O presidente da Inocentes de Belford Roxo, Reginaldo Gomes, anunciou, na noite desta terça-feira, dia em que é comemorado os 30 anos da Caçulinha da Baixada, a contratação do carnavalesco Cristiano Bara, uma das estrelas do Carnaval de São Paulo, para fazer dupla com o carnavalesco Marco Falleiros, na construção do desfile de 2024.
Foto: Divulgação
“É um misto de emoção, alegria e gratidão estar de volta na agremiação que comecei minha trajetória como carnavalesco, há alguns anos atrás. Fui pego de surpresa pelo convite do meu amigo e presidente Reginaldo Gomes, não pude dizer não, pois sou apaixonado pela Inocentes, aqui construí uma família e nunca me desvinculei totalmente das atividades da escola, ajudando sempre que era solicitado. Fazer dupla com o Marco será muito legal, pois sei do seu bom caráter e disponibilidade para trabalhar. Quero dizer para a comunidade belforroxense, que o jovem artista que saiu para alçar outros voos está de volta com muita experiência, seguro e para trazer o campeonato para Inocentes”, falou emocionado Cristiano Bara.
Bara iniciou sua trajetória no carnaval, como aderecista e confeccionando fantasias, devido a seu espírito criativo, em 2010, assinou seu primeiro trabalho como carnavalesco da Caçulinha da Baixada em parceria com Roberto Szanieck. Em 2011, assumiu a carreira solo ao contar a história dos Mamonas Assassinas. Após ser observado por causa do seu bom gosto pelo mestre Laíla foi convidado para trabalhar na Beija-Flor de Nilópolis, sendo responsável pelas fantasias,conquistando prêmios. Em 2016, passou a fazer parte da comissão de carnaval. Em 2018, tornou-se carnavalesco da Escola de Samba Vila Maria, do Grupo Especial de São Paulo, juntamente com Fran Sérgio. Em 2019, a parceria foi com Alexandre Louzada. E a partir de 2020, comanda sozinho a criação do desfile da agremiação, permanecendo até 2023.
A apresentação para comunidade da nova dupla será na feijoada de aniversário da agremiação, no dia 16 de julho, às 14h, na quadra de ensaios.
A Beija-Flor de Nilópolis realiza nesta quinta-feira a inscrição das parcerias interessadas em concorrer à disputa de samba-enredo para o Carnaval 2024. Na mesma data, será dada a largada para o concurso, com as obras sendo apresentadas na quadra.
Os compositores deverão entregar 30 cópias impressas da letra aos representantes da ala às 18h. As parcerias sobem ao palco para a primeira apresentação logo em seguida, a partir das 20h.
Sambas de outras localidades
Nesta edição, a agremiação abriu inscrições antecipadas para que compositores de fora da Região Metropolitana do Rio de Janeiro pudessem enviar os sambas-enredo criados e, assim, participar da competição. Ao todo, foram recebidas quatro composições:
– Parceria de Guilherme Gonçalves – Cabo Frio/RJ
– Parceria de Ivandro Luiz – Cascavel/PR
– Parceria de Fernandinho Bilhalva, Oscar Favila e Thiago Andrade – Uruguaiana/RS
– Parceria de Serginho SP, Paulo das Neves, Ney Ortiz, MC Duda, Aloisio Dias e Pericles Daniel – São Paulo/SP
No próximo ano, a Beija-Flor será a segunda escola a desfilar pelo Grupo Especial, no domingo de Carnaval. Ela levará para a Sapucaí o enredo “Um delírio de Carnaval na Maceió de Rás Gonguila”, que contará a história de Benedito dos Santos, fundador do bloco alagoano Cavaleiro dos Montes.
O Salgueiro lançou o enredo para o próximo carnaval ainda no início de março, e de lá pra cá além do consentimento do público em geral, o tema escolhido e desenvolvido para 2024 vem recebendo uma resposta positiva também da comunidade. “Hutukara” está sendo desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira e pretende fazer ecoar com força a voz dos povos originários na luta por respeito, valorização e preservação da Floresta Amazônica. O título do enredo foi divulgado nos 70 anos da Academia e a sinopse também já foi apresentada. Pelo segundo ano consecutivo na escola, Edson Pereira julga que o sucesso inicial da narrativa que vai levar para a Avenida tem origem também na importante mensagem que o tema vem trazer para os dias atuais.
