Fé, samba e representatividade! Lavagem do Sambódromo emociona os sambistas e abre os caminhos para o Carnaval 2024
A Marquês de Sapucaí foi palco, na noite do último sábado, da tradicional lavagem, que ocorre anualmente antes dos desfiles. O ritual em que se pede proteção aos orixás para os desfiles vindouros foi marcado pela expressão de fé, devoção e religiosidade de diversos integrantes das escolas de samba do Rio de Janeiro. Ao início, uma saudação a Oxóssi, seguida dos toques de atabaques para Exú, Iemanjá e Omolu, com a presença de duas pessoas, uma representando Exú e outra Iemanjá, numa roda de orixás, que encantou aos presentes.

O presidente da Liesa, Jorge Perlingeiro, discursou agradecendo a presença do prefeito Eduardo Paes, citando os quarenta anos do Sambódromo e relembrando que a lavagem é um momento de fé, esperança e religiosidade para todas as agremiações que desfilam na Marquês de Sapucaí.
Em seguida, em um momento ecumênico, o Padre Antonio, da Igreja de São Jorge da rua da Alfândega, e do Barreto, rezou o Pai-Nosso pedindo para que o carnaval da Sapucaí seja abençoado e protegido, em especial nesta comemoração de quarenta anos. Milton Cunha assumiu o palco com a cantora lírica Nanda Soprano que entoou a Ave Maria enquanto o carnavalesco recitava um texto escrito pelo jornalista Cláudio Vieira para a homenagem aos quarenta anos do Sambódromo, ressaltando a importância matriarcal no samba, referenciando a figura das mães baianas que ensinam as novas gerações e descortinam o caminho para o futuro.

“E lá se vão quarenta carnavais. É hoje, mas parece que foi ontem. Eu lembro da primeira vez que as senhoras baianas emolduraram com a barra de suas saias a recém inaugurada Praça da Apoteose, a praça que se esvaiu do delírio, mas as saias das mães baianas continuam rodando de sonhos e sonhos, perpetuando as lutas pela liberdade, justiça, igualdade e dignidade”, assim iniciava o texto lido por Milton.
Gabriel David, diretor de Marketing da Liga, falou sobre a importancia da lavagem para os sambistas em geral: “É um dia muito importante que a gente, que é Sambista e vive isso todos os anos, há muito tempo, aguarda todo o novo ciclo de carnaval. É o momento da gente jogar as nossas melhores energias na avenida, das mães baianas literalmente abrirem caminho para que a gente possa ter um grande carnaval. Mas acima de tudo, que a gente possa fazer desse lugar sagrado um lugar de felicidade, um lugar de amor, um lugar de boa energia e emanar isso para o mundo”.

Luciana Milagres, umas das baianas preparadas para lavar a Sapucaí, comentou um pouco sobre esse momento tão especial da preparação da maior festa do planeta: “É pura energia, amor, acolhimento, paz. Vamos abrir aí os caminhos, os trabalhos para a gente ter um carnaval só de amor, felicidade. Chega de briga, chega de impasses, vamos perdoar, vamos aceitar o próximo”. Ela complementou com a emoção de estar presente pela primeira vez na Lavagem da avenida: “Tem uma questão pessoal, familiar. Estou aqui agradecendo cura. Estou me despedindo de pessoas que se foram e eu já desfilo na Vila Isabel, já não, só há dois anos e já tive a honra de ser convidada a participar aqui da lavagem e estou muito feliz, muito realizada, muito emocionada”.

Já Sueli da Fonseca, outra dentre as baianas que lavaram a passarela, falou da emoção e do cortejo da lavagem: “É uma paz, é uma coisa linda, linda de se ver, de fazer e de estar presente também. Tanto a lavagem como o desfile em si é muito lindo, é muito emocionante, muito bonito”.

Outros integrantes presentes também se emocionaram com a realização de mais um ano da efeméride. O terceiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Viradouro, João Oliveira e Duda Martins, representou a escola durante o desfile da lavagem.

