A atua campeã do Grupo Especial do Rio de Janeiro, a Imperatriz Leopoldinense sai na frente na busca pelo bicampeonato, por ter o melhor enredo para o Carnaval 2024, segundo os leitores do site CARNAVALESCO. A escola levará para Marquês de Sapucaí no ano que vem “Com a sorte virada pra lua segundo o testamento da cigana Esmeralda”, de autoria do carnavalesco Leandro Vieira. A vitória veio com 18,4% dos votos. A Portela ficou em segundo com 13,9% e a Viradouro em terceiro com 11,4%.
Proposta do enredo da Imperatriz
A ideia é mais um enredo pesquisado, desenvolvido, transformado em narrativa e visualidade com a marca autoral do carnavalesco Leandro Vieira. Segundo o artista, a proposta para o carnaval 2024 dá continuidade ao seu interesse em se debruçar sobre o Brasil e a obra de escritores populares que souberam dar contorno à imaginação de caráter fantástico como uma extraordinária vocação do povo brasileiro.
“É mais um enredo que olha para aquilo que há de mais simples, no sentido popular das coisas que estão na cabeça do povo. Livre do academicismo e próximo à cultura que emerge das vocações populares brasileiras, mergulho nesses anseios populares tão presentes no imaginário coletivo do Brasil das pessoas reais, ou seja, o Brasil que me desperta interesse e encantamento. Com o enredo que proponho agora, sigo mergulhado nos saberes populares que se utilizam da interpretação dos sonhos cotidianos para tomar decisões ou fazer apostas e também sobre a intenção de prever a sorte através da antecipação do futuro com o uso de meios fantásticos”, avalia o artista.
Logomarca: Thiago Santos/Divulgação
De acordo com o carnavalesco, o desenvolvimento do enredo é debruçado de forma livre sobre um pequeno folheto que fala sobre o encontro do testamento da cigana Bruges de Esmeralda e o descortinar do conteúdo de seus ensinamentos místicos. O folheto, escrito há mais de cem anos, é assinado por Leandro Gomes de Barros – escritor paraibano reverenciado por Carlos Drummond de Andrade como o “o rei da poesia do sertão”- com o nome de “O testamento da cigana Esmeralda”.
Na narrativa fictícia do folheto, este testamento foi trazido para o Brasil no interior de um barril por um grupo de ciganos. Ao falar com entusiasmo sobre o material literário de base popular que lhe serve de inspiração para o trabalho que virá, o artista dá dicas sobre aquilo que lhe desperta interesses artísticos na nova empreitada.
“No descortinar da leitura do folheto, a gente se depara com uma série de ensinamentos de caráter popular sobre a interpretação de sonhos, com uma tabela que predetermina dias felizes e dias de má sorte, com caminhos para a leitura da sorte na palma da mão e a influência dos astros nos caminhos humanos com direito, inclusive, a uma semana astrológica. É material para delírio carnavalesco pra tudo que é lado. E o melhor de tudo é que não precisa de longas teses ou muita explicação para ser compreendido. É cultura popular feita pelo povo e para o povo”, conclui.
Veja abaixo como ficou o resultado da enquete com os leitores
Imperatriz: 18,4%
Portela: 13,9%
Viradouro: 11,4%
Mocidade: 9,3%
Beija-Flor: 8,7%
Mangueira: 7,4%
Salgueiro: 5,8%
Tuiuti: 5,4%
Grande Rio: 5,3%
Porto da Pedra, Vila Isabel e Unidos da Tijuca: 4,8%
Na noite do último sábado, a Tradição abriu as portas do seu ateliê de fantasias, no Santo Cristo, para lançar seu enredo 2024. Com a presença de convidados e gestores do carnaval, o Condor de Campinho anunciou Trono Negro como seu enredo em um coquetel sensorial e totalemnte tematizado. De autoria do carnavalesco Leandro Valente, que completa 10 anos à frente da plástica da azul e branca, a proposta apresentada vai muito além de um enredo. Como o artista definiu, é um ato político.
“No próximo carnaval a Tradição irá gritar por igualdade, resistência e amor. Trono negro é um enredo que narra a história de grandes reis e rainhas do continente negro. Mas, resolvemos desdobrar a narrativa e trazer a homenagem a todos os grandes reis e rainhas do povo. Não pertencentes a uma dinastia, mas que marcaram a história da humanidade nas artes, na ciência, na política e em todos os cantos. Notáveis pretos que brilham com potência e aplausos. Sou um carnavalesco branco, não tenho lugar de fala. Mas, a luta anti racista é dever de todos. Ser humano é abrir palcos para vozes ecoarem suas lutas. Abrirei meu desfile para que os donos da fala possam narrar suas histórias. Não será um enredo de dor. A proposta é mostrar conquistas, poder, soberania preta, grandes notáveis do asfalto e da favela, dos becos e vielas. O rei da quebrada, a rainha do morro, assim como os grandes líderes mundiais que lutaram e lutam bravamente por direitos iguais”, afirmou Leandro Valente.
Para a presidente da escola, Raphaela Nascimento, o enredo define a nova Tradição. “A nova Tradição é uma escola que lutará por ideias e exaltará o povo, a brasilidade e as comunidades. Abrir essa nova etapa e fase da escola com este enredo é uma honra. Grandes ícones como Nelson Mandela e Marielle estão presentes para nos ajudar a empretecer a avenida. Estou muito orgulhosa e já posso dizer que é um dos maiores enredos da Tradição, concluiu a presidente.
Em 2024, A Tradição será a sétima escola a desfilar pela Superliga do Rio de Janeiro, no dia 16 de fevereiro.
A Inocentes de Belford Roxo informou nesta segunda-feira que mudará o seu enredo para o Carnaval 2024. A Caçulinha da Baixada apresentaria uma homenagem à cidade de Búzios, mas citou que a decisão de alteração aconteceu em consenso na diretoria da agremiação, devido a questões estruturais.
Carnavalescos Marco Falleiros e Cristiano Bara. Foto: Divulgação
“Búzios é um enredo muito rico e criativo, por isso em outro momento vamos apresentá-lo, na Sapucaí. Mas já estamos preparando um novo tema que será sem dúvida de agrado de todos. O importante é nunca perdermos a vontade de fazer o melhor para o público”, disse o carnavalesco Cristiano Bara.
O novo enredo será apresentado pelos carnavalescos Marco Falleiros e Cristiano Bara, na próxima sexta-feira, nas redes sociais da Inocentes. A escola, mais uma vez, encomendará samba-enredo para o desfile do ano que vem.
Com a quadra lotada, a Mocidade Independente de Padre Miguel apresentou, na tarde/noite do último domingo, a equipe do carnaval de 2024. Bastante aplaudido e abraçado pela comunidade independente, o intérprete Zé Paulo Sierra emocionou o público ao ser recebido e dividir o comando do microfone com o intérprete e compositor Paulinho Mocidade. * VÍDEOS: VEJA AQUI O SHOW DE ZÉ PAULO NA MOCIDADE
Fotos: Raphael Lacerda/CARNAVALESCO
A agremiação de Padre Miguel realizou a primeira feijoada do ano para apresentar a nova equipe. Ao site CARNAVALESCO, o novo intérprete da escola de Padre Miguel revelou que sua chegada é fruto de um namoro que teve início em 2016. Para ele, a fácil decisão da realização de um sonho.
