Rainha da bateria “Fora de Série”, da União do Parque Acari, Rose Nascimento preparou um ensaio especial. Às vésperas do lançamento do samba-enredo oficial da agremiação para o carnaval de 2024, Rose posou para as lentes de Diego Mendes para celebrar a estreia do seu reinado na Marquês de Sapucaí. A União do Parque Acari abre os desfiles da Série Ouro, na Marquês de Sapucaí.
Foto: Diego Mendes/Divulgação
Para a ocasião, Rose utilizou um figurino de uma verdadeira rainha. Será a primeira vez que a beldade estará à frente de uma bateria na Marquês de Sapucaí, mas já tendo passagens como musa e madrinha em outras agremiações. No domingo, 15, a rainha estará abrilhantando o evento da agremiação, que lançará seu samba oficial.
“Ser rainha é um momento super especial e quero curtir e celebrar sempre. A minha bateria merece sempre o melhor e não medirei esforços para representá-los a altura. Já estou ansiosa para ouvir o nosso samba e já começar os ensaios. Quero aproveitar cada momento e pretendo trazer todo o axé do Ilê Aiyê na minha passagem na avenida”, revelou Rose.
Com roteiro e direção de Caroline Reucker, ‘Egili – rainha retinta no carnaval’ foi exibido no Festival do Rio de Cinema. O glamour do carnaval, aliado à trajetória de uma mulher preta retinta, cuja história é forjada com doses de resiliência, são os ingredientes principais do documentário que narra a preparação da atriz, professora de samba e rainha de bateria da Acadêmicos de Vigário Geral, escola de samba que integra a Série Ouro do carnaval carioca.
Foto: Thyago Andrade/Divulgação
Aos 42 anos, Egili teve seu cotidiano retratado pelas lentes de Caroline Reucker, que acompanhou a majestade da bateria Swing Puro ao longo de sua preparação para o carnaval, observando de perto as dificuldades enfrentadas pela personagem até o momento do desfile. O Carnaval de 2022, período em que começou Caroline iniciou o trabalho, foi marcado por enredos que abordaram as raízes africanas, os tempos de escravidão e a força espiritual dos cultos afro-brasileiros. A película ressalta a busca de Egili pelo reconhecimento de sua arte e por seu lugar na sociedade brasileira e no carnaval.
Além de registrar o passo a passo da rainha, que iniciou a carreira como passista do Salgueiro há 20 anos, o documentário faz questão de ressaltar a resistência de Egili à discriminação sofrida no dia a dia e seu engajamento a favor de temas relacionados a racismo, igualdade e identidade. A história da sambista inspira e dá coragem para confiar em si mesmo e seguir seu próprio caminho apesar de muitas adversidades.
“Eu gosto do samba, gosto do carnaval, gosto do glamour também, (…) é o único momento que as pessoas me enxergam” são algumas das falas marcantes que expressam essa conexão de amor e sacrifício que conectam Egili ao carnaval, o maior espetáculo da Terra.
A Viradouro recebeu a Estação Primeira de Mangueira, na tarde de domingo, na edição da feijoada da vermelho e branco. Além da Verde e Rosa, uma convidada especial apareceu na quadra. A cantora Alcione marcou presença e cantou “não deixe o samba morrer”. Ela será homenageada pela Mangueira no Carnaval 2024 com o enredo “A Negra Voz do Amanhã”. Veja no vídeo abaixo a Marrom cantando na festa em Niterói.
Por Diogo Sampaio, Lucas Santos e fotos de Allan Duffes
O puro suco do fruto do meu amor! A Mocidade Independente de Padre Miguel abriu as portas do chamado Maracanã do Samba, que é a sua quadra localizada às margens da Avenida Brasil, na noite desse sábado, para realizar a grande final do concurso de samba-enredo para o Carnaval de 2024. Quatro parcerias chegaram nessa última etapa da competição e cada uma teve direito a cinco passadas para se apresentar, sendo a primeira sem bateria e a terceira só com o canto da torcida. A vencedora foi anunciada já na manhã deste domingo e a obra escolhida como hino oficial da agremiação foi a de autoria de Diego Nicolau, Paulinho Mocidade, Marcelo Adnet, Richard Valença, Orlando Ambrosio, Gigi da Estiva, Lico Monteiro e Cabeça do Ajax, com as participações especiais de Márcio de Deus e W. Corrêa. Com essa vitória, ela irá embalar o enredo “Pede caju que dou… Pé de caju que dá!”, desenvolvido pelo carnavalesco Marcus Ferreira. A proposta da verde e branca da Vila Vintém é abordar histórias, lendas e curiosidades da fruta do cajueiro, explorando sua simbologia tropicalista e genuinamente brasileira. Por força do regulamento, após terminar a apuração de 2023 em décimo primeiro lugar, a escola terá a missão de abrir as apresentações na segunda-feira de Carnaval, dia 12 de fevereiro, segunda noite de desfiles do Grupo Especial do Rio.
“É uma emoção indescritível. É a minha escola de coração, todo mundo sabe. Já é a sexta vez que tenho essa honra, então agradeço a diretoria, ao independente que abraçou o samba e ao sambista em geral que veio hoje aqui na quadra e cantou o samba com a gente. Nosso refrão, graças a Deus, pegou e tenho certeza que vai ser a trilha sonora da reviravolta da nossa escola. A Mocidade é a cara do Brasil”, declarou Diego Nicolau.
