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São Clemente celebrou a obra de Zé Katimba e levou a velha-guarda da Imperatriz para a Avenida em uma linda homenagem ao pavilhão

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Sao Clemente Esp01 005A São Clemente celebrou a vida e a obra do compositor Zé Katimba com o enredo “Que grande destino reservaram para você” do carnavalesco Bruno de Oliveira. Reverenciar Zé Katimba é cantar as raízes desse Brasil, refletindo sua essência na mistura das raças e das cores, enaltecendo todos os compositores de samba-enredo, os verdadeiros poetas que entrelaçam com sua arte a musicalidade do Carnaval.

A trajetória artística e as premiações de Zé Katimba como compositor da Imperatriz Leopoldinense foram representadas no segundo carro da escola “Ramos minha raiz” que levou a velha-guarda da Imperatriz. Em entrevista concedida ao site CARNAVALESCO alguns componentes expressaram a emoção dessa homenagem e a importância de Zé Katimba para a escola.

Sao Clemente Esp01 006“Muita emoção, estou emocionadíssima em passar em um carro homenageando o Zé Katimba. Sou da velha-guarda da Imperatriz há uns cinco anos, mas eu sou da escola faz tempo, eu já perdi as contas”, comentou Tereza Maria de 74 anos .

As composições de Zé Katimba ultrapassam fronteiras, alcançando uma diversidade de intérpretes e consolidando sua influência no cenário musical brasileiro. O título do enredo desse ano da São Clemente foi retirado de um grande sucesso, “Martim Cererê”, que em 1972 elevou a visibilidade de Zé Katimba a ponto de torná-lo personagem na novela “Bandeira 2,” escrita por Dias Gomes e exibida pela Rede Globo.

Sao Clemente Esp01 004Vânia Maria de 69 anos, é da velha-guarda da Imperatriz e completa 52 anos com a escola nesse carnaval, ela contou a emoção de desfilar no carro que homenageou a trajetória de Zé Katimba na sua escola e também revelou a sua emoção com o enredo já que seu primeiro desfile foi com o Martim Cererê: “Eu acho o enredo perfeito, porque eu acho que a gente tem que homenagear as pessoas em vida, e o Zé Katimba tem tudo a ver com o Carnaval, ele realmente merecia ter um enredo para ele, e nós virmos no carro é maravilhoso, porque nós acompanhamos a trajetória do Zé Katimba, o pessoal da velha-guarda, ou pelo menos as pessoas que estão na escola há muito tempo, como nós, acompanhamos a trajetória do Zé, por isso é tão emocionante. Nesse Carnaval eu faço 52 anos de Imperatriz, e o meu primeiro desfile foi o Martim Cererê, então eu estou emocionadíssima, assim, você perguntou qual é o samba do Katimba que eu mais gosto, eu gosto muito de um samba Brasil de todos os deuses, um samba lindíssimo, mas esse Martim Cererê foi meu primeiro desfile, está no sangue, é maravilhoso.”

“É um fato muito importante estar nesse carro e a homenagem que eles fizeram para o Zé Katimba é uma homenagem justa, porque ele merece. Ele é muito merecedor disso tudo. Eu tenho 56 anos de Imperatriz e sou porta-bandeira da velha-guarda e coração está a mil”, contou Roseli Neto de 63 anos.

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Comissão de frente ilusória e abre-alas impactante são destaques do desfile da Tom Maior

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Por Gustavo Lima e fotos de Fábio Martins

Segunda escola a desfilar na noite deste sábado, a Tom Maior mostrou um desfile totalmente indígena para o público. A comissão de frente foi um ponto destaque, além do abre-alas, que esteticamente estava impecável e era praticamente uma réplica perfeita de uma mata. A bateria de mestre Carlão e o carro de som liderado pelo intérprete Gilsinho mostraram um grande entrosamento. Entretanto, a agremiação teve problemas em evolução, deixando buracos, especialmente em frente ao módulo três. “Aysú – uma história de amor” foi o enredo apresentado, sendo idealizado pelo carnavalesco Flávio Campello.

