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Série ‘Barracões’: O retorno da Imperatriz aos tempos de glória

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Rendas, babados, pompons. O gresilense pode esperar um reencontro com a plástica que coroou a Imperatriz Leopoldinense na década de 90 em seu próximo carnaval. Com o enredo “Meninos, Eu Vivi… Onde Canta o Sabiá, Onde Cantam Dalva e Lamartine”, a escola retorna ao Grupo Especial após uma reedição campeã e imponente na Série Ouro, em 2020. Em entrevista ao CARNAVALESCO, Rosa Magalhães, responsável por desenvolver o enredo e Bruno de Oliveira, seu assistente nesta jornada, revelam detalhes do que o público deve receber na avenida nas próximas semanas.

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De acordo com a carnavalesca, a ideia original do enredo partiu de Luiz Pacheco Drumond, ex-presidente da escola que faleceu em julho de 2020. “O Luizinho foi lá em casa, e me convidou para fazer a escola esse ano. Ele me disse que queria que o enredo fosse esse. Então, quem escolheu foi ele. ‘Tem que ser o Arlindo’, aí eu disse tudo bem. Na verdade, eles eram muito amigos e o Arlindo deu o primeiro título para a Imperatriz. E depois, saiu da escola, mas acabou voltando. O último carnaval do Arlindo ele fez aqui. E aí acabou morrendo no meio do ano. Era uma escola pequena, porém conhecida. De repente deu aquele salto”, conta Rosa.

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Bruno de Oliveira é assistente de Rosa Magalhães na Imperatriz

Todo o desenvolvimento da pesquisa ficou a cargo de Rosa Magalhães. Entretanto, Oliveira que é também carnavalesco da Caprichosos de Pilares, assumiu como o seu braço direito para auxiliar na execução das fantasias que a escola levará para a Marquês de Sapucaí. “A minha função começa a ser mais atuante quando se iniciam os protótipos das fantasias. Ela elabora os figurinos e eu começo a discutir com ela a questão de tirar do papel. Em termos de pesquisa eu fui atrás de imagens, coisas que eu sugeri para ela a fim de influenciar no desenvolvimento das fantasias. Tudo o que eu conhecia, carnavais e fantasias antigas do Arlindo eu passava para a Rosa. Eu sou um apaixonado pelo Arlindo”, revela.

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Oliveira teve uma passagem longe da escola a partir de 2017. Mas o seu retorno veio cercado de muita expectativa e boas surpresas, afinal, ao saber que dividiria os trabalhos com a professora, realizava também um sonho. O primeiro croqui de fantasia que ele teve contato foi elaborado por Rosa Magalhães, dessa forma, ela o inspirou a desenhar fantasias de carnaval. Para o desenvolvimento desse enredo, ele foi atrás dos materiais que Rodrigues costumava usar, bem como as texturas para chegar ao máximo possível da qualidade esperada.

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“Além de aprender a execução, como pessoa ela é muito tranquila, didática em suas explicações, desprovida de vaidades. Ela dá a possibilidade de voz para contribuição. Eu me senti um privilegiado. Eu me lembro quando fui à casa dela discutir os figurinos, algumas situações ela indicava, mas falou fique à vontade, então não tem coisa melhor de ouvir da professora. E na pandemia, não tínhamos esse contato pessoalmente, muita coisa foi definida por vídeos e fotos. Ela costumava dar muitas dicas dos tons das cores, por exemplo. A Rosa é conhecida no Brasil e no mundo e sempre me incentiva. Isso me dá força e vontade para trabalhar. No fim das contas, ela exercitou uma coisa que eu nunca havia feito que é tirar do papel. Testar textura, volumetria, o que fica ou não legal. Ela desenhou e eu executei, geralmente é o contrário”, completa.

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Há uma semelhança entre os estilos executados nas histórias de Rosa Magalhães e Arlindo Rodrigues. Para Oliveira, ao assistir o carnaval de 1995, ele consegue observar similaridades como a modelagem das fantasias e a renda utilizada. Com base nessas pesquisas, ele buscou refinar essas questões para que o desfile lembre a obra do carnavalesco, mas sem deixar de lado o estilo dela, respeitando sua identidade.

Rosa revelou também algumas curiosidades do passado com Rodrigues e reforça a homenagem que o enredo proporcionará. “Alguns elementos, por exemplo, eu sei que eles começaram com essa coisa do vime, inclusive quem começou com isso era um senhor, a gente chamava de Vimoso. O Arlindo fazia as coisas para o Salgueiro em uma loja de vime em Botafogo, adereço de mão, porque eles inventaram isso tudo por causa da versatilidade, material leve, material mais barato, fibra natural. Tudo isso não é invenção de ontem, é de muito tempo atrás”, explica.

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Na visão de Oliveira, a própria escola e comunidade serão o grande trunfo da Imperatriz nesse carnaval, afinal, com o fato de retornar ao Grupo Especial, a agremiação vive uma nova e saudosa fase. Com vigor e força, ele acredita que não só eles, como toda a equipe, vão buscar resgatar a história campeã que a escola fez durante muitos anos. Já na visão da carnavalesca, ainda não está claro, embora ela tenha alguns palpites.

“A gente pensa que o trunfo é alguma coisa, e é sempre outra. Eu acho que primeiro a emoção, por vários motivos. Vai ser a primeira escola a desfilar neste carnaval após esse pesadelo da pandemia. Querendo ou não, acho que as pessoas não vão ficar em casa, vão querer chegar logo para ver. Então, eu acho que essa vai ser a mola do carnaval, o suspiro de alívio graças a Deus. Ainda tem o fato de o Luizinho ter morrido, o enredo que ele escolheu. A Maria Helena que já estava com um lugar no carro para sair direitinho. Eu acho que vai ser uma válvula de escape, esquece tudo e agora começa uma coisa nova”, completa.

