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Freddy Ferreira analisa a bateria da Portela no desfile

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Um bom desfile da bateria “Tabajara do Samba” da Portela, sob comando de mestre Nilo Sérgio. Um ritmo autenticamente portelense foi produzido, com o ressoar único das caixas da Majestade do Samba ecoando por todo o cortejo. Bossas potentes e integradas ao enredo foram exibidas com precisão. Uma conjunção sonora de bastante equilíbrio foi exibida e com um andamento confortável.

Uma bateria portelense com sua tradicional afinação de surdos mais pesada foi percebida. Marcadores de primeira e segunda tocaram com firmeza e segurança. O peculiar balanço das terceiras da Portela impulsionou a parte de trás do ritmo. Complementando os médios, repiques coesos tocaram integrados a um naipe de caixas de guerra consistente, com sua genuína batida rufada ecoando pela pista.

Na cabeça da bateria, uma ala de cuícas de qualidade musical se exibiu junto de agogôs eficientes. Um naipe de chocalhos de excelente técnica tocou conectado a uma ala de tamborins de valor sonoro, que contribuiu com bom volume. Congas ainda ajudaram tanto em ritmo, quanto tendo participação luxuosa nas bossas com toques afros.

Bossas intimamente vinculadas ao belo samba-enredo da Águia de Oswaldo Cruz e Madureira foram exibidas. Com profundidade musical inquestionável, os arranjos eram pautados pelas variações melódicas e adequaram de forma magnífica o tema de vertente africana da maior campeã do carnaval à sonoridade da “Tabajara”. O leque de paradinhas, mesmo não sendo extenso, se mostrou cirúrgico, graças a pressão e a musicalidade alcançada. Nuances rítmicas foram notadas na caída da segunda da obra, assim como na entrada do refrão principal, demonstrando uma indiscutível versatilidade rítmica da bateria da Portela.

A exibição na primeira cabine (módulo duplo) foi muito boa, arrancando aplausos dos jurados e causando certa ovação popular. Já na segunda cabine, uma apresentação segura foi realizada, mas sem o mesmo impacto energético do primeiro módulo. No último módulo de jurado, uma apresentação potente foi realizada, para encerrar com o clima lá no alto o bom desfile da “Tabajara do Samba” da Portela, dirigida por mestre Nilo Sérgio.

Quarto carro da Vila Isabel tem homem gigante com estrutura muscular

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Vila Esp02 002A Vila Isabel foi a terceira escola a desfilar, nesta segunda-feira (12), no segundo dia de apresentação do Grupo Especial do Rio. A escola, com o enredo “Gbala – Viagem ao Templo da Criação”, no seu quarto carro apresentou a alegoria “A criação do homem”, representando o “corpo humano como uma criação de Oxalá”

“Eu optei em fazer um carro que tivesse o conceito do barro, porém eu mostro ali aquele grande gigante com estrutura muscular, onde as crianças aprendem como é o nosso corpo internamente”, explicou Paulo Barros, o carnavalesco da escola.

A alegoria tem como principal objetivo contar o mito da criação do homem através do barro. No carro marrom, é possível ver um humano sem pele, apenas marcando seus músculos. Na parte debaixo, tem diversas esculturas de corpos.

O carnavalesco explicou que já produziu carros com a mesma estética de barro antes, mas quis inovar de alguma forma e fazer diferente na frente da Vila. “Eu tinha que fazer um carro que fosse diferente da versão anterior e principalmente diferente de dois carros que eu já fiz, um da Tijuca e o outro na Portela. Era um homem de lama, que lembrava um pouco dessa coisa do barro também”, disse.

Vila Esp02 002Para o Carnaval de 2024, a azul e branco planejou trazer de volta seu tema de 1993, enfatizando o papel das crianças na criação de um mundo melhor. O tema revisita um mito antigo, visto sob a perspectiva das religiões afro-brasileiras, no qual Olorum, a divindade suprema, designa Oxalá para formar a humanidade no início dos tempos. Este novo mundo precisava de guardiões para suas maravilhas naturais, incluindo plantas, animais e mares.

No entanto, ao longo do tempo, as pessoas falharam em sua tarefa de proteger esses presentes preciosos. Em resposta a essa negligência, os orixás chamaram crianças de todo o mundo para uma jornada ao templo da criação.

Na passarela, a Vila Isabel espalhou a visão otimista de Oxalá sobre as crianças, abordando a conscientização sobre a preservação ambiental e a importância de cuidarmos do lar que todos compartilhamos.

Portela apresenta diferente identidade estética, faz desfile pautado pela emoção, mas acabamento de alegorias e fantasias pode atrapalhar os planos da escola

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Por Lucas Santos e fotos de Nelson Malfacini

Depois de um desfile do centenário em 2023 para esquecer, a Portela reformulou sua equipe artística apostou nos jovens carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga. O movimento gerou uma Portela com uma identidade visual diferente dos últimos anos, com uma proposta de enredo pautado na emoção, no afeto, e apresentando a africanidade e ancestralidade tão bem casado com a essência da Portela. O afeto deram ao enredo uma história muito tocante que chegou até o público, e a evolução, tão problemática no carnaval passado, desta vez foi um alívio para o portelense, ainda que no início na dispersão, a escola tenha corrido um pouco para colocar bem os carros na Avenida. Outros quesitos como casal e comissão de frente passaram bem, e o samba teve um rendimento satisfatório na boca dos componentes. Segunda escola a se apresentar na última noite de desfiles do Grupo Especial, a Portela apresentou o enredo “Um defeito de cor” em um desfile de 1h07.