“Vencer na Mocidade representa vencer naquela escola que eu vi quando eu era criança, com meus sete ou oito anos de idade, brilhar com aquele branco e verde limão. Aquela escola que arrebatou todos os corações nos anos 1990. Eu tava lá, vivi aquele momento. Sempre fui São Clemente, mas naquele momento eu falei: ‘Pô, essa Mocidade é demais’. Apesar da minha paixão pela São Clemente, eu vivi aquela revolução que a Mocidade apresentou. E, desde 2019, eu venho disputando samba, mas hoje eu vi uma emoção especial, que me fez chorar, que foi ganhar um samba ao lado do Paulinho Mocidade na Mocidade. Eu acho que isso dispensa qualquer tipo de explicação racional. É um cara que aprendi a ter como ídolo. Ele foi na minha casa, compôs o samba junto comigo, abraçou a minha filha. Tanto que sempre que ela vê ele fala: ‘Vovô Paulinho’. Então, a emoção minha como pai de vivenciar isso e hoje ganhar um samba com o vovô Paulinho é um dos objetivos de vida ganhos, assim, dos muitos que podem haver”, desabafou Marcelo Adnet.
“Essa vitória tem um sabor muito especial. Foi uma parceria que, em primeiro lugar, não teve estrelismo, mesmo com vários compositores com uma bagagem imensa. Todo mundo, quando a gente se reunia, queria o melhor. E acho que a gente construiu um baita de um samba, sem vaidade nenhuma. O protagonista aqui é a Mocidade, nós somos coadjuvantes. E a Mocidade precisa resgatar a história dela. Décimo primeiro lugar não é posição para a Mocidade. Somos uma escola que sempre brigou ali em cima, nas seis primeiras colocações. A Mocidade não podia ficar refém como estava. Acho que agora começa uma outra história, um outro capítulo, não importa que a gente vá abrir o desfile de segunda-feira, a escola vem compacta, vem com chão, vem com garra, vem com um samba que vai pra boca do povo, bateria também vai dar mais um show, e com certeza a Mocidade vai fazer um carnaval brilhante para ficar tranquilo entre as seis primeiras colocadas”, garantiu Paulinho Mocidade em sua quarta vitória como compositor pela agremiação.
“Acho que nós atingimos muito bem o enredo que aliás está de parabéns. É um enredo muito bom, em que a gente consegue desfrutar de uma fruta da nossa terra, que tem muita história, que é o caju. E é algo que as pessoas muitas vezes não conhecem direito, não tem informação, muitas vezes o povo não conhece a nossa cultura”, citou o compositor Gigi da Estiva.
“É sempre uma sensação diferente, ganhar agora no é como ter ganhado as outras. É uma coisa surreal para o meu coração. Essa comunidade da Zona Oeste é apaixonante. Quem pisa aqui se apaixona e nunca mais sai. Salve a Mocidade. Muito obrigado a essa comunidade por nos ter dado essa vitória”, completou o compositor Orlandro Ambrósio.
‘Dar a volta por cima’, promete vice-presidente
Após o Carnaval de 2023, a Mocidade Independente de Padre Miguel protagonizou momentos conturbados nos bastidores. Uma disputa na política interna da agremiação resultou em uma decisão judicial que não permitia a realização de eleição da nova diretoria e nem o anúncio do enredo. Por conta disso, a escola foi a última entre as doze que compõem o Grupo Especial do Rio a divulgar o tema que levará para o Sambódromo da Marquês de Sapucaí no ano que vem. Com isso, a verde e branca só tornou público a sua proposta para 2024 em 28 de junho, após a reversão de parte do impedimento pela Justiça. Em entrevista concedida com a reportagem do site CARNAVALESCO, o vice-presidente da Mocidade, Luiz Claudio Ribeiro, comentou o cenário delicado enfrentado pela estrela-guia e como estão sendo os trabalhos visando o próximo desfile.
“A gente se preocupa muito em fazer carnaval e dar a volta por cima. Nós, da direção, assumimos a responsabilidade pelo que aconteceu no último Carnaval e desde então a gente só tem feito trabalhar. Te confesso que da parte jurídica quem pode falar melhor é o nosso departamento jurídico. A gente da administração, eu e o presidente Flávio, só pensamos em produzir um belo espetáculo, porque o independente está cobrando isso e com razão. É o nosso papel como dirigente da escola. Hoje, aqui na quadra, fizemos uma festa linda, com excelentes sambas. O enredo para o ano que vem é irreverente e estou confiante que vai mudar a tendência do Carnaval. Costumo brincar que a primeira de segunda-feira é a sétima a desfilar e tenho certeza que a escola vai com garra total. O nosso intérprete Zé Paulo tem mostrado de fato muita qualidade, muito empenho no seu trabalho, a comunidade e a escola abraçaram ele. Não tenho dúvida que o trabalho de barracão, a comissão de Carnaval e o entrosamento da comunidade vai levar a Mocidade para as cabeças em 2024”, afirmou o vice-presidente da estrela-guia.
Marcus Ferreira: ‘Tema com identificação com a escola’
Apesar do décimo primeiro lugar em 2023, o carnavalesco Marcus Ferreira segue prestigiado na Mocidade e irá produzir mais um desfile da Verde e Branca da Zona Oeste. O artista manteve a fórmula de apostar em um enredo que traga muito da brasilidade, característica que rotineiramente alimenta seu trabalho, mas desta vez, de uma forma mais leve e mais alegre como explica o profissional.