Para João, foi um momento essencial de limpeza e purificação: “Carnaval é um meio difícil de se dar, de se trabalhar, é muito trabalho, muita competição o tempo todo, infelizmente, mas é ossos do ofício. E a lavagem ela vem para literalmente limpar e harmonizar todo esse momento para fazer um grande espetáculo”. Duda complementa: “Acho que a gente se sente limpo, exatamente. O carnaval é um meio de energias que envolve tanto as coisas boas quanto as coisas ruins, então a lavagem vem limpando e renovando a energia de todo mundo”.
O CARNAVALESCO também falou com a deputada estadual Martha Rocha, filiada ao PDT, partido de Brizola e Darcy Ribeiro, idealizadores da Passarela do Samba, que leva o nome do último. A deputada relembrou deles, e da importância do carnaval como um espaço de cultura e inclusão:
“Esse carnaval vai ser diferente, é muito importante para todos nós. São quarenta anos de sambódromo, esse espaço cultural, a maior expressão da civilidade, da cultura brasileira, que foi concebido exatamente por Leonel Brizola, Darcy Ribeiro e Oscar Niemeyer. Então é fundamental que a gente esteja aqui vivenciando esse momento de união, de diversidade, de dignidade”.

Sobre a lavagem, a deputada ressaltou a energia, e contou que sempre que pode vai ao Sambódromo: “É com muita alegria que a gente está assistindo aqui à lavagem com essas mulheres maravilhosas que abrem o samba com toda essa boa energia. Sempre que eu posso eu estou no sambódromo para assistir o carnaval e cada vez que a gente passa aqui o coração da gente dispara como se você a primeira vez, quando batem os primeiros sinais, quando a bateria dá o anúncio que vai entrar e aqui a gente sai renovada”. Por fim, Martha Rocha ressaltou a pluralidade religiosa da festa como caminho de paz: “Então que simbologia dessa união de várias crenças, do sagrado e do profano, que essa sintonia seja uma sintonia de paz para todos os cariocas e para todos os brasileiros”.

Os espectadores presentes também falaram sobre o impacto do ritual. Keire Bento, de 43 anos, veio pela primeira vez para a lavagem da avenida, falou do momento como um ponto de culto a ancestralidade para as religiões de matriz africana, e ressaltou a beleza e a importância da liberdade religiosa: “É bacana a gente ver, é um misto de crenças, mas é importante também a gente não desacreditar da fé e da religião das outras pessoas. Ter o respeito, porque o respeito é importante. Acho que é um marco para o carnaval, faz toda a diferença. Aqui é para abençoar a avenida, para que o carnaval seja perfeito, seja maravilhoso, que todo mundo possa se divertir e ser feliz porque carnaval é isso”.
Tiago Brito, de 40 anos, também veio pela primeira vez para a lavagem, e gostou muito dos ritos que abriram os caminhos para o Carnaval 2024: “Eu gostei bastante, é uma energia muito forte, e eu estou achando muito maior do que eu esperava. É realmente emocionante, porque ano passado, eu vim ao Sambódromo, mas eu fiquei na frisa. Então, esse ano, descendo aqui, parece completamente diferente”.

A passagem do cortejo foi ao som de sambas de enredo clássicos, inicando com “Aquarela brasileira” do Império Serrano, “Atrás da Verde e Rosa só não vao quem já morreu” da Mangueira, “Kizomba, a festa da raça” da Vila Isabel, “Um Mouro no Quilombo” do Tuiuti, entre outros, que guiaram as baianas durante toda a lavagem. Conduzida por Mestre Casagrande, a bateria foi formada por diversos integrantes de diferentes escolas de samba, e contou com o prefeito Eduardo Paes e Gabriel David, entre os componentes.
Vídeos | opinião sobre os ensaios de sábado e mais: arrancada, ala a ala e bateria
GRANDE RIO
BEIJA-FLOR
VILA ISABEL
Radiante, adorada pela comunidade e ‘cravejada de cristais’, Sabrina Sato exala gratidão e inspiração para Vila Isabel
Sabrina Sato, rainha de bateria que irá desfilar pela 12ª vez à frente da ‘Swingueira de Noel’, afirma se considerar ser uma das personalidades do carnaval carioca nesses 40 anos de Sapucaí e, vestida de cristais importados da cabeça até as unhas do pé, dedica todo esse brilho, que nem se compara ao dela, para a Vila Isabel.

