Nem o temporal parou a Rainha de Ramos. No ensaio de rua, na tarde de domingo, a rua Euclides Faria virou uma Marquês de Sapucaí, destacando a força do chão da escola, o poder do samba enredo – que contagiou o público presente – e reforça a ideia que a Imperatriz Leopoldinense com o enredo “O aperreio do cabra que o excomungado tratou com má-querença e o santíssimo não deu guarida”, irá, neste carnaval, brigar pelo campeonato. A agremiação será a quarta escola a desfilar no próximo dia 20.
Fotos de Nelson Malfacini/Divulgação Imperatriz
A presidente da Imperatriz, Cátia Drummond, e o diretor de carnaval, André Bonatte, em entrevista ao CARNAVALESCO, falaram sobre o balanço do pré-carnaval da escola de samba.
“Balanço super positivo. A escola está mostrando que está se organizando e vai fazer um grande carnaval. A Imperatriz vem gigante em busca do campeonato. Tem sempre alguns acertos a se fazer. O que está bom pode ficar melhor, é sempre assim”, disse a presidente da escola.
“A gente fica satisfeito. A sensação é que a escola está pronta. Tem mais quinze dias pela frente e temos mais um ensaio de rua domingo que vem. Eu acho que a escola está pronta, se chegarmos lá e não errar, temos tudo para quarta-feira feira de cinzas estar comemorando”, revelou o diretor de carnaval.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
O casal Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro se apresentou com muita conexão. Destaque para o momento em que o desfile chegou em frente ao Batalhão dos Bombeiros de Ramos, onde foi simulada a cabine dos julgadores. Lá, houve uma apresentação mais completa, repleta de carisma, muita dança, troca de olhares, sorrisos e sincronia. Nem o asfalto molhado por conta da chuva foi capaz de atrapalhar o casal.
“Eu, particularmente, gosto de tentar chegar na perfeição, então quanto mais você ensaia fica mais próximo de alcançar essa perfeição. Não é hora de relaxar, o corpo pede a gente precisa, mas seguramos um pouco para não ter nada perto do desfile e vamos cuidando dos detalhes para que no dia seja perfeito”, disse a porta-bandeira.
“Na perfeição a gente sempre tenta chegar, estamos fazendo esse ensaio de rua justamente para isso, para que nosso corpo fique cada dia mais em sintonia com a nossa coreografia com o que vamos apresentar na avenida, eu acho que perfeição nem na quarta-feira feira de cinzas, mas se chegarmos próximo dela, estaremos comemorando”, completou o mestre-sala.
Comissão de Frente
Cantando muito forte ao longo de todo o ensaio, a comissão de frente deu um show com muito sincronismo nas coreografias e nos passos. O ensaio da escola de samba foi aberto com grande imponência pelo grupo.
Harmonia
O chão da escola veio forte e tornou o ensaio de rua um dos melhores deste ano. Cantando cada verso do samba com muita vontade, se torna difícil destacar apenas uma única ala. Todas cantaram cada verso do samba – que foi entoado com ainda mais força ao longo das bossas. Juntamente com a comunidade, a Imperatriz demonstrou um pouco do espetáculo que será apresentado no Sambódromo. Destaque para o intérprete Pitty que durante uma bossa mais ‘nordestina’, foi à frente da bateria da escola, destacando o ótimo entrosamento entre carro de som e ritmistas.
“Maravilhoso. O ensaio é isso aí: a gente vir para treinar e fazer a parte técnica do desfile. A comunidade vem, também, para se divertir. Todo mundo está muito leve e cantando muito. Fizemos com muito amor e a comunidade ‘desceu’ toda, abraçou a escola e está cantando demais. Não só quem desfila, mas as pessoas de fora também. Pudemos ver o pessoal das casas e dos prédios, todos, saindo para torcer para a Imperatriz. A Imperatriz fez um pré-carnaval muito forte, com ótimos ensaios e um barracão maravilhoso. Sempre tem alguma coisa para acertar, mas são detalhes mínimos. A Imperatriz está no caminho certo para colocar a mão nesse caneco e trazer para Ramos. Sobre essa bossa em que eu vou à frente da bateria, é muito sensacional. Tudo com o mestre Lolo fica muito fácil, ele dispensa comentários. A gente não ‘batizou’ essa bossa ainda não, mas eu chamaria de ‘Forró xaxado’. A gente vai fazendo o som nordestino”, declarou o intérprete.
Evolução
A evolução do ensaio ocorreu de forma perfeita, sem qualquer erro e dentro do tempo previsto. O estilo da rua Euclides Faria deu muita liberdade para a escola desfilar. Um dos pontos interessantes foram as ruas transversais que se tornaram o primeiro e o segundo recuo da bateria. Destaque para a direção de harmonia, que conduziu o desfile de forma impecável.
Samba-Enredo
Não é novidade que o samba pegou na comunidade. É um samba muito alegre e com uma ótima melodia. Ainda assim, o chão da escola mais uma vez surpreendeu cantando cada verso do samba-enredo. Destaque para todos do carro de som, que foram fundamentais para tornar o ensaio leve e incrível. Na pegada adotada pelos ritmistas e vocais, a leopoldinense cangaceira promete conquistar toda a Marquês de Sapucaí.
Outros destaques
A rainha Maria Mariá, à frente da “Swing da Leopoldina”, esbanjou carisma, dando atenção a toda comunidade e com muito samba no pé. A bateria, por sua vez, foi impecável e caprichou nas bossas.
“A escola vem em uma crescente, graças a Deus, estamos trabalhando o ano todo, pegamos esse samba e fizemos um bom trabalho em cima. Hoje posso dizer que nossa bateria junto com o samba e da comunidade que nos abraçou está 100% e tudo dando certo vamos fazer um excelente desfile. Agora não tem o que acertar, é só brincar e se divertir, mas levando tudo a sério, porque o trabalho está pronto, vamos usufruir de todo nosso esforço dentro da avenida”, ressaltou o mestre Lolo.
A Unidos do Viradouro realizou seu último ensaio de rua, na Avenida Amaral Peixoto, Centro de Niterói, na noite de domingo. O forte canto da comunidade e o espetáculo proporcionado pela bateria “Furacão Vermelho e Branco” de Mestre Ciça, foram os grandes destaques da apresentação da escola. Nem mesmo a falta de energia do meio para o final da Avenida foi capaz de conter a empolgação dos niteroienses e gonçalenses. Agora, a Vermelha e Branca mira sua atenção no ensaio técnico a ser realizado no próximo sábado. No carnaval 2023, a Unidos do Viradouro terá a missão de encerrar os desfiles do Grupo Especial com o enredo “Rosa Maria Egipcíaca”, do carnavalesco Tarcísio Zanon.