“É um tema que tem total identificação com a escola, é muito ligado a muitos trabalhos que eu fiz, em termos de temática. É leve, é bem brasileiro. Fui campeão na Viradouro com as ‘ganhadeiras’ que tinha essa ligação com o Brasil real, com o Brasil raíz. Ano passado fizemos o Alto do Moura. O combustível desse ano é transmitir a leveza e a alegria que o carnaval precisa. Às vezes as escolas ficam muito presas a defesa de quesito, ao julgamento. Apesar de nosso enredo ser teórico, inédito, com um conteúdo bem legal, é um enredo que permite essa leveza para que a Mocidade possa vir na segunda-feira com altivez, com garra, e com peso, fundamento de carnaval”.
A colocação ruim do carnaval passado, segundo Marcus, serviu para que a escola colocasse muita coisa no lugar. O artista se diz feliz com o que a Verde e Branca da Zona Oeste tem feito para virar esse jogo, apontando a união da agremiação como um fator percebido pelo carnavalesco e que tem sido fundamental para uma mudança de perspectiva da Mocidade.
“A escola tomou um baque, e agora temos mais presença dos presidentes, do nosso patrono, permitindo a união dos segmentos. A diferença maior para o ano passado é que tudo a gente tem conversado, tem se reunido. A cada ponto do desfile para se resolver, pensando sempre naquilo que será melhor para a escola. A maior diferença para mim tem sido essa”.
Abertura em alto astral
O escritor e jornalista Fábio Fabato é quem assina, ao lado do carnavalesco Marcus Ferreira, o enredo “Pede caju que dou… Pé de caju que dá!”. Ao escolher falar sobre a fruta do cajueiro, a intenção dos dois foi retratar na Avenida um tema que fosse rico em história e rendesse bastante conteúdo para o desfile, mas que ao mesmo tempo fosse algo leve, permitindo assim abrir em alto astral as apresentações na segunda-feira de carnaval.
“O último Carnaval da Mocidade, pelo menos na minha visão pessoal, foi muito triste. E aí, olhando os enredos, olhando a natureza deles e uma vontade da gente redescobrir a alegria e a tropicalidade da Mocidade, surgiu essa ideia: ‘Poxa, por que não apostar em um fruto que seja uma espécie de síntese do Brasil?’. Ou seja, a nossa intenção é de algum modo, a partir dele, voltar a investigar o Brasil, mas com muita alegria, com muita felicidade de novo. É resgatar um espírito de felicidade da Mocidade. Esse foi o sentido, a vontade. E não posso dizer que foi fácil chegar nessa conclusão, afinal a gente mesmo se pega pensando: ‘Caramba, caju? O enredo é uma fruta?’. Mas, na verdade, é a partir dessa fruta que queremos falar do Brasil. É uma grande homenagem ao nosso país. Então, nesse sentido, não tinha um casamento melhor, pois a escola que melhor falou do Brasil ao longo da história, que soube tratar o verde amarelo como nenhuma outra, é a Mocidade. E acho que vai dar muito certo mesmo”, relatou Fabato.
Zé Paulo: ‘Estou muito feliz’
Depois de nove desfiles como a voz oficial da Unidos do Viradouro, em 2024 Zé Paulo Sierra terá casa nova. O intérprete chega à Mocidade já com a responsabilidade de cantar em uma escola por onde passaram intérpretes que construíram laços como Paulinho Mocidade, Ney Vianna e Wander Pires. Mais maduro, Zé Paulo sabe da expectativa que sua chegada gera na agremiação e procura ter um casamento perfeito, duradouro que renda muitos frutos para ambos.
“Eu estou muito feliz, é um momento de muita responsabilidade, mas também de muita alegria . Acho que a comunidade também, toda semana que eu venho aqui sou muito bem recebido. A recíproca é sempre verdadeira entre eu e a comunidade. É um momento que a Mocidade precisava. Ela precisava de mim, e eu precisava da Mocidade. Quero fazer história aqui, ficar por muitos anos aqui, quero ser campeão por essa pessoa escola. A gente sabe a dificuldade de abrir um carnaval em uma segunda-feira, mas também sabe da grandeza desta escola e da capacidade que ela tem de conquistar um título, mesma nesta situação de ordem de desfile. Acredito muito no trabalho que está sendo feito aqui, sou muito competitivo, vejo que a escola está querendo muito. Foi um dos fatores que me fez estar aqui, e essa comunidade. Lá na quadra da Vintém a gente sente mais de perto a ancestralidade. A gente sabe o peso e o tamanho que a Mocidade representa no carnaval do Brasil. Vamos buscar mais uma estrela”.
Casal traz segurança no quesito
Dançando juntos na Mocidade desde 2020, quando Bruna Santos foi alçada ao posto de primeira porta-bandeira e Diogo Jesus retornou à agremiação, o casal tem sido uma garantia de boas notas para a escola, inclusive, sendo fundamentais nos dois últimos desfiles em que a Verde Branca teve diversos problemas em outros quesitos, salvando a Mocidade de uma situação pior na colocação. Ambos sabem do que representam e entendem esse momento de escolha da obra como fundamental para a sequência de trabalho.
“A escolha do samba é um momento muito importante de uma escola de samba, escolha do nosso hino. A gente trabalhou um pouquinho de cada samba, para não sairmos atrás e já termos algo para partir após da escolha”, explicou Bruna.
“O nosso trabalho é bem amplo, pois a nossa coreógrafa impõe para a gente sempre trabalhar com o samba ou sem. A gente sem o samba se prepara bem, até na parte física mesmo, para quando ter o samba a gente montar a nossa coreografia dentro do samba campeão. Mas, o nosso trabalho é muito amplo, nosso trabalho é magnífico. A gente já trabalha desde que acabou o último carnaval. A gente não começa nunca do zero”, entende Diogo Jesus.
