A retomada da Parada LGBTI+ reservará , além de entrenimento e muita festa, doses de emoção para o público que vai, no dia 29 de outubro, tomar as ruas de Madureira para fazer parte do movimento organizado por Rogéria Meneghel, presidente do grupo MGTT, e Milton Cunha, responsável pela direção artística do evento.
Foto: Anderson Borde/Divulgação Salgueiro
Já confirmados como reis da Parada, Amaury Lorenzo e Diego Martins receberão a atriz Viviane Araújo, que reina absoluta à frente da bateria Furiosa do Salgueiro há 15 anos. A artista, além de encantar a Sapucaí, foi a primeira rainha da Parada, e sempre marcou presença no evento. Este ano, ela receberá o título de Eterna Rainha da festa.
“Estou muito feliz com o retorno da Parada de Madureira, um evento necessário em todos os sentidos! Eu, que fui a primeira Rainha da Parada, recebi o título de rainha vitalícia pela querida e saudosa Loren, a fundadora da parada, agora recebo com muita honra essa homenagem. É um prazer enorme fazer parte de tudo isso”, diz Viviane, que sempre fez questão de participar da festa, assim como David Brazil que, por conta de compromissos profissionais este ano, não confirmou presença.
Para Milton Cunha, ter Viviane Araújo na retomada da Parada LGBTI+ de Madureira, é a comprovação de que o movimento criado por Loren do Buá, resiste.
“O Carnaval e o movimento LGBTI+ andam lado a lado, não somente pela grandiosidade e pela inclusão. Ambos são movimentos democráticos, de massa, com mensagens claras e objetivas, que incluem respeito à diversidade, à liberdade de escolha e isso é mais do que necessário. Não é só festa, é luta feita de forma lúdica”, diz o pesquisador, carnavalesco e comentarista de Carnaval pela TV Globo.
A concentração para a Parada LGBTI+ de Madureira acontece a partir das 9h, em frente à quadra do GRES Império Serrano. A partir das 14h, as ruas do bairro serão preenchidas pela alegria e cores típicas do desfile. Rainha das rainhas, Viviane recebe o título já no início do evento que terminará com muito samba no Parque de Madureira. No palco principal, o grupo SER, o Império Serrano e a Portela se apresentam para o público, encerrando a festa.
Serviço: Parada LGBTI+ A Retomada
Data: 29 de outubro
Horário: a partir das 9h (concentração em frente à quadra do Império Serrano); desfile a partir das 14h
Atrações: Amaury Lorenzo, Diego Martins, WD, Viviane Araújo, além de ícones da comunidade LGBTI+
Shows: Grupo SER, Império Serrano e Portela
Os componentes das alas de comunidade da Unidos de Vila Isabel terão um reforço no treinamento do canto para o Carnaval 2024. A direção musical da escola inovou e decidiu presentear os integrantes com uma aula especial com um preparador vocal, que acontece no primeiro ensaio, nesta quarta-feira, a partir das 20h, com entrada franca, na quadra.
O profissional escolhido é Pedro Lima, o mesmo responsável por treinar o cantor Tinga e os intérpretes do carro de som da agremiação. Graduado em canto pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), já trabalhou com artistas como Babu Santana e Miguel Falabella, além de assinar a produção musical dos filmes “Nosso Sonho” e “Tim Maia”, e de peças como “O Bem Amado” e “Opereta Carioca”. Também é fundador da escola Pedro Lima, onde desenvolve uma metodologia baseada na música brasileira e em seus gêneros.
No próximo ano, a azul e branca do bairro de Noel será a terceira escola a desfilar na segunda-feira, dia 12 de fevereiro, pelo Grupo Especial, com o enredo “Gbalá – Viagem ao Templo da Criação”, desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros.
Foto: Nelson Malfacini/CARNAVALESCO
A quadra da Vila Isabel fica no Boulevard 28 de Setembro, 382, em Vila Isabel.
A Unidos de Padre Miguel iniciou, através dos próprios perfis nas redes sociais, a divulgação dos protótipos das fantasias para o Carnaval de 2024. A reportagem do site CARNAVALESCO acompanhou o ensaio fotográfico das indumentárias, que foi realizado na quadra da escola e em localidades da Vila Vintém, e conversou com Lucas Milato, que assinará o desfile da agremiação no ano que vem junto com Edson Pereira, sobre esse passo a passo que é executado desde a criação do projeto até ele começar a ganhar forma.
Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO
“É um trabalho que se inicia ainda no momento em que a gente tira a ideia da cabeça. Depois, em uma segunda etapa, nós fazemos a escolha de materiais, o estudo deles, para conseguir adequar o projeto ao orçamento que a escola está disposta e pode arcar. Somente em seguida, a gente, de fato, começa a tirar esse sonho do papel efetivamente. Tendo isso em vista, acho que um ponto crucial para o êxito desses protótipos foi justamente a relação incrível que se construiu entre mim e toda a equipe, que inclusive é a mesma que reproduz as fantasias da Unidos de Padre Miguel. Obviamente, no momento de reprodução, há um quantitativo maior de pessoas trabalhando, mas a gente construiu uma relação muito bacana, de muito respeito, de muito cuidado e de muito profissionalismo também. Então, isso foi fundamental para os nossos protótipos saírem com tanto esmero e cuidado. Além disso, outro fator determinante para o sucesso foi o talento de toda a equipe da Unidos, seja a de ateliê ou de protótipo, desde o comprador até a minha própria equipe de criação. Tudo foi resultado de muitas mãos e graças ao talento de todas essas pessoas, de todas essas mentes pensantes, conseguimos finalizar os nossos protótipos com tamanha excelência”, comemorou o artista.
Ao todo, mais de 20 profissionais estiveram envolvidos no processo de confecção dos protótipos, entre equipe de criação, compradores e ateliê. Além disso, de acordo com Lucas Milato, a produção contou com mão de obra oriunda da própria comunidade e foi concluída algumas semanas antes do começo da divulgação, tanto que a reprodução dos figurinos já está em andamento.
“Finalizamos os protótipos das fantasias de ala há um tempo, mas os das composições demoraram um pouco mais para ficarem prontos. Por causa disso, só realizamos o ensaio fotográfico agora. Estávamos esperando essas composições, guardiões do casal. No entanto, durante esse processo, a reprodução já foi iniciada, tanto que algumas alas estão sendo reproduzidas nos mesmos ateliês em que fizemos os protótipos. Importante ressaltar que a gente busca, a todo momento, valorizar as pratas da nossa comunidade. Dessa forma, nós fazemos muita coisa na própria Vila Vintém. Graças a Deus, a gente está conseguindo dar a atenção necessária, tendo todo o cuidado para que a reprodução mantenha a excelência que os protótipos atingiram”, pontuou o carnavalesco da vermelha e branca.
No ano que vem, o Boi Vermelho da Vila Vintém irá levar para o Sambódromo da Marquês de Sapucaí o enredo “O Redentor do Sertão”. O tema parte da figura de Padre Cícero para fazer uma viagem pelo imaginário místico popular dos sertanejos, fazendo uma ligação entre as histórias de vida do povo com as benfeitorias e obras do religioso. Dessa forma, “causos” fantásticos, visões e milagres atribuídos ao “Padim” serão retratados, assim como a devoção daqueles que o vêem como uma representação divina.
