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Entrevistão com Júlio Guimarães, coordenador de jurados da Liesa: ‘Jurado da Liga não é eterno’

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Após a realização do curso de preparação dos julgadores da Liesa para o Carnaval 2023, o coordenador do corpo de jurados da Liga, Júlio César Guimarães, conversou com o site CARNAVALESCO para avaliar como foi o trabalho de 2022, comentar a redução do número de jurados de 45 para 36, explicar o julgamento de alguns quesitos que ainda geram dúvidas para o público em geral, e revelar como se deu o curso deste ano que contou novamente com a participação dos segmentos em uma troca que, segundo Júlio, tem sido positiva para ambos os lados. Formado em Direito pela PUC, ele já esteve no cargo em outras gestões da Liesa e retornou para o carnaval passado.

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Foto: Lucas Santos/Site CARNAVALESCO

Qual é o balanço que você faz do trabalho na coordenação do júri no Carnaval 2022?

“Acho que foi um sucesso total, até porque a campeã saiu aclamada da Avenida pelas coirmãs. Desceu quem tinha que descer, esse é o trabalho principal de um bom julgamento. Eu não discuto posições intermediárias, porque o julgamento é subjetivo. Às vezes a pessoa acha que a oitava deveria ser a sétima. O importante é que foi tão bem julgado que no curso de jurados, com as explicações, todos os presidentes e representantes saíram satisfeitos”.

As escolas falaram que o curso para o Carnaval 2023 foi mais aberto, ou seja, houve mais troca entre os quesitos e os julgadores. Esse é o caminho que você quer dar para o corpo julgador?

“Isso é uma inovação. Ano passado eu já peguei um corpo de jurados quase que montado e sete ou oito que saíram, dois morreram, dois não quiseram. Eu não avaliei o jurado pela nota, até porque já tinha dois anos sem carnaval por causa de pandemia. Foi um corpo de jurados que a gente pegou e colocamos mais sete ou oito. O curso de jurados passado não poderia ter essa mesma dinâmica. Foi um curso de jurados bom, diferente do que era dado que era leitura de manual, mas foi mais para falar sobre o quesito. Como o julgador julga o quesito? Esse no carnaval passado. Cada julgador explicou para diretor de bateria, mestre-sala e porta-bandeira, comissão de frente e demais quesitos, como ele julgava o quesito. Mais do que isso eu não podia fazer. E eles tiraram suas dúvidas. É comparativo, não é? Tem quesito que é, tem quesito que não é. Já para esse ano que o corpo dos 36 jurados, 35 julgaram o carnaval passado, fiz o curso baseado nas justificativas deles. Porque a justificativa da nota é o que faz com que a escola não erre novamente da mesma maneira. O 10 você foi perfeito. Mas do 9,9 para baixo, você tem que saber onde você errou, para fazer melhor. E se você discorda, você teve a oportunidade, como todos tiveram de no curso de jurados, cada jurado foi a frente explicar o que viu do carnaval, o que achou positivo ou negativo, e os que quiseram entrar na despontuação, entraram. Os que não quiseram, esperaram as escolas que foram pela ordem do desfile, uma a uma, perguntarem. E as pessoas perguntaram, pediram para explicar melhor, para melhorarem, um curso com a maior elegância, não foi uma caça às bruxas. Com elegância e educação”.

Algumas justificativas ainda são muito subjetivas, como melhorar isso ainda em 2023 ou para o próximo carnaval?

“Isso já está sendo feito desde o carnaval passado. Se você pegar justificativa de outros anos, e pegar deste último carnaval, qual é o meu pedido? Que no primeiro parágrafo o jurado fale ‘tirei um décimo da escola tal por isso, isso’, ‘ tirei mais um décimo…’. E depois ele pode mostrar toda a cultura dele. É bem-vindo. Mas, o primeiro parágrafo tem que ser direto. E assim foi feito em sua maioria. E como era um critério de corte, eu precisava cortar jurados, nem todos foi só justificativa, vários fatores, mas nenhum jurado foi cortado por falta de honestidade. Os nove que saíram são muito capacitados. Mas é igual a um torneio mata a mata. Eu preciso tirar nove. Escolhi com a coordenação os que ficariam. Posso até ter errado. Mas nenhuma escola de samba pediu para que saísse nenhum, ou que eu voltasse com algum. Isso passa pelo crivo das escolas. O jurado na Liga mudou hoje. Acabou o carnaval, a Liga não tem mais jurados. Todos serão jurados do carnaval 2023. Acabou, não tem jurado. Eu que vou convocar mais a frente o corpo de julgadores. Isso ficou claro para todos. Antigamente tirava-se o jurado e ele vinha reclamar que julgava há 20 anos. Você recebeu 20 convites. Eu faço aniversário todo ano, eu posso te convidar um ano, no ano seguinte eu faço uma festa diferente e não te convido. Não quer dizer que eu não goste de você. Antes eu fiz uma festa grande, hoje só para minha família, ano que vem vou fazer para Deus e o mundo. Jurado da Liga não é eterno”.

Para esse ano a ideia é ter um encontro dos julgadores com as escolas após 45 dias dos desfiles. É possível pensar em um aperfeiçoamento dessa relação pós-desfiles para orientação dos profissionais que trabalham nos quesitos?

“O que eu quero fazer esse ano, no máximo 60 dias após o carnaval, é um grande simpósio com a imprensa, com quem julgou o Carnaval 2023 e os segmentos das escolas. Fazer uns três desses, toda segunda-feira. Dois ou três quesitos por segunda-feira. E que todo mundo possa participar, 60 dias você está com tudo que você viu na Avenida ainda fresco na cabeça. Todos vão dar opinião”.

Hoje, os julgadores ficam em hotéis, mas ainda podem ter contato com familiares e amigos por celular. É possível pensar em um dia mudar isso com relação ao domingo para evitar que o julgador não tenha nenhuma informação do que aconteceu no domingo?

“Não é possível mudar porque você vai estar se enganando. Hoje todo mundo tem um telefone celular. Então, eu vou ter que pegar o julgador, manter ele em cárcere privado. Ele não vai poder ter acesso a ninguém, nem o telefone. E nós aqui estamos tratando, isso eu falei muito no curso de jurados, com 36 pessoas preparadíssimas, que tem uma vida profissional brilhante nas suas carreiras e não podem ser tratados com esse desrespeito. Se eu achar que um julgador vai julgar, me desculpe, por uma pessoa de site que sabe muito menos que ele, ou da TV Globo, é melhor eu trocar esse jurado. Se você for ver o currículo, é um desrespeito para com o julgador. Por mim, vou ser sincero, eles podiam até ir com o telefone para a Avenida. Não deixo. Mas, no futuro , pretendo deixar. Porque estamos falando de pessoas habilitadas que não vão se deixar levar por nenhum comentário externo. Eles estão na melhor posição, privilegiada, com livro abre-alas, com tudo. Eu sou a favor da liberdade. Eles ficam em hotel não para ficar incomunicáveis, é porque a logística para levá-los do hotel para a Sapucaí demora. Se eu for esperar, cada um vem da sua casa, um atrasa, um fura o pneu, isso já aconteceu, aí eu tenho que esperar o jurado. Eles têm direito a acompanhante, como sempre tiveram”.

Dentro da cabine será possível o julgador ter acesso ao celular ou à câmera para fazer fotos?

“Só o uso do celular é proibido. Mas pode usar tablet, até porque muitos levam os textos no tablet, e pode usar binóculo, monóculo. Só quem usa celular é o de bateria, porque existe um aparelho que nós compramos, mas não deu certo. É o metrônomo, marcador de BPM. E no celular eles baixam. Só o julgador de bateria”.