Bruna enfatizou a importância do casal possuir um profissional que o acompanhe e ajude a corrigir alguns defeitos. “É muito importante a gente ter uma coreógrafa, uma pessoa que nos acompanhe no dia a dia. As vezes a gente pode fazer alguma coisa que a gente não está enxergando que está feio, errado, e o olhar dessa profissional de fora vai enxergar o que a gente não pôde ver ali dançando”, revela a porta-bandeira.
Mestre Dudu: ‘Tem que manter esse legado’
Há mais de uma década no comando da “Não Existe Mais Quente”, mestre Dudu foi um dos principais responsáveis, ao longo deste período, por resgatar a excelência e trazer de volta as principais características que tornaram a bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel uma referência no Carnaval carioca. Prova disso é que há dois carnavais os ritmistas da verde e branca não são despontados pelo júri, tento alcançado a tão sonhada nota 40 em 2023. Para ele, este feito só aumenta a responsabilidade em cima do trabalho que deve ser realizado para o ano que vem.
“Fico muito feliz pelo momento, por esse retorno dos 40 pontos. É uma alegria muito grande que os jurados tenham enxergado o nosso trabalho, porque realmente estávamos sendo muito perseguidos. Confesso que desde 2017, na minha visão, já tínhamos que ter alcançado todas as notas 10. Quero parabenizar eles por ter olhado nossa bateria um pouco mais diferente. Estávamos merecendo isso já há muito tempo, não porque é a bateria da Mocidade, mas pelo trabalho que estamos exercendo aqui dentro. E foi bom ganhar os 40, legal, beleza, mas passou. Então, agora é o próximo carnaval. Tem que manter esse legado. Eu acho muito mais difícil. E antes disso, meu pai era quem comandava a bateria no último ano só de notas máximas. Para mim, é um peso muito grande isso, sabe? Já é um peso carregar essa bateria no colo, que já foi de mestre André, de mestre Jorjão, de mestre Coé… É complicado. Mas está o nosso retorno dos 40. É tentar manter essa excelência, que é justamente o mais difícil”, pontuou Dudu durante bate-papo com a reportagem do site CARNAVALESCO.
Outra energia na comissão de frente
O desfile de 2023 marcou a estreia do coreógrafo Paulo Pinna na Mocidade Independente de Padre Miguel e no Grupo Especial. Neste primeiro trabalho, o profissional apostou na emoção ao ter como ponto alto de sua comissão de frente as presenças de nomes ilustres na história da agremiação, como Dudu Nobre, Sandra Sá e Tiãozinho da Mocidade. No entanto, o resultado não agradou os jurados que deram quatro notas 9,8. Mesmo com essa avaliação aquém por parte do júri, Pinna acabou tendo o seu vínculo renovado com a verde e branca da Vila Vintém e seguirá no comando do quesito em 2024. Na conversa com a reportagem do site CARNAVALESCO, ele comentou sobre o último Carnaval e garantiu que tirou lições dos erros cometidos nele.
“Eu não discordo das notas desse último Carnaval. A justificativa foi coerente, de acordo com o que eles viram, que foi mais sobre o acabamento do tripé. Enfim, eu também tiraria ponto porque de fato foi algo visível, mas já passou. Agora é bola pra frente e trabalhar. Mesmo já tendo passado o nervoso da estreia, esse próximo ano acaba sendo mais difícil. O meu maior objetivo é superar as minhas expectativas, corrigir os erros, seja lá quais forem, e tentar fazer o melhor pela escola. Eu sou um coreógrafo incansável, que dou o meu melhor sempre, e vou fazer de tudo para entregar um trabalho muito maior e melhor que o anterior. Estou ansioso, confiante, acho que estou com uma outra energia, uma outra vibe, então vai dar certo, estou muito esperançoso”, afirmou Paulo Pinna.
‘Supresa’ com a Mocidade
A direção de carnaval da Mocidade Independente de Padre Miguel para o desfile de 2024 será composta por quatro integrantes. Além do carnavalesco Marcus Ferreira, que ficará responsável por toda parte de criação e desenvolvimento, o grupo conta com três crias da casa: Wilker Jorge, Vânia Reis e Marcelo Plácido. O trio terá a missão de ajudar Marcus Ferreira na recuperação da Verde e Branca da Zona Oeste após dois carnavais brigando na parte de baixo. Vânia Reis, em conversa durante a final da Mocidade apontou que a escolha da obra será fundamental para os próximos passos da agremiação. Vânia fez questão de elogiar a safra de sambas para o caranval de 2024 e a ala de compositores.
“É um momento especial para mim, essa oportunidade. Hoje é um dia muito especial. O nosso carnaval sai daqui, do dia de hoje. O carnaval depende desse sambão que com certeza nós escolhemos para a Mocidade fazer um excelente desfile e o que foi mais gostoso é que foi uma disputa muito acirrada como há muito não se via. Tinham pessoas que queriam um, outras queriam outro. A gente agradece os nossos compositores pela safra maravilhosa. Na próxima semana a gente tem reunião com os compositores vencedores. O samba já é nosso, porém se precisar fazer algum ajuste , a gente vai informar primeiro aos compositores, por isso já marcamos essa reunião. Esse é o primeiro passo após a disputa e para dar continuidade ao trabalho. Já temos marcado nossa gravação na Cidade das Artes e depois dessa gravação é que a gente vai começar os ensaios de quadra, depois de rua, o mais rápido possível para que a comunidade possa estar com o samba da melhor maneira”.
