A direção da Mocidade Independente de Padre Miguel informou na noite desta terça-feira que Nino do Milênio não é mais intérprete da escola. Veja abaixo a publicação.
Foto: Nelson Malfacini e Allan Duffes/Site CARNAVALESCO
“Agradecemos imensamente a dedicação e o talento emprestados por Nino do Milênio. Respeitou o nosso pavilhão e a todos da nossa comunidade! Mostrou-se um grande profissional e grande homem. A Estrela vai ficar daqui torcendo sempre por você”.
Nino do Milênio também falou sobre a saída da escola. “Hoje, é um dia triste…Cheguei a essa escola gigante com o sonho de permanecer por vários anos. Fui muito bem tratado por todos desde o início. Recebi carinho, respeito e força. E dei o meu melhor para colocar a Estrela Guia no lugar mais alto! Gostaria muito de continuar, mas hoje ficam os agradecimentos a todos que me ajudaram a chegar até aqui. Cantar na Mocidade foi um sonho que eu espero voltar a viver! Sua gente é especial e merece dias de glória! Sigo a minha carreira com a certeza do talento e do esforço diário como ferramenta para conquistar meus sonhos! A luta continua”.
O intuito desse artigo é ajudar a assimilar e absorver as justificativas dos julgadores de Bateria do Grupo Especial, sob uma perspectiva de quem acompanhou as apresentações em frente aos respectivos módulos, pelo lado direito de cada ritmo, na pista de desfile. A intenção, portanto, é buscar um desenvolvimento musical potencial mediante as alegações dos jurados. Sempre decodificando as argumentações e interpretando os contextos inseridos em cada exibição despontuada, além das observações finais.
Foto: Alexandre Macieira/Divulgação/Riotur
Primeiro módulo: 1ª Cabine: Rafael Barros Castro e 2ª Cabine: Ary Jayme Cohen
Segundo módulo: 3ª Cabine: Philipe Galdino
Terceiro módulo: 4ª Cabine: Mila Schiavo
Apresentações de domingo na 1ª Cabine: Rafael Barros Castro
Unidos da Tijuca: 9,9
Julgador: “Durante a apresentação da bateria frente ao módulo 1, os timbales, muito importantes pelo toque afro característico do enredo foram pouco explorados acarretando em penalização, de acordo com o manual que prevê a perfeita conjugação de sons (equilíbrio entre os naipes)”.
Freddy Ferreira: A justificativa do julgador aliada ao desconto mínimo é pertinente. Infelizmente, a escolha musical envolvendo os timbales da “Pura Cadência” de mestre Casão foi a de “passar reto”. Embora dois dos seis ritmistas com timbal entrassem no corredor para execução da bossa do final da segunda da obra, o acréscimo musical na conjunção sonora nos demais trechos do samba realmente era mínimo. O movimento rítmico envolvendo a convenção, inclusive, ganha maior integração sonora com os timbales microfonados dentro do ritmo, acrescentando na musicalidade mais nessa bossa do que nos demais momentos. Uma avaliação bastante detalhista, mas invariavelmente sensata.
Apresentações de domingo na 2ª Cabine: Ary Jayme Cohen
Império Serrano: 9,9
Julgador: “A convenção rítmica apresentada no módulo no cruzamento de alguns naipes, sugeriu algum desconforto sonoro. Em determinado momento o ritmo sugeriu uma desaceleração em relação ao canto”.
Freddy Ferreira: Embora o julgador tenha reconhecido o valor musical da apresentação da bateria do Império Serrano e de mestre Vitinho na observação final, a “Sinfônica do Samba” foi despontuada em 1 décimo em sua avaliação. A justificativa para o desconto foi a alegação de um suposto desconforto na conjunção sonora entre os naipes, envolvendo uma desaceleração do ritmo em relação ao canto. Possivelmente o julgador não conseguiu assimilar ou absorver musicalmente o conceito da paradinha envolvendo um samba de roda, onde de maneira proposital há uma intenção musical que faz o ritmo imperiano remeter à levada de partido alto. Do lado direito da pista de desfile nenhum incômodo sonoro foi percebido durante a passagem da bateria do Império pelo módulo, somente a irregularidade do próprio som da Avenida no trecho inicial de desfile.
Grande Rio: 9,9
Julgador: “Na finalização da convenção rítmica no Bis do refrão do meio com a bateria em evolução deixando o módulo, alguns ritmistas do naipe de chocalho executaram o ataque de forma desigual”.