A cabine dupla ficará em qual módulo, como será essa distribuição de cabines?

“Esse ano só teremos a dupla no setor 3 (a outra no setor 6 e a outra 10, são quatro cabines no total). É uma coisa que para o futuro, a gente tenta com alguma ideia de novamente separar. E qual é o problema que nós enfrentamos, o tempo de desfile diminuiu. Já foi até 90 minutos. Cada cabine são sete minutos e meio entre casal e comissão de frente parados. Quando eu separar a 1 da 2, são mais sete minutos. É uma coisa que tem que se pensar tanto no engarrafamento, como na forma de se julgar mestre-sala e porta-bandeira, e comissão de frente. E eu tenho. Não vou falar agora, porque tem que ser falado no primeiro plenário. Eu sou a favor de termos quatro cabines separadas, até porque eu queria a cabine 2 do lado direito. Ficava 1 e 3 do lado ímpar, 2 e 4 do lado par. A vontade que eu tenho”.

Hoje, algumas escolas estão optando por usarem bandeiras menores que facilitam para não enrolarem, mas gera uma alteração na competição. Não existe no regulamento a padronização do tamanho da bandeira. É possível pensar nisso?

“No regulamento do desfile não existe e no manual do julgador também não. Mas existe o bom senso. Acho que as que usam a bandeira menor, é coisa mínima. Até porque existe a proporcionalidade. Se o jurado está vendo uma fantasia, ele sabe o tamanho de uma bandeira, e vê que a bandeira é pequena, ele vai tirar ponto. Porque a bandeira faz parte da indumentária. Se vier sem bandeira? A indumentária vai embora. Isso também é julgado. Tem muitas coisas que não estão no manual do julgador, e isso foi muito falado esse ano no curso, mais uma vez, o bom senso. A bateria não é obrigada a parar no módulo de julgador. Ela pode passar andando. Mas, os quatro julgadores de bateria entendem que se você parar no meio, em frente ao módulo, e tocar ali por um curto espaço de tempo, não precisa ser nem a passagem toda do samba, eles têm condição de julgar melhor, porque alguns instrumentos quando se bate embaixo tem um som, outro cara parado ele bate em cima, e quando você anda é difícil você manter a bateria. O que eu falei para os diretores de bateria, você vai parar ou vai andar? É o bom senso. É uma série de coisas, ano que vem uma modificação que eu vou fazer no curso é convidar a imprensa. Para que a imprensa veja o que muita gente não sabe, a qualidade do corpo de julgadores. Tem gente que tira férias um mês para ficar lendo abre-alas, pesquisa a bibliografia toda do livro. É um trabalho hercúleo que essas pessoas têm. Se você entrevistar você verá que está todo mundo feliz com o curso, porque eles sabem que estão sendo julgados por especialistas, não é por curioso. Não tem nenhum curioso no curso. Tem PHD da Sorbonne, professor da UFRJ, perdi a conta, estudiosos, escritores, historiadores, isso é importante saber”.

Sobre o julgamento de Samba-Enredo, como evitar que ele não seja pré-julgado antes de passar na Avenida?

“Ele não é pré-julgado. Samba-enredo é julgado na Avenida. Mas, como você tem acesso antes, e as pessoas são estudiosas, claro que eles vêem todas as nuances do samba. Mas deixaram claro no curso que ele é julgado na Avenida. Agora, às vezes isso aqui não está legal, mas na Avenida funciona. Eles fizeram nominal no curso, ‘olha o teu samba não encaixava em uma métrica perfeita, em um curso de faculdade não poderia tirar 10’. Mas, na Avenida tirou 10. Eles também sabem que na bateria não tem 300 músicos, e o samba-enredo não tem 300 pessoas formadas em música não. É dom e isso é tranquilo. O samba-enredo e todo o carnaval é julgado na Avenida”.

Como evitar que o julgador pese a mão na primeira escola a desfilar no domingo e nas agremiações com menos peso de bandeira?

“Vou dizer o que digo para o jurado, todas as 12 escolas têm as mesmas condições, brigam de igual para igual. Agora, muita coisa vai da organização. Tem que ter uma primeira. A escola que subiu esse ano, não desceu. O que talvez tenha estigmatizado isso, dependendo da escola que sobe, não foi o caso da Imperatriz, é que às vezes a escola vem muito prejudicada do Acesso, não tem aquela estrutura, mesmo ela recebendo condições iguais financeiras, mas ela tem que começar a casinha dela do zero, ela não tem alicerce. As outras quando ganham o dinheiro é para melhorar as condições. Isso que tem que ser visto. Se nós formos ver a fundo, 95 % dos problemas é este, a escola sobe e tem dois carros, dois chassis, vai ter que comprar chassi, vai ter que comprar pneu, é caro, tem que comprar ferro, as outras já tem isso tudo. Não é por ela ser a primeira que ela é mal julgada, é que ela chega sem estrutura. Eu não vejo da parte do jurado nenhum problema com a primeira escola. Essa é a minha leitura”.

Existe questionamento quando uma escola comete um buraco e não perde quase nada em evolução ou se desfila com queijos sem integrantes e também não é despontuada. Como evitar essa distorção no julgamento?

“Se o jurado não ver uma pessoa no queijo, ele vai tirar pontuação. Acontece muito de o cara passar no módulo um e dois, o jurado só ver a alegoria de um lado, do outro está faltando, e chegou lá na frente a escola completou. Passou no primeiro módulo e ele não viu, ele está vendo só de um lado a alegoria. São coisas sutis. Pode acontecer de o jurado não ver alguma coisa? Pode. O jurado é ser humano. Ele pode errar? Claro! Quem de nós não erramos? Agora, má fé não tem! Às vezes o jurado é um grande jurado por 5, 6 anos, chega um ano e ele julgou mal. Ele estava doente, estava com dor de dente, o filho dele estava internado. Acontece. O jurado é um ser humano. Quantos árbitros de Copa do Mundo, aí vão apitar um jogo comum e apitam mal. Ser juiz é difícil em qualquer ramo”.

É possível projetar para o futuro uma espécie de oficina anual de formação de jurados até para oxigenar o júri?

“Eu não gosto de tirar o jurado que julgou muito bem. Eu não tenho problema de ter esse jurado por muitos anos, desde que ele julgue bem todos os anos. O que nós temos na Liga, é um banco de dados de muitos currículos, eu não aceito indicação de ninguém. Esse ano eu tive que botar um jurado em mestre-sala e porta-bandeira. Peguei com a minha secretária Elaine o que nós tínhamos de currículo. Veio pela internet. Ela separou aqui, nós lemos, entrevistamos três e escolhemos. A Liga tem um banco de dados de pseudo jurados das pessoas que mandam dizendo do que podem julgar. Agora um curso para esse pessoal, nós nunca fizemos”.

As escolas sempre possuem poder de veto e você acolhe ou não. Como foi esse ano?