“Estou muito feliz. Acho que já era um namoro antigo meu e da Mocidade. Desde 2016 quando eu tive o primeiro convite para vir pra cá, mas eu tinha um compromisso com a Viradouro. Acabei ganhando samba aqui e a Mocidade acabou sendo campeã do carnaval daquele ano (2017). Agora é meio que uma concretização desse namoro, desse relacionamento que começou nesse flerte lá em 2016. A recepção não poderia ser melhor. Já tenho ensaiado com o Dudu há algum tempo. Tive receptividade nas redes sociais também”, contou o intérprete.
“Eu estou muito feliz, acho que foi uma escolha até muito fácil de fazer, porque quando veio o convite eu não pensei em outra coisa que não fosse a Mocidade. Hoje eu estou realizando um sonho de estar aqui – uma escola gigante e detentora de seis títulos do Carnaval. Tenho certeza que a gente vai brigar por coisas grandes esse ano”, completou.
Estreando na Mocidade após ter ficado dez anos na Viradouro, Zé Paulo comentou sobre o processo de adaptação na nova casa. Segundo o intérprete, apesar de alguns ajustes necessários, a experiência de mestre Dudu contribui na chegada e os ensaios de rua contribuem na adaptação.
“Eu acho que são detalhes. O Dudu tem uma bateria magnífica e que dispensa comentários. Eu estou conhecendo tudo agora e eles também estão me conhecendo, mas é coisa que a gente vai adaptar no dia a dia nos ensaios. Já temos a promessa do Luis de ter ensaio de rua em outubro, isso, para a gente, vai fortalecer ainda mais o processo. É uma coisa que a gente gosta de ensaiar bastante. A Não Existe Mais Quente dispensa comentários, é fácil de cantar pra caramba com eles”, disse Zé Paulo.
Entre os sambas históricos que a Mocidade de Padre Miguel levou para a Passarela do Samba, Zé Paulo escolheu os quatro que considera seus favoritos. “É difícil, porque a Mocidade tem muito samba bom. Eu vou puxar brasa pra minha sardinha (risos). Marrocos, porque eu sou um dos autores. Ziriguidun (2001), além de Rapsódia (1971), que é um um grande clássico, e Mãe Meninha do Gantois (1976)”, contou.
O intérprete afirmou que a responsabilidade é ainda maior por assumir um posto que pertenceu a grandes nomes da história do carnaval carioca. Apesar do peso, ele se diz confiante.
“Só aumenta a responsabilidade. Por aqui passaram Ney, Wander, Bruno, Aroldo, Paulinho Mocidade, Nego, Davi do Pandeiro, Paulo Henrique e Nino do Milênio no ano passado. Se a gente fosse citar todos grandes nomes aqui, não iríamos parar de falar. A Mocidade tem uma gama de intérpretes maravilhosos e isso aumenta a minha responsabilidade de levar esse trabalho adiante. Estou muito feliz, confiante, é da minha personalidade essa confiança. Eu sei o que eu vou fazer, eu sei o que a escola quer e sei o que eu quero. Agora é trabalhar”, afirmou Zé Paulo.
No comando da ‘Não Existe Mais Quente’ há mais de dez anos, mestre Dudu elogiou Zé Paulo e disse estar feliz com a chegada. Para ele, a expectativa é de muitas ideias para colocar no samba do próximo carnaval.
“Eu já tinha uma admiração muito grande pelo Zé, mas nunca pensei em trabalhar com ele – ainda mais na Mocidade. E ele chegou de uma forma bem ‘Zé Paulo’: muito alegre, envolvente – ele sempre procura participar dos nossos ensaios -, cheio de ideias e com muita vontade de cantar. Ele é um pouco diferente do que passou (Nino do Milênio). Estou muito feliz de trabalhar com ele. É um cara que escuta muito e soma no trabalho. Estamos cheios de ideias loucas para colocar no samba. Vamos aguardar aí o samba ser apresentado para começar a escutar e já ter alguma ideia”, comentou o mestre de bateria da Mocidade de Padre Miguel.
O comandante da bateria da Mocidade também avaliou o desempenho dos ritmistas no último carnaval. Único quesito que gabaritou as notas, a Não Existe mais quente teve um papel fundamental na briga contra a queda da agremiação.
“Assumi em 2012. Eu comecei, em 2016, no comando da bateria sozinho. De lá pra cá eu comecei a colocar algumas coisas diferentes na bateria – e acredito que surgiu um pouco de efeito. Trabalho um pouco árduo, começamos a fazer entre três e quatro ensaios por semana. Foram muitas coisas. Neste ano, para chancelar, veio o tão sonhado 40. Ele chegou na hora certa, Deus sabe de todas as coisas”, disse o ritmista.
Apesar do gabarito, a cobrança pela perfeição e evolução é constante. De acordo com o mestre de bateria, a chegada de Zé Paulo vai fazer diferença no carnaval da escola de Padre Miguel.
“Eu costumo dizer que é legal ganhar prêmio, nota. Mas o difícil disso tudo é conseguir manter este legado. A cada ensaio, em cada semana, falo com a bateria para a gente manter isso. Eu sou chato e perfeccionista. Se foi bom (2023), a gente nem imagina em 2024. A chegada do Zé Paulo foi boa para ter um trabalho um pouco diferenciado. A gente vai fazer diferença no carnaval, pode ter certeza disso”, confiante, afirmou Dudu.
Eleições e preparativos para 2024
Questionado sobre o processo eleitoral da escola de samba, que está suspenso pela justiça desde abril, o vice-presidente Luiz Claudio Ribeiro disse que a função e o foco da administração da Mocidade é pensar em fazer carnaval.
“Eleição está na mão da justiça. A gente aqui só pensa em Carnaval e em produzir um espetáculo belíssimo para chegar no dia do desfile preparado para encarar a Marquês de Sapucaí. A justiça no momento tirou a administração que está presente. Então o rito segue, Justiça nossos advogados, advogados da escola resolvem. O nosso assunto é fazer a Mocidade forte, bonita, e com a força de campeã”, afirmou Luiz Claudio Ribeiro.
O vice-presidente da agremiação também fez uma breve avaliação de 2023 e comentou os preparativos para o desfile de 2024. Segundo ele, o foco é levar uma Mocidade forte para a Marquês de Sapucaí.
“Apresentamos o time completo para o carnaval de 2024. Todos os quesitos que ficaram na escola e outras pessoas que vieram somar no nosso time. Este ano, desde que acabou o carnaval, a primeira coisa que a diretoria fez foi se desculpar aos independentes. Porque tem que assumir, de fato, os erros. E a gente assumiu o erro. Jogamos a responsabilidade para nós. Mas é o que a gente falou: trabalhar muito para resgatar a nossa Mocidade e colocar ela no lugar que merece. Vamos trabalhar com muita humildade e sabedoria. Nós vamos trabalhar forte para chegar no dia do desfile e não cometer os erros que tivemos em 2023”, comentou o gestor.
De acordo com Luiz Claudio, o trabalho no barracão da Cidade do Samba segue a todo vapor. Com mudanças na equipe, a escola já começou a montar os carros alegóricos e caminha a passos largos rumo ao carnaval de 2024.
“No barracão o primeiro andar foi todo desmontado. Já começamos as estruturas de carros alegóricos. Começando pelo motor dos carros, zeramos todos eles e já estamos já na fase de subir os ferros. Temos engenheiros e arquitetos contratados para esse Carnaval no Barracão. Para o nosso quarto andar trouxemos um reforço muito grande que é o Wilker, um velho conhecido do carnaval carioca. Ele vai estar responsável pelas fantasias. Já finalizamos os protótipos e já estamos dando início a reprodução para o carnaval de 2024”, contou.
Com o enredo “Pede cajú que dou…Pé de cajú que dá!”, a Mocidade Independente de Padre Miguel vai abrir a segunda-feira de carnaval na Passarela do Samba.
