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Acesso 2 São Paulo 2022: saiba como foram os desfiles

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Por Fábio Martins Gustavo Lima e Lucas Sampaio

A equipe do site CARNAVALESCO acompanhou a abertura do Carnaval 2022 em São Paulo. Abaixo, você confere a análise de cada apresentação e galerias de fotos. A disputa é pesada, apenas uma escola de samba sobe para o Grupo de Acesso I, enquanto a última colocada vai para o Grupo Especial de Bairros, uma espécie de quarta divisão, esta que é administrada pela UESP e os desfiles não são no Anhembi. Pelo que foi apresentado na Avenida, Nenê e Peruche vão brigar pelo título. Em situação delicada estão Brinco da Marquesa, Camisa 12 e Dom Bosco.

Brinco da Marquesa

A atual campeã do Grupo Especial de Bairros, Brinco da Marquesa, abriu a noite de desfiles com o enredo “Estação Japão-Liberdade. Do Afro ao Oriental”. O desfile contou a história do bairro da Liberdade, que é famoso pela forte presença da cultura oriental. O nome, porém, é uma referência ao período colonial, em que foi transferida para a região a primeira forca de execução, onde muitos negros foram mortos enquanto quem assistia clamava por sua libertação. Iniciando a apresentação, a comissão de frente representou os Guardiões Ancestrais através de uma dança simples, atuando como observadores dos fatos e saudando o público. O carro abre-alas foi uma referência ao Largo da Força, onde as sentenças de execução eram aplicadas, e fez uma representação adequada dos elementos propostos no enredo.

A chuva que caiu durante o desfile prejudicou a dança de Ronaldinho e Juliana Ferreira, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. Com a pista bastante escorregadia, a apresentação do casal, que veio representando o Tempo Colonial, se tornou bem burocrática, e ainda assim não conseguiram escapar de erros. O clima foi um adversário ingrato para a escola, mas não comprometeu a evolução em si, que se mostrou segura e sem pressa.

O samba foi de fácil leitura e bem apresentado pela equipe de canto liderada por Buiu MT e André Luiz. A bateria arriscou algumas bossas que foram bem executadas ao longo do desfile. A harmonia, porém, não contribuiu conforme o esperado, havendo diversos problemas de percepção de canto. Ao final da apresentação, uma das esculturas principais do segundo carro se quebrou e quase caiu na avenida. Foi preciso que componentes da escola carregassem ela até o fechamento do portão, que ocorreu com 48 minutos.

Camisa 12

A atual vice-campeã Camisa 12 adentrou o imaginário popular com o enredo “Um Conto para Mil e Uma Noites. A Viagem da Pantera pra lá de Bagdá”. Na apresentação, Aladim e o sultão disputam, em uma jornada pelo mundo antigo, quem encontrará a mais linda flor. Ao vencedor, o amor em forma de flor, o último dos desejos sugeridos pelo Gênio-Pantera. A comissão de frente apresentou a escola representando em suas roupas a comunidade árabe, com uma dança neutra. O Abre-alas contou com uma grande pantera, símbolo da escola, na frente e elementos alusivos ao conto das Mil e Uma Noites Árabes.

Com a pista ainda bastante molhada, o primeiro casal da Camisa 12, Luan Camargo e Angélica Paiva, também tiveram dificuldades em evoluir na avenida para representarem Aladim e a Linda Flor. O mestre-sala escorregou diversas vezes, enquanto a porta-bandeira fez giros muito lentos.

Nem mesmo tendo a participação de Dudu Nobre na composição, o bom samba da escola conseguiu contagiar os componentes, que apresentaram canto pouco perceptível. A bateria não se arriscou muito, com bossas realizadas dentro do regulamento.

A passagem da Camisa 12 foi marcada por problemas. O sistema de iluminação do segundo carro veio apagado, o que pode comprometer o julgamento do quesito alegoria. Com grande volume e uma evolução muito irregular, a escola precisou correr bastante no final do desfile e mesmo assim não foi o suficiente para fechar o portão dentro do tempo, encerrando a apresentação com 51 minutos, um a mais do que o máximo estabelecido.

Uirapuru da Mooca

Terceira escola a desfilar, a Uirapuru da Mooca exaltou aquela em que se fez presente com o enredo “O Uirapuru canta os encantos da noite”. O desfile apresentou o mundo que se faz presente nesse período dos nossos dias. Dos animais, lendas e mistérios, até a vida boêmia, festejos e músicas que a luz do luar inspira com seu brilho imponente. De casais apaixonados a histórias de terror, a noite é cenário marcante na vida das pessoas. Representando Pajés e a Índia Jaci, a comissão de frente veio bonita e com uma dança animada. O carro abre-alas, “Violeiros – Serenata na Fazenda”, teve leitura fácil e representou bem o início da boa apresentação da agremiação.

Com a pista já secando, o primeiro casal da Uirapuru, Anderson Guedes e Pâmela Yuri, conseguiu evoluir com naturalidade e se mostraram seguros durante sua apresentação aos jurados. Representaram bem suas fantasias denominadas “A Música”. Os componentes da escola conseguiram brincar sem preocupação, e com exceção de um pequeno erro rapidamente corrigido à frente do primeiro carros, tudo transcorreu normalmente.

A harmonia da escola chamou atenção por interagir bem com as bossas da bateria, que não se escondeu e fez a sua parte para levantar o público ao som do samba defendido pelo já conhecido intérprete Vaguinho. A escola encerrou seu desfile com muita tranquilidade, aos 47 minutos de apresentação.

Primeira da Cidade Líder

Com o enredo “Cordel Africano – Da Mãe África para o Nordeste Brasileiro, a Herança Cultural de uma Raça”, a Primeira da Cidade Líder contou em forma de cordel a história da origem do povo nordestino, que contou com forte miscigenação de escravos africanos que instauraram quilombos na região. O mais famoso deles, Palmares, foi onde Dandara e Zumbi lutaram para proteger as tradições de seus ancestrais e a liberdade de seus irmãos de origem. Guerreiros Ancestrais foram os responsáveis por apresentar a agremiação na comissão de frente, e fizeram uma boa apresentação com suas belas fantasias. Representando um navio negreiro observado por uma escultura da Mãe África, o carro abre-alas ditou o tom de uma segura apresentação da comunidade da Zona Leste.

 

Fabiano Dourado e Sandra de Jesus foram o Rei e a Rainha do Maracatu, e defenderam com vigor o pavilhão principal da escola. O primeiro casal fez uma boa dança e pareciam satisfeitos com sua apresentação. A Cidade Líder entrou no clima favorável e conseguiu dar um andamento agradável, com evolução positiva.

O samba conseguiu mostrar que é possível falar de África com tempero nordestino, e a bateria brincou com o samba de forma leve, com bossas bem aplicadas. A harmonia correspondeu nesses momentos, mostrando a disposição da comunidade em defender sua escola, que fechou a apresentação sem percalços com 48 minutos.

Unidos de Santa Bárbara

A quinta escola a entrar no Anhembi pelo Grupo de Acesso II foi a Unidos de Santa Bárbara, escola que cantou “O Sol Nascerá”. A escola do Itaim Paulista, zona leste de São Paulo, buscou trazer luz, alegria, amor e esperança em seu desfile. Desenvolvido pelo carnavalesco Anderson Paulino, a escola abordou esse tema na mitologia grega, egípcia, chinesa e nas Américas. Logo em seu abre-alas a escola trouxe o ‘Templo dos Deuses’, além do Sol, tivemos Deus Rá, Deus Apolo, círculos astrológicos, e esculturas egípcias. Enquanto a comissão trouxe o Rei Luiz XIV como principal elemento, este que trouxe o Sol em uma dança de carnaval, foi uma dança bem envolvente, intensa e movimentada principalmente pela representação do Rei Luiz XIV, assim foi desempenhada de forma satisfatória.

O casal Welson Roberto e Waleska Alves, vestidos de Sol e Lua, fizeram uma apresentação correta, leve e condizendo com fantasia, os passos sincronizados, foi um ponto para vermos na escola. Falando em fantasia que por sinal em suas doze alas, buscaram trazer o sol em diferentes esferas. No carro dois trouxe raízes indígenas, índio Guaraci e esculturas nordestinas.

A evolução da escola desempenhou seu papel dentro da pista, veio em bom tamanho e mesmo assim terminou sem pressa, com 47 minutos de desfile, bem compacta. A harmonia da escola teve pontos a serem ressaltados no canto, este que acabou faltando. O samba fluiu de forma leve devido o time de canto com Elci levou bem. E em junção disso, a bateria comandada por Mestre Wallace, estavam vestidos de ‘Alalaô, mais que calor’, famosa marchinha de carnaval e roubaram a cena, destaque da escola com suas bossas combinando com samba, levantando o público com seu desempenho muito interessante.