Sem dúvidas, a plástica que a escola levará para a avenida é uma das questões mais aguardadas para esse carnaval, afinal, se trata de um belo resgate. Oliveira revela que a Imperatriz virá com volume e muito bem-vestida. “Foi o Arlindo quem trouxe. Depois disso, o Max e a Rosa consagraram o estilo. Em resumo, será a Imperatriz se reencontrando do jeito que ela gosta de se vestir. Vai ter muito babado, pompom, lógico que não de uma forma muito retrô. Não queremos que seja algo anos 90, pelo contrário. Estamos dando uma nova roupagem ao estilo”, diz.

imperatriz barracao22 1Ao ser questionada sobre as alegorias, Rosa Magalhães acredita que estamos vivendo na era do “carrão”. “Os carros antigamente eram muito pequenos. Eu particularmente acho um exagero, mas está na época, isso passa, vai ficar uns 10 anos assim, depois muda. Você pode marcar uns 10 anos certinho. A coisa muda, isso eu acho que é uma tendência. O que que vem? Não me pergunte. Mas que vai mudar, vai. É natural que mude, tudo vai evoluindo. O importante é que ele seja bem feito, bem cuidado, com segurança. Não pode arriscar a vida das pessoas. Segurança é o item principal”, enfatiza.

Arlindo Rodrigues teve passagens memoráveis na história de outras duas grandes escolas: Mocidade e Salgueiro. Dessa forma, o enredo irá homenagear as duas escolas em setores distintos do desfile. “A parte do Salgueiro nós pegamos a narrativa de personagens até então desconhecidos e que Arlindo dá voz, assim como Xica da Silva, Zumbi dos Palmares. Em seguida vem o setor da Mocidade. Nós não vamos pincelar vários carnavais, ou seja, escolhemos o primeiro campeonato do Arlindo por lá e fizemos um mini desfile com o carnaval de 1979. Aí depois vem a chegada do carnavalesco na Imperatriz que ele consegue o bi e depois o tricampeonato. E daí vamos passeando, quem viver, verá”, explica Oliveira.

A espinha dorsal do desfile começa a se desenvolver com o Theatro Municipal. Na sequência, o próximo setor exalta a força e a negritude do Salgueiro. O terceiro setor consagra o primeiro campeonato da agremiação de Padre Miguel no ano de 1979, “O Descobrimento do Brasil”. Na sequência, a chegada de Rodrigues e a inspiração para uma nova Imperatriz e, por fim, a grande apoteose que ele se tornou não só para a história da escola, mas também para outros carnavais e carnavalescos.

Primeira escola a desfilar na abertura do Grupo Especial em 2022, a Imperatriz Leopoldinense contará com 3000 componentes, cinco alegorias e dois tripés, sem contabilizar o que a comissão de frente utilizará. Além do abre-alas acoplado, serão ao todo 28 alas e dois grupos. Se depender do trabalho competente da carnavalesca e seu assistente, além do trabalho exemplar desenvolvido pela direção, a escola de Ramos retorna com força total na busca pelas primeiras posições do carnaval carioca. Eterna seja!

Entrevistão com Junior Scapin: ‘Eu como homem, gay, coreógrafo, me sinto honrado de trazer a alegria do Paulo Gustavo para a Avenida’

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Responsável pela comissão de frente da São Clemente desde 2019, Junior Scapin acumula na função passagens, entre outras, pela Estação Primeira de Mangueira, Império Serrano, Estácio, Império da Tijuca, em que desenvolveu a memorável comissão de frente de 2013, no enredo “Negra, Pérola Mulher”, que rendeu a escola o acesso ao Grupo Especial. Na Verde-e-rosa, o artista foi responsável por abrir a apresentação de 2016, ano em que a escola foi coroada com o título no enredo que homenageou Maria Bethânia. No terceiro ano na São Clemente, Junior foi bastante elogiado pela coragem em 2019 em tocar em assuntos delicados com bastante humor representando os dirigentes das escolas de samba e as viradas de mesa do carnaval. Fora do samba, o artista tem trabalhos em programas como “Esquenta” e “Criança Esperança” da TV Globo.

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Admirador do trabalho sem tripés e elementos alegóricos, em entrevista ao site CARNAVALESCO, o coreógrafo admite a dificuldade pelo julgamento ao realizar comissões mais simples, mais focadas nos bailarinos, no Grupo Especial. Na conversa, Junior também relembrou trabalhos marcantes, falou um pouco das ideias para a apresentação de 2022, reclamou do peso dado às bandeiras na hora do julgamento e explicou o tamanho da responsabilidade de produzir uma comissão para homenagear um artista como Paulo Gustavo.

Qual é o maior desafio hoje da comissão de frente ser a síntese do enredo ou um espetáculo impactante de abertura?

Junior Scapin: “Eu penso que hoje em dia tem que ter as duas coisas porque as pessoas falam muito do primeiro setor da escola. De alguns anos para cá, a comissão de frente acabou ganhando muita importância, o início vem ganhando muita importância. Confesso para você que sou da opinião de que a comissão de frente hoje em dia ajuda sim a ganhar carnaval. Se você vem com uma boa frente de escola, acho que já é um chamariz para o que vem atrás, mas acho que juntar a importância da comissão de frente, juntar tudo que você faz durante três meses com o que vai ser contado, com o que vem atrás, acho muito importante. O que eu não gosto, na verdade, é que a comissão de frente seja uma coisa, e aí depois comece o desfile. Isso eu não concordo. Acho que a comissão de frente não pode ser uma coisa à parte. A Comissão de Frente tem que ser tudo junto, tem que existir uma uniformidade, desde o primeiro setor que é o nosso, até a última ala que vem na escola”.

Qual é a comissão inesquecível da sua carreira? E qual foi a que podia ser melhor na hora para valer?

Junior Scapin: “Eu costumo dizer que eu tenho três comissões muito boas e que eu não consigo escolher. Mas, obviamente, uma muito importante é o Império da Tijuca de 2013 que foram as mulheres negras. Eu digo que foi um divisor de águas na minha vida, existe um Júnior Scapin antes da Tijuca 2013, e outro depois. Acho que uma comissão de frente muito importante que eu tive também, que na verdade eu nem sei o que deu errado porque no meu julgamento os julgadores falaram tanta coisa e coisas que na verdade não aconteceram, foi Mangueira 2017, porque foi a primeira vez que eu comecei a trabalhar com teatro, comecei a ver a comissão de frente muito mais teatral do que dançada. Como eu fui bailarino durante muitos anos e hoje em dia eu sou coreógrafo, a gente tende, quando está começando a fazer comissão de frente, a deixar tudo muito dançado e esquece um pouco da teatralidade. Na verdade, nesse ano foi muito mais teatral do que dançado. Foi uma comissão de frente muito importante, uma comissão de frente que todo mundo fala, foi bem bacana. Os julgadores citaram que a minha comissão não teve interação com o carro, sendo que a minha coreografia era totalmente relacionada ao carro. E, 2019, na São Clemente, que tinha tudo para dar errado, tinha tudo para ser muito mal falada no sentido que eu estava falando dos dirigentes das escolas de samba, da virada de mesa, e na verdade, a surpresa grata que eu tive foi que todo mundo falou muito bem, todo mundo entendeu a comissão de frente, e essa era uma preocupação minha, porque a arquibancada não tem o livro Abre-alas, então você tem que olhar e entender o que está sendo contado. Fiquei muito feliz também com a repercussão deste trabalho”.