“O Padre Cícero já esteve presente em vários enredos, mas não como tema principal. Isso, por si só, já é um diferencial. Quando a gente faz essa imersão, descobrimos muita coisa. Apesar da figura do Padre Cícero ter passado muito na Sapucaí, em São Paulo, em outros estados que também tem seus carnavais, a história dele é tão ampla e rica que permite sempre explorar algo novo. No caso da Unidos de Padre Miguel 2024, a forma que a gente está contando essa história é o que difere. A gente está se baseando em três sentimentos do povo nordestino, que é a esperança, o medo e a fé. A partir desses sentimentos, através de relatos fantásticos dos próprios nordestinos, a gente conta essa trajetória. Então, a gente cria um conto para, de fato, relatar a história de Padre Cícero. O nosso enredo passeia muito pelo lúdico, pelo folclórico, por esse próprio pertencimento, por essa fé do povo nordestino, que por sua vez dialoga muito com a fé do povo da Vila Vintém”, assegurou Lucas Milato.
Para retratar essa história na Avenida, a escola contará com diferentes propostas estéticas ao longo da apresentação. Por conta disso, segundo Lucas Milato, a gama de materiais utilizados nas fantasias e carros alegóricos também será diversa, indo desde objetos reutilizados a insumos mais requintados.
“É um enredo que passeia por muitos momentos. A gente tem, por exemplo, uma abertura mais lúdica, mais infantil. No segundo setor, a gente passeia por um universo mais folclórico, mais fantasioso. E chega, enfim, no terceiro setor, que é de muito luxo, quando a gente fala sobre a fé. É neste último trecho que trazemos referências ao barroco, a Igreja Católica. Posso dizer que estamos usando uma variedade de materiais bem interessantes. A gente vai desde a pluma verdadeira a pena fake, que hoje é um grande viral no Carnaval. São materiais mais sofisticados aliados com aqueles mais comuns, mais baratos. Aliás, muita coisa que a gente utilizou nos protótipos a escola já tinha no seu acervo, no seu almoxarifado. Então, aproveitamos o que deu para aproveitar e vamos fazer o mesmo nessa etapa de reprodução. Acho que isso é um grande diferencial. A gente está usando de tudo, literalmente. Não tem nenhum material em específico mais utilizado. É um desfile que vai passear por muitas cores. Inclusive, as nossas fantasias não são monocromáticas, salvo algumas exceções. Vários materiais, com diferentes texturas e efeitos, estão sendo empregados, então acho que tem um equilíbrio muito interessante”, relatou o carnavalesco.
Esse desfile de 2024 irá marcar a estreia de Lucas Milato na Unidos de Padre Miguel. O jovem artista está na folia carioca desde 2010, já tendo atuado em diferentes funções como assistente, desenhista e projetista. Entre as agremiações pelas quais ele já passou estão Paraíso do Tuiuti, Alegria da Zona Sul, Acadêmicos da Abolição, Em Cima da Hora e Unidos da Ponte. Recentemente, Milato assinou os dois últimos carnavais da Inocentes de Belford Roxo, conquistando um quarto e um terceiro lugar na Série Ouro. Ao comentar sobre esse novo desafio na carreira, o carnavalesco destacou que, ao desenvolver o projeto do ano que vem, buscou conciliar as próprias características com as da vermelha e branca da Vila Vintém.
“Cada escola proporciona um desafio diferente. A gente, enquanto carnavalesco, tem que se adequar a realidade da escola, a situação financeira dela, ao que ela já está acostumada a fazer. Por exemplo, nos meus dois últimos carnavais, a escola em que estava não me permitia usar vime. O motivo dessa proibição era o receio que eles tinham com esse material por problemas que aconteceram em anos anteriores. Curiosamente, o vime é um material que estou usando bastante na Unidos de Padre Miguel para 2024, até porque a nossa proposta estética, em alguns momentos, perde o uso. Então, é um processo de adequação que a gente vai tendo. Todo carnavalesco um dia vai passar por isso, porque as escolas têm suas peculiaridades e a situação financeira de cada uma é diferente. A própria diretoria, de certa forma, influencia um pouco nesse processo também. É uma adequação necessária e que geralmente não é nada muito difícil. É se encaixar no padrão que a escola já está acostumada a fazer, mas botando um pouquinho da própria personalidade e da própria estética também. No meu caso atual, tenho certeza que a comunidade vai se sentir bastante representada. Tanto as fantasias quanto as alegorias têm a energia da Unidos de Padre Miguel e com a minha identidade ali presente também”, explicou Lucas Milato.
Em 2024, a Unidos de Padre Miguel será a quinta escola a cruzar o Sambódromo da Marquês de Sapucaí no sábado de Carnaval, dia 10 de fevereiro. A agremiação irá em busca do título da Série Ouro e do tão sonhado acesso ao Grupo Especial.
A Portelafaz na sexta-feira sua final de samba-enredo para o Carnaval 2024. Três parcerias estão na grande decisão. Abaixo, você pode ouvir os sambas e votar. Vamos divulgar o resultado na tarde de sexta-feira.
No ano que vem, a azul e branca de Oswaldo Cruz e Madureira será a segunda escola a desfilar no Sambódromo da Marquês de Sapucaí na segunda-feira de Carnaval, dia 12 de fevereiro, pelo Grupo Especial. A agremiação irá em busca do seu vigésimo terceiro título de campeã da folia carioca com o enredo “Um Defeito de Cor”, desenvolvido pelos carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga. Baseado no romance “Um Defeito de Cor”, da escritora Ana Maria Gonçalves, a proposta é trazer uma outra perspectiva da história, refazendo os caminhos imaginados da história da mãe preta, Luisa Mahim.
A Beija-Flor faz na quinta-feira sua final de samba-enredo para o Carnaval 2024. Três parcerias estão na grande decisão. Abaixo, você pode ouvir os sambas e votar. Vamos divulgar o resultado na tarde de quinta-feira.
Em 2024, a Beija-Flor terá como enredo “Um delírio de Carnaval na Maceió de Rás Gonguila”, assinado pelo carnavalesco João Vitor Araújo. Na ocasião, a Deusa da Passarela será a segunda agremiação a passar pelo Sambódromo da Marquês de Sapucaí no domingo, dia 11 de fevereiro, pelo Grupo Especial. Esta será a primeira vez que a azul e branca desfilará nesta posição.
O Vai-Vai escolheu na noite do último domingo a sua obra que irá embalar o próximo desfile. A final, composta por três sambas, foi realizada na quadra do Sindicato dos Bancários, local parceiro da escola desde 2022, onde vem realizando os seus ensaios e eventos. O evento teve hip-hop envolvido, agradecimentos a vários artistas e show do gênero musical. Foi uma decisão muito aberta, disputada e com um grande contingente de torcedores. Dentro da própria agremiação, talvez tenha sido a disputa mais acirrada dos últimos anos. Ao término de todas as apresentações, não dava para cravar o campeão. A parceria vencedora foi o Samba 8, cujo os autores são: Danni Almeida, Vagner Almeida, Marcinho Z.Sul, Clayton Dias, Luciano Bicudo, Claiton Asca, Rodrigo Atração, Edson Liz, Anderson Bueno, Bira Moreno, Mario Lucio, Leandro Martins e Reinaldo Papum.
Fotos: Fábio Martins/CARNAVALESCO
O anúncio foi feito na presença de Mano Brown, figura ilustre do movimento hip-hop e vocalista principal da banda Racionais, que confirmou presença no enredo e desfile. O músico recitou a primeira frase da música ‘Diário de um Detento’ e fez alusão ao dia da final – “São Paulo, primeiro de outubro de 2023”. Logo após, o intérprete Luiz Felipe cantou o samba campeão para o delírio da comunidade. “Capítulo 4, Versículo 3 – Da Rua e do Povo, o Hip Hop: Um Manifesto Paulistano” é o enredo da comunidade da Saracura para o Carnaval 2024.