Sempre sorridente, atenciosa e extremamente querida por todos, Sabrina Sato chegou ao Sambódromo mais uma noite para o ensaio técnico. Atendendo fãs, imprensa televisiva, impressa e on-line, ela não deixa ninguém sem uma resposta sua e um sorriso, ainda mais se a pessoa for da Vila. Com um filho do mestre Macaco Branco no colo, ela explica o enredo ‘Gbalá’ para aqueles que estão em volta e deixa a comunidade de noel em êxtase com sua presença. Com uma fantasia toda composta por cristais, com um sorriso no rosto e um olhar faceiro, ela explica que a Vila Isabel merecia aquele brilho no ensaio técnico.
“Eles mandaram todas essas joias da Swarovski para o Brasil e foram fazer a roupa. Foi uma fantasia produzida especialmente para esse dia tão especial, porque a Vila Isabel merece, a Sapucaí merece. E esse ensaio tem que ter gostinho já de carnaval. Então a gente coloca cristal, coloca tudo para causar”, afirma Sabrina.
Neste ano, a Sapucaí completa 40 anos e é inegável a relevância de Sabrina Sato para o carnaval carioca, visto a reação do público quando ela atravessa a avenida todos os anos. Paulista e dona de um sotaque bem diferente do carioquês, ela mesmo reconhece que, mesmo com essas diferenças, cravou seu lugar no panteão sambista do Rio de Janeiro.
“Claro que sou uma personalidade do carnaval. Tenho muita paixão, eu sou muito feliz. E eu me sinto muito honrada de ser uma das personalidades, de fazer parte dessa história da Sapucaí. Ainda mais vinda do interior de São Paulo. Então assim, fui abraçada pela comunidade de Vila Isabel. Fui abraçada aqui pela Sapucaí. E eu sou muito grata, sempre acompanhei tudo o que acontecia aqui”, conta a rainha.
Com a reedição do enredo “Gbalá- Viagem ao templo da criação”, a Vila Isabel traz uma mensagem de conscientização, de nós para com o nosso mundo, que devemos valorizar as crianças. Sabrina, que é mãe, demonstra estar imersa e muito tocada pelo enredo da agremiação e, como uma legítima rainha, seu discurso encoraja os seus súditos que vestem azul e branco.
“O nosso nome já diz, unidos, Unidos de Vila Isabel. A gente vai fazer um desfile lindo, com um enredo que a gente ganhou de presente no Martinho da Vila, em 1993. Uma reedição maravilhosa que tem tudo a ver com o momento que a gente está vivendo. A gente precisa cuidar das nossas crianças, a gente precisa pensar no nosso futuro, a gente precisa lembrar das nossas raízes e cuidar da nossa criança interior, para poder ter um futuro maravilhoso. Esse enredo vai contagiar a Sapucaí, porque a gente tem que estar junto, a gente tem que estar cantando, a gente tem que estar vibrando com a nossa energia que só a Vila Isabel tem. Vamos com tudo comunidade, eu amo vocês demais”, bradou Sabrina em direção a sua bateria.
Imperador do Ipiranga é favorita em Grupo de Acesso II de SP marcado por problemas
Por Gustavo Lima, Eduardo Frois, Lucas Sampaio, Fábio Martins e Will Ferreira
O primeiro dia de desfiles do carnaval de São Paulo foi marcado por problemas em agremiações, Camisa 12 e Uirapuru da Mooca estouram o tempo, enquanto Imperatriz da Paulicéia tem problema na alegoria. Por outro lado, Imperador do Ipiranga é destaque e é favorita, tradicionais Peruche e X-9 Paulistana brigam por vaga no Acesso II, além da Primeira Líder que homenageou Portela. Veja abaixo como foi cada desfile.
UNIDOS DE SÃO MIGUEL
De volta ao Sambódromo do Anhembi após dez anos, a Unidos de São Miguel abriu a noite de desfiles do Grupo de Acesso II com boa estética visual e muita energia. O destaque da exibição ficou por conta da beleza e do cuidado com as fantasias, além da bateria Swing da Nitro. A Tricolor do Extremo Leste paulistano apresentou o enredo “Um príncipe negro na corte dos esfarrapados”. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE // LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA
UNIDOS DE SÃO LUCAS