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Comissão de frente

Comandada por André Almeida, a comissão da Tom representou “As Três Faces de um Mito”. Na dança, havia uma maioria de personagens que vestiam uma fantasia que misturava o sol com a lua. Na parte da frente, a parte amarela remetia ao sol e, quando os bailarinos viravam, aparecia o azul da lua. Tal vestimenta dava um efeito praticamente ilusório.

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A coreografia também tinha dois indígenas vestidos de vermelho que interagiam entre si e outras como sambistas. Uma apresentação complexa que contava a lenda.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Ruhanan Pontes e Ana Paula, desfilaram simbolizando o “Alvorecer de Aysú”. A dupla teve um desempenho satisfatório nos módulos, fazendo as coreografias e os movimentos com sincronia. Entretanto, vale ressaltar que o saiote da porta-bandeira estava um pouco danificado na parte esquerda na parte de baixo. Era nítida a falha na vestimenta, mas isso não apagou o brilho do casal, que desfilou pelo segundo ano pela vermelho e amarelo.

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Enredo

Para 2024, a escola levou para a avenida a lenda de Orfeu e intitulou o enredo como “Aysú – uma história de amor”. Um tema indígena que misturou a história com o lúdico. A história foi bem contada. A abertura feita pela comissão de frente e abre-alas já indicou o que viria no desfile. Uma apresentação totalmente oriunda de nativos, apesar da lenda.

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Alegorias

Como foi citado acima, todas passaram a mensagem que a escola queria com o tema, que era mostrar um enredo totalmente indígena. Tudo foi visto desta forma, principalmente no abre-alas, que mostrou uma mata completa. Parecia uma exposição de tão realista.

A primeira alegoria, simbolizou o “Yby Perfeito”. O gigantesco carro era uma réplica praticamente perfeita de uma mata. Havia esculturas de onças e crocodilos se movendo e nativos em uma canoa. De fato, a Tom Maior tem um enredo indígena, e este carro foi a personificação perfeita disso.

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O segundo carro alegórico remeteu ao “O Castigo de Monã”, onde havia a mesma escultura em cores diferentes, como o laranja, azul e rosa. No centro, giravam entre si. Na mesma alegoria veio a velha-guarda.

A terceira alegoria teve como título “A Morada das Boiunas e O Abismo da Saudade” – enormes esculturas de serpentes em prata se movendo de um lado para o outro deram o tom do carro.

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Por fim, fechando o conjunto alegórico, o quarto carro representou “O sonhado paraíso”, todo em dourado e esculturas também que remeteram aos indígenas

Fantasias

As fantasias tiveram um desempenho correto nesta noite. A Tom Maior apresentou algo colorido, além de um acabamento satisfatório, sem percalços, apesar da falha na fantasia do casal, o que não despontua dentro desse quesito. As vestimentas também estavam leves e permitiram os componentes a dançarem e cantarem tranquilamente.

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Harmonia

Os componentes repetiram a dose dos ensaios técnicos e cantaram o samba com força em seu desfile. Apesar da melodia do samba ser para baixo, deu para ouvir que a harmonia dos componentes estava fluida e o canto seguiu naturalmente. O refrão de cabeça e do meio se destacam, além do verso onde começa na palavra “Abaeté”, que era entoado com força. Foi um dos quesitos destaque da escola.

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Samba-enredo

O desempenho do carro de som, liderado pelo intérprete Gilsinho, teve um grande desempenho. O cantor, que desfilou pelo terceiro ano consecutivo com a Tom Maior, seguiu o andamento do samba em linha reta e executou poucos cacos. As vozes femininas com a melodia da obra também combinaram perfeitamente.

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Evolução

Esse quesito foi o grande problema da escola. O andamento parava toda hora e abriu buracos em alguns momentos, especialmente no terceiro módulo, onde as alas tiveram um clarão, se confundiram e não sabiam o que fazer. Andaram para frente e depois voltaram atrás. Certamente será um quesito que sofrerá deduções, principalmente na altura do módulo três.

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Outros destaques

A bateria “Tom 30”, regida pelo mestre Carlão, teve como fantasia “O Deus do Aysú”. Executou bossas e teve um andamento cadenciado. As caixas foi o instrumento destaque. Dava aquele balanço maior para a bateria da vermelho e amarelo.

A ala das baianas desfilaram representando “Anahy”.