Alcançar os objetivos errando cada vez menos
Como mencionado antes, foi uma final disputada com a comunidade, mas pelas falas do presidente Clarício Gonçalves, supostamente era um samba já de acordo com o que o Vai-Vai queria, pois segundo o próprio, é a trilha-sonora que mais se enquadra para o desfile que se pretende fazer.
“Olha, 2023 foi um processo que na nossa vida é cada dia um aprendizado, nós aprendemos que críticas se devolve com trabalho. E graças a Deus foi o que nós fizemos. Com toda minha equipe, meu carnaval, enfim, agora neste processo de carnaval 2023 é como se fala, foi escolhido o melhor samba que está dentro do contexto, letra, enredo e melodia. Que é para que nós possamos levar esse carnaval de 2024 para a avenida, porém deixando bem claro, vamos lutar para errar menos, e alcançar nosso objetivo”, disse.
O presidente enalteceu a sua comunidade por lotar a quadra dos bancários nesta última noite. Nem o frio e o tempo chuvoso afastaram a comunidade alvinegra de acompanhar de perto a escolha do hino para o próximo carnaval. “Essa comunidade com certeza nós acreditamos nela de uma forma que tudo que está acontecendo no Vai-Vai é com a força da comunidade. E hoje já era de se esperar a quadra no formato que estava, porque ficaram três sambas bons, que estavam dentro do contexto. E cada um com suas torcidas, mas no final, no resumo, foi escolhido o que era melhor, o que representava a nossa bateria, o ritmo e melodia dentro da avenida. Então isso com certeza foi com a força da comunidade, tanto é que você viu que após o anúncio do resultado, a alegria de todo mundo que estava presente”, afirmou.
Por fim, o mandatário disse que a estratégia é cada vez errar menos para atingir o maior sucesso possível no ano de 2024. “O trabalho está perfeito. Estamos com uma equipe de barracão, um carnavalesco que realmente abraçou nossa causa, porém é aquele ditado. Não sendo repetitivo, estamos trabalhando sim para errar menos, e alcançar nossos objetivos, em respeito a qualquer uma coirmã. Mas é pé no chão com humildade, é trabalhar, trabalhar, trabalhar, e errar menos. Todo carnaval de São Paulo é resumido no erro, e em cima disso é que sai a campeã. Porém esse é nosso objetivo. Com certeza errar menos”, finalizou.
Declaração dos compositores
Um dos compositores do samba vencedor, Marcinho Zona Sul, falou sobre a emoção da vitória. “É uma alegria muito grande, a gente é cria da casa, estamos vindo de algumas derrotas também e é um grupo grande de compositores, mas é uma grande família. Hoje, disputar samba-enredo está muito difícil. Menos compositores, custo muito alto, mas a gente teve a felicidade de contratar pessoas boas, respeitar os nossos adversários que também já são parceiros. É uma alegria muito grande unir o samba com o hip hop. São duas vertentes, que é a cultura popular da periferia. A gente fica muito feliz em representar esse enredo em fevereiro de 2024”, declarou.
De acordo com o compositor, com esta obra, a agremiação irá fazer um grande desfile de chão, como é de costume da escola. “Foi uma final bem disputada. Dentro de mim tinha uma certeza de ter dois refrões fortes e na avenida o chão do Vai-Vai vai ser apoteótico. A comunidade abraça o samba e canta com raça. Estamos muito felizes e gratos”, comentou.
Marcinho disse que todo o samba foi feito pela internet e não houve necessidade de tantos encontros para deixar o hino pronto. “É a primeira vez que eu faço um samba pela internet. Esse samba a gente se encontrou umas duas vezes só. Depois mandamos áudios, ideias e foi se encaixando para dar essa obra bonita”, completou.
Outro compositor vencedor, Luciano Bicudo, falou que ser campeão no Vai-Vai não há maneiras de descrever. “É um sentimento indescritível, não tem explicação. É o sentimento que lava a alma. A gente que é compositor e batalha tanto para ter o êxito e é a escola do povo, a melhor que existe é o Vai-Vai e ser campeão aqui não tem nem como explicar”, disse.
Luciano também disse que é a primeira vez que participa de uma final tão acirrada, enalteceu as outras duas parcerias da casa e, segundo ele, qualquer samba que vencesse, estaria ao nível do Vai-Vai. “Nunca participei dessa forma. Máximo respeito ao Zeca e Naio, que são dois campeões. Máximo respeito a eles. De cabeça erguida, quem ganhasse, estaria bem representado”, declarou.
Perguntado sobre o ponto-alto do samba, Luciano opinou que sua parte favorita é o refrão de cabeça. “O refrão de cabeça vai balançar a avenida, arquibancada e a gente vai levar a taça”, finalizou.
Chão forte para surpreender
Um dos diretores de harmonia, Paulo Melo, disse que o Vai-Vai quer impactar no próximo desfile, surpreendendo a todos com um chão forte novamente, assim como foi no título do Acesso I no último carnaval. “Foi uma final realmente épica, pois até o último momento você não sabia. Todos estavam no agrado da comunidade. Mas eu acredito que esse samba vai fazer o Vai-Vai ter um grande canto. O Vai-Vai acabou de subir do Acesso e a gente brigou para ter um enredo diferente de todos. Queremos causar um impacto. Nós ganhamos o carnaval do Acesso porque temos chão forte e é isso que a gente vai trabalhar para surpreender novamente o Anhembi. O Vai-Vai é da rua, não tem quadra e tudo isso engrandece o nosso enredo”, declarou.
Paulo Melo, um dos diretores de harmonia do Vai-Vai
Paulo Melo estreia na direção da harmonia da escola junto com Luiz Robles. O diretor conta que está feliz pela confiança que a diretoria buscou ter em sua própria casa nesta renovação da harmonia. “Eu estou na escola desde pequeno e estou há bastante tempo na harmonia sob o comando do senhor Fernando Penteado. O Buiú deu sequência e eu tenho um carisma muito grande pelos dois. O Vai-Vai procurou renovar a harmonia e buscou pessoas da casa. Isso tranquiliza e nos dá segurança”, completou.
Samba questionador e explicação do enredo
O carnavalesco do Vai-Vai, Sidney França, opinou sobre o samba-enredo. Segundo o artista, tal obra teve um apreço desde o começo do concurso. O profissional também deu uma breve explicação do que a escola pretende fazer na avenida.
Carnavalesco do Vai-Vai, Sidney França
“Esse samba-enredo que o Vai-Vai acaba de escolher eu olho com muito carinho desde o início, porque nós precisávamos de um enredo com o DNA do Vai-Vai, mas que ao mesmo tempo tratasse o enredo com a maneira que vai ser apresentado no desfile, porque esse enredo é ácido e insurgente. É um tema questionador, de dedo na ferida. A escola vai utilizar do hip-hop para questionar. Nós vamos começar o desfile questionando o porquê da Semana de Arte Moderna de 1922 no Teatro Municipal, que foi dominado pelos filhos da elite e não tinha preto e pobre participando, já usando o linguajar do pessoal do hip-hop. É um desfile que começa questionador, fala do hip-hop de maneira popular, não vamos romantizar e sim mostrar toda carga de violência que o rap expôs na periferia, a repressão policial, o rigor do sistema com os pretos e pobres e a falta de oportunidade. Também nós vamos terminar o desfile falando sobre a ressignificação da cidade de São Paulo não de uma forma elitista, mas sim como um olhar periférico que subverta isso. Por exemplo, nós vamos botar fogo no Borba-Gato, derrubar rodovias, porque não precisamos de uma rodovia chamada Raposo Tavares, Fernão Dias e Bandeirantes, que eram saqueadores de riquezas e exterminadores de nativos. Vamos batizar com nomes como Madrinha Eunice, Geraldo Filme. É um samba questionador. Ele exalta o hip-hop, mas critica o modelo social que predomina o Brasil”, explicou.