Torcida Jovem

Em seguida, a Torcida Jovem, fundada a partir de torcedores do Santos, trouxe o enredo: “Bela Vista. Berço Cultural desse País”. A escola volta às raízes de onde surgiu como bloco carnavalesco em 1978. Trouxe a diversidade da região central de São Paulo como pontos gastronômicos, culturais e construções históricas. No abre alas trouxe a tradicional Festa da Achiropita, a maior festa italiana do Brasil, que visa ajudar a manter projetos sociais na comunidade. Enquanto a comissão de frente foi representada por Arautos, anunciando a chegada da escola, em uma dança interessante, onde eles viravam para justamente a escola, e faziam menção de anunciar a entrada da agremiação em uma cena marcante, ponto alto da escola.

No carro dois vimos a Música e Boemia do bairro tão tradicionalista de São Paulo e o Carro 3 em homenagem a Vai-Vai, escola com mais títulos do carnaval paulistano que é do Bixiga, foi o destaque. As fantasias mesclaram religiosidade, música, gastronomia, teatro e carnavais antigos.

O primeiro casal veio de ‘herança africana’, Lucas Rodrigues e Dani Motta desempenharam sua dança sem problemas, mostraram entrosamento nos passos, uma maneira bem satisfatória e sincronizada nas mãos, olhares, e claro, gestos. A harmonia não foi um dos principais pontos positivos, faltou canto em algumas alas. Enquanto a evolução foi dentro do esperado, a escola passou bem, em ordem e fecharam com o cronometro virando de 45 para 46 minutos, ou seja, sem pressa para esse fim. Na parte do time de canto, o samba fluiu com tranquilidade pela pista. Enquanto a bateria dos Mestres Mi e Marcelo Caverna auxiliaram esse desempenho, levando no ritmo da escola de uma maneira condizente com o samba que estava na pista.

Nenê de Vila Matilde

A segunda maior campeã do carnaval de São Paulo, a Nenê de Vila Matilde resolveu reeditar um enredo de 1997, “Narciso Negro”. Desenvolvido por Fábio Gouveia, a escola buscou resgatar valores e respeito ao negro. A comissão de frente veio como um resgate para a reflexão, e trouxe o espelho que moveu a dança, junto com o elemento central foi o fundador da escola ‘Seu Nenê’, executaram passos firmes, ao mesmo tempo envolventes pela sua intensidade, e abriram bem os caminhos da agremiação. No abre alas trouxe o ‘Reino de Oxum’, e chegou mostrando a força da escola com seu acabamento.

Já no carro dois, buscou a influência do povo africano na identidade cultural brasileira, ou seja, uma mistura muito grandiosa na história. No último carro, o três, homenageou a própria escola pelo seu trabalho desde 1949, e se auto titulou como ‘quilombo Azul e Branco’, pois cumpriu o que propôs.

As fantasias tiveram temas ligados à religiosidade, gastronomia, e outras misturas entre Brasil e África como o café. A bateria comandada por Mestre Matheus, vestia Herança Viva de Zumbi, e teve um desempenho bem satisfatório, combinou ritmo com samba e execuções das bossas. A harmonia foi bem com alas cantando samba de cor, tranquilos, enquanto a evolução da escola desempenhou de maneira satisfatória, encerraram desfile com 48 minutos, com sorriso no rosto dos componentes e da harmonia da escola. O samba funcionou e a escola cantou bastante junto com sua torcida, sendo o destaque neste desfile. E por fim, o casal vestido de Vaidade Africana, Thayla e Cley desempenharam bem seus passos, na troca de gestos, olhares e mãos, sempre bem sincronizados, bailado leve de ver, ou seja, mostraram entrosamento importante no quesito que leva o pavilhão.

Unidos do Peruche

Outra escola tradicional de São Paulo, a quinta maior vencedora da elite, a Unidos do Peruche está no seu segundo ano no Grupo de Acesso II e o seu enredo foi “Água… Divinas Bênçãos”. Logo em sua comissão de frente representou águas dançantes, e no abre alas apresentou Planeta Terra e o Ventre da Mãe, dois grandes elementos que contém água importantes para a vida. Enquanto no carro dois tivemos orixás das águas e a lavagem do Bonfim, por fim no último carro a preservação entrou na pista e na parte de trás com detalhe de xô Covid.

O casal Kawê Lacorte e Nathalia Bete, vestidos de marés, passaram com tranquilidade durante a sua apresentação. A bateria comandada por Mestre Acerola de Angola representou a poluição e destruição, desempenhou muito bem na avenida, foi o destaque com suas bossas e leveza, ajudou a conduzir o samba que exige momentos da bateria interagir, e funcionou bem nesses trechos do samba como “Tem água de cheiro, xeu êpa babá”.

Com esse cenário, a harmonia da escola na parte do canto fluiu bem, o samba foi leve, a junção carro de som com a bateria desenvolveu de maneira satisfatória e a evolução da escola foi bem compacta, fechando com 49 minutos de desfile sem nenhum problema.

Imperador do Ipiranga

O Imperador do Ipiranga, que foi a nona escola a entrar na pista, levou o enredo “Imperador e Nações Unidas – Semeando Amor Para Colher Felicidades”. No começo do desfile, a agremiação entrou com a sua comissão de frente, onde simbolizava a luta entre o bem e o mal, regida pelo orixá Ogum. O abre-alas do Imperador, representava uma homenagem à paz. A alegoria, foi o grande destaque da escola no desfile. Belas esculturas de negros e índios e, na frente, uma grande coroa, que é o pavilhão da agremiação. A comissão de frente executou uma dança simples. Vestidos de branco e preto, o elenco se movimentava de um lado para o outro da pista apresentando a Imperador.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Vitor Barbosa e Pamela Cristina, bailaram corretamente e fizeram a coreografia como se manda dentro do samba. Ora executavam movimentos simples e ora aceleravam a dança. Apesar de fechar os portões aos 48 minutos, a evolução não deixou a desejar. Porém, as alas não estavam móveis. A dança ficou em linha reta.

A bateria da agremiação, regida por Vinicius Morello, não executou tantas bossas durante o trajeto. Pelo jeito, o objetivo maior da batucada era marcar o samba para o funcionamento da harmonia e do carro de som. O canto do Imperador, teve um desempenho razoável. Algumas alas cantavam forte e, em outras, o desempenho caía consideravelmente. O samba-enredo, tido como um dos melhores do grupo, teve um desempenho satisfatório.

Amizade da Zona Leste

Décima escola a passar na avenida, a Amizade da Zona Leste, apresentou o tema “Dandara”, onde contou a história de uma escrava guerreira que lutou bravamente e foi símbolo de resistência para as mulheres. Dando início à apresentação, a comissão de frente representava a luta de Dandara contra os capangas que oprimiam os escravos e, o carro abre-alas, simbolizava o ‘Quilombo dos Palmares’. A alegoria trazia um grande rosto de Dandara bem na frente, dando ênfase ao enredo. De fato, a comissão apresentou uma dança muito cênica. Uma verdadeira obra de encenação. Foi o quesito destaque de todo o desfile.

 

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Leonardo Henrique e Mariana Vieira, que desfilou logo após a comissão de frente, veio representando os orixás ‘Xango e Iansã, usando cores quentes, misturando o laranja com o amarelo’. A dupla executou uma coreografia com danças lentas. Nas alas, a evolução fluiu de maneira correta. Porém, na última parte do desfile, não houve compactação entre a escola. Houve um considerável espaçamento.

A bateria da agremiação, regida pelos mestres Camilinho Ieié, Felippo e Vinicius, teve uma bela atuação no desfile. Destaque para a bossa do reggae dentro do primeiro refrão. Também, dentro desse ato, a batucada parou na frase ‘a amizade pede a libertação’ e deixou a comunidade cantar a uma só voz. O intérprete Rodrigo Atração, conduziu o samba de maneira satisfatória. Porém, o canto da escola deixou demais a desejar. Muitos componentes sequer sabiam o samba. O quesito harmonia foi o ponto baixo na apresentação da Amizade Zona Leste.

