Zé Paulo, intérprete da Mocidade, conversou com a equipe do site CARNAVALESCO, após a gravação oficial do samba-enredo para o Carnaval 2024. Veja abaixo o papo exclusivo.
Beija-Flor promove encontro entre departamentos culturais
No último sábado, a Beija-Flor de Nilópolis realizou um encontro entre os departamentos culturais das doze agremiações do Grupo Especial do Carnaval carioca. O evento, liderado pela porta-bandeira Selminha Sorriso, que também encabeça o setor cultural da agremiação nilopolitana, e por Luís Carlos Magalhães, diretor do departamento cultural da Liesa, teve como cenário a quadra da agremiação.

“A motivação foi mesmo criar um intercâmbio. Para a roda girar, para falarmos cada um sobre um pouquinho das nossas funções e as culturas das nossas escolas. Se cada escola é um quilombo, cada uma tem a sua particularidade. E foi o que aconteceu”, disse Selminha.
Essa iniciativa, portanto, proporcionou aos profissionais responsáveis pelo acervo cultural das agremiações uma valiosa oportunidade de troca de experiências e histórias sobre suas funções, com o objetivo de fortalecer os laços e o compartilhamento de conhecimento entre as principais escolas de samba do Rio de Janeiro, enriquecendo ainda mais o cenário cultural do Carnaval carioca. Temas como gestão de acervo, fomento para a área e adequação do cenário para cada agremiação foram abordados.
“É importante que encontros como esses aconteçam, pelo menos bimestralmente. É crucial que todas se unam e lutem em união pela melhoria desse setor, não que aconteça um encontro e cada uma vá para o seu lado, mas sim, olhem no melhor para a área para todas. Que uma ajude a outra”, declarou Luís Carlos Magalhães.
Em evento da ‘Semana da Virada da Consciência’, Liga-SP anuncia Embaixador Cultural
Na emocionante abertura da Semana da Virada da Consciência, foi anunciado o ilustre Dr. José Vicente como o novo Embaixador Cultural da Liga-SP. Essa nomeação representa um marco significativo na conexão entre a rica tradição das escolas de samba de São Paulo e o compromisso inabalável com a diversidade cultural.

Trajetória Inspiradora: De Marília ao Pós-Doutorado na FEA/USP
Nascido e criado no Morro do Querosene, um bairro modesto em Marília, no interior de São Paulo, José Vicente experimentou uma jornada de desafios e superações até se tornar uma figura de destaque na luta contra o racismo estrutural. Desde seus humildes começos, trabalhando como boia-fria, entregador, até diversas ocupações que moldaram sua resiliência, a vontade de educação sempre foi sua bússola.
José Vicente, após formar-se em direito, trilhou caminhos desafiadores como advogado e delegado, antes de redescobrir sua paixão pela educação na Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Lá, seu contato com militantes negros inspirou a concepção de projetos pioneiros, visando a inclusão do negro no cenário educacional. Em 2003, com coragem e dedicação, a Universidade Zumbi dos Palmares foi fundada, tornando-se uma das maiores iniciativas globais na batalha contra o racismo estrutural.
Atualmente, o Dr. José Vicente é um renomado pós-doutor pela FEA/USP e assume o cargo de Reitor na Universidade Zumbi dos Palmares. Sua atuação transcende os limites acadêmicos, participando ativamente em diversos espaços de debate e unificação no país. Como presidente do conselho da Iniciativa Empresarial pela Igualdade, membro do Conselho Ética CONAR, e integrante do Conselho Editorial da Folha de São Paulo, ele desempenha um papel crucial na promoção da igualdade e diversidade.
Além disso, sua presença na grande imprensa, como colunista em revistas de renome como ISTOÉ e Veja, e sua atuação como comentarista na TV Cultura, onde também apresenta o programa “Negros em Foco”, demonstram seu compromisso em levar a discussão sobre diversidade para o centro do palco.
A nomeação de José Vicente como Embaixador Cultural da Liga-SP é mais um capítulo brilhante em sua trajetória inspiradora. Sua dedicação incansável à educação, diversidade e igualdade continua a iluminar o caminho para um futuro mais inclusivo e justo para todos.
Panorama dos ensaios de rua do Especial para o Carnaval 2024
O site CARNAVALESCO está acompanhando todos os ensaios de rua do Grupo Especial para o Carnaval 2024. Abaixo, você pode ver um balanço.

Imperatriz: A Imperatriz Leopoldinense abriu de forma avassaladora, nesse domingo, a temporada de ensaios na Euclides Faria, em Ramos, na Zona Norte do Rio. A atual campeã da folia carioca fez valer uma máxima presente em um dos versos do refrão principal de seu samba e mostrou o povo gresilense cantando a plenos pulmões na rua. – Leia como foi o primeiro ensaio de rua.

Viradouro: A atual vice-campeã do Grupo Especial já fez dois ensaios de rua. Eles acontecem aos domingos. No último, os componentes gritaram o samba conduzido com maestria pelo carro de som e embalado pela inspirada bateria do mestre Ciça. Leia como foram os ensaios (só clicar na data) – 8 de novembro e 12 de novembro.

Vila Isabel: Na úlima semana, a Vila Isabel participou do “Encontro de Quilombos”, em Nilópolis. A agremiação foi a primeira do Grupo Especial a dar início a sua temporada de treinos e já está colhendo os resultados desse calendário antecipado de trabalho. Os ensaios de rua acontecem todas quartas. Leia como foram os ensaios (só clicar na data) – 18 de outubro e 8 de novembro.

Beija-Flor: De volta com o projeto “Encontro de Quilombos”, a Beija-Flor abriu na noite do último sábado a temporada de ensaios de rua, recebendo a Vila Isabel. O encontro entre as duas azuis e brancas aconteceu na tradicional “pista de treinos de Nilópolis”, a Avenida Mirandela, na Baixada Fluminense. O próximo encontro será no dia 25 de novembro com a Grande Rio. Leia aqui como foi o primeiro “Encontro de Quilombos”.
Mangueira: só vai ensaiar na rua em dezembro.

Grande Rio: O Centro de Duque de Caxias virou uma Passarela do Samba. Com a força e o grito da comunidade caxiense, a Acadêmicos do Grande Rio realizou no último domingo o seu primeiro ensaio de rua. Os treinos vão ser todos os domingos. Leia como foi ensaio (só clicar na data) – 12 de novembro
Salgueiro: começa o ensaio de rua dia 23 de novembro.

Paraíso do Tuiuti: A escola de São Cristóvão já fez três ensaios de rua. Eles acontecem sempre nas segundas. Até o momento, os destaques são a atuação do intérprete Pixulé, a bateria, de mestre Marcão, e o rendimento do samba-enredo. Leia como foram os ensaios (só clicar na data) – 30 de outubro, 6 de novembro, 13 de novembro.
Unidos da Tijuca: Começa dia 7 de dezembro.

Portela: O décimo lugar no desfile de 2023, ano do centenário da Portela, parece ter mexido com o orgulho do portelense. No primeiro treino realizado ao ar livre na Estrada do Portela, a participação da comunidade nas alas e segmentos impressionou. Os treinos vão ser todos os domingos. Leia como foi ensaio (só clicar na data) – 12 de novembro
Mocidade: Começa dia 25 de novembro.