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Sem ser a sua, qual a comissão que você adora? Pode citar até três.

Junior Scapin: “Gosto muito da comissão do Patrick (Carvalho), dos pretos velhos (Paraíso do Tuiuti 2018), eu acho que é uma comissão simples, e é uma comissão de um efeito absurdo, de uma emoção absurda, o Patrick foi muito feliz naquela comissão de frente. Gosto muito da comissão de frente do Hélio Bejani, agora da piscina, dos orixás, enfim, gosto muito (Grande Rio 2020). Eu gosto de todas as comissões do Marcelo Misailidis, eu sou apaixonado por ele. É a minha grande referência no mundo do carnaval, é o Marcelo Misailidis e o Hélio Bejani, o Hélio eu já trabalhei, comecei no carnaval sendo bailarino dele em comissão de frente, mas eu gosto da savana do Marcelo Misailidis (Vila Isabel 2012), que foi incrível, todo mundo ficou encantado, apaixonado. São três comissões assim da atualidade que eu acho bem bacana e bem importantes”.

Se pudesse, o que aperfeiçoaria no quesito Comissão de Frente?

Junior Scapin: “Gostaria muito que um dia os coreógrafos do Grupo Especial não fizessem comissão de frente com o tripé, enfim, essas coisas, eu prefiro trabalhar sem tripé, por isso que eu gosto de trabalhar muito no Grupo de Acesso, porque eu me sinto muito mais desafiado quando não tem um elemento cenográfico para me debruçar. Eu acho que exige muito mais da sua criatividade como artista e é por isso que a gente vê no Grupo de Acesso comissões lindas, comissões super interessantes, porque como você não tem esse artifício para se debruçar, você acaba tendo que exigir muito da sua criatividade”.

O elemento cenográfico é tão fundamental assim no Grupo Especial?

Junior Scapin: “Hoje em dia, acho que é praticamente um critério você ter que usar um carro, você ter que usar um elemento cenográfico. Porque parece que se você vem sem um elemento cenográfico, você já entra na Avenida com 9,9. Assim, já tendo um tripé, um elemento cenográfico, já é difícil você tirar nota máxima, imagina sem. Eu tento, obviamente, nos meus elementos cenográficos, não ter eles como a atração principal. Para mim, a atração principal sempre é o meu material humano, que são os meus bailarinos. Eu tento agregar o meu trabalho com esses tripés e eu acho que eu consigo. Confesso, que já trouxe alguns muito grandes, mas eu acho que foi necessário para o que eu queria mostrar. Mas, gostaria que não tivesse. Eu tiraria esse tripé um ano talvez só para ver como funcionaria essa coisa da criatividade dos profissionais”.

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Acha legal que tenha a apresentação apenas na frente do módulo de jurados ou gostaria que a análise fosse igual São Paulo pela pista toda?

Junior Scapin: “Acho muito importante a apresentação para o jurado porque você tem condição de fazer uma coreografia especial, parar e se apresentar. Eu já fui chamado para fazer o carnaval de São Paulo, eu não pude aceitar porque eu estava no carnaval do Rio, mas, quando eu fui chamado fiquei me perguntando, ‘gente será que eu consigo fazer um trabalho que eu vá me apresentar para o jurado andando assim no decorrer da Avenida? ’ É muito difícil. Acho que eles têm até um trabalho muito bacana de estrutura, de como você vai desfilar, acho que o trabalho da direção de carnaval, direção de harmonia deve ser muito bom lá, mas eu como coreógrafo eu sinto a necessidade de parar, de virar, de me apresentar, de agradecer e de ir embora. Isso é importante para que o jurado de fato consiga ver o que você quer apresentar”.

Não haverá mais a obrigatoriedade de se apresentar para o público do setor 3. Você vai manter? E faz algo para o setor 1?

Junior Scapin: “Eu sempre faço no setor 1, acho que o setor 1 é o grande termômetro se seu trabalho vai dar certo, se seu trabalho vai dar errado. Se você escuta gritos, escuta aplausos, tende que seu trabalho dê certo ao longo da Avenida. Para o setor 3 eu não sei qual a importância disso, até mesmo para a escola. Se a escola me pedir que eu faça, eu faço, mas eu me sinto um pouco prejudicado, porque na verdade a gente larga de um portão e já tem que virar no setor 3 para poder fazer a apresentação. Isso come tempo, isso atrapalha um pouco a harmonia da escola. Mas, se eu tiver que fazer, eu fiz ao longo de todos anos, não tive problema nenhum porque soube me adequar ao tempo ali da escola, mas não acho importante. Acho importante sim a apresentação para o setor 1. Porque é uma galera que não vai poder ver a apresentação, é uma galera que só vê as pessoas passando correndo ali e muito rápido. É um carinho com a galera que está ali”.

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A sua comissão de frente em 2013 pelo Império da Tijuca foi histórica. Por que uma comissão como aquela dificilmente seria aprovada pelos jurados do Especial?

Junior Scapin: “Acho que aquela comissão de frente para o Especial, hoje em dia, por mais força que elas tivessem, por mais garra que elas tivessem, por mais emoção que elas tivessem, eles iriam tocar no ponto não teve um clímax, não teve um ápice, não teve um elemento cenográfico, embora, a gente tivesse uma menina que vinha com uma asa, enfim. Mas, eu acho que os jurados hoje em dia eles iriam interferir nesse momento do ‘ cadê o clímax?’. Acho que para eles não é só emoção, eles precisam ver uma mágica acontecendo, uma pessoa sumindo, uma pessoa voando, uma pessoa trocando de roupa, uma pessoa mergulhando. Eu acho que precisa esse ‘Q’ de ‘Broadway’, de ‘Las Vegas’ na comissão de frente para que você consiga tirar os 40 pontos, para que você consiga ganhar prêmios. Só por esse lado. Pela emoção, pela garra, as pessoas iriam se encantar, iriam se emocionar, pelo fato de ela ser simples aos olhos de quem está julgando, poderia tirar um 9,9”.