Foto: Allan Duffes e Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO
“Acho que é a representação do lugar de fala de uma escola. É um enredo que justamente tem que ser dito, tem que ser mostrado, e a escola de samba ela tem esse poder e é um veículo mais próprio para poder falar sobre tudo isso. Eu fico muito feliz de poder estar a frente deste trabalho, porque é um trabalho que não é só mais uma enredo, é atingir o coração de cada um de nós. Falar dos povos que são os reais originários do Brasil. Ver que todo mundo abraçou a causa, é sinal que a gente está no caminho certo”, entende Edson.
Com um 9,6, dois 9,7 e um 9,8, enredo, sem dúvida, foi o quesito em que o Salgueiro mais perdeu pontos no carnaval 2023. A visão de um novo paraíso diferente daquele historicamente idealizado acabou não recebendo uma boa resposta dos jurados e antes do desfile o projeto já sofria com algumas críticas do público em geral. O carnavalesco Edson Pereira acredita que o enredo foi vítima de um pré-julgamento e que há no carnaval atual um certo engessamento dos temas.
“Acho que carnaval é isso. A gente precisa virar a página. Não que eu esteja feliz com as notas que aconteceram, mas acho que o enredo foi muito prejulgado. A falta de liberdade de expressão hoje em dia do artista, que é julgado, é algo que precisa ser revisto no carnaval. Acho que acaba engessando demais o trabalho do artista. O Joãosinho Trinta se estivesse fazendo carnaval hoje em dia ia ficar muito triste, infeliz, porque não poderia ter essa liberdade que ele teve na época que ele fazia grandes carnavais, e fez grandes carnavais que ficaram para a história”, aposta o carnavalesco.
Se por um lado o enredo sofreu bastante e foi decisivo para que a Vermelha e Branco não voltasse no desfile das campeãs, um quesito normalmente bastante destacado nos carnavais de Edson Pereira teve mais uma vez um bom desempenho. Apesar de um 9,9 que foi descartado, Alegorias e Adereços garantiu os 30 pontos para a agremiação e foi bastante elogiado em relação à plástica. Edson se diz muito feliz por esse reconhecimento de seu trabalho.
“A gente sempre fica feliz. Graças a Deus eu venho fazendo uma construção do meu trabalho e muitos gostam, acreditam no meu trabalho, isso faz parte do meu trabalho também, e faz parte do carnaval. Eu considero tudo isso como o momento do mundo do samba, que a gente precisa só refletir e crescer com tudo isso, como profissional, como pessoa”, analisa o profissional.
Para 2024, o carnavalesco não quis dar nenhuma pista sobre o que pretende trazer dos quesitos plásticos, mas garantiu para o torcedor da Vermelha e Branca que está preparando mais um grande trabalho.
“O salgueirense pode esperar um grande carnaval com certeza”, prometeu Edson.
No próximo carnaval o Salgueiro será a terceira escola a pisar na Sapucaí na primeira noite de desfiles do Grupo Especial.
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Aos 18 anos, Lara Mara assume função especial na Unidos de Padre Miguel. Ao lado do pai, Cícero Costa, ela comanda agora a direção de carnaval e chega com a missão de realizar o sonho do “povo guerreiro da Vila Vintém”, que é chegar pela primeira vez no Grupo Especial. Para isso, a vermelho e branco aposta no enredo “O Redentor do Sertão”, que será desenvolvido pelos carnavalescos Edson Pereira e Lucas Milato.
Fotos: Diego Mendes/Divulgação
Como você começou no carnaval?
“Na verdade, eu já nasci no meio, porque meu pai sempre foi e minha mãe também. Sempre estive no carnaval. A primeira vez que eu fui levada para o ensaio de rua tinha um mês de vida. Comecei na ala das crianças com sete anos. Depois, desfilei como destaque”.