Porto da Pedra: De volta ao Grupo Especial, o Tigre de Gonçalo já realizou dois ensaios de rua. Os treinos acontecem aos sábado. Destaques foram para o samba-enredo e o casal de mestre-sala e porta-bandeira. Leia como foram os ensaios (só clicar na data) – 4 de novembro e 11 de novembro.
Carregada de tempero, Ponte grava faixa oficial, de olho em salto no resultado, a partir da manutenção dos segmentos
Desde 2019 no principal grupo de acesso do carnaval carioca, quando ainda era chamada Série A, a Unidos da Ponte teve como melhor colocação um décimo lugar, justamente no ano da volta, quando reeditou “Oferendas” de 1984. De lá para cá, a agremiação ainda teve um 12º, e dois 11º, já como Série Ouro. Buscando começar a vislumbrar as primeiras colocações, além de sofrer menos com o perigo de voltar às demais divisões do carnaval, que atualmente desfilam fora da Sapucaí, a Ponte tem procurado melhorar os processos para que em um futuro próximo possa colher melhores resultados. É o que garantiu Tião Pinheiro, atual presidente da Azul e Branca da Baixada Fluminense, em entrevista ao site CARNAVALESCO, durante as gravações do álbum da Liga Rj, em Marechal Hermes.

“A Ponte está vivendo um momento completamente diferente, nós estamos tentando resgatar essa escola de tal maneira que muito em breve ela se qualifique, se capacite para estar brigando pelas primeiras posições. Eu vou fazer em 2024 dez anos trabalhando na Ponte, ocupei a vice presidência durante boa parte deste período, é meu primeiro comando efetivo da escola, então a gente resolveu remodelar diretoria, dar continuidade ao que funcionava, resgatar alguns nomes que contribuíram muito em algum momento com a escola”, explica o novo mandatário.
Uma das medidas foi manter a dupla que deu certo no desfile de 2023: o intérprete Kleber Sorriso, uma aposta do carnaval de Vitória, e o mestre Branco Ribeiro, que vai para o terceiro desfile à frente do “Ritmo Meritiense”. Branco revelou que, passado dois desfiles comandando os ritmistas da agremiação de São João de Meriti, já consegue dar uma cara à bateria e sobre a gravação no M&C Studio, trouxe uma parte do que vai levar para a Sapucaí.

“Neste terceiro ano acredito que a gente consegue de forma mais efetiva implementar a nossa identidade, consegue fazer o que a gente entende como a nossa cara, como a cara de São João de Meriti, dentro de todas as circunstâncias em que a escola se encontra. Iniciamos nossos ensaios de bateria no início de outubro, já passamos para os ritmistas as ideias que tínhamos desenvolvido em cima do samba, já havíamos desenvolvido muita coisa no período de disputa, então já nesse processo implementamos todas as nossas ideias, só ficamos aguardando mesmo esse período final para saber se haveria alguma alteração na obra ou alguma outra novidade. Evidentemente, para a faixa vamos trazer apenas uma parte do que planejamos, até para preservar a questão musical, não infringir tanto na obra para as pessoas poderem aprender de forma legal a letra. Mas com esses arranjos que colocamos já vamos apresentar um pouquinho do que a Ponte vai levar para a Sapucaí”, avalia o jovem mestre.

A Unidos da Ponte levará para a Avenida o enredo “Tendendém – O axé do epô pupá”, que contará a saga do dendê desde a sua origem mítica em terras africanas, chegando no Brasil através da diáspora. O tema está sendo desenvolvido pelo carnavalesco Renato Esteves. Adepto de impressionar o público, não só com a batida, mas com surpresas e, muitas vezes, com movimentações diferentes da bateria pela pista, mestre Branco Ribeiro pensou para o carnaval 2024 em focar mais no ritmo, na parte musical que o enredo oferece para o “Ritmo Meritiense”.
“Esse ano a gente deve abrir um pouco mão desses artifícios, até mesmo pela temática que o enredo oferece, muitas vezes nos dá o contexto cênico, e a gente não encontrou nenhum recurso que a gente pudesse fazer, porque a gente sempre faz algo quando o enredo abre essa possibilidade. Enredos abstratos abrem a possibilidade de ter algum tipo de interação neste sentido, esse enredo com a temática mais afro, a gente pensou em focar mais na questão musical do que estes movimentos, mas sempre tem uma surpresinha”, confessa o diretor de bateria.
Manutenção da aposta no talento que veio do Espírito Santo
“Epo pupá/ derrama no candeal, o axé do bambuzal, afefé de eruexim”, são os versos da cabeça do samba da Unidos da Ponte para o carnaval 2024, e quem ouvir, tanto na gravação do álbum da Liga RJ, quanto na Sapucaí, ou em ensaios, vai perceber uma forma bem singular no canto. Isso porque, neste trecho e no samba em geral, o intérprete Kleber Sorriso tem colocado toda a sua personalidade e a sua expressiva forma de cantar. Kleber foi uma aposta da agremiação para o carnaval passado, chegando às vésperas da gravação da faixa para o desfile de 2023, e agradando a diretoria pelo trabalho realizado. Vindo do carnaval de Vitória, o cantor tem dividido a atenção entre o trabalho no Espírito Santo e a Unidos da Ponte, mas compensando com muita dedicação, diálogo nesse bate e volta, Rio-Vitória.

“Eu moro em Vitória (Espírito Santo), e esse processo é altamente delicado, porque ele não envolve só duas pessoas, eu, o presidente e o mestre, nós estamos tratando de um samba que vai para a comunidade toda, e a ideia não é ser somente da comunidade, que também já é bastante importante, a ideia é expandir a obra, que seja ouvido em todas as agremiações e reverbere no mundo do samba, recebendo elogios. A gente conversa muito, foca nos detalhes, mexe na obra, é tipo o dendê, é o tempero”, compara o profissional.
A obra desenvolvida para o Carnaval 2024 foi composta pelos poetas Júnior Fionda, Tem-Tem Jr, Carlos Kind, Léo Freire, Vitor Hugo, Léo Berê, Marcelinho Santos, Jefferson Oliveira, Alexandre Araújo e Valtinho Botafogo. Para Kleber Sorriso essa parte de gravação da faixa é muito gostosa e muito importante para colocar na obra tudo o que for pensado pela coletividade da agremiação.

“Agora nós estamos nesta parte que é a execução do samba, fazendo as gravações em Marechal Hermes, trabalhando com a bateria que vai dar aquele molho, e nascer. É uma parte gostosa, a gente grava e depois todo mundo vai para a casa achando que podia fazer de novo, é uma coisa constante, vão surgindo ideias, e é uma obra que permite, é um samba com muito movimento, a gente quer o tempo todo mais coisas. É muita felicidade de estar participando mais um ano na Unidos da Ponte, ano passado eu tive esse prazer de cantar na Sapucaí, agora em 2024, com o enredo do dendê, agradeço o presidente Tião Pinheiro pelo convite e a confiança de poder participar, com o mestre Branco Ribeiro, e a nossa equipe musical, nós estamos montando tudo para fazer um grande espetáculo. A última escola da sexta-feira, podem esperar que será um grande desfile”, promete o cantor.
Ponte busca novos processos e cuidado mais rigoroso com componentes
Como apresentado logo no início da matéria, a Unidos da Ponte tem buscado melhorar os seus processos para tentar conseguir colocações mais acima na disputa do carnaval e a partir daí no futuro poder sonhar com um acesso. Agora como presidente da escola, Tião Pinheiro tem afirmado que a agremiação está dando qualidades às etapas e a estrutura da Ponte, através de parcerias.