Tradição Albertinense

A Tradição Albertinense, penúltima escola a se apresentar na pista, levou o enredo “A Passarela É de Vocês! 30 Anos de Anhembi, É Tradição, Podem Aplaudir!”. A comissão de frente, iniciou o desfile com uma representação “Dos deuses da folia, a pioneira”. A primeira alegoria, trazia um ar de africanidade e, em análise, os primórdios do samba, visto que o tema é uma homenagem ao sambódromo do Anhembi. Na parte de frente do carro, havia a figura de um leão, remetendo à antiguidade e, no topo e parte de trás, a figura de uma baiana do samba. A comissão de frente fez uma dança simples com o objetivo de apresentar a escola. Houve movimentações de um lado para o outro na pista.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Alex Santos e Gisa Camilo, representava a raíz e a ancestralidade do samba paulistano. A dupla realizou uma dança segura e leve. Com muito sorriso no rosto, mostrou o pavilhão para as cabines de jurado de forma correta. A agremiação teve falhas no primeiro setor. Não houve compactação entre a comissão de frente e o abre-alas. Abriu um espaço indevido.

A bateria da agremiação, comandada por mestre Tutu, mostrou grande cadência no andamento do samba, um forte desenho de tamborins e uma presença muito grande dos surdos de terceira. Destaque para a bossa do refrão principal, onde as caixas se sobressaem nas duas passadas e, logo após, os surdos voltam na virada. O intérprete Thiago Luis e seu carro de som, conduziram o samba de maneira correta, mas a comunidade não cantou muito. Talvez pelo pouco contingente.

Destaque: Na segunda alegoria, estavam presentes personalidades do carnaval paulistano, como, Solange Cruz, Ernesto Teixeira, Douglinhas Aguiar, Eduardo dos Santos. O mestre Tadeu, diretor de bateria do Vai-Vai, veio a frente da batucada da escola.

Dom Bosco de Itaquera

Fechando os desfiles do Grupo de Acesso II, o Dom Bosco de Itaquera, se apresentou com o enredo “O Alimento da Alma é o Dom do conhecimento”. A comissão de frente, representava o homem pré-histórico e, o abre-alas todo o conhecimento do ser-humano. A primeira alegoria, veio com um tom inteiro em dourado e esculturas de anjos. A comissão de frente, totalmente encenada, apareceu muito bem e trouxe toda a dança feita na pré-história.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Leonardo Henrique e Mariana Vieira, fazia uma alusão ao império romano. Foi o quesito destaque do desfile. A sincronia do casal foi perfeita. A coreografia, os gestos, sorrisos no rosto e tudo o que se pede. A evolução foi extremamente abaixo. A escola desfilou com 3 alegorias e não houve o cálculo certo. Dom Bosco de Itaquera passou com 52 minutos. Além disso, a escolha de ‘correr’, não foi correta.

A bateria da agremiação, comandada por mestre Bola, teve momentos intercalados entre cadência e aceleração. Não houve tantas execuções de bossas. A marcação do samba foi prioridade. O Intérprete Rodrigo Xará, conduziu o samba de maneira correta, mas, obviamente, o andamento caiu devido ao desespero da escola nos últimos momentos. A mesma coisa vale para o canto da escola. Começou bem e caiu muito após o recuo da bateria.

Grande Rio só perdeu três décimos em comissão de frente em cinco anos; escola foi penalizada em 15 décimos em enredo

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Quem não se lembra do Pelé de 2016? Ou de Ivete Sangalo levando a avenida abaixo em 2017? E o que falar do sofá de Chacrinha em 2018 ou emojis de 2019? Os orixás de 2020, a mais recente? Em comum imagens deixadas pelas comissões de frente da Grande Rio na avenida nos últimos carnavais. Embora a escola tenha realizado desfiles irregulares nos últimos anos, as comissões deixaram marcas.

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Na reportagem do site CARNAVALESCO ‘De olho nos quesitos’, é hora e vez da Grande Rio. Nenhuma escola do Grupo Especial possui melhor desempenho que a tricolor de Caxias em comissão de frente (empatada com o Salgueiro). Apenas três décimos perdidos dos jurados mais rigorosos do Grupo Especial. Em contrapartida, dos 71 décimos perdidos nos últimos cinco anos, 15 foram no quesito enredo, 21% do total.

Confira o desempenho da Grande Rio quesito a quesito:

Alegorias e Adereços

A Grande Rio enfrentou muitos problemas no Carnaval 2018 e acabou rebaixada na pista. Uma virada de mesa a manteve no Grupo Especial. O principal problema daquele desfile se deu com uma alegoria, o que fez a escola ser penalizada em quatro décimos, mais da metade dos sete perdidos a partir de 2016. Em 2017 e 2019 a escola obteve 30 pontos.

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Bateria

Atrás apenas de comissão de frente em termos de desempenho nas notas. A Invocada foi comandada por Thiago Diogo entre 2016 e 2018 e por Fafá a partir de 2019. Apenas em 2017 o quesito foi punido com quatro décimos, que é o total de perdas no período analisado. Na época as notas causaram revolta em Caxias e foi justamente o quesito que afastou a escola do título naquele ano. Nos demais anos os ritmistas de Caxias obtiveram 30 pontos.

Comissão de Frente

Comandada nesses cinco anos por dois dos casais mais brilhantes do quesito comissão de frente, Priscila Motta e Rodrigo Negri entre 2016 e 2018 e Hélio e Beth Bejani a partir de 2019, o reflexo da competência dos quatro se reflete em notas. Apenas três décimos perdidos em cinco anos. Um feito e tanto se considerarmos que os julgadores de comissão de frente foram aqueles que mais puniram as escolas de acordo com o levantamento de nossa reportagem.

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Enredo

Uma das grandes críticas que a Grande Rio sofria até dar uma guinada em 2020, eram as escolhas duvidosas de seus enredos. As críticas estão espelhadas nas notas obtidas no quesito. Os 15 décimos perdidos pela escola no quesito representam o pior desempenho em todo o atual Grupo Especial em enredo. No acidentado desfile de 2018 foram impressionantes oito décimos de punição. Em 2016 mais quatro décimos em 2019 outros três. Apenas em 2017 na homenagem a Ivete Sangalo e em 2020 já com um enredo de maior densidade cultural sobre Joãozinho da Goméia, a Grande Rio alcançou os 30 pontos possíveis.

Evolução

Terceiro pior quesito da Grande Rio nos últimos cinco anos. Mas é obrigatório contextualizar que os problemas enfrentados no desfile de 2018, quando a escola ficou minutos parada na pista e estourou o tempo, representa 63% de toda a perda da escola no quesito em cinco anos. Em 2016 e 2017 foram 30 pontos e em 2019 29,9. Em 2018, 29,3 e em 2020, quando novamente a Grande Rio falhou na pista, foram 29,7. O quesito aliás já tirou das mãos da Grande Rio dois campeonatos, 2006 e 2020.

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Fantasias

Nos últimos quatro anos a escola melhorou em fantasias, perdendo apenas três décimos (um em 2018 e dois em 2019). O problema foi o conjunto de 2016, que definitivamente desagradou muito ao júri, fazendo a Grande Rio perder de uma vez meio ponto, totalizando uma perda de oito décimos nos últimos cinco anos.

Harmonia

Quesito de desempenho irregular na Grande Rio nos últimos cinco carnavais. Se a nota 30 foi conquistada pela grande comunidade de Caxias em 2017 e 2020, o mesmo não aconteceu em 2016 (29,9); 2018 (29,8) e 2019 (29,7). Total de seis décimos perdidos, o que coloca harmonia em quarto lugar em desempenho, atrás de comissão de frente, bateria e mestre-sala e porta-bandeira.

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Mestre-Sala e Porta-Bandeira

A manutenção do mestre-sala Daniel Werneck desde 2015 trouxe frutos. Primeiro por formar uma consistente e competitiva dupla com Verônika Lima (atualmente no Império Serrano), nota máxima em 2016 e 2018. Segundo por mesclar sua experiência com o talento de Taciana Couto a partir de 2019 com a nota máxima em 2020. Em cinco anos apenas 0,5 ponto perdido, terceiro melhor quesito da Grande Rio na pista.

Samba-Enredo

Se o samba da Grande Rio figura entre os melhores do ano para 2022, assim como em 2020, este é um quesito que vinha sendo penoso para a escola. Apenas a arrebatadora homenagem à Ivete Sangalo havia alcançado a nota máxima antes de 2020. Os questionáveis sambas de 2016 (-0,1); 2018 (-0,4) e 2019 (-0,7) fizeram a Grande Rio perder 12 décimos no quesito. Desempenho superior apenas à enredo.