“É comum a escola me procurar, e por isso eu mudei o formato do curso, trazendo as justificativas. Vamos estudar todas as notas do jurado, se eu também não entender nada, a partir desse ano não é mais jurado. Quando eu entendo e não convenço a escola, eu dou essa oportunidade do curso. Todo mundo saiu feliz, ninguém saiu dizendo que não entendeu. O curso foi feito desse formato por as escolas me procurarem discordando. O curso atual foi baseado nas justificativas das notas dadas no último carnaval. Todos os jurados que participaram do curso, com exceção de um, julgaram o carnaval passado. Nós tiramos dez julgadores, mas diminuiu o número de julgadores. Eram cinco por quesito, agora são quatro. E o critério do corte foi a justificativa de nota. Não foram claras, não me agradaram. Só quem mexe em corte é a coordenação de julgadores da Liesa. Não tem interferência de mais ninguém. Nem da presidência e nem da escola de samba. As dúvidas das escolas de samba, elas esperaram chegar o curso e tiraram ao vivo com o julgador. O julgador nominou. Eu tirei de tal escola por isso, outra por isso. Não teve pano preto com a gente, tem que falar nome e sobrenome”.

Sobre o julgamento de harmonia, é muito difícil o julgador do alto saber quem está cantando ou não. Como melhorar isso? E o que você pensa do carro de som ser julgado dentro do quesito Harmonia?

“Harmonia dá para ouvir. O cara sabe quando a ala está cantando. Eu já fiquei no lugar e várias vezes fico, dá para ouvir perfeitamente. Sobre o carro de som, nós conversamos sobre isso este ano, vamos preparar todo o carro de som, todas as vozes, escola por escola. O problema é que chega no dia do desfile, a galera está mais empolgada, um já sai na frente, o outro não deixa o engenheiro falar. Pessoal está muito tenso. E o carro de som também não pode, quem julga carro de som, se o carro de som sair completamente do que ele é, que agrida o ouvido, infelizmente tem que ser punido. São 12 carros de som que passam, se ele não punir alguns, é porque aquele foi correto. E se uns não foram… O julgamento tem comparações. Não todos os quesitos. Mas existem comparações. Você passou com teu carro de som certinho, não saiu nada, todo mundo ensaiadinho, aí o outro sai, o jurado tem que punir, não tem jeito. Caco foi explicado no curso. Existem cacos e existe o cara falar no samba. Caco tem que ser na hora certa, que não agrida nada. O caco não é brincadeira, não é o cara te ver na rua e cumprimentar. Aí já estragou tudo. Teve quem colocou o caco e quase conseguiu um feito inédito: atravessar o samba na Sapucaí, que é impossível hoje com a tecnologia de som. O caco pode a vontade. Mas é que do outro lado não se sabia o que era caco. Os professores lá no quesito, deram aula para eles do que é caco”.

É possível um dia trazer os julgadores dos quesitos que precisam de um olhar mais próximo estarem perto da pista?

“Acho que o jurado tem que julgar lá de cima, todo mundo do mesmo lugar, é uma opinião minha. O Carnaval do Rio é parâmetro. O cara faz o carnaval de São Paulo que é muito bonito. Ele tem que fazer uma coisa diferente para não dizer que copiou do Rio. O primeiro manual de julgadores da Liga de São Paulo, eu era funcionário da Liga com 20 anos, nós que demos para eles. Isso não é vergonha não. Se lá fosse o contrário nós também íamos pegar com eles, se fosse mais antigo. Claro que o cara tem que mudar, ele tem que fazer o diferente. Por o jurado na pista, acho legal, acho bacana todas as inovações. Mas, eu não vejo necessidade de fazer aqui e das escolas daqui nunca falaram nada nesse sentido”.

Os julgadores de bateria tem justificado muito a questão da criatividade, mas sem especificar do que se trata. Não seria melhor tornar essa justificativa mais clara?

“Eu acho que os jurados que ficaram tornaram elas mais claras. Acho que o público pode dar uma revisada nos quatro jurados de bateria que permanecem para 2023, e ver a justificativa deles, todas me atendem bem até neste sentido”.

Em fantasias e alegorias a concepção raramente é punida. O curso pretende aprimorar esse subquesito?

“Não é questão de aprimorar. Eu não posso aprimorar se já estiver bom. Se não é punido, é porque está sendo bem executado. Temos que pensar sempre pelo lado bom. Se não é punido é porque as escolas estão acertando nessa questão. Eu prefiro pensar assim”.

Sobre o texto do manual do julgador é possível e necessário mudar o texto, aperfeiçoando ele para o novo momento dos desfiles e que seja colocado em prática para 2024?

“Muita gente quando eu cheguei aqui reclamava que o manual do julgador era antigo. Eu reuni vários segmentos e pedi que dessem sugestões sobre o manual. Nós aprimoramos em dois ou três quesitos para o carnaval passado. Quando acabou o carnaval, mandamos para todos pedindo sugestões do manual do julgador. Esse ano eu abri o curso dizendo que eu tenho certeza que temos o melhor manual de julgador do mundo, porque eu não recebi uma sugestão, inclusive da imprensa, pois nós fizemos um simpósio aqui com a imprensa. O único que mexeu fui eu, mas também em coisas pequenas, harmonia, escrevemos mais, enredo, e só”.

Atenção, escolas! Em julgamento: o quesito Enredo

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Série ‘Barracões’: Império da Tijuca une duas estéticas para falar da energia vital do Axé guiado por Carybé

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Após ficar injustamente em nono lugar da Série Ouro no Carnaval 2022, o Império da Tijuca aposta em uma dupla de carnavalescos com estilos diferentes, porém complementares, para compor o enredo deste ano: Junior Pernambucano e Ricardo Hessez. O primeiro império do samba vem com o enredo “Cores do Axé”, uma proposta que se inspira na documentação artística do pintor argentino Carybé sobre o Axé enquanto energia criadora, os orixás, os terreiros, a baianidade e as festividades.

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Fotos: Matheus Vinícius/Site CARNAVALESCO

“Inicialmente, o Junior chegou com uma proposta de enredo afro para a escola, que era a pegada dos enredos que ele fazia no Império da Tijuca que inclusive levou a escola para o Grupo Especial em 2013. Com o pensamento de um enredo afro, ele trouxe a temática do Axé. A partir da visão do Junior, a gente começou a fazer pesquisas. Assim, chegamos a referências do Carybé”, disse Ricardo Hessez.

Para unir as estéticas díspares dos integrantes da dupla, as obras de Carybé foram essenciais. O artista plástico argentino, mas de alma baiana, viveu no século XX, se encantou com a cultura afro-brasileira e foi uma figura importante porque pôs em tela e em escultura muitos elementos que faziam parte da tradição oral dos terreiros. A construção de um conceito de baianidade passou pelas suas mãos tanto quanto por outras renomadas personalidades, por exemplo, o cantor e compositor Dorival Caymmi, o fotógrafo Pierre Verger e o escritor Jorge Amado. Por isso ele foi escolhido para ser reverenciado pela escola.

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Carnavalesco Ricardo Hessez

O Império da Tijuca vai contar a trajetória da energia Axé desde a criação do mundo até o cotidiano pela ótica deste homenageado por meio de três carros alegóricos e um tripé, desfilando com cerca de 2500 componentes. A comunidade do Morro da Formiga está engajada com o enredo por conta da identificação com a narrativa elaborada e da qualidade do samba, segundo Hessez. O carnavalesco adiantou a descrição de uma das alegorias que representa a união da estética mais limpa e objetiva dele com a forma mais barroca de seu parceiro Junior Pernambucano.

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“Tem um momento interessante no meio do desfile, no segundo carro da escola, que é justamente a visão de dois artistas diferentes. É uma homenagem aos assentamentos da escola, porque o assentamento é a fonte de Axé do terreiro. Nós temos um para Oxum e outro para Ogum. Assim, a gente exercita as duas características. Oxum ficou a cargo do Junior, que é mais barroco, e Ogum ficou mais à minha responsabilidade, que é parte de ferragem aparente, é um assentamento mais enferrujado. “Vai ser um desfile que vai mesclar essas duas imagens, esses dois modos de fazer Carnaval, acho que de uma forma, principalmente, muito colorida. Vai ser um desfile extremamente colorido”, afirmou Ricardo.