“Tem uma Ponte diferente. Nós fizemos um trabalho de protótipos das fantasias, que estão sendo confeccionadas, foi um trabalho muito árduo, a escola não fazia protótipos. Sabemos o que vai ser produzido, dimensionamos tecido, temos poucas perdas e estamos levando a gestão da Ponte como a administração, com a condução do processo e pensamento de uma empresa multinacional, com indicador de performance, com objetivos e metas, para tudo funcionar. Fizemos até um processo seletivo de ateliês na hora da escolha. Hoje temos um barracão padrão em razão de uma parceria que fizemos com a União de Maricá, uma escola que hoje já chega com recursos, até por onde está localizada. A Maricá precisava de um espaço porque subiu, e a gente fez uma concessão de utilização do espaço físico, com o nosso ambiente de barracão na contrapartida de uma reforma completa. Claro que nós fizemos o esforço do nosso bolso, mas a Maricá nos ajudou no sentido de reformas. Isso é mais do que natural. É um espaço moderno. Isso tudo cuidado nos fez pensar que a gente realmente está conduzindo as coisas por um caminho legal”, acredita o presidente.
Tião também revelou que a agremiação tem procurado cuidar de seus componentes oferecendo acompanhamento de saúde, principalmente para ter foliões mais preparados para o desafio que é passar pela Sapucaí com as fantasias, além de dar dignidade à comunidade que reside ao redor da escola.

“Temos uma questão social muito importante que é a visão humanística da escola. São João de Meriti é um município muito desassistido, poder público muito ausente, é o lugar onde mais mora gente por metro quadrado, e portanto, as pessoas padecem muito de tudo. Na Ponte, eu criei um departamento de saúde, e estamos começando um trabalho, sobretudo, com baianas e velha guarda, outros segmentos com mais de 60 anos, para passar por infecto e endócrino, cárdio, dermato, para uma inspeção clínica simples, mas para saber como estão de saúde estas pessoas que muitas vezes carregam uma fantasia pesada. E vamos ajudar nesse acompanhamento”, promete o dirigente.
Com essas mudanças e iniciativas desenvolvidas ou prometidas para essa gestão, mestre Branco Ribeiro, que já possui uma história interessante na agremiação, que advém do cargo de diretor de bateria, mostra confiança para que a Ponte possa buscar objetivos maiores.

“Nestes meus oito anos de Ponte, eu posso dizer que eu vejo uma organização fora do comum da escola, acredito que o carnaval da Ponte, desde quando a Unidos da Ponte iniciou, com todo o respeito a história da escola, desde quando ela pisou a Marquês de Sapucaí, esse vai ser o maior carnaval da escola. Então, o pessoal que curte a Ponte, que tem um carinho pela agremiação, independente de toda a circunstância, pode esperar um grande carnaval da Unidos da Ponte, e se Deus permitir mais um grande desfile do Ritmo Meritiense”, espera o comandante do “Ritmo Meritiense”.
Em 2024, a Unidos da Ponte será a oitava escola a desfilar pela Série Ouro da folia carioca no dia 9 de fevereiro, sexta-feira de carnaval.
Emerson Dias: ‘O samba do Salgueiro para 2024 explodiu fora da bolha do carnaval’
Emerson Dias, intérprete do Salgueiro, conversou com a equipe do site CARNAVALESCO, após a gravação oficial do samba-enredo para o Carnaval 2024. Veja abaixo o papo exclusivo.
Lançamento do Carnaval 2024 dos ‘Doentes da Sapucaí’ terá concurso de Samba em SP
O que você vai fazer no final de tarde/noite do um feriado no meio da semana? Que tal um sambinha? Os “Doentes da Sapucaí” irão realizar o lançamento do Carnaval 2024 nesta quarta-feira, 15 de novembro, com muito samba, alegria e a final do seu Concurso de Samba 2024.

Além de muito samba de roda, o público irá curtir aqueles sambas-enredo clássicos deliciosos e participará ativamente da escolha do samba que os Doentes da Sapucaí levarão para a rua em 2024.
Este ano, a disputa conta com quatro sambas, todos eles cheios de homenagens à quarentona do ano: a Marquês da Sapucaí, que completa 4º anos em 2024.
As composições de Guilherme Cimimo (samba 03), Negão/Bertola/Wlad (samba 04) e Adriano Polesi/Alessandra Magalhães Polesi/Zeca Magalhães (samba 09) vem para brigar com força pelo 1º lugar este ano.
A parceria de Alexandre Araújo (samba 07), compositor vencedor de diversos concursos de samba, buscará o bicampeonato, uma vez que em 2023 os Doentes levaram para a avenida um samba de sua autoria.
O evento acontecerá no próximo dia 15 de novembro no PraTiFaria Bar (Av. Brigadeiro Faria Lima, 2627 – em frente ao Clube Pinheiros, SP), a partir das 16h. Os ingressos já estão à venda via Sympla, pelo link https://www.sympla.com.br/evento/doentes-do-sapucai-15-de-novembro-quarta-feira-pra-ti-faria-bar/2200061
O evento também será transmitido ao vivo pelo Instagram dos Doentes da Sapucaí (@doentes_da_sapucai)
Programação do Evento:
• 16h: Abertura da casa (samba ambiente)
• 18h: Roda de samba enredo (clássicos)
• 20h: Concurso para a escolha do samba Doentes 2024
• 22h: Roda de samba
• 23h: Término
Sem a presença de Pixulé, bateria comanda ensaio da Paraíso do Tuiuti e faz grande show
O Paraíso do Tuiuti realizou, na noite da última segunda-feira, o terceiro ensaio de rua da temporada para 2024. A azul e amarela ocupou o Campo de São Cristóvão e fez o seu treino em aproximadamente uma hora e vinte minutos. A agremiação teve de driblar uma série de desfalques entre os seus principais segmentos, sendo o maior deles a ausência do intérprete oficial Pixulé. A falta do cantor, que teve problemas de agenda, impactou o rendimento do samba-enredo e a performance da harmonia, que foi marcada por um canto pouco empolgante da comunidade. Em meio a esse cenário adverso, a bateria “Super Som” acabou se destacando de forma positiva e proporcionou mais uma apresentação de altíssimo nível, sendo responsável pelos momentos de maior êxtase durante a passagem da escola. O diretor de Carnaval do Tuiuti, André Gonçalves, conversou com a reportagem do site CARNAVALESCO e comentou os efeitos gerados pelo não comparecimento do comandante do microfone principal, fazendo questão de enaltecer o time de apoio, em especial o intérprete Hudson Luiz.

“O cantor oficial da escola faz a diferença, a ausência dele não deixa de ter um certo impacto. Porém, tivemos um número um pouco reduzido de componentes também. A verdade é que a gente tem que trabalhar mais e mais. Pode acontecer uma falha? Pode acontecer. É normal até ocorrer erros, mas a gente tem que consertar o quanto antes, não podemos deixar o problema se esticar, prolongar. Hoje, tivemos o Hudson Luiz que assumiu o microfone no lugar do Pixulé nesse ensaio. Ele é cantor oficial em São Paulo, já comandou carro de som aqui no Rio de Janeiro no Salgueiro, teve passagens também pela Mangueira e por outras grandes escolas. Ou seja, é um profissional mais do que capacitado para estar à frente de um microfone como primeiro. Então a gente escolheu ele, escolheu certo, mas é aquele lance, não é que assumiu o primeiro, todos são um time. Aqui na Paraíso do Tuiuti é assim. Eu não sou sozinho, a direção de harmonia não é sozinha, a comissão de frente não é sozinha, todo mundo é um time. A gente acha que todos nós estamos capacitados a quando não tiver um, o outro assumir e assumir fazendo algo bem feito”, ponderou o diretor.
No ano que vem, a Paraíso do Tuiuti será a quinta agremiação a cruzar o Sambódromo da Marquês de Sapucaí na segunda-feira de Carnaval, dia 12 de fevereiro, pelo Grupo Especial. Na ocasião, a escola do bairro de São Cristóvão apresentará o enredo “Glória ao Almirante Negro!”, uma homenagem ao marinheiro João Cândido, que atuou na liderança da Revolta da Chibata. O desenvolvimento do tema é do carnavalesco Jack Vasconcelos, que está de volta a azul e amarela para sua terceira passagem por lá.
Comissão de frente
Os coreógrafos Cláudia Mota e Edifranc Alves trouxeram novamente uma apresentação especialmente elaborada para os ensaios de rua no Campo de São Cristóvão. A performance foi a mesma das últimas duas semanas, marcada por uma teatralização em cima da letra do samba e passos bem definidos. O ponto alto, mais uma vez, ocorreu quando uma das integrantes foi erguida para o alto e, durante os versos “Glória aos humildes pescadores/Yemanjá com suas flores/E o cais da luta ancestral”, simulava todo um gestual representando a orixá, para em seguida se jogar de costas e ser amparada por outros componentes. A novidade deste terceiro treino a céu aberto ficou por conta da coreografia ter sido executada por um outro grupo de membros da comissão, também formado por 11 pessoas, sendo três mulheres e oito homens.

