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Preta na cor, Nenê de Vila Matilde escolhe samba para exaltar as mulheres de Palmares

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

A terceira maior campeã do Carnaval de São Paulo escolheu o samba-enredo para desfilar em 2027 no último domingo. A Nenê de Vila Matilde, onze vezes vencedora da disputa na cidade, escolheu o Samba 10 na eliminatória da agremiação, composto por Tonn Queiroz, Renato Machado, Fabiano Sorriso e Santaninha, históricos nomes da Águia. A obra embalará o enredo “Mulheres de Palmares – A Liberdade tem Rosto de Mulher”, assinado pelo carnavalesco Chico Ângelo. Sexta escola a desfilar no Grupo de Acesso II, a Nenê de Vila Matilde realizou a final de samba-enredo na histórica quadra da escola, na Zona Leste de São Paulo. O CARNAVALESCO acompanhou e conversou com figuras importantes da Águia Guerreira para o Carnaval 2027.

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Parceria enxuta

Ao contrário do que muitas vezes acontece atualmente, o grupo de compositores campeão é contado com os dedos de uma única mão. Um deles, por sinal, é o maior vencedor de eliminatórios na Nenê de Vila Matilde, e estava bastante emocionado ao falar do triunfo: “A vitória não é minha ou da parceria, a vitória é do samba. É de quem realmente é o samba. Tem muitas brasas queimando em mãos erradas. Eu sempre falei para eles: existe burro preto, agora preto burro nunca vi. E esse burro não somos nós. Aqui é Nenê de Vila Matilde!”, disparou Santaninha.

Fabiano, também conhecido no samba paulistano, preferiu destacar outro companheiro de caneta: “A nossa cabeça pensante é o Tonn! Ele pensa tudo, sabe tudo, sabe o que tem que por e o que tem que tirar. Ele é terrível!”, elogiou.

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Citado por Fabiano, Tonn destacou o processo criativo da obra: “Hoje em dia as coisas acontecem muito por WhatsApp, a gente foi se falando tanto pelo aplicativo quanto pessoalmente. A Nenê de Vila Matilde tem identidade e uma discografia que, se você tirar o nome do compositor, você não sabe quem fez, porque o samba tem identidade. A gente já segue isso. A gente está com o maior professor do nosso lado! Tivemos o prazer de ganhar o samba do Sal há 15 anos; e, agora, estamos de volta. Voltamos e voltamos para ficar. Na verdade, nunca saímos. A gente respira Nenê de Vila Matilde. Eu costumo dizer que tudo o que a gente faz, mesmo em outros lugares, tem cara de Nenê de Vila Matilde. A divisão é única”, refletiu.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Tonn também fez questão de exaltar os demais companheiros ao falar sobre a história de cada um deles na Nenê de Vila Matilde e no universo do samba na cidade de São Paulo: “Eu sou é aluno desses caras! Não é demagogia, não. Desde 1uando eu cheguei aqui, com 17 anos (hoje eu tenho 43), para cercar cavaco na escola, tudo o que eu aprendi foi com esses caras. Eu vi esses caras ganhando de tudo quanto foi jeito, com tudo quanto é tonalidade. Eu costumo dizer que tudo o que eu penso hoje é em função do que eu aprendi com eles. Eles são a inspiração, até por conta dessa linha melódica que a Nenê tem. Se juntar nossa parceria, só o Santaninha tem 11 sambas… agora 12 sambas na escola! É muita coisa. Fabiano deve ter para lá de cinco, Renato tem samba na escola, eu tenho samba na escola. A gente respira Nenê de Vila Matilde”, declarou.

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Último nome do grupo, Renato respondeu por todos ao falar sobre a parte favorita da obra: “É difícil escolher uma parte só. As pessoas gostam muito do nosso refrão de meio. Eu gosto muito do final da segunda. E aí é gosto! Eu me identifico muito com o final da segunda, confesso”, detalhou.

Presidente democrático

Rinaldo José de Andrade, popularmente conhecido como Mantega, presidente da Nenê de Vila Matilde, contou que a opinião dele sobre o samba vencedor ou sobre os finalistas era apenas mais uma: “Eu vou dizer o seguinte: eu gostei dos três sambas. Só que a gente tem que ir dentro do que contempla o nosso enredo. E eu tinha a minha opinião. Já falei ela aqui na pasta, meu voto estava fechado antes de nos reunirmos. Eu não sabia dos outros. E, na verdade, na salinha, juntou-se os votos de cada um e vimos o que deu”, destacou.

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O mandatário azul e branco também revelou o pedido que a escola fez para cada grupo de compositores: “O que a gente pediu foi um samba com a letra dentro do enredo. Quando você tem, de repente, uma melodia maravilhosa, você adequa o samba ao enredo que foi feliz na melodia. Foi exatamente isso que aconteceu hoje. Eu fui só um, e, quando vimos os demais votos, definimos o vencedor”, disse.

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Bruna Moreira, popularmente conhecida como Babalu, diretora de carnaval da Nenê de Vila Matilde, mostrou muita satisfação com as obras apresentadas neste domingo: “Eu estava muito contente com os três sambas da final e estou ainda mais contente com o vencedor. Nós tínhamos melodias altas e letras muito bem construídas. Os compositores conseguiram pegar bem o enredo e hoje tivemos dificuldade para escolher o samba campeão”, disse.

Rodrigo Oliveira, diretor geral da escola, foi pelo mesmo caminho: “A gente teve uma safra com bastante assertividade nas questões técnicas, em relação ao que o regulamento pede, e trazendo aquele ‘quê’ que a comunidade gosta. A gente tinha letras bem mais competitivas tanto em relação à correção com a letra quanto com as melodias, com a cara do que é a Nenê. E, por isso, a comunidade se identificou bastante com as obras, em especial com a campeã. Nessa safra, a gente viu a comunidade bem balanceada entre os três sambas, porque realmente estava uma competição bem bacana em termos de qualidade”, comemorou.

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Quando perguntado sobre os próximos passos da instituição junto à comunidade, Rodrigo destacou que as próximas semanas serão intensas na Zona Leste: “A gente vai ter um trabalho fechado nessa segunda quinzena de agosto para a gente ver a necessidade ou não de fazer ajustes na canção. Às vezes, o samba não precisa de um ajuste, mas é óbvio que vai passar por uma ala musical especializada. Tem que ter uma identidade com ela e com as lideranças da escola, que vão ser os multiplicadores para a comunidade. A comunidade já está vivenciando o samba desde que foi lançado, e automaticamente isso facilita bastante. O matidense tem muito isso, ele já se identifica com o samba desde o momento em que ele é posto na rua. E, quando ele foi definido, já facilita o nosso trabalho. E, com o que a gente vai fazer nessa quinzena, para começar em setembro com tudo para valer, eu tenho certeza que vai só crescer”, disse.

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Babalu aproveitou para trazer as datas que a comunidade matildense deve anotar no calendário: “No dia 12 de setembro nós vamos lançar nossas fantasias e iremos fazer o lançamento oficial do samba para o Carnaval. Já vai ser feito esse trabalho, a comunidade vai estar cantando o samba ao pé da letra. E teremos novidades no dia 12: além dos pilotos, devemos ter uma grande novidade especial também no dia. Depois, a partir do dia 20, os ensaios começam para valer”, revelou.

Autor em êxtase

Responsável pelo enredo e um dos nomes diretamente envolvidos na sinopse entregue para os compositores, o carnavalesco Chico Ângelo fez questão de exaltar todos os envolvidos no concurso: “Não só o nível do vencedor e nem mesmo só o dos finalistas: todos os sambas foram muito bem. A gente teve uma safra muito positiva, com 11 sambas. Foram sambas muito completos, que participaram do tira-dúvidas desde o início. A gente teve poucas falhas de letra, chegamos numa final com três sambas de nível alto e entendemos que qualquer um deles fosse capacitado para ocupar a avenida. O que definiu o vencedor foram os detalhes”, disse.

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A qualidade da obra vencedora e a confiança do carnavalesco em tal canção foi expressa quando a reportagem perguntou sobre as possíveis mudanças pelas quais o samba pode passar, processo natural em qualquer agremiação: “Qualquer que fosse o vencedor, a gente praticamente não teria nem uma mudança. Tínhamos três sambas muito próximos da sinopse final e o vencedor, obviamente, está nesse meio. Na minha humilde opinião de carnavalesco, que tem que ser compartilhada com a direção e com todos da escola, a gente tem um samba que não precisa mexer para ir para a avenida”, surpreendeu.

Competentes com visões diferentes

Dois dos principais músicos da Nenê de Vila Matilde deram declarações que mostram a pluralidade pela qual a escola é conhecida. Mestre Matheus Machado, comandante da “Bateria de Bamba”, começou falando sucintamente sobre as obras que se apresentaram no domingo: “Gostei do nível dos sambas, em especial do campeão. A gente estava fazendo uma eliminatória legal, o nível dos sambas estava bacana também. Três sambas bonitos e bons, foi tudo muito competitivo. A gente estava trabalhando com três sambas bacanas. O samba vencedor foi o melhor para a nossa escola levar para a avenida e, se Deus quiser, buscar o título tão desejado pela comunidade”, afirmou.

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Alessandro Jorge Theófilo de Souza, popularmente conhecido como Tiganá, intérprete da Águia, foi além: “Eu tinha pedido para o presidente executar uma ideia: por mim, iriam quatro sambas! Até por isso, para falar do nível dos três finalistas, posso dizer que eram quatro que eu queria, esses três e mais um que não veio, mas está tudo bem. O presidente quis assim, três sambas para não estender muito o evento. O nível dos sambas que foram apresentados na disputa desde o começo foi excelente, foram muito bem escolhidos pelo presidente e pela diretoria. Vocês presenciaram, a disputa foi maravilhosa e os três sambas de hoje eram excelentes sambas. Venceu o melhor, e na avenida, pode ter certeza, vocês vão ver a Nenê de Vila Matilde pronta”, prometeu.