Qual é o segredo da quadra da UPM porque a gente chega na quadra e sente algo muito forte que mexe com o coração e a emoção?
“As pessoas vêem uma comunidade muito apaixonada. Um povo muito apaixonado. Tem esse encantamento. A nossa receptividade de receber as pessoas muito bem. Todo mundo fica encantado. As pessoas que estão ali amam realmente a escola. Estão dispostas a fazerem tudo pela escola, vestem a camisa. Encanta é o amor verdadeiro”.
Como você recebeu o convite para ser diretora de carnaval junto com o seu pai? O que pensou na hora e o que sentiu quando assumiu a função?
“Quando recebi o convite para ser diretora de carnaval do meu pai achei até que era brincadeira. Como eu tinha ajudado no carnaval de 2023 acreditei, fiquei bem impressionada, mas também com muita vontade de fazer acontecer. Poder mostrar o meu amor pela escola”.
Fora do carnaval, como é a troca entre você e seu pai na vida normal? E dentro da escola de samba como ficou a divisão de trabalho entre vocês?
“Eu e meu pai somos muito amigos, dentro da escola mesmo às vezes com algumas opiniões diferentes entramos sempre num acordo. Eu estou aprendendo muito com ele, a gente fez a divisão de uma forma saudável, ele fica com algumas responsabilidades e eu com outras”.
Qual é o perfil da Lara? É de mandar e pronto, mandar e ouvir, dialogar?
“Eu sou muito mandona, mas sei ouvir também. Gosto de tudo certinho e na maioria das vezes na hora”.
Qual é o seu desfile inesquecível da Unidos de Padre Miguel? Por qual motivo?
“Meu desfile inesquecível foi o de 2017. O ano do acidente com a Jéssica (Ferreira, porta-bandeira, que sofreu uma lesão durante o desfile). Ali, eu vi que o mundo do samba abraçou a Unidos de Padre Miguel. O que eu senti naquele dia nunca senti na minha vida”.
Quando realmente vai chegar o dia da Vila Vintém ser campeã do Acesso? O que falta?
“Acho que o dia da Vila Vintém vai chegar no momento certo. Tivemos alguns erros nos últimos anos, mas estamos dispostos a acertar. Olhar para o futuro e ir em frente. Brigar pelo título e honrar nossa comunidade”.
Como está o trabalho para 2024? Fizeram obra no barracão?
“Para o carnaval 2024 já estamos com os protótipos das fantasias prontos. A obra do barracão foi para melhorar nossa estrutura e poder trazer uma qualidade no trabalho e para os profissionais”.
Como surgiu a ideia do enredo para o Carnaval 2024?
“A ideia do enredo foi muito a nossa cara pela questão da fé, todos nós estamos esperando o milagre da Vintém, que é nosso tão esperado título e também cada um de nós almeja um milagre na nossa vida pessoal. Casou muito. O povo da Vintém é um povo de fé, que não desiste, tem total relação. E também acho que a Unidos combina com enredo do Nordeste, amo o desfile de 2015”.
Como funciona a relação com o carnavalesco Edson Pereira e agora a chegada do Lucas Milato na parceria?
“Edson me conhece desde bem pequena, me viu crescer, somos uma família. Temos uma boa relação, tanto dentro, como fora da escola. Ele é a cara da Unidos de Padre Miguel e todo mundo da Vintém ama o trabalho dele. A ideia da contratação do Lucas foi que vimos um jovem bem competente e resolvemos dar oportunidade. Acredito no potencial dele e sei que vamos fazer um belo desfile. Ccom certeza vai emocionar tanto o povo do samba como as pessoas de grande fé”.
A escola conta com pessoas muito importantes em seus quesitos. Mestre Dinho na bateria, o casal Vinicius e Jéssica e o coreógrafo David Lima. Essa relação deles vai muito além do desfile? São pessoas que se o sonho acontecer um dia vão estar com vocês no Especial?