Com fé em padre Cícero e na santa, as baianas da UPM sonham com a vitória da escola

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UPM Esp01 001Intitulada como “Mãe das Dores”, a fantasia das baianas da Unidos de Padre Miguel personifica o lugar onde Padre Cícero teve uma das suas mais importantes visões, que foi na Capela de Nossa Senhora das Dores. Sendo uma fantasia majoritariamente feita de renda branca, com detalhes ornamentados em dourado e detalhes vermelhos, as baianas estavam radiantes na concentração.

“A gente vem representando Nossa Senhora das Dores, uma das favoritas de padre Ciço, ele gostava muito e era devoto a ela. E essa fantasia está linda, desfilo de baiana há mais de 20 anos e essa é uma das fantasias mais lindas que eu já usei”, disse Rosana do Carmo, de 47 anos.

UPM Esp01 002Um detalhe que chamou muito a atenção na fantasia das baianas era o coração vermelho com led dentro que elas traziam no peitoral da fantasia. Ao desfilarem, esse coração brilhava. Além disso, outro detalhe interessante era que o mesmo coração estava espetado por 7 espadas, assim como o coração da Nossa Senhora das Dores que elas traziam desenhadas em suas saias, essas 7 espadas simbolizam as 7 dores que a Virgem Maria sentiu em sua vida, principalmente nos momentos da Paixão de Cristo.

Para a professora aposentada Nilce dos Santos, de 65 anos, homenagear Nossa Senhora das Dores significa representar o sofrimento de mães nordestinas.

UPM Esp01 003“Porque lá no sertão, o sofrimento era muito grande porque a tecnologia não existia, sofria-se muito, então as pessoas tinham uma devoção divina direta E havia muitas dores, muitas dores por fome, pela sede, pela violência que existia, pelas maldades, pela falta de comida e, principalmente, a seca, que sempre assolou muito o sertão brasileiro”, afirmou a professora.

A gaúcha Eulice Terra, que veio de Porto Alegre para desfilar pela UPM, se apega na fé na santa para que a escola consiga o acesso ao Grupo Especial.

“Nós viemos representando uma santa, Maria das Dores, e para mim é um prazer, que os anjos digam amém e que na quarta-feira nós ganhemos o carnaval. É um privilégio vestir uma fantasia tão representativa, leve, confortável e linda. Que a santa ajude a escola? ir atrás do nosso campeonato”, contou a funcionária pública de 62 anos.

Abre-alas da Unidos de Padre Miguel traz a fome do nordeste e a fé do menino nordestino

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UPM Esp02 007Recém-ordenado padre em Fortaleza, o jovem Cícero sonhou com 13 homens na sua frente representando a “Santa ceia do Agreste” com Jesus e seus doze apóstolos. Para além das questões religiosas, o carro simboliza a grande fome que o povo nordestino viveu e ainda vive. O carro trazia esculturas de 2 casais, cujas mulheres carregam uma criança nos braços. Os casais, colocados um de cada lado do carro, traziam a expressão de tristeza.

Luziene Lima, de 52 anos, não consegue conter as lágrimas ao falar da representatividade da mensagem que o carro traz para a escola:

UPM Esp02 002“O nosso carro representa a vida. Porque traz um povo sofrido que se apegou à fé, fé em padre Ciço e veio a esperança. Da fé do povo em padre Ciço veio a esperança de um mundo melhor, de coisas melhores. Então o nosso carro representa a nossa esperança, a nossa fé na vitória da nossa escola. E o carro está lindo, é uma emoção a cada ano, a cada desfile, eu chego até a chorar, não tem como conter a lágrima, a paixão pela Unidos de Padre Miguel é grande”, disse a técnica de enfermagem emocionada.

No centro do carro havia uma escultura de Jesus Cristo, na sua frente um pedaço de queijo e uma taça de vinho, como se ele fosse a esperança de uma vida melhor àquele povo.

UPM Esp02 001O padre Cícero veio simbolizado em uma escultura que estava deitada na frente do carro, como se estivesse rezando pelo seu povo que viria atrás.

