
A Mocidade Alegre deu início à temporada de ensaios de rua rumo ao Carnaval 2027 na última sexta-feira. Mesmo com a forte chuva que atingiu a cidade de São Paulo, a comunidade da Morada do Samba foi às ruas para participar da primeira atividade, que marcou o começo de uma etapa importante da preparação da agremiação. A antecipação do calendário em relação aos anos anteriores foi motivada pela proximidade do próximo desfile e pela agenda de compromissos da escola. Agora, com o primeiro ensaio de rua realizado nesta sexta-feira, não para mais. A escola segue a tradição de ensaiar todas as sextas-feiras, com concentração na Rua Madalena Madureira e percurso até a quadra. O ensaio contou com todo o elenco da Mocidade Alegre, além de alas coreografadas, passistas e baianas, que abrilhantaram ainda mais o trajeto. As alas também utilizavam adereços de mão, alguns deles com LEDs coloridos, criando um contraste interessante em meio à iluminação das alamedas. Vale destacar que todo o percurso se inicia na Rua Madalena Madureira, depois entra na avenida Engenheiro Caetano Álvares, onde percorre longos metros e, após, encerra-se com a ida para a quadra na Rua Samaritá.
Presidente feliz com o que tem visto
Presidente da Mocidade Alegre, Solange Cruz explicou que a agremiação costuma iniciar os ensaios de rua em novembro, mas decidiu antecipar os trabalhos para garantir mais tempo de preparação. A agenda das próximas semanas inclui a Festa dos Pilotos e a participação no Salgueiro Convida, o que tornou necessário aproveitar a oportunidade para colocar a comunidade na rua.
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“Normalmente, começamos essa temporada em novembro, mas, como o carnaval está chegando um pouco mais cedo, decidimos antecipar os ensaios. Na semana que vem, já teremos a Festa dos Pilotos e, na outra, estaremos no Salgueiro. Por isso, a agenda fica mais complicada. Mesmo assim, quisemos realizar esse primeiro ensaio para que a comunidade já comece a se condicionar para o desfile. A ideia também é colocar povo para cantar e sambar. Depois, vamos reunir tudo o que observamos neste ensaio, identificar os pontos que precisamos ajustar e definir os próximos passos para seguir evoluindo”, afirmou.
Quase todos os anos, a Mocidade Alegre consegue obter êxito no quesito Evolução e, para Solange, os ensaios de rua contribuem diretamente para o andamento da escola na pista. “Faz toda a diferença: o andamento, a entrada e a saída do recuo da bateria. Todo esse treinamento é muito importante para nós, e sentimos os resultados. Os ensaios de rua são um complemento fundamental aos nossos ensaios de domingo”, declarou.

A dirigente também comemorou a participação da comunidade nos ensaios de quadra e a procura pelas vagas nas alas da agremiação. Segundo a mandatária, mesmo antes da apresentação das fantasias, diversos setores já estão com as vagas esgotadas. “O samba já pegou, e estou super satisfeita. No domingo passado, fizemos um ensaio incrível. Todos os ensaios têm registrado uma ótima presença de público, e a comunidade está bastante empolgada. Mesmo sem ainda apresentarmos as fantasias, já temos muitas alas esgotadas, porque os chefes de ala começam a trabalhar com antecedência. Para nós, é muito gratificante saber que a comunidade não abandona a escola e continua ao nosso lado, para o que der e vier”, destacou.
Exigência para uma melhora constante
O diretor de carnaval, Júnior Dentista, falou sobre o início dos ensaios de rua às sextas-feiras no calendário da Mocidade Alegre. “Neste ano, o carnaval será mais cedo, e a Mocidade Alegre tem alguns compromissos em eventos para os quais fomos convidados, inclusive no Salgueiro, no final do mês. Além disso, temos vários feriados pela frente. Por isso, decidimos antecipar nossa preparação. Tradicionalmente, começamos os ensaios de rua em novembro, mas, neste ano, mudamos a estratégia e iniciamos em outubro. Agora, não paramos mais: teremos ensaios todas as sextas-feiras até o carnaval. Hoje, por coincidência, a Rede Globo também veio gravar o programa Paulistar, e vamos aproveitar a ocasião para dar início à nossa temporada de ensaios de rua”, contou.