Freddy Ferreira: Pela lateral direita da Avenida não foi possível evidenciar nenhuma imprecisão envolvendo o ataque do naipe dos chocalhos da bateria da Grande Rio na paradinha do refrão do meio. A inconstância sonora nas duas primeiras escolas do grupo Especial foi nítida, talvez a ponto de prejudicar a avaliação do próprio júri, não permitindo uma absorção musical plena da passagem dos ritmos pelo módulo. Cabe mencionar que, segundo relatos de foliões que viram as baterias das arquibancadas, era simplesmente normal a alegação de que potenciais desencontros rítmicos devido a instabilidade sonora da Sapucaí eram aparentemente percebidos com os ritmos mais afastados, mas a medida que a bateria chegava perto ficava claro que o problema envolvia mais a sonorização do que qualquer outra coisa.
Apresentações de domingo na 3ª Cabine: Philipe Galdino
Unidos da Tijuca: 9,9
Julgador: “Pequeno desencontro rítmico no final da bossa após “quem conduz é o pai maior”.
Freddy Ferreira: O jurado alegou um desencontro rítmico no fim da bossa do início da segunda do samba, apontando o trecho em que evidenciou o desconforto sonoro. Trata-se de uma convenção com tapas chapados ritmados, que possui um final musicalmente desafiador. A penalização mínima levou em conta a conclusão envolvendo pressão dos surdos junto com os demais naipes. Vale mencionar que o som da Avenida durante a passagem da bateria da Unidos da Tijuca de mestre Casagrande no segundo módulo estava inconstante, impactando negativamente na musicalidade apresentada pela “Pura Cadência”.
Apresentações de segunda-feira na 1ª Cabine: Rafael Barros Castro
Viradouro: 9,9
Julgador: “A agremiação apresentou sua bossa com poucos elementos criativos sendo penalizada dentro do critério de criatividade. Apesar da publicação no abre alas dos possíveis padrões e celulas rítmicas que poderiam ser utilizados, o arranjo musical careceu de elementos para valorizar a cadência mantida pela bateria de mestre Ciça”.
Freddy Ferreira: Infelizmente, a bateria da Unidos do Viradouro fez uma apresentação apressada no primeiro módulo, sem o tempo de preparo necessário para poder realizar os arranjos sem se preocupar em se locomover, para não abrir buraco e comprometer a evolução da escola. Mesmo com a mudança expressa no regulamento, que permite a avaliação com os ritmistas andando, às vezes consequências sonoras ou envolvendo escolhas musicais acontecem. A primeira bossa só começou a ser realizada quando metade da bateria “Furacão Vermelho e Branco” já havia passado do módulo 1. Ainda houve a realização de uma segunda bossa, também em movimento, mas longe do campo visual dos jurados de bateria, que estavam no começo da cabine e não no final. Cabe ressaltar que a paradinha mais musical, envolvendo os timbales no refrão do meio foi simplesmente um sucesso nos outros dois módulos, onde a bateria de mestre Ciça teve tempo suficiente para consolidar seu ritmo da maneira apropriada. Vale, inclusive, uma recomendação aos julgadores pleitearem junto à Liesa: os jurados do primeiro módulo do quesito bateria deveriam necessariamente serem os últimos da cabine, para ampliar o máximo possível seu poder de percepção sonora e visualização da parte de trás do ritmo, culturalmente chamado de “rabo da bateria”.
Unidos do Viradouro: 9,9 (cabine 2)
Julgador: “Na convenção rítmica apresentada no módulo na entrada do último refrão com a bateria se deslocando e sem a marcação dos surdos, houve um desajuste ao som chegado na cabine do julgador do naipe de caixa”.
Freddy Ferreira: A justificativa do julgador tem fundamento, já que a apresentação da bateria da Viradouro no primeiro módulo ocorreu andando, o que propicia desajustes sonoros em arranjos musicais. Vale ressaltar que esse trecho inicial da Avenida possui o som mais inconstante e irregular, infelizmente. Inclusive, a caixa do lado direito da pista em frente ao módulo ficou ligada durante a apresentação na cabine, dificultando a percepção sonora integral do ritmo da “Furacão Vermelho e Branco” de mestre Ciça, principalmente após uma retomada em movimento.
Apresentações de segunda-feira na 3ª Cabine: Philipe Galdino
Portela: 9,9
Julgador: “Aceleração súbita da pulsação na execução dos breques em “ser Portela é tanto mais”, comprometendo a exatidão da divisão rítmica”.
