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Cubango lança sinopse e define regras para disputa de samba-enredo

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A Acadêmicos do Cubango já definiu as regras do seu concurso de samba-enredo para o Carnaval 2024. Com o enredo desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad, Leonardo Bora, Thayssa Menezes, Theo Neves, Sophia Chueker, Jovanna Souza, Joanna D’arc Prosperi e Rafael Gonçalves, a Verde e Branca de Niterói levará para a Intendente Magalhães o enredo “Os pássaros da noite e os segredos das criações”. O concurso é aberto para todos os compositores e a parceria vencedora da disputa levará o prêmio de R$ 20 mil. A entrega oficial da sinopse foi no último dia 25 de Julho, na quadra da Acadêmicos do Cubango, na Rua Noronha Torrezão, número 560.

cubango enredo2024
Foto: Divulgação

A Acadêmicos do Cubango já definiu as regras do seu concurso de samba-enredo para o Carnaval 2024. Com o enredo desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad, Leonardo Bora, Thayssa Menezes, Theo Neves, Sophia Chueker, Jovanna Souza, Joanna D’arc Prosperi e Rafael Gonçalves, a Verde e Branca de Niterói levará para a Intendente Magalhães o enredo “Os pássaros da noite e os segredos das criações”. O concurso é aberto para todos os compositores e a parceria vencedora da disputa levará o prêmio de R$ 20 mil. A entrega oficial da sinopse foi no último dia 25 de Julho, na quadra da Acadêmicos do Cubango, na Rua Noronha Torrezão, número 560.

Conheça a regra das disputas:

1. Só será permitido o número máximo de 10 compositores por samba (já incluso participação especial);

2. A entrega dos sambas será no dia 28 de Agosto de 2023 das 19h às 23h, na quadra do Acadêmicos do Cubango, Rua Noronha Torrezão – 560;

3. Apresentação dos sambas – 01 de Setembro de 2023 às 22:00h, na quadra do Acadêmicos do Cubango;

4. No dia da inscrição do samba, serão exigidas: 10 letras impressas, um arquivo (MP3) com a gravação do samba, e uma taxa de R$ 50 reais por compositor;

5. Ficam expressamente proibidos fogos de artifícios no interior e na parte de fora da quadra;

6. Em caso de brigas ou atitudes que venham “manchar” a imagem da agremiação, o(s) compositor(es) responsável(eis) poderá(ão) ser afastado(s) e ter o(s) seu(s) samba(s) eliminado(s);

7. Serão distribuídos, para cada obra, 50 ingressos, em toda a semana que antecede as disputas. Esses só terão validade até as 23h;

8. Haverá uma limitação em relação a quantidade de músicos e cantores: 4 Cantores, 3 cordas e um atabaque – necessário solicitar com antecedência. É proibido qualquer outro tipo de percussão. Sendo assim, haverá, somente, o pedal da agremiação;

9. Todas as obras inscritas deverão adquirir 10 baldes de cerveja, no bar da agremiação, a cada semana da disputa;

10. O samba campeão do concurso poderá sofrer alterações, em letra e/ou melodia, de acordo com a necessidades da diretoria da agremiação;

11. No dia da entrega no samba, 28 de agosto de 2023, cada parceria gravará conteúdos com a equipe de comunicação da Agremiação, que serão postados nas redes sociais;

Leia abaixo a sinospe do enredo “Os pássaros da noite e os segredos das criações”

Elas não são boas nem más.
Elas são o que são.
Elas são o poder.
Elas são o poder, a energia e a força.
Elas são o segredo.
(Iyá Ajé)

Ìyámi, minha Mãe, o mistério será preservado!
Sob as suas asas sagradas repousa o segredo das criações.
És a faísca geradora de tudo e a existência essencial para a manutenção da vida.
Somos todos seus filhos e filhas.
O princípio feminino é, genuinamente, a gênese da preservação do mundo, o ventre-mãe.
Nos primórdios de tudo, Oduduwá: a grande divindade materna e o útero ancestral da Terra.
O segredo criacional do Aiyê se dá pela mística e pela força feminina do (re)criar, fertilizar e transformar.
Entre máscaras e danças, o secreto ritualizar de uma sociedade tradicionalmente mulherista, Gèlèdé.
Sem o poder gerador das mulheres, a humanidade não tem continuidade.
Carnavalizamos o fazer vital das manifestações femininas, do coletivo gerador de energia que, rodando, dançando e cultuando, nos ensinam sobre as suas próprias dinâmicas de existência: Candomblés.
Salvador, o primeiro barco cruza a calunga e nascem os primeiros filhos da dinastia de três mães e a linhagem-matriz de uma afrosofia matriarcal e coletiva.
Nossa Senhora da Boa Morte, rogai por nós!
É nas irmandades femininas oriundas da Bahia que encontramos as estratégias de sobrevivências incrustadas nas tecnologias de reverenciar e preservar o sagrado que existe por trás de tudo o que foi criado.
O recomeço se faz na iniciação – nascer pro Orixá é se reconectar com o continente mãe, volte e pegue.
Mães Baianas, o baobá da criação, saberes e sabores no tabuleiro
daquelas que tudo nos ensinaram.
Tia Ciata gestou em seu quintal um solo fértil de memórias e fundamentos.
Semba que o samba é reza, rito, festa e Carnaval.
Cubango, um terreiro assentado por mãos e mães.
A primeira bandeira foi tecida por fios de contas e batizada por aquelas que jogam pipocas pra São Lázaro.
O Morro do Abacaxi, o chão vermelho de terra batida e a procissão inicial do padroeiro, Atotô!
Tudo isso nos permite reconstruir o imaginário de mães fundadoras.
Viver é partir, voltar e repartir!
Cubango é cabaça ancestral e também a nossa filha!
Aqui será (re)construída a história!

