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Viviane Araujo não esconde o desejo de participar de uma nova vitória salgueirense

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A atriz Viviane Araujo ostenta, atualmente, o recorde de ser a rainha de bateria do Grupo Especial do Carnaval carioca que está há mais tempo no cargo. Em 2024, a beldade fará o seu décimo sexto desfile consecutivo à frente dos ritmistas da “Furiosa”, do Acadêmicos do Salgueiro. Ao longo desse período no posto, a artista esteve presente em momentos históricos da agremiação como o título de 2009, com o enredo “Tambor”, além dos vice-campeonatos de 2008, 2012, 2014 e 2015. No entanto, Viviane não esconde o desejo de participar de uma nova vitória salgueirense, que representaria a tão sonhada décima estrela da vermelha e branca da Tijuca, e com isso fazer ainda mais história na Academia do Samba.

“Estar como rainha de bateria há tanto tempo representa para mim todo uma vida, sabe? Uma vida de uma dedicação, de um amor intenso e incrível que eu tenho com essa entidade que é o samba, que é o Carnaval. E o fato de ser aqui no Salgueiro é algo extraordinário, porque é a escola que me acolheu, que me recebeu, onde realmente eu fiz a minha história, deixei a minha marca. O Salgueiro é a minha casa, é a minha família. Aqui, eu tenho amigos, tenho amores incríveis. Os mestres são meus irmãos, a gente se fala direito, estamos sempre juntos. Mas não só eles, tenho essa relação próxima com várias outras pessoas da escola. A gente realmente é uma família, que está aqui para somar um com outro. Todos têm o mesmo objetivo, que é fazer o melhor pelo Salgueiro”, refletiu Viviane.

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Foto: Nelson Malfacini/CARNAVALESCO

Recentemente, a beldade foi homenageada pelos seus mais de 15 anos como rainha de bateria do Salgueiro. Na ocasião, a atriz recebeu do presidente da escola, André Vaz, um certificado de honra ao mérito. Além disso, o carnavalesco da agremiação, Edson Pereira, entregou nas mãos da majestade salgueirense o desenho do figurino que ela usará na Avenida no ano que vem. Na conversa com a reportagem do site CARNAVALESCO, Viviane Araujo relatou o que sentiu ao ver a fantasia, além de relatar um pouco sobre como será os preparativos para o desfile de 2024 a partir de agora.

“É uma fantasia linda. O Edson, realmente, é um carnavalesco que tem umas ideias incríveis e acho que vai ser um figurino que as pessoas vão gostar muito. Só isso que eu posso dizer. Quanto à coreografia, a gente ainda vai pensar em alguma coisa. Estávamos esperando ter o nosso samba para a gente poder ensaiar as boças, as paradinhas, tudo legal. Então, só a partir disso que devo criar alguma coisa”, contou a rainha.

No ano que vem, o Salgueiro será a terceira escola a cruzar o Sambódromo da Marquês de Sapucaí no domingo de Carnaval, dia 11 de fevereiro, pelo Grupo Especial. A agremiação levará para Avenida o enredo “Hutukara”, que pretende fazer um alerta em defesa da Amazônia e em particular dos Yanomami, que sofrem efeitos da ação de garimpeiros na sua região. O desfile terá a assinatura do carnavalesco Edson Pereira, que fará seu segundo trabalho consecutivo na Academia do Samba.

Líder Yanomami: ‘Vocês não conhecem o meu povo, mas agora estão conhecendo’

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O pensador e líder Yanomami, Davi Kopenawa, esteve presente na grande final da disputa de samba do Acadêmicos do Salgueiro e falou um pouco sobre a expectativa para ver a história do seu povo retratada no Carnaval carioca. Para o xamã, o desfile da vermelha e branca da Tijuca será uma oportunidade para as pessoas conhecerem, de fato, um pouco mais sobre eles e compreender a importância de se preservar os territórios indígenas.

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Foto: Nelson Malfacini/CARNAVALESCO

“É muito bom que vocês me perguntem sobre os Yanomamis. Agradeço muito a vocês por ouvir a nossa fala, a dos indígenas. Demorou muito, mas chegou a hora. É muito forte para mim, estou emocionado. Aqui no Rio de Janeiro, um lugar de muita gente, tem muitas pessoas ruins, mas vocês são corajosos por estarem nessa luta importante. Vocês continuam usando a força dos meus pais, antepassados, então, estou junto com vocês e muito contente. Vocês não conhecem o meu povo, mas agora estão conhecendo. Sou a liderança Yanomami que representa 30 mil do território de Roraima e do Amazonas”, enfatizou Kopenawa.

O xamã ainda comentou como está sendo a relação dos Yanomamis com a direção e os demais segmentos do Salgueiro. De acordo com Davi Kopenawa, a escola soube compreender a cultura deles e está empenhada em ajudar a luta dos nativos.

“A nossa cultura é diferente. A cultura do Salgueiro também é diferente. Mas é muito bonito que juntando asf duas representa uma luta só. Na cultura Yanomami não existe o Carnaval, mas existe uma festa em que a gente junta 500 até 2000 indígenas para fazer o que estão fazendo aqui, mas diferente. Aqui é tipo jogo, quem vai ganhar, quem vai perder, quem vai ficar triste. O nosso não tem jogo, a nossa é sobre alegria, muita alegria. Lembrando que a nossa cultura Yanomami nasceu no Brasil, não veio viajando. Temos que agradecer ao criador, que chama Omama , pois nós somos filhos dele, então fazemos o nosso agradecimento a riqueza da terra, a nossa língua, pois a gente fala a nossa própria língua Yanomami”, destacou o líder indígena.

Vídeo: anúncio do samba do Salgueiro para o Carnaval 2024

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Feliz da vida, Salgueiro escolhe samba da parceria de Pedrinho da Flor e abre caminho para ser a flecha certeira no Carnaval 2024

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Por Lucas Santos, Diogo Sampaio, Raphael Lacerda e fotos de Nelson Malfacini

O Acadêmicos do Salgueiro anunciou já ao raiar do dia de Nossa Senhora Aparecida a composição que vai embalar o desfile da agremiação no carnaval 2024. O samba escolhido foi composto por Pedrinho da Flor, Marcelo Motta, Arlindinho Cruz, Renato Galante, Dudu Nobre, Leonardo Gallo, Ramon Via 13 e Ralfe Ribeiro. Principais nomes da parceria, Marcelo Motta assinará seu nono samba na Academia e Pedrinho da Flor, o terceiro. A música será o tema de “Hutukara”, uma importante mensagem de alerta em defesa da Amazônia e em particular dos Yanomami, que sofrem efeitos da ação de garimpeiros na sua região. O desfile está sendo produzido pelo carnavalesco Edson Pereira. Em 2024, o Salgueiro será a terceira escola a desfilar no Sambódromo da Marquês de Sapucaí na primeira noite do Grupo Especial.

Foram quase duas horas de show apresentando o enredo com muita musicalidade, expressão, arte e samba. Também teve espaço para o Salgueiro passear um pouco pela sua história cantando sambas icônicos como Candaces, “Pega no Ganzá”, “Gaia”, “Malandro batuqueiro”, e, claro, “Explode coração”. A “Furiosa” também deu um show, além de qualidade e explosão para os sambas, foi apoio em outras músicas utilizadas na apresentação da escola, que contou com um telão e caprichou nas fantasias e nas narrativas exibidas no palco. Depois, já na competição contou com 25 minutos para cada parceria, sendo uma delas sem o carro de som, só com a torcida e o público. A festa terminou já de manhã pela Rua Silva Teles com a bateria, os segmentos e a comunidade.

