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Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

A Acadêmicos do Tatuapé gravou o audiovisual da Liga-SP para o Carnaval 2027 em um momento marcado pela dedicação musical, pela emoção e pela valorização da comunidade. Com um samba-enredo inspirado na cultura da República Democrática do Congo, a escola da Zona Leste de São Paulo levou ao registro um trabalho construído ao longo de meses, com atenção especial aos arranjos, à interpretação da obra e à integração entre a bateria e a ala musical. Quando o material for divulgado, vale prestar atenção à introdução executada por toda a ala musical, sob a liderança do intérprete Celsinho Mody. Uma das escolas que mais cantam no carnaval de São Paulo, a Acadêmicos do Tatuapé já demonstrou, por meio do coral de sua comunidade, intimidade com o samba-enredo, apesar de a obra apresentar características diferentes daquelas exploradas pela agremiação nos últimos anos.

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Longevidade na escola e enredo ancestral

Para Celsinho Mody, intérprete da agremiação, cantar o samba da Tatuapé representa uma honra que se renova a cada ano. Com mais de duas décadas de participação nas gravações das faixas das escolas de samba, ele destacou a longevidade de sua trajetória e a disposição para continuar contribuindo com o carnaval. “Cada ano só melhora, e cantar com a Tatuapé é uma honra para mim. Este é o 13º samba que gravo com a escola. São 23 anos gravando o disco da Liga das Escolas de Samba. É uma honra muito grande, até porque o tempo está passando e eu continuo novo. Estou inteiro aqui, pronto para muito mais”, afirmou.

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Além da relação com a escola, o intérprete ressaltou o significado pessoal da homenagem ao Congo. Para ele, a interpretação exige mais do que domínio vocal: é necessário compreender a mensagem do samba e transmitir ao público o valor da cultura africana e de seus povos. “A República Democrática do Congo é um país que precisa de muita atenção e respeito, com riquezas naturais espetaculares e um povo que compartilhou sua cultura e seu conhecimento com a humanidade. Nossa homenagem é a República Democrática do Congo, e isso faz parte de mim, da minha essência, da minha vida e do legado que quero deixar para as futuras gerações”, declarou.

O cantor também destacou a responsabilidade de levar essa mensagem à avenida por meio da interpretação e do envolvimento da comunidade. “Não se trata apenas de cantar um samba, mas de colocar a alma e o sentimento na interpretação de cada palavra e de cada verso. Queremos levar essa comunidade a realizar o melhor desfile de sua história e deixar uma mensagem para quem assistir e ouvir esse samba por onde ele passar. Toda essa cultura precisa ser valorizada, não apenas a do Congo, mas também a dos povos negros e bantos. Tudo o que eles fizeram pela humanidade precisa ser reconhecido”, completou.

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Preparação e entrosamento musical

O trabalho apresentado no audiovisual é resultado de uma preparação que já vinha sendo desenvolvida nos ensaios de quadra. O mestre de bateria Cassiano explicou que a gravação permitiu registrar o estágio alcançado pela comunidade após cerca de dois meses de ensaios com o samba-enredo. “Já estamos trabalhando no enredo e no samba há algum tempo. A gravação do audiovisual foi um momento para mostrar, de fato, o trabalho que estamos desenvolvendo. Já ensaiamos o samba na quadra há cerca de dois meses, então a escola chega com a obra na ponta da língua e a energia bem definida para executar o que estamos preparando e continuar aperfeiçoando até o carnaval”, explicou.

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Segundo Cassiano, a preparação específica para a gravação concentrou-se nos ajustes da introdução e do encerramento da faixa. Como o samba já estava incorporado ao trabalho da escola, a equipe pôde direcionar os últimos cuidados para esses detalhes. “Já estamos ensaiando o samba há algum tempo. Para a gravação, o trabalho específico foi ajustar a introdução e o final da faixa. No entanto, já estávamos preparados, porque ensaiamos bastante e a obra já tem um formato bem definido”, afirmou.

