
O Império de Casa Verde inovou no último sábado. O Tigre fez a Festa dos Protótipos da agremiação para o Carnaval de 2027 cerca de 120 quilômetros distante de São Paulo, na cidade que é a homenageada no enredo da agremiação para o próximo desfile: “Sob o Céu do Interior, Brilha o Sonho Caipira: Jaguariúna, a Capital Country do Brasil”, assinado pelo carnavalesco Fábio Ricardo. Primeira escola a desfilar no sábado do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo, o Império de Casa Verde realizou a Festa dos Protótipos na praça Umbelina Bueno, no Centro de Jaguariúna, com ótima presença de público. O CARNAVALESCO esteve presente e ouviu personagens importantes para a escola e, também, para o próximo desfile do Tigre.
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Características
Um dos detalhes que mais chamou atenção nas fantasias do Império de Casa Verde para o Carnaval 2027 é a predominância do azul, marca da escola. Se o enredo sertanejo traz outras colorações, como o amarelo, na mente, Fábio Ricardo explica o motivo pelo qual escolheu tal paleta cromática: “Eu, antes de mais nada, refleti sobre o que é importante para mim e para a escola. Eu observei bastante alguns desfiles da escola e, nesses últimos anos, se perdeu a coisa da essência da escola, algo que grava muito: a cor. Eu fiz questão de trazer dentro da minha paleta de cores o azul da escola. E o azul de várias tonalidades. O azul com marrom, por sinal, dá uma elegância fantástica para quem sabe usar. Com um pouquinho do amarelo e do laranja, você consegue ter um pantone bonito dentro do enredo. Nas minhas pesquisas, por acaso, eu estava vendo uma loja de moda daqui justamente com o pantone que eu tinha feito para um dos setores meu. Pensei que em alguma coisa, pelo menos, eu estava acertando! Tudo foi feito com muita dedicação: não foi só coração, amor e essas coisas, não. Cada pecinha que foi colocada foi pensando na leitura da roupa, e no que o componente do Império de Casa Verde precisa vestir, principalmente a cor da própria escola”, destacou.

Outra característica marcante nas indumentárias imperianas é a volumetria: diversas fantasias tinham adereços altos, costeiros e movimentos. Para o carnavalesco, o apoio da agremiação foi bastante importante para a idealização de tais vestimentas: “Para cada enredo e para cada situação da escola, eu vi que é uma escola que eu consigo ter o respaldo de uma Direção de Carnaval, uma Direção de Harmonia, que vai ensaiar aquele efeito que vai na avenida. Eu não preciso ter uma ala de ação justificada para eu poder colocar no meio só aquilo que eu posso fazer, não. Uma fantasia em movimento, como por exemplo a do espantalho, faz o componente vibrar com ela. A fantasia não faz o componente ficar só andando. Em outras fantasias, como a do burrinho, o componente começa a galopar. Tudo foi detalhado, para cada setor também. Cada setor eu gosto de fazer algo que o jurado levanta um pouquinho da cadeira”, refletiu.

Ao ser perguntado sobre um material que tenha destaque no conjunto de fantasias, Fábio Ricardo puxou para o country tão presente em Jaguariúna: “Eu usei couro, nunca tinha usado tanto couro, mas eu mandei fazer as franjas todas de couro e ainda pedi para dublar esse material. Ficou uma mutação de couro, como se fosse um courino de napa. Eu mandei dublar porque eu queria saber como que era o corte, como que era a espessura das coisas. Também fui na 25 de Março ver e buscar esses materiais: eu adoro a 25 de Março, é um laboratório para mim. Tem um setor todo de franja, que eu deixei especificamente pra mostrar o estilo country. Eu também fui mudando as cores dos couros todinhos e a leitura das franjas para cada figurino, também”, destacou.

Presidente feliz
Mandatário imperiano, Fábio Leite, popularmente conhecido como Fabinho LS, mostrou-se bastante empolgado com o conjunto de fantasias da escola presidida por ele: “Não é fácil se locomover de São Paulo para cá, mas a ideia é trazer um pouco do Carnaval de São Paulo para o interior. O Fabinho é fora da curva, ele trouxe uma concepção de fantasia para nós que nos deixou muito contente. Muito, muito mesmo! É muito fora da curva, é algo assustador ver a ideia dele, a forma que ele trabalha, o planejamento que ele tem junto com o Roberto Vilaronga. Eles são fora da curva, é o que eu posso falar. Hoje vocês viram o que eu estou te dizendo”, comentou.