Era madrugada deste domingo quando a Nenê anunciou o seu hino para o Carnaval 2024. Foi uma disputa com bastante honra e torcida, valorizando a tradição da escola. Mas o fato é que dos três sambas, apenas o 11 e o 12 nitidamente estavam no páreo para vencer. Principalmente o primeiro, onde deu para notar a maioria dos segmentos da escola cantando. Era quase unanimidade, apesar das torcidas serem equivalentes. Além do fato de que disputa de samba-enredo ser uma ‘caixinha de surpresas’ onde as coisas mais improváveis podem acontecer.
No anúncio, o popular ‘Manteguinha’, que é filho do presidente ‘Mantega’, cantou o samba de número 11 para a festa da quadra. É uma obra que preza muito pelas características da Nenê de Vila Matilde. Melodia para cima que permite o componente se soltar na avenida. O refrão de fechamento com a frase “se o samba tem seu nome, o sobrenome é Nenê”, diz muito sobre a particularidade de estilo da agremiação da Zona Leste. Os compositores da obra vencedora são: Kaska, Léo do Cavaco, Silas Augusto, Luís Mancha, Dr Elio, Vitão e Bruno Gianelli.
Fotos: Fábio Martins/CARNAVALESCO
A permissão para a criatividade
Dentro de tudo isso, vem a comprovação. O diretor de harmonia, Rodrigo Oliveira, conta que a comunidade escolheu o samba, e fala da garra que os componentes possuem. O profissional conta da percepção técnica que a obra tem dentro dos critérios que a Liga vem discutindo no seu novo regulamento. “É um samba que tem muito a ver com a Nenê. A Vila Matilde abraçou. É muito poético ao contar a história da Lia de Itamaracá e traz a garra do matildense. Ao mesmo tempo que ele é muito técnico ao contar o enredo e tem uma melodia pra cima, tem essa identidade com características muito fortes. Com certeza o refrão vai levantar o Anhembi e será muito bom para a Nenê de Vila Matilde. Também não é novidade para ninguém que a Liga vem revendo alguns pontos de regulamento. Isso nos ajudou a escolher dentro do que vem sendo estabelecido. O regulamento irá privilegiar o sambista. Ele vai poder fazer a sua festa como era lá no passado. E por isso tem tudo a ver com a Nenê. É uma escola que tem a história de fazer grandes sambas e desfiles”, disse.
Todo cargo de uma escola, independente do samba, já se prepara para o desfile imaginando como irá colocar a escola na avenida. Com Rodrigo não é diferente. O profissional revelou que há alguns segredos e ensaios, mas voltou a falar que o regulamento pode privilegiar a criatividade. “Eu vou deixar alguns segredos que fazem parte do processo. O regulamento está nos permitindo criar. Buscar a excelência criando. A Nenê com certeza vai inovar em muitos aspectos. Tem muitas coisas que estamos discutindo e criando. Vai ter muita coisa bacana”, contou.
Garra para vencer
O presidente Reinaldo José Andrade, popularmente conhecido como ‘Mantega’, segue na linha do diretor de harmonia. De acordo com o mandatário, a escola escolheu o hino, e vai além. Fala de critérios que a Liga está adotando além do quesito samba-enredo. “O samba nós fizemos um formato um pouco diferente. Distribuímos para os setores da escola e as alas e foi a maioria. É um samba legal e gostoso. Tivemos poucos sambas, mas fomos felizes em escolher este. O Carnaval está super disputado. A gente pensou em todos os critérios. Não só em samba-enredo, mas também fantasias e alegorias. Estamos trabalhando com as regras debaixo do braço”, declarou.
Mantega ainda aproveitou para falar como a Nenê irá para a avenida. Vale destacar que as lideranças estão falando bastante na palavra ‘garra’. “O que eu prometo da minha parte e da comunidade é uma escola com muita garra, vontade, com alegorias e fantasias, um samba bom que escolhemos hoje, aquela batucada boa que vimos aqui e o samba no pé. É o que a Nenê faz”, completou.
Respeito pela comunidade
Fábio Gouveia, carnavalesco da agremiação, estava bem ativo nesta final. O artista cantou bastante todos os finalistas. De acordo com o profissional, a comunidade escolheu a trilha-sonora e isso deve ser respeitado. “Eu tenho que falar que a escola escolheu o samba. A comunidade da Nenê pulsa o que ela quer. Que seja respeitada essa escolha. A gente vem trabalhando bastante, os três sambas são nível de avenida, mas venceu apenas um deles. Agora é tocar o barco”, disse.
O carnavalesco aproveitou para elogiar o enredo e enaltecer a homenageada. “A proposta é uma Nenê totalmente tradicional, azul e branca contando a história de uma cultura que atravessa o mundo, que é a Lia de Itamaracá. Ela se encontra com a Nenê de diversas formas. É um encontro muito feliz”, explicou.
Palavra de um campeão
O compositor Luiz Mancha é bastante vencedor na Nenê de Vila Matilde. A sua parceria, mesmo quando não vence, está entre as obras mais faladas dentro da comunidade. Segundo o escritor da letra, foi bastante pensado na voz do intérprete oficial, Agnaldo Amaral, além do fácil entendimento e compreensão dos componentes, por ser curto. “Nós temos uma parceria de longa data aqui na escola e esse samba graças a Deus que nós ganhamos é o quinto samba que a gente ganha aqui. Ganhamos Claudia Raia, Iemanjá, Portela, Curitiba e agora Lia de Itamaracá. Nós somos muito felizes na composição de samba. Buscamos um samba bastante tranquilo. Um samba de fácil entendimento para a comunidade que encaixasse na voz do Agnaldo e que fosse curto. E nós fomos felizes. A felicidade foi essa, nós fomos felizes. A comunidade abraçou, nós viemos para a quadra sem nenhum tipo de recurso, sinceramente bandeira, bexiga, máquina de papel e nada. Nós viemos e falamos assim, ó, vamos trazer o samba para a comunidade. Nem letra nós trouxemos. E a comunidade abraçou e hoje nós fomos campeões. Graças a Deus”, declarou.
Luiz disse que não precisou de tanto segredo para compor, visto que é uma parceria de longa data. O compositor também falou da temperatura da apresentação e voltou a opinar sobre a apresentação feita na quadra. “Nós temos uma parceria de longa data, como eu falei agora a pouco, um conhece o outro, na verdade, né? Um conhece o outro e já vai, vai opinando, vai falando. Se reunimos poucas vezes, a verdade foi essa e pô, saiu a melhor obra, a melhor obra do samba curto, um refrão curto e foi basicamente isso, não teve, não tem explicação, pegou na veia. Tivemos algumas discussões em relação ao samba. Olha, o samba é curto, o refrão é curto e aí o Silas Augusto e o Leo falaram, não, vamos que vai pegar. E foi isso. A primeira apresentação foi morna, e na segunda o samba cresceu e foi embora”, contou.
Sambas-enredo às vezes existem mudanças após escolas, mas de acordo com Luiz, não há mudanças para serem feitas. “Agora nós temos que entender da escola o que a escola quer com o samba. Na nossa opinião, humilde opinião, o samba é um samba completo. Até a defesa dele para o nosso carnavalesco. É um samba completo que vislumbra tudo que tem que vislumbrar na sinopse. Então nós entregamos para eles. Agora tem que esperar a escola entender o que eles querem para poder a gente talvez fazer um ajuste ou outro. Mas eu sinceramente acho que o samba não precisa de ajuste. Talvez a defesa na sinopse, a defesa do para os jurados. Acho que caiba muito bem”, completou.