“Essas pessoas fazem parte da história da Unidos de Padre Miguel. Sem dúvida, elas merecem comemorar e viver com a gente quando esse sonho for realizado, somos uma família, se for da vontade deles com certeza irão continuar”.
A ala de crianças da UPM sempre é muito esperada e premiada. Qual é a sua fantasia marcante dessa ala e por qual motivo?
“Sempre é, com certeza, a fantasia mais marcante. A minha é da galinha d’angola de 2013”.
Hoje temos os herdeiros assumindo funções nas escolas de samba. Como você analisa as presenças do Gabriel David na Liga/Beija-Flor, João Drumond na Imperatriz, Bernardo na Grande Rio, Luizinho na Vila? São inspirações?
“Acho que é uma boa. É um bom futuro. O carnaval tem que evoluir. Novos ares, pessoas novas. Uma nova mentalidade é necessária. Existe o amor pelo carnaval”.
Temos hoje algumas mulheres no comando das escolas. Gosta desse empoderamento?
“Gosto do empoderamento das mulheres no carnaval. Olho muito a trajetória dessas mulheres. São guerreiras. Fazer gestão de escola de samba não é fácil. Sendo mulher acaba tendo o preconceito. As meninas que querem, podem ser destaques, passistas, mudas. Mas também pode comandar, como presidente ou diretora. Até carnavalescas temos poucas. As mulheres têm que parar com um pouco de medo e botar mais a cara. Sou uma mulher que estou assumindo um cargo que é regido por homens”.
Você é jovem, apenas 18 anos, como é a relação com as amigas/amigos fora do carnaval quando você diz que é de escola de samba e que ouve samba-enredo?
“Meus amigos de fora acabam entrando no carnaval por causa de mim. Tenho um amigo meu que era louco por rock e aí conheceu a Unidos através de mim. Hoje é completamente apaixonado pela escola. Meus amigos gostam muito, tem muitos amigos desse meio do carnaval, porque eu cresci aqui. A gente acabou crescendo junto. Assim, desde a aula das crianças até hoje, continuamos amizade”.
Você gosta de ouvir samba-enredo no carro ou em casa?
“Eu escuto samba-enredo o tempo todo, se deixar eu escuto samba-enredo o dia inteiro, no carro, na faculdade. Às vezes eu estou triste, acordo boto um samba-enredo da Unidos e das outras escolas”.
Fora do carnaval, o que você curte fazer no tempo livre?
“Sou muito festeira, amo estar com meus amigos e família. Gosto muito de viajar, amo futebol, sou flamenguista, amo está com a natureza, sempre vou na cachoeira”.
Você carrega um lado azul no coração que é o amor pela Vila Isabel. Como isso surgiu?
“O amor pela Vila surgiu quando meu pai me levou pra assistir o desfile em 2010. Ali, eu me apaixonei, costumo fala que amor não se explica só se sente e eu me encantei. Desde então tenho um pedacinho de Vila no meu coração”.
O final de semana foi de bastante aprendizado e troca de experiências na Unidos de Vila Isabel. A escola recebeu no último sábado cerca de 180 participantes para o 2º Workshop de Harmonia e Evolução. Com palestras de diretores da agremiação, como o mestre de bateria Macaco Branco, e convidados especiais, como o síndico da Passarela do Samba, Machine, e o produtor da TV Globo, Teteu José, os participantes puderam aprender como funciona a organização dos departamentos de Harmonia e Evolução dentro e fora da avenida, com dados e lições sobre o trabalho realizado pela escola no Carnaval.
Foto: Glaucio Burle/Vila Isabel
“É uma satisfação imensa poder transmitir conhecimento a tantas pessoas interessadas em se aprofundar no tema. Recebemos diretores de Harmonia de outras escolas e até mesmo de outros estados, como São Paulo, Minas Gerais, Porto Alegre e Espírito Santo, além de Brasília. Também selecionamos 18 inscritos oriundos da comunidade para uma próxima etapa, que vai promover a entrada de novos integrantes para o departamento de Harmonia da Vila Isabel”, destacou o diretor de Harmonia, Marcelinho Emoção.
