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Águia de Ouro mostra leveza e bateria potente em ensaio para o Carnaval 2024

Com quadra cheia de ritmistas, escola da Pompeia teve grande presença de público em atividade

Por Will Ferreira e Fábio Martins

No pensamento da grande maioria das pessoas, carnaval é sinônimo de alegria e felicidade. É com esse espírito muito em alta que o Águia de Ouro fez o Ensaio Geral da agremiação no último domingo, na Zona Oeste de São Paulo. A agremiação, oriunda do bairro da Pompeia, demonstrou muita leveza na apresentação. Dentre os segmentos, destaque para Harmonia, Evolução e Bateria. É importante destacar também que o samba-enredo, contestado por jornalistas e algumas pessoas do meio do carnaval, correspondeu muito bem a tudo que foi proposto.

Fotos: Fábio Martins/CARNAVALESCO

Comunidade valente

Dentre componentes da escola, havia o temor de que o ensaio do último domingo não tivesse grande contingente de pessoas. A garoa tipicamente paulistana que caiu durante todo o dia e a emenda de feriado poderia afastar muitos componentes da agremiação. O receio, entretanto, não se confirmou. Se a quadra não estava lotada, ela tinha grande número de pessoas – é importante destacar que o espaço para eventos do Águia é uma das maiores da cidade de São Paulo.

Dentre os segmentos, um dos que mais levou componentes foi a bateria. Comandante da Batucada da Pompeia, mestre Juca, se recuperando de um acidente automobilístico, aproveitou para falar sobre o trabalho desenvolvido pela equipe comandada por ele e executada por diversos ritmistas – incluindo uma mudança que está em execução e foi iniciada já no ciclo anterior. “A gente está fazendo um trabalho mais específicos com as caixas-de-guerra. No ano passado nós fizemos uma mudança na levada da nossa caixa, esse é o segundo ano e estamos mais em cima nesse ano para não correr nenhum risco. Mas o trabalho não mudou muita coisa, não. Foi só as caixas, mesmo. O samba de 2024 é bem fácil, como era o do ano passado. Já estamos trabalhando no andamento do samba e fazendo o que sempre fizemos: as paradinhas do samba, as bossas e colocar a galera para fazer o melhor na avenida. As afinações são as mesmas de sempre. É muito fácil trabalhar na bateria do Águia porque ela é muito da casa, não tem muita gente de fora. O pessoal já sabe qual é o caminho do trabalho, sem muito problema”, exaltou.

Com um ritmo tão forte advindo dos instrumentos, não é de se estranhar que o samba-enredo também tivesse destaque. Na opinião dos intérpretes, o grande trunfo da canção é a leveza. Douglinhas comentou utilizando a senha universal da felicidade. “Esse samba é impossível de cantar triste. É um samba que é alegre, é um samba feliz. Quem estiver cantando o samba vai estar cantando com sorriso no rosto, pode ter certeza. É isso que, pelo menos desde a primeira vez, é essa impressão que me passou”, comentou.

Mais uma vez em dupla, Serginho do Porto concordou com o companheiro. “Hoje em dia, a gente precisa sair do normal, do óbvio. Essa coisa do samba natural que fica aquela coisa presa. A gente precisa de um samba mais alegre. O carnaval está perdendo a sua essência, ele está chegando na rota do fim porque você só escuta samba engessado. É aquela mesma coisa, é a mesma divisão, parece que você já ouviu aquele samba passar dez vezes na avenida. Então, a gente precisa de alegria, é um samba alegre. O carnaval é uma alegria. Eram três, agora são cinco dias que a gente aproveita pra viver como reis e rainhas. É esse momento que a gente precisa, um momento de alegria. E o Águia sabe desfilar. E ela, quando vem com samba que mexe com o povo, você sabe que dá resultado”, afirmou.

Visões distintas

Antes do ensaio, a reportagem conversou com Sidnei Carrioulo, diretor de carnaval e presidente da agremiação. Ao perguntar o que o mandatário considerava que poderia ter uma melhora, teve dele uma resposta surpreendente. “Acho que o chão da escola ainda não está no nível que a gente costuma sair, e isso me preocupa. O chão da escola sempre foi o nosso diferencial – e, até consultando alguns outros presidentes, outros colegas da gente da escola, percebemos que está meio complicado a questão do componente. Não está a mesma coisa que era antes da pandemia. Nós estamos meio que atirando um pouco mais nesse sentido, de que a gente melhore mais o chão da escola, que a vibração seja maior e as pessoas tenham um pouco mais de tino de disputa do carnaval. Isso é o que eu acho que a gente precisa melhorar, e estamos trabalhando para isso”, lamentou.

Ao começar a atividade, entretanto, o que se viu foi uma comunidade bastante atenta e extremamente participativa. Com danças até mesmo para os alusivos e cantando em bom som, diversas alas estavam coreografadas (com destaque para o refrão do meio, ‘É gol, é gol, é gol/A torcida vai delirar, olê olá’) e todas evoluíram em andamento uniforme, sem sobressaltos.

Um dos pontos que a comunidade da Pompeia mais respondeu foi em um momento destacado por mestre Juca em entrevista. “A temática de rádio inspirou a bateria, sim. Temos uma bossa depois do refrão do meio que foi inteiramente inspirada no rádio. Temos algumas variações de levada e mudamos de ritmo justamente pelo fato do rádio ser muito musical”, afirmou.

