Início Site Página 793

Mocidade 2024: parceria de Zé Glória

0

Compositores: Zé Glória, Trivella, Chacal do Sax, Renilson, Mumu do Gás, Guilherme Karraz, Simões Feiju e Myngau.
Participação Especial: Domenil e André Baiacu

Eu sei… É de lambuzar!
Vem saborear…
Em cada lábio, um gostinho de Brasil!
É Tropicália, o nosso lema é devorar
O puro suco que ao poeta seduziu!

Suculência que inebria
Caju que se planta dá nessa antropofagia

E nas noites de Torém todo povo Tremembé
Tomou do mocororó, melou da cabeça ao pé
Mas o invasor chegou de lá
E provou do nosso mel
Pro nativo, o que era doce
Se tornou amargo fel

Caravelas ao mar, cadê? Cadê meu caju? Sumiu!
Caravelas ao mar, cadê? Cadê meu caju? Partiu!
Cabral levou acayu a pau
No Velho Mundo, essa carne virou carnaval…

Pelas bandas de cá feito nobre reinou
É raiz potiguar, lenda de pescador
Mas floresce em Parnaíba o firmamento
A batalha onde tamanho é documento!
Tua noda entranhada na cultura
O movimento “anti-heróico” nacional
À tua sombra, germinaram poesias
E o sabor de uma infância no quintal
Ê, morená, gingado que mexe com a gente…
Ê, morena tropicana envolvente!
No prazer da castanha, o sabor tem mais vida!
Não existe mais quente que nossa batida!

Tem cajuína na Vila Vintém!
Quem provou gostou! Vem provar, meu bem!
Fruto invertido, nossa identidade
Respeite, aqui é Mocidade!

Comandante da única bateria despontuada no Grupo Especial em 2023, mestre Rafa critica preparação de jurados

0

Nos últimos anos, diversos amantes do carnaval mundo afora fizeram críticas ao método de julgamento da folia paulistana. O excesso de notas máximas, chamado de “chuva de dez”, tornava as apurações das escolas de samba de São Paulo monótonas em alguns quesitos. Isso tudo descontando, é claro, as discordâncias sobre determinadas notas – algo presente em concursos em toda a Terra. Os dois pontos de atrito, em alguns momentos, atingiam a mesma pessoa: Rafael Oliveira, conhecido como mestre Rafa.

final rosas 2324 2
Foto: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

Comandante da “Bateria com Identidade” desde 2014, o comandante dos ritmistas do Rosas de Ouro revelou, em entrevista ao CARNAVALESCO, um sentimento negativo em relação às notas atribuídas ao segmento da Roseira – a despeito dos diversos prêmios conquistados ao longo de uma década inteira.

Penalização única

Das cinquenta e seis notas do quesito Bateria na apuração do carnaval de São Paulo em 2023, apenas uma não foi dez. Eduardo Tullio, julgador do segundo módulo do Anhembi, concedeu um solitário 9.9 para a Bateria com Identidade. O desconto, como não poderia deixar de ser, deixou não apenas mestre Rafa um tanto quanto incrédulo. “Não é uma sensação ruim, dá uma sensação de não estarmos na mão de pessoas qualificadas. Essa é a verdade. Não sou eu, mestre Rafa, quem estou falando: tiveram reuniões com outros comandantes e outros três ou quatro mestres de bateria levantaram e falaram que não foi justo. Eles disseram que desfilaram catorze escolas no Grupo Especial e não é possível que só a minha bateria errou”, desabafou o profissional, que apresentou, junto à azul e rosa, o enredo “Kindala! Que o amanhã não seja só um ontem com um novo nome”.

A justificativa para o desconto na pontuação também foi rebatida pelo comandante dos ritmistas da Roseira. “No caso, não foi nem erro: ele nos despontuou falando da equalização. Só que há um áudio do jurado falando que não conseguia ouvir direito o agogô. Não tem essa de estar ou não ouvindo: tem que estar ouvindo e acabou. Errou o jurado, infelizmente. Vou caçar o jurado? Não, ele foi colocado ali e que tem que cuidar do e capacitar o jurado é quem fez a contratação”, disparou.

desfile rosas de ouro 93
Foto: Fábio Martins/CARNAVALESCO

Ao realizar a apresentação para a segunda cabine de jurados, por sinal, o próprio Mestre Rafa sentiu algo estranho no ar. “Isso tira a cereja do bolo, porque foi um jurado que paramos na frente dele, apresentamos a bateria, viramos, abaixamos, fizemos tudo e ele mal nos olhou. Não sei qual é o tipo de instrução que ele recebe, mas ele não nos olhou. Ali eu já me senti desqualificado”, recordou-se.

Ao falar sobre um sentimento de injustiça, o comandante dos ritmistas voltou a criticar a situação. “Tínhamos seis bossas, a bateria que mais tinha bossas no carnaval paulistano, e todas grandes. Ao todo, duzentos e quarenta e poucos compassos de bossa, sendo que o regulamento pede dezesseis e um arranjo. Nós tínhamos o samba inteiro de bossas! Isso tirou a nossa cereja do bolo, mas quem passou vergonha foi quem cuida e o próprio jurado, infelizmente – repito que não é culpa dele. Várias baterias erraram, mas eu não sou jurado, sou mestre de bateria, não vou falar quais baterias erraram, mas todo mundo sabe quem errou e não foi despontuado na frente dos jurados. Nós, que não erramos e ousamos, tomamos desconto em equalização”, ratificou.

Motivação

Embora revele certo desprendimento em relação às notas, o que mais preocupa o ritmista-mor é como os comandados e a comunidade da Freguesia do Ó recebem os descontos. “Eu já estou preparado, mas… mesmo sabendo que a gente fez um bom trabalho, a minha rapazeada… qual o estímulo que eu tenho para passar para eles ensaiarem, sendo que fomos uma das três baterias que mais ensaiaram no carnaval (se não formos a que mais ensaiou), sempre fomos assim, sempre ensaiamos muito. Como eu vou pedir para ensaiaram sendo que o jurado errou?”, indagou.