O evento contou, ainda, com a arrecadação de cerca de 150 kg de alimentos não perecíveis, que serão doados à Basílica Nossa Senhora de Lourdes, vizinha à quadra da agremiação.
No próximo ano, a Vila Isabel será a terceira escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval com o enredo “Gbalá – Viagem ao Templo da Criação”.
Foi anunciado, durante feijoada realizada na quadra, em Niterói, o enredo do Cubango para o Carnaval 2024. Intitulado “Os pássaros da noite e o segredo das criações” trata-se de um olhar místico e festivo para o matriarcado ancestral, sob as asas sagradas das Iyá Mi, divindades do panteão afro-brasileiro que guardam os segredos da criação do mundo.
Foto: Divulgação
A partir dessa faísca inicial, a narrativa abordará outras “criações”: a criação dos candomblés, no contexto afro-diaspórico; a criação do complexo sociocultural do samba, com ênfase no protagonismo e na sabedoria das mulheres negras; e a criação da própria escola de samba, mistura de rua e terreiro, exaltando as mães fundadoras e guias espirituais da agremiação do Morro do Abacaxi.
O enredo foi proposto e será desenvolvido pela comissão de carnaval formada por Gabriel Haddad, Joana D’Arc Prosperi, Jovanna Souza, Leonardo Bora, Rafael Gonçalves, Sophia Chueke, Thayssa Menezes e Theo Neves.
A comissão, que também assina coletivamente a arte do cartaz do enredo (que foi confeccionado a partir da colagem e sobreposição de diferentes linguagens artísticas), coletou depoimentos de baluartes da escola, a fim de valorizar o poder das narrativas de matriz oral, passadas de geração em geração. Segundo os carnavalescos, o enredo é uma celebração afetuosa das raízes cubanguenses, a base de uma árvore de vidas unidas e atravessadas pelo samba.
A data de entrega da sinopse para os compositores será divulgada em breve.
A Unidos de Vila Isabel vai reeditar, em 2024, o enredo “Gbalá: uma viagem ao Templo da Criação”, criado em 1993 pelo então carnavalesco Oswaldo Jardim, já falecido. Agora, o tema será desenvolvido por Paulo Barros.
Foto: Nelson Malfacini/CARNAVALESCO
Não haverá disputa de samba. A obra é considerada como uma dos mais bonitas produzidas por Martinho. Em 1993, a escola teve que enfrentar um temporal na hora do desfile e na classificação ficou em oitavo lugar, mas se depender de Martinho a história agora será outra.
“Eu estou felizão. Até disse que não estava mais a fim de desfilar e ia dar um tempo, mas a Vila Isabel vai reeditar o enredo Gbala: uma viagem ao templo da criação, que é um que mais gosto. Aí, vou ter que estar na avenida. Vai ser impressionante e tem mais uma: a Vila Isabel vai ganhar”, disse Martinho à Agência Brasil.
Baseado na cultura Yorubá para trazer o enredo a partir de uma narrativa fictícia, ao mesmo tempo a Vila homenageia Oswaldo Jardim e propõe uma reflexão sobre o planeta, as mazelas produzidas pelos humanos e a possibilidade de salvação por meio das crianças.
No enredo, o criador Oxalá adoece diante da humanidade corrompida nos seus propósitos iniciais. “A única alternativa para salvá-lo era levar as crianças da terra para o Templo da Criação, para que, conhecendo o mundo tal qual foi concebido curassem Oxalá dos males e salvassem a humanidade. Nessa jornada, elas descobririam como o mundo e o homem foram criados e os valores da vida humana no sentido de bondade, paz e amor”, informa a escola em texto publicado nas redes sociais.
A mesa “Abre-alas do carnaval” no primeiro seminário que discute o fomento do espetáculo do carnaval e seu papel econômico, na última sexta-feira, na Biblioteca Parque, no Centro do Rio, abordou o papel do livro não só para a maior festa popular do mundo, mas também para a formação educacional. Participaram do encontro o diretor cultural da Liesa, Luis Carlos Magalhães, o assessor cultural da Liga, Fernando Araújo, além de dois professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que comentaram sobre a parceria entre a Liesa e a instituição de ensino superior.
