
A Estrela do Terceiro Milênio gravou o audiovisual oficial da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP) para o Carnaval 2027. Com uma preparação antecipada, ensaios específicos e ajustes na parte musical, a escola do Grajaú apostou na força do canto da comunidade e no entrosamento entre os diferentes setores para registrar o samba-enredo que levará ao Sambódromo do Anhembi. Uma das primeiras agremiações do Grupo Especial a escolher o samba-enredo, a Terceiro Milênio iniciou os trabalhos ainda em junho. A antecedência permitiu ampliar o período de preparação e desenvolver um trabalho voltado ao canto, à evolução e à participação dos componentes. Os diretores de carnaval Vinícius Freitas e Japa, que também ocupam funções nas direções de carnaval e de harmonia, trabalharam ao lado dos diretores artísticos Taiana Freitas e Guilherme Almeida na organização dos ensaios. Os intérpretes Darlan Alves e Raquel Tobias e o diretor musical Shumacker também tiveram papel fundamental no trabalho. Todas essas personalidades conversaram com o CARNAVALESCO e detalharam a preparação para o projeto oficial da Liga-SP.
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Preparação com a comunidade
A gravação foi precedida por três ensaios com a comunidade, além de uma preparação envolvendo os diferentes segmentos da agremiação. O diretor de carnaval Vinícius Freitas destacou o comprometimento dos profissionais e a participação dos componentes na construção do espetáculo.
“Tudo o que envolve a Terceiro Milênio conta com o trabalho do Japa e o meu, junto com a minha irmã Taiana Freitas e o Guilherme Almeida, que também são os dois diretores artísticos da escola. Fizemos um trabalho junto da nossa comunidade e realizamos três ensaios. Tudo o que vamos apresentar, procuramos transformar em um espetáculo da melhor forma possível, e isso é resultado de trabalho e dedicação. A comunidade abraçou a proposta de uma maneira maravilhosa”, afirmou Vinícius.

O outro diretor, Japa, também ressaltou a importância do audiovisual oficial da Liga-SP para o desenvolvimento do trabalho da escola ao longo da temporada. Segundo ele, o registro é uma ferramenta importante para preparar a comunidade para os desafios do desfile, especialmente nos quesitos canto e evolução.
“O audiovisual oficial da Liga-SP é de suma importância, principalmente porque é por meio dele que conseguimos trabalhar com a nossa comunidade e fazer o trabalho que estamos designados a realizar, que é o canto e a evolução da nossa escola. Como o Vinícius falou, nos preparamos bastante. Não gostamos de chegar mais ou menos, então tudo o que vamos fazer exige uma boa preparação. Graças a Deus, conseguimos chegar com o trabalho que havíamos planejado”, declarou Japa.

A escolha antecipada do samba-enredo também foi apontada como um fator positivo para o planejamento da agremiação. Vinícius explicou que o início dos ensaios ainda em junho possibilitou trabalhar com mais tempo a assimilação da obra pelos componentes.
“Se não me engano, fomos a segunda escola a escolher o samba-enredo. Fizemos a escolha no dia 14 de junho e, ainda naquele mês, iniciamos os ensaios. Estamos há quase dois meses trabalhando na nossa quadra com toda a comunidade, e acredito que escolher o samba um pouco antes seja muito positivo, porque conseguimos começar esse trabalho com todo mundo”, disse Freitas.

Japa, também responsável pela harmonia da escola, foi questionado especificamente sobre o canto.
“Sabemos que é um pouco difícil fazer com que mil ou mil e quinhentas pessoas cantem a mesma coisa. Por isso, procuramos começar mais cedo, para chegarmos ao final do processo com um pouco mais de tranquilidade. A comunidade abraçou o trabalho, e temos certeza de que o resultado será muito bom”, explicou.
Ajustando a interpretação do samba
No carro de som, Darlan Alves e Raquel Tobias também se dedicaram a uma preparação específica para a gravação. A dupla trabalhou na adaptação da melodia, na divisão das vozes e na escolha dos cacos, buscando equilíbrio entre as interpretações e uma execução mais organizada da faixa oficial.

Darlan explicou que o período posterior às eliminatórias exige uma série de ajustes na obra escolhida, tanto na melodia quanto na letra. Para o intérprete, a gravação oficial representa uma etapa diferente daquela realizada inicialmente para a comunidade, pois é o registro definitivo do samba.
“É um dia muito importante. Posso dizer que esse período é parecido com o que vivemos após o fim das eliminatórias, quando precisamos correr para nos adaptar ao samba, fazer mudanças e ajustes na melodia e na letra. É uma fase em que ficamos assimilando a obra, encontrando os cacos e entendendo melhor o samba. Chegamos à gravação com essa nova roupagem, construída após as eliminatórias. Existe uma primeira gravação, feita para a comunidade, mas que ainda passa por ajustes. Esta é diferente, porque é a oficial, a que realmente vai valer. Por isso, chegamos estudando e fazendo ensaios separados com a ala musical”, declarou.