Te incomoda quando você faz um belo trabalho e na hora do julgamento tem o peso da bandeira? O que você sente?

Junior Scapin: “Me incomoda. Eu acho que as pessoas tinham que respeitar o pavilhão da escola. Independente se a escola tem muitos títulos, se não tem nenhum título. Existe muita diferença, até, de dinheiro dentro das escolas. Tem escolas hoje em dia que não fazem carnaval só com a verba da prefeitura. Elas têm patrocinadores, escolas de outros municípios ganham de outros municípios. Eu acho até injusta a comparação porque no caso do meu quesito comissão de frente, é muito diferente um trabalho que custa 500 mil reais para um trabalho que custa 180 mil. É muito difícil. Por isso, acho que cada escola, cada envelope tinha que ser lacrado quando você vê a apresentação da comissão de frente. Assistiu a apresentação da comissão de frente de tal escola, dá a sua nota, lacre seu envelope, e entrega para quem tiver que entregar. Porque esse comparativo de notas eu acho muito injusto. Existem escolas com mais dinheiro, escolas com menos dinheiro, o empenho é o mesmo, mas a gente sabe que carnaval não se faz só com dedicação e empenho. A gente sabe que precisa de dinheiro para colocar o carnaval na rua. Infelizmente o preconceito das bandeiras existe sim, tanto da escola que sobe do Grupo de Acesso, que geralmente é a escola que cai, e geralmente é a escola que tem menos bandeira, quanto com as escolas que sempre estão cotadas para descer. O Carnaval acaba e já tem escola cotada para descer no carnaval seguinte. É um absurdo, mas eu graças a Deus faço meu trabalho, não penso sinceramente nesse lance se a bandeira da escola vai me prejudicar ou não, eu espero quando estou me apresentando, que realmente quem está me julgando veja o meu trabalho, veja o meu empenho, veja o empenho da minha equipe, dos meus bailarinos, da minha apresentação, e que me dê a nota mediante aquilo que eu estou apresentando naquele momento”.

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O que representa na sua carreira fazer a comissão de frente em homenagem ao Paulo Gustavo?

Junior Scapin: “Eu conheci o Paulo, eu fui coreógrafo do programa ‘Esquenta’ da Regina Casé. A Regina é muito amiga do Paulo e o Paulo vivia no programa. A gente tinha uma troca legal quando estava lá no programa, ele sempre muito engraçado, sempre muito educado. E artista. Eu acho que é uma perda precoce, ninguém esperava. O Paulo tinha toda uma rede de apoio do lado dele quando ele ficou doente e a gente vê o quanto essa doença é ingrata, independente de classe social, independentemente de você ter dinheiro ou não, se você contrair esse vírus, e se infelizmente estiver na sua hora, você vai acabar indo embora. Fazer uma comissão de frente que vai trazer a alegria do Paulo, essa luta LGBTQI+ que o Paulo tanto lutava. Eu como homem, gay, coreógrafo, me sinto muito feliz e muito honrado de poder estar representando na Avenida uma pessoa que foi tão importante, que morreu tão precocemente, mas que vai ser lembrado aí por muito tempo, e graças a Deus também ser lembrado por esse carnaval que a São Clemente vai fazer”.

O que o público vai sentir quando olhar a comissão de frente da São Clemente?

Junior Scapin: “Eu acho que primeiro eles vão se divertir muito. Acho que o primeiro olhar do público, eles vão se divertir demais. As pessoas estão pensando muito no óbvio. E, na verdade, eu procurei fugir do óbvio. Mas, a gente vem falando de um momento muito especial na vida do Paulo. É um momento muito divertido. As pessoas vão se divertir muito nesse primeiro momento. E, eu acho que a minha apresentação para o jurado começa com toda essa alegria, começa com todo esse deboche que o Paulo tinha, e a gente divide a apresentação da comissão de frente em dois momentos: alegria e emoção. Eu quero que as pessoas se divirtam muito, mas eu quero também que as pessoas olhem da metade para o final da minha apresentação e se emocionem muito com tudo que está acontecendo ali”

Série ‘Barracões’: ‘Visões Xamânicas’ do Sossego

A Acadêmicos do Sossego pretende melhorar sua colocação e apresentação de desfile em 2022. Em 2020, a escola ocupou a oitava colocação da Série Ouro, com o enredo “Os Tambores de Olokun”, que teve o desenvolvimento dos carnavalescos Guilherme Diniz e Rodrigo Marques, que assumiram o trabalho faltando apenas 15 dias do desfile oficial. Agora, a escola do Largo da Batalha, em Niterói, optou pela contratação do carnavalesco André Rodrigues. Desenvolvendo o enredo “Visões Xamânicas”, o artista pretende levar para a avenida uma história atrelada ao presente e ao futuro. A ideia de falar sobre essa temática surgiu durante a quarentena, quando ele leu algumas reportagens falando sobre o processo de reestruturação de alguns lugares naturais com o afastamento da ação humana. Com as reportagens, André começou a ler o livro do líder Yanomami, Davi Kopenawa, e baseado na leitura ele começou a desenvolver o enredo.

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“Li o livro, quis fazer um enredo sobre a vida do Davi, pois é tudo místico já que tem a transformação dele em pajé. Procurei fazer algo mais ficcional, parecido com uma fábula e criei o meu próprio pajé. Que vai ter algumas visões a partir do encontro com os ancestrais, após a infusão de ervas e tudo mais. Quando ele encontra com os espíritos é contemplado com várias visões, sendo elas: as visões de destruição da terra, as visões de profecias indígenas que falam sobre o fim do mundo e a última sobre como podemos consertar esse planeta”.

Focando mais na cosmologia índigena,a parte mais interessante durante a pesquisa do enredo, segundo ele, foi entender a relação deles com o templo, cultura e natureza. Sendo totalmente diferente da nossa cultura ocidental e também no que acreditamos, pois eles possuem um outro tipo de vivência. “É muito importante ler e entender essa relação deles com esse templo místico, com o templo do sonho e essa relação com o etéreo. E como tudo é ao redor deles, da relação com a natureza”, conta André.