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Quando a reportagem comentou sobre pensamentos prévios para cada uma das obras, os músicos mostraram visões distintas. O mestre de bateria esperou a decisão: “Até minutos atrás eu não estava pensando em nem um samba específico, sempre espero sair o vencedor para só depois começar a pensar nas possibilidades de bossa e de desenhos rítmicos que têm dentro do samba. Agora, sentindo o samba campeão, já estou com várias ideias que vamos começar a executar logo no nosso primeiro ensaio”, disse.

Já o cantor mostrou-se disposto a estudar cada uma das obras, independentemente do vencedor: “Eu já tenho uma linha pronta, pô! É porque a gente, desde a escolha, já ouve os sambas e já vai imaginando quem pode chegar na final. O intérprete da escola de samba, quando a gente ouve os sambas entregues, a gente senta com calma em casa (eu, pelo menos, sento em casa e ouço todos) e já vou botando parâmetro, vou pontuando o que que eu posso fazer em um, o que que eu posso fazer em outro. Desses três que estavam aqui, eu já sabia o que eu poderia fazer em cada um deles. Escolhemos o samba, vamos sentar com a diretoria, fazer as correções, ver o português, as partes das letras que podem ser mudadas pelo carnavalesco, alguma coisa ou outra que ele quer que encaixe no samba para entrar totalmente no enredo dele. E, a partir disso, eu começo a trabalhar 100% no samba. Mas eu já tenho algumas ideias já do que eu posso fazer com esse grande samba vencedor”, disse.

Chegada triunfal

Ao invés dos tradicionais shows de segmentos, a Nenê de Vila Matilde focou em uma grande novidade para o Carnaval 2027 na final de samba-enredo. Após a saída de Edgar Carobina e Taiene Caetano, o posto de primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola estava vago até a decisão da obra vencedora. No terreiro da agremiação, foi anunciado que a dupla que defenderá o pavilhão principal da azul e branco é Patrick Vicente e Thayla Trentin.

Patrick tem passagens como primeiro mestre-sala na Mocidade Unida da Mooca (2023), Unidos do Peruche (2025) e Império de Casa Verde (2026). Já Thayla é conhecida da comunidade, tendo defendido o primeiro pavilhão matildense entre 2022 e 2024, deixando a agremiação para se tornar mãe.

Além da dança, ambos também mostraram sintonia ao falar do samba escolhido pela escola: “Gostamos muito do samba-enredo, de coração mesmo! Foi bem difícil a escolha. Você via a comunidade torcendo um pouquinho para um, um pouquinho para outro… mas, com toda a certeza, eu sei que a Nenê vai fazer uma boa escolha para a comunidade e para a gente ser feliz em 2027 e sair da pista sendo campeão do Carnaval de São Paulo”, destacou.

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Thayla destacou que, além da obra, também é muito simpática à temática que será levada para o Anhembi pela agremiação: “O enredo é muito forte, é a cara da Nenê de Vila Matilde. É um enredo afro, de gente preta. Eu gostava de todos os sambas, mas eu tenho certeza que a diretoria escolheu o melhor para que a gente seja campeão do Grupo de Acesso II mais uma vez”, comentou.

O mestre-sala relembrou que, em 2025, ele também trabalhou com Chico: “Bom, o tema afro é muito… é muito importante pra gente. Nós que é preto, sambista, né, favorece muito que a gente já vem da religião, do Candomblé, ela também. Então facilita pra gente criar nossa coreografia para quem já é do meio. Tô muito feliz, um tema muito forte. Conheço os carnavalescos de outros carnavais, trabalhamos junto no Peruche, então tenho certeza que vai fazer um belo Carnaval para todos nós”, finalizou.

As obras

Ao todo, eram três os finalistas na eliminatória na Nenê de Vila Matilde. O primeiro a se apresentar foi a parceria campeã, com a marcante voz de Tinga como intérprete. O começo do refrão principal, com letra simples e curta, permitia o canto simples e espaçado, que ecoou com força pela quadra da Águia. A exaltação direta, com nome citado, das mulheres de Palmares foi outro ponto forte da obra, que tinha uma característica interessante na segunda estrofe: tal trecho começa com versos curtos e, conforme chega ao refrão, tem mais palavras. Vale destacar que, após o anúncio da obra campeã, a quadra teve uma queda de energia e a comunidade levou a canção à capela.

A segunda parceria a se apresentar na decisão foi o de número 03, da parceria de Liso, Tales Queralt, Sérgio Gabriel e Chanel, com a presença dos intérpretes Elci Souza e Vaguinho. Com um refrão forte e de letra e rima simples, a canção angariou adeptos de imediato na apresentação. O falso refrão no final da segunda estrofe também agradou, com o inspiradíssimo verso “Vila Matilde dos Palmares”, unindo o terreiro da escola com o quilombo que serve de cenário para o enredo, como destaque. Vale pontuar que a canção em questão é mais longa que a média dos sambas-enredo de safras anteriores, em tendência vista em algumas escolas para o ciclo do Carnaval 2027.

Por fim, o último samba-enredo a ter exibição foi o de número 11, assinado por Leandro Neguinho, Victor Rangel, Herval Neto, Wagner Guerra, Gigi da Estiva, Alexandre Reis, Renne Barbosa, Robson Moratelli, Marcello Batista, Maurício Rocha Jr., Jonathan Tenório e Zé Mauro do Império Serrano. Com formato bastante incomum, a obra caiu no gosto dos presentes aos poucos. O início sem ser em um refrão e os falsos refrãos antes de cada um dos refrãos de fato (e o último deles com ritmos diferentes em cada uma das passadas) contrastavam com um refrão de cabeça mais adaptado ao que comumente se ouve em sambas-enredo, com uma exaltação interessante à escola no verso “De fala sempre fui a pioneira”.

Lexa celebra retorno ao carnaval do Rio e revela expectativa para parceria com mestre Leo Capoeira na Em Cima da Hora

Por Juliane Barbosa e Maria Estela Costa

Fotos: Juliana Barbosa e Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Após dois anos afastada do Carnaval do Rio de Janeiro, Lexa está de volta à Sapucaí. A cantora foi coroada rainha de bateria da Em Cima da Hora para o Carnaval 2027 no último domingo e celebrou o reencontro com a folia carioca durante a festa promovida pela escola. Em entrevista ao CARNAVALESCO, Lexa definiu como “emocionante” o retorno ao carnaval do Rio e afirmou que sentiu novamente a sensação de pertencimento ao ocupar o posto de rainha da escola.

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“É emocionante. Sensação de que eu nunca deveria ter ficado longe, mas fiquei longe porque a vida quis que fosse dessa maneira. E a gente respeita as decisões da vida, de Deus, mas estou tão feliz de estar de volta. Uma sensação de pertencimento, sabe quando você pertence a um lugar e você não tá ali? É isso! Ficou faltando um pedacinho no meu coração e hoje estou aqui completando”, declarou.

Convite surpreendeu a cantora

Lexa contou que recebeu com surpresa o convite para assumir o posto de rainha de bateria da Em Cima da Hora. Segundo a cantora, o contato foi feito diretamente pelo patrono da agremiação, Vinícius Drumond.

“Eu nem acreditei! Meu telefone tocou e, quando eu vi, era o nosso patrono, o Vinícius. Ele falou assim: ‘Lexa, eu queria que você fosse a nossa rainha’. Eu falei: ‘Meu Deus, eu não acredito!’. Óbvio, porque estou lá como madrinha em São Paulo, muito feliz, muito realizada”, contou.

Durante a cerimônia de coroação, a mãe Darlin Ferrattry também fez uma declaração emocionada à filha e destacou o orgulho pela trajetória de Lexa.

“Filha, de verdade, você é motivo de orgulho para uma mãe, uma filha, uma esposa, uma irmã dedicada e uma neta. Sua avó está aqui hoje e fez questão de estar presente para prestigiar esse momento”, afirmou.

Ela ainda revelou uma frase dita por Lexa após o convite da escola de Cavalcante.

“E a Lexa disse: ‘Mãe, se a galera de Cavalcante me chamou, é porque lá é o meu lugar’. Pode me chamar, chama, chama que ela vem! Vinícius, muito obrigada! Esse carnaval é nosso!”, completou.

A cantora também fez questão de destacar a relação construída com a Dragões da Real, onde atua como madrinha. Lexa afirmou que a escola paulista teve papel importante em um momento difícil de sua vida e que se sente acolhida pela agremiação.

“Sou muito grata à Dragões, que me acolheram num momento muito difícil. Foram um braço pra mim assim, absurdo. São realmente uma família pra mim hoje em dia. E hoje estar aqui como rainha, eu estou super realizada”, afirmou.

Patrono projeta título para 2027

O patrono da Em Cima da Hora, Vinícius Drumond, também avaliou a chegada de Lexa à agremiação. Segundo ele, a adaptação da cantora aconteceu de maneira natural e o trabalho já apresenta boa sintonia entre as partes.

“Foi tudo muito tranquilo, muito de boa. A chegada da Lexa foi bem fácil, e a adaptação aconteceu de uma maneira muito natural. A expectativa da escola com ela como rainha de bateria é muito boa. O trabalho tem dado super certo, a gente se reúne, conversa e existe uma sintonia muito boa entre todos”, afirmou.

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Para o patrono, Lexa reúne as características necessárias para realizar um grande desfile à frente da bateria.

“Ela é perfeita e tem tudo para fazer um grande trabalho à frente da bateria. Para 2027, eu espero o título. Carnaval é na pista, a escola vai para a avenida para disputar e fazer o melhor carnaval possível”, declarou.

Rio e São Paulo são casas para Lexa

Com experiências nos carnavais do Rio de Janeiro e de São Paulo, Lexa também comentou as diferenças entre desfilar nas duas cidades. Para a cantora, o carnaval carioca tem um significado especial por representar sua casa, mas a relação com São Paulo também se tornou cada vez mais forte.