“Eu nunca vi isso, a escola realmente abraçou a gente, o nosso samba, eles compraram essa briga, semana a semana, quem veio aqui hoje viu como foi o Salgueiro cantando. E mesmo assim, a gente teve muito respeito de todos, e agente respeitou todo mundo. Mas, a quadra, todos os segmentos da escola, mostraram que era esse o desejo, cantando como um todo. Foi uma grande noite”, celebrou o compositor Pedrinho da Flor.

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“Este ano, mais do que nunca, é uma responsabilidade muito grande. O Salgueiro fica como uma voz de defesa do povo indígena. Eu tenho muita honra de ter composto, junto com os meus parceiros, a trilha sonora desse protesto. O Salgueiro será campeão do carnaval, com toda certeza. A minha parte favorita é ‘Pelo povo da floresta//Pois a chance que nos resta//É um Brasil cocar’. Um Brasil em defesa do povo indígena. É o que precisamos! Isso não é um samba-enredo, é um hino e protesto que vai ganhar o mundo inteiro”, confiante, afirmou Marcelo Motta.

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“Pelo enredo, o protesto e pela escola que é, esse é um sonho da minha vida. Meu pai desfilou na bateria do Salgueiro. Não concorreu aqui, mas sempre quis ganhar um samba no Salgueiro. Hoje eu estou realizando um sonho da minha família, estou muito emocionado. Eu enquanto Arlindinho, cantor e sambista, essa é uma consagração. Eu estou feliz demais, é o melhor samba do ano! A parte que mais gosto é ‘YA TEMI XOA! aê, êa!//Meu Salgueiro é a flecha//Pelo povo da floresta//Pois a chance que nos resta//É um Brasil cocar!”, comentou Arlindinho.

“É a primeira vez que assino samba no Salgueiro. Acredito que é um samba com uma qualidade muito grande. Quero agradecer aos meus parceiros pela confiança e também ao Salgueiro. Agora é fazer um grande Carnaval. O refrão do samba é uma coisa absurda, mas destacar só um trecho é até difícil”, citou Dudu.

‘Ver o Salgueiro neste novo momento é emocionante’, diz André Vaz

O presidente André Vaz assumiu a gestão do Acadêmicos do Salgueiro em dezembro de 2018, após um longo imblóglio judicial. Na época, ele e a direção recém-empossada tiveram de correr contra o tempo para terminar o Carnaval de 2019. Mesmo com o trabalho sendo concluído às pressas, a Academia do Samba conseguiu fazer um desfile de superação e alcançou um quinto lugar com o enredo “Xangô”. Desde então, outros três carnavais foram realizados, mas nenhum conquistou resultados mais expressivos. Para quebrar esse paradigma dos últimos anos e retomar o protagonismo da briga pelo título de campeã da folia carioca, o mandatário aposta na força do enredo da vermelha e branca da Tijuca para 2024, aliada ao excelente samba escolhido para embalar a apresentação.

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“O momento atual é de reconstrução. Tivemos alguns erros, não só no ano passado, como nos últimos dois ou três carnavais, erros que não podem acontecer com uma escola de samba do nível do Salgueiro. Em relação ao Carnaval de 2023, sacrificaram muito nosso enredo, eu também não concordo com algumas coisas, mas temos que aprender com as notas dos jurados, com as críticas da imprensa, da comunidade do Salgueiro, de todos. A gente entendeu que a gente tinha que partir para um enredo que falasse o momento do Brasil, o que eles estão passando na Amazônia. Foi então que trouxemos o Igor Ricardo como enredista, com o intuito de fortalecer esse time, para a narrativa da sinopse ser melhor ainda, e o resultado são os sambas maravilhosos que foram compostos para esse enredo de 2024. Além disso, a gente trouxe pessoas para melhorar a nossa estrutura. Já tínhamos segmentos fortíssimos, mas trouxemos o Wilsinho, diretor de Carnaval; o Luan Telles, diretor de barracão; mudamos alguns empreiteiros também dentro do barracão para que a gente não possa cometer esses erros do passado na Marquês de Sapucaí. E ver o Salgueiro neste novo momento é emocionante. É um enredo que todo mundo abraçou, o samba é maravilhoso, acredito que se não for o melhor, com certeza vai estar melhores sambas do Carnaval. A gente está vivendo um momento muito bom de união, de alegria. Esse enredo também trouxe isso para a gente, essa alma, e a gente está vivendo isso no dia a dia da escola”, destacou André Vaz.

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O mandatário salgueirense ainda ressaltou que o torcedor da vermelha e branca da Tijuca irá encontrar uma escola mais organizada em 2024 na comparação com os anos anteriores. O dirigente antecipou que o trabalho no barracão da agremiação já está a pleno vapor, com reprodução das fantasias bastante adiantadas e algumas alegorias na etapa da madeira.

“Na última apuração, a gente saiu triste com o resultado, porém dispostos a trabalhar arduamente. Naquela mesma noite, a gente já decidiu algumas saídas e algumas contratações que vieram nos dias seguintes. A partir dali, o que o salgueirense pode esperar é uma organização muito mais forte da escola. Os projetos estão muito mais estruturados. A gente já está com 15 alas praticamente prontas. Ano passado, a gente começou o Carnaval nessa época, só para efeito de comparação. Já estamos com os carros alegóricos todos no ferro e alguns na madeira, as esculturas descendo para serem colocadas nos carros… O trabalho está bem adiantado. O salgueirense vai ver, além do enredo e do samba maravilhoso, uma escola muito mais ordenada, muito mais profissional, para que possa dar tranquilidade nos ensaios da comunidade, para que possa também dar tranquilidade para os segmentos trabalharem, para que a gente possa soltar essa explosão na Avenida. Vai ser um desfile que vai emocionar, não só o salgueirense, mas todo o público que estiver na Marquês de Sapucaí”, assegurou o presidente do Salgueiro.

Estética totalmente diferenciada

O desfile de 2024 será o segundo trabalho consecutivo do carnavalesco Edson Pereira na Academia do Samba. De acordo com o artista, ao decidir levar no ano que vem para Avenida o enredo “Hutukara”, a proposta é fazer um alerta em defesa da Amazônia, em particular dos Yanomami, que sofrem efeitos da ação de garimpeiros na sua região. O intuito é conscientizar o máximo de pessoas acerca do tema e dar voz a esses nativos. Para desenvolver isso, Edson conta com o auxílio do enredista Igor Ricardo, contratado em fevereiro deste ano pela escola, e assegura que a parceria está rendendo ótimos frutos.

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“É um enredo que estamos trabalhando desde o ano passado, antes mesmo de terminar o Carnaval de 2023. Foi uma sugestão que chegou até o Salgueiro, o presidente André Vaz acolheu e eu prontamente também achei maravilhoso. O Igor Ricardo veio somar junto com a gente. Ele é um cara que a gente tem muita afinidade, tem muita coisa em comum e a gente pensa igual, a todo momento que eu preciso de algum suporte histórico, eu vou até ele e ele me pergunta também. Então, eu acho que é uma parceria que vai se perdurar por muitos anos. Acredito que vai ser um grande Carnaval feito por muitas mãos. Toda essa comunidade, todos nós que estamos aqui dentro do Salgueiro, estamos empenhados para entregar um trabalho excepcional”, afirmou Edson Pereira.