Outro membro da comissão de carnaval, Wilker Jorge está de volta à agremiação da Zona Oeste para desenvolver um trabalho mais voltado para o barracão. O profissional se disse muito feliz por esse retorno a Padre Miguel, e expressou tranquilidade quando perguntado sobre o trabalho da escola no barracão.
“Eu estou voltando para escola esse ano. Sou cria da Mocidade e esse ano tive a felicidade de retornar na comissão de carnaval sendo eu o responsável pela confecção e direção de todas as fantasias da escola, mas somos uma comissão. Todo o trabalho do carnaval é discutido entre nós e dividido entre nós. Cada um tem a sua parte, todos interagem. O barracão está sendo tocado com uma tranquilidade dentro do possível, nós estamos fazendo todo um projeto muito bonito para acontecer no carnaval. O Marcus (Ferreira) foi muito feliz junto com o Fábio Fabato nesse enredo. Tenham certeza que vocês vão ter uma grande surpresa com a Mocidade”.
Análise das parcerias na final
Parceria do Zé Glória: A parceria de Zé Glória, Trivella, Chacal do Sax, Renilson, Mumu do Gás, Guilherme Karraz, Simões Feiju e Myngau foi a primeira a se apresentar. O intérprete Emerson Dias, do Salgueiro, comandou as vozes e manteve a animação do samba e o caráter bastante “brincado” da obra. Emerson já levou na carreira algumas composições com essas características, principalmente, nos tempos de Grande Rio. O samba até mostrou bom encaixe com o andamento da “Não Existe Mais Quente”. A torcida trouxe balões e bandeiras nas cores da escola, além de bastões iluminados e coloridos. A animação foi grande, mas o canto foi tímido mesmo na passada sem o carro de som. No restante da quadra também se observou pouco envolvimento com a música. Destaque para o refrão “Tem Cajuína na Vila Vintém”.
Parceria do Jefinho Rodrigues: Jefinho Rodrigues, Dudu Nobre, Marquinho Índio, Gustavo Clarão, J. Giovani, Lauro Silva, Prof. Renato Cunha e Luciano Chuca são os compositores do segundo samba da noite. Wander Pires comandou a obra no palco e comprovou que conhece muito de Mocidade. O samba caiu muito bem na sua voz e tem muitas características da Mocidade. A composição “casou” muito bem com o andamento da “Não Existe Mais Quente” permitindo aquela pegada tão famosa da bateria de mestre Dudu, cadenciada, sem correria, mas com força. A torcida trouxe bandeiras na cor branca além de alguns bastões luminosos. O canto foi muito bom, tanto na passada sem o carro de som como nas outras. A quadra também mostrou bom envolvimento com muita gente cantando e dançando. Apresentação muito boa. Destaque de canto para o refrão principal” A batida é a mais quente…”.
Parceria do Franco Cava: Franco Cava, Rute Labre, Eloi Ferreira, Flavinho Avellar, Victor do Chapéu, Arnaldo Rippel, Tony Negão, Breno Melo foram os terceiros a se apresentar no Maracanã do Samba. Wic Tavares e Thiago Acácio foram os responsáveis por conduzir a obra no palco. A composição mostrou uma boa afinidade com a “Não Existe Mais Quente”, mantendo a cadência e um bom ritmo. Os ritmistas tocaram a vontade. Já a torcida foi criativa e trouxe balões no formato de frutas além de bastões luminosos, e alguns colares. Os componentes tiveram um bom desempenho no canto e na animação. No restante da quadra esse envolvimento já foi um pouco mais tímido com algumas variações nas cinco passadas entre um público em alguns momentos mais animado, em outras nem tanto. Uma das partes mais cantadas foi “Quem vai querer, quem vai querer do refrão principal”.
Parceria do Diego Nicolau: A ultima obra a se apresentar foi a dos compositores Diego Nicolau, Paulinho Mocidade, Marcelo Adnet, Richard Valença, Orlando Ambrosio, Gigi da Estiva, Lico Monteiro e Cabeça do Ajax. Tinga comandou o time das vozes que contou com o apoio de Tem-Tem Jr, Diego Nicolau, além da participação de Paulinho Mocidade cantando “Eu vejo a lua no céu…” antes da apresentação propriamente dita. O grupo mostrou muita energia no palco. Teve um andamento um pouco mais pra frente, mas respeitando as características da “Não Existe Mais Quente”. A torcida trouxe balões nas cores cítricas, bandeirões e alguns balões luminosos. O canto foi um destaque da torcida além da animação durante toda a apresentação. No restante da quadra também houve uma excelente adesão do público, com uma galera se aproximando do palco para curtir a obra. Outro destaque foi a participação na torcida de alguns segmentos.
A Unidos da Tijuca apresentou quatro sambas em sua semifinal e a disputa mais uma vez mostrou estar bastante acirrada. Novamente, as parcerias de Júlio Alves e Totonho se destacaram em mais uma etapa do concurso que irá definir o samba-enredo da Azul e Amarela do Borel para o Carnaval 2024. O resultado será divulgado nos próximos dias através das redes sociais da agremiação. O site CARNAVALESCO acompanhou tudo através da série “Eliminatórias”, e a análise de cada um você acompanha ao longo do texto. A final acontece no dia 21 de outubro.