Fotos de Gabriel Gomes e Rhyan de Meira/Site CARNAVALESCO
A comunidade da Viradouro mostrou logo no esquenta a garra que iria apresentar durante todo o ensaio, com os sambas de 2019, 2020 e o exaltação da escola. Após o terceiro lugar do último carnaval, a Vermelha e Branca provou, além do chão e da bateria, que tem fortes trunfos na busca pelo campeonato em 2024, como o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Julinho e Rute, e um bom samba-enredo. A comissão de frente não se apresentou no ensaio de rua do último domingo. O coreógrafo Rodrigo Negri, porém, estava presente na Amaral Peixoto.
“A gente finda esse ciclo na Amaral Peixoto da melhor maneira, com um ensaio arrebatador, tecnicamente em alto nível e, mais do que isso, emoção, escola, comunidade, sentimento. A gente chegou nessa reta final no ápice, que é o desejo e o que a gente programa no trabalho durante o ano inteiro. Agora é confirmar isso no próximo sábado e, consequentemente, no desfile oficial também. Quanto à preparação, a escola está pronta para disputar mais um título”, afirmou o presidente da Viradouro, Marcelinho Calil.
Harmonia
O quesito harmonia, sem sombra de dúvida, foi um dos principais destaques da Unidos do Viradouro no ensaio de rua. Com muita garra, os componentes da escola cantavam uniformemente o samba-enredo. O desempenho do carro de som comandado pelo intérprete Zé Paulo, completamente entrosado à “Furação Vermelho e Branco”, de mestre Ciçam contribuíram para a fluidez e animação no canto da escola. Em certos momentos, a bateria realizava um apagão no “Eu sou a Santa que o povo aclamou” do samba, o que era perfeitamente sustentado pelo chão da Viradouro.
Com a forte chuva e ventania ocorrida em Niterói horas antes, parte da Avenida Amaral Peixoto, do meio para o final, ficou às escuras, sem energia elétrica, durante a passagem da escola. Porém, nenhum obstáculo foi capaz de contar o canto e força da comunidade niteroiense e gonçalense, que não deixou o desempenho cair em nenhum momento.
“Balanço é o melhor possível. Estamos desde outubro/novembro ensaiando. Hoje é aquele ensaio que a gente se despede da nossa comunidade e da nossa avenida. O que a gente fez aqui, nós vamos fazer lá (no ensaio técnico da Sapucaí) com um tesão a mais. Seria ignorância nossa achar que não há nada para melhorar. Sempre buscamos dentro da gente e dentro do nosso trabalho melhorar para não chegar acomodado. É claro, se chegar a 10/15 dias de um desfile e falar que tem muita coisa para ajustar é um problema. Nós não temos muita coisa para ajustar. Agora é só lapidar, chegar lá e fazer o melhor desfile das nossas vidas”, ressaltou o Diretor de Carnaval da escola, Dudu Falcão.
Evolução
Em evolução, a Unidos do Viradouro manteve o alto nível de desempenho apresentado em harmonia. Os componentes da escola evoluíram de maneira fluída e correta por toda a extensão da Amaral Peixoto. As alas das escolas estavam perfeitamente distribuídas, sem apresentar espaçamentos. A ala de passistas da Vermelha e Branca, comandados por Valcir Pelé e vestidos nas cores da escola, foram destaque positivo no quesito, com muita animação, simpatia e samba no pé. A primeira ala coreografada da escola, sob os comandados do consagrado coreógrafo Márcio Moura, também se apresentou bem e recebeu aplausos na pista.
Samba-Enredo
Composto por Claudio Mattos, Dan Passos, Deco, El Toro, Jefferson Oliveira, Lucas Neves, Luis Anderson, Marco Moreno, Thiago Meiners e Victor Rangel, o samba-enredo da Unidos do Viradouro confirmou no ensaio porque foi eleito o melhor de 2023 pelos leitores do site CARNAVALESCO. Com característica melodiosa, o que casou perfeitamente com a voz do intérprete Zé Paulo, a obra demonstrou muita valentia ao ser cantada pela comunidade da Vermelha e Branca. O refrão principal do samba e o trecho “Eu sou a santa que o povo aclamou” foram cantados a plenos pulmões pela comunidade niteroiense e gonçalense.
“A gente tem um baita local de ensaio que se aproxima muito com o que a gente tem na Sapucaí. O público compareceu bastante e a gente tem a chance de ter o contingente da escola quase 100% aqui. Hoje foi mais um passo e sábado que vem tem nosso ensaio técnico valendo. No desfile, acontecem coisas que no ensaio não acontecem. A escola por si só já sabe o que tem que fazer. É só pedir para que os deuses do carnaval estejam ao nosso lado para que a gente possa fazer um grande trabalho”, comentou o intérprete Zé Paulo.
Mestre-sala e Porta-bandeira
Sempre bem vestidos, dessa vez no vermelho e branco da escola, o experiente casal da Viradouro, Julinho e Rute, provou, mais uma vez, porque é considerado um dos principais do carnaval carioca. No ensaio de rua, o casal se apresentou de maneira correta e esbanjou sincronia na dança. Além dos fortes giros de Rute, o casal apostou em momentos de alusão direta ao samba-enredo da escola, como na parte do “Senti a alma daqueles, os mais oprimidos” e do “Meu samba é manifesto”, no qual ambos erguiam os punhos.
“Balanço super positivo, vai ser mais um carnaval diferenciado. O último carnaval foi pós pandemia e este ano está sendo um carnaval diferente. Está sendo um carnaval onde a escola sabia o que ia acontecer e todo mundo se preparou. Sempre tem o que aprimorar”, afirmou Julinho Nascimento.
“Por conta do último carnaval ter sido em abril, o nosso tempo de descanso foi menor. A gente também teve uma ânsia de voltar a ensaiar mais cedo e a gente voltou mais cedo. Hoje estamos no ritmo final, mas com muita ânsia porque o carnaval realmente voltou. Vamos pra avenida e trazer o campeonato de novo pra Niterói”, completou Rute Alves.
Outros Destaques
Show à parte, a bateria “Furacão Vermelho e Branco”, de mestre Ciça, proporcionou um verdadeiro espetáculo ao público presente na Avenida Amaral Peixoto. Durante a apresentação no ensaio, a bateria apresentou diversas bossas e novidades, o que sugere surpresas para o desfile oficial. A principal delas, ocorria no refrão do meio do samba-enredo da Vermelha e Branca, com a presença de atabaques: Em certo momento, ritmistas da escola se abaixavam e só permaneciam em pé os que tocavam atabaques; Em outro momento, a ala de chocalhos, juntamente com os atabaques, iam para frente da bateria e se apresentavam junto a rainha de bateria, Érika Januza.