Apesar da sétima colocação no Carnaval de 2023, a parte plástica da escola foi bem avaliada pelos jurados. Prova disso é que a agremiação alcançou os 30 pontos nos quesitos “Alegorias e Adereços” e “Fantasias”. Para o desfile do ano que vem, Edson Pereira promete o mesmo esmero do trabalho anterior, porém com uma estética totalmente diferenciada, adequada ao enredo.

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“A gente precisa pensar que o Carnaval é cíclico. Logicamente, eu tenho as minhas referências quanto carnavalesco e sempre tive uma característica de ter boas notas com fantasias e alegorias. Para 2024, a gente está optando por um trabalho diferenciado, que foge do meu padrão estético, assim como fiz em outros enredos que pediam isso. Sou da opinião que cada ano é um novo desafio e para o ano que vem o desafio é trabalhar com material alternativo, respeitando a natureza, sem penas, sem nada que possa agredir os animais ou tudo aquilo que a gente está colocando em pauta. Então, é importante neste momento entender que o Carnaval do Salgueiro vai ser diferente sim, mas não vai deixar de ser tão lindo”, garantiu Edson em conversa com a reportagem do site CARNAVALESCO.

Ensaios de quadra começam logo e rua no fim de novembro

Depois de fazer sucesso no Império Serrano nós últimos dois carnavais, participando do Acesso da agremiação e do desfile no Grupo Especial, Wilsinho Alves agora tem o desafio de fazer o Salgueiro voltar ao desfile das campeãs, e porque não, voltar a disputa o campeonato com perspectiva de título. O diretor revelou que o trabalho na Academia lhe trouxe experiências que nunca viveu no carnaval.

“Aqui é diferente. No Salgueiro tudo toma uma proporção diferente, a final do Salgueiro é a maior final de escola de samba que existe e até por causa da safra que a gente teve esse ano , as obras, a relevância do nosso enredo, tudo este ano está maximizado, mas tudo caminhando para o saldo positivo. É muito diferente e original o mundo que o Salgueiro vive”, admitiu Wilsinho.

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O diretor de carnaval também aproveitou a final para explicar mais sobre o planejamento da escola pós escolha do samba, e divulgou informações sobre o trabalho que a agremiação vem desenvolvendo no Barracão.

“A gente antecipou muita coisa. Nós fomos a primeira escola a anunciar o enredo, então adiantamos muita coisa do projeto. Hoje o Salgueiro está com 13 alas quase ensacadas, a gente deve ensacar nos próximos dias. Algumas outras alas já estão ensacadas. Mas tem essas 13 que vão ser nos próximos dias. Na próxima semana já começamos a confecção do restante das alas. A ideia é que em dezembro nós estejamos com todas as fantasias de ala prontas. Estamos finalizando dois carros na questão de ferragem. Cinco carros prontos na questão da madeira. O Luan (Teles, diretor de barracão) é um craque do barracão, isso a gente não tem dúvida. A gente reformulou a equipe de ateliê para justamente dar esse equilíbrio que o Salgueiro estava precisando. A gente está caminhando bem, o Salgueiro vive um momento de restruturação de alguns segmentos, de alguns momentos da escola, mas caminhando muito bem o projeto desse ano”.

Outro ponto importante revelado por Wilsinho no planejamento são os ensaios , tanto os de quadra, quanto os treinos na rua.

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“A gente começa primeiro com os ensaios de quadra, a gente faz o primeiro na última quinta-feira do mês, o primeiro ensaio de quadra, e devemos ficar quatro semanas na quadra. Nosso primeiro ensaio de rua será 23 de novembro na rua. Acho que o samba vai impulsionar o canto e não só pela mensagem, o samba tem que tocar o coração das pessoas, e esse enredo é muito necessário. A gente está vivendo isso. Eu chego até a ficar envergonhado o quando a gente negligenciava, eu negligenciava algumas questões dos povos originários anteriormente. Hoje a gente se engaja muito melhor nessa questão, com ações mais efetivas na defesa dos povos originários. E quando a gente começa a ter essa troca direta com a cultura dos Yanomamis, é uma coisa muito enriquecedora para a gente”.

Emerson Dias pronto para cantar o ‘samba do ano’

O intérprete Emerson Dias avaliou a importância do carro de som e do trabalho focado para o sucesso da harmonia salgueirense em 2023. Ele afirmou que já esperava o êxito neste quesito. “Sim (esperava), porque a gente trabalha focado. Agora ainda mais, porque o carro de som está tendo um peso muito grande no quesito harmonia. Tem que prestar atenção no que os jurados falaram, nos anos anteriores e nos erros dos colegas para que a gente aprenda com isso e não cometa esses erros”, disse Emerson.

Com uma safra considerada pela crítica como uma das melhores deste carnaval, Emerson destacou o dom do Salgueiro em fazer sambas com mensagens fortes. Ele acredita que o enredo exige um tom mais sério.

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“Acredito que seja um enredo que peça um outro tom de interpretação – não que eu vá deixar se fazer as minhas particularidades ou cantar do meu jeito -, mas é um samba com um cunho um pouco mais sério, denso e com uma mensagem manifesto. Esse é o foco e a forma de encontrar o meio termo e levar o tom certo. O Salgueiro tem sambas muito fortes: Xangô, Explode Coração, Gaia… são hinos muito fortes. Esses são só os recentes, sem contar o maior de todos os tempos: Chico Rei”, explicou o intérprete.

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Apesar da responsabilidade de cantar o samba que pode ser um dos melhores do próximo carnaval, para o intérprete da Academia do Samba essa foi uma missão presente em todos os outros desfiles que ele fez pela agremiação. “Todo samba que nós cantamos, achamos que é o do ano, porque a gente defende como se fosse um filho. Eu estou indo para o meu décimo samba gravado. É o meu décimo samba do ano que irei cantar (risos)”, afirmou.

Carro de som segue padrão de qualidade de 2023

Pelo segundo ano consecutivo como diretor musical do Salgueiro, Alemão do Cavaco analisou o bom rendimento da harmonia no ano passado, conseguindo os 40 pontos e explicou como tem desenvolvido o trabalho junto ao carro de som do Salgueiro, comandado por Emerson Dias.

“A gente sempre tem que fazer ajustes porque é um samba novo, é um momento novo. Aquela nota de 2023 foi ótima, mas já passou. Agora a gente precisa buscar essa nota de novo, ela não existe. Quando você começa a desfilar, se você der uma vacilada, se você semitonar, se você der um caco errado, se der uma nota de um acorde que não funciona, a mixagem de um violão mais alto que o cantor, não irá vir a nota. A gente quer manter o padrão, pois o time é muito qualificado, mas a gente sempre vai fazer pente fino até o dia, para não haver dúvida nenhuma. A gente manteve o trabalho para poder colaborar com a nota da escola. O ensaio do carro de som é separado, em estúdio, tem também ensaio separado de cantores, ensaio de corda, ensaio com bateria do que a gente fez, tem bastante conversa, tem bastante ideias, e a gente acha caminhos, situações, é um trabalho minucioso até chegar no resultado final”.