Falando em esperança em uma vida melhor, os componentes da Unidos de Padre Miguel não perdem a esperança de ver a escola campeã da Série Ouro e, consequentemente, ascendendo ao Grupo Especial.

UPM Esp02 003“Eu acredito que já passou da hora da escola subir para o Grupo Especial. Acho que nós estamos aqui desde 2017, mostrando um carnaval extremamente fora da curva para a Série Ouro. E é o ano que devemos subir. E esse carro é, primeiramente, grandioso, que traz a mensagem de Cícero e que traz essa grandiosidade que é a Unidos de Padre Miguel”, disse Matheus Moura, de 27 anos.

Para a grande rainha, Edclea Neves, que veio no abre-alas, a emoção de desfilar no carro foi imensa.

“Todos os carros da UPM estão muito bonitos, esse está representando a santa ceia e é com muita emoção que eu venho nesse carro, estou muito emocionada com a escola, que mais qualquer uma, merece subir e eu espero que ela esse ano consiga subir. Já saí aqui de destaque uma vez, e agora estou vindo no abre-alas, com esse rei maravilhoso, que foi padre Cícero, que sempre quis um futuro melhor para o nordeste, além de acabar com a fome, a sede, e outras coisas ruins que haviam naquela terra”, contou Edclea.

União da Ilha apresenta Festa de Erê no encontro entre Doum e Amora

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Ilha Esp02 005“Viva o encontro no Aiyê! É festa de Erê!” foi o segundo carro da União da Ilha neste segundo dia de desfiles. Representando o momento que ocorre o encontro das duas crianças que protagonizam o enredo para brincar e dançar pela comunidade insulana, ele veio com as imagens de São Cosme e Damião e Doum como figuras centrais junto de um grande pião por onde Doum e Amora brincaram. Com diversos doces, oferendas para os erês, se destacando as árvores de algodão-doce, e atabaques conduzidos por ogãs, para realizar o “bate tambor” como canta a letra do samba.

Ilha Esp02 003Alguns dos componentes que vieram de Ogãs no carro, Luciano Júnior, de vinte e cinco, e Flávio Sobreira, de vinte e sete, comentaram sobre o carro, contando sobre a Festa dos Erês que ocorreu na avenida: “A festa de Erê é a alegria propriamente dita e é o que a gente vai transmitir na avenida. Quando a gente vê ali, é a encarnação do próprio erê. As crianças felizes aplicando o que foi ensinado pra elas pelos pretos velhos”, explicou Flávio. “A gente vem representando os ogãs. A gente vai bater o tambor pros erês, para as crianças pularem à vontade aqui, curtirem, literalmente, essa Sapucaí”, continuou Luciano. “Que é isso que a Ilha vai fazer, ela vai mostrar tudo que ela precisa mostrar de ponta a ponta feliz, toda a importância da criança, do ensinamento da criança pro futuro da nossa nação”, concluiu Flávio.

Ilha Esp02 004Conversamos também com Uemi Morgado e Bárbara Vitória, que vieram como Doum e Amora neste carro. Uemi, de trinta e um anos, falou sobre interpretar Doum: “Ele é um ser iluminado e tem junto com uma amizade muito legal com a Amora, que está do meu lado”. Bárbara, que tem dezessete anos, contou sobre a menina Amora também: “Ela é uma criança de periferia e que, sem querer, invoca o Doum e eles saem pelo mundo espalhando essa magia de criança e representando isso”. Ambos desfilam pela primeira na Ilha, e se encantaram com o enredo e com o carro em que vieram: “É a primeira vez que eu estou tendo essa experiência e eu estou achando sensacional. Tudo isso para mim tem muita representatividade de fato e traz muito a realidade da nossa vida de infância, e o que a gente traz de toda a nossa bagagem, isso é muito maneiro”, contou Uemi. “Eu particularmente achei o carro lindo, antes eu passei na Cidade do Samba, eu vi tudo sendo montado, então quando vê, pronto, é muito bonito de se ver. E também, eu tô bem nervosa com a experiência, né, que é a primeira vez também, mas eu tô feliz, eu tô animada”, complementou Bruna, logo em seguida, a caminho do desfile.