Freddy Ferreira: O jurado argumentou em sua justificativa que a aceleração repentina na pulsação rítmica acabou comprometendo a exata divisão rítmica na bateria da Portela, de mestre Nilo Sérgio. Significa que, segundo o julgador, a divisão silábica da música acabou sendo congestionada por um volume de informação musical expressivo, em particular com os surdos. É a justificativa que segue a linha mais conceitual e subjetiva, deixando a técnica musical um pouco de lado, para transformar a avaliação também numa análise sobre um julgamento em cima da integração dos arranjos com o samba-enredo. Quanto mais fluída e encaixada a convenção estiver na canção, menor será o problema envolvendo oscilação de pulsação rítmica, portanto. É uma justificativa que vai de acordo com a bela sugestão da jurada Mila Schiavo nas observações finais, que pode ser lida abaixo. A julgadora salientou sobre a necessidade de rever o manual do julgador de bateria visando maiores desafios e talvez um ponto a ser modificado seja exatamente a avaliação da integração musical envolvendo a sonoridade das bossas em relação ao samba-enredo.
Vila Isabel: 9,9
Julgador: “Aceleração súbita da pulsação na bossa da segunda parte do samba”.
Freddy Ferreira: Mais uma vez uma justificativa que avaliou a pulsação rítmica acelerando para consolidar a paradinha da segunda do samba, em ritmo de Galope com o luxuoso auxílio dos surdos. Mas existe uma diferença conceitual entre as duas análises que merece uma ressalva importante. Embora a pulsação rítmica de fato dê uma acelerada na bossa em ritmo junino, seu impacto musical na escola no que tange a canto e dança foi tremendo. Sendo possível perceber, inclusive, a agremiação literalmente pulsando pela pista de desfile nesse trecho. Isso com um samba-enredo que sofreu penalizações do júri, mas com a “Swingueira de Noel” garantindo passagens sem descontos de décimos em bateria e harmonia, o que garante um acerto conceitual notório nos quesitos melódicos-harmônicos. No jargão popular, a bateria da Unidos de Vila Isabel de mestre Macaco Branco “salvou o samba”, principalmente pela paradinha com levada junina. É importante, portanto, que as análises mais conceituais tenham padrões de julgamentos com melhor definição, ainda mais levando em conta um nível cada vez mais exemplar dos ritmos cariocas. Avaliar a integração de bossas com a música é importante, bem como deixar bem alinhado de que forma isso vai ocorrer também acaba sendo vital para que mestres e diretores saibam de forma clara até onde a criatividade pode ir.
Observações finais de domingo: Rafael Barros Castro
“Aos mestres e suas respectivas equipes todo meu respeito e admiração pelo trabalho incansável na busca de um resultado musical de excelência. Com o intuito de contribuir para o aprimoramento de todas as agremiações gostaria de destacar aspectos que considerei relevantes em algumas apresentações:
– Império Serrano: o desenho rítmico dos agogôs e a manutenção segura e precisa da cadência do samba.
– Grande Rio: o andamento confortável mantido do início ao fim e também as bossas muito bem executadas, em especial pelo naipe de tamborins.
– Mocidade Independente de Padre Miguel: a manutenção da boa cadência impressa pela agremiação ressaltando o swing característico das caixas, o espetacular naipe de tamborins e a excelência das terceiras (marcação), e do naipe de agogôs.
– Mangueira: a cadência escolhida possibilitou o referido destaque dos toques afro e favoreceu o desfile da agremiação. Parabenizo o naipe de agogôs pela excelente apresentação, bem como os tamborins e timbaques.
Observações finais de segunda-feira: Rafael Barros Castro
“Novamente venho render uma respeitosa homenagem aos mestres e e suas respectivas equipes, pelo trabalho dedicado e primoroso realizado com afinco ao longo de um ano de trabalho intenso. Destaque para:
– Paraíso do Tuiuti: precisão do naipe de chocalhos / andamento regular / repiniques na bossa do primeiro refrão.
– Imperatriz Leopoldinense: excelente equilíbrio / equalização dos naipes, ousadia apresentada durante as bossas.
– Beija-Flor: naipe de frigideiras, musicalidade e precisão dos graves (surdos), durante as convenções.
Obs: iniciar com andamento muito acelerado para “depois” ajustar, pode ser um risco que torna o desfile tenso, por isso deve haver uma atenção redobrada quanto à cadência desejada.