Por falar na rainha de bateria da escola, Érika Januza seguiu a sua linha de homenagens na fantasia. Dessa vez, o homenageado foi o mestre de bateria da escola, Ciça, um ícone do carnaval e da Vermelha e Branca. A rainha se fantasiou de “caveira”, apelido dado a Ciça pelos ritmistas e como o mestre ficou conhecido no mundo do samba.
“Choveu muito aqui em Niterói, várias árvores caíram aqui no entorno da Amaral Peixoto. É nosso ensaio de encerramento de rua e semana que vem esperamos fazer um grande ensaio técnico na Sapucaí, no campo de jogo, com certeza estará todo mundo lá. A Viradouro vem para disputar título, respeito às coirmãs, mas é uma escola que está sempre pronta para disputar o título. Temos pequenos ajustes para fazer, terça-feira antes do ensaio técnico, faremos alguns ajustes. Ajustar é sempre bom, até no dia do desfile mesmo, na concentração”, comentou mestre Ciça.
A Unidos do Viradouro será a sexta e última escola a desfilar na Segunda-Feira de carnaval do Grupo Especial. A Vermelha e Branca levará para avenida o enredo “Rosa Maria Egipiciáca”, do carnavalesco Tarcísio Zanon. No próximo domingo, a escola realizará seu ensaio técnico na Marquês de Sapucaí.
Aos pés do Morro do Borel, a Unidos da Tijuca fez um emocionante ensaio de rua como um resgate às suas origens. A escola evoluiu na São Miguel, rua da quadra antiga onde hoje funciona o seu Instituto de Cidadania. A comunidade desceu o morro para acompanhar de perto a bateria “Pura Cadência” e sua rainha Lexa, o casal Matheus André e Denadir Garcia e os intérpretes Wantuir e Wic Tavares. Todos os segmentos estavam presentes, da comissão de frente aos passistas mirins. Foi um ensaio de afeto, com todos os componentes cantando forte e grande participação do público.
Fotos de Matheus Vinícius/Site CARNAVALESCO
“Foi um resgate do que acontecia há anos ali na comunidade. Nos anos 90, eu ensaiava aqui toda terça-feira, foi maravilhoso voltar e ver o olhar de alegria da comunidade do Borel e dos componentes em ter a escola ensaiando ali novamente. Acredito que muitos nunca tinham vindo aqui, conhecer a raiz da nossa escola. Foi um sentimento de felicidade mútuo, foi uma noite memorável para a nossa escola. Hoje, não foi um ensaio para ver problemas ou soluções. Hoje, foi um ensaio para nos divertirmos, lavarmos a alma e tomarmos um banho de Axé. E foi isso que aconteceu aqui na comunidade. Temos mais um ensaio de rua, nesse sim, procuramos fazer o que vamos fazer no desfile, testamos coisas novas, mas a escola está pronta e vem novidade no dia do desfile. A comunidade vai ficar muito feliz com o que vão ver”, comentou Fernando Costa, diretor de carnaval.
Comissão de frente
A comissão de frente de Sérgio Lobato apresentou a coreografia que exibiu nos ensaios técnico e de rua. Os 15 componentes faziam movimentos que lembravam navegação e os orixás citados no enredo. Os passos apresentados são firmes e encantam pela agilidade. Vale ressaltar que, em determinado momento, uma das dançarinas é elevada pelos outros componentes e faz uma performance.
Mestre-sala e Porta-bandeira
Matheus André e Denadir Garcia já comprovaram a sintonia enquanto primeiro casal. Eles estão muito confortáveis com o bailado e a confiança entre os dois é confirmada pelas trocas de olhares e pelo constante sorriso no rosto. Eles se apresentaram com o apoio e a energia do público que os aplaudia pelos rodopios e pelos cortejos.
Harmonia
Como o ensaio foi mais em casa do nunca, a escola inteira estava cantando o samba em sua integralidade. Um destaque sempre nos ensaios da Tijuca é o trecho “Ó pai, ó! É carnaval!”. Os componentes cantam com força essa parte e levantam os braços. Além disso, o entrosamento entre Wantuir e Wic Tavares no comando do carro de som evidencia o domínio que eles têm sobre o samba.
“Ensaiar no Borel é chegar e pisar no chão original. Nós estamos na Francisco Bicalho emprestado. A escola foi fundada aqui, aqui que é a sede da Unidos da Tijuca, aqui que é a comunidade do Borel que a gente tanto fala. Para nós, é satisfação e prazer estar junto com a comunidade. É uma felicidade só. Eu tenho certeza absoluta que esse ano não vai ser igual àquele que passou. Depois de fazer um maravilhoso desfile, encantar a Sapucaí e ficar em nono, a gente tem certeza que esse ano vai ser diferente porque a gente merece. O carnaval está bonito, o samba é maravilhoso, o barracão é sensacional, as fantasias são fantásticas. Eu espero um bom resultado no carnaval desse ano com toda certeza. Faltar acertar pouca coisa. Eu acho que agora é só entregar as fantasias”, disse o intérprete Wantuir ao site CARNAVALESCO.
“Não tem pré-carnaval melhor que o da Tijuca. Vir aqui na nossa casa, no Borel, na nossa real comunidade. Ensaiar aqui é mais que muito emocionante, aqui tem muita gente que já não tem mais possibilidade de desfilar e consegue resgatar memórias. Nós também trazemos as crianças mais novas para dentro da nossa história do carnaval. Para mim é mais que importante isso aqui. Tinha que existir sempre, porque aqui é a nossa verdadeira casa. Eu estou muito feliz de vir aqui e cantar para minha comunidade. Eu acho que, nos nossos ensaios, a gente vem se encaixando e se entendendo e agora é dar tudo certo no dia. Que o Papai do Céu nos abençoe, mãe Iemanjá nos ilumine, mãe Oxum nos proteja e Xangô faça a justiça. Que façamos um ótimo desfile, porque, graças a Deus e aos nossos guias, estamos muito entrosados enquanto escola. A Unidos da Tijuca tem um lema que é ‘Família tijucana’ e, de fato, isso aqui dentro faz toda diferença. Somos família com conversa, diálogos, toda família briga, mas sempre pelo melhor. Aqui na Tijuca, a gente se sente à vontade para fazer o nosso trabalho”, refletiu a cantora Wic Tavares.
Evolução
Durante cerca de uma hora, a agremiação dominou a rua São Miguel. Os componentes partiram de frente da antiga quadra e foram em direção ao cruzamento com a rua Santa Carolina, onde as alas se dispersaram e a bateria e o carro de som fizeram o caminho de volta para quadra com direito aos espectadores seguirem atrás dos ritmistas. Um espaço grande foi aberto entre a ala de passistas e a “Pura Cadência” para que a rainha de bateria Lexa evoluísse, cumprimentasse os admiradores, sambasse com as crianças e a comunidade.