Questionado sobre a presença da entidade Exú dentro do enredo com hip-hop, Sidney diz que a entidade é a rua. Ele é quem narra toda a história. “Na sinopse, ‘laroyê’, ‘Exú’, é o tranca-ruas, ele que começa e termina. É a voz narrativa dessa história que o Vai-Vai pretende contar. Ele vem na comissão de frente, pelo desfile e no último carro”, completou.
Ritmo do Vai-Vai satisfeito
O ‘incansável’ e longevo mestre Tadeu aprovou a escolha do samba e o enredo do hip-hop cabe totalmente com a escola. “Foi muito emocionante, o Vai-Vai tem uma comunidade muito forte, e esse enredo caiu na hora certa. Falar dos palcos para a rua do hip-hop, se identifica com a escola de samba Vai-Vai até porque por causa da cultura negra. Então nós estamos satisfeitos”, declarou.
O diretor disse que tem peso diretamente na decisão do samba vencedor. Além disso, Tadeu falou que promete dar trabalho na pista. “Participo do processo, tanto na bateria como no jurado e também acompanhamento da escola. Acompanho tudo, estou satisfeito e feliz sim. Acho que nós escolhemos um samba competitivo, e vamos dar trabalho na avenida”, finalizou.
Samba de embate
Para Luiz Felipe, intérprete oficial da agremiação, a obra vencedora que venceu se destaca porque a escola será a primeira a desfilar. De acordo com o cantor, é um samba de ‘embate’. “O samba campeão é muito bom. Primeira escola do sábado, abrindo o segundo dia de desfile, então é um samba de embate, que bate de frente, ‘olha nós aí de novo, coroa de rei, capítulo 4, versículo 3, Vai-Vai é manifesto, o povo na rua, é tradição e o samba continua’. O Vai-Vai é o povo, o Vai-Vai é a rua, e o samba o continua”, afirmou.
O cantor engrandeceu o sistema de eliminatórias do Vai-Vai e a participação da comunidade dentro dele e, também, quer que não acabe essas disputas. “O Vai-Vai é uma das poucas escolas de samba que mantém essa tradição de disputa dos sambas-enredos a vera, o povo, dando seu voto, sua escolha. E acho muito importante em uma escola de samba de 93 anos de idade. Vai-Vai é uma resistência do carnaval de São Paulo e espero que continue as disputas. Pois isso abrilhanta mais o pavilhão, foram três sambas finalistas, três sambas do Vai-Vai, da casa, com DNA de Vai-Vai e capacidade de ganhar. Mas como diz Aragão, samba-enredo só ganha um, ganhou samba 8″, completou.
Dez obras se apresentaram neste domingo na histórica quadra da Vila Vintém na primeira etapa de chave única do concurso de samba-enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel. Cada samba teve direito a três passadas, sendo a primeira sem bateria e as outras duas com a Não Existe Mais Quente de Mestre Dudu. Após as apresentações, as parcerias de Jaci Campo Grande, Sandra de Sá, Tiãozinho e Rafael Drumond foram cortadas e deixaram a competição. Seis obras seguiram para a semifinal que será realizada no próximo dia 08 de outubro. O site CARNAVALESCO esteve presente e conferiu tudo dando continuidade a série “Eliminatórias”. A análise do rendimento de cada samba, você confere ao longo deste texto.
Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação
Em 2024, a Mocidade Independente de Padre Miguel vai apresentar o enredo “Pede caju que dou… Pé de caju que dá!”, que vai levar para a Sapucaí toda a brasilidade e a leveza de uma fruta genuína brasileira, o caju. No próximo carnaval, a Verde e Branca da Zona Oeste vai abrir a segunda noite de desfiles do Grupo Especial.
Parceria do Zé Glória: A parceria de Zé Glória, Trivella, Chacal do Sax, Renilson, Mumu do Gás, Guilherme Karraz, Simões Feiju e Myngau foi a primeira a se apresentar. Sem Emerson Dias, voz na gravação oficial da parceria, apesar de não ter trazido nenhum nome de peso para comandar o samba, a atuação dos cantores mostrou bastante energia, focando mais em apresentar a composição com força e correção. A obra teve um andamento um pouco mais para frente nesta eliminatória, o que é diferente do que normalmente a “Não Existe Mais Quente” costuma levar para Sapucaí. Ainda assim, não se viu correria e pode-se considerar bastante satisfatório. Destaque na melodia para o trecho “Mas o invasor chegou de lá/E provou do nosso mel/Pro nativo, o que era doce /Se tornou amargo fel”, logo após o bis na cabeça do samba, pelo campo harmônico utilizado. Os refrãos “Tem Cajuína na Vila Vintém” e “Caravelas ao mar, cadê” foram os momentos de maior impacto. A torcida teve um canto regular, suficiente e o contingente de componentes cantando a obra foi considerável. Já na quadra, se viu pouco canto e pouco envolvimento de público e segmentos. A torcida não trouxe efeitos, mas todos vieram com a mesma camisa. No geral, uma apresentação suficiente para passar em um momento ainda bastante morno da quadra por ser a primeira composição a subir no palco.
Parceria do Diego Nicolau: A segunda obra a se apresentar foi a dos compositores Diego Nicolau, Paulinho Mocidade, Marcelo Adnet, Richard Valença, Orlando Ambrosio, Gigi da Estiva, Lico Monteiro e Cabeça do Ajax. Diego Nicolau. Tradicional parceria da Verde e Branca da Zona Oeste, o grupo trouxe Tinga para defender o samba, apoiado por entre outras vozes, do próprio Diego Nicolau. Paulinho Mocidade abriu a apresentação com um trecho de “Eu vejo a lua no céu, a Mocidade a sorrir…”. O samba em termos de letra e melodia parece ter incorporado bem a ideia do enredo, de forma leve, brincante e irreverente. Destaque para o refrão do meio “Provou porã, fruta do pé se lambuzou, Tamandaré…”, que tem um bonito encadeamento de notas. O andamento do samba casou muito bem com a “Não Existe Mais Quente”, sendo mais cadenciado, sem ficar arrastado. Tinga levou muito bem e trouxe sua energia acompanhada do restante dos cantores e também da torcida que apresentou bom canto e muita animação. Também o volume de componentes foi expressivo. O ponto de maior impacto no canto foi o refrão principal com o “Meu Caju, meu cajueiro”. Na segunda do samba destaque também para o trecho “Carne macia com sabor independente/A batida mais quente, deixa o povo provar”. No geral, uma boa apresentação e um momento de maior envolvimento da quadra.