Foto: Raphael Lacerda/CARNAVALESCO
Com a primeira edição publicada em 1987, o livro abre-alas é um material elaborado pela Liesa voltado para os julgadores e a imprensa especializada que contém informações sobre os quesitos de julgamento. Para Fernando Araújo, o livro passa maior credibilidade para os desfiles.
“A gente traz a descrição de todas as escolas e todo esse processo criativo que envolve o desfile. Ele começa com quem se envolveu no enredo, as pesquisas que foram feitas, os livros que foram pesquisados. Ou seja: a gente gera, anualmente, algo que dificilmente outras manifestações conseguem fazer, que é o conteúdo relevante que contribui para a formação do nosso povo. Com isso a gente traz credibilidade para o desfile”, disse.
Fernando Araújo comentou a importância do abre-alas para projetos além do carnaval, como o que ocorre com a Uerj. Atualmente, todo o material excedido é doado para bibliotecas comunitárias e projetos sociais voltados para a educação.
“O abre-alas é um livro atemporal que resume e explica cada elemento que passa dentro da Avenida. O poder de diálogo da escola de samba é muito grande e o abre-alas tem que acompanhar este diálogo. A gente precisa credibilizar a informação e fazemos isso através da instituição de ensino. A Uerj percebe que o carnaval é uma potência cultural. A Liesa, enquanto representante do espetáculo que é o desfile, percebeu que uma parceria entre ela e a Uerj é uma espécie de chancela para a educação do carnaval”.
“A gente dá uma resposta para a sociedade sobre o que o carnaval dá para ela além dos dias de desfiles. Traz cultura e credibiliza uma ação que daqui a pouco estará fazendo cem anos. Credibiliza a arte da pessoa que vem do subúrbio. A nossa proposta está justamente no subúrbio: apresentar de forma didática o que é apresentado na Avenida. Fazer com que uma criança olhe para um carnavalesco, enredista, e veja a complexidade que é desenvolver o carnaval. Como é profundo o processo de pesquisa. A gente está para mostrar que o livro tem utilidade sim, anualmente, dentro da sala de aula”, completou.
Professor da Uerj, Daniel Pinha explicou o papel da parceria com a Liga e ressaltou a importância do abre-alas para a formação de docentes que se interessam pelo espetáculo do carnaval.
“A parceria é para promover a divulgação do centro de memória. A gente quer colocar esses arquivos e documentos na rua, fazendo exposições e pensando em projetos com os professores, porque eles têm interesse e curiosidade, mas não tem uma formação para trabalhar com esse material. A Uerj atua nessa divulgação do centro de memória e na formação dos professores para transformar o carnaval de escola de samba em um produto pedagógico”, explicou o professor.
Ao final do seminário, seguindo a proposta do Departamento Cultural da Liesa, Maria Chocolate, fundadora do Centro Cultural Comunitário Chocobim Biblioteca Comunitária MAANS, recebeu dois exemplares do material. Com ações nos municípios de Duque de Caxias e Nova Iguaçu, a representante afirmou que usará o abre-alas para trabalhar a cultura do carnaval com as crianças atendidas.
O Império de Casa Verde apresentou na noite de sábado o seu enredo para o Carnaval 2024. A divulgação foi feita em formato de show para convidados e transmissão ao vivo no canal do YouTube da escola. Com isso, a agremiação da Zona Norte fecha a safra de enredos que serão apresentados na avenida no ano que vem. Agora, todas têm os seus temas e já estão dando os próximos passos para a folia acontecer.
Fotos: Fábio Martins/CARNAVALESCO
A apresentação contou com uma grande estrutura. Em sua quadra, o Império montou sistemas de iluminações para abrilhantar o show que estava por vir na live, que fora comandada pelos artistas Ailton Graça e Adriana Lessa. O intérprete oficial, Tinga, cantou sambas históricos da escola e, após, o carnavalesco Leandro Barboza explicou o enredo – “Fafá, a Cabocla Mística em rituais da Floresta”.
