
A vitória e a reeleição do presidente Lula foram celebradas por lideranças da Mocidade Unida da Mooca em uma noite marcada por emoção e manifestações políticas. Após a confirmação do resultado, o presidente da escola, Rafael Falanga, o carnavalesco Renan Ribeiro, o intérprete Gui Cruz e o mestre-sala Jefferson Gomes destacaram a mobilização dos sambistas no segundo turno e a participação da Frente Progressista do Samba e da Marcha do Samba na articulação do campo progressista em São Paulo.
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Rafael Falanga destaca caráter coletivo da mobilização
O presidente da Mocidade Unida da Mooca, Rafael Falanga, acompanhou a apuração ao lado da mãe e descreveu a expectativa até a confirmação da vitória. Segundo ele, a tensão começou a dar lugar à esperança à medida que os votos eram contabilizados.
“Eu estava na casa da minha mãe, com ela, acompanhando a apuração ansiosíssimo. A partir dos 50%, 60%, a gente começou a acreditar, de ver as urnas apuradas. A gente estava lá de mãos dadas, abraçados, atualizando o site do TSE a cada minuto. Foi muito especial. Eu não acho que é uma vitória individual. A Frente foi contemplada por sambistas de todas as escolas. É uma vitória coletiva. A gente conseguiu mobilizar baiana, criança, passista, ritmista, diretores, harmonias. A gente conseguiu mobilizar o sambista”, contou Falanga.
O dirigente lembrou que a ideia de reunir sambistas identificados com o campo progressista surgiu após o primeiro turno, em um momento de avaliação sobre os caminhos para ampliar a participação política do segmento.
“Eu acho que o que o sambista fez na Barra Funda, no Largo da Batata, no nosso ato, foi a grande vitória, o grande passo para essa libertação política do samba em geral. Acho que marca um novo momento, uma nova estrada para a gente se entender como política mesmo e como sociedade”, avaliou.
Renan Ribeiro fala em alívio e resistência do samba
O carnavalesco Renan Ribeiro viveu a confirmação do resultado ao lado de Jefferson Gomes, na Barra Funda, região onde mora. Ele relatou que a tensão da apuração deu lugar a uma comemoração coletiva, com moradores gritando das janelas dos prédios.
“Um clima de tensão. Eu moro na Barra Funda, que é majoritariamente de esquerda, e parecia que eu estava em um Maracanã, porque havia uma gritaria nas janelas do prédio, muita gente gritando. Uma mistura de alívio, de descarga de uma tensão, de enterrar de uma vez por todas essa política odiosa bolsonarista, essa política fascista, essa política de extrema-direita”, recordou.
Uma das vozes envolvidas na articulação da Frente Progressista do Samba e da Marcha do Samba, o carnavalesco avaliou que a mobilização dos sambistas demonstrou a capacidade de organização das comunidades das escolas de samba e a identificação do segmento com pautas sociais.
“O que deveríamos ter feito desde 2016, a gente fez agora em 15 dias. O que as comunidades de samba, das escolas de samba e das comunidades de samba em geral fizeram no Largo da Batata na semana passada foi mostrar que a gente tem lado, sim. Que é muito claro o lado do samba. É um lugar de resistência, é um lugar de ancestralidade, é um lugar de gente preta, é um lugar de gente macumbeira, é um lugar de gente periférica. E pertencem a nós as lutas trabalhistas, pertencem a nós as pautas sociais”, afirmou.
Carnavalesco critica relação política com a Prefeitura de São Paulo
Ao avaliar a repercussão da mobilização na capital paulista, Renan Ribeiro criticou o que considera uma tentativa de influência política sobre as comunidades das escolas de samba. Sem citar nomes, ele fez críticas ao prefeito e a grupos que, em sua avaliação, não representam os interesses populares.
“Eu me sinto privilegiado de estar à frente deste movimento, que o povo do samba muito possivelmente esperava. Eu já cansei de escutar que o samba não elege ninguém, porque muita gente já foi candidata em escola de samba e falaram que o samba não elege ninguém. O que a gente fez, na verdade, foi dar o primeiro passo. Aí a gente entendeu que todo mundo estava do lado de cá e há uma meia dúzia que está do lado de lá”, afirmou.
Renan também mencionou a participação popular nos atos organizados pelo movimento e citou a presença de mais de 30 mil pessoas na manifestação da semana anterior, número que atribuiu à mobilização dos sambistas.
“A gente mostrou que não é o curral do prefeito, que não é capacho do prefeito, que a escola de samba e o povo pensam, refletem, têm vontade própria, têm desejos próprios e, quando mobilizados, agem de maneira correta, pelo viés correto, pelo pensamento correto, e sabem qual é o seu lugar na história”, concluiu.
Gui Cruz classifica mobilização como histórica
Intérprete da Mocidade Unida da Mooca e responsável por cantar o Hino Nacional durante a Marcha do Samba, Gui Cruz também celebrou a vitória de Lula. Diferentemente dos demais entrevistados, ele contou que não acompanhou diretamente a apuração e passou parte do período circulando pelas ruas de São Paulo.
“Eu estava no meio da rua. Sério, não acompanhei a apuração. Acompanhei nos WhatsApps da vida, fiquei ligando para o Renan igual a um maluco. Eu não conseguia acompanhar a apuração. A galera estava se movimentando, e a alegria deles, a esperança deles me moviam. Eu estava andando à toa. Saí, peguei o carro e fui andar à toa. Amanhã, começo a trabalhar às 9h30, e estou muito feliz”, relatou.
Para o intérprete, a atuação das comunidades das escolas de samba durante o segundo turno representou um marco para o Carnaval paulista e brasileiro.
“O que o samba de São Paulo fez neste segundo turno foi histórico. Ninguém, ninguém na história do carnaval de São Paulo, na história do carnaval do Brasil, conseguiu fazer aquilo que o sambista conseguiu fazer neste segundo turno. Ninguém! Histórico, histórico”, declarou.
Jefferson Gomes destaca participação dos sambistas
O mestre-sala Jefferson Gomes acompanhou a apuração ao lado de Renan Ribeiro e descreveu a emoção que tomou conta dos dois quando a vitória foi confirmada.
“A gente estava assistindo juntos à apuração e ajoelhou no chão e chorou muito, porque o sentimento de angústia do que poderia acontecer caso o Lula não fosse eleito era muito grande. Eu fui como participante. Mas sinto que, como participante, assim como cada voto foi importante nesta virada, fiz a minha parte de levantar a bandeira, levar os meus votos e mexer com os meus familiares, conseguir mobilizar muita gente da família e de fora da família que estava ali em cima do muro”, afirmou.
Jefferson ressaltou que a mobilização não se restringiu aos organizadores e envolveu pessoas que decidiram defender publicamente suas posições políticas.
“Como participante e levantando a bandeira do samba, acho que também fiz a minha parte. Mas os créditos da idealização do projeto são do Rafael, do Renan, do Gui e de todos eles”, concluiu.