O dirigente exaltou os ensaios e afirmou que eles fazem toda a diferença para o desfile da escola. “Às vezes, as pessoas nos convidam para conversar com outras escolas, e eu sempre digo que todas trabalham muito. Todas se dedicam bastante, mas a Mocidade Alegre tem um diferencial: o ensaio de rua não é apenas um evento, faz parte do nosso calendário. Daqui até o carnaval, teremos 12 ensaios de rua, um por semana. Com carro de som ou sem carro de som, estaremos na rua todas as semanas. Essa regularidade faz toda a diferença na preparação da escola”, ressaltou.

Questionado sobre o andamento do samba e a sinergia com a comunidade, Dentista revelou que os diretores e os componentes cobram bastante uns dos outros. “A Mocidade Alegre é muito exigente, e nós cobramos bastante de nós mesmos. Estamos gostando dos ensaios, mas sabemos que podemos melhorar e vamos trabalhar para isso. Acredito que estamos no caminho certo. Fizemos uma reunião para avaliar o projeto como um todo, e os resultados dessa análise nos deixaram muito satisfeitos. Temos algumas novidades que serão apresentadas na avenida e que já estamos colocando em prática. Isso tem nos deixado muito felizes. Estamos satisfeitos com o trabalho, mas sabemos que podemos ir além. Queremos sempre mais e vamos trabalhar para alcançar resultados ainda melhores”, concluiu.
Comissão bem ensaiada, mas mantém segredo para o desfile
À frente da comissão de frente da Mocidade Alegre, o coreógrafo Jhean Allex destacou a emoção de iniciar os ensaios de rua e explicou que a coreografia apresentada nesta etapa foi desenvolvida especificamente para o treinamento. A apresentação oficial para o Carnaval 2027 permanece em segredo, inclusive por conta do tripé que acompanhará o segmento. “Nosso primeiro ensaio de rua é sempre incrível, uma emoção. A estreia de uma coreografia na rua, com uma energia enorme, e ainda lava a alma com a chuva”, afirmou.

O coreógrafo ressaltou que a atividade permite observar o andamento da escola e preparar os bailarinos para as condições encontradas na Avenida. “O ensaio de rua é muito importante para observar o andamento da escola e para que os bailarinos entendam como devem dançar na avenida. É uma oportunidade de treinar, porque, no Anhembi, temos apenas uma chance. Aqui, conseguimos estabelecer uma rotina de ensaios muito importante para que a comissão de frente tenha um bom desempenho. Afinal, são 11 anos trabalhando sempre em busca da nota máxima”, declarou.
Apesar da importância dos resultados, Jhean também enfatizou o valor da união dos componentes e da energia transmitida pela comunidade durante o treino. “Acredito que o carnaval não se resume a correr atrás da nota. É também ver toda essa galera reunida, com a energia que vocês estão vendo aqui. É incrível e me deixa feliz”, completou.
Casal valoriza o trabalho na chuva
O primeiro ensaio de rua também foi importante para Emerson Ramires e Graci Araújo, casal de mestre-sala e porta-bandeira da Mocidade Alegre. A chuva proporcionou uma oportunidade de testar a dança e a evolução em condições diferentes das encontradas nos ensaios em ambientes fechados.