“Aqui eu sinto que é minha casa. E lá estou sentindo cada vez mais como a minha casa também. Como eu já morei nos dois lugares, eu me sinto também em casa lá. A Dragões me abraçou de uma maneira muito amorosa”, explicou.

Lexa destacou ainda que, apesar das diferenças entre os desfiles, o sentimento que move as duas festas é o mesmo.

“Eu acho que cada um faz o seu varnaval, tem suas diferenças, mas, no final das contas, tudo é movido pelo amor, pelo batuque e pela união. Carnaval é alegria. No final das contas, eu me realizo nos dois lugares”, disse.

Parceria com mestre Leo Capoeira

Para o Carnaval 2027, Lexa terá pela frente também a missão de construir uma parceria com mestre Leo Capoeira, responsável pela bateria da Em Cima da Hora. Questionada pelo CARNAVALESCO sobre o que o público pode esperar da dupla, a rainha foi direta e respondeu entre risos: “Ah! Muita sintonia! Muita sintonia”.

O comandante da bateria já trabalhou com integrantes da família de Lexa e relembrou que foi responsável por acompanhá-la quando ela começou a ocupar o posto de rainha de bateria no carnaval.

“Eu já fui mestre da família toda. Dois anos com a Lexa, um com a Darlin, um ou dois com a Wenny. Está tudo em casa. Agora voltou pra mim, para o reinado da minha bateria. É a mesma família, eu já estou acostumado, todo mundo se conhece. Ela começou a ser rainha de bateria comigo lá no Unidos de Bangu. Está tudo em casa”, afirmou mestre Léo Capoeira ao CARNAVALESCO.

A relação anterior entre os dois aumenta a expectativa para o trabalho na Em Cima da Hora, mas o mestre ainda evita antecipar detalhes sobre a atuação da rainha junto à bateria. Questionado sobre a possibilidade de já começar a pensar em coreografias e bossas para Lexa, ele explicou que o momento ainda é de espera pela definição do samba-enredo.

“Está cedo ainda. Daqui a pouco, quando escolher o samba, a gente vai começar a entender as coisas. Está cedo”, disse.

Ingressos para a Série Ouro 2027 começam a ser vendidos nesta terça-feira com preços populares

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Foto: Liga RJ/Divulgação

A Liga RJ inicia nesta terça-feira, a partir das 12h, a venda de ingressos para os desfiles da Série Ouro do Carnaval 2027. Mantendo a política de preços populares, os ingressos para os setores 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 10 e 11 custarão R$ 22,50 (meia-entrada) e R$ 45 (inteira). A comercialização será realizada pela plataforma Ticketmaster e os desfiles estão marcados para os dias 5 e 6 de fevereiro, na Marquês de Sapucaí, abrindo oficialmente a programação dos desfiles do Carnaval do Rio de Janeiro.

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Para Deo Pessoa, presidente da Liga RJ, a manutenção dos valores acessíveis é uma forma de garantir que o público que acompanha e constrói o Carnaval ao longo de todo o ano também possa estar presente na Avenida no momento mais importante da temporada. Segundo ele, a política de preços populares contribui para aproximar ainda mais a festa das comunidades e dos apaixonados pelo samba.

“Manter os preços populares é uma forma de garantir que o público que constrói o Carnaval e vive essa festa nas comunidades esteja presente também no dia do desfile oficial. A Série Ouro é feita para o povo e queremos que a Sapucaí esteja cheia de apaixonados pelo samba, celebrando junto com as escolas esse grande espetáculo”, afirma Deo Pessoa.

Ao todo, 17 escolas de samba vão levar seus enredos para a Marquês de Sapucaí e disputar o título da Série Ouro em 2027. Na sexta-feira (5 de fevereiro), oito agremiações entram na Avenida para dar início à festa. A noite começa com a São Clemente, seguida por Unidos do Jacarezinho, Porto da Pedra, Vigário Geral, Acadêmicos de Niterói, União da Ilha, Unidos da Ponte e Unidos de Bangu, que encerra a primeira noite de desfiles.

No sábado (6 de fevereiro), outras nove escolas completam a programação da Série Ouro. A Acadêmicos de Santa Cruz abre a segunda noite, seguida por Inocentes de Belford Roxo, Estácio de Sá, Unidos de Padre Miguel, Arranco, Império Serrano, Em Cima da Hora, Botafogo Samba Clube e União do Parque Acari, responsável por encerrar os desfiles do grupo.

Avaliação Do Cassino Sport Bet

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Análise: confira como se saíram os sambas da Chave Azul na Portela

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Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

Em Madureira, a disputa avança em busca do hino para o Carnaval 2027. A Portela recebeu a etapa eliminatória da Chave Azul, que precede a unificação das chaves. Nesta fase, se apresentaram dez sambas, e seis permanecerão na disputa. Os quatro eliminados serão anunciados no início desta semana. No Carnaval 2027, a Portela abrirá a noite de terça-feira com o enredo “Ao Mestre, com carinho”, desenvolvido por Paulo Barros, em homenagem ao compositor e baluarte Monarco. A seguir, o CARNAVALESCO analisa as apresentações da noite.

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Parceria de Dudu Nobre: Abrindo a noite de apresentações, o samba da parceria de Dudu Nobre foi performado por Negô e Carlos Júnior. Um dos destaques líricos da noite, a composição se destaca pela poesia e criatividade na abordagem da narrativa. A obra funciona como uma carta da Águia para Monarco, sintetizando toda a saudade que a comunidade sente de seu baluarte e reverenciando seu legado gravado na história da escola. A composição tem uma melodia gostosa e cadenciada, que abraça os versos de alta sensibilidade sobre o ex-presidente de honra. Entretanto, a defesa careceu de harmonia: muito “gritada” e pouco cantada, não combinando com um samba tão melódico e emocionado. A execução acabou ficando fora do “tom” que a obra pede. O verso do refrão principal, “Assino meu sobrenome: Portela, Portela, Portela”, é contagiante e de fácil assimilação. Já “E você, compositor / Te abracei, dei colo de mãe e carinho” sintetiza a relação da agremiação com seu “filho”, em que o compositor foi nutrido e pôde render clássicos não apenas para a própria escola, mas para a música brasileira. “Ensinei e aprendi que toda Águia tem que voltar pro ninho” é um dos versos mais afetuosos da composição. A apresentação teve uma queda de rendimento da terceira para a última passada, com o próprio intérprete reduzindo a intensidade dos vocais ao longo da execução. O samba contagiou alguns dos poucos presentes na quadra.

Parceria de Jamys Ferraz: Originalmente, a parceria teria Igor Sorriso e Sandro Ferraz como intérpretes, mas apenas Sandro se apresentou nesta noite. A composição e a melodia carregam força poética ao evocar a nostalgia da infância e juventude de Monarco, profundamente ligada ao território suburbano carioca e com seu ápice em Madureira, na Portela. Como é visto nos versos “Vem sentir o vento do tempo soprar / Abrindo a janela, o quintal a lembrar / Tem cheiro de infância, de terra molhada / Onde o samba acordava na madrugada”, que apresentam uma construção poética sensível e diretamente conectada à memória de Monarco. O sentimento tem ênfase no refrão do meio: “Sonho de menino, dom de verdade / Azul e branco… identidade”. Entretanto, o trecho “Por outras bandeiras também fez história / Mas é na Portela que vive sua glória”, que finaliza o refrão, perde um pouco da força lírica construída anteriormente. Na primeira passada, o verso “Do rádio de pilha, despertou a inspiração”, que é cantado em um tom mais baixo, teve alguns desencontros na execução, com uma marca desarmônica no carro de som. Em alguns trechos da obra, a melodia também não atende bem à força lírica proposta pela composição. É o caso de “Nova Iguaçu viu Monarco crescer”, cuja construção melódica não valoriza o verso, assim como “Mestre, segue viva sua lição”, que também passa de maneira mais fraca. Além desses, o verso “Nada pode ser maior que instituição” aparece de forma desconexa em relação à composição e à própria melodia. A apresentação começou enérgica, mas o carro de som demonstrou falta de harmonia, com alguns intérpretes entrando atrasados na letra, além de diferenças de tom e afinação. O rendimento caiu já na segunda passada e foi decaindo ao longo da apresentação, que passou sem brilho e teve rendimento regular.

Parceria de Luiz Carlos Máximo: Interpretado por Wantuir, o samba apresenta uma composição simples e direta, em tom saudoso e de lembrança ao Mestre. A obra carrega a verdade de lembrar alguém querido que se foi: passeia pela memória, assume um tom mais divertido, reafirma o legado e mostra que sua presença ainda é sentida. Entretanto, a melodia, que traz algumas variações em tom mais baixo, passeia junto aos versos, mas não os exalta. Falta à música trazer para fora o brilho que a composição apresenta. Um exemplo está no refrão do meio, que traz um momento divertido: “Cocorocou, o galo já cantou / Levanta nego pra buscar o caraminguá / E você ia numa estrada dessa vida / Vender peixe pra Lili, vender peixe pra Iaiá”. A melodia, porém, não atende à energia de determinados versos que poderiam ter mais destaque. Em “Me disse: ‘Pega esse lenço sem demora / E dessa vez pode chorar / Pega esse lenço que agora vem a Portela / Do mestre Hildemar’”, o tom mais baixo e a construção melódica também não trazem a empolgação e a energia que o samba poderia alcançar; a variação melódica do refrão “A gente se encontra, Monarco / Nas estrelas do caminho / Com carinho assinado: Portela / Pra sempre seu ninho” também não chega a empolgar. O verso “São rimas do seu pai, são pipas pelo céu / Brilha mais que os antigos quintais” teve execução levemente truncada na segunda passada. Já “Meu poeta, que Oswaldo Cruz emprestou ao Brasil / Te sinto no zunzum da quadra / Na Velha Guarda, em cada azul / E no orgulho que tem de você / Até o portelense que está pra nascer” também ficou desfavorecido pela melodia. A defesa foi justa ao samba, dando-lhe a energia pedida. Teve um rendimento regular, chegando a movimentar algumas pessoas da quadra.