“Hoje a gente ensaiou com um grupo novo, que é o segundo grupo da comissão, e assim demos um descanso para os outros integrantes. Como a gente teve a vantagem de ter o samba mais cedo, já montamos essa estrutura que não tem nada haver com o que a gente vai levar para Avenida. É até importante deixar isso bem claro, não estamos fazendo nada da coreografia oficial no ensaio, os grupos estão misturados, então a gente vem mesmo para ter esse contato com a comunidade. Para nós da comissão, os ensaios de rua são uma oportunidade da gente já se acostumar com o som da bateria, o ritmo do samba, o andamento adotado pela escola. Além disso, é algo que ajuda no condicionamento físico, até porque aqui a gente tem um percurso mais longo. E para os integrantes é ótimo. A gente vê o lado bom de ter um ensaio segunda-feira, porque a gente se organiza durante a semana pra ter os outros ensaios. Então, a gente deixa a segunda-feira para trabalhar dentro do barracão e a noite está com um grupo aqui. Não deixa de ser um ensaio”, relatou Cláudia Mota.
Samba-enredo
Um dos quesitos que mais “sentiu” a ausência do intérprete Pixulé foi o samba-enredo. A obra composta por Cláudio Russo, Moacyr Luz, Gustavo Clarão, Júlio Alves, Alessandro Falcão, Pier Ubertini e W Correia teve um desempenho abaixo no comparativo aos dois primeiros ensaios de rua e por pouco não arrastou. O time de cantores da agremiação, conduzido por Hudson Luiz neste treino, ainda tentou manter o bom rendimento apresentado nas semanas anteriores, porém não conseguiu impedir que a obra sofresse com uma queda perceptível de performance ao longo de pouco mais de uma hora e vinte minutos de ensaio. Os dois refrões ainda funcionaram muito bem durante toda a passagem da escola, porém as demais partes foram pouco cantadas ou entoadas com menos vigor. As caídas mais bruscas aconteceram especialmente na segunda estrofe do samba, em que era possível observar diversos componentes parando de cantar logo assim que acabava o refrão do meio. O canto só voltava a crescer próximo à subida para o refrão principal.
Harmonia
Após despontar com um dos pontos altos da Paraíso do Tuiuti nesse começo de temporada na rua, a harmonia acabou sendo o quesito com mais problemas neste terceiro ensaio. A comunidade, que anteriormente tinha mostrado estar com o samba na ponta da língua, apresentou um canto mais comedido, que só explodia nos refrões. Outros trechos como a subida para o refrão principal, “Salve o Almirante Negro/Que faz de um samba enredo/Imortal!”, e o falso refrão que antecedia o do meio, “Ôôô A Casa Grande não sustenta temporais/Ôôô Veio dos Pampas pra salvar Minas Gerais”, até foram bem entoados, mas com menos força. Em relação às alas em si, o destaque positivo ficou por conta do canto mais aguerrido das baianas e das passistas. Já alas como a que vinha atrás do terceiro casal e a que antecedia a bateria chamaram a atenção negativamente pelo canto mais fraco, apesar dos esforços dos diretores de harmonia que as acompanhavam e que tentaram incentivar os componentes a soltar mais a voz.

Ao ser questionado sobre esse menor rendimento no canto da comunidade de um ensaio para o outro, o diretor de Carnaval da Paraíso do Tuiuti, André Gonçalves, fez questão de negar que tenha ocorrido uma queda e justificou: “Não teve caída de canto. O que aconteceu é que existem alguns concertos e algumas colocações de notas que a gente tem que botar para a comunidade. Como já disse em outras oportunidades, temos que trabalhar muito em cima do samba ao longo dos ensaios. É um samba fácil, de letra acessível, só que a comunidade tem que estar com a gente acertando em notas. Parece que foi aquela coisa que não teve o desenvolvimento em algumas alas, mas não. Tem algumas alas que realmente dão uma parada de cantar para gente poder acertar isso aí, mas vamos acertar”. “Temos um chão muito forte, uma comunidade grande e participativa. E assim como todo mundo, a gente depende hoje de muito ensaio para conseguir atingir uma excelência no trabalho. Estamos em uma reta final, esse ano temos poucas datas na rua, o Carnaval é no início de fevereiro, então vai ser uma coisa muito rápida e a gente tem que trabalhar mais”, completou André.
Evolução
O rendimento mais fraco do samba-enredo, com a comunidade cantando com menos força, impactou de certa forma a evolução da agremiação. Apesar de desfilarem soltos, sem amarras ou fileiras rígidas, alguns componentes passaram com desânimo, sem cantar e nem sambar. A temperatura acima do normal, registrada na noite de segunda-feira no Rio de Janeiro, também contribuiu para esse cenário, sendo possível observar desfilantes reclamando do calor e sentindo mal-estar. Mesmo assim, como ponto positivo, não houve a abertura de clarões e nem embolamentos. O ritmo da escola foi um pouco mais lento, porém as paradas ficaram restritas aos momentos de apresentação dos segmentos nas cabines simuladas de jurados.

Bateria
Em um ensaio marcado por problemas de canto e um carro de som desfalcado, a bateria “Super Som” se sobressaiu positivamente e promoveu um verdadeiro espetáculo. Os ritmistas, liderados pelo mestre Marcão, executaram diversas bossas e exploraram diferentes desenhos em cima da melodia do samba, que enriqueceram a apresentação e animaram o público que compareceu ao Campo de São Cristóvão. Um dos momentos de maior destaque foi a sequência realizada no refrão principal, na qual a batida de um coração era reproduzida no primeiro verso, seguida do toque que simulava uma marcha militar durante o trecho da letra “O dragão de João e Aldir”. Quanto ao andamento, a mesma pegada adotada nas semanas anteriores foi mantida, prezando assim por um ritmo mais cadenciado, sem correrias.

Outros destaques
A rainha Mayara Lima segue sendo uma atração à parte nos ensaios de rua da azul e amarela do bairro de São Cristóvão. A beldade, que veio com um conjunto nas cores da escola e que tinha o brasão estampado no peito, mais uma vez esbanjou simpatia, além de muito samba no pé. Extremamente participativa, ela buscou em vários momentos interagir com os ritmistas da “Super Som”, assim como atender os apelos e retribuir o carinho do público que assistia a apresentação da agremiação. Em um dado momento, a majestade ainda fez questão de ir para o meio da ala que desfilava à frente da bateria para incentivar o canto mais forte dos componentes.

