A direção de carnaval do desfile de 2024 da Mocidade Independente de Padre Miguel será comandada por uma comissão composta por quatro integrantes. Além do carnavalesco Marcus Ferreira, que ficará responsável por toda parte de criação e desenvolvimento do carnaval, o grupo conta com três nomes que são crias da casa: Wilker Jorge, Vânia Reis e Marcelo Plácido.

Wilker é coordenador do ateliê e ficará responsável pelo planejamento e execução das fantasias da escola; Vânia vai atuar na direção artística, como o alinhamento dos casais e a organização das alas coreografadas; Marcelo Plácido, que é diretor do barracão da Mocidade, ficará responsável por toda logística de preparação para o carnaval.

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, os integrantes da comissão de carnaval da escola de samba explicaram como funcionará a divisão de trabalhos e o que muda com um grupo comandando o carnaval da agremiação de Padre Miguel.

Na Mocidade desde os dez anos de idade, Vânia Reis, de 57 anos, estreou na Passarela do Samba ainda na ala das crianças, em 1976, quando a agremiação levou para a Avenida o enredo “Mãe Menininha do Gantois”.

“Desfilei com o mestre André, com Renato Lage e Fernando Pinto – ícones da nossa escola. A minha mãe foi presidente de ala por 30 anos. Fui da ala das crianças, desfilei em destaque, tive a primeira ala coreografada da escola. Eu ajudava muito a minha mãe na confecção de fantasias e depois passei a ter a minha própria ala, que o Renato Lage me deu na época. Em 2003 passei a coordenar, além dos shows da escola, a ala das passistas. Passei por vários setores da escola e agora recebi esse ‘presentão’. Eu estou como comissão de carnaval, mas serei eternamente Mocidade”, contou Vânia.

Segundo ela, o que muda com a chegada de uma comissão de carnaval é a divisão das atividades. Apesar de cada um dos quatro atuar na área que mais entende, Vânia conta que o trabalho é integrado.

“Na verdade, o trabalho não muda. A única vantagem é que a gente divide as tarefas, e assim não fica pesado apenas para uma pessoa. Tudo que o diretor de carnaval fazia sozinho, a gente dividiu as tarefas de acordo com as competências de cada um. De uma certa forma, a coisa fica um pouco mais fácil de resolver quando cada um está no seu setor de domínio, dentro daquele seu entendimento técnico” disse a integrante da comissão.

“O bacana é que a gente se reúne. Por exemplo: o Marcelo é responsável pela parte de ferragem, alegoria e a minha parte é mais artística. Mas ainda assim a gente conversa quando chega material, na elaboração do projeto dos carros. Eu dou a minha opinião, a minha visão artística – como eu acho que esteticamente vai ficar. Assim como ele olha, na opinião dele, mesmo não sendo técnica, se está em uma harmonia das cores, da coreografia. Tudo que a gente faz é em conjunto, mas cada um respeitando aquilo que tecnicamente um domina melhor do que o outro”, completou.

Responsável pela coordenação dos casais de mestre-sala e porta-bandeira, a artista contou que vai continuar exercendo a função. Ela também detalhou como será seu trabalho na comissão de carnaval.

“Graças a Deus que não me tiraram dos meus casais que eu amo. Foi até uma condição quando eles me convidaram, porque era algo que eu não queria abandonar de forma alguma(…)A visão dentro dos carros que são coreografados, as alas que são coreografadas, a própria plástica das fantasias – a harmonia das plásticas. Quando o carnavalesco está desenhando, ele me chama, pede opinião, o que eu acho em relação ao que vai ser desenvolvido a nível de evolução, harmonia – quantas pessoas mais ou menos cabem naquela fila para evoluir. Nós trabalhamos muito com fila de dez ou fila de oito, mas já vimos que algumas vão ser seis, porque fica melhor para evoluir. Acaba tendo toda essa parte artística junto ao carnavalesco”, explicou.

Vânia também comentou como está sendo trabalhar em parceria com o carnavalesco Marcus Ferreira. “Marquinhos é incrível, um cara super jovem, super humilde, com ouvidos abertos. Ele não é aquele carnavalesco que prevalece a opinião dele e ponto. Obviamente que ele tem autonomia e é o artista, mas a nossa visão, para ele, é muito importante”, afirmou a artista.