Parceria de Charlles André: A quarta apresentação da noite foi a parceria de Charlles André. Originalmente defendida por Emerson Dias, Celso Lopes e Charlles André, a composição contou nesta noite apenas com a presença de Celso e Charlles. A obra traz uma grande carga afetuosa, em formato de “carta” da Portela ao mestre Monarco. Entretanto, o carro de som apresentou falta de harmonia, com afinações e entradas na letra desencontradas. Já o samba tem uma melodia pouco enérgica, sem grandes destaques melódicos ou líricos, mantendo-se mais linear ao longo da apresentação. Em destaque, no refrão do meio, “Tempo voa e o pequeno sonhador / Em Osvaldo Cruz encontrou o seu lugar / Em cada passo, o bailado e a valentia / De um grito vendendo peixe, animando a freguesia”, a melodia perde força. O verso que finaliza o refrão, “Vendendo peixe, animando a freguesia”, fica um pouco solto dentro da narrativa. Em “E no meu chão tamanha emoção / A tua união foi linda”, os intérpretes deram mais ênfase ao verso, mas o público não veio junto na terceira passada. Já o verso “Hoje com os olhos rasos d’água / E na mesma fé que te guiava” aparece como um destaque melódico. Além deste, o trecho “Numa estrada dessa vida o samba te consagrou” utiliza uma composição de Monarco como recurso criativo e melódico, mas é colocado de maneira tímida, ficando solto e sem alcançar a força necessária para chamar o público. O refrão principal, “Se eu chorar ao cantar é porque / Me faltam palavras pra agradecer / Com todo carinho, por todo legado / Aplausos, eterno Monarco”, quase engata, inclusive com o público. Começa bem, mas perde força lírica ao longo da execução. A defesa dos intérpretes demonstrou segurança com a composição, porém teve rendimento decrescente. Começou enérgica e chegou à última passada se arrastando. Conseguiu animar alguns dos presentes nas primeiras passadas, como a Velha Guarda, que dançou e cantou trechos do samba.

Parceria de Lico Monteiro: A parceria de Lico Monteiro foi defendida por Fredy Vianna, já que Pitty de Menezes não esteve presente. Um dos destaques da noite pela beleza lírica, a composição traz uma lembrança ao mestre Monarco, puxando fortemente o sentimento de ser portelense. Isso aparece no verso “Eu sou Portela, onde todo encontro é sagrado / Quando um portelense é batizado / Canta os teus versos em oração”, que traz forte identificação com a comunidade, já que Monarco compôs grandes “hinos” de amor à escola. A composição também apresenta trechos liricamente belos, como “Vai, menino, o corpo é estandarte / Quem corteja o talabarte / Com o lenço entre as mãos / De certo, já conhece o caminho / Mesmo que em desalinho / Se aventure o coração”. O refrão tem sua beleza poética e melódica, além da fácil assimilação: “Não há nada que explique este sentimento / Por todos os tempos, por onde for / A Águia quando vê voar um filho / Lembra que lá em seu ninho / Monarco me ensinou o que é o amor / Portela me ensinou o que é o amor”. A defesa foi justa ao samba, entregando a energia que a composição pedia. Apesar do saudosismo, a melodia é um pouco mais enérgica. O rendimento foi bom, com os intérpretes mantendo a apresentação sem deixar o samba cair, embora a obra não tenha chegado a empolgar muito.

Parceria de Marcello Luz: A parceria de Marcello Luz teve Tem-tem Jr e Guto como intérpretes. A composição traz a lembrança de Monarco e se declara ao mestre. A estrofe “Portela é luz na poesia / O vento em memória floresce os quintais / Relembro onde o samba ecoava / No chão da morada / Menino a brincar / Saudosa Baixada encantada” foi bem cantada pelo povo. O refrão também foi cantado por muitos na quadra, sendo um dos mais quentes que passaram pela noite de disputa: “Oh! Minha Águia abre as asas sobre o céu / Traz o Monarco pra Portela de novo / Quem é raiz atravessa o véu / E vive eterno no canto do povo”. Em alguns momentos, o trecho “Mestre… seus versos em desalinho… / Um hino de amor feito acalanto… / A Velha Guarda abraçou entre cores e amores…” passou de forma um pouco arrastada. Ainda assim, a apresentação teve bom rendimento e crescimento ao longo da execução, tomando fôlego até o final.

Parceria de Noca Neto: Interpretada por Rodrigo Tinoco, a composição também assume um formato de carta a Monarco, tal qual a sinopse proposta. Porém, a obra traz como um de seus destaques o bom uso de composições de Monarco como recurso criativo e melódico: “‘Agora’ em meu altar se fez acalanto / A arte ‘Enxuga o Pranto’ pra ‘Retumbante Vitória’ / Glória com teu povo azul e branco / Tua voz é o encanto para o mundo ‘Vadiar’”. O verso “‘Agora’ em meu altar se fez acalanto”, em interpolação melódica de “Coração em Desalinho”, é indutivo ao canto e fácil de memorizar. Outro destaque melódico aparece no verso “Lá laiá laiá laiá / Se eu for falar de ti não vou terminar / ‘Juro que nem posso me lembrar’ / Se eu for falar de Monarco não vou terminar”, gostoso de ouvir e cantar. A melodia da obra, em geral, é muito agradável, apesar de não ser explosiva, e atende bem à composição. Entretanto, o refrão principal “Salve a Velha Guarda, salve o nosso sentinela / ‘Corre pra ver’, tua Portela! / Eterna é a minha devoção / Ao mestre, com carinho e gratidão” perdeu a oportunidade de ter a mesma força e destaque dos outros versos, passando sem brilho. A performance foi segura e teve a energia necessária à obra, com belas harmonias vocais do carro de som. Apesar do bom rendimento da apresentação, o samba foi recebido de forma fria pela quadra.

Parceria de Toninho Geraes: Um dos grandes destaques da noite foi a parceria de Toninho Geraes, defendida energicamente por Dowglas Diniz. A composição traz forte poética em mais uma carta endereçada ao Mestre, relembrando sua importância para a comunidade azul e branca de Madureira. O refrão principal, “Enxugue o pranto, diga a Deus e vem embora / Traga seu lenço pra essa gente que lhe adora / Viva Monarco! Portela canta feliz / Eternamente Hildemar Diniz”, mostrou sua força: estava na boca do povo desde o início e é um dos momentos mais fortes em melodia e letra, além de ser um dos refrões mais potentes desta noite de apresentação. Além dele, o pré-refrão, “Mestre, ‘a cor do nosso pavilhão’ / Nos conduz, é ‘a cor do nosso coração’ / É a luz, comunhão de gente bamba / A fé em Nossa Senhora e São Sebastião / Embala toda gratidão / Nos braços da Majestade do Samba”, também foi um momento quente. O refrão do meio, “Caiu no samba iaiá e a Águia chamou / Botou chapéu Panamá, ‘oh linda’ / História de amor / Poesia no quintal / Brincou o Carnaval / Com a bênção de Natal em Madureira”, é divertido e se destaca pelo jogo de palavras e por chamar um dos “ancestrais” da Portela, Natal. Evocar os nomes de Paulo, Candeia, Rufino e Natal é tocar no “centro de força” do portelense. Presentes em grandes clássicos da agremiação, esses nomes representam uma boa conexão com a memória da escola. A parceria teve ótimo rendimento, além de contar com alguns segmentos, como a presidência da escola, cantando o samba.

Parceria de Gerson PM: O penúltimo samba da noite foi interpretado por Paulo Bispo, Antônio Carlos, Joãozinho e Cecília D Preto. A obra traz a trajetória do mestre Monarco, destacando seu destino traçado pela música desde a infância. A composição apresenta uma melodia empolgante e foi defendida de forma enérgica. Entretanto, a performance careceu de fluidez, começando já atravessando a melodia e ficando desordenada durante boa parte da primeira passada. Os intérpretes também não pareciam muito seguros com a letra. Na terceira passada, o intérprete chegou a demonstrar fortemente falta de sustentação, parando os trechos com cansaço. Também merece destaque o trecho “Tendo fé no padroeiro e na loteria / Com o amor de Dona Olinda a cantar na boemia”, que apresenta uma melodia pouco coesa. O refrão “Olha o peixe, olha o peixe, freguesia! / Pelas feiras da cidade no dia a dia / Olha o peixe, olha o peixe, freguesia! / Cantando, ele vendia” é um recurso criativo que traz descontração e certa “bossa” à letra, apesar da repetição excessiva, que tira um pouco de sua força. O rendimento foi decrescente. A apresentação passou sem brilho, com a energia caindo ao longo da performance, com um público desconectado e desengajado.