Um ponto de encontro chamado Carybé

Nome conhecido pelos foliões da Formiga, Junior Pernambucano está envolvido com escola de samba desde muito jovem, já que seu pai fundou uma agremiação na sua cidade natal Goiana, em Pernambuco. Veio fazer Carnaval no estado do Rio de Janeiro, em 2000, em Três Rios. Em 2013, ele ingressou nos desfiles da Marquês de Sapucaí estreando como campeão do Grupo de Acesso A pela verde e branco da Tijuca. Ele também foi responsável pelo enredo “Batuk”, de 2014, no Grupo Especial que encantou o público, mas não garantiu a permanência da escola na elite do Carnaval carioca. A experiência de Junior com essa comunidade é uma das coisas tranquiliza Ricardo Hessez em sua estreia na Sapucaí.

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“Ter o Junior do meu lado é uma coisa muito positiva para mim, porque é uma pessoa que já tem uma experiência gigantesca principalmente com o Império da Tijuca. Então eu não cheguei na escola leigo, o Junior já me deixou a par do que a gente conseguiria fazer aqui. Apesar de estar nervoso, eu sei que vai ser [um desfile] muito legal e muito bonito”, comentou Hessez.

No Carnaval desde 2017, Ricardo Hessez já participou de desfiles como assistente, por exemplo, do carnavalesco Jorge Silveira durante quatro anos. Ele sabe que estrear na Sapucaí a responsabilidade é muito grande. No seu currículo, ele tem passagem por Viradouro, São Clemente, Botafogo Samba Clube e pela paulistana Dragões da Real.

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“Eu trabalhei anos com Jorge Silveira, então ele é inegavelmente uma das minhas referências para fazer Carnaval, que é um Carnaval mais limpo [esteticamente]. Alex de Souza e Leandro Vieira são referências que eu levo. Eu sou o tipo de carnavalesco que gosta de ver o ferro, que gosta das formas limpas”, contou Ricardo.

O trabalho em equipe vai ser uma marca dessa dupla na Avenida. “A gente tenta unir o útil ao agradável. Eu faço a alegoria e o projeto e Junior compõe com o que é dele. Eu acho que o que controla essa situação toda é, justamente, o Carybé. Então temos três artistas trabalhando na escola de forma involuntária”, revelou Ricardo sobre a dinâmica desenvolvida pelos dois para colocar esse desfile da Passarela do Samba.

Conheça o desfile do Império da Tijuca

O Império da Tijuca será a sétima escola de samba de sábado a desfilar pela Série Ouro, ou seja, a penúltima escola do grupo. A agremiação virá com três carros alegóricos, um tripé e cerca de 3000 componentes para narrar a beleza do Axé como energia vital que transita por tudo, desde os orixás até uma concha de feijoada.

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Setor 1: “Vamos falar do axé como força criadora, que movimenta, que passa de um para o outro, da energia. No começo, a gente brinca que o artista pinta de Axé essa tela em branco. O Carybé é esse artista. Só que mesclamos o Carybé com a história do enredo. Por exemplo, no começo, os orixás só vestiam branco, então vamos levar em consideração a tela em branco também. A partir dessa tela em branco a natureza surge, as cores surgem, os elementos surgem, e tudo isso foi documentado pelo Carybé. Nesse 1º setor, falaremos de mitologia. A mitologia através do Axé: o Axé criando a natureza, da natureza nascendo os orixás e dos orixás nascendo os preceitos do terreiro”.

Setor 2: “Os preceitos vão para o 2º setor da escola. Nos preceitos do terreiro, mostramos os personagens que compõem o terreiro, os instrumentos que compõem cada orixá e esses movimentos religiosos do terreiro, a música através dos ataques dos ogãs, as oferendas relacionadas aos orixás. Tudo isso emana Axé. Até chegar no assentamento do terreiro, que é uma homenagem a Oxum e Ogum para a escola”.

Setor 3: “A gente passa o Axé de dentro do terreiro para as ruas e para as ladeiras. A partir daqui a gente documenta festas da Bahia. Falamos da Lavagem do Bonfim, do 2 de Fevereiro, festa para Iemanjá, da festa para Xangô, que é São João. Esse é o 3º setor”.

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Setor 4: “No 4º setor falamos do Axé enquanto troca. Depois dessa festa, tem o contato físico da dança, da capoeira, da dança dentro do Carnaval, do Axé que a gente sente dentro de uma escola de samba. A gente fala desse Axé compartilhado dentro da concha de feijão, que é um dos quadros do Carybé. Tradicionalmente, o Império da Tijuca tem uma festa em homenagem a Ogum, que é uma feijoada importante para a escola, e o Ogum é sincretizado com São Jorge. Através dessa concha de feijão distribuída pela baiana, cada conchinha de feijão contém um pouquinho de Axé e os preceitos da escola. E a gente fala também do pavilhão do Império da Tijuca. O pavilhão é a fonte do axé de cada escola de samba. Quando a porta-bandeira gira, ela está emanando e espalhando Axé. E tudo isso foi documentado por Carybé”.

Imperatriz Leopoldinense se torna Patrimônio Cultural e Imaterial do Rio de Janeiro

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A Imperatriz Leopoldinense se tornou patrimônio cultural e imaterial do Rio de Janeiro. Com a finalidade de preservar a cultura do samba, da música e da história, bem como na divulgação da quadra da agremiação, que fica no bairro de Ramos, Zona Norte do Rio, para ensaios e visitação turística, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro publicou a medida no Diário Oficial do Estado através da Lei Nº 9.933, de 15 de dezembro de 2022, de autoria do deputado Valdecy da Saúde.

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Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

“A Imperatriz tem um legado para a cultura brasileira através de enredos nacionalistas que exaltam a cultura do nosso povo e da nossa história. Somos reconhecidos por uma grande discografia, com sambas antológicos. Estamos muito gratos com este presente e reconhecimento da Alerj com a nossa que escola, que pertece a todo o povo do Rio de Janeiro”, comemora esse grande feito da sua gestão a presidente da agremiação Cátia Drumond.

Fundada em 6 de março de 1959, a Imperatriz Leopoldinense ganhou notoriedade no Carnaval após a chegada de Luiz Pachedo Drumond à presidência, em 1974. Como marca de sua gestão, Luizinho trouxe nomes consagrados da folia, como Arlindo Rodrigues e Dominguinhos do Estácio, conquistando os títulos de 1980 e 1981. Nos anos 90, contratou Rosa Magalhães, numa parceria que rendeu outros cinco campeonatos. Como legado, sua filha, Cátia Drumond, seguiu os passos do pai ao contratar um grande artista para o projeto artístico leopoldinense, o carnavalesco Leandro Vieira.

Ao todo, a Imperatriz Leopoldinense é detentora de oito títulos do grupo principal: 1980, 1981, 1989, 1994, 1995, 1999, 2000 e 2001. Sendo que em 1980, 1989 e 2001 foi campeã obtendo nota máxima em todos os quesitos. Desfilou pela primeira vez em 1960, com um enredo em homenagem à Academia Brasileira de Letras. Em 1972, ganhou destaque após fazer parte da novela “Bandeira 2”, da Rede Globo. Naquele ano, apresentou o enredo “Martim Cererê”, conquistando o 4.º lugar. O samba-enredo foi o primeiro a ser incluído em uma trilha sonora de telenovela. Em 2012, outro samba da escola – “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós!” – do carnaval de 1989, seria o primeiro samba-enredo utilizado como tema de abertura de uma telenovela. Nesse caso, na novela “Lado a lado”, também da Globo.