Observações finais: Ary Jayme Cohen
“Deixo aqui o meu parabéns a todos os mestres e seus comandados que realizaram um trabalho de extremo bom gosto sonoro e complexo, em especial ao estreante no grupo mestre Vitinho que foi um gigante perto de tantas “feras”, medalhões já consagrados e, o belíssimo trabalho dos mestres Taranta e Rodrigo que colocaram o sarrafo da bateria da Mangueira lá em cima. Obrigado também a todo staff da LIESA que nos acompanhou de ponta a ponta cuidando de todos os detalhes com uma equipe além de super prestativa, educada e amiga. Que venha 2024″.
Observações finais de domingo: Philipe Galdino
“Não posso deixar de passar em branco o ocorrido com o carro de som da Unidos da Tijuca que largou com 164 BPM!!! Pensei que iriam tocar Frevo ao invés de Samba. Não consigo entender esse tipo de decisão. Tão logo a “Pura Cadência” entrou, o andamento despencou subitamente para 150 BPM, gerando um resultado totalmente anti-musical. É necessário que as escolas repensem essa prática, em empolgação não precisa ser correria, o samba agradece. Tal como a coirmã tijucana, a “NEMQ” largou muito acelerada, sacrificando o naipe de caixas e comprometendo a execução da levada. Totalmente desnecessário e fora das características da bateria da Mocidade. Gostaria de deixar registrado que houve problema sério no som da Avenida nos desfiles da Unidos da Tijuca e do Salgueiro”.
Observações finais de segunda-feira: Philipe Galdino
“É necessário que os mestres tenham cuidado especial no trabalho de manutenção do andamento na execução das bossas. Mudanças súbitas são geralmente anti-naturais e quebram o fluxo musical. Parabéns a todos os mestres, diretores e ritmistas por mais esse grande Carnaval. Gostaria de destacar as terceiras da “Furiosa”, terceiras da Tijuca, naipe de tamborins da Mangueira (todos com muita virtuosidade, mas sem perder a musicalidade), naipe de chocalhos do Tuiuti e um destaque também para a “Swing da Leopoldina” pelo conjunto do trabalho (muito entrosamento, criatividade e musicalidade). Um excelente 2023 a todos”.
Observações finais de domingo: Mila Schiavo
“Todas as baterias pararam em frente ao módulo, mesmo não sendo obrigatório e realizaram bossas. Todas receberam nota máxima pelo desfile. Observação: 1- Império: o agogô estava muito alto no mix do som na Avenida, abafando o som. 2 – Mocidade: o andamento começou acelerado (150 BPM) e caiu para 138. Como não ocorreu em frente ao módulo não houve penalização. 3 – Tijuca: o andamento começou em 164 BPM e caiu para 150. Por ter sido distante do módulo não houve penalização. Durante o desfile a escola teve problema com o som e essa questão foi relatada para a equipe de som! Tudo foi resolvido. 4 – Mangueira: parabéns pelo desfile e pela descrição das bossas no abre alas”.
Observações finais de segunda-feira: Mila Schiavo
“Todas as baterias pararam em frente ao módulo, mesmo não sendo obrigatória a parada. Foram realizadas bossas e todas as escolas receberam a nota máxima pelo desfile. Observações: 1- Tuiuti: não veio inscrito no abre alas o timbal. 2- Parabéns a Portela. 3- Vila Isabel: caixa do lado esquerdo do módulo não foi desligada. 4- Imperatriz: caixa do lado esquerdo do módulo não foi desligada. O julgador acredita que o manual de bateria deveria ser revisto, de forma a trazer novos desafios a todos os participantes. Obrigada e qualquer dúvida estou a disposição”.
Conclusão do colunista Freddy Ferreira:
A árdua missão de julgar a excelência musical das baterias das escolas de samba do carnaval carioca foi concluída com honras e méritos, por um júri que respeitou o segmento e enobreceu os ritmos apresentados. Na última cabine foram apresentados simplesmente os maiores espetáculos musicais, sem contar que era o trecho da pista de desfile onde o som estava mais constante e de certa forma seguro. Para quem critica de maneira errônea e indevida o fato da julgadora Mila Schiavo ter dado nota máxima a todas as baterias, fica o registro de que ali naquele módulo os ritmos fluíram a ponto da imensa maioria se exibir de maneira primorosa. Isso sem contar o fato de que as observações finais da referida jurada foram profundamente coerentes e principalmente sensatas, incluindo uma sugestão pra lá de pertinente de alteração do manual do julgador em prol de maiores desafios musicais.