Parceria de Wanderley Monteiro: Um dos grandes destaques da noite foi responsável por encerrar a disputa. A obra da parceria de Wanderley Monteiro foi defendida por Wander Pires, Wandinho e Charles Silva. Em sua composição, traz uma bela exaltação ao legado de Monarco e sua permanência na alma portelense. Tem seu ápice em “Eu sou a sua eterna continuação”, verso que sela a ideia de continuidade e da presença eterna de Monarco na “cultura portelense”. A performance teve um início de arrepiar, tamanha sua força, sustentado pelos versos, pela força poética e pela defesa brilhante do trio e de seu carro de som. Em destaque, o verso “A bênção, meu velho”, apresentado nessa mesma estrutura de início de estrofe, bate como uma memória recente para os sambistas e funciona muito bem, remetendo a uma construção lírica recentemente consagrada no Carnaval, sem perder a identidade da própria composição. O trecho “Pra entender tem que ter um ‘a’ / De amor, e um ‘quê’ / De Madureira na alma / Tem que ter a luz / Carregar no peito Oswaldo Cruz” foi fortemente cantado na quadra, além de carregar um dos destaques melódicos e criativos da obra. É um dos versos mais fortes da composição. Já o trecho “Agora uma enorme saudade devora”, alusão a “Coração em Desalinho”, está bem encaixado na canção, bem executado e indutivo ao canto. O refrão principal, “E por falar de amor, dos que não vão terminar / Falar de Monarco, meus olhos vão marejar / A Velha Guarda, teu sorriso na lembrança / Eu sou Portela desde os tempos de criança”, tem sua força especialmente no verso final. “Sou Portela desde os tempos de criança” bate forte no peito do portelense, trazendo um ponto de identificação ainda maior para uma relação que já é profundamente existente entre o torcedor e o enredo. O samba foi cantado do início ao fim pela quadra, de “cabo a rabo”, com pouca necessidade de “cola” da letra. A apresentação encerrou a noite levantando a quadra. Empolgou a Velha-Guarda e os baluartes, que se aproximaram do palco para cantar e dançar.

Império lota praça com Festa das Fantasias e transforma Jaguariúna na Casa Verde

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

O Império de Casa Verde inovou no último sábado. O Tigre fez a Festa dos Protótipos da agremiação para o Carnaval de 2027 cerca de 120 quilômetros distante de São Paulo, na cidade que é a homenageada no enredo da agremiação para o próximo desfile: “Sob o Céu do Interior, Brilha o Sonho Caipira: Jaguariúna, a Capital Country do Brasil”, assinado pelo carnavalesco Fábio Ricardo. Primeira escola a desfilar no sábado do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo, o Império de Casa Verde realizou a Festa dos Protótipos na praça Umbelina Bueno, no Centro de Jaguariúna, com ótima presença de público. O CARNAVALESCO esteve presente e ouviu personagens importantes para a escola e, também, para o próximo desfile do Tigre.

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Características

Um dos detalhes que mais chamou atenção nas fantasias do Império de Casa Verde para o Carnaval 2027 é a predominância do azul, marca da escola. Se o enredo sertanejo traz outras colorações, como o amarelo, na mente, Fábio Ricardo explica o motivo pelo qual escolheu tal paleta cromática: “Eu, antes de mais nada, refleti sobre o que é importante para mim e para a escola. Eu observei bastante alguns desfiles da escola e, nesses últimos anos, se perdeu a coisa da essência da escola, algo que grava muito: a cor. Eu fiz questão de trazer dentro da minha paleta de cores o azul da escola. E o azul de várias tonalidades. O azul com marrom, por sinal, dá uma elegância fantástica para quem sabe usar. Com um pouquinho do amarelo e do laranja, você consegue ter um pantone bonito dentro do enredo. Nas minhas pesquisas, por acaso, eu estava vendo uma loja de moda daqui justamente com o pantone que eu tinha feito para um dos setores meu. Pensei que em alguma coisa, pelo menos, eu estava acertando! Tudo foi feito com muita dedicação: não foi só coração, amor e essas coisas, não. Cada pecinha que foi colocada foi pensando na leitura da roupa, e no que o componente do Império de Casa Verde precisa vestir, principalmente a cor da própria escola”, destacou.

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Carnavalesco Fábio Ricardo

Outra característica marcante nas indumentárias imperianas é a volumetria: diversas fantasias tinham adereços altos, costeiros e movimentos. Para o carnavalesco, o apoio da agremiação foi bastante importante para a idealização de tais vestimentas: “Para cada enredo e para cada situação da escola, eu vi que é uma escola que eu consigo ter o respaldo de uma Direção de Carnaval, uma Direção de Harmonia, que vai ensaiar aquele efeito que vai na avenida. Eu não preciso ter uma ala de ação justificada para eu poder colocar no meio só aquilo que eu posso fazer, não. Uma fantasia em movimento, como por exemplo a do espantalho, faz o componente vibrar com ela. A fantasia não faz o componente ficar só andando. Em outras fantasias, como a do burrinho, o componente começa a galopar. Tudo foi detalhado, para cada setor também. Cada setor eu gosto de fazer algo que o jurado levanta um pouquinho da cadeira”, refletiu.

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Ao ser perguntado sobre um material que tenha destaque no conjunto de fantasias, Fábio Ricardo puxou para o country tão presente em Jaguariúna: “Eu usei couro, nunca tinha usado tanto couro, mas eu mandei fazer as franjas todas de couro e ainda pedi para dublar esse material. Ficou uma mutação de couro, como se fosse um courino de napa. Eu mandei dublar porque eu queria saber como que era o corte, como que era a espessura das coisas. Também fui na 25 de Março ver e buscar esses materiais: eu adoro a 25 de Março, é um laboratório para mim. Tem um setor todo de franja, que eu deixei especificamente pra mostrar o estilo country. Eu também fui mudando as cores dos couros todinhos e a leitura das franjas para cada figurino, também”, destacou.

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Presidente feliz

Mandatário imperiano, Fábio Leite, popularmente conhecido como Fabinho LS, mostrou-se bastante empolgado com o conjunto de fantasias da escola presidida por ele: “Não é fácil se locomover de São Paulo para cá, mas a ideia é trazer um pouco do Carnaval de São Paulo para o interior. O Fabinho é fora da curva, ele trouxe uma concepção de fantasia para nós que nos deixou muito contente. Muito, muito mesmo! É muito fora da curva, é algo assustador ver a ideia dele, a forma que ele trabalha, o planejamento que ele tem junto com o Roberto Vilaronga. Eles são fora da curva, é o que eu posso falar. Hoje vocês viram o que eu estou te dizendo”, comentou.

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Mandatário imperiano, Fábio Leite, popularmente conhecido como Fabinho LS

O dirigente aproveitou para falar sobre as sempre faladas alegorias do Império: “Eu já vi a primeira e a segunda alegorias. Desde a concepção do desenho e do que está trazendo para a grandiosidade que a gente carrega há anos, é algo que nos deixou muito, muito felizes. O pessoal de Parintins chegou agora para trabalhar e a gente está muito contente. De verdade, ele tem uma característica muito diferente do que a gente via e carregava nos últimos anos”, disse.

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União entre escola e cidade

Davi Neto, prefeito de Jaguariúna, aproveitou para contar o mote que uniu Império de Casa Verde e a cidade comandada por ele ao elogiar a agremiação carnavalesca: “Recentemente foi aprovado e reconhecido o fato de Jaguariúna ser a capital country do Brasil. Em paralelo a isso, O Império estava buscando algo que falasse do sertanejo, do homem do campo. Esse casamento foi perfeito, trazendo a história da cidade e a narrativa do homem do campo, mas com Jaguariúna como o plano de fundo. O homem do campo, de onde veio, de onde nasceu e o ápice da vida dele, em cima de um touro disputando um rodeio. A jornada do herói sendo contada na avenida com Jaguariúna passando por cada momento de toda a escola é o grande mote desse enredo”, explicou.

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Davi Neto, prefeito de Jaguariúna

Sobre o evento que aconteceu neste sábado e agitou toda a cidade, Davi comemorou a comunhão entre a instituição carnavalesca e a população do município: “Foi muito importante ver o Império fazendo a Festa dos Protótipos aqui na cidade, porque a conexão do homem do campo, das pessoas, do sertanejo, do caipira com o mundo do samba como um todo, precisava desse casamento. No lançamento do enredo, nós levamos ônibus para a quadra do Império, para viver o mundo do samba em São Paulo. E, hoje, para nós, é uma honra muito grande poder receber a família imperiana. Muitos chegaram aqui na cidade ontem, estão vivendo Jaguariúna, entendendo um pouquinho de como a cidade funciona. Eu falo que aqui as coisas têm outro formato. Aquela vida corrida de São Paulo é diferente aqui, é outra velocidade. Aqui a gente escuta o galo cantando de manhã, o pão assando no fogão a lenha, o café coado no coador de pano. Isso é Jaguariúna, isso é o campo e o interior”, enumerou.

O presidente imperiano também destacou o evento em praça pública: “O Carnaval é do povo, e a gente precisa quebrar um pouco essa barreira de se travar dentro de uma quadra e trazer para a rua. O prefeito de Jaguariúna, o Davi Neto, desde quando a gente trouxe o projeto e a ideia de homenagear a cidade de Jaguariúna, ele sempre foi muito propício a nos ajudar em todos os sentidos. Isso também é bom para a comunidade, sair um pouco da casinha e poder, de fato, perceber como é a imagem do homem do campo. Por mais próximo que seja de São Paulo, aqui ainda é uma cidade do homem do campo, que mostra o homem que trabalha, que labuta, que está na lida do dia a dia”, disse.

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O clima na produção da escola também foi elogiado. Ao ser perguntado sobre qual era a fantasia favorita dele, Fábio Ricardo preferiu falar de pessoas: “Os funcionários do ateliê são os meus favoritos. Engloba todos, e todos eles, de alguma forma, estão muito inseridos nisso. Eu peguei um ateliê que eu nunca tinha visto, eu tive o prazer de poder parar não só para passar o serviço, mas parar para poder explicar e ensinar muitas vezes, aprender com eles. Foi um trabalho dia a dia, como se fosse uma banca de faculdade. Me senti dando aula numa faculdade, foi tão gostoso! Hoje, por exemplo, vindo para cá, recebi de uma das funcionárias que estão ajudando uma mensagem tão bonita, que lacrimejou meus olhos, por sinal”, finalizou.

Festa em Jaguariúna

O evento na cidade começou cedo na praça Umbelina Bueno, com shows sertanejos, barracas de comidas e bebidas e o município claramente mobilizado para receber o Império de Casa Verde. Alguns dirigentes da agremiação destacaram que cerca de 500 imperianos estavam presentes no local. A “Barcelona do Samba”, bateria da escola, começou o esquenta por volta das 18h30, com o hino da instituição e alguns alusivos executados enquanto segmentos azuis e brancos (como o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Jeff Antony e Thais Paraguassu; Velha Guarda; Ala das Baianas; Destaques de Chão; e Passistas) se apresentavam.

