O intérprete Evandro Malandro cantou o samba-enredo da Grande Rio para o Carnaval 2024 no festival Guardiões da Favela. A escola de samba levará para Avenida o enredo “Nosso Destino É Ser Onça”.
Cante com a Vila Isabel: samba para o Carnaval 2024
O intérprete Tinga e a equipe do carro de som da Vila Isabel cantaram para o site CARNAVALESCO o samba-enredo para o Carnaval 2024. A escola de samba levará para Avenida a reedição de “Gbalá – Viagem ao Templo da Criação”.
De sambista para sambista! Segunda edição do festival Guardiões da Favela faz história e conquista público
Um carnaval fora de época. A Cidade do Samba recebeu no último sábado a segunda edição do Guardiões da Favela, organizado pela Acadêmicos do Grande Rio para promover a integração entre as baterias das agremiações. Com 14 horas seguidas de duração, passaram pelo palco do evento 11 escolas do Grupo Especial, três da Série Ouro e duas de São Paulo. Segundo mestre Fafá, que comanda a bateria da tricolor de Caxias e idealizador do festival, o encontro buscou valorizar o espetáculo do carnaval em todo o país e foi abraçado pelo povo do carnaval.

Os ingressos foram vendidos por cerca de R$ 30 e cada agremiação recebeu cerca de 300 a 400. Abraçado pelas coirmãs e aprovado pelo público, a próxima edição do Guardiões tende a ser muito maior. Fafá revelou que a proposta para o próximo ano é dar mais espaço para a Série Ouro e convidar, também, as escolas mirins e da Intendente Magalhães. Segundo ele, a iniciativa é importante para valorizar todo o carnaval brasileiro.
“Acredito que deva ter essa inclusão. Também vamos aumentar o número de escolas do Grupo de Acesso e cada vez mais vamos melhorar a estrutura. Esperamos que se mantenha aqui ou vá para um lugar maior. Tem que ter essa integração não só daqui ou com São Paulo. Acredito que a intenção dos Guardiões é ter uma integração também com o Espírito Santo, Porto Alegre, Manaus, Belém, para mostrar que o nosso carnaval é forte em todos os lugares”, contou o mestre de bateria.
A primeira edição foi realizada na quadra da Grande Rio, em Duque de Caxias, e não comportou o público presente. A partir daí surgiu a iniciativa de buscar um local maior. Fafá acredita que a iniciativa tem o papel de valorizar os ritmistas e mestres de bateria. Imagens de grandes nomes que passaram pela bateria da escola decoravam a Cidade do Samba.
“Hoje, com a Cidade do Samba do jeito que está, vejo que a galera comprou a ideia. O nosso intuito é valorizar os mestres. Colocamos um banner com todos os mestres que passaram pela Grande Rio – só faltou o mestre Maurício, que não conseguimos achar nenhuma foto. Valorizar ritmistas, mestres e diretores é algo que precisa ser feito. É uma galera apaixonada e que se dedica muito. Queria agradecer a todos que ajudaram. Espero que a gente consiga estruturar cada vez mais o Guardiões da Favela”, diz.
Idealizador do festival junto com Fafá, o diretor social da Grande Rio, Mozart Dalua, conta que o planejamento da segunda edição teve início três meses após a primeira.
“A Grande Rio estava condicionada a só fazer ensaio técnico. Daí o Fafá pensou em fazer uma festa. A primeira edição foi um sucesso e a quadra não comportou. Na procura por um lugar maior, chegamos a pensar na Apoteose, mas seria muito grande. Essa edição também foi um sucesso e no próximo ano vamos tentar crescer ainda mais. O espaço é muito bom e tem uma integração além das apresentações”, ressalta Dalua.
De acordo com ele, os paulistas compareceram em peso e representaram quase metade dos ingressos comercializados. Para representar a terra da garoa, foram convidadas a Vai-Vai e o Império da Casa Verde.
Mestre Zoinho, que comanda a bateria do Império da Casa Verde, é um velho conhecido do carnaval carioca. Ele já foi ritmista da Vila Isabel, Unidos da Tijuca e Grande Rio. Na agremiação caxiense, Zoinho chegou a tocar com o mestre Du Gás, pai de Fafá. Ele acredita que a integração entre as baterias representa a luta por um mesmo ideal.
“Considero algo muito importante. Frequento o carnaval do Rio há 23 anos e participo de várias baterias. Estar com a minha bateria fazendo parte dessa festa me deixa muito honrado. A festa é muito boa e o que vale é a integração da galera. São todos juntos lutando pelo mesmo ideal”, comenta o mestre da ‘Barcelona do samba’.
O mestre Nilo Sérgio, que comanda a bateria da Portela, também acredita que festivais como o Guardiões da Favela contribuem para a integração entre os ritmistas. Para ele, as apresentações contribuem, de certa forma, no preparo para a Marquês de Sapucaí.
“Até mesmo para o público saber como as baterias vão se apresentar no dia do desfile. Também ajuda para o pessoal saber o samba e isso é muito importante. A avaliação é positiva. No ano passado tiveram alguns erros, mas acredito que eles acertaram. Precisamos dessa festa”, afirma o mestre da Tabajara do Samba.
Por parte dos ritmistas, a única reclamação foi o extenso horário de duração. Ao CARNAVALESCO, alguns mestres afirmaram que o festival foi aprovado e é muito importante para o carnaval, mas sugeriram que ele seja dividido em dois dias.
Público aprova
O público presente aprovou a segunda edição do Guardiões da Favela. Na ‘invasão’ paulista à Cidade do Samba teve até mãe e filha apaixonadas pelo carnaval carioca. Ivete Tamagnini, 64 anos, empresária e torcedora da Beija-Flor, e a filha Mariani Tamagnini, 41 anos, arquiteta e mangueirense, vieram de Peruíbe para acompanhar o festival. Para Mariani, o encontro foi ‘incrível’.
“Eu amei. Vale cada centavo e cada suor. Ano passado nós fomos na Grande Rio, e como era a primeira edição, algumas coisas precisavam ser acertadas. Neste ano eles se superaram e realmente mandaram muito bem. Com certeza, volto no ano que vem”, diz.

Ela conta que o amor pelo carnaval do Rio de Janeiro começou desde cedo, porque os pais tinham uma escola de samba na cidade de Mongaguá. Por influência de um amigo, se apaixonou pela Estação Primeira de Mangueira.
“Meus pais eram carnavalescos de Mongaguá (São Paulo) e sempre teve essa coisa das agremiações do Rio de Janeiro serem o olimpo das escolas de samba. Um colega meu era um mangueirense fanático e apaixonado pela Mangueira, daí eu me apaixonei pelo amor dele”, conta.
Já a mãe, Ivete, comemora seu aniversário nesta semana e ganhou a viagem como presente da filha. Também apaixonada pelo carnaval, ela comandou a Veneno, uma antiga escola de samba de Mongaguá. “Última vez que eu vim para o Rio foi em 1996, quando desfilei pela Beija-Flor. Eu não conhecia a Cidade do Samba. Hoje, quando cheguei aqui, fiquei chorando por meia hora”.
Águia de Ouro mostra leveza e bateria potente em ensaio para o Carnaval 2024
Por Will Ferreira e Fábio Martins
No pensamento da grande maioria das pessoas, carnaval é sinônimo de alegria e felicidade. É com esse espírito muito em alta que o Águia de Ouro fez o Ensaio Geral da agremiação no último domingo, na Zona Oeste de São Paulo. A agremiação, oriunda do bairro da Pompeia, demonstrou muita leveza na apresentação. Dentre os segmentos, destaque para Harmonia, Evolução e Bateria. É importante destacar também que o samba-enredo, contestado por jornalistas e algumas pessoas do meio do carnaval, correspondeu muito bem a tudo que foi proposto.

Comunidade valente
Dentre componentes da escola, havia o temor de que o ensaio do último domingo não tivesse grande contingente de pessoas. A garoa tipicamente paulistana que caiu durante todo o dia e a emenda de feriado poderia afastar muitos componentes da agremiação. O receio, entretanto, não se confirmou. Se a quadra não estava lotada, ela tinha grande número de pessoas – é importante destacar que o espaço para eventos do Águia é uma das maiores da cidade de São Paulo.
Dentre os segmentos, um dos que mais levou componentes foi a bateria. Comandante da Batucada da Pompeia, mestre Juca, se recuperando de um acidente automobilístico, aproveitou para falar sobre o trabalho desenvolvido pela equipe comandada por ele e executada por diversos ritmistas – incluindo uma mudança que está em execução e foi iniciada já no ciclo anterior. “A gente está fazendo um trabalho mais específicos com as caixas-de-guerra. No ano passado nós fizemos uma mudança na levada da nossa caixa, esse é o segundo ano e estamos mais em cima nesse ano para não correr nenhum risco. Mas o trabalho não mudou muita coisa, não. Foi só as caixas, mesmo. O samba de 2024 é bem fácil, como era o do ano passado. Já estamos trabalhando no andamento do samba e fazendo o que sempre fizemos: as paradinhas do samba, as bossas e colocar a galera para fazer o melhor na avenida. As afinações são as mesmas de sempre. É muito fácil trabalhar na bateria do Águia porque ela é muito da casa, não tem muita gente de fora. O pessoal já sabe qual é o caminho do trabalho, sem muito problema”, exaltou.
