A Primeira da Cidade Líder realizou um grande evento em sua quadra. Na ocasião, a agremiação da Zona Leste apresentou o tema para o Carnaval 2027, acompanhado do samba-enredo que irá embalar o desfile da Fênix. Além disso, foi apresentado o novo intérprete da escola. Trata-se do renomado Igor Vianna, que já teve destaque no carnaval paulistano pela Tucuruvi e, sobretudo, no Camisa Verde e Branco. A agremiação irá levar para a avenida o enredo “David Assayag – A voz da Amazônia”, assinado pelo carnavalesco Pai Léo. A proposta é uma homenagem ao gigante levantador de toadas, com uma grande trajetória no Boi-Bumbá Garantido, mas que também deixou seu legado no Caprichoso. O misto de homenagem com fragmentos indígenas é a aposta da escola do Acesso 2 para, novamente, tentar a sua sonhada vaga no Grupo de Acesso 1. O CARNAVALESCO esteve presente no evento e conversou com as principais personalidades da agremiação.

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O presidente da Primeira da Cidade Líder, Mario Alves, promete mais um grande carnaval da Fênix paulistana. “Hoje é o nosso dia, o dia do nosso enredo e do nosso samba. O samba está muito bonito, e o enredo também é muito bom. É uma proposta que vai surpreender a avenida, e tenho certeza de que chegaremos fortes ao Carnaval 2027. O tema foi indicado pelo nosso carnavalesco, e abraçamos a ideia. Achamos que era uma proposta interessante, que segue uma linha que já vínhamos adotando, a de homenagear personalidades. Fizemos homenagens à Portela, ao Salgueiro e ao Paulo Barros, e agora chegou a vez do David Assayag, que é uma pessoa maravilhosa e tem uma história muito bonita”, declarou.

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Presidente da Primeira da Cidade Líder, Mario Alves. Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

O dirigente ainda rasgou elogios ao samba-enredo apresentado. “O samba é maravilhoso! Quem o compôs é formado por grandes campeões do carnaval de São Paulo. São nossos amigos, que vieram fazer esse samba, e o resultado foi uma obra de alto nível. É um samba fácil, gostoso e maravilhoso. Tenho certeza de que todo o povo do samba vai abraçar, porque ele é bom demais”, celebrou.

Ideia do tema e desafio de colocá-lo na avenida

Segundo o carnavalesco Pai Léo, a ideia de levar o levantador de toadas para o Anhembi partiu dele, que apresentou o projeto à agremiação. “Essa homenagem surgiu quando participei de outra agremiação. Já estou no carnaval há mais de 15 anos e, enquanto levávamos os carros de outra escola, fomos ouvindo toadas. Todo mundo que é do carnaval ama toada. Estávamos ouvindo uma do David quando um amigo meu chegou e falou: ‘O David nunca foi homenageado’. Na hora, tive o insight e pensei: ‘Poxa, ele merece uma homenagem’. Como tenho muitas amizades no carnaval, principalmente com o pessoal dos acessos, comecei a pensar em qual escola poderia receber esse enredo. Quando pensei na Líder, ela foi minha primeira ideia. Falei: ‘Na Líder, ele vai caber. A escola vai saber homenageá-lo, tem time para isso e gosta de fazer homenagens’. Foi assim que surgiu a ideia de trazer o David, essa voz fenomenal de Parintins, a voz da Amazônia”, contou.

lider carnavalesco
Carnavalesco Pai Léo

David Assayag tem uma história grandiosa, e o Acesso 2 permite apenas dois setores e, no mínimo, duas alegorias dentro do desfile. É um formato mais enxuto. Sendo assim, contar uma trajetória de tamanha relevância na avenida se torna um desafio ainda maior. Pai Léo explicou: “O maior desafio de qualquer carnavalesco, enredista ou pessoa da direção de carnaval é sintetizar a história. O David tem muita história para contar. Acho que vamos apresentar cerca de 2% da trajetória dele. Apesar de ser uma homenagem, não criamos um enredo simplesmente para contar a história dele. Desenvolvemos uma narrativa para apresentar sua trajetória, e posso dizer que será emocionante. Está bonito e com uma leitura fácil, porque essa é uma preocupação que tenho. Antes de fazer parte do carnaval, eu já gostava de carnaval. Sou um cara que, quando está na arquibancada, quer entender o desfile sem precisar de alguém para explicar. É isso que vamos apresentar na Líder: um carnaval de fácil leitura, que vai emocionar com um sambaço. O samba já está feito. Foi um desafio, mas vai ficar bom”, declarou.

Ao comentar a obra apresentada, o carnavalesco também elogiou o processo de composição. “Temos uma facilidade aqui na Líder porque os Gêmeos Minueto ajudam no samba. Eles são os maiores campeões do carnaval de São Paulo. Temos também o Vitor Gabriel, que é uma lenda, e o Gui Cruz, que é outra lenda. Foi a parte de que mais gostei no carnaval: sentar no sofá e ajudar a fazer o samba. É um sambão, com refrão fácil, feito para a comunidade cantar. Acho isso importante. Às vezes, hoje em dia, vemos muitos sambas que parecem uma tese de mestrado, dificílimos de entender. O nosso é um samba fácil, que o povo vai gritar na avenida e que, se Deus quiser, vai tirar nota, porque é disso que precisamos para subir. Posso dizer que é um samba fácil, bom e chiclete”, disse.