Antes da exibição das fantasias, o samba-enredo de 2027 do Império de Casa Verde foi executado pelo carro de som, comandado por Tinga; e a apresentação do enredo foi realizada na cidade que é tema da agremiação.

Salgueiro apresenta ótimos sambas candidatos a hino vermelho e branco de 2027 em noite de eliminatórias da Chave Branca

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Foto: Matheus Vinícius/CARNAVALESCO

A disputa de samba do Salgueiro passou por mais uma noite de eliminatórias com a 1ª etapa da Chave Branca. A quadra da vermelho e branco recebeu a apresentação de sete sambas, após a desclassificação de duas composições por descumprimento de regras, e o resultado sairá nos próximos dias. A escola vai levar para a Marquês de Sapucaí o enredo “Laroyê, Xica da Silva: A história por trás da história” e será a terceira escola a desfilar na segunda-feira de carnaval. As eliminatórias continuam no próximo sábado, 22 de agosto, já com o chaveamento unificado.

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Parceria de Gerson Riosampa: A parceria que abriu a noite foi a dos compositores Gerson Riosampa, Claudionor Leite, Marcelo 100, Diego Tilin, Professora Tânia e Liane Harmonia, que contaram com uma torcida pequena. O refrão principal é o ponto alto do samba. Com esse começo, “Tragam os xequerês, dobrem os atabaques // Vai ter xirê outra vez nesse terreiro”, a música se pretende puxar um ritmo enérgico. Porém, a torcida pequena não empolgou o restante da quadra. Um ponto de atenção é a levada empregada pelos intérpretes. Alguns trechos, principalmente a segunda parte, necessitam de agilidade para pronunciar cada uma das palavras, mas percebeu-se que a emissão do canto produziu difícil entendimento.

Parceria de Ian Ruas: O trio de intérpretes Grazzi Brasil, Dowglas Diniz e Vitor Cunha puxou o samba dos compositores Ian Ruas, Caio Miranda, Zé Carlos, David Carvalho, Luiz Fernando, Luana Rosa, Fabiano Mattos e Carlão. Como uma das melhores apresentações da noite, a composição tem como recurso caminhos criativos, não óbvios e literais, ao se referir ao enredo. Um exemplo é a sutileza ao citar a representação de Xica da Silva no cinema, no teatro e na televisão com “Tal qual a trama da atriz // Que encenou, de uma vida, um capítulo só”. Além disso, o refrão principal se mostrou forte com os versos “Toda mulher tem direito à própria história // Meu Salgueiro é a memória que eu voltei pra consagrar”, assim como o refrão do meio, com impacto no verso “Meu corpo foi invasão, fetiche da branquitude!”. O samba sustentou a cadência intensa sem deixar cair o rendimento. Como resultado, o samba empolgou o público, além da volumosa torcida que a parceria contava.

Parceria de Rico Teixeira: A terceira parceria a se apresentar pela Chave Branca foi a de Rico Teixeira, Luiz Mangara, Darcy Maravilha, Carlinho Japona, Professor Claudio, Ananias, Marcílio Moreno, Professora, Jota Ailton e Romero. Interpretaram o samba-enredo Clóvis PE, Neto Braz, Robson Negreiros, Carol do Império e Thayan. Em aspecto de letra, os refrões se mostraram fáceis de decorar, pela repetição marcante de “Deixa a gira girar”, no refrão do meio, e de “Laroyê”, no refrão principal. Uma das melhores sequências de versos fica com “Todas marias, passistas e baianas são rainhas soberanas, diamantes do senhor // Nunca fui santa nem tampouco realeza, mas forjei minha nobreza gargalhando aonde vou // Nessa batida conto sem meia verdade que eu morro e de saudade do Tijuco, meu amor”. Mas é perceptível que os versos que citam as atrizes Taís Araújo e Zezé Motta ficaram descasados do resto do samba.

Parceria de T’Nem: Depois do Samba 10, foi a vez da parceria 02 subir ao palco. A composição desenvolvida por T’Nem, Renato Penna, André Monteiro, Chico Lero, DJ do Salgueiro Paulinho Letra, Wilsão do Salgueiro, Marcos Padrinho, Vinicius Ramos e Calazans foi puxada pelo intérprete Leandro Santos. Um traço interessante é que o refrão principal é curto e de fácil compreensão. Um ponto positivo é a ponte para o refrão principal, que começa em “Negra escola de samba, és minha inspiração” e termina com “Incorporada, quero ver quem vai segurar!”. A apresentação não teve problema de rendimento ou dificuldade de compreensão do samba. Portanto, fez uma passagem correta pela quadra do Salgueiro.

Parceria de Xande de Pilares: Em mais uma das melhores apresentações da noite salgueirense, Charles Silva defendeu com destreza a composição de Xande de Pilares, Fred Camacho, Betinho de Pilares, Miguel Dibo, Renato Galante, Jorginho Via 13, W. Correa, Orlando Ambrosio, Jefferson Oliveira e Rafael Gigante. Narrativamente, o samba é dividido em três partes e reúne equilibradamente as características da entidade e dos fatos históricos da homenageada, como fica marcado na sinopse. O refrão principal é cativante, com trechos que exaltam a personagem conectada à escola, por exemplo, em “A dona da casa quer girar furiosa no dendê” e “A moça incorporou na Academia”. O último refrão demonstra força ao descrever características importantíssimas de Xica da Silva e faz bom uso da alcunha em “Chegou a Xica que manda”. O intérprete e o apoio conseguiram sustentar bem o ritmo e a empolgação do samba. Aparentemente com a maior torcida da Chave Branca, os torcedores chegaram com grandes leques, bandeiras e balões, o que levou o público comum a interagir com a torcida.

Parceria de Marcelo Adnet: O intérprete da Acadêmicos do Viradouro, Wander Pires, apresentou o samba de Marcelo Adnet, Gustavo Albuquerque, Babby do Cavaco, André Capá, Bruno Zullo, Igor Marinho, Pedro Ayres, Sergio Pimentel, De Lima e Fabiano Paiva. O pré-refrão “Quero ver bater de frente com a escola de Xangô” esquenta o samba para chegar ao refrão principal. Sobre o refrão principal, observa-se a evidente referência ao samba campeão de 1963 em homenagem à Xica da Silva. Além disso, o refrão mais interessante da música é o do meio, com os versos “Avisa na casa grande meu nome é Francisca” e “Arreda, moço, Xica dá o que quiser”, em referência a Jorge Ben. Completando a lista de destaques da eliminatória, a parceria de Marcelo Adnet conseguiu manter a quadra empolgada; não houve momentos de queda de rendimento.

Parceria de Gui Salgueiro: Para fechar a madrugada, os compositores Gui Salgueiro, Daniel Rozadas, Marcão Campos, Fábio Teixeira, Geraldo da Valda, Dennis Garcia, Júlio James, Marcelo Peixoto, Ricardo Henrique e Walter Monteiro contaram com o talento dos intérpretes Luana Pinheiro e Guto Intérprete. A melhor parte do samba é a primeira, cuja força se expressa com versos como “Oi, gira saia, vento sopra, gargalhada […] É Mojubá, Senhoras da Academia”. Além disso, o refrão principal é potente e fecha bem com “Sou Xica da Silva e do Salgueiro”. Infelizmente, o começo da segunda parte tem versos que os intérpretes não foram capazes de pronunciar com segurança em alguns momentos, pelo ritmo com mais nuances nessa introdução.

Alto nível! Mangueira mantém disputa acirrada pelo samba de 2027

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Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Nem o mau tempo que atingiu o Rio de Janeiro durante todo o dia afastou o público da quadra da Mangueira no último sábado. Com a casa lotada, quatro sambas-enredo foram apresentados em mais uma etapa da disputa para o Carnaval 2027, em uma noite marcada pelo alto nível das obras e pela forte participação da torcida. Ao fim da eliminatória, três parcerias avançaram para a próxima fase, enquanto o samba 09, da parceria de Gustavo Louzada, foi eliminado. Abaixo, a análise do CARNAVALESCO sobre as apresentações das obras classificadas.

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Parceria de Arlindinho: Defendido por Evandro Malandro, Bruno Ribas e Vitor Cunha, o samba da parceria de Arlindinho, Pedro Terra, Tomaz Miranda, Herval Neto, Paulo César Feital e Igor Leal já começou a disputa em alta. Antes mesmo de os intérpretes assumirem o comando da apresentação, a torcida já cantava a obra, mostrando a força que o samba conquistou junto ao público. Ao longo das passadas, a conexão entre cantores e torcida se manteve em alto nível, com uma interpretação firme e constante. O grande destaque ficou para o refrão principal, de forte apelo popular e que encontrou resposta imediata na quadra. A estrutura da obra contribui para esse efeito, especialmente no diálogo entre os diferentes momentos do samba. O trecho “Dobra o adarô, rufa o alujá, no toque de guerra a Mangueira vai passar” funciona como preparação para a retomada do refrão, criando dinâmica e mantendo a apresentação em movimento. Outro ponto alto foi justamente o momento em que os intérpretes entregaram o canto para a torcida, conforme determinou a regra da disputa. A quadra respondeu à altura, transformando a passagem em um dos momentos mais fortes da apresentação e evidenciando a capacidade de comunicação do samba para além da própria parceria. Na construção da letra, a obra encontra caminhos poéticos para apresentar características de Oyá e sua relação com Xangô, com imagens como “na fúria de um furacão a fera vai se transformar, asas de labá-labá”. O samba também estabelece uma conexão interessante com a própria Mangueira ao citar a quarta-feira, dia dedicado à orixá, justamente como a data em que a escola encerrará os desfiles do Grupo Especial. A melodia possui força e poucas oscilações que comprometam sua condução. Mais do que apostar em um único momento de explosão, o samba consegue manter um rendimento elevado durante toda a apresentação, sustentado pelo trabalho dos intérpretes e pela adesão da torcida. Por fim, foi um samba que mostrou grande capacidade de funcionar na quadra, teve um excelente desempenho e saiu fortalecido da disputa.

