
A Rosas de Ouro gravou o audiovisual da Liga-SP para o Carnaval 2027 com uma missão que vai além de registrar seu samba-enredo: revisitar Mar de Rosas, obra apresentada originalmente em 2005, e adaptá-la às características musicais e aos critérios de julgamento atuais sem perder a identidade que marcou sua trajetória, sendo um dos maiores sambas de sua história. A gravação reuniu intérprete, bateria, ala musical e integrantes da comunidade em um trabalho que envolveu um certo tempo de preparação, ajustes nos arranjos e uma nova concepção para o samba. Entre a emoção do formato ao vivo e o cuidado com cada detalhe musical, a escola aproveitou o registro para valorizar uma composição considerada histórica por seus representantes.
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Adaptação a uma obra gigante
O intérprete Carlos Júnior destacou a participação da comunidade e a energia da gravação, mas também apontou diferenças em relação ao processo tradicional de estúdio. “No estúdio, tudo é mais controlado. Você consegue corrigir um erro e gravar novamente. Fica muito mais à vontade. Além disso, o estúdio faz parte da tradição musical, Eu venho dessa época e prefiro”, explicou.

Apesar da preferência pelo ambiente tradicional de gravação, Carlos Júnior reconheceu que o audiovisual representa o momento atual do carnaval. “É muito gostoso fazer esse trabalho, mas sinto falta daquela época de estúdio, de almoçar com todo mundo, conversar e depois voltar a gravar. Era como passar o dia inteiro dedicado àquele projeto musical. Porém, com essa galera jovem, nós temos que se adaptar, e estou feliz de gravar esse grande samba em mais um com a Rosas de Ouro, graças a Deus”, afirmou.

A adaptação de “Mar de Rosas” foi um dos principais desafios do trabalho musical. Com quase duas décadas desde sua apresentação original, a obra precisou passar por ajustes para dialogar com as exigências atuais sem perder suas características melódicas. Carlos Júnior classificou a composição como uma das grandes obras do carnaval paulistano e ressaltou que as mudanças nos critérios de julgamento ao longo dos anos influenciaram a forma de trabalhar os sambas-enredo. “É um samba mitológico, daqueles que entram para a lista dos grandes sambas do carnaval de São Paulo. Não sabemos se conseguimos alcançar tudo. Quando chega janeiro, alguém pode apontar um detalhe que passou despercebido durante a gravação. Só teremos certeza na Avenida, com a avaliação dos jurados ”, declarou.
Outros tempos
Diretor musical da Rosas de Ouro, Chanel Rigolon também destacou a necessidade de renovar a sonoridade da composição. Segundo ele, a interpretação de Carlos Júnior contribuiu para elevar o tom, enquanto os arranjos de bateria e cordas receberam adaptações para construir uma nova leitura musical. “Estamos falando de 2005, era outra época, onde a melodia usada era diferente e ala musical de todas as escolas trabalhava de uma maneira distinta também. Com isso, o samba acaba ganhando uma nova identidade. Agora tudo mudou, porque temos uma percepção musical diferente”, explicou Chanel.
O trabalho também exigiu atenção à distribuição dos instrumentos. Chanel explicou que os cavaquinhos e o violão foram organizados para estabelecer diálogos musicais. “Em alguns momentos, um cavaquinho faz a pergunta e o outro responde. Em outros, dois cavaquinhos apresentam uma frase e o violão responde. Dessa forma, cada instrumento tem seu espaço e contribui para a construção musical”, detalhou.

‘Momento impactante’
Para o audiovisual, duas bossas inicialmente planejadas foram unificadas em uma única passagem, com a intenção de produzir um momento de impacto sem recorrer a alterações excessivas. “Eram duas bossas simples, mas decidimos juntá-las para criar um momento mais impactante, sem perder as características da nossa bateria”, explicou o mestre.
Rafa ressaltou que a prioridade é construir um trabalho consistente para o desfile do Carnaval 2027, com atenção às exigências dos jurados e aos objetivos da agremiação. “Não apostamos em muitas mudanças de andamento ou novidades. O foco é buscar as quatro notas 10 e ajudar a nossa escola, se Deus quiser, a conquistar um título ou retornar ao Grupo Especial”, afirmou.

Rafa contou que a escola realizou encontros com a ala musical e a comunidade para dar o andamento no projeto. “A preparação teve três ensaios da bateria e encontros gerais fechados com os componentes envolvidos na gravação. A escola também promoveu ensaios com as alas e a comunidade, reunindo o pessoal na quadra”, completou.
Importância do audiovisual
O vice-presidente Osmar Costa ressaltou que a produção de registros musicais acompanha a história da Rosas de Ouro desde a época dos LPs. Para ele, o audiovisual representa uma oportunidade de ampliar o alcance do samba-enredo “Já não é de hoje que acompanhamos esse trabalho. Desde a época dos LPs, estamos fazendo esses registros, que são uma prévia do que pode ser o carnaval ou o desfile da escola”, afirmou.

O dirigente aproveitou para defender investimentos constantes na qualidade dos produtos musicais do carnaval. “O samba-enredo é uma das coisas mais importantes, porque é o combustível do desfile. Tudo o que envolve um produto novo, bem trabalhado e tratado com carinho representa um avanço, um degrau a mais e a chegada a um patamar superior. É uma oportunidade de dar mais visibilidade ao nosso trabalho e permitir que o público tenha acesso à nossa cultura. Esses registros ajudam a divulgar o carnaval e a levar o samba das escolas para além do período dos desfiles”, declarou.
Sobre o formato da gravação, o vice-presidente afirmou preferir a espontaneidade da primeira execução. Para ele, a emoção inicial pode produzir um resultado diferente daquele alcançado depois de várias tentativas. “A emoção da primeira tentativa costuma ser maior, enquanto a segunda acaba sendo mais técnica. Com as repetições, a espontaneidade pode diminuir”, explicou.