Foto: Divulgação/Tijuca
Em 2024, a Unidos da Tijuca apresentará o enredo “O Conto de Fados”, assinado pelo carnavalesco Alexandre Louzada, com a intenção de fazer uma viagem a Portugal, destacando diversos aspectos da história do país como fábulas, mistérios e lendas populares. A Unidos da Tijuca será a quinta agremiação a pisar na Marquês de Sapucaí na primeira noite de desfiles do Grupo Especial.
Parceria de Eduardo Medrado: A primeira parceria da noite foi composta pelos compositores Eduardo Medrado, Kleber Rodrigues, Adolpho Konder, Sandro Nery, André Braga, Luiz Pavarotti e com as participações especiais de André Diniz e Evandro Bocão. A torcida deu um show do início ao fim, com um destaque para a homenagem para a Mãe Fátima, a Nossa Senhora de Fátima logo no início. A torcida cantou bastante a obra de forma contínua. Tem-Tem Jr em mais uma ótima atuação conduziu o time no palco que era qualificado, com Rafael Tinguinha, Leandro Santos e Chicão. O refrão principal, sem dúvida, foi a parte mais cantada pela torcida e por adeptos do samba ao longo da apresentação. O segundo refrão de fácil assimilação também foi um destaque “Pra celebrar os Deuses, cultivar as flores//Desse teu caminho//E delirar em noite de luar//Ao saborear bom vinho”. O samba possui uma excelente letra e sobre a melodia, vale a pena frisar, mais uma vez, que ela é diferenciada. A apresentação foi muito boa da parceria, contagiando a galera dos camarotes.
Parceria de Totonho: Segundo samba da noite foi composto pelos poetas Totonho, Marcelo Adnet, Fadico, Dudu, Gabriel Machado e Rodrigo Alves. A obra ainda conta com as participações especiais de Claudio Mattos e Cadu Cardoso. Assim como foi na apresentação do primeiro samba, a torcida deu um grande show, com bandeirinhas até nos camarotes. O gogó estava afiado, pois cantaram bastante durante todo o tempo. Igor Sorriso cantou muito bem, com um grande destaque também para Igor Vianna. Completaram esse grande time Thiago Chaffin e Lucas Macedo. Assim como na parceria anterior, o refrão principal foi a parte mais cantada. A cada passada da obra, o refrão de cabeça erra berrado pela torcida e por simpatizantes do samba. O segundo refrão mais uma vez passou muito bem também com um canto forte. A chamada para o refrão de cabeça foi outro ponto de destaque, tanto pela beleza na letra quanto na melodia “Oh Santa! Oh Santa!//Fátima vos peço em oração//Rogai por nós, “salve rainha”//Seja luz da minha vida enquanto andar por esse chão”. Uma apresentação forte e consistente da parceria do samba 13, levantando a galera do camarotes.
Parceria de Sereno: A terceira parceria semifinalista foi composta pelos compositores Sereno, Dinny da Vila, JB Oliveira, Camila Lúcio, Deiny e Mano Kleber. A obra ainda contou com as participações especiais de Wagner Zanco e Almeida Sambista. A torcida fez a sua parte cantando o samba o tempo todo. Nino do Milênio foi o intérprete principal substituindo Wander Pires nessa apresentação. A parceria teve um ritmo bem melhor do que teve na semana passada. O refrão principal “Sou ouro de mãe//E azul pavão//Mostra teu segredo, me dê proteção//Senhora do manto, milagroso véu//Abençoa o povo do Borel”. O samba que tem uma das melhores pegadas da disputa se destaca também pela cabeça do samba “Orfeu da Conceição//Dedilha o fado em sua lira//Me dê a mão e vamos viajar//Em águas salgadas, delira”. Foi uma boa apresentação do samba 10.
Parceria de Júlio Alves: a última parceria da noite foi composta pelos compositores Julio Alves, Cláudio Russo, Jorge Arthur, Silas Augusto, Chico Alves e D’Sousa. A torcida veio com o samba na ponta da língua e cantou muito durante todo o tempo. Charles Silva, intérprete da Estácio de Sá, mostrou que está em um grande momento e cantou demais mais uma vez. O samba tem um refrão principal que foi muito cantado pela torcida, mas é o segundo refrão que contagia ainda mais “Põe no balaio um punhado de magia//Das divindades que invadiam o lugar//Põe no balaio e amassa com carinho//Que do cacho eu faço vinho//Pra colheita festejar”. Tanto na cabeça do samba, quanto no início da segunda, a obra possui força e ao longo do samba possui variações melódicas, principalmente, na segunda parte que é recheada delas. Apresentação muito forte da parceria de Júlio Alves.
A direção de carnaval do desfile de 2024 da Mocidade Independente de Padre Miguel será comandada por uma comissão composta por quatro integrantes. Além do carnavalesco Marcus Ferreira, que ficará responsável por toda parte de criação e desenvolvimento do carnaval, o grupo conta com três nomes que são crias da casa: Wilker Jorge, Vânia Reis e Marcelo Plácido.
Wilker é coordenador do ateliê e ficará responsável pelo planejamento e execução das fantasias da escola; Vânia vai atuar na direção artística, como o alinhamento dos casais e a organização das alas coreografadas; Marcelo Plácido, que é diretor do barracão da Mocidade, ficará responsável por toda logística de preparação para o carnaval.
Em entrevista ao site CARNAVALESCO, os integrantes da comissão de carnaval da escola de samba explicaram como funcionará a divisão de trabalhos e o que muda com um grupo comandando o carnaval da agremiação de Padre Miguel.