Com um ritmo tão forte advindo dos instrumentos, não é de se estranhar que o samba-enredo também tivesse destaque. Na opinião dos intérpretes, o grande trunfo da canção é a leveza. Douglinhas comentou utilizando a senha universal da felicidade. “Esse samba é impossível de cantar triste. É um samba que é alegre, é um samba feliz. Quem estiver cantando o samba vai estar cantando com sorriso no rosto, pode ter certeza. É isso que, pelo menos desde a primeira vez, é essa impressão que me passou”, comentou.
Mais uma vez em dupla, Serginho do Porto concordou com o companheiro. “Hoje em dia, a gente precisa sair do normal, do óbvio. Essa coisa do samba natural que fica aquela coisa presa. A gente precisa de um samba mais alegre. O carnaval está perdendo a sua essência, ele está chegando na rota do fim porque você só escuta samba engessado. É aquela mesma coisa, é a mesma divisão, parece que você já ouviu aquele samba passar dez vezes na avenida. Então, a gente precisa de alegria, é um samba alegre. O carnaval é uma alegria. Eram três, agora são cinco dias que a gente aproveita pra viver como reis e rainhas. É esse momento que a gente precisa, um momento de alegria. E o Águia sabe desfilar. E ela, quando vem com samba que mexe com o povo, você sabe que dá resultado”, afirmou.
Visões distintas
Antes do ensaio, a reportagem conversou com Sidnei Carrioulo, diretor de carnaval e presidente da agremiação. Ao perguntar o que o mandatário considerava que poderia ter uma melhora, teve dele uma resposta surpreendente. “Acho que o chão da escola ainda não está no nível que a gente costuma sair, e isso me preocupa. O chão da escola sempre foi o nosso diferencial – e, até consultando alguns outros presidentes, outros colegas da gente da escola, percebemos que está meio complicado a questão do componente. Não está a mesma coisa que era antes da pandemia. Nós estamos meio que atirando um pouco mais nesse sentido, de que a gente melhore mais o chão da escola, que a vibração seja maior e as pessoas tenham um pouco mais de tino de disputa do carnaval. Isso é o que eu acho que a gente precisa melhorar, e estamos trabalhando para isso”, lamentou.
Ao começar a atividade, entretanto, o que se viu foi uma comunidade bastante atenta e extremamente participativa. Com danças até mesmo para os alusivos e cantando em bom som, diversas alas estavam coreografadas (com destaque para o refrão do meio, ‘É gol, é gol, é gol/A torcida vai delirar, olê olá’) e todas evoluíram em andamento uniforme, sem sobressaltos.
Um dos pontos que a comunidade da Pompeia mais respondeu foi em um momento destacado por mestre Juca em entrevista. “A temática de rádio inspirou a bateria, sim. Temos uma bossa depois do refrão do meio que foi inteiramente inspirada no rádio. Temos algumas variações de levada e mudamos de ritmo justamente pelo fato do rádio ser muito musical”, afirmou.
Se, em um primeiro momento, Sidnei confessou algo que o incomodava, a escola está em um bom caminho no cômputo geral, de acordo com o próprio. “Primeiro que às vezes eu até passo do limite da sinceridade, quando está ruim eu falo que está ruim mesmo. Mas não é esse caso. As coisas estão se encaixando, o carnaval está ficando, além de plasticamente muito bonito, perfeitamente encaixado. É um enredo que até me surpreendeu, na verdade. Lá no começo fizemos uma pesquisa que foi legal; fizemos o projeto… mas, com o decorrer do tempo, se aprofundando mais, ouvindo mais pessoas que vivem do rádio, pessoas que são apaixonadas pela história do rádio, a gente foi conseguindo abranger um pouco mais essa coisa maravilhosa que é o rádio. Acabei me apaixonando pelo rádio, essa é a verdade. Está sendo um belo carnaval, acho que vai ser uma grande surpresa e um grande desfile esse ano”, finalizou.
Para aguçar a curiosidade
Quesitos plásticos não podem ser avaliados em um ensaio geral, já que eles só serão revelados ao público no dia do desfile. E, na visão de Sidnei, são justamente eles que, até aqui, são o ponto alto da alviazul da Zona Oeste. “Plasticamente eu fiquei admirado, nosso grande trunfo é a plástica desse carnaval. Quando a gente começou, vimos que o rádio tem uma coisa muito muito interessante: ele te obriga a montar uma imagem, porque ele está falando e você está viajando na imagem da sua cabeça. Uma coisa muito interessante é comparar com a televisão: o rádio, se você deixar de ouvir um pouquinho, você perde o fio da meada; a televisão não, seu subconsciente está vendo a imagem. Eu fiquei preocupado com isso no começo, mas depois as coisas foram ficando tão claras (a história do rádio, onde o rádio foi importante e etc), que plasticamente ficou muito gostoso. Foi muito legal, eu faria até mais um desfile sobre o tema, porque são tantas coisas, que hoje a nossa preocupação também é não abrir muito leque – para não conseguir fazer a história completa. Plasticamente eu acho que, você vai bater o olho e você vai identificar tudo no nosso carnaval. É legal, eu gosto disso, particularmente. Ver uma alegoria e saber o que ela representa, identificar a fantasia com mais facilidade, porque eu não preciso estar explicando muito o que é aquilo. É nesse sentido que eu estou apaixonado por esse carnaval”, revelou.
Tal sensação não é apenas do grande nome do Águia. Lyssandra Grooters, porta-bandeira da agremiação, também gostou do que viu relacionado à fantasia que será utilizado por ela. “Já vimos o desenho da fantasia há uns dois meses, e está incrível. Estamos fazendo algumas adaptações, já que, às vezes, no desenho é lindo, mas, na prática, não funciona. Está tudo fluindo, a roupa já está sendo confeccionada e estamos muito felizes com o resultado. Já tivemos a parte da costura, que já está pronta. Agora, estamos entrando com a decoração – que, daqui há uns quatro dias, a gente já experimenta toda bordada, com cabeça e tudo. A nossa fantasia está bem adiantada, e o bom do Águia de Ouro é isso: eles dão muita prioridade para o quesito, e o casal de mestre-sala e porta-bandeira tem a roupa pronta com muita antecedência – o que nos dá muita tranquilidade”, detalhou, também falando por João Camargo, mestre-sala da instituição.
Sem problemas com o novo regulamento
Tema muitíssimo quente no universo carnavalesco da cidade de São Paulo, o novo regulamento não assusta os componentes do Águia de Ouro. A começar pela dupla de intérpretes, que destacou o trabalho feito nas folias Brasil afora para explicar o motivo pelo qual tal assunto não é algo desestimulante. “A novidade é um décimo de carro de som, né? Eu acho que vai estar tranquilo, porque a gente já vinha fazendo esse trabalho há outros anos. No Carnaval de São Paulo, não vai pegar ninguém de surpresa. Os carros de som de São Paulo, do Brasil em geral, todo mundo se preocupa muito com a parte harmônica, com a parte melódica. Então, acredito que não vai ter surpresa nenhuma assim”, comentou Douglinhas.
Serginho do Porto aproveitou para exaltar a parceria com o companheiro para falar a respeito. “A gente já vem trabalhando há bastante tempo juntos. Eu e o Douglinhas, se a gente somar tudo aí, lá se vão 24 anos de parceria. Lá se vão 24 anos, desde 2000. A gente sabe o modo de cantar, a gente sabe o jeito que tem que ser feito. E a gente ainda tem ainda a direção do nosso querido Pelé, que temos a tranquilidade em fazer um desfile maravilhoso. A gente sabe onde é que está a respiração, onde um vai dar capo, onde o outro não faz. Tem um time que já trabalha junto há muito tempo, então isso facilita”, pontuou.
Apesar de classificar as mudanças como não tão tranquilas, Lyssandra destacou o novo regulamento ao falar do ritmo de ensaios da dupla que ela protagoniza juntamente com João Camargo. “A nossa frequência de ensaios não mudou, seguimos na mesma pegada do ano passado. Nós, porém, estamos mais criteriosos por conta da mudança no julgamento. Estamos adaptando e pegando firme em cima de determinados pontos. No ano passado, perdemos décimos pelo fato do pavilhão não ter aberto, e estamos focando nisso. Quanto ao regulamento… ele está mais desafiador, sim. Bastante. Agora, está entrando a questão de dança, mesmo. O casal terá que vir dançando e mostrando algum diferencial em cima do regulamento. Antes, estávamos muito mais engessados: não podíamos avançar. Agora, temos a liberdade de montar um conjunto de dança melhor, com mais critérios, podendo mostrar nossa potência na dança”, finalizou.