O dirigente aproveitou para falar sobre as sempre faladas alegorias do Império: “Eu já vi a primeira e a segunda alegorias. Desde a concepção do desenho e do que está trazendo para a grandiosidade que a gente carrega há anos, é algo que nos deixou muito, muito felizes. O pessoal de Parintins chegou agora para trabalhar e a gente está muito contente. De verdade, ele tem uma característica muito diferente do que a gente via e carregava nos últimos anos”, disse.

União entre escola e cidade
Davi Neto, prefeito de Jaguariúna, aproveitou para contar o mote que uniu Império de Casa Verde e a cidade comandada por ele ao elogiar a agremiação carnavalesca: “Recentemente foi aprovado e reconhecido o fato de Jaguariúna ser a capital country do Brasil. Em paralelo a isso, O Império estava buscando algo que falasse do sertanejo, do homem do campo. Esse casamento foi perfeito, trazendo a história da cidade e a narrativa do homem do campo, mas com Jaguariúna como o plano de fundo. O homem do campo, de onde veio, de onde nasceu e o ápice da vida dele, em cima de um touro disputando um rodeio. A jornada do herói sendo contada na avenida com Jaguariúna passando por cada momento de toda a escola é o grande mote desse enredo”, explicou.

Sobre o evento que aconteceu neste sábado e agitou toda a cidade, Davi comemorou a comunhão entre a instituição carnavalesca e a população do município: “Foi muito importante ver o Império fazendo a Festa dos Protótipos aqui na cidade, porque a conexão do homem do campo, das pessoas, do sertanejo, do caipira com o mundo do samba como um todo, precisava desse casamento. No lançamento do enredo, nós levamos ônibus para a quadra do Império, para viver o mundo do samba em São Paulo. E, hoje, para nós, é uma honra muito grande poder receber a família imperiana. Muitos chegaram aqui na cidade ontem, estão vivendo Jaguariúna, entendendo um pouquinho de como a cidade funciona. Eu falo que aqui as coisas têm outro formato. Aquela vida corrida de São Paulo é diferente aqui, é outra velocidade. Aqui a gente escuta o galo cantando de manhã, o pão assando no fogão a lenha, o café coado no coador de pano. Isso é Jaguariúna, isso é o campo e o interior”, enumerou.
O presidente imperiano também destacou o evento em praça pública: “O Carnaval é do povo, e a gente precisa quebrar um pouco essa barreira de se travar dentro de uma quadra e trazer para a rua. O prefeito de Jaguariúna, o Davi Neto, desde quando a gente trouxe o projeto e a ideia de homenagear a cidade de Jaguariúna, ele sempre foi muito propício a nos ajudar em todos os sentidos. Isso também é bom para a comunidade, sair um pouco da casinha e poder, de fato, perceber como é a imagem do homem do campo. Por mais próximo que seja de São Paulo, aqui ainda é uma cidade do homem do campo, que mostra o homem que trabalha, que labuta, que está na lida do dia a dia”, disse.

O clima na produção da escola também foi elogiado. Ao ser perguntado sobre qual era a fantasia favorita dele, Fábio Ricardo preferiu falar de pessoas: “Os funcionários do ateliê são os meus favoritos. Engloba todos, e todos eles, de alguma forma, estão muito inseridos nisso. Eu peguei um ateliê que eu nunca tinha visto, eu tive o prazer de poder parar não só para passar o serviço, mas parar para poder explicar e ensinar muitas vezes, aprender com eles. Foi um trabalho dia a dia, como se fosse uma banca de faculdade. Me senti dando aula numa faculdade, foi tão gostoso! Hoje, por exemplo, vindo para cá, recebi de uma das funcionárias que estão ajudando uma mensagem tão bonita, que lacrimejou meus olhos, por sinal”, finalizou.
Festa em Jaguariúna
O evento na cidade começou cedo na praça Umbelina Bueno, com shows sertanejos, barracas de comidas e bebidas e o município claramente mobilizado para receber o Império de Casa Verde. Alguns dirigentes da agremiação destacaram que cerca de 500 imperianos estavam presentes no local. A “Barcelona do Samba”, bateria da escola, começou o esquenta por volta das 18h30, com o hino da instituição e alguns alusivos executados enquanto segmentos azuis e brancos (como o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Jeff Antony e Thais Paraguassu; Velha Guarda; Ala das Baianas; Destaques de Chão; e Passistas) se apresentavam.
Antes da exibição das fantasias, o samba-enredo de 2027 do Império de Casa Verde foi executado pelo carro de som, comandado por Tinga; e a apresentação do enredo foi realizada na cidade que é tema da agremiação.