Parceria do Jefinho Rodrigues: Jefinho Rodrigues, Dudu Nobre, Marquinho Índio, Gustavo Clarão, J. Giovani, Lauro Silva, Prof. Renato Cunha e Luciano Chuca são os compositores do terceiro samba da noite.Jefinho. Wander Pires foi o responsável por conduzir a obra da parceria. Como apoios o Wander Nunes, filho do intérprete, além de Millena Wainer, do carro de som da Mocidade, que trouxe à apresentação a força da voz feminina, e o conhecimento de já ter trabalhado muitos anos com Wander. O resultado foi uma ótima combinação de timbres, com o intérprete da Unidos do Viradouro cantando o samba dessa vez de uma forma mais reta, com poucos cacos, até por se tratar de três passadas apenas, empregando assim muita potência. O samba é bastante peculiar, com alguns pontos a se destacar. O andamento, por exemplo, encaixou de forma eficiente com a bateria de mestre Dudu. Na composição, no meio, a aposta foi pelo falso refrão “O Nativo dançou, bebericou”. Ponto de destaque da melodia e bastante cantado, assim como o refrão principal “A batida mais quente…”. Outro ponto interessante, foi a utilização do pré refrão “Espelho meu a que será que se destina”. Uma obra muito rica em melodia. Já a torcida trouxe alguns adereços em um caráter bem tropicalista, as blusas coloridas, foi destaque pelo canto e por ter um contingente bastante volumoso. Na quadra se viu um bom envolvimento e um canto satisfatório, ainda que mais tímido que o da torcida. No geral, boa apresentação, eficiente e direta.
Parceria do Paulo Cesar Feital: A quarta obra foi a dos compositores Paulo Cesar Feital, Denilson do Rozario, Léo Peres, Alex Saraiça, Marcelo Casanossa, Marcelo do Rap, Carlinhos da Chacara e Nito de Souza.PC Feital. Três vozes principais sustentaram o samba da parceria: Thiago Britto, da Inocentes de Belford Roxo, Daniel Silva, do Império da Tijuca, e Roninho, que faz parte do carro de som da Verde e Branca de Padre Miguel. Ótima ideia para a apresentação, pois a voz mais aguda de Thiago Britto produziu um ótimo efeito em contraste com as vozes mais graves dos outros dois. O samba tem uma melodia bem original, bem cara de Brasil mesmo, importante em um enredo que fala muito de brasilidade. O andamento foi muito agradável, bem encaixado com a “Não Existe Mais Quente”, cadenciado, mas não arrastado. Destaque para a melodia do refrão principal “Pisa forte nesse chão, comunidade”. No meio, a parceria apostou em dois “Bis” mais curtinhos “Então a “Gota d’agua” foi toró/Alegria, Alegria porre de mocororó” e “Roubaram o coração nacional, Mas deixaram o principal, o perfume da paixão”, que produziam mais força de canto, até no trecho do meio que não se repetia. A torcida foi uma das que mais cantou na noite, não trazendo adereços ou efeitos, mas mostrando animação. O restante da quadra e segmentos tiveram um envolvimento mais tímido, poucas pessoas dançando e cantando a obra. O samba tem potencial para crescer pela melodia e estrutura original.
Parceria do Franco Cava: Franco Cava, Rute Labre, Eloi Ferreira, Flavinho Avellar, Victor do Chapéu, Arnaldo Rippel, Tony Negão, Breno Melo foram os nonos a se apresentar na Vila Vintém. Wic Tavares e o intérprete Thiago Acácio, do Arranco, foram os responsáveis por conduzir a obra da parceria, apoiados ainda por Tuninho Junior. O grupo mostrou bom entrosamento, e produziu interessantes contrastes melódicos, alimentados pela combinação dos timbres das vozes. Destaque para Thiago Acácio, pela potência e força da voz, e o alcance das notas, mostrando uma facilidade para sair da nota mais grave para a aguda, assim como Wic, o que permitiu uma maior exploração da melodia riquíssima da composição. A obra tem bastante características daquilo que pede o enredo: muita leveza, irreverência e brasilidade. O andamento foi satisfatório, não chegou a impactar, mas poderia ter sido um pouco mais cadenciado. A torcida foi uma das melhores, trazendo inclusive uma mulher fantasiada de Carmen Miranda, representação histórica do estilo tropical. Diversos componentes estavam vestidos em um mesmo tom rosa. O canto foi bom entre os torcedores. No restante da quadra, foi tímido assim como o canto. Destaque para o refrão “Tem caju no galho, sacode que eu quero ver”. Obra com muito potencial para crescer na fase seguinte com mais tempo de apresentação.
Parceria do Igor Leal: Igor Leal, Arlindinho Cruz, Igor Federal, Rodrigo Medeiros, Guto Listo, Bruno Serrinho, Cristiano Plácido e Gabriel Teixeira são os compositores do último samba da noite. Bruno Ribas, da Unidos de Padre Miguel, e Pixulé, do Paraíso do Tuiuti, comandaram o time de vozes da parceria e encerraram muito bem a noite de eliminatórias. Combinaram bem as vozes e produziram muita força, animação e algumas vocalizações, terças, etc. O samba tem bastante energia mas se encaixou muito bem à Não Existe Mais Quente, mantendo forte tanto suas características melódicas, como a explosão dos refrãos. O refrão do meio “Sou tipo mancha densa”, além da boa melodia, faz uma boa relação entre o caju e o que é ser Mocidade, comparando a escola com uma fruta madura. A obra faz uma referência no refrão principal da música “Morena Tropicana” de Alceu Valença, de uma forma criativa e com uma excelente melodia, pode “pegar” entre os independentes. A torcida esteve em um contingente mais reduzido do que outras parcerias, mas mostrou energia e canto. Na quadra o envolvimento também foi bastante satisfatório com a obra. No geral, é um samba que tem pontos altos que podem crescer a partir de próximas apresentações.
A Portela realizou, na noite deste domingo, a grande semifinal do concurso que escolherá o hino oficial da agremiação para o Carnaval de 2024. A reportagem do site CARNAVALESCO, como parte da série “Eliminatórias”, esteve presente na quadra e acompanhou essa penúltima fase da competição promovida pela Majestade do Samba. Ao todo, seis obras se apresentaram e cada uma teve o direito a sete passadas, sendo a primeira sem bateria e as restantes acompanhadas pelos ritmistas da “Tabajara do Samba”. Ao final, três sambas foram cortados: Luiz Carlos Máximo, Celso Lopes e Noca da Portela. Os demais seguem para final na próxima sexta-feira, dia 06 de outubro.
Foto: Nelson Malfacini/CARNAVALESCO
No ano que vem, a azul e branca de Oswaldo Cruz e Madureira será a segunda escola a desfilar no Sambódromo da Marquês de Sapucaí na segunda-feira de Carnaval, dia 12 de fevereiro, pelo Grupo Especial. A agremiação irá em busca do seu vigésimo terceiro título de campeã da folia carioca com o enredo “Um Defeito de Cor”, desenvolvido pelos carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga. Baseado no romance “Um Defeito de Cor”, da escritora Ana Maria Gonçalves, a proposta é trazer uma outra perspectiva da história, refazendo os caminhos imaginados da história da mãe preta, Luisa Mahim.