Samba-enredo
O Borel em peso aprendeu a cantar o samba da Tijuca de 2023. Uniformemente, todos os componentes presentes no ensaio de rua estavam com o samba na ponta da língua. A musicalidade da composição de Júlio Alves, Cláudio Russo e Tinga colabora para que certos trechos sejam mais fáceis de decorar, por exemplo, a segunda parte do samba.
Outros destaques
O aniversariante do dia, mestre Casagrande, conduziu a “Pura Cadência” com muita emoção e vontade de mostrar que a Unidos da Tijuca é uma escola de comunidade. A cantora Lexa deu um show à parte de carisma, permitindo tirar fotos e sambar com o público.
“Ensaiar no Borel significa uma emoção muito grande. Hoje, eu estou emocionado porque são 27 anos que a gente não ensaia aqui na comunidade e, hoje, a receptividade que tivemos aqui foi um negócio incrível. É o meu aniversário. Eu cheguei aqui e já tinha uma festa que os ritmistas e o pessoal da comunidade fizeram, um almoço. Não consegui nem falar direito no microfone de tanta emoção que foi. Eu queria agradecer demais ao meu presidente [Fernando Horta]. Nesses últimos carnavais, ficaram falando que nossa escola não é de comunidade, não é de favela. Nossa escola é de comunidade, a gente sabe de onde é oriundo. Eu queria deixar isso bem claro para as pessoas que falam da Unidos da Tijuca. A Unidos da Tijuca é uma escola de morro, é uma das escolas mais antigas do carnaval carioca e merece muito respeito. Tem o ditado: ‘Respeite quem pôde chegar onde a gente chegou’. A escola está aí mostrando que tem uma comunidade muito forte. Quem esteve presente hoje viu o povo na rua. Mais uma vez, eu enalteço a figura do meu presidente. Tinham pessoas aqui que nunca tinham visto o ensaio da Unidos da Tijuca por falta de oportunidade de ir onde nós ensaiamos no Centro, no Santo Cristo. Hoje, foi demais! Bateria toda emocionada. Eu vi pessoas que desfilavam comigo na década de 1980 e 1990 que não desfilam mais, mas estavam super emocionadas. Como diz nosso enredo, a gente sai hoje daqui com um axé muito grande, um axé muito forte. Que Nossa Senhora Aparecida nos abençoe, porque hoje foi muito legal. Muitas crianças, o morro desceu. Nós estamos muito bem ensaiados. A escola está cantando muito. O samba está funcionando, vimos que a escola não para um minuto. As alas estão muito bem ensaiadas. Eu acho que vamos ser uma surpresa muito grande. Esse ano, não estão batendo na gente porque sabem que estamos muito bem. Muito bem de barracão e muito bem de fantasia. Eu que vivo o barracão da escola todos os dias, 12 horas por dia, eu vejo e vivo o carnaval da Unidos da Tijuca e sei o que ela tem, o potencial que ela tem para voltar nas campeãs. Ser campeã ou não é consequência de fazer um grande desfile. Hoje a gente sabe que tem uma grande potência. Temos quesitos que nos favorecem muito a fazer um grande desfile. Eu acho que tem acertar um pouco a parte musical, falta aquela pegada ainda de desfile, mas isso no dia a gente tem um carro de som muito bom, o Wantuir e a Wic. O pai é um monstro cantando. Na Avenida, ele se transforma. Ele gosta de jogar. Eu costumo dizer que o Wantuir é o jogador que gosta de jogar no dia e, no dia, eles joga demais. A Wic também. Eles estavam emocionados, estavam muito bem e super animados. Eu quero que eles estejam assim no dia como eles estavam hoje aqui. Se eles estiverem assim, vai ser difícil segurar a Tijuca”, declarou mestre Casagrande.
Na rua São Miguel, há o Instituto das Irmãs Oblatas Santíssimo Redentor. Esse instituto de projeto social, hoje, abriu as portas e algumas senhoras ficaram na porta acompanhando a escola passar. A rainha de bateria foi até elas, sambou e as reverenciou. Posteriormente, os cantores do carro de som animaram as idosas no caminho de volta à quadra.
A Unidos da Tijuca será a quarta escola a desfilar no domingo, 19 de fevereiro. Com o enredo “É onda que vai… É onda que vem… Serei a Baía de Todos os Santos a se mirar no samba da minha terra”, a agremiação irá falar do estado da Bahia, sua religiosidade e sua história.
Se havia alguma dúvida que a comunidade salgueirense tinha comprado a briga de fazer o samba da Academia 2023 funcionar na Sapucaí, os questionamentos foram por terra no ensaio técnico. Como o que já se tinha visto nos ensaios nas ruas Maxwell e Conde de Bonfim, a escola cantou no treino oficial em alto e bom som a obra escolhida para este carnaval. Em um ensaio que o canto da comunidade foi sem dúvida o maior destaque, a comissão de frente de Patrick Carvalho foi também protagonista. Com muito respeito ao público sambista que lotou a Sapucaí para o ensaio, o Salgueiro apresentou uma comissão que interagia com o público, divertida, devidamente fantasiada e maquiada e com um clímax. Casal e bateria também fizeram grandes apresentações e a Vermelha e branca não teve problemas de evolução no desfile de preparação que teve duração de 1h08. Em 2023, o Salgueiro será a quinta escola a desfilar na primeira noite do Grupo Especial com o enredo “Delírios de um Paraíso Vermelho”, que está sendo desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO
“Acho que a execução aqui no final da escola foi muito boa. A escola balançando, todo mundo feliz. O propósito foi atingido. Tenho reunião com a diretoria essa semana para ver os pontos do ensaio técnico. Agora é entregar na mão de Deus. A escola cantar, cantar, cantar. Criticaram muito a gente, agora tiveram que engolir. Chegar no dia 19 e fazermos o nosso papel”, afirmou Julinho Fonseca, diretor de carnaval.
Harmonia
Mordida pelas críticas que o samba e a escola em geral receberam no pré-carnaval, a comunidade salgueirense cantou muito, de forma intensa, em alguns momentos até com um pouco de raiva, sobretudo no refrão principal que era mais voltado para o orgulho da escola. E houve também uma química com o público. Muitos salgueirenses nas frisas e até torcedores de outras escolas estavam cantando a obra na Marquês de Sapucaí. Até os segmentos como comissão, bateria e baianas se fizeram presente neste canto. Alas coreografadas como a que vinha logo atrás da baianas que tinham componentes de anjinhos e diabinhos também foram destaque.