Mocidade Alegre: fotos do desfile no Carnaval 2024

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Unidos de Padre Miguel: fotos do desfile no Carnaval 2024

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Freddy Ferreira analisa a bateria da Ilha no desfile

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Um desfile magistral da bateria da União da Ilha, sob o comando de mestre Marcelo Santos. Uma conjunção sonora simplesmente deslumbrante foi produzida. Pautada pelo andamento confortável, fluência entre os naipes e uma bela equalização de timbres. Com apresentações potentes, certamente tem tudo para ser bem avaliada e contribuir como um quesito forte para a tricolor insulana.

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Uma “Baterilha” com uma afinação privilegiada foi notada. Marcadores de primeira e de segunda foram precisos, além de educados, durante todo o cortejo. Os surdos de terceira deram um balanço envolvente ao ritmo insulano, também com participações primorosas em bossas. Repiques de imensa virtude técnica tocaram conectados a um naipe de caixas profundamente ressonante, com sua clássica e tradicional batida rufada.

Uma parte da frente do ritmo da Ilha com qualidade indiscutível, semelhante a traseira da bateria. Uma ala de cuícas poderosa fez até um desenho simples, mas eficiente, no início de cada passada do refrão do meio. Um naipe de chocalhos de técnica musical inegável tocou entrelaçada com uma ala de tamborins extremamente acima da média. Incrível como o “Tamborilha” parece somente um tamborim por toda a pista de desfile. Complementando a sonoridade da cabeça da “Baterilha”, atabaques contribuíram de modo luxuoso tanto em ritmo, quanto principalmente em bossas.

Bossas bastante casadas com o samba-enredo da União foram apresentadas. Destaque para o trabalho eficiente dos atabaques, que por vezes tocavam com baquetas de madeira, fazendo alusão ao Aguidavi sagrado. A concepção criativa das paradinhas atrelou culturalmente o tema de vertente africana ao ritmo produzido pela Ilha. Simplesmente incríveis as execuções dos arranjos por todo o cortejo.

A apresentação na primeira cabine (módulo duplo) foi muito bom, arrancando aplausos do público. Já na segunda cabine, mais uma apresentação segura e fluída foi garantida. Mas a melhor apresentação, com direito a contornos apoteóticos, foi na última cabine. Assim foi finalizado um tremendo sacode da “Baterilha” de mestre Marcelo Santos, cada vez mais consolidado e solto dirigindo a renomada bateria da União da Ilha do Governador. Um desfile condizente com a histórica tradição musical da Ilha, conectado ao enredo da escola, que além de possivelmente garantir a pontuação máxima, preenche requisitos para pleitear eventuais premiações.

Freddy Ferreira analisa a bateria do Arranco no desfile

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Um bom desfile da bateria do Arranco do Engenho de Dentro. Com apresentações seguras nos módulos e com uma conjunção sonora demonstrando equilíbrio. Uma estreia virtuosa de mestre Gilmar, que dirigiu com sua classe habitual a bateria “Sensação”. Um pequeno desencontro entre ritmo e carro de som foi percebido dentro do segundo recuo após a entrada da bateria, mas logo foi solucionado. Importante ressaltar que não existe julgamento por ali, portanto o deslize em questão não será despontuado.

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Uma bateria “Sensação” com uma boa afinação de surdos foi percebida. Marcadores de primeira e segunda foram corretos durante o cortejo. Surdos de terceira ajudaram no balanço do ritmo. Uma boa ala de repiques tocou integrada a um naipe de caixas consistente.

Na parte da frente do ritmo, um naipe de agogôs executou um desenho rítmico simples, mas funcional. Uma boa e consistente ala de cuícas também auxiliou no preenchimento musical das peças leves, junto de tamborins eficientes e com bom volume. O ponto alto da cabeça da bateria foi um naipe de chocalhos simplesmente fabuloso contribuindo com imensa virtude musical, que tinha até uma ligeira dancinha coreografada.

Bossas que levavam em conta as variações do melodioso samba do Arranco foram exibidas. Muito funcional a virada da segunda mais elaborada, proporcionando certo balanço, além de demonstrar versatilidade rítmica. Outra paradinha, mais densa e complexa, além de bastante desafiadora, contou inclusive com solo de tamborins antes da retomada.