Pesquisa: Gabriel Haddad, Joana D’Arc Prósperi, Jovanna Souza, Leonardo Bora, Rafael Gonçalves, Sophia Chueke, Thayssa Menezes, Theo Neves
Texto: Thayssa Menezes
Enredo tecido a partir do diálogo com fundadores, baluartes e sambistas do GRES Acadêmicos do Cubango, a quem pedimos a bênção.

Referências Bibliográficas
ALMEIDA, Acácio; REGINALDO, Lucilene. Irmãs da Boa Morte: Senhoras do Segredo. In: Anais do 4.º Congresso Afro-Brasileiro (1994), Recife, PE: FUNDAI, Editora Massangana, 1996, p. 98-110.
ALMEIDA, Angélica Ferrarez de. A tradição das tias pretas na Zona Portuária: por uma questão de memória, espaço e patrimônio. Dissertação de Mestrado defendida no Programa de Pós-Graduação em História Social da Cultura da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), 2013.
AZEVEDO, Vanda Alves Torres. Íyàmi: símbolo ancestral feminino no Brasil. Dissertação de Mestrado defendida no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2006.
CORREIA, Sandro dos Santos. A importância das mulheres do candomblé no desenvolvimento de Cachoeira, BA. In: Odeere: revista do Programa de Pós-Graduação em Relações Étnicas e Contemporaneidade – UESB. Ano 2, n. 3, v. 3, 2017.
NOVAES, Luciana de Castro Nunes. As panelas das Feiticeiras: uma etnografia do segredo e ritual de Iyami no Candomblé. Dissertação de Mestrado defendida no Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Estudos Étnicos e Africanos da Universidade Federal da Bahia, 2012.
OYĚWÙMÍ, Oyèrónkẹ́. A invenção das mulheres: construindo um sentido africano para os discursos ocidentais de gênero. Tradução de Wanderson Flor do Nascimento. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.
SILVEIRA, Renato da. O Candomblé da Barroquinha. Processo de constituição do primeiro terreiro baiano de Keto. Salvador: Maianga, 2006.
THEODORO, Helena. Mito e espiritualidade: mulheres negras. Rio de Janeiro: Pallas, 1996.
WERNECK, Jurema. Samba segundo as Ialodês: mulheres negras e cultura midiática. Tese de Doutorado defendida no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2007.

Com valores mais viáveis para compositores, Grande Rio privilegia disputa de samba e não de parcerias

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A Grande Rio recebeu onze sambas que vão concorrer ao posto de hino oficial da Tricolor de Caxias para o Carnaval 2024. Pelo segundo ano consecutivo, o intérprete Evandro Malandro teve a responsabilidade de gravar todas as faixas em disputa. Com a presença das parcerias na quadra, a escola deu início a disputa na presença do presidente Milton Perácio, do presidente de honra Leandro Soares, do próprio intérprete Evandro Malandro, do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Daniel Werneck e Taciana Couto, além do diretor de carnaval Thiago Monteiro e de segmentos da agremiação. * OUÇA AQUI OS SAMBAS CONCORRENTES

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Fotos: Lucas Santos/CARNAVALESCO

O presidente Milton Perácio falou aos compositores sobre a importância do trabalho destes para a escola. “Hoje é o pontapé inicial, hoje é o ponto de partida, e se Deus quiser de um futuro muito promissor, do bicampeonato que estamos atrás. Cumprimento a todos vocês compositores que são a alma de toda a escola de samba. A Grande Rio parte solenemente, grandiosamente em busco do título. Vocês são os poetas, são as pessoas que transcrevem tudo aquilo que nossos carnavalescos botam muita fé. Quero parabenizar os carnavalesco por este enredo. Para escrever um enredo como esse tem que ter talento, e para fazer um samba sobre esse enredo também tem que ter talento”, sentenciou o presidente.

Em mais um ano de inovações na disputa de samba, o diretor de carnaval Thiago Monteiro explicou de forma resumida o que a escola desenvolveu para o concurso que terá a final em 07 de outubro e apresentou os motivos para algumas medidas tomadas pela agremiação.

“O nosso foco é fazer uma disputa de samba e não de parcerias. Para isso a gente quer deixar que até aquele parceiro mais humilde, consiga colocar o samba na Grande Rio sem muitos ônus. A gente destaca alguns pontos. O primeiro é o Evandro Malandro gravando todos os sambas em um preço abaixo de custo de mercado, combinado com a escola. Ele faz igual para todo mundo. Outro ponto, é a proibição dos cantores do Grupo Especial gravarem e se apresentarem na quadra. Isso nivela todos o sambas”, analisa o dirigente.

Thiago Monteiro também destacou questões como distribuição de ingressos, torcida na quadra e valores mais acessíveis das inscrições, além de descontos para compositores da casa.

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“As nossas gravações começam no segundo 20, para a gente evitar muitas introduções, muitas firulas no samba. A gente não proíbe, mas também não incentiva, e está em regulamento escrito que não precisa de clipe, não precisa de torcida na quadra. A parceria que precisar, de quantos ela precisar, a gente vai dar todos os ingressos, todas as parcerias ganham um camarote na quadra para cuidar dessa pessoas. Essas composições, esses formatos, e o número pequeno de apresentações, são quatro apresentações apenas até a final. É uma das disputas mais acessíveis e a taxa de inscrição é de R$ 250 por parceria. E quem colocou samba, e você tiver os cincos parceiros no ano passado assinando em alguma parceria na disputa do ano passado, essa taxa cai para R$ 150. A grande maioria pagou R$ 150 porque são parceiros que vem recorrentemente colocando samba”, revela Thiago.

O diretor Thiago Monteiro finaliza elogiando a safra de sambas e relacionando o bom rendimento dos compositores com o formato de disputa.