Veja mais fotos do ensaio
Bateria da Imperatriz se destaca e colabora com alto rendimento do canto em ensaio de rua fresco no clima, mas quente no samba
Em um fim de semana bastante atípico no Rio de Janeiro, com diversos eventos e uma situação de calor extremo no sábado e previsões de tempestade, a Imperatriz lavou a alma e se viu abençoada com um segundo ensaio de rua realizado no final da tarde do último domingo em Ramos que pela qualidade confirma a intenção da escola em brigar para continuar no topo em 2024. Se havia o temor com a possibilidade de um volume intenso de chuva para o domingo, que poderia até ameaçar o treino, a Imperatriz iniciou seu treino ainda no seco e com a temperatura bastante agradável que ajudou na evolução. A chuva mais intensa no final foi mais um ingrediente para temperar um ensaio alegre, com o samba mais uma vez dando o recado e a “Swing da Leopoldina”, de mestre Lolo, apresentando todo o seu arsenal de bossas e convenções e convocando a comunidade e componentes a aproveitar o clima de samba e seresta cigana.
Em uma das convenções, os ritmistas tocavam em uma pulsação mais parecida com seresta, destacando bastante os surdos, depois a bateria secava justo no trecho “ao som do violão e violino”, com o cavaquinho fazendo a intenção do violino, a bateria secava para valorizar o canto e voltava em alguma chamada que algumas vezes era de repique já com muita força e potência. Sobre o trabalho realizado para este treino, mestre Lolo revelou que a Swing da Leopoldina ainda tem alguma surpresa para levar para a Sapucaí, mas que procurou trazer para o ensaio já o grosso do trabalhado baseado no que pede o enredo para o samba deste ano.

“Tudo o que vocês puderam acompanhar aí é o que vai para a Avenida, mas tem uma surpresinha que eu vou botar só na Avenida mesmo, mas o ensaio é isso aí mesmo, sem tirar nem pôr essas paradinha que colocamos hoje. Tem a bossa da seresta, é o que pede o enredo, trabalhamos dentro do tema, ano passado colocamos a zabumba, em 2022 teve o pagode, e esse ano tínhamos que inventar alguma coisa. A gente já está estudando e vai fazer. Não adianta a gente só fazer por fazer. tem que ter relação com o enredo”, explica o comandante dos ritmistas da Leopoldina.
André Bonatte, diretor de carnaval ao lado de Mauro Amorim, analisou mais um treino da Imperatriz Leopoldinense e elogiou o teste em comparação com o primeiro, considerando a Rainha de Ramos em uma condição de trabalho mais evoluída do que a própria escola estava neste período na preparação para o carnaval passado.
“Eu acho que o processo é crescente, acho que a gente fez um bom ensaio inicial , acho que com a partida inclusive melhor que em 2023, foi uma boa largada na semana passada, e hoje acho que isso se consolidou. Mesmo com a chuva que a gente sempre fica apreensivo porque poderia ser um temporal e essas questões que sempre preocupam, mas acho que a comunidade se fez presente, gostei mais do canto que na semana passada, mas eu sempre acho que tudo pode melhorar, são condições de trabalho que a gente vai a cada semana acrescentando um ou outro elemento, mas eu vejo a escola pronta para ir para a Avenida hoje, tranquilamente”.
Em 2024, a Imperatriz vai levar para a Sapucaí o enredo “Com a sorte virada pra lua segundo o testamento da cigana Esmeralda”, do carnavalesco Leandro Vieira. Buscando o bicampeonato, a Verde e Branca de Ramos irá encerrar a primeira noite dos desfiles do Grupo Especial. No próximo domingo, 26 de novembro, a escola vai realizar mais um treino na rua.
Comissão de frente
O coreógrafo Marcelo Misailidis levou para este novo treino na rua seis casais de bailarinos com as mulheres tipicamente portando uma saia e um lenço na cabeça que remete às roupas das ciganas. O grupo apresentava passos típicos das danças ciganas e apresentou uma coreografia de deslocamento já bastante interessante. Na representação da apresentação para a cabine, os dançarinos optaram de forma mais intensa por uma coreografia mais dançante, sem entregar muito das surpresas preparadas, mas com sincronia, beleza e intensidade, alternando entre passos mais de casais e outros mais coletivos. O efeito das saias e um momento em que as bailarinas eram erguidas no alto pelo par foram os pontos altos e de maior destaque da exibição.
Mestre-sala e Porta-bandeira
Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro formam um casal que com certeza experimentam o tempo todo uma intensa troca a partir das características de cada um. No ensaio de hoje havia a intensidade de Phelipe com a delicadeza nos movimentos de Rafaela, mas que acompanhavam a velocidade do mestre-sala sem perder sua originalidade. Logo no início de uma apresentação no lugares onde estavam representados as cabines, Rafaela entrava na coreografia com muita potência em suas giradas, mas ao mesmo tempo com muita eficiência nos movimentos. Phelipe com sua intensidade e técnica nos passos, cortejava a porta-bandeira sempre com muita elegância, representando como a dupla faz bem um para o outro e formam um grande time que só fortalece o quesito. Importante destacar que o casal não pareceu em nenhum momento ter a intenção de se poupar na rua, entregando tudo e sendo bastante aplaudidos nos movimentos.
Harmonia
O canto mais uma vez foi um dos destaques do treino. Se o samba juntado, de forma inédita na escola, poderia gerar alguma apreensão, até mesmo tem termos de aprendizado, pois aconteceram alterações para que as duas obras se unissem de forma eficiente, neste segundo treino mais uma vez a comunidade cantou de forma satisfatória, com alegria, com espontaneidade e pode-se perceber também uma boa resposta do público que acompanhava o treino. Um destaque era o mestre-sala Phelipe Lemos que além de cantar bastante a música também a todo momento inflamava os componentes com gritos de incentivo, principalmente nos deslocamento entre os pontos que representavam as cabines. O carro de som também foi um destaque com o equilíbrio e a eficiência no trabalho de cavaquinho dando a intenção do violino nas bossas que chamavam o verso do samba “ao som do violão e violino”. Pitty mais uma vez mostrou bastante domínio da situação e trouxe vozes de apoio bem afinadas, ensaiadas e sabendo tirar o melhor da obra. O diretor geral de harmonia da Imperatriz Leopoldinense, Thiago Santos, avaliou que o canto da escola teve um bom rendimento mais uma vez e que isso corrobora a decisão da escola de fazer a junção da obra de duas parcerias na final.
“A gente sempre acreditou que ia dar certo, são muitos profissionais de excelência, a gente ficou muito tempo no estúdio, fizemos muitas reuniões, e a gente sabia que isso ia dar certo, que o samba ia ser muito popular porque os dois pedaços que se juntaram e hoje são um samba só, a gente sabia que eram as partes mais incríveis dos samba e elas se encaixavam. Eram obras do mesmo tom, então muita coisa estava caminhando para chegar nisso, e a confirmação está aí. O samba está sendo muito bem cantado, já foi muito bem cantado ontem no evento Guardiões da Favela, e aqui, até por gente que não é da escola, e a gente está muito feliz, tem muita coisa para vir ainda, acho que a gente vai melhorar mais ainda, e a gente começou esse ano da mesma forma que terminamos o ano passado, a gente já conseguiu botar muita gente na rua já no início do processo, e a tendência é isso melhorar”.
Evolução
Em um ritmo bem fluido, sem correria, e com as alas bem definidas, a Imperatriz evoluiu com muita alegria pela Rua Euclides Faria até a altura da esquina com a Rua Doutor Miguel Vieira Ferreira. Pode-se perceber, principalmente nas primeiras alas, alguma propensão para as coreografias, mas tudo acontecia de forma bastante espontânea, porém organizada e com algum sincronismo traduzindo uma verdadeira festa cigana pelo bairro. As saias de algumas alas produziam um bonito efeito e traziam colorido. Aliás, o colorido não se viu só na saia mas em outros adereços pelos componentes como balões, leques e alguns panos. O sincronismo também se via em uma bossa nas palmas muitas vezes puxada desde a comissão de frente no ritmo de seresta bem cigana mesmo. A comunidade vinha junto neste momento. No geral, não se viu buracos e nem alas se chocando ou embolando, a escola manteve seu padrão alto no quesito trazido desde o último carnaval. Alguns trechos da letra eram pontuadas por pequenas coreografias como no verso “Olhei o céu” em que os componentes olhavam para cima com os braços abertos ou no trecho “Vai clarear” em que os foliões levantavam e mexiam os braços.
Samba-enredo
Como citado em harmonia, o samba mais uma vez passou muito bem no canto e não só sendo importante para o quesito harmonia e para o próprio quesito samba-enredo, mas claramente puxando também a evolução dos componentes que se mostraram bastante entrosados com a obra e felizes no ensaio. Um ponto importante a se destacar mais uma vez foi o trabalho desenvolvido pela bateria de mestre Lolo em cima da obra, respeitando a melodia e colocando um molho na música que deixou ela muito confortável e agradável de cantar, gostosa de se brincar, mas mantendo a força nos trechos necessários. Destaque, claro para o refrão “Vai Clarear…”, mas também pelo trecho final da segunda estrofe nos quatro últimos versos “Prenúncio da sina da minha escola/O sol beija a lua no espelho do mar/já está marcado no meu calendário/Verde-esmeralda é vitória que virá”. Sobre o rendimento do samba, o que ele já vem proporcionando para a escola e o trabalho da bateria em cima da obra, André Bonatte afirma estar surpreso com a fácil assimilação da música pela comunidade.