Velho novo conhecido da ‘Bateria de Bamba’
O mestre de bateria Pascoal estreou oficialmente nesta final de samba-enredo. O músico está de volta para São Paulo e a Nenê de Vila Matilde. É mais uma passagem entre tantas do batuqueiro pela águia da Zona Leste. Desta vez, substitui Matheus Machado. “Sempre estou por aqui né. Veio tocando, quando vem tocando, vem de diretor, quando vem tocando e já estou assumindo a bateria da pela terceira vez. É um prazer, não era nem para estar sozinho aí que era aconteceu umas. Era para estar com mestre Mateus, mas daí o negócio foi pro outro lado, mas estamos aí pra ajudar a escola e o pavilhão”, comentou.
O samba-enredo escolhido também foi muito bem aprovado pelo mestre. “Até que foi bom que tinha só seis samba. Foram três finais de semana. Foi legal, gostei. Tinham dois sambas favoritos, mas o que ganhou também a maioria pelo que eu vi lá o resultado das notas é que o povo escolheu mesmo esse daí. Que vai encaixar certinho nessa daí”, ponderou.
A voz matildense
Em mais um ano de Vila Matilde, o renomado intérprete paulistano, Agnaldo Amaral, está totalmente adaptado à escola. O cantor falou sobre o samba e a confiança que tem recebido da diretoria da agremiação, afinal são 10 anos de casa.
“Não, realmente mais um ano, desculpa a voz agora já deve estar meio embargada. Mas aí, foi uma das disputas mais maravilhosas que eu vi aqui na Nenê nesses dez anos que estou aqui, mas foi legal, não precisou fazer junção de samba, gravei os três sambas, os três sambas ficaram maravilhosos graças a Deus na voz. Mas esse daí hoje mostrou que é o melhor samba. Deus queira que nós consigamos levar ele para a avenida dentro dessa meta, dessa melodia que agora mudou tudo. O negócio de notas que julga o carro de som, mas estamos preparados. Foi muito bom, foi muito salutar, é o samba da comunidade, foi de levada, né? Então foi uma coisa assim, maravilhosa. Então eu só tenho a agradecer a Deus, a escola, ao meu presidente, a diretoria, a comunidade por estar junto com eles esse ano, mais um ano. Dez anos, vamos que vamos, vamos tentar, se Deus quiser e ele há de querer botar o especial, né irmão, que já está na hora. e aqui há dez ano e estava no especial, caiu depois nunca, mas voltou mais junto com eles esse ano, mais um ano, né? Dez anos, vamos que vamos, vamos tentar, se Deus quiser e ele há de querer botar o especial, né irmão, já está na hora, né? Estou aqui há dez anos e estava no especial, caiu depois nunca mais voltou. Não abandonei, já tive proposta de outras escolas na época, Manteiga sabe disso e eu falei, não, caímos juntos, vamos subir junto. Então, essa parceria é amor, é carinho, fidelidade, e é uma coisa que eu não tive em outras escolas, mas não por eu não abandonei, já tive proposta de outras escolas na época, Monteiro sabe disso e eu falei, não, caímos juntos, vamos subir junto. Então, essa parceria é amor, é carinho, fidelidade, né e é uma coisa que eu não tive em outras escolas, mas não por desmerecimento de nada, simplesmente porque o o povo é complicado. As pessoas são complicadas. Aí houve uma coisa, outra, mas a gente mostra aí que o trabalho com o decorrer do tempo a gente vai mostrando, fazer meia quadra e tô aí cantando, graças a Deus”, desabafou o cantor.
O intérprete detalhou melhor o funcionamento para a escolha. De acordo com Agnaldo, foi fundamental a ida aos estúdios para análise da comissão julgadora. “Então, o processo é assim, a gente espera chegar aos sambas finalistas para termos mais ou menos uma ideia dos sambas que podem representar a nossa escola. Como um ‘bon-vivant’, de quarenta anos de pista, aí que eu fiz, eu peguei todas as matrizes dos sambas que foram para final, essa semana passada. Nos vimos cantando e fomos para o estúdio, coloquei a voz em todos os sambas. Então praticamente tá gravado, mas na voz dos cantores eu tirei e coloquei só a minha e a diretoria ouviu, havia dúvida até então. Mas aí na voz é uma coisa, aí eu falei, vamos aguardar para ver a bateria, porque a pulsação mudou. Voltou a velha guarda com todo respeito, então a gente tá acostumado, né? Com o mestre Mateus que estava aí, mas a bateria representou grandemente hoje e realmente foi a decisão. E com todo respeito estávamos meio em dúvida, mas depois de hoje não teve dúvida”, completou.
Um grupo de meninos da comunidade do Morrinho, no município de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, ganhou fama nacional, às vésperas do Carnaval de 2018, quando o vídeo de uma brincadeira viralizou nas redes sociais. Nas imagens em questão, o jovem Wendel Santtos, então com 12 anos, aparece regendo os amigos enquanto simulam uma bateria. Em um palco improvisado, os garotos fazem uso de baldes, latas e garrafas pet, além das próprias vozes, para entoar o samba-enredo da Beija-Flor de Nilópolis daquele ano.
Fotos: Diogo Sampaio/CARNAVALESCO
“Quase sempre batia lata, eu e os meninos do Morrinho. Um certo dia, estávamos na rua tocando balde, garrafa PET, e passou um rapazinho, um vizinho, que parou para gravar. Na hora, eu estava cantando o samba da Beija-Flor de 2018, que para mim é um samba que vai ficar marcado na minha trajetória de vida. Aliás, aonde eu vou, canto esse samba da Beija-Flor de 2018. E depois que esse rapaz parou e gravou a gente, ele postou. Logo à noite, no mesmo dia, o vídeo repercutiu e fez o maior sucesso. Em um primeiro momento, nem consegui acreditar no que estava acontecendo”, recordou Wendel, em entrevista concedida a reportagem do site CARNAVALESCO.
Na época, o registro fez tanto sucesso na internet que chamou a atenção de Neguinho da Beija-Flor e da direção da azul e branca. Os meninos chegaram a vir para o Rio de Janeiro e tiveram a oportunidade de conhecer pessoalmente o intérprete e outros integrantes da escola. Além disso, eles receberam a doação de instrumentos profissionais. Também em conversa com a reportagem do site CARNAVALESCO, o cantor oficial da azul e branca relembrou como foi este encontro com os jovens e relatou o que sentiu ao assistir as imagens pela primeira vez.
“Quando eu vi o vídeo, me remeteu muito a minha infância. Eu também tinha a vontade de ser um Jamelão, um Roberto Silva, um Jorge Veiga, né? Era os sucesso da época que eu tinha meus 10, 12 anos. E eu fazia aquilo também, a mesma coisa. Era folia de reis e o samba. Lembro que eu juntava a molecada e ficava batendo na lata de goiabada. Então, quando eu vi, me emocionei muito. Não só eu, porque viralizou no país, no mundo todo. Depois, entrando em contato com os meninos, eu vi que além deles terem vontade de tornar aquele sonho realidade, eles tinham qualidade também, tinham potencial”, afirmou o cantor.
E mesmo após o Carnaval de 2018, Neguinho seguiu mantendo contato com Wendel Santtos. Desde então, os dois chegaram até a gravar uma música chamada “Vai Menino”, em referência aos sonhos e à fé de um garoto, no ano de 2019. Agora que o jovem completou a maioridade, uma nova parceria foi firmada entre eles. O intérprete, desta vez, convidou Wendel para integrar o carro de som da Deusa da Passarela.