Um total considerável de três julgadores alertaram nas considerações sobre o movimento anti-musical de iniciar o desfile de forma acelerada para deixar o ritmo assentar depois, até encontrar a cadência desejada. Vale atenção das baterias em relação a isso no próximo carnaval e mais ainda das escolas que não possuem o cargo de direção musical em avaliarem com carinho essa alternativa.
Na justificativa de Vila Isabel, Portela e na observação final, o julgador Philipe Galdino dissertou sobre a importância de uma atenção especial com variações de andamento e pulsação rítmica em bossas, pois geram quebra do fluxo da música, sendo anti-naturais. Esse fato aponta para uma necessidade da revisão do manual do julgador, como salientou de forma pertinente Mila Schiavo. Talvez um caminho seja avaliar também a integração dos arranjos em relação ao samba-enredo, mas com parâmetros bem definidos e alinhados.
Aproveito a oportunidade para exaltar todos os elogios aos naipes ou apresentações que cativaram os julgadores. O jurado Rafael Barros Castro fez uma análise das peças que mais lhe encantaram, sendo digno de menção positiva. Philipe Galdino também passou de forma mais geral o que lhe impressionou, bem como o julgador Ary Jayme Cohen comprovou textualmente a evolução rítmica da bateria da Mangueira do estreante Taranta Neto em dupla com Rodrigo Explosão e deu boas vindas a grande estreia do premiado mestre Vitinho no grupo especial, em meio a tantas feras consagradas. Esses apontamentos são vitais para que mestres e diretores tenham um feedback que pautem o trabalho musical a ser desenvolvido para o próximo desfile, levando em conta o que deu certo aos olhos do jurado, que acaba servindo como um verdadeiro e autêntico mediador nesse processo constante de desenvolvimento rítmico.
A Mancha Verde, que conquistou dois títulos do Grupo Especial, em 2019 e 2021, foi vice em 2020 e 2023, é uma das escolas que mais pedem ajustes no critério de julgamento do carnaval paulista. Por meio do seu presidente, Paulo Serdan, sempre bem ativo no carnaval, revelou que mudanças acontecerão através da Liga-SP.
Foto: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO
“Mudanças vão existir, conversamos bastante com o Sidnei, o presidente da Liga, ele mais do que ninguém, entende que tem que ter mudanças, e mudanças vão existir. O importante é isso, é a gente repensar algumas coisas de critério de julgamento, que isso é importante, o critério de julgamento. Dizer que a Liga não faz treinamento, não passa, é mentira, estamos lá, acompanhamos isso, a gente é a liga. O que esperamos é que tenha um quadro de jurados que consiga entender o critério e colocar em prática”.
Análise do resultado, crítica aos jurados e trabalho para 2024
Em meio da sua rede social, Paulo Serdan reclamou bastante das notas que fizeram a Mancha ficar com o vice-campeonato do carnaval de 2023. Antes do desfile das campeãs, deu um discurso mais ameno. Mas em conversa com o site CARNAVALESCO, explicou um pouco da sua revolta, sem deixar de elogiar sua escola e dizer também de uma adversidade vivida pela escola no sábado.
“Fizemos um grande desfile, com o tempo muito adverso, muito complicado com a chuva que foi a noite inteira. Não foi só para a Mancha, lógico, mas estou falando da minha escola. Muito difícil, só percebe mesmo a intensidade depois quando você assiste, e vê os vídeos. Na hora estava de sangue quente, e se tivesse passado em uma noite como essa (dia dos desfile das campeãs), o desfile teria sido ainda melhor. Possivelmente algumas notas, ou não, aí depende muito do caráter do jurado, capacidade intelectual dele”.
Completando sua análise em relação ao critério de julgamento, Serdan falou: “A jurada de evolução por exemplo, julgou nossa ala de convidados, ela prende, tipo a cartilha ‘caminho suave’, e ela conseguiu errar isso. O jurado de mestre-sala também, mas já passou, já era. Estamos pensando em 2024, já temos dois enredos, devemos definir essa semana com qual linha vamos. O time continua o mesmo, e trabalhar, pois o carnaval é muito cedo, 9 de fevereiro, então temos que antecipar”.
Vale citar que Serdan frisou bastante na renovação da equipe, mas dias depois, o mestre Guma Sena, deixou o comando da bateria ‘Puro Balanço’, a princípio escolha do próprio profissional. A Mancha Verde não anunciou oficialmente substitutos, mas a dupla Cabral e Viny, diretores durante o comando do Guma, devem assumir o quesito.