Ao longo da entrevista, mestre Rafa aproveitou para questionar o conhecimento dos jurados do quesito em instrumentos musicais que não são eruditos. “Os jurados são maestros e etc, mas não são de cunho popular. Qualquer um daqueles jurados, se eu pedir para eles tocarem uma cuíca, uma caixa-de-guerra ou um repinique, eles não vão tocar porque não dominam o instrumento. Não basta ser só maestro. Pode até soar como polêmica, mas não é: é a verdade”, comentou.

desfile rosas de ouro 90

Logo depois, ao novamente destacar que descontos não são novidades para ele, o comandante aproveitou para pontuar que ele também possui o domínio da música erudita, algo que não necessariamente é recíproco da parte do corpo de jurados. “Eu já estou preparado: eu venho de uma cultura que não sou de nota dez – inclusive, toco em orquestra também, sou músico formado e qualificado e já viajei muito, não sou apenas ritmista, toquei em várias bandas e orquestras”, revelou.

Como o próprio mestre Rafa destacou, decréscimos na pontuação não são novidade para a Bateria com Identidade. De 2014 para cá, os ritmistas da Freguesia do Ó gabaritaram o quesito “apenas” quatro vezes: 2015, 2017, 2019 e 2022.

Nada de mudanças

Apesar dos supracitados descontos, o comandante revelou que não pretende mudar o premiado estilo da Bateria com Identidade. “Em 2020, também fomos pontuados, sendo que ganhamos onze prêmios da imprensa em geral. As pessoas falavam que os jurados estavam loucos, e a voz do povo é a voz de Deus. Eu trabalho ainda mais, não estou nem aí. Não sou um cara inconsequente: se a escola me autorizar, vou fazer muito mais. A gente gosta disso, é a nossa marca”, comentou. Um dos prêmios no ano citado por ele, por sinal, foi o Estrela do Carnaval, de Melhor Bateria, concedido pelo CARNAVALESCO.

O tão falado novo regulamento para o carnaval 2024 também entrou em pauta em outra resposta de mestre Rafa. No caso, a parte musical como um todo terá mudanças. “Na minha cabeça o pensamento não mudou, mas eles estão julgando o carro de som, também. Para mim não muda nada, eu gosto de fazer as bossas: se eu puder fazer oito, sendo que eu fiz seis em 2023, eu vou fazer. Mas a escola começa a ver de outra forma. Eu já vejo até, como sei lá, perseguição, outras coisas”, pontuou, de maneira contundente.

Falando em regulamento…

O comandante ponderou que, para os ritmistas, nada muda. Há um quesito em especial, que não deixa de ter forte acompanhamento dos comandados de mestre Rafa, que merece especial atenção, na visão dele. “O regulamento, na parte de bateria, é o mesmo. Já em samba-enredo, que eles querem mudar por conta das notas dos últimas anos, eu não tenho como saber. Só vou saber depois. Só acho que tem que ter pessoas capacitadas. Eu não sei nem o que pensar. Entendo que a música não pode atravessar e nem embolar. Sendo bem sincero, não sigo muito o regulamento. Não é porque eu sou ‘mala’, mas a música é exata: você não pode começar a ouvir um partido dolente e, do nada, ela virar um rock”, ironizou.

RosasDeOuro et MestreRafa

Por fim, um protesto final. “Vamos trabalhando, só espero que a Liga-SP acerte porque o Rosas de Ouro foi muito penalizado onde não deveria ter sido. Todos estão vendo. Aí a escola cai e… está todo mundo vendo. Espero que arrume, que conserte e seja legal e o mais justo possível”, finalizou mestre Rafa.

O Rosas de Ouro ficou na décima segunda colocação do Grupo Especial de São Paulo, apenas uma posição à frente das duas que são rebaixadas para o Acesso I – apenas um décimo salvou a Roseira do descenso, que seria inédito na história da agremiação. A classificação em 2023 foi a pior desde 1975, quando a escola chegou ao pelotão de elite – menos de quatro anos depois da fundação.

Conheça Diogo da Silva, finalista do concurso de Rei Momo do Carnaval 2024

0

No mundo do samba desde os sete anos de idade e há quinze na Beija-Flor de Nilópolis, Diogo Edson da Silva, produtor, modelo, bailarino e ator de 36 anos, é um dos finalistas e representará a agremiação nilopolitana na última etapa do concurso que vai coroar o Rei Momo do carnaval de 2024. Após se classificar para a final, o candidato à corte conversou com o site CARNAVALESCO e respondeu a uma série de perguntas.

53126972656 b6b44e0c88 c
Fotos: Alexandre Macieira e Luciola Villela/Riotur

A grande final do concurso que vai definir o próximo Rei Momo acontece no dia 1º de setembro, a partir das 20 horas, na Cidade do Samba com entrada gratuita. A majestade do carnaval de 2024 vai receber um prêmio de R$ 45 mil. O segundo colocado será eleito vice-Rei Momo e receberá uma quantia de R$ 8 mil.

CARNAVALESCO: Para você, o que representa chegar na final do concurso?

Diogo: “Representa muitos sonhos – esse é mais um dos sonhos que eu tenho. O que me trouxe até aqui foi a vontade de me tornar o Rei Momo do carnaval do Rio, a fé – eu costumo dizer que a fé nos leva à realização – minha força de vontade, garra, o apoio da minha família e da minha escola de samba, que é a Beija-Flor de Nilópolis. Eles acreditaram e confiaram em mim. É de suma importância entrar no palco e ver que tenho torcida – meus amigos e familiares, minha família que é a Beija-Flor. Ver eles me aplaudindo e torcendo por mim me deu mais força para mostrar o meu samba. Agora estou indo para uma final representando a minha escola para, quem sabe, ganhar o título de Rei Momo do carnaval do Rio de Janeiro”.