“Ser rainha de bateria é um cargo que eu sempre sonhei, não é novidade para ninguém, e o Tuiuti é uma escola que sempre me deu oportunidade. Hoje eu estou aqui como rainha de bateria e acho que nada mais justo do que essa minha entrega diante de uma escola que sempre me devolveu o reconhecimento, através do meu amor pelo samba. Então, o que eu faço aqui é isso. É uma coisa que eu sempre falo também, mas é bom repetir e frisar: tudo que faço é por amor. Amo o samba, amo transmitir as minhas emoções através dele e amo transmitir a energia para a minha comunidade. Eu sei que é cansativo essa maratona que a gente faz, então eu acho que a melhor energia é a positiva. É isso que eu troco com a minha comunidade, com meus ritmistas. E quanto ao ensaio de rua em si, é algo maravilhoso. É bom para treinar o canto, obviamente, mas a gente ganha aquela resistência, que aí quando passamos na Sapucaí é tanta emoção que nem sentimos. Então, acho que eles são importantes para isso: ajudar no canto da escola, na energia da comunidade e no meu caso em específico na minha evolução como rainha de bateria”, afirmou Mayara Lima em conversa com a reportagem do site CARNAVALESCO, logo após a conclusão do treino.
Além da beldade, outro ponto alto deste terceiro ensaio de rua da Paraíso do Tuiuti foi a passagem do segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira da agremiação, Leonardo Thomé e Rebeca Tito. Por conta das ausências de Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane, coube à dupla a missão de vir conduzindo o pavilhão da escola logo na abertura, atrás da comissão de frente. Os dois deram conta do recado e apresentaram um bailado mais tradicional. Com um gestual elegante, eles tiveram movimentos precisos e mostraram ter bastante sincronia um com o outro.
Mancha Verde realiza ensaio geral marcado pela competência técnica
Por Gustavo Lima e Lucas Sampaio
Todas as agremiações têm uma identidade. Se fosse definir a Mancha Verde em palavras, poderia facilmente ser: ‘escola técnica’. Claro que há outras características dentro de uma entidade carnavalesca, mas sempre existe aquela que predomina e nos faz refletir. Não à toa a ‘Mais Querida’ é bicampeã e carrega dois vices. Isso tudo nos últimos quatro carnavais. Realmente é uma potência a ser explorada.

É costumeiro dizer que os ensaios de quadra são importantes para as escolas ensinarem os componentes o que se deve fazer de forma correta. No caso da Mancha Verde, observou-se uma condução do quesito evolução da comunidade de forma interessante. Os componentes estavam soltos, balançando o corpo para lá e cá no ritmo do samba. A bela quadra, localizada na Barra Funda, quer fazer a comunidade plantar as maiores esperanças possíveis, como diz o samba-enredo para 2024.
O hino da Mancha Verde divide opiniões no mundo do carnaval. Porém, internamente, é muito bem-visto. De acordo com Paolo Bianchi, diretor de carnaval da agremiação, a comunidade abraçou e isso está sendo vital para o andamento do projeto.

“No primeiro ensaio a gente percebeu que pegou, funcionou. A comunidade está cantando. É um samba que no começo dele tem um swing e a galera curte demais e está indo. A gente faz exercícios na escolha do samba e privilegia quem vem de baixo para cima. Não é uma escolha da diretoria porque é o mais bonito ou tecnicamente mais perfeito. A gente canta com nosso método, ouve no CD e muda o rumo de quem vai ser o vencedor, mas também mostra que vai mexer com as pessoas e vai render na avenida. Esse método se comprovou, pois quando tocou pela primeira vez na quadra, deu certo. Ainda falta aparecer 30 e 40% dos componentes na quadra, mas tenho certeza de que essa galera está ouvindo o samba e estamos felizes com ele”, disse.
Sobre projetos, não é segredo que a agremiação adora investir em alegorias, especialmente, nos últimos anos. Perguntado sobre qual será o trunfo da escola para o Carnaval 2024, o diretor exaltou a comunidade e falou do abre-alas, que pode impactar.
“A gente confia no nosso povo, no chão. É uma comunidade que canta bastante e entendeu o jeito de desfilar. São aguerridos e essa é a troca que a gente tem com eles. São bem tratados e respeitados em vários aspectos. Mas nas últimas semanas é impressionante como o nosso barracão vem crescendo. Nosso abre-alas vai ser monstruoso, bem elaborado, com uma mensagem bem legal e com menções bem impressionantes. Ontem estava na sala do presidente, você vê de cima, olha a maquete e vê que está ficando igualzinho e acho que em alegoria a gente vai vir bem novamente. Vamos chegar com bastante componente nesse abre-alas de novo, com uma galera super identificada e que estão ensaiando há três meses já”, contou.

Novos mestres trazem novidades para a bateria
A bateria “Puro Balanço” chegará em 2024 carregada de novidades implementadas pelos mestres Cabral e Viny. Os novos líderes dos ritmistas da Mancha Verde revelaram algumas das mudanças que serão apresentadas ao longo do atual ciclo.
“A gente está iniciando um trabalho. Já vínhamos trabalhando juntos na diretoria do mestre Guma, e agora que a gente está dando sequência ao trabalho dele. É o primeiro trabalho nosso junto também, é tudo muito novo para gente, para bateria e para escola também como um todo. Como mudanças, acredito que a principal mudança nossa foi o chocalho. A gente trocou o instrumento, então a tendência com a bateria é vir um pouco mais grave do que ela costumava ser. E a terceira também que a gente tirou no meio da levada, tiramos a atrasada dela, jogamos tudo para frente. Não virá desenhada como nesses anos também, vai ficar mais solta”, revelou Viny.

“A primeira mudança foi o instrumento chocalho. Viremos com um chocalho com um som mais pesado, mais preciso, para dar mais um peso para a bateria. As bossas também a gente elevou um pouquinho o grau de dificuldade, não muita coisa, porque é um trabalho bem lento. O processo é lento porque a bateria da Mancha está vindo desde 2020 liderada pelo Guma, então teve que ser muito com calma porque aqui não é uma escola de comunidade, com muitas pessoas que vêm de São José dos Campos, de Suzano, entre outras cidades. Mas, resumindo, a mudança, chocalho, vai dar mais um peso na bateria, a gente está elevando um pouco o grau das bossas também esse ano”, completou Cabral.
Diante da temática rural proposta pelo enredo, a dupla acredita que o caminho para a “Puro Balanço” é o conjunto de instrumentos, apontando que não haverá destaque para algum dos utilizados pela bateria.
“No nosso trabalho a gente não quer deixar nenhum instrumento de destaque. Como a bateria é conjunto, todos os instrumentos vão sobressair na mesma intensidade. Não vai ter algum que se destaque mais ou menos”, disse Cabral.
“É igual ao que o Cabral falou. A gente está pesquisando bastante o equilíbrio sonoro, e aí no lance do tema rural, na cabeça do samba é um tema mais afro. Ele entra na parte mais afro, e a gente pesquisou bastante. Chegamos num toque de Okô, que é o que a gente vai fazer na cabeça do samba, então isso acho que vai ser um ponto-chave da nossa bateria no desfile. No ensaio vocês não vão notar, porque não está com a viola caipira ainda, mas já o violão 7 cordas já faz um desenho, então vocês vão se ligar que a gente vai fazer um negócio diferente aí”, revelou Viny.

“Na segunda do samba, tem já o lance rural, né? Tem a moda de viola, que vai rolar”, acrescentou Cabral.
Com as mudanças no regulamento em relação ao julgamento do carro de som, uma sintonia maior entre todo o setor musical das escolas se fará necessária. Os mestres acreditam que na Mancha Verde esse não será um problema, apontando um elemento do trabalho desenvolvido em conjunto.
“Para a gente é supertranquilo porque a troca é muito verdadeira. Tem que ser, porque o trabalho do setor musical não é só a ala musical em si, que são as cordas, os vocais, então entra também a bateria. É um conjunto, e se não trabalhar em conjunto não vai funcionar. A gente está trabalhando com total sinergia. Vai dar certo, se Deus quiser”, garantiu Viny.