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Comissão de Frente

Coreografada por Léo Senna e Kelly Siqueira, a comissão “Sagrado Feminino Ensinamento” representou o afeto, o respeito à ancestralidade, o sagrado feminino como importantes pilares da Portela. E sob suas asas, a Comissão de frente teve como missão realizar o maior sonho do narrador deste desfile Luiz Gama contar a história de sua mãe e promover o tão esperado reencontro. O elemento alegórico foi inspirado em uma escultura africana chamada “O Círculo da Vida”, e continha grandes imagens de mulheres de braços dados, em um círculo, onde juntas formam um templo que guarda saberes ancestrais como o poder da criação.

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Dentro desse grande abraço, as bailarinas, vestidas das essências e raízes, simbolizando as conexões ancestrais e atemporais, dançavam em cima do elemento, com muita ancestralidade, enquanto o espaço girava e permitia um interessante efeito. Depois, a personagem principal, Kehindé se destacava das demais guerreira, quando uma figura feminina representando a ancestralidade, com asas de anjo, a Grande Mãe surgia ao lado de Omuotunde/ Luis Gama, filho de Kehindé, e a exibição terminava com um grande abraço dos dois. O encontro tão esperado por este enredo surge logo na comissão que sem grandes truques apresentou muito bem a proposta do enredo, o afeto e a ancestralidade. Passou bem, sem problemas.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Iniciando uma nova parceria para este carnaval, o primeiro casal Marlon Lamar e Squel Jorgea representavam a Saudação à Terra, através dos Orixás mais antigos que são cultuados na região do Benin. Squel representou Nanã Buruku, a orixá mais antiga, portadora de sabedoria e mistérios, aquela que viu o mundo nascer e moldou em barro os primeiros homens. Já o mestre-sala representou o pouco conhecido Sapatá, o Vodun da Terra, Rei da Lama e da Palha. Ambos são orixás assentados juntos.

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A vestimenta de Squel trouxe o colorido partindo do espectro de cores do azul da Portela, passando para o roxo até tons mais cítricos como o amarelo e laranja. A de Marlon possuía esse colorido na parte de trás da fantasia enquanto o corpo do mestre-sala era tingido de branco. E toda essa representatividade religiosa foi percebida também na dança, que contou com diversos momentos em que a dança mais ancestral, mais das religiões de matriz africana, se fez presente. A dupla mostrou muito entrosamento e fizeram os movimentos bem cravados e com bastante sincronia. O único ponto a se considerar que não se transformou em um problema foi no primeiro módulo em que a bandeira encostou um pouco na cabeça da porta-bandeira. Mas, nada que tenha prejudicado a dança. Apresentação muito segura.

Harmonia

A escola cantou bastante durante o desfile. O portelense mostrou que gostou bastante da obra bastante elogiada no pré-carnaval, ainda que a expectativa por um sacode existia, o que não aconteceu. A intensidade do canto diminuiu um pouco na parte final do desfile, com alguns componentes já um pouco mais desgastados. O samba esteve sempre em uma boa cadência que facilitou o trabalho da escola, e os ensaios mostraram ser fundamentais para o resultado na Sapucaí. Ainda que as expectativas mais altas não tenham sido cumpridas, o quesito teve um rendimento satisfatório para conseguir a nota.

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O desempenho de Gilsinho mais uma vez foi o esperado, dessa vez, com um samba muito bom, o cantor esteve livre para brilhar, fazer seus chamados e contou com boa resposta do público. A voz do cantor sempre se sobressaia aos apoios, mas teve uma boa ajuda e o trabalho harmônico do carro de som casou bem com o que o samba pedia.

Enredo

O desfile teve como inspiração “Um Defeito de Cor”, nome de um romance escrito por Ana Maria Gonçalves e que se trata de uma obra ficcional que concebe uma história para Luísa Mahin, mulher guerreira que povoa o imaginário de luta do Movimento Negro brasileiro como símbolo de força e resistência. No primeiro setor, a Portela trouxe a Kehindé, com as mulheres de sua família primordial; sua mãe e avó. Depois, em um segundo momento, a escola contou a relação de Luísa com sua fé e a força dos voduns e dos orixás, concretizada em uma miragem lírica da grande mãe dos mares, a negra Iemanjá, e também colocando sua infância em Salvador e seus questionamentos sobre a opressão da Igreja Católica na adoração aos santos brancos.

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Seguindo o desfile, a Majestade do Samba falou sobre a Casa das Minas, os voduns cultuados aos pés das árvores, o misticismo da iniciação e os espíritos que se revelavam nesta casa, e os relatos de Kehindé, sobre quando chegou ao terreiro comandado por Nã Agontimé, em São Luís do Maranhão. O desfile segue apresentando a visão de Luiz Gama em que sua mãe Luísa Mahin deveria ser coroada rainha do Brasil pela pluralidade de uma mulher que desempenhou diferentes papéis, sendo a única sujeita que carregava as marcas mais humilhantes da formação social brasileira.