Difícil achar alguém da escola que não estivesse cantando o samba. Entre as alas que se destacaram, logo no começo do Salgueiro, a que vinha logo após o Abre-alas, com os componentes com balões na mão e a logo depois com pompons nas mãos. Mais para o final, destacam-se uma ala que trazia leques e uma outra com pipas. Sem ter Quinho cantando ao seu lado no carro de som do Salgueiro neste carnaval, Emerson Dias se guardou bem com sua experiente equipe de vozes e pode “brincar” bastante com o samba da Academia.
Deixando terças e vocalizações mais para a ala feminina, Emerson apostou na correta condução do samba, aproveitando para inflamar os componentes sempre que podia, sem atrapalhar o desenvolvimento da música na Avenida e sem fugir tanto da letra. De longe se ouvia os gritos de “Vai Salgueiro”, “Canta Academia” e “é pra cantar com raiva” que ajudaram na empolgação do salgueirense.
“Na minha opinião, em questão de energia e entrega da comunidade, o funcionamento do samba foi muito bem. O povo cantou e pulou carnaval. Achei um dos pontos mais positivos do ensaio técnico. A harmonia foi muito boa hoje. Não existe canto sem ritmo, da mesma forma que não existe ritmo sem canto. A gente procura sempre estar junto, conversar e pensar na estratégia ideal. Sempre fizemos isso, e nos damos muito bem”, disse Emerson Dias, elogiando o entrosamento com a bateria.
Samba-Enredo
A obra de Moisés Santiago e companhia teve um desempenho muito satisfatório na Sapucaí. O andamento, introduzido pelos ritmistas da Furiosa, comandados pelos mestres Guilherme e Gustavo, fez com que a obra fosse bem cantada pelos foliões e tivesse seus momentos de explosão. Os dois refrões pegam bastante e tem um sentido de condução mais para frente, de ataque, que eram cantados pelos componentes de uma forma intensa e precisa. Tanto o “Vermelha paixão salgueirense”, quanto “No meu sonho de Rei” explodiram na Avenida.
Outros trechos que eram cantados com maior intensidade eram “Basta de violência e opressão”, e “Quem será pecador…”. A simplicidade da letra e sua melodia que lembra um pouco algumas obras passadas do Salgueiro facilitaram e muito a assimilação pelos foliões que demonstraram a mesma familiaridade com o samba nos ensaios de rua. Emerson Dias e o carro de som da Academia também valorizaram a obra sem fazer grandes intervenções em termo de terças, vocalizações, ou cacos, fazendo com que a melodia se sobressaísse.
Comissão de Frente
Renovado para este carnaval, referência do quesito nos últimos anos, Patrick Carvalho levou para Sapucaí uma comissão digna de elogios por fugir do óbvio e tentar entregar algo a mais para um ensaio técnico. Estava bem ensaiada, devidamente fantasiada e maquiada, foi divertida e mexeu com o público. As fantasias davam um tom ao mesmo bucólico e fantasmagórico. Os bailarinos vestiam roupas de época, porém maquiados dos pés a cabeça nos tons em preto e branco. Um único personagem conservava o colorido e justamente apresentava a figura de um soberano, um rei, que parecia ser assombrado pelas outras figuras.
Uma estrutura de metal com uma escada enorme e uma pequena sacada servia tanto para o rei subir quanto para o restante dos personagens realizarem uma performance na escada que dava um efeito muito interessante pelo preto e branco que se misturava nos movimentos dos dançarinos. No final o rei subia no ponto mais alto e interagia com o símbolo da agremiação na sacada. O único ponto a reparar foi a coroa do personagem principal e um chapéu de outro componente que caíram durante a apresentação no primeiro módulo de julgamento. Mas nada que tenha estragado uma grande performance com mostrou grande dedicação e carinho com o público do ensaio técnico.
Mestre-sala e Porta-bandeira
Desde 2014 juntos no Salgueiro, de Sidclei Santos e Marcella Alves não é preciso falar sobre o entrosamento que já é notável há alguns anos. O que se viu na pista foi mais uma vez uma dupla em plena sincronia, com um ótimo entendimento de movimentos e efetividade de sempre. Muito elegante, o mestre-sala vestia um terno preto com o paletó com estampa de flores vermelhas e carregava um leque que lhe dava maior aprumo e configurava ainda beleza aos movimentos. Sidclei parecia deslizar pela Avenida, tamanha a plenitude de seus passos, que eram intensos, riscava o chão a toda velocidade, mas ao mesmo tempo com singeleza, delicadeza, precisão. Mas sem perder a força e com o sorriso que lhe é característico.
Já Marcella vestia o já tradicional, mas não menos elegante, vestido vermelho com uma saia que produzia um bonito efeito quando a porta-bandeira realizava seus giros e rodopios. Um dos grandes momentos da dança acontecia quando Marcella acariciava o rosto do mestre-sala configurando toda a sensualidade e leveza que a dança do casal também deve sempre ter. No geral foi uma coreografia mais tradicional, baseada na sincronia da dupla, sem pontuar tanto os trechos do samba.
“A gente vem com a mais pura verdade exatamente para testar deslocamento, desenho coreográfico, condicionamento físico. Já tentamos colocar um pouco da velocidade que vamos usar com a fantasia. Não adianta dançarmos numa velocidade aqui, e no desfile oficial desencaixar esse tempo. Então, fazemos todo o treinamento de encaixe para simular. A gente só não vem de fantasia porque os tempos são outros, as coisas estão difíceis e a escola precisa aproveitar o material. O balanço de hoje foi muito positivo, graças a Deus”, comemorou a porta-bandeira.
“A torcida do Salgueiro está presente em todos os momentos, nas redes sociais, nos ensaios do morro. A gente carrega essa grande energia. A nação salgueirense está conosco, como você pode ver hoje, a Marquês de Sapucaí de vermelho e branco. Eu e Marcella estamos completando dez anos de parceria, somos privilegiados por estarmos defendendo a escola dos nossos corações. É uma emoção imensa dividir isso com as pessoas, e buscamos sempre representá-las na nossa dança”, garantiu o mestre-sala.
Evolução
O Salgueiro passou na Sapucaí com boa fluência, bom ritmo, em uma evolução bastante de acordo com o andamento do samba, sem correrias, mas não deixando de mostrar força e garra por parte dos componentes, e não deixando a escola parada por muito tempo. Não se observou buracos ou grandes espaçamentos na evolução da comissão em relação ao casal e às baianas que viam logo em seguida. A saída da “Furiosa” do primeiro recuo e a entrada e saída do segundo também aconteceram de forma satisfatória.