Acidente deixa três feridos no barracão da Tom Maior

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Um acidente envolvendo um guindaste ocorreu nesta quinta-feira, por volta das 15h20, no barracão da Tom Maior, localizado na Fábrica do Samba do bairro Bom Retiro. De acordo com o Corpo de Bombeiros, três pessoas ficaram feridas após serem prensadas pelo veículo pesado durante a movimentação de uma carga dentro do local destinado à escola do Sumaré. O helicóptero Águia-17 foi acionado para auxiliar o transporte das vítimas, que foram levadas ao Hospital das Clínicas. Os profissionais, oriundos de Parintins-AM, não correm risco de vida.

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Foto: Reprodução de TV

Procurada pelo site CARNAVALESCO, a Liga SP emitiu a seguinte nota: ”Na tarde desta quinta-feira (02/02/2023), prestadores de serviço da Escola de Samba Tom Maior sofreram um acidente de trabalho quando se encontravam no galpão de uso exclusivo desta agremiação, onde a mesma produz suas alegorias.

Toda a assistência necessária foi prestada pelo Corpo de Bombeiros e os prestadores de serviço foram prontamente socorridos e encaminhados ao hospital.

A Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo ressalta que os galpões de uso de suas associadas, localizados na Fábrica do Samba, são munidos de equipamentos de proteção e os prestadores de serviços e artistas devidamente orientados a executar suas atividades em segurança. Ademais, a Escola de Samba Tom Maior está prestando toda a assistência aos trabalhadores e seus familiares”.

De oito a dez: Mudança na atribuição das notas promete impactar o resultado do Carnaval 2023 em São Paulo

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Uma novidade que promete impactar o resultado do Carnaval 2023 em São Paulo veio a público após a realização do curso de preparação dos jurados para os desfiles deste ano. De acordo com a nova regra, cada julgador poderá atribuir notas de oito a dez fracionadas em décimos, totalizando 21 notas possíveis de serem atribuídas ao desempenho de cada escola de acordo com os critérios previstos no regulamento.

Até o ano passado, as notas eram atribuídas de nove a dez com fracionamento também em décimos, o que na prática tornava uma nota “9.0” equivalente a uma nota zero, com cada décimo perdido equivalendo a 10% do total da pontuação dada pelo julgador. Para que o peso de uma dedução refletisse melhor a realidade, os descontos aplicados pelos jurados dependiam de um acúmulo de erros cometidos pelas escolas. Mas o leque de notas possíveis baixo, somado ao alto nível das disputas dos últimos anos, acabou causando o fenômeno popularmente conhecido como “chuva de dez”, com todas as agremiações recebendo a nota máxima de todos os jurados em alguns quesitos.

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Foto: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO

As expectativas dos apaixonados por carnaval para os desfiles de 2023 são as melhores possíveis. Com a Fábrica do Samba localizada no Bom Retiro totalmente inaugurada, a promessa é de um nível de disputa jamais visto, afinal pela primeira vez todas as escolas de samba estão com uma estrutura de igual nível para produzir seus projetos.

O aumento do número de pontuações possíveis faz parte de uma das medidas que a Liga SP aposta para não apenas combater o excesso de notas máximas, mas também garantir que o julgamento de um concurso cada vez mais disputado reflita com maior justiça os esforços de todas as escolas de samba.

A equipe do site CARNAVALESCO conversou na última semana com lideranças de algumas escolas de samba a respeito de suas opiniões sobre esta mudança no critério de julgamento e no que pode impactar na preparação dos trabalhos em andamento.

‘Uma escola não irá se preparar para errar pouco’

O presidente do Águia de Ouro e da Liga SP, Sidnei Carriuolo, vê como positiva a mudança. De acordo com Sidnei, o leque maior de notas possíveis dará aos jurados mais tranquilidade ao atribuírem suas notas para as escolas, enquanto para as mesmas não afetará o projeto em andamento.

“Na preparação da escola, não influencia nada. Influencia é no jurado. Quando você tem uma nota de nove a dez, você tem dez possibilidades de penalidades. Agora, se você tiver 21 oportunidades, ele não precisa se preocupar muito. Era complicado, porque o jurado pensa duas vezes, se penalizar com um décimo, são dez porcento de uma nota, é doído. Agora, se for um décimo de oito a dez, já não é tanto, dói menos, essa é a verdade. Se você errar, será penalizado do mesmo jeito. Não muda muito a história, só que as penalidades são um pouco mais tranquilas, é mais nesse sentido, afinal uma escola não irá se preparar para errar pouco, né? Para nós não muda nada. Muda para o jurado, que ele fica um pouco mais confortável para julgar com mais tranquilidade”, declarou o presidente.

Uma mudança drástica

O vice-presidente e diretor de carnaval dos Acadêmicos do Tucuruvi, Rodrigo Delduque, acredita que a novidade vem para melhorar o Carnaval de São Paulo.

“Eu acho válido para o carnaval. Faz parte da Liga e está junto com a gestão. É válido o que vem para melhorar o carnaval e acrescentar a cultura. Para nós que venha com antecedência para poder somar para melhor. Nós estamos aí para cumprir”, disse Delduque.

Já para diretor de carnaval do Império de Casa Verde, Tiguês, a mudança anunciada às vésperas do carnaval exigirá uma atenção ainda maior, principalmente em determinados quesitos que possuem uma possibilidade maior de ocorrerem erros ao longo do desfile.

“Algumas coisas mudaram, e essa mudança é um pouco drástica. Por exemplo, quesito evolução, quesito fantasia, você precisava acumular três, quatro erros para dar um décimo de desconto, agora um erro é um décimo, é preciso ficar esperto. Foi uma mudança brusca, meio em cima da hora, o treinamento dos jurados foi agora em janeiro, então a gente tem que ficar muito esperto nesses quesitos que mudaram o peso agora”, avaliou o diretor.

Comunidade canta forte e alto no ensaio de rua da Vila Isabel

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Por Raphael Lacerda e Rhyan de Meira

Em uma noite animada no Boulevard 28 de setembro, a Vila Isabel realizou mais um ensaio técnico de rua. Com destaque para a harmonia e do canto da comunidade, a escola realizou um belo espetáculo na preparação para a Marquês de Sapucaí. Por volta das 22h, a agremiação deu início ao ensaio de rua, que durou cerca de uma hora. Ao fim do evento, uma roda de samba foi realizada na quadra.

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Fotos de Raphael Lacerda e Rhyan de Meira/Site CARNAVALESCO

Devido aos ensaios que estão ocorrendo durante a madrugada na Marquês de Sapucaí, a comissão de frente e o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira não puderam comparecer. Por isso, quem abriu o ensaio na avenida foi o segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, Bárbara Dionísio e Jackson Senhorinho.

“Foi um dos melhores ensaios. Cada quarta-feira nós estamos colocando ‘tijolinho por tijolinho’ pra subir. Fizemos uma pesquisa (departamento de harmonia) em todas as alas. São 85 harmonias, destas, 98% queriam esse samba. Sempre acreditei nesse ‘Evoé Evoé’. É um samba que vai mostrar sua força no dia 11 (ensaio na Sapucaí). A comunidade ficou apaixonada por esse samba. O departamento de som está fazendo acontecer, a bateria está fazendo acontecer e a comunidade está fazendo acontecer. Estamos chegando na perfeição da harmonia. A comunidade está sendo muito mais valorizada hoje e estão retribuindo com canto e evolução”, afirmou Marcelinho Emoção, diretor de harmonia.