Se, em um primeiro momento, Sidnei confessou algo que o incomodava, a escola está em um bom caminho no cômputo geral, de acordo com o próprio. “Primeiro que às vezes eu até passo do limite da sinceridade, quando está ruim eu falo que está ruim mesmo. Mas não é esse caso. As coisas estão se encaixando, o carnaval está ficando, além de plasticamente muito bonito, perfeitamente encaixado. É um enredo que até me surpreendeu, na verdade. Lá no começo fizemos uma pesquisa que foi legal; fizemos o projeto… mas, com o decorrer do tempo, se aprofundando mais, ouvindo mais pessoas que vivem do rádio, pessoas que são apaixonadas pela história do rádio, a gente foi conseguindo abranger um pouco mais essa coisa maravilhosa que é o rádio. Acabei me apaixonando pelo rádio, essa é a verdade. Está sendo um belo carnaval, acho que vai ser uma grande surpresa e um grande desfile esse ano”, finalizou.

Para aguçar a curiosidade

Quesitos plásticos não podem ser avaliados em um ensaio geral, já que eles só serão revelados ao público no dia do desfile. E, na visão de Sidnei, são justamente eles que, até aqui, são o ponto alto da alviazul da Zona Oeste. “Plasticamente eu fiquei admirado, nosso grande trunfo é a plástica desse carnaval. Quando a gente começou, vimos que o rádio tem uma coisa muito muito interessante: ele te obriga a montar uma imagem, porque ele está falando e você está viajando na imagem da sua cabeça. Uma coisa muito interessante é comparar com a televisão: o rádio, se você deixar de ouvir um pouquinho, você perde o fio da meada; a televisão não, seu subconsciente está vendo a imagem. Eu fiquei preocupado com isso no começo, mas depois as coisas foram ficando tão claras (a história do rádio, onde o rádio foi importante e etc), que plasticamente ficou muito gostoso. Foi muito legal, eu faria até mais um desfile sobre o tema, porque são tantas coisas, que hoje a nossa preocupação também é não abrir muito leque – para não conseguir fazer a história completa. Plasticamente eu acho que, você vai bater o olho e você vai identificar tudo no nosso carnaval. É legal, eu gosto disso, particularmente. Ver uma alegoria e saber o que ela representa, identificar a fantasia com mais facilidade, porque eu não preciso estar explicando muito o que é aquilo. É nesse sentido que eu estou apaixonado por esse carnaval”, revelou.

Tal sensação não é apenas do grande nome do Águia. Lyssandra Grooters, porta-bandeira da agremiação, também gostou do que viu relacionado à fantasia que será utilizado por ela. “Já vimos o desenho da fantasia há uns dois meses, e está incrível. Estamos fazendo algumas adaptações, já que, às vezes, no desenho é lindo, mas, na prática, não funciona. Está tudo fluindo, a roupa já está sendo confeccionada e estamos muito felizes com o resultado. Já tivemos a parte da costura, que já está pronta. Agora, estamos entrando com a decoração – que, daqui há uns quatro dias, a gente já experimenta toda bordada, com cabeça e tudo. A nossa fantasia está bem adiantada, e o bom do Águia de Ouro é isso: eles dão muita prioridade para o quesito, e o casal de mestre-sala e porta-bandeira tem a roupa pronta com muita antecedência – o que nos dá muita tranquilidade”, detalhou, também falando por João Camargo, mestre-sala da instituição.

Sem problemas com o novo regulamento

Tema muitíssimo quente no universo carnavalesco da cidade de São Paulo, o novo regulamento não assusta os componentes do Águia de Ouro. A começar pela dupla de intérpretes, que destacou o trabalho feito nas folias Brasil afora para explicar o motivo pelo qual tal assunto não é algo desestimulante. “A novidade é um décimo de carro de som, né? Eu acho que vai estar tranquilo, porque a gente já vinha fazendo esse trabalho há outros anos. No Carnaval de São Paulo, não vai pegar ninguém de surpresa. Os carros de som de São Paulo, do Brasil em geral, todo mundo se preocupa muito com a parte harmônica, com a parte melódica. Então, acredito que não vai ter surpresa nenhuma assim”, comentou Douglinhas.

Serginho do Porto aproveitou para exaltar a parceria com o companheiro para falar a respeito. “A gente já vem trabalhando há bastante tempo juntos. Eu e o Douglinhas, se a gente somar tudo aí, lá se vão 24 anos de parceria. Lá se vão 24 anos, desde 2000. A gente sabe o modo de cantar, a gente sabe o jeito que tem que ser feito. E a gente ainda tem ainda a direção do nosso querido Pelé, que temos a tranquilidade em fazer um desfile maravilhoso. A gente sabe onde é que está a respiração, onde um vai dar capo, onde o outro não faz. Tem um time que já trabalha junto há muito tempo, então isso facilita”, pontuou.

Apesar de classificar as mudanças como não tão tranquilas, Lyssandra destacou o novo regulamento ao falar do ritmo de ensaios da dupla que ela protagoniza juntamente com João Camargo. “A nossa frequência de ensaios não mudou, seguimos na mesma pegada do ano passado. Nós, porém, estamos mais criteriosos por conta da mudança no julgamento. Estamos adaptando e pegando firme em cima de determinados pontos. No ano passado, perdemos décimos pelo fato do pavilhão não ter aberto, e estamos focando nisso. Quanto ao regulamento… ele está mais desafiador, sim. Bastante. Agora, está entrando a questão de dança, mesmo. O casal terá que vir dançando e mostrando algum diferencial em cima do regulamento. Antes, estávamos muito mais engessados: não podíamos avançar. Agora, temos a liberdade de montar um conjunto de dança melhor, com mais critérios, podendo mostrar nossa potência na dança”, finalizou.

Veja mais fotos do ensaio

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