53142366508 a1773afcfd c

CARNAVALESCO: Coroado como Rei Momo, o que você planeja levar para o Carnaval?

Diogo: “Além de representatividade, traria toda a minha alegria, felicidade, muito samba no pé e disponibilidade e afeto com as pessoas – porque elas precisam de pessoas que levem felicidade à elas. E isso o carnaval traz, ele é muito família. Já para Nilópolis, o que mais quero é levar esse título. Se Deus quiser e os jurados me escolherem na grande final, eu representarei muito bem”.

CARNAVALESCO: Como você vai se preparar para a final?

Diogo: “Eu vou me preparar com calma e apoio da minha escola. Vou continuar fazendo as minhas aulas e tentar fazer o meu melhor”.

53142308435 c012bc5a51 c

CARNAVALESCO: Caso ganhe, o que você vai fazer com o prêmio de R$ 45 mil?

Diogo: “Eu tenho muitos sonhos. Com parte do prêmio eu vou terminar de arrumar a minha casa. Moro na cidade de Petrópolis, onde ocorreram as fortes chuvas e tivemos que sair da nossa casa. Agora moramos de aluguel social. Estou reformando a minha casa para sair do aluguel social”.

Mestre Fafá defende aumento do número de mulheres na bateria da Grande Rio: ‘Pelo menos 40%’

Há quatro carnavais no comando da bateria da Grande Rio, Fabrício Machado, o mestre Fafá, coleciona êxitos no cargo. São diversos prêmios conquistados, nenhum décimo perdido no quesito e um título de campeão do Grupo Especial do Rio, algo que até então era inédito na história da agremiação de Duque de Caxias. Mesmo com tantas façanhas, Fafá não esconde que ainda tem alguns sonhos por realizar. Um deles é aumentar a presença feminina como ritmista da escola. “Quero fazer uma bateria equilibrada, 50% homem e 50% mulher”, revelou.

“Estou com um trabalho muito forte para colocar mais mulheres na bateria da Grande Rio. Quero que, pelo menos, 40% seja de mulheres tocando. Elas estão crescendo muito no Carnaval, se mostrando bastante focadas, empenhadas, com uma forma de estudar o instrumento muito bacana. Então, você vê essa dedicação delas, a maneira como tocam. E outra coisa, além da delicadeza, elas possuem uma educação tocando muito grande. Portanto, a gente vem trabalhando muito isso, tentando alinhar a galera mais jovem, que sobem da Pimpolhos, junto com o pessoal da antiga para sempre buscar esse equilíbrio e poder ter mais um ano de sucesso, se Deus quiser”, ressaltou Fafá durante a participação no “Encontro com o Ritmo”, programa no YouTube do site CARNAVALESCO.

No bate-papo com os jornalistas Guilherme Campagnuci e Freddy Ferreira, o mestre de bateria da Grande Rio exaltou as mulheres que já fazem parte da bateria. Ao defender a ampliação desse número, o comandante citou algumas delas como exemplo de comprometimento e entrega.

“Atualmente, tenho quatro marcadoras. Elas têm uma educação tocando surdo que é invejável. Tiram som o tempo inteiro, sempre focadas, com a pulsação correta, não se perdem em nenhum momento… Acho isso um trabalho muito incrível da minha direção e faz parte também do nosso resgate. Todas elas são tratadas com respeito. E se vê nelas essa vontade de aprender, estão sempre estudando. Claro que o trabalho é devagar, gradativo, mas acredito que no final vai dar um resultado excelente. Se depender do que elas estão demonstrando até agora, tenho certeza disso”, pontuou.

grande rio ensaio tecnico 2023 27
Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

Fafá começou como ritmista da Pimpolhos da Grande Rio, agremiação mirim da tricolor caxiense, aos 13 anos. Lá, foi diretor, chefe do carro de som até chegar ao cargo de mestre. Na escola mãe, teve um caminhada similar e alcançou o posto de comandante da bateria no Carnaval de 2019. Na ocasião, ele foi encarregado da missão de fazer um resgate do ritmo e das características. Indo para o quinto desfile no comando, a avaliação do trabalho realizado até aqui é positiva.

“Me sinto feliz. Quando a gente começou esse resgate, muitos viraram o nariz e falaram que isso era maluquice, que não cabia mais no samba atual. Mesmo com as críticas, ficamos na nossa, executamos o trabalho, sem desmerecer ninguém e respeitado tudo que tinha para ser respeitado. Foi árduo, foi difícil e esse resgate continua, não acabou. Estamos ainda batendo na tecla em coisas que podemos melhorar. Não adianta achar que porque tiramos uma nota boa, todos os problemas da bateria foram resolvidos. O mesmo esforço e dedicação que eu tive em 2019 tenho que ter agora. É algo contínuo, um resgate de trabalho, de equalização cada vez mais. Quero chegar ao nível aonde a quilômetros de distância a pessoa consiga identificar todos os naipes ressoando perfeitamente, entendendo que é a bateria da Grande Rio, no ritmo, tudo certinho”, relatou.

Ainda fazendo uma análise do trabalho realizado nos últimos anos, Fafá ponderou sobre a importância da ala de agogôs. Na visão do mestre, o instrumento seria uma espécie de cereja do bolo do seu ritmo, funcionando como um fiel da balança.

“O agogô é o equilíbrio da minha bateria. Ele é tão bem tocando que se aumentarem a velocidade um pouco vai perder todo o brilho que tem ali. O agogô hoje, na bateria da Grande Rio, parece uma lira. Eu olho para ele, vejo que está tocando confortável, é a certeza de que está tudo certo, tudo perfeito. Agora, se eu olho para o agogô e vejo que está colocando força desnecessária, já sei que está tudo errado. Por isso, é o equilíbrio”, afirmou Fafá.