Série ‘Barracões’: Em Cima da Hora aposta na reedição do samba com o enredo atual

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De volta para Sapucaí, após sete anos fora, a Em Cima da Hora, será a primeira escola a abrir a temporada de desfiles do carnaval do Rio de Janeiro em 2022. Estando atualmente na Série Ouro, a azul e branco de Cavalcante irá reeditar na avenida o enredo “33 – Destino Dom Pedro II”, desenvolvido pelo carnavalesco Marco Antônio Falleiro. Enredo clássico da escola de 1984, a temática fala sobre o trem 33 que saía de Japeri (baixada fluminense) com destino a Central do Brasil. Leve, o samba está na ponta da língua dos componentes da escola. Pedido pela própria comunidade, quando a agremiação subiu para a Série Ouro, o carnavalesco Marco Antônio juntamente com a diretoria atendeu o solicitado. Durante a pesquisa para desenvolver o enredo, ou melhor, fazer uma releitura do próprio. O carnavalesco da escola acabou percebendo que apesar do samba ser de 1984, ele ao mesmo tempo é atual.

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“O que mudou de 1984 para  2022? Quase nada. Mesmo com o passar dos anos, os problemas não mudaram. O tempo de viagem continua o mesmo e por isso torna o enredo atual”, conta Marco.

Esse enredo o que tem de mais valioso e leve é mostrar o tempo e o dia a dia de quem utiliza esse meio de transporte e faz a viagem de Japeri a Central. Para o carnavalesco da escola esse tema é muito importante, ele diz que é bom para que as pessoas saibam como é o cotidiano do subúrbio e também de quem acorda cedo todos os dias para chegar ao seu local de trabalho. Para ele, é essa mensagem que deve ser passada para quem estiver presente na Sapucaí, da esperança do cidadão carioca.

“Quem acorda cedo todos os dias, enfrenta o trem lotado para chegar ao trabalho e que passa por toda a dificuldade no transporte. Faz a verdadeira viagem. De quem está dentro dessa realidade do subúrbio carioca e que o povo nunca perca a esperança de que um dia seja melhor do que o outro”, relata.

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A cabeça da escola é o grande trunfo da Em Cima da Hora para este desfile juntamente com a comissão de frente, que após alguns conflitos teve o coreógrafo mudado. “Eu apostei em algo leve, nos tons da escola em degradê de azul. Uma boa iluminação, os carros vem com vários efeitos de iluminação, com led e espelhos, dando um efeito muito bom na avenida”, diz o artista.

Já a comissão de frente, de acordo com o próprio, é muito alegre e divertida. “A comissão vai retratar os personagens que a gente encontra no trem, dentro de uma narrativa empolgante. Que com certeza vai causar um impacto na avenida. Alegre e divertida como o carioca é”, explica o carnavalesco.

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É notório que as escolas da Série Ouro passam por muitos problemas, seja com a pouca verba e até mesmo com a localização e a estrutura dos barracões. Com a Em Cima da Hora não é diferente, e de acordo com o carnavalesco isso é algo que precisa ser mudado. “Uma das dificuldades sem dúvidas é a estrutura do barracão. Por causa da chuva, isso causa uma tremenda dificuldade para a gente”.

Entenda o desfile

Um enredo atual mesmo sendo uma reedição de 1984, a Em Cima da Hora será a primeira escola a abrir os desfiles do carnaval de 2022 do Rio de Janeiro. A azul e branco de Cavalcante, subúrbio do Rio pretende fazer um desfile alegre e divertido, usando e abusando dos efeitos de iluminação nos carros. Mesmo assim, a escola virá leve e compacta para a Marquês de Sapucaí e também buscando a permanência na Série Ouro.

Primeiro setor: “O nosso primeiro setor é o embarque no famoso 33. É uma alusão ao trem famoso 33 e a gente faz isso com a própria escola, ao relógio. Uma forma de resgate”.

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Segundo setor: “Baldeando por aí, onde a gente mostra as estações em que o trem passa. Nesse carro possui uma paleta de cores mais forte, para mostrar o grande tumulto que encontramos nas estações. Nesse carro é onde tem os vendedores ambulantes, as barraquinhas e tudo que se encontra da Central a Japeri e vice-versa”.

Terceiro setor: “É tirando onda de artista. Onde você vai encontrar os artistas que ganham os seus trocados dentro dos vagões do trem”.

Ficha técnica
Número de alegorias: 3 alegorias
Número de alas: 20 alas
Número de componentes: 1.800
Diretor de barracão: Leandro Fé
Diretor de carnaval: Flávio Azevedo
Iluminador: Luís Otávio (Kibe)
Escultor e pintor: Alan e Wallace
Espelheiro: Alcelmo
Decorador: Klebberson

Série ‘Barracões’: A Pequena África da Vigário Geral

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Desde 2020 desfilando na Marquês de Sapucaí pela Série Ouro, a Acadêmicos de Vigário Geral surpreendeu o público com o seu último carnaval. O desfile, que foi carregado de críticas políticas ao governo, teve uma grande repercussão. Com o enredo, “O conto do vigário”, desenvolvido pelos carnavalescos Alexandre Costa, Marcus do Val e Lino Sales, a escola ficou na 11ª colocação. Para o carnaval de 2022, os carnavalescos optaram por um enredo afro em que falam sobre a região da Pequena África. Com o enredo “Pequena África: Da Escravidão ao Pertencimento – Camadas de Memórias entre o Mar e o Morro”, desenvolvido também pelo trio, a escola pretende levar para a avenida a história dessa região e também falar sobre a chegada dos negros africanos no Rio e tudo o que foi surgindo a partir disso na região da zona portuária carioca.

A ideia de fazer essa temática surgiu a partir de uma curiosidade sobre a Pedra do Sal e a partir disso escolheram fazer sobre a Pequena África. Durante a pesquisa dessa temática eles descobriram coisas que não sabiam que existia ali pela região. “Exemplo disso é o cemitério dos Pretos Novos, um lugar super legal das pessoas conhecerem, mas que poucas sabem que existe”, conta Alexandre.

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Um detalhe importante também que eles encontraram durante a pesquisa foi sobre o Sindicato dos Estivadores, que foi o primeiro sindicato negro do Brasil. Algo que é novidade, pois não é muito falado. Mas na avenida os carnavalescos da Vigário vão fazer ser conhecido.

No Rio de Janeiro teve uma política de embranquecimento na história, de apagar tudo o que o negro construiu. Na mensagem do enredo, os carnavalescos pretendem deixar isso bem explicado.

“Queremos recontar essa história. Contar que existia um cais, onde os negros escravizados desembarcavam. Ele foi soterrado para dar lugar ao cais da imperatriz, que também acabou soterrado para dar início às obras de reestruturação da cidade do Rio. Queremos mostrar que o negro faz parte dessa sociedade e do desenvolvimento da cidade, apesar do embranquecimento”, explica Marcus.

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O grande trunfo do desfile da Vigário Geral para esse carnaval são duas apostas. A plástica da escola que será completamente diferente do último desfile, utilizando materiais alternativos e simples. Os artistas também apostam nas alegorias.

“Temos carros que estão bem legais. O segundo carro é uma grande aposta, pois estamos trazendo os orixás de maneira diferente. As minhas esculturas são mais fortes, não tem quase roupa, fui mais na ancestralidade. Quero mostrar os orixás na sua ancestralidade e nos seus elementos. Por isso é uma grande aposta”, relata o carnavalesco Alexandre.

Fazer um carnaval na Série Ouro é o maior desafio de muitos carnavalescos. Sem a verba adequada e uma boa estrutura nos barracões, torna tudo mais complicado e acabam fazendo um verdadeiro milagre nesse trabalho. Para dois dos três carnavalescos da escola, Alexandre e Marcus, a maior dificuldade é: “Estamos dividindo um barracão com outra escola. Tem laje, mas aqui chove. É difícil quando tenho que colar algo no carro, pintar e bordar, pois como está molhado acaba tendo que ser feito em outra hora”, diz Alexandre.

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Já na parte do ateliê, um dos maiores desafios foi encontrar o material adequado no mercado. “Fizemos um protótipo, compramos o material. Quando fomos comprar os mesmos utilizados naquela ocasião, já não tinha mais. Cerca de um ano depois estava em falta ou tinham parado de fornecer”, relata Marcus.

Entenda o desfile

A Vigário Geral vai levar para a Sapucaí um enredo afro, fugindo totalmente do que foi a proposta do carnaval de 2020. No deste ano, ela decidiu contar sobre a Pequena África, que ficava localizada na zona portuária do Rio de Janeiro, e também falar sobre o povo negro que ali vivia. Tudo o que trouxeram com eles de cultura, ancestralidade e a própria história. Na temática também será possível encontrar os lugares em que eles passavam. A agremiação será a sexta escola do dia 21 de abril a desfilar na Sapucaí pela Série Ouro.

Primeiro setor: “A gente fala da origem do negro e a travessia do africano para o Brasil. Com a chegada no Cais do Valongo e no Píer Mauá. O abre-alas representa o navio negreiro”.