“Eu achei que esse ano ia ser o maior desafio da minha história na Imperatriz porque pela primeira vez a escola fez uma junção de sambas e uma boa surpresa é que o samba foi muito facilmente assimilado pela comunidade. Eu acho que esse é inclusive um dos pontos fortes deste samba, porque consegue ser uma obra de fácil assimilação e ao mesmo tempo sendo uma composição bonita e poética. Acho que a comunidade consegue cantar ele com bastante facilidade, e sem dúvida nenhuma, um dos motivos principais pela junção do samba também foi essa condição harmônica que essa união poderia proporcionar junto a bateria. Quando se pensou nessa junção, o Lolo que participou do processo também já tinha os desenhos rítmicos pensados. É uma coisa que vem sendo pensada ao longo do tempo e hoje a gente só está consolidando um trabalho que já vinha sendo feito”, explica Bonatte.
Outros destaques
Antes da arrancada, em seu discurso, o diretor executivo da Imperatriz João Drumond prestou homenagem a Soninha, colaboradora e responsável pela boutique da quadra, e pelo ritmista da Swing da Leopoldina, Jefão, que faleceram esta semana. A rainha Maria Mariá, mais uma vez, veio acompanhada de crianças, esbanjando simpatia e samba no pé trajada bem a vontade com um top verde e um short jeans. Na bateria de mestre Lolo pode-se notar a presença de Caliquinho, ex-mestre da São Clemente, entre os diretores.
Outra que mostrou muito samba no pé foi a musa Tati Rosa, recém promovida ao cargo este ano depois de representar a escola no concurso da corte do carnaval carioca. A beldade que já foi coordenadora da ala de passistas foi uma das mais festejadas pelo público, por onde passava neste desfile da escola. No esquenta deste ensaio foi a vez da comunidade relembrar o samba de 2022 em homenagem ao carnavalesco Arlindo Rodrigues, obra que marcou a volta da agremiação ao Grupo Especial, após passar e ser campeã pelo Grupo de Acesso em 2020, importante etapa desse momento de reestruturação da Rainha de Ramos que tem até agora no seu clímax o título do carnaval passado.
O ensaio teve pouco mais de 1h de duração, com bom contingente, bom público e com a participação da maioria dos segmentos, além da diretoria representada principalmente pela presidente Cátia Drumond e o diretor executivo João Drumond.
Debaixo de chuva, comunidade da Portela mostra o seu valor e bateria faz espetáculo
Sob uma chuva persistente, centenas de componentes portelenses lotaram a Rua Carolina Machado, na noite desse domingo, para realizar o segundo ensaio de rua da Majestade do Samba visando o Carnaval de 2024. O treino teve início por volta das 19h40 e durou uma hora exata. O percurso realizado pela escola começou próximo à entrada da estação de trem de Oswaldo Cruz e terminou na esquina da Rua Clara Nunes. Os desfilantes enfrentaram diversos desafios provocados pelo mau tempo, como o acúmulo de água no chão, e outros originários da própria pista, entre os quais a falta de iluminação em alguns trechos da via. Essas adversidades poderiam ser sinônimos de uma apresentação problemática da agremiação, porém o que se viu foi um chão aguerrido, marcado pela superação dos componentes. Nem mesmo o não comparecimento de nomes importantes como o intérprete Gilsinho, o mestre-sala Marlon Lamar e dos integrantes da comissão de frente tiraram o brilho da passagem da azul e branca de Oswaldo Cruz e Madureira, que viu o seu hino oficial para o ano que vem ter um bom rendimento embalado pela excelente performance da bateria “Tabajara do Samba”.
“Gratidão a todos os portelenses que puderam vir nesse domingo, que estiveram conosco na rua, porque teve a questão da chuva, teve a questão do tempo, mas a comunidade se fez presente mesmo assim. Em nenhum momento foi fraco o ímpeto e a força de canto portelense. Então, é disso que a gente está falando. Trata-se de um processo, onde etapa após etapa vamos cada vez mais cantar com força, evoluir com força. Fizemos o ensaio em uma rua que nos oferece uma técnica melhor, realizamos as cabines, balizamos um tempo que a gente entende que é bastante interessante para desfile e isso só acontece porque nós temos uma escola que, em uma situação climática como essa, comparece e representa com orgulho esse pavilhão. Todos nós estamos fazendo um processo de construção cada vez melhor. É sobre a Portela como um todo, sempre”, afirmou o diretor de Carnaval, Junior Schall, em entrevista concedida depois do ensaio de rua para a reportagem do site CARNAVALESCO.
No ano que vem, a Portela será a segunda escola a desfilar no Sambódromo da Marquês de Sapucaí na segunda-feira de Carnaval, dia 12 de fevereiro, pelo Grupo Especial. A agremiação irá em busca do seu vigésimo terceiro título de campeã da folia carioca com o enredo “Um Defeito de Cor”, desenvolvido pelos carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga. Baseado no romance “Um Defeito de Cor”, da escritora Ana Maria Gonçalves, a proposta é trazer uma outra perspectiva da história, refazendo os caminhos imaginados da história da mãe preta, Luisa Mahim.
Samba-enredo
Após uma disputa equilibrada e marcada pelo bom nível dos concorrentes, a Portela escolheu, no início de outubro, a obra assinada por Wanderley Monteiro, Rafael Gigante, Vinicius Ferreira, Jefferson Oliveira, Hélio Porto, Bira e André do Posto 7 como hino oficial da agremiação para o Carnaval de 2024. A partir dessa definição, a composição, que despontou como uma das mais elogiadas da safra do Grupo Especial, passou a ser trabalhada em eventos na quadra, como os ensaios de canto, até ganhar as ruas de Oswaldo Cruz e Madureira neste mês. E mesmo com a ausência do intérprete oficial Gilsinho, o samba-enredo conseguiu ter um excelente rendimento neste segundo treino a céu aberto.

O cantor Niu Souza, que comandou excepcionalmente o microfone principal, se saiu bem no desafio e mostrou segurança na condução. Ele soube explorar, junto aos demais integrantes do time de apoio, a riqueza melódica do samba, sem que este ficasse arrastado ou cansativo. Todavia, é importante ressaltar que a bateria “Tabajara do Samba” desempenhou papel crucial para que isso fosse possível. Com um andamento cadenciado e a qualidade já característica, os ritmistas comandados pelo mestre Nilo Sérgio deram um verdadeiro show na Rua Carolina Machado e foram responsáveis por não deixar nenhum dos presentes ficarem parados durante a passagem da Majestade do Samba, sejam eles somente moradores curiosos assistindo no portão de casa ou os próprios segmentos da escola enquanto desfilavam. O feito desencadeou um reflexo positivo no canto da comunidade e na evolução, contribuindo que o bom ânimo se mantivesse principalmente nos momentos em que a chuva castigou com mais força.
Harmonia
A comunidade da Águia Altaneira não se abateu com as adversidades geradas pela chuva e fez bonito no quesito harmonia na noite desse domingo. Com a letra na ponta da língua, os componentes entoaram o samba-enredo com bastante afinco. O trecho de maior rendimento foi justamente o refrão principal, cujo os versos “Saravá Keindhe! Teu nome vive!/Teu povo é livre! Teu filho venceu, mulher!/Em cada um de nós, derrame seu axé!” foram berrados por uma boa parcela das pessoas que estavam no local. Além dele, o refrão do meio, “Salve a Lua de Bennin/Viva o povo de Benguela/Essa luz que brilha em mim/E habita a Portela/Tal a história de Mahin/Liberdade se rebela/Nasci quilombo e cresci favela”, também teve uma boa performance e se destacou pela força do canto. Em contrapartida, outras partes da obra foram pouco entoadas ou em menor volume como “Me embala, oh! Mãe, no colo da saudade/Pra fazer da identidade nosso livro aberto” e “Sagrado feminino ensinamento/Feito águia corta o tempo/Te encontro ao ver o mar/Inspiração a flor da pele preta/Tua voz, tinta e caneta/No azul que reina Yemanjá”, ambas presentes na primeira estrofe. Falando das alas propriamente, um canto mais aguerrido foi observado em desfilantes de todas elas, só variando a quantidade deles dentro daqueles determinados contingentes. A primeira e a terceira ala do treino a céu aberto, assim como as duas últimas, acabaram sendo as que mais chamaram atenção positivamente nesse sentido.
“O samba é muito potente como um todo. Em toda a obra musical, você tem um trabalho, que é contínuo, para conseguir obter um maior rendimento. Esse trabalho não vai só pela questão do canto, mas pela evolução, espontaneidade, o balanço de uma escola. Nós estamos buscando isso na rua, mas também nos ensaios de quarta-feira de canto. A Portela está ensaiando muito, com um calendário muito bom de treinos, para termos o melhor aproveitamento em cada parte. Interessante é que nós estamos naquele processo, como um todo, em que componentes tomam o samba para si. Ele passa a ser do desfilante, que o explora nesse espaço da melhor maneira possível. E com certeza, nesse momento, até pela característica dos refrões, eles são os pontos de ápice. O nosso trabalho agora é trazer para o máximo de posicionamento bom, efervescência, pulsação, força de canto, todas as partes do samba. É uma obra muito boa, formidável, que narra bem o enredo e que toca o coração e a alma do componente portelense”, ponderou Junior Schall durante conversa com a reportagem do site CARNAVALESCO.