Segunda escola a desfilar no Grupo de Acesso II neste sábado, a Unidos de São Lucas, claramente, mostrou poder de investimento e ótima capacidade de realizar carros alegóricos bastante imponentes e belos. Também chamou atenção o samba-enredo, dos mais aclamados de todo o carnaval paulistano, e a evolução do casal de mestre-sala e porta-bandeira – que, pouco a pouco ao longo do ciclo carnavalesco, melhoraram e tiveram exibição bastante segura. O canto da agremiação, entretanto, foi irregular (e abaixo no segundo setor) e o tripé da comissão de frente tinha ao menos uma rodinha aparente. O desfile para defender o enredo “O Canto das Três Raças… o grito de alforria do trabalhador!” durou 58 minutos. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE // LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA
IMPERATRIZ DA PAULICÉIA
Terceira escola a se apresentar nesta noite de desfiles do Grupo de Acesso II do Carnaval São Paulo, a Imperatriz da Paulicéia fez uma vibrante apresentação. A exibição da comissão de frente e o desempenho da bateria foram os destaques da escola, porém o capricho estético das alegorias acabou comprometido por uma escultura do segundo carro que passou sem a metade de seu braço esquerdo. Com o enredo “Maracatu – Bendito é o seu rito”, a Azul e Branco da Zona Leste encerrou sua passagem pelo Anhembi aos 46 minutos. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE // LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA
AMIZADE ZONA LESTE
O Amizade Zona Leste realizou na noite de sábado seu desfile no Sambódromo do Anhembi. Com destaque para a atuação da ala musical, que se comunicou muito bem com a bateria, a agremiação teve vários problemas de atuação, em especial da comissão de frente. O Trevo de São Matheus foi a quarta escola a se apresentar pelo Grupo de Acesso 2, fechando os portões aos 50 minutos, o máximo previsto pelo regulamento. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE // LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA
UIRAPURU DA MOOCA
O começo do desfile da Uirapuru da Mooca em 2024 foi arrebatador. Com uma comissão de frente bastante criativa e um abre-alas bastante bonito, a agremiação impressionou quem estava observando a apresentação. O final, entretanto, foi cruel: o tempo-limite de cinquenta minutos para concluir a exibição foi estourado em dezesseis segundos – e, pelo regulamento, faz com que a agremiação perca três décimos em obrigatoriedades, de acordo com o regulamento. Fazendo uma homenagem a uma ilustríssima coirmã carioca, a agremiação defendeu o enredo “Da Estrela Guia Que Brilha No Céu, Vem Aí a Mocidade Independente de Padre Miguel”, sendo a quinta a se apresentar no Grupo de Acesso II da folia paulistana neste sábado. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE // LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA
X-9 PAULISTANA
A X-9Paulistana levou o Nordeste para o Anhembi. O desfile se destacou pelo visual colorido que se viu, claramente algo alegre que a comissão de carnaval quis passar para o público. A comissão de frente, executando as danças típicas do Nordeste também merece um adendo especial. Todo o visual foi caprichado, as fantasias além de belas, davam conforto aos componentes e, por fim, as alegorias deram tom na apresentação. A X-9 Paulistana foi a sexta escola a desfilar, com o enredo “Nordestino Sim, Nordestinado Jamais”, assinado por uma comissão de carnaval. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE // LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA
CAMISA 12
Quem acompanhou o início do desfile da Camisa 12 jamais poderia esperar pelo final do mesmo. Com uma comissão de frente muito bem celebrada e um abre-alas extremamente imponente, a escola começou a exibição impressionando. Com os primeiros componentes evoluindo morosamente, um acidente com o segundo carro alegórico, um passo bastante apertado nos últimos dez minutos e o estouro do cronômetro em um inacreditável segundo (!), cabe ressaltar o bom apresentado pelo samba-enredo, a boa condução por parte de bateria e ala musical e uma noite bastante segura do casal de mestre-sala e porta-bandeira ao defender o enredo “Meu Black é de Rei, Minha Coroa é de Chico. Chico Rei Entre Nós”, sétima agremiação a desfilar no Grupo de Acesso II neste sábado. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE // LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA
PRIMEIRA DA CIDADE LÍDER
A Primeira da Cidade Líder realizou na noite de sábado seu desfile no Sambódromo do Anhembi. O conjunto visual formado tanto pelas fantasias quanto pelas alegorias se destacou na apresentação, que teve problemas de evolução na reta final. A Azul e Amarelo da Zona Leste foi a oitava escola a se apresentar pelo Grupo de Acesso 2, fechando os portões aos 49 minutos. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE // LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA
IMPERADOR DO IPIRANGA
É difícil destacar um único quesito no desfile da Imperador do Ipiranga no Grupo de Acesso II em 2024. Bastante coesa, a agremiação foi a nona a se apresentar para defender o enredo “Desperte a Criança que Há Dentro de Você” e conseguiu destaque, entre outros motivos, pela ótima Evolução, por carros alegóricos bonitos e muito bem acabados e uma bateria com naipes pouco comuns hoje em dia. Encerrado em 49 minutos, o desfile empolgou componentes e arquibancadas. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE // LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA
MORRO DA CASA VERDE
O Morro da Casa Verde realizou na noite de sábado seu desfile no Sambódromo do Anhembi. O samba da escola interpretado por Wantuir foi o grande destaque da apresentação, que teve constantes problemas de evolução. A Verde e Rosa da Zona Norte foi a décima escola a se apresentar pelo Grupo de Acesso 2, fechando os portões aos 49 minutos. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE // LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA
PERUCHE
Fechando os desfiles do Grupo de Acesso II, entrou em jogo o pavilhão mais pesado da divisão, a Unidos do Peruche. Com um enredo afro, a abertura da agremiação foi forte, já com uma comissão de frente trazendo a figura de Exú e um abre-alas nas cores douradas e uma escultura negra imponente, que aparentemente representava a rainha Ronke, título do enredo. Outro destaque do desfile foi o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Gabriel Vullen e Joice Prado. Os dois realizaram uma apresentação digna do tema, com coreografias afro e execução satisfatórias dentro de uma dança do quesito. A bateria “Rolo Compressor”, de mestre Marcel, executou bossas diferenciadas e deu um andamento correto para a escola. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE // LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA
Peruche encerra desfiles tendo como destaques comissão de frente e casal de mestre-sala e porta-bandeira
Por Gustavo Lima e fotos de Fábio Martins
Fechando os desfiles do Grupo de Acesso II, entrou em jogo o pavilhão mais pesado da divisão, a Unidos do Peruche. Com um enredo afro, a abertura da agremiação foi forte, já com uma comissão de frente trazendo a figura de Exú e um abre-alas nas cores douradas e uma escultura negra imponente, que aparentemente representava a rainha Ronke, título do enredo. Outro destaque do desfile foi o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Gabriel Vullen e Joice Prado. Os dois realizaram uma apresentação digna do tema, com coreografias afro e execução satisfatórias dentro de uma dança do quesito. A bateria “Rolo Compressor”, de mestre Marcel, executou bossas diferenciadas e deu um andamento correto para a escola.
Com o enredo “Da Cultura do Reino de Ifé, Ao Legado da Rainha Ronke”, assinado pelo carnavalesco Mauro Xuxa, a Unidos do Peruche encerrou os desfiles do Grupo de Acesso II.
Comissão de frente
A ala, coreografada por Fernando Lee, representou a “Criação do Mundo na Cultura Yorubá”. Na coreografia, havia uma figura principal simbolizando a entidade Exú. Outras figuras tinham como representação pássaros com fantasias nas cores laranja e marrom. Esses componentes vestidos de aves ficavam juntos o tempo todo e em determinado momento da apresentação se juntavam a Exú. aparentemente, davam energia ou poder para a figura, que transitava pelo espaço da comissão.

