Os Gaviões da Fiel realizaram neste domingo o primeiro ensaio de rua visando à preparação para o Carnaval 2027. A partir de agora, a comunidade alvinegra terá compromisso na Rua Sérgio Tomás todos os domingos até o carnaval. O primeiro encontro contou com um contingente satisfatório, considerando o feriado desta segunda-feira, período em que muitos paulistanos tradicionalmente aproveitam para viajar. Entretanto, em um primeiro ensaio de rua, é importante ter a presença de todos os quesitos. A comissão de frente e o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, porém, não participaram do treino. De acordo com a direção de carnaval, as ausências ocorreram em razão de compromissos particulares. O trajeto seguiu pela Rua Sérgio Tomás, mesmo percurso realizado pela Tom Maior. Diferentemente da coirmã, os Gaviões da Fiel fizeram o contorno na própria via e retornaram à quadra. Esse formato será mantido durante toda a temporada de ensaios. Vale destacar o entrosamento entre o carro de som e a bateria “Ritimão”. O mestre Ciro Castilho e o intérprete Ernesto Teixeira vêm intensificando o trabalho musical para fortalecer ainda mais o samba-enredo, já apontado como um dos destaques do Carnaval 2027. Lideranças e representantes de segmentos da agremiação conversaram com o CARNAVALESCO e avaliaram o primeiro ensaio de rua.

Importância do ensaio de rua e comunidade alinhada com o projeto
Antes de iniciar o ensaio, a reportagem do CARNAVALESCO conversou com a direção de harmonia dos Gaviões da Fiel, e a dupla Lucas Carvalho e Rodrigo Silva falaram sobre o momento.
“A expectativa para o nosso primeiro ensaio de rua é grande. Estamos com as fantasias do projeto esgotadas há quase dois meses. Por isso, nossa expectativa é que o ensaio de hoje esteja completamente lotado. Nós fizemos uma grande convocação dos componentes para que todos estivessem presentes. Temos certeza de que será um excelente ensaio para a escola”, declarou Rodrigo.

Lucas, por sua vez, tratou o treino de rua com bastante seriedade e comparou com um ensaio técnico. “O ensaio de domingo é ainda mais importante para nós, da Harmonia, porque conseguimos trabalhar literalmente ala por ala, além da comissão de frente e do casal. É quase como um ensaio técnico, mas realizado na rua. Na sexta-feira, as pessoas vêm mais para curtir a quadra, e também existe esse valor, mas o domingo é essencial para o nosso trabalho. Cerca de 90% dos participantes já são desfilantes, então conseguimos fazer um acompanhamento mais direcionado dos setores”, disse.
Questionado sobre a preparação dos componentes para realizar o primeiro ensaio de rua, Rodrigo enalteceu principalmente o canto do samba.
“Já percebemos que a comunidade assimilou o samba. Até brincamos internamente, nas nossas reuniões, que, depois do enredo “Irin Ajó Emi Ojisé” de 2025, que tinha várias palavras complexas e difíceis de cantar, qualquer samba que os Gaviões apresentarem conseguimos fazer a comunidade cantar. Graças a Deus, temos facilidade em envolver os componentes, tanto no canto quanto nas coreografias. A escola aprendeu o samba com muita facilidade, e o ensaio de hoje será uma demonstração de que estamos preparados para realizar não apenas um grande ensaio de rua, mas também um grande desfile”, comentou.