Na primeira cabine (módulo duplo) uma apresentação correta foi realizada. Já na segunda cabine, é possível dizer que o ritmo da azul e branca do bairro do Engenho de Dentro fluiu ainda mais. Na última cabine uma apresentação rápida e funcional foi realizada, por causa do tempo curto. Uma boa estreia de mestre Gilmar comandando a bateria “Sensação” do Arranco do Engenho de Dentro.

União da Ilha faz desfile de harmonia quente, com show da bateria e do carro de som

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Por Rafael Soares e fotos de Nelson Malfacini

A União da Ilha foi a quarta a se apresentar na Marquês de Sapucaí neste sábado de carnaval da Série Ouro. A tricolor insulana levou o enredo “Doum e Amora: Crianças para Transformar o Mundo” para a avenida. A União da Ilha entrou com muita força na avenida. Já na comissão de frente foi apresentado um ótimo trabalho, em um número cheio de significado e representatividade. O casal de mestre-sala e porta-bandeira foi destaque, ao mostrar um bailado forte, limpo e veloz, com belas coreografias. O samba-enredo foi fortemente entoado por todo o conjunto da escola, resultando em uma harmonia de excelente nível. A bateria deu uma verdadeira aula de ritmo e de bossas, com alta qualidade musical, impulsionando ainda mais a agremiação, que também teve no carro de som uma atuação firme e competente. A evolução se mostrou muito fluida e compacta, sem qualquer tipo de problema. A parte plástica da escola esteve em ótimo nível nas alegorias, que eram altas, de muito bom gosto, coloridas e bem iluminadas. O padrão geral das fantasias era bom, mesmo com soluções mais simples, e interessante uso de cores. Entretanto, algumas alas tiveram pequenos problemas na execução dos figurinos, o que pode ocasionar leves penalizações.

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Comissão de Frente

Com o nome de “Bate o Tambor pro Erê, para os que Vieram e para os que Virão”, a comissão de frente assinada pelo coreógrafo Márcio Moura trouxe um grupo de componentes pretos, com homens, mulheres e duas crianças. A maioria dos integrantes usava uma fantasia bem no estilo afro, com motivos bem característicos e cabelos black estilizados. O par de jovens representava Doum e Amora, ela com vestido vermelho, laço de fita e cabelo black aberto, ele com roupas brancas e chapéu na cabeça. Um outro integrante representava Obatalá, com pintura corporal branca, saiote branco, e carregava um globo do planeta Terra.

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A maioria do grupo dançava no chão, com bom ritmo e sincronia, também fazendo poses e retornando à dança. As duas crianças eram cercadas e colocadas em destaque. Em determinado momento, fantoches pretos surgiam do pequeno tripé em formato de caixa, também estilizado de forma africana, e com o retrato de Amora. A palavra ‘Respeito’ também era formada em um painel. Quando a menina entrava pela porta do tripé, havia uma troca, surgindo uma outra integrante, adulta vestida de branco, com colares e adereço na cabeça. Muito simbolismo esteve presente na apresentação.

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Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Thiaguinho Mendonça e Amanda Poblete, veio com uma fantasia de nome “Etún”, representando a galinha de angola, maior símbolo de iniciação e individualização nas religiões de matrizes africanas. Com uma indumentária belíssima, a dupla mostrou um bailado de excelente nível. Amanda exibiu bastante expressividade nos sorrisos e olhares, além de velocidade e limpeza nos movimentos. Thiaguinho a cortejou com muita classe e beleza nas interações. A dança mesclou momentos mais tradicionais, com passos coreografados de acordo com o samba, usando bem a pista. No refrão de meio, os giros rápidos e seguidos de Poblete levantaram o público da avenida. Na primeira cabine, o mestre-sala teve um leve desequilíbrio na parte final da apresentação, mas nada que comprometa.

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Samba-Enredo

O samba da União da Ilha tem uma letra forte que descreve bem o enredo, retratando a cultura afro-brasileira e a luta antirracista, com momentos de maior doçura na apresentação das crianças que conduzem o enredo. A melodia é pesada e valante, com bonitas variações para representar o mundo infantil e impulsionar o canto. Composto por André de Souza, John Bahiense, Ricardo Castanheira, Leandro Pereira, Leandro Augusto, João Assis, Flávio Stutzel e Vagner Alegria, a obra musical teve excelente rendimento na avenida. O intérprete Nêgo mostrou um notável desempenho ao cantar o samba, embalado pela bateria de mestre Marcelo Santos.