Na Mocidade desde os dez anos de idade, Vânia Reis, de 57 anos, estreou na Passarela do Samba ainda na ala das crianças, em 1976, quando a agremiação levou para a Avenida o enredo “Mãe Menininha do Gantois”.
“Desfilei com o mestre André, com Renato Lage e Fernando Pinto – ícones da nossa escola. A minha mãe foi presidente de ala por 30 anos. Fui da ala das crianças, desfilei em destaque, tive a primeira ala coreografada da escola. Eu ajudava muito a minha mãe na confecção de fantasias e depois passei a ter a minha própria ala, que o Renato Lage me deu na época. Em 2003 passei a coordenar, além dos shows da escola, a ala das passistas. Passei por vários setores da escola e agora recebi esse ‘presentão’. Eu estou como comissão de carnaval, mas serei eternamente Mocidade”, contou Vânia.
Segundo ela, o que muda com a chegada de uma comissão de carnaval é a divisão das atividades. Apesar de cada um dos quatro atuar na área que mais entende, Vânia conta que o trabalho é integrado.
“Na verdade, o trabalho não muda. A única vantagem é que a gente divide as tarefas, e assim não fica pesado apenas para uma pessoa. Tudo que o diretor de carnaval fazia sozinho, a gente dividiu as tarefas de acordo com as competências de cada um. De uma certa forma, a coisa fica um pouco mais fácil de resolver quando cada um está no seu setor de domínio, dentro daquele seu entendimento técnico” disse a integrante da comissão.
“O bacana é que a gente se reúne. Por exemplo: o Marcelo é responsável pela parte de ferragem, alegoria e a minha parte é mais artística. Mas ainda assim a gente conversa quando chega material, na elaboração do projeto dos carros. Eu dou a minha opinião, a minha visão artística – como eu acho que esteticamente vai ficar. Assim como ele olha, na opinião dele, mesmo não sendo técnica, se está em uma harmonia das cores, da coreografia. Tudo que a gente faz é em conjunto, mas cada um respeitando aquilo que tecnicamente um domina melhor do que o outro”, completou.
Responsável pela coordenação dos casais de mestre-sala e porta-bandeira, a artista contou que vai continuar exercendo a função. Ela também detalhou como será seu trabalho na comissão de carnaval.
“Graças a Deus que não me tiraram dos meus casais que eu amo. Foi até uma condição quando eles me convidaram, porque era algo que eu não queria abandonar de forma alguma(…)A visão dentro dos carros que são coreografados, as alas que são coreografadas, a própria plástica das fantasias – a harmonia das plásticas. Quando o carnavalesco está desenhando, ele me chama, pede opinião, o que eu acho em relação ao que vai ser desenvolvido a nível de evolução, harmonia – quantas pessoas mais ou menos cabem naquela fila para evoluir. Nós trabalhamos muito com fila de dez ou fila de oito, mas já vimos que algumas vão ser seis, porque fica melhor para evoluir. Acaba tendo toda essa parte artística junto ao carnavalesco”, explicou.
Vânia também comentou como está sendo trabalhar em parceria com o carnavalesco Marcus Ferreira. “Marquinhos é incrível, um cara super jovem, super humilde, com ouvidos abertos. Ele não é aquele carnavalesco que prevalece a opinião dele e ponto. Obviamente que ele tem autonomia e é o artista, mas a nossa visão, para ele, é muito importante”, afirmou a artista.
Marcus Ferreira, que também compõe o grupo que comanda o carnaval de 2024 na agremiação, comentou como está sendo a mudança. Para ele, o carnavalesco sempre tem a função de artista e do gerenciamento do carnaval.
“Maravilhoso. Com essa saída do Marino, que foi um profissional incrível que eu trabalhei ano passado. A gente já trabalhava com essa equipe. A Vânia coordenando o casal, o Marcelo tocando o operacional da escola. E a escola trouxe o Wilker de volta, ele é um especialista na gestão de ateliê. Desde a saída do Marino a gente está tocando o andamento do projeto da escola através dessas mãos. Aí me incluíram. A gente sempre tem a figura do artista atrelado a direção de carnaval e dialoga diretamente com essa questão de como gerir o Carnaval. Está sendo muito legal, porque tudo a gente dialoga e se dá superbem”, contou o carnavalesco.
Chão da escola, Wilker Jorge começou no mundo do carnaval em 1984, quando desfilou aos 12 anos de idade. De lá pra cá, foi diretor de ala, vice-presidente financeiro, coordenador de ala e já passou pela direção de carnaval. Fora da Mocidade, o artista passou pela Grande Rio, foi diretor artístico na Mangueira e até jurado no carnaval de Porto Alegre. De volta à Mocidade, Wilker coordena os ateliês. Ele falou sobre a responsabilidade de ser um dos nomes responsáveis pela direção de carnaval.
“A minha função específica na comissão é cuidar de toda a parte de execução das fantasias, tanto das alas quanto das composições. Eu vou fazer toda essa coordenação das fantasias do nosso carnaval de 2024. Eu estou curtindo muito. Não é novidade. É a minha escola, é o que eu sei e gosto de fazer. Estou vindo com a maior garra para poder somar e ajudar a escola”, disse Wilker.
Para ele, ter uma comissão comandando a direção de carnaval da escola contribui para a expansão do trabalho desenvolvido. “Acredito que cada vez mais o formato do Carnaval vem trazendo essa oportunidade. Estamos muito coesos. A gente tem uma conversa muito muito única na comissão, isso é importante para escola. Acredito que só agrega à escola”.