Bar temático do Fundo de Quintal é inaugurado na Lapa

0

Famoso pela vida noturna agitada e rica culturalmente, o bairro da Lapa, na Região Central do Rio, ganhou um novo espaço dedicado ao samba, que promete ser mais um ponto de encontro para os amantes desse gênero musical. Trata-se do Boteco Fundo de Quintal, um local temático dedicado ao grupo, considerado o mais antigo do Brasil. A inauguração ocorreu em um evento fechado, apenas para convidados, na última terça-feira. A abertura para o público está marcada para esta quinta-feira, dia 31 de agosto.

bar quintal3
Fotos: Diogo Sampaio/CARNAVALESCO

Em conversa com a reportagem do site CARNAVALESCO, o proprietário do estacionamento, Anderson Benson, revelou como foi a negociação com o grupo. “A conversa com o Fundo de Quintal foi tranquila. Em um primeiro momento, eles queriam entender, vieram, fizemos algumas reuniões, depois de alguns entendimentos chegamos ao consenso e hoje estamos inaugurando o espaço. Samba e Lapa tem tudo haver, assim como Fundo de Quintal com os dois. Acho que a casa tem tudo para ser um sucesso”, afirmou.

Com a inauguração, a música brasileira terá mais um espaço dedicado ao samba e ao talento dos artistas do gênero. O bar contará com uma programação musical, com shows todos os dias a partir das 19h. Entre os artistas já confirmados estão nomes como Filhos da Guanabara, Charles André, Rafael Bernini e Anderson Bombom, ex-vocalista do grupo Balacobaco. Além disso, o próprio Fundo de Quintal estará à frente de uma feijoada especial no local, marcada para o dia 07 de setembro, feriado da Independência do Brasil.

bar quintal5

“A nossa ideia é não deixar o samba de raiz se apagar. Eu quero que uma criança de 10 anos conheça o Fundo de Quintal, saiba quem foram e quem são eles, e tendo um estabelecimento com essa marca, acredito que a gente nunca vai deixar isso morrer. Então, o público que vier vai encontrar aquela verdadeira comida de boteco, com direito a feijão amigo, torresmo, bolinho de feijoada, tudo isso embalado por muito samba. Hoje em dia muita gente faz pagode, mas a gente aqui vai sempre priorizar o legítimo samba”, pontuou Anderson.

O evento da última terça-feira também incluiu o lançamento do livro “Fundo de Quintal – O som que mudou a história do samba”, de autoria do jornalista, escritor e produtor Marcos Salles. A obra reúne em 448 páginas mais de 160 entrevistas com nomes como Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Elza Soares, Rildo Hora, Leci Brandão, Jairzinho, Líber Gadelha, Milton Manhães, Mauro Diniz e Ricardo Cravo Albin.

bar quintal4

“O lançamento do livro já virou uma turnê. Aqui no Rio, esse é o quinto lugar que fazemos. E realizar isso em um espaço como esse é muito importante. Inclusive, conheço o local como a palma da mão, porque era onde ficava o Bossa Nossa da Lapa e eu era o diretor artístico da rede. Então, aqui é um lugar ótimo, a casa vivia cheia na época e vai viver cheia com o Boteco Fundo de Quintal. Aliás, ter essa marca na Lapa é importante e espero que abra em outros lugares. Conforme tem o bar do Zeca e o da Alcione, tem também o do Fundo de Quintal. A gente mora em um país que não tem memória, por isso quanto mais coisas tiverem para fazer as pessoas lembrarem de figuras importantes da nossa cultura, melhor”, declarou o autor em entrevista para o site CARNAVALESCO.

bar quintal2

De acordo com Marcos Salles, o livro traz detalhes da carreira do grupo, fundado na década de 1970, por Bira Presidente, Sereno e Ubirany na quadra do Cacique de Ramos. Há também curiosidades envolvendo os integrantes e a relação de Beth Carvalho com o Fundo de Quintal.

“O livro reúne um monte de coisas que eu consegui desvendar como, por exemplo, a história do banjo. Sempre ouvia uma mentira que o Almir cerrou e fez um banjo com braço de cavaquinho. Isso é lenda, no livro falamos qual é a verdade. Tem também como foi a chegada da Beth Carvalho no Cacique, ela falando sobre isso. Passei uma tarde com a Beth e foi maravilhoso. Tem os últimos dias do Neocy, do Mário Sérgio, do Ubirany, tudo que o Cleber passou quando ele teve câncer e venceu, o Flavinho Silva… Ou seja, tem a trajetória do grupo desde antes deles nascerem, que começa lá na Bahia, no Gantois, com Mãe Menininha. Então, assim, eu consegui reunir as melhores histórias do Fundo”, relatou o jornalista.

bar quintal1

O Boteco Fundo de Quintal fica localizado na Rua do Lavradio, no número 170. O espaço funcionará de domingo a quinta-feira, das 11h às 01h, e nas sextas e sábados, das 11h às 03h. Os interessados podem adquirir ingressos para os shows e para a feijoada de maneira antecipada pela plataforma Sympla.

‘Ao som do Chorinho – Vou sorrir… Serei feliz, bem feliz’ é o enredo da Independentes de Olaria para o Carnaval 2024

0

A Independentes de Olaria já tem enredo para o carnaval de 2024. “Ao som do Chorinho – Vou sorrir… Serei feliz, bem feliz” é o tema que a azul e branca levará para disputar a Série Prata. O lobo forte da Leopoldina resgatará a essência pulsante do ritmo genuinamente carioca que conquistou o Brasil e o mundo apresentando uma viagem a história do gênero musical que é a alma da cidade do Rio de Janeiro.

logo olaria

Para conduzir através dos acordes, Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha, mostrará as memórias de um Rio de Janeiro que se reúne, ao som de uma boa e velha batucada, para celebrar suas tradições, ancestralidade e musicalidade. De autoria de André Bonatte, o tema será desenvolvido pelo carnavalesco Bruno de Oliveira.