Crescimento da Mancha nos últimos anos
Desde o retorno ao Grupo Especial, a Mancha Verde tem sido uma grande força de fazer carnaval, terceiro lugar em 2018, depois vice e campeão. Ou seja, um trabalho que tem sido bem respeitado pelas co-irmãs e Paulo Serdan contou um pouco do que mudou na comunidade para virar uma potência do samba.
“Desde 2017, que voltamos do Acesso, em 2016 caímos. Aprendemos e entendemos o inferno que é o Grupo de Acesso, resolvemos trabalhar um pouco mais, entender um pouco mais. Fizemos mudanças em dia de ensaio nosso, ensaiamos sábado, com show, então assim. Você tinha uma quadra com 6, 7 mil pessoas, mas ensaio de verdade não conseguia fazer. O ensaio começava mais tarde, depois do show, e aí, não conseguia aproveitar tecnicamente. Fomos fazendo uma série de mudanças, entendendo uma série de situações, e isso mostra que estávamos certo na evolução da escola desde 2018”.
Em carta encaminhada ao vice-presidente executivo e ao presidente do conselho fiscal e deliberativo, Leziário Nascimento renunciou ao cargo de presidente da Estácio de Sá.
Foto: J.M.Arruda/Divulgação Estácio
No documento, ele diz que “faz por razões de caráter pessoal e por acreditar que já ofereceu tudo que estava ao seu alcance para o engrandecimento da escola”.
“A alternância na condução da agremiação é o melhor caminho para que a Estácio de Sá continua a sua história de sucesso no mundo do samba. Somente uma nova administração será capaz de promovar a necessária modernização da escola, a fim de quem num futuro próximo estejamos de volta à elite do carnaval carioca”, encerra Leziário.
A Mocidade Independente de Padre Miguel informou através das suas redes sociais que Marquinho Marino não segue como diretor de carnaval para o desfile do ano que vem. Segundo a escola, a decisão foi em comum acordo.
“Informamos que,em comum acordo com a diretoria da Mocidade, Marquinho Marino não integra mais o cargo de diretor de carnaval. Ressaltamos o profundo respeito e a gratidão pela pessoa e pelo profissional, que ao longo dos últimos anos dedicou tempo e talento à Estrela Guia”.
Na quarta-feira de cinzas, após a apuração, aequipe do site CARNAVALESCO conversou com exclusividade com o diretor de carnaval Marquinho Marino. Ciente do trabalho que foi feito durante o ano, que culminou num desfile muito criticado, Marino pediu desculpas ao torcedor Independente.
“Nós precisamos respeitar o componente e o torcedor da Mocidade. Temos que pedir desculpas. Existe todo um trabalho em conjunto da escola. Quando um ganha nota, todos ganham. Quando um perde, todos perdem também. Não é o momento de questionar nada, nós já esperávamos uma posição muito ruim. Nem pelo desfile em si mas também pela temporada inteira que a escola passou. Foi muito difícil em todos os sentidos. Não tenho o que discutir. Nós temos quesito, temos chão e uma comunidade apaixonada. O jeito é trabalhar mais e mais. Ficou provado que a gente precisa de mais investimento, está posto para todo mundo”, disse Marino na época.
Por mais um ano, a Beija-Flor de Nilópolis voltou a desfilar no sábado das campeãs, a quarta colocação no desfile deste foi considerada pelo presidente Almir Reis como justa, segundo ele, a azul e branca de Nilópolis fez um grande desfile, mas cometeu falhas que a distanciou da briga pelo título. Almir afirmou que concorda com a maioria das notas e aproveitou para parabenizar a Imperatriz Leopoldinense.
Foto: Allan Duffes e Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO
“Pra mim, a gente fez um belo desfile. Erramos em algumas partes pontuais. Os jurados na grande maioria, acredito que 90% estou de acordo, hoje o carnaval é isso, todo mundo com sarrafo lá em cima, quem pecar menos tende a ganhar. A única nota que eu não consigo aceitar é a Selminha (casal de mestre-sala e porta-bandeira receberam 10, 10, 9.9 e 10), não tem condições, de maneira alguma, aquilo ali é escandaloso. Fora isso, faz parte, estou muito feliz pela campeã, fez por onde, fez por merecer, agora é tentar no ano de 2024”.