A direção de harmonia da agremiação de Padre Miguel também está de cara nova. Sandro de Menezes, que também é cria da escola, assumiu o comando do segmento para o carnaval de 2024. Ele teve a sorte de estrear na Marquês de Sapucaí em 1996, justamente o ano que consagrou a escola como campeã do carnaval carioca. De lá pra cá, foi representante e vice-presidente de ala e chegou na harmonia em 2009. O diretor comentou sobre a chegada ao cargo e o que pensa sobre o quesito.
“Está sendo bem legal. Eu já faço parte da escola desde 1996, conheço muita gente. A receptividade tem sido muito legal, as pessoas têm me recebido muito bem com essa nova função. Estou muito animado. O grupo todo está muito disposto a fazer um belíssimo trabalho nesse carnaval. Eu tenho a certeza que é importantíssimo, porque não é somente um quesito. A gente pega não só a questão de harmonia, mas também toda a evolução da escola, além de outros quesitos que a gente já tem – estão atrelados o casal e a todos os outros quesitos. A harmonia acaba envolvendo, de forma mais ampla, toda a parte técnica do desfile”, comentou Sandro.
Segundo Sandro, a escola tem muita coisa para melhorar no próximo carnaval. Para ele, o grande objetivo é reconquistar a confiança do torcedor independente e focar na realização de um belíssimo desfile.
“Melhorar muito. O grande objetivo é resgatar a confiança que a gente sempre recebeu da comunidade. Vamos resgatar com muito trabalho, respeito pela comunidade e com planejamento. Execução de todo planejamento, de tudo que vai ser entregue pela escola para gente. Vamos executar com muito cuidado, afinco e com muita determinação para a gente fazer um belíssimo desfile. Com isso e resgatando essa confiança na comunidade e o orgulho de vestir a camisa da Mocidade, temos certeza que vamos fazer um belíssimo trabalho”, destacou o diretor de harmonia.
Compositores: Eduardo Katata, JC Couto, Henrique Badá, Ferreti da Ponte, Sérgio Gil, Gilsinho Oliveira, Gabriel Machado Charuto, Gabriel Cascardo e Gavião
SALVE AS IABÁS, ORA IÊ IÊ Ô
SALUBA NANÃ, ODOCIABÁ
SOU A CIRANDA, TENHO A MELODIA
E MORO NA ILHA DE ITAMARACÁ
POVO DO SAMBA, EU ME CHAMO LIA
TRAGO A POESIA DESSE MEU LUGAR… (REFRÃO)
VIM AQUI ME APRESENTAR
SOU FILHA DAS ÁGUAS, MULHER GUERREIRA
A INSPIRAÇÃO VEM DO MAR
COM AS ONDAS NA BRANCA AREIA
A BRISA SOPRA MAIS FORTE
NA CANA E NOS COQUEIRAIS
LUA PRATEIA SERENA
NOS RIOS E MANGUEZAIS
PULSA MINH’ALMA DE ARTISTA
NO FOLCLORE DO MEU CHÃO
O TOM E AS CORES DA ILHA
VIVEM NA MINHA CANÇÃO
CIRANDEIRO AH, CIRANDEIRO Ê
RAINHA PRETA, A VOZ QUE TEM PODER
CIRANDEIRO Ê, CIRANDEIRO AH
ENTRA NA RODA VAMOS CIRANDAR… (BIS)
REIS E RAINHAS NA LIDA AO SOL
GANHAM A VIDA COM PRÓPRIO SUOR
SALVE A PADROEIRA
AS FESTAS, A PESCA E A PAIXÃO
TEMPERO SABOR MAINHA DEIXOU
HERANÇA PRO MEU DIA A DIA
A MINHA FOLIA É LEMBRADA
NO GALO DA MADRUGADA
E NO CARNAVAL SOU ESTRELA
MEU COLORIDO É AXÉ
NO IMPÉRIO DA TIJUCA,
MINHA EMOÇÃO FAZ TREMER A AVENIDA
SOU A NEGRITUDE, A MÚSICA
E A CIRANDEIRA TÃO QUERIDA
Compositores: Derê, Marcelinho Júnior, Robson Moratelli, Rafael Ribeiro, Tony Vietnã e Eduardo Queiroz
Intérprete: Evandro Malandro
Trovejou, escureceu!
O Velho Onça, senhor da criação
É homem-fera, é brilho celeste
Devora e se veste de constelação
Tudo acaba em fogaréu
E depois transborda em mar
A terceira humanidade Cuaraci vem clarear
Ê, Sumé, nas garras da sua ira
Enfrentou Maíra, tanto perseguiu!
Seus herdeiros vivem essa guerra
Povoando a Terra
A voz Tupinambá rugiu:
É preta, parda, é pintada, feita a mão
Suçuarana no sertão que vem e vai
Maracajá, jaguatirica ou jaguar
É jaguarana, Onça Grande, mãe e pai
Yawalapiti, Pankararu, Apinajé
O ritual Araweté, a flecha do Kamaiurá
No tempo que pinta a pedra, pajelança encantada
Onça-loba coroada na memória popular
Kiô! Kiô, kiô, kiô, kiera
É cabocla, é mão-torta
Pé-de-boi que o chão recorta
Travestida de pantera
Kiô! Kiô, kiô, kiô, kiera…
A folia em reverência
Onde a arte é resistência
Sou Caxias, bicho-fera!
Werá werá auê, nauru werá auê!
A “Aldeia Grande Rio” ganha a rua
No meu destino a eternidade
Traz no manto a liberdade…
Enquanto a onça não comer a Lua!