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Com uma safra bastante elogiada, Alemão apontou o caminho que o trabalho musical da escola deverá seguir no trato com a obra escolhida. “Um samba com uma mensagem tão forte ajuda, e pela qualidade das obras também. Fica mais fácil porque é a gente dar uma roupagem para aquilo que já vem pronto. Você não tem que inventar, você não tem que suprir necessidade de coisas que poderiam ter algum problema, não precisa de levantes, nada disso. É como se fosse um arquiteto que entra em um apartamento vazio e ele pode botar um sofá em uma sala pequena e acabar com o apartamento, ou ele pode colocar duas poltronas e um espelho e dar uma amplitude melhor. A gente faz a mesma coisa, a gente decora a música e dar o suporte pro canto e para harmonia da escola, para ficar mais rico”.

Qualidade impecável na Furiosa

No comando da bateria “Furiosa” desde 2019, os irmãos Gustavo e Guilherme destacaram o êxito da bateria no Carnaval deste ano. Eles ressaltaram a valorização dos Aprendizes do Salgueiro. “Graças a Deus a gente vem de um ano muito positivo, porque conseguimos ser agraciados com os 40 pontos. Isso é fruto de muito ensaio, muita pesquisa, união. É um trabalho desde o final de 2018 – quando assumimos. Somos crias do Salgueiro e a gente vem resgatando os valores da nossa bateria, juntando com a nossa modernidade e a galera mais nova que está chegando e dando valor aos Aprendizes do Salgueiro. Agora é seguir em frente com o trabalho, porque o próximo carnaval já está chegando”, afirmou o mestre Gustavo.

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“A continuação de um trabalho que a gente vem executando desde que assumiu. É fruto de todo um trabalho não só meu e do Gustavo, mas de toda diretoria, além da direção da escola que está sempre apoiando a gente. Estamos dando seguimento no trabalho. A nossa ideia é trazer e formar mais ritmistas para a escola. A gente dá muita oportunidade para a galera do Aprendizes, que é de onde viemos e valorizamos isso”, completou o mestre Guilherme.

Apesar de ter a ala de tarol como paixão, o mestre Gustavo afirmou que cada naipe da bateria será fundamental na busca pelos 40 pontos no próximo Carnaval. Para ele, quanto mais identidade salgueirense, melhor.

“Todos os naipes são fundamentais. A gente consegue distribuir bem a responsabilidade de cada naipe e conseguir balançar legal. Mas eu, particularmente, tenho o meu xodozinho que é a ala de tarol, a maior identidade da bateria Furiosa. A gente está sempre cuidando direitinho para apresentar a nossa batucada mais Salgueiro possível para, se Deus quiser, sermos agraciados com mais um trabalho perfeito”, revelou.

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Questionado se o enredo com uma forte mensagem traz a necessidade de algo diferente na bateria, Guilherme contou que a dupla está estudando a cultura Yanomami.

“A gente tem pesquisado e escutado muitas coisas sobre os Yanomami. Com certeza vamos para esse lado buscar alguma coisa da cultura deles que possa atribuir à nossa. Os três sambas que chegaram na final tem tudo a ver com o enredo e a gente pensou e estudou muito os três sambas ao longo da semana para saber qual linha iremos seguir, porque é um enredo que é muito sério, é um manifesto. Temos certeza que o Salgueiro vai vir muito forte e a bateria Furiosa também”, contou.

Já sobre o andamento, a dupla planeja manter o mesmo dos últimos três anos. É o famoso ditado: não se mexe em time que está ganhando.

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“A gente ensaiou de acordo com a disputa de samba. Não tínhamos um samba preferido, mas sempre pensamos em um denominador comum para cada samba que estava na disputa para ir escutando aos poucos para que, após a escolha, a gente já conseguisse implementar o trabalho que ensaiamos”, disse Gustavo.

“Vamos tentar repetir o que fizemos nos últimos três anos. Até porque o samba é muito forte – ‘melodicamente’ também. E a bateria do Salgueiro sempre teve essa característica: muito forte e pesada e não vamos mudar essa característica. Deu certo até agora, vamos seguir”, revelou Guilherme.

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Academia do Samba Sidclei Santos e Marcella Alves afirmou que apesar da ótima performance da dupla, o pensamento deve focar na escola como um todo.

salgueiro final24 22“A gente sempre quer mais, né? (Risos). Ficamos muito satisfeitos com o resultado e por termos conseguido mais uma vez a nota máxima para ajudar a nossa escola. Mas é óbvio que ficamos muito tristes com o resultado final do carnaval do Salgueiro, ficamos de fora do desfile das campeãs. Aqui a gente pensa como uma família, então não adianta comemorar o nosso se o todo não está comemorando. A gente começou o trabalho do zero novamente, junto com a escola, buscando o objetivo de todos, que é a décima estrela. No nosso resultado particular ficamos muito satisfeitos, mas queremos mais: ultrapassar os nossos limites, preservando ainda mais essa tradição da dança do mestre-sala e da porta-bandeira”, afirmou a porta-bandeira.

“A Marcella falou tudo. O último carnaval foi maravilhoso em termos de casal, mas como ela falou, nós ficamos tristes com a escola tendo uma colocação ruim depois de anos vindo no Desfile das Campeãs. Mas isso serviu de aprendizado para a gente vir mais forte do que nunca. Pode ter certeza que o Salgueiro vai vir brigando pelo título”, comentou o mestre-sala.

Sonho de menino de Patrick Carvalho

Alvo do interesse de diversas agremiações ano a ano, o coreógrafo Patrick Carvalho seguirá comandando o planejamento da comissão de frente da Academia para o Carnaval 2024. No terceiro ano ajudando a produzir o show da escola, Patrick demonstrou estar realizando um grande sonho de menino na agremiação e já projetou um pouco do que pretende levar para a Sapucaí sobre o povo Yanomami.

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“É muito louco participar disso tudo porque é o que eu sempre sonhei desde criança. Eu vim de um projeto social de carnaval nas escolinhas mirins. O sonho de qualquer criança é chegar em uma grande escola do carnaval carioca. Chegar aqui pelo meu terceiro ano é muito especial. Participar da abertura do show do Salgueiro foi muito especial. Abrir com a comissão de frente junto com o casal é um número assinado por mim. Eu criei, eu montei, para impulsionar. É só o primeiro passo, se apresentar com a comissão de frente , do que a gente vai levar para a Avenida. É o laboratório. E essa abertura foi emocionante. Tenho amigos de Manaus, para o Salgueiro sentir o que é esse enredo. Levar essa verdade Yanomami para a Avenida, será um aprendizado para todos nós. Em 2018 no Tuiuti eu levei aquela comissão, não tinha efeito especial, não tinha pirotecnia, tinha emoção. Um enredo desses é você mostrar para a Avenida que ainda existe muita emoção dentro do carnaval”.