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Harmonia

A comunidade, mais uma vez, chegou junto com a escola. O “evoé” foi ecoado em cada trecho da pista, o que ressalta a força do chão da Vila. O intérprete Tinga iniciou o samba cumprimentando o público presente os componentes. Todos cantaram forte e alto, com destaque para a ala 1 do primeiro setor – que cantou o samba durante todo ensaio – e também para a ala 16, que realizou movimentos coreografados e não parou de cantar.

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Evolução

Apesar das calçadas e alguns trechos da avenida estarem com grande quantidade de público, a Vila Isabel conseguiu realizar um ensaio com ótima evolução e sem deixar abrir qualquer buraco. A direção de harmonia conduziu bem o desfile e os componentes demonstraram entrosamento, o que garantiu uma boa evolução até o fim do ensaio, já na quadra da escola de samba. Novamente, o destaque para a ala 16, que realizou movimentos coreografados com bastante sincronismo.

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Samba-Enredo

O “evoé” foi abraçado pela comunidade desde a disputa e no ensaio não poderia ser diferente. Com muita força e paixão, o público que acompanhava o ensaio cantou ao longo de todo Boulevard. Moradores que acompanhavam nas varandas dos apartamentos também cantavam e aplaudiam a escola de samba. Tinga interagiu durante todo o ensaio com a comunidade. Mesmo chegando ao ponto final do ensaio, os componentes seguiam cantando o samba-enredo da Vila Isabel.

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Outros destaques

A bateria da Vila, a “Swingueira de Noel”, compareceu em peso no ensaio e deu um verdadeiro show. De acordo com o mestre de bateria, Macaco Branco, quase 200 ritmistas estavam presentes. Uma hora antes do ensaio, parte do grupo já aquecia na quadra da escola de samba. O entrosamento entre os ritmistas e a equipe de som foi positivo. Em entrevista ao CARNAVALESCO, o mestre falou sobre o balanço do ensaio e garantiu que tudo está pronto para o grande dia.

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“O ensaio foi maravilhoso. A comunidade está muito feliz e cantando muito. A bateria também está muito feliz, porque o samba é muito alegre e animado. É uma pegada boa, de festa. A bateria está com bossas bem encaixadas no samba, todas dentro da métrica e da melodia. Se o desfile fosse amanhã, graças a Deus a bateria da Vila Isabel estaria pronta para defender esse título e ajudar a nossa comunidade”, destacou.

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Destaque especial do ensaio para aaAla 6, que curiosamente improvisou com guarda-chuvas um tipo de adereço que será usado na Passarela do Samba. Segundo um dos componentes, eles trarão um adereço de mão na Marquês de Sapucaí que, quando os componentes girarem, ele irá se abrir. Ao parar de girar, ele se fecha novamente.

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A musa da comunidade, Kauanny da Glória, esbanjou simpatia e samba no pé por toda Vila Isabel. Em seu primeiro ano como musa, ela demonstrou que está pronta para defender a Vila na Sapucaí.

Wander Pires demonstra amor pela Vila Maria e sonha com título da escola.

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Wander Pires é um dos intérpretes mais experientes e renomados de todo o carnaval. O cantor é a voz da Unidos de Vila Maria desde o carnaval de 2018. Portanto, em 2023, será o quinto desfile e o sexto ano de Wander pela escola. O intérprete é um sucesso na agremiação. Tem um carinho enorme e é recíproco. Sempre é muito bem recebido, tira muitas fotos na quadra e atende a todos. A comunidade sempre vai no embalo de seus bordões dentro dos sambas. Vale lembrar que Pires atua no carnaval paulistano desde 2011, onde começou no Vai-Vai. Por lá, ele também cantou em cinco carnavais, mas foram em duas passagens diferentes. Também participou do carro de som do Tatuapé por dois anos. Porém, seguidamente, somente na Vila Maria ele se encontrou em São Paulo e, vendo a carreira do cantor, apenas na Mocidade Independente de Padre Miguel ele teve tanta longevidade. Wander Pires conversou com o CARNAVALESCO e detalhou a sua passagem na ‘Vila Mais Famosa’.

Um sonho antigo
Segundo Wander Pires, o namoro com a verde, azul e branco era antigo e também ele já poderia fazer parte da escola nos anos anteriores. “Eu estava para vir para a Vila desde 2016. Sempre escutei falar da história da Vila Maria e dos projetos sociais. Isso me deixava sempre curioso. Peguei um carinho pela escola mesmo sem conhecê-la. Só através das redes sociais. Quando ocorreu um problema em 2017, eu peguei e falei para o meu padrinho Dudu Nobre que eu queria vir para a Vila Maria. Ele já estava desde 2016 e, quando eu cheguei aqui, foi aquele amor à primeira vista com os componentes, presidente, diretoria, bateria, mestre Moleza”, contou.

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Foto: Gustavo Lima/Site CARNAVALESCO

Carinho pela agremiação
O intérprete aproveitou para falar do carinho que tem com a diretoria da ‘Vila Mais Famosa’ e da relação com o presidente Adilson José e seus diretores. “Eu costumo chamar o senhor Adilson José de ‘paitrão’, porque ele me acolheu muito e me abraçou. A escola também abraçou muito a minha família, meus filhos, minha esposa e quando você recebe carinho e amor, não tem como você não retribuir. Não tem como não se apaixonar. A minha relação com meu presidente é maravilhosa. De grande respeito e de grande admiração. Ele conversa comigo, me dá conselhos. É de pai para filho. A diretoria te pega no colo. Faz de tudo para te agradar. A recíproca é verdadeira e eu procuro agradar não só cantando, mas também corresponder à altura. A minha relação com a Vila Maria é até quando Deus quiser, até quando Deus deixar”, disse.

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Foto: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO

Trabalho no carro de som
O cantor enalteceu sua ala musical. Ao decorrer de sua passagem, Wander Pires levou alguns apoios do Rio de Janeiro para reforçar o carro de som. Principalmente vozes femininas. “Quando eu cheguei, percebi que tinha um espaço. Muita gente achou que eu ia mudar. O presidente falou que gostaria de manter o pessoal da ala musical e eu falei que tudo bem e vamos fazer um projeto para ensaiar no nosso estúdio aqui na quadra. Eu comecei a ensaiar os meninos e percebi que precisava de suas vozes femininas. Fui lapidando, eles foram me ouvindo e fomos nos alinhando. No primeiro ano não fomos tão vistos. Já no segundo ano, o presidente, mestre Moleza, diretor de carnaval, me deu mais abertura e eu comecei a colocar um por um para cantar e eles ouvirem. Acho que conquistei os meninos e tem um carinho por mim. Então eu trouxe duas meninas, a Débora e a Viviane, que trabalham na Mocidade do Rio. Logo após, deu certo o trabalho e eu trouxe a Milena, que é a minha assessora de imprensa. Graças a Deus em 2019 deu aquele impacto e é uma relação de muito respeito e admiração”, declarou.