Dudu Azevedo, diretor de carnaval da Beija-Flor, segue a linha de Almir e acredita que o resultado foi justo visto que a escola não conseguiu entregar a proposta por completa, ele diz ainda que vai olhar para dentro da escola e lutar para que o título no próximo carnaval vá para Nilópolis.
“A Beija-Flor veio para avenida com uma proposta de um desfile ainda mantendo aquele gigantismo, a gente não conseguiu entregar tudo que a gente gostaria e por isso estamos em quarto lugar, vamos olhar para dentro agora, acertar, consertar para que em 2024 o título venha pra Nilópolis”, disse Dudu.
Dudu diz que críticas são bem-vindas. Segundo o diretor, a escola está no caminho certo para buscar o título.
Foto: Allan Duffes e Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO
“O mais importante é a gente está hoje aqui, nossa comunidade veio em peso, foram mais de 50 ônibus, a comunidade veio, a comunidade abraçou, cobrou com razão, que essa comunidade é quem vai toda quinta-feira e conversa com a gente, claro que a Beija-Flor tem torcedores no Brasil inteiro que podem naturalmente ter suas opiniões, mas sem ataques, sem algo desproporcional ao que é respeitar a arte do profissional. A Beija-Flor está no caminho de buscar o título, aqui não tem terra arrasada, o time que tira em décimo primeiro, é o mesmo time do campeonato, é a nossa missão. Estamos muito felizes pelo prêmio de melhor harmonia (prêmio Estrela do Carnaval, oferecido pelo site CARNAVALESCO), é mérito total da comunidade, eles merecem”, finalizou o diretor.
O Império da Tijuca anunciou a saída do carnavalesco Ricardo Hessez. Veja abaixo a publicação.
“A vida é um ciclo, e hoje agradecemos o apoio e empenho nesse último ano do nosso querido Ricardo Hessez. Todo sucesso sempre Ricardo, nós seremos sempre gratos pelo seu trabalho e dedicação”.
O carnavalesco também fez sua publicação de despedida: “Império da Tijuca, eu me encontrei no batuque verde e branco! Sempre esperei pelo momento em que estrearia na Sapucaí e fazer isso no Primeiro Império do Samba será motivo de extremo orgulho para sempre durante a minha trajetória.
Foi especial, e foi com diversos desafios, limites e um eterno exercício de criatividade. No Império da Tijuca, pude exercer a profissão de carnavalesco por completo. Desenvolver narrativas, pesquisar referências, pensar estéticas, colocar a mão na massa em cada alegoria.
Vendo o resultado que alcançamos na avenida, saio da escola mais que satisfeito. Tudo valeu a pena para que proporcionássemos a esse povo um lindo e competitivo desfile. Sonhamos e realizamos!
Infelizmente, não daremos continuidade a essa parceria, mas minha torcida será eterna!
Por tantas experiências, sou só gratidão e carinho! Obrigado à presidência, Júnior Pernambucano, diretoria e a todos os segmentos que compraram nosso barulho e apostaram em um jovem talento. Que as cores do axé sigam no coração de cada um”.
Além disso, a agremiação revelou a renovação com o casal de mestre-sala e porta-bandeira Renan Oliveira e Laís Lúcia para o Carnaval 2024.
Em comemoração aos 45 anos da Porto da Pedra, campeã da Série Ouro do Carnaval do Rio de Janeiro 2023, a feijoada do Tigre será realizada no próximo sábado. Em celebração a mais um ano e ao retorno a elite do carnaval do Rio de Janeiro, a Unidos do Porto da Pedra promete uma festa repleta de atrações e muito samba.
Além da feijoada em comemoração ao aniversário da escola, o evento contará também com a apresentação de todo o elenco da escola para o Carnaval 2024, e as atrações ficarão por conta dos Grupos Sambaí, Vem Pro Meu Ritmo e o DJ Barra.
Serviço:
Feijoada do Tigre com a apresentação de todos os segmentos da escola para 2024
Atrações: Shows da Bateria Ritmo Feroz, Grupos Sambaí, Vem Pro Meu Ritmo e DJ Barra
Dia: 11 de Março (sábado)
Horário: a partir das 13h
Local: Travessa João Silva, 84, Porto da Pedra
Ingressos: Entrada Franca até as 17h
Mesa: R$ 80,00 (4 pessoas)
Camarote R$ 300,00 (15 pessoas)
Reservas de mesas: (21) 98531-5102
Pela décimo quarto carnaval, o “Roteiro dos Desfiles” fez parte de mais um espetáculo das escolas de samba do carnaval carioca. O livreto, organizado pela Cia Multiplicar, é o companheiro inseparável de quem vai acompanhar os desfiles ajudando a definir algumas alas, carros e fantasias que muitas vezes não são tão fáceis de entender. Há aqueles que gostam de olhar do início ao fim da apresentação da escola como é o caso da advogada Glaucenira Costa que veio com a família para assistir o desfile das campeãs.