Análise das parcerias na final

Parceria de Ian Ruas: Primeiro samba da noite foi produzido pelos compositores Ian Ruas, José Carlos, Caio Miranda, Sonia Ruas Raxlen, David Carvalho e Gabriel Rangel.A apresentação no palco foi conduzida por Nêgo, da União da Ilha, Nino do Milênio, da União a de Maricá e Vitor Cunha, da São Clemente. O samba surpreendeu positivamente nessa reta de final de disputa com uma melhoria original, bem colocada na final mais uma vez pelo trio principal de vozes da parceria que souberam dividir de forma solidária os trechos do samba. Apesar de um bom encaixe com a Furiosa dos mestres Guilherme e Gustavo, a obra caiu um pouco de desempenho a partir da metade da apresentação. A torcida trouxe bandeiras vermelhas e brancas, uma bandeira enorme com um Yanomami, e mais uma vez, colares e pulseiras iluminadas. O canto da torcida foi um pouco mais tímido que na semifinal. Já a quadra teve pouco envolvimento com a obra e cantou pouco.

Parceria de Pedrinho da Flor: A segunda parceria a se apresentar na noite foi composta pelos compositores Pedrinho da Flor, Marcelo Motta, Arlindinho Cruz, Renato Galante, Dudu Nobre, Leonardo Gallo, Ramon Via 13 e Ralfe Ribeiro.A apresentação foi um sacode. Mais do que isso, viu-se muita gente, inclusive, chorando. Várias pessoas do mundo do samba, de outras escolas, até, estavam próximo do palco na hora, pulando muito. Aliás, todo mundo pulou muito. A apresentação no palco foi muito forte, muita potência. Enquanto Tinga e Pitty entoavam o samba, Dudu Nobre e Arlindinho agitavam a multidão ao lado dos outros compositores. Foi o momento de maior envolvimento da quadra e da torcida, também foi o de maior canto. A passada sem o carro de som foi outro momento de grande força. A torcida trouxe bandeiras grandes, uma com o símbolo do Salgueiro e outra com a bandeira do Brasil em vermelho. O samba manteve o nível alto das outras apresentações, e chegou a um clímax nesta final.

Parceria de Xande de Pilares: Última obra da noite é uma composição de Xande de Pilares, Cláudio Russo, Betinho de Pilares, Jassa, Jefferson Oliveira, Miguel Dibo, Marcelo Werneck e W Corrêa. A parceria investiu em um experiente time de vozes com Igor Sorriso e Igor Vianna comandando a equipe, tendo também Roninho e Leonardo Bessa entre as vozes. Mais uma vez, uma grande apresentação no palco, que de novo contou com a presença de Xande de Pilares. A torcida trouxe o “curumim” em cima de um pequeno tripé enfeitado como a mata. O samba se encaixou bem com a “Furiosa” e manteve um bom andamento, pra cima, mantendo um clima animado durante toda a exibição. A torcida veio junto no canto, trouxe bolas nas cores verde da natureza em alusão ao tema. Já o envolvimento da quadra foi bom, com um canto mais tímido.

Fotos: final de samba-enredo do Salgueiro

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Parceria de Pedrinho da Flor é apontada favorita para vencer no Salgueiro, segundo leitores do CARNAVALESCO

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O Salgueiro faz na quarta-feira, véspera de feriado, a final de samba-enredo para o Carnaval 2024. Três parcerias estão na grande decisão. A parceria de Pedrinho da Flor, Marcelo Motta, Arlindinho Cruz, Renato Galante, Dudu Nobre, Leonardo Gallo, Ramon Via13, Ralfe Ribeiro foi apontada favorita com 44,3% dos votos dos leitores do site CARNAVALESCO.

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Foto: Anderson Borde/Divulgação Salgueiro

A parceria de Xande de Pilares, Claudio Russo, Betinho de Pilares, Jassa, Jefferson Oliveira, Miguel Dibo, Marcelo Werneck e W Correa recebeu 42,8%. A parceria de Ian Ruas, José Carlos, Caio Miranda, Sonia Ruas Raxlen, David Carvalho e Gabriel Rangel levou 12,9%.

Em 2024, o Salgueiro será a terceira escola a desfilar no Sambódromo da Marquês de Sapucaí na primeira noite do Grupo Especial. A Academia do Samba levará para Avenida o enredo “Hutukara”, que pretende fazer um alerta em defesa da Amazônia e em particular dos Yanomami, que sofrem efeitos da ação de garimpeiros na sua região. O desfile terá a assinatura do carnavalesco Edson Pereira.

Serviço final do Salgueiro:
Data: Quarta-feira, 11 de outubro
Horário: Início às 20h30
Ingressos: Pista a partir de R$70; Mesa por R$80,00; jirau a partir de 80,00; Camarotes esgotados!
Classificação etária: 18 anos
Informações: telefone (21) 3172-0518 ou (21) 97453-1669

FINAL DA SALGUEIRO 2024 | PROGRAMA ESPECIAL

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Sem alas comerciais, Tuiuti divulga primeiras fantasias para Carnaval 2024 em formato inédito

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Glória ao Almirante Negro! No enredo em que João Cândido é tratado como verdadeiro herói nacional, o Paraíso do Tuiuti divulga as primeiras imagens das fantasias do próximo desfile em um formato inédito: HQs. Na revista em quadrinhos da azul e amarelo de São Cristóvão aparecem personagens do barracão, o presidente da escola, Renato Thor, o carnavalesco Jack Vasconcelos, e as fantasias “Marechal Mascarado”, “Almirante” e “Dragão do Mar”.

“Esse conceito de história em quadrinhos nós estamos desenvolvendo desde a nossa logo do enredo. O nosso tema é uma grande aventura de um herói genuinamente brasileiro. O João Cândido fez um ato heróico. E nós, artistas do Carnaval, também somos esses heróis. Afinal, fazer Carnaval também é uma aventura. Por isso, estamos brincando com isso”, conta Jack.

As imagens foram criadas pelo designer e ilustrador Antonio Vieira, que também assina a arte do enredo do Tuiuti.

“A ideia partiu do Jack e o tempo era curto. O processo todo durou uns cinco dias, e deu muito trabalho. Baseado nas fotografias dos funcionários do barracão, e das fantasias, o roteiro foi criado. E aí, parti para os desenhos direto no iPad”, destaca Antonio.

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Últimas vagas para desfilar

No Carnaval 2024, o Tuiuti não terá fantasias comerciais. Quem quiser desfilar na escola precisa correr porque as inscrições já estão acabando. Os interessados devem fazer o cadastramento às segundas, a partir das 19h, na quadra da agremiação (Campo de São Cristóvão, 33, no bairro de São Cristóvão). Levar: documentos básicos, como RG, CPF, e uma foto 3×4.

Logo após o cadastro, a partir das 21h, a agremiação realiza os ensaios de canto com o samba do Carnaval 2024. Os tradicionais ensaios de rua da azul e amarela iniciam no dia 30 de outubro.

No próximo ano, o Tuiuti vai desfilar com enredo “Glória ao Almirante Negro!”, uma homenagem ao João Cândido, marinheiro brasileiro que atuou na liderança da Revolta da Chibata. A escola será a quinta a desfilar na segunda-feira de Carnaval.

Entrevistão com mestra Rafa: ‘Arrombei a porta que estava trancada e ela não tranca mais porque eu quebrei o trinco’

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Quando a Imperatriz da Paulicéia entrou na Avenida em 2023 para abrir os desfiles do Grupo de Acesso 2, em São Paulo, diferentes marcas para a agremiação foram alcançadas até aquele momento. Era o retorno da escola ao Sambódromo do Anhembi depois de 18 anos, a estreia como uma entidade filiada à Liga-SP após 43 anos de sua fundação e sendo campeã consecutivamente dos três grupos inferiores, em uma arrancada avassaladora da comunidade administrada pela presidente Mara.