O carnaval de 2023
Wander Pires falou de suas expectativas para o desfile de 2023. A Vila Maria irá contar a sua própria história e de seu bairro. O cantor terá a missão de passar isso para a avenida. O intérprete, assim como toda a escola, sonha e espera um título no próximo carnaval. “Eu já tenho alguns anos que eu sonho junto com os nossos componentes e segmentos e digo que ano passado e retrasado achei que viria o título, mas não aconteceu. Acho que agora, alguma coisa me diz. Sonhei de tudo. Está mais do que na hora. Os erros que tivemos nos anos anteriores já foram consertados. Agora, eu acho que a escola está cada vez mais experiente. Como eu digo, em cada setor, o nosso presidente está cada vez mais atento às coisas que nos fizeram não chegar ao título. Ele é uma pessoa inteligente e tem os pés no chão. Eu sonho muito, temos um samba lindo e a nossa bateria nem se fala. Nossa direção de carnaval agora com nosso Queijo, que é uma pessoa experiente e que entende muito de carnaval. Nossa direção de harmonia com o Cesinha. Eu estou rezando sempre e tenho fé que nós vamos conquistar esse título do carnaval 2023. Tenho certeza que o nosso carnavalesco Cristiano Bara vem acertando, mas dessa vez ele vai acertar muito mais”, completou.

Em grande festa, Império Serrano ensaia na rua e casal é o destaque

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Em uma noite especial nas ruas de Madureira o Império Serrano recebeu a Beija-Flor de Nilópolis para o encontro das bandeiras. Um evento que resgata a tradição e a união das agremiações. A noite começou com os componentes das duas escolas tomando a Estrada do Portela, em frete a quadra do Império, com muita descontração, sorrisos e samba no pé. A recepção da escola ficou por conta do casal de mestre-sala e porta-bandeira do Império Serrano, Marlon Flôres e Danielle Nascimento, que recebeu Claudinho e Selminha Sorriso. Cada casal levando seu pavilhão se cumprimentou e bailou pela rua do bairro. Por volta de 22h40, o ‘Reizinho’ tomou as ruas mostrando toda força da comunidade, com destaque para o chão da escola, o casal de mestre-sala e porta-bandeira e a bateria do mestre Vitinho.

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Foto: Cristiano Martins/Site CARNAVALESCO

‘’O ensaio de rua hoje teve um tempero especial que foi a presença da coirmã Beija-Flor e isso com certeza incentivou o publico a cantar evoluir muito mais, para mostrar que a gente está brigado de igual para igual com todas as escolas do Grupo Especial. O Império Serrano voltou e provou que é grande e esse ensaio confirma isso’’, ressaltou Arinaldo Oliveira, que faz parte da comissão de harmonia da escola.

Ele complementou dizendo sobre os acertos que ainda podem serem feitos na escola e a importância do encontro das bandeiras. “Sempre tem coisas para melhorar e corrigir, porque o carnaval está batendo na porta e são nos detalhes que se ganha e perde, então nós temos que corrigir esses pequenos detalhes. Em relação ao encontro de bandeiras é fantástico, volta a tradição das escolas é muito bonito fazer esse tipo de evento. É muito proveitoso tanto para o componente da escola visitante, quanto para que recebe poder fazer essa grande confraternização do carnaval, que foi o que aconteceu aqui hoje. Espero que em breve, tenhamos outros e que seja tão proveitoso, divertido e tão bonito quanto foi hoje”.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O casal Marlon Flôres e Danielle Nascimento mostrou a sintonia de sempre, após a bela recepção ao casal da Beija-Flor, os dois saíram com passos firmes, olhares fixos e uma coreografia bem ensaiada. Com muitos giros, mão firme na bandeira e o samba na ponta da língua, Danielle comentou a importância do encontro.

“É muito importante ensaiar na rua, para o preparo físico e sentir o publico que é um termômetro para mostrar o que a gente vem preparando para do desfile na Sapucaí. O mais importante é o contato com a comunidade é muito bom o ensaio de rua’”.

Já para Marlon, é importante esses ensaios, pois a escola tem uma grande missão este ano, abrir e permanecer no Grupo Especial. “É fundamental esses ensaios, porque a gente consegue similar o nosso grande dia do desfile e a gente vem em uma pegada boa desde o ensaio técnico. O Império tem um bom samba e uma missão muito difícil que é abrir o carnaval, mas a escola está muito focada, aproveito a oportunidade para agradecer nosso presidente, Sandro Avelar que vem investindo muito no casal e em toda escola, para que se Deus quiser vamos se manter e quem sabe buscar um desfile das campeãs e porque não almejar o título”.

O casal destacou ainda sobre o que pode ser acertado e a felicidade desse encontro de bandeiras. “Sempre tem algo para melhorar, cada ensaio a gente vem consertando, aparando as arestas, fazendo aqueles pequenos ajustes que falta”, disse o mestre-sala.

“É uma melhoria contínua até o carnaval, a gente fica vendo sempre o que pode melhorar e acrescentar, porque a gente quer estar cada dia mais preparado e melhor para o grande dia”, completou Danielle.

Harmonia e Evolução

A escola mostrou sua força, mais uma vez, cantando forte e alto cada verso do samba em homenagem a um dos seus ícones, Arlindo Cruz. Apesar da saída das alas ser um pouco tumultuada por causa do espaço, não atrapalhou no decorrer do desfile. Mesmo sendo um ensaio de rua foi levado a sério por cada componente, não deixando espaços durante a evolução da escola. E a alegria de ter uma coirmã junto, foi a combustível a mais que a escola precisava para levantar a Estrada do Portela. O intérprete Ito Melodia abordou o encontro.

“O maior símbolo que é o samba se une a esse monstro sagrado que é a Beija-Flor e hoje retornando ao Grupo Especial este outro monstro sagrado que é o Império Serrano. Relembrando aqui seus baluartes e seus artistas maravilhosos. A escola vem com um enredo lindo e a escola está ansiosa e fervorosa para pisar naquela avenida. Temos que segurar um pouco a emoção, estamos vivendo um momento de euforia, excitação, energia uma positividade, encantamento e o choro. O que eu digo pra escola hoje é segurar a emoção, mesmo sabendo que vai ser muito difícil, porque cantar Arlindo Cruz por si só, já é emocionante”.

Bateria

Destaque maior da noite foi a ‘Sinfônica do Samba’, comandada pelo mestre Vitinho, que deu um show de paradinhas e paradonas, fizeram um recuo de rua perfeita, todos os ritmistas cantando o samba e com algumas coreografias. No final mestre Vitinho retornou para quadra com sua bateria chamando o povo para sambar junto com eles, as ruas de Madureira viraram uma grande avenida do samba.

“Todo ensaio para mim é bacana seja na quadra, seja na rua. É um trabalho a gente sempre pode mais e procurar sempre melhorar e evoluir, carnaval já está batendo na porta, então tudo que faço com a bateria do Império em qualquer lugar que seja, é muito importante para acertar detalhes do desfile. Nosso andamento e arranjos estão firmes, mas a gente sempre pode melhorar um pouco mais, vivendo, aprendendo e trabalhando para chegar sempre a excelência”.

Outros destaques

Foi a grande presença do público que cantou em voz alta os sambas de ambas as escolas, deixando o clima muito alegre e receptivo para quem foi da Baixada com a Beija-Flor. Quem também deu show foi a rainha da escola de Nilópolis, Lorena Raissa e a princesa da Verde e Branca de Madureira, Wenny Isa, mostrando muita desenvoltura e samba no pé.

Beija-Flor impressiona com canto forte no ‘Encontro de Bandeiras’, em Madureira

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A Estrada do Portela ganhou as cores azul e branca nilopolitanas na noite de terça-feira. O “Encontro de Bandeiras” organizado pelo Império Serrano trouxe a Beija-Flor para ensaiar em Madureira e contagiar o público presente. A “Soberana” abriu a noite com sambas-enredo marcantes de sua história, como o “Ratos e urubus, larguem minha fantasia”, de 1989, e com os mais recentes – 2019, 2020 e 2022.