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Por fim, o desfile se encerra com as últimas palavras do livro Um Defeito de Cor. A Portela apresentou em barcos as mães que perderam seus filhos para a violência de uma sociedade que vê neles um defeito de cor, tal qual fizeram com Luís e Kehindé. Um desfile que de modo geral teve bom entendimento, boa leitura, e cumpriu a proposta de emocionar.

Evolução

A evolução da escola tão problemática em 2023, foi um ponto positivo neste ano, ainda que a parte de arrumação na concentração tenha sido um pouco mais caótica na hora de colocar os carros na pista. No abre-alas algumas esculturas ficaram pelo caminho antes do desfile. A finalização do quarto carro para entrada também deixou a escola um pouquinho mais parada depois da apresentação do casal. Mas, nada grave.

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Em geral, os componentes evoluíram de forma bastante fluida, com espontaneidade. A ala “a travessia” fazia uma performance coreografada que gerava um bonito efeito nas saias. Em um momento, o segundo tripé que vinha logo atras dessa ala demorou um pouco a avançar quando a ala da frente se movimentou em frente ao terceiro módulo de jurados, o que não chegou a gerar um buraco, mas um espaçamento um pouco maior.No geral, apenas esses detalhes e nada que tenha comprometido um desfile da Portela realizado com muita fluência.

Samba-enredo

Definido por muita gente como uma das melhores obras desta safra, o samba é de autoria de Rafael Gigante Vinicius Ferreira, Wanderley Monteiro, Bira, Jefferson Oliveira, Hélio Porto e André do Posto 7. A composição tem caráter bastante melodioso, mas possui também algumas partes mais valentes como o refrão principal “Saravá Kehindé..”, em que o verso final” Em casa um de nós derrame o seu axé” é um estouro até para o canto, a parte de maior vigor. O refrão do meio “Salve a lua de Benin”, organizado em um sexteto, é uma das partes de maior gingado. Na segunda do samba, a partir do “Em cada prece, em cada sonho nega…” começa os versos de melhor qualidade melódica, talvez deste carnaval, em que toda a relação afetuosa entre mãe e filho que o enredo possui está representado ali até que se chega ao refrão de baixo.

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Ponto alto também para a letra da obra que é muito bem trabalhada e traz o enredo com poesia. A composição ainda atingiu mais ainda o seu auge a partir das bossas de mestre Nilo Sérgio, uma delas com o agogô de duas bocas, e pelo bom andamento. A obra encontrou uma boa ressonância no público que cantou em diversos momentos junto com a escola, ainda que não tenha sido o estouro que talvez fosse esperado pela obra tão festejada no pré-carnaval.

Fantasias

Com uma estética diferente do que vinha apresentando nos últimos anos, a estreia dos carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga reservou para a Portela o uso de novos materiais, novos designs e o espectro de cores diferentes. No início um trabalho mais volumoso apostando em tons terrosos e com a utilização de muita palha, como pede o enredo, na ancestralidade africana negra. Isso foi bem perceptível nas alas “matriarcas” e “culto vodum””. Após o abre-alas também se seguiu com a ala “presentes de branco”.

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O Azul da Portela se fez presente em contraste com o Preto na ala “a travessia”, que por conta da coreografia, gerava um bonito efeito pelas saias. Depois, antes do segundo carro, a espectro namorou um pouco com o branco como por exemplo na ala ” santidade menina Jejê”. Após o segundo carro a escola volta a palha e tons terrosos e durante todo o desfile é o espectro que mais se destaca ainda que bem intercalado com outras cores o que facilitou para que no visual não ficasse repetitivo. Apesar de boas soluções estéticas e de material, a escola não manteve a qualidade no acabamento e na volumetria das fantasias. Alguns setores estavam com a qualidade inferior, principalmente dos primeiros

Alegorias e adereços

A Portela levou para a Sapucaí um conjunto alegórico formado por cinco alegorias e dois tripés. O carro abre-alas desfilou desacoplado, mas como a escola só levou cinco alegorias para a Sapucaí não gera problema nenhum para o quesito. Esta primeira alegoria Terras de “Daomé”, inclusive, era onde estava a águia da Portela, desta vez apresentada em um estilo diferente. O carro, todo em tons mais terrosos, trouxe os ibêjis protegidos entre os galhos do Iroco e pelo espírito da Águia que sobrevoava a árvore sagrada, tudo era guardado pelos espíritos de Bessen, que são os espíritos da cobra, o vodun do culto Jeje.

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Na alegoria, foi possível ver as costelas da cobra, como grandes marfins, que traziam em seu interior os soldados daomeanos em esculturas de bronzes (típica arte do Benin). Ladeando estavam também os cavaleiros do reino iorubano, também imitando o bronze. Uma das esculturas do carro foi deixada na pista. A alegoria número quatro “Cortejos à Rainha do Brasil”, que representou a coroação de Kehindé segundo o imaginário de Luiz Gama apresentou problemas de acabamento, um pano sobrando sem estar encaixado no turbante pode ser considerado um problema e pode gerar despontuação. Nela, a dupla de carnavalesco representou esta coroação com Luíza ladeada por leões de Xangô, cortejada pelos enormes sombreiros de Maracatu e adornada de fitas da Congada.