“Há uns dois meses, o Wendel fez dezoito anos. Desde o episódio do vídeo, eu tenho acompanhado o trabalho dele de longe. Ele canta bem, futuramente vai compor também, então decidi trazer para fazer parte do nosso carro de som e ser mais um membro da nossa família Beija-Flor. Fiz um pedido à diretoria, ao nosso presidente de honra Anísio, ao nosso presidente Almir Reis, e eles me disseram que também já estavam de olho. Ou seja, juntou a fome com a vontade de comer. Então, está aí: Wendel Neguinho Júnior. Ele botou só Neguinho Júnior, mas minha sugestão é que ele deixe três nomes. Afinal, é importante ficar com o dele também, que aí futuramente o Neguinho Júnior sai e fica só Wendel da Beija-Flor”, declarou o intérprete, de forma bem-humorada.
A relação de Wendel com o samba e o Carnaval teve início ainda nos primeiros anos de vida. O pai dele, por exemplo, é um dos responsáveis pelo Boi Pintadinho, uma tradicional manifestação cultural de Campos dos Goytacazes. Já a paixão pela Beija-Flor propriamente começou por volta dos nove anos. Junto com ela, surgiu a admiração dele por Neguinho. A influência é tamanha que, além do nome artístico, o intérprete serviu de inspiração até mesmo para cacos e bordões.
“Sempre fui muito ligado ao mundo do samba, ao Carnaval. O meu pai tem uma agremiação lá em Campos dos Goytacazes, então eu sempre respirei samba. Meu avô também, já cantou no Carnaval da cidade, de repente meu talento veio até dele. E, em 2018, essa coisa de querer cantar e tocar ao mesmo tempo, ficou ainda maior, até pelo samba da Beija-Flor naquele ano. Sempre fui fã do Neguinho, é a minha maior inspiração, tanto que eu até adotei os jeitos, os cacos dele, na hora de cantar. Pessoal em Campos até costuma me chamar de Neguinho da Beija-Flor campista. Lá na cidade eu dou o grito de guerra do Neguinho, falo o ‘beleza, beleza’, o ‘bora gente’ e tudo mais. Tudo que o Neguinho faz na Marquês de Sapucaí, que ele construiu durante a vida toda, é o que eu mais ou menos tentei fazer lá na minha cidade. Tem gente que fala que eu não paro de imitar o Neguinho, que não sei o quê, mas logo respondo para me deixar assim, porque eu me sinto bem dessa forma. Se Papai do céu achar que não vai ser, não vai ser; mas se tiver que ser, vai ser. É isso, eu vou continuar imitando Neguinho, porque eu gosto, sempre fui fã e tenho um amor muito grande por ele”, assegurou Wendel.
Tendo agora a chance de trabalhar ao lado do ídolo, Wendel Santtos não esconde a emoção. Para o jovem cantor, a oportunidade de atuar com Neguinho e na Beija-Flor de Nilópolis trata-se da concretização de um sonho que, por muitas vezes, pareceu inalcançável.
“Até me faltam palavras para poder falar, descrever o que estou sentindo. A ficha ainda não caiu. Eu nunca imaginaria que um dia eu pudesse cantar na escola que eu amo de coração, ao lado do Neguinho da Beija-Flor. Muitas vezes, me emociono só de ouvir o Neguinho cantar, fico cantando junto, choro também… Não tem jeito, o amor meu pela Beija-Flor é muito grande. As pessoas até falavam: ‘Wendel, um dia você vai chegar lá e tudo’, mas parecia um sonho distante. Eu até acreditava, às vezes, pelo potencial que eu tenho, que é cantar, mas depois desacreditava. Mesmo sendo um grande sonho, a gente fica um pouco com o pé atrás. Mas aconteceu, Papai do céu abençoou, e eu agradeço muito ao Neguinho. Minha eterna gratidão, sempre”, pontuou.
E para conseguir realizar este sonho, Wendel Santtos teve de abdicar de toda uma vida em Campos dos Goytacazes. A princípio, o jovem ficará morando em Nilópolis, onde também seguirá estudando. Cursando atualmente o primeiro ano do ensino médio, ele já pediu transferência e até mesmo conheceu o novo colégio.
“Ainda é tudo muito novo. Cheguei faz pouco tempo, estou tendo meus primeiros contatos com a escola, tenho que conhecer mais. Se eu não me engano, essa é a quinta ou a sexta vez que eu estou vindo na cidade do Rio de Janeiro. Então, o impacto é sim muito grande, porque é uma troca de vida. A gente precisa ter muita coragem mesmo. Tenho apenas 18 anos, uma vida inteira lá em Campos, mas por conta de um sonho que está sendo realizado resolvi enfrentar e abraçar toda essa oportunidade que Papai do céu, que a Beija-Flor e o Neguinho estão me proporcionando. Com certeza, vou superar todas essas barreiras aí de mudança, de troca, de costume. Tenho fé que futuramente vai valer a pena”, disse Wendel.
Responsável por fazer o convite, Neguinho da Beija-Flor admitiu na conversa com a reportagem do site CARNAVALESCO que o jovem cantor se trata de uma aposta sua para o futuro. Por esse motivo, o veterano está dando todo o suporte necessário para Wendel, principalmente nas questões relacionadas aos estudos.
“É uma aposta e com certeza já deu certo. Se tivesse dúvida, o convite não seria feito. Ele já foi apresentado à ala de compositores, ao pessoal do nosso carro de som e da harmonia. Como eu disse, eu fiquei acompanhando ele, com o nome de Neguinho Júnior, cantando lá em Campos nos bares, nas rodas de samba, desde novinho e decidi que quando completasse 18 anos ia fazer a proposta. Como ele ainda está em período de escola, vamos providenciar a transferência do colégio para que possa vir em definitivo. Foi até uma coisa que alertei, que não pode deixar o estudo. Inclusive, essa foi uma preocupação da diretoria da Beija-Flor. O Wendel vai estudar e no mesmo colégio onde meus filhos e meus netos estudaram”, garantiu Neguinho.
Quem também falou com a reportagem do site CARNAVALESCO sobre a chegada de Wendel Santtos foi o diretor de Carnaval da Beija-Flor de Nilópolis, Dudu Azevedo. O dirigente relatou como foram as conversas com Neguinho da Beija-Flor antes do convite e declarou que a agremiação está com as portas abertas para receber o mais novo integrante.
“O Neguinho sempre tem essas ideias e traz para gente. Quando o assunto é carro do som, respeitamos muito essa entidade, que é o Neguinho na escola. Ele conversou com o presidente Almir, me ligou também, e defendeu que a gente tinha que investir no garoto, que ele tinha potencial de estar conosco. O Wendel tem um laço com a Beija-Flor desde o episódio do vídeo, da situação da bateria, e demonstra ter um amor pela escola. Não é nascido em Nilópolis, mas é um nilopolitano, tem sangue azul e branco. E os pilares da Beija-Flor são o trabalho social, o trabalho de escola de samba, que visa mais do que nunca também a gente engrandecer o nosso carro de som, ainda mais neste momento que ele é tão visto no quesito harmonia. Então, com a chegada do Wendel a gente está lidando com os nossos principais lados, o social e o Carnaval. Quanto as tratativas para vinda, o Neguinho é quem fez tudo e só trouxe para gente da escola a necessidade de colocar o Wendel no carro de som. O que a gente aprende de cima com a Beija-Flor, de ter uma responsabilidade social, o Neguinho traz com ele e acaba emanando em todos nós. A escola abriu as portas, mas quem está de frente disso tudo é o Neguinho”, ponderou Dudu Azevedo.