“É isso. Já trabalhando junto para que tudo dê certo. O lance da moda de viola, que a gente está querendo fazer, já é um conjunto de tudo isso, e acreditamos que vai dar certo”, concluiu Cabral.
Confiança na comunidade e estudos da nova regra
O intérprete Fredy Vianna, que é um cantor de longa data da Mancha Verde e totalmente identificado com a escola, foi mais um a exaltar a comunidade da ‘Mais Querida’.
“A Mancha é uma escola muito séria, como outras entidades também. Mas eu enxergo que todos tem um objetivo, que é conquistar a nota máxima. Eles nunca vão chegar aqui e vão fazer corpo mole. Você pode estar no pior dia, mas pode chegar aqui que eles te levantam. É um trabalho minucioso, árduo e tenho muito orgulho do meu carro de som. A comunidade trabalha em prol de uma coisa só, que é o tricampeonato”, afirmou.

Falando em carro de som, o cantor comentou a questão do novo regulamento, que irá julgar a ala musical. Fredy diz que várias novidades serão impostas.
“O regulamento deste ano colocou a gente em jogo. Vai valer 0,1, e vai ser muito importante na nota final, porque o jurado vai ser mais rigoroso com o samba-enredo, o que eu acho correto. É nós que damos voz ao samba-enredo e temos que estar inserido nisso. O trabalho está sendo minucioso. Eu sempre tento manter todo mundo junto, fazer ensaios de estúdio, a letra tem que estar corretíssima, a divisão melódica em cima. Eu também prezo por um canto mais suave para dar um entendimento a isso. Tudo isso é muito importante nessa nova regra que vai pegar muitas coisas assim. Se você fizer um contracanto eles vão pegar, se você fizer uma abertura de voz e errar, eles vão pegar, se o intérprete oficial não estiver bem, vão pegar. Tudo isso engloba dentro do décimo. Esse é um samba que cabe muito bem na minha voz e estou confortável”, explicou

O músico contou a relação que tem com os novos mestres da escola, Vinny e Cabral. De acordo com ele, é a melhor possível, pois já estavam na escola e eram diretores do mestre Guma.
“É maravilhoso. Eles eram diretores do Guma. Eu estou ensaiando e fico conversando com o Cabral sobre bossas e tudo mais. Acho que a bateria continua valente e com uma explosão a mais. Eles são bem ousados e eu gosto disso. Deram uma cara bem jovem para a bateria, está bem para cima, eu gosto disso, vai dar uma explosão a mais no desfile. Então é só agradecer a eles pela parceria. Sempre me dei muito bem com os mestres que por aqui passaram. Caju, Moleza, Guma e agora com eles não será diferente”, completou.

Novo regulamento
Se aproximando do décimo carnaval defendendo o pavilhão principal da Mancha Verde, Marcelo Silva e Adriana Gomes, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, seguem a preparação para mais um ciclo com o objetivo de deixar os décimos perdidos em 2023 para trás. Com as datas do carnaval do próximo ano ocorrendo na primeira metade de fevereiro, trata-se de mais um ciclo curto de trabalhos e, somado às mudanças que o quesito sofrerá, tornam o desafio da dupla ainda maior.
“O mais desafiador desse carnaval é o tempo. A gente tem um carnaval muito cedo. Acho que nos últimos dez anos que a gente está aqui na Mancha é o mais cedo que a gente já pegou. Acho que em 2015 foi cedo também, mas não tanto quanto agora. Então, assim, a gente está numa preparação física e psicológica. Primeiro da gente tentar não pensar naquilo que acarretou a nota do ano passado e começar um trabalho novo. Aí a gente tem que pensar também o novo regulamento e tudo aquilo que foi falado para os jurados. A gente tem que alinhar tudo isso. Novos movimentos, novos posicionamentos de pista, porque a gente tem novo posicionamento de pista. Estamos tentando fazer tudo isso se alinhar para aquilo que a gente já faz como dupla nesses 10 anos que a gente está dançando”, declarou Adriana.

As mudanças profundas no regulamento de um quesito tão tradicional incomodam Marcelo, mas não pelo fato em si de ocorrerem. Ao contrário de opiniões que aprovam as novidades, o mestre-sala acredita que o que era preciso modificar de fato continuará do mesmo jeito, e que as adições realizadas mais atrapalharão do que ajudarão os casais.
“A gente vem de um julgamento tanto quanto ambíguo em relação a coisas que colocaram na dança de mestre-sala e porta-bandeira que não existem. A gente reclamou muito disso. Quando digo a gente, todos os casais de mestre-sala e porta-bandeira, porque estava uma coisa muito mecânica. Nós nos reunimos e tentamos rever. E eu fico triste porque parece que o que tinha que ser mudado acabou não mudando. A impressão que eu ainda tenho é que eu tenho que ficar colocando muito mais coisas na dança e aquela coisa mecânica, queira ou não, vai continuar. Porque parece que eu tenho que continuar montando uma coreografia perfeita onde eu tenho que colocar todos os critérios. Sou da época, e a Adriana também é, em que a gente cumpria o critério, mas a gente cumpria o critério na natureza da dança. Ao longo do percurso da Avenida a gente cumpria todos os critérios. Quais são os critérios básicos entre mestre-sala e porta-bandeira? Apresentar o seu pavilhão, a leveza do giro da porta-bandeira, o trabalho de perna do mestre-sala, o giro horário e anti-horário da porta-bandeira, o giro horário e anti-horário da proteção do mestre-sala com a porta-bandeira, e o giro tanto do mestre-sala como da porta-bandeira no seu próprio eixo. Antigamente, a gente cumpria isso no percurso da Avenida. Agora não, você tem que tomar cuidado para você não errar quando você estiver longe do jurado porque ele pode, sem querer, ver alguma coisa, e aí você tem um espaço limitado onde o apresentador vai falar: ‘olha, começou aqui’. Para mim não mudou, parece que incrementou, e antigamente não era assim. A dança ela fluía naturalmente. Eu não estou dizendo que o que fizeram a gente não está cumprindo com o critério. Nós estamos, mas para mim continua mecânica. A dança natural, no percurso da Avenida, para mim acabou e isso é o que eu acho que falta, entendeu? É o que eu digo. Uma vez o presidente falou para a gente, ele falou há pouco tempo numa reunião: ‘não dá para eu discutir com você e com a Adriana por conta da cultura que vocês têm da dança do mestre-sala e porta-bandeira. Eu não discuto com vocês’. Mas a gente tem um critério que tem que colocar debaixo do braço e a gente tem que decorar, ponto”, disse o dançarino.

Adriana acredita que as mudanças como elas ocorrerão se encaixariam melhor na estrutura de julgamento que o carnaval de São Paulo teve até o concurso anterior. Para 2024, porém, com o prometido fim das torres dos jurados, os critérios definidos podem comprometer a avaliação não apenas o quesito deles, como também o de outros segmentos das escolas.
“Tem algumas particularidades na criação desse critério que a gente vai dançar, que foi até uma coisa muito discutida, daquilo que acho que todo mundo está ouvindo: ‘o carnaval vai ser em módulo, não vai ser em cabine’. Esse critério, se você prestar atenção, tudo que o Marcelo falou é para o módulo, que a gente tem que apresentar isso tudo. Agora, para a cabine ficaria melhor porque a gente tem uma continuidade, o campo de visão do jurado é maior, a gente pode fazer isso num percurso muito maior. Até o carnaval isso não ser definido, e aquilo que o Marcelo falou, a gente tem que andar com o regulamento debaixo do braço. Tudo isso que o Marcelo falou na dança, a gente tem que alinhar com a harmonia e com a evolução. Se a gente não alinhar isso com a harmonia e com a evolução, vai dar ruim para a harmonia, para a evolução e para mestre-sala e porta-bandeira”, apontou a artista.