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André Rodrigues permitiu deixar o mundo mais lúdico e sonhado. Já que o enredo se passa no mundo dos sonhos, como respeito para retratá-los. Pois esse não é o local de vivência dessa cultura do artista. Para ele, o grande trunfo do desfile do Sossego é estar pronta.

“Um carnaval bem feito, bem acabado independente de feio ou bonito, desde que dê orgulho para as pessoas que participam desse projeto, é o grande trunfo. Entregar uma Sossego mais encorpada, organizada e pensar na escola é o mais importante agora. Não pensar no que pode acontecer, nos fatores externos. No momento temos que pensar em fazer a escola melhor, desfilar bem e que passe tranquila na Sapucaí”, diz o carnavalesco.

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Muitas pessoas estão elogiando a plástica da escola e durante a visita da equipe do site CARNAVALESCO, foi possível notar o que já vem sendo falado. Para o carnavalesco da agremiação é diferente, pois ele não consegue falar sobre o próprio trabalho.

“É um trabalho muito dedicado, de bastante organização não só da minha parte, mas também da direção da escola. Isso tudo aqui é o resultado de vários encontros de dedicação de trabalho, não é só o que eu faço”, relata.

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Até chegar na versão final do carro abre-alas da escola, André fez umas quatro versões, tendo que se organizar e readaptar. E também fazendo orçamentos para que esteja dentro do possível gasto pela escola e no tempo para montar as alegorias. As pessoas podem esperar da Sossego um trabalho que foi e está sendo feito até o desfile com muito carinho e dedicação de todos os envolvidos. Talvez, o maior desafio durante a carreira do carnavalesco até o desfile do Sossego, está sendo terminar bem todo esse trabalho realizado. O artista expõe sobre esse desafio. Segundo o carnavalesco, ele está bastante ansioso para o desfile e satisfeito com tudo.

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“Fazer essas negociações bem, do eu perco e ganho. Não consigo ver de uma maneira unilateral, tem um conjunto de vários fatores, de pessoas que participaram”.

Entenda o desfile

O Sossego irá levar para avenida o enredo “Visões Xamânicas”, desenvolvido pelo carnavalesco André Rodrigues. Baseado na cosmologia indígena, a agremiação promete vir melhor no carnaval deste ano. A escola do Largo da Batalha vai encerrar os desfiles do primeiro dia da Série Ouro.

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Primeiro setor: “A primeira visão. O que nós fizemos de uriri”.
Segundo setor: “A segunda visão. A pajelança universal”.
Terceiro setor: “Terceira visão. Descerá de uma estrela, o índio guerreiro”.
Quarto setor: “Quarta visão. Um novo dia virá”.

Ficha técnica
Número de alegorias: 3 alegorias e dois tripés
Número de alas: 17 alas
Número de componentes: 2.000
Carnavalesco: André Rodrigues
Diretora responsável do barracão: Alessandra Guedes
Ferreiro chefe: Augles Ferreira da Silva
Carpinteiro chefe: Fernando de Paula Rosa
Escultor chefe: Augles Ferreira da Silva
Pintor chefe: Gereca Pantoja
Eletricista chefe: Antonio Ferreira da Silva
Mecânico chefe: Antonio Ferreira da Silva
Iluminação: Alan Carvalho
Adereço/alegoria 1: Márcio Pessoa
Adereço/alegoria 2: Márcio Pessoa
Adereço/alegoria 3: Cláudia Costa
Adereço/tripé: Cláudia Costa
Efeito de água: Jamaica e Sérgio Pina

Alberto João: ‘O que esperar do desfile da escola da Mocidade no Carnaval 2022?’

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Alberto João: ‘O que esperar do desfile da São Clemente no Carnaval 2022?’

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Alberto João: ‘O que esperar do desfile da Mangueira no Carnaval 2022?’

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Brilho no olhar e amor ao carnaval! Em seu último ensaio, Viradouro mostra sua força na luta pelo bi consecutivo

Por Gabriel Gomes e Isabelly Luz

Na noite de sábado, em seu último ensaio de quadra, antes do desfile oficial, a atual campeã do carnaval carioca, Unidos de Viradouro, mostrou sua força na luta pelo bicampeonato consecutivo. Impulsionada pelo seu inovador samba-carta e com show de sua comunidade e da bateria Furacão Vermelho e Branco, comandada por mestre Ciça, a escola de Niterói confirmou que “o brilho no olhar continua”. O ensaio começou por volta das 22h e contou com uma simulação do início do desfile oficial, com a participação da voz da avenida, Vanderlei Borges.

“Muito satisfatória a temporada de ensaios. Conseguimos superar o nível do ano passado, apesar do ciclo inconstante. Não sabíamos quando ia ser o desfile, mas conseguimos manter nossa programação e chegar agora em abril no ápice da escola. Mantivemos um nível alto de canto, escola aguerrida, confiante, nível plástico alto. A escola, sem dúvida, vem mais uma vez fazer um lindo espetáculo. A Viradouro mais uma vez foi feliz em sua escolha de enredo. Temos um enredo e um samba que dispensa comentários. Tenho muito respeito e carinho pelas minhas coirmãs, mas a Viradouro vem para disputar o título. Estou muito ansioso. Essa última semana daria um filme para todo mundo. Essa ansiedade faz parte do processo natural que antecede o desfile, mas tenho certeza que no final vai dar tudo certo”, garantiu o presidente Marcelinho Calil.

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Antes do início do samba de 2022, o presidente de honra da Viradouro, Marcelo Calil, fez um discurso de agradecimento e incentivo a comunidade. O presidente da Vermelha e Branca, Marcelo Calil, aproveitou seu discurso para falar das bandeiras presentes na quadra, com os rostos do presidente de honra, do primeiro casal, Julinho e Rute, do mestre Ciça, do intérprete Zé Paulo e de uma fênix. Marcelinho agradeceu e exaltou a importância dessas figuras para a escola.

No esquenta, o intérprete da Viradouro, Zé Paulo Sierra, relembrou vários sambas de sucesso da história da escola, como os dos dois campeonatos, o de 2016, de 2014, entre outros. Para animar o público presente, ainda houve um concurso de quem melhor entoava o grito de guerra do intérprete da escola. O inovador samba da Viradouro, em forma de carta, assinado por Felipe Filósofo e parceiro, teve mais uma excelente exibição na quadra da escola e provou, novamente, sua funcionalidade.