Em 2024, a Beija-Flor de Nilópolis terá como enredo “Um delírio de Carnaval na Maceió de Rás Gonguila”, assinado pelo carnavalesco João Vitor Araújo. Na ocasião, a Deusa da Passarela será a segunda agremiação a passar pelo Sambódromo da Marquês de Sapucaí no domingo, dia 11 de fevereiro, pelo Grupo Especial. Esta será a primeira vez que a azul e branca desfilará nesta posição.
A Ilha é a voz do povo preto! Com um refrão que sintetiza o clamor da luta contra o racismo, pregando justiça e respeito, o samba da parceria de André de Souza, John Bahiense, Ricardo Castanheira, Leandro Pereira, Leandro Augusto, Júlio Assis, Flávio Stutzel e Vagner Alegria foi sagrado o vencedor na final do concurso para escolher o hino oficial da União da Ilha do Governador para o Carnaval de 2024. A obra vai embalar o enredo “Doum e Amora: crianças para transformar o mundo!“, assinado pelo carnavalesco Cahê Rodrigues, inspirado livremente no livro “Amoras”, do rapper e escritor Emicida, e em contos infantis do universo da literatura brasileira negra. A proposta é através do olhar infantil debater questões antirracistas e a intolerância religiosa. A agremiação, no ano que vem, será a quarta escola a cruzar a Marquês de Sapucaí no sábado de Carnaval, dia 10 de fevereiro, segunda noite da Série Ouro.
Ao CARNAVALESCO, o compositor Júlio Assis comentou o que representou a vitória na disputa de samba. “Significa muita coisa para mim ser campeão logo na primeira vez em que eu estou disputando em uma escola tão tradicional como a União da Ilha. É um máximo. Fui super bem recebido, adorei o projeto e fomos coroados sendo escolhidos. E quanto a parte do samba que mais toca o meu coração é o refrão do meio, principalmente o verso ‘Bate tambor, bate tambor pro Erê’. É muito bom, é a minha paixão”.
Cabeça da parceria, o compositor André de Souza citou que o trabalho na escola sempre acontece buscando uma melodia diferente. “A gente sempre vem com uma linha diferente. Os nossos sambas, são sambas inteligentes, com melodia, com letra forte, só que a gente não era reparado. Eu sempre falei que uma hora nossa estrela ia brilhar, e finalmente brilhou. Agora, as pessoas vão ver quem é André de Souza, quem é John Bahiense, quem é Leandro Augusto, que é Leandro Pereira, que é Júlio Assis. Estão reconhecendo a gente, que aqui tem samba. É samba feito na Ilha, com amor. Aqui não existe escritório, somos nós que fazemos. Esta é minha segunda vitória, já tinha ganhado em 2018, mas essa tem um gosto diferente, porque foi só a minha galera. Já em 2018, a gente juntou parceria. Então, vencer só com os meus é muita felicidade. Como diz o nosso refrão principal, a Ilha é a voz do povi preto. Esse verso me representa. A gente vai mostrar a força do negro, não queremos atacar ninguém, queremos é igualdade, apenas isso”.
Os compositores Ricardo Castenheira e Leandro Pereira também comentaram a vitória na Ilha. “Nós fizemos o samba por amor a arte e a nossa comunidade. Queremos respeitar a nossa ancestralidade. Com certeza, a minha comunidade abraçou e o resultado entregamos a Deus. Hoje a Ilha tá em festa. Passei 30 anos sem escrever um samba, 28 anos sem subir no palco e voltei a agora. Então, o maior presente que eu posso receber é a minha comunidade estar feliz, que é o que importa. Agora, nós vamos para a avenida para mexer com o povo carioca, com um samba que fala da batalha contra o preconceito e do apoio ao povo preto”, disse Castanheira. “O sentimento é imenso. Eu tenho 29 anos nessa comunidade e é um presentão de 30 anos ter um samba meu no desfile. A escola aderiu, a comunidade abraçou e a gente tem que comemorar muito”, completou Leandro.
Carnaval de resgate na Ilha
O presidente da agremiação, Ney Filardi, conversou com a reportagem do site CARNAVALESCO durante a final do concurso de samba-enredo e falou sobre as expectativas para o desfile do ano que vem. Segundo o dirigente, a União da Ilha pretende fazer um carnaval de resgate para além da identidade da escola, retomando a organização e o planejamento que outrora foram marcas da tricolor insulana.
“A União da Ilha irá fazer um Carnaval totalmente diferente do que foi ano passado, um Carnaval mais organizado. Espero que as autoridades municipais, estaduais e federais, já que vão dar a chamada subversão, que dêem em um prazo mais flexível, que não seja igual desfile passado. As escolas da Série Ouro receberam o dinheiro da Prefeitura muito tarde. Olha que o Eduardo Paes é meu amigo, é meu irmão querido, mas o dinheiro entrou faltando 39 dias para o Carnaval, isso é inadmissível. Mas, independente disso, já estamos nos organizando de forma que esperem um Carnaval completamente competitivo. Nosso objetivo é o título”, garantiu o presidente.
Ney Filardi também falou sobre a mudança de barracão da União da Ilha para o Carnaval de 2024. A escola se mudou para um espaço localizado na Via Binário do Porto, próximo a Cidade do Samba. O local, até o desfile passado, era ocupado pela Porto da Pedra, campeã da Série Ouro em 2023.
“Quero publicamente agradecer ao meu amigo Fábio Montebelo, presidente de honra da Porto da Pedra, que muito gentilmente cedeu o barracão. Com todo respeito a todas as agremiações, nós estamos agora no melhor barracão da Série Ouro. A Viradouro esteve lá e saiu campeã. A Porto da Pedra também. É um barracão de sorte”, disse, bem-humorado, o presidente da tricolor insulana.
Cahe: ‘Enredo é junção de coisas que a Ilha ama’
A União da Ilha irá para o terceiro Carnaval consecutivo na Série Ouro. No primeiro desfile após o rebaixamento do Grupo Especial, a tricolor insulana obteve um terceiro lugar com “O vendedor de orações”, uma homenagem a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. No ano seguinte, a agremiação decidiu fazer um tributo para a madrinha Portela em “O encontro das Águias no templo de Momo”, que terminou apenas em sexto lugar. Em busca de alcançar o campeonato em 2024 e garantir o retorno para primeira divisão da folia carioca, a escola irá apostar na mistura das temáticas africana e infantil, através do enredo “Doum e Amora: crianças para transformar o mundo”, inspirado na obra de Emicida.
“Esse enredo para 2024 é uma junção de coisas que a Ilha ama, que são os temas infantis e afro. Quando lá atrás eu comecei a perguntar para galera o que eles queriam como enredo, sempre ficavam entre esse dois temas, por isso acabei juntando os dois. É claro que é uma temática afro totalmente diferente, por ser aliada com uma temática infantil, mas que nada tem a ver com o ‘Brinquedo e Brincadeira’ como as pessoas chegaram a especular no início. A gente tem a essência do infantil no enredo, mas não é um enredo de brincadeirinha de criança, pelo contrário. Nossa proposta é muito séria, mas que vai ser contada por duas crianças. Ou seja, podem esperar uma Ilha muito colorida, uma Ilha leve, eu eliminei muito esplendor e muita coisa gigante que a gente usou no último carnaval, e com uma mensagem muito direta. O nosso desafio era encontrar uma estética pra esse Carnaval e acho que as pessoas vão gostar muito do resultado”, afirmou Cahê Rodrigues em entrevista concedida ao site CARNAVALESCO.
Programação dos ensaios
Com o samba já definido em pleno mês de agosto, a União da Ilha irá iniciar os ensaios de quadra em setembro e irá para rua em outubro. É o que revelou o diretor de carnaval da agremiação, Dudu Falcão, durante conversa com o site CARNAVALESCO.