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Foto: Felipe Araujo/Liga-SP

A coroação de um trabalho exemplar ganha ainda mais brilho levando em consideração que todas essas conquistas ocorreram no ritmo da bateria liderada por Rafaela Rocha Azevedo, de 34 anos, conhecida como Mestra Rafa. A autoridade maior da “Swing da Paulicéia” se tornou a primeira mulher a comandar ritmistas em um desfile oficial no Sambódromo do Anhembi, e mesmo tão jovem carrega consigo a experiência de cinco carnavais, sendo quatro consecutivos, mas todos pela mesma entidade. São 15 anos dedicados ao carnaval contados em entrevista concedida à reportagem do site CARNAVALESCO por uma profissional que já é exemplo para tantas pessoas mesmo com um futuro longo e promissor pela frente.

Como foi o início da sua trajetória no mundo do samba?

“Eu comecei na X-9 Paulistana já em bateria de escola de samba, já na escolinha de bateria tradicional. Fiz a escolinha uma vez, não passei. Sofri um acidente na mão, cortei a mão, rompi o ligamento. Fiquei seis meses de gesso. Fiz novamente para conseguir estar desfilando. Então minha primeira experiência foi na X-9. Fiquei 12, 13 anos direto na escola. Fundei o Departamento Jovem, fundei o departamento cultural. Nunca foi só bateria, mas comecei pela bateria. E aí na própria X-9 o cantor, que era da Imperatriz da Paulicéia na época, me convidou. Falou: ‘Pô, acho que tem aí uma semente de algo que vai rolar legal, uma administração’. Eu cuidava dos shows da X-9, ele viu essa administração rolar muito bem e me convidou. Era uma outra administração da Paulicéia também. Aí eu vim, era na UESP, o penúltimo grupo da UESP. Rolou, tiramos a nota, entregamos a parte da bateria, a escola não foi muito bem. Mas eu entreguei o cargo naquele ano até pelo projeto da escola, que não me atendia tão… Não era igual aos meus ideais. Eu gosto de escola de samba. Escola de samba, que forma pessoas, dá continuidade em trabalho, acompanha a vida das pessoas. Lá eu só tinha que chegar e desfilar, e isso para mim não faz sentido, não orna com o meu trabalho. Então eu fechei uma passagem rápida de um ano e aí depois vim a receber esse convite novamente com a nova administração da escola em 2019, e até hoje estamos aí na Paulicéia”.

Como foi esse processo que te levou a assumir o cargo de mestre de bateria da Imperatriz?

“Eu não era nem diretora de bateria, só era ritmista. Só que na época era o mestre Adamastor, e eu ajudava ele na escolinha, ajudava ele nas apresentações da escola. Eu gerenciava os ritmistas. Vai ter uma apresentação, eu ligava para todo mundo, falava roupa, horário. De acordo com esse trabalho, viram essa sementinha rolar e me convidaram. Então eu fui mestre de bateria antes de ser diretora de bateria. Fui diretora na X-9, mas só em 2017. Mestre eu fui em 2015”.

Mestra Rafa Pauliceia e Interprete Fabiano

Ser mestre era algo que você pretendia na ocasião?

“Quando eu entrei na bateria da X-9 era muito, muito devota à bateria. Eu tinha esse sonho mais escondido para mim. Porque como não tinha nenhuma outra mulher, não adiantava falar isso para fora porque as pessoas iam, no mínimo, rir. Era um sonho meu, guardado para mim, que eu achava que um dia eu ia conseguir, mas não tão rápido. Eu acho que foi mais rápido do que eu imaginava”.

Como a escola na época recebeu o anúncio do seu nome para o cargo de mestre de bateria? E os ritmistas? Como foi para eles?

“Como era outra administração, o projeto era muito para a pista, não era projeto de formação. Não teve uma aceitação como eu esperava que tivesse. São coisas que a gente, como mulher, tem que saber que vai rolar, e eu levei uma bateria pronta, não usei todos os ritmistas só de lá. Tinha alguns ritmistas da casa, não tirei, mas o respeito com os meus não era o mesmo que eles estavam tendo. E justamente por isso, como não tinha o apoio da presidência da escola, de me apoiar e falar ‘não, vamos aceitar’, achei que era melhor não continuar com a escola, aí voltei para a X-9. Já estava na X-9, continuei. Virei diretora de bateria até chegar o segundo convite, mas eu fui diretora da X-9 durante alguns anos”.

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E como foi essa volta para a Imperatriz anos depois? O que teve de diferente?

“A Mara, que é a presidente da escola, não me conhecia. Ela ouviu falar, e no meu primeiro ensaio eu cheguei com 90 ritmistas. Daí ela ficou tipo: ‘De onde saiu essa menina?’. Ela é uma pessoa que me recebeu muito bem, e hoje eu tenho ela como uma segunda mãe. De verdade, é um carinho de família. É uma pessoa que, independentemente de eu não continuar na escola, é uma pessoa que eu levo para a vida, uma pessoa extremamente justa. Então, foi uma ótima aceitação da diretora da escola. Se provar como mulher a gente tem que se provar diariamente, não adianta, mas é uma pauta que eu até nem fico batendo tanto para não confundir a luta como mimimi, sabe? Eu sei que eu tenho essa luta, eu sei que tem várias outras indo atrás, mas o caminho é puxar e não ficar só falando sobre isso, sabe? Eu sei que tem que falar, toda vez eu falo, mas não só a lamentação. Acho que tem que falar bastante do que foi conquistado, de quantas vão vir atrás. As portas vão se manter abertas. Como? Não interessa. A gente vai resolver e vai manter aberto”.

A representatividade feminina dentre os ritmistas da ‘Swing da Paulicéia’ se faz presente como atualmente?

“A Imperatriz da Paulicéia hoje tem o mesmo número de ritmistas mulheres que uma bateria do Grupo Especial. A única diferença é que as baterias do Especial têm cerca de 70 pessoas a mais. Então a gente tem uma representatividade feminina bem grande, graças a Deus. É um lugar que, obviamente, elas se sentem acolhidas e serão sempre, é óbvio. Mas a gente tem um número muito mais próximo da igualdade do que de uma bateria do Grupo Especial. São estudos que a gente mesmo fez”.

Dentre os diferentes instrumentos que compõem a bateria, qual naipe você considera o seu favorito?

“O meu instrumento é o surdo de terceira. É o instrumento que eu sou criada, o meu instrumento de origem. É onde eu fui diretora também, há alguns anos, em várias escolas. É o meu naipe, é o meu instrumento. O preferido eu não sei, mas que é meu instrumento ele é. Então, é difícil quando você gerencia todos, é difícil. Cada um tem o seu espacinho, mas o surdo de terceira tem um lugar especial”.

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Quais são as pessoas do carnaval que você tem como inspiração para a sua carreira de mestre de bateria?