Segundo setor: “É a ocupação da Pequena África. Como o negro ocupou aquele espaço, vindo com a sua mão de obra, escravos de ganho. O cemitério dos Pretos Novos, que ficava os negros que não sobreviviam a travessia. Tem as baianas, com a diáspora baiana que trouxe a Tia Ciata para o Rio e a ancestralidade”.

Terceiro setor: “As instituições que os negros trouxeram e fundaram. O carnaval, a estiva, a música, o samba e a cultura. Tudo o que o negro trouxe e formou para a Pequena África”.

Ficha técnica
Número de alegorias: 3 alegorias
Número de alas: 20 alas
Número de componentes: 1.700
Carnavalescos: Alexandre Costa, Marcus do Val e Lino Sales
Diretor de barracão: Maycon
Pintor e escultor: Alan
Ferreiro: Pedro
Assistente: Karila
Iluminação: Wagner (Iluminashow)
Decoração: Klebberson, Cíntia e Débora

Carnavalescos conhecem sistema de iluminação cênica do Sambódromo e anunciarão seus projetos na terça-feira

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Será na próxima terça-feira, 19 de abril, três dias antes dos desfiles das Escolas de Samba do Grupo Especial, que os carnavalescos informarão que tipo de iluminação escolheram para abrilhantar, ainda mais, a apresentação de suas respectivas Agremiações. Naquela oportunidade, terão uma nova reunião com os light designers (designers de iluminação) Césio e Bruno Lima, responsáveis pelo novo sistema de iluminação cênica da Passarela.

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Foto: Henrique Matos/Divulgação Liesa

A primeira reunião, apesar do temporal que desabou no Centro do Rio, aconteceu na noite desta quinta-feira, 14, às 18h30, quando Césio Lima recebeu os carnavalescos no Centro de Controle de Iluminação, montado atrás do Setor 9. Diante de um conjunto de monitores que mostravam todos os setores da Avenida, explicava como funcionará o sistema, jogando luzes coloridas para as arquibancadas e luz branca para a pista de desfile.

“Como se trata de experiência nova, estávamos passando para os carnavalescos que não faremos nada que eles não queiram usar nos desfiles já programados. Estávamos aqui discutindo algumas possibilidades como, por exemplo, trabalhar com a intensidade ideal da luz básica. Antes, era uma intensidade só. Agora, estamos ouvindo dos carnavalescos as intensidades que eles acham melhor. E como desejarão usar o conjunto de luzes coloridas, com movimentos”, explicou.

Luz branca para todas as escolas

Césio informou que o sistema está dividido em dois grandes conjuntos de refletores: o de iluminação básica, a “luz branca”, que será usada nos desfiles de todas as escolas, variando apenas de intensidade, de acordo com o desejo do carnavalesco; e de iluminação show, composto de luzes coloridas e com movimentos, as “moving lights”. Estas serão usadas apenas no intervalo entre uma Escola e outra, dando um colorido especial à festa das arquibancadas, frisas e camarotes.

“Apesar das fortes chuvas e dos transtornos provocados pelo aguaceiro, a reunião foi bastante proveitosa. Entendemos que as opiniões são muito diferentes entre os carnavalescos, mas faremos um balanço dessas opiniões para finalizar o projeto até o dia 19, quando nos comprometemos a entregá-lo concluído. E eles voltarão aqui para ver o resultado final”.

Mais de 1.100 refletores

O sistema de iluminação cênica implantado pela empresa LTL Iluminação é composto por 420 refletores de luz branca com intensidade regulável, e 700 refletores da linha de show, as “moving lights”. Nos desfiles oficiais, os light designers comandarão uma equipe integrada por mais de 30 técnicos, entre eles eletricistas e técnicos de eletrônica espalhados por todos os setores da Sapucaí e operadores de controle, no Setor 9.

O diretor de carnaval da Liesa, Elmo José dos Santos, representou o presidente Jorge Perlingeiro no encontro e liderou a comitiva de carnavalescos do Grupo Especial no percurso entre a Cidade do Samba e o Sambódromo, e de volta aos barracões.

Ao vivo: acompanhe os desfiles do Acesso 2 de São Paulo

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Entrevistão com Saulo Finelon e Jorge Teixeira: ‘Trabalhar na Mocidade é uma responsabilidade enorme pela comunidade que cobra e dá muito carinho’

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No sétimo desfile consecutivo pela Mocidade Independente de Padre Miguel, Saulo Finelon e Jorge Teixeira, produziram comissões de frente inesquecíveis, dentre elas, a famosa apresentação com o Aladdin voando pela Marquês de Sapucaí no ano do título de 2017. Os coreógrafos têm ainda na conta, dois desfiles em 2010 e 2011 que produziram também na Verde e Branca de Padre Miguel. Além do trabalho desenvolvido com o carnaval, Saulo é bailarino do Theatro Municipal e Jorge é diretor artístico da Companhia Bemo, também do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, e diretor artístico da Companhia Brasileira de Ballet (CBB).

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Com a expectativa de produzir mais uma comissão para um enredo desejado pela comunidade independente, ano passado Elza Soares e agora o padroeiro e a história da “Não Existe Mais Quente”, a dupla conversou com o site CARNAVALESCO e revelou seu entendimento de que o quesito tem se tornado um show à parte, chamariz de público e carro chefe para disputa de título, explicou suas preferências para o desenvolvimento das coreografias e efeitos especiais, expressou sua alegria pelo carinho recebido dentro da escola, com a comunidade, e relembrou trabalhos anteriores.

Qual é o maior desafio hoje da comissão de frente ser a síntese do enredo ou um espetáculo impactante de abertura?

Saulo: “O caminho que está levando é realmente um show à parte, é óbvio que estar dentro do enredo e dentro da temática, isso é primordial. Mas, o espetáculo se sobrepõe a isso, não adianta só você estar falando do enredo se você realmente não tem um verdadeiro show, e acredito que a trajetória que nós estamos trilhando e as pessoas esperam, o mais difícil é essa superação, acredito que realmente tem que ser um impacto e é o que o público espera, acho que não tem mais volta. Mas só o impacto não, porque se não fica uma coisa muito aleatória. Eu acredito que infelizmente as comissões antigas ficaram lá para trás”.

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Jorge: “É você buscar um efeito que fale do enredo, é muito importante que o efeito venha realmente compondo o enredo e não que seja uma coisa aleatória, simplesmente por um efeito. Essa é a nossa grande preocupação. É achar alguma coisa que se encaixe nesse grande show, mas também se encaixe no enredo, e é bem difícil. Esse casamento tem que ser perfeito, enredo e show”.

Toda comissão pede um ápice. Vocês concordam que em 2020 nenhuma comissão de frente teve um boom de inesquecível pela pressão de sempre ter que ser uma apresentação inesquecível?

Saulo: “Eu acho que quando a gente fala do impacto, isso não tem nada a ver com o efeito. O impacto pode ser sentimental, pode ser emocional, pode ser de outra maneira. Eu acho que nós estamos muito comprometidos com o trabalho, a gente não sente uma pressão com um ‘temos que fazer’, a gente faz porque a gente acredita, gosta e vai, e já faz parte do processo. Não tem como não ter pressão, é uma competição. Coreografar comissão não é só ser coreógrafo, você é diretor de um show, não é só ali fazer coreografia e a competição é que leva a essa adrenalina”.

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Jorge: “Você tem que chegar até o público, você tem que emocionar de alguma forma. Você tem que fazer senti-lo alguma coisa em relação a sua comissão. Não significa que tem que ser uma explosão, efeito só de sobrenatural, mas você tem que chegar até o público. O grande segredo do artista é chegar até o público. Você precisa trabalhar com o sensorial. O efeito é a cereja, mas eu gosto muito do que vem compondo, que vem criando a atmosfera para criar o efeito. É muito mais a estrutura que nós vamos dar, a ambientação para que o efeito aconteça”.

Qual é a comissão inesquecível da carreira de vocês? E qual foi a que podia ser melhor na hora oficial?

Saulo: “A comissão de frente, a gente faz um projeto, querendo acertar, e a gente já tem essa característica de ter um percentual de erro, de riscos, e a gente compra, e a escola compra, claro que a gente tenta minimizar, mas o risco ele sempre existe. Acho que a comissão que a gente ficou mais decepcionado e deu mais trabalho foi no ano do gelo aqui na Mocidade (2011), dos patins, que choveu, os componentes não aguentaram, tiveram erros e não foi o resultado que a gente imaginou. Mas, acho que cada comissão é um filho e a gente tem carinho. Por isso, não tem uma que a gente não goste, todas têm as suas dificuldades. E a que a gente mais gosta, o ano que foi Cervantes, em 2016, a gente amava aquele cavalo, e parecia que era um bicho de estimação. O Aladdin (2017) foi uma grande surpresa, a gente tem a noção do projeto, mas a gente não tem a dimensão de quando vai para a Avenida. E a que estava plasticamente perfeita, acho que foi a da Índia que foi bem redonda em relação a hora que a gente desfilou, ao samba-enredo”.