Parceria de Jorge do Batuke: O primeiro samba a se apresentar na semifinal da disputa portelense foi o de autoria de Jorge do Batuke, Claudinho Oliveira, Zé Márcio Carvalho, Leko 7, Romeu D’ Malandro, Silas Augusto e Araguaci. Diferentemente das etapas anteriores, o intérprete Tem Tem Jr., do Império Serrano, comandou sozinho o microfone principal da parceria e deu conta do recado. Ele demonstrou bastante segurança na condução e teve boa desenvoltura no palco, sendo crucial para o ótimo rendimento da obra. Assim como em apresentações anteriores na competição, o refrão do meio, com os versos “Ôôôô! Ôôôô!/ Oxé sagrado é machado de Xangô/ Kaô Kabecile, kaô/ Kaô, meu pai Xangô!”, foi o ponto alto graças a intensidade do canto. Outro trecho que se sobressaiu foi o refrão principal, com os versos “Eu sou Portela/ Quero o que é meu de direito/ Consertando o defeito que a história escreveu/Eu sou a ‘Gama’ preta nessa claridade/ Portelense de verdade/ Povo preto que venceu”, que foi entoado com garra pelos torcedores. Aliás, a torcida da parceria compareceu em peso e fez bonito. O grupo veio uniformizado e trouxe bandeirinhas nas cores azul e branca como adereços de mão, além de cartazes com diferentes mensagens. Animados, eles vibraram o tempo inteiro e provaram estar com a letra do samba na ponta da língua. Houve a realização de algumas coreografias, entre elas a abertura de um bandeirão em cima da galera. Também tiveram a performance de pessoas representando orixás e simulando uma gira. Apesar de ter sido a primeira parceria e de pegar a quadra ainda fria, a obra conseguiu contagiar parte do público presente, sendo possível observar até mesmo segmentos, como as baianas, entoando o samba.
Parceria de Wanderley Monteiro: A obra assinada por Wanderley Monteiro, Rafael Gigante, Vinicius Ferreira, Jefferson Oliveira, Hélio Porto, Bira e André do Posto 7 foi a terceira na ordem de apresentação da semifinal da disputa promovida pela azul e branca de Oswaldo Cruz e Madureira. O samba foi defendido pelo intérprete Wander Pires, voz oficial da Unidos do Viradouro, e teve um excelente desempenho na quadra. O refrão principal, com os versos “Saravá Keindhe! Teu nome vive!/ Teu povo é livre! Teu filho venceu, mulher!/ Em cada um nós, derrame seu axé!”, foi o trecho de maior destaque, servindo como um momento de explosão. Também chamou a atenção o refrão do meio, com os versos “Salve a lua de Bennin/ Viva o povo de Benguela/ Essa luz que brilha em mim/ E habita a Portela/ Tal a história de Mahin/ Liberdade se rebela/ Nasci quilombo e cresci favela!”, não só pelo canto, mas pela força da letra e beleza da melodia. Quanto à torcida, uma das maiores da noite, ela deu um show. Ornamentados com bandeirinhas estampadas do pavilhão da escola, os torcedores pularam o tempo inteiro e cantaram de maneira aguerrida especialmente nos refrões. Houve ainda representações de orixás e de Luiz Gama no meio do grupo. Aliás, vale mencionar que a obra teve boa adesão com o restante dos presentes na quadra. Foi possível observar diversas pessoas entoando o samba a plenos pulmões, entre eles alguns integrantes de segmentos como as baianas, velha-guarda e passistas.
Parceria de Samir Trindade: Dando prosseguimento às apresentações, o samba composto por Samir Trindade, Valtinho Botafogo, Junior Falcão, Brian Ramos, Fabrício Sena, Deiny Leite e Paulo Lopita 77 foi o quarto a passar pelo palco portelense na semifinal da competição para escolher o hino oficial da agremiação no ano que vem. O intérprete Marquinhos Art’Samba, da Estação Primeira de Mangueira, foi quem comandou o microfone principal e teve o reforço luxuoso de Gera no time de apoio. A obra, assim como em outras etapas da disputa, teve uma performance avassaladora na quadra. O refrão principal, por exemplo, com os versos “Senhora do meu afeto, iyá/A dona do meu destino, yabá/ Ginga da Portela sempre acalanta/ Nega que embala o samba”, foi berrado por torcedores e uma parcela do público. Mas não foi só ele, o refrão do meio, com os versos “Ê Nanã ê…foi Nanã quem criou/ Lá na Bahia, a saudade apertou/ Ê Nanã ê…foi Nanã quem cuidou/ Levou mandinga e o Brasil batucou”, também foi extremamente bem cantando, assim como o trecho “Malê malê, kaô kaô/ Contra a covardia, a revolta de Xangô”, presente na segunda estrofe. Falando da torcida, o grupo fez um espetáculo à parte. Vestidos com a camisa da parceria, eles demonstraram empolgação, dançando e pulando do início ao fim. No meio da galera, houve a realização de uma performance com duas mulheres em cima de um elemento cenográfico representando uma mãe baiana e Luiza Mahim. Também foram utilizados alguns efeitos como chuva de papel picado e de serpentina. Vale citar que a obra teve grande receptividade entre alguns segmentos da agremiação, sendo possível constatar membros da harmonia e baianas cantando o samba com afinco. Outro ponto pertinente de menção é o apoio dado pela torcida organizada “Guerreiros da Águia”, que abriu o bandeirão ao longo da apresentação.
O Acadêmicos do Salgueiro realizou em sua quadra, na noite de sábado e madrugada deste domingo, mais uma fase do concurso que elegerá o hino oficial da agremiação para o Carnaval de 2024. A reportagem do site CARNAVALESCO esteve presente e, como parte da série “Eliminatórias”, acompanhou essa nova etapa da disputa promovida pela vermelha e branca da Tijuca. Ao todo, sete parcerias se apresentaram. O anúncio de quais obras irão seguir na competição será feito nas redes sociais da agremiação. Quem se classificar, volta ao palco no sábado que vem, dia 07 de outubro.
Foto: Reprodução
Em 2024, o Salgueiro será a terceira escola a cruzar o Sambódromo da Marquês de Sapucaí no domingo de Carnaval, dia 11 de fevereiro, pelo Grupo Especial. A agremiação levará para Avenida o enredo “Hutukara”, que pretende fazer um alerta em defesa da Amazônia e em particular dos Yanomami, que sofrem efeitos da ação de garimpeiros na sua região. O desfile terá a assinatura do carnavalesco Edson Pereira, que fará seu segundo trabalho consecutivo na Academia do Samba.
Parceria de Fred Camacho: A primeira parceria da noite foi composta pelos compositores Fred Camacho, Paulo César Feital, Guinga do Salgueiro, Diego Nicolau, Fabrício Fontes, Daniel Rozadas, Claudeci Taberna e Francisco Aquino. A torcida que trouxe bastante bandeiras e pulseiras luminosas, cantou muito durante toda a apresentação. Thiago Brito e Diego Nicolau mandaram muito bem na condução na obra e ganharam as boas companhias de Rodrigo Tinoco e Juan Briggs no apoio. A apresentação da parceria foi muito boa, mostrando que o samba tem qualidade para avançar. O refrão de cabeça foi muito cantado pela torcida em todas as passadas. Outro destaque foi na preparação para a chamada do refrão principal “Mani Brasil/Se espelha na coragem do meu povo/Contigo ele recria um mundo novo/De pele vermelha e branco coçar”. O refrão curto no meio do samba também foi muito cantado pela torcida “Ó mãe natureza que me viu nascer/dou a minha vida pra te defender”. Após a cabeça do samba, na parte em que fala “Um canto da floresta ecoou”, foi outro destaque na apresentação, pois ecoa de verdade, abrindo caminho para o “Ôôôôôô” a seguir. A parceria de Fred Camacho e Cia vai brigar para chegar na final.