“Nosso enredo é uma grande viagem, que começa ainda nos tempos do Imperador, na mistura da Polca com o Lundu e termina celebrando o dia 23 de abril em uma famosa esquina bem na fronteira dos bairros de Ramos e Olaria com a romaria dos novos chorões tocando seus violões, flautas, pandeiros e cavaquinhos”, revelou o carnavalesco Bruno de Oliveira.

Em busca de uma vaga na Série Ouro, a Independentes de Olaria será a segunda escola a desfilar na sexta-feira, 16 de fevereiro, pela Série Prata do carnaval carioca.

Jogos Internos marcam início das comemorações dos 35 anos do programa social da Mangueira

0

O Centro de Referência Esportiva Mangueira vai receber, no período de 30 de agosto a 05 de setembro os IV JOGOS INTERNOS DA MANGUEIRA, que contará com a participação de alunos e atletas em onze festivais esportivos nas modalidades levantamento de peso, natação, atletismo, jiu-jitsu, judô, ginástica rítmica, dança, futebol, futsal, basquetebol (3×3), melhor idade e de pessoas com deficiência.

social mangueira
Foto: Divulgação

A solenidade de abertura dos Jogos, no dia 30 de agosto às 14h, marcará o início das comemorações do aniversário de 35 anos do Programa Social da Mangueira, e contará com a presença dos alunos, professores, familiares, ex-atletas e diretores da Estação Primeira de Mangueira. Além das competições, haverá desfile dos atletas, com revezamento de tocha, hino nacional cantado pela cantora Karinah, madrinha do programa social e apresentação especial da Equipe de Ginástica Rítmica.

Os Jogos Internos são extremamente importantes para os alunos e atletas, uma vez que não só incentivam a prática do exercício físico, como promove a integração entre alunos e do trabalho em equipe, trabalhando a persistência e superação.

35 anos do Programa Social da Mangueira – Uma escola de vida

Uma escola de samba é muito mais do que simplesmente carnaval. A sua representatividade ultrapassa os valores culturais referentes às suas propostas iniciais na vida de sua comunidade e torna-se referência na vida corrida e nas preocupações pertinentes a sobrevivência.

Iniciado em 1988 através do sonho do então presidente da Mangueira, Carlos Dória, do professor Francisco de Carvalho, da cantora Alcione, do Agrinaldo de Santana, da Tia Alice, entre outros, o Programa Social da Mangueira é hoje um dos mais importantes projetos do terceiro setor em todo o mundo e tem atraído parceiros importante ao longo do tempo com atividades esportivas, sociais e educacionais, formando cidadãos com autonomia através de um reconhecido modelo de combate à desigualdade social. São mais de 3500 beneficiados nas áreas da educação, esporte, cultura, saúde, capacitação profissional e inclusão.

A Mangueira sabe da importância de seu papel e desenvolve há mais de trinta anos um premiado programa social. O comprometimento deste trabalho, resultou, por exemplo, na participação seis atletas formados na Mangueira representando o Brasil nas Olimpíadas do Rio. Fruto do apoio de parceiros importantes como a Petrobras, que ao longo desses 35 anos, patrocina há 17 anos o projeto esportivo educacional no Centro de Referência Esportiva Mangueira. Além também do apoio e parceria do Governo Municipal, Governo Estadual e Governo Federal.

Nosso equipamento conta com pista de atletismo, campo de futebol, dois ginásios, uma quadra, piscina semiolímpica, piscina de hidroginástica, academia, academia da terceira idade, centro de lutas e centro de treinamento de levantamento de peso. Sala de fisioterapia e de atendimentos clínicos e médicos. Contempla com excelência as modalidades: atletismo, futebol, futsal, basquete, ginástica rítmica, levantamento de peso, jiu-jitsu, judô, natação, dança, balé, ginástica e atividades com a terceira idade.

Além do complexo esportivo, o Programa Social da Mangueira conta com o projeto Dançando para não Dançar, Escola Tia Neuma (alunos do fundamental), Ciep Nação Mangueirense (alunos do ensino médio), CAMP Mangueira (Capacitação do primeiro emprego, formação de jovem aprendiz para o mercado de trabalho), Instituto Profissionalizante Mangueira (Cursos profissionalizantes), Casa Lar (Casa com rapazes deficientes com assistência de alimentação, moradia, saúde e esporte), Centro Municipal Tia Alice e Clínica da Família Dona Zica (Atendimento médico e odontológico para moradores da região da Mangueira).

Programação:
Dia 30 de agosto – Abertura dos IV Jogos Internos
Dia 05 de setembro – Encerramento Jogos internos
Dia 20 de setembro – Ação social com a melhor idade (08h às 11h30), com a participação do projeto esportivo da Vila Olímpica da Mangueira, universidade Santa Úrsula.
Dia 20 de setembro – Inauguração da base do SAMU na Vila Olímpica da Mangueira
Dia 22 de setembro – Comemoração do Dia Nacional da Juventude no CAMP Mangueira
Dia 26 de setembro – Evento na Escola Tia Neuma

Festival Guardiões da Favela anuncia sua segunda edição e na Cidade do Samba

0

Sucesso absoluto em sua primeira edição, o festival que reúne todas as baterias do Grupo Especial das escolas de samba do Rio de Janeiro já tem data para acontecer em 2023. No dia 18 de novembro, a partir das 14h, o Acadêmicos do Grande Rio promoverá, desta vez na Cidade do Samba, o Festival Guardiões da Favela 2.0, maior evento do pré-Carnaval carioca para os apaixonados por samba e Carnaval.

guardioes
Foto: Vitor Melo/Divulgação

Serão 12 horas ininterruptas de samba-enredo, com a presença confirmada de todas as agremiações do Grupo Especial do Rio de Janeiro, além das convidadas Império Serrano, Unidos de Padre Miguel e União de Maricá e, diretamente de São Paulo, Vai-Vai e Império de Casa Verde, que se apresentarão em 3 palcos simultâneos.