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Jorge: “Eu gostava muito da dos patins (2011), e aí foge ao que aconteceu naquele ano do gelo, é que fugiu ao nosso domínio, nós contratamos, fomos buscar a melhor equipe de patinação campeã brasileira, e nós não esperávamos que eles não fossem ter a resistência necessária. Faltou resistência e experiência, eles acabaram cometendo erros na hora, que para eles, talvez, na competição deles não fizesse diferença. Eu acho que a comissão que mais nos deu trabalho foi a do tempo (2019), tivemos bastante dificuldade, nós não conseguimos levar o tripé para a Avenida, foi uma comissão que deu muito trabalho. Eu amo a Índia, existia um raio, mas o que vinha na frente já emocionava tanto, que não era nem o efeito, era muito impactante aquela entrada, e aquele conjunto era uma obra de arte perfeita. E o Aladdin, adorava o efeito, mas adorava a coreografia que existia atrás, os homens com os cestos”.

Sem ser a de vocês, qual a comissão que vocês adoram? Podem citar até três.

Jorge: “Eu não posso deixar de falar da comissão do Rodrigo (Negri) e da Priscilla (Mota), da época do Segredo (Tijuca 2010). Aquilo marcou uma época dos carnavais. E, uma lá atrás, que eu nem fazia comissão ainda, uma do Barquinho (Beija-Flor 2017), que é do Marcelo Misailidis, adorava aquele trabalho, porque ele tem essa coisa muito de criar uma atmosfera, trazer um grande pensador, um poeta para as comissões dele. E algumas comissões do Fábio de Melo, foi outro que houve uma mudança ali, foi o que começou a dar essa cara de show. A partir dele a coisa começou a mudar, e acabou chegando no efeito da Tijuca 2010”.

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Saulo “O Fábio de Melo realmente foi o precursor, o Carlinhos (de Jesus) trouxe comissões bastante leves que aconteciam, o Marcelo Misailidis. E teve aquela do Elefante, aquelas dobraduras e de repente aparecia o elefante. A Priscilla e o Rodrigo que também foi uma comissão que virou, eu acho que as pessoas começaram a olhar mais ainda para as comissões de frente imaginando que se você tem uma boa entrada, você pode ter um título. Uma coisa vai puxando e as pessoas olham de outra forma. E o Paulo Barros sempre deu muita atenção às comissões, um ano bem marcante. A gente gostava muito da savana (Vila Isabel 2012) do Marcelo (Misailidis) também”.

O elemento cenográfico é tão fundamental assim no Grupo Especial?

Jorge: “Eu não vejo que seja fundamental, mas também não acho que seja dispensável. Eu acho que vai caber o enredo. Se o enredo que você tem, cabe não trazer, ok. Se o enredo que você tem, cabe trazê-lo, ok também. Eu acho que tudo se estiver dentro do enredo, se for um elemento que faz parte da concepção, está valendo. Para mim não acho que tenha elemento pequeno, grande, ele tem que fazer parte da comissão. Se ele estiver bem estruturado dentro da linha de pensamento que o coreógrafo junto com o carnavalesco, sem problema nenhum. O que não pode ser é um elefante branco, alguma coisa sem função”.

Saulo: “É a valorização do espetáculo. O quanto mais você faz de novidade, você atrai o público, porque eu acho que isso que é importante para a grandiosidade do espetáculo, isso só vai somar. O que é importante como idealizadores de um projeto, é realmente amarrar isso. Eu não posso trazer um carro enorme que fica lá parado e aí não tem sincronia com os bailarinos, só porque é um boneco grande. Aí também não adianta vir com um monte de coisa pequenininha que também não acontece. Eu acho que o projeto tem que estar bem amarrado. Porque isso tem esse tamanho? Um exemplo é a nossa no ano do canhão. O canhão tinha 11 metros, como é que o carro ia ser menor que isso? Eu acho que os jurados querem ver isso, porque a gente vê isso nas notas. Infelizmente, quem também vai dar isso além do público são os jurados, porque nós estamos em uma competição”.

Se pudessem, o que gostariam de aperfeiçoar no quesito Comissão de Frente?

Saulo: “Uma das coisas que me intrigam um pouco, é a gente ser julgado pelo o que foi feito por nós mesmo no ano anterior. Às vezes acontece, e eu acho isso errado. Nós teríamos que ser julgados só pelo o que acontece esse ano. Julgar arte já é muito subjetivo. Eu gosto e você não gosta. Eu acho que deveria esquecer um pouco o que passou e partir do zero. Eles tentarem de alguma maneira, porque acho que também deve ser muito difícil para eles, julgar em dois minutos o trabalho de um ano, dessa forma eu acredito que eles têm que esquecer o que passou e ver aquilo que está vendo naquele momento. Se eu e o Jorge, a gente já tem um nível de comissão, se a gente faz menos do que a gente fez, a gente não tem um 10. Mas, um outro que tem um trabalho inferior ao nosso que já é melhor do que ele fez ano passado, ele ganha um 10”.

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Jorge: “Poderia haver tópicos mais separados. Criatividade talvez, notas mais separadas. Eles têm um desfile inteiro para escrever. Diferente de alguém que vai julgar enredo, evolução. Acho que as coisas poderiam ser um pouco mais discriminadas. O que eu acho que a Liesa poderia pensar é essa coisa de que a cada ano muda essa cabine de jurados. Cada ano você se organiza, tem que voltar para a Avenida. Nós fomos lá e já vimos que as cabines já mudaram de novo esse ano. Podia ter umas cabines fixas como o primeiro. Isso muda até a evolução da escola, porque quem dá a evolução é a comissão de frente. E, eu acho que você compromete dois jurados quando coloca eles no mesmo espaço porque são visões diferentes. A minha linha de exigência pode ser diferente da sua”.

Acham legal que tenha a apresentação apenas na frente do módulo de jurados ou gostariam que a análise fosse igual São Paulo, pela pista toda?

Jorge: “Eu acho que talvez pelo fato de a gente já estar acostumado, eu gosto dessa análise parada. Acho que funciona muito. As nossas coreografias de avanço são muito trabalhadas. E existe a preocupação de não fazer nada tapando a lateral da arquibancada para que todos vejam. Existe uma evolução. Os nossos trabalhos vão evoluindo até chegar ao clímax. E o jurado já está assistindo a coreografia de avanço. Ele não te julga só pelo o que está sendo apresentado na frente dele. Ele já está te olhando antes, vendo toda a evolução que você está fazendo. Eu gosto. E talvez também porque aqui a gente não tem esse costume que lá em São Paulo tem”.

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Saulo: “Na verdade, a gente já faz um projeto pensando na estrutura do que é o show. De repente, de não acontecer mais, a gente vai fazer um outro tipo de comissão, que seria só avanço. Eu nem entro nessa seara se é bom ou ruim, porque eu não sei. Eu gosto de parar porque eu acho que você tem mais possibilidades de montar coisas. Eu acho que a comissão hoje engrandece o show, vende ingresso”.

Não haverá mais a obrigatoriedade de se apresentar para o público do setor 3. Vocês vão manter? E fazem algo para o setor 1?

Saulo: “O início a gente sempre faz, o Setor 1, a gente sempre fala que é o nosso ensaio geral com público. É o nosso termômetro. É superdifícil porque não tem som, a gente não consegue cantar. Para a gente é a parte mais difícil. E às vezes pode até não dar muito certo, mas graças a Deus sempre deu, e a gente sempre faz. Mas, essa coisa do Setor 3, eu particularmente não gosto porque a gente tem muita preocupação com a escola, com a porta-bandeira que está atrás, com a harmonia da escola. Os 34 minutos que a gente está puxando, o diretor de harmonia é praticamente o Jorge, porque a gente tem a preocupação com a escola. A comissão para e já logo de cara tem um jurado. A gente sempre fez uma coreografia diferente porque não dá para fazer, a gente praticamente já tem que desmontar, é muito perto entre o início e a primeira cabine”.

Jorge: “Setor 1 sempre vamos fazer, é uma delícia fazer para aquele público ali, difícil, mas é uma delícia. A gente sai dali às vezes com a alma fervendo porque já sabe qual vai ser a reação do público. O Setor 3, na verdade, a gente nunca fez ele como se fosse um jurado, a gente sempre fez alguma coisa porque nós temos a preocupação de fazer uma apresentação o tempo todo na Avenida. Nossas coreografias de avanço são super dançadas. Agora não tem como, é a menor distância da Avenida, é a saída do início do desfile até a primeira cabine. Como eu vou parar no meio e fazer alguma coisa nesse meio? Quebra toda a matemática”.