“A gente preza muito por não julgar através de comentários da internet. A gente tem todo o respeito, mas luta muito para se abster disso. É importante porque movimenta a bolha, mas a gente está aqui focado no samba. Estamos focados em julgar a qualidade da obra, não na parceria. Acho que esse é um dos fatores que tem feito a gent ter grandes sambas e a safra que chegou aqui, eu saio muito satisfeito, muito feliz com o que foi apresentado, porque acho que esse enredo vai ser representado por um grande samba”, concluiu Thiago Monteiro.

Inscrições para Rei Momo do Carnaval 2024 vão até dia 4 de agosto

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Estão abertas as inscrições para a escolha do Rei Momo e único do Carnaval 2024. O prazo se encerra no próximo dia 4 de agosto e a inscrição é gratuita. Como requisitos, os candidatos precisam ser residentes e domiciliados no Estado do Rio de Janeiro; ter no mínimo 18 (dezoito) anos completos na data da inscrição e ter concluído o ensino fundamental (antigo 1º Grau).

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Foto: Alexandre Macieira/Riotur

O prêmio total dado ao Rei Momo 1º e único será de R$ 45.000 (quarenta e cinco mil reais), além da coroa e a faixa. Para o segundo colocado, o título de Vice-Rei Momo do Carnaval 2024, ganhará um troféu e a quantia de R$ 8.000,00 (oito mil reais).

No ato da inscrição, deverão apresentar cópias acompanhadas dos originais, dos seguintes documentos:

a) Identidade;
b) CPF;
c) Comprovante de residência no Estado do Rio de Janeiro. (do próprio, dos pais ou cônjuge).
d) Certificado ou declaração de escolaridade;
e) Número de inscrição no INSS, PIS, Pasep ou NIT.
f) 01(uma) fotografia nítida e recente de corpo inteiro;
g) Atestado de aptidão física com data recente ao concurso com condições de saúde, que permitam o cumprimento do contrato, caso seja eleito para o mandato;
h) Declaração de próprio punho que reside no Estado do Rio de Janeiro.
i) Declaração de que não é servidor público, Federal, Estadual ou Municipal,

As inscrições serão gratuitas e realizadas no período de 14/07/2023 à 04/08/2023, na Sede da Riotur: Rua Dom Marcos Barbosa nº 02 – 2º andar, Bairro: Cidade Nova – Diretoria de Operações, no horário das 10:00h às 17:00h. O regulamento poderá ser obtido por meio do e-mail: [email protected] ou na Sede da Riotur.

Africanidade e papel da escola de samba na sociedade é destaque em aulas do 1º Simpósio de Enredos – São Paulo

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Carnavalescos de duas das principais escolas de samba do carnaval paulistano deram aulas no 1º Simpósio de Enredos – São Paulo, organizado pela Faculdade Centro Sul-Brasileiro de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação (CENSUPEG) e realizado no Centro Cultural Olido, no último sábado (22). Renan Ribeiro, do Camisa Verde e Branco, e Fábio Gouveia, da Nenê de Vila Matilde, abordaram focos distintos sobre a concepção de uma temática a ser abordada em um desfile. Em comum, além de temas relacionados ao enredo carnavalesco, duas concepções que, além de importantíssimas para escolas de samba, também versam sobre comunidades no geral.

Mais que desfiles

A primeira aula, ministrada por Renan Ribeiro, teve como tema “A relação entre o enredo e a função social da escola de samba”. Abordando, entre outros pontos, o quanto a comunidade é fundamental para uma agremiação obter bons resultados e ter aderência em uma região em um círculo vicioso benéfico, ele começou a abordagem contando a própria história, iniciada na Zona Leste de São Paulo.

Colocando-se como parte de tal relação entre comunidade e instituição, o carnavalesco recorda a própria infância. “Minha escola-mãe é a Nenê de Vila Matilde, e foi lá que eu aprendi como uma escola de samba se relaciona com o seu povo. Tive a sorte de nascer a um quarteirão da escola, e isso me deu essa vivência desde o início, indo escondido, na ala das crianças, em 1997. Desde então eu via como a escola se relacionava com o seu entorno. Fui ritmista, mestre-sala e percorria a escola me metendo em qualquer assunto porque não tinha o que fazer em casa e vivia na quadra”, comentou. Há espaço, também, para certo lamento em verificar que tal situação, hoje, mudou consideravelmente – tal qual a própria sociedade. “Hoje, poucas escolas ainda mantêm com muita firmeza isso. Até existe, mas de forma muito mais superficial – e as comunidades se modificaram muito nesses últimos períodos”, destacou.

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Exemplificando o que dizia, o professor deu detalhes sobre como a Nenê estava inserida na infância. “Todo mundo que desfilava na escola era matildense não ser por ser torcedor da Nenê, mas por morar na Vila Matilde. Isso tinha uma relação afetiva não só para defender a águia e as cores, mas para defender o seu povo. Era para defender o primo que estava na ala da frente, a sua mãe que era da ala das baianas, a prima que era passista, outra pessoa que estava em cima de um carro. Tinha essa conotação muito familiar”, pontuou.

A família, por sinal, rendeu uma situação bastante curiosa na vida de Renan – que, inclusive, o une à atual escola defendida por ele. “Meu pai era Camisa Verde e Branco, ritmista da Furiosa na década de 1980, com o mestre Divino. Ele falava que eu era Nenê porque eu tinha preguiça de pegar o metrô até o final da linha. Isso é muito o espelho da boa rivalidade que existia entre Nenê, Camisa, Vai-Vai e Unidos do Peruche, por exemplo. Foi nesse momento que eu comecei a me interessar pelo quanto o carnaval tinha relações orgânicas”, relatou. Explica-se: a Vila Matilde, bairro da Nenê, fica na Zona Leste de São Paulo, sede de uma das estações da Linha Vermelha do metrô – que, no lado oposto, tem Palmeiras-Barra Funda como estação final, no distrito onde está o Trevo.