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O segundo carro “Salvador Pagã”, que representou a relação de Luísa com a religião na infância, era muito bonito, todo branco, com boas soluções estéticas, mas também com um acabamento na parte de trás não tão primoroso. O ponto alto do quesito foi o último carro “Em cada Porto, nosso Ninho” que representava o encerramento da história de “Um defeito de cor” com os barcos trazendo as mães que perderam seus filhos para a violência de uma sociedade que vê neles um defeito de cor, tal qual fizeram com Luiz e Kehinde. Muito de muita emoção e que tocou a Sapucaí. No geral, apesar de boas e criativas soluções estéticas, as alegorias não tiveram um acabamento tão primoroso em comparação com outras escolas.

Outros destaques

A fantasia dos ritmistas da Tabajara do Samba representava a riqueza maior, a liberdade, através do ouro de Oxum. O figurino em tons de ouro e preto é adornado com espelhos, referência ao Abebé carregado pela entidade. Mestre Nilo Sérgio veio de Luiz Gama e a rainha Bianca Monteiro de Oxum, que sempre acompanhou Luisa Mahim. A fantasia proposta para os/as passistas da Portela fez referência à rainha Agontimé e à sua realeza, através da representação da pantera preta. Na cabeça, havia uma coroa estilizada com uma máscara negra de pantera. O figurino adornado em ouro traz o misticismo e a beleza do ritual Nilce Fran, representou uma das mulheres mais importantes na vida de Kehinde, a Agontimé. Esta personagem é quem recria os laços de Luísa com sua ancestralidade através da espiritualidade.

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As baianas da Portela trouxeram o abraço feminino de Dúrójaiyé em seu manto azul. O uso de estamparias africanas acolheu o branco da renda, misturando a representação das vestes de uma anciã, guardiã da ancestralidade de sua família. A presidente de honra da Portela, Tia Surica, veio a frente da escola no tripé “Raízes de Savalu” que falava da terra primordial onde começa a vida de Kehindé. A musa Wenny Isa veio com a fantasia “o sagrado secreto” simbolizando nome escolhido pela personagem principal do enredo, sua identidade ancestral. No esquenta, Gilsinho cantou “Portela na Avenida” de Clara Nunes.

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Inspirado no filme Moana, terceira alegoria da Vila Isabel representa a mãe natureza

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Vila Esp01 003A Vila Isabel foi a terceira escola a desfilar, nesta segunda-feira (12), no segundo dia de apresentação do Grupo Especial do Rio. A escola, com o enredo “Gbalá – Viagem ao Templo da Criação”, no seu terceiro carro apresentou a alegoria “A natureza e seus encantos”, representando a importância de cuidar da “mãe natureza”.

“Ele apresenta todo o universo da Mãe Natureza. Eu aproveitei uma figura, que é extremamente popular no universo das crianças, que é a Moana”, explicou Paulo Barros, o carnavalesco da agremiação.

Vila Esp01 001O carro trouxe signos da natureza, como a fauna e a flora. Predominantemente verde, a alegoria tem uma escultura central representando a mãe na natureza, inspirada no filme Moana. Animais ficam na parte de baixo do carro. A fantasia das componentes é uma flor roxa, com detalhes verdes e uma borboleta na altura do ombro.

A autônoma Luisa Fesal vai desfilar na alegoria, com o figurino “beleza e esplendor da natureza”. “Adorei a fantasia. Ela é muito bem trabalhada, cheia de acessórios, colorida, chamativa”, avaliou. Ela desfila pela primeira vez na azul e branco e entende a importância de ir em uma alegoria como essa: “É um sonho. Eu estou muito feliz por estar aqui, defendendo a proteção do meio ambiente, que é uma pauta muito relevante hoje em dia”, completou.

No Carnaval de 2024, a Vila apresentou uma releitura de seu enredo de 1993, destacando a contribuição das crianças para a construção de um futuro melhor. A história narrou uma lenda ancestral, explorada através das crenças das religiões afro-brasileiras, onde, no alvorecer dos tempos, o deus maior Olorum encarregou Oxalá, seu emissário, de criar a humanidade. Este novo mundo, agora habitado, necessitava de cuidadores para suas riquezas naturais, como vegetação, fauna e oceanos.

“O carro segue a ordem do samba do Martinho. A Moana é uma figura que está no inconsciente das crianças e é um público que eu sempre procuro atender”, destacou Paulo Barros.

Seguindo a narrativa do enredo, com o passar do tempo, a humanidade começou a negligenciar a responsabilidade de proteger esses dons. Diante dessa falha, os orixás convidaram as crianças de diversas partes do globo para visitarem o templo da criação.

“A proteção do meio ambiente é necessária, ainda mais nos tempos atuais”, destacou Tamires Pereira, de 21 anos, desfilando pela primeira vez na escola. “A alegoria e as fantasias estão lindas. É muito rica de detalhes”, comentou com os olhos brilhando.

Durante o desfile, a Vila Isabel propagou a mensagem de esperança de Oxalá nas crianças, promovendo a conscientização sobre a importância de preservar o meio ambiente e cuidar do nosso planeta.

“Todo mundo que viu Moana vai entender a referência no carro. Ele vem pra dizer que as crianças e as futuras gerações precisam cuidar do meio ambiente, para evitar tragédias como as que estamos vivendo hoje em dia”, avaliou Tamires.