Em relação a preparação dos componentes, Lucas também aproveitou para exaltar a comunidade. “Como o Rodrigo comentou, percebemos isso desde o primeiro ensaio do ano. Quando colocamos os componentes para ensaiar, nem precisamos pedir que cantassem. Eles já estavam com o samba decorado, sabiam a letra e cantavam muito bem. Atualmente, nos nossos ensaios, deixamos a comunidade cantar livremente, sem precisar cobrar tanto, porque os componentes já cantam por conta própria”, ressaltou.
Direção contente com ensaio, mas há margem para melhora
Pantinho, integrante da direção de carnaval da escola, avaliou que a presença dos componentes superou as expectativas e o resultado do primeiro encontro foi bastante satisfatório. O dirigente ressaltou que, mesmo com a proximidade do feriado, a comunidade compareceu em bom número. “Gostamos bastante do primeiro ensaio de rua. Mesmo sendo véspera de feriado, a comunidade compareceu em bom número, e ficamos satisfeitos com o canto. Foi uma experiência muito positiva, o primeiro de muitos. Acredito que os próximos ensaios só têm a crescer”, avaliou.

Cleber Sobrinho, também integrante da direção de carnaval, compartilhou da impressão positiva e destacou a expectativa para a sequência da preparação. “A expectativa é grande. Como o Pantinho comentou, não imaginávamos que teríamos tanta gente neste primeiro ensaio. Agora é trabalhar para que haja um crescimento a cada encontro, nos ensaios de sexta-feira e domingo, sem parar até o carnaval, porque temos muito trabalho pela frente”, afirmou.
Apesar da avaliação positiva, Pantinho entende que o primeiro encontro representa apenas o início de um trabalho que será intensificado nas próximas semanas. “Gostamos bastante do canto da comunidade, mas queremos que os componentes cantem ainda mais. Nunca vamos dizer que está 100%, porque sempre há algo a melhorar. Realizamos reuniões internas com as lideranças para avaliar esses pontos. Inclusive, temos uma reunião marcada para esta semana, justamente para ver esses ajustes necessários. Como este foi o primeiro ensaio de rua, e muitos componentes que não estiveram presentes na sexta-feira vieram hoje, precisamos organizar o trabalho para melhorar ainda mais no próximo”, explicou.

Cleber Sobrinho aproveitou a entrevista para explicar as ausências do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Wagner Lima e Carolline Barbosa e, também, da comissão de frente liderada pela coreógrafa Helena Figueira. “Hoje, nossa coreógrafa tinha um compromisso e, como o ensaio foi marcado em cima da hora, não conseguimos contar com a comissão de frente. Nos próximos encontros, ela já estará alinhada com a escola, assim como o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. Tivemos alguns compromissos que impediram a participação deles neste primeiro ensaio”, explicou.
‘Ritimão’ trabalha a todo vapor
Na parte musical, a bateria “Ritimão” também aproveitou o primeiro ensaio de rua para colocar em prática o trabalho desenvolvido na quadra. Segundo o mestre Ciro Castilho, a bateria conseguiu apresentar o planejamento estabelecido para a ocasião. “Foi um primeiro ensaio de rua muito poderoso, com a escola inteira e uma presença muito boa das alas. Para a bateria, também foi bastante válido. Conseguimos passar tudo o que estava planejado. Temos uma bossa que deixamos para trabalhar melhor no final, porque ainda está amadurecendo, mas foi um ensaio muito produtivo”, destacou.

Ciro também explicou a diferença entre os ensaios realizados na quadra e aqueles que acontecem na rua. Para o mestre, a principal mudança está na dinâmica de execução, já que os ritmistas precisam adaptar o fôlego e o movimento dos braços para tocar enquanto caminham. “O ensaio de rua tem o clima da avenida e permite executar aquilo que vamos fazer no desfile. Na quadra, ensaiamos muito parados, e tocar caminhando é outra dinâmica. Exige outro fôlego e outro trabalho de braço. A acústica da nossa quadra também é muito diferente. Quando saímos para a rua, parece outra realidade. Ensaiamos na rua às terças-feiras, mas o encontro com o carro de som tem uma importância maior. Se fosse possível, gostaríamos que todos os ensaios acontecessem dessa maneira”, explicou.