Após as baianas, a segunda ala da escola era coreografada com anjos e diabinhos, que se misturavam entre si e interagiam com um enorme elemento alegórico que representava uma maçã. Ao longo do desfile, entretanto, a aposta da agremiação pareceu ser na espontaneidade com os componentes em geral brincando carnaval, sem coreografias muito elaboradas. Mas, alguns trechos do samba eram pontuados com alguns pequenos gestos corporais ou com as mãos pelos desfilantes como no “Basta de preconceito”, e “Tá no sangue da gente”.
Outros destaques
A “Furiosa” comandada pelos mestres Guilherme e Gustavo foi muito ovacionada pelo público em cada setor que passava e principalmente quando apresentava as bossas, sempre gerando frisson nas retomadas. A rainha Viviane Araújo, um grande ícone do carnaval carioca, esbanjou simpatia e o samba no pé de sempre fantasiada na figura de Eva com uma maçã e uma serpente na cabeça.
“Tivemos um ensaio no setor 11 essa semana e foi muito positivo. Hoje nos deixou a sensação do que veremos no desfile. Conseguimos ter uma melhor percepção do andamento, afinação, pegada e levada de tarol e caixa. Assim, o balanço de hoje é muito positivo e agora é esperar o desfile, porque a bateria está pronta. O que temos é manter a batucada para o dia do desfile. A rapaziada trouxe hoje uma batucada muito gostosa, uma batucada com malandragem, sabe? Essa batucada contagia a avenida”, apontou mestre Gustavo.
“A gente sabe que o dia do desfile é mais tenso, mas hoje conseguimos brincar bastante. Isso é muito legal. Inclusive, a gente fala com os ritmistas que o ensaio é para curtir mesmo, se divertir, porque na hora da avenida é importante estarmos leves e sabendo tudo o que precisamos fazer. O que estamos buscando fazer é só manter viva uma característica marcante, mas sem deixar de lado a marca do Guilherme e Gustavo. Levamos de positivo a energia da bateria. Hoje a bateria passou com swing, batucada solta. É uma galera que passa muito perrengue. Muita gente mora longe, tem quem more até em outra cidade, ter a energia e a vibração lá em cima é fundamental para manter a batucada de malandro que a gente quer ouvir”, completou mestre Guilherme.
Logo antes dos ritmistas, os passistas vieram com uma vestimenta fazendo referência a Adão e Eva. O coreógrafo Carlinho veio como uma fantasia similar, porém no início da escola, próximo ao elemento que representava uma maçã.
Antes do esquenta, o intérprete Quinho deu o grito de guerra da Academia levantando o público e sendo muito aplaudido, houve quem chorasse, pois por problemas de saúde, o artista esse ano não pode estar junto na preparação e não dividirá o microfone com Emerson Dias no desfile oficial. O cantor Xande de Pilares veio a frente da escola assim como o mascote “Sabiá ” que interagiu bastante com o público.
Na parte final do desfile uma ala tinha os componentes com roupas que imitavam as vestes das baianas, porém feitas de material reciclável em uma tonalidade mais escura. A busca por um carnaval sustentável tem sido uma das ideias levantadas e reforçadas pelo carnavalesco Edson Pereira, que também participou do ensaio próximo ao presidente André Vaz.
Colaboraram Allan Duffes, Luisa Alves, Isabelly Luz e Walter Farias
A Portela deu início ao seu ensaio técnico na Marquês de Sapucaí às 22h30 de domingo, mostrando toda a potência de sua comunidade aguerrida. O destaque do treino ficou por conta chão e do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marlon Lamar e Lucinha Nobre. No ano do seu centenário, a Majestade do Samba levará para a avenida o enredo: “O azul que vem do infinito”. A escola será a segunda a desfilar na segunda noite do Grupo Especial. * VEJA AQUI GALERIA DE FOTOS DO ENSAIO
“O balanço é extremamente positivo. Como eu já disse no começo, nós iríamos trabalhar para apresentar nossa gente, nosso canto, alegria, nossa garra, a bateria. E nós conseguimos cumprir com o objetivo no ensaio de hoje. Tivemos um bom entrosamento entre carro de som e bateria, tivemos chão e uma boa evolução também. Assim, eu vejo que saímos do ensaio de hoje entendendo que estamos na briga para disputar mais um carnaval. Somos uma escola que está muito ligada com a sua gente, hoje em dia mais de 80% dos componentes são da nossa comunidade. Aqui, vale destacar que não necessariamente pessoas que moram em Oswaldo Cruz e Madureira, porque temos muitos portelenses que são de outros lugares”, comentou Fábio Pavão, o presidente da Majestade do Samba.
Harmonia
Os componentes da Portela cantaram o samba-enredo com força e emoção, desde o início do ensaio. As alas ‘Memórias de um sargento de milícias’ e ‘Brasil glorioso’ foram duas das que mais entoaram o samba. A intensidade do canto da azul e branco de Madureira chamou atenção, mostrando na pista a garra e o chão que a sua comunidade possui. Inclusive, as alas coreografadas também reforçaram o canto, não deixando o volume diminuir em momento algum.
“Eu gostei muito! Até onde pude ver, a escola cantou bastante. Vi as pessoas muito felizes e sorridentes, o que é o mais importante. A escola passou bem e muito vibrante. Acho que os ajustes agora são apenas o que faremos na quadra, para entregarmos o máximo no desfile. O entrosamento com a bateria é total. Nós não funcionamos um sem o outro. Temos que estar sempre numa boa sintonia”, afirmou o intérprete Gilsinho.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marlon Lamar e Lucinha Nobre, fez uma brilhante apresentação na avenida. Eles levaram cerca de 2’12” para concluirem a coreografia em frente aos módulos de julgamento. Lucinha vestia uma roupa toda azul, enquanto Marlon utilizava calça azul, camisa branca, com um paletó azul por cima. Os dois esbanjaram graça e elegância durante todo o bailado, encantando o público presente no sambódromo. No trecho final do samba, durante verso “pra chorar de emoção”, Marlon beija a mão de Lucinha em um bonito gesto de carinho. Em seguida, na parte do refrão que diz: “o céu de Madureira é mais bonito”, Lucinha realiza o seu movimento característico ao tremular o tradicional pavilhão da Portela.
“Estamos extremamente felizes, porque estamos tendo a honra de defender esse pavilhão que já ganhou 22 vezes e se Deus quiser agora em 2023 terá 23 títulos. Lucinha está prestes a completar 40 anos de avenida e isso não é para qualquer pessoa. Eu estou indo para o meu 20º ano de mestre sala, portanto, é um ano muito comemorativo, com muita alegria e o ensaio de hoje serviu para mostrar muito amor e alegria pela nossa escola e nosso povo. O ensaio técnico aqui é importante para controlarmos o coração. Fora isso, é bom para ver a força da comunidade. A Portela não tem patrono, não tem um super patrocinador, mas tem gente e tem amor. Nossa gente defende o pavilhão com muita garra e ensaios como o de hoje é importantíssimo para mostrar toda a garra do portelense”, disse o mestre-sala.