Evolução
A Majestade do Samba definitivamente não quer cometer os erros do passado e esse segundo ensaio de rua na temporada para o Carnaval de 2024 serve como um exemplo dessa máxima. Debaixo de uma chuva que perdurou todo o período de apresentação, os componentes da azul e branca de Oswaldo Cruz e Madureira demonstraram bastante garra para superar todos os percalços, que incluíram desde bolsões d’água no caminho até mesmo a pouca iluminação do trajeto. Mesmo nos momentos de maior aguaceiro, os desfilantes mantiveram a empolgação, cantando o samba, vibrando, abrindo os braços e pulando. Apesar das ausências da comissão de frente e do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, houve a simulação das paradas técnicas nas cabines de jurados. Por conta disso, o ritmo de desfile da escola oscilou trechos de lentidão com outros de maior agilidade. No entanto, isso não acarretou falhas mais graves no quesito como a abertura de buracos ou o embolamento entre alas. Além disso, a bateria também realizou o recuo e conseguiu fazer as manobras de maneira tranquila, sem passar por grandes transtornos.
Bateria
O grande destaque desse segundo ensaio de rua da Portela na temporada para o Carnaval de 2024. Nem mesmo a chuva persistente foi empecilho para uma performance inspirada dos ritmistas liderados pelo mestre Nilo Sérgio. Ao todo, duas bossas, além de duas nuances, foram executadas no decorrer da passagem pela Carolina Machado, o que animou os desfilantes e os espectadores que se aglomeraram nas calçadas apertadas. A presença de atabaques e a ênfase dada à ala dos agogôs foram alguns dos pontos que se sobressaíram, assim como o andamento adotado pela “Tabajara do Samba”. Ao longo de uma hora de treino ao ar livre, o metrônomo registrou entre 144 e 145 BPM (batidas por minuto), o que permitiu preservar as características originais do hino oficial da agremiação para o ano que vem, assim como da própria bateria da Majestade do Samba.
“O balanço desse ensaio é positivo, até porque serviu para ver como nos sairíamos em uma situação adversa. Se no dia do desfile estiver chovendo, a gente vai ter que ir de qualquer forma. Além disso, foi bom poder ter uma noção daquilo que desenvolvemos desde o primeiro ensaio, checar se vamos ou não tirar e colocar alguma coisa… Por tudo isso, o treino desse domingo era muito importante para a gente prosseguir o trabalho. Limpamos o que tinha que limpar na semana passada, limpamos na quarta, e hoje praticamos na rua. E essa semana agora já vou botar outra bossa, outro veneno, e assim vai. Portanto, o ensaio de rua foi muito importante sim, independente de chuva ou não. Pode até ter atrapalhado a afinação, mas em matéria de pegada, continuou tendo a mesma. E só aconteceu porque a gente não estava preparado. Pensávamos que ia chover e ia parar rápido, ou então não ia ter ensaio, por isso não botei o plástico nos instrumentos. Mesmo com esse ponto, o resultado foi muito bom, muito positivo”, avaliou o mestre Nilo Sérgio em conversa com a reportagem do site CARNAVALESCO, logo após a conclusão do treino.
Outros destaques
Prestes a fazer seu sétimo desfile no cobiçado posto à frente dos ritmistas da azul e branca da Oswaldo Cruz e Madureira, Bianca Monteiro já se tornou uma figura quase que dissociável da “Tabajara do Samba”. Em uma noite de ensaio de rua na qual a bateria roubou a cena, a beldade não ficou de fora dos holofotes e também se sobressaiu. Mesmo com a pista molhada e os trechos com acúmulo de água, a majestade portelense não economizou no gingado e deu uma verdadeira aula de samba no pé. Com um figurino simples, composto por um short jeans e um biquíni cravejado com pedras azuis, ela esbanjou beleza e simpatia durante sua passagem, fazendo questão de interagir com o público que assistia a apresentação da Portela nas estreitas calçadas da Rua Carolina Machado. Em um dado momento, próximo ao fim do treino, Bianca protagonizou uma cena fofa com a própria irmã, a pequena Laíz Inês, de apenas três anos. A garota mostrou que o amor pela folia vem de família e fez questão de ir para frente dos comandados do mestre Nilo Sérgio sambar junto da irmã mais velha.
Outro destaque foi a participação da porta-bandeira Squel Jorgea no ensaio de rua desse domingo. Por conta da agenda de compromissos em São Paulo, o mestre-sala Marlon Lamar não pode estar presente e coube ao segundo casal portelense, formado por Emanuel Lima e Thainara Matias, a missão de conduzir o pavilhão na abertura do treino. Dessa forma, Squel optou por desfilar à frente da primeira ala e aproveitou para se jogar no samba. Animada, ela fez questão de interagir com os espectadores e os próprios componentes, mostrando já se sentir completamente em casa na nova agremiação.
Viradouro não toma conhecimento da chuva e realiza mais um ensaio de alto nível rumo ao Carnaval 2024
A Unidos do Viradouro realizou na noite do último domingo o seu terceiro ensaio de rua rumo ao carnaval 2024. Como tradição, o treino ocorreu na Avenida Amaral Peixoto, tendo início às 19h20 e com término às 20h13. Como todos sabem, boa parte da comunidade da Viradouro é oriunda de São Gonçalo e Niterói, ambos os municípios enfrentaram condições climáticas adversas, como ventania e fortes chuvas, deixando inúmeros bairros sem luz por horas, mas enganasse quem pensa que isso desanimou a escola, muito pelo contrário, apesar do contingente menor que o costumeiro, aqueles que marcaram presença não tomaram conhecimento da chuva e deram um verdadeiro. A raça de cada componente deve ser valorizada, do início ao fim todas as alas cantaram com muito vigor e deixaram uma belíssima impressão.
Antes do ensaio o diretor executivo da escola, Marcelinho Calil, falou sobre os problemas que atingiu parte dos municípios de São Gonçalo e Niterói e como isso poderia afetar o desenvolvimento do ensaio, segundo ele, a noite seria atípica, mas que tinha certeza que aqueles que conseguiram comparecer dariam conta do recado, ele ainda aproveitou para enaltecer o público presente. De fato Marcelinho estava certo, a comunidade deu mais um show e a sensação foi de que não havia ocorrido nenhum problema externo.
“Grande parte Rio de Janeiro tá sofrendo um pouquinho com as chuvas, com questões de ordem natural que foge completamente da normalidade, a comunidade sempre lota, abraça, é que que hoje a questão de transporte público ficou também um pouquinho diferente do habitual, pessoal sem luz, sem sinal de telefone, então com certeza hoje é um contingente a menor. Mas não por falta de vontade, é porque a mobilidade ficou um pouco prejudicada nessas últimas horas. Mas não tem problema nenhum, quem está aqui vai dar o seu melhor. A escola está feliz, está contente de poder realizar o ensaio apesar disso tudo. A gente podia cancelar o ensaio, seria uma coisa muito mais lógica, mas obviamente quem tá aqui teve condição, a gente também tem condição, agora por exemplo, já não tá chovendo, enfim, o que a gente tem aqui com material humano e com as ferramentas que a gente tem, pode esperar um grande ensaio como sempre”, disse Marcelinho.
Em 2024 a Viradouro levará para a avenida o enredo “Arroboboi, Dangbé”, sobre a energia do culto ao vodum serpente. Criado e desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon. Assim como no último carnaval, a escola terá a missão de encerrar os desfiles pelo Grupo Especial na segunda noite de espetáculo. O próximo ensaio da vermelha e branca será no próximo domingo, novamente na Avenida Amaral Peixoto.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Julinho e Rute são duas entidades e se comportam como tal, poder ver de perto o bailado dos dois é um verdadeiro bálsamo, a sintonia, a cumplicidade e a leveza ficam nítidos diante de nossos olhos. Neste ensaio não foi diferente, apesar da pista molhada, ambos passaram com a naturalidade e o vigor de sempre, durante as três paradas para os jurados eles já apresentaram a coreografia oficial do próximo desfile.
Sobre o ensaio, eles brincaram dizendo que esperam que no dia oficial a chuva não caia, afinal, desfilar com a pista seca é tudo que todos desejam. Rute pontuou que o ensaio foi importante para comunidade aprimorar ainda mais o canto e entrosar toda a escola. Já Julinho aproveitou pra dizer que a pista molhada é mais uma oportunidade da dupla trabalhar, ensaiar e se adaptar às situações adversas que podem surgir.