Parceria de Pedrinho da Flor: A segunda parceria da noite foi composta pelos compositores Pedrinho da Flor, Marcelo Motta, Arlindinho Cruz, Renato Galante, Dudu Nobre, Leonardo Gallo, Ramon Via 13 e Ralfe Ribeiro. A torcida também compareceu com bastante bandeiras e cantou forte durante todo o tempo. Ainda sobre a torcida, também trouxeram bastão de Led. Charles Silva foi o responsável por conduzir o samba e ele simplesmente colocou a obra no colo e deu um show. O samba foi berrado pela torcida e por outras pessoas que estavam acompanhando a disputa. O refrão de cabeça foi uma explosão na quadra “Ya temi xoa! AÊ ÊA!/Meu Salgueiro é a flecha/Pelo povo da floresta/Pois a chance que nos resta/É um Brasil Cocar”. A cabeça do samba se mostrou muito forte também em todas as passadas. Outro destaque é a chamada para o refrão de cabeça “Napê, nossa luta é sobreviver/Napê, não vamos nos render”. Outras partes de grande destaque no samba: “Falar de amor enquanto a mata chora/é luta sem flecha da boca pra fora!” e “Não queremos sua ordem, nem o seu progresso”. Difícil ter uma parte do samba que não tenha se saído tão bem, pois a obra passou forte e vibrante em sua totalidade. Parceria de Pedrinho da Flor vem confirmando o favoritismo nas apresentações.
Parceria de Ian Ruas: Terceiro samba da noite foi composto pelos compositores Ian Ruas, José Carlos, Caio Miranda, Sonia Ruas Raxlen, David Carvalho e Gabriel Rangel. A torcida também compareceu com as suas bandeiras e fez muito bem a sua parte cantando durante todo o tempo. O novo intérprete da São Clemente, Vitor Cunha foi o responsável por liderar o time no palco, e obteve êxito. A apresentação foi muito boa da parceria, mostrando que estão empenhados em ir para a final. O refrão principal também foi muito cantado pela torcida “Ya nomaimi! Ya temi Xoa!/Em hutukara arco é ligeiro/Um povo a sorrir, um povo a sonhar/Renascer no chão do meu Salgueiro. É notório a qualidade que a obra tem tanto na letra quando na melodia com suas variações melódicas. Na parte “Alvoreceu, tribo guerreira sob a luz do dia” há uma variação melódica que soa bem demais e funciona, dando aquela fluidez gostosa ao samba. Outra parte que a melodia se destaca muito é “O céu é o destino de uma chuva acinzentada”. O refrão do meio também passou muito bem na apresentação. A parceria do Ian Ruas pode sim sonhar com uma final pelas apresentação que estão fazendo.
Parceria de Xande de Pilares: Quarto samba da noite foi composta pelos compositores Xande de Pilares, Cláudio Russo, Betinho de Pilares, Jassa, Jefferson Oliveira, Miguel Dibo, Marcelo Werneck e W Corrêa. A torcida compareceu trazendo bolas e bandeiras, e cantou principalmente os refrãos. O ótimo Igor Vianna, conduziu muito bem a obra. O refrão de cabeça foi uma das partes que mais se destacou na apresentação “Sou eu Yanomami Waitheri// Salgueiro, vermelha força pra existir// A lança em defesa da mãe terra// O canto forte da nação em pé de guerra”. Outra parte que se destacou foi a chamada para o refrão de cabeça “Êê curumim auê/livre pra viver por minha alma e meu nome/Êê curumim auê/Meu povo originário não pode morrer de fome”. A parceria do Xande de Pilares possui uma qualidade inquestionável em sua obra, mas precisa fazer mais na próxima apresentação para poder chegar na final.
Parceria de Manu da Cuíca: Quinta parceria da noite foi composta pelos compositores Manu da Cuíca, Luiz Carlos Máximo, Buchecha Bil- Hait, Belle Lopes, Fabiano Paiva e Rodrigo Alves. A torcida compareceu sem bandeiras, mas com algo muito precioso que é a obra na ponta da língua, pois eles soltaram a voz e foi uma das torcidas mais animadas. Bico Doce em mais atuação muito boa foi o responsável por conduzir a obra. O refrão do meio foi berrado pela torcida e foi um dos destaques: “Ya nomaimi, dá aroari/Aqui é povo de Omama/Yãkoana Waitheri”. O refrão de cabeça passou muito bem também ficando evidente a beleza e inteligência da letra quanto na melodia. O samba que possui uma das melhores letras da disputa, passou com a melodia diferenciada que mostrou ser eficiente. A obra não caiu em nenhum momento e foi a que mais cresceu se pegarmos as primeiras apresentações a algumas semanas atrás. Apresentação muito boa da parceria de Manu da Cuíca.
Parceria de Moisés Santiago: Penúltimo samba da noite foi composto pelos compositores Moisés Santiago, Serginho do Porto, Gilmar L. Silva, Aldir Senna, Orlando Ambrosio, Marqiinho Bombeiro, Wilson Mineiro e Gigi da Estiva. A torcida deu um show fazendo teatralização, com um grande performance. Marquinho Art Samba, Wantuir e Tuninho Junior levaram o samba muito bem e não deixaram cair em nenhum momento. A parceria de Moisés manteve o desempenho das últimas semanas e se destacou mais uma vez. O refrão “Êêô! Ahêa! Ahêa! NHARU ÊÁ!/Tronco forte é minha aldeia, Salgueiro! Êô êá!” foi sem dúvida um dos maiores destaques, sendo bem cantado pela torcida. A variação melódica em “Vem o sol e cai a lua” foi outro destaque. O segundo refrão também foi ponto alto da apresentação, destacando a inteligência da parceria em trabalhar com “Xawara ê”, pois, eles realmente souberam usar três vezes nesse segundo refrão e deu certo. Outra jogada da parceria foi na segunda parte do samba ao usar por duas vezes”Ya temi xoa! Yanomami eu sou!” e deu certo. A parceria tem tudo para chegar na final.
Parceria de Leandro Thomaz: Último samba da noite foi composto pelos compositores Leandro Thomaz, Grazzi Brasil, Filipe Zizou, Myngauzinho, Marcelo Lepiane, Claudio Gladiador, Telmo Augusto e Micha. A torcida compareceu em um número bem reduzido e não conseguiram manter o canto das outras parcerias. Já Thiago Acácio e Digão deram conta do recado e foram bem no palco. A obra é muito qualificada mas corre risco de deixar a disputa. A falta do canto na passada que é apenas para a torcida cantar, prejudicou a apresentação. O refrão de cabeça é muito bom “Ya temi xoa, ya temi xoa/É o grito que ecoa aos que tentam nos calar/Yanomami é o legado brasileiro/Que se mantém de pé nas raízes do Salgueiro”. Há uma preparação boa para o segundo refrão “Aê aê aê/o espírito ancestral sobrevoa a floresta/Aê aê aê/É a fúria animal que o corpo manifesta”. Caso a parceria fique na disputa para a próxima semana, espero que o samba aconteça, pois qualificado sabemos que ele é.
A Estação Primeira da Mangueira definiu neste sábado as três obras classificadas para a grande final de samba-enredo que acontece no próximo dia 07 de outubro. De forma equilibrada, os sambas de Lequinho e Moacyr Luz se destacaram nesta apresentação e terão a companhia da parceria de Thiago Meiners e Cia. A composição de Bete da Mangueira foi eliminada. Nesta semifinal, acompanhada pelo site CARNAVALESCO na série “Eliminatórias”, cada parceria teve 25 minutos para se apresentar e durante este tempo, duas das passadas foram voltadas para o público e torcida, com o carro de som apenas incentivando o canto. A análise de cada performance, você acompanha ao longo do texto.