“Eu gosto de ver a publicação de cada carro, o que representa, se a escola vem fiel ao enredo que se propôs, e também gosto de cantar junto com a escola. Estou até um pouco rouca de tanto cantar. Cada escola que passa eu vou cantando o samba. Costumo olhar, pois o roteiro está muito bem explicado. É o melhor lugar para ver o desfile”, acredita a advogada.
Vinícius Ribeiro, que trabalha com tecnologia da informação, também gosta de acompanhar e relembrar qual enredo cada escola vai trazer.
“Eu costumo olhar o desfile todo no Roteiro dos Desfiles, gosto de olhar o enredo porque são muitas escolas, eu acabo confundindo, dou uma olhada no guia e na letra também. Acaba que tem hora que a Sapucaí está explodindo, está estourando, o samba te leva, e você não sabe a letra, tem que dar uma colada ali”, explicou Vinícius.
Já Rafael Prevot, publicitário, acredita que a publicação ajuda a definir o que é cada coisa no desfile.
“Eu costumo dar uma olhadinha no roteiro, principalmente, quando eu não sei o que significa alguma coisa. Eu consigo me guiar muito bem por ele. Ele tem bastante informação, sempre completo. Acho que ele ajuda a dar uma definição ao desfile, ajuda a deixar mais claro”, concluiu.
Flávia Rinaldi, que trabalha com teatro, gosta de ver principalmente a letra dos sambas para ajudar a animar o clima do desfile.
“Eu costumo acompanhar principalmente a letra do samba, eu acho que ajuda a animar aqui e eu adoro ler quem são as pessoas que estão envolvidas nas escolas, os artistas”, conta a foliã.
A disputa pela organização da Série Ouro recebeu duas posições claras. De um lado a atual gestão da Liga-RJ, sob direção de Wallace Palhares, e, de outro lado, a fala crítica de Jorge Perlingeiro, presidente da Liesa, sobre os desfiles de sexta e sábado na Marquês de Sapucaí, apontando diversos problemas estruturais, principalmente, em relação ao horário de término dos desfiles na Avenida.
Foto: Divulgação
“Acho que a Liga-RJ tem sua direção. Fiz crítica como sambista e não presidente da Liesa. Tem que melhorar e muito o acesso. Dentro de todas limitações que possuem, eles precisam dar qualidade de espetáculo, não podem terminar os desfile às 8h30, como fizeram no sábado. O povo merece ser respeitado. Não vou interferir na organização deles. Lá atrás fiz sugestão ao Guimarães (Capitão, ex-presidente da Liga) para Liesa ter o comando da divisão do acesso. Tem cinco ou seis anos que todo mundo já sabe quem vai ganhar. Tem que ganhar com referendo popular. Precisam melhorar muito o carnaval para poder ter dignidade para apresentar o carnaval”, disse Jorge Perlingeiro para Rádio Arquibancada, durante a apuração do Carnaval 2023.
Durante a transmissão dos desfiles da “Nova Intendente”, o presidente da Liga-RJ, Wallace Palhares, respondeu sobre a possibilidade da Liesa assumir os desfiles da Série Ouro.
“Isso aí (Liesa assumir a Série Ouro) uma sandice sem tamanho. São duas entidades distintas. Com o corpo de associados eleitos democraticamente. Essa posição não foi da Liesa, mas de uma pessoa somente. Sinceramente, está faltando respeito e digo que como presidente essa pessoa é um ótimo leitor de notas. A gente não vai entrar nessa polêmica com a Liesa, continuamos firme com a Liesa, temos uma parceria muito sólida e boa”, garantiu Palhares.
Nos bastidores do carnaval, antes dos desfiles de 2023, surgiu a possibilidade da Prefeitura do Rio assumir o corpo de jurados, porém nada aconteceu. Agora, já é especulada a possibilidade de não ser paga a subvenção para Série Ouro em 2024, enquanto não houver uma mudança no Acesso. Apesar da especulação, em nenhum momento, o pode público municipal sinalizou abertamente a intenção de assumir o júri do carnaval da Série Ouro.