Escola de samba em São Paulo e no Brasil

Extrapolando os limites da maior cidade da América do Sul, o professor buscou conceituar o que é uma agremiação carnavalesca, na visão dele. “A escola de samba passou a ser objeto de entendimento como se fosse a célula de um brasileiro, que reúne o poeta que floreia algumas coisas absurdas e a diretora que xinga com a mesma facilidade. Lá é uma zona de paz que convivem prostitutas, evangélicos, macumbeiros, advogados e ladrões de forma muito comum. Todo mundo lá convive com ideias que são muito diferentes porta afora”, detalhou.

Para complementar o pensamento, ele buscou comentar o motivo pelo qual uma agremiação existe. “A escola de samba nasce para dar voz a vozes que falavam e ninguém escutava, para jogar luz em assuntos que ninguém debatia, para mostrar um formato narrativo e de comunicação que pertenciam a pessoas que não tinham acesso à comunicação em larga escala”, comentou.

Para ilustrar de maneira ainda mais completa, uma metáfora foi feita para os alunos. “Um perfume só existe para ser cheirado: se você tira a essência de um perfume, ele não é nada. A essência de uma escola é exatamente a mesma coisa, e a essência de uma escola de samba é a mesma coisa. Essa essência é se comunicar com aqueles que vão participar disso, que produzem e vão degustar isso. Se você tira essa essência, ela deixa de ter motivo para existir e se torna aleatório. O discurso se torna vazio e o desfile se torna desconectado com quem assiste, com quem consome e com quem desfila”, comparou.

Os limites da cidade, entretanto, voltaram a aparecer em outros momentos da apresentação. No primeiro deles, aproveitando um dos tantos ganchos deixados por Sidnei França em aula anterior, ele voltou a relembrar a infância. “Cresci vendo debates de enredo na TV Manchete, e esse universo era distante do carnaval paulistano. A relação das duas cidades com as escolas de samba é muito diferente”, pontuou, ao comparar agremiações carnavalescas nas duas maiores cidades do país.

Invisíveis

Ainda falando da Terra da Garoa, o professor entrou no desfile carnavalizado por ele, com o nome que abre o intertítulo. O vice-campeonato garantiu ao Camisa Verde e Branco, quarto maior campeão do carnaval paulistano, com nove títulos, o retorno ao Grupo Especial – onde, em 2024, não desfilava há doze anos. A constituição do Grupo de Acesso I em 2023 foi o norte para a fala. “O Acesso I em 2023 tinha Vai-Vai, Nenê, X-9 Paulistana… todos estavam de olho, era, até certo ponto, nostálgico. Quando eu, irrequieto, propus esse enredo para a presidente (Erica Ferro), ela me perguntou se não mexeríamos com pessoas que não gostariam tanto assim desse enredo. Foi pensando nessa confusão que eu pensei. Isso, para mim, é a escola de samba funcionando como deveria funcionar: para provocar, para falar sobre coisas que ninguém queria falar”, resumiu.

Aproveitando para criticar a quase obrigatoriedade de visuais luxuosos no atual momento da folia paulistana, Renan relembra a reação de quem viu as alegorias do Trevo na concentração do Anhembi. “Quando o Camisa chega no terreno, com uma estética que não era bonita aos olhos do carnaval de São Paulo, viciado em placas e espelhos, eu sou queimado em praça público. Isso, para mim, é um orgasmo. Não gosto de carro alegórico grande, mas somos condenados a utilizar aqueles trambolhos. Se não fazemos isso, é como se a gente não soubesse fazer. E eu começo o desfile com uma favela com uma porta do tamanho de uma porta e uma janela com tamanho de janela. Eu acho ruim quando o carro é grotesco, gigantesco, paredes imensas e as pessoas se tornam uns pingentinhos”, ironizou.

Por fim, ele próprio deu deixas do processo criativo para cada desfile idealizado por ele. “Eu sou muito angustiado, minha cabeça é caótica. Eu começo a entender qual o papel de um carnavalesco e começo a mirar nisso: um dia, quero criar algo e fazer com quem as pessoas entendam como eu entendo o que chega na minha cabeça”, finalizou.

Viagem pela história

A aula seguinte foi ministrada por Fábio Gouveia, carnavalesco da Nenê de Vila Matilde desde 2022. Intitulada “Ancestralidade e oralidade dos enredos afros paulistanos. A construção de uma identidade pautada na herança cultural”, além de falar sobre questões ligadas também aos sambas-enredo, ele aproveitou para cutucar quem acompanha a folia de longe e critica temáticas africanas. “Compro brigas porque sempre tem o cara da internet que vai falar que tem mais um enredo afro. Graças a Exu! Mesmo com tudo que o povo preto passou, não perdemos o nosso intelecto, que é como temos que ser vistos”, riu, provocando palmas dos alunos.

Defendendo as canções de temas afro, o professor explicou os motivos pelos quais melodias e ritmos significam tanto. “O samba tem a força e o poder de acolher e trazer, mas as pessoas não pensam muito assim. Mas isso é do povo preto e da nossa história. A oralidade está muito inserida no povo africano, nas raízes e na forma de se expressar em comunidade. Está muito além das escritas”, destacou.

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A dinâmica da aula, entretanto, foi distinta. O professor escolheu cinco desfiles (e, consequentemente, sambas-enredo) marcantes com temáticas afro para abordar como cada um deles pontuou a negritude – e, em outro plano, aproveitar para traçar um paralelo de acordo com a cronologia. “Escolhi enredos para que entendam como o enredo afro em São Paulo se comporta, como ele se apresenta. Vejo muitas diferenças entre São Paulo e Rio de Janeiro em como eles tratam enredos afros, a forma como as histórias são conduzidas”, explicou.