Em relação à preparação musical para o Carnaval 2027, Ciro revelou que a bateria trabalha com andamento de 142 BPM, mantendo como referência o ritmo apresentado na gravação do samba. “O andamento será praticamente o mesmo que apresentamos na gravação do samba. É claro que, na largada, a emoção às vezes faz o ritmo acelerar um pouco, e é justamente nesse momento que precisamos ter atenção para segurar. Nossa expectativa é manter o andamento em 142 BPM. Temos uma bossa no refrão principal e outra no refrão do meio. Também há uma intervenção que começa na largada do samba e segue até o final, com os toques. Agora estamos trabalhando outra bossa mais curta, que tem um rufo no meio. É um desafio executar esse rufo dentro da contagem, abrir o terreiro, zerar e chamar o maculelê, que está substituindo a tradicional virada de dois. Geralmente, onde fazemos essa virada, colocamos o maculelê”, detalhou.

Ciro explicou que a bateria deixará de trabalhar com o timbau e passará a utilizar outros elementos afro. “Os instrumentos afro já são conhecidos pelo público dos Gaviões. Costumávamos utilizar timbales, mas, neste ano, vamos levar instrumentos de couro, como o congá e o xequerê. Os ritmistas vão transportá-los em carrinhos, o que também representa um desafio. Estamos testando apenas as rodinhas e os suportes para encontrar a melhor maneira de fazer esse transporte. Os instrumentos já estão definidos. Essa sonoridade traz outro axé para a bateria”, afirmou.
Força do samba e participação da comunidade
À frente do carro de som há muitos anos, Ernesto Teixeira também avaliou positivamente o primeiro ensaio de rua. Conhecido como a ‘Voz da Fiel’, o intérprete ressaltou que o encontro permite observar a escola de maneira mais completa, principalmente pela integração entre o canto dos componentes, a bateria e o sistema de som. “Este é o primeiro ensaio de rua rumo ao Carnaval 2027. Os ensaios de sexta-feira já estão muito bons, mas é na rua que começamos a sentir verdadeiramente a escola, o canto da comunidade e o som da bateria em sua plenitude, além do carro de som. É o primeiro pontapé rumo a quinta estrela”, declarou.

O intérprete também comentou a diferença entre a acústica da quadra e a estrutura encontrada nos ensaios externos. Segundo Ernesto, o som se comporta de maneira diferente nos dois ambientes, e a rua permite uma aproximação maior com as condições que serão encontradas durante o desfile. “A diferença está na própria questão do som. Dentro da quadra, a acústica é mais fechada e o som reverbera mais. Aqui na rua, ele se espalha, proporcionando uma experiência mais próxima daquilo que teremos na avenida, no dia do desfile”, explicou.
Ernesto ainda destacou a receptividade do samba-enredo entre os componentes e os comentários positivos recebidos de integrantes de outras agremiações. “O samba já é considerado um dos melhores do carnaval. Os Gaviões sempre tiveram grandes sambas em sua história, e estamos crescendo cada vez mais. Mais uma vez, fomos felizes na escolha do enredo, porque tudo começa por ele e, depois, vem o samba. A comunidade está cantando forte, e integrantes de outras escolas também estão comentando sobre a qualidade da obra. Isso é muito legal para o carnaval como um todo, não apenas para os Gaviões”, avaliou.

Questionado sobre a identificação com a obra que defenderá na avenida, Ernesto afirmou que gosta de todas as músicas que interpreta e ressaltou que cada ano apresenta um desafio diferente. “Eu gosto de todos os sambas. A cada ano temos uma obra diferente. Há dois anos, quando fizemos um enredo afro, muita gente questionou se conseguiríamos nos adaptar a essa proposta. Nós cantamos todo tipo de música e, consequentemente, podemos interpretar todo tipo de enredo, porque, no fim, tudo é samba-enredo. Às vezes, temos palavras em iorubá e expressões de origem africana que podem parecer difíceis para algumas pessoas, mas tudo se resume a ensaio. É como na escola, nas aulas de matemática e português: alguns têm mais dificuldade do que outros. É preciso ter bom senso, tranquilidade e fazer tudo com calma. Quando dominar o samba, aí você coloca na velocidade certa”, afirmou.