“Antecipamos bastante a nossa final exatamente para gente ganhar a nossa matéria-prima mais cedo para poder trabalhar e transformar em uma joia. Nós tivemos uma grande satisfação de fazer uma final onde os quatro sambas finalistas caberiam tranquilamente em um desfile para gente. E escolhido o melhor, vamos trabalhar aí duas semanas em cima do samba, ensaiando o nosso carro de sol com esse samba e tentar lançar ele até antes da gravação oficial para que as pessoas conheçam melhor ainda o nosso nosso trabalho. Então, acredito que na metade de setembro nós vamos começar já com ensaio de quadra e vamos também antecipar o ensaio de rua, que é algo que é muito mais saudável para o componente da Ilha, que é muito importante e agrega muito mais. A previsão é que no mês de outubro a gente vá para rua trabalhar o nosso Carnaval”, contou Dudu.
Nêgo: ‘Eu sou pé quente’
Novo intérprete da Ilha para 2024, Nêgo citou a relação com a escola. “Foi maravilhoso esse encontro. Trabalhei aqui na Ilha, na Praia da Rosa, em um estaleiro. Cheguei aqui e me familiarizei por ser um lugar maravilhoso e ter uma escola de tradição. Eu fico muito feliz de ter vindo para a Ilha. Eu tenho a felicidade de ser intérprete oficial dessa escola, pela primeira vez. Estou vindo para cá porque sempre fui fã do Aroldo Melodia. Sou fã do Ito (Melodia), que está em outra agremiação. Abriu essa oportunidade e foi muito bom estar nessa grande agremiação”.
O cantor vem de dois títulos seguidos na Série Ouro, com o Império Serrano (2022) e com a Porto da Pedra (2023). “Eu sou um cara que peço bastante a Deus, ao santos e aos orixás, que me iluminem no momento de entrar na Sapucaí. É sempre uma mágica, aquela avenida. Eu tive a oportunidade de passar por grandes escolas, e meu sonho sempre foi fazer um trabalho na União da Ilha. Estou realizando. Tenho certeza que vou entrar na avenida em busca do campeonato para a escola”.
Apesar das vitórias, Nêgo não tem conseguido voltar ao Grupo Especial. Porém, ele disse que a decisão não é sua, mas das escolas. O intérprete, um cara do bem, não polemizou. “Essa questão de subir e não ficar na agremiação é decisão da escola. As pessoas têm opção de ficar com o cantor ou não. Quando você casa com uma pessoa, a opção de ficar com ela é sua. Foi opção da diretoria não ficar comigo na escola. Mas, eu tenho certeza de que não faltei com nenhum compromisso com a nenhuma agremiação. Isso é o mais importante pra mim: ter feito o meu trabalho sem faltar, sem dar problema e sem nada. Eu fico muito feliz com isso”.
Carinho de Nêgo e Neguinho
Durante a final de samba-enredo da União da Ilha, o intérprete Nêgo chamou o irmão Neguinho da Beija-Flor ao palco. Os dois trocaram carinho. Neguinho até brincou: ‘O presidente Ney Filardi falou que o Nêgo é um Viagra. Onde ele chega levanta tudo’. Depois, o cantor da Beija-Flor fez apresentação rápida e luxuosa com o auxílio da sua nova joia Wendel Santtos.
Durante a final de samba-enredo da União da Ilha, na noite de sábado, o intérprete Nêgo chamou o irmão Neguinho da Beija-Flor ao palco. Os dois trocaram carinho. Neguinho até brincou: ‘O presidente Ney Filardi falou que o Nêgo é um Viagra. Onde ele chega levanta tudo’. Depois, o… pic.twitter.com/XMR1SyWlN5
Comandante da “Baterilha”, mestre Marcelo Santos fez um balanço do desfile de 2023. “É bastante positivo. Nós conseguimos gabaritar. Não foi suficiente para a escola conseguir o acesso, mas pelo menos meu quesito se comportou muito bem. Eu fiquei muito satisfeito e os, tão sonhados, 40 pontos vieram”.
Depois, ele contou o que pode melhorar na bateria para o ano que vem. “Sempre tem algo a melhorar. Não pode se acomodar porque conseguiu os 40 pontos. A Série Ouro é muito competitiva e tem grandes baterias, então não podemos deixar a desejar em nada. E a bateria da Ilha é renomada, por isso, temos sempre que trabalhar para manter o alto nível”.
Mestre Marcelo Santos aprovou o enredo e citou o que pode render para bateria. “Muda bastante o nosso modo de trabalho de 2023 para 2024. Tem que fazer outra roupagem, já que no ano passado nós fizemos um trabalho mais tradicional. Para 2024, terá outra pegada, com instrumentos de matriz africana. Já tenho ideia do que será feito. Nas apresentações dos sambas concorrentes, fizemos umas bossas neles, visando qual se adapta mais ao nosso estilo de bateria. Não é oficial, mas é teste para ter uma ideia do que será feito no desfile. Ajuda bastante escolher o samba ainda em agosto, porque a gente passa a ter um tempo maior, até mesmo para a gravação do CD. Porque sem correria para gravar, podemos fazer o mais próximo possível do que será apresentado no desfile”.
Casal unido e feliz na Ilha
Pelo segundo ano consecutivo, Thiaguinho e Amanda, formam o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. “Foi a realização de um desejo voltar a dançar com a Amanda, que eu esperava há muito tempo. Tudo o que eu vivi, com a minha parceira anterior na outra agremiação, foi muito especial. Mas, eu tenho uma conexão de vidas com a Amanda”, disse o mestre-sala.
“Foi incrível. Eu me considero uma pessoa muito competitiva, então ter essa responsabilidade de novo, de pontuar, estando ao lado do meu parceiro de vidas, me deu mais segurança para poder voltar a pontuar. Foi em um momento perfeito, do nosso reencontro. E, a cada dia que passa, por incrível que pareça, a gente consegue criar ainda mais afinidade, movimentos e ideias. Tudo flui de forma muito gostosa”, completou a porta-bandeira.
O mestre-sala comentou que o enredo de 2024 atende muito a dupla. “É 100% familiar. Quando foi anunciado o enredo, as nossas redes sociais ficaram cheias de mensagens de pessoas querendo saber se nossos erês irão aparecer novamente. Não quero colocar expectativas em ninguém, mas eles vão aparecer sim. Nós vamos matar saudade desses personagens que tanto ajudaram a gente. Porque foi depois de representar os erês na Renascer de Jacarepaguá, que nós tivemos a oportunidade de ir para o Grupo Especial. Quem sabe não acontece o mesmo dessa vez?”
Amanda disse que a dupla ainda não viu a fantasia de 2024. “Ainda não. Ele (carnavalesco Cahe Rodrigues) só circulou as ideias. Ele faz mistério até o dia de mostrar o figurino, mas só do que ele falou, a gente já ficou bem empolgado. Agora, estamos só aguardando ele mostrar”.
Análise das parcerias na final
Parceria de Márcio André: O primeiro samba a se apresentar na final da disputa realizada pela tricolor insulana foi o composto por Marcio André, Marquinhos do Banjo, Gugu das Candongas, Vitor Lajas, Junior Nova Geração, Rafinha da Ilha, Romeu D’Malandro, Lobo Junior, Bigode e Marcio André Filho, com as participações especiais de Arlindinho Cruz, Inácio Rios e Igor Leal. A obra, defendida pelo intérprete Tinga, teve um bom desempenho, mas perdeu força ao longo dos 25 minutos destinado para cada parceria. O ponto alto do samba foram os dois refrões, com destaque para o refrão principal que tinha os versos “Oh minha Ilha! Rufam os tambores/Teu arco íris tem todas as cores/O mundo no olhar de um coração infantil/Um amor que jamais existiu”. A torcida veio ornamentada com bandeiras e balões nas cores da agremiação, além da utilização de bastões de luzes coloridas. Houve ainda a utilização de um elemento cenográfico que de um lado representava Amora e do outro Doum. Também teve a performance de dois artistas circenses em pernas de pau. No começo da apresentação, os torcedores entoaram o samba a plenos pulmões, mas o canto sofreu uma queda gradual a partir da terceira passada até perder força. Quanto ao restante da quadra, se observou uma reação tímida com poucas pessoas cantando e sambando.