O primeiro deles foi Casa Grande e Senzala, que concedeu o primeiro título à Nenê de Vila Matilde e concebido por Antônio Protestato. “A aruanda chegou! Enquanto negros sofrem na senzala, eles dividem o conhecimento de forma ancestral – algo que é muito da escola, a ancestralidade da Nenê, sem perder a esperança. É o primeiro samba-enredo do carnaval paulistano”, relembrou.

Em 1982, o Camisa Verde e Branco apresentou “Negros Maravilhosos – Mutuo Mundo Kitoko”. Vice-campeão, o Trevo da Barra Funda “queria lutar contra o fato de que não devemos ser vistos como escravizados, sofridos e como gente que perdeu tudo no caminho”, afirmou Fábio, em apresentação idealizada por Augusto Henrique Alves e o histórico ex-presidente Carlos Alberto Tobias. “O tempo todo, esses dois desfiles deixam claro que os pretos não são o que a história conta: somos algo muito antes disso”, disse.

A viagem cronológica seguiu até 1989, em um clássico desfile do carnaval paulistano. Com Joãosinho Trinta como carnavalesco e Jamelão como intérprete, a Unidos do Peruche cantou “Os Sete Tronos dos Divinos Orixás”, abocanhando o vice-campeonato. “Nós nos encontramos com a religiosidade como enfrentamento naquele tempo. Como aquela plateia e aquelas pessoas escondem, não querem falar e não querem entender. É um samba que pede licença e respeito àquela religiosidade e respeito”, pontuou Fábio, destacando a letra de um dos sambas tidos como dos melhores de todos os tempos no carnaval da cidade de São Paulo.

O penúltimo ponto da viagem foi 2012, quando a Mocidade Alegre apresentou “Ojuobá – No Céu, os Olhos do Rei… Na Terra, a Morada dos Milagres… No Coração, Um Obá Muito Amado!”, que garantiu o título para a Morada do Samba em desfile concebido por Márcio Gonçalves e Sidnei França. “O desfile de 2012 da Mocidade Alegre é, para mim, o carnaval mais completo na apresentação ao contar uma história, uma homenagem, uma profecia sobre a cabeça de um homem que contaria a nossa própria história de maneira clara e coerente: Jorge Amado”, revelou o professor.

Nenê e representação de negritude

O último desfile escolhido pelo professor foi, novamente, outro da Nenê de Vila Matilde. Em 2022, no Acesso II, a escola da Zona Leste reeditou Narciso Negro, concebido em 1997 por Tito Arantes e revisitado pelo próprio Fábio Gouveia. Antes de falar sobre a exibição em si, ele aproveitou para falar sobre como se vê na agremiação em um contexto histórico tão delicado, com a Águia Guerreira no terceiro pelotão do carnaval paulistano. “A Nenê é a escola que me permite ser quem eu sou, fazer os enredos que eu quero e desejo fazer. A Nenê sempre esteve à frente do seu tempo, errando ou fazendo, a escola sempre quis ousar e fazer um carnaval diferente. A Nenê sempre foi a vanguarda de muita coisa no carnaval. Tanto que você olha e vê que não há dor, sofrimento ou escravização do povo preto. Existe a exaltação de um povo, de uma luta, de uma tradição que precisa ser respeitada. O negro sempre está coroado diante de todo o povo: nós estamos aqui. E o encontro com o Narciso Negro faz parte desse reencontro da escola com a comunidade – e, quando ela foge disso, ela começa a se perder”, pontuou.

Revelando uma trilogia iniciada em 2022, ele aproveitou para falar do desfile de 2023, que ficou na terceira colocação do Acesso – deixando de conquistar o segundo acesso consecutivo por um único décimo. “Faraó Bahia nada mais é que a continuação de tudo isso, das histórias do nosso povo, mas de uma outra maneira. Por trás da música, existe muito mais e além que um hit de carnaval. Fala do empoderamento desse povo, da construção e identidade deles. A música fala de como esse povo tomou o seu lugar de direito”, afirmou, relembrando a música que serviu de inspiração para o desfile.

Por fim, em 2024, quando a escola apresentará o enredo “Cirandando a vida pra lá e pra cá. Sou Lia, Sou Nenê, Sou de Itamaracá” e encerrará a trilogia particular, Fábio aproveitou para revelar em qual contexto a temática é importante para a agremiação da Zona Leste. “Nessa trilogia, vamos à coroação de tudo isso, que é Lia de Itamaracá. É a história da minha mãe, da mãe de muitos aqui, das mães da Nenê de Vila Matilde. É a história de luta da mulher social preta para construir a própria história”, finalizou.

Penalty Shoot Out como ganhar: principais características

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Gostas de jogar futebol? Tens a reputação de aterrorizar os teus inimigos Penalty Shoot Out aposta? Talvez seja um grande adepto da sua equipa de futebol favorita. Seja como for, o jogo Penalty Shoot Out aposta atrairá tanto os adeptos como os não adeptos do desporto.

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Como jogar Penalty Shoot Out?

Penalty Shoot Out como ganhar? Em primeiro lugar, os jogadores têm de escolher a equipa que querem representar de entre uma lista de 24 países europeus. Em seguida, o jogador encontra-se na marca dos 11 metros, onde terá de bater o melhor penalti da sua carreira. Aqui também decide quanto vai apostar em cada ronda, podendo apostar entre 0,1$ e 500$ para a ronda 1.

Como jogar penalty shoot out? Poderá cobrar até 5 penalidades por ronda e existem 5 locais disponíveis para cobrar a sua penalidade. Pode escolher de onde quer chutar ou pode escolher chutar ao acaso, clicando no botão “Aleatório”. Por cada golo que marcar recebe uma recompensa em por dinheiro real e quanto mais golos conseguir marcar, maiores serão os seus ganhos totais. Podes continuar a marcar penalties depois de cada golo ou podes receber o teu prémio em dinheiro imediatamente, clicando no botão “Receber” para receberes os teus ganhos. No entanto, se o guarda-redes chutar o seu remate, o montante da sua aposta será perdido.