“Impressionante que mesmo depois de tanto tempo, a gente ainda se emocione tanto. Chegamos em 2018 com a expectativa de ficarmos dois anos, até que a Portela se encontrasse e buscar uma nova porta-bandeira… mas a nossa comunidade e muitas outras pessoas começaram a demonstrar um carinho muito grande e esse encontro com a Portela é mágico. Hoje é um ensaio de muita alegria, porque não é todo dia que uma escola faz centenário. A escola está se esforçando muito para se manter bem e são muitos problemas que vão sendo resolvidos no dia a dia. Também por isso, o ensaio de hoje se mostra muito positivo e ademais, conseguimos mostrar na nossa dança todo o amor que temos pelo pavilhão. Todo mundo sabe que nós não somos Portela de berço, mas hoje é a nossa escola e somos muito apaixonados. Temos que melhorar o controle da nossa ansiedade. É um ano muito especial, então acaba que ficamos muito ansiosos para fazer o nosso trabalho e isso pode nos atrapalhar. Essa ansiedade também pode ser boa para gente. Nossa ideia é trazer a tradição da dança do casal de mestre-sala e porta-bandeira. Até por isso, trouxemos a Amanda e o Caio no começo do desfile. Eles são o casal da Filhos da Águia e entendemos que seja importante trazer para a próxima geração que a Portela é o olho no olho, o sorriso em sintonia, é a mão dada e a gente prioriza uma dança tradicional”, completou a porta-bandeira.
Samba-Enredo
O forte canto da comunidade portelense atesta a funcionalidade do samba-enredo na avenida. As partes “Cavaco e viola…” e “Abre a roda, malandro” foram as mais cantadas durante o ensaio técnico. Vale destacar o excelente trabalho executado pelos integrantes do carro de som, que é mais uma vez muito bem comandado pela voz marcante de Gilsinho. A obra foi composta por Wanderley Monteiro, Vinicius Ferreira, Rafael Gigante, Edmar Jr, Bira e Marcelao.
Evolução
A evolução da Portela foi correta, sem falhas que pudessem comprometer a fluência ao longo do ensaio técnico. Mérito do trabalho desempenhado pela direção da agremiação. Algumas alas faziam uma coreografia espontânea, baseada na letra do samba. Foi muito bonito ver a emoção e a alegria estampada no rosto dos componentes, que exibiram bastante samba no pé. Tanto a entrada, quanto a saída da bateria do recuo ocorreu sem nenhuma correria ou buraco.
Comissão de Frente
A comissão de frente da Águia era composta por 15 bailarinos, sendo 10 homens e 5 mulheres. A coreografia realizada pelo grupo trazia, a todo momento, referências presentes na letra do samba. O figurino utilizado era predominantemente branco, com detalhes em azul. Os integrantes se mostraram sincronizados, sem deixarem de cantar o samba. Em certo momento da apresentação, uma das mulheres exibe o pavilhão da Portela no costado da sua roupa. Porém, esse belo efeito nao funcionou durante a apresentação no segundo módulo, pois a roupa dela acabou não abrindo.
Outros Destaques
Tia Surica desfilou em cima do tripé que carregava a águia, o símbolo máximo do escola. O elemento alegórico trazia nas laterais as fotos de grandes baluartes do samba como: Manacéa, Osmar do cavaco, Waldir 59, Tia Doca, Zé Ketti, Chico Santana, Antônio Rufino, Tia Doca… A escola passou extremamente alegre e carnavalizada, com praticamente todas as alas portando algum adereço de mão como bandeiras, balões, fitas, flores, violas de brinquedo e bastões
Os passistas da Portela deram um verdadeiro show de samba no pé. A ala veio com as mulheres todas vestidas de branco, e o homens de azul e branco. As baianas estavam deslumbrantes, de traje dourado e azul, carregando flores brancas nas mãos. Sheron Menezes e Luiza Brunet tambem abrilhantaram o ensaio da Majestade do Samba. No setor final, a escola trouxe uma faixa escrito “Vencemos mesmo marginalizados”.
A Tabajara do Samba de mestre Nilo Sérgio foi mais um ponto alto da apresentação portelense. Duas bossas foram executadas com êxito ao longo da passarela. Pudemos ouvir claramente todos os instrumentos da bateria, que veio utilizando bonés azuis com muito glitter. Exceto o naipe de chocalhos, que desfilou com cartolas nas cores azul e prata. A rainha de bateria, Bianca Monteiro, desfilou ao lado da apresentadora de tevê Adriane Galisteu, que a convite da escola está de volta. Bianca usou uma grandiosa fantasia azul, repleta de penas de faisão. Enquanto Adriana vestia um look preto com varias pedrarias na cor prata.
“Hoje nós viemos ensaiar do jeito que vamos desfilar. Testamos o andamento, vimos se as bossas estavam certinhas e acredito que o ensaio de hoje foi muito bom”, disse o mestre de bateria Nilo. Temos que manter a alegria para o desfile. Hoje passamos com muita animação, mas eu peço para o dia do desfile mais concentração. Para hoje, foi tudo bem entrar um pouco no clima de festa, mas é preciso ter concentração. Por exemplo, no nosso esquenta teve gente passando por total desconcentração e isso no dia que é para valer, simplesmente não pode. Temos que melhorar a concentração. Nossas bossas não são novidades. Estamos trazendo os 100 anos da escola, resolvemos trazer referências de desfiles passados da Portela. Assim, buscamos trazer esse século de existência para dentro da apresentação”, contou mestre Nilo Sérgio.
A Portela esquentou com o samba “Foi um rio que passou em minha vida”, de Paulinho da Viola. A escola prestou uma homenagem a jornalista Glória Maria, que faleceu nessa semana. Em seguida, o carro de som puxou um “parabéns” para o presidente Fábio Pavão, que estava fazendo aniversário. O hino da escola foi cantado momentos antes do treino, que durou 1h13.
Colaboraram Allan Duffes, Isabelly Luz, Lucas Santos, Luisa Alves e Walter Farias
A bateria “Tabajara do Samba” da Portela fez um ensaio técnico muito bom, sob o comando de mestre Nilo Sérgio. Uma musicalidade que uniu o autêntico ritmo portelense e arranjos musicais pautados pela pressão, além de refinada elaboração. Com direito a uma exibição privilegiada do naipe de caixas e das destacadas terceiras da Majestade.