Componentes da Portela vibram com águia do desfile de 2024

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Portela Esp04 002A águia da Portela é um símbolo marcante não só para a Portela, mas também para todo o Carnaval, sua importância reside na representação da força, da nobreza e da tradição da escola, além de simbolizar a identidade cultural e a história do samba. A presença da águia nos desfiles e eventos da Portela reforça a conexão da escola com suas raízes e com o povo brasileiro. Além disso, a águia é frequentemente associada à liberdade e ao poder, agregando um significado ainda mais profundo à sua representação na cultura da Portela.

Em entrevista concedida ao site CARNAVALESCO, alguns componentes do pavilhão expressaram suas emoções ao se depararem pela primeira vez com a águia na concentração, o que acharam da alegoria e suas expectativas para esse carnaval.

Portela Esp04 007Viviane Costa Moura de 43 anos, desfila na Portela desde os seus 15 anos e contou a importância da águia e o ritual que elafaz todo ano antes de entrar na Avenida: “Eu achei que está maravilhosa, eu cheguei aqui e tive uma crise de choro, é linda, a Portela, ela toda África, faz todo o sentido. Isso aqui está lindo, traduz completamente o livro. E é lindo a gente resgatar tudo isso pelo carnaval, pela força que o carnaval tem, pela relevância que a Portela tem para a sociedade, para o Carnaval Carioca. Eu cheguei aqui, eu desfilo, sei lá, desde os 15 anos, eu cheguei aqui chorando e liguei para minha mãe que também é Portela da vida inteira. E a gente chorou junto. Esse ano eu estou na penúltima ala, estou na Paz e Amor. Eu venho na águia antes de me posicionar porque eu chego aqui na concentração todo ano e venho pedir bênção à águia e depois eu vou para pensar e começar o meu desfile, vai ser lindo.”

No desfile de 2024 a Águia veio em uma alegoria que era possível ver as costelas da cobra, como grandes marfins, que levavam em seu interior os soldados daomeanos em escultura de bronze (típica arte do Benin). Ladeando estão também os cavaleiros do reino iorubano. O Iroco surgiu em meio a este reino, como quem resiste e persiste. Suas raízes se transformaram nas cobras que representaram Dan (a cobra sagrada da família Jeje) e no alto de seus galhos o espírito da Águia. Este espírito veio protegendo as imagens de Ibêjis, que se apresentaram em meio aos galhos e o tronco da árvore. Vemos também os para-sóis, os mesmos usados pelos nobres do Benin, que massacraram e perseguiram os cultuadores dos voduns. Voduns que são representados por seus símbolos, principalmente de animais, que estão em toda a base da alegoria.

Portela Esp04 004“Eu achei que ela está muito bonita, ela está diferente, não só pela palha, mas a estampa, as raízes na ponta da asa dela. É algo que todo portelense espera, o momento de ver a Águia e saber como é que a Águia vai ficar. E, graças a Deus, os meninos arrasaram. É o grande momento da Portela, só de ver eu já estou emocionada, quando começar o barulho, então, a gente começa a chorar. As expectativas para esse carnaval estão grandes, a escola está muito bonita, todas as fantasias, todos os carros. Eu acho que é para lavar a alma do portelense depois do último desfile. Eu estou na escola desde 2009, quando eu comecei a desfilar mesmo pela aula das crianças, mas eu estou na escola mesmo com a minha mãe desde que eu nasci, desfilei com a minha mãe na barriga, no caso.” Alexandra Cruz Martins de 24 anos, componente da ala dos Voduns, dos irmãos de nascimento.

Mariana Tavares de 40 anos, presidente de ala e componente da Tabajara do Samba comentou sobre a inovação na Águia, o bom trabalho dos carnavalescos e como o Carnaval de 2024 é o respiro que a Portela precisa: “A Águia está diferente de tudo o que eu já vi na Portela nesses últimos anos. Os carnavalescos foram muito felizes na escolha desse enredo. Acho que a Portela estava precisando desse respiro depois do desfile conturbado de 2023. Eu estou muito feliz desfilo pelo pavilhão há 15 anos. Eu estou ansiosa, porque quando é escola do coração a gente fica mais ansioso, mas ao mesmo tempo que eu estou ansiosa, eu estou muito feliz, é uma sensação de dever cumprido. Além da bateria, eu sou presidente de ala também. Então a gente está bem animado e bem apreensivo, mas vai dar tudo certo.“

Sabrina Sato desfila na Vila Isabel com look icônico representando a corrente sanguínea

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Sabrina Sato, rainha de bateria da Unidos de Vila Isabel, é a Corrente Sanguínea que alimenta o nosso corpo e faz o nosso coração pulsar! Em perfeita harmonia com a bateria da Vila Isabel, que vem simbolizando o coração, na segunda noite do Carnaval do Rio de Janeiro.

Desenvolvida por Henrique Filho, a fantasia de Sabrina Sato é uma verdadeira obra de arte com cristais que percorrem seu corpo. Ela simboliza o fluxo de sangue, tornando-o uma representação viva e pulsante do funcionamento do corpo humano.

A pulsante e cadenciada batida do coração não só nos confere vida, mas também dá significado às nossas emoções. Representando amor, alegria e todas as nuances da experiência humana, o coração concentra as nossas sensações.

Com samba-enredo intitulado “Gbalá – Viagem ao Templo da Criação”, a Vila Isabel chega ao desfile da Sapucaí com a missão de fazer todos acreditarem que um mundo melhor é possível. Reeditando um samba de Martinho da Vila de 1993, a Vila aposta numa mensagem positiva para fazer a galera da arquibancada vibrar com uma letra que fala de esperança.