Um contador por cima da baliza mostra o seu progresso atual e apresenta os possíveis prémios. O multiplicador de ganhos é x1,92 da sua aposta atual para o primeiro golo e é duplicado após cada penalti consecutivo, oferecendo os seguintes prémios:

  • Por 1 golo marcado, receberá um montante equivalente a x1,92 da sua aposta atual;
  • Por 2 golos marcados, receberá x3,84 da sua aposta atual;
  • Por 3 golos marcados receberá x7,68 da sua aposta atual;
  • Por 4 golos marcados receberá x15.36 da sua aposta atual;
  • Por 5 golos marcados, receberá um valor de x30,72 da sua aposta atual.

Assim, ao seguir este algoritmo, poderá compreender quais os prémios que o esperam no final do jogo.

Símbolos especiais da jogo Penalty Shoot Out

O tamanho do seu bónus no Penalty Shoot Out depende da sua aposta e do número de golos marcados. No entanto, não existem aqui símbolos especiais que possam dar aos jogadores vantagens temporárias e não existem combinações de remates mais lucrativas. Como mencionado, as regras do jogos são muito simples, mas em caso de dúvida, pode consultar a secção de informações na parte inferior do ecrã.

Foram envolvidos muitos recursos para que a jogo Penalty Shoot Out se tornasse popular. Os utilizadores têm a oportunidade de desfrutar de gráficos de qualidade quando iniciam o jogo. A cada 5 remates (em caso de sucesso) ou depois de um golo falhado e retomando o jogo, o guarda-redes de uma nova equipa aparecerá à sua frente. Saberá das alterações através dos ícones no topo do ecrã do casino, bem como através da cor do seu dispositivo.

Jogo grátis na slot Penalty Shoot Out

Onde jogar Penalty Shoot Out? Ao jogar na slot Brasil gratuitamente, depois de fazer uma aposta, pode sempre clicar no botão “Recolher”, que adicionará o montante acumulado nesse momento à sua conta do casino. Os utilizadores têm a oportunidade de fazer 5 ciclos de remates e receber um códigos depois de marcarem um golo.

Se em algum momento do jogo decidir que a seleção nacional selecionada não tem sorte e quiser tentar jogar com outra, basta clicar no botão com duas bandeiras cruzadas e pode escolher uma das 24 equipas. Outra opção que o Penalty Shoot Out on-line oferece aos seus jogadores é clicar numa bola aleatória e um lugar na baliza de futebol será selecionado aleatoriamente.

Sambistas encaram desafio e assumem papel de jurados por um dia

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Acostumados a terem o trabalho julgado no Carnaval, sambistas de diferentes segmentos e escolas tiveram a oportunidade de serem jurados por um dia. Nomes como o do carnavalesco da Vila Isabel, Paulo Barros, e da porta-bandeira da Beija-Flor, Selminha Sorriso, foram alguns dos que integram o corpo do júri montado pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) para avaliar as quadrilhas que se apresentaram durante a festa julina realizada na Cidade do Samba.

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Fotos: Diogo Sampaio/CARNAVALESCO

“É uma experiência nova, sem sombra de dúvidas. Até porque julgar não é uma coisa fácil. As pessoas acham isso, mas é muito difícil. Principalmente, uma coisa que eu não domino, não entendo. É uma nova praia, mas achei muito legal, muito interessante. É uma nova concepção da festa junina ou julina e fiquei muito feliz. Esse é o grande diferencial nosso, do brasileiro principalmente, e também do samba. Abraçamos tudo e a todos. É algo muito legal, muito bom, e esse evento na Cidade do Samba é um exemplo disso”, relatou Paulo Barros em entrevista concedida ao site CARNAVALESCO.

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“Fiquei muito honrada com o convite da Liesa e de poder estar participando deste momento, de receber uma outra cultura, que também é nossa, aqui na fábrica de sonhos. Estou emocionada, me identifico muito com as quadrilhas tradicionais, aquelas que conheci quando era adolescente, mas também achei um máximo, super diferente, essa modernidade, esse luxo, das quadrilhas que se apresentaram aqui. Foi difícil tirar algum décimo delas. Tentei ser o mais justa possível. Afinal, nós como sambistas temos que ter respeito a tudo que nasce dentro da gente, que é arte, e que apresentamos para quem está fora”, analisou Selminha.

Em conversa com o site CARNAVALESCO, a porta-bandeira da Beija-Flor ainda comparou as festividades julinas com a folia carioca. “Me sinto como se tivesse no Carnaval, tendo que avaliar grandes escolas de samba, se eu fosse jurada, e identificar qual vai ser a melhor, a vencedora. É muito difícil. Imagino com os jurados do Carnaval devem se sentir. É tudo muito equiparado, muito lindo e, acima de tudo, arte”, pontuou.

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Tanto Paulo Barros quanto Selminha Sorriso estiveram entre os jurados da grande final do concurso de quadrilhas. Ao lado deles, estiveram o presidente da Riotur Luís Gustavo Mostof, a presidente da Sebastiana Rita Fernandes e a presidente da Imperatriz Leopoldinense Catia Drumond.

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“Foi algo superdivertido. Eu nunca tinha participado de nada do tipo. Acho até que eu nem tinha visto uma competição de quadrilha assim, pessoalmente, só através da televisão. Nós não chegamos a passar por uma preparação, mas os conjuntos nos entregaram a sinopse do que eles iam apresentar, do tema, e ali a gente foi avaliando. Fiquei feliz, foi muito bom. Achei um barato”, assegurou a mandatária da Rainha de Ramos ao site CARNAVALESCO.