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O trecho da declaração de amor ao carnaval, juntamente com o “Tirei a máscara num clima envolvente/ beijei os lábios suavemente” foram intensamente cantadas pela comunidade niteroiense e gonçalense. Impulsionada pelo samba, a harmonia da escola teve desempenho impecável na quadra. As alas presentes no ensaio cantavam o samba a pleno pulmões, com destaque para a “Ala dos adolescentes”, que esbanjou alegria e empolgação.

“Foi um ano bem diferente para a gente. Tentamos manter o nosso nível de exigência dos ensaios, mas em alguns momentos tivemos que parar pela questão pandêmica. Mesmo assim, acredito que tenhamos chegado ao nosso ápice no momento certo, que é perto do desfile, e sem esfolar muito o componente. Tenho certeza que hoje temos uma comunidade entregando o seu máximo, já que a ideia sempre foi fazer um ensaio bonito e um desfile mais bonito ainda. Um bom enredo enredo com um bom samba, hoje são essenciais para disputar o carnaval. Nós temos na história, escolas que tiveram um ótimo desfile estético, mas que devido samba e enredo questionáveis, não conseguiram o êxito. Hoje a minha escola pensa muito antes de definir seu enredo e seu samba, pois sabemos que dado isso, é meio caminho andando, o resto é desenvolvimento de projeto. A Viradouro e as outras escolas se prepararam muito para esse momento. Falando pela minha escola, nós ensaiamos muito, vimos tudo que poderia dar certo e tudo que poderia dar errado, e hoje só estamos pensando em desfilar no dia 22 de abril com tudo que a gente planejou, fechando o portão e tendo a sensação de que fizemos a nossa parte. Dali em diante fica com o julgador e com a opinião pública”, afirmou Dudu Falcão, da direção de carnaval.

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A bateria Furacão Vermelho e Branco, comandada por mestre Ciça, deu mais show no ensaio de quadra. Com muito ritmo, os ritmistas da escola conduziram o ensaio com maestria. Durante o ensaio, a bateria executou a já famosa e aguardada “bossa dos pratos”, sendo que, desta vez, um dos pratos era tocado pelo próprio mestre Ciça.

“A avaliação da temporada de ensaios é muito produtiva. Ensaiamos muito, o carnaval 2 em 1. Estamos cansados, mas sempre prontos. Temos um grande enredo, além de ser muito atual, já que retrata tudo que nós passamos, revivendo a gripe espanhola como a pandemia de hoje. E o samba-enredo é maravilhoso, um dos mais bonitos, isso se não for o melhor samba do carnaval. Lógico que temos a consciência de que tem grandes escolas competindo com a gente, mas a Viradouro está pronta e linda. Acredito muito na minha escola, mas sempre respeitando minhas coirmãs, já que carnaval não se ganha antes, só se ganha lá dentro”, comentou mestre Ciça.

erika januza

A primeira porta-bandeira da Viradouro, Rute Alves, não pôde estar presente no ensaio, por motivos religiosos. O terceiro casal, João de Oliveira e Eduarda Martins, fez uma ótima apresentação, com muito entrosamento e conduziu brilhantemente o pavilhão da escola, sob os olhares do primeiro mestre-sala, Julinho Nascimento.

“Por incrível que pareça, o nosso samba diz “Tirei a máscara num clima envolvente”, e hoje estamos de quadra cheia, pessoas vacinadas e sem máscaras. Estamos no pré carnaval, bem na véspera, não tem coisa melhor do que acreditar que depois de dois anos realmente teremos nossa grande festa. Estou ansioso demais! Mas entendo que preciso me conter, já que ansiedade demais atrapalha. Mas é uma coisa que eu amo, são dois anos sem, então é saber da responsabilidade, curtir esse retorno maravilhoso e tentar fazer o melhor possível. Todos nós trabalhamos e ensaiamos muito, não tem ninguém no carnaval que tenha ficado ileso disso. A Viradouro ensaiou até além, a escola gosta muito de ensaiar e esse mérito eu dou inteiro aos Marcelos”, disse o mestre-sala Julinho.

componentes viradouro

A ala de passistas da Viradouro, comandada por Valci Pelé, também se destacou na noite de ensaio. Em cima do palco, com uma roupa vermelha, os passistas deram um show de
samba no pé.

No fim do ensaio, em um momento de descontração, o presidente de honra, Marcelo Calil, o mestre Ciça e a rainha Erika Januza, assumiram os microfones do carro de som e entoaram o samba da escola.

baianas viradouro

Com o enredo “Não há tristeza que possa suportar tanta alegria”, desenvolvido pelos carnavalescos Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon, a Unidos de Viradouro será a quinta escola a desfilar na sexta-feira, primeira noite de desfiles do Grupo Especial.

Imperatriz realiza último ensaio da temporada e apresenta a força de sua comunidade

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Não há como negar que a Imperatriz Leopoldinense é uma das apresentações mais aguardadas para o próximo carnaval. A escola promete realizar a maior e mais imponente abertura que o Grupo Especial já recebeu e, se depender da força impressa pela sua comunidade no último ensaio de rua, a briga será nas primeiras colocações da tabela. O CARNAVALESCO esteve presente e exalta também a potência da bateria de mestre Lolo, a perfeita harmonia do carro de som e o bailado de Thiaguinho Mendonça e Rafaela Theodoro.

No início do mês, em entrevista publicada pelo site, a presidente Cátia Drummond afirmou que apesar de tradicional, a Imperatriz está aberta para o novo. Uma das gestões mais bem avaliadas do carnaval, Cátia e João Drummond, diretor executivo da escola, iniciaram um trabalho de resgate e envolvimento da comunidade para além do carnaval. Na manhã de sábado, 16 de abril, a escola presenteou as crianças da comunidade com lembranças para celebrar a Páscoa. Competentes, trouxeram o seu componente para próximo e reacenderam a chama nos corações de cada um pela “rainha de ramos”.