“Sinceramente eu espero que o ensaio de hoje não tenha importância pro dia oficial. Que o ensaio de hoje seja pra cumprir mais um ensaio de canto, mais um ensaio da nossa coreografia porque a gente já treina a coreografia oficial. Eu espero que o tempo seja um zero à esquerda para o nosso ensaio. Mas é isso mesmo, a cada semana a gente sente que o canto tá mais apri não é um um samba com letras fáceis, que esteja no cotidiano das pessoas. Então, pra elas aprenderem, pra comunidade aprender, cantar bem, cantar com garra. Serve para interagir o carro de som com a bateria, e com toda a escola”, disse Rute.
“A gente procura desenvolver o nosso trabalho, é óbvio que as modificações vão acontecendo, a gente vai tentando melhorar, vai adaptando o que a gente quer enxergar lá na frente, como a gente quer o melhor pra nossa dança. E hoje é mais uma oportunidade que a gente tem de trabalhar e de ensaiar. Mesmo com chuva, com pista molhada, a gente vai tentando se adaptar a essas situações externas”, finalizou Julinho.
Samba-enredo
Um dos principais destaques da noite foi o samba de autoria de Claudio Mattos, Claudio Russo, Julio Alves, Thiago Meiners, Manolo, Anderson Lemos, Vinicius Xavier, Celino Dias, Bertolo e Marco Moreno. O entrosamento de Wander Pires com a bateria de mestre Ciça contribuiu para que a obra crescesse a cada passada. Nem mesmo as palavras consideradas difíceis no samba foram capazes de diminuir a empolgação da comunidade, a adesão foi unânime inclusive pelo público que acompanhava o ensaio. O hino da escola se manteve bem durante todo momento, mas na parte “ê alafiou, ê alafiá!”, até a final da estrofe e nos dois refrãos o nível conseguia atingir a perfeição sonora. Foi uma avalanche.
Bateria
Como já é habitual, a Furacão Vermelha e Branca deu mais um show, mesmo com o número de ritmistas reduzidos, os comandados de mestre Ciça deram conta do recado e contribuíram para mais uma avalanche da comunidade, a musicalidade e o entrosamento com o intérprete Wander Pires foram notáveis. Ciça contou que a programação seguiu a mesma, mas que a chuva e os problemas que o município enfrentou acabaram prejudicando um pouco.
“A programação continua a mesma, mas a chuva prejudica um pouco porque Niterói sofreu muito com essa chuva. Aí a gente teve problema com componente, teve muita gente sem luz, sem água, sem telefone, mas vamos que vamos a Viradouro é essa raça. Hoje testamos colocar plásticos nos instrumentos e fizemos tudo que estava programado”, disse o mestre.
Harmonia
Uma escola alegre, vibrante e aguerrida, foi assim que os componentes da Viradouro passaram pela Amaral Peixoto. Ver e ouvir a forma como eles estavam foi uma experiência incrível, era impossível não seguir no embalo. O canto foi crescente e destacar uma ala seria injusto com as demais. Porém, na parte do samba que diz “Pra vitória da Viradouro” era uma verdadeira avalanche, principalmente quando a bateria parava, de longe era possível ouvir os componentes gritando o samba. Elogiada desde a escolha, a obra da vermelha e branca se mostra um verdadeiro acerto e tem tudo para crescer ainda mais até o desfile oficial.
Evolução
Organização e espontaneidade, assim pode ser definido a evolução da Viradouro durante este ensaio. Para quem nunca esteve na Amaral Peixoto, a via é extremamente larga, o que poderia atrapalhar a compactação da escola, principalmente neste ensaio por conta dos problemas já apresentados acima, foi motivo de aplausos. As alas evoluíram com extrema leveza e literalmente brincaram com o samba, mas sem perder a organização que já é marca da escola, todos sabem seu lugar e o que devem fazer, mesmo assim se divertem. Alguns elementos foram utilizados para demarcar o espaço das alegorias no desfile oficial e tudo ocorreu com extrema naturalidade, assim como a presença de algumas alas coreografadas que permearam o ensaio e nenhum problema foi observado, nem mesmo na entrada e saída da bateria do recuo.
“Não temos como parar pra pensar que hoje realmente foi fora da sua normalidade, tudo que aconteceu na cidade, nós mantivemos a agenda, claro sempre resguardando quem não poderia vir, quem não pôde vir nós entendemos e quem veio veio com uma vontade muito grande de fazer o que a gente tem sempre feito aqui na avenida, que é ensaiar na intenção de fazer o melhor pra escola, e hoje mesmo com o contingente menor todos que estiverem aqui cantaram muito, o andamento do carro de som, bateria novamente mesmo com a chuva atendeu a nossa expectativa e é isso, daqui até o carnaval é tentar ensaiar todos os domingos”, disse Dudu Falcão, diretor de carnaval da Viradouro.
Outros Destaques
Os destaques da noite vão todos para Erika Januza, a incrível rainha de bateria da vermelha e branca de Niterói brilhou mais uma vez, com uma fantasia feita apenas com pérolas, ela foi extremamente festejada pela comunidade e mesmo com o chão molhado mostrou o habitual samba no pé, é incrível observar o quanto Erika está entrosada com a agremiação e de fato parece que nasceu para ocupar esse cargo.
Vale destacar também novamente a força da comunidade da Viradouro, mesmo com todas as adversidades, o ensaio estava cheio e a raça apresentada foi digna de aplausos, mais uma vez foi uma amostra de que eles querem o campeonato e farão de tudo para levar o caneco para Niterói. Como brincou Marcelo Calil, presidente de honra da escola, aqueles que estiveram presentes no ensaio ganharam uma estrelinha.
No embalo da comunidade, Tatuapé se prepara para o Carnaval 2024
Por Will Ferreira e Fábio Martins
Como diz um dos alusivos da agremiação, teve samba na rua Melo Peixoto no último sábado de extremo calor e emenda de feriado. A Acadêmicos do Tatuapé realizou mais um ensaio geral visando o carnaval de 2024, com boa presença de segmentos importantes da escola de samba e, como é tradicional em escolas de samba da Zona Leste de São Paulo, canto alto em determinados pontos do samba-enredo – que cantará “Mata de São João – Uma joia da Bahia símbolo de preservação! Entre cantos e tambores. Viva a Mata de São João!”. Com ótimo número de integrantes da ala das baianas e da Velha Guarda, a quarta colocada em 2023 falou diversas vezes em recuperar o título – que veio nos anos de 2017 e 2018.

Explosão de alegria
Para contar um município baiano, não poderia ser diferente: a alegria deu o tom para a canção, define Celsinho Mody, intérprete da escola. “É muito difícil falar desse samba, que é todo explosivo. Ele tem várias tinturas, ele é todo colorido, como é a Bahia. Mas ele traz coisas muito importantes. O primeiro é a forma de contar: ele trata da identidade do povo baiano, você vê que ele começa ali com o Xangô, depois os índios tupinambás, depois o povo negro, você vai construindo o cenário com a personalidade e identidade das pessoas. Fala da baiana, fala da senhora dos navegantes , fala de Iemanjá, fala do nosso senhor do Bonfim. Depois conclama o povo brasileiro a um grande abraço. Depois da pandemia, que foi ontem, a gente não podia abraçar ninguém – e esse samba conclama um grande abraço do povo do samba. E, no final fecha com ‘a Bahia tem axé do meu orixá’. Então eu tenho certeza que esse será um grande samba na avenida, a comunidade está muito feliz, cantando muito feliz, e eu vou te dizer que é o samba que eu mais estou cantando feliz até hoje, muito feliz mesmo”, destacou.
A força da comunidade também foi citada por Eduardo Santos, diretor de carnaval e um dos presentes da agremiação – juntamente com Erivelto Coelho, Antônio de Castro e Edu Sambista. O trunfo da nossa escola sempre foi a nossa comunidade, a força do nosso componente, fantasiado ou não, que abraça a escola de uma maneira fantástica. Contamos com eles novamente, como sempre vamos contar. Ele é a nossa diferença e grande trunfo. Sem ele, não somos nada. Eles que vão levar tudo que está sendo feito na Fábrica, e eles quem levam todo o trabalho para o jurado ver. Se o jurado fosse na Fábrica do Samba, certeza que seria nota dez; se ele viesse aqui e visse nosso canto, nosso chão, ala musical e baianas, também daria dez para todo mundo. Mas nós dependemos do dia em que isso acontecendo, quando aproximadamente duas mil pessoas vão no Anhembi levar o trabalho todo produzido e ensaiado para o jurado ver. É para ele que entregaremos tudo isso para que, no dia 09, com a competência de sempre, ele mostre tudo o que fizemos ao longo de todo ano”, comentou.
Ao falar sobre pontos que podem ter evolução, Eduardo deixou claro que a autocrítica sempre acontece na escola. “Tudo tem ajuste para fazer, esse ajuste acaba quando o portão abre. Até lá, estamos ajustando, ensaiando, gravando ensaios, aperfeiçoando, onde não estamos legal para ficar legal, onde já está legal para ficar melhor ainda. Isso não para, é uma luta constante de todo dia, toda hora e todo ano. Vamos fazer isso sempre”, pontuou.