Ao todo, quatro conjuntos se apresentaram na final: Gonzagão do Pavilhão, Shock do Painho, Geração Realce e Araquém Forró Show. Na categoria quadrilha de roça, o vencedor foi o conjunto Geração Realce. Já na categoria quadrilha de salão, Araquém foi o campeão. Com a vitória nas respectivas modalidades, os dois grupos faturaram um prêmio de R$ 20 mil cada. Os demais, por terem ido a final, levaram a quantia de R$ 10 mil.

Mas não foi apenas na final em que os nomes ligados as escolas de samba marcaram presença no juri do concurso. No sábado, o carnavalesco da Porto da Pedra, Mauro Quintães, e a porta-bandeira da Unidos da Tijuca, Lucinha Nobre, estiveram no time que classificou duas quadrilhas de salão para disputarem o título.

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“Eu amei a experiência, achei os trabalhos maravilhosos. É uma entrega muito grande, uma galera muito bonita dançando… Foi difícil julgar, até porque, às vezes, a diferença entre uma quadrilha e outra está em um detalhe que passa batido. Então, um fator que pesou muito para mim foi a animação. Mas posso garantir que eu fiquei muito feliz com a oportunidade, com o convite. Eu adoro festa junina, sou quadrilheira desde criança, daquelas que na época da escola dançava com todas as turmas, desde a primeira até sexta série”, declarou Lucinha Nobre.

Ao site CARNAVALESCO, a defensora do primeiro pavilhão tijucano ainda comentou sobre como foi receber o convite para ser jurada do concurso. De acordo com Lucinha, a proposta foi feita diretamente pelo presidente da Liesa, Jorge Perlingeiro, e lhe surpreendeu.

“Tocou o meu telefone e quando eu peguei para ver quem era, estava lá escrito: Jorge Perlingeiro. Eu já pensei: ‘Ai meu Deus, o quê que houve? O que será que ele quer?’. Quando atendi, era ele me convidando para ser jurada. Eu fiquei superfeliz. Adoro o Jorge, adoro estar junto da Liesa, sou cria da casa, então está tudo certo”, contou a porta-bandeira.

Na sexta-feira, em que dois conjuntos de quadrilhas de roça foram escolhidos para disputar a final de domingo, houve a presença ainda mais forte de sambistas entre os jurados. A mesa julgadora contava com a porta-bandeira da Portela, Squel Jorgea, o coreógrafo da comissão de frente do Salgueiro, Patrick Carvalho, o carnavalesco da Academia do Samba e da Unidos de Padre Miguel, Edson Pereira, e o diretor de Carnaval da Grande Rio, Thiago Monteiro.

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“Foi uma honra muito grande receber o convite do Jorge Perlingeiro. Para mim, foi uma novidade que gostei bastante. É a cultura do nosso país, da nossa cidade e não foge muito do Carnaval, os aspectos técnicos, de indumentárias, de animação e coreografia. Foi uma experiência muito válida e gostei bastante. A gente recebeu o manual do julgador, eu pesquisei um pouquinho como fazia e não saiu muito do que eu já esperava não. É legal que a gente vê as pessoas que estão nas quadrilhas e alguns são componentes nossos, inclusive, então dá pra ver que é a raiz, é um suco de Rio, suco de Brasil, não tem como fugir dessa sinergia. Tem o aspecto indumentária, o aspecto de apresentação, mas acima de tudo é a cultura e você vê a doação, são pessoas que se doam muito, é muito difícil julgar”, disse Thiago em conversa com o site CARNAVALESCO.

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Grande Rio 2024: parceria de João Carlos

Compositores: João Carlos e Isabel Fonseca

OUVIRAM O RUGIDO DO TAMBOR TUPINAMBÁ
O VELHO DO CAJADO ANUNCIAR
BRILHA A ESCURIDÃO. O HOMEM, OH CRIAÇÃO
O AMOR GERANDO INGRATIDÃO
TEMPESTADE TUDO DEVASTOU
DILÚVIO, UM MUNDO NOVO
CORDILHEIRAS, RIOS, MARES SE FORMOU

NAQUELA TERRA-SEM-MAL
A CRIA DA TAL MULHER
NASCIAM SÁBIOS HERÓIS, DENOMINADOS PAJÉS

A ONÇA EM METAMORFOSE QUEM É? SUMÉ
O FILHO DE ANDEJO QUEM É? É JACI
SENHOR DO COCAR DE FOGO QUEM É? É CUARACI
CUARACI QUE TAMBÉM É POXI

SINCRETISMO, ONÇA, NATUREZA
FOI CURUMIN QUE O SOLO CULTIVOU
JÁ DO OCEANO AO FIRMAMENTO, SUMÉ QUEM DOMINOU
CRIANÇA, CRIONÇA, VINGANÇA, VINGONÇA
O SOL, A LUA EM GUERRA… MAÍRA E SUMÉ
OS RIOS CONDUZEM OS POVOS E RITOS
OS CANTOS, OS MITOS, A FORÇA E A FÉ
O TEMPO PINTA PEDRA, FAZ A HISTÓRIA
CABOCLO E CABOCLA NA TRAJETÓRIA
E TUDO SE CONFUNDE NA MEMÓRIA
CANTOS E CONTOS, GLORIAS E GLORIAS

A LOBA AMAMENTA, A ONÇA DEVORA
E A GRANDE RIO PROCLAMA A VITÓRIA
NOSSA GRANDE RIO ESPERANÇA VITÓRIA

Grande Rio 2024: parceria de Sílvio Adesoji

Compositores: Sílvio Adesoji, Thiago de Lima, Marcos Dias, João Batista, Caio King e Naldo professor

NO CLARÃO DA LUA CHEIA UMA FORÇA FEZ SURGIR . EMBALANDO A GRANDE RIO AQUI NA SAPUCAÍ.
COM MUITA GARRA, LUTA E ESPERANÇA.
MOSTRANDO AO MUNDO QUE O NOSSO DESTINO É SER ONÇA

