super importante para nossa escola. É um dos fundadores, foi casado com a irmã do Osvaldo Vilaça, o Mala que foi o fundador da escola. Hoje conseguimos passar essa faixa para ele, baluarte da velha guarda, foi muito emocionante, todo mundo ficou bastante comovido. Seu Álvaro já tem mais de 90 anos, e veio para cá, foi muito bacana, legal. No todo da escola procuramos manter esse equilíbrio, Tatuapé sempre vem com um desfile muito equilibrado, não tem um ponto alto, um ponto baixo, a gente procura ter equilíbrio em tudo que estamos fazendo”, concluiu.

Samba-Enredo

Os sambas escolhidos pela Tatuapé são fruto de um concurso com regras rigorosas de composição. Com a liderança de Celsinho Mody, um dos melhores intérpretes em atividade no Brasil, as obras ganham uma vida radiante, sempre se destacando nas safras anuais, e desta vez não foi diferente.

Tatuape et Comunidade

O samba funciona perfeitamente na proposta do enredo de servir como uma espécie de guia turístico ao longo de uma viagem por Paraty. Causa uma imersão que leva o imaginário a viajar pela cidade histórica, conhecendo suas belezas naturais, história e demais atrações turísticas. Está na ponta da língua de todos os componentes e funciona de forma irretocável como trilha sonora para um desfile como o que ocorrerá no dia 17.

Sempre recebendo com muito carinho os vários pedidos de fotos dos fãs ao final dos ensaios, Celsinho mais uma vez saiu satisfeito da Avenida e avaliou positivamente o desempenho do quesito no ensaio.

“Estou muito feliz. Nós melhoramos pelo menos uns 150% em relação ao outro ensaio. Nós estabelecemos um padrão ainda mais técnico para essa interpretação, e conseguimos cumprir com a nossa meta. Sempre trabalhamos com metas de determinados aspectos de ajustes. Conseguimos enquadrar todos, e estou muito feliz. Quero agradecer a todos os integrantes da minha ala. Dos cantores aos músicos de harmonia. A nossa diretora musical, ao nosso consultor técnico, Fernando Baggio. Agradecer a todos eles, eu estou muito feliz mesmo e satisfeito. Estou tranquilo, a voz está inteira. Graças a Deus, um passeio”, declarou.

Tatuape et MestreHigorRainhaMadrinha

Em relação as melhoras observadas se comparado com os ensaios anteriores, o cantor ressaltou os acertos preparados para serem aplicados na Avenida no domingo. “A escola cantou mais. Tínhamos alguns ajustes técnicos, mas muito mais pelo nosso gosto musical, preciosismo entre o canto e a bateria, e o canto da escola conseguimos ajustar. Ajustamos na quadra e testamos aqui, e deu tudo certo. Do que a gente precisava melhorar 150% conseguimos, e agora buscaremos 300% pela equipe”.

Celsinho Mody é uma das grandes estrelas da atualidade e não é por acaso. Se não bastasse o talento que possui para cantar, o artista é um apaixonado pelo Carnaval que reconhece a importância das pessoas para fazer da festa o que ela é. Ao citar o ponto chave do último ensaio, Celsinho destacou justamente este elemento do espetáculo.

“O que eu mais gostei é o seguinte. Carnaval é alegria, e a Tatuapé está conseguindo aliar a técnica com um povo desfilando solto, sambando dentro das alas e cantando livre. É o que a gente quer, queremos ver as pessoas felizes. Dentro do critério de julgamento, viremos buscar o campeonato, mas as pessoas estão felizes. Se o povo está feliz, nós estamos felizes”, concluiu.

Outros destaques

A ambientação proporcionada pelo conjunto do ensaio da Acadêmicos do Tatuapé permite não apenas o componente na pista, mas também o público se sentir imerso na história que a escola está propondo. A bateria “Qualidade Especial” novamente apostou em várias bossas impecáveis, e os apagões na primeira parte do samba ecoam como um grito de celebração.

Tatuape et MestreHigor

A Acadêmicos do Tatuapé demonstrou nesta temporada de ensaios técnicos que o susto ocorrido durante o desfile de 2022, e que quase custou a presença da escola no Grupo Especial, está superado. Seria loucura imaginar um time tão competente e determinado fora da elite do carnaval paulistano. Se o enredo for bem contado e a plástica cumprir seu papel, a comunidade da Zona Leste poderá chegar na terça de carnaval com o otimismo do tão esperado resultado nas alturas.

Colaboraram Fábio Martins, Gustavo Lima e Will Ferreira

Comissão de Frente impactante é destaque do último ensaio técnico da Mocidade Unida da Mooca

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As primeiras palavras de Rafael Falanga, presidente da Mocidade Unida da Mooca, à escola antes do ensaio técnico realizado no domingo no Anhembi poderiam deixar a escola menos afeita a aspectos mais técnicos – na Concentração, ele falou que “era só mais um ensaio” e que “era dia para se divertir”, entre outras frases nesse sentido. Mesmo assim, a agremiação teve uma apresentação bastante competente ao cantar o enredo “O Santo Negro da Liberdade”, tema da instituição para o carnaval 2023.

Comissão de Frente

Para explicar a apresentação dos componentes, é necessário explicar o enredo. A escola cantará a história de Francisco José Chagas, popularmente conhecido como Chaguinhas, cabo do exército que liderou um movimento que cobrava da então corte portuguesa o pagamento de cerca de cinco anos de salários atrasados para os militares nascidos no Brasil, além da igualdade de direito entre os nativos e os portugueses.

