“Viva o encontro no Aiyê! É festa de Erê!” foi o segundo carro da União da Ilha neste segundo dia de desfiles. Representando o momento que ocorre o encontro das duas crianças que protagonizam o enredo para brincar e dançar pela comunidade insulana, ele veio com as imagens de São Cosme e Damião e Doum como figuras centrais junto de um grande pião por onde Doum e Amora brincaram. Com diversos doces, oferendas para os erês, se destacando as árvores de algodão-doce, e atabaques conduzidos por ogãs, para realizar o “bate tambor” como canta a letra do samba.

Alguns dos componentes que vieram de Ogãs no carro, Luciano Júnior, de vinte e cinco, e Flávio Sobreira, de vinte e sete, comentaram sobre o carro, contando sobre a Festa dos Erês que ocorreu na avenida: “A festa de Erê é a alegria propriamente dita e é o que a gente vai transmitir na avenida. Quando a gente vê ali, é a encarnação do próprio erê. As crianças felizes aplicando o que foi ensinado pra elas pelos pretos velhos”, explicou Flávio. “A gente vem representando os ogãs. A gente vai bater o tambor pros erês, para as crianças pularem à vontade aqui, curtirem, literalmente, essa Sapucaí”, continuou Luciano. “Que é isso que a Ilha vai fazer, ela vai mostrar tudo que ela precisa mostrar de ponta a ponta feliz, toda a importância da criança, do ensinamento da criança pro futuro da nossa nação”, concluiu Flávio.

Conversamos também com Uemi Morgado e Bárbara Vitória, que vieram como Doum e Amora neste carro. Uemi, de trinta e um anos, falou sobre interpretar Doum: “Ele é um ser iluminado e tem junto com uma amizade muito legal com a Amora, que está do meu lado”. Bárbara, que tem dezessete anos, contou sobre a menina Amora também: “Ela é uma criança de periferia e que, sem querer, invoca o Doum e eles saem pelo mundo espalhando essa magia de criança e representando isso”. Ambos desfilam pela primeira na Ilha, e se encantaram com o enredo e com o carro em que vieram: “É a primeira vez que eu estou tendo essa experiência e eu estou achando sensacional. Tudo isso para mim tem muita representatividade de fato e traz muito a realidade da nossa vida de infância, e o que a gente traz de toda a nossa bagagem, isso é muito maneiro”, contou Uemi. “Eu particularmente achei o carro lindo, antes eu passei na Cidade do Samba, eu vi tudo sendo montado, então quando vê, pronto, é muito bonito de se ver. E também, eu tô bem nervosa com a experiência, né, que é a primeira vez também, mas eu tô feliz, eu tô animada”, complementou Bruna, logo em seguida, a caminho do desfile.