Também na ala, tinha integrantes vestidos de brancos. A dança deles era intensa, mas como personagem, não deu para identificar ao certo o que representava.
Mestre-sala e Porta-bandeira
O casal que fez o seu primeiro desfile oficial pela ‘Filial do Samba’, Gabriel Vullen e Joice Prado, teve como participação dentro do contexto do desfile a “Ancestralidade”, sendo a sua fantasia. A dupla mesclou os giros horário e anti-horário com as coreografias dentro do samba. Grande apresentação do casal, colocando passes afro na dança. O ponto-destaque ficou no terceiro módulo, onde deu para ver que Gabriel e Joice se soltaram mais.

Enredo
A Unidos do Peruche, para 2024, levou ao Anhembi a história da rainha Ronke, uma realeza da Nigéria onde foi exaltada no desfile a religiosidade e a história da mulher. Também foi bastante citada a moda, que a rainha teve como carreira em sua vida. Por exemplo, alas foram ao desfile nomeadas como “São Paulo/África” e “África Fashion Week”, pois Ronke fez parte do desfile ‘São Paulo Fashion Week’, que é um dos eventos de moda mais famosos do Brasil e do mundo.

Alegorias
O abre-alas, que veio simbolizando o “Reino de Ilê Ifé” – no carro, vinha uma escultura de uma mulher negra com asas e a cor dourada predominante. Suponha-se que seja a rainha como uma espécie de anjo. A escola levou um tripé entre as alas. Consistia em uma escultura de uma mulher batendo um tambor.

A segunda alegoria, retratou a “Coroação da Rainha Ronke no Samba pelo Quilombo Perucheano” com esculturas de um homem negro na frente.
Fantasias
A agremiação apresentou um conjunto satisfatório de vestimentas. Nada de luxo, porém era uma safra que dava para os desfilantes dançarem com facilidade. O destaque fica para o segundo setor, após o tripé. Materiais como plumas apareceram discretamente. A maioria foi visto nos adereços de cabeça.

Harmonia
No ensaio técnico, o Peruche havia mostrado dificuldades no canto. Elas apareceram nas primeiras alas, mas depois as vozes fortes começaram a aparecer. O refrão de cabeça, que tem uma melodia empolgante e bela, foi a parte mais cantada pelos desfilantes.
Samba-enredo
O samba foi composto por Fredy Vianna, Jorge Alckmista, Ronny Potolski, Nando do Cavaco, Dr. Edson, André Filosofia, Rodrigo Atração, Alcides Júnior, Edson Liz, Dema, Everton Barbosa e Xandinho Nocera. Foi bem interpretado na voz do intérprete Renan Bier. O cantor estreou em um desfile oficial com o Peruche e conduziu a sua ala musical de forma satisfatória. O samba teve como o seu ponto alto o refrão de cabeça.

Evolução
A evolução oscilou. Começou bem, porém deu alguns sustos. Um exemplo foi um grande espaçamento após o recuo. Não se sabe se foi buraco ou não, mas o fato é que estava depois da visão do segundo módulo e mais perto da visão do terceiro. Aparentemente não dava para ver, mas vale o destaque, pois isso pode configurar deduções. Outra questão foi o tempo. O Peruche fechou o desfile com 50 minutos, ou seja, em cima da hora. Teve que apertar o passo no final. Uma problemática no quesito. Entretanto, vale destacar que no decorrer do desfile, entre as fileiras, os componentes tiveram a liberdade de se mover alinhados, compactos e soltos.

Outros destaques
Baianas desfilaram representando o “Textil Adirê”, com uma fantasia em tom marrom. A bateria “Rolo Compressor”, comandada por mestre Marcel, que fez a sua estreia, realizou várias bossas e rendeu bastante no desfile.

A corte de bateria foi recheada. Esteve presente a rainha Andreya Venâncio. Ao lado delas, a princesa Yasmin Lagatta e a madrinha Susana. Outra participante foi a menina Danda – Todas bem fantasiadas.
Vila Isabel faz ensaio técnico de alto nível de harmonia e evolução, mostrando excelência na defesa dos quesitos
Por Rafael Soares, Luan Costa, Maria Clara Marcelo, Lucas Santos e fotos de Allan Duffes
A Unidos de Vila Isabel foi a terceira e última escola de samba a se apresentar na noite deste sábado em mais um dia de ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí. A agremiação teve que atrasar o início de seu treino por conta de um defeito no carro de som, que precisou ser trocado. Mesmo com a demora, quando o ensaio começou, por volta de 23h20, a Vila já mostrou toda sua força. A branca e azul estabeleceu um padrão alto de desfile e consegue repetir em todos os treinos que realiza. A defesa de quesitos é exemplar. A começar pela harmonia, que foi de grande volume e constante por todo o cortejo. Na evolução, vimos uma verdadeira aula. Um ritmo muito fluido e agradável para que os componentes desfilassem com tranquilidade para brincar. O aclamado samba-enredo, de autoria do gênio Martinho da Vila em 1993, e reeditado em 2024, teve mais um ótimo rendimento. Muito impulsionado por mais uma atuação de gala de Tinga e seu carro de som, sempre passando bastante energia aos desfilantes. E também por um desempenho formidável da bateria do mestre Macaco Branco, que impôs uma cadência perfeita para a execução da obra, além de bossas de qualidade musical e muito adequadas.