Apesar das críticas ao novo regulamento, Marcelo e Adriana seguem a preparação de acordo com o que foi estabelecido para o quesito, aplicando o empenho necessário para trazer as notas que a Mancha Verde almeja na busca pelo tricampeonato do carnaval de São Paulo.
“A gente sabe que não veio para nós ainda o que vai acontecer na evolução e harmonia, e a gente só pode saber disso quando a escola nos passar. Então a gente está criando uma história, nossa dança é uma história daquilo que o enredo pede, daquilo que a nossa fantasia é e tudo mais. A gente vai ter que mostrar isso para a escola para alinhar a evolução e a harmonia. Ou até, a gente já conversou sobre isso, se tudo que a gente montou, quando chegar lá na pista, no ensaio específico, se vai dar certo”, complementou Adriana.
Um dos momentos mais aguardados pelo público, a apresentação da fantasia do primeiro casal já foi feita para Marcelo e Adriana. O mestre-sala demonstrou empolgação com as roupas que a dupla utilizará, e antecipou para o site CARNAVALESCO uma dica para atiçar o imaginário do público.
“Vou dar uma dica. A gente vinha representando algo muito legal inicialmente. Aí houve toda uma análise desse algo legal. A dica que eu quero dar para a próxima fantasia é que, olha, é muito mais legal do primeiro legal. Essa é a dica”, contou Marcelo.
Adriana disse que a prova da fantasia ocorrerá no próximo mês. Aproveitou para exaltar o trabalho do artista responsável pela confecção das roupas, que possui tantos anos de trabalhos para a Mancha Verde quanto o casal.
“Como a fantasia é feita no Rio, a gente vai para o Rio agora no começo de dezembro para experimentar. A gente fala que é a prova do pano, das coisas tal. Que assim, vai dar certo, mas lá em janeiro não vai dar certo porque a gente vai ter emagrecido tudo já e vai ter que apertar tudo de novo. Mas agora eu preciso exaltar o trabalho do Fernando Magalhães, da equipe, de todo mundo. A Mancha faz fantasia com o Fernando desde que a Mancha subiu para o Grupo Especial. Eu conheço o Fernando desde antes dele ser um ateliê, quando ele morava em São Paulo. E aí o Fernando, o ateliê Fernando Magalhães, desde quando a gente chegou na Mancha Verde, a gente tinha uma preocupação da fantasia não ser feita em São Paulo. Como que vai ser? Porque a gente experimenta a roupa. ‘Tá aqui, tá aqui, tá aqui. Não, experimenta assim. Vou falar para vocês. O esquema é esse.’ A gente experimenta a roupa pano, armações, aquilo que vai ser criado para sustentar a roupa. Deixa lá e volta só para pegar a roupa. Só para pegar a roupa. Nesses dez anos que a gente está aqui, a gente nunca teve um problema com a roupa a não ser de emagrecimento, da gente emagrece e a roupa fica larga. É uma equipe muito coesa e que trabalha junto com a gente. Eles jogam junto com a gente porque eles também entendem essa dificuldade de a gente estar aqui e eles estarem lá, e vice-versa. Eu quero exaltar o trabalho do ateliê Fernando Magalhães e equipe. Porque eles são feras”, exaltou a dançarina.
Marcelo também não poupou elogios ao trabalho da equipe de Fernando Magalhães, com Adriana aproveitando para revelar curiosidades a respeito do parceiro de trabalho.
“Importante falar também do Fernando o seguinte. O Fernando não tem só a preocupação de que ele recebe o desenho, ele vai e faz a roupa, entrega no dia e pronto, acabou. Não. Quando a gente vai lá, a gente faz a apresentação do jurado e ele analisa e fala: ‘Ah, pera aí, isso que vocês estão fazendo no jurado é melhor fazer diferente aqui’. Então assim, no dia que a gente pega a fantasia e ele fala: ‘Não, isso aqui não vai ter mais, Marcelo. Porque se você vai fazer isso na Avenida não vai ser legal’. Ele tem essa preocupação com a gente’, detalhou o mestre-sala.
“Porque ele fez o curso de mestre sala, ele fez com a minha mãe ainda, para você ter uma ideia. E com o Marcelo, o Marcelo foi o professor dele, é verdade. É que o Marcelo tem essa cara de novinho, mas ele é fundador da Amespbeesp, sabia? É verdade. Ele é fundador da Amespbeesp”, concluiu a porta-bandeira.
Calor é desafio para andamento do ensaio
Antes de iniciar o ensaio, Fredy Vianna apontou algumas correções no canto que a direção de harmonia trabalharia no ensaio, em especial no uso dos pronomes possessivos “teu” e “tua”. Com a temperatura média beirando os 37°C na cidade de São Paulo e sensação térmica ainda maior, a Mancha Verde procurou poupar os componentes de um rigor maior na aplicação do canto ao longo do ensaio, que não deixou de se fazer presente. Ocorreu apenas uma parada no time de canto para a comunidade cantar à capela ainda nas primeiras passagens do samba. O ensaio acabou sendo mais uma comprovação da competência dos diretores de manter uma evolução fluída e solta, algo que será fundamental para colocar em prática nos ensaios técnicos diante do novo regulamento deste quesito para o carnaval de 2024.
Camisa mostra força em ensaio com Gracyanne Barbosa, Belo e canto altíssimo da comunidade
Por Fábio Martins e Will Ferreira
A noite bastante abafada do último domingo foi animadíssima na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo. A quadra do Camisa Verde e Branco, das escolas mais tradicionais da cidade, receberia Gracyanne Barbosa, madrinha de bateria da agremiação. A presença de figura tão ilustre, é claro, também ajudou na experiência única vivida pelos componentes, mas o ensaio do Trevo com presença do CARNAVALESCO teve muitos outros atrativos – todos eles intimamente ligados a uma agremiação acostumada às glórias e histórias na folia.

João Victor Ferro, vice-presidente e diretor de carnaval da agremiação, ao anunciar a presença dos repórteres antes do início de fato do ensaio, fez um pedido aos componentes ao microfone. “Eles me perguntaram qual era o grande trunfo da nossa escola. Eu conto com vocês para mostrar isso”. Dito e feito: a comunidade deu um show ao cantar o samba-enredo “Adenla – O Imperador nas terras do Rei”, bradando em alto e bom som uma das canções para o carnaval de 2024 mais elogiadas pela crítica.
Maestros
Voltando ao Trevo depois de dez anos, Igor Vianna teve atuação inspiradíssima ao longo de todo o ensaio. E, na visão do intérprete, a canção escolhida pela escola é algo próximo de um presente – com uma parte especial. “O grande trunfo desse samba… quando começa a falar do fio condutor do enredo, que é Oxóssi, essa é a parte que eu mais gosto. Ouvir que esse samba é um dos favoritos da comunidade carnavalesca de São Paulo, como muitas vezes eu ouço, pra mim é um bálsamo, um alívio, uma alegria tremenda porque quando o Renan Ribeiro lançou o nosso enredo, os que ainda nem tinha ouvido a proposta do tema falaram muita gracinha. Tem que estudar e ler antes de criticar, tem que conhecer antes de tacar pedra. O Camisa tá aí mais uma vez mostrando a sua história, sua discografia e com os grandes compositores que tem para agraciar o carnaval de São Paulo”, pontuou.