“Eu já tenho esse enredo desde 2017. Está guardado há muito tempo. A parceria com o Tiago Freitas, que é o meu enredista, ganhou uma proporção imensa. Ele descobriu caminhos, trocamos ideias e essa dupla tem dado tão certo que a gente almoça e dorme pensando neste trabalho. A gente conseguiu um caminho muito legal. É um grande sonho, tenho certeza que a comunidade vai abraçar e espero um Carnaval muito bom. A gente vem com o luxo do Império e vai ser show de bola. Hoje estamos com um projeto fechado, mas pode ser que amanhã ou depois a gente acrescente mais alguma coisa. É importante deixar registrado que desde o ano passado, nós pensamos muito em conjunto para deixar o trabalho redondo. É isso que a galera está vendo na avenida”, explicou o carnavalesco, Leandro Barboza.
Toda homenagem é pouca para grandes nomes como Fafá de Belém. Porém, em alguns casos, se vê muitos enredos de artistas que apenas cedem o nome e a figura para a escola desenvolver o tema. No entanto, Leandro disse que Fafá de Belém estará o tempo todo junto com o Império de Casa Verde, participando ativamente das discussões sobre como levar a imagem dela para o Anhembi. “Eu tenho certeza que essa entrega será gigantesca. A gente tem controlado a Fafá durante esse um mês que estamos para lançar o enredo. Ela é uma mulher de muita energia e está desde o primeiro momento querendo trabalhar. Ela não é só mais uma personagem que a escola está contando. A Fafá está dentro do Império participando do projeto, envolvida com a comunidade e, como ela disse, toda folga dela, estará aqui no Império”, contou.
Em 2023, o enredo “Império dos Tambores” foi um sucesso com a comunidade e levou a escola a fazer um grande desfile, conquistando a terceira colocação. O tema também foi de autoria do carnavalesco. Devido a isso, Leandro falou sobre a confiança que a diretoria da agremiação está depositando no trabalho dele. “Hoje eu fiz até um agradecimento ao presidente para mostrar o quanto eu sou grato a ele. Porque foi uma história construída de degrau a degrau. Eu cheguei em 2016 como assessor do Jorge Freitas e foi toda uma caminhada. Agora eu tenho todo esse apoio. Então o Império está na frente, em primeiro lugar, entre as propostas. A parceria se estabeleceu”, comentou.
Trabalho de pesquisa
Tiago Freitas, enredista e ‘braço direito’ do carnavalesco Leandro Barboza, contou como foi feita a pesquisa para desenvolver a sinopse do enredo. Também falou da emoção por ser da Amazônia, região norte do Brasil, assim como Fafá de Belém. “Eu sou da Amazônia. É muito forte e especial trabalhar com esse enredo. Fafá desde nosso primeiro encontro nos encantou como uma forte entidade mística da floresta. A história dela tem diversas vertentes desses elementos encantados da mata e ela conduz a Império por caminhos de rituais. Ela leva o Tigre e a comunidade através disso. Fafá é a cabocla que quando canta faz a floresta renascer mais forte. Quando ela olhou o enredo, logo, os desenhos, ela se reconheceu e isso é muito importante”, contou.
Carnavalesco Leandro Barboza
Tiago falou um pouco dos bastidores. Junto com Leandro, teve a oportunidade de visitar a homenageada na casa dela e mostrar todo o projeto e, segundo o profissional, na leitura da sinopse houve uma emoção muito grande. “A gente fez a leitura na casa dela e ela chorou. Depois nos abraçou, ficou emocionada e não retocou. Disse para mim: ‘você me sentiu’. A Fafá sentiu a escola, mora em São Paulo e sempre vai estar presente. Quando ela foi escolhida para ser o enredo disse que ‘agora eu entendi porque São Paulo me escolheu e não o Rio’. Eu moro aqui, tenho casa, minha filha nasceu aqui e tinha que ser nessa cidade. Então tem essa mística. A Fafá tinha um sonho de ser enredo e nos revelou isso. Quando chegamos com a proposta, ela nem hesitou”, declarou.