A comissão de frente chamou a atenção pela representação de Oxalá em uma coreografia cheia de significado, embora com movimentos mais tranquilos. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marcinho e Cris Caldas, dançou novamente mostrando muita beleza e segurança, apesar de um pequeno erro do mestre-sala na segunda cabine ao tentar pegar a bandeira. Mas isso não apagou o brilho da atuação, que ainda teve um belo momento de interação com crianças no final do número.
A Vila Isabel levará para a Sapucaí a reedição do enredo “Gbalá – Viagem ao templo da criação”, de autoria do saudoso carnavalesco Oswaldo Jardim em 1993. Neste ano, o carnavalesco Paulo Barros será o responsável pelo trabalho. A branca e azul será a terceira escola a desfilar na segunda-feira de carnaval, dia 12 de fevereiro.
“Foi um ensaio muito positivo na nossa avaliação. Ao meu ver fizemos ótimos ensaios na Boulevard 28 de Setembro, e o reflexo, obviamente, aqui no ensaio técnico, e esperamos que seja no desfile oficial.Gostaria de agradecer a todos o segmentos. E tenho que agradecer a comunidade que vem cantando muito, evoluindo muito. É um trabalho que a gente fez desde lá de trás,em outubro. E temos que valorizar, não só os ensaios de rua, mas os ensaios de setor que a gente fez fora dos ensaios da 28, dentro da quadra. E com tudo isso, a comunidade vem passando. Estou muito feliz e com a certeza de dever comprido. E o que a gente almeja, ansia é campeonato, único sentimento que a e gente têm, ser campeões de 2022”, explicou Moisés Carvalho, diretor de carnaval da Vila.
Comissão de frente
O grupo de bailarinos, comandados pelos coreógrafos Alex Neoral e Márcio Jahú, realizou uma apresentação com bastante significado. Quase todos eram homens, vestidos com roupas brancas, empunhando escudos e espadas. Um deles estava caracterizado como Oxalá. A única mulher estava vestida em cores verdes e representava a mãe natureza. Esses dois personagens tiveram grande destaque no número. De forma geral, os movimentos continham giros e pulos, bem sincronizados, embora mais simples. Em determinado momento, os guerreiros se reuniram em torno da bailarina e puxaram uma rede de dentro de sua bolsa levada nas costas. O dançarino que representava Oxalá se encaminhou para baixo dessa rede e começou a ser carregado por outro integrante.

“Eu me emocionei em vários momentos. Tinha umas crianças atrás também com um casal, que eu achei lindíssima a relação delas com o casal. Acho que os meninos da comissão estavam lindos, interpretando muito bem o que vieram fazer, o oxalá, a dança. Achei muito lindo, daqui da frente foi muito bonito”, disse Márcio Jahú.
“Tem elementos, certamente. Porque também a gente tem que fazer de todo esse esforço do ensaio ser proveitoso pra gente. Então assim, logicamente a gente guarda os elementos surpresas, o que a gente tá realmente trabalhando a sete chaves, mas é sempre bom estar aqui, experimentando um pouquinho das ideias que a gente vai trazer”, completou Alex Neoral.
Mestre-sala e Porta-bandeira
Marcinho Siqueira e Cristiane Caldas, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Vila Isabel, pode ser considerado uma das melhores duplas da atualidade no quesito. Em mais uma ótima apresentação, os dois mostraram uma dança bem clássica, sem muitos momentos coreografados, embora com alguns movimentos mais ousados. Cristiane exibiu toda sua leveza característica ao bailar na avenida, parecendo levitar. Marcinho, sempre muito expressivo, mostrou sua habitual segurança e destreza. Os pontos de interação entre os dois foram muito belos, com uma sintonia que chamou a atenção. O mestre-sala fez duas pegadas de costas na bandeira, movimento sempre bem arriscado. Na segunda cabine de jurados, entretanto, Marcinho acabou deixando escapar, o que representa um ponto de atenção para o casal.