O mestre também ressaltou a importância do audiovisual para a preservação da memória das agremiações e para a participação dos componentes em um momento que ultrapassa a preparação para o desfile. “Reunir a comunidade para vir gravar é algo muito significativo para o sambista e para os componentes, porque é uma forma de eternizar esse trabalho. O que também fica para a história é a gravação da faixa. Daqui a tantos anos, você vai poder ouvir o samba de 2027 e relembrar aquele momento. Essa gravação representa o registro de uma parte da nossa história”, destacou.

Arranjos e protagonismo feminino

Diretora musical da Acadêmicos do Tatuapé, Ana Nascimento, destacou a valorização das vozes femininas. A proposta vai além de ampliar a presença das mulheres na ala musical: o objetivo é garantir que elas sejam efetivamente ouvidas durante o desfile. “Meu objetivo é fazer com que as vozes femininas sejam ouvidas no carro de som não apenas como um elemento estético, mas como parte da composição e da massa sonora que chega à pista. A Tatuapé busca dar voz às mulheres, não apenas colocando-as na ala musical, mas garantindo que elas sejam efetivamente ouvidas durante o desfile. Temos essa preocupação há muito tempo”, afirmou.

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Diretora musical da Acadêmicos do Tatuapé, Ana Nascimento

A integração entre a bateria e a ala musical também é parte fundamental dessa preparação. Os ensaios incluem atividades específicas com as alas, encontros para ajustar as cordas e trabalhos conjuntos para aprimorar a afinação e o entrosamento entre os setores. “A Tatuapé é uma escola de emoção e de trabalho. Desenvolvemos uma preparação intensa, com ensaios das alas e atividades específicas da direção musical. Chamamos as alas para ensaiar separadamente e, quando necessário, realizamos ensaios de estúdio com a ala musical, para que possamos nos ouvir melhor e ajustar as cordas. Também fazemos ensaios apenas com a bateria e a ala musical, para aprimorar a afinação e o entrosamento”, contou.

A diretora atribuiu parte do resultado à parceria com Cassiano, destacando a abertura do mestre para o diálogo e para a participação dos músicos nos ensaios da bateria. “Temos um mestre de bateria extremamente solidário, amoroso e respeitoso com o trabalho da ala musical. Muito do que vocês ouviram hoje, essa sensação de que tudo está bem ajustado e conectado, é resultado dessa parceria. O mestre Cassiano é muito competente e trabalha em sintonia com a ala musical. Isso faz toda a diferença”, acrescentou.

Gravação de superação

A gravação também foi marcada por um contexto de luto na comunidade. Ana contou que a escola havia interrompido suas atividades no sábado em razão da perda de pessoas importantes para a agremiação, entre elas Joãozinho, integrante da harmonia muito querido pelos componentes. A agremiação também teve que adiar a data de sua gravação. Na ocasião, os registros aconteceram no domingo, e estava marcado para a quinta-feira anterior. “Viemos de uma semana de luto. A Tatuapé ficou fechada no sábado, algo muito raro, porque perdemos pessoas muito importantes para nós. Hoje, viemos honrar a vida dessas pessoas, principalmente a do Joãozinho, um integrante da harmonia muito querido por todos”, relatou.

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Para a diretora, a energia demonstrada pela escola durante a gravação dialoga com a mensagem de resistência presente na homenagem ao Congo. “Acredito que conseguimos fazer uma gravação com uma energia de superação. Quando ouvirmos o resultado, vamos sentir essa força, que também representa a energia do povo da República Democrática do Congo, que supera tantas adversidades e é um povo lutador e guerreiro. De certa forma, estamos nos irmanando com eles nessa luta. A Tatuapé sempre foi uma escola guerreira, que se emociona e luta ao mesmo tempo”, declarou.

Ao avaliar o resultado musical do audiovisual, Ana afirmou que a escola conseguiu executar o planejamento estabelecido para a gravação. “Musicalmente, gostei muito do resultado. Conseguimos cumprir tudo aquilo que ensaiamos e planejamos para hoje. Estou com o coração tranquilo, porque acredito que demos conta do recado”, concluiu.