Parceria de Chacal do Sax: Defendido por Pixulé e Tinguinha, o samba da parceria de Chacal do Sax, Verônica dos Tambores, Laura Roméro, Rafael Capiberibe, Giovani e Ronnie Machado teve nos intérpretes um de seus principais trunfos nesta apresentação. A dupla conduziu a obra com segurança, mantendo a letra bem compreensível e imprimindo energia ao canto durante toda a passagem. Mesmo com uma torcida numericamente menor em relação às demais parcerias classificadas, a resposta na quadra foi positiva e constante. O refrão principal aparece como um dos grandes pontos de força da obra. “Ô ô ogã, bate o aro ogã, eu sou Mangueira, ventania de Yansã, iluminando essa favela inteira, Oyá por nós da Estação Primeira” possui uma melodia de assimilação imediata, com um canto simples de acompanhar e forte capacidade de envolver o componente. A resposta da torcida confirmou essa característica, com o refrão funcionando bem nas diferentes passadas. Antes dele, a obra constrói uma sequência de crescimento que passa pelo trecho “Quando ela passa, nada fica no lugar! / Incendeia, mãe! Incendeia! / Eu não seria nada sem Oyá! / Quem é do fogo tem dendê na veia!”. Os versos reforçam a imagem de uma Oyá em movimento, associada ao fogo, à força e à transformação, e entregam ao refrão uma carga de energia que favorece a apresentação. Outro momento que merece destaque foi o canto da torcida à capela. Ela respondeu com potência quando chamada a participar, mostrando que a obra conseguiu estabelecer uma relação efetiva com quem estava presente na quadra. A participação foi animada do começo ao fim e ajudou a sustentar o rendimento do samba. Na letra, a parceria percorre diferentes aspectos ligados a Oyá, passando pelos caminhos, pela religiosidade e pelos ritos do Candomblé, sem abandonar a relação direta com a Mangueira. Musicalmente, a obra alterna passagens de maior intensidade com momentos mais cadenciados, mas encontra no refrão principal seu ponto de maior comunicação. Foi uma apresentação segura, valorizada principalmente pela força dos intérpretes e pela facilidade com que seus principais momentos chegaram à quadra.

Parceria de Lequinho: Fechando a noite, a parceria de Lequinho, Júnior Fionda, Gabriel Machado, Orlando Ambrósio, Guilherme Sá e Paulinho Bandolim teve uma recepção que impressionou desde antes do início da apresentação. Tinga, Charles Silva e a equipe de cordas ainda se preparavam no palco quando a quadra já cantava o refrão principal em alto volume. A torcida sustentou o samba durante toda a passagem e, em determinado momento, chegou a cantar uma passada inteira, com a participação de diferentes segmentos da escola, especialmente das baianas, que se posicionaram à frente da torcida organizada. Tinga teve papel importante para manter o samba em alto rendimento. O intérprete conduziu a obra com segurança e intensidade, mas encontrou uma quadra que já conhecia e cantava a letra inteira. Essa adesão não ficou restrita à torcida da parceria: o samba também foi bastante entoado por quem estava na quadra sem integrar o grupo organizado, um indicativo da facilidade de comunicação que a obra apresentou nesta noite. O refrão do meio, “Iyá mesan orun, treme-terra, desce o morro, sobe o run, é guerra, bate o Oguê que o sangue tem Dendê, tá pra nascer quem manda nela”, concentra uma das características mais marcantes do samba: a linguagem direta e afirmativa. O trecho cresceu nas passadas e encontrou forte resposta da quadra, funcionando como um dos principais pontos de sustentação da apresentação. A letra também se destaca por aproximar os atributos de Oyá de questões que ultrapassam a narrativa religiosa. O verso “O Brasil da intolerância eu despacho no ebó” aborda a intolerância religiosa, enquanto “porque não existe macho que levante a mão pra mim, é que eu sou preta, macumbeira e de Oyá” traz uma afirmação de identidade que encontrou forte identificação no público e foi cantado com uma emoção especial por diversos componentes, com pessoas batendo no peito ao entoá-lo. É um verso de grande força semântica e que, na quadra, mostrou capacidade de criar pertencimento. O refrão principal, “Oyá Tetê Oyá Tetê Oyá, Oyá Tetê Oyá Mangueira Yabá, Ê mamãe, traz de novo teu axé, relampejou pra vitória, Motumba Lè”, confirmou a força popular da obra. Cantado em alta intensidade pela torcida e pelos intérpretes, levantou a quadra em todas as passadas e encerrou a disputa em clima de grande empolgação. É um samba que se apresentou com muita força e capacidade de comunicação, especialmente pela combinação entre uma torcida extremamente participativa, um intérprete em alto rendimento e versos que encontraram identificação imediata. No mais, a parceria fechou a noite como uma das grandes forças da eliminatória.

Análise: Sambas despontam na primeira etapa de disputa na Imperatriz

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Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

A Imperatriz abriu sua disputa de samba-enredo na feijoada, no último sábado, em sua quadra, em Ramos. A escola encerrará a segunda-feira de carnaval com o enredo “A Memória do Rei e o Sumiço de Dona Júlia”, desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira. Nesta primeira fase, 27 parcerias se apresentaram, e destas, 10 seguem na disputa. A próxima fase ocorrerá na próxima sexta-feira. A seguir, o CARNAVALESCO analisa as apresentações dos sambas classificados nesta etapa do concurso.

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Parceria de Matheus Pranto: A nona parceria a se apresentar na tarde de sábado foi defendida por Preto Joia, Dowglas Diniz e Tinguinha. O samba 13 apresentou um dos trabalhos melódicos mais interessantes da noite, com ótimo rendimento, fruto de uma defesa segura e enérgica. A obra se volta diretamente à narrativa do desaparecimento de Dona Júlia e também explora o ritual de reencantamento da boneca após seu retorno como um artifício lírico e melódico: “Foi cabra calçada com bicho de pena / Menga no ori / Renasceu pelo sagrado no peji”. Mais poética que descritiva, sem perder a função de sintetizar bem o rito. Poucos sambas utilizaram esse recurso, mas essa obra garantiu uma abordagem mais criativa a esse momento-chave do enredo, que aborda o “Sumiço da calunga Dona Júlia”. A composição traz refrões fortes, como “Iya kekere eu vi a terra tremer, Iya kekere é a noite do dendê / Imperatriz no toque da alfaia e ganzá / É mandinga de Xangô, tem mironga de Oxalá”, por seu lirismo, construção melódica, além da performance dos intérpretes, que potencializaram o peso natural do trecho, balançando a quadra. Outro momento de destaque foi o verso “Cadê a boneca?”, que explodiu, contagiante. A performance embalou não só os presentes, de maneira geral, mas também alguns segmentos, como a presidência, a equipe criativa e o carro de som.

Parceria de Zé Katimba: A parceria do baluarte Zé Katimba foi a décima primeira apresentação da noite. A obra foi defendida por Nego, Bruno Ribas e Juan Briggs e traz em sua composição um foco no retorno da calunga e na essência religiosa do Maracatu Nação, além de abordar o ritual de reencantamento da boneca após seu retorno. O samba tem sua força na composição, com uma melodia que abraça com a potência necessária. Tem refrões potentes que utilizam a repetição como artifício, e que foi eficaz para o público presente: “Igbalé Oyá, Igbalé Oyá / Meia-noite na matriz, meia-noite na matriz / Na boneca de madeira o egun da catimbozeira é o axé da Imperatriz”. A performance foi enérgica, porém, na primeira passada, alguns dos intérpretes demonstravam falta de intimidade com a letra, chegando a executar de forma um pouco truncada a repetição do refrão “Igbalé Oyá, Igbalé Oyá…”. Ainda assim, a defesa engatou ao longo da apresentação, com um rendimento crescente, terminando em um bom momento. Teve seu ápice na última passada do refrão principal, deixando um gostinho de “quero mais” nos presentes na quadra, que cantavam alto.

Parceria de Eduardo Medrado: A parceria de Eduardo Medrado foi a décima sexta a se apresentar. Wander Pires, Wandinho e Tinganá são os intérpretes oficiais, porém, Wander Pires não esteve presente na noite de hoje. Em sua narrativa, a composição é bem imagética, com uma abordagem criativa ao sumiço de Dona Júlia: “Rei do Congo atravessa o mar / Novas vestes vão lhe cortejar / É preto, banto e nagô / Se fez maracatu / Fio de Orum à eternidade / Rito de egum, ancestralidade / No trono da anciã, calunga guardiã / Moldada no ifé, reluz no cinzel / Veludo protetor, colares, paetês e um véu”. A construção melódica do refrão “Deu meia-noite, mas por lá é meio-dia / Tambor ressoa pro tambor que silencia / Maracatu Porto Rico é fundamento e raiz / É sentimento feito Imperatriz” é gostosa de ouvir, apesar de perder um pouco da potência lírica. A obra teve uma apresentação mais morna em comparação a outras obras da noite, obtendo um rendimento regular, sem grandes momentos de impacto no público.