A alegria também deu o tom na Evolução da escola. Em ritmo já bastante correto, a escola fez o ala a ala com ótimo andamento, aproveitando ao máximo o espaço da quadra – em determinado momento, com a presença de algumas pessoas que não estavam ensaiando (provavelmente aguardando a roda de samba que aconteceria depois do ensaio), os componentes passaram a evoluir em um espaço pouco menor. Também chamou atenção o fato de todos já estarem com a coreografia ensaiada e bastante expressivos em relação à dança.
Regulamento sem dramas
Grande novidade para o carnaval 2024, a mudança em boa parte dos quesitos no novo regulamento não é algo que assuste muitos segmentos da escola. Jussara Souza, porta-bandeira da escola, abordou o tema em entrevista. “O regulamento não é que está mais desafiador, ele está mais visualmente pronto para qualquer pessoa que estiver assistindo entender a forma como o jurado pode avaliar o casal. Tem a parte de musicalidade, de ritmo, de qualidade técnica – que é muito importante. Para o Casal Foguinho, atacamos esse novo regulamento da forma que já vínhamos trabalhando. Não mudou muita coisa porque, nos desfiles anteriores, já vínhamos trabalhando em cima do samba. Se a nossa fantasia representa o mar, nossa coreografia também representa o mar. Sempre trazemos alguma referência sobre o samba junto com a fantasia para o coreografia. Antes, o regulamento não pedia isso; agora, pede. Para nós, está tudo ok. Estamos prontos para encarar esse novo desafio”, comentou.
A tranquilidade é tamanha que ela e Diego Silva já estão com quase tudo pronto para a apresentação oficial. “Não mudamos a forma de planejar o nosso trabalho para o próximo carnaval, estamos ensaiando e já estamos com a pista, a apresentação para o jurado, já pronta. Se o desfile fosse amanhã, já estaríamos prontos para brigar pela nota mais uma vez. Estamos ensaiando duas vezes por semana, trabalhando bastante a parte física e seguindo”, declarou. Vale destacar que a porta-bandeira estava acompanhando o casal mirim da agremiação (ela é mãe do mestre-sala de tal dupla) e que, antes do ensaio começar, a ala musical da instituição pediu forças para a mãe de Diego – por redes sociais, ele revelou que estava com a matriarca em um hospital. Toda a equipe também deseja forças para ela.
Celsinho aproveitou para destacar uma das novidades que a ala musical da agremiação trará para o Anhembi. “É um prazer a gente cantar junto, nosso trabalho aqui é coletivo. O nome do intérprete é Celsinho Mody, mas aqui é um trabalho coletivo, das vozes, das cordas. Para mim é um prazer e isso já entra no próximo regulamento, ao qual são dois décimos, que a sala musical pode tanto pontuar, trazer a mais ou perder pontos. Nós sempre tivemos aqui um trabalho muito rebuscado musical, você vê que a gente parava o canto das vozes para ouvir as cordas e vice-versa, e esse ano esse trabalho será multiplicado. Nós vamos fazer uma divisão de canto, um trabalho chamado reconstrução, que é trazer aquele canto da década de 1970, 1960, que as escolas de samba faziam, para o carnaval de 2024. Ou seja: as mulheres cantando como mulheres, cantando as vozes agudas, as oitavas, e os homens cantando como homens, com as notas mais graves, as notas mais, tônicas do samba. Vai ser muito bonito”, suspirou.
Estreante na função de mestre de bateria, Léo Cupim (que não se incomoda em ser chamado por apenas um dos nomes) também destacou que o trabalho na Qualidade Especial é de seguimento. “O processo, na verdade, é uma continuidade. Vai ser uma continuidade do trabalho do mestre Higor, que já tinha a filosofia da escola há muitos anos. Vamos manter a bateria com vigor, com andamento mais para frente, que se tornou a característica da escola. Até por ter sido uma troca repentina, daremos sequência no que vinha sendo feito”, afirmou, relembrando o antigo comandante dos ritmistas – que permaneceu de 2010 a 2023 no posto.
Vale destacar que a Qualidade Especial aproveitou para fazer algumas paradinhas e bossas, o que agitou os componentes. O mestre de bateria, por sinal, foi visto, em alguns momentos, indo para o meio da bateria para conversar diretamente com diretores e ritmistas.
Também em fala que remete ao regulamento, Léo Cupim trouxe mais alguns detalhes da bateria para o ano que vem. “O enredo sobre Mata de São João, na Bahia, certamente vai influenciar paradinhas e bossas da Qualidade Especial para 2024. Não teremos instrumentos complementares com referência à Bahia, mas todos os arranjos e bossas foram pensados com a temática, casando também com o samba”, revelou.
Equipe entrosada
Em cada entrevista, diversos segmentos da escola se elogiam. Celsinho, por exemplo, faz questão de elogiar todo o restante do time de canto. “Nós temos três mulheres no canto: Keyla Regina, que é uma das maiores cantoras do Brasil, um vozeirão espetacular; Sté Oliveira, que entrou esse ano, que é um diamante, uma voz imensurável; e um tesouro que a gente tem, que é a Vanessa Demetria, uma musicista, está se formando agora em musicoterapia, e era componente da ala e passistas e veio integrar a nossa sala musical, já é o terceiro ano dela. Ela já vem fazendo esse trabalho de abertura de vozes para as oitavas, e esse ano ele será massificado. Nós temos aqui os nossos, que sem eles eu não sou nada: André Ricardo, o nosso capitão, Douglas Chocolate e Adriano, cantando as vozes masculinas. Nas cordas são quatro: Kleber, Souza, Celso do Cavaco, que toca bandolim, Caio Sena e Leonardo Gomes. A equipe é a mesma, são nove anos da mesma equipe, fomos aos poucos integrando a voz das mulheres, e esse ano haverá realmente uma divisão igualitária entre as vozes masculinas e femininas. É um trabalho conjunto muito ensaiado, muito rebuscado, um arranjo feito pela ala musical, com a regência da nossa diretora musical, Ana Nascimento, e vamos com tudo para levar música para os jurados. Eu confio muito, respeito muito os jurados do carnaval de São Paulo, porque são sempre músicos conceituadas na área, falando especificamente dos nossos quesitos que tangem o nosso canto. São jurados especializados, gente que sabe de música. Nós vamos fazer um espetáculo para o povo ser feliz, mas também para agradar esses jurados”, derreteu-se.
Vale pontuar, por sinal, que a ala musical, em diversas oportunidades, conclamou a comunidade a cantar mais fortemente e sentir a Harmonia do samba – e os componentes responderam muito bem ao pedido.
O intérprete, por sua vez, recebeu vários elogios de Léo Cupim. “O Celsinho é um parceiro, grande amigo. Desde quando ele retornou à escola, foi uma honra recebê-lo aqui. Ele até conta que eu fui uma das primeiras pessoas a recebê-lo na quadra, e ali fizemos um pacto para buscar o título – o que aconteceu duas vezes. Essa parceria vai continuando, nada muda em busca em torno da nossa terceira escola”, afirmou.
Responsável pela escola e pelos desfiles, Eduardo também entrou na onda. “Estamos trabalhando muito, dentro do nosso prazo. Estamos fazendo um trabalho fantástico na parte plástica lá na Fábrica do Samba, tudo dentro do cronograma – tanto nas alegorias como nas fantasias. Os três quesitos que estão por lá estão todos eles sendo muito bem realizados, dentro do prazo. Dentro da quadra, já estamos a todo vapor fazendo ensaios quintas e sábados. A partir da semana que vem, será terças, quintas e sábados. E, a partir de janeiro, com ensaios de rua e técnicos. Estamos aprimorando nosso canto e evolução, nossa dança… nossa bateria em um desenvolvimento muito legal, mestre Cupim em um trabalho maravilhoso. Nossa ala musical tem uma energia muito grande, que só nos traz muito orgulho e alegria. Estamos esperando com muita ansiedade o dia que juntaremos tudo isso para fazer um grande desfile, e esse dia será o 09 de fevereiro. Estamos nos preparando para que a gente consiga cumpriu o objetivo para o ano que vem: o grande desfile da nossa vida. Acho que vamos conseguir, mais uma vez, estabelecer um pacto de fazer o nosso desfile perfeito”, destacou.
Sem a presença de Muriel Quixaba, rainha de bateria, quem interagiu com a comunidade à frente dos ritmistas foi a princesa da bateria, Talita Guastelli. Com extrema simpatia, ela apresentou os ritmistas e fez a ligação com o restante dos componentes da agremiação.
Cartas na manga
Se o segredo do sucesso da Tatuapé é conhecido, a escola não deixa de ter algumas surpresas para a avenida. Sem revelar a fantasia que usará em 2024, Jussara falou sobre o andamento da vestimenta. “Já vimos a fantasia, mais um ano podendo dar a opinião e deixar a fantasia de uma forma mais leve e tranquila para executar os movimentos da pista. Vai ser uma fantasia bonita mais uma vez, e já fizemos prova de costura e sobre o pano. Agora, ela está entrando na parte de finalização, de decoração e montagem de plumagem. Já está bem adiantado”, comemorou.