O trabalho plástico observado no barracão, desenvolvido por Rosa Magalhães e Bruno de Oliveira, seu auxiliar, é belíssimo. Carros imponentes, de muito bom gosto e acabamento ímpar. Ao encerrar a temporada de ensaios, Drummond acredita que a Imperatriz fará história na avenida.

joao drumond

“O balanço é o melhor possível, acredito que conseguimos atingir o nível esperado para o rendimento do samba. A comunidade atingiu um patamar que nunca vimos na Imperatriz. Os quesitos são fortes e agora é alinhar o nosso chão com a plástica e o enredo para que as coisas aconteçam na avenida. O grande trunfo da escola é uma equipe muito forte e um equilíbrio muito grande entre todos os nove quesitos. Não adianta ter um samba muito bom e pecar nos demais. Ter uma unidade é essencial. Por fim, destaco a força da comunidade em querer buscar resultados muito positivos com sangue nos olhos e muita garra”, disse João Drumond.

Harmonia e samba enredo

Nos anos 90, auge da história da Imperatriz, a agremiação era taxada como “a mais certinha”. E isso se mantém, porém, agregado à uma leveza muito grande entre os componentes. O canto é alto e a evolução é solta. Sem enroscos, as alas fluem de forma muito natural e em ritmo constante. A homenagem para as coirmãs Salgueiro e Mocidade são entoadas a plenos pulmões e se estende para o verso “eterna seja, amada imperatriz”, explosão total. Além do refrão, toda a obra é cantada do início ao fim. Obra que é assinada por Gabriel Mello e só cresceu durante a temporada de ensaios. Arthur Franco e Bruno Ribas dão o tom necessário para o samba em um casamento perfeito, dando espaço para que todos os segmentos executem as suas funções dentro da melodia. É de encher os olhos.

andre bonatte

“Estamos com a sensação de dever cumprido. Depois de muito tempo a imperatriz voltou a ganhar as ruas, ficamos muito tempo enclausurados. Ficamos dentro de uma redoma e acredito que foi um dos fatores que a escola teve resultados ruins, mas isso mudou desde 2020. Saímos de Ramos e chegamos em Bonsucesso. Vale destacar que a escola tem 11 estrelas em seu pavilhão e esse bairro é uma delas. Seguindo dentro da nossa região e trazendo cada vez mais a comunidade que se reencontrou com a Imperatriz. Depois de muito tempo o componente vai entrar na avenida sabendo que brigará pelo título, mesmo sendo a primeira a desfilar. Falar de Arlindo é falar da nossa história e o grande barato é quando as pessoas se reconhecem na escola. Já tivemos enredo que falou de bacalhau. Cantavam o samba, mas não se reconheciam. As pessoas batem no peito, evoluem de forma leve sem que a gente precise direcionar algum comando. Por tudo isso, acredito que a escola tem vários trunfos para esse carnaval”, comentou André Bonatte, integrante da comissão de carnaval.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Quinto ano de uma parceria que deu muito certo, Thiaguinho e Rafaela esbanjaram simpatia ao longo da apresentação na Cardoso de Morais. Meia década de parceria são responsáveis pelo entrosamento perfeito e o bailado vigoroso com traços de delicadeza. A técnica misturou-se com a graça e a dupla riscou o chão nesse treino final.

casal imperatriz

“Na minha visão, por ter sido um pré-carnaval mais longo, foi exigido muito de todos nós, mental e fisicamente. A concentração e o foco nos nossos objetivos foram fundamentais, afinal, tivemos uma rotina muito pesada. Eu assisti o nosso último ensaio que foi com a fantasia e estou super feliz com o resultado e acredito que vai ser muito bom. A Imperatriz está falando sobre ela, tem a cara da escola. Temos novamente a Rosa que é uma figura marcante na nossa história fazendo o que ele sabe fazer de melhor e isso empolgou a escola toda desde a divulgação do enredo”, disse o mestre-sala.

“Foi uma temporada mais duradoura. Ao mesmo tempo que cansativa, foi muito gostosa essa preparação e deu tempo para ajustar aqueles detalhes que muitas vezes não dá tempo. Por mais que a gente trabalhe o ano inteiro, sempre tem algo para melhorar porque nunca temos a perfeição. Sendo assim, mais longo o período, maior o tempo de ensaio para buscar o excelente. Ficou claro nos últimos anos que ter um bom enredo e samba muitas vezes levam ao campeonato. O público responde e para quem desfila eleva a autoestima”, completou a prota-bandeira.

iza

Bateria

Sob o comando de mestre Lolo, a Swing da Leopoldina deu show e apresentou um ritmo consistente e que se manteve ao longo de toda a apresentação. A potência da bateria, intercalada com algumas bossas planejadas, completam a obra escrita por Mello e elevam para outro patamar. O ritmo aplicado facilita a evolução dos brincantes e o samba no pé de musas e passistas da agremiação. Destaque para a bossa no verso “seu samba nascendo do morro, ecoa no povo e ressoa no céu”, cadência impecável. Quem também esteve presente no treino final foi a rainha da bateria, Iza. Com muita simpatia e samba no pé, a beldade fez bonito e foi ovacionada pelo público que acompanhou a apresentação da verde e branca.

mestre lolo

“Felizmente a bateria vem em uma crescente, trabalhamos todos os meses após a escolha do samba de forma incansável. Sinto que está super encaixado. No ensaio técnico nós passamos muito bem e agora é repetir no desfile oficial e arrancar a nota máxima. Não apenas esses quesitos (samba e enredo), mas também a comunidade que abraçou e canta demais. Se Deus quiser, vamos gabaritar em harmonia e evolução também”, afirmou mestre Lolo.

catia drumond 1

No que depender de Cátia, João e toda a comunidade, a Imperatriz se prepara para um dos maiores carnavais da sua história, mesmo após dar show em 2020 com o campeonato na antiga Série A. Uma coisa é fato: a escola está em um lugar de que não deveria ter saído. Dessa forma, basta combinar a plástica com os quesitos apresentados nos ensaios que a escola está aguerrida para conquistar as posições mais altas do podium em 2022. Eterna seja, Imperatriz!

Mangueira faz último ensaio com forte canto da comunidade e show da bateria

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A Estação Primeira de Mangueira promete fazer bonito na avenida no Carnaval 2022. O site CARNAVALESCO esteve presente no último ensaio, antes do desfile oficial, a quadra estava lotada e a comunidade, mais uma vez, deu aula de amor a escola. Com o canto na ponta da língua, os componentes demostraram o quanto o ano sem desfiles fez a comunidade se aproximar ainda mais, mostrando a forte conexão e vibração de todos para cantar cada verso do samba. O enredo ‘Angenor, José e Laurindo’ que homenageia Cartola, Jamelão e Delegado, três grandes ícones da Mangueira e do mundo do samba, fez a quadra pulsar.