Aposta em uma dupla de jovens artistas encanta componentes da Portela

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Portela Esp03 004Trazendo André Rodrigues e Antônio Gonzaga como seus carnavalescos para 2024, a Portela apostou em renovação. Após contar com nomes como Alexandre Louzada, Paulo Barros e o casal Renato e Márcia Lage em seus últimos anos, a Majestade do Samba foi atrás de novos nomes para realizar o carnaval de 2024, onde trouxe o enredo “Um defeito de cor”, baseado no romance de Ana Maria Gonçalves, que conta a saga de Luíza Mahin. O trabalho dos dois carnavalescos foi elogiado na concentração pelos desfilantes, que gostaram do ar renovado da escola.

Portela Esp03 002Luciane Mourão desfila há cinco anos na escola, e gostou da temática do enredo e da forma que ele foi traduzido nos carros e fantasias: “É falar de ancestralidade, é falar do poder do povo preto, dentro de uma sociedade ainda tão racista. Então a Portela vem, homenageando esse povo preto, reconhecendo quem foram os nossos verdadeiros heróis, e trouxe um carro maravilhoso lotado de mulheres negras. Eu tenho que só agradecer a minha escola por essa oportunidade de participar dessa história, da história desse desfile, desse carnaval”. Ela gostou da reinvenção que a escola se permitiu com os novos carnavalescos e com o enredo: “A gente sai da mesmice, de repente nem é tão importante tantas cores, se a gente tem que retratar o que verdadeiramente é o enredo”.

Portela Esp03 003Henrique Vieira, de quarenta anos, que desfilou pela primeira vez na Águia de Madureira, adorou o trabalho dos carnavalescos, acreditando que é necessária a renovação dos artistas que fazem o carnaval: “Eu, como sempre, admirei a Portela. Para mim está tudo lindo, tudo mais que perfeito. E eu tenho certeza que vai fazer um belo desfile. As alegorias, a história, toda que está sendo contada, falando de Luiza Mahin, Luís Gama, tudo perfeito”.

Portela Esp03 001Leonardo Soares, de vinte e oito anos, desfilou quando criança por muitos anos na escola mirim Filhos da Águia, fez agora o primeiro desfile na escola na escola mãe, explicou o que ele enxergou com o trabalho dos carnavalescos: “O pavilhão tá sempre acima de tudo, dentro de uma escola de samba. E eu acho que o trabalho do André e do Toninho reconheceram o que a Portela é, de tradição. O que é passar desfilando pela Portela, fazer um carnaval de uma escola desse tamanho. A única centenária do carnaval, a maior campeã do carnaval. E conseguiram traduzir isso no enredo, na fantasia, nas alegorias”. Ele que veio no abre-alas, gostou muito da estética trazida por Antônio e André: “Eu achei muito bonito, esperava justamente essa riqueza de detalhes. E eu acredito que o trabalho dos dois carnavalescos, pelos últimos trabalhos que eles tiveram, conseguiram se complementar e trazer um trabalho que ainda assim colocasse a Portela e a estética da escola, aquilo que o portelense gosta de estar acostumado, que é trazer a questão da tradição, do afeto como primeiro plano. Então acho que super casou a proposta do enredo com a escola”.

“Está tudo dentro do conceito da escola, então para mim está tudo impecável, está lindo, maravilhoso, está perfeito. Eu sou um amante da cultura africana, da África, e tudo que traz esse tema para mim eu acho incrível, então mais uma vez eu digo, para mim está impecável, dentro do contexto, está maravilhoso. Foram meses de muito trabalho, mas está lindo, perfeito”, comentou Igor Walterson, de trinta e três, que voltou a desfilar este ano. Ele acredita que a renovação de talentos é boa para o carnaval, dando espaço para que outros carnavalescos possam mostrar suas artes: “Tem espaço para todos, então é sempre bom renovar, inovar, eu acho incrível e dando espaço para pessoas que podem mostrar o seu trabalho como esse que está vindo na Portela”.

Portela: fotos do desfile no Carnaval 2024

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Com samba na boca do povo e brasilidade na veia, Mocidade realiza desfile vibrante, com destaque para canto da comunidade

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Por Luan Costa e fotos de Nelson Malfacini

A Mocidade Independente de Padre Miguel foi a primeira a escola a pisar na avenida na segunda noite de desfiles do Grupo Especial. A verde e branca da Zona Oestou entrou na avenida embalada pelo samba que caiu nas graças do povo, desde as primeiras passadas, ele mostrou que seria o grande protagonista do desfile e foi conduzido de forma espetacular por Zé Paulo, que incendiou a avenida. A apresentação exuberante da bateria “Não existe mais quente” também contribuiu para o desempenho da obra. Apresentações vibrantes da comissão de frente e do casal de mestre-sala e porta-bandeira também foram fundamentais para o bom desfile da escola. Porém, alguns sinais de alerta podem comprometer o sonho da escola de ficar nas melhores posições na classificação final, o principal deles foi a evolução incostante durante todo o cortejo.