Tudo isso comandado por mestre Fafá, o anfitrião do encontro. “Vai ser emocionante poder encontrar os amigos uma vez mais nesse evento que foi um sucesso justamente porque valorizou os ritmistas e os mestres, que puderam mostrar seu talento e as especificidades de cada bateria. A ideia é ser novamente uma resenha entre amigos”, comenta Fabrício Machado, que já está preparando novas surpresas para o grande dia.

Além das apresentações das escolas de samba, também haverá roda de samba, espaço gourmet com foodtrucks e petiscos tipicamente cariocas, remetendo à gastronomia popular das ruas e bares do Rio de Janeiro e ao clima inconfundível das barraquinhas das portas das escolas de samba em dias de evento. Sobre a estrutura do evento, o produtor Mozart Dalua comenta a nova configuração.

“Queremos que o sambista entre no Guardiões 2.0 e imediatamente seja remetido ao mesmo tom de espontaneidade e familiaridade que sente quando visita a sua escola de coração ou uma coirmã. A escola da Cidade do Samba para esta edição vai nos permitir oferecer uma estrutura mais robusta e confortável para a grande estrela desse festival, que são os sambistas”, aponta Dalua.

Os ingressos para o Festival Guardiões da Favela 2.0 começam a ser vendidos hoje pelo site Total Acesso e terão preços a partir de R$ 30.

Serviço
Festival Guardiões da Favela 2.0
Data: 18 de novembro de 2023
Abertura dos portões: 14 horas
Local: Cidade do Samba – Rio de Janeiro/RJ
Ingressos: Site Total Acesso pelo link https://www.totalacesso.com/event/5732?stagingToken=43166d4c-9d45-4864-a951-104e4badfff3
Reservas e informações (21) 99018-3849

Conheça Djeferson Mendes, finalista do concurso de Rei Momo

0

Concorrendo à reeleição como Rei Momo, Djeferson Mendes da Silva, artista circense de 35 anos, é um dos finalistas do concurso que vai coroar a majestade do samba de 2024. Cria da Estácio de Sá, ele passou por diversas alas e segmentos da agremiação e foi Rei Momo nos carnavais de 2020 e 2023. Agora, busca mais uma coroação na corte do carnaval carioca. Após passar para a última etapa da competição, o candidato conversou com o site CARNAVALESCO e respondeu uma série de perguntas.

53127447603 b6f01a0da7 c
Fotos: Alexandre Macieira e Luciola Villela/Riotur

A grande final do concurso que vai definir o próximo Rei Momo acontece no dia 1º de setembro, a partir das 20 horas, na Cidade do Samba com entrada gratuita. A majestade do carnaval de 2024 vai receber um prêmio de R$ 45 mil. O segundo colocado será eleito vice-Rei Momo e receberá uma quantia de R$ 8 mil.

CARNAVALESCO: O QUE REPRESENTA CHEGAR NA FINAL DO CONCURSO?

Djeferson: “É uma representatividade muito grande. É mais uma conquista, mais uma vitória e é a gente provando para nós mesmos que podemos, somos capazes e que o samba pode. Tudo que nós queremos, podemos fazer. Eu fui o Rei Momo de 2020, sou o de 2023 e estou tentando a reeleição. Se recandidatar é mais difícil do que se candidatar. É claro que eu volto com a minha raiz, com o meu chão e a minha verdade, assim como foi nos outros, quando eu ganhei o concurso de primeiro e único. E você está ali naquela corda bamba com muitas pessoas, muitas feras, outras pessoas novas, outros reis e meninos. E você ali também dando o seu tudo e mostrando o seu valor”.

53142308760 b15e133bf3 c

CARNAVALESCO: DE LÁ PRA CÁ, EM QUE VOCÊ EVOLUIU?

Djeferson: “Eu amadureci, porque no reinado de 2020 eu peguei a pandemia, então não tive o direito de fazer muita coisa, não tive o direito de ter ensaio técnico e muitas outras coisas que eu tive em 2023. Foi um aprendizado. Eu costumo falar que 2023 foi o meu primeiro reinado, na verdade. Foi o reinado que eu pude fazer tudo aquilo que um rei pode fazer – ir nos coretos, nas escolas de samba, blocos e poder curtir. Isso me deixa mais preparado para poder voltar para esse concurso e mais uma vez me candidatar à coroa”.

CARNAVALESCO: Coroado como Rei Momo, o que você planeja levar para o Carnaval?

Djeferson: “A minha verdade e seriedade para esse mundo. Não é só um espetáculo. Eu vivo disso, o Carnaval é a minha raiz e o meu chão. É o maior espetáculo da terra e eu amo o Carnaval. A minha verdade é o que planejo levar”.

53142366233 668d127206 c

CARNAVALESCO: Como você vai se preparar para a final?

Djeferson: “A minha preparação sempre foi rever vídeos, ver o que foi falado e o que deu certo. Eu sou muito crítico nesse ponto de vista. Eu fico me revendo, estudo e pesquiso mais sobre o mundo do carnaval. Como eu falei, sempre venho com a minha verdade e sinceridade. Acho isso muito importante. A preparação é estudar aquilo que foi menos ou mais”.

53127447348 bf0c754600 c

CARNAVALESCO: Caso ganhe, o que você vai fazer com o prêmio de R$ 45 mil?