Parceria de André de Souza: O samba assinado por André de Souza, John Bahiense, Ricardo Castanheira, Leandro Pereira, Leandro Augusto, Júlio Assis, Flávio Stutzel e Vagner Alegria foi o segundo a se apresentar na noite de decisão. Com a condução do intérprete Evandro Malandro, a obra teve um excelente desempenho e a torcida manteve o canto forte ao longo de todos os 25 minutos de apresentação. Foram utilizadas bandeiras e balões nas cores azul, vermelha e branca, que são as da escola, além da cor preta. Em comparação a primeira parceria, houve maior receptividade da quadra ao samba. Novamente, os destaques foram dois refrões. Porém, no caso da obra da parceria encabeçada por André de Souza, o que mais despontou foi o do meio, com os versos “Bate o tambor, bate tambor pro Erê/Sacode o canjerê, é festa no terreiro/Tem brincadeira, bolo e guaraná/No toque do adjá/É samba mandingueiro”.
Parceria de Noca da Portela: A parceria de Noca da Portela, Almir da Ilha, Ciraninho, Queiroga, Milton Carvalho, Playmobil, Rafael Carvalho, Marcelo Martins, REP e Marcinho M2 foi a terceira a ocupar o palco na final da disputa promovida pela União da Ilha. O intérprete Gilsinho foi o responsável por defender o samba. Com bandeiras e balões nas cores da escola, a torcida demonstrou bastante animação e cantou o samba durante os 25 minutos de apresentação, principalmente nos refrões. No restante da quadra, a tendência se repetiu, sendo os refrões os trechos de maior aderência também. Além deles, outro destaque da obra foi os versos “Axé… Ergue o punho e solta a voz/Essa luta é de todos nós/As correntes vão quebrar”, presente na segunda estrofe.
Parceria de Régis: A obra criada pela parceria de Régis, Kadinho da Ilha, Deco, Victor Rangel, Jb Oliveira, Camila Lúcio, Wagner Zanco, Almeida Sambista, Sérgio Alberto Romano e Samir Trindade encerrou as apresentações na final da União da Ilha do Governador. O intérprete Wander Pires comandou o microfone principal, tendo o reforço do também intérprete Tiganá. O samba melodioso e aguerrido conseguiu ter uma alta performance pelos 25 minutos, tendo como ponto o refrão do meio com os versos: “E lá vai nosso menino/No Cavalo de Ogum (Ogunhê, Ogunhê)/Salve nossas realezas/Cosme, Damião, Doum (Erê rê rê rê rê)”. A torcida cantou, sambou e pulou durante toda a apresentação. Assim como ocorreu nas demais parcerias, houve uso de adereços como balões e bandeiras nas cores azul, vermelha e branca. Também teve o uso de chuva de serpentina. Apesar do show feito pela torcida e da interpretação de Wander Pires, a obra não conseguiu conquistar por completo o restante da quadra, que só mostrava maior reação durante os refrões.
Boa notícia para os apainonados pela Mocidade Independente de Padre Miguel. Nos próximos dias, os torcedores da Estrela Guia contam com uma loja virtual para comprarem produtos da escola de coração.
“Esse era um dever nosso com toda a torcida. Um desejo antigo do presidente Flávio. Sabíamos da dívida e agora vamos começar um novo momento de aproximação com o Independente. Sabemos do potencial que a Mocidade tem em nível nacional e até em países como Argentina e Portugal, por exemplo. Por isso, queremos estar próximos atendendo com nossos produtos a todos que quiserem consumir a Estrela Guia. É um projeto que vem para reforçar a nossa marca, mas sem dúvida alguma, trazer um faturamento incremental para o dia a dia da escola também”, explicou Bryan Clem, diretor de marketing.
A escola projeta diversos materiais clássicos que o torcedor já consome, como camisas, boné e ainda promete novidades. “Vamos trabalhar com o enxoval clássico que o torcedor já está acostumado e quer consumir na loja oficial da Escola, mas também trazer o nosso posicionamento de inovação e vanguarda em algumas linhas. O torcedor pode esperar muita novidade em diversas categorias”, assegurou Bryan Clem.
Perguntado qual será a grande aposta da loja virtual, o diretor de marketing da Mocidade revela: “Será em uma linha que visa trazer as tendências da moda casual para a realidade de uma escola de samba. Vamos ter algumas linhas focadas nos jovens. Nossa missão é rejuvenescer essa base consumidora e fazer com que a gente esteja na briga pelo hábito de compra deste público, que hoje ainda nem considera usar produto licenciado ligado ao carnaval”.
Inicialmente, a escola fará a entrega por intermédio dos Correios. “Para esse primeiro momento usaremos os métodos clássicos de envio como Correios. Mas, já estamos em conversas para usar ferramentas como compre e retire em pontos para deixar o mais prático e rentável ao nosso torcedor”.
Sobre a importância de chegar no virtual com os produtos da escola, Bryan Clem cita o trabalho realizado todos os meses do ano e que geram custos. “Uma escola funciona o ano inteiro. Claro que as sazonalidades ajudarão demais nas vendas, mas termos uma fonte incremental de renda que fomente todo ano é sempre um fator agregador ao nosso fluxo. A nossa missão como marketing é tentar buscar novos negócios para a realidade da agremiação”.
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Ajuda para produção do desfile
“Como vocês sabem, uma escola funciona o ano inteiro. Claro que as sazonalidades ajudarão demais nas vendas, mas termos uma fonte incremental de renda que fomente todo ano é sempre um fator agregador ao nosso fluxo. A nossa missão como marketing é tentar buscar novos negócios para a realidade da agremiação”.
Marketing online e redes sociais na Mocidade
“Nós tínhamos duas grandes missões prioritárias com o torcedor: loja on line e fomentar o Youtube. A primeira já foi. Agora, vamos focar na segunda e já temos muita coisa em produção. A chegada do Zé Paulo Sierra agregou demais nisso. É um profissional super antenado e vai ajudar demais com nosso projeto audiovisual para o canal oficial da escola. Já nas redes sociais, a nossa missão é seguir na vanguarda para contribuir não só aos Independentes, mas também ao carnaval como um todo. Sabemos da responsabilidade de termos vencido por dois anos seguidos o prêmio de melhores do ano e continuamos trabalhando muito para manter o posto de referência no segmento”.
Área do marketing e digital no carnaval
“Nós evoluímos muito nos últimos dois anos. Todas as escolas buscaram investir cada vez mais em profissionais capacitados para desenvolvimento da área. As mudanças no modelo de negócio da Sapucaí como um todo são ótimos termômetros para seguirmos juntos na busca de novas parcerias. A nossa grande missão é expandir ainda mais novos negócios. Monetizar as redes sociais, fazer com que grandes empresas, enfim, enxerguem o valor da nossa cultura e que aqui podemos também ser alicerces de planos de marketing. Uma escola pode entregar conteúdo, ações, base de dados, pois aqui temos consumidores fiéis, alcance e muita gente boa por trás querendo fazer acontecer”.