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Apresentando o enredo “Pede caju que dou… Pé de caju que dá!”, desenvolvido pelo carnavalesco Marcus Ferreira, a verde e branca da Zona Oeste levou para a avenida história da fruta do cajueiro, suas lendas e curiosidades junto ao povo brasileiro. A agremiação terminou sua apresentação com 70 minutos.

Comissão de Frente

A comissão de frente coreografada por Paulo Pinna foi intitulada “Eu quero um lote, saboroso e carnudo!”, a proposta apresentada buscou dar ao caju caju, o protagonismo brasileiro, foi utilizado a figura de Carmen Miranda para questionar a escolha da banana como símbolo nacional.

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A coreografia utilizou um tripé – em que foi possível ver caixas cenográficas (como lotes de frutos, e daí o título do grupamento de entrada) em que, primeiramente, foi desfilado o ícone historicamente consagrado – a banana, ao longo da movimentação extremamente envolvente, o caju passou a triunfar na cena e se assumiu símbolo nacional. O início da apresentação foi no chão, a coreografia alegre e sensual deixou o público vidrado, o fundo foi preenchido por quatro blocos luminosos. A troca de componentes ocorreu em cima do elemento cênico, lá, a banana foi destronada e deu lugar ao caju. O ápice da apresentação foi quando a Carmen Miranda surgiu na arquibancada, o efeito mexeu com o público.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Mocidade, Diogo de Jesus e Bruna Santos, vestiram a fantasia “Yes, nós temos caju”, a fantasia simulou um caleidoscópio, sobretudo, no momento em Bruna girava, à medida que a dupla se apresentava, o público se envolveu e acompanhou atentamente. A dupla, que a cada ano mostra mais entrosamento, passou pela avenida esbanjando a habitual garra e vibração, extremamente expressiva, a porta-bandeira cantou o samba do início ao fim. A força dos giros de Bruna, assim como o riscado de Diogo foram precisos. O único senão ficou por pequeno detalhe na apresentação da dupla no setor seis, quando a bandeira enroscou no talabarte, rapidamente Bruna contornou a situação.

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Enredo

O enredo “Pede caju que dou… Pé de caju que dá!” foi desenvolvido pelo carnavalesco Marcus Ferreira, o artista levou para a avenida um resgate da sensualidade do brasileira através do enredo sobre o Caju, ele optou por dividir o enredo em cinco setores, sendo eles: “Carne de Caju”, nele foi apresentado o caju (como se ele dissesse “olha eu aqui!”), este brasileiríssimo, a partir de visões/movimentos artísticos do século XX presentes no imaginário coletivo como síntese nacional. O segundo, “Anarcadium Occidentale”, mostrou o caju como “menina dos olhos” antes mesmo de o Brasil ser Brasil e também depois das invasões estrangeiras, o terceiro, “Caju-Rei”, mostrou as árvores extraordinárias que expõem o quanto o caju é um “rei” do torrão verde e amarelo – chão forte, lendas, polêmicas e sabedoria oral.

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No quarto setor, “Mosaicaju”, mostrou como o caju está mergulhado na vida cotidiana brasileira, em aspectos do dia a dia. No fim, o caju e a Mocidade foram retratados como ícones de um gigante país que se olha no espelho e percebe o óbvio: é filho das riquezas do chão e vendedor de prazeres tropicais a céu aberto. Apesar de ser sugerido como um enredo popular, a compreensão do mesmo não foi imediata, a leitura não era clara para quem não estava com o roteiro de desfiles em mãos.

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Alegorias e Adereços

O conjunto alegórico da verde e branca contou com cinco alegorias e três tripés. No geral, a escola não apresentou graves problemas de acabamento, mas alternou teve altos e baixos, tendo como grande destaque a iluminação caprichada.

Na abertura foi apresentado o tripé “Caju Balangandã”, na sequência, o abre-alas “O pecado é devorar” passou pela avenida com muita luz e homenageou cantores do movimento tropicalista como Rita Lee, Gil e Caetano. A tripé, “Que não fique pra semente nem um tasco de mordida”, foi predominantemente verde e as esculturas de grandes cobras passaram com ótimo acabamento. o carro “Tupiniquim caju fruit company – um quiprocó! Virou guerra assumida.”, teve cajus estampados nas caravelas.

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O terceiro carro, “Bosque dos ‘polvos’ sagrados em terras onde tamanho é documento.”, foi uma dos que se destacaram no desfile, o público foi transportado para o fundo do mar e mais uma vez o trabalho de iluminação merece destaque. As últimas alegorias passaram pela avenida com mais simplicidade, mas sem perder o brilho.

Fantasias

O conjunto de fantasias da escola teve a volumetria e paleta de cores como grandes protagonistas, a maioria das alas passou pela avenida com esplendores grandes, mas que não atrapalharam a harmonia dos componentes. O verde e branco permeou todo o desfile, assim como cores mais quentes. Como destaque, vale citar a ala dois, “Breviário do Tropicalismo”, ala oito, “Aracayus – Paraíso Verde das aves” e 13, “Arco e Flecha de Mulungu”.

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Harmonia

A apresentação da Mocidade na noite desta noite foi avassaladora no quesito harmonia, embalada pelo samba-enredo que caiu no gosto popular, a comunidade pisou na avenida disposta a mostrar as qualidades de sua obra. Desde as primeiras alas, até às últimas, o canto foi exuberante, até mesmo alas com fantasias mais pesadas e volumosas cantaram com empolgação, como a ala sete, “Os Olhos de Tamandaré”.