O torcedor da Mocidade tem muita confiança no trabalho de vocês. O que representa ter esse carinho e segurança que o quesito para o torcedor é muito forte?

Jorge: “É um combustível, na verdade é a hora que a gente se sente em casa. Afinal de contas é o oitavo ano que nós estamos na escola, mais dois anos passados que nós estivemos antes. São praticamente 10 anos de Avenida com a Mocidade. Esse carinho é muito importante e nos dá muito vigor. E o carinho acontece da mesma forma mesmo no ano que a gente não fez o melhor trabalho, porque eles acreditam no nosso trabalho e sabem que é humano, normal, um ano dá certo e outro ano pode não dar tão certo. E o carinho é sempre o mesmo”.

Saulo: “Estar trabalhando na Mocidade é incrível porque é uma escola com um peso enorme em relação a comunidade mesmo. Eles cobram, eles gostam, acaba virando uma família, e eles querem participar o tempo inteiro, eles dão ideias, e eles ficam o tempo inteiro, ficam na pressão dessa coisa de apaixonados mesmo, que é muito bacana. E a gente transforma isso no positivo, a gente sente a obrigação de fazer o melhor porque a gente sabe que tem pessoas ali que amam e olham para gente ‘a salvação ‘, o quesito, e eles cuidam e gostam de todos os quesitos da escola. É óbvio que tem uma energia maravilhosa”.

O que esperar da comissão de 2022? Será uma apresentação para impactar e emocionar? O que não poderá faltar nela?

Jorge: “A nossa preocupação é sempre emocionar, a primeira coisa é emocionar, mexer com você de alguma forma. Ou muita alegria, ou se arrepiar, chorar, alguma coisa. E está sendo muito interessante porque é a primeira vez que nós estamos fazendo um afro, está sendo delicioso. As pessoas podem esperar que vai ter várias surpresas”.

Saulo: “A gente está indo na sequência de dois enredos que a comunidade queria muito, e realmente está sendo muito prazeroso, e o samba-enredo para mim é o melhor, é um absurdo como arrepia. Quando a gente fez o primeiro ensaio, que botou o samba-enredo e começou a movimentação, só foi levando a gente para cima. Podem esperar, estamos muito satisfeitos com o que estamos fazendo. Podem esperar uma comissão bem completa, bem impactante, com tudo que a gente gosta e que a gente acredita”.

Eduardo Paes visita barracões do Grupo Especial e confirma entrega das chaves ao rei momo na quarta-feira

016A060F B7B7 4DD7 9E69 13FAEB21039EO prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, visitou na manhã deste sábado os 12 barracões das escolas de samba do Grupo Especial na Cidade do Samba. Paes estava acompanhado do presidente da Liesa, Jorge Perlingeiro, do diretor de marketing da entidade, Gabriel David e do diretor de carnaval Elmo José dos Santos. O prefeito iniciou as visitas na atual campeã, Unidos do Viradouro.

Ainda localizado na Cidade do Samba, o barracão da União da Ilha foi o segundo a ser visitado pelo mandatário municipal. Em seguida ele entrou nas dependências do Paraíso do Tuiuti e na sequência Grande Rio. A Liesa colocou um carro de som durante a visita que sempre executava os hinos oficiais das agremiações onde Eduardo Paes estava visitando no momento. Na tricolor de Caxias, o prefeito foi recepcionado por alguns ritmistas e pelo casal de mestre-sala e porta-bandeira Daniel Werneck e Taciana Couto. O intérprete Evandro Mallandro cantou ao vivo a obra de 2022. Os carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora fizeram uma breve explanação do enredo para o prefeito. A escola buscou impressionar Paes acendendo todas as alegorias.

Após a Grande Rio, Paes visitou a Unidos de Vila Isabel onde foi recebido pelo presidente Fernando Fernandes. Na sequência foi a vez da Portela, escola de coração do prefeito, recebido por Luís Carlos Magalhães, presidente da escola. A visita ainda contou com entradas no Salgueiro, São Clemente, Mocidade, Beija-Flor, Unidos da Tijuca, Mangueira e Imperatriz.

’A partir de quarta-feira qualquer reclamação é com aquele gordinho’, brinca o prefeito 

Ao término das visitas, Eduardo Paes conversou com os jornalistas. O prefeito elogiou o trabalho das escolas e convocou os brasileiros de todas as regiões a visitarem o Rio no carnaval.

“Tudo pronto. Muito bom poder estar visitando a Cidade do Samba. As pessoas do carnaval sofreram muito. A festa será linda. Meu conselho para os brasileiros: o carnaval do Rio está imperdível. O nosso povo é alegre e sem preconceitos. Temos vários enredos falando de religiões de matriz africana”, disse o prefeito.

Eduardo Paes confirmou que na quarta-feira entrega as chaves da cidade ao rei momo, recuperando uma tradição perdida durante a gestão do ex-prefeito Marcelo Crivella.

“Quarta-feira declaro aberto carnaval carioca. Quem não estiver satisfeito tem de reclamar com aquele sujeito gordinho e sua corte. Independente de sua religião o prefeito do Rio tem obrigação de valorizar o carnaval. Após um período estranho em nossa cidade estamos voltando a colocar a festa em destaque”.

O prefeito também citou as intervenções realizadas no Sambódromo. Paes disse que o templo sagrado do samba brasileiro está pronto para receber as escolas de samba e o público.

“O Sambódromo está pronto e lindo. Adaptamos todas as exigências dos bombeiros. Camarote lindos, tem arquibancadas disponíveis. A rede hoteleira está praticamente esgotada mas tem sempre uma vaguinha extra para quem quiser chegar. Venham pro carnaval carioca”, convidou.

Perguntado sobre os blocos, Eduardo Paes afirmou que eles ficam para 2023. Destacou que não vai colocar a guarda municipal para caçar foliões pelas ruas mas pediu bom senso da população.

“Os blocos dão muito trabalho. É uma operação muito mais complexa que a Sapucaí. É preciso organizar direito. Todos sabem que adoro blocos também. Ano que vem as coisas vão acontecer normalmente. Não vou ficar atrás de folião e espero a compreensão das pessoas. A cidade está lotada, o Rio está celebrando”, destacou.

O prefeito finalizou dizendo que ainda não descarta a construção de uma segunda Cidade do Samba para as escolas da Série Ouro. Mas não iludiu os sambistas com promessas.

“É possível. O desafio é o local. Estamos analisando. Não abandonei a ideia não. Vamos ver”, concluiu.

Arte entra em cena na Sapucaí! Camarote Lapa contará com o talento de Mestre Jambeiro em seu espaço

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Samba, cultura e diversão combinam com arte, bom gosto e talento? Para Christian Vieira e os demais jovens empresários responsáveis pelo Camarote Lapa, combinam e muito. O camarote, que estreia na Sapucaí este ano, terá no cenário do seu espaço as obras esculpidas pelo talento do Mestre Jambeiro. * COMPRE AQUI SEU INGRESSO

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Marcos Alexandre Jambeiro é pintor e autodidata. Ele começou como vitrinista e programador visual de lojas e, aos poucos, foi galgando o seu espaço graças ao seu talento. Com grandes fases na carreira, Jambeiro também tem passagem pela Record TV. Por lá, ele atuou por cinco anos como pintor de arte, construindo cenários de novelas. De grande potencial artístico, Jambeiro sempre se destacou pela sua versatilidade. Das premiações em concursos de pinturas, a primeira colocação no concurso de aniversário dos 107 anos do Bondinho de Santa Teresa, em 2003, e o reconhecimento pelo painel exposto no muro da Casa de saúde São José são grandes resultados que se destacam.

No camarote Lapa o pintor irá expor a sua arte em duas grandes paredes que se transformarão em telas artística. O público terá livre acesso para apreciar. A ideia consiste em homenagear o os Arcos de Lapa, importante ponto turístico da cidade e símbolo protagonista do bairro e do camarote.

A ideia de explorar os arcos de forma artística, através do mestre Jambeiro, casa com a proposta do camarote que é levar para a Sapucaí o espírito do bairro mais boêmio da cidade para dentro do espetáculo. O Camarote Lapa possui 600 metros quadrados com open bar, open food, espaços vip e de beleza. Nos dias de folia as atrações serão: Maria Rita e Arlindinho (22/04), Rodriguinho e Firmamento (23/04), Grupo 100% e Renato da Rocinha (30/04). No intervalo dos desfiles e das apresentações, DJ’s comandarão a festa ao som dos hits mais tocados do momento. O estreante Camarote Lapa está situado no setor 8 da Marquês de Sapucaí e conta com a filha de Adriana Bombom, Olívia Nobre (Lily Nobre), como musa.