Djeferson: “O amor é tanto ao Carnaval que, na verdade, a gente nem pensa no prêmio. Pensamos no prêmio só depois, quando ele vem. Eu tenho algumas coisas minhas – particulares – pessoal e que eu planejo dar um pontapé. Primeiro eu vou com calma, tentar pegar a coroa de novo e só aí eu penso no prêmio. É tudo por etapas”.

Rosa Magalhães e Haroldo Costa são reverenciados durante oitava edição do Baile Glam

0

A quadra da Unidos de Vila Isabel recebeu, no último domingo, a oitava edição do Baile Glam, evento que reúne os principais destaques de luxo do Carnaval que abrilhantam do alto dos carros alegóricos os desfiles na Marquês de Sapucaí. Além dos tradicionais personagens, a festa neste ano contou as presenças ilustres da carnavalesca Rosa Magalhães e do ator, diretor e escritor Haroldo Costa, que foram coroados como a rainha e o rei do baile, além de terem tido as suas trajetórias na folia homenageadas.

baile glam 4
Fotos de Diogo Sampaio/CARNAVALESCO

“A escolha dos homenageados ocorreu porque eu achava que era importante tocar no tema do etarismo, promover esse debate. A ideia era dizer para as pessoas: ‘Olha que gente importante culturalmente, que gente bacana’. Então, nada melhor que fazer isso com Rosa Magalhães e Haroldo Costa. E foi incrível eles terem vindo, pois o que fizemos foi um tributo a quem deu a sua vida pelo Carnaval”, explicou Milton Cunha, idealizador e diretor artístico do Baile Glam, em entrevista ao site CARNAVALESCO.

baile glam 9

Durante o evento, Haroldo Costa recebeu a faixa de rei do Baile Glam das mãos do presidente do Acadêmicos do Salgueiro, André Vaz. Já Rosa Magalhães teve a honraria entregue pela cantora Teresa Cristina, que havia sido coroada rainha na edição do ano anterior. Após a solenidade, os dois conversaram com a reportagem do site CARNAVALESCO e falaram sobre a homenagem.

baile glam 5

“Antes de mais nada, é uma distinção do meu amigo Milton Cunha. Eu sou um carnavalesco em tempo integral, de maneira que receber essa homenagem é algo que muito me satisfaz. Estou no meu ambiente, gosto de Carnaval, amo essa cultura. Não é só uma coisa profissional, é uma vocação do bom-humor, da festividade carioca, da diversificação que o Carnaval representa. Então, uma festa como essa devia ter pelo menos uma vez por semana”, refletiu Haroldo Costa.

“Fiquei muito contente em ser coroada. Acho que é um exagero do Milton, mas mesmo assim agradeço muito a homenagem. Falar dele é até difícil, é meu vizinho, meu amigo e agora meu comparsa nessa armação toda para eu ser rainha do Baile Glam. Adorei”, comentou Rosa Magalhães, de forma sucinta.

baile glam 3

Quem também falou com a reportagem do site CARNAVALESCO foi Teresa Cristina. A artista se demonstrou contente de passar a faixa de rainha para Rosa Magalhães e fez questão de exaltar a importância do Baile Glam para além de uma simples celebração aos destaques de luxo.

“A importância do Baile Glam no Carnaval é imensurável. O samba ainda é um espaço machista, homofóbico, mas que precisa se render ao brilho. Sem esse universo aqui dos destaques não existe Carnaval. E além de dar visibilidade para esses artistas, as pessoas que foram homenageadas também são de suma importância. O Milton Cunha não está de bobeira. Ao mesmo tempo que ele traz um bafo, o brilho, o glamour, ele politiza, coloca agendas e pautas que merecem ser discutidas o ano inteiro. Homenagear Rosa Magalhães, com todos os campeonatos que essa mulher conquistou, não sei se teremos outra com esse currículo, trazer e reverenciar Haroldo Costa… É até difícil de falar. Quando o Milton me avisou que eu iria passar a coroa para Rosa fiquei extremamente emocionada”, disse a sambista.

baile glam 2

Trajetória do baile e homenagem para Iracema Pinto

Com o intuito de resgatar a atmosfera do luxo e do glamour dos antigos concursos de fantasia, o Baile Glam teve a sua primeira edição realizada em fevereiro de 2015. Na ocasião, a festa contava com uma competição, em que as categorias luxo, originalidade e boneca, com desfile de biquíni, eram julgadas e os vencedores levavam prêmios em dinheiro. Ao longo dos anos, o evento deixou de lado o aspecto competitivo e passou por uma série de mudanças, conforme relembrou o idealizador Milton Cunha.

“Há oito anos, nove na verdade, o primeiro Baile Glam foi um fracasso retumbante. Tinha mais gente desfilando do que na plateia, na Mangueira. Então, o fracasso não me imobiliza, ele me dá gás para que eu saiba que uma hora vai pegar. Este ano, quando vi que tinha mil pessoas assistindo, imediatamente pensei: ‘Nossa, que bom que eu insisti’. É uma festa importantíssima, que resgata esse glamour desvairado de gente na passarela e o resultado é lindo, porque vem todo mundo. É as emplumadas, o resgate histórico, as homenagens aos ancestrais, um baile completo. E sempre sonhei em ser um Miele, um Guilherme Araújo ou um Sargentelli. Esse projeto me permiti achar um pouco herdeiro disso tudo, portanto fico orgulhosíssimo”, ponderou.