Por fim, Léo Cupim comentou que a Qualidade Especial terá um segundo instrumento para que todos fiquem de olho. “Além do agogô, temos um naipe especial que eu gosto de exaltar: o de chocalhos. É um naipe bem forte, que tem um arranjo bem especial para 2024”, finalizou.
Mais fotos do ensaio
Debaixo de chuva forte, Porto da Pedra realiza ensaio de alto rendimento, com destaque para o samba-enredo
A Unidos do Porto da Pedra realizou na noite do último sábado o seu terceiro ensaio de rua rumo ao carnaval 2024, a forte tempestade que atingiu o município de São Gonçalo afastou o público, mas não impediu que a comunidade cantasse e evoluísse com muita empolgação. O público já estava chegando e a escola se concentrando nas ruas Doutor Feliciano Sodré e Doutor Nilo Peçanha quando o vento anunciou a forte tempestade que estava chegando. Por conta disso, o treino da vermelha e branca atrasou e começou ás 21h30, durando pouco mais de uma hora. Apesar da adesão não ter sido completa por conta do tempo, o samba-enredo da escola foi o ponto alto da noite, conduzido brilhante por Wantuir, a obra contribuiu para que a comunidade cantasse com muito vigor.

Para o Carnaval 2024 a vermelha e branca levará para a avenida o enredo: “O Lunário Perpétuo: A Profética do Saber Popular”, que celebrará o saber popular utilizando o “Lunário Perpétuo”, seus ensinamentos e desdobramentos, como guia precioso. O tema está sendo desenvolvido pelo carnavalesco Mauro Quintaes e pelo enredista Diego Araújo. O Tigre de São Gonçalo terá a missão de abrir os desfiles no Grupo Especial, domingo, dia 11 de fevereiro. O próximo ensaio a céu aberto da agremiação será na Praça dos Bandeirantes, no bairro de Amendoeira, no dia 25, trata-se de uma iniciativa da Prefeitura em parceria com a escola para que sejam realizados treinos em diversas localidades do município.
“Caiu um dilúvio antes, a gente tava com a escola pronta, acabou afastando muita gente, mas de um modo geral o ensaio foi bom, a resposta da comunidade foi muito boa, infelizmente o público não ficou presente por conta da chuva. O importante é que a escola está em uma crescente no que diz respeito a canto, é gradativo, é ensaio de rua, é ensaio de canto as quintas-feiras, sinto que estamos subindo um degrau a cada ensaio”, disse Amauri de Oliveira, diretor geral de Harmonia da Porto da Pedra, em entrevista concedida para a reportagem do site CARNAVALESCO.
Comissão de Frente
Pela primeira vez nessa temporada, a comissão de frente assinada pelo coreógrafo Júnior Scapin participou do ensaio de rua, composta somente por rapazes, a comissão realizou a coreografia de deslocamento e cada componente utilizou uma espécie de bastão para auxiliar nos movimentos. Segundo Scapin, o ensaio serviu para colocar em prática as duas semanas de ensaio que tiveram, além de testar a resistência física dos bailarinos.
“A gente começou a ensaiar fazem duas semanas, estamos com a coreografia de deslocamento pronta, que é essa que estamos ensaiando nessas duas semanas, na próxima segunda-feira a gente começa a outra coreografia de deslocamento e parte pra jurado. Cheguei atrasado por conta da chuva, tava tudo parado, mas consegui chegar, peguei eles fazendo o quarto jurado, mas pelo o que minha assistente falou foi ótimo, é a primeira vez que estamos aqui, então a gente usa esse ensaio mais pra resistência, ver como os meninos vão aguentar, a roupa deles é bem pesada, eles são um personagem muito importante e específico dentro da história. Pelo o que vi aqui vai dar tudo certo, eles aguentaram e deram conta do recado”, disse o coreógrafo.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Não foi só a comunidade que não conseguiu chegar em peso para o ensaio, por conta da chuva, a primeira porta-bandeira, Denadir Garcia, ficou presa no trânsito e não pôde participar do treino, seu parceiro de dança, Rodrigo França, dançou com a segunda porta-bandeira e mesmo com as adversidades aprovou o ensaio.
“Sem a Denadir foi complicado, a gente está ensaiando desde que ela chegou na escola, então tudo que a gente trabalhou a gente coloca em prática no ensaio de rua, mas deu pra levar, eu tenho o tempo do samba, tenho o momento de entrar e o momento de sair, graças a Deus com a segunda porta-bandeira consegui fazer bonito. Ensaiar debaixo de chuva também faz parte, no dia oficial pode estar tá chovendo, tem que tirar de letra e saber dibrar as adversidades”, pontuou Rodrigo.
Harmonia
O ensaio de sábado mostrou que a comunidade da Porto da Pedra está com o samba na ponta da língua, foi apenas o terceiro ensaio de rua, mas é possível perceber a crescente do canto da escola, aliado a isso, o carro de som conduzido por Wantuir e com participação de Luizinho Andanças, intérprete que marcou época no Tigre, mostrou estar muito entrosado. O samba para 2024 é leve e proporcionou que os componentes se divertissem durante o cortejo, neste ensaio foi possível observar um canto uniforme de todas as alas, até mesmo as que estavam posicionadas no final.
Evolução
O componente da Porto da Pedra ensaiou de forma solta, a chuva que caiu antes poderia desanimar, mas ocorreu o contrário, a comunidade se entregou e evoluiu com muito vigor. Apesar de não estar em grande número (muito por conta da dificuldade que alguns tiveram para chegar), o balanço foi positivo, as alas ensaiaram de forma descontraída e nenhum componente parecia estar engessado, o que tornou a passagem da escola ainda mais leve. Alguns elementos foram utilizados para demarcar o espaço das alegorias no dia do desfile oficial e algumas alas coreografadas marcaram presença também. A vermelha e branca não apresentou nenhum buraco ou pausas abruptas, nem mesmo com a entrada e saída da bateria do recuo.
Samba-enredo
O samba-enredo de autoria de Guga Martins, Passos Júnior, Gustavo Clarão, Lucas Macedo, Leandro Gaúcho, Clairton Fonseca, Richard Valença, Gigi da Estiva, Abílio Jr., Marquinho Paloma, Cristiano Teles e Ailson Picanço foi peça fundamental no bom ensaio realizado pela escola, conduzido brilhante por Wantuir, que se mostrou extremamente a vontade durante a passagem, o samba se mostrou desde o início um trunfo da escola, a comunidade abraçou a obra e cantou com extrema empolgação.
A obra tem uma melodia que permite que o componente cante sem demonstrar cansaço, tudo ocorre de forma fluída e facilita a vida do brincante, a letra tem alguns trechos que mexem com o brio da comunidade e permite que eles cantem com ainda mais empolgação. Vale destacar o refrão principal, com os versos “Quarto minguante, a moringa quase seca/Maré virou, virou luar!/Tem alambique pra beber na quarta-feira/Okê, caboclo! Tempo bom vem pra ficar!/Quarto minguante, a moringa quase seca/Maré virou, virou luar!/Tem alambique pra beber na quarta-feira/Faltava o tigre pro Lunário completar!”, foi berrado pelos desfilantes, sendo o trecho de maior rendimento.
Bateria
Mesmo não estando completa, a “Ritmo Feroz” mostrou que está entrosada e contribuiu para o bom rendimento do samba. A chuva, que é sempre dor de cabeça para qualquer bateria, não foi impecilho para que os ritmistas pudessem brincar durante o ensaio, com um andamento agradável e inúmeras paradinhas, a bateria foi um dos pontos altos da noite. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, mestre Pablo contou que as adversidades da noite contribuíram para preparar ainda mais a escola, ele também pontuou que não houve mudanças por conta da chuva.
“A gente precisa estar preparado para qualquer situação, chuva, chuva de granizo, nada vai parar o tigre de São Gonçalo, pode cair canivete que a gente vai tá lá e mostrar a garra povo gonçalense. Não fizemos nada diferente, nada mudou, fizemos paradinhas, tudo que vamos fazer na avenida, nós fizemos hoje aqui, a chuva não atrapalhou em nada, pelo contrário, só deu mais alegria pra gente”, disse mestre Pablo.
Outros Destaques
Mesmo com a condição climática adversa, o ensaio deste sábado contou com presenças ilustres, a começar pelo prefeito da cidade, Capitão Nelson, ele esteve presente, mas diferentemente do último ensaio, não realizou nenhum discurso.
Tati Minerato, a sempre presente rainha de bateria da ritmo feroz, não se importou com a chuva e esbanjou samba no pé, a loira ainda demonstrou muito carisma e foi bastante tietada pela comunidade.
De volta a vermelha e branca depois de longos anos, a cantora Valesca Popozuda caiu no samba e mostrou que já está com o hino de 2024 na ponta da língua, muito festejada pelo público, a cantora fez questão de tirar foto com todos que pediram.
Porém, o grande destaque da noite foi o Tigre de São Gonçalo, o mascote oficial da Porto da Pedra, ele marcou presença e foi a figura mais procurada antes, durante e depois do ensaio, inúmeros segmentos pediram para tirar foto com o mascote, que caiu no gosto popular rapidamente.