Com entrada franca e escolas tradicionais, carnaval de São Paulo inicia neste sábado com o Acesso II

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Neste sábado acontecem os desfiles do Grupo de Acesso II de São Paulo, e serão 12 escolas de samba na pista do Sambódromo do Anhembi. Início será às 20h e a última escola entrará às 5h10, ou seja, a noite promete.

A disputa é pesada, apenas uma escola de samba sobe para o Grupo de Acesso I, enquanto a última colocada vai para o Grupo Especial de Bairros, uma espécie de quarta divisão, esta que é administrada pela UESP e os desfiles não são no Anhembi.

Daremos um giro nas doze escolas, história, o enredo que trarão em 2022 no Anhembi, e o melhor resultado foi escolhido a partir do grupo de maior escalão que estiveram em sua história.

Brinco da Marquesa – 20h

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Começando pela escola que venceu o Grupo Especial de Bairros em 2020, a escola da Vila Brasilina volta ao Acesso II depois de quatro anos, esteve por lá em 2018, mas acabou rebaixada. Bateu na trave no acesso em 2019, foi vice-campeã, e em 2020 com o enredo ‘Oxalá criou o mundo e deu ao mundo civilizações…’ venceu o grupo da UESP, voltará ao Anhembi. Com o carnavalesco Carlos Marques, a escola cantará ‘Estação Japão-Liberdade. Do Afro ao Oriental’.

Fundação: 1988
Escola madrinha: Acadêmicos do Turucuvi
Melhor resultado: 12º lugar no Acesso II em 2018

Camisa 12 – 20h50

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Escola ligada à torcida organizada Camisa 12, do Corinthians, está no Acesso II desde 2018 e melhorando resultado. Bateu na trave em 2020 com o vice-campeonato no tema ‘O Pão nosso de cada dia, nós daí hoje’, foi por apenas 0,1 ficando atrás do Morro de Casa Verde. Em 2022 com o carnavalesco Delmo Moraes, vai cantar, ‘Um conto para mil e uma noites. A viagem da pantera pra lá de Bagdá’.

Fundação: 1996
Escola madrinha: Gaviões da Fiel
Melhor resultado: 2º lugar no Acesso II em 2020

Uirapuru da Mooca – 21h40

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Escola bem tradicional do bairro da Mooca, a Uirapuru vai para o décimo ano seguido disputando o Acesso II e sonhando com a volta ao Acesso onde esteve em 2010 e 2011. Bateu na trave no retorno em 2013, quando foi vice-campeão. Em 2020 ficou no 5º lugar do Acesso II. Para 2022 com o carnavalesco Antônio Carlos Ghiraldini, cantará: ‘O Uirapuru canta os encantos da noite’.

Fundação: 1976
Escola madrinha: Unidos de Vila Maria
Melhor resultado: 6º lugar no Acesso I em 2010

Primeira Cidade Líder – 22h30

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Em 2019 chegou no sonho de desfilar no Anhembi após vencer a UESP. Desde então está no Acesso II, e em 2020 ficou na 7ª colocação. Fica no bairro Cidade Líder, na zona leste de São Paulo, e busca seu melhor resultado na história do carnaval. Para esse ano com a dupla Ewerton Visotto e Rodolfo trará o enredo: ‘Tradições Nordestinas’.

Fundação: 1993
Escola madrinha: Leandro de Itaquera
Melhor resultado: 4º lugar no Acesso II em 2019

Unidos de Santa Bárbara – 23h20

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A escola do Itaim Paulista, zona leste de São Paulo, vai para sua oitava participação no Acesso II, sendo que em 2013 disputou o Grupo de Acesso, por ter sido campeã deste Grupo que está atualmente. Com o carnavalesco Anderson Paulino, cantará o “O Sol Nascerá” e com o sonho de voltar ao Grupo de Acesso do carnaval.

Fundação: 1993
Escola madrinha: Leandro de Itaquera
Melhor resultado: 8º lugar no Grupo de Acesso I em 2013

Torcida Jovem – 0h10

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Torcida Jovem, surgiu a partir da torcida organizada Torcida Jovem do Santos, e é uma das tradicionais escolas-torcidas, começou como bloco carnavalesco em 1979 e assim ficou no ‘Blocos Especiais’ até 2002. Desde então disputou, e cresceu, chegando ao Grupo de Acesso em 2011. No Grupo de Acesso II chegou somente ao vice-campeonato, foi assim que subiu em 2010. Para 2022 com uma comissão de carnaval, trará o enredo: ‘Bela Vista. Berço cultural desse país’.

Fundação: 1969
Escola madrinha: Vai-Vai
Melhor resultado: 8º lugar no Grupo de Acesso I em 2011

Nenê de Vila Matilde – 1h

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A segunda maior campeã do carnaval paulistano, com 11 títulos, foi rebaixada do Grupo de Acesso I para o Acesso II, seu pior momento na história, após três anos no Grupo de Acesso, acabou caindo em 2020. A escola contará com Fábio Gouveia e cantará ‘Narciso Negro’, recontará enredo de 1997 da escola, visando o retorno para o segundo escalão do carnaval de São Paulo.

Fundação: 1949
Escola madrinha: Portela
Melhor resultado: 11 vezes campeão do Grupo de Especial (último em 2001)

Unidos do Peruche 1h50

peruche

Outra escola de muita tradição e que vai para o segundo ano no Grupo Acesso II, a Peruche conquistou cinco títulos, sendo a sexta maior campeã do carnaval de São Paulo. Pois esteve no Especial em 2018, caiu, em 2019 no Acesso I também caiu e desde então está no Acesso II. Para 2022 cantará ‘Água… Divinas Benções’, com Mauro Xuxa assinando. É o sonho da escola que ficou apenas no 6º lugar em 2020, voltar ao segundo pelotão de São Paulo.

Fundação: 1956
Escola madrinha: Lavapés
Melhor resultado: 5 vezes campeã do Grupo de Especial (última em 1967)

Imperador do Ipiranga – 2h40

ipiranga

A escola muito tradicional de São Paulo está no seu segundo ano no Acesso II, e antes só vivia entre Acesso e Especial, portanto é uma novidade. Foram 19 vezes na elite do carnaval de São Paulo, a última em 2010. Venceu quatro vezes o Acesso I, sendo a última em 2006. Para 2022 terá Ivan Pereira e um enredo ‘Imperador e Nações Unidas: Semeando amor para colher felicidade’.

Fundação: 1968
Escola madrinha: Gaviões da Fiel
Melhor resultado: 5º lugar do Grupo Especial em 1973

Amizade Zona Leste – 3h30

amizade

Em sua nona participação seguida no Acesso II, a escola ainda busca o sonho de chegar no Grupo de Acesso. Bateu na trave no primeiro ano em 2014, ficou no 3º lugar. Mas depois o máximo que conseguiu foi o sexto em 2017. Para 2022 terá Fernanda Ringue no comando do carnaval e cantará ‘Dandara’, uma guerreira negra no período colonial do Brasil.

Fundação: 1995
Escola madrinha: Unidos de São Lucas
Melhor resultado: 3º lugar do Grupo de Acesso II em 2014

Tradição Albertinense – 4h20

albertinense

A escola mais jovem do Grupo de Acesso II, vem da Vila Albertina no Tremembé e está no sexto ano no Acesso II, onde logo chegou em 2018. Em 2020 teve um resultado preocupante, vice-lanterna, só ficou à frente de Flor de Vila Dalila, escapando da queda. Para 2022 trará ‘Passarela é de vocês! 30 anos de Anhembi, é tradição, podem aplaudir’, com Fábio Flisch e Guilherme Estevão no comando da homenagem ao palco do samba paulista.

Fundação: 2002
Escola madrinha: Tradição
Melhor resultado: 5º lugar do Grupo de Acesso II

Dom Bosco de Itaquera 5h10

dombosco

Fechando o dia, outra escola da zona leste, e que ficou junto com a Camisa 12 por 0,1 não subiu ao Grupo Acesso I. Em 2019 também ficou na terceira posição. Está na divisão desde 2010 e vem de ótimos resultados desde 2015 alternando terceiro e quarto lugar do Acesso II. Para 2022 conta com Danilo Dantas e cantará: ‘O alimento da alma é o Dom do conhecimento’.

Fundação: 2000
Escola madrinha: Nenê de Vila Matilde
Melhor resultado: 3º lugar do Grupo de Acesso II (cinco vezes, última 2020)