A GRANDE RIO VEM DAR
A LUZ A CRIAÇÃO DO MUNDO
PELA COSMOVISÃO TUPINAMBÁ
TRANSMUTAÇÃO FUNDAMENTAL DA ESCURIDÃO E O CAOS
DO VELHO CRIADOR
DA TERRA, CÉU E AR.
DE TUDO RASTEJANTE E VOADOR, DO ÓDIO E DO AMOR
AO INGRATO HOMEM SEM JUÍZO
O SÁBIO POR DESILUSÃO
COM TUDO QUE ELE CRIOU
O FOGO SOBRE O MUNDO JOGOU

E AÍ VEM TUPÃ MANDA DESCER O AGUACEIRO
CONFRONTA O FOGO VALENTE GUERREIRO
CORDILHEIRAS E MARES DEU A ONÇA LIBERDADE
ASSIM QUE NASCEU A TERCEIRA HUMANIDADE

SURGE MAIRA E SUMÉ QUE SE CONFRONTA
COMO A ÁGUA E O FOGO
BUSCA DIVERSIDADE NA DEVORAÇÃO
O MUNDO NÃO ACABA
VIDA CONTINUA
E A ONÇA TENTANDO COMER A LUA.
EICOBE XEREMOI
EICOBE XEREMOI GUÊ
BATA O CAJADO NO CHÃO PRA ESPANTAR A ONÇA
VIVA OS ANCESTRAIS QUE VENCERAM DESAFIOS
VIVA AS TRIBOS SAGRADAS, INSPIRARAM A GRANDE RIO

Grande Rio 2024: parceria de Edson Brasil

Compositores: Edson Brasil, Rui Vaz, Adê Zorahia, Nilmar Romano, Sérgio Bebeto Português, Marina

NO TOQUE DO TAMBOR TUPINAMBÁ CONTOU:
DE UM VELHO E SEU CAJADO NA MÃO
HUMANA MALDADE, A INGRATIDÃO
DO FOGARÉU QUE O MUNDO DILACERA
NO PEITO, QUE A BONDADE AINDA IMPERA
NA VOZ DO TROVÃO TRAZ A CHUVA O ANCIÃO
LAVANDO MAZELAS, CUROU TODA TERRA
DOS OPOSTOS SE RECRIA
TERRA SEM MAL, PARAÍSO DE MAÍRA
DIA PARA NOITE, NOITE PRO DIA
KUARACI, COCAR DE FOGO E BRASAS
BELA JACI, LUA NOVA COR DE PRATA

ANHANGÁ ONÇA FALSA É
QUEM SANGROU O LUAR ? SUMÉ!
PRESA NA ENCANTARIA CONSTELA ONÇA AZUL
NO CÉU DO CRUZEIRO DO SUL

BRASIL- ALDEIA DE SANGUE AMERÍNDIO
ARAWETÉ, KAIAPÓ, GUARANI
ORIGINÁRIOS DO BARRO TUPI
NA SELVA DE PEDRAS, A LUTA E O PODER
DESAFIAM O INSTINTO FELINO
VORAZ, O DESTINO PARA SOBREVIVER
DEVORAR PROSSEGUIR, É VENCER
PERSEGUIR, DEVORAR SEM TEMER… ROSNAR NO SORRIR O ROSTO TRAVESTE
O TEMPO CORRIDO JÁ DESAPARECE
PAJÉ MODERNIZA E ATÉ DEMARCA
A ARTE NAS MARCAS QUE A VIDA NOS DEU, EU SOU EU ! UM CURUMIM, GUERREIRO IMORTAL
NA BRAVURA DO SEU CARNAVAL

A LUZ ENCADEIA MINHA POESIA
GRANDE RIO EU SOU CAXIAS
NAS GARRAS DA ONÇA A REALIDADE
ÍNDIO POR CONVICÇÃO
CARAIBA POR NECESSIDADE

Grande Rio 2024: parceria de João Diniz

Compositores: João Diniz, Jailson da Grande Rio, Fabrício Fontes, Fred Camacho, Diego Nicolau, Francisco Aquino
Intérpretes: Carlos Jr., Diego Nicolau, Thiago Brito, Charles Silva e Juan Briggs

Eu sou um velho peregrino
Celestial felino, a raiz Tupinambá
O caos dominava a terra e o céu
Luminosidade pelas minhas mãos
Com a humanidade infiel, fiz da ingratidão
Céu de fogo, apagado num dilúvio de Tupã
Nasce o mundo sem pecado
Com Maíra, ensinando o amanhã

EU VI A DESUNIÃO, E A CHUVA EU FIZ CAIR
ALUMIEI O SOL, E PRATEEI JACI
CHOREI, CHOREI COM A CRIAÇÃO DIVIDIDA
E RECRIEI MEU LUGAR E A VIDA

Entre a fumaça de cachimbos e altares
Virei carranca, navegando o rio mar
Ritos xamãs, sabedoria
Que a ambição não traduziu
Fera, eu tenho pressa a mata me espera
Minhas pegadas mostram os caminhos
O faro aguçado
Olhar que arrepia, defendendo a cria
Encanto caboclo, ponto pra onça girar
História de pescador, caipira
Alada, sagrada que lambe demarca o sertão
Quem tem juízo não provoca não!

GRANDE RIO VIRA ONÇA, VIRA QUE EU QUERO VER
HOMEM-BICHO,BICHO-HOMEM
TENHO FOME DE VENCER
RESISTIR É LUTAR, SOB A LUZ DO LUAR
O CAJADO BATER

GRANDE RIO VIRA ONÇA, VIRA QUE EU QUERO VER
HOMEM-BICHO, BICHO-HOMEM
TENHO FOME DE VENCER
MINHA ESCOLA “IÁ,IÁ”
“ACABOU DE CHEGAR”
E DEVORA VOCÊ