Parceria de Josimar: Defendido por Pixulé, o décimo sétimo samba a se apresentar foi um dos grandes destaques da noite. A performance iniciou com o pé direito, trazendo uma introdução bonita e poética, valendo-se de todo o potencial do grande tenor do Carnaval, embelezando a performance, e aqueceu a quadra antes mesmo do início oficial da música, fazendo o público vibrar. Em sua composição, a obra se volta ao retorno de Dona Júlia ao Maracatu Porto Rico, explorando a narrativa com um olhar mais criativo e menos preso à simples reprodução da sinopse. O trecho “Quando o portão abrir, eparrey Oyá! / Que a ancestralidade venha nos guiar! / A gira vai começar” foi um dos pontos altos do samba – contagiante, forte e com uma boa melodia. O verso “Tem macumba e maracatu segunda-feira” espelha um dia de importância para os ritos do Maracatu Porto Rico com o dia de desfile da Rainha de Ramos em 2027 e é um destaque da construção lírica. Além da brincadeira com a expansão do sentido da frase, o verso aproxima a narrativa da comunidade. Outro destaque está nas variações melódicas de “Gira aí calunga / Boneca morada do egum no ayê”; o samba também apresenta soluções mais criativas para contar a história, como em “No encanto do criador, Porto Rico perguntou: ‘Dona Júlia, cadê você?’”, que também “explodiu” na quadra. A defesa de Pixulé foi enérgica e deu mais brilho à obra. Uma defesa equivalente à potência do samba e de rendimento excelente do início ao fim. Baianas, harmonia e direção de Carnaval também cantaram e bailaram o samba durante a apresentação, que conseguiu esquentar a quadra e fazer o refrão pegar rapidamente.

Parceria de Jeferson Lima: A décima oitava apresentação da tarde foi a parceria de Jeferson Lima, defendida por Evandro Malandro e Lissandra Oliveira. Com dois intérpretes de peso, a apresentação começou com impacto dos intérpretes: Lissandra brilhou na introdução, com toques de adaró evocando Oyá, que energizou a quadra. A composição começa explorando o valor histórico do Maracatu, resgatando a nobreza negra do Congo e a trajetória construída por pessoas escravizadas e suas gerações. A narrativa depois se aproxima da relação encantada de Dona Júlia com a festa. Em destaque, os versos “Banto, traço nagô / Laço, cor e saudade / Dama do laço, porta-estandarte…” apresentam uma construção poética que desemboca no refrão “Gira, girou, deixa girar / Tem carnaval além da despedida”. O comando “gira, girou, deixa girar” fez sucesso na quadra. O simples verso “Dona Júlia volta pro seu terreiro” também mostrou sua força: rapidamente passou a ser cantado pela quadra. Outro destaque foi “Ê calunga! Ê calunga! / Dona Júlia assentamento, seu egum foi abraçar”, impulsionado por sua melodia, que ganhou o peso dos atabaques. Além do público geral, a diretoria e o carnavalesco demonstraram estar contagiados pela melodia. O rendimento foi excelente e a composição conseguiu fazer com que parte significativa da quadra acompanhasse o samba para além do refrão.

Parceria de Moisés Santiago: A parceria de Moisés Santiago foi a décima nona apresentação, performada por Igor Sorriso, Wic Tavares, Tuninho Júnior, Rodrigo Tinoco e Diego Nicolau. A composição evoca a força histórica do maracatu e seus ritos e o reencantamento da boneca Dona Júlia. Um dos destaques é o início já forte: “Vai ter baque virado na segunda-feira pra coroar a Imperatriz macumbeira”. Na estrofe, “Ê calunga aê, calunga aê, calunga Dona Santa encantada foi guiada ao Orúm / Calunga aê, calunga aê, calunga é boneca Dona Júlia, guardiã do seu egúm” e, no refrão, “Ilê Axè Oyá Menguê, Olinda te cuidou na tradição Xambá” também há interessantes variações rítmicas. O samba, no geral, apresenta certo “swing” por todo o seu corpo melódico. A defesa foi enérgica, embora o rendimento geral tenha sido regular, recebido de maneira mais morna pelo público. Mesmo sem atingir o mesmo brilho de outros sambas da noite, a melodia foi o maior ponto de destaque da apresentação: apesar de não acompanharem o canto, muitos se balançavam ao ritmo da obra.

Parceria de Guga Martins: A parceria de Guga Martins foi defendida por Marquinhos Art Samba na vigésima primeira apresentação da noite. A composição traz uma abordagem mais criativa da narrativa e de força poética, sem seguir necessariamente uma linha cronológica dos acontecimentos propostos pela sinopse, com ênfase nos versos: “Maracatu a wurè egun iê / Baque virou e balançou o mar / Maracatu é fundamento, macumba calunga! / O sagrado que vou carregar / O couro dos batuques virou a maré / Nos passos que já foram guardei minha fé…”; e “Guardada em desencanto, ela sumiu / Tantos anos de vazio, encontrada em Olinda / Alafiou na trama de Arupemba / No ilê do caçador…”. Seu momento de peso e destaque se dá nos refrões como “Ê Congo aê gonguê… gira Imperatriz! / Ê Congo aê gonguê… canta forte Imperatriz”, que se espalhou rapidamente pela quadra; e o refrão “Oyá balé e láári ó! / Oyá balé roda contra o tempo a nossa gente e a coroa da ‘nação’ leopoldinense”. Um dos méritos do destaque se dá pela performance dos intérpretes: limpa, forte e de harmonias muito bonitas e agradáveis de ouvir, que fizeram a composição brilhar. A apresentação teve um bom rendimento e conseguiu contagiar parte da quadra, especialmente nos refrões.

Parceria de Me Leva: A vigésima quarta apresentação da noite, da parceria Me Leva, foi defendida por Grazzi Brasil e Chicão. Igor Vianna também compõe o time de intérpretes, mas não estava presente. A obra apresentou uma melodia de grande força, vibrante, com influência do ritmo do maracatu, à altura da composição. Um dos destaques está na utilização do ritual de purificação de Dona Júlia como recurso lírico e melódico. O trecho “É galinha-d’angola, farinha / Sangue no couro / Sassanha pra folha de boldo…” cria uma construção que estimula o canto e o acompanhamento com palmas. É um trecho que tem certa complexidade melódica e lírica, mas foi muito bem executado pelos intérpretes. A melodia, inclusive, é um destaque no desenvolvimento desse trecho por sua variação. O recurso ganha ainda mais importância porque o samba segue uma narrativa em ordem cronológica, próxima à apresentada na sinopse, encontrando na música uma maneira de criar movimento dentro dessa estrutura. Outro destaque é o poderoso refrão “OYÁ OYÁ… Ê LARI Ô OYÁ BALÉ OYÁ OYÁ… Ê LARI Ô OYÁ BALÉ QUE MEU OGÃ EVOQUE UM PONTO DE MACUMBA PRA GANHAR A RUA A IMPERATRIZ DO CANDOMBLÉ”, por sua força e beleza poética. O samba teve um bom rendimento, e a performance conseguiu animar a quadra, além da direção, da bateria e da equipe criativa, que cantaram o samba do início ao fim.

Parceria de Hélio Porto: A parceria campeã da junção do samba de 2026 foi a penúltima a se apresentar. O samba de Hélio Porto e companhia, defendido por Charles Silva, foi um dos grandes destaques da noite. A composição dá foco maior ao lado ritualístico e espiritual do Maracatu Nação Porto Rico, com uma construção lírica potente e poderosos refrões, com toda a força de um bom samba-enredo “afro”. Mais uma vez, a exploração do ritual de reencantamento no trecho “Vai começar o ritual: tem vela acesa, couro em sangue, copo d’água / A cantiga tira mágoa / Veste branco no roncó… / Quem vai pra rua não vai só” foi reproduzida muito bem, em um momento de destaque e peso melódico. Outro ponto alto é a interpolação melódica de “Deu meia-noite”, alusão a um ponto de Umbanda, que cria um momento indutivo ao canto e funcionou bem na quadra. O refrão “Akoro mina dewa Oya afulele / Akoro mina dewa motumbalê / Catimbó, catimbozeiro nos encantos da calunga / Imperatriz firma seu ponto na macumba!” também foi executado e recebido à altura de sua força. O samba levantou a quadra já no final da noite, com um ótimo rendimento. Agitou os que ainda estavam presentes e contagiou a direção da agremiação, a equipe criativa e o mestre-sala.

Parceria de Renan Gêmeo: Encerrando a noite, a parceria de Renan Gêmeo foi interpretada por Wantuir. O samba, apesar de se ater à cronologia e à narrativa apresentada na sinopse, se destaca por uma abordagem mais narrativa, exaltada por sua melodia vibrante. O refrão “Imperatriz tem mironga de macumbeiro” foi um dos destaques, enquanto a melodia apresentou influências do toque do Maracatu, reforçando a conexão musical com o universo do enredo. Outro momento interessante aparece em “A eparrey! O destino na trama de arupemba / É lei, é lei / Fundamento de orixá”, que traz uma variação melódica bastante agradável de ouvir e bem executada na performance. No geral, a apresentação teve um rendimento crescente e terminou a noite em alta, com uma quadra mais receptiva e participativa, que chegou a contagiar alguns segmentos.

Beija-Flor anuncia parcerias campeãs da etapa de Belém

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Foto: Reprodução de internet

A Beija-Flor de Nilópolis anunciou, no último sábado, as duas agremiações paraenses vencedoras da etapa especial realizada em Belém do Pará: Bole Bole e Xodó da Nega. As obras foram selecionadas para representar o Pará na disputa de samba-enredo do Carnaval 2027 da escola.

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Como campeãs da etapa paraense, as duas obras garantiram vaga direto na semifinal da disputa de samba-enredo da Beija-Flor, que acontece no dia 3 de setembro, no Rio de Janeiro, quando irão concorrer com as demais composições classificadas nas eliminatórias realizadas na quadra da escola.

A etapa de Belém integra o intercâmbio cultural promovido pela Beija-Flor em torno do enredo “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”, dedicado à trajetória da pajé marajoara Zeneida Lima. A programação contou com a presença da comitiva liderada pelo presidente Almir Reis, além de artistas, equipe de pesquisa, profissionais do Carnaval e integrantes da diretoria.