A comunidade se destacou muito cantando forte todo o samba, na parte “A voz do meu terreiro. Imortaliza o samba. E quem guardou com amor o nosso pavilhão. Tem aos seus pés a nossa gratidão” que antecede o refrão, era o gatilho para os interpretes deixarem ecoar canto dos seus componentes. Fazendo uma ligação forte para todos emendarem o canto no refrão.

Harmonia e Samba

Não há dúvida que a Mangueira é uma das escolas onde a força da comunidade sempre falou mais alto, com um samba que homenageia ícones que colaboraram para a história rica da agremiação, o resultado não poderia ser diferente. Com a ausência do interprete Marquinho Art’Samba, coube a Lequinho comandar o canto que rapidamente tomou conta de toda a quadra. Além da harmonia com o canto da comunidade, o canto encaixou muito bem com a bateria, comandada pelo mestre Wesley, que deu um verdadeiro show. Os ritmistas puxados pela simpatia e o samba no pé da rainha, Evelyn Bastos, fizeram uma grande apresentação para o público que aplaudiu bastante.

renato kort

“A Mangueira sempre pisa na avenida como uma das favoritas, a escola possui muitos títulos, a escola é pioneira, uma das matriarcas do carnaval. A Mangueira está preparada para contar a história de Angenor, José e Laurindo que são nossas joias, são nossos pretos reis. A comunidade vive a expectativa, confiamos muito na nossa comunidade, nosso barracão está muito bonito, nós temos uma comissão de frente belíssima, nossas fantasias estão bem acabadas, nosso carnavalesco é da vanguarda e o nosso chão é muito forte. Eu confio muito que esse caneco venha aqui para Estação Primeira de Mangueira com todo respeito as outras”, disse Renato Kort, diretor de harmonia.

lequinho

“No ensaio técnico mostramos um pouquinho do que vai ser o nosso desfile, porque pisamos na avenida com garra e muita vontade embaixo de chuva. Mostramos que temos um grande samba que vai representar muito bem os nossos ícones homenageados e a nossa escola. A Mangueira está com muita vontade de mostrar na avenida todo o amor que sentimos pelo Carnaval, com certeza vamos representar muito bem os nossos maiores ídolos que são Cartola, Jamelão e Delegado”, disse Lequinho.

Bateria

Regida pelo mestre Wesley, a “Tem que respeitar meu tamborim” deu um show na quadra durante o último ensaio. Com bossas muito bem sincronizadas e ensaiadas, os ritmistas mostraram estar entrosados para fazer bonito na Sapucaí. Um enredo que homenageia ícones que ajudaram a construir a linda história da escola não poderia ser mais propício para o mestre Wesley, nascido e criado no Morro da Mangueira, no Buraco Quente, que
estava leve no ensaio passando a sensação que sua bateria chegou na parte mais importante do ano bem alinhada e com entendimento total do que foi pedido durante os ensaios, e que agora é a hora de com muita garra dar 100% na Sapucaí.

wesley

Outro ponto alto da bateria se deu por conta de Evelyn Bastos. Com toda a simpatia e samba no pé, ela deu um show à parte na quadra, muito aplaudida a rainha sambou bastante e fez toda a comunidade se sentir muito representada. Por fim, pega de surpresa, a rainha acabou fazendo um mini-discurso, agradecendo a presença da comunidade e que juntos farão bonito na Sapucaí.

“A bateria está preparada desde janeiro, como os desfiles passaram para esse mês de abril, conseguimos fazer mais alguns ensaios para ajustar algumas partes que ainda estávamos com algumas dúvidas, mas acertamos. Está pronta, nossos instrumentos estão lindos. Vamos entrar na avenida em busca de mais um ano com nota máxima, já estamos vindo assim há dois anos 2019 e 2020. Vamos tentar manter as notas, espero que a bateria não perca ponto nenhum, saia na terça-feira com a sua nota máxima ajudando a escola a colocar mais uma estrelinha na nossa bandeira”, disse o mestre Wesley.

LIGA-RJ divulga nomes dos julgadores que irão atuar nos desfiles da Série Ouro de 2022

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A LIGA-RJ reuniu neste sábado, 16, em sua sede oficial, na Barra da Tijuca, os presidentes das 15 agremiações que fazem parte da Série Ouro para apresentar os julgadores que vão trabalhar nos desfiles de 2022. Os nomes foram aprovados com unanimidade. O curso de jurados foi realizado durante seis sábados com aulas, explanações e workshops, sempre das 9h às 17h. No total foram mais de 40 horas de preparação, algo inédito em toda a história do carnaval carioca. Das 04 (quatro) notas concedidas por quesito a cada escola, serão consideradas válidas apenas as 03 (três) maiores, descartando a menor.

serie ouro

Os desfiles serão realizados nos próximos dias 20 (quarta-feira) e 21 de abril (quinta-feira), às 21h. Cada agremiação terá o mínimo de 45 minutos e o máximo 55 minutos para passar pela Avenida.

Confira a seguir os nomes dos julgadores selecionados.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Marlene Costa Caetano
Elizeu de Miranda Corrêa
Simone de Lima
Erick Meireles

COMISSÃO DE FRENTE
Flávio Freire Xavier
Bruna Oliveira
Fernando Antônio
Simone Marques

EVOLUÇÃO
Fábio Canejo
Roberto Araujo Manhães
Matheus Vicente
Jaqueline Rodrigues

ENREDO
Douglas Coutinho Dias
Clécia dos Reis Oliveira
Leandro Machado
Isaura Alvarez

FANTASIA
Luciano Moreira
Adrian Silveira Nunes
Rosy Silva
Lucio Orlando

ALEGORIAS E ADEREÇOS
Ana Maria Bottoni Carvalho
Sérvolo Alves
Renato Silva
Carla Maria

SAMBA-ENREDO
Renato Vazquez
Fernanda Gonçalves de Araújo e Silva
Aristóteles Neto
Vinicius Cesar

BATERIA
Rocyr Abbud
Rodrigo Braz dos Santos
Wallace Santos
Ricardo da Silva

HARMONIA
Laio Lopes
Alexandre Magalhães
Cristina Reis
Jorge Carvalho

SUPLENTES
MÓDULO MÚSICA – André Lima Cordeiro
MÓDULO VISUAL – Leonardo Santos
MÓDULO DANÇA – Plínio da Cunha