Nascido em São Paulo, ele foi condenado à morte por enforcamento. Após três tentativas frustradas (sendo que, em uma única, a corte já garantia o perdão), ele foi executado à pauladas. Pela bravura demonstrada em combate e pelas cordas arrebentadas, ele passou a ser venerado como um santo pelos locais.

É a encenação do momento final da vida de Chaguinhas o mote da comissão de frente da agremiação. Após ele interagir com nativos e carrascos portugueses, ele é encaminhado ao local onde deveria ser enforcado – e, após se “livrar” da pena, ele retorna ao convívio com os locais. O personagem, entretanto, retorna ao local e, após mais uma corda arrebentada, cai em um chão falso após simulações de pontapés sofridos.

O grande momento da coreografia, bastante extensa e que pouco dialoga com o samba, é a aparição, no alto de um tripé, de outro ator representando Chaguinhas, aparecendo em meio à fumaça.

Em frente às cabines de jurados, sempre acontece a ascensão de Chaguinhas, em momento muito bem calculado pelo staff da escola – tal qual a dança, que foi executada sem erros e com a passarela seca, sem chuva. O único contratempo observado foi visto já nos metros finais do desfile: no momento mais chamativo da comissão de frente, a fumaça não apareceu.

Harmonia

O samba-enredo claramente foi muito bem aceito pela comunidade da escola, que mostrou muita força ao cantar a história proposta pela escola. Mas, mais do que isso: a ala musical foi responsável direta pela boa execução da música.

A Chapa Quente, comandada por mestre Dennys, executou cinco apagões ao longo de todo o desfile (os dois últimos já nos últimos metros da passarela), todos com boa resposta dos componentes, que cantavam ainda mais forte após o movimento.

Os ritmistas, por sinal, garantiram um andamento bem mais cadenciado que o esperado por muitos: o enredo, tocante e bastante emotivo, poderia ser tocado de maneira pouco mais acelerada, mas a bateria manteve-se mais tranquila, garantindo o canto limpo e claro de todos os componentes.

Duas alas bastante importantes em toda e qualquer escola e que nem sempre são sinônimo de canto forte executaram bem a função: a das baianas e a de passistas. Em tal quesito, o ponto negativo foi a terceira após o segundo carro: se evoluíam bem, com pompons laranjas, faltou força ao cantar o samba-enredo.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Fantasiados, mas sem os esplendores (parte de cima do vestuário de um componente de escola de samba) e majoritariamente na cor vermelha, com detalhes dourados, Patrick Vicente e Graci Araújo tiveram exibição bastante segura no último ensaio técnico da MUM antes do carnaval.

Sem girar muito, a dupla buscou a eficiência em cada um dos movimentos feitos – e conseguiu chegar ao objetivo desejado. Ao girar, o casal se movimentava no sentido horário.

Os giros em menor número não apagam, de jeito algum, a boa apresentação de Patrick e Graci. Muito sorridentes, graciosos e interagindo muito bem com o público, ambos também executavam movimentos de acordo com o momento em que O samba está na passarela.

Destaque para a apresentação de ambos na terceira cabine de jurados, em que Patrick desfraldou o pavilhão em momento e maneira impecáveis. Ambos, durante toda a apresentação, também se mostraram bastante sincronizados.

A dupla contava com guardiões, que, além de destacar a presença de Patrick e Graci, fortaleciam o canto do setor.

Samba-Enredo

Canção bem elogiada por componentes, público geral e crítica, a canção foi muito bem defendida pelos intérpretes Gui Cruz e Clayton Reis. O carro de som como um todo, por sinal, mostrou bastante competência desde antes do início do ensaio técnico, com sambas de quadra muito bem executados e que tocaram os componentes da MUM.

Prova disso é a resposta dos componentes aos apagões da Chapa Quente, cantando ainda mais forte que o normal.

Evolução

A primeira parte da escola (popularmente conhecida como “Cabeça”) veio bastante coreografada – o que garante uma Evolução bastante dinâmica. Depois de tal setor, entretanto, a agremiação, aparentemente, marcou “apenas” algumas partes específicas do samba-enredo, liberando a dança e o bailado dentro das alas. Os componentes responderam positivamente a tal atitude.

Calcanhar de Aquiles de diversas escolas de samba em 2023 e de maneira histórica em São Paulo, a entrada da bateria no recuo merece atenção especial da agremiação. Os ritmistas fizeram algo próximo de dois movimentos: no primeiro, se posicionavam; depois, entravam no local. Se a corte ocupou bem o espaço, a ala de passistas que vinha na sequência teve evolução um tanto quanto morosa. No corredor da passarela destinado a credenciados e à imprensa, a reportagem do CARNAVALESCO notou alguns staffs pedindo mais velocidade e outros com semblante de reprovação. A agremiação ficou cerca de dois minutos e meio parados para que os ritmistas se postassem em seus respectivos lugares.

Outros destaques

– Quando a sirene tocou para indicar o começo do ensaio técnico, a escola não estava cantando samba algum. Depois, iniciou uma canção executada na quadra da instituição – algo proibido pelo regulamento. Só depois o samba-enredo foi executado.

– O céu, que ficou nublado durante todo o ensaio técnico, basicamente desabou minutos depois da apresentação.

– Após o encerramento do ensaio técnico, houve bastante comemoração da escola na dispersão.