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Após três enredos mais sérios, Mocidade muda a narrativa e deixa o povo provar

A Mocidade entra leve, tropical e sacana na Sapucaí e os componentes aprovam a nova narrativa da escola

Os últimos três enredos da Mocidade Independente de Padre Miguel, foram com narrativas fortes e densas. A homenagem a maior torcedora da escola, Elza Soares, com o enredo “Elza Deusa Soares”, em 2020, o cortejo ao orixá Oxossi, em 2022, com “Batuque ao Caçador” e no ano passado com o enredo “Terra de Meu Céu, Estrelas de Meu Chão” em homenagem ao artesão Mestre Vitalino. Para 2024, a escola da Zona Oeste entra na avenida cantando sobre uma fruta, o caju.

Para além do samba-enredo chiclete, com uma letra cheia de duplos sentidos e que viralizou, o enredo por si só é de fácil compreensão e transmitiu muita alegria e leveza para a escola, destoando totalmente dos três últimos enredos que a escola apresentou.

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, componentes da Mocidade contaram o que acharam dessa mudança notável de narrativa por parte da escola e se aprovam ou não.

“É ótimo, eu gosto, porque é importante a gente trazer discussões políticas para o carnaval, mas também é importante ter a leveza do caju, por exemplo. Essa coisa da tropicália é bacana, a gente tem que compensar, um pouquinho lá de político, um pouquinho aqui de alegria e leveza. O ponto é sempre mesclar, esse ano a gente vem para a Sapucaí com muita alegria, muita vontade de cantar, dançar, foi ótimo. Deu o que falar e está dando o que falar”, contou a assistente social Gisele Mota, de 37, que desfila há mais de 20 na Mocidade.

Na sinopse do enredo, a escola defende que a escolha do tema tem sua gênese no comprometimento com a felicidade dos que vão consumi-lo, por conta disso, a Mocidade entra na Sapucaí cantando o caju e deixando o povo provar.

Para a chilena, Sandra Gordon, de 52 anos, que desfila na Mocidade desde 2005, é importante ser leve e falar sério no samba.

“Trazer um enredo alegre é uma ideia maravilhosa, porque a Mocidade é isso, é frescura, é uma coisa mais solta. Sempre foi assim. Eu não desfilei há muitos anos atrás, mas os antigos enredos eram isso. A escola vem assim alegre, colorida, leve, cheirosa, como caju. Mas eu acho que os outros enredos anteriores não eram sério, era vida, biografia, era diferente, era outro peso. Essa história do caju é maravilhosa, assim como a da Elza e de Oxóssi foi. Só que era uma biografia e o outro era homenagem, não tem uma coisa pesada, é a vida”, disse a chilena.

A Patrícia Ditaí, de 51 anos, bióloga que chegou a plantar caju com a Mocidade, disse que o enredo do caju é um encontro da Mocidade com a sua essência mais pura e original.

“Essa mudança de narrativa é algo fantástico, isso aqui mexe com os brios do chão da escola. A Mocidade é isso, essa leveza, essa sacanagem. A gente resgata com esse enredo do caju, uma Mocidade que estava meio adormecida. Eu super acredito nesse desfile, eu acho que a gente vai arrasar. Os enredos da Elza e de Oxóssi, foram enredos incríveis, foram desfiles sensacionais. Mas acredito que temos que mesclar mesmo. A Mocidade tem essa coisa da tropicália, tem essa coisa de Fernando Pinto, que tinha toda essa bossa. Isso aqui é um resgate da escola, que é único. É um reencontro da Mocidade com ela mesma”, disse a bióloga.

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