Marcus Ferreira, que também compõe o grupo que comanda o carnaval de 2024 na agremiação, comentou como está sendo a mudança. Para ele, o carnavalesco sempre tem a função de artista e do gerenciamento do carnaval.

“Maravilhoso. Com essa saída do Marino, que foi um profissional incrível que eu trabalhei ano passado. A gente já trabalhava com essa equipe. A Vânia coordenando o casal, o Marcelo tocando o operacional da escola. E a escola trouxe o Wilker de volta, ele é um especialista na gestão de ateliê. Desde a saída do Marino a gente está tocando o andamento do projeto da escola através dessas mãos. Aí me incluíram. A gente sempre tem a figura do artista atrelado a direção de carnaval e dialoga diretamente com essa questão de como gerir o Carnaval. Está sendo muito legal, porque tudo a gente dialoga e se dá superbem”, contou o carnavalesco.

Chão da escola, Wilker Jorge começou no mundo do carnaval em 1984, quando desfilou aos 12 anos de idade. De lá pra cá, foi diretor de ala, vice-presidente financeiro, coordenador de ala e já passou pela direção de carnaval. Fora da Mocidade, o artista passou pela Grande Rio, foi diretor artístico na Mangueira e até jurado no carnaval de Porto Alegre. De volta à Mocidade, Wilker coordena os ateliês. Ele falou sobre a responsabilidade de ser um dos nomes responsáveis pela direção de carnaval.

“A minha função específica na comissão é cuidar de toda a parte de execução das fantasias, tanto das alas quanto das composições. Eu vou fazer toda essa coordenação das fantasias do nosso carnaval de 2024. Eu estou curtindo muito. Não é novidade. É a minha escola, é o que eu sei e gosto de fazer. Estou vindo com a maior garra para poder somar e ajudar a escola”, disse Wilker.

Para ele, ter uma comissão comandando a direção de carnaval da escola contribui para a expansão do trabalho desenvolvido. “Acredito que cada vez mais o formato do Carnaval vem trazendo essa oportunidade. Estamos muito coesos. A gente tem uma conversa muito muito única na comissão, isso é importante para escola. Acredito que só agrega à escola”.

A direção de harmonia da agremiação de Padre Miguel também está de cara nova. Sandro de Menezes, que também é cria da escola, assumiu o comando do segmento para o carnaval de 2024. Ele teve a sorte de estrear na Marquês de Sapucaí em 1996, justamente o ano que consagrou a escola como campeã do carnaval carioca. De lá pra cá, foi representante e vice-presidente de ala e chegou na harmonia em 2009. O diretor comentou sobre a chegada ao cargo e o que pensa sobre o quesito.

“Está sendo bem legal. Eu já faço parte da escola desde 1996, conheço muita gente. A receptividade tem sido muito legal, as pessoas têm me recebido muito bem com essa nova função. Estou muito animado. O grupo todo está muito disposto a fazer um belíssimo trabalho nesse carnaval. Eu tenho a certeza que é importantíssimo, porque não é somente um quesito. A gente pega não só a questão de harmonia, mas também toda a evolução da escola, além de outros quesitos que a gente já tem – estão atrelados o casal e a todos os outros quesitos. A harmonia acaba envolvendo, de forma mais ampla, toda a parte técnica do desfile”, comentou Sandro.

Segundo Sandro, a escola tem muita coisa para melhorar no próximo carnaval. Para ele, o grande objetivo é reconquistar a confiança do torcedor independente e focar na realização de um belíssimo desfile.

“Melhorar muito. O grande objetivo é resgatar a confiança que a gente sempre recebeu da comunidade. Vamos resgatar com muito trabalho, respeito pela comunidade e com planejamento. Execução de todo planejamento, de tudo que vai ser entregue pela escola para gente. Vamos executar com muito cuidado, afinco e com muita determinação para a gente fazer um belíssimo desfile. Com isso e resgatando essa confiança na comunidade e o orgulho de vestir a camisa da Mocidade, temos certeza que vamos fazer um belíssimo trabalho”, destacou o diretor de harmonia.