Foto: J.M.Arruda/Divulgação Mangueira
Em 2024, a Verde e Rosa levará para a Sapucaí o enredo “A negra voz do amanhã”, um tributo à cantora Alcione. A homenagem está sendo desenvolvida pela dupla de carnavalescos formada por Guilherme Estevão e Annik Salmon. A Estação Primeira será a quarta escola a desfilar na segunda noite do Grupo Especial.
Parceria de Thiago Meiners: A segunda obra a se apresentar na noite desta semifinal mangueirense foi a de autoria de Thiago Meiners, Beto Savanna, Indio da Mangueira, Michel Pedroza, Wilson Mineiro e Julio Alves. A composição foi conduzida pelo intérprete Pitty de Menezes, da Imperatriz Leopoldinense, e por Wic Tavares. Ela iniciou a apresentação cantando de forma mais melodiosa acompanhada só do violão de sete cordas o trecho anterior ao refrão de baixo. As vozes femininas, aliás, foram um destaque, hoje sem a cantora Keilla Regina, a parceria, além de Wic, teve o reforço de Thati Carvalho, do carro de som da Imperatriz. Pitty, mais uma vez, mostrou bastante energia e fez uma grande apresentação também pela correção no canto e por valorizar bastante as nuances melódicas que são o ponto forte da obra.Essas nuances podem ser percebidas na cabeça do samba, nos seis primeiros versos a partir de “Botei meu laguidibá no pescoço” até “Oh! Entidade da Primeira Estação”. A segunda do samba também possui pontos de destaque como “Um canto maroto, estranha loucura/Meu ébano, a cura pro vício do amor/A força da mulher na voz dos brasis se eternizou”. O andamento foi um pouco mais para frente o que trouxe mais energia para a obra, sem perder a riqueza melódica que é uma grande característica da composição. Alguns trechos da obra fazem referência na melodia e na letra a sucessos da Marrom. Como exemplo tem-se “Mas tente entender”, na segunda do samba, além do refrão principal com o “Não deixo o samba morrer”. A torcida trouxe bandeiras e armações com diversas bexigas nas cores da escola, completadas por um coração em dourado na ponta. Os componentes começaram com muita energia, pulando e com muitas pessoas cantando, mas depois de algumas passadas o frisson diminuiu um pouco, com algumas pessoas apenas balançando as bolas, e aparecendo mais no refrão principal “Não deixe o samba morrer”. A energia voltou forte nas passadas sem o carro de som e ficou até o final. Em relação a quadra, entre os segmentos houve um bom envolvimento com as baianas, várias dançando. Já no público, o envolvimento e o canto foi mais tímido. Em geral, uma apresentação irregular, muita energia e canto no início e no final, mas com queda no meio da exibição. Porém, a música tem crescido e pode chegar madura para enfrentar as outras composições que surgem mais favoritas.
Parceria de Moacyr Luz: A composição assinada por Moacyr Luz, Pedro Terra, Gustavo Louzada, Karinah, Compadre Xico e Valtinho Botafogo foi a terceira da noite. O intérprete Gilsinho, da Portela, conduziu mais uma vez a obra na eliminatória. Como em outras parcerias, uma voz feminina teve a responsabilidade de iniciar a apresentação. A cantora Karinah foi esta voz e dividiu bem o protagonismo no palco com Gilsinho, apoiado, além de outras vozes, por Diego Nicolau. Em relação ao desempenho dos cantores, muita força e bom trabalho de terças e vocalizações. A melodia da composição de Moacyr Luz e Cia é bastante peculiar, original, e até foge um pouco do que a Mangueira em geral procura levar para a Sapucaí, inclusive, é distinta de 2022, quando esta mesma parceria ganhou. Mas também tem muita força e pontua algumas partes da letra que sobressaem em energia, traduzindo a altivez da homenageada, como os trechos da cabeça do samba. Sobre o andamento, foi característico de Mangueira, permitiu algumas inserções bastante dentro da temática, principalmente quando falamos da região originária de Alcione. O trecho “A voz, negra voz, tem o sangue verde e rosa, é singular, não há ninguém tão poderosa” e “sopro divino do amanhã” na cabeça são destaques pelos caminhos melódicos escolhidos. O refrão de baixo “Erê, Erê, Erê, não deixa o samba morrer”, permite à “Tem Que Respeitar Meu Tamborim” a presença de bossas, se diferenciando do andamento que vinha anteriormente. O refrão é de fácil aprendizado, pega rápido. A torcida trouxe bandeiras grandes da própria escola e outras nas cores com o rosto da Marrom. O contingente foi bem grande, um dos maiores da noite. Muita gente também se juntou ao grupo. O que, claro, retrata o bom envolvimento que a música teve com a quadra. Muita gente dançando, inclusive várias baianas. O canto da torcida foi muito bom, bem retratado nas duas passadas sem os cantores, mas perceptível durante o restante da exibição. Canto regular e expressivo. No restante da quadra, o canto também foi bom. Um dos trechos mais cantados foi o “Eu sou a Estação Primeira de Mangueira do Amanhã”. Um momento bonito foi uma chuva de bolas nas cores da escola que desceu sobre a torcida na volta das passadas sem cantores. Mostrou força nesta apresentação e chegará muito bem na final para disputar de igual para igual.
Parceria de Lequinho: A última apresentação da noite foi do samba composto por Lequinho, Júnior Fionda, Gabriel Machado, Fadico, Guilherme Sá e Paulinho Bandolim. Vencedora no carnaval passado, a parceria trouxe mais uma vez o intérprete Tinga, da Vila Isabel, para comandar as vozes. Encerrando a noite e confirmando que todas as parcerias iriam iniciar o samba com uma voz feminina, Cacá Nascimento carregou essa honra e responsabilidade no alusivo. Logo em seguida, com a ajuda de uma conga, Tinga deu o recado “isso aqui vai virar um terreiro”. E parecia mesmo. Excelente começo, com ritmo, ancestralidade, início que foi combustível para uma apresentação explosiva no palco. A melhor da noite neste quesito. Destaques para apoio na voz de Bico Doce, Júnior Fionda, Lequinho e a própria Cacá Nascimento. Os compositores, em cima do palco, que não estavam cantando também ajudaram, não parando de incendiar o público em nenhum minuto. A melodia é uma das que conserva mais traços daquilo que se está acostumado a ver na Verde e Rosa, até por ser produzida por compositores que já estão na escola há muitos anos. A música pode receber comparações em relação ao samba do ano passado, já que Mangueira 2023 foi um grande sacode. Mas, tem qualidade, sua própria alma e peculiaridades. A parte final da segunda do samba aproveita para fazer uma homenagem à própria Mangueira através do versos “Mangueira! De Neuma e de Zica/Dos versos de Hélio que honraram meu nome”, o que sempre “pega” muito no mangueirense, na comunidade. A escolha por um andamento mais para frente não fez a obra ser corrida, encaixou bem, foi suficiente para que os refrãos e o pré-refrão de baixo fossem explosivos,mantendo a qualidade melódica nas estrofes e não deixando o samba cair em nenhum momento. A torcida trouxe bandeiras nas cores da escola, veio em grande contingente, mostrando muita energia e respondendo muito bem aos estímulos do palco. Canto muito bom, principalmente nos refrãos. O “Toca tambor de crioula..”, por exemplo, se destacou mais nesta eliminatória do que vinha rendendo nas últimas. No restante da quadra, houve um envolvimento interessante, viu-se baianas e “harmonias” se divertindo, sambando e cantando. No público também houve boa aceitação, ainda que o canto tenha sido um pouco mais tímido. Participação para não deixar nenhuma dúvida que merece a final e que vai brigar forte.