O intérprete foi elogiado por Jeyson Ferro, mestre de bateria da instituição. “O Gordão (Igor Vianna) é da hora, ele já é nosso desde 2012, saiu e voltou – como eu saí e voltei. A relação com ele é 100%, e é até bom porque ele é um cara que já tocou em bateria e eu também entendo um pouco de corda. A gente divide muita coisa. Quando a gente vê uma nota ou uma parte errada fazemos algo. Ele é fundamental para nós”, destacou o comandante da Furiosa.
Das mais respeitadas baterias do carnaval paulistano, Jeyson aproveitou para falar quais execuções está ensaiando para o desfile de 2024. “Nossa batida de caixa é tradicionalíssima, não preciso nem falar. Além dos nossos breques e bossas, quero vir com mais alguns surdos de terceira mor e com quatro repiques mor espalhados pela bateria”, revelou.
Voltando ao samba
Apesar de ser uma temática bastante diferente de “Invisíveis”, que garantiu o vice-campeonato do Grupo de Acesso I em 2023 e garantiu o lugar na elite para o Camisa, Jeyson pontuou que nem tudo mudou na Furiosa – muito pelo contrário. “Não mudou muita coisa, não. A gente está com o mesmo método de ensaio, de paradinha, de bossa, não vai ter muita coisa diferente. É lógico que cada ano que você desfila, como toda bateria, mudamos as bossas. Mas a proposta é a mesma”, ratificou.

Há, entretanto, uma semelhança entre as duas canções, na visão de Jeyson. “Um enredo afro te permite fazer uma brincadeira melhor, dá para mexer na melodia. Esse samba de 2024, igual de 2023, era um samba com uma melodia muito rica, e daí para brincar com a bateria nas bossas”, prometeu.
Quem também elogiou o samba-enredo foi João Victor. Perguntado sobre a expectativa para o desfile, ele pontuou a força da canção. “A expectativa sempre é muito positiva, seguimos na pegada de reestruturação, acabamos de voltar para o Grupo Especial e sabemos que é um pouco mais complexo. Mas está tudo muito positivo, a escola abraçou o novo projeto, o enredo e o samba-enredo – que, para mim, modéstia à parte, é um dos melhores do Especial. Tudo está muito positivo, as coisas estão acontecendo”, animou-se.

Regulamento sem segredo
Presente em absolutamente todas as discussões sobre o carnaval paulistano de 2024, o novo regulamento também foi destacado por diversos segmentos da alviverde. Jessika Barbosa, primeira porta-bandeira da agremiação, destacou as regras em entrevista. “Pra gente, o regulamento não mudou em nada. Hoje, o regulamento pede para que a gente faça o que mais gostamos de fazer: dançar. As novas regras pedem para que o casal dance mais e mostre mais a essência da dança. A gente valoriza muito a dança e o regulamento se tornou muitíssimo positivo”, tranquilizou-se.

Tal qual a responsável por conduzir o pavilhão máximo da escola, Igor não se assusta com o novo regulamento. Pelo contrário: agradeceu as mudanças. “No Rio de Janeiro já tinha esse tipo de trabalho ligado ao novo regulamento. Pra mim, o que muda é o que eu gostaria que viesse acontecendo há muito tempo: que o nosso trabalho fosse avaliado de verdade. Na Série Ouro (segunda divisão na pirâmide do carnaval carioca) já é assim, por exemplo. Não vão mais tirar ponto da gente junto com a Harmonia, não: agora é diretamente a gente. Agora, somos mais cobrados. E, por ser a voz de uma comunidade, eu concordo que temos, sim, que ser cobrados. O que muda, na minha opinião, é nós cantarmos com mais fervor e dedicação à escola”, destacou.

Mantendo a linha dos componentes, João Victor aproveitou para exaltar outra mudança relativa aos julgadores. “Acho que as mudanças no regulamento foram muito positivas, tinha que mudar algumas coisas, sim. Já estava na hora. Costumo dizer que não era só a mudança no regulamento, era isso e o preparo dos jurados. Tudo está sendo muito positivo, as coisas estão sendo muito positivas. Agora, é só se debruçar nas novas regras do jogo e trabalhar”, comentou.
Novo padrão de exigência
Nove vezes campeã do Grupo Especial, o Camisa Verde e Branco ficou mais de uma década no Grupo de Acesso I. O retorno, é claro, também foi citado por componentes da agremiação. “É uma estreia para a gente no Grupo Especial, já que estávamos no Grupo de Acesso I. É uma escola que vai abrir o carnaval, que está há onze anos longe do primeiro escalão. E é a responsabilidade de toda uma comunidade, que estava esperando ansiosamente por esse momento. Agora, estamos dando o nosso melhor e mais um pouco”, pontuou Jessika. Companheiro dela ao conduzir o pavilhão do Trevo, Alex Malbec, mestre-sala da agremiação, destacou a forte rotina de ensaios da dupla. “A frequência de ensaios tá redobrada! Não é pelo fato da escola ter voltado do Acesso I que nós entramos para permanecer, estamos indo em busca do título. Porém, sabemos que isso é uma consequência. Só precisamos trabalhar mais, mais e mais. No ano que vem, se tiver que ser diferente, vai ser o dobro”, prometeu.

A exigência, é claro, também está na fantasia do casal. E, de acordo com Jessika, ela está dentro dos conformes. “Já vimos a fantasia e ela já está em execução. Nós gostamos e já tiramos as medidas”, destacou. Alex, além de concordar com a parceira de dança, aproveitou para valorizar o trabalho de outro profissional. “Assim como no ano passado, a fantasia vai ser bem tranquila. O Renan é um carnavalesco muito caprichoso e tem intimidade com a gente, então os desenhos dele, além de estarem dentro do enredo, também são de acordo com o que gostamos: algo clean, confortável e visual”, detalhou.
Com funções administrativas, João Victor manteve o foco no trabalho. “A gente vem fazendo várias adaptações, a escola passou muito tempo no Grupo de Acesso I. É uma nova realidade para a escola. Vamos ter que reestruturar todos os segmentos porque não foram um ou dois anos, foram doze. Para a gente, tudo é novidade. Estamos fazendo várias reestruturações para voltar forte e fazer com que as coisas acontecendo”, afirmou.
Belo desfecho
Como já dito anteriormente, Gracyanne Barbosa abrilhantou ainda mais o ensaio. Já com o samba de 2024 em andamento, ela passou a fazer companhia a Sophia Ferro, rainha de bateria do Camisa – presente desde o início da atividade. Quem também marcou presença foi Belo, cantor e marido da modelo, que chegou junto da esposa.

Fazendo questão de sambar e interagir com a comunidade (sobretudo com os ritmistas), Gracyanne mostrou-se bastante sorridente e à vontade. Belo preferiu ficar no andar superior da quadra, observando a movimentação dos componentes. Se, em um primeiro momento, ela foi alvo de fotos e tietagens, os olhos se voltaram para o cantor assim que o ensaio se encerrava. E, então, vieram uma série de surpresas.

A primeira delas foi a exaltação ao cantor feita por Igor Vianna, que começou cantar a alguns sucessos do pagodeiro. Em determinado momento, ele foi encontrá-lo – e eis que ele aparece no primeiro andar, já cantando junto com o intérprete do Camisa. Ambos, então, ficaram no meio da comunidade – com muitas fotos sendo tiradas. Músicas como “Maçã do Amor” e “Tempo de Aprender”, ainda do tempo em que Belo era vocalista da banda Soweto, foram executadas. Para finalizar, ele apareceu na bateria cantando alusivos da agremiação sendo acompanhado por Sophia em um surdo.

Vale destacar que, no dia 18 de novembro, o cantor fará um show na Fábrica do Samba com apoio do Camisa – tanto que é possível comprar ingressos para a apresentação na quadra.