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Harmonia

A comunidade da União da Ilha teve um canto muito forte em seu desfile. Os principais trechos entoados pelos componentes foram o refrão principal e o refrão de meio, mas é importante destacar que toda a obra tinha ótimo volume. A harmonia foi bem consistente entre todas as alas do cortejo. É até difícil destacar alas que tenham cantado mais, tamanha foi a qualidade de defesa do quesito. Merecem citação as alas “Nossos Personagens” e “Asas da Liberdade”.

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Evolução

A evolução da agremiação foi bastante fluida durante a passagem pela Sapucaí. Imprimindo um ótimo ritmo de desfile, o quesito foi defendido de forma compacta durante todo o tempo. Não houve qualquer mudança brusca de passada ou abertura de buracos na pista. Além disso, os componentes estavam muito animados, cantando e brincando com espontaneidade e potência. A escola encerrou o desfile em 54 minutos com muita tranquilidade.

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Enredo

A União da Ilha do Governador apresentou o enredo “Doum e Amora: Crianças para Transformar o Mundo”, um grande manifesto antirracista através do olhar infantil, utilizando a educação e o amor como armas nesta importante luta. As fantasias e alegorias foram de facilitada leitura, com materiais simples, símbolos e elementos bastante reconhecíveis e de comunicação com o público. A mensagem foi transmitida com força e clareza, indicando um belo trabalho do carnavalesco Cahê Rodrigues em sua narrativa.

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Fantasias

O conjunto de fantasias da União da Ilha se mostrou simples em materiais, mas com boa leitura e bem acabadas em sua maioria. Brincando bastante com o uso das cores, o carnavalesco ainda conseguiu produzir figurinos chamativos e divertidos. A fantasia das baianas chamou muito a atenção. Outras que merecem destaque foram “Olorum”, “A Dança da Criação” e “Nossas Brincadeiras”. Entretanto, algumas fantasias mostraram problemas de execução, como as dos guardiões do casal de mestre-sala e porta-bandeira e a da ala “Nossa Força e Coragem”, que ficou bem diferente do projeto, sendo muito simplificada. O quesito é um ponto de atenção para a escola.

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Alegorias

O conjunto alegórico da escola foi marcado pela imponência, altura, colorido e iluminação. O carro abre-alas, intitulado “Doum pelo Orun dos mistérios do Axé”, trouxe a representação do personagem em seu lar. Cercado de nuvens, a escultura central representa Obatalá. Os cavalos marinhos, símbolos da escola, aparecem representando seres míticos da fé. A alegoria era muito bonita, bem acabada e com excelente iluminação, realçando todo o trabalho. A escultura central era bem alta, chegando a 15 metros.

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Na sequência do desfile, a segunda alegoria do Sereno, de nome “Viva o Encontro no Aiyê! É Festa de Erê!”, simbolizava a felicidade do encontro entre Amora e Doum, com os dois brincando na comunidade em que ela mora, além da presença de tambores batidos para os ibejis e para os erês. Um carro também bem alto, mostrando um colorido muito bonito e com ótima iluminação.

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Por fim, o terceiro e último carro da agremiação, intitulado “Baobá, teu Legado é Imortal! Educar para Transformar!”, retratava um baobá imortal plantado por Doum e Amora contra todo racismo e toda desigualdade, representando o legado da transformação pela educação antirracista e da valorização da negritude. Seguindo o mesmo padrão, a alegoria era alta, bem acabada, original, colorida e iluminada, contando com telões de led, que funcionaram bem.

Outros destaques

A bateria do mestre Marcelo Santos teve um desempenho impecável no desfile da Ilha. Impressionou o ritmo adotado pelos ritmistas, que se mostrou perfeito para a execução do samba-enredo pelos cantores e pelos componentes da escola. Além disso, as bossas foram de grande qualidade musical, ousadas e perfeitamente executadas, gerando grande impulso para o cortejo e ótima comunicação com o público.