Melhor samba da história da escola e muito estudo para o ritmo

Com declarações fortes, mestre Alê afirmou que o samba para o Carnaval 2027 é o melhor da história da escola. “Tenho 100% de certeza de que é o melhor samba da história da Cidade Líder. É um samba que, desde a primeira vez, todo mundo abraçou. A bateria sentiu a energia, a comunidade também, e ele encaixou com o Igor Viana, que está chegando para agregar. Só temos comentários positivos sobre esse samba. Agora é jogar o jogo, entender os critérios e fazer a nossa parte. A escola inteira precisa se juntar, não apenas cantar, mas gritar esse samba, para que venha a nota que esperamos há tantos anos e consigamos alcançar o lugar tão sonhado, que é subir para o Acesso 1”, comentou.

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Mestre Alê

O samba-enredo apresenta características indígenas e, por isso, a bateria também trabalha na construção de sonoridades que dialoguem com a proposta do enredo. Questionado sobre os arranjos, Alê contou que irá utilizar os próprios instrumentos tradicionais da bateria para alcançar essas referências. “Estamos fazendo algumas substituições. Quando encontramos um instrumento com sonoridade parecida, usamos um chocalho ou o tamborim, por exemplo. Já estamos trabalhando nisso. Não vamos colocar instrumentos indígenas propriamente ditos, mas utilizar os nossos instrumentos com sonoridades semelhantes. A bateria da Primeira da Cidade Líder já tem muitos instrumentos e uma frente muito grande. Temos timbal, agogô, entre outros, então a bateria já é enorme. Se colocarmos mais uma ala, ela ficará muito pesada. Mas vamos conseguir ajustar tudo com o que temos para fazer essa homenagem”, explicou.

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O regente da “Batucada de Primeira” afirmou que há muito estudo para a confecção das bossas e pretende levar dois arranjos para a avenida. “O samba é sentimento. Quando você o ouve, já começa a imaginar o que pode fazer. É claro que algumas coisas deixamos preparadas. Você já sabe o andamento e pensa no que vai utilizar. Estudamos bastante a marujada e a batucada de Parintins para ter uma noção do que fazer, porque o samba permite muitas possibilidades. Mas, quando o samba sai, o sentimento pede determinadas coisas. Precisamos pensar em algo que permita à escola dançar, que a bateria consiga executar e que nos ajude a conquistar a nota. Todo mundo precisa sair com um conjunto legal. Vamos levar duas bossas. Menos é mais. Porém, a minha bossa é muito grande, começa praticamente em um refrão e vai terminar no outro, então não dá para fazer muitas. Elas serão bem desenhadas e reexecutadas. Não serão muitas, mas o conjunto inteiro vai ficar muito legal”, afirmou.

Nova casa e recepção calorosa

Recém-chegado, o intérprete Igor Vianna pisou pela primeira vez na quadra da agremiação durante o evento e celebrou o retorno ao carnaval paulistano. “É um sentimento inexplicável. Gosto muito do carnaval de São Paulo, como vocês sabem. Quando o mestre Alê me convidou, após a saída do Thiago Melodia, fiquei muito feliz. Eu já tinha uma amizade com os irmãos Minueto, então não pensei duas vezes antes de aceitar o convite para estar aqui na Cidade Líder. Está sendo uma recepção muito calorosa. É a primeira vez que piso aqui, então o pessoal está um pouco tímido, assim como eu, mas estamos gostando muito do que está acontecendo”, contou.

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Intérprete Igor Vianna.

O cantor teve uma passagem pelo Camisa Verde e Branco, onde defendeu o carro de som da escola nos anos de 2023, 2024 e 2025. Agora, aceitou o convite de uma escola do Acesso 2. Vianna explicou o motivo. “O que me motivou foi o meu amor pelo carnaval, especialmente pelo carnaval de São Paulo. Para mim, não existe divisão, existe carnaval. Já cantei em duas divisões da UESP pela Lavapés Pirata Negro. Foi por meio da Lavapés que voltei ao Camisa Verde e Branco. Fiz o Grupo de Acesso e depois retornei ao Grupo Especial com a escola. Hoje, estou muito honrado em estar aqui na Cidade Líder para estrear no Acesso 2. Venho com muita felicidade”, disse.

Igor Vianna disse ter tido pouco contato com o samba-enredo apresentado, mas teve uma participação positiva no palco. “Tive pouco contato com o samba-enredo até agora. Gravei a obra e estou estudando, mas é um samba com letra e melodia muito fortes. Tenho certeza de que o homenageado, David Assayag, vai gostar muito do que está vindo por aí e do trabalho que será realizado pela nossa escola”, finalizou.