Emerson destacou a emoção de retornar aos ensaios de rua após sete anos e encarou a chuva como um sinal positivo para a caminhada até o desfile. “Acho que a chuva veio para nos abençoar, lavar a alma e nos deixar com uma energia muito positiva rumo ao Carnaval 2027. Depois de sete anos, retorno à rua com essa escola. Foi uma emoção muito grande e, agora, é seguir o caminho até o desfile”, afirmou.
Graci, por sua vez, avaliou que a experiência foi importante para entender como o casal pode reagir caso enfrente condições climáticas semelhantes durante a apresentação oficial. A porta-bandeira comentou que nunca havia ensaiado na chuva e considerou o treinamento relevante para avaliar a execução da dança. “Para mim, essa estreia foi muito importante. A Mocidade Alegre trata tudo como um evento. Por isso, para nós, um ensaio de rua não é qualquer coisa. Achei importante ter essa chuva porque conseguimos treinar. Nunca desfilei na chuva e também nunca havia participado de um ensaio com duração equivalente à de uma apresentação na pista sob essas condições”, explicou.

A atividade também permitiu testar a evolução do casal durante a passagem pelos quatro módulos de julgamento. De acordo com Graci, o trabalho foi alinhado com a equipe de Harmonia para avaliar as dimensões da roupa e a movimentação dos componentes durante o percurso. “Foi importante garantir a dança, a evolução e todos os outros aspectos em uma simulação bastante literal. Tecnicamente, o ensaio foi muito bom para entendermos como será caso chova no dia do desfile”, avaliou.
O mestre-sala explicou que o trabalho está apenas começando e que o casal conseguiu realizar movimentos importantes tendo em vista o desfile. “Como é o início dos ensaios de rua, claro que falta bastante coisa para aprimorar, mas nós conseguimos colocar em alguns momentos a coreografia da avenida. Com o passar dos ensaios, nós vamos adequar isso para chegar cada vez mais fortes no dia do desfile”, finalizou Emerson.
Importância do ensaio de rua e a busca pela excelência
No comando da bateria da Mocidade Alegre há mais de 30 anos, mestre Sombra tem propriedade para falar sobre o assunto. Ele ressaltou que os ensaios de rua desempenham uma função diferente das atividades realizadas na quadra. Enquanto o ambiente fechado oferece condições mais constantes de sonorização, o percurso externo apresenta variações que exigem a adaptação dos componentes. “A rua é um percurso, enquanto a quadra é um ambiente fechado, com sonorização constante. Na rua, você encontra diferentes ambientes, alguns fechados e outros abertos. É como acontece no Anhembi: de um lado, você tem uma parede; do outro, o rio, um espaço aberto. Além disso, o sol vai embora, e as condições mudam”, explicou.
Para o mestre, o ensaio é fundamental para trabalhar o ritmo, o canto, a Harmonia e a resistência física dos componentes, preparando a bateria para as exigências do desfile. “Por isso, o ensaio de rua é importante para treinar a Harmonia, o canto, a bateria, o ritmo e a resistência necessários para o desfile. É uma oportunidade de percorrer o trajeto e treinar tudo o que será feito na Avenida, desenvolvendo o condicionamento ao longo dos ensaios. Devido a esses motivos, ele é tão importante”, afirmou.

Sombra também destacou que o trabalho ainda está em construção e que a busca por melhorias precisa ser constante. Segundo ele, a preparação deve manter o foco nos critérios de julgamento e nas correções necessárias para a evolução do conjunto. “Estamos em fase de construção. Nunca temos um trabalho totalmente consolidado. Sempre digo, inclusive à nossa presidente, que precisamos continuar trabalhando. Não adianta chegarmos à excelência agora e deixarmos de evoluir depois. Precisamos trabalhar pensando que nada está pronto, mantendo os olhos atentos às correções, aos critérios de julgamento e ao que podemos fazer para melhorar”, declarou.

Por fim, o diretor também demonstrou confiança na relação entre a chuva e os resultados da agremiação. Em tom descontraído, lembrou que a Mocidade Alegre conquistou títulos em anos nos quais os ensaios de rua foram marcados por condições climáticas adversas. “Na maioria das vezes em que começamos ou realizamos um ensaio de rua com chuva, fomos campeões. Espero que isso se repita por mais um ano!”, concluiu.