Uma tradição que segue viva a cada edição do Baile Glam é a escolha de uma personalidade do segmento para dar nome à celebração. Neste ano, a homenageada foi Iracema Pinto, que fez história no Salgueiro. Ela começou na vermelha e branca da Tijuca em 1973, desfilando primeiramente em ala, para depois se tornar destaque e por fim coordenadora. Iracema ocupou o posto até 2019, quando faleceu enquanto estava a caminho da Marquês de Sapucaí.

baile glam 26

“É muita emoção. Graças a minha mãe, eu vivo nesse mundo do Carnaval, de destaque, de brilho, de glamour, desde pequeno. Aprendi muito com ela e não à toa fiquei administrando o grupo de destaques do Salgueiro, acumulando esse posto com as minhas funções na diretoria cultural. Minha mãe era uma pessoa que adorava esse tipo de evento, esse tipo de festa, era alguém muito alegre e eu tenho certeza que onde ela estiver está muito feliz com a homenagem”, assegurou Eduardo Pinto, filho de Iracema, que recebeu no palco do evento a honraria em tributo a mãe dele.

Outra personalidade que compareceu ao baile e participou da homenagem para Iracema Pinto foi a rainha de bateria salgueirense Viviane Araujo. Em entrevista concedida ao site CARNAVALESCO, a beldade enalteceu o simbolismo de prestar esse tributo justamente em um evento que tem como protagonistas os destaques de luxo.

baile glam 1

“É algo maravilhoso, porque a Iracema era uma pessoa que vivia o Carnaval. Para ela, era uma grande felicidade, um prazer enorme, cuidar de todos os destaques do Salgueiro. Com muito amor, com muito carinho, ela cuidava de todo mundo. E assim, em uma festa dessas, dos destaques, nada mais justo do que homenageá-la. Estamos falando de uma pessoa que se doava totalmente para eles, que fazia o possível e o impossível para que tudo fosse do jeito que eles quisessem, tudo conforme os destaques queriam. Dona Iracema realmente merece todas as homenagens e principalmente em um evento como esse. Afinal, uma das coisas principais que a gente tem no nosso desfile, no nosso Carnaval, são os destaques. Sem eles, como é que ficaria uma alegoria, por exemplo? Os destaques enaltecem, abrilhantam ainda mais o trabalho do carnavalesco dentro de uma. E faltando ainda seis meses para o Carnaval, ter uma festa que permite a gente estar celebrando esses artistas, além de estar vivendo, compartilhando, essa alegria, essa felicidade, não tem preço. Quem ama Carnaval, sabe o prazer que a gente tem, como é gostoso estar aqui vendo todo mundo fantasiado, todo mundo feliz. É muito bom. Me orgulho muito, estou extremamente feliz de poder estar aqui nessa festa”, afirmou Viviane.

Presenças ilustres e outros tributos

Além das homenagens já citadas, a aderecista do Paraíso do Tuiuti Rejane Barcelos, que ficou conhecida por declamar poesias e roubou a cena ao aparecer no documentário dedicado a Rosa Magalhães, também ganhou uma honraria nesta edição do baile. Ela foi eleita como a Boneca Barracão, título que visa valorizar os artistas dos barracões das escolas de samba.

baile glam 7

“Foi uma surpresa, primeiramente. Não esperava realmente receber esse título e na hora ali no palco passou um filme na minha cabeça. Me lembrei da menina sonhadora que chegou de carona no Rio, sem saber o que esperava, que passou tantas coisas e hoje está sendo homenageada por algo tão importante quanto o barracão. É muito bonito, muito potente. A emoção que tenho é de surpresa, de felicidade, de êxtase. E não estou aqui só por mim, mas pelos meus também. Estou representando toda uma legião de pessoas que dá a vida no barracão de Carnaval e muitas vezes não é reconhecido, é tratado de uma maneira muito equivocada. Não tem o que falar, só agradecer ao Milton e ao Carnaval em geral por tudo que ele me dá”, relatou Rejane Barcelos.

“Ela traz um novo dado para o ‘Boneca Barracão’. É a escritora, a mulher política negra. Já tinha homenageado ao longo das outras edições do baile sete trans, travestis, e aí quando eu vi a Rejane pensei: ‘Nossa, essa é uma nova faceta do barracão’. Por isso, decidi escolhe- lá”, pontuou Milton Cunha.

A oitava edição do Baile Glam reuniu ainda diversas musas, passistas e rainhas de bateria do Grupo Especial e da Série Ouro. Entre os nomes que marcaram presença estiveram Mayara Lima, da Paraíso do Tuiuti; Tati Minerato, da Porto da Pedra; Darlin Ferrattry, do Império Serrano; e Wenny Iza, da Unidos de Bangu. A ex-rainha de bateria da Beija-Flor de Nilópolis Sônia Capeta também esteve entre as figuras ilustres que compareceram ao evento e até mesmo desfilou no palco.

baile glam 8

“É muito bacana essa festa, essa celebração que o Milton Cunha faz para os destaque. Não é qualquer um que consegue desfilar com uma fantasia dessas, mesmo que fosse de graça. São verdadeiros artistas. Então, não só o Milton está de parabéns pela iniciativa, como todo mundo que participou desse evento maravilhoso. E desfilar no palco, ser homenageada também, foi a maior emoção, porque eu não esperava isso tudo. E sempre que me convidarem, vou participar”, declarou Sônia Capeta.

A festa teve também como atrações o tradicional desfile dos destaques de luxo e um show da Vila Isabel, que encerrou a noite. O evento teve apresentação de Milton Cunha, Meime dos Brilhos e Laiza Bastos, além de show musical do Grupo SER (Samba Enredo de Raiz). A oitava edição do Baile Glam teve patrocínio da Prefeitura do Rio de Janeiro, através da Secretaria Municipal de Cultura, e apoio da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) e da Rio Carnaval.

Fotos dos desfiles dos destaques

baile glam 25 baile glam 24 baile glam 23 baile glam 22 baile glam 21 baile glam 20 baile glam 19 baile glam 18 baile glam 17 baile glam 16 baile glam 15 baile glam 14 baile glam 13 baile glam 12 baile glam 11 baile glam 10