O cantor, que está recebendo uma nova parceira após a saída de Grazzi Brasil, falou sobre o entrosamento com Raquel Tobias para a gravação do audiovisual.
“Gosto de cantar com outro intérprete e, agora, estou ao lado da Raquel. Precisamos combinar as entradas e definir o que cada um vai fazer em cada trecho, para que a faixa não fique poluída. Cada um encontra o melhor caco e a melhor maneira de contribuir. Fizemos todas essas adaptações em estúdio e, agora, é trabalhar isso da melhor forma possível. É o primeiro contato do público com o samba antes do lançamento, enquanto nas outras escolas também estão gravando. É muito bacana”, afirmou.

O intérprete também comparou as características do samba atual com a obra apresentada pela escola no carnaval anterior. Segundo ele, cada composição exige uma abordagem própria, o que torna cada gravação uma experiência diferente.
“Já tenho bastante tempo nessa função, mas cada gravação e oportunidade são diferentes, porque toda obra tem suas particularidades. No ano passado, tínhamos uma linha de samba um pouco mais cadenciada. Neste ano, é algo mais lúdico, com explosão e alegria”, completou.
Nova experiência
Ao lado de Darlan, Raquel Tobias vive seu primeiro audiovisual como intérprete oficial da Terceiro Milênio. Integrante da ala musical da escola há seis anos, a cantora destacou a emoção de receber o convite e a ansiedade diante da responsabilidade.
“Estou bastante ansiosa. Estou há seis anos na escola, na ala musical, e esse convite foi maravilhoso. Se não tiver dor de barriga e ansiedade, não tem graça. É muito importante para mim”, disse.

Antes de entrar no estúdio, a intérprete também falou sobre a participação da comunidade nos ensaios e adiantou que a escola preparou uma surpresa para a gravação. Para ela, o canto coletivo é uma das marcas da agremiação.
“Fizemos dois dias de ensaio. Já estamos cantando e ensaiando na quadra, mas os encontros oficiais com a bateria e a comunidade foram na terça-feira e na sexta-feira. Tem uma surpresa com a comunidade, porque a Terceiro Milênio tem essa especialidade e essa marca de valorizar o povo cantando. Gostamos de ver a comunidade cantar muito!”, revelou.
Arranjos do diretor musical
Na direção musical, Shumacker detalhou os recursos preparados para o audiovisual. O músico explicou que a escola trabalhou em uma bossa específica durante aproximadamente três meses, mas optou por limitar a utilização desse recurso por questões de segurança. O profissional também detalhou outros arranjos do samba.
“Nas bossas habituais, tínhamos mais elementos para apresentar, mas, por questões de segurança, vamos inserir apenas uma bossa na segunda metade da primeira passagem. Já estamos trabalhando nela há pelo menos três meses. Além disso, teremos aberturas de voz, algo que já é habitual e de que gostamos bastante. Também confiamos muito na energia da comunidade, que sempre canta o samba com muita força. Em relação ao treinamento percussivo e à ala musical, a preparação é basicamente essa. A bossa é longa, começa na saída do refrão do meio e vai praticamente até o grande final do samba”, explicou.

O diretor musical também revelou uma novidade na concepção sonora da gravação: a utilização de teclados, instrumentos que a escola costuma reservar para o dia do desfile. A proposta é explorar efeitos que dialoguem com a temática do enredo.
“Este ano, vamos gravar com teclados, que costumamos utilizar apenas no dia do desfile. Acredito que explorar esses efeitos combina mais com o enredo do que outros elementos. Estamos trabalhando nessa proposta para este ano”, afirmou.
A preparação musical também envolveu ensaios específicos de coral, cordas, comunidade e bateria, além de dois ensaios gerais realizados na semana da gravação. A intenção foi alinhar os setores antes de reuni-los para a execução conjunta.
“Fizemos ensaios específicos nas últimas semanas e estamos trabalhando bastante. Nesta semana, realizamos dois ensaios gerais, na terça-feira e na sexta-feira. Antes disso, tivemos ensaios de coral, de cordas, da comunidade e da bateria. Depois, reunimos todos nesses dois grandes encontros, que fluíram muito bem”, completou Shumacker.