A cozinha da bateria da Portela apresentou um timbre relativamente grave, totalmente inserido nas tradições da Majestade do Samba. Marcadores de primeira e segunda foram seguros e precisos ao longo de todo o cortejo. O naipe de caixas de guerra, com sua genuína batida rufada, foi responsável por amparar musicalmente os demais naipes, além de dar base sonora para toda a “Tabajara”. Repiques coesos também contribuíram com o preenchimento da sonoridade de modo preciso. Os surdos de terceira portelenses se destacaram, adicionando um molho envolvente à parte de trás do ritmo.
Na cabeça da bateria, um trabalho de solidez sonora foi notado. A ala de tamborins tocou de modo firme, executando a convenção rítmica baseada na melodia do samba de modo seguro e preciso. Um naipe de chocalhos de valor técnico inegável ajudou a preencher a musicalidade com eficiência. Agogôs com bom volume, pontuaram o samba-enredo da Portela se aproveitando das variações melódicas para consolidar seu toque. Uma ala de cuícas acima da média ajudou na musicalidade da parte da frente do ritmo, inclusive participando das duas bossas da “Tabajara do Samba”.
A elaborada paradinha do refrão do meio é iniciada no último verso da primeira do samba. Após um corte seco, surdos e demais naipes dão tapas que auxiliam na pressão, para que o arranjo musical do refrão siga a linha de permitir ao ritmo portelense um balanço envolvente. Com frases musicais bem construídas, a sonoridade chega a encantar pelo swing dos surdos, complementado por repiques e caixas com toques precisos e integrados.
O detalhamento musical da referida bossa ganhou até certo ar de refino com uma contribuição luxuosa das peças leves. Tamborins deram tapas ritmados que auxiliaram no balanço, chocalhos deram molho e cuícas aproveitaram para concluir com uma “subidinha”. Tudo isso com agogôs tocando como pede a melodia no trecho “Deixa a Portela passar”, sendo finalizado com um ousado toque das terceiras que foram responsáveis pela retomada da “Tabajara” já na segunda do samba-enredo. Uma construção musical baseada profundamente nas nuances melódicas da obra e mostrando uma integração musical de raro valor.
Já a paradinha do final da segunda também se mostrou uma construção musical perfeitamente alinhada com o samba da Majestade. Mais uma vez juntando pressão ao balanço, se aproveitando das marcações, caixas, repiques, chocalhos e novamente cuícas ajudando a preencher a musicalidade da bossa. O telecoteco curto do tamborim no início do refrão, antes da subida dos repiques para retomar o ritmo, deu valor sonoro ao arranjo da bateria da Portela.
Mestre Nilo Sérgio tem motivo para ficar confiante em um grande desfile da bateria da Portela, após um ensaio técnico seguro e consistente de todos os naipes da “Tabajara do Samba”. Um ritmo que esbanjou tradicionalismo, mas sempre dando ao samba o que ele pediu. As duas conversas rítmicas bem elaboradas em bossas permitiram além de pressão, uma fluência plena entre as mais diversas peças portelenses.
A bateria “Furiosa” do Acadêmicos do Salgueiro fez um excelente ensaio técnico, sob o comando dos mestres Guilherme e Gustavo. Um ritmo salgueirense marcado pela pressão das marcações mais pesadas, aliadas a um preenchimento sonoro notável dos demais naipes. Vale ressaltar as paradinhas musicalmente bem elaboradas e com nível de dificuldade elevado, com todos os arranjos musicais pautados pelas nuances melódicas do samba-enredo da escola do morro do Salgueiro.
A cozinha da bateria “Furiosa” contou com uma afinação de surdos com timbre genuinamente grave, plenamente inserida nas tradições musicais da escola da rua Silva Telles. Caixas com um toque intercalado com os tradicionais taróis salgueirenses deram molho a parte de trás do ritmo. Assim como repiques adicionaram inegável valor à sonoridade, além de solistas do repique mor contribuindo tanto em ritmo, como em bossas. Tudo isso com um trabalho simplesmente precioso e acima da média dos surdos de terceira, dando aquele aspecto particularmente furioso ao ritmo do Salgueiro.
Na parte da frente do ritmo, um trabalho sólido e eficiente nas peças leves pôde ser notado. Uma ala de chocalhos tecnicamente elevada contribuiu bastante na musicalidade, dando leveza à cabeça da bateria do Salgueiro. O naipe de cuícas adicionou valor sonoro ao ritmo. A ala de tamborins executou um desenho rítmico simples, de modo funcional, se aproveitando da obra da Academia do Samba para consolidar seu toque através das variações melódicas.
Um breque na segunda do samba permitiu a plena fluência entre os naipes, sem contar a pressão dos surdos de primeira e segunda que param de tocar por um instante, voltando em seguida após uma nuance rítmica dos surdos de terceira, provocando um swing envolvente antes da retomada.
Já um breque na primeira do samba-enredo salgueirense foi notado, provocando impacto sonoro ao ritmo da escola branca e encarnada do bairro da Tijuca. Se aproveitou do próprio desenho rítmico dos tamborins para incluir outros naipes no arranjo, como caixas e repiques. Tudo isso com o luxuoso auxílio das pesadas marcações da Academia.
Uma elaborada bossa na segunda do samba mais uma vez se aproveitou da pressão provocada pela afinação com timbre grave, tradicional característica da bateria do Salgueiro. Nessa paradinha ficou evidenciado o belo trabalho musical dos surdos de terceira da “Furiosa”. Todas as frases rítmicas das terceiras estavam encaixadas e conectadas de forma integral com o que a musicalidade pede, com uma conclusão simplesmente fabulosa no início do refrão de baixo, quando efetua desenho rítmico semelhante ao que os tamborins fazem no fim do estribilho, a cada passada. Um acerto que resultou numa construção musical moderna e com sonoridade sofisticada.
A paradinha de maior complexidade e alto grau de dificuldade é a do refrão principal. Um diálogo musical extremamente conectado ao que solicita a melodia do samba. Primeiramente com os surdos de primeira e segunda parando de tocar, no que já é uma levada clássica de longa data da bateria do Salgueiro, deixando o ritmo da cozinha imperar (caixas, repiques e terceiras exercendo papel de centrador marcando). Após isso, os ritmistas do repique mor chamam o ritmo para um balanço único, repetido pelas demais peças. A bossa ainda é finalizada depois da pressão provocada pelos surdos, junto de toques ritmados de diversos naipes. Uma construção que esbanjou musicalidade diferenciada e nítido bom gosto.
Um ensaio técnico que exibiu uma bateria do Salgueiro devidamente pronta para o desfile oficial. Com um leque de bossas amplo e bem executado, o destaque vai para a complexidade musical envolvendo as convenções, que estão pautadas pela melodia do samba salgueirense. Mestres Guilherme e Gustavo, bem como todos os ritmistas e diretores certamente ficaram satisfeitos com uma apresentação que mostra uma bateria do Salgueiro trilhando um caminho sólido em busca da nota máxima do júri.