“Eu tenho muitas inspirações, graças a Deus, e elas caminham junto comigo. Tive a honra de ter quase todos eles desfilando comigo esse ano. Tenho um apoio muito forte dos mestres de São Paulo, como o Zóinho, Vitor da Candelária, Dennis, Klemen, Marcel, Vitor Velloso, inúmeros nomes aí que estão junto comigo. E na música, né? Eu coloquei o timbal na bateria por conta do Cara de Cobra, que é o percussionista da Ivete Sangalo. Tive o prazer de conhecer ele e falei para ele: ‘Óh, tem timbal na bateria por causa de você’. As inspirações na música são essas, todos esses nomes aí. Até vou ser injusta se eu falar todos. Mas tenho os mestres aí comigo, como o mestre Serginho também do Tucuruvi. É um cara que caminha lado a lado comigo. Então, são essas pessoas que eu tenho de inspiração. O ruim é que eu não tenho muitas inspirações mulheres. Na época que eu virei mestre, não tinha outra. Mas como diretora, eu tenho a Jussara Félix do Vila Maria e a Tamara Santana, que era da Mancha Verde, que eram as duas mulheres que tinham quando entrei. Eu tinha elas como pisão de comando, mesmo que não o comando da bateria, o comando da ala. Essas são as minhas referências”.

Pode falar um pouco mais a respeito da sua relação com esses outros mestres de bateria? Você também está presente na bateria deles de alguma forma?

“Sou meio maluca. Eu saio em oito escolas, então em todas as noites do carnaval de São Paulo eu estou desfilando, mais de uma vez normalmente. Eu acho que para você ser mestre de bateria você não pode nunca deixar de ser ritmista, porque você vai conseguir entender a cabeça do seu ritmista, as necessidades dele, o que ele precisa, o que ele passa. Então eu sou ritmista em várias escolas, e aquilo que a gente faz a gente pega o que é melhor e não faz o que a gente acha errado nos outros lugares. Então as influências dos meus mestres em outros lugares são essas. Eles me apoiam como amigos e me dão exemplo à frente da bateria de algumas coisas como a gente resolver conflitos. Não adianta, como qualquer trabalho ter de lidar com pessoas, gestão de pessoas, é difícil. Então todo esse respeito aí, essa troca, eles me ajudam muito nisso”.

Seu nome está marcado na história do carnaval de São Paulo como a primeira mulher a comandar uma bateria de escola de samba no Sambódromo do Anhembi. Qual foi seu sentimento naquele momento?

“Toda vez que alguém me pergunta isso eu fico com a mesma cara de ‘ué, não sei o quê, responder’, porque foi um misto de sensação. Eu não sentia nem o chão. Foi tudo muito rápido. Como a escola foi a primeira, foi tudo muito cedo. Então foi, assim, uma sensação tanto de alívio, como se você estivesse soltando correntes. O quanto também de peso que você estava carregando de toda uma história que vem atrás. Mas a sensação que me explica tudo é de arrombamento de portas. Eu arrombei a porta que estava trancada e ela não tranca mais porque eu quebrei o trinco”.

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Uma vez que você quebrou esse trinco, tem algum sonho que você ainda almeja alcançar na sua carreira daqui para frente?

“É até egoísmo da minha parte ter mais algum sonho depois do que eu já fiz, mas a minha vontade hoje, o meu objetivo, é ser mestre no Grupo Especial. Não sei se será com a Paulicéia, se a gente vai chegando lá, vai fazendo a mesma coisa que a gente fez na UESP, ou se vai surgir outras coisas na nossa vida profissional do carnaval. Eu hoje não me imagino em outro lugar, eu sou muito Imperatriz da Paulicéia, mas eu tenho esse sonho de chegar a ser mestre no Especial do carnaval de São Paulo”.

A sua relação atual com a Imperatriz da Paulicéia pode ser definida como? O que a escola representa para você?

“A Imperatriz da Paulicéia foi tipo um amor, que eu não esperava. Sabe quando você está lá assim, ‘não gosto de ninguém, vou viver a solteira para sempre’, e aí a Paulicéia passou e eu fiquei envenenada, sabe? Falei: ‘Nossa!’. É muito legal porque ela é uma escola de samba de verdade. Escola de projeto social, escola de formação de pessoas e de um sonho que era pequenininho. A gente não tinha quadra, era lugar emprestado, na UESP, com quatro, cinco horas de atraso. Hoje a gente está no Anhembi, com a Globo filmando a gente o ano passado, fazendo matéria na quadra, na nossa quadra, quadra própria, construída por nós. Então assim, é um amor mesmo, de verdade. É um amor que, independentemente do que venha a acontecer, vai continuar existindo esse amor para sempre”.

Apesar da ausência de mulheres em lideranças específicas das escolas de samba, existem duas que se destacam como presidentes de agremiações do Grupo Especial, que são a Angelina Basílio do Rosas de Ouro e a Solange Cruz do Mocidade Alegre. Você tem alguma história com elas para contar?

“A Angelina eu tive uma troca muito rápida. Uma vez no ensaio técnico do Rosas, eu estava assistindo no camarote, e ela passou e falou: ‘Muita fé, menina. Você precisa ter muita fé’, e passou. Eu levo isso para a minha vida porque é uma pessoa que inspira super. Eu tive uma outra troca, mas essa foi muito importante, com a Solange. No ano passado, foi convidada para vir aqui a Mocidade Alegre, ela me mandou uma mensagem dizendo que ela não poderia vir por ter o chá de bebê do neto dela. Não dá nem para não entender, mas sempre que vou lá ela me recebe super bem. A gente teve algumas conversas. Eu fui convidá-la pessoalmente no ano passado dizendo: ‘Eu quero que a Mocidade vá por causa de você. Pelo amor de Deus, você é minha inspiração’. Eu já falei isso para ela, ela sabe disso, agradeceu. É uma mulher supersimpática, nasceu para ser do povo. Não adianta, tenho muita referência em relação a ela, muito carinho por ela. É uma mulher que fez história e vai continuar fazendo história, com certeza”.

E para todas as mulheres que almejam, assim como você, alcançar uma posição de liderança em uma escola de samba. Qual conselho, qual recado você gostaria de deixar para elas?

“Muita força, muita luta, muita insistência. A palavra certa é insistência. Contar com as pessoas que tem em volta, mesmo que não sejam do mesmo cargo. Sou uma pessoa que me inspiro muito com a Solange do Mocidade Alegre. Ela é na administração de pessoas, lugares diferentes, obviamente, já tem muito mais pessoas para administrar, mas é dali que eu tiro algumas coisas. A presença dela, a imponência da presença dela. Existem várias mulheres que servem de exemplo em seus lugares. A gente consegue ser mestre de bateria se inspirando numa chefe de departamento pessoal de uma empresa. Acho que é tudo a gestão de pessoas sempre. E dizer que estou aqui, minha ‘inbox’ está aberta para essas mulheres que sonham, que querem dividir, que querem compartilhar, perguntar. É isso, minha ‘inbox’ está aberta. É o mínimo que posso fazer depois de abrir essas portas. É o mínimo que tenho que fazer. Até morrer eu tenho que estar fazendo isso”.

Fenasamba: encontro ressalta importância dos governos apoiarem todas escolas de samba

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A Fenasamba (Federação Nacional das Escolas de Samba) realizou no último fim de semana o evento do Conasamba dentro da Cidade do Samba. Liderado pelo presidente da entidade, Ricardo Campos (Kaxitu), no encontro houve diversas discussões sobre carnaval, mas a principal pauta foi a política. Todas as mesas ressaltaram a importância de ter governos que apoiem as escolas de samba, tanto moralmente a nível nacional e municipal, quanto financeiramente, pois comprovadamente, alegam que a festa rende muito dinheiro e emprego, e isso não são só nos dias de carnaval, visto que a Cidade do Samba não para os ateliês, compra de materiais, ensaios, feijoadas não param.