Anteriormente, o carnavalesco contou sobre a parceria com o enredista e, desta vez, Tiago falou como vem dando certo trabalhar juntamente de Leandro. “A gente teve uma parceria de sucesso no ‘Império dos Tambores’ e queremos repetir isso ou fazer algo melhor, sendo na parte de sambas, fantasias e de todo o processo até o dia que vai para a avenida. É um processo de parceria muito legal. Eu aprendo muito com o Leandro e nós temos muitas trocas. A gente vive e respira o Império todos os dias. Nós queremos o campeonato e Fafá também quer”, completou.
Encontro do tema e os próximos passos
O diretor de carnaval, Tiguês, revelou que o enredo já circulava na escola há algum tempo. Também enalteceu o trabalho de Leandro e a busca pelo título. “Na verdade, essa história falando de Fafá de Belém já é presente no Império há uns dois anos. No ano passado optamos por falar em um enredo afro, e aí o Leandro teve uma ideia genial de não fazer simplesmente algo biográfico e transformar a história dela em uma lenda, em algo que fosse diferente, que não fosse biográfico o tempo todo. Então, criou-se essa lenda, essa magia toda em torno da cabocla mística, para trazermos a avenida, e acredito que acertamos. Uma figura ímpar, pessoa que representa não só na parte musical, mas o engajamento político e religioso, transitando em todas as religiões. E sobre a pista, podem esperar muito luxo e um carnaval com samba empolgante. Pretendemos também fazer um grande espetáculo no Anhembi baseado nos novos critérios de julgamento. Nós somos a penúltima escola a desfilar, sexta escola do sábado de carnaval e estamos empolgados. Mas se Deus quiser, desta vez, vamos levar o troféu de primeiro lugar”, disse.
Diretor de carnaval, Tiguês
Como dito anteriormente, em 2023 o samba-enredo do Império foi um dos melhores do Carnaval paulistano, inclusive vencendo o prêmio Estrela do Carnaval do site CARNAVALESCO. Sobre o próximo hino, o diretor contou que será feito da mesma forma. “Por encomenda, não teremos eliminatórias. Agora, já a partir de segunda-feira começamos a construção. Temos uma ideia mais ou menos da linha que vamos levar. E esperamos repetir o sucesso do ano passado, do samba de 2023, foi um grande sucesso, o mais aclamado do Carnaval de São Paulo e esperamos repetir essa mística através de Fafá de Belém”, opinou.
Batucada para 2024
Outro quesito sucesso foi a bateria ‘Barcelona do Samba’, regida por mestre Zoinho. É uma das batucadas referências do carnaval paulistano e, com o samba de 2023, teve um desempenho melhor ainda. Talvez o mais satisfatório desde quando Zoinho assumiu. Para 2024, o diretor de bateria se mostrou bastante empolgado com o tema. “Enredo muito bom, uma homenagem para uma pessoa que fez muito pela música, pelo MPB, cantora de sucesso. Tem uma história de vida bonita, e a gente fica muito feliz de homenageá-la, e é o seguinte: a partir de hoje começamos a fazer nosso projeto, carnaval 2024. Em termos de samba, de criação, de ritmo, de tudo. É um enredo que nos dá a possibilidade de fazer vários ritmos, coisas, um enredo que abre caminho e portas. Estamos tranquilos e nosso objetivo é trabalhar bastante, fazer um grande desfile novamente”, disse.
Zoinho disse que já vem ensaiando, mas disse que é muito cedo para encaixar algo do enredo dentro da bateria. “É muito cedo, preciso esperar vir o samba, entendeu? A hora que o samba chegar, começamos a trabalhar em cima do ritmo. Estou ensaiando, bateria ensaia toda segunda-feira, mas assim, agora vou começar a trabalhar em cima do ritmo, samba, estou esperando o samba. A expectativa é grande, vamos ver o que vai dar, vem novidade por aí, 2024 promete”, finalizou.
O Império de Casa Verde será a sexta escola a desfilar no sábado de Carnaval.