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As alas passaram pela avenida de forma alegre, sensual e vibrante, a presença do intérprete Zé Paulo no carro de som foi parte fundamental para que o conjunto harmônico da escola se destacasse, a vontade, o cantor se entregou do início ao fim. A bateria “Não existe mais quente” também passou pela avenida com extrema segurança, inúmeras bossas foram apresentadas, a principal delas uma paradinha no refrão principal para que o canto da escola se sobressaísse.

Samba-Enredo

A obra de autoria dos compositores Paulinho Mocidade, Diego Nicolau, Cláudio Russo, Richard Valença, Marcelo Adnet, Orlando Ambrósio, Gigi da Estiva, Lico Monteiro e Cabeça do Ajax foi o grande protagonista do desfile apresentado pela verde e branca. O samba possui uma melodia bem moleca, sensual e brejeira, e contagiou a escola desde as primeiras passadas. Letra também possui fácil entendimento, além dos componentes, o público embarcou no delírio febril e fez com que a Sapucaí vivesse uma espécie de catarse. O refrão principal teve grande destaque, sendo cantado com extremo vigor por todos.

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Evolução

A evolução foi quesito mais frágil da Mocidade durante esta noite, o cortejo se mostrou inconstante durante todo o tempo, o principal motivo foi o abre-alas que teve dificuldades para acoplar no início do desfile e mais dificuldade ainda na saída, quando precisou ser serrado para conseguir ir para dispersão. Tudo isso fez com que o início do desfile fosse lento, com algumas alas muito tempo paradas em frente aos módulos de julgamento, com a saída da alegoria, a escola apressou o passou, no fim, a correria foi maior e por pouco a escola não estourou o tempo.

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Outros Destaques

A rainha de bateria Fabíola de Andrade passou pela avenida esbanjando simpatia, em sua estreia à frente da “Não existe mais quente”, a esposa de Rogério de Andrade, patrono da escola, representou em sua fantasia a Cunhã-poranga Jacira. Outro destaque da escola foi Jojo Todynho, cria da Zona Oeste, ela desfilou sob aplausos do público.

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Ritmistas da Portela representaram a liberdade

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Portela Esp02 003A Portela contou a história da luta negra no Brasil e derramou afeto revelando conquistas do povo negro brasileiro, sobretudo, de cada mulher negra desse país ao encontro de raízes do imaginário da mãe Luíza Mahim e de seu filho Luíz Gama. A fantasia dos ritmistas da Tabajara do Samba foi a representação da riqueza maior, a liberdade, através do ouro de Oxum. O figurino em tons de ouro e preto era adornado com espelhos, referência ao Abebé carregado pela entidade. Uma espécie de corda dourada em laço na parte de trás da cabeça dialoga com a obra Oxum, da artista Nádia Taquary, presente na exposição “Um Defeito de Cor”.

“A fantasia, ela está muito luxuosa. Eu acho até que, falando pelos outros ritmistas, correspondeu mais do que a expectativa que a gente esperava. Veio muito bonita, está muito luxuosa e eu tenho certeza do impacto dela. É uma fantasia leve, que não atrapalhou uma pequena coreografia na hora das boças. A gente espera que a gente consiga os 40 pontos, ajude a escola a voltar no sábado, de preferência como a Campeã, porque é isso que a gente está esperando aqui”, comentou Adriana da Silva de 43 anos.

Portela Esp02 006Cristiano Gonzalez de apenas 12 anos, desfilou pela segunda vez com a Tabajara do Samba e não conteve sua emoção ao compartilhar um pouco sobre esse momento para o site CARNAVALESCO: “É a minha segunda vez desfilando na bateria, no Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela e eu estou muito ansioso, só tenho 12 anos e, ao mesmo tempo, também estou muito feliz pela minha escola, eu quero trazer o título para minha escola, para gente continuar no Grupo Especial, ficar em primeiro lugar, porque até então nós temos 22 vezes, nossa estrela está lá no céu. Então, isso que eu tenho para falar, estou muito ansioso e esse ano dá Portela. A fantasia está muito bonita, não está tão quente, está leve, está muito confortável e eu só queria agradecer mesmo estamos representando Oxum, todo o ouro de Oxum.”

A vestimenta luxuosa da bateria foi inspirada em uma história onde Agontimé, buscando mais forças para o culto vodun, reconheceu em Kehinde o vodun de Dúrójaiyé. Ele presenteou Kehinde com uma estátua de Oxum em madeira, para que a deusa da fertilidade pudesse encontrar terrenos férteis. Mais tarde, Kehinde pensou em rifar o presente, pois muitas pessoas estavam interessadas nele. Porém, ao tentar entregá-lo, uma cobra apareceu, fazendo Kehinde arremessar a estátua para se proteger. Foi então que ela percebeu que dentro da estátua havia ouro, o que representava uma possibilidade de liberdade. A cobra foi interpretada como um sinal de Dan, abençoando a união de duas mulheres que praticavam o culto vodun e perpetuariam esse ritual ancestral.

“A fantasia veio muito leve e muito confortável, eu acho que a Portela encontrou a fantasia ideal para todos os ritimistas. A expectativa é que a Portela faça um grande carnaval e venha Campeã, eu já desfilo aqui há 6 anos, é muita emoção”, contou Leonardo de 38 anos.