O que chamou muita atenção é que mesmo longe de seu habitat natural, na Baixada Fluminense, a Beija-Flor deixou a sua marca de canto forte que contagia os foliões que estão assistindo. O carisma do casal, Claudinho e Selminha Sorriso, também é um ponto altíssimo do ensaio, assim como a bateria dos mestres Rodney e Plínio.

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Foto de Cristiano Martins/Site CARNAVALESCO

“A gente faz valer a ideia do presidente Almir [Reis] de fazer o ‘Encontro do Samba’. Tivemos lá em Nilópolis e agora ensaiamos na Estrada do Portela, onde ensaia a Portela e o Império. Que recepção que o Império fez para gente! Nós só desejamos um belo Carnaval para o Império. Viemos com uma escola quase que completa, tivemos bastante felicidade em trazer todos os segmentos. E ver todo mundo cantando na rua. É legal jogar fora. O primeiro ensaio fora de casa foi muito legal. Daqui a pouco, a gente está chegando na Marquês de Sapucaí e vimos que o time está firme. [Eu gostei] daquele início, daquele calor do povo. Carnaval é Madureira! E gostei de ver que o samba está correspondendo. Lá em Nilópolis, a gente berra o samba e quem vai assistir berra junto com a gente. A gente saiu de Nilópolis e Madureira cantou com o povo preto da Baixada. Até o desfile, a gente vai chegar bem próximo do 100% e, na Sapucaí, a magia da Avenida, vai fazer chegar no 100%. Sabemos que estamos no caminho certo”, disse Dudu Azevedo.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Claudinho e Selminha Sorriso mostraram seus 30 anos de cumplicidade na Estrada do Portela. Levaram uma coreografia com poucos detalhes da oficial para o desfile e preferiram performar um bailado clássico muito bonito com uma leveza boa de se observar. Um destaque é o carisma com a comunidade imperiana. O casal deu o privilégio a algumas pessoas que o acompanhavam de beijar a bandeira, saudou a ala da velha-guarda, que vinha logo atrás no desfile, e se exibiu para as câmeras que filmavam. Vale lembrar que a porta-bandeira começou sua carreira no Império Serrano e fez essa volta a este território.

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“O ‘Encontro de Bandeiras’ mostra que o samba não tem fronteiras, principalmente, o nosso carnaval carioca que passa para o mundo inteiro. O maior espetáculo da Terra. Entre o samba não tem rivalidade. A gente veio visitar a coirmã, que foi na nossa escola, como a Portela e o Império foram na nossa escola. E hoje viemos aqui para Madureira fazer essa troca de quilombos com o Império. É a primeira vez que a gente faz esse ensaio técnico em Madureira. Para a gente, serve de teste, serve para o condicionamento físico. Vamos aproveitando os ensaios que tem dos ‘Encontros do Quilombos’ das co-irmãs para poder manter nosso condicionamento físico. Foi maravilhoso! Só em estar com a tua escola ensaiando, quanto mais ensaia menos você erra. O ensaio serve para testar várias coisas, corrigir algumas e acertar outras. Eu gosto de estar perto do público porque o público faz o Carnaval, é o público que manda na Sapucaí. No dia do desfile, eu amo a tensão de fazer a disputa, de fazer o melhor pela sua escola, mas estar nos braços do povo conforme o ensaio técnico e na rua vendo o povo te aclamar, levantando a bandeira e povo cantando vibrando junto com você não tem preço”, afirmou Claudinho.

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“Particularmente, eu estou muito lisonjeada e muito agradecida pelo universo porque a minha história começou aqui no Império Serrano em 1989. Foi o ano que a Beija-Flor fez o maior desfile de todos os tempos – ‘Ratos e urubus, larguem minha fantasia’ – e aqui no Império foi ‘Jorge Amado, Axé Brasil’. Foi um mix de sentimentos de poder relembrar e reviver aquela menina começando seu sonho de ser porta-bandeira com mais de 30 anos de carreira. A importância desse ‘Encontro de Quilombos’ é essa integração das comunidades, dos sonhos e das culturas. O samba é uma única bandeira. Essa história começou com a Beija-Flor com o presidente Almir Reis e espero que todas se sintam nessa missão de integração ao longo do ano e por muitos anos. Dizem que antigamente era assim, as escolas se visitavam, confraternizavam. Unidas somos mais fortes, a gente alegra o povão, troca figurinhas, um canta o samba do outro e mostramos para o Universo que não existem rivalidades, somos todas co-irmãs que disputam o título nos 700 metros do Sambódromo. O ano inteiro somos família. Eu sou uma pessoa que ama ensaiar. Como eu me cobro muito, quanto mais ensaio melhor. Sempre acho que não está bom até entrar na Avenida e falar ‘Agora sim, agora está bom’. Para mim, o método repetição é o caminho para acertar mais, se aprimorar e ter mais confiança no que você faz, seja na dança, no canto ou no ritmo. Eu gostei mais do carinho do povo. Como eles estavam felizes vendo a Beija-Flor. Ver as pessoas felizes, ver o povo nilopolitano da Baixada vindo às terras de Madureira dá um pouco de alento, de amor fazendo essa integração. Eu revi senhoras que eram jovens quando eu saí daqui, senhoras que eram passistas e hoje estão na ala das baianas e na velha-guarda, se passaram 30 anos. Sempre tem o que melhorar. A gente escondeu, nós não mostramos aqui a nossa coreografia oficial. Pontuamos em alguns momentos, mas não mostramos. Demos um pouquinho do nosso amor, do nosso bailado para o povão que veio aqui assistir a Beija-Flor de Nilópolis”, se emocionou Selminha.

Harmonia

A comunidade nilopolitana não parou de cantar em nenhum momento enquanto se exibiam em Madureira. Tão impecáveis que a bateria parou de tocar durante uma volta do samba e o povo azul e branco cantou em uníssono integralmente. O carro veio sem Neguinho da Beija-Flor, mas não faltou conexão com a bateria e foi um canto claro com poucos ou nenhum caco.

Evolução

A escola fez sua passagem na quadra do Império Serrano até o Shopping Madureira no tempo de 1 hora. O ensaio permitiu que alas coreografadas evoluíssem bem e que os componentes se mantivessem animados. Não houve correria, a escola veio coesa. As baianas deram um show: confortáveis, com canto forte e giro bonito.

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Samba-Enredo

Apesar de parecer difícil à primeira vista, o samba da Beija-Flor de 2023 foi decorado e caiu nas graças do público presente. O carro de som cantou o samba com clareza a todo tempo. O refrão do meio (“Eh! vim cobrar igualdade…”) e o trecho “Deixa Nilópolis cantar!” são as partes mais fortes do canto da comunidade.

Outros destaques

Desde o esquenta, os mestres Rodney e Plínio mostraram a versatilidade e a potência da bateria “Soberana”. O samba deste ano tem bossas interessantes e que animam os desfilantes. Outro fator positivo é o carisma da rainha de bateria Lorena Raíssa. A jovem está no seu primeiro carnaval neste posto, entende a responsabilidade e o peso de sua função e esbanja talento.

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Enquanto o anfitrião Império Serrano é a agremiação que vai abrir os desfiles do Grupo Especial no domingo, a visitante Beija-Flor será a penúltima a desfilar, na segunda-feira, 20 de fevereiro. A escola levará 3500 componentes, segundo o diretor Dudu Azevedo.