“A gente estava ensaiando, teve alguns erros, mas nada que daqui para frente a gente consiga consertar. E acho que foi um ensaio lindo. Espero que a Vila também tenha feito um ensaio lindo. Teremos duas fantasias, talvez. Dei um spoiler”, revelou a porta-bandeira.
“Treino é treino, jogo é jogo. Claro que a gente treina como se estivesse jogando, mas o treino serve para gente não repetir os erros. Então, a gente trabalhou muito e hoje foi ótimo para gente perceber algumas coisas e fazer diferente. Fazer tudo certo, tudo, tudo, tudo, tudo certo na segunda-feira. A nossa coreografia é ousada. Eu acho que a gente tentou, pelo menos, manter o nível de ousadia e de criatividade do ano passado. Porque a gente sabia que o efeito não podia se sobressair a nossa dança e aí a gente tentou manter o nível e a gente até talvez tenha elevado um pouquinho. Então, assim, a gente está trabalhando muito para poder fazer, sustentar esse nível e fazer a ousadia que a gente está pretendendo. Sobre a fantasia: Uma frasezinha, luz da esperança”, completou o mestre-sala.
Samba-enredo
A Vila Isabel escolheu reeditar um clássico samba de sua grandiosa história. De autoria do gênio compositor Martinho da Vila, “Gbalá – Viagem ao Templo da Criação” ainda é muito atual, possuindo alta qualidade de letra, que é muito poética, e melodia, com suas belas variações. O enredo é facilmente entendido através da obra musical. Seu rendimento, mais uma vez, se mostrou excelente. Através do forte canto da comunidade, impulsionado por atuações exemplares do intérprete Tinga e da bateria de mestre Macaco Branco.
“Maravilhoso nosso ensaio, a comunidade está muito feliz com o samba, com o nosso enredo, e vamos com tudo. Vila Isabel está vindo aí com força total para buscar esse título. Respeitando a todos, mas a gente vai vir para ganhar, se Deus quiser. Só que 100% nunca está, a gente vai procurar melhorar sempre até o dia de entrar na avenida. Mas esse foi o nosso último ensaio e espero que agora a gente consiga fazer um grande desfile. Eu converso muito com o Macaco Branco para a gente botar o samba no lugar, no andamento certo. Então, toda a bateria, toda a comunidade está de parabéns. Foi um grande ensaio, e se Deus quiser, também faremos um grande desfile”, prometeu o intérprete Tinga.
Harmonia
Mais uma ótima apresentação de canto da comunidade de Vila Isabel. Todas as alas cantaram a obra musical com muita facilidade, mostrando ter o samba na ponta da língua. Foi uma harmonia muito consistente, que pode ser ouvida desde o começo do cortejo até o seu final, mesmo sem ser explosiva. O ponto alto certamente é o refrão principal “Gbala é resgatar, salvar/E a criança, esperança de Oxalá/Gbala, resgatar, salvar/A criança é a esperança de Oxalá”, cantado com um volume incrível. Mas as demais partes também foram entoadas em ótimo nível. Talvez seja repetitivo falar do desempenho de Tinga, cantor principal da escola, mas é a pura verdade. Sua atuação foi fantástica do início ao fim do cortejo. Com uma voz limpa, o intérprete adicionou a sua já conhecida energia para embalar os componentes.

Evolução
Grande apresentação da escola no quesito. Imprimindo um ritmo fluido de desfile durante todo o ensaio. O desfile foi constante, sem qualquer pausa mais longa ou aceleração indevida. Nenhuma espécie de buraco foi observada entre suas alas. Esse padrão de evolução se tornou uma marca da agremiação. E ela consegue repeti-lo com muita naturalidade, mostrando um ótimo trabalho dos profissionais envolvidos. Essa cadência perfeita de cortejo permitiu com que os desfilantes brincassem bastante seu carnaval, exibindo muita animação e espontaneidade. Os balões e pompons que carregavam deram um efeito a mais, além de deixar ainda mais marcante a felicidade dos componentes.

Outros destaques
Como já se tornou costumeira, atuação de excelência da bateria do mestre Macaco Branco. Os ritmistas impuseram uma cadência muito adequada para o rendimento do samba-enredo na voz dos intérpretes e dos componentes. Todas as bossas foram de muita qualidade musical, bem adaptadas à obra, impulsionando ainda mais seu desempenho. Em uma delas, todos os instrumentos pararam de ser tocados, o famoso ‘apagão’. Isso deixou ainda mais nítido o grande nível de canto da Vila Isabel.