Mercado e oportunidades

Alex Bouças, o primeiro a discursar, fala algo interessante. O político, que tem o cargo de superintendente regional do trabalho do estado do Rio de Janeiro, diz que não só a Sapucaí leva tanto dinheiro e emprego para a cidade, mas também os blocos de rua mostram resultados agradáveis. Ou seja, para a folia carioca, a festa em si, é totalmente rentável. Encerrando o seu discurso, Alex crava que todas as escolas de samba e a Fenasamba podem contar com a superintendência para tudo relacionado ao assunto.

Nota-se isso quando a diretora da Mangueira, Célia Domingues, apresentou o programa ‘Carnaval em 365 graus’, onde explica todas as fases de uma escola de samba. Desde simples eventos até o grande dia do desfile. E tem como defesa mostrar que uma agremiação não para. Tudo gera trabalho. É escolha de enredo, entrega de sinopse para compositores, disputa de sambas, festa de protótipos, ensaios e o desfile oficial, além de eventos extras, como feijoadas. São inúmeros os fatos que acontecem dentro de uma escola de samba e que também foi citado pela diretora artística, mas o fato principal é que o objetivo de tudo isso tudo é mostrar que mexe com todo o poder turístico e empreendedor do mercado.

Célia também cita outras coisas que geram trabalhos, mas que não costumam citar, como a desmontagem das alegorias e recolhimento das fantasias. Isso requer um empenho dobrado da comunidade e talvez contratação de profissionais, porque há casos em que não se sabe o que fazer com as peças. Algumas são descartadas, outras reaproveitadas e as demais vendidas para desfiles de outros locais.

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Quando todos esses processos acabam, Célia diz que há o mutirão de limpeza dos barracões e ateliês. Realmente quando termina um carnaval, a pausa para iniciar o próximo é extremamente curta. Então, para o início dos próximos trabalhos, o local em que se constrói os desfiles, precisa estar completamente remanejado.

Dérick Santana, produtor cultural e que está dentro do Ministério da Cultura do governo federal, palestrou explicando os projetos para incentivar a cultura, sendo aprovado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, onde vê a necessidade de ampliação. Para isso, se tem projetos como a ‘Diretoria de Política para trabalhadores da Cultura’ e o ‘Vale Cultura’.

A primeira consiste em implementar e avaliar jovens da arte e da cultura entre 18 e 29 anos, tendo a idade entre 19 e 28 anos, além de fazer com que o profissional tenha suporte técnico para tal. Também se tem o objetivo de construir propostas de regulamentação das profissões que envolvem cultura em conjunto com o Ministério do Trabalho e Emprego e, por último, gerir o Projeto Cultura do Trabalhador.

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O Vale Cultura tem vários tópicos a serem feitos, como a retomada e ampliação da política de isenção fiscal, reuniões e participações para tentar parcerias com o objetivo de arrecadar, campanha de divulgação, entre outros.

Levando para o carnaval, Dérick cita que quase todos os materiais usados na avenida são exportados da China, mas os brasileiros têm totais condições de produzirem igual. É mais uma fonte de trabalho. Basta incentivo de cultura e suporte técnico, pois os profissionais que lá estão, precisam de remuneração adequada.

Luis Hernando, representante do carnaval da Colômbia, compôs a mesa e explicou um pouco sobre o que é o carnaval do país. O profissional optou por fazer uma palestra falando mais da festança do país. No vídeo explicativo, mostrou-se fotos que dava para notar semelhanças com o Brasil, principalmente nas fantasias e maquiagens.

Escola de samba, desfile como patrimônio e novas leis

A segunda mesa começou com o ex-presidente da Portela, Luis Carlos Magalhães, discursando. O experiente gestor falou brevemente da precariedade que existe em gerir uma escola de samba e precisa muito a ser feito no trato dos sambistas e componentes que visitam as escolas de samba.

Marcel Machado, técnico de patrimônio imaterial da superintendência do Rio de Janeiro, explicou sobre o que é o IPHAN. O órgão, que cuida dos patrimônios imateriais, reconheceu o samba carioca desta forma em 2007. Para o IPHAN, tudo o que é saberes, conhecimento, ofícios, celebrações, forma de expressões dentro de certas manifestações culturais, é feito uma análise interna para ser concedido o feito de patrimônio imaterial. Segundo Marcel, a identificação de bens culturais, reconhecimento deles e a promoção e sustentabilidade são as três vertentes para o reconhecimento do IPHAN.

Gestão pública

O presidente da União das Escolas de Samba de São Paulo (UESP), Alexandre Magno, falou da importância que o novo governo está sendo importante para novas discussões sobre cultura e que podem impactar positivamente o segmento de carnaval.

Para criar um clima de descontração no ambiente, o diretor da Liesa, Elmo José dos Santos entrou no auditório cantando Martinho da Vila e depois parabenizou a todos por estarem levando a cultura do samba adiante. Ressaltou que todos os sambistas devem fazer com que seja obrigação que as autoridades ajudem o samba. Após, para finalizar sua rápida participação, Elmo quis prestar uma homenagem ao maior intérprete de todos, Jamelão, cantando um pagode de sua composição. E ainda sobrou um tempo para cantar o histórico samba-enredo ‘Aquarela Brasileira’, do Império Serrano em homenagem ao compositor Silas de Oliveira.

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Pedro Silva, presidente da Superliga Carnavalesca do Brasil, declarou que a entidade tem responsabilidade principalmente com a Intendente Magalhães. Segundo o próprio, os desfiles devem continuar com aquela ‘leveza raiz’, mas o institucional deve ser preservado, até para o bem das escolas que por lá passam. Pedro até cita que não se pode ficar passando cachorros no meio das apresentações, apesar da irreverência que o local transmite.

Silva afirmou que tentou passar as escolas da Intendente para a Sapucaí, mas não teve o apoio necessário das demais entidades. Isso seria importante para melhores experiências e logística mais viável para as agremiações.

No segundo dia tivemos apenas duas mesas. A comunicação e a saúde dentro do carnaval foram as pautas do domingo. Vale destacar que, neste mesmo dia, o presidente da Fenasamba, Kaxitu, anunciou um pré-acordo para fazer um intercâmbio com o carnaval colombiano.

Saúde

O representante do Governo Federal disse que as escolas de samba junto às autoridades têm um potencial muito grande de promover a saúde. Campanhas de prevenções em quadras cheias, desfiles e ensaios. Um fator importante foi a questão do Coronavírus. Muitas agremiações serviram de apoio à doença, seja arrecadando alimentos às pessoas que perderam seus empregos ou muitas vezes servindo de posto médico.

De acordo com o especialista, é importante sempre ter seguranças de saúde nos eventos de escolas de samba, como no mínimo ambulâncias. Isso pode evitar coisas piores em um evento. Para entidades que não conseguem esse tipo de auxílio, a Fenasamba se dispôs a conversar.

Em um lado emotivo nas palestras, o profissional Paul Davies explicou sobre os Embaixadores da Alegria, que é um grupo de carnaval destinado às pessoas com deficiência. Foi fundado em 2012 e por lá já passou cerca de 22 mil foliões ao longo de sua história, sendo que nos desfiles de 2022, contou